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Núcleo de Educação a Distância
GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO
Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino
PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira.
O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para 
a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho.
O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por 
fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem.
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Prezado(a) Pós-Graduando(a),
Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional!
Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança 
em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se 
decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as 
suas expectativas.
A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma 
nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra-
dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a 
ascensão social e econômica da população de um país.
Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida-
de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. 
Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas 
pessoais e profissionais.
Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são 
outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi-
ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver 
um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu-
ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo 
importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe-
rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de 
ensino.
E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) 
nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. 
Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos 
conhecimentos.
Um abraço,
Grupo Prominas - Educação e Tecnologia
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Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas!
É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha 
é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo-
sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é 
você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve-
rança, disciplina e organização. 
Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como 
as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua 
preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo 
foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de 
qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho.
Estude bastante e um grande abraço!
Professora: Adriana Penna
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O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao 
longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc-
nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela 
conhecimento.
Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes 
importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in-
formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao 
seu sucesso profisisional.
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 CAPÍTULO 01
INTRODUÇÃO
16Gerontologia Biomédica _______________________________________
 CAPÍTULO 02
GERONTOLOGIA X GERIATRIA
Abstraindo Conceitos __________________________________________ 15
Geriatria Preventiva ____________________________________________ 18
17Geriatria _______________________________________________________
 CAPÍTULO 03
GERONTOLOGIA SOCIAL
Conceitos e Abrangência _____________________________________ 22
Teorias Sociológicas do Envelhecimento ________________________ 24
 CAPÍTULO 04
BIOÉTICA E ENVELHECIMENTO
 CAPÍTULO 05
IDOSO, FAMÍLIA E SOCIEDADE
A Chegada da Aposentadoria _________________________________ 41
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Ambiente Familiar ______________________________________________ 42
Relações Sociais _________________________________________________ 44
A Violência ______________________________________________________ 45
 CAPÍTULO 06
RELACIONAMENTO CUIDADOR-IDOSO
56O Ato de Cuidar ________________________________________________
O Cuidador e o Cuidado ________________________________________ 51
As Necessidades dos Cuidadores _______________________________ 60
58A Qualidade de Vida dos Cuidadores ___________________________
Os Desafios para Enfermagem Gerontológica na Saúde Pública _ 62
Referências ____________________________________________________ 64
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A Sabedoria da Velhice:
“Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá ob-
servar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de 
serem as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao 
fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas 
relações e interdependências, e como, desde que a memória se mantenha 
desperta, nada daquilo que é transitório e já passou se perde.”
Hermann Hesse em Elogio da Velhice
Ao prefaciar o livro “Geriatria e Gerontologia Básicas” de Jacob 
Filho e Kikuchi, o prof. Dr. José Otávio Costa Auler Junior apresenta de 
maneira sucinta, mas bem clara a questão do envelhecimento populacio-
nal, como uma dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. 
INTRODUÇÃO
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Fato irreversível no âmbito mundial, essa transição demográfica indica 
uma situação em que se passa de altos níveis de mortalidade e fecun-
didade, para uma nova situação, marcada pela redução desses níveis, 
ao mesmo tempo em que as taxas de expectativa de vida aumentam 
gradativamente. E no Brasil esse fato já é indicado nas estatísticas. As 
estimativas dão conta de que o país terá em 2025, 34 milhões de idosos. 
Nossa expectativa de vida que era de 66,3 anos para homens e 73,9 
para mulheres em 1999, 10 anos depois em 2009, já atingia expectativa 
de 73,17 anos em média, ou 69,4 para homens e 77 anos para mulheres.
Na Região Sul, onde estão os maiores índices de expectativa 
de vida, a média já é de 75,2 anos, sendo 71,9 anos para os homens 
e 78,7 anos para as mulheres. Além disso, a Organização Mundial de 
Saúde estima que em 2025, o Brasil já deverá ser o sexto país do mun-
do em número de idosos .
O novo quadro já traz reflexos em todas as áreas e, em parti-
cular, na saúde. Essa crescente massa de população idosa indica o im-
prescindível desenvolvimento de técnicas de atendimento diferenciadas, 
aliadas à organização correta da rede de atendimento, permitindo a utili-
zação mais intensiva dos serviços e equipamentos de saúde. Na vertente 
epidemiológica, coloca as doenças crônico-degenerativas entre as princi-
pais posições de ocorrência e também de causas de mortalidade.pelos avanços tecnológicos 
relacionados à área de saúde. O surgimento dos imunobiológicos, o uso 
de antibióticos e quimioterápicos tornou possível a prevenção ou cura 
IDOSO, FAMÍLIA E SOCIEDADE
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de muitas doenças (MENICALLI et al., 2009).
Concomitante a esses fatores, a queda de fecundidade, a partir 
da década de 1960, permitiu a ocorrência de uma grande explosão de-
mográfica da população idosa em todo país.
No Brasil, estima-se que nas próximas duas décadas, a popu-
lação de idosos poderá alcançar e até mesmo ultrapassar a cifra dos 30 
milhões de pessoas, o que representará aproximadamente 13% de toda a 
população brasileira. Mais uma vez encontramos no Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE), informações de que a população com essa 
faixa etária deve passar de 14,9 milhões (7,4% do total), em 2013, para 
58,4 milhões (26,7% do total), em 2060. No período, a expectativa média 
de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.
De acordo com o IBGE, as mulheres continuarão vivendo mais 
do que os homens. Em 2060, a expectativa de vida delas será de 84,4 
anos, contra 78,03 dos homens. Hoje, elas vivem, em média, até os 
78,5 anos, enquanto eles, até os 71,5 anos.
Com o aumento da longevidade e a redução das taxas de morta-
lidade, o cenário epidemiológico demográfico brasileiro mudou-se rapida-
mente; deixamos de ser um “país de jovens” e não obstante, o crescimen-
to do quantitativo de idosos e de sua sobrevida traga a consciência da 
existência da velhice como uma questão social, que deve ser relevante, 
está diretamente relacionada com a crise de identidade, mudança de pa-
péis, aposentadoria, perdas diversas e diminuição dos contatos sociais.
Todos os seres vivos são regidos por um determinismo bioló-
gico e sendo assim, o envelhecimento está relacionado a processos 
que implicam na diminuição gradativa da possibilidade de sobrevivên-
cia, acompanhada por alterações na aparência, no comportamento, na 
experiência e nos papéis sociais.
Diante dessa visão, o envelhecimento deve ser entendido como 
parte integrante e fundamental no curso de vida de cada pessoa, sendo 
durante essa fase que surgem experiências e características próprias 
e peculiares, resultantes da trajetória de vida, na qual umas têm maior 
dimensão e complexidade que outras, integrando assim a formação do 
indivíduo idoso. As tensões psicológicas e sociais podem antecipar as 
deteriorações associadas ao processo de envelhecimento.
É nesse contexto de mudanças que o idoso vive e convive. É 
dentro dessa realidade que ele terá de adaptar-se. O binômio longe-
vidade e aumento da população idosa estabelecerá, em breve, que a 
maneira como o ser idoso tem sido tratado terá de sofrer profundas mo-
dificações. Porém, é necessário que conheçamos as alterações sociais 
que comprometem o idoso e como ele tem sido considerado hoje, no 
contexto social, para nos conscientizarmos, cada vez mais, da neces-
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sidade e importância de uma mudança radical da sociedade quanto à 
visão e postura em relação a ele.
Para cumprir com esse propósito, cabe discussão sobre os aspec-
tos relacionados com a aposentadoria, ambiente familiar, relações sociais, 
violência, política do idoso no Brasil, assim como a morte e o morrer por 
serem temas que fazem parte da realidade do dia-a-dia da vida do idoso.
Todas essas questões podem ser didaticamente agrupadas 
nas suas relações com a família e com a sociedade.
 
A CHEGADA DA APOSENTADORIA
Um dos fatores que podem deteriorar tensões psicológicas e 
sociais no idoso é a chegada da aposentadoria, momento em que o in-
divíduo se afasta da vida produtiva. O afastamento do trabalho, muitas 
vezes, acontece como uma descontinuidade. Há uma ruptura com o pas-
sado, portanto, o idoso deve ajustar-se a uma nova condição que lhe traz 
certas vantagens, como o descanso, lazer, mas também graves desvan-
tagens como desvalorização e desqualificação (MENICALLI et al., 2009).
Com a aposentadoria, frequentemente se percebe um rompi-
mento das relações sociais com outras pessoas com as quais o indi-
víduo conviveu durante muitos anos. Ocorrem, ainda, na maioria das 
vezes, uma redução salarial considerável e a falta de atividades alter-
nativas fora do ambiente de trabalho.
Considera-se a aposentadoria um rito de passagem para a ve-
lhice, acentuando sua vinculação à terceira idade, numa sociedade de 
consumo, na qual apenas o novo é cultuado como fonte da renovação, 
do desejo, da posse (PACHECO, 2005).
Socialmente, pode-se inferir, portanto, que a pessoa é definida 
como idosa a partir do momento em que deixa o mercado de trabalho, 
isto é, quando se aposenta e deixa de ser economicamente ativa. A 
sociedade atribui aos aposentados o rótulo de improdutivos e inativos.
Como se pode perceber, o processo de aposentadoria é com-
plexo e envolvente, pois pode levar a pessoa à condição de “sujeito iná-
bil”, improdutivo, comprometendo sua saúde física, mental, emocional e 
social (OLIVEIRA, FARINELLI, 2008).
Nos dias atuais, um maior número de idosos aposentados 
permanece desenvolvendo suas atividades produtivas. Não deixam de 
exercer seu trabalho, mesmo após a aposentadoria.
Em termos de população economicamente ativa, os idosos ain-
da hoje contribuem em muito para a renda familiar, o que pode ser uma 
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via de mão dupla, pois alguns que esperavam descansar ou usar esse 
momento para lazer precisam contribuir para o sustento das famílias.
Apresentar uma conclusão sobre a participação do aposentado 
no mercado de trabalho é uma tarefa complexa, porém percebe-se que 
é inexorável a presença do idoso no mercado de trabalho, sendo ele 
aposentado ou não. Nos dias atuais, sua contribuição no rendimento 
familiar é significativa, contribuindo na alimentação, saúde, educação e 
lazer para as gerações vindouras.
AMBIENTE FAMILIAR
O bem-estar psicológico desse grupo etário está muito asso-
ciado a sua satisfação em relação ao seu ambiente familiar. De maneira 
geral, os idosos sentem a necessidade da família.
Ao longo do tempo, eles se apegam de uma forma muito espe-
cial a sua casa, criando um sistema de espaço que é essencial ao seu 
cotidiano. É o ambiente onde se forma o conceito de família que tem 
sofrido grandes alterações.
Antigamente, a família era extensa, na qual convivia no mes-
mo espaço várias gerações, tais como os avôs, filhos e netos. O idoso 
não era completamente afastado do trabalho permanecendo útil e ativo. 
Eram o idoso e a família. Durante muito tempo, as famílias ocuparam-
-se dos seus familiares idosos, sem apoio por parte das entidades ou 
instituições públicas.
Apesar de a velhice ser um processo fisiológico e não uma doen-
ça, essencialmente nos idosos mais velhos, a necessidade de ajuda co-
meça a ser uma constante. A rede familiar, desde que existe, é a primeira 
à qual se recorre, pois continua a ter um papel importante como suporte 
no apoio às pessoas idosas. É no próprio cônjuge e na família que os 
idosos procuram apoio para resolver as suas necessidades e problemas.
Como principal grupo social, a família surge como suporte so-
cial, sendo primordial na satisfação das necessidades do idoso e local 
privilegiado de solidariedade, acolhimento, de troca afetiva e material.
Com a evolução das sociedades, a família também está mu-
dando os seus hábitos diários, não tendo muito tempo para dedicar aos 
idosos, os quais estão conscientes de que os seus familiares não têm 
disponibilidade para lhes prestar apoio, tentando mesmo desculpá-los, 
justificando que não é por falta de vontade ou afeto, mas pela exigência 
daatividade profissional.
Em todas as fases da vida, a família exerce uma importância fun-
damental no fortalecimento das relações, embora muitas vezes, a família 
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tenha dificuldades de aceitar e entender o envelhecimento de um ente, 
tornando o relacionamento familiar mais difícil (MENDES et al., 2005).
Com a chegada da terceira idade, o idoso perde a posição de 
comando e decisão que estava acostumado a exercer. As relações en-
tre pais e filhos modificam-se de forma acentuada e, consequentemen-
te, as pessoas idosas tornam-se cada vez mais dependentes, ocorre 
uma inversão de papéis. Os filhos geralmente passam a ter responsa-
bilidade pelos pais, mas em algumas vezes se esquecem de uma das 
mais importantes necessidades dos idosos: a de serem ouvidos.
Os pais, muitas vezes, quando manifestam a vontade de dialogar, 
percebem que os filhos não têm tempo de escutar as suas preocupações.
O ambiente familiar pode determinar, portanto, as características 
e o comportamento do idoso. Assim, a família suficientemente equilibrada, 
na qual predomina uma atmosfera saudável e harmoniosa entre as pesso-
as, possibilita o crescimento de todos, inclusive do idoso, pois todos pos-
suem funções, papéis, lugares e posições, assim como as diferenças de 
cada um são respeitadas e levadas em consideração. Contudo, as famílias 
que convivem em um ambiente de desarmonia, com falta de respeito entre 
seus membros e não reconhecimento de seus limites, o relacionamento é 
conturbado e com frustrações, com indivíduos deprimidos e agressivos.
Essas características promovem retrocesso na vida das pesso-
as. O idoso torna-se isolado socialmente e com medo de cometer erros 
e ser punido.
Reconhece-se que para cada família o envelhecimento assu-
me diferentes valores que, dentro de suas peculiaridades, pode apre-
sentar tanto aspectos de satisfação como de insatisfação. Diante de 
todos esses aspectos, pode-se inferir que a família representa um fa-
tor que influencia significativamente a segurança emocional dos ido-
sos, podendo, portanto, contribuir ou não para um envelhecer saudável 
(MENDES et al., 2005). A família deve ser fonte de apoio afetivo e social 
no envelhecimento de seus membros.
Na realidade brasileira, embora esteja diminuindo, tem-se a 
convivência de várias gerações compartilhando o mesmo espaço do 
lar. Há famílias que convivem com seus idosos, os quais se tornaram 
cuidadores de seus netos e a sua aposentadoria é fonte de sustento e 
manutenção do sistema familiar.
Esse contexto familiar mencionado anteriormente reflete o sen-
tido de pertencimento que deve permear a relação do idoso com os 
demais membros da família, por meio do respeito às diferenças, otimi-
zando o tempo presente.
É preciso que a família construa espaços de diálogos entre 
seus membros pertencentes, criando redes de acolhimento dentro do 
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seu sistema. Esses pontos são importantes no processo de envelhe-
cimento, pois produzirão sentidos que são legitimados por meio das 
conversações dentro da família e na sociedade como um todo.
RELAÇÕES SOCIAIS
As sociedades ricas, de primeiro mundo, encaram o idoso de ma-
neira bastante prática e objetiva. Ele recebe nessas sociedades todos os 
seus direitos, e têm bem nítidos os seus limites. Em determinados países 
há clara tendência em aproveitá-lo inclusive do ponto de vista profissional.
