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Roteiro 1 – Ciência Política e Teoria Geral do Estado ESTADO Estado pode ser definido por múltiplos aspectos, porém, tradicionalmente para defini-lo se busca resolver duas questões: 1ª Em que época surgiu o Estado? 2º Quais os motivos que levaram o aparecimento do Estado? Nesta aula, se objetiva tratar da formação do Estado do ponto de vista histórico e político. A primeira menção ao termo Estado, vem de Maquiavel (1.459-1527), no Livro “O Príncipe”, ele o liga a ideia de cidades-estados, formuladas como principados ou pequenas Repúblicas. Assim ele cita: “Todos os Estados, todos os governos que tiveram e têm autoridade sobre os homens, foram e são repúblicas ou principados.”. O fato do termo Estado só ter sido cunhado no século XVI é um dos argumentos pelos quais, a maioria dos autores, só reconhece a existência do Estado depois do séc. XVII; Porém, a ideia de Estado é maior que uma simples nomenclatura. O nome Estado hoje só é utilizado por sociedades políticas dotadas de características bem definidas. É fato, que os elementos básicos que nos levam a definir o Estado, começam a se configurar somente em meados do século XVI; o que leva a maior parte dos autores a não reconhecer a existência do Estado até o Século XVII. É sabido que desde os tempos mais remotos o ser humano se organiza em sociedades políticas. Essas sociedades, que variaram imensamente no modo de organização social e tem em comum a necessidade de agrupamentos e a fixação de regras de convivência entre seus membros. É fato também, que o nosso modo de organização social atual, pouco lembra as organizações havidas pelo Império Romano ou pelos Incas, ainda que se configurassem em organizações sociais extremamente complexas e desenvolvidas. Portanto, percebe-se que há características peculiares que definem a base da nossa organização política mundial, em que os Territórios se dividem geograficamente em Nações, que têm poder de mando sobre o povo em que nele se encontra. Essa organização política é denominado de Estado Moderno ou Estado Nação. Assim, quanto ao aparecimento do Estado, há algumas teorias que procuram descrever seu surgimento: 1ª Teoria de que o Estado sempre existiu, surgiu com a própria sociedade; 2ª A sociedade humana existiu sem Estado, que depois foi sendo constituído para atender as necessidades diversas dos grupos sociais. Foi aparecendo segundo as condições concretas de cada lugar, podendo a aparecer e desaparecer no decorrer da história da humanidade; 3ª A existência do Estado só se configura em formações políticas sociais muito bem definidas, como as que passaram a se desenvolver na Europa no século XVII. Assim, não haveria a necessidade de se chamar Estado Moderno, pois é a configuração do Estado, segundo os elementos caracterizadores que se mantêm até hoje. Para Sahid Maluf os estados podem nascer de modo originário, em decorrência da evolução natural humana, que vão formando agrupamentos humanos, mais ou menos homogêneos (raça, língua, religião, usos, costumes, aspirações comuns), que levam a formações de nações e da necessidade de criação de regramentos sociais para “os comuns”. Podem nascer de forma secundária, advindo da união (Confederações, Federações, União Pessoal, União Real) ou divisão entre os Estados. Podem nascer de forma derivada por força da colonização, concessão de soberania, por secessão. • É fato que todo Estado surge de um prévio agrupamento humano. Porém, a questão é por quais motivos agrupamentos tornaram-se as formações nacionais atuais: • Teorias que explicam a formação originárias do Estado são variadas: a) Formação natural espontânea, sem um ato voluntário de vontade; b) Formação contratual (vontade de alguns homens ou de um grupo determinado); c) Origem Familiar ou Patriarcal; d) Origem de atos de força, de violência ou conquista; e) Origens Econômicas ou Patrimoniais, oriundas das necessidades