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ERGONOMIA E SEGURANÇA DO 
TRABALHO 
Elaine Peixoto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS EM SAÚDE E 
SEGURANÇA DO TRABALHO 
 
Apresentação 
Neste bloco, será abordada a questão da fundamentação do gerenciamento de riscos 
em saúde e segurança numa organização e os conceitos relacionados, os agentes de 
riscos existentes nas situações de trabalho e seus efeitos à saúde humana assim como a 
hierarquia das medidas de controle em segurança do trabalho. Serão apresentadas as 
exigências legais quanto ao gerenciamento de riscos determinadas pelas Normas 
Regulamentadoras, em especial pela NR1 – Disposições gerais e Gerenciamento de 
riscos ocupacionais, aspectos de articulação entre as Normas Regulamentadoras 1 e 7, 
as atribuições de Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina 
do Trabalho (SESMT) e Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA), 
por atuarem na prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais e na 
preservação e promoção da saúde dos trabalhadores em empresas que admitem 
empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
2.1 O gerenciamento de riscos em saúde e segurança do trabalho 
O gerenciamento de riscos em saúde e segurança pode ser expresso como: “a mitigação 
dos efeitos adversos de riscos puros e especulativos aos quais uma organização está 
exposta”, segundo Dias (2021, p. 14). 
Ainda de acordo com Dias (2021), o risco puro refere-se a uma categoria de riscos cujos 
resultados são: uma perda ou nenhuma perda, não havendo oportunidade de ganho. 
Como exemplos, há: incêndio, desastre natural, doenças ocupacionais, além de outros. 
Dias (2021) também nos afirma que o risco especulativo resulta em perda ou ganho, 
sendo considerado uma opção consciente porque requer a opinião daquele que está em 
busca de assumir o risco, sendo entendido, assim, como ato voluntário. Para este tipo 
 
 
 
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de risco, a previsão do resultado de risco especulativo é difícil, pois não se sabe o 
“quanto” exatamente haverá de ganho ou de perda. Alguns exemplos de risco 
especulativo são: novas restrições comerciais, novos produtos, entre outros. 
2.1.1 Conceitos relacionados ao gerenciamento de riscos 
Para melhor esclarecer os conceitos relacionados ao gerenciamento de riscos, alguns 
pontos são apresentados a seguir, de acordo com a ABNT NBR 31000 Gestão de Riscos 
– Diretrizes (ABNT, 2018): 
Perigo corresponde à fonte de danos, devendo ser identificado para que sejam previstas 
ações de mitigação dos riscos consequentes que o perigo possa gerar. 
Risco corresponde à combinação de frequência ou probabilidade de ocorrência e a 
consequência de um evento perigoso. 
Dano refere-se à lesão física ou dano à saúde, à propriedade ou ao meio ambiente. 
Identificação de perigo refere-se ao processo de reconhecimento da existência de um 
perigo e à definição de suas características. 
Avaliação de risco corresponde ao processo de análise de risco e avaliação de risco. 
Gestão de risco corresponde à aplicação sistemática de: políticas de gestão, práticas e 
procedimentos para as tarefas de análise, avaliação e controle de risco. 
2.1.2 Sobre perigo, risco e gerenciamento de risco 
Numa situação de trabalho, a condição perigosa é presente. Sua manifestação depende 
do contato ou exposição do trabalhador, passando, desta maneira, a ser um risco. Se 
não houver medidas eficientes de prevenção ou proteção, o risco se transformará em 
evento indesejável, apresentando como resultados: perdas ocupacionais ou ambientais 
ou operacionais ou a combinação destas (OLIVEIRA; PIZA, 2017). 
A OIT (2013) preconizou que identificar o risco no local de trabalho é uma das principais 
ferramentas para atuar na melhoria de condições de saúde e segurança ocupacionais. A 
identificação de risco age tanto na proteção de trabalhadores e empresas, bem como 
 
 
 
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no cumprimento de legislação em vários países. E ainda ressalta que a avaliação de risco, 
sendo bem elaborada, contribui para proteção dos trabalhadores por eliminar ou 
minimizar perigos e riscos relacionados ao trabalho, além de beneficiar empresas, pois 
contribui para melhor organização das práticas de trabalho, refletindo-se no aumento 
potencial da produtividade. 
O gerenciamento de riscos também é previsto na NR1 Disposições gerais e 
gerenciamento de riscos ocupacionais, que entrou em vigor em jan/2022. Esta norma 
estabelece disposições gerais, campo de aplicação, definições e termos comuns às 
normas regulamentadoras relativas à saúde e segurança no trabalho e define diretrizes 
e requisitos para o gerenciamento de riscos ocupacionais e medidas de prevenção em 
Saúde e Segurança no Trabalho (BRASIL, 1978a). 
De acordo com Dias (2021), há uma sequência de ações relacionadas ao gerenciamento 
de riscos: 
. inicialmente, a identificação dos perigos, que envolve: identificação, classificação e 
avaliação de técnicas de mitigação associadas para definir se os perigos podem ser 
evitados ou se não afetarão a confiabilidade de um certo sistema de trabalho; caso os 
perigos sejam eliminados ou suas consequências consideradas inexpressivas, a análise 
pode ser interrompida neste estágio e suposições e julgamentos decisórios devem ser 
registrados/ documentados; 
. após identificação dos perigos, os riscos são identificados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Fonte: adaptado de Dias (2021, p. 23). 
Figura 2.1 – Ciclo de gerenciamento de risco. 
 
