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ERGONOMIA E SEGURANÇA DO TRABALHO Elaine Peixoto 2 2 FUNDAMENTAÇÃO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS EM SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO Apresentação Neste bloco, será abordada a questão da fundamentação do gerenciamento de riscos em saúde e segurança numa organização e os conceitos relacionados, os agentes de riscos existentes nas situações de trabalho e seus efeitos à saúde humana assim como a hierarquia das medidas de controle em segurança do trabalho. Serão apresentadas as exigências legais quanto ao gerenciamento de riscos determinadas pelas Normas Regulamentadoras, em especial pela NR1 – Disposições gerais e Gerenciamento de riscos ocupacionais, aspectos de articulação entre as Normas Regulamentadoras 1 e 7, as atribuições de Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA), por atuarem na prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais e na preservação e promoção da saúde dos trabalhadores em empresas que admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 2.1 O gerenciamento de riscos em saúde e segurança do trabalho O gerenciamento de riscos em saúde e segurança pode ser expresso como: “a mitigação dos efeitos adversos de riscos puros e especulativos aos quais uma organização está exposta”, segundo Dias (2021, p. 14). Ainda de acordo com Dias (2021), o risco puro refere-se a uma categoria de riscos cujos resultados são: uma perda ou nenhuma perda, não havendo oportunidade de ganho. Como exemplos, há: incêndio, desastre natural, doenças ocupacionais, além de outros. Dias (2021) também nos afirma que o risco especulativo resulta em perda ou ganho, sendo considerado uma opção consciente porque requer a opinião daquele que está em busca de assumir o risco, sendo entendido, assim, como ato voluntário. Para este tipo 3 de risco, a previsão do resultado de risco especulativo é difícil, pois não se sabe o “quanto” exatamente haverá de ganho ou de perda. Alguns exemplos de risco especulativo são: novas restrições comerciais, novos produtos, entre outros. 2.1.1 Conceitos relacionados ao gerenciamento de riscos Para melhor esclarecer os conceitos relacionados ao gerenciamento de riscos, alguns pontos são apresentados a seguir, de acordo com a ABNT NBR 31000 Gestão de Riscos – Diretrizes (ABNT, 2018): Perigo corresponde à fonte de danos, devendo ser identificado para que sejam previstas ações de mitigação dos riscos consequentes que o perigo possa gerar. Risco corresponde à combinação de frequência ou probabilidade de ocorrência e a consequência de um evento perigoso. Dano refere-se à lesão física ou dano à saúde, à propriedade ou ao meio ambiente. Identificação de perigo refere-se ao processo de reconhecimento da existência de um perigo e à definição de suas características. Avaliação de risco corresponde ao processo de análise de risco e avaliação de risco. Gestão de risco corresponde à aplicação sistemática de: políticas de gestão, práticas e procedimentos para as tarefas de análise, avaliação e controle de risco. 2.1.2 Sobre perigo, risco e gerenciamento de risco Numa situação de trabalho, a condição perigosa é presente. Sua manifestação depende do contato ou exposição do trabalhador, passando, desta maneira, a ser um risco. Se não houver medidas eficientes de prevenção ou proteção, o risco se transformará em evento indesejável, apresentando como resultados: perdas ocupacionais ou ambientais ou operacionais ou a combinação destas (OLIVEIRA; PIZA, 2017). A OIT (2013) preconizou que identificar o risco no local de trabalho é uma das principais ferramentas para atuar na melhoria de condições de saúde e segurança ocupacionais. A identificação de risco age tanto na proteção de trabalhadores e empresas, bem como 4 no cumprimento de legislação em vários países. E ainda ressalta que a avaliação de risco, sendo bem elaborada, contribui para proteção dos trabalhadores por eliminar ou minimizar perigos e riscos relacionados ao trabalho, além de beneficiar empresas, pois contribui para melhor organização das práticas de trabalho, refletindo-se no aumento potencial da produtividade. O gerenciamento de riscos também é previsto na NR1 Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais, que entrou em vigor em jan/2022. Esta norma estabelece disposições gerais, campo de aplicação, definições e termos comuns às normas regulamentadoras relativas à saúde e segurança no trabalho e define diretrizes e requisitos para o gerenciamento de riscos ocupacionais e medidas de prevenção em Saúde e Segurança no Trabalho (BRASIL, 1978a). De acordo com Dias (2021), há uma sequência de ações relacionadas ao gerenciamento de riscos: . inicialmente, a identificação dos perigos, que envolve: identificação, classificação e avaliação de técnicas de mitigação associadas para definir se os perigos podem ser evitados ou se não afetarão a confiabilidade de um certo sistema de trabalho; caso os perigos sejam eliminados ou suas consequências consideradas inexpressivas, a análise pode ser interrompida neste estágio e suposições e julgamentos decisórios devem ser registrados/ documentados; . após identificação dos perigos, os riscos são identificados. 