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CULTURA DO MILHO Botânica e Ecofisiologia Profa. Dra. Érica de Oliveira Araújo Instituto Federal de Rondônia O milho é uma gramínea que pertence a família Poaceae, genêro Zea e espécie Zea mays L. Botânica da planta de milho ORIGEM: continente americano (américa central GUATEMALA e MÉXICO. TEOSINTO se restringe a essa área (parente selvagem); Evidências arqueológicas indicam que o milho é mais antigo no MEXICO. Domesticação + 10.000 anos. Fonte: Galvão, Borém e Pimentel, 2017. Fo to : v iv en do ci en ci a. c om .b r Figura 1: (A) À esquerda, o teosinte (Zea mays ssp mexicana), uma das subespécies a partir da qual o milho foi domesticado. No centro um híbrido (F1) resultante da primeira geração do cruzamento entre o teosinte e o milho, e à direita o milho domesticado (Zea mays L.). (Fonte: Wikipedia, https://en.wikipedia.org/wiki/Zea_(plant)#/media/File:Maize-teosinte.jpg. Foto: John Doebley). (B) Diversidade de cultivares de milho (Fonte: The International Maize and Wheat Improvement Center, CIMMYT). https://en.wikipedia.org/wiki/Zea_(plant)#/media/File:Maize-teosinte.jpg O homem foi selecionando (DOMESTICAÇÃO) características da planta que atendiam as suas necessidades; VARIABILIDADE GENÉTICA (conservação BANCO GERMOPLASMA) Fo nt e: X oc hi qu et za l F on se ca /C IM M YT . TIPOS ESPECIAIS DE MILHO Deve-se a uma mutação que, quando presente, resulta no bloqueio da conversão de açúcares em amido no endosperma. Gene sugary e shruken (isolados ou em conjunto): DOCE/ Gene brittle SUPERDOCE MILHO DOCE MILHO-PIPOCA MINIMILHO Pericarpo resistente e fechado Temperatura, umidade e óleo (endosperma exposto) Inflorescência feminina antes da polinização, ou seja, sabugo jovem. Doce: 9%-14% de açúcar e de 30%-35% de amido Superdoce: 25% de açúcar e de 15%-25% de amido. MILHO SILAGEM A planta atinge 30-35% de matéria seca Ponto de colheita: 2/3 da linha do leite (campo) Estádio R5 (grão farináceo-duro) Fonte: Rehagro.com.br Composição química Anatomia do grão de milho e suas partes. Plúmula, Radícula e Escutelo Sua função é absorver o material degradado do endosperma e transportá- lo para o embrião, viabilizando o crescimento (cotilédone).meristema apical caulinar provido de primórdios foliares Anatomia do grão de milho e suas partes. Fonte: PAES, 2006. 75% amilopectina 25% amilose hemicelulose (67%) e celulose (23%), embora também contenha lignina (0.1%) Fornecer proteção e suporte nutritivo para o desenvolvimento do embrião e da germinação. Qual a função do endosperma? Fonte: PAES (2006) e Milhão.net (2020) Reservas armazenadas são consumidas durante a formação do embrião (armazenamento ocorre nos cotilédones) Existe semente sem endosperma? Sementes albuminosas ou endospermáticas Sementes exalbuminosas ou não-endospermáticas Reservas armazenadas destina-se a nutrição do embrião durante a germinação. MILHO endosperma vítreo, endosperma farináceo Há variação quanto à composição química do grãos e/ou sementes? A composição química pode ser influenciada por quais fatores? O milho é uma planta C4: mais eficiente na produção de matéria seca e produção de grãos. Fisiologia da planta de milho Célula vegetal As células vegetais formam os tecidos das plantas e são constituídas por diversas organelas, algumas específicas como os cloroplastos, que lhe permite realizar a fotossíntese. Tecidos vegetais O tecido é o conjunto de células morfologicamente idênticas que desempenham a mesma função. Cloroplastos Cloroplastos São organelas celulares que possuem clorofila (a/b) --> localizadas no sistema de