Infelizmente, sociedades pobres como a nossa tendem a isolar 
o idoso, não sendo rara a ideia de considerá-lo inútil, um verdadeiro 
peso morto. A exagerada valorização da juventude, tão própria da socie-
dade moderna, contribui muito para piorar o conceito de idoso em nosso 
meio. A Saúde Pública e a Previdência Social não estão estruturadas 
para cuidar de maneira eficiente dele (MENICALLI et al., 2009).
A pobreza e a miséria colocam grande parte de nossa socieda-
de muito afastada de qualquer benefício trazido pelo mundo moderno. 
Tudo isso coloca uma carga muito negativa sobre o idoso em nosso 
meio, dificultando muito a sua situação.
A sociedade brasileira ainda não teve tempo de se adaptar às 
grandes mudanças ocorridas, e o idoso ainda está longe de se sentir 
integrado a tais mudanças.
A nossa autoapreciação recebe então influências das caracte-
rísticas psicológicas individuais e, evidentemente, das pressões sociais: 
como se sentir diante de si mesmo, ou diante da apreciação dos outros? 
Qual a repercussão sobre uma pessoa saudável e ativa, com 75 anos 
de idade, que se vê absolutamente rejeitada? Se essa situação ocorre 
com indivíduo já com tendência a ser triste, deprimido e que possui pou-
cos conhecimentos sobre suas características psicológicas, a resposta 
a esta pergunta é negativa, com provável piora de seu sofrimento.
Essa mesma situação diante de pessoa que possua espírito 
alegre gera, sem dúvida, menores repercussões negativas. Se ocorrer 
uma doença em uma pessoa com tendência à tristeza, esta, sem dúvi-
da, irá sofrer muito mais.
O convívio em sociedade permite a troca de carinho, experiên-
cias, ideias, sentimentos, conhecimentos, dúvidas, além de uma troca 
permanente de afeto. Outros aspectos importantes consistem na esti-
mulação do pensar, fazer, dar, trocar, reformular e aprender. Os idosos 
necessitam estar inserido em atividades que os façam sentirem-se úteis.
Mesmo quando possuem boas condições financeiras, eles 
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devem estar envolvidos em atividades que lhe proporcionem prazer e 
felicidade. A atividade em grupo é uma forma de manter os indivíduos 
engajados socialmente, na qual a relação com outras pessoas contribui 
significativamente em sua qualidade de vida. Ter vontade de participar do 
grupo para usufruir dele também ajuda a tornar sua vida mais satisfatória 
e, nesse sentido, a capacidade de interagir socialmente é de extrema re-
levância para o desenvolvimento saudável do idoso, a fim de que ele pos-
sa conquistar e manter apoio social e garantir melhor qualidade de vida.
A VIOLÊNCIA
Vamos entrar num campo extremamente delicado e, digamos, 
que sucinta muito além de pena e tristeza. Nos remete a respeito, algo 
que buscamos a todo momento, portanto, que os idosos sejam sempre, 
muito respeitados por todos nós. Se não for por merecimento, porque 
nós todos um dia, se a saúde permitir, seremos idosos, estaremos exa-
tamente no lugar deles.
Um dos grandes desafios na década de 1990, quando se ini-
ciaram os estudos internacionais mais sistematizados sobre violência 
contra os idosos, foi a questão da terminologia.
Podemos encontrar na literatura várias definições, mas adotamos 
a definição da organização inglesa Action on Elder Abuse (1995), que vem 
sendo utilizada atualmente por consenso internacional de todos os países 
participantes da Rede Internacional de Prevenção contra os Maus-Tratos 
em Idosos (INPEA), e endossada pela Organização Mundial de Saúde.
Segundo a OMS, maus-tratos e negligência constituem uma 
ação única ou repetida, ou ainda a ausência de uma ação devida, que 
causa sofrimento ou angústia, e que ocorre em uma relação em que 
haja expectativa de confiança.
Segundo Bennet et al. (1997 apud MENICALLI et al., 2009) a 
maior parte dos autores classifica a violência contra os idosos em maus-
-tratos físicos, psicológicos, financeiros, abuso sexual e negligência:
1. Maus-tratos físicos: uso de força física que pode produzir 
lesão, ferida, dor ou incapacidade.
2. Maus-tratos psicológicos: ação de infligir pena, dor ou an-
gústia através de expressões verbais ou não verbais.
3. Abuso financeiro ou material: exploração imprópria ou ilegal 
e/ou uso não consentido de recursos financeiros de um idoso.
4. Abuso sexual: contra ato sexual não consentido.
5. Negligências: recusa ou falha em exercer responsabilidadesno ato de cuidar do idoso. A negligência pode ser ativa (intencional) ou 
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passiva (sem intencionalidade).
A violência pode se dar também pelo abandono e o autoaban-
dono:
1. Abandono: ausência ou deserção da pessoa responsável 
pelo idoso à prestação dos cuidados necessários.
2. Autoabandono ou autonegligência: conduta de uma pessoa 
idosa que ameaça a sua própria saúde ou segurança, com recusa ou 
fracasso de prover a si próprio o cuidado adequado.
Ainda, na tentativa de estabelecer consenso, Bennett et al. (1997 
apud MENICALLI et al., 2009) sugerem a proposta de se considerarem 
os níveis de violência contra idosos segundo a dimensão de seu alcance:
1. O nível macro refere-se a atitudes abusivas no contexto so-
cial. Contempla a violência estrutural, que vai desde a discriminação 
contra a idade até pensões e aposentadorias inadequadas, dificuldade 
de acesso a serviços sociais e de saúde e desrespeito em geral aos 
direitos constitucionais e legais do idoso.
2. O nível médio refere-se a atitudes, condutas e políticas que 
afetam o idoso na comunidade, incluindo-se condutas antissociais e o 
preconceito contra a velhice, que levam a população idosa a viver situ-
ações de marginalização e de discriminação. Contempla o modo pelo 
qual o idoso é tratado em geral pela comunidade, como, por exemplo, 
os motoristas de ônibus que não param nos pontos e a violência que 
ocorre nas instituições de longa permanência.
3. O nível micro diz respeito aos conflitos que ocorrem no âm-
bito doméstico entre idosos, seus familiares e cuidadores.
Os maus-tratos manifestam-se em um ou mais níveis, são in-
dependentes de raça, gênero ou classe social e ocorrem nos ambientes 
onde se encontram os idosos: em casa, na comunidade, nos centros de 
convivência, nos centros-dia e nas instituições de longa permanência. É 
frequente a ocorrência de várias formas de maus-tratos concomitante-
mente, por exemplo, a maus-tratos físicos e psicológicos e negligência.
A violência contra os idosos é um fenômeno evidente dentro do 
atual processo de envelhecimento populacional mundial. Percebe-se que 
a questão da violência contra os idosos é pouco considerada pela socie-
dade em geral e pelos profissionais de saúde. No Brasil já existe uma 
política de promoção da saúde dos idosos e de prevenção à violência, 
porém ainda não está implementada em sua totalidade como deveria.
Apesar de o aumento do número de idosos no Brasil ter-se 
iniciado por volta dos anos de 1980, a violência contra eles não é um 
fenômeno recente. Através dos anos, a sociedade brasileira assimilou 
uma cultura que tende a separar os indivíduos velhos, discriminá-los e, 
real ou simbolicamente, desejar sua morte, considerando-os ainda des-
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cartáveis e um peso para a sociedade (MINAYO, 2000).
Em geral, o idoso, vítima de violência, sente-se permanente-
mente ameaçado, sendo incapaz de se defender e garantir sua segu-
rança. Além disso, muitos desses idosos desconhecem os serviços de 
assistência e proteção contra violência e não têm quem os ajude na 
busca de socorro e, por isso, hesitam em denunciar seus agressores.
A violência contra os idosos configura-se, portanto, como um 
grave problema social e histórico, e que deveria ser foco de atenção 
para a saúde pública e demais setores, exigindo destes, maior esforço, 
no sentido de criar estratégias para seu enfrentamento.
A violência praticada contra o idoso é inaceitável e os fatores 
que colaboram para o crescimento desse fenômeno devem ser comba-
tidos, por meio de políticas públicas eficientes que visem a desconstruir 
esse processo no seio da sociedade.
Apesar da complexidade do assunto, qualquer processo de in-
tervenção deve abranger questões macroestruturais, conjunturais, re-
lacionais e subjetivas, bem como focalizar a especificidade dos proble-
mas, dos fatores de risco e das possibilidades de mudança.
Assim, a complexidade da violência, suas diferentes causali-
dades e formas de expressão tornam seu enfrentamento um grande 
desafio, pois exige o desenvolvimento de ações múltiplas e em diversos 
planos e espaços da sociedade. Sendo o ambiente familiar identificado 
como local privilegiado para a expressão da violência contra idosos, 
ações estratégicas do Programa de Saúde da Família podem facilitar a 
identificação e combate da violência no ambiente familiar.
A questão da violência entre os idosos não é um fenômeno 
novo. Entretanto, só agora estamos nos despertando e uma das maio-
res dificuldades ao se trabalhar com o fenômeno da violência é a sua 
etiologia e a sua pluricausalidade. O que se observa, na explosão de 
violência dos dias atuais em todos os grupos etários e classes sociais, 
é a influência de fatores relacionados a problemas macroestruturais, 
institucionais, relacionais, políticos e de classe, acarretando um forte 
sentimento de insegurança que tende a exacerbar o individualismo, pro-
movendo a exclusão social e dificultando sentimentos de solidariedade.
Particularmente, no que diz respeito à questão da violência 
contra idoso, esses fatores se expressam pela pequena presença de 
políticas públicas de assistência social e saúde que atendam às neces-
sidades de uma população idosa que cresce cada vez mais e que vive 
número cada vez maior de anos, pelos problemas sociais e econômicos 
que afetam a grande maioria das famílias brasileiras, para as quais os 
membros mais velhos constituem mais um peso que uma satisfação, e 
pelo despreparo dos profissionais da saúde e do social para lidar com 
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situações de abusos contra idosos (MACHADO; QUEIRÓZ, 2006).
Para o equacionamento dessa difícil situação, torna-se neces-
sária uma ação conjugada do Estado, da sociedade civil e das comuni-
dades, a partir da sua sensibilização para gravidade do problema.
No Brasil, em 1994, após longos anos de cobrança de institui-
ções da sociedade civil, o governo federal promulgou a Lei Federal nº 
8.842/94, que dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, política essa 
que foi regulamentada em 1996.
Por essa lei ficam definidos os direitos do idoso e as responsa-
bilidades dos governos em níveis federal, estadual e municipal, no seu 
atendimento. É ressalvada também a responsabilidade da família e da 
sociedade no cumprimento da legislação.
Segundo Machado e Queiróz (2006), lamentavelmente, embora 
tenha sido aprovada e regulamentada, poucas mudanças foram efetiva-
mente promovidas. Por exemplo, a despeito do documento que lhes dá 
direito ao transporte gratuito, eles passaram a ser vítima de abusos por 
parte dos motoristas de ônibus e mesmo de passageiros mais jovens. 
Com certeza, sem um trabalho educativo de divulgação, discussão e in-
terpretação, uma lei não chega a mudar comportamentos. Denúncias de 
violência contra idosos, formuladas por alguns órgãos de direitos huma-
nos e veiculadas pela mídia determinaram o surgimento de organizações 
governamentais e não governamentais com o propósito de prevenir os 
abusos contra idosos. Foram criadas assim Delegacias do Idoso, Promo-
torias de Defesa dos Direitos do Idoso, núcleo e grupos de estudo sobre 
a questão da violência contra idosos, com objetivos comuns de:
1. Informar e conscientizar a sociedade sobre a questão dos 
maus-tratos.
2. Promover treinamentos para profissionais que atuam na área 
da gerontologia, para identificação, tratamento e prevenção da violência.
3. Defender idosos que sofreram maus-tratos.
4. Estimular pesquisas sobre a questão da violência, para co-
nhecer melhor a extensão e a natureza da violência contra idosos, de-
finindo necessidades e avaliando a eficácia de modelo de prevenção.
5. Desenvolver programas educativos para idosos que possi-
bilitem o desenvolvimento de sua capacidadede autocuidado, ajuda 
mútua, bem como a defesa do direito de autodeterminação.
6. Estimular políticas públicas de prevenção de violência que 
competem serviços adequados para dar apoio a adultos vulneráveis, 
promovendo a coesão familiar e a solidariedade intergeracional.
É importante destacar um passo significativo que foi dado em 
2003, com a aprovação do Estatuto do Idoso, cujo objetivo é garantir o 
respeito aos direitos dos idosos. Além de reforçar os direitos garantidos 
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pela Lei nº 8.842, o estatuto determina sanções e penalidades em caso 
de não cumprimento da legislação.
Objetivamente, é bastante importante que sejam constatadas 
as situações de maus-tratos. Temos abaixo alguns indicadores que ca-
racterizam maus-tratos ou negligência:
-perda de peso;
- desnutrição;
- desidratação;
- palidez;
- olheiras;
- marcas, hematomas, queimaduras;
- lacerações, escaras, feridas;
- presença de úlceras de pressão;
- pouca higiene;
- falta ou má conservação de próteses (afastada a hipótese de 
ausência de condição financeira);
- vestimenta descuidada;
- administração incorreta de medicamentos;
- acidentes inexplicáveis;
- lesões recorrentes e inexplicáveis;
- uso errado de medicação;
- demora entre o aparecimento da lesão/doença e a busca de 
assistência médica;
- história do idoso diferente da história do cuidador.
Indicadores no comportamento dos idosos:
- passividade, retraimento;
- tristeza, desesperança;
- depressão;
- ansiedade, agitação, medo;
- medo de falar livremente;
- imposição de isolamento físico ou social;
- afastamento e evitação de contato físico e verbal com o cuidador.
Finalmente, é preciso mencionar que os estudos até agora re-
alizados já apontam a violência no Brasil como um novo problema de 
saúde pública. Nesse quadro geral, os maus-tratos e a negligência con-
tra os idosos constituem um grave problema, ainda não evidenciado e 
diagnosticado em toda a sua extensão, sobretudo no âmbito familiar e 
institucional, merecendo, portanto, maior atenção dos órgãos governa-
mentais e não governamentais.
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Manter os idosos menos dependentes e ter familiares que pos-
sam cuidar dos seus idosos parece ser uma boa estratégia para lidar 
com o custo do envelhecimento. Segundo Caldas (2005), a dependên-
cia de um indivíduo é caracterizada pela incapacidade de realizar as 
atividades básicas da vida. A dependência é constituída por um soma-
tório de incapacidades e necessidades dos indivíduos, sendo que estes 
podem ser modificados se houver condições e assistência adequadas.
As atividades básicas de vida diária são representadas por ali-
mentar-se, vestir-se, controlar os esfíncteres, banhar-se e locomover-se 
por conta própria. As atividades instrumentais de vida diária são realizar 
compras, tarefas domésticas, administrar medicações ou manusear di-
nheiro. As atividades avançadas de vida diária referem-se à automotivação 
para o trabalho, atividades de lazer, contatos sociais e exercícios físicos. 
RELACIONAMENTO CUIDADOR-IDOSO
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A não realização dessas atividades pelo idoso pode ser representada por 
diversos graus de dependência, como independente, leve, parcial ou total.