A gravidade do risco versus sua frequência permite-nos encontrar o nível de risco. Os 
valores de gravidade e de frequência podem ser estimados por métodos quantitativos 
ou qualitativos. Os métodos qualitativos adotam argumentos descritivos, variando num 
intervalo de: “baixo até alto”, ou seguindo uma escala predefinida; os métodos 
quantitativos incluem: análise estatística, teoria da probabilidade, métodos de 
inteligência artificial, por exemplo. Devemos observar que a avaliação de risco define se 
o risco é tolerável. Para esta fase, podem ser adotados métodos qualitativos, 
quantitativos ou uma combinação destes (DIAS, 2021). 
Identificado o risco, há necessidade de uma resposta que pode ser (DIAS, 2021): 
. prevenção ou eliminação do perigo; 
. retenção envolve em fazer o risco cair a um certo nível ou intervalo, que seja 
considerado tolerável ou aceitável, nestes casos uma resposta não é necessária; 
. transferência do risco a um terceiro, que refere-se a contratar subcontratado ou 
prêmio de seguro; 
. redução de frequência ou de gravidade relacionada ao um perigo, podendo resultar 
em risco residual dentro de uma zona tolerável; 
 
 
 
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Monitorar os riscos garante que respostas sejam executadas de modo adequado 
durante o ciclo de vida de um sistema, da instalação ou atividade. Este monitoramento 
é obtido por meio de análises de avaliação e/ou auditorias (DIAS, 2021). 
As organizações devem estabelecer Gestão de Saúde e Segurança, como definido pela 
Norma ABNT/NBR 45001 (2018, p.V): 
A implementação de um sistema de gestão de SSO é uma decisão estratégica 
e operacional para uma organização. O sucesso do sistema de gestão de SSO 
depende de liderança, compromisso e participação de todos os níveis e 
funções da organização. 
A NR1 (BRASIL, 1978), em sua atualização de 2020, considera aspectos da ABNT/NBR 
45001 (BRASIL, 2020). Dias (2021) nos apresenta que um Sistema de Gestão de Saúde e 
Segurança pode apresentar a seguinte definição: conjunto de ações e procedimentos 
que tem o objetivo de reduzir riscos ocupacionais enquanto mantém cultura de 
segurança e melhora da produtividade. Expressa também que a obtenção de 
certificação em padrão internacional demonstra que uma organização visa controlar 
riscos a níveis aceitáveis, por meio de sistema de gestão, para garantir a saúde e 
integridade dos trabalhadores. 
Quanto à legislação de saúde e segurança,a Norma Regulamentadora 1 estabelece 
(BRASIL, 1978a): 
1.5.7.3 Inventário de riscos ocupacionais 
1.5.7.3.1 Os dados da identificação dos perigos e das avaliações dos riscos 
ocupacionais devem ser consolidados em um inventário de riscos 
ocupacionais. 
1.5.7.3.2 O Inventário de Riscos Ocupacionais deve contemplar, no mínimo, 
as seguintes informações: 
a) caracterização dos processos e ambientes de trabalho; 
b) caracterização das atividades; 
c) descrição de perigos e de possíveis lesões ou agravos à saúde dos 
trabalhadores, com a identificação das fontes ou circunstâncias, descrição de 
riscos gerados pelos perigos, com a indicação dos grupos de trabalhadores 
sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas de prevenção implementadas; 
d) dados da análise preliminar ou do monitoramento das exposições a 
agentes físicos, químicos e biológicos e os resultados da avaliação de 
ergonomia nos termos da NR17. 
 
 
 
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e) avaliação dos riscos, incluindo a classificação para fins de elaboração do 
plano de ação; e 
f) critérios adotados para avaliação dos riscos e tomada de decisão. 
Os riscos associam-se aos perigos e podem causar efeitos sobre o organismo humano, 
sobre a comunidade e/ou sociedade. 
Para atuar na prevenção de acidentes do trabalho, controlar o risco é mandatório. 
Controlar o risco caracteriza-se por reduzir ou eliminar os riscos associados a um dado 
perigo. Ainda, como expressa Dias (2021), implementar controle de riscos fornece meios 
pelos quais os riscos possam ser avaliados de modo sistemático, considerando a 
hierarquia das medidas de controle. 
O controle de riscos envolve analisar dados coletados na fase de identificação de perigos 
e avaliação de riscos, permitindo desenvolver plano estratégico para controle dos riscos 
identificados (DIAS, 2021). 
O controle de riscos constitui-se como processo que considera os riscos – dos 
classificados como altos àqueles menos significativos. Cada risco deve ser analisado 
considerando-se a hierarquia das medidas de controle. Dessa maneira, caracteriza-se 
método de avaliação sistemático de cada risco para, então, definir: 
. em primeiro lugar – se o perigo que causa o risco pode ser eliminado; 
. se o perigo que causa o risco não puder ser eliminado, definir método eficaz de controle 
para o risco em questão. 
Mencionada a hierarquia das medidas de controle, estas são assim classificadas, de 
acordo com The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) (2015): 
 
 
 
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Fonte: adaptado de The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), 2015 (última 
revisão em 17 jan. 2023). 
Figura 2.2 – Hierarquia de medidas de controle. 
 
