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1 – FICHAMENTO
Obra: Teoria pura do direito – Hans Kelsen 
Referência bibliográfica: KELSEN, Hans. Teoria pura do direito . 6. ed. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2000a. 427 pág.
Nome do autor: Hans Kelsen
Nome da obra: Teoria pura do direito
Dados da obra: A obra de Kelsen é uma das mais influentes no campo do Direito, abordando a teoria da norma jurídica de forma objetiva e desvinculada de elementos morais e sociais. A edição de 2000a, publicada pela Ed. Martins Fontes, contém 427 páginas e reflete os fundamentos da teoria positivista de Kelsen, incluindo a distinção entre Direito e Moral.
	CITAÇÃO
	COMENTÁRIO
	"A justiça é, portanto, a qualidade de uma conduta humana específica, de uma conduta que consiste no tratamento dado a outros homens. O juízo segundo o qual uma tal conduta é justa ou injusta representa uma apreciação, uma valoração da conduta. (KELSEN, 2003, p.4)”
	Kelsen argumenta que a justiça só pode ser avaliada na aplicação concreta de uma norma a uma pessoa, seja jurídica ou moral. A justiça, assim como a moral, é uma valorização subjetiva da conduta humana no tratamento aos outros. Ao confrontar as normas jurídicas, que são objetivas, com a justiça, que é subjetiva, Kelsen aponta uma tensão: a justiça não se resume à aplicação das leis, mas envolve uma análise valorativa da conduta humana.
	
“A moral diferencia-se do Direito pelo fato de que a reação por aquela prescrita, suas sanções, não têm como as do Direito o caráter de atos de coação, quer dizer: - como a sanção do Direito – não são executáveis com o emprego da força física, quando elas enfrentam a resistência, e porque as sanções da moral não são como as do Direito, não representam apenas reações a uma conduta contrária à norma, como também reações a uma conduta conforme à norma. (KELSEN, 1986, p.30)”
	
Para Kelsen a Moral, assim como o Direito, é uma ordem normativa que também impõe sanções, embora não coercitivas. A Moral se diferencia do Direito porque suas sanções são subjetivas e indiretas, baseadas na desaprovação social, enquanto o Direito tem o poder de impor sanções por meio de atos coercitivos. Embora ambas sigam o princípio retributivo – uma reação a ações benéficas ou maléficas –, somente o Direito pode usar a força física. Kelsen ainda destaca que, na ciência jurídica, a relação de causa e efeito é chamada de "imputação", distinta da causalidade natural, mas análoga a ela.
	
“O direito só pode ser distinguido essencialmente da Moral quando [...] se concebe como uma ordem de coação, isto é, como uma ordem normativa 50 que procura obter uma determinada conduta humana ligando à conduta oposta um ato de coerção socialmente organizado, enquanto a Moral é uma ordem social que não estatui quaisquer sanções desse tipo, visto que as suas sanções apenas consistem na aprovação da conduta conforme às normas e na desaprovação da conduta contrária às normas, nela não entrando sequer em linha de conta, portanto, o emprego da força física. (KELSEN, 2000a, p.71)”
	
