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LÍNGUA PORTUGUESA
NAIZE LAMEGO
INTERPRETAÇÃO
DE
TEXTO
O que é um texto?
É uma manifestação linguística ou visual que produz um sentido para aquele que lê ou ouve.
Comunicação entre um emissor e um receptor.
ATO DE LER
A INTERPRETAÇÃO DE TEXTO NÃO SE REDUZ SIMPLESMENTE AO ATO DE LER RAPIDAMENTE Observando apenas as letras, frases e períodos que compõem um texto, entende-se somente o assunto geral dele. Para interpretar faz-se necessário uma leitura crítica, a leitura das entrelinhas. Deve-se entender os valores defendidos, isto é, os caminhos que o autor deixou para que o leitor percorresse e chegasse a um ponto esperado. Entender qual é o objetivo principal do texto.
Uma interpretação só será bem feita quando a leitura for bem explorada.
Um texto é bastante complexo porque são as manifestações linguísticas de um autor que possui ideias próprias e as coloca no texto para que possam chegar ao leitor.
O texto é o intermediador entre o pensamento de duas pessoas diferentes, ou seja, às vezes há uma grande divergência entre o pensamento do autor e do leitor. Por isso, para compreender realmente um texto, o leitor deve preocupar-se em encontrar os recursos semânticos e discursivos utilizados pelo autor, assim compreenderá as ideias dele ao invés de enxergar as próprias
A IMPORTÂNCIA DA FONTE
Geralmente, ao final do texto, encontra-se a fonte dele, nela há o nome do autor, do local de publicação e a data. Essas informações são essenciais para que o contexto de escrita do texto seja percebido.
RECURSOS MORFOSSINTÁTICOS
A morfossintaxe é responsável pela coesão do texto, está relacionada à gramática e a ordem gramatical escolhida pelo autor. As ideias precisam estar concatenadas para que haja sentido. É necessário que se façam as ligações entre os diversos elementos do texto
Entre os principais elementos de coesão estão as conjunções, preposições, locuções denotativas, palavras explicativas, conclusivas, retificativas, pronomes relativos e verbos de ligação.
Os termos anafóricos também são essenciais no texto .
Elementos anafóricos servem para retomar uma palavra ou uma expressão já mencionada. Pronomes relativos, demonstrativos e advérbios são os elementos anafóricos mais comuns.
RECURSOS SEMÂNTICOS
A semântica é o sentido do texto.
Está relacionada à compreensão do texto.
A coerência é essencial. Ao escolher um determinado vocábulo, ao trocar uma palavra por outra, o autor constrói o próprio pensamento, não há texto sem lógica, a própria coesão é dada para que se entenda a lógica do texto.
RECURSOS DISCURSIVOS – PESSOAS DO DISCURSO
Há três pessoas básicas do discurso:
A primeira é expressa pelos pronomes eu e nós. Refere-se sempre ao narrador do texto. Apresenta um carga de subjetividade.
A segunda pessoa é expressa pelos pronomes tu e vós. No Brasil, os pronomes de tratamento você e vocês. No texto, refere-se ao leitor. Quando utiliza pronomes de segunda pessoa, o narrador comunica-se com o leitor.
A terceira pessoa é expressa pelos pronomes ele(a) e eles(as). Refere-se, sempre, ao assunto. Os pronomes de terceira pessoa identificam crenças gerais.
Para se realizar uma boa leitura, são necessários alguns passos.
1º: Delimitar a unidade de leitura (seleção) - capítulo, seção que lhe interesse;
2º: Identificar o tema do texto – qual o foco principal?
3º: Localizar o texto no tempo e no espaço - Quem é o autor? quando o produziu? quais as condições da época? que influências recebeu?
4º: Selecionar os elementos mais importantes do texto;
5º: Organizar as próprias ideias com relação aos elementos relevantes -Nesse ponto, é preciso um posicionamento do em relação às novas informações: concorda com elas? discorda delas? por quê?
6º: Elaborar hipóteses explicativas para as questões tematizadas, ir além do que foi dito pelo autor para construir um novo conhecimento acerca da questão.
Para ler e entender bem um texto:
1º Nível – Informativo e de Reconhecimento.
Destacar palavras-chave;
Destacar passagens importantes;
Usar uma palavra/frase para resumir a ideia central;
# Aguça a memória visual e favorece o entendimento #.
2º Nível – Interpretação. A interpretação é subjetiva, mas há limites, pois deve captar a essência do texto.
Mas sabe-se que não há associação necessária entre significante (expressão gráfica) e significado, sendo apenas uma convenção.
Ao contrário do hieróglifos
Cadeira
Logo, o signo linguístico é uma Convenção.
Na convenção de Signo Linguístico:
DENOTAÇÃO: é o sentido/significado das palavras (encontrado no dicionário).
CONOTAÇÃO: é o sentido figurado – dependente de um contexto e da postura ideológica do autor diante do mesmo.
Logo, interpretação depende de CONOTAÇÃO
Pois
As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto em que estão inseridas.
Os textos literários exploram bastante as construções Conotativas
Já os textos Científicos devem dirimi-las.
Esclarecer os conceitos, tirá-los das abstrações, torná-los mensuráveis, logo, torná-los Constructos.
Construir Teorias e Prová-las
Como ler?