membranas, denominado de tilacóides. carotenóide: são pigmentos fotossintetizante que absorve luz em comprimento de onda diferente das clorofilas, e transfere a energia para a clorofila a, aumentando o aproveitamento da luz no processo. A principal função dos carotenoides é protegem a clorofila do excesso de luz e evitam a formação de moléculas oxidativas prejudiciais à célula. Fase I - FOTOQUÍMICA Fase II - QUÍMICA A partir do açúcar simples (glicose), a plantas produzirá açúcares mais complexos, como o amido. Estroma dos cloroplastosMembrana dos tilacóides Fotossíntese A planta utiliza a energia luminosa para quebrar a molécula de água e reduzir o dióxido de carbono (fixar), e consequentemente libera oxigênio para formar compostos carbonados (carboidratos). a fixação do carbono é feita pela enzima fosfoenolpiruvato carboxilase (PEPcase) caracterizada por uma camada de células do mesofilo que facilita a fotossíntese via C4, pois muito mais energia pode ser produzida e armazenada. Na via C4, o CO2 atmosférico é inicialmente fixado nas células do mesófilo, em um ácido orgânico com 3C, o fosfoenolpiruvato (PEP) ( atuação da enzima PEPcase), e posteriormente gerando um ácido orgânicos de 4C (e para isso usam a energia produzida na fase fotoquímica (fase I). Tais ácidos orgânicos de 4C migram para a bainha perivascular (onde haverá a atuação da enzima Rubisco), onde são descarboxilados, liberando CO2, e um ácido orgânico de 3C, que retorna ao mesófilo para regeneração do substrato de 3C, visando a carboxilação primária. Em condições de alta temperatura e luminosidade, a fotossíntese C4 tem uma taxa mais alta e é mais eficiente do que a C3. Esse desempenho é possível pela presença da bainha vascular. Essa característica reduz a atividade oxigenase da rubisco e, em última análise, a fotorrespiração, já que o nível de CO2 dentro dessas estruturas pode ser até 10 vezes maior do que nos espaços intercelulares. Como consequência, o CO2 liberado é refixado com pouca ou nenhuma influência do O2 competitivo, aumentando a eficiência fotossintética. A fotossíntese é influenciada por diversos fatores ambientais, entre eles, a luminosidade e a temperatura, conforme apresentado no gráfico abaixo. As diferentes partes desenvolve ao longo do ciclo produtivo Ciclo: 90 – 180 dias (entre semeadura e a colheita) Mesmo cultivar: a duração das fases fenológicas depende das variações (semeadura, ano, região, clima etc) Como as RAÍZES se desenvolvem? Responsável pelo estabelecimento inicial da planta (cresce 1-4 cm/dia) Raízes seminais: Inicia crescimento diretamente a partir da semente; Responsáveis pelo nutrição da planta e estabelecimento do sistema radicular definitivo Crescimento inexistente no estádio V3 Raiz primária Estrutura radicular da planta de milho Desenvolvem-se no final do ciclo vegetativo, a partir do nó acima da superfície do solo; Função: sustentar a planta 75% raízes (camada 0-20 cm) Quais práticas pode favorecer o desenvolvimento do sistema radicular? Adubação na semeadura; Fertilizante ligeiramente abaixo da semente; Correção da acidez do solo ; Descompactação do solo (aeração e infiltração de água) - Isso porque a maioria dos fertilizantes são solúveis em água e com a presença de umidade se deslocam para baixo e por evaporação para cima e o deslocamento lateral é pequeno, desse modo não se tornam prejudicial ao desenvolvimento inicial da planta (SEDIYAMA, T.; SILVA, F.; BORÉM, A., 2015). Fonte: Agronomia DuPont Pioneer -Para evitar o efeito salino provocado pelo adubo e por consequente redução do potencial osmótico entre o solo e a semente