A hierarquia das medidas de controle estabelece ações para cada expressão 
apresentada na imagem acima. 
Quadro 2.2 – Definição das medidas de controle, segundo NIOSH 
 
Fonte: adaptado de The National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), 2015 (última 
revisão em: 17 jan. 2023)(tradução nossa). 
A descrição das medidas de controle correspondem ao que segue, conforme The 
National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH, 2015) (última revisão em 
17 jan. 2023)(tradução nossa). 
Eliminação – remover fisicamente o perigo. Isto inclui modificar o processo 
de trabalho para parar de utilizar produto químico tóxico, objeto pesado ou 
 
 
 
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ferramenta afiada. É a solução preferencial para proteger os trabalhadores 
porque não ocorre exposição ao perigo. 
Substituição – substituir o perigo. Substituir refere-se a utilizar uma 
alternativa mais segura para a fonte do perigo. Um exemplo é utilizar tintas 
de origem vegetal como substitutas às tintas à base de solvente. 
Quando considerada uma substituição, é importante comparar os novos 
riscos potenciais da substituição em relação aos riscos originais. Esta revisão 
deveria considerar como a substituição vai combinar com outros agentes no 
ambiente de trabalho. Substituições eficazes reduzem o potencial de efeitos 
nocivos e não criam novos riscos. 
Eliminação e substituição podem ser as medidas mais difíceis de serem 
adotadas em processos existentes. Tais medidas são mais bem usadas nos 
estágio de projeto e desenvolvimento de um determinado processo, lugar ou 
ferramenta. No estágio de desenvolvimento, eliminação e substituição, 
podem ser a opção mais simples e mais barata. Outra boa oportunidade de 
adotar eliminação e substituição é ao selecionar novos equipamentos e 
procedimentos. Prevenção pelo projeto é uma abordagem para incluir 
prevenção de modo pró-ativo ao projetar equipamento de trabalho, 
ferramenta, operações e espaços. 
Controles de engenharia – isolar as pessoas do perigo. Controles de 
engenharia reduzem ou previnem perigos de entrar em contato com os 
trabalhadores. Controles de engenharia podem incluir modificar 
equipamentos ou ambientes de trabalho, usando barreiras de proteção, 
ventilação, entre outras. 
Os controles de engenharia mais eficazes: 
. são parte do projeto original do equipamento; 
. removem ou bloqueiam o perigo na fonte antes que este entre em contato 
com o trabalhador; 
. previnem que usuários modifiquem ou interfiram no controle; 
. necessitam o mínimo de “inputs” por parte do usuário para que os controles 
funcionem; 
. operam corretamente sem interferir no processo de trabalho ou tornar os 
processos mais difíceis. 
Controles de engenharia podem custar mais que controles administrativos ou 
equipamentos de proteção individual. Entretanto, os custos a longo prazo 
tendem a ser menores, especialmente ao proteger vários trabalhadores. 
Adicionalmente, controles de engenharia podem reduzir gastos de outras 
áreas de processos de trabalho ou facilitar a operação. 
Controles administrativos – modificar o modo como as pessoas trabalham. 
Controles administrativos estabelecem práticas de trabalho que reduzem a 
duração, frequência ou intensidade de exposição ao perigo. Podem incluir: 
. treinamento de processo de trabalho; 
. “job rotation”; 
. garantir pausas para descanso adequadas; 
. limitam acesso a áreas perigosas ou a maquinários; 
. ajustam as velocidades das linhas. 
 
 
 
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Equipamento de proteção individual (EPI) – é equipamento usado para 
diminuir exposição aos perigos. Exemplos de EPI incluem luvas, óculos de 
segurança, protetor auditivo, capacetes, respiradores. Quando os 
empregados usam EPI, os empregadores deveriam implementar programa 
relacionado aos EPIs (programa de proteção individual). Os elementos do 
programa de proteção individual dependem do processo de trabalho e do EPI 
identificado. O programa deveria contemplar: 
. avaliação dos perigos nos ambientes de trabalho; 
. seleção e uso dos EPIs; 
. inspeção e reposição dos EPIs usados ou danificados; 
. treinamento dos trabalhadores; 
. programa de monitoramento de eficácia contínua. 
Empregadores não deveriam contar unicamente com os EPIs para controle de 
perigos quando outras opções eficazes são disponíveis. EPIs podem ser 
eficazes, mas apenas quando os trabalhadores os usam correta e 
constantemente. Os EPIs podem parecer menos custosos que outras 
medidas, mas ao longo do tempo não. Isto é particularmente verdade quando 
utilizado por vários trabalhadores numa rotina diária. 
Quando outros métodos de controle são incapazes de reduzir a exposição ao 
perigo a níveis seguros, os empregadores devem fornecer os EPIs. Isto inclui: 
. enquanto outros controles estão em desenvolvimento; 
. quando outros controles não conseguem reduzir suficientemente a 
exposição aos perigos; 
. quando o EPI é a única medida de controle disponível. 
Controles administrativos e EPIs requerem esforços significativos e contínuos 
por parte dos trabalhadores e suas chefias. São úteis quando empregadores 
estão no processo de implementar outros métodos estabelecidos pela 
hierarquia das medidas de controle. Adicionalmente, controles 
administrativos e EPIs são frequentemente aplicados a processosexistentes 
nos quais os perigos não são bem controlados. 
 
A Norma Regulamentadora 1 (BRASIL, 1978a) estabelece hierarquia das medidas de 
controle, como segue: 
g) implementar medidas de prevenção, ouvidos os trabalhadores, de acordo 
com a seguinte ordem de prioridade: 
I. eliminação dos fatores de risco; 
II. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas de 
proteção coletiva; 
III. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas 
administrativas ou de organização do trabalho; e 
IV. adoção de medidas de proteção individual. 
 