5 Fonte: adaptado de Dias (2021, p. 23). Figura 2.1 – Ciclo de gerenciamento de risco. A gravidade do risco versus sua frequência permite-nos encontrar o nível de risco. Os valores de gravidade e de frequência podem ser estimados por métodos quantitativos ou qualitativos. Os métodos qualitativos adotam argumentos descritivos, variando num intervalo de: “baixo até alto”, ou seguindo uma escala predefinida; os métodos quantitativos incluem: análise estatística, teoria da probabilidade, métodos de inteligência artificial, por exemplo. Devemos observar que a avaliação de risco define se o risco é tolerável. Para esta fase, podem ser adotados métodos qualitativos, quantitativos ou uma combinação destes (DIAS, 2021). Identificado o risco, há necessidade de uma resposta que pode ser (DIAS, 2021): . prevenção ou eliminação do perigo; . retenção envolve em fazer o risco cair a um certo nível ou intervalo, que seja considerado tolerável ou aceitável, nestes casos uma resposta não é necessária; . transferência do risco a um terceiro, que refere-se a contratar subcontratado ou prêmio de seguro; . redução de frequência ou de gravidade relacionada ao um perigo, podendo resultar em risco residual dentro de uma zona tolerável; 6 Monitorar os riscos garante que respostas sejam executadas de modo adequado durante o ciclo de vida de um sistema, da instalação ou atividade. Este monitoramento é obtido por meio de análises de avaliação e/ou auditorias (DIAS, 2021). As organizações devem estabelecer Gestão de Saúde e Segurança, como definido pela Norma ABNT/NBR 45001 (2018, p.V): A implementação de um sistema de gestão de SSO é uma decisão estratégica e operacional para uma organização. O sucesso do sistema de gestão de SSO depende de liderança, compromisso e participação de todos os níveis e funções da organização. A NR1 (BRASIL, 1978), em sua atualização de 2020, considera aspectos da ABNT/NBR 45001 (BRASIL, 2020). Dias (2021) nos apresenta que um Sistema de Gestão de Saúde e Segurança pode apresentar a seguinte definição: conjunto de ações e procedimentos que tem o objetivo de reduzir riscos ocupacionais enquanto mantém cultura de segurança e melhora da produtividade. Expressa também que a obtenção de certificação em padrão internacional demonstra que uma organização visa controlar riscos a níveis aceitáveis, por meio de sistema de gestão, para garantir a saúde e integridade dos trabalhadores. Quanto à legislação de saúde e segurança,a Norma Regulamentadora 1 estabelece (BRASIL, 1978a): 1.5.7.3 Inventário de riscos ocupacionais 1.5.7.3.1 Os dados da identificação dos perigos e das avaliações dos riscos ocupacionais devem ser consolidados em um inventário de riscos ocupacionais. 1.5.7.3.2 O Inventário de Riscos Ocupacionais deve contemplar, no mínimo, as seguintes informações: a) caracterização dos processos e ambientes de trabalho; b) caracterização das atividades; c) descrição de perigos e de possíveis lesões ou agravos à saúde dos trabalhadores, com a identificação das fontes ou circunstâncias, descrição de riscos gerados pelos perigos, com a indicação dos grupos de trabalhadores sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas de prevenção implementadas; d) dados da análise preliminar ou do monitoramento das exposições a agentes físicos, químicos e biológicos e os resultados da avaliação de ergonomia nos termos da NR17. 7 e) avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação; e f) critérios adotados para avaliação dos riscos e tomada de decisão. Os riscos associam-se aos perigos e podem causar efeitos sobre o organismo humano, sobre a comunidade e/ou sociedade. Para atuar na prevenção de acidentes do trabalho, controlar o risco é mandatório. Controlar o risco caracteriza-se por reduzir ou eliminar os riscos associados a um dado perigo. Ainda, como expressa Dias (2021), implementar controle de riscos fornece meios pelos quais os riscos possam ser avaliados de modo sistemático, considerando a hierarquia das medidas de controle. O controle de riscos envolve analisar dados coletados na fase de identificação de perigos e avaliação de riscos, permitindo desenvolver plano estratégico para controle dos riscos identificados (DIAS, 2021). O controle de riscos constitui-se como processo que considera os riscos – dos classificados como altos àqueles menos significativos. Cada risco deve ser analisado considerando-se a hierarquia das medidas de controle. Dessa maneira, caracteriza-se método de avaliação sistemático de cada risco para, então, definir: . em primeiro lugar – se o perigo que causa o risco pode ser eliminado; . se o perigo que causa o risco não puder ser eliminado, definir método eficaz de controle para o risco em questão. Mencionada a hierarquia das medidas de controle, estas são assim classificadas, de acordo com The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) (2015): 8 Fonte: adaptado de The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), 2015 (última revisão em 17 jan. 2023). Figura 2.2 – Hierarquia de medidas de controle. A hierarquia das medidas de controle estabelece ações para cada expressão apresentada na imagem acima. Quadro 2.2 – Definição das medidas de controle, segundo NIOSH Fonte: adaptado de The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), 2015 (última revisão em: 17 jan. 2023)(tradução nossa). A descrição das medidas de controle correspondem ao