Neste trecho, Kelsen argumenta que tanto o Direito quanto a Moral são ordens positivas, com a Moral derivando dos costumes, embora sem a complexidade jurídica. A principal diferença entre ambos é o caráter coercitivo do Direito, que impõe avaliações organizadas socialmente, enquanto a Moral depende de aprovação ou desaprovação social, sem uso de força. Assim, as normas morais e jurídicas são distintas, mas inter-relacionadas. Nessa visão, alguns defendem que o Direito deve estar de acordo com a Moral, sendo reconhecido como tal apenas quando moralmente aceito.
2 – ESBOÇO DO RESUMO EXPANDIDO
Direito e Moral: Uma Análise a partir da Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen
1. Introdução
1.1. Contextualização do tema Direito e Moral
A relação entre direito e moral é um tema central na filosofia do direito, suscitando debates sobre a natureza normativa de ambos os conceitos. O direito, frequentemente visto como um conjunto de normas instituídas pelo Estado, é contrastado com a moral, que se refere a valores e princípios éticos que orientam o comportamento humano.
1.2. Apresentação da obra de Hans Kelsen
Hans Kelsen, em sua obra "Teoria Pura do Direito", propõe uma abordagem que busca separar o direito de influências externas, como a moral e a política, estabelecendo uma ciência jurídica e específica.
2. Fundamentos da Teoria Pura do Direito
2.1. Conceitos-chave de Kelsen
Kelsen introduz conceitos fundamentais como a “norma fundamental” (Grundnorm) e a distinção entre o “ser” (fatos) e o “dever-ser” (normas). Para ele, o direito deve ser treinado como um sistema normativo independente.
3. Definições de Direito e Moral
3.1. Definição de Direito em Kelsen
Kelsen define o direito como um sistema de normas que regulam comportamentos, enfatizando que as normas jurídicas são prescrições que não refletem necessariamente valores morais, mas sim ordens impostas pelo Estado.
3.2. Definição de Moral
A moral é entendida como um conjunto de princípios éticos que orientam as ações humanas, sendo subjetiva e variável entre diferentes culturas e sociedades.
4. Relação entre Direito e Moral
4.1. Perspectivas Filosóficas
Diversas correntes filosóficas abordam a intersecção entre direito e moral, desde o positivismo jurídico, que defende a separação estrita, até teorias naturalistas que sustentam uma conexão intrínseca entre ambos.
4.2. Abordagem de Kelsen
Kelsen argumenta que o direito deve ser analisado sem considerar valores morais, pois isso comprometeria sua objetividade científica. Ele defende que as normas jurídicas são válidas independentemente do seu conteúdo moral.
5. Divergências e Convergências entre Direito e Moral
5.1. Pontos de Conflito
Os principais conflitos surgem quando normas jurídicas contradizem princípios morais amplamente aceitos, gerando questionamentos sobre a legitimidade do direito.
5.2. Aspectos Complementares
Apesar das divergências, há situações em que o direito pode refletir valores morais, especialmente em legislações que buscam promover a justiça social ou a proteção dos direitos humanos.
6. Funções e Limites do Direito e da Moral
6.1. Funções do Direito
O direito serve para regular comportamentos sociais, resolver conflitos e garantir a ordem pública.
6.2. Funções da Moral
Uma orientação moral para ações individuais e sociais com base em valores éticos, promovendo a coesão social.
6.3. Limites do Direito e da Moral
O direito é limitado pela necessidade de ser aplicado universalmente dentro de um sistema jurídico específico, enquanto a moral pode ser mais flexível, variando conforme contextos culturais.
7. Conclusões
7.1. Síntese das Principais Discussões
Uma análise da relação entre direito e moral sob a perspectiva da Teoria Pura do Direito revela uma clara separação proposta por Kelsen, enfatizando a importância da objetividade na ciência jurídica.
7.2. Contribuições da Teoria Pura do Direito de Kelsen
A obra de Kelsen contribui significativamente para o entendimento contemporâneo do direito como uma disciplina independente, desafiando juristas a considerar as implicações éticas sem perder de vista a estrutura normativa do sistema jurídico.
3 – REFERÊNCIAS
KELSEN, Hans. Teoria pura do direito . 6. ed. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2000. 427 p.
SANTOS, João. Kelsen e Reale: reflexões sobre a teoria pura do direito. Revista Filosofia do Direito e Intersubjetividade , v. 1, 2014. Disponível em: https://www.univali.br/graduacao/direito-itajai/publicacoes/revista-filosofia-do-direito-e-intersubjetividade/edicoes/Lists/Artigos/Attachments/139/3.05%20 -%20Kelsen%20e%20Reale.pdf 
SILVA, Gustavo. Direito e ciência do direito na obra de Hans Kelsen. Conjur , 22 maio 2022. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2022-mai-22/opiniao-direito-ciencia-direito-obra-kelsen/
PEREIRA, Ana. Pensar a atualidade da Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen. Conjur , 29 fora. 2016. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2016-out-29/diario-classe-pensar-atualidade-teoria-pura-direito-hans-kelsen/

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