 
 
 
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Vemos, assim, que tanto a hierarquia de medidas de controle estabelecida por NIOSH 
como a Norma Regulamentadora 1 apresentam similaridade na priorização das medidas 
de prevenção de acidentes a serem implementadas. 
Sobre perigos e riscos existentes nas situações de trabalho em empresas que admitem 
empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a Norma Regulamentadora 
1 determina: 
O empregador deve (BRASIL, 1978a): 
a) cumprir e fazer cumprir as disposições legais e regulamentares sobre 
segurança e saúde no trabalho; 
b) informar aos trabalhadores: 
I. os riscos ocupacionais existentes nos locais de trabalho; 
II. as medidas de prevenção adotadas pela empresa para eliminar ou reduzir 
tais riscos; 
III. os resultados dos exames médicos e de exames complementares de 
diagnóstico aos quais os próprios trabalhadores forem submetidos; e 
IV. os resultados das avaliações ambientais realizadas nos locais de trabalho. 
c) elaborar ordens de serviço sobre segurança e saúde no trabalho, dando 
ciência aos trabalhadores; 
d) permitir que representantes dos trabalhadores acompanhem a fiscalização 
dos preceitos legais e regulamentares sobre segurança e saúde no trabalho; 
e) determinar procedimentos que devem ser adotados em caso de acidente 
ou doença relacionada ao trabalho, incluindo a análise de suas causas; 
f) disponibilizar à Inspeção do Trabalho todas as informações relativas à 
segurança e saúde no trabalho; e 
g) implementar medidas de prevenção, ouvidos os trabalhadores, de acordo 
com a seguinte ordem de prioridade: 
I. eliminação dos fatores de risco; 
II. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas de 
proteção coletiva; 
III. minimização e controle dos fatores de risco, com a adoção de medidas 
administrativas ou de organização do trabalho; e 
IV. adoção de medidas de proteção individual. 
Além dos deveres do empregador estabelecidos pela NR1, ao trabalhador também são 
atribuídos deveres (BRASIL, 1978a): 
a) cumprir as disposições legais e regulamentares sobre segurança e saúde no 
trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo empregador; 
b) submeter-se aos exames médicos previstos nas NR; 
 
 
 
12 
 
c) colaborar com a organização na aplicação das NR; e 
d) usar o equipamento de proteção individual fornecido pelo empregador. 
Dois aspectos importantes relacionados ao empregado no cumprimento de seus 
deveres, conforme expresso na Norma Regulamentadora 1 (BRASIL, 1978a): 
. é caracterizado como ato faltoso se o empregado recusar-se de modo 
injustificado cumprir seus deveres apresentados no parágrafo anterior; 
. o empregado pode interromper suas atividades se constatar, sob seu ponto 
de vista, situação de trabalho que envolva risco grave e iminente para sua 
saúde e vida, devendo informar ao seu superior hierárquico imediatamente. 
Desta maneira, identificamos que a segurança requer ações tanto por parte das 
organizações como dos trabalhadores. 
2.2 Riscos e seus agentes de risco 
Veja no quadro abaixo os riscos e os agentes de riscos para: riscos físicos, riscos 
químicos, riscos biológicos, riscos ergonômicos e riscos de acidentes. Os efeitos à saúde 
são os mais comuns associados aos agentes de risco. 
Quadro 2.3 – Riscos, agentes de riscos e seus efeitos à saúde humana 
Riscos físicos (energia) (a) 
Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) 
ruído Aumento do ritmo cardíaco, constrição dos 
vasos sanguíneos periféricos, aceleração do 
ritmo respiratório, diminuição da atividade 
dos órgãos da digestão, cansaço, irritação, 
insônia, dor de cabeça, redução da audição, 
aumento da pressão arterial, redução da 
atividade cerebral contribuindo para 
redução da atenção. 
vibração (transferência de energia 
ao corpo humano) 
Cansaço, irritação, dor de ouvido, nas mãos, 
nos braços, na coluna; 
artrite, problemas digestivos, problemas 
nas articulações, lesões ósseas e 
circulatórias. 
calor Exaustão, aumento da pulsação, cansaço, 
pele seca, desidratação, câimbras, fadiga 
térmica, prostração térmica, choque 
térmico, hipertensão. 
 
 
 
13 
 
frio Vasoconstrição periférica, queda de 
frequência de pulso, queda da pressão 
arterial, tremor incontrolável, hipotermia, 
diminuição da atenção. 
umidade Doenças do aparelho respiratório 
radiações não ionizantes: micro-
ondas, radiações ultravioleta, 
infravermelha, radiofrequências, 
laser 
Queimaduras, lesões oculares distintas 
como: conjuntivite, inflamação da córnea, 
catarata. 
radiações ionizantes: raios X, alfa, 
beta, gama, nêutrons 
A curto prazo: vômitos, alteração no 
sangue, infecções, queimaduras, 
hemorragias. 
A longo prazo: alterações irreversíveis nas 
células, catarata, leucemia, câncer. 
pressões anormais 
(abaixo ou acima da pressão 
atmosférica) 
Em ambientes de alta pressão: ruptura do 
tímpano, irritação dos pulmões, dores 
abdominais, dor de dente, exoftalmia, 
obstrução dos vasos sanguíneos, embolia 
traumática pelo ar, embriguez das 
profundidades, intoxicação por oxigênio e 
gás carbônico, doença descompressiva. 
Riscos químicos (a) 
Agentes de risco Efeitos à saúde humana (b) 
gás – substância que nas condições 
normais de pressão e temperatura 
está no estado gasoso (b), 
vapor – estado gasoso de uma 
substância que nas condições 
normais de pressão e temperatura 
está no estado líquido (b) 
 