e restringir a captação de água pela semente, e, por fim, a diminuição da taxa de germinação. Por que o fertilizante deve estar ligeiramente ao lado e abaixo da semente? COLMO Nó e entrenó (planta entre 10-25) Função estrutural (suporte para demais frações da planta) e reserva. FOLHAS Aurícula: permite mobilidade lateral às folhas; Lígula: impede a entrada de agentes externos e evita evapotranspiração INFLORESCÊNCIA Inflorescência masculina Pendão Inflorescência feminina Estilo-estigma - FLORESCIMENTO: 55 a 75 DAE Os cabelos aparecem 2 a 5 dias depois o aparecimento do pendão. Espiguetas amadurecida Anteras – grão de pólen Fonte: https://www.flickr.com/photos/vicious_love/3243774200Cada planta vigorosa pode produzir de 30 a 60 milhões de grãos de pólen. https://www.flickr.com/photos/vicious_love/3243774200 Polinização e Fertilização Inflorescência masculina Pendão Inflorescência feminina Estilo-estigma Germinação do estilo-estigma Grão de polén liberado, germina após o contato com o cabelo e a fertilização ocorre de 12 a 36 horas depois. Polinização e Fertilização Plúmula, Radícula e Escutelo Sua função é absorver o material degradado do endosperma e transportá- lo para o embrião, viabilizando o crescimento (cotilédone).meristema apical caulinar provido de primórdios foliares FRUTO-GRÃO/SEMENTE https://globoplay.globo.com/v/636131 1/ De cada botão floral sai uma espigueta, e de cada espigueta saem duas flores, das quais somente uma vinga. Como cada espigueta origina um grão de milho, e os grãos seguem o mesmo arranjamento em fileiras duplas, isso vai resultar sempre em um número par de fileiras. Por que que a espiga de milho possui número par de fileiras de grãos? Espiguetas amadurecida Anteras – grão de pólen https://globoplay.globo.com/v/6361311/ https://globoplay.globo.com/v/6361311/ Quantas espigas é possível produzir numa planta de milho? Todo nó da planta tem potencial para produzir uma espiga, exceto os últimos seis a oito abaixo do pendão. Assim, uma planta de milho teria potencial para produzir várias espigas, porém apenas uma ou duas (caráter prolífico) espigas conseguem completar o crescimento, as demais são abortadas. No estádio de seis folhas completamente desenvolvidas, muitas espigas são facilmente visíveis se for feita uma dissecação da planta. Se a espiga for analisada com um microscópio logo antes do pendoamento, pode se observar até 60 óvulos em uma linha. Contudo, o número de grãos que serão completamente desenvolvidos é, geralmente, em torno de 30 a 45. Da mesma forma, o peso do grão também é afetado por estresses sofridos pela planta durante seu desenvolvimento. Germinação Fenômeno pelo qual em condições apropriadas, o eixo embrionário dá prosseguimento ao seu desenvolvimento, que tinha sido interrompido, por ocasião da maturidade fisiológica (Carvalho e Nakagawa, 2012). MATURIDADE FISIOLÓGICA Germinação e emergência https://br.freepik.com/fotos-premium/close-up-da- germinacao-do-milho-em-solo-fertil I – EMBEBIÇÃO II - PROCESSO BIOQUÍMICO III - CRESCIMENTO PROCESSO GERMINAÇÃO produção de grandes quantidades de ENERGIA utilizada numa série de reações bioquímicas. ↑ Caracteriza-se pelo início da degradação das substâncias de reserva (carboidratos, proteínas, lipídios) Fase I- Embebição Transporte ativo de substâncias desdobradas na fase I - eixo embrionário mesmo recebendo nutrientes ainda não consegue crescer. Fase II- Processo Bioquímico Fase III- CRESCIMENTO Substâncias desdobradas na fase I e transportadas na fase II são reorganizadas em substâncias complexas, para formar o citoplasma e as paredes celulares --> eixo embrionário cresce. EPÍGEA HIPÓGEA Parte aérea é posta para fora do solo envolta nos cotilédones. Rápido e vigoroso crescimento inicial hipocótilo-radicular. TIPOS DE GERMINAÇÃO Milho https://www.youtube.com/watch?v=hVlmS8ut0HE https://www.youtube.com/watch?v=4SWw788HwD8 Fo nt e: C ar va lh o e N ak ag aw a, 2 00 2. A parte aérea é posta para fora do solo envolta em uma estrutura especial, tendo o formato tubular de uma bainha, constituída de material membranoso, resistente, recebe o nome coleóptilo. O coleóptilo rompe a camada de solo e sai à luz; a plúmula vem crescendo imediatamente envolvida pelo coleóptilo, sem sofrer qualquer restrição mecânica. Depois interrompe crescimento e desenvolve parte aérea. Características genéticas da planta;a. Vigor da planta progenitora;b. Condições climáticas;c. Grau de injuria mecânica;d. Armazenamento;e. Pragas e doenças;f. Condições ambientais antes da colheita. g. Há fatores que afetam a viabilidade da semente? Figura 5. Germinação dos lotes de sementes de milho, hibrido Balu-580, submetido a diferentes temperaturas. Sbrussi et al., 2014 Indicando que as baixas e altas temperaturas acarretaram em menores porcentagens de germinação. Segundo Mauri et al., (2010) somente as sementes mais vigorosas conseguem germinar sob temperaturas máximas. Conhecer a PLANTA DE MILHO e o ambiente de produção --> estabelece sistemas de produção eficientes e racionais. Ecofisiologia da produção ELEMENTOS CLIMÁTICOS QUE ATUAM NO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DO MILHO RADIAÇÃO SOLAR PRECIPITAÇÃO ALTITUTE TEMPERATURA TEMPERATURA DO AR Ideal: 25 a 30ºC de dia e 18ᵒC a noite Máxima diurna....................42ºC Máxima noturna.....24ºC Mínima diurna.................... 19ºC Mínima noturna..... 12-13ºC Basal ................................. 10°C Mínima para germinação…10°C Quais são os efeitos na planta? Plântulas anormais; Condições baixa T°C e umidade: Embebição e reidratação da semente poderá reduzir a germinação (devido a desestruturação de membranas e alterações nas sínteses e ação de enzimas); É fonte de energia para fotossíntese e para evapotranspiração das plantas. RADIAÇÃO SOLAR perda de água da planta por transpiração Radiação direta e radiação difusa Não interage com a atmosfera Interage com os constituintes da atmosfera, e é reirradiada em todas as direções RA D IA ÇÃ O S O LA R REDUÇÃO de 30% a 40% na intensidade luminosa atrasa a MATURAÇÃO DOS GRÃOS e pode causar queda de produção. Como ocorre o aproveitamento efetivo da luz pela cultura? Distribuição espacial das plantas na área; Arranjamento das folhas nas plantas; Folhas na horizontal (acúmulo de MS) e folhas eretas (interceptação foliar) Duração da área foliar. PRECIPITAÇÃO Exigência concentra-se nas fases: EMERGÊNCIA, FLORESCIMENTO E FORMAÇÃO DE GRÃO. DEFICIÊNCIA HÍDRICA: afetar o sincronismo pendão-espiga e consequente redução no n° final de grãos por espiga. Necessidade: 400-600 mm Consumo Diário: até 8 folhas....... 4-5 mm Florescimento... 7-9 mm Período Crítico: 15 dias antes e 15 dias após (florescimento) Altitude Aptidão 1300 m Média/Baixa Aptidão para a Alto Rendimento (*) (*) Premissas básicas : a) Constações de ordem genérica, podendo ser comtempladas algumas exceções. b) A aptidão pode ser melhorada em função da escolha adequada do genótipo ( híbrido ) e da época de semeadura. c) comportamento válido para os principais genótipos disponíveis no mercado. ALTITUDE Referência bibliográfica GALVÃO, J.C.C.; BORÉN, A.; PIMENTEL, M.A. Milho do plantio à colheita. 2 ed. Atual. E ampl. Viçosa: Ed. UFV, 2017. 382 p