que segue, conforme The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH, 2015) (última revisão em 17 jan. 2023)(tradução nossa). Eliminação – remover fisicamente o perigo. Isto inclui modificar o processo de trabalho para parar de utilizar produto químico tóxico, objeto pesado ou 9 ferramenta afiada. É a solução preferencial para proteger os trabalhadores porque não ocorre exposição ao perigo. Substituição – substituir o perigo. Substituir refere-se a utilizar uma alternativa mais segura para a fonte do perigo. Um exemplo é utilizar tintas de origem vegetal como substitutas às tintas à base de solvente. Quando considerada uma substituição, é importante comparar os novos riscos potenciais da substituição em relação aos riscos originais. Esta revisão deveria considerar como a substituição vai combinar com outros agentes no ambiente de trabalho. Substituições eficazes reduzem o potencial de efeitos nocivos e não criam novos riscos. Eliminação e substituição podem ser as medidas mais difíceis de serem adotadas em processos existentes. Tais medidas são mais bem usadas nos estágio de projeto e desenvolvimento de um determinado processo, lugar ou ferramenta. No estágio de desenvolvimento, eliminação e substituição, podem ser a opção mais simples e mais barata. Outra boa oportunidade de adotar eliminação e substituição é ao selecionar novos equipamentos e procedimentos. Prevenção pelo projeto é uma abordagem para incluir prevenção de modo pró-ativo ao projetar equipamento de trabalho, ferramenta, operações e espaços. Controles de engenharia – isolar as pessoas do perigo. Controles de engenharia reduzem ou previnem perigos de entrar em contato com os trabalhadores. Controles de engenharia podem incluir modificar equipamentos ou ambientes de trabalho, usando barreiras de proteção, ventilação, entre outras. Os controles de engenharia mais eficazes: . são parte do projeto original do equipamento; . removem ou bloqueiam o perigo na fonte antes que este entre em contato com o trabalhador; . previnem que usuários modifiquem ou interfiram no controle; . necessitam o mínimo de “inputs” por parte do usuário para que os controles funcionem; . operam corretamente sem interferir no processo de trabalho ou tornar os processos mais difíceis. Controles de engenharia podem custar mais que controles administrativos ou equipamentos de proteção individual. Entretanto, os custos a longo prazo tendem a ser menores, especialmente ao proteger vários trabalhadores. Adicionalmente, controles de engenharia podem reduzir gastos de outras áreas de processos de trabalho ou facilitar a operação. Controles administrativos – modificar o modo como as pessoas trabalham. Controles administrativos estabelecem práticas de trabalho que reduzem a duração, frequência ou intensidade de exposição ao perigo. Podem incluir: . treinamento de processo de trabalho; . “job rotation”; . garantir pausas para descanso adequadas; . limitam acesso a áreas perigosas ou a maquinários; . ajustam as velocidades das linhas. 10 Equipamento de proteção individual (EPI) – é equipamento usado para diminuir exposição aos perigos. Exemplos de EPI incluem luvas, óculos de segurança, protetor auditivo, capacetes, respiradores. Quando os empregados usam EPI, os empregadores deveriam implementar programa relacionado aos EPIs (programa de proteção individual). Os elementos do programa de proteção individual dependem do processo de trabalho e do EPI identificado. O programa deveria contemplar: . avaliação dos perigos nos ambientes de trabalho; . seleção e uso dos EPIs; . inspeção e reposição dos EPIs usados ou danificados; . treinamento dos trabalhadores; . programa de monitoramento de eficácia contínua. Empregadores não deveriam contar unicamente com os EPIs para controle de perigos quando outras opções eficazes são disponíveis. EPIs podem ser eficazes, mas apenas quando os trabalhadores os usam correta e constantemente. Os EPIs podem parecer menos custosos que outras medidas, mas ao longo do tempo não. Isto é particularmente verdade quando utilizado por vários trabalhadores numa rotina diária. Quando outros métodos de controle são incapazes de reduzir a exposição ao perigo a níveis seguros, os empregadores devem fornecer os EPIs. Isto inclui: . enquanto outros controles estão em desenvolvimento; . quando outros controles não conseguem reduzir suficientemente a exposição aos perigos; . quando o EPI é a única medida de controle disponível. Controles administrativos e EPIs requerem esforços significativos e contínuos por parte dos trabalhadores e suas chefias. São úteis quando empregadores estão no processo de implementar outros métodos estabelecidos pela hierarquia das medidas de controle. Adicionalmente, controles administrativos e EPIs são frequentemente aplicados a processosexistentes nos quais os perigos não são bem controlados. A Norma Regulamentadora 1 (BRASIL, 1978a) estabelece hierarquia das medidas de controle, como segue: g) implementar medidas de prevenção, ouvidos os trabalhadores, de acordo com a seguinte ordem de prioridade: I. eliminação dos fatores de risco; II. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas de proteção coletiva; III. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas administrativas ou de organização do trabalho; e IV. adoção de medidas de proteção individual. 