Efeitos irritantes. 
Efeitos asfixiantes. 
Efeitos anestésicos. 
aerodispersoides (aqueles que se 
dispersam no ar): 
. poeiras – partículas sólidas geradas 
pela ruptura dos sólidos (c); 
. fumos – partículas sólidas geradas 
de poeira por condensação ou 
oxidação de vapores e substâncias 
sólidas a temperatura ambiente (c) 
. névoas – partículas líquidas 
geradas por ruptura mecânica (c) 
. neblina – partículas líquidas 
geradas por condensação de 
vapores de substância líquida a 
temperaturas normais (c) 
Poeiras minerais podem causar 
pneumoconiose, por exemplo: silicose 
(doença provocada pela inalação de pó de 
sílica). 
Poeiras vegetais podem causar bagaçose 
(inalação do bagaço de cana-de-açúcar), 
bissinose (inalação de algodão). 
Poeiras alcalinas produzem doenças 
pulmonares obstrutivas crônicas (enfisema 
pulmonar). 
Poeiras incômodas podem interagir com 
outros agentes tornando-os mais nocivos. 
Fumos metálicos causam doenças 
pulmonares crônicas, intoxicações, febre. 
 
 
 
14 
 
Riscos biológicos (a) 
Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) 
organismos vivos (bactérias, vírus, 
fungos, protozoários, invertebrados 
parasitários) 
Doenças infecciosas, parasitárias. 
derivados de animais ou vegetais Efeitos alérgicos causando irritação, 
afetando vias respiratórias e pele. 
Riscos ergonômicos (a) 
Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) 
falta de adaptação das condições de 
trabalho às características 
psicofisiológicas do trabalhador: 
esforço físico intenso, levantamento 
e transporte manual de cargas, 
exigência de posturas inadequadas, 
repetitividade; 
LER/DORT – lesões por esforços repetitivos 
/ distúrbios osteomusculares relacionados a 
trabalho; exemplos: 
Bursite do cotovelo, contratura da fáscia 
palmar, dedo em gatilho, epicondilite do 
cotovelo, síndrome do canal cubital, 
síndrome do canal de Guyon, síndrome do 
desfiladeiro torácico, síndrome do pronador 
redondo, síndrome do túnel do carpo, 
tendinite, tenossinovite. 
 
imposiçãode ritmos excessivos Se mantido, pode contribuir à fadiga e levar 
a acidentes. 
trabalhos em turnos e noturno Principalmente se o turno noturno é fixo ou 
se há turnos rotativos: alterações do 
equilíbrio biológico e social, contribuindo 
para: insônia, fadiga, transtornos digestivos 
e cardiovasculares; problemas psicológicos 
e sociais (isolamento progressivo, 
irritabilidade, outros). 
controle rígido da produção 
(trabalhar sob pressão sem levar em 
consideração as necessidades dos 
trabalhadores) 
Estresse. 
jornadas de trabalho prolongadas Pode contribuir para acidentes. 
monotonia (atividades que se 
repetem, sem alteração de ritmo) 
Atividade monótona aumenta o risco de 
acidente. 
Riscos de acidentes (a) 
Agentes de risco Efeitos à saúde humana (a) 
arranjo físico inadequado 
(dificuldade de fluxo de materiais e 
pessoas) 
Estes agentes de risco podem contribuir 
para variados efeitos ao trabalhador: de 
lesões temporárias às permanentes ou até à 
morte. 
máquinas e equipamento sem 
proteção 
ferramentas defeituosas ou 
inadequadas 
 
 
 
15 
 
Iluminação inadequada 
eletricidade 
probabilidade de explosão ou 
incêndio 
armazenamento inadequado 
animais peçonhentos 
Fonte: adaptado de Campos (2013, p. 144) e Spinelli (2006, p. 59) 
(a) Fonte: Campos, 2013, p. 144-170 
(b) Fonte: Spinelli, 2006, p.59 
(c) Fonte: Spinelli, 2006, p.59 
Os efeitos à saúde nos auxiliam a compreender a severidade da exposição aos agentes 
de risco sem medidas de prevenção e/ou proteção. 
2.3 A relação entre algumas das normas regulamentadoras 
As normas regulamentadoras expedidas pela Portaria nº 3.214/1978 relacionam-se 
entre si. 
Vamos evidenciar a relação entre a Norma Regulamentadora 1 e a Norma 
Regulamentadora 7. 
A Norma Regulamentadora 1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos 
Ocupacionais estabelece diretrizes e requisitos relativos para gerenciar e definir 
medidas de prevenção em Saúde e Segurança no Trabalho, articulando-se com outras 
Normas Regulamentadoras. 
Na NR1, está expressa a obrigatoriedade dos exames médicos a que os trabalhadores 
devem ser submetidos, sendo que estes são estabelecidos pela NR7 – Programa de 
Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO. 
O objetivo do PCMSO é preservar e proteger a saúde dos empregados da empresa 
expostos aos riscos ocupacionais avaliados no Programa de Gerenciamento de Riscos 
(PGR) elaborado pela organização (BRASIL, 1978d). 
O PCMSO é mais amplo que o estabelecimento de exames médicos aos trabalhadores, 
apresentando as seguintes diretrizes (BRASIL, 1978d): 
a) rastrear e detectar precocemente os agravos à saúde relacionados ao 
trabalho; 
 
 
 