Duca, Silva & Hallal (2009) constataram que 26,8% dos idosos 
de uma pesquisa realizada no município de Pelotas (RS) necessitavam de 
cuidados para atividades básicas de vida diária, ou seja, tinham um grau 
de dependência parcial e, portanto, os cuidadores os ajudavam a realizar 
tais atividades. O cuidador de idoso é alguém, familiar ou não, que oferece 
assistência e tem a responsabilidade pelo cuidado regular ao idoso.
Ainda segundo Leme (2006), o cuidador pode ser formal (pro-
fissional) ou informal (familiares e amigos).
O CUIDADOR E O CUIDADO
O “cuidar” é uma dimensão ontológica do ser humano. Para 
entender o ser humano e suas ações, é necessário nos basearmos no 
indivíduo cuidador do idoso, pois seus valores, atitudes e comporta-
mentos no cotidiano expressam constantemente a preocupação com o 
(idoso) cuidado (ALBUQUERQUE, 2001). Nesse sentido, o cuidado é 
uma forma de “ser-no-mundo” (BOFF, 1999). Como tal, o cuidar implica 
não apenas uma função, tarefa ou atividade, mas possui valor substan-
tivo que traz em si uma alteridade que envolve respeito, sacralidade, 
reciprocidade e complementaridade.
Este ato, cuidar, é comum a todas as culturas, embora suas for-
mas de expressão possam ser as mais variadas. Se buscarmos um ponto 
em comum a todos os povos, quanto ao contexto em que ocorre o cuidar, 
verificaremos que este parece ser a família. Esta instituição é quem tem se 
colocado de forma mais efetiva para executar o cuidado com o (seu) idoso, 
ou quando não o faz diretamente, assumindo a responsabilidade pela deci-
são do ato de institucionalizar este cuidado, repassa a tarefa a outro agente 
social, diante desta dificuldade e/ou impossibilidade de fazê-lo.
Constatado o aumento da população idosa, por conseguinte, 
é possível verificar também uma aceleração da dependência do idoso, 
com considerável proporção destes indivíduos demandando ajuda para 
realizar as tarefas diárias ligadas a sua sobrevivência, implicando ne-
cessidade de companhia para os arranjos domiciliares. Isso demanda a 
presença de um acompanhante, seja ele da família ou não, para garan-
tir sua integridade física e/ou, psíquica.
Embora o cuidar, ao longo da história do ser humano e nas di-
versas culturas tenha esteio na família, nem sempre estas estão aptas 
para esse cuidado, assim, é preciso instrumentalizar as famílias para 
assumir tais responsabilidades. 
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Em sua essência, o ato do cuidar está contido em uma relação 
de obrigação e de responsabilidade para com a pessoa dependente e 
nas relações de proximidade e intimidade que a situação envolve. Esse 
papel se baseia em questões sociais de parentesco, gênero e idade, 
sendo o ato de desempenhar o papel de cuidador uma norma social 
influenciada pelos eventos socioculturais vivenciados. Assim, o senti-
mento de cumprimento de normas sociais – tais como reciprocidade e 
dever moral – e a necessidade de autopreservação, na busca por se 
evitar sentimentos de culpa, além da relação de empatia e ligação afe-
tiva entre os indivíduos, são alguns dos fatores que levam um adulto a 
cuidar de alguém idoso (ASSIS; HARTZ; VALLA, 2004).
Estando a tarefa do cuidar baseada em expectativas sociais, 
desempenhá-la bem pode significar reconhecimento social, melhora na 
autoestima e no senso de realização pessoal do cuidador. Esta afirmativa 
fica evidenciada quando a reflexão se dá num contexto que considera os 
arranjos domiciliares que se instituem no sentido de referendar a neces-
sidade em realizar o que se espera da família no cuidado com seu idoso.
Em outras palavras, como a família, como um todo, cuida do seu 
idoso? Como ocorrem os arranjos intergeracionais visando a atender a 
esta demanda? A qual(is) membro(s) da família cabe, ou por qual(is) 
membro(s) da família é assumida essa incumbência? Numa resposta 
geral a essas questões, verificamos em vários estudos a participação, 
única ou coletiva, de filho(a) e/ou, neto(a) nessa atividade.
Cumprindo a tarefa do cuidar, o cuidador passa, ou poderia 
passar, a sentir-se bem porque consegue fazer aquilo que se espera-
va dele em determinado momento de sua vida. No entanto, quando a 
tarefa perdura por muito tempo ou exige recursos de que ele, cuidador, 
não dispõe, este passa a sentir-se sobrecarregado. O indivíduo começa 
então a não mais perceber os aspectos positivos envolvidos nessarela-
ção, na atividade de cuidar, e passa a achar que está somente “dando” 
e nada recebendo em “troca”, ou mesmo que aquilo que “recebe” é 
pouco se comparado à “doação” que realiza (NERI, 1993).
Esses sentimentos de sobrecarregamento e, ao mesmo tem-
po, sentir-se pouco recompensado podem instaurar conflitos no grupo 
social, distanciando o compromisso familiar do cuidar e das necessi-
dades individuais de cada membro familiar, pois nem sempre o ato de 
cuidar permeia ou permite a liberdade de decidir como, quando e quem 
é o responsável por fazê-lo.
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Marcos Legais para Proteção do Idoso
A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8742/93) inclui 
benefícios, serviços, programas e projetos de atenção ao idoso, 
com a corresponsabilidade das três esferas de governo, e a con-
cessão do benefício de prestação continuada ao idoso a partir de 
70 anos de idade, com uma renda mensal per capita de um quarto 
do salário mínimo. Assinale-se que a idade prevista de 70 anos foi 
revogada pela Lei nº 9.720 de 30/11/1998, alterando-a para 67 anos.
A Política Nacional do Idoso, aprovada em 4 de janeiro de 
1994 (Lei 8.842/94), assegurou direitos sociais promovendo auto-
nomia, integração e participação efetiva na sociedade.
É necessário ressaltar que essa lei foi elaborada e reivin-
dicada pela sociedade, tendo como suporte a Associação Nacional 
de Gerontologia, que promoveu discussões em diversos estados. 
Depois de uma série de debates e consultas das quais participaram 
idosos, aposentados, professores, universitários, profissionais da 
área de geriatria e gerontologia, voluntários e interessados, foi 
entregue ao Exmo. Presidente da República o documento “Reco-
mendações sobre Políticas Sociais para o Idoso nos anos 1990”. 
Esse documento foi amplamente discutido na área governamental 
e não governamental. Essa estratégia possibilitou a aprovação da 
Lei nº 8842/94, que trata da Política Nacional do Idoso e o Decreto 
nº 1948/96 que a regulamenta.
Princípios que fundamentam a Lei nº 8842/94:
I. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegu-
rar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua parti-
cipação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e o 
direito à vida;
Il. O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade 
em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informações para 
todos;
III. O idoso não deve sofrer discriminação de qualquer na-
tureza;
IV. O idoso deve ser o principal agente e o destinatário 
das transformações a serem efetivadas através desta política; as 
diferenças econômicas, sociais, regionais e, particularmente, as 
contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser 
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observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral na 
aplicação desta Lei.
Segundo determinação legal, coube à Secretaria de Assis-
tência Social a coordenação da Política de Assistência Social, assim 
como da Política Nacional do Idoso e do Plano de Ação Governa-
mental para o Desenvolvimento da Política Nacional do Idoso. São 
os Órgãos que compõem este Plano: Ministério da Previdência e 
Assistência Social, Educação, Justiça, Cultura, Trabalho e Emprego, 
Saúde, Esporte e Turismo, e Secretaria de Desenvolvimento Urbano.
O Plano de Ação Governamental para o Desenvolvimento 
da Política Nacional é um avanço na integração das políticas seto-
riais e propõe uma gestão em rede, efetivando a ação do governo 
de forma intersetorial integrada, considerando o idoso um cida-
dão com direitos. O Plano estabelece as principais competências e 
ações dos ministérios, define estratégias e mecanismos de imple-
mentação das ações da Política Nacional do Idoso nas três esferas 
de governo, e ainda estabelece mecanismos de acompanhamento, 
controle e avaliação das ações.
O referido Plano normatiza as seguintes diretrizes:
I. Proporcionar a integração dos idosos às demais gera-
ções;
II. Promover a participação e a integração do idoso, por 
intermédio de organizações representativas do seu segmento, na 
formulação, implementação e avaliação das formas alternativas de 
participação, ocupação e convívio do idoso, políticas, planos, pro-
gramas e projetos a serem desenvolvidos;
III. Priorizar o atendimento ao idoso por intermédio de suas 
próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar, a exceção dos 
idosos que não possuam condições de garantir sua sobrevivência;
IV. Descentralizar as ações político-administrativas;
V. Capacitar e reciclar os recursos humanos nas áreas de 
geriatria e gerontologia;
VI. Implementar o sistema de informação que permita a di-
vulgação da política dos serviços oferecidos, dos planos e progra-
mas em cada nível de governo, buscando obter um sistema de rede;
VII. Estabelecer mecanismos que favoreçam a divulgação 
de informação de caráter educativo sobre os aspectos biopsicos-
social do envelhecimento;
VIII. Priorizar o atendimento ao idoso em órgãos públicos 
e privados prestadores de serviços, e;
IX. Apoiar estudos e pesquisas sobre as questões do en-
velhecimento.
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Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento
Após vinte anos da realização da Assembleia Mundial so-
bre o Envelhecimento, realizada em agosto de 1982, em Viena, a 
Organização das Nações Unidas promoveu, no período de 8 a 12 
de abril de 2002, em Madri, a II Assembleia Mundial.
Estiveram presentes representantes de 159 países, que fi-
zeram uma avaliação do Plano de Ação Internacional sobre o En-
velhecimento e constataram que não houve avanços uniformes em 
todos os países. A falta de infraestrutura, a política econômica, a 
AIDS e os conflitos armados têm sido as causas que levaram mui-
tos governos a não terem condições de efetivar melhorias.
A Assembleia concluiu por unanimidade dois documentos: 
o Plano de Ação Internacional de Madri sobre o Envelhecimento 
(2002) e a Declaração Política. O objetivo é garantir a plena proteção 
e promoção dos direitos e liberdades fundamentais dos idosos em 
todo o mundo. Nos dois textos estão as seguintes recomendações:
- avançar na saúde e bem-estar do idoso;
- assegurar meios de apoio;
- reconhecer a vinculação entre envelhecimento e desen-
volvimento;
- fomentar a participação dos idosos na sociedade em que 
vivem e não sejam considerados como uma carga;
- incluir os idosos na economia produtiva;
- flexibilizar a idade de trabalho sempre que seja possível 
e a pessoa queira fazê-lo;
- considerar a relevância do contingente de mulheres ido-
sas que em meados do século serão agentes de mudança e desen-
volvimento no mundo produtivo;
- buscar recomendações para atuar contra os maus-tratos 
aos idosos;
- denunciar a situação vulnerável dos idosos em conflitos 
bélicos e territórios ocupados;
- estimular a valorização do idoso, especialmente entre os 
mais jovens;
- estimular a transmissão de informações aos idosos so-
bre seus direitos para que sejam capazes de lutar por si mesmos 
e conquistar esses direitos.Foram reafirmados os Princípios e as 
Recomendações contidas no Plano de Ação Internacional para o 
Envelhecimento, que as Nações Unidas elaboraram em 1982, e os 
princípios das Nações Unidas em favor dos idosos, aprovados na 
Assembleia Geral em 1991, dando orientações sobre as questões da 
independência, participação, cuidados, auto realização e dignidade.
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Por ocasião da Assembleia também foram realizados outros 
eventos que abordaram o tema envelhecimento: o Fórum Mundial 
das ONGs sobre o Envelhecimento: Diálogo 2020 – “O futuro do En-
velhecimento”, organizado pelo governo espanhol, e o Fórum de Va-
lência, organizado pela Associação Internacional de Gerontologia.
O processopolítico ocorrido no Brasil, desde 1988 até o 
presente momento, demonstra a força política dos idosos e apo-
sentados, assim como evidencia o avanço significativo do Brasil 
no tocante à conquista da legislação vigente para a defesa dos 
direitos de atenção à pessoa idosa.
O ATO DE CUIDAR
Dentre as diferentes tarefas de cuidados, têm-se grande varia-
ção quanto ao que se exige do cuidador, considerando o esforço físico 
e mental exigido para sua execução. Algumas dessas tarefas podem 
ser exercidas apenas por uma única pessoa, enquanto outras podem 
requerer a ajuda de terceiros ou mesmo de equipamentos específicos.
De acordo com a periodicidade, tarefas também podem ser 
classificadas dentre as que são realizadas diariamente, por exemplo, as 
relativas a cuidados pessoais, e as que são realizadas esporadicamen-
te, como o ato de levar o idoso a um médico (MAFRA, 2011).
Deve-se considerar, ainda, que para cada tipo de tarefa há uma 
demanda específica e, consequentemente, uma diferente percepção quan-
to ao ônus, a qual pode ser conflituosa devido ao exercício concomitante de 
papéis familiares e profissionais pelo cuidador (LEBRÃO; DUARTE, 2006).
Em um estudo realizado pelo município de São Paulo, Estudo 
Longitudinal das Condições de Vida e Saúde das Pessoas Idosas do Muni-
cípio de São Paulo (SABE), verificou-se que a cada atividade instrumental 
ou básica da vida diária, evidenciava-se claramente a ausência de autono-
mia que a família ou o indivíduo cuidador tem para decidir como, quando e 
quem subsidiará a realização de cada atividade para com o idoso.
Por isso se faz premente realizar estudos na busca pela geração 
de informações concisas sobre como os envolvidos nesse processo po-
dem administrar seu cotidiano individual e familiar no exercício do cuidar 
ou na decisão do transferir a responsabilidade do cuidado do idoso.
Quatro elementos percebidos como dificuldades inerentes à 
tarefa do cuidar são evidenciados como a seguir:
a) acarretam ônus físico e financeiro, o que tende a se agravar 
com a evolução da doença do idoso.
b) não disponibilidade de informações suficientes para exercer 
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o ato do cuidar, além da existência de poucos recursos sociais de apoio 
e da escassez de profissionais especializados para dar suporte e pou-
cas fontes de apoio emocional.
c) a tarefa de cuidar rivaliza com o trabalho profissional ou mes-
mo com o papel familiar desempenhado anteriormente pelos cuidadores.
d) a dinâmica “cuidar-ser-cuidado” pode fazer aflorar sentimen-
tos negativos antigos que estavam guardados, tornando a situação de 
difícil manejo (NERI; SOMMERHALDER, 2002).
A percepção do cuidador sobre o quanto estas tarefas estão 
afetando sua vida e sua rotina diária impõe consequências diretas so-
bre estas atividades, visto as avaliações subjetivas serem importantes 
determinantes da qualidade do cuidado proporcionado ao idoso. Por 
exemplo, cuidadores que se sentem sobrecarregados, injustiçados e/ou 
acumulando funções de mãe/pai, profissional e esposa/esposo tendem 
a desempenhar funções aquém de suas capacidades.