11 Vemos, assim, que tanto a hierarquia de medidas de controle estabelecida por NIOSH como a Norma Regulamentadora 1 apresentam similaridade na priorização das medidas de prevenção de acidentes a serem implementadas. Sobre perigos e riscos existentes nas situações de trabalho em empresas que admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a Norma Regulamentadora 1 determina: O empregador deve (BRASIL, 1978a): a) cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho; b) informar aos trabalhadores: I. os riscos ocupacionais existentes nos locais de trabalho; II. as medidas de prevenção adotadas pela empresa para eliminar ou reduzir tais riscos; III. os resultados dos exames médicos e de exames complementares de diagnóstico aos quais os próprios trabalhadores forem submetidos; e IV. os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho. c) elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando ciência aos trabalhadores; d) permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho; e) determinar procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente ou doença relacionada ao trabalho, incluindo a análise de suas causas; f) disponibilizar à Inspeção do Trabalho todas as informações relativas à segurança e saúde no trabalho; e g) implementar medidas de prevenção, ouvidos os trabalhadores, de acordo com a seguinte ordem de prioridade: I. eliminação dos fatores de risco; II. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas de proteção coletiva; III. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas administrativas ou de organização do trabalho; e IV. adoção de medidas de proteção individual. Além dos deveres do empregador estabelecidos pela NR1, ao trabalhador também são atribuídos deveres (BRASIL, 1978a): a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador; b) submeter-se aos exames médicos previstos nas NR; 12 c) colaborar com a organização na aplicação das NR; e d) usar o equipamento de proteção individual fornecido pelo empregador. Dois aspectos importantes relacionados ao empregado no cumprimento de seus deveres, conforme expresso na Norma Regulamentadora 1 (BRASIL, 1978a): . é caracterizado como ato faltoso se o empregado recusar-se de modo injustificado cumprir seus deveres apresentados no parágrafo anterior; . o empregado pode interromper suas atividades se constatar, sob seu ponto de vista, situação de trabalho que envolva risco grave e iminente para sua saúde e vida, devendo informar ao seu superior hierárquico imediatamente. Desta maneira, identificamos que a segurança requer ações tanto por parte das organizações como dos trabalhadores. 2.2 Riscos e seus agentes de risco Veja no quadro abaixo os riscos e os agentes de riscos para: riscos físicos, riscos químicos, riscos biológicos, riscos ergonômicos e riscos de acidentes. Os efeitos à saúde são os mais comuns associados aos agentes de risco. Quadro 2.3 – Riscos, agentes de riscos e seus efeitos à saúde humana Riscos físicos (energia) (a) Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) ruído Aumento do ritmo cardíaco, constrição dos vasos sanguíneos periféricos, aceleração do ritmo respiratório, diminuição da atividade dos órgãos da digestão, cansaço, irritação, insônia, dor de cabeça, redução da audição, aumento da pressão arterial, redução da atividade cerebral contribuindo para redução da atenção. vibração (transferência de energia ao corpo humano) Cansaço, irritação, dor de ouvido, nas mãos, nos braços, na coluna; artrite, problemas digestivos, problemas nas articulações, lesões ósseas e circulatórias. calor Exaustão, aumento da pulsação, cansaço, pele seca, desidratação, câimbras, fadiga térmica, prostração térmica, choque térmico, hipertensão. 13 frio Vasoconstrição periférica, queda de frequência de pulso, queda da pressão arterial, tremor incontrolável, hipotermia, diminuição da atenção. umidade Doenças do aparelho respiratório radiações não ionizantes: micro- ondas, radiações ultravioleta, infravermelha, radiofrequências, laser Queimaduras, lesões oculares distintas como: conjuntivite, inflamação da córnea, catarata. radiações ionizantes: raios X, alfa, beta, gama, nêutrons A curto prazo: vômitos, alteração no sangue, infecções, queimaduras, hemorragias. A longo prazo: alterações irreversíveis nas células, catarata, leucemia, câncer. pressões anormais (abaixo ou acima da pressão atmosférica) Em ambientes de alta pressão: ruptura do tímpano, irritação dos pulmões, dores abdominais, dor de dente, exoftalmia, obstrução dos vasos sanguíneos, embolia traumática pelo ar, embriguez das profundidades, intoxicação por oxigênio e gás carbônico, doença descompressiva. Riscos químicos (a) Agentes de risco Efeitos à saúde humana (b) gás – substância que nas condições normais de pressão e temperatura está no estado gasoso (b), vapor – estado gasoso de uma substância que nas condições normais de pressão e temperatura está no estado líquido (b) Efeitos irritantes. Efeitos asfixiantes. Efeitos anestésicos. aerodispersoides (aqueles que se dispersam no ar): . poeiras – partículas sólidas geradas pela ruptura dos sólidos (c); . fumos – partículas sólidas geradas de poeira por condensação ou oxidação de vapores e substâncias sólidas a temperatura ambiente (c) . névoas – partículas líquidas geradas por ruptura mecânica (c) . neblina – partículas líquidas geradas por condensação de vapores de substância líquida a temperaturas normais (c) Poeiras minerais podem causar pneumoconiose, por exemplo: silicose (doença provocada pela inalação de pó de sílica). Poeiras vegetais podem causar bagaçose (inalação do bagaço de cana-de-açúcar), bissinose (inalação de algodão). Poeiras alcalinas produzem doenças pulmonares obstrutivas crônicas (enfisema pulmonar). Poeiras incômodas podem interagir com outros agentes tornando-os mais nocivos. Fumos metálicos causam doenças pulmonares crônicas, intoxicações, febre. 