de socialização; f) Desenvolvimento Interno da sociedade, evolução das sociedades primitivas; g) Formação derivada do fracionamento ou da União de Estados; h) Formas atípicas (guerras, Alemanha Oriental e Ocidental); • Há um consenso atual, que o fator que define a criação de fato de um Estado é o reconhecimento das demais Nações da sua existência; Justificações para o surgimento do Estado: A) Justificações Teológicas: • Em praticamente todos os agrupamentos humanos, o poder de governo era exercido em nome e sob a influência dos deuses, contando, assim, pacificamente com uma justificação natural, de ordem carismática, aceitável de pronta pela simples crença religiosa. • Do ponto de vista Religioso duas correntes que buscam a justificativa para o surgimento do Estado: a.1) Estado Divino Sobrenatural, em que o Estado foi criado por Deus, através de um ato concreto de manifestação da sua vontade. O Rei é ao mesmo tempo sumo sacerdote, representante de Deus na Ordem Temporal e governador civil (Tibet, Reino Unido); A exemplo disso: “ a autoridade em que os Reis são investidos é uma delegação de Deus. Está em Deus e não no povo a fonte de todo o poder, e somente a Deus que os Reis têm de dar contas do poder que lhes foi confiado”. O Soberano era fonte única e exclusiva do direito. Sua pessoa confundia-se com o Estado. Daí a afirmação que constantemente fazia Luiz XIV: “L’c’est moi.”. O Estado sou eu. a.2) Estado Divino Providencial: Deus dirige providencialmente o mundo, guiando a vida dos povos e determinando acontecimentos históricos. Dessa direção suprema resulta a formação do Estado; o poder vem de Deus, mas não por visível e concreta da vontade. O poder vem de Deus pelo povo, como doutrinou São Tomás de Aquino. Os homens, conformando-se com a vontade divina, devem reconhecer e acatar a vontade do Estado. Para Aquino “Deus quis que houvesse governo na ordem civil, mas deixou aos homens o modo de sua realização.” B) Teorias Racionalistas – JUSNATURALISTAS • As teorias racionalistas, agrupam todas aquelas que justificam o Estado como de origem convencional, isto é, como produto da razão humana. São por isso chamada de teorias Contratualistas. • Em comum, todas elas partem da observação das primitivas comunidades, em estado de natureza, e, através de uma concepção metafísica de direito natural, chegam a conclusão de que a sociedade civil (O Estado organizado) nasceu de um acordo utilitário e consciente de vontades. Assim, toda a teoria contratualista pressupõe três passos: 1) Estado de Natureza, prévio a sociedade civil; 2) Contrato Social, um acordo social que cria o poder político; 3) Direito Positivo, que se origina do poder do contrato e passa reger aquela sociedade. • As Teorias Contratualistas variam quanto a natureza humana, os fins e razões do pacto: a) Hugo Groccio: primeiro a conceituar o Estado de Natureza e a diferenciação teórica do direito natural e do direito positivo; b) Thomas Hobbes: sistematiza o contratualismo e torna-se o primeiro teórico do Estado. Para ele as razões do pacto eram a necessidade de dominar a natureza bélica humana. “O homem é o lobo do próprio homem.”. (poder absoluto monárquico) c) Emmanuel Kant: traz a ideia de centralidade do indivíduo e liberdade; d) Jonh Locke: o homem faz o contrato social justamente para garantir o respeito aos seus direitos naturais, assim, o pacto é uma forma de estabelecer os termos para gozar de sua liberdade fundamental – pai do liberalismo político (poder monárquico parlamentar limitado). e) Jean Jacke Rousseau: o pacto resulta da soma das vontades individuais, manifestadas pela maiorias dos indivíduos. Assim, o pacto serviria para garantir que a vontade geral se sobrepusesse a vontade de um governante, sob pena de insustentabilidade – considerando o percursor dademocracia moderna (poder republicano democrático). • Em Rousseau o homem, para se desenvolver, limitado por sua liberdade, troca