Percebe-se que as demandas do cuidado atravessam os limi-
tes do esforço físico, mental, psicológico, social e econômico. Quando 
a família e o indivíduo não conseguem encontrar alternativas viáveis, 
ou quando as habilidades e os recursos pessoais e familiares são in-
suficientes para o manejo desta situação, há uma forte tendência para 
que ocorra desorganização, desestruturação, trazendo consequências 
negativas para todas as partes envolvidas – cuidador, idoso e família.
A forma como a família e o cuidador em particular avaliam e 
manejam essa situação potencialmente conflituosa depende de muitos 
fatores. Dentre esses fatores, evidencia-se a existência de redes de 
apoio formais e informais e os recursos pessoais do cuidador. Nesses 
fatores também se incluem os conhecimentos e as habilidades para cui-
dar, as estratégias de enfrentamento, o significado do cuidar, a capaci-
dade de manejo de situações estressantes, a forma de buscar conforto 
emocional, a religiosidade, a história do relacionamento com o idoso e a 
forma de encarar desafios e situações novas (VIEIRA, 1996).
Como se pode observar, o contexto do “cuidar” é bastante com-
plexo, envolvendo diversas variáveis, incluindo os aspectos positivos asso-
ciados ao cumprimento das tarefas e da execução do papel de cuidar. Para 
poder prestar uma assistência efetiva e adequada aos cuidadores, tem-se 
a necessidade de considerar todos os componentes envolvidos, incluindo 
as diferentes variáveis associadas a este processo e sua elevada impor-
tância, de maneira a não criar distorções que possam estabelecer precon-
ceitos sobre a velhice e o cuidar neste novo campo da pesquisa científica.
Dentre as distorções a serem evitadas, é preciso inicialmente 
desconsiderar do contexto das pesquisas a visão errônea apontando a 
relação “cuidador-cuidado” somente como fonte de experiências negati-
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vas na dimensão física e emocional do cuidador e de que tais vivências 
sejam uma consequência direta e necessária da dependência do idoso 
(MAFRA, 2011).
A QUALIDADE DE VIDA DOS CUIDADORES
As tarefas atribuídas ao cuidador do idoso – muitas vezes sem 
orientação adequada e o suporte das instituições de saúde – e altera-
ções das rotinas e o tempo despendido no cuidado podem afetar sua 
qualidade de vida (KARSCH, 2004).
Em 1999, quando da promulgação da Política Nacional de 
Saúde do Idoso (PNSI), foi recomendado que os cuidadores também 
deveriam receber cuidados especiais, considerando que a tarefa de cui-
dar de um idoso dependente é desgastante e implica riscos de tornar 
doente e igualmente dependente o cuidador (BRASIL, 2001).
Tendo em vista os impactos que o cuidar de um idoso dependente 
acarreta sobre o cuidador, é de se esperar que a qualidade de vida deste 
seja afetada negativamente por tais circunstâncias. No entanto, essas ne-
cessidades de saúde dos cuidadores, mesmo reconhecidas pelos progra-
mas de saúde do idoso, são frequentemente negligenciadas pelos serviços 
de saúde (VITALINO; YOUNG; RUSSO, 1991 apud MAFRA, 2011).
Avaliando estas questões, temos como causas do cenário do 
cuidador doméstico modificações decorrentes de mudanças sociais, 
históricas e políticas, tais como:
a) aumento no número de separações, divórcios e novas uni-
ões, o que poderá acarretar, no futuro, um grande número de idosos 
sozinhos ou com estruturas familiares complexas que dificultem a iden-
tificação do cuidador e a organização do cuidado por este prestado.
b) instabilidade do mercado de trabalho e movimentos migratórios 
nacionais e internacionais em busca de oportunidades de trabalho, levando 
muitas pessoas a envelhecerem sem a presença de seus filhos por perto.
c) participação crescente da mulher no mercado de trabalho, 
o que modifica sua condição de cuidadora em razão dos serviços que 
habitualmente realiza no domicílio (KARSCH, 2004).
Neste sentido, diferentes estudos evidenciam que mais pesqui-
sas precisam ser desenvolvidas para compreender de forma mais clara 
o contexto e o cotidiano do indivíduo cuidado e do seu cuidador, a fim 
de se reduzir o estresse dentro do processo de tomada de decisão na 
família diante do processo do envelhecimento (MAFRA, 2011).
Em se tratando da questão do cuidador de idosos na saúde públi-
ca essa é mais séria ainda, tanto que a saúde do idoso despertou interesse 
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mundial nas Assembleias Mundiais de Envelhecimento em Viena (1992) e 
em Madri. Nesta última, a Organização Mundial de Saúde propôs a Política 
de Envelhecimento Ativo, que preconizou, entre outras medidas, a oferta 
de treinamento e educação para acompanhantes de idosos. Seguindo a 
propostade Envelhecimento Ativo da OMS, o Ministério da Saúde lançou, 
em julho de 2009, o Programa Nacional de Formação de Cuidadores, ten-
do como meta treinar uma média de 65 mil cuidadores por 36 escolas téc-
nicas do SUS em todo o país (MOTTA, 2003; BRASIL, 2009).
O reconhecimento do cuidador-familiar é uma forma de grati-
dão ao idoso pela dedicação prévia deste à família. Montezuma, Freitas 
& Monteiro (2008) apontam que o crescimento pessoal, o senso de au-
torrealização e o sentimento de gratificação são benefícios decorrentes 
do ato de cuidar. Contudo, os cuidadores podem apresentar sintomas 
de estresse e menor nível de satisfação em viver, comparados à popu-
lação em geral (KARSCH, 2003).
Os sintomas de estresse podem ser representados pela sobrecar-
ga de trabalho do cuidador em relação ao idoso. Essa sobrecarga é con-
siderada por Pearlin et al. (1990 apud CARNEIRO; FRANÇA, 2011) como 
um tipo de estressor primário, assim como os conflitos familiares e os con-
flitos entre o cuidado e o trabalho do cuidador são considerados estresso-
res secundários. Apesar de os sentimentos negativos existirem na relação 
cuidador-idoso, estes podem gerar um ônus ou não para o cuidador. Este 
ônus pode acontecer caso o cuidador apresente baixa resiliência, conflitos 
e desfuncionalidade em relação ao idoso. Além disso, fatores como gê-
nero, idade, saúde, ocupação, personalidade do cuidador e a história do 
relacionamento cuidador-idoso podem ser considerados como estressores 
e interferir também no relacionamento (KARSCH, 2003).
Na tentativa de solucionar a sobrecarga de cuidado, alguns 
cuidadores familiares estabelecem uma escala de plantão, na qual 
aqueles que moram próximos quanto os que moram longe assumem 
tarefas para com os idosos dependentes. Nessa redefinição de papéis e 
estabelecimento de tempo de dedicação entre os cuidadores familiares, 
podem ocorrer conflitos intensos de relacionamento (BRASIL, 2009).
De acordo com Bengtson et al. (2002 apud CARNEIRO; FRAN-
ÇA, 2011), o conflito faz parte da relação de solidariedade entre pais e 
filhos, como se fosse sua extensão. Para esses autores, a solidariedade 
compreende as dimensões do relacionamento que podem ser organi-
zadas de forma que exista uma dialética entre os opostos, tais como 
intimidade e distância; dependência ou autonomia; integração e isola-
mento, havendo a formação de diferentes arranjos de relacionamento 
derivados dessas dimensões. Esses conflitos também são observáveis 
não apenas entre pais e filhos, mas entre os idosos e seus parceiros 
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cuidadores, que tenham ou não algum grau de parentesco.
Após o falecimento do cônjuge do idoso, os filhos têm um senti-
mento de obrigação filial pelo idoso, com base em sentimentos de amor. 
Isto é bastante observado nos países de culturas coletivistas, como os asi-
áticos e os latinos. Além disso, existe uma relação de reciprocidade entre 
o filho e o idoso, mais do que propriamente solidariedade. Quando o cui-
dador filho apresenta dependência econômica e vive na mesma casa que 
o idoso, pode ficar estressado, desencadeando um tipo de conflito como o 
mau-trato ao idoso. As mulheres cuidadoras relatam mais ônus no cuidado 
e quando não assumem o cuidado, podem ser alvo de conflitos familiares.
Os estudos sobre conflitos interpessoais entre idosos e cuida-
dores abrem possibilidades para a adoção de posturas a serem introdu-
zidas na educação escolar, no trabalho, na família, de forma a reduzir os 
conflitos. Sobretudo, podem fornecer dados para estimular uma relação 
mais harmoniosa entre cuidadores e idosos.
Dentre esses estudos, destacam-se a pesquisa de Silverstein, 
Chen & Heller (1996 apud CARNEIRO; FRANÇA, 2011), revelando que o 
estado civil do idoso e o apoio em excesso recebido por ele estavam cor-
relacionados à maior predisposição para conflitos com seus cuidadores.
Kalmijn (2007 apud CARNEIRO; FRANÇA, 2011) ressaltou 
que os idosos que não tinham companheiros recebiam menor apoio dos 
cuidadores. Ainda segundo o autor, além do estado civil do idoso, o ní-
vel educacional dos cuidadores poderia influenciar o conflito entre eles.
AS NECESSIDADES DOS CUIDADORES
Segundo Portella (2010), quando se pensa na atenção integral 
ao cuidador familiar do idoso, é imprescindível o diagnóstico das necessi-
dades dos cuidadores, o que requer levar em conta que, na identificação 
das mesmas, há algumas dificuldades a serem superadas, quais seja:
a) Reconhecimento das necessidades veladas
Muitos cuidadores demonstram certa relutância em comunicar 
as suas necessidades aos profissionais, por pensarem não ser aceitá-
vel fazê-lo.
Em alguns, podemos observar o constrangimento, pois diante 
do sofrimento alheio não querem colocar suas necessidades à frente das 
necessidades da pessoa cuidada. Por outro lado, há aqueles que se sen-
tem receosos, pois tais colocações poderão ser objeto de julgamento, e 
sua condição de cuidador pode ser interpretada de modo inadequado. 
Outros entendem que isto faz parte da vida; é uma situação “sem saída”, 
na qual os desgastes e as preocupações são contingências do acaso, 
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portanto, não podem ser minimizados. Há ainda casos em que as dificul-
dades ficam veladas pelo fato de os profissionais de saúde não mencio-
narem questões relevantes acerca do cuidado, como forma de orientação 
deste cuidador (PORTELLA; PASQUALOTTI; FORTES, 2006).
b) Variabilidade das necessidades ao longo do continuum do 
processo cuidativo
 Em circunstância de cronicidade, o processo cuidativo é pro-
longado e os cuidadores, ao longo do continuum, enfrentam diferen-
tes momentos de acordo com o curso da evolução da enfermidade da 
pessoa cuidada, vivenciando situações em que ora estão cuidando no 
domicílio, ora acompanhando o idoso nos períodos de hospitalização. 
Acompanhar/cuidar no hospital difere muito no que diz respeito ao cui-
dado no domicílio frente às condições estruturais.
Nas instituições hospitalares, mesmo que seja um transtorno 
para o cuidador coordenar o andamento doméstico e familiar concomitan-
te ao cuidado, ele tem a vantagem de contar com a estrutura dos serviços 
de saúde; por outro lado, no domicílio, são frequentes os casos em que 
há indisponibilidade de suporte de apoio, da parte dos serviços de saúde, 
da escassez de recursos que advém com o tratamento prolongado, ou 
até mesmo da insuficiência ou ausência de familiares (PORTELLA; PAS-
QUALOTTI; FORTES, 2006; CATTANI; GIRARDON-PERLINI, 2004).
Assim, como principais necessidades dos cuidadores, estudos 
de Portella (2010) apontaram necessidades relacionadas à tarefa cuida-
tiva e relacionadas ao cuidado de si.
a) Relacionadas à tarefa cuidativa
Cuidar de um familiar idoso, mesmo que seja ação entendida 
como extensão das atividades domésticas, requer da parte dos cuida-
dores um planejamento, visto que a rotina, aos poucos ou bruscamente, 
é alterada.
O grande desafio neste momento é estar preparado para tal. Os 
cuidadores necessitam de treinamento voltado para a realidade de cada 
caso; carecem de noções de gestão/administração do cuidado, pois, na 
maioria das vezes, nem sequer recebem informações elementares sobre 
os cuidados ao doente e orientação sobre o uso da medicação, quiçá con-
tar com o apoio dos profissionais de saúde (PORTELLA; PASQUALOTTI; 
FORTES, 2006; CATTANI; GIRARDON-PERLINI, 2004; AGICH, 2008).
A tarefa de cuidar é vista como uma continuidade da tradição 
familiar (PORTELLA; PASQUALOTTI; FORTES, 2006), como retribui-
ção e gratidão; para alguns pode ser motivos de satisfação, para outros, 
obrigação (SILVEIRA; CALDAS; CARNEIRO, 2006; CATTANI; GIRAR-
DON-PERLINI, 2004; AGICH, 2008); e quando há disfuncionalidade fa-
miliar os cuidadores necessitam de apoio na gestão da comunicação e 
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funcionamento familiar.
b) Relacionadas ao cuidado de si
O tempo absorvido com o cuidado do idoso provoca redução 
do lazer, do convívio com a família e os amigos, afeta a vida particular 
dos cuidadores, assim uma necessidade imprescindível é o reconheci-
mento do abandono de si em razão da sobrecarga de atividade. Estu-
dos confirmam que a exaustão e a doença se tornam uma incidência 
inevitável na vida dos cuidadores.
Ter consciência dos seus limites é imperioso para os cuidado-
res; reconhecer o momento de pedir ajuda é cogente na relação cuida-
tiva, todavia a interpretação de tal necessidade, na maioria das vezes, 
não acontece de modo espontâneo, não é algo fácil para os mesmos. 
Coerente com o cuidado de si, trabalhar a sobrecarga emocional tra-
ta-se de uma necessidade elencada nos estudos sobre os cuidadores 
de pessoas portadoras de sofrimento psíquico e, na atenção básica, 
no que diz respeito aos cuidadores de idosos, estamos falando de uma 
ocorrência comum (AGICH, 2008; BORBA et al., 2008).
OS DESAFIOS PARA ENFERMAGEM GERONTOLÓGICA NA SAÚ-
DE PÚBLICA
Sabemos que o fortalecimento da atenção básica tem como fi-
nalidade principal a consolidação e qualificação da Estratégia Saúde da 
Família (ESF) como modelo de atenção básica à saúde e como centro 
ordenador das redes de atenção à saúde do SUS, o que exige profis-
sionais aptos a desenvolver atitudes efetivas e de impacto na atenção 
à saúde do idoso (SILVA; BORGES, 2008). Tais atitudes pressupõem 
o cuidado integral e humanizado, mas encontramos realidades em que 
o constrangimento avassala as pessoas idosas e/ou seus cuidadores, 
devido à cobrança (implícita ou explícita) quanto aos cuidados, não só 
de membros da família ou da comunidade, como também dos próprios 
profissionais de saúde (BRETAS; YOSHITOME, 2000).
A ESF tem sido de fundamental importância na promoção da 
saúde familiar, em especial dos idosos, porque auxilia no controle de uma 
série de enfermidades, e também contribui substancialmente na melhoria 
da qualidade de vida daqueles com quem interage de forma efetiva.