14 Riscos biológicos (a) Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) organismos vivos (bactérias, vírus, fungos, protozoários, invertebrados parasitários) Doenças infecciosas, parasitárias. derivados de animais ou vegetais Efeitos alérgicos causando irritação, afetando vias respiratórias e pele. Riscos ergonômicos (a) Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) falta de adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas do trabalhador: esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de cargas, exigência de posturas inadequadas, repetitividade; LER/DORT – lesões por esforços repetitivos / distúrbios osteomusculares relacionados a trabalho; exemplos: Bursite do cotovelo, contratura da fáscia palmar, dedo em gatilho, epicondilite do cotovelo, síndrome do canal cubital, síndrome do canal de Guyon, síndrome do desfiladeiro torácico, síndrome do pronador redondo, síndrome do túnel do carpo, tendinite, tenossinovite. imposiçãode ritmos excessivos Se mantido, pode contribuir à fadiga e levar a acidentes. trabalhos em turnos e noturno Principalmente se o turno noturno é fixo ou se há turnos rotativos: alterações do equilíbrio biológico e social, contribuindo para: insônia, fadiga, transtornos digestivos e cardiovasculares; problemas psicológicos e sociais (isolamento progressivo, irritabilidade, outros). controle rígido da produção (trabalhar sob pressão sem levar em consideração as necessidades dos trabalhadores) Estresse. jornadas de trabalho prolongadas Pode contribuir para acidentes. monotonia (atividades que se repetem, sem alteração de ritmo) Atividade monótona aumenta o risco de acidente. Riscos de acidentes (a) Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) arranjo físico inadequado (dificuldade de fluxo de materiais e pessoas) Estes agentes de risco podem contribuir para variados efeitos ao trabalhador: de lesões temporárias às permanentes ou até à morte. máquinas e equipamento sem proteção ferramentas defeituosas ou inadequadas 15 Iluminação inadequada eletricidade probabilidade de explosão ou incêndio armazenamento inadequado animais peçonhentos Fonte: adaptado de Campos (2013, p. 144) e Spinelli (2006, p. 59) (a) Fonte: Campos, 2013, p. 144-170 (b) Fonte: Spinelli, 2006, p.59 (c) Fonte: Spinelli, 2006, p.59 Os efeitos à saúde nos auxiliam a compreender a severidade da exposição aos agentes de risco sem medidas de prevenção e/ou proteção. 2.3 A relação entre algumas das normas regulamentadoras As normas regulamentadoras expedidas pela Portaria nº 3.214/1978 relacionam-se entre si. Vamos evidenciar a relação entre a Norma Regulamentadora 1 e a Norma Regulamentadora 7. A Norma Regulamentadora 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais estabelece diretrizes e requisitos relativos para gerenciar e definir medidas de prevenção em Saúde e Segurança no Trabalho, articulando-se com outras Normas Regulamentadoras. Na NR1, está expressa a obrigatoriedade dos exames médicos a que os trabalhadores devem ser submetidos, sendo que estes são estabelecidos pela NR7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO. O objetivo do PCMSO é preservar e proteger a saúde dos empregados da empresa expostos aos riscos ocupacionais avaliados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) elaborado pela organização (BRASIL, 1978d). O PCMSO é mais amplo que o estabelecimento de exames médicos aos trabalhadores, apresentando as seguintes diretrizes (BRASIL, 1978d): a) rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao trabalho; 16 b) detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos ocupacionais; c) definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou tarefas determinadas; d) subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de prevenção adotadas na organização; e) subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à saúde e sua relação com os riscos ocupacionais; f) subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de trabalho que possam comprometer sua saúde; g) subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho, de acordo com a regulamentação pertinente; h) subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social; i) acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais; j) subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional; k) subsidiar ações de readaptação profissional; l) controlar a imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos ocupacionais, sempre que houver recomendação do Ministério da Saúde. O PCMSO deve apresentar ações de vigilância passiva (quando empregados procuram serviços médicos e assim são obtidas informações) e vigilância ativa da saúde ocupacional (quando