16 
 
b) detectar possíveis exposições excessivas a agentes nocivos ocupacionais; 
c) definir a aptidão de cada empregado para exercer suas funções ou 
tarefas determinadas; 
d) subsidiar a implantação e o monitoramento da eficácia das medidas de 
prevenção adotadas na organização; 
e) subsidiar análises epidemiológicas e estatísticas sobre os agravos à saúde 
e sua relação com os riscos ocupacionais; 
f) subsidiar decisões sobre o afastamento de empregados de situações de 
trabalho que possam comprometer sua saúde; 
g) subsidiar a emissão de notificações de agravos relacionados ao trabalho, 
de acordo com a regulamentação pertinente; 
h) subsidiar o encaminhamento de empregados à Previdência Social; 
i) acompanhar de forma diferenciada o empregado cujo estado de saúde 
possa ser especialmente afetado pelos riscos ocupacionais; 
j) subsidiar a Previdência Social nas ações de reabilitação profissional; 
k) subsidiar ações de readaptação profissional; 
l) controlar a imunização ativa dos empregados, relacionada a riscos 
ocupacionais, sempre que houver recomendação do Ministério da 
Saúde. 
O PCMSO deve apresentar ações de vigilância passiva (quando empregados procuram 
serviços médicos e assim são obtidas informações) e vigilância ativa da saúde 
ocupacional (quando informações são obtidas por meio dos exames médicos, coleta de 
dados sobre sintomas e sinais de agravos à saúde e que se relacionam aos riscos 
ocupacionais) (BRASIL, 1978d). 
O PCMSO é um programa planejado que deve considerar os riscos ocupacionais 
apresentados no PGR. Neste sentido, cabe à organização garantir com relação ao 
PCMSO: que o programa descreva possíveis agravos à saúde que se relacionem aos 
riscos ocupacionais que integram o PGR; que sejam planejados exames clínicos e 
complementares necessários, em conformidade com os riscos ocupacionais 
identificados; que contenha critérios de interpretação dos achados dos exames 
médicos, assim como conduta a ser adotada diante dos referidos achados; que seja 
conhecido e atendido pelos médicos que realizarem os exames médicos dos 
empregados e que contenha relatório analítico apresentando o desenvolvimento deste 
programa (BRASIL, 1978d). 
Há uma série de requisitos relacionados ao PCMSO que permitem identificar, de modo 
precoce ou não, agravos à saúde do trabalhador relacionados aos riscos ocupacionais, 
bem como constatar que, mesmo havendo exposição a determinados perigos e riscos, 
a saúde do trabalhador não está comprometida. 
 
 
 
17 
 
Com relação ao médico responsável pelo PCMSO, se identificar inconsistência no 
inventário de riscos da empresa, esta deverá ser reavaliada em conjunto com os 
responsáveis pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) (BRASIL, 1978d). 
Isto nos demonstra a estreita relação entre as Normas Regulamentadoras 1 e 7, com 
ação que envolve os profissionais responsáveis pelo cumprimento das mesmas, com 
objetivo de preservar e promover a saúde e integridade dos trabalhadores. 
Com relação aos exames médicos, o PCMSO estabelece a realização obrigatória dos 
exames: admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de riscos 
ocupacionais e demissional, sendo estabelecidos prazos para realização destes e 
estabelecendo que ainda podem ser realizados exames complementares, quando 
relacionados aos riscos ocupacionais e conforme determinação do médico responsável 
(BRASIL, 1978d). 
Para os exames médicos a que o trabalhador for submetido, será emitido Atestado de 
Saúde Ocupacional (ASO) pelo médico, que deverá ser disponibilizado ao empregado e 
que deve ser fornecido em meio físico, quando solicitado (BRASIL, 1978d). 
Desta maneira, o empregado toma ciência dos resultados dos exames a que foi 
submetido. 
Com relação a agravamento de doença que se relacione ao trabalho ou situações 
relacionadas, a NR7 determina (BRASIL, 1978d): 
Constatada ocorrência ou agravamento de doença relacionada ao trabalho 
ou alteração que revele disfunção orgânica por meio dos exames 
complementares do Quadro 2 do Anexo I, dos demais Anexos desta NR ou 
dos exames complementares incluídos com base no subitem 7.5.18 da 
presente NR, caberá à organização, após informada pelo médico responsável 
pelo PCMSO: 
a) emitir a Comunicação de Acidente do Trabalho – CAT; 
b) afastar o empregado da situação, ou do trabalho, quando necessário; 
c) encaminhar o empregado à Previdência Social, quando houver 
afastamento do trabalho superior a 15 (quinze) dias, para avaliação de 
incapacidade e definição da conduta previdenciária; 
d) reavaliar os riscos ocupacionais e as medidas de prevenção pertinentes no 
PGR. 
 
 
 