Apesar dos avanços no que se refere aos princípios nortea-
dores do SUS e às estratégias propostas, percebemos que ainda se 
enfrenta uma série de dificuldades, destacando-se a fragmentação do 
processo de trabalho e das relações entre os diferentes profissionais; 
falta de complementaridade entre rede básica e o sistema de referência; 
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precária interação nas equipes e despreparo para lidar com a dimensão 
subjetiva nas práticas de atenção.
É fato que a ESF se operacionaliza a partir de uma Unidade Bá-
sica de Saúde cuja localização é o espaço urbano. O contexto rural conta 
apenas com suporte dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nas vi-
sitas domiciliares regulares, que percorrem grandes distâncias geográfi-
cas na micro área de atuação e, muitas vezes, estão despreparados para 
identificar as situações de risco. Essa realidade revela maior demanda de 
tempo – exigência além da capacitação em função das amplas solicitações 
demandadas pelo usuário e do confronto com as misérias humanas cuja 
solução excede sua compreensão e atuação (PORTELLA, 2010). A convi-
vência com os mais variados problemas da população gera desgaste do 
ACS, por vezes, incorrendo no seu adoecimento (WAI; CARVALHO, 2009).
Se pensarmos na enfermagem gerontológica em relação à 
atenção integral ao cuidador familiar teremos muitos desafios pela fren-
te, visto ao longo deste módulo, a complexidade e multidimensionalida-
de do processo de envelhecimento.
Além de refletir sobre a situação do idoso e seu cuidador, é 
preciso agir e implementar propostas educativas/cuidativas a cada con-
texto e cada região desse país de dimensões continentais, culturas dife-
rentes e situações econômico-financeiras muitas vezes indignas.
Fica então a dica para que os futuros gestores de atenção à 
pessoa idosa favoreçam a capacitação dos cuidadores, seja no âmbito 
da saúde pública ou privada, pois em ambos os campos, eles são extre-
mamente necessários para que nossos idosos tenham uma vida digna.
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SO nosso país ainda está longe de considerar o idoso uma prio-
ridade e as políticas públicas são tímidas. Associado a isso temos o fato 
de que o país ainda apresenta diversos fatores de subdesenvolvimento. 
E a abordagem da saúde não pode ser apenas a da prevenção às en-
fermidades e do tratamento adequado das doenças. Há que se pensar 
em políticas para transformar nossos ambientes em locais amigáveis ao 
idoso e ao mesmo tempo em que procuramos adaptá-los a uma socie-
dade em constante modificação.
Essa adequada inserção é que poderá determinar o sucesso 
de nossa sociedade. Uma pessoa que chegue ao envelhecimento sem 
alterações funcionais nem doenças graves e permaneça inserido na so-
ciedade representa um ganho muito importante para o desenvolvimento 
desta. Através de sua experiência acumulada, temos um olhar diferen-
ciado sobre os problemas e temas em discussão. Ademais, a convivên-
cia com os outros grupos etários é produtiva para todos.
Vale frisar ainda que pesquisas do IBGE indicam que, em 2008, 
a contribuição da renda dos idosos representava mais da metade do to-
tal da renda domiciliar em 53% dos domicílios com idosos, mostrando 
outra face da importância desse segmento populacional.
Esse universo e sua realidade nos leva a repensar rapidamen-
te na adaptação que precisamos fazer: implantar políticas que criem 
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condições para afastarmos o preconceito e a marginalização, oferecen-
do adequada qualidade de vida aos idosos e formatando um campo que 
será vivido por nós mesmos daqui alguns anos.
Mas voltemos nossos olhares para esta apostila!
Nada como uma boa pitada de história para introduzirmos os 
temas desse módulo, afinal ela, a história, é um dos caminhos que nos 
leva a entendermos como uma disciplina nasceu ou porque se desen-
volveu ou não.
Loguercio e Del Pino (2007) bem nos lembram que a ciência 
em sua produção se constitui em diversas rupturas e descontinuidades 
e a história tem também essa missão de alicerçar a memória de um 
mundo que não foi nosso, não foi contínuo. Enfim, os excertos históricos 
ajudam a entender e contextualizar o caminho traçado por uma ciência 
ou disciplina.
Pois bem, nosso ponto de partida está no século XI da era 
cristã, quando Galeno, médico célebre da época, escreveu um tratado 
denominado Gerokomia (higiene dos velhos) referente aos meios de se 
obter um bom envelhecimento. Desde então, a ciência de preparação 
para a velhice tem essa denominação. Galeno, partindo da ideia de 
Aristóteles de que a “velhice é o esfriamento da vida”, aconselhava be-
ber vinho, tomar banhos quentes e realizar atividades físicas e mentais.
Mais tarde, a famosa Escola de Salermo resumiu, numa “déci-
ma”, a arte de envelhecer:
- vida honesta e estruturada;
- tomar poucos remédios;
- empregar todos os meios para não se estressar por nada;
- a comida moderada;
- não ter apreensões;
- passar no campo por algum tempo;
- fazer pouco barulho;
- ter muito cuidado; e,
- manter-se sempre ocupado.
Se refletirmos nessa máxima, escrita há mil anos, constatare-
mos que ela é válida até os dias de hoje.
Até a época medieval, a Medicina, ainda caminhava com muitas 
incertezas e inquietações, por isso, sem alongarmos nessas eras e fazen-
do um longo recorte no tempo, foi no fim do século XIX e início do século 
XX, num mundo em ebulição científica, tanto no Ocidente como no Oriente, 
especialmente no período de 1904 a 1909, que começaram a surgir ter-
mos que teriam importância, não só na Medicina, como também em outros 
campos: na Sociologia, na Antropologia, na Demografia, na Economia, etc.
O primeiro termo, no campo do envelhecimento, apareceu em 
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1908 por meio do Dr. Élie Metchnikoff, médico russo, emigrado da Rússia 
para a França e, nesse ano, Prêmio Nobel da Medicina que estava mui-
to interessado nos fenômenos do envelhecimento. Idealizou uma teoria 
para explicar este processo, velho como o mundo. Segundo ele “o enve-
lhecimento é a consequência da intoxicação crônica do organismo devido 
a micróbios que produzem putrefação crônica e progressiva do intestino”.
Não só criou a teoria, mas, também, preocupou-se com o seu 
tratamento. Ele havia observado que os búlgaros, especialmente os agri-
cultores, viviam mais anos que o resto da população e ao estudar possíveis 
causas desse fenômeno, atribuiu-o ao consumo diário do iogurte. Como se 
sabe, o iogurte é um leite coalhado, azedo, preparado com fermentos ou 
com o cultivo de bacilos láticos, que são capazes de produzir ácido lático, 
à base de carboidratos. A história relata que ele mesmo viveu alimentando-
-se de pães ázimos e de iogurtes. Morreu em 1916, com 71 anos.
Em 1903, o Dr. Metchnikoff, criou o termo gerontologia, originado 
de duas raízes gregas geron (= velho) e log(o) + ia (= estudo); portanto, 
“estudo da velhice”. Hoje é considerada como a ciência que estuda o pro-
cesso de envelhecimento dos seres vivos: vegetais, animais e o homem.
Seis anos mais tarde, em 1909, Ignaz Leo Nascher, médico 
austríaco emigrado para os Estados Unidos, criou o termo geriatria, 
composto também de duas raízes gregas: ger(o)n (= velho) + iatrikos (= 
tratamento); logo, “tratamento do velho”.
Os fatos narrados acima indicam a que veio este módulo: co-
nhecer alguns aspectos do campo da Gerontologia para que as práticas 
voltadas à atenção ao idoso sejam positivas e efetivas.
Veremos em maiores detalhes as diferenças entre gerontologia 
e geriatria; apresentaremos algumas teorias propostas para o envelhe-
cimento, assim como será descrita a gerontologia social. Bioética, as 
relações do idoso com a família e sociedade e certa ênfase no relacio-
namento entre idoso e cuidador e a atenção que este último requer são 
outros dos temas aqui discutidos.
Fazemos uma ressalva quanto à contemporaneidade dos conteú-
dos apresentados ao longo do curso, pois como na maioria das ciências e 
com mais afinco na área de saúde, os conhecimentos estão em permanen-
te mudança, portanto, novas pesquisas a cada tempo ampliam, alargam 
nossos horizontes e fazem surgir alterações em tratamentos e terapias, 
portanto fica o alerta para que o cuidado e a responsabilidade prevaleçam 
quando os futuros especialistas em gestão de práticas da atenção ao idoso 
depararem com o uso de fármacos e/ou outras terapias, checando as in-
formações mais atuais dos produtos, para verificar a dose recomendada, o 
método e a duração da administração e as contraindicações.
Ressaltamos também que embora a escrita acadêmica tenha 
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como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da acade-
mia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês 
e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objeti-
va, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que 
este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo 
aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão 
expressas opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, en-
contram-se outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, 
mas que, de todo modo, podem servir para sanar lacunas que por ven-
tura venham a surgir ao longo dos estudos.
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ABSTRAINDO CONCEITOS
Vimos que foi no início do século XX o momento de criação 
dos termos geriatria e gerontologia, consequência inevitável do interes-
se crescente dos médicos, por essas matérias, durante o século XIX. 
Mas a Gerontologia como um campo de estudos específicos, tem uma 
história bastante curta. Os estudos realizados nas décadas de 1930 e1940 sobre Biologia, Psicologia e Sociologia do envelhecimento, tive-
ram grande impulso após a Segunda Guerra Mundial, especialmente na 
década de 1950. Além disso, pesquisas e teorias começaram a abrir ca-
minho para investigações mais sistemáticas sobre o processo do enve-
lhecimento em geral. E do conjunto desses estudos, na área biológica, 
GERONTOLOGIA X GERIATRIA
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psicológica e social, surge a gerontologia, que, para muitos, não é uma 
ciência propriamente dita, mas um conjunto de disciplinas científicas 
que intervém num mesmo campo – o campo da velhice.
Em 1950 foi fundada a Associação Internacional de Gerontologia 
com o objetivo de: “promover a pesquisa gerontológica, em Biologia, Medi-
cina e Ciências Sociais, assim como a colaboração entre essas ciências”.
Quanto à definição de Gerontologia, encontramos, na biblio-
grafia especializada, algumas definições mais completas que aquela 
oriunda da construção da palavra apresentada por Metchnikoff, signi-
ficando “estudo da velhice”. Essa bibliográfica defende a gerontologia 
como nova “disciplina científica” destinada a esse estudo e que pode 
ser dividida em três grandes ramificações:
- Gerontologia Biomédica;
- Geriatria;
- Gerontologia Social. 
GERONTOLOGIA – CIÊNCIA MULTIDISCIPLINAR
 
Fonte: Medeiros e Ramos (1992.)
GERONTOLOGIA BIOMÉDICA
A Gerontologia Biomédica estuda o fenômeno do envelhecimen-
to do ponto de vista molecular e celular, considerando aspectos biológi-
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cos, fisiológicos, genéticos e imunológicos. Ela deu origem à Genética 
molecular, à Sociobiologia molecular e oportunidade a pesquisas referen-
tes à Embriologia e Fitologia modernas (JACOB FILHO; KIKUCHI, 2011).
É uma especialidade que tenta responder basicamente duas 
questões: como e por que envelhecemos?
Nessa seara, basta-nos perceber que os progressos científi-
cos, técnicos e terapêuticos nesses terrenos, conseguidos nestes úl-
timos anos, levam-nos a um mundo parecido com o da ciência ficção, 
muito além do que o ser humano pôde imaginar, há cem anos. O que 
está ocorrendo, nestes dias, e o que está por transformar-se, em re-
alidade, para o bem da humanidade, num futuro próximo, modificará 
certos pontos de vista em relação ao envelhecimento.
 
GERIATRIA
Geriatria, termo criado em 1909, pode ser definido como o ramo 
da Gerontologia e da Medicina que trata da saúde das pessoas de idade 
avançada, em todos os seus aspectos: preventivo, clínico, terapêutico, 
de reabilitação e de vigilância contínua (OMS, 1974).
O Royal College of Physicians, de Londres, em 1976, definiu a 
Geriatria como o ramo da Medicina Geral que cuida dos fatores clínicos, 
sociais, preventivos e de reabilitação, importantes na manutenção da 
saúde e da independência da população idosa, bem como do tratamen-
to de suas doenças e incapacidades.
No entendimento de Moriguchi (2002), podemos defini-la sim-
plesmente como “a ciência de prolongar a vida com saúde”, mas muitos 
a confundem com instituições geriátricas ou residência geriátrica quan-
do dizem: “Internei meu pai, ou minha mãe, ou outro parente, numa 
geriatria” (JACOB FILHO; KIKUCHI, 2011).
Segundo Pereira, Schneider e Schwanke (2009), geriatria re-
fere-se à especialidade médica responsável pelos aspectos clínicos 
do envelhecimento e pelos amplos cuidados de saúde necessários às 
pessoas idosas. É a área da medicina que cuida da saúde e das doen-
ças da velhice; que lida com os aspectos físicos, mentais, funcionais e 
sociais nos cuidados agudos, crônicos, de reabilitação, preventivos e 
paliativos dos idosos; e que ultrapassa a “medicina centrada em órgãos 
e sistemas” oferecendo tratamento holístico, em equipes interdiscipli-
nares e com o objetivo principal de otimizar a capacidade funcional e 
melhorar a qualidade de vida e a autonomia dos idosos.
Sobre Nascher, considerado o pai da geriatria, é importante 
ressaltar que, em 1914, a publicação do seu livro sobre geriatria causou 
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polêmica naquela época ao enfatizar a ideia de que “a velhice é uma 
etapa da vida”, levantando-se, desta maneira, contra a concepção gre-
ga, que havia dominado o pensamento médico durante mais de 2000 
mil anos, de que a velhice é uma doença.
Enfim, é uma especialidade instigante, desafiadora e contem-
porânea.
 
GERIATRIA PREVENTIVA
Segundo Moriguchi e Nascimento (2008), não há dúvidas que 
a grande finalidade da Geriatria e da Gerontologia é garantir maior lon-
gevidade com qualidade de vida, portanto, vamos a algumas classifica-
ções recebidas pela geriatria.
Geriatria Preventiva Primária
Em termos práticos, a geriatria preventiva primária engloba o con-
trole e a adequação de variáveis relacionadas ao estilo de vida do indivíduo 
e da população: nutrição, atividade física, repouso e controle da obesidade.
a) Nutrição
Evidências científicas, cada vez mais contundentes, mostram 
que o balanço nutricional, tanto da ingesta (ou ingestão) calórica quanto 
da qualidade dos nutrientes e dos tipos de alimentos, exerce uma influ-
ência fundamental na evolução e estabelecimento de muitas doenças 
crônico-degenerativas.
Portanto, dieta saudável significa prevenção geriátrica primá-
ria. Os aspectos a seguir sugerem os principais pontos nutricionais que 
devem ser seguidos para garantir uma nutrição saudável.
• Verduras em abundância.
• Peixe em abundância.
• Restrição de carne e gema de ovo.
• Fibras em abundância.
• Sal: menos de 10g/dia.
• Açúcar: menos de 50g/dia.
• Consumo de alcoólico: menos de 30ml/dia (um copo de vinho 
ou uma garrafa de cerveja).