informações são obtidas por meio dos exames médicos, coleta de dados sobre sintomas e sinais de agravos à saúde e que se relacionam aos riscos ocupacionais) (BRASIL, 1978d). O PCMSO é um programa planejado que deve considerar os riscos ocupacionais apresentados no PGR. Neste sentido, cabe à organização garantir com relação ao PCMSO: que o programa descreva possíveis agravos à saúde que se relacionem aos riscos ocupacionais que integram o PGR; que sejam planejados exames clínicos e complementares necessários, em conformidade com os riscos ocupacionais identificados; que contenha critérios de interpretação dos achados dos exames médicos, assim como conduta a ser adotada diante dos referidos achados; que seja conhecido e atendido pelos médicos que realizarem os exames médicos dos empregados e que contenha relatório analítico apresentando o desenvolvimento deste programa (BRASIL, 1978d). Há uma série de requisitos relacionados ao PCMSO que permitem identificar, de modo precoce ou não, agravos à saúde do trabalhador relacionados aos riscos ocupacionais, bem como constatar que, mesmo havendo exposição a determinados perigos e riscos, a saúde do trabalhador não está comprometida. 17 Com relação ao médico responsável pelo PCMSO, se identificar inconsistência no inventário de riscos da empresa, esta deverá ser reavaliada em conjunto com os responsáveis pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) (BRASIL, 1978d). Isto nos demonstra a estreita relação entre as Normas Regulamentadoras 1 e 7, com ação que envolve os profissionais responsáveis pelo cumprimento das mesmas, com objetivo de preservar e promover a saúde e integridade dos trabalhadores. Com relação aos exames médicos, o PCMSO estabelece a realização obrigatória dos exames: admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de riscos ocupacionais e demissional, sendo estabelecidos prazos para realização destes e estabelecendo que ainda podem ser realizados exames complementares, quando relacionados aos riscos ocupacionais e conforme determinação do médico responsável (BRASIL, 1978d). Para os exames médicos a que o trabalhador for submetido, será emitido Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) pelo médico, que deverá ser disponibilizado ao empregado e que deve ser fornecido em meio físico, quando solicitado (BRASIL, 1978d). Desta maneira, o empregado toma ciência dos resultados dos exames a que foi submetido. Com relação a agravamento de doença que se relacione ao trabalho ou situações relacionadas, a NR7 determina (BRASIL, 1978d): Constatada ocorrência ou agravamento de doença relacionada ao trabalho ou alteração que revele disfunção orgânica por meio dos exames complementares do Quadro 2 do Anexo I, dos demais Anexos desta NR ou dos exames complementares incluídos com base no subitem 7.5.18 da presente NR, caberá à organização, após informada pelo médico responsável pelo PCMSO: a) emitir a Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT; b) afastar o empregado da situação, ou do trabalho, quando necessário; c) encaminhar o empregado à Previdência Social, quando houver afastamento do trabalho superior a 15 (quinze) dias, para avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária; d) reavaliar os riscos ocupacionais e as medidas de prevenção pertinentes no PGR. 18 Com relação ao PCMSO, há a necessidade de ser documentado, como segue (BRASIL, 1978d): . dados de exames clínicos e complementares devem ser registrados em prontuário médico individual, sob responsabilidade do médico responsável pelo PCMSO ou de médico responsável pelo exame, se a organização for dispensada de PCMSO; . quanto ao prontuário do empregado, a organização deve mantê-lo por, no mínimo, 20 anos após o desligamento do trabalhador, como regra geral, podendo haver exceções previstas na NR7; . os prontuários médicos ficam sob responsabilidade de médico responsável pelo PCMSO, ou de seu sucessor, quandohouver substituição do médico, sendo a organização responsável pela transferência formal dos prontuários; . cabe ao médico responsável pelo PCMSO elaborar relatório analítico do programa, com frequência anual, e apresentando, no mínimo (BRASIL, 1978d): a) o número de exames clínicos realizados; b) o número e tipos de exames complementares realizados; c) estatística de resultados anormais dos exames complementares, categorizados por tipo do exame e por unidade operacional, setor ou função; d) incidência e prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, categorizadas por unidade operacional, setor ou função; e) informações sobre o número, tipo de eventos e doenças informadas nas CAT, emitidas pela organização, referentes a seus empregados; f) análise comparativa em relação ao relatório anterior e discussão sobre as variações nos resultados. . o relatório analítico deve ser de conhecimento da organização, ser discutido com responsáveis por saúde e segurança da empresa, bem como com a CIPA, se existente, de modo a subsidiar medidas de prevenção a serem adotadas pela empresa. Diante das exigências relativas ao PCMSO, de acordo com NR7, vemos a relação deste programa com outras Normas Regulamentadoras. Ainda, abordando a articulação entre Normas Regulamentadoras, vamos apresentar aspectos relativos aos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA). 