 
18 
 
Com relação ao PCMSO, há a necessidade de ser documentado, como segue (BRASIL, 
1978d): 
. dados de exames clínicos e complementares devem ser registrados em prontuário 
médico individual, sob responsabilidade do médico responsável pelo PCMSO ou de 
médico responsável pelo exame, se a organização for dispensada de PCMSO; 
. quanto ao prontuário do empregado, a organização deve mantê-lo por, no mínimo, 20 
anos após o desligamento do trabalhador, como regra geral, podendo haver exceções 
previstas na NR7; 
. os prontuários médicos ficam sob responsabilidade de médico responsável pelo 
PCMSO, ou de seu sucessor, quandohouver substituição do médico, sendo a 
organização responsável pela transferência formal dos prontuários; 
. cabe ao médico responsável pelo PCMSO elaborar relatório analítico do programa, com 
frequência anual, e apresentando, no mínimo (BRASIL, 1978d): 
a) o número de exames clínicos realizados; 
b) o número e tipos de exames complementares realizados; 
c) estatística de resultados anormais dos exames complementares, 
categorizados por tipo do exame e por unidade operacional, setor ou função; 
d) incidência e prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, 
categorizadas por unidade operacional, setor ou função; 
e) informações sobre o número, tipo de eventos e doenças informadas nas 
CAT, emitidas pela organização, referentes a seus empregados; 
f) análise comparativa em relação ao relatório anterior e discussão sobre as 
variações nos resultados. 
. o relatório analítico deve ser de conhecimento da organização, ser discutido com 
responsáveis por saúde e segurança da empresa, bem como com a CIPA, se existente, 
de modo a subsidiar medidas de prevenção a serem adotadas pela empresa. 
Diante das exigências relativas ao PCMSO, de acordo com NR7, vemos a relação deste 
programa com outras Normas Regulamentadoras. 
Ainda, abordando a articulação entre Normas Regulamentadoras, vamos apresentar 
aspectos relativos aos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho (SESMT) e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e 
Assédio (CIPA). 
 
 
 
19 
 
Numa empresa, a observância das normas regulamentadoras é obrigatória. De acordo 
com o porte da empresa e seu grau de risco que relaciona-se à complexidade de 
processos produtivos, há a obrigatoriedade de implementação dos Serviços 
Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), que é 
composto por profissionais legalmente habilitados, sendo isto determinado pela NR4 
(BRASIL, 1978b). 
Alguns exemplos de diferentes Classificações Nacionais de Atividades Econômicas 
(CNAE) que correspondem aos quatro graus de risco (BRASIL, 1978b): 
Grau de Risco 1 – Comércio varejista especializado de equipamentos e suprimentos de 
informática, Comércio varejista especializado de eletrodomésticos e equipamentos de 
áudio e vídeo, Atividades imobiliárias de imóveis próprios, Seleção e agenciamento de 
mão de obra, Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, além de outros. 
Grau de risco 2 – Atividades de teleatendimento, Escola infantil: creche, pré-escola, 
Ensino fundamental, médio, graduação e pós-graduação, Atividades de correio, 
Comércio varejista de produtos farmacêuticos para uso humano e veterinário, além de 
outros. 
Grau de risco 3 – Cultivo de cana-de-açúcar, Atividades de apoio à agricultura, à pecuária 
e de pós-colheita, Fabricação de papel, Fabricação de produtos do refino de petróleo, 
Captação, tratamento e distribuição de água, Coleta de resíduos não perigosos, Coleta 
de resíduos perigosos, Construção de edifícios, além de outros. 
Grau de risco 4 – Construção de rodovias e ferrovias, Construção de obras de arte 
especiais, Demolição e preparação de canteiros de obras, Perfurações e sondagens 
(serviços especializados para construção), Obras para geração e distribuição de energia 
elétrica e para telecomunicações, Construção de redes de abastecimento de água, 
coleta de esgoto e construções correlatas, Extração de carvão mineral, Extração de 
petróleo e gás natural, Produção de ferro-gusa, Produção de ferroligas, além de outros. 
 
 
 
 
 
20 
 
Quadro 2.4 – Dimensionamento do SESMT, conforme NR4 
 
Fonte: Brasil (1978b). 
O SESMT tem por atribuição atuar na prevenção de acidentes por meio de 
gerenciamento de riscos, que envolve implementar Programa de Gerenciamento de 
 
 
 
21 
 
Riscos (PGR), responsabilizando-se pelas orientações relacionadas ao cumprimento das 
normas regulamentadoras aplicáveis à organização. Deve também manter permanente 
interação com a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), além 
de orientar, informar e conscientizar os trabalhadores quanto à prevenção de acidentes 
e doenças ocupacionais. Pode ainda interromper atividades de trabalho, se constatar 
condições ou situações de trabalho que se associam a risco grave e iminente para saúde 
e integridade dos trabalhadores. No caso de acidente do trabalho, deve conduzir ou 
acompanhar investigação de acidente, conforme disposto no PGR definido pela NR1. 
Ainda o SESMT deve compartilhar informações para prevenção de acidentes e de 
doenças ocupacionais com outros SESMTs de uma mesma organização, assim como com 
a CIPA. E também participar e acompanhar as ações que integram o Programa de 
Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, estabelecido pela NR7 (BRASIL, 
1978b). 
A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), de acordo com a 
Norma Regulamentadora 5, também contribui para a segurança, pois o objetivo desta 
comissão é atuar na prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais, tornando 
compatível de modo permanente o exercício do trabalho com a promoção da saúde dos 
trabalhadores e preservação da vida (BRASIL, 1978c). 
A CIPA é composta por empregados da organização: indicados pelo empregador e 
eleitos pelos empregados, no entanto, os integrantes dessa comissão não precisam ser 
legalmente habilitados em saúde e segurança do trabalho (BRASIL, 1978c). 
O quadro abaixo informa a composição da CIPA – quantidade de integrantes, sendo 
também estabelecido pela norma que se o estabelecimento não se enquadrar no 
dimensionamento apresentado no quadro que segue e não sendo atendido por SESMT, 
cabe à organização nomear representante da organização, dentre seus empregados, 
para que este auxilie na execução das medidas e ações de prevenção em saúde e 
segurança do trabalho, podendo para tanto haver participação dos empregados, de 
acordo com negociação coletiva (BRASIL, 1978c). 
 