• Balanço de ácidos graxos polissaturados/saturados: 1,0-2,0.
• Alimentos de boa qualidade.
• Equilíbrio alimentar.
b) Atividade Física
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Os principais benefícios da atividade física na manutenção da 
saúde incluem:
• alterações hemodinâmicas – diminuição da frequência car-
díaca (FC) em repouso, diminuição da frequência e da pressão arterial 
sistólica durante a sobrecarga submáxima de exercício, aumento do dé-
bito cardíaco máximo e do consumo de oxigênio, normalização mais rá-
pida da frequência cardíaca após o exercício e diminuição da condução 
ventricular anormal;
• alterações morfológicas – aumento da relação vasos capilares/
fibras musculares do miocárdio, desenvolvimento das artérias coronárias;
• alterações bioquímicas – aumento da função das mitocôn-
drias das fibras musculares lisas, ativação das enzimas antioxidativas, 
diminuição dos níveis das catecolaminas, aumento da atividade fibrino-
lítica, diminuição da coagulabilidade sanguínea, aumento dos níveis sé-
ricos do HDL-coIesterol e aumento da atividade glicoliítica da insulina.
A eficácia das práticas de exercícios regulares para a saúde 
em geral se relacionam com a diminuição dos fatores de risco à morbi-
dade, como as doenças cardiovasculares, neoplasias, etc.
Outros aspectos positivos: diminuição do número de cigarros 
fumados por dia entre os tabagistas (diminuir a vontade/compulsão de fu-
mar), melhora da obesidade, afastamento do estresse da vida moderna.
Na prática, isso não significa fazer alguma atividade atlética diária 
de 60 minutos sem nenhum tipo de carga (bolsa ou outro tipo de material), 
que são altamente preventivas para pessoas até 60 anos de idade. Entre 
60 e 70 anos, aconselham-se caminhadas de 50 minutos; de 70 a 80 anos, 
caminhadas de 40 minutos; de 80 a 90 anos, 30 minutos, e após 90 anos, 
20 minutos. Esse tipo de atividade deve ser feita durante sete dias por se-
mana durante toda a vida (MORIGUCHI; NASCIMENTO, 2008).
c) Repouso
O tempo de repousoé fundamental no processo de manuten-
ção da saúde. Em qualquer faixa etária, o ideal de horas de repouso no 
leito é entre 7 e 8 horas. Tanto mais horas de repouso quanto menos 
estão associadas a um aumento de mortalidade. Também é importante 
incorporar o hábito de descansar 30 minutos após o almoço (sesta).
d) Controlar a obesidade.
Geriatria Preventiva Secundária
A ação principal para fazermos geriatria preventiva secundária 
é o estabelecimento de revisões anuais (checkup) que contribuam para 
a detecção precoce de doenças crônico-degenerativas. 
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Por exemplo, no Japão, foram estabelecidos programas de 
diagnóstico precoce de câncer de estômago, através da realização de 
exames de endoscopia na população, a partir dos 40 anos de idade, 
possibilitando a detecção de tumores até 1 mm de tamanho, facilitan-
do, assim, o tratamento e a cura. Nesse caso, é possível a retirada do 
tumor sem necessidade de cirurgia (através da própria endoscopia), di-
minuindo, com essa intervenção ambulatorial, os riscos de mortalidade 
do paciente e os custos para o sistema de saúde. A partir dos 30 anos 
de idade, a avaliação da pressão sanguínea é feita pelo menos uma vez 
ao ano para prevenir Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nas mulheres 
após 40 anos de idade, foram estabelecidos programas de prevenção 
do câncer de colo uterino e de mama. Nos homens após 50 anos de 
idade, são oferecidos programas de prevenção de câncer de próstata e, 
a partir dos 30 anos, eletrocardiograma de esforço, anualmente, com a 
perspectiva de diminuir riscos de doenças coronarianas.
Os programas de geriatria preventiva secundária têm um custo 
mais baixo quando comparados com os custos de tratamento realiza-
dos nos indivíduos onde a doença já se instalou. Estima-se que o custo 
da prevenção seja 1/10 do custo do tratamento. Por esse motivo, a meta 
da geriatria preventiva é “prevenir para não remediar”, válida tanto para 
a saúde pública (coletiva) quanto para a saúde pessoal (individual).
Geriatria Preventiva Terciária
Na parcela da população afetada por doenças crônico-degenera-
tivas e/ou disfunções associadas, também é necessário fazermos geriatria 
preventiva. Desse modo, para os indivíduos afetados por doenças, como 
neoplasias ou coronariopatias, o médico e o sistema de saúde precisam 
adotar programas de reeducação de estilo de vida e de prevenção que 
garantam a estabilização da saúde do paciente. Por exemplo, uma mulher 
com câncer de mama ou de colo do útero que sofreu intervenção cirúrgi-
ca deve seguir exames periódicos de prevenção para prevenir a evolução 
dessas neoplasias ou o aparecimento de metástases. Em indivíduos com 
AVC, a avaliação mensal da pressão arterial deve ser um procedimento 
preventivo padrão a ser adotado, além da utilização de medicação.
Cada uma das três estratégias preventivas na geriatria é cumu-
lativa, ou seja, iniciamos durante a fase jovem com a geriatria preventiva, 
preventiva primária; adotamos a geriatria preventiva secundária quando 
os indivíduos atingem idade de risco; e utilizamos a geriatria preventiva 
terciária como estratégia de manutenção e qualidade de vida quando os 
mesmos tornam-se doentes (MORIGUCHI; NASCIMENTO, 2008).
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Falar em gerontologia social requer um pouco de reflexões so-
bre política e programas de saúde e claro, interdisciplinaridade, uma 
vez sabermos que a progressiva procura por modelos de atuação que 
otimizem a relação custo/efetividade tende a buscar equipamentos e 
serviços de maior complexidade e, consequentemente, mais elitistas, 
ou seja, disponíveis para um número cada vez menor de usuários. Sa-
bemos, porém, que este é o caminho oposto daquele que pretende pro-
por ações realmente eficazes em prol da saúde de quem envelhece.
Tentaremos mostrar que uma atitude coordenada e contínua 
permite resultados adequados para um grande número de beneficiários 
e, paralelamente, a alocação correta dos recursos conforme a magnitu-
de das demandas individuais e coletivas.
A assistência à saúde do idoso vem evoluindo significativa-
GERONTOLOGIA SOCIAL
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mente nas últimas décadas por vários motivos, incluindo o aumento de 
demanda pelas alterações demográficas, o maior conhecimento sobre 
o processo natural de envelhecimento e o acesso às técnicas diagnósti-
cas e terapêuticas, anteriormente reservadas aos jovens. Nada, porém, 
foi tão importante para esse incremento qualitativo quanto a progressiva 
associação de conhecimentos, previamente restrita a cada profissão ou 
a cada especialidade profissional.
Essas aproximação e interação dos diferentes ramos do sa-
ber nas questões gerontológicas e geriátricas não foi, como poder-se-ia 
supor, uma evolução natural da atividade assistencial. Durante muito 
tempo, os idosos foram atendidos em ambientes onde coexistiam re-
presentantes de diferentes áreas e especialidades, sem que houvesse 
adequada interação entre eles. Infelizmente, muitos continuam assim. 
Em outros, os profissionais sentiram a necessidade de aprender mais 
do que os limites de sua própria formação, sem o objetivo específico de 
exercer novas atividades, mas com o propósito de interagir com muito 
mais conhecimento nas diferentes vertentes da questão.
Sob, essa ótica, portanto, deixa de ser apenas valorizado o 
profissional que sabe muito e que, portanto, responsabiliza-se por tudo 
sozinho, abrindo-se espaço para aqueles que atuam dentro dos seus 
limites técnicos, mas cujo conhecimento nas outras áreas envolvidas 
facilita a atuação dos demais. Resume-se, assim, a essência da inter-
disciplinaridade, na qual o conhecimento técnico se difunde não apenas 
em direção ao cliente, mas também aos outros profissionais, com o in-
tuito de incrementar o somatório de conhecimento do grupo.
Jacob Filho (2011) reafirma que “seria impossível que um só 
profissional reunisse todo o conhecimento e a habilitação necessários 
para atender adequadamente às necessidades do idoso”.
Pois bem, buscar um caminho onde prevaleça a interdisciplina-
ridade, os múltiplos conhecimentos e uma política que busque a promo-
ção e prevenção da saúde nos levam à gerontologia social.
CONCEITOS E ABRANGÊNCIA
Gerontologia é a ciência que analisa o processo do envelheci-
mento em todos os aspectos, tais como biológicos, psicológicos e sociais, 
caracterizando uma área de análise multidisciplinar. As matérias como bio-
medicina, psicologia social, história, ciências sociais, filosofia, cultura e so-
ciologia são alguns dos campos de pesquisa introduzidos na gerontologia.
Para Alkema e Alley (2006 apud LIMA; MEDEIROS; LIMA, 
2012), “gerontologia estuda os processos associados à idade, ao enve-
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lhecimento e à velhice, sendo uma área de convergência entre a biolo-
gia, sociologia e a psicologia do envelhecimento”.
O processo de envelhecer, nesse sentido, está associado a 
complexidade da existência, não se limitando aos aspectos biológicos, 
mas se estendendo ao meio em que o ser humano está inserido e suas 
atitudes em meio a vida individual e social. 
Gerontologia social é uma área que estuda o processo do en-
velhecer em todos os tempos, estuda também a atuação política dentro 
da perspectiva da gerontologia. A gerontologia social foca o andamento 
de uma velhice bem-sucedida.
Segundo Neri (1995, p. 34), velhice bem-sucedida é
uma condição individual e grupal de bem-estar físico e social, referenciada 
aos ideais da sociedade, às condições e aos valores existentes no ambiente 
em que o indivíduo envelhece, e às circunstâncias desua história pessoal e 
de seu grupo etário.
A verdade é que as possibilidades de uma velhice saudável só 
fazem contribuir para uma melhoria de uma sociedade que ofereça um 
ambiente propício para um processo de envelhecimento profícuo (LIMA; 
MEDEIROS; LIMA, 2012).
A Gerontologia Social estuda as mudanças que acompanham 
o processo de envelhecimento do ponto de vista psicológico, sociológi-
co e psico-comportamental, a natureza e as modalidades de adaptação 
do indivíduo em suas transformações e, enfim, a evolução da persona-
lidade e da saúde mental num contexto social concreto.
Estuda também, o papel do ambiente, da cultura e das mudan-
ças sociais no processo do envelhecimento, da mesma forma que as 
atitudes, o comportamento e as condições de vida das pessoas idosas. 
Portanto, a Gerontologia Social compreende os aspectos antropológi-
cos, psicológicos, legais, sociais, ambientais, econômicos, éticos, espi-
rituais e políticos no processo do envelhecimento humano.
Foi em meados do século passado que começaram os estudos 
mais aprofundados em relação a esse aspecto. Além deles, é importan-
te considerar as atitudes, o comportamento e as condições de vida dos 
idosos, o papel da cultura e das mudanças socioeconômicas, cada vez 
mais rápidas, no contexto social em que vivem. É necessário, ainda, 
considerar o lugar que lhes é destinado nesse ambiente e qual a repre-
sentação que fazemos dele, levando em conta o seu “hoje”. Tudo muda 
em diferentes tempos e em diferentes lugares. E é fundamental ter isso 
sempre presente para que possamos compreender a realidade e a sig-
nificação da velhice. Daí a importância da Gerontologia Social que é um 
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campo científico muito novo, portanto em constante crescimento.
Juntamente com a Geriatria, também com constantes desco-
bertas, reforça, cada vez mais, a concepção de multidimensionalidade do 
envelhecimento humano. É extremamente importante termos sempre pre-
sente esse aspecto, que deve ser considerado pelos gestores de Políticas 
Públicas, bem como pelos dirigentes de Organizações não-Governamen-
tais – ONGs – que organizam programas destinados aos idosos, dirigem 
Instituições Sociais, criam redes de suporte social e incentivam e incremen-
tam as relações intergeracionais (RODRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010).
TEORIAS SOCIOLÓGICAS DO ENVELHECIMENTO
Assim como surgiram, na Geriatria (que embora apresentadas 
algumas ramificações, não é nosso foco de estudo) as Teorias Biológi-
cas do Envelhecimento, surgiram, também, na Gerontologia Social, as 
Teorias Sociológicas do envelhecimento. Elas são mais ou menos re-
centes, devido ao fato de que a Gerontologia Social é muito influenciada 
pelos fatores biológicos.
Até o momento, não existe uma teoria única e exclusiva referente 
à velhice, sob o ponto de vista social. O interesse científico pelos assuntos 
sociais da velhice surgiu há pouco tempo. Iniciou em meados do século 
passado e foi no fim da década de 1950, princípio da década de 1960 que 
começaram a surgir essas teorias, lançadas por cientistas sociais norte-a-
mericanos. Elas são muito variadas, às vezes conflituosas entre si. Tentam 
explicar diversos aspectos da velhice, tais como: as dificuldades individuais 
de adaptação dos indivíduos a essa etapa da vida; as mudanças nas suas 
relações sociais, as perdas e os ganhos sob o ponto de vista pessoal e 
social; a relação da velhice como última etapa do ciclo vital e as estruturas 
sociais, etc. (RODRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010).
Considerando o número um tanto significativo de teorias surgi-
das, até o fim do século passado, os autores citam algumas, tais como: 
a Teoria da Atividade, da Continuidade, do Colapso de Competência, 
da Troca Social, do Desengajamento, da Modernização, do Desenvol-
vimento Psicológico, do Ciclo de Vida, da Estratificação por Idade, da 
Subcultura, do Desenvolvimento do Ego, do Narcisismo e a Teoria Mar-
xista. Todas, evidentemente, têm seus prós e contras.
Falaremos em maiores detalhe somente acerca das Teorias da 
Atividade do Desengajamento e a Teoria da Modernidade, sendo as 
duas primeiras as mais comuns na prática gerontológica.
Teoria da Atividade – surgida nos Estados Unidos, propiciou o 
desenvolvimento do lazer e da educação não formal para a promoção 
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do bem-estar das pessoas idosas.
Esta teoria estabelece que a imagem da pessoa está vinculada 
às funções e papéis sociais que ela desempenha. Ora, na velhice, es-
sas funções e papéis desaparecem ou quase desaparecem, como por 
exemplo: a saída do emprego, devido à aposentadoria, tira-lhe o papel 
de trabalhador ativo. A perda de um dos cônjuges, pela viuvez, contribui 
para a perda do papel de esposo ou esposa. Durante a vida adulta, 
em que as pessoas, de ambos os sexos, estão envolvidas nas suas 
atividades profissionais, ou mesmo as mulheres que não trabalham fora 
de casa estão envolvidas com a criação e educação dos filhos, tendo 
seu tempo totalmente ocupado. Seus papéis, tanto na família, sendo 
esposo(a), pai, mãe, como no trabalho, sendo diretor(a), executivo(a), 
presidente, se perdem com a chegada da velhice.