a escolha individuais pela escolha comum. C) Escola Histórica: • Para esses autores, o Estado não é uma organização convencional, não é uma instituição jurídica artificial, mas um produto de um desenvolvimento natural de uma determinada comunidade estabelecida em um determinado território. • Essa teoria liga-se às teorias evolucionistas, no sentido de que determinada sociedade, ao alcançar um certo grau de desenvolvimento, passa a necessitar da organização estatal por um imperativo indeclinável da natureza humana para seu contínuo desenvolvimento. • As instituições sociais, políticas e jurídicas nascem e se desenvolvem das tradições históricas. O Estado é um fato social. • Para Edmund: “deixadas a si mesmas, as coisas encontram geralmente a ordem que lhes convêm. C) Panteísmo e Escola Orgânica: c.1) Panteísmo: ramo da filosofia panteísta. O panteísmo integra em uma só realidade Deus e o mundo. Identifica o sujeito como objeto no absoluto. O absoluto se manifesta na natureza, pelos reinos animal, vegeta e mineral, e na história por meio da família, da sociedade e do Estado. O Estado é uma das expressões do absoluto. • Nega o livre arbítrio em um fatalismo cego. • O Direito é inerente à Deus e irradia a todos os seres vivos. O poder do Estado é um poder absoluto, já que essa entidade é a suprema encarnação da ideia. c.2) Escola Orgânica tem origem eminente panteísta, como grande exponente tem Hegel. O Estado, segundo essa doutrina, é um organismo natural, semelhante a um organismo vivo, sujeito às mesmas leis biológicas. Assim, como um todo biológico, indivíduos e Estado se confundem. Os indivíduos são os membros, o Governo os braços, economia seu sistema circulatório etc. Como os seres vivos, o Estado floresce e morre, as crises e convenções políticas correspondem a esse processo mórbido. D) Escola da Supremacia das classes: reúne os princípios da força do interesse patrimonial, justificando um Estado baseado na supremacia das classes. Funda- se no domínio da maioria vencedora à minoria oprimida – base no princípio do fato consumado – como um fato social, ou melhor, um fato do poder. • Acaba sendo o fundamento da teoria da ditadura do proleariado pensada por Marx, como uma forma de se chegar ao comunismo. • Para Leon Duiguit a sociedade se difere entre aqueles que governam e os que serão governados. A classe que detém o poder faz o domínio público por meio da escolha pública e poder de coação. Evolução Histórica que levou o surgimento do Estado • Não há curso uniforme do desenvolvimento dos agrupamentos sociais humanos – diferente do que acreditava as teorias evolucionistas. Há inúmeras formações em períodos descontinuados, de modo que é difícil dispor em uma ordem cronológica de evolução. • As civilizações mais significativas na história ocidental são as seguintes: 1) Civilizações da Antiguidade: - Orientais ou Teocráticos; - Natureza Unitária; - Divisão interior do território. 2) Cidades-Estados Gregas: - Múltiplos Estados, formados em Cidades-Estados, nos povos helênicos; - Autossuficientes; - Elitistas; - Autonomia de relações de caráter privado do Estado; - Território delimitado pela Cidade-Estado, sem dominação exterior; - Povo limitado a uma pequena minoria política. 3) Império Romano: - Não era uniforme; - Várias formas de governo; - Roma sempre manteve a característica de uma Cidade-Estado; - Domínio sobre uma grande extensão territorial; - Base familiar e de múltiplas propriedades privadas; - O povo limitado a uma pequena minoria política. 4) Organização Política Medieval: - Noite negra; - Instável e heterogêneo; - Cristianismo (oferece a base para uma homogeneidade, que fornece Unidade Política); - Invasões Bárbaras, constantes insegurança; - Feudalismo, múltiplos centros de poder; - Monarca com poder simbólico; - Domínio de Povos do norte da África e Oriente Médio; - Comércio quase inexistente; - Confusão entre a esfera Pública e Privada.