 
 
 
22 
 
Quadro 2.5 – Dimensionamento da CIPA, conforme NR5 
 
Fonte: Brasil (1978c). 
As atribuições da CIPA, como definido pela Norma Regulamentadora 5, referem-se a 
acompanhar o processo de identificação de perigos e avaliação de riscos e as medidas 
de prevenção implementadas pela organização. Sobre os riscos, cabe à CIPA, identificar 
como os riscos são percebidos pelos trabalhadores (percepção de risco) adotando mapa 
de riscos ou outra ferramenta, tendo assessoria dos Serviços Especializados em 
Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT, se houver (BRASIL, 1978c). 
Esta Comissão deve elaborar e acompanhar plano de trabalho que permita estabelecer 
ações preventivas em saúde e segurança. Assim, associada a esta atribuição, a CIPA deve 
verificar ambientes de trabalho e condições de trabalho para identificar possíveis 
situações que caracterizem riscos à saúde e segurança dos trabalhadores. Deve também 
a CIPA atuar no desenvolvimento e implementação de programas que relacionem-se à 
saúde e segurança do trabalho (BRASIL, 1978c). 
Embora o objetivo da CIPA seja atuar na prevenção de acidentes, se ocorrer acidente do 
trabalho, esta comissão deve acompanhar a análise do acidente e propor, quando for o 
caso, medidas corretivas. A CIPA deve solicitar à organização dados sobre saúde e 
segurança dos trabalhadores, incluindo Comunicações de Acidente do Trabalho (CAT), 
observando-se sigilo médico e informações pessoais (BRASIL, 1978c). 
Para as diferentes situações de trabalho, a CIPA pode considerar a existência de risco 
grave e iminente, assim deve propor ao SESMT, se houver, ou à organização, a análise 
dessas situações de trabalho ou condições de trabalho, podendo também propor 
 
 
 
23 
 
interrupção de atividades até que medidas corretivas e de controle sejam 
implementadas (BRASIL, 1978c). 
E ainda deve a CIPA promover anualmente a Semana Interna de Prevenção de Acidentes 
do trabalho – SIPAT, evento que deve integrar a programaçãode trabalho estabelecida 
pela CIPA. Deve ainda a CIPA inserir temas relativos à prevenção e combate ao assédio 
sexual e outras formas de violência no trabalho em suas atividades, ações e práticas 
(BRASIL, 1978c). 
As atribuições da CIPA, definidas pela Norma Regulamentadora 5, mostram-nos que esta 
comissão deve atuar em consonância com os Serviços Especializados em Engenharia de 
Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT), quando houver (BRASIL, 1978c). 
Ressalta-se que o empregador, de acordo com a CLT (1943), é considerado a empresa, 
individual ou coletiva, que assume os riscos da atividade econômica, admitindo, 
assalariando e dirigindo a prestação pessoal do serviço. 
As Normas Regulamentadoras são de observância obrigatória às empresas que admitem 
empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim SESMT e CIPA, 
estabelecidos pelas Normas Regulamentadoras 4 e 5, respectivamente, têm suas 
atribuições voltadas à prevenção de acidentes e promoção da saúde e devem ser 
cumpridas. 
Considerações finais 
O gerenciamento de riscos tem por objetivo manter os riscos relacionados a uma dada 
organização abaixo de níveis tolerados. Quanto à segurança do trabalho, perigos e riscos 
são inerentes a situações de trabalho, no entanto, medidas de controle podem ser 
desenvolvidas e implementadas para prevenir acidentes. 
Foram apresentados os riscos em segurança do trabalho, seus agentes de risco e os 
efeitos destes à saúde humana, propiciando o entendimento da severidade da 
exposição aos diferentes agentes de risco sem medidas de prevenção ou proteção. 
 
 
 
24 
 
A NR1 Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais estabelece diretrizes 
e requisitos a serem observados quanto ao gerenciamento de riscos por empresas que 
admitem empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim como 
medidas para prevenir acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 
A NR1 se articula com outras Normas Regulamentadoras, em especial com a NR7 – 
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, pois os perigos e riscos 
integrantes do Programa de Gerenciamento de Riscos subsidiarão o planejamento e 
ações a serem desenvolvidos no PCMSO. 
Há as exigências relativas aos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em 
Medicina do Trabalho (SESMT), de acordo com a NR4 e formado por profissionais 
legalmente habilitados em segurança e em medicina do trabalho e aquelas atribuídas à 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA), composta por 
empregados eleitos pelos empregados e designados pelo empregador. Tanto SESMT 
como CIPA, de acordo com suas atribuições e responsabilidades, atuam na prevenção 
de acidentes, na preservação e promoção da saúde dos trabalhadores. 
 
Referências 
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sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional: requisitos com orientações de 
uso. Rio de Janeiro, 2018. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 31000 GESTÃO DE RISCOS – 
Diretrizes. 2. ed. Rio de Janeiro, 2018. 17 p. 
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Previdência. Norma Regulamentadora nº 1 (NR1). 2020. Disponível em: 
https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-
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Acesso em: 1 mar. 2023. 
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Normas Regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do 
Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União: 
D.O.U. Brasília, 6 jul. 1978. NR4 – Serviços Especializados em Segurança e em Medicina 
do Trabalho. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/acesso-
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colegiados/ctpp/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-04-atualizada-2022-2-1.pdf. 
Acesso em: 20 mar. 2023. 
BRASIL. Constituição (1978c). Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978. Aprova as 
Normas Regulamentadoras – NR – do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do 
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D.O.U. Brasília, 6 jul. 1978. NR5 – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de 
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Acesso em: 20 mar. 2023. 
 
 
 
26 
 
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Trabalho, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da União: 
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