Dentre os autores que abordam a teoria da atividade, Mc-
Clelland (1982 apud DOLL et al., 2007) realizou trabalhos buscando 
ampliar a teoria, explicando a adaptação ao processo de envelhecimen-
to como uma integração com a teoria da subcultura do envelhecimento, 
já afirmada por Arnold Rose nos anos 60. Nessa perspectiva, o conceito 
da autoconcepção teria um papel importante no entendimento da ativi-
dade social, na adequação social e em outros prognósticos da satisfa-
ção de vida necessária ao envelhecimento bem sucedido.
Com relação à conceituação da teoria da atividade propria-
mente dita, ela procura explicar como os indivíduos se ajustam às mu-
danças relacionadas à idade. Ela é baseada em duas hipóteses: a pri-
meira aponta que as pessoas mais velhas e ativas são mais satisfeitas 
e mais bem ajustadas do que aquelas que são passivas. Já a segunda 
hipótese estaria vinculada ao fato de que pessoas mais velhas podem 
vir a substituir perdas de papéis por novos papéis, para manterem seu 
lugar na sociedade (HOOYMAN; KIYAK, 2002 apud DOLL et al., 2007). 
Assim, à medida que as pessoas vão saindo do mercado de trabalho, 
ou mesmo que vão deixando de ocupar papéis sociais, as pessoas mais 
velhas buscariam atividades compensatórias àquelas anteriores. Tais 
atividades têm como finalidade trazer maior satisfação à vida das pes-
soas adultas maduras e idosas, tornando-as mais ativas.
A teoria da atividade, a partir da sua formulação, influenciou 
comportamentos de pessoas mais velhas e também contribuiu para o 
surgimento de políticas públicas nos idos de 1970, permitindo maior 
flexibilidade para o surgimento de movimentos sociais, centros de lazer 
e da educação não-formal para adultos maduros e idosos (SIQUEIRA, 
2002; BEARON, 1996 apud DOLL et al., 2007).
Atualmente, a teoria na sua forma restrita tem sido questionada 
pelos gerontologistas em função de defender um único estilo de vida 
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como o ideal para as pessoas. E embora tenha impulsionado movimen-
tos para a promoção do bem-estar na velhice, ela possui limitações em 
diferentes aspectos, a saber:
- o uso indiscriminado do conceito atividade. Estudos de Le-
mon, Bengtson e Peterson (1972 apud DOLL et al., 2007) e Longino e 
Kart (1982 apud DOLL et al., 2007) demonstraram que são principal-
mente as atividades informais com amigos que contribuem para uma 
maior satisfação de vida;
- o grau de adesão na realização de atividades que preencham 
o tempo das pessoas aposentadas ou mesmo idosas. Em muitos casos, 
as pessoas investirão seus interesses conforme sua motivação, suas 
vivências passadas, ou mesmode acordo com seu estilo de vida ou 
nível socioeconômico;
- outra limitação estaria no enfocar a relação entre atividade 
e satisfação, não levando em consideração a escolha por um estilo de 
vida menos ativo, as condições de saúde, de bem-estar ou do status 
social e econômico (BEARON, 1996; HOOYMAN; KIYAK, 2002, apud 
DOLL et al., 2007; SIQUEIRA; 2002);
- a ênfase na ação, preconizada pela teoria, pode encobrir a 
diversidade de indivíduos do processo de envelhecimento, uma vez que 
nesta heterogeneidade podem existir pessoas que prefiram um enve-
lhecimento menos ativo, e mesmo aquelas que não possuem condições 
de vida saudáveis para a realização de tarefas que preencham seu tem-
po ocioso. Um olhar mais analítico sobre esta teoria poderia revelar um 
pensamento reducionista, uma vez que há a “proposição de que o idoso 
controla as atividades e o cenário necessário ao desempenho de novas 
atividades”. No entanto, existem fatores como o “Declínio físico e mental 
que podem impossibilitar a compensação de seus antigos papéis” (SI-
QUEIRA; 2002, p. 49);
- outro aspecto se refere ao enfoque no idoso ativo e no bem-
-estar que muitas vezes acaba por criar uma perspectiva de “antienve-
lhecimento” (SIQUEIRA; 2002, p. 49), relegando ao segundo plano a 
abordagem de assuntos como a morte, que dificilmente encontra espa-
ço de debate nessa teoria.
Como última limitação, a teoria é por vezes mal entendida quando 
aplicada na prática com os idosos, pois pode levar à falsa impressão de 
ativismo. Isto é, na maioria das vezes, a teoria pode passar a ideia de que 
para se envelhecer bem é preciso que a pessoa esteja engajada constan-
temente em alguma atividade, o que não é verdade (DOLL et al., 2007).
A Teoria do Desengajamento Social também surgiu nos Estados 
Unidos, como a anterior, quando foi feito, em 1961, o primeiro, o maior e 
mais amplo estudo sobre o desengajamento, numa tentativa de explicar o 
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processo de envelhecimento e as mudanças nas relações entre o indivíduo 
e a sociedade. Isto porque o engajamento é, exatamente, a inter-relação 
da pessoa com a sociedade à qual pertence. O desengajamento é a reti-
rada progressiva, das pessoas envelhecidas, do sistema social. Elas por si 
mesmas diminuem a sua interação social e esta opção é funcionalmente 
vantajosa para elas e a sociedade. Esta é a tese principal da teoria do 
desengajamento. Seus criadores teorizam que, embora não necessaria-
mente, o desengajamento é, muitas vezes, um processo voluntário e satis-
fatório para a pessoa, porque aumenta sua autonomia e as oportunidades 
para seu tempo de lazer. Por outro lado, teoriza-se que o desengajamento 
é, também, funcional para a sociedade, já que a pessoa idosa libera as 
posições que ocupava no sistema econômico social para a colocação de 
jovens, quiçá mais eficientes (JACOB FILHO; KIKUCHI, 2011).
A teoria do desengajamento questionou quase todos os pres-
supostos gerontológicos sobre os desejos das pessoas idosas em rela-
ção ao trabalho, ao afirmar que as pessoas idosas desejam reduzir seus 
contatos sociais, e que com isso se sentem mais felizes e contentes. 
A atividade continuada, um valor da meia idade, é questionada como 
um valor necessário para os idosos, pois isso leva em algum momento 
no processo do envelhecimento a um conflito entre a continuidade da 
atividade e da expansão, de um lado, e o enfrentamento subliminar com 
o final da vida de outro lado. Cumming e Henry (1961) põem em dúvida 
a contribuição à satisfação das pessoas idosas ao “possuírem uma fun-
ção” e “serem úteis” (LEHR; THOMAE, 2003 apud DOLL et al., 2007).
Os seguidores desta teoria pregam o afastamento gradativo do 
indivíduo do processo social, podendo a iniciativa ser tomada por ele mes-
mo ou pelo próprio Sistema, “o qual tem na aposentadoria o instrumento de 
retirada consentido pela própria sociedade” (SALGADO, 1996 apud RO-
DRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010). Esse afastamento deve começar na 
idade madura, quando a pessoa toma consciência das transformações que 
ocorrem no seu íntimo, do ponto de vista biológico, psicológico e social. Em 
estudos realizados na década de 1970 e 1980, comprovou-se que, muitas 
vezes, o desengajamento se processa por certos fatores, como: saúde pre-
cária, aposentadoria, perda de familiares ou empobrecimento.
O fato de as pessoas se desengajarem da atividade social 
não representa, necessariamente, uma preferência pessoal, pois pode 
ser uma consequência do fracasso da sociedade em proporcionar-lhes 
oportunidades para continuarem ativos socialmente (SALGADO, 2000 
apud RODRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010).
A Teoria do Desengajamento, como a anterior, sofreu muitas 
críticas por parte de estudiosos das questões do envelhecimento, entre 
as quais podemos citar algumas.
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- A principal é de que o desengajamento não é um fenômeno 
universal, inevitável e intrínseco à idade. Há fatores como a personali-
dade, tipo de interação, situação de vida e papéis sociais que o deter-
minam (SALGADO, 2000 apud RODRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010).
- Outra crítica diz respeito ao fato de que nessa fase do desen-
gajamento, há dificuldade em se encontrar um novo quadro de com-
pensação que proporcione às mesmas as satisfações, ou satisfações 
semelhantes às da vida anterior.
- Contesta-se, ainda, o que diz respeito à liberdade defendida 
pela posição do desengajamento, quando afirma que o homem engaja-
do é preso às suas obrigações e o desengajado é livre. Até que ponto 
ele é livre, se continua vivendo em sociedade e sujeito às sanções e 
interações que a regulam? (RODRIGUES; RAUTH; TERRA, 2010).
Quanto à Teoria da Modernidade, vamos primeiro definir moder-
nização, como sendo a transformação de uma sociedade inteira de um 
estilo de vida dominantemente rural, baseado na força dos animais, com 
uma tecnologia limitada, com instituições pouco diferenciadas, pontos de 
vista e valores tradicionais em direção a um estilo de vida predominan-
temente urbano, baseado em fontes de energia sem recursos animais, 
uma tecnologia científica altamente desenvolvida, instituições altamente 
diferenciadas, interligadas com papéis individuais segmentados e com 
perspectivas cosmopolitas com ênfase em eficiência e progresso.
No senso comum, pessoas idosas são resistentes à inovação 
e possuem uma certa desconfiança em relação às coisas técnicas e 
modernas. Um reflexo disso é que no mundo moderno da tecnologia, 
as pessoas idosas não dispõem de grande prestígio. Em um mundo 
marcado pela mudança acelerada, o idoso ganha a conotação de an-
tigo e ultrapassado. A teoria da modernização elabora suas reflexões 
exatamente a respeito desta ideia, do status e do prestígio da pessoa 
idosa nas sociedades modernas. Ao contrário das teorias anteriores, 
que abordam a relação entre bem-estar e atividade dos idosos na socie-
dade, a teoria da modernização trabalha com a imagem do idoso e com 
as representações que influenciam essa imagem (DOLL et al, 2007).
Dentre os vários campos e as variáveis que os estudiosos tra-
balham nessa teoria, o papel das pessoas idosas avança além da famí-
lia, pois em muitas sociedades, ele exerce grande poder político como 
conselheiro, chefe de tribo, etc.
Essa possibilidade de exercer papel político nos lembra poder, 
respeito, monopólio, mas, por outro lado, como a modernização, ocorre 
um declínio desse poder, o que mostra a diferença em relação às duas 
outras teorias: elas focam no comportamento da pessoa idosa, esta 
foca no seu status social.
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De todo modo, fazem parte de um grupo de grandes teorias e 
ainda são estudadas, aplicadas mesmo que veladamente.
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As questões éticas relativas ao processo de envelhecimento sem-
pre despertaram interesse. Prova disto são as obras antigas que abordam 
estas questões, como a ‘De Senectude’ (Saber envelhecer) de Cícero. As 
situações que hoje chamam a atenção da sociedade sobre possíveis atitu-
des abusivas para com os velhos também já foram descritas e discutidas 
no passado. Shakespeare, em Rei Lear, aborda este tema de forma ampla 
e contundente. O aumento do número de pessoas na faixa etária acima 
dos 60 anos e a sua maior participação ativa em diferentes segmentos so-
ciais tem estimulado a retomada das reflexões sobre diferentes questões 
éticas e morais que envolvem os idosos (GOLDIM, 2004).
Mas o que é Bioética?
Bioética é um neologismo criado em 1970 por Van Rensselaer 
Potter, na obra ‘Bioethics: Bridge to the future’. Essa nova palavra deriva 
BIOÉTICA E ENVELHECIMENTO
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de “bios” que representa o conhecimento biológico e a ciência dos siste-
mas viventes e “ética”, representativa do conhecimento dos sistemas de 
valores humanos (PESSINI; BARCHIFONTAINE, 2002).
A bioética pode ser definida como “o estudo sistemático das 
dimensões morais das ciências da vida e do cuidado da saúde, utilizan-
do uma variedade de metodologias éticas num contexto interdisciplinar” 
(REICH, 1995 apud SECHINATO, 2009).
Rapidamente veremos que foram vários os fatos históricos que 
acabaram marcando o surgimento da bioética na década de 1970. En-
tre eles estão novos procedimentos médicos limitados, por várias ra-
zões, somente a algumas pessoas e pesquisas científicas nas quais as 
pessoas não deram o seu consentimento para a sua participação. As 
limitações ao acesso e os abusos praticados, numa época em que os 
direitos humanos estavam em discussão, acabaram fazendo com que 
surgissem as discussões e de tais debates se criou a bioética.
Uma reportagem da revista americana Life, publicada em 
1962, trouxe à tona a existência de procedimentos médicos limitados 
a algumas pessoas. Esse artigo se referia a um grupo de pessoas de 
Seattle, das mais diferentes áreas do saber, que se reuniam para de-
terminar que pacientes com doenças renais poderiam ser submetidos 
ao procedimento de hemodiálise recentemente criado, daí o título da re-
portagem: “Eles decidem quem vive e quem morre”. Na época, o proce-
dimento da hemodiálise era novo, a capacidade de filtração do sangue 
era limitada e o custo do procedimento muito alto, bem como a dispo-
nibilidade de aparelhos, daí ser necessária a reunião de um grupo que 
avaliasse as necessidades dos candidatos ao procedimento, baseados 
em critérios de mérito social como o sexo, a idade, o estado civil, o nú-
mero de dependentes, a escolaridade, a ocupação e o potencial futuro 
desses pacientes (PESSINI; BARCHIFONTAINE, 2002).
As pesquisas científicas realizadas durante a Segunda Guerra 
Mundial são também um dos elementos que levaram ao surgimento da 
bioética. Prisioneiros de guerra foram submetidos a pesquisas cientí-
ficas sem que houvessem dado o seu consentimento. Os prisioneiros 
têm redução na sua capacidade de autodeterminação, pois dependem 
sobremaneira daqueles que os mantêm em cárcere, não sendo diferen-
te durante uma guerra com os prisioneiros de guerra ou com as pessoas 
que cumprem penas privativas de liberdade por terem cometido algum 
crime na sociedade contemporânea (SECHINATO, 2009).
Além das pesquisas nazistas realizadas em alguns campos de 
concentração, três casos mobilizaram a opinião pública americana e aca-
baram por gerar grande discussão na sociedade e que ajudou a dar ori-
gem à bioética. Em 1932, no condado de Tuskegee, Estado do Alabama, 
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400 negros com sífilis foram recrutados para participarem de uma pes-
quisa sobre a história natural da doença e foram intencionalmente deixa-
dos sem tratamento. Em 1972, essa pesquisa foi interrompida restando 
somente 74 pessoas vivas. Entre 1950 e 1970, no Hospital Estadual de 
Willowbrook, em Nova York, foi injetado o vírus da hepatite em crianças 
com deficiência mental e, em 1963, no Hospital Israelita de Doenças Crô-
nicas, em Nova York, foram injetadas células neoplásicas vivas em ido-
sos doentes com o intuito de verificar a possibilidade de um organismo 
identificar tais células e produzir anticorpos. Em 1972, o jornal “The New 
York Times” denunciou esses três estudos e os que ainda estavam sendo 
feitos foram interrompidos (JONSEN, 1998 apud SECHINATO, 2009).
A questão sobre hemodiálise em Seattle e as experimentações 
envolvendo seres humanos, sem que eles pudessem efetivamente se 
colocar contra tais estudos exemplificam a percepção que começava 
a surgir sobre as interferências que o desenvolvimento poderia trazer 
ao ser humano. As interferências podiam ser benéficas ou maléficas e 
essa avaliação dependia e depende ainda hoje do ponto de vista que se 
adote. É necessário que faça a devida reflexão no processo de tomada 
de decisão sobre tais ações.