19 Numa empresa, a observância das normas regulamentadoras é obrigatória. De acordo com o porte da empresa e seu grau de risco que relaciona-se à complexidade de processos produtivos, há a obrigatoriedade de implementação dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), que é composto por profissionais legalmente habilitados, sendo isto determinado pela NR4 (BRASIL, 1978b). Alguns exemplos de diferentes Classificações Nacionais de Atividades Econômicas (CNAE) que correspondem aos quatro graus de risco (BRASIL, 1978b): Grau de Risco 1 – Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de informática, Comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo, Atividades imobiliárias de imóveis próprios, Seleção e agenciamento de mão de obra, Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, além de outros. Grau de risco 2 – Atividades de teleatendimento, Escola infantil: creche, pré-escola, Ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação, Atividades de correio, Comércio varejista de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário, além de outros. Grau de risco 3 – Cultivo de cana-de-açúcar, Atividades de apoio à agricultura, à pecuária e de pós-colheita, Fabricação de papel, Fabricação de produtos do refino de petróleo, Captação, tratamento e distribuição de água, Coleta de resíduos não perigosos, Coleta de resíduos perigosos, Construção de edifícios, além de outros. Grau de risco 4 – Construção de rodovias e ferrovias, Construção de obras de arte especiais, Demolição e preparação de canteiros de obras, Perfurações e sondagens (serviços especializados para construção), Obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações, Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas, Extração de carvão mineral, Extração de petróleo e gás natural, Produção de ferro-gusa, Produção de ferroligas, além de outros. 20 Quadro 2.4 – Dimensionamento do SESMT, conforme NR4 Fonte: Brasil (1978b). O SESMT tem por atribuição atuar na prevenção de acidentes por meio de gerenciamento de riscos, que envolve implementar Programa de Gerenciamento de 21 Riscos (PGR), responsabilizando-se pelas orientações relacionadas ao cumprimento das normas regulamentadoras aplicáveis à organização. Deve também manter permanente interação com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), além de orientar, informar e conscientizar os trabalhadores quanto à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. Pode ainda interromper atividades de trabalho, se constatar condições ou situações de trabalho que se associam a risco grave e iminente para saúde e integridade dos trabalhadores. No caso de acidente do trabalho, deve conduzir ou acompanhar investigação de acidente, conforme disposto no PGR definido pela NR1. Ainda o SESMT deve compartilhar informações para prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais com outros SESMTs de uma mesma organização, assim como com a CIPA. E também participar e acompanhar as ações que integram o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, estabelecido pela NR7 (BRASIL, 1978b). A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), de acordo com a Norma Regulamentadora 5, também contribui para a segurança, pois o objetivo desta comissão é atuar na prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais, tornando compatível de modo permanente o exercício do trabalho com a promoção da saúde dos trabalhadores e preservação da vida (BRASIL, 1978c). A CIPA é composta por empregados da organização: indicados pelo empregador e eleitos pelos empregados, no entanto, os integrantes dessa comissão não precisam ser legalmente habilitados em saúde e segurança do trabalho (BRASIL, 1978c). O quadro abaixo informa a composição da CIPA – quantidade de integrantes, sendo também estabelecido pela norma que se o estabelecimento não se enquadrar no dimensionamento apresentado no quadro que segue e não sendo atendido por SESMT, cabe à organização nomear representante da organização, dentre seus empregados, para que este auxilie na execução das medidas e ações de prevenção em saúde e segurança do trabalho, podendo para tanto haver participação dos empregados, de acordo com negociação coletiva (BRASIL, 1978c). 22 Quadro 2.5 – Dimensionamento da CIPA, conforme NR5 Fonte: Brasil (1978c). As atribuições da CIPA, como definido pela Norma Regulamentadora 5, referem-se a acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos e as medidas de prevenção implementadas pela organização. Sobre os riscos, cabe à CIPA, identificar como os riscos são percebidos pelos trabalhadores (percepção de risco) adotando mapa de riscos ou outra ferramenta, tendo assessoria dos Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT, se houver (BRASIL, 1978c). Esta Comissão deve elaborar e acompanhar plano de trabalho que permita estabelecer ações preventivas em saúde e segurança. Assim, associada a esta atribuição, a CIPA deve verificar ambientes de trabalho e condições de trabalho para identificar possíveis situações que caracterizem riscos à saúde e segurança dos trabalhadores. Deve também a CIPA atuar no desenvolvimento e implementação de programas que relacionem-se à saúde e segurança do trabalho (BRASIL, 1978c). Embora o objetivo da CIPA seja atuar na prevenção de acidentes, se