Apreensão:
O enunciado normalmente se apresenta assim:
De acordo com o texto...
O autor sugere ainda que...
Tendo em vista o texto...
Compreensão de texto:
consiste em saber o que se infere (conclui) do que está escrito.
Enunciado:
O texto possibilita o entendimento de que...
Com apoio no texto, infere-se...
O texto encaminha o leitor para...
Três erros capitais na análise do texto:
1- Extrapolação: é o fato de fugir do texto. Ocorre quando se interpreta o que não está escrito. Muitas vezes são fatos reais, mas que não estão expressos no texto. Deve-se ater somente ao que está relatado.
2- Redução: é o fato de se valorizar uma parte do contexto, deixando de lado a sua totalidade. Deixa-se de considerar o texto como um todo para se ater apenas à parte dele.
3- Contradição: é o fato de se entender justamente o contrário do que está escrito. É bom que se tome cuidado com algumas palavras, como: pode, deve, não, verbo ser...
Apreensão e compreensão de sentido
apreensão: significado das palavras do texto (contexto interno). É preciso relacionar passagens do texto para determinar o significado de um vocábulo, inferir informações não explícitas (pressuposto), reconhecer efeitos de sentido decorrentes de algum uso incomum da linguagem.
compreensão: relação de palavras apreendidas no contexto com informações externas, extras, conhecimento de mundo.
Distratores
Distorções na apreensão: as alternativas incorretas manipulam dados da superfície do texto. - Descontextualização: um trecho é interpretado como se o sentido de cada fragmento não dependesse das relações estabelecidas entre as partes do texto.
Embaralhamento de ideias: a afirmação retoma dados do texto, mas a relação que existia entre eles é alterada. Generalização: uma ideia específica no texto é tomada como universal. (observe termos como: sempre, nunca, todos... e verifique se é coerente com o texto).
Distorção do sentido
Mau aproveitamento de dados.
Distorções na compreensão: as alternativas incorretas manipulam o conhecimentos de mundo do leitor.- Intromissão discursiva: a afirmação vincula significados que o leitor julga corretos, mas que não são sugeridos pelo enunciado, ou seja, não estão presentes no texto, ou, se são corretos, não estão presentes no trecho destacado. Restrição de sentido: uma generalização presente no texto é restringida na afirmação. É errado achar que toda generalização está incorreta. Logo, é necessário ver se a alternativa está coerente com o texto.
Poema O Bicho de Manuel Bandeira com análise e significado
O poemaO Bicho, escrito pelo autor pernambucano Manuel Bandeira (1886 - 1968), tece uma dura crítica social à realidade brasileira dos anos quarenta.
Conciso, o poema faz, com precisão, um registro da miséria humana.
O Bicho, de Manuel Bandeira
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Análise do poema O Bicho estrofe a estrofe
Escrito no Rio de Janeiro, no dia 27 de dezembro de 1947, o poema retrata a realidade social do Brasil imerso na miséria durante a década de quarenta. Aparentemente simples, mas afinal desconcertante, o poema denuncia uma ordem social fraturada.
Bandeira demonstra ter capacidade de transformar uma cena triste e cruel em poesia. Ao olhar para a exclusão experienciada na paisagem de um grande centro urbano, o poeta denuncia o abismo social tão típico da sociedade brasileira.
Primeiro terceto
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Na apresentação da cena inicial, vemos o sujeito se debruçar sobre o cotidiano e usar como material poético as cenas do dia a dia.
Logo na primeira aparição do bicho sabemos mais sobre o lugar e o tempo no qual se encontrava, e o que ele estava fazendo.
Imerso num contexto sujo, o animal se alimenta do que a sociedade desperdiça. Em busca de comida, o bicho vasculha o que jogamos fora
Segundo terceto
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
Esse segundo trecho não aborda mais propriamente o bicho, mas a sua atitude, o seu comportamento naquela situação específica.
Nesta passagem, percebemos a dificuldade da criatura encontrar comida e a sua afobação ao se deparar com algo que pode servir de alimento ("não examinava nem cheirava").
O último verso, "Engolia com voracidade.", fala da fome, da pressa, da urgência de se atender as necessidades básicas do corpo que clama por comida.
Terceiro terceto
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
No último terceto o eu-lírico tenta definir que bicho seria aquele. Procurando adivinhar, ele enumera animais habitualmente encontrados nas ruas. Enquanto o Homem vive em casas, os bichos vivem na rua, espaço público destinado ao abandono.
A organização do verso faz crer que o eu-lírico irá mencionar outro bicho, ficamos em suspenso até o último verso sem saber de qual criatura se trata.
Último verso
O bicho, meu Deus, era um homem.
Qual não é o espanto quando o leitor descobre que se trata de um ser humano. Só nesse momento percebemos como o homem afinal é equiparado a um bicho, reduzido a sua necessidade de sobrevivência, humilhado ao vasculhar comida entre detritos.
Esse verso denuncia a miséria e a pobreza, tão características de realidades com enorme abismo social. O Bicho escandaliza o leitor pela sua construção, que nos deixa em suspense, e depois pela triste constatação da circunstância social que impõe a degradação do ser humano.
A expressão "meu Deus", já no final do poema, revela um misto de surpresa e horror.
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