A denúncia do jornal “The New York Times” foi importante para as 
Ciências da Saúde, pois foi a partir dela que o governo norte-americano 
constituiu a Comissão Nacional para a Proteção dos Sujeitos Humanos 
da Pesquisa Biomédica e Comportamental (National Commission for the 
Protection of Human Subjects of Biomedical and Behavioral Research). 
Essa comissão fez um estudo que identificasse os princípios éticos bási-
cos que deveriam nortear a experimentação em seres humanos, a des-
peito da existência do Código de Nuremberg de 1947 e da Declaração de 
Helsinque de 1964, que versavam justamente sobre tais princípios, mas 
considerados de difícil operacionalização pelos membros da comissão. 
Os trabalhos se iniciaram em 1974 e, após quatro anos, foi apresentado 
no Centro de Convenções Belmont em Elkridge (Maryland) um relatório 
(Relatório Belmont) contendo os princípios fundamentais que norteariam 
a conduta e serviriam de base para a formulação, crítica e interpretação 
de regras específicas (JONSEN, 1998 apud SECHINATO, 2009).
A comissão criada pelo governo norte-americano não tinha a 
preocupação com a prática clínica e assistencial, somente com as pesqui-
sas científicas. Nesse contexto, Tom L. Beauchamp e James F.Childress 
publicaram, em 1977, uma obra que utilizava os princípios fundamentais 
do Relatório Belmont, mas aplicados à prática clínico-assistencialista inti-
tulada “Principles of Biomedical Ethics”. Nesse livro, os autores colocam 
os três princípios fundamentais (Autonomia, Beneficência e Justiça) e 
acrescentam um quarto princípio (Não-Maleficência) que deveriam ser 
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aplicados às Ciências da Saúde (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).
Atualmente se considera, a despeito da consideração ter sido 
feita pelos autores originais, que não existe uma ordem de importância 
entre os quatro princípios nem são os únicos princípios existentes, ha-
vendo outros que possam ser aplicados na Área da Saúde. O grau de 
importância de cada princípio deve ser avaliado caso a caso e existem 
situações em que dois ou mais princípios estarão discordantes, dificul-
tando a análise de uma determinada situação. Não há como estabele-
cer uma regra geral em que o princípio da Autonomia venha antes da 
Não-Maleficência, antes da Beneficência e antes da Justiça, pois os 
quatro são fundamentais no processo de tomada de decisão pelo pro-
fissional da área da saúde (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2002).
Também na atualidade, o contínuo desenvolvimento tecnológi-
co continua a ser elemento de reflexão para a bioética. As novas tecno-
logias vão interferir de alguma forma na vida das pessoas e é função dos 
profissionais da área da saúde discutiressas interferências de modo que 
a integridade do ser humano seja preservada. Assuntos como as tecno-
logias de reprodução assistida, os métodos contraceptivos, o momento 
do início da vida, aborto, transplantes de órgão e tecidos, as questões 
sobre a terminalidade da vida e muitas outras se fazem presentes na 
reflexão bioética. A abrangência de temas para discussão é tão grande 
que também se consideram as questões relacionadas à proteção da 
natureza como temas da bioética. Da mesma forma, o envelhecimento 
humano é preocupação dos profissionais da área da saúde e estão en-
tre tais temas (SECHINATO, 2009).
Do ponto de vista puramente biológico, pode-se considerar que 
o envelhecimento se inicia a partir do momento que ocorre a respiração 
celular com o oxigênio e a consequente produção dos radicais livres. 
Um zigoto recém-fecundado necessita do oxigênio para sua sobrevi-
vência e no momento em que se utiliza desse elemento há a produção 
de tais radicais que iniciam o processo de dano tissular que perdura 
por toda a vida do ser humano num processo denominado de enve-
lhecimento celular. Mas a própria evolução do ser humano impede de 
considerar envelhecimento somente do ponto de vista biológico ou tec-
nológico. É necessário considerar também que o envelhecimento pode 
ser caracterizado por determinadas alterações psíquicas e sociais, ou 
seja, o sentimento que advém com essa nova fase humana, quer sejam 
da própria pessoa que passa pelo processo, quer sejam das pessoas 
em torno daquela que envelhece e a função da bioética, entre outras, é 
discutir tais percepções desse processo humano (SECHINATO, 2009).
Um aspecto importante da relação entre a bioética e o envelhe-
cimento se relaciona com a vulnerabilidade, que é definida como o esta-
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do de pessoas ou grupos, que por quaisquer razões ou motivos, tenham 
a sua capacidade de autodeterminação reduzida, sobretudo no que se 
refere à capacidade de dar um determinado consentimento livre, cons-
ciente, sem coação física, psíquica ou moral ou por meio de simulações 
ou práticas enganosas a respeito de algo conhecido (BRASIL, 1998).
Hoje se reconhece que todos os seres humanos são vulnerá-
veis em maior ou em menor grau. As muitas decisões que as pessoas 
tomam recebem influências externas significativas, principalmente eco-
nômicas, e influenciam-nas algumas vezes até de forma subjetiva e é 
necessário que se reconheça o fato de os idosos no Brasil constituírem 
um grupo populacional frequentemente vulnerabilizado não só pelas 
questões econômicas, mas também pelas relações com os familiares e 
profissionais, pelo processo de envelhecimento e morte, pela perda da 
capacidade de autonomia, pelos abusos que sofrem e até mesmo pelas 
pesquisas a que são submetidos.
A vulnerabilização do idoso pelas questões econômicas é um 
fato e uma das explicações que se encontra na teoria de Thomas Mal-
thus (1799), quando alertou a sociedade para o fato de que o aumento 
da produção de alimentos não acompanharia o crescimento populacio-
nal. A ciência moderna conseguiu resolver parcialmente a questão dos 
alimentos, mas não foi capaz ainda de resolver a questão da seguridade 
social, principalmente no Brasil. Com o desenvolvimento do País, per-
cebe-se claramente uma modificação no padrão de crescimento popu-
lacional, em que se reduz o número de jovens através das tecnologias 
educacionais e contraceptivas e são os jovens, no modelo econômico 
atual, que contribuem financeiramente para o sustento daqueles que já 
contribuíram durante toda a vida e se aposentam, dependendo dessa 
fonte de renda nos dias atuais. Com a diminuição dos recursos, fica 
óbvio que faltará dinheiro para o sustento daqueles que envelheceram.
Além disso, a tecnologia em saúde tem conseguido aumentar 
a expectativa de vida e se antes havia idosos, aposentados, que sobre-
viviam alguns poucos anos, dependendo dos recursos do seguro social, 
hoje existe uma população deles que praticamente viverá o mesmo pe-
ríodo de tempo que contribuiu para a seguridade social. Do ponto de 
vista econômico não existe sistema que resista a esse modelo, sen-
do necessária a substituição da forma de gerenciamento dos recursos 
previdenciários. Enquanto essa reforma não ocorre, resta aos idosos a 
necessária complementação da renda através do trabalho.
Com o envelhecimento, as funções orgânicas começam a de-
cair, bem como a capacidade de trabalho, e torna-se difícil aos idosos, 
principalmente aqueles que exercem atividades predominantemente fí-
sicas, conseguirem fazer a devida complementação de renda pelo fato 
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de haver a concorrência no mercado de trabalho e as empresas prefe-
rirem indivíduos com alta capacidade produtiva, a despeito da experi-
ência profissional adquirida ao longo dos anos de trabalho. Com isso, o 
grupo dos idosos acaba se vulnerabilizando ao aceitar valores de salá-
rios mais baixos que os pagos aos jovens.
Com o decréscimo da capacidade para atividades físico-intelec-
tuais o idoso começa a sofrer o processo de discriminação pelos pró-
prios familiares e não raramente pelos profissionais da área da saúde. A 
pessoa não tem mais a agilidade característica do jovem e, consequen-
temente, não consegue mais acompanhar o ritmo de atividades dos fa-
miliares e os sistemas orgânicos, como a audição, visão e fala, também 
sofre degeneração, sendo necessário que o idoso e os jovens a sua volta 
modifiquem totalmente o ritmo de vida. Além disso, as dificuldades de re-
lacionamento, fruto da capacidade dificultada de se adaptar às mudanças 
sociais fazem com que os jovens considerem o idoso uma pessoa difícil 
de lidar; popularmente fala-se que os idosos tornam-se chatos.
A forma mais comum de os familiares, as pessoas mais pró-
ximas do idoso, lidarem com esses problemas é discriminá-lo e não 
raro as famílias tentam se livrar do peso social dessa pessoa através 
da internação em instituições asilares, e desta forma transferir o far-
do a determinados profissionais da área da saúde que atuam nessas 
instituições. Esse processo discriminatório também é observado nos 
profissionais da área da saúde nas diversas unidades de atendimento 
existentes, tanto no sistema público quanto no privado.
O envelhecimento envolve a perda natural de algumas capaci-
dades e a pessoa que sofre o processo, muitas vezes tem dificuldade 
em aceitar tal fato, recorrendo, com razão, à ajuda dos profissionais 
que, por lidarem com uma situação muito mais fisiológica do que pato-
lógica, acabam considerando que o idoso não tem nenhuma doença, 
portanto não devem recorrer à sua ajuda.
Familiares e profissionais da saúde devem reconhecer que o 
processo de envelhecimento é natural, sendo necessária a aceitação 
de que a perda de algumas capacidades físicas ou intelectuais deva ser 
aceita e compreendida.
A incapacidade de uma pessoa se aceitar por perda das ca-
pacidades constitui-se num problema que deve ser levado aos profis-
sionais da saúde e estes devem compreender o fenômeno e atuar da 
melhor forma possível no processo de aconselhamento da família e 
consolo daquele que sofre os efeitos da velhice, mas sem a considerar 
como uma doença, e sim uma situação marcada por muitas doenças.
Os problemas financeiros por que passam e as discriminações 
que sofrem em casa e nas unidades de saúde fazem com que o idoso 
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perca gradativamente a capacidade de se autodeterminar e tomar as 
suas próprias decisões, mas esse fenômeno não ocorre por vontade 
da pessoa, mas porque as pessoas ao seu redor a impedem de agir de 
forma autônoma.
Costuma-se dizer que a autonomia não é uma prerrogativa que 
se obtém, mas sim que se dá; uma pessoa não pode exigir a autonomia, 
as outras é que devem permitirque ela seja autônoma. Esse processo 
acaba ocorrendo com o idoso e, frequentemente, se exige dele uma 
procuração para que um familiar realize as movimentações financeiras, 
ou no momento da prescrição médica numa consulta ambulatorial, as 
orientações sobre as medicações e os cuidados necessários são repas-
sados a um familiar como se o idoso não tivesse a capacidade de se 
responsabilizar ou não fosse capaz de entender o que está sendo dito.
Existem pessoas, algumas delas envelhecidas, que realmente se 
enquadram nessas categorias, não podem se responsabilizar em tomar as 
medicações nos horários determinados ou não entendem o que está sendo 
dito, a despeito do profissional não esforçar-se em fazer entender, mas são 
poucos e não se pode, portanto, agir como se isso fosse regra.
Existem muitos idosos com dificuldades auditivas que são to-
talmente lúcidos e se o profissional ou familiar for claro e paciente na 
sua fala, essa pessoa tem capacidade de compreensão da mensagem 
e atua de forma totalmente autônoma.
A maior parte dos membros da sociedade moderna é honesta, 
mas é necessário que se leve em consideração a existência dos deso-
nestos que se aproveitam da perda de capacidade de autonomia dos ido-
sos para cometerem atos ilícitos contra eles. Não raro, têm-se notícias de 
pessoas que se utilizando do argumento da incapacidade do idoso fazem 
movimentações financeiras com os recursos financeiros que deveriam 
ser disponibilizados para o aposentado em benefício próprio.
Existem ainda situações em que os idosos são explorados não 
só financeiramente, mas socialmente também. No trânsito, por exemplo, 
diz-se que os idosos não deveriam dirigir automóveis, pois são muito lentos 
na velocidade com que dirigem. Outros dizem que essas pessoas não de-
veriam sair às ruas, pois não conseguem atravessá-las na velocidade com 
que o trânsito de pessoas e automóveis circula. Há jovens que dizem que 
os idosos não deveriam ir aos caixas eletrônicos dos bancos, pois não têm 
a agilidade para manipularem os teclados dos equipamentos bancários. 
Todos estes exemplos e outros mais que existem são a perfeita tradução 
da exploração social que o idoso sofre no dia-a-dia. De repente a senilida-
de se transforma numa espécie de doença contagiosa cujo doente deve 
ficar recluso em seu domicílio, ou em muitos casos, numa instituição que 
possa mantê-lo longe do convívio social dos jovens (SECHINATO, 2009).
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O caso da experimentação em idosos ocorrido no Hospital Israe-
lita de Doenças Crônicas em New York, entre 1963, demonstra claramente 
a vulnerabilidade a que as pessoas, em particular os idosos, podem estar 
submetidos quando institucionalizados. A institucionalização tira grande 
parte do poder de autonomia de uma pessoa e ela não tem as condições 
de se colocar contrária a determinados procedimentos que são realizados 
nas instituições. O clássico exemplo reside no horário do banho de muitos 
hospitais brasileiros em que, a despeito dos hábitos da pessoa, o banho 
sempre ocorre no período da manhã. Os idosos se submetem a essa nor-
ma por não terem condições de exigir o contrário e não há a discussão se a 
norma infringe ou não o direito da pessoa manter o seu ritmo diário.
No processo de vulnerabilização do idoso, eles acabam se sub-
metendo também às pesquisas científicas, principalmente se o pesquisa-
dor não toma o cuidado de garantir o respeito à autonomia do indivíduo em 
decidir se participará ou não do estudo. O envelhecimento na atualidade é 
encarado como um problema sério e se estimula um modo de postergar 
esse fenômeno natural através do financiamento de pesquisas nesse cam-
po. Não raramente, utilizam-se idosos como sujeitos da pesquisa para que 
se possa compreender esse fenômeno e assim propor terapêuticas de tal 
modo que os grupos de idosos são incluídos nos estudos experimentais.
Em 1996, o Conselho Nacional de Saúde, preocupado com as 
pesquisas envolvendo não somente os idosos, mas todos os seres hu-
manos, emitiu a resolução nº 196/96 que normalizou a pesquisa científica 
envolvendo seres humanos e criou a Comissão Nacional de Ética em 
Pesquisa (CONEP) e os Comitês de Ética em Pesquisa (CEP). Por esse 
documento, toda pesquisa que se faça com seres humanos deve ser pre-
cedida pela análise do projeto por um CEP ou, em casos específicos, 
pela análise da CONEP. Tais instituições acabaram se transformando em 
guardiões dos sujeitos da pesquisa ao exigirem que os indivíduos que 
participem de pesquisas deem seu consentimento de forma livre e após 
os devidos esclarecimentos pertinentes à pesquisa, além de protegerem 
os grupos vulneráveis e os legalmente incapazes, tratando-os dignamen-
te, respeitando a sua autonomia e defendendo sua vulnerabilidade. Ocor-
re que