ocorrer acidente do trabalho, esta comissão deve acompanhar a análise do acidente e propor, quando for o caso, medidas corretivas. A CIPA deve solicitar à organização dados sobre saúde e segurança dos trabalhadores, incluindo Comunicações de Acidente do Trabalho (CAT), observando-se sigilo médico e informações pessoais (BRASIL, 1978c). Para as diferentes situações de trabalho, a CIPA pode considerar a existência de risco grave e iminente, assim deve propor ao SESMT, se houver, ou à organização, a análise dessas situações de trabalho ou condições de trabalho, podendo também propor 23 interrupção de atividades até que medidas corretivas e de controle sejam implementadas (BRASIL, 1978c). E ainda deve a CIPA promover anualmente a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do trabalho – SIPAT, evento que deve integrar a programaçãode trabalho estabelecida pela CIPA. Deve ainda a CIPA inserir temas relativos à prevenção e combate ao assédio sexual e outras formas de violência no trabalho em suas atividades, ações e práticas (BRASIL, 1978c). As atribuições da CIPA, definidas pela Norma Regulamentadora 5, mostram-nos que esta comissão deve atuar em consonância com os Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), quando houver (BRASIL, 1978c). Ressalta-se que o empregador, de acordo com a CLT (1943), é considerado a empresa, individual ou coletiva, que assume os riscos da atividade econômica, admitindo, assalariando e dirigindo a prestação pessoal do serviço. As Normas Regulamentadoras são de observância obrigatória às empresas que admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim SESMT e CIPA, estabelecidos pelas Normas Regulamentadoras 4 e 5, respectivamente, têm suas atribuições voltadas à prevenção de acidentes e promoção da saúde e devem ser cumpridas. Considerações finais O gerenciamento de riscos tem por objetivo manter os riscos relacionados a uma dada organização abaixo de níveis tolerados. Quanto à segurança do trabalho, perigos e riscos são inerentes a situações de trabalho, no entanto, medidas de controle podem ser desenvolvidas e implementadas para prevenir acidentes. Foram apresentados os riscos em segurança do trabalho, seus agentes de risco e os efeitos destes à saúde humana, propiciando o entendimento da severidade da exposição aos diferentes agentes de risco sem medidas de prevenção ou proteção. 24 A NR1 Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais estabelece diretrizes e requisitos a serem observados quanto ao gerenciamento de riscos por empresas que admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim como medidas para prevenir acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. A NR1 se articula com outras Normas Regulamentadoras, em especial com a NR7 – Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, pois os perigos e riscos integrantes do Programa de Gerenciamento de Riscos subsidiarão o planejamento e ações a serem desenvolvidos no PCMSO. Há as exigências relativas aos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), de acordo com a NR4 e formado por profissionais legalmente habilitados em segurança e em medicina do trabalho e aquelas atribuídas à Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA), composta por empregados eleitos pelos empregados e designados pelo empregador. Tanto SESMT como CIPA, de acordo com suas atribuições e responsabilidades, atuam na prevenção de acidentes, na preservação e promoção da saúde dos trabalhadores. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). ABNT NBR ISO 45001: sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional: requisitos com orientações de uso. Rio de Janeiro, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 31000 GESTÃO DE RISCOS – Diretrizes. 2. ed. Rio de Janeiro, 2018. 17 p. BRASIL. Comissão Tripartite Paritária Permanente – CTPP. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora nº 1 (NR1). 2020. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/acesso-a-informacao/participacao- social/conselhos-e-orgaos-colegiados/ctpp/normas-regulamentadora/normas- regulamentadoras-vigentes/nr-1. Acesso em: 15 mar. 2023. 25 BRASIL. Constituição (1943). Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Consolidação das Leis do Trabalho. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 16 mar. 2023. BRASIL. Constituição (1978a). Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União: D.O.U. Brasília, 6 jul. 1978. NR1 – Disposições gerais e Gerenciamento de riscos ocupacionais. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt- br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos- colegiados/ctpp/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-01-atualizada-2022-1.pdf. Acesso em: 1 mar. 2023. BRASIL. Constituição (1978b). Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União: D.O.U. Brasília, 6 jul. 1978. NR4 – Serviços Especializados em Segurança e em Medicina do Trabalho. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/acesso- a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos- colegiados/ctpp/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-04-atualizada-2022-2-1.pdf. Acesso em: 20 mar. 2023. BRASIL. Constituição (1978c). Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. 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