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QUESTÕES OBJETIVAS 1. Imagine que um agente policial, ao cumprir um mandado de busca e apreensão, confisca o celular do investigado sem autorização judicial e o acessa, extraindo conversas privadas. Qual dispositivo legal prevê punição para essa conduta e qual pode ser a penalidade aplicável? A) Lei de Crimes Hediondos – pena de reclusão de 6 a 20 anos. B) Lei de Abuso de Autoridade – pena de detenção de 1 a 4 anos e multa. C) Estatuto do Desarmamento – pena de reclusão de 2 a 6 anos e multa. D) Código Penal – pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa, apenas em caso de reincidência. E) Lei de Prisão Temporária – pena de detenção de 3 meses a 1 ano e multa. · Gabarito: B Justificativa: A Lei nº 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) prevê, em seu artigo 28, que é crime "requisitar, investigar, instaurar ou proceder a interceptação telefônica, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei". A penalidade para essa conduta varia entre 1 a 4 anos de detenção e multa. No caso apresentado, o agente policial acessa conversas privadas do investigado sem autorização judicial, o que configura abuso de autoridade. 2. Considerando o tratamento jurídico dos crimes hediondos no Brasil, qual situação demonstra um aspecto peculiar desse regime legal? A) Um condenado primário por latrocínio poderá progredir de regime após cumprir 40% da pena, caso tenha bom comportamento carcerário. B) O juiz pode conceder liberdade provisória para um réu primário acusado de homicídio qualificado, desde que ele comprove residência fixa e ocupação lícita. C) A proibição de anistia, graça e indulto aos condenados por crimes hediondos se estende também aos seus coautores, ainda que respondam por delitos distintos. D) Crimes hediondos praticados por adolescentes também são punidos com penas privativas de liberdade previstas na Lei nº 8.072/1990. E) A natureza hedionda de um crime pode ser afastada caso o réu colabore com a Justiça e confesse espontaneamente sua participação no delito. · Gabarito: A Justificativa: A Lei de Execução Penal (LEP), em seu artigo 112, com redação dada pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), estabelece que os condenados por crimes hediondos devem cumprir um percentual maior da pena antes de progredirem de regime. No caso de réus primários, a progressão ocorre após o cumprimento de 40% da pena, desde que tenham bom comportamento carcerário. Como o latrocínio (roubo seguido de morte) é crime hediondo conforme a Lei nº 8.072/1990, um condenado primário poderá progredir após 40% do cumprimento da pena. 3. A Lei de Abuso de Autoridade define condutas que configuram violações graves ao exercício da função pública. Qual das seguintes situações pode caracterizar um crime conforme essa legislação? A) Um policial que, ao executar mandado de busca e apreensão, exige que os suspeitos permaneçam deitados para facilitar a revista pessoal. B) Um juiz que decreta a interceptação telefônica de um suspeito de tráfico de drogas sem demonstrar a imprescindibilidade da medida. C) Um delegado que mantém um investigado algemado em audiência pública, mesmo havendo risco de fuga e ameaça à segurança dos presentes. D) Um agente do Ministério Público que arquiva um inquérito policial sem antes ouvir todos os suspeitos e testemunhas mencionados na investigação. E) Um promotor de Justiça que orienta policiais a realizarem diligências investigativas antes da formalização de um inquérito policial. · Gabarito: B Justificativa: O artigo 10 da Lei nº 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) criminaliza a decretação de interceptação telefônica, informática ou telemática sem justa causa ou sem a devida fundamentação. Para que a interceptação seja válida, é necessário que haja indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal, que a interceptação seja imprescindível para a investigação e que a decisão judicial esteja fundamentada. Caso contrário, o juiz estará cometendo abuso de autoridade. 4. Durante uma investigação criminal, um delegado requer a prisão temporária de um suspeito. No entanto, o juiz a indefere sob o argumento de que não se enquadra nos requisitos legais. Qual das seguintes hipóteses justificaria o indeferimento do pedido? A) O crime investigado é de latrocínio e há indícios suficientes de autoria. B) O pedido não veio acompanhado de elementos que comprovassem a necessidade da prisão para as investigações. C) O suspeito já possui condenação por crime hediondo e, por isso, a prisão temporária seria automática. D) A prisão temporária foi solicitada pelo Ministério Público sem prévia autorização da autoridade policial. E) O investigado confessou o crime, o que torna desnecessária a prisão temporária. · Gabarito: B Justificativa: A Lei nº 7.960/1989 (Lei de Prisão Temporária) estabelece que essa medida só pode ser deferida se houver elementos concretos demonstrando sua necessidade para a investigação. Se o pedido de prisão temporária não vier acompanhado de provas que indiquem a necessidade da custódia para a obtenção de provas ou para evitar que o investigado atrapalhe as investigações, o juiz pode indeferi-lo. Portanto, a ausência de fundamentação adequada justifica o indeferimento. 5. Um policial civil, fora de serviço e sem autorização específica, é flagrado portando uma arma de fogo de uso permitido em via pública. Diante do Estatuto do Desarmamento, qual será a consequência jurídica dessa conduta? A) Será preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, crime inafiançável. B) Poderá responder por posse irregular de arma de fogo, pois o crime de porte só se configura se houver intenção de cometer outro delito. C) Não cometerá crime, pois policiais civis, ainda que aposentados, têm porte de arma garantido por lei. D) Responderá por porte ilegal de arma de fogo, salvo se comprovar que estava em deslocamento para uma atividade de segurança pública. E) Somente sofrerá sanção administrativa, pois a norma penal não prevê punição para agentes da segurança pública que portam armas fora de serviço. · Gabarito: D Justificativa: O Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003) prevê que policiais não possuem porte irrestrito de armas e devem justificar a necessidade funcional para portá-las fora de serviço. Caso um policial civil seja flagrado portando uma arma sem autorização específica e sem vínculo com uma atividade de segurança pública, ele poderá responder por porte ilegal de arma de fogo, conforme o artigo 14 do Estatuto. A exceção ocorre se ele comprovar que estava em deslocamento para uma ação de segurança pública. QUESTÕES SUBJETIVA A Lei nº 7.960/1989 disciplina a prisão temporária no Brasil, impondo requisitos específicos para sua decretação. No entanto, há discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a compatibilidade dessa modalidade de prisão com os princípios constitucionais do devido processo legal e da presunção de inocência. Considerando o ordenamento jurídico brasileiro, analise a prisão temporária sob a ótica da sua constitucionalidade, indicando os requisitos legais para sua decretação e os principais argumentos favoráveis e contrários à sua aplicação. Resposta: A prisão temporária está prevista na Lei nº 7.960/1989 e pode ser decretada apenas para crimes graves listados no artigo 1º. Para sua concessão, exige-se: (i) existência de investigação em curso, (ii) indícios suficientes de autoria e (iii) necessidade da prisão para as investigações (ex.: para evitar destruição de provas ou impedir a fuga do suspeito). Do ponto de vista constitucional, sua compatibilidade é debatida. Os defensores afirmam que a prisão temporária não viola a presunção de inocência, pois tem caráter cautelar e segue critérios legais objetivos. Já os críticos alegam que sua aplicação excessiva pode configurar antecipação da pena, ferindo o artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal. Além disso, questiona-se sua proporcionalidade, pois pode levar à privação da liberdade com base em indícios frágeis. O Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceua constitucionalidade da prisão temporária, mas ressalta que seu uso deve ser excepcional e fundamentado, para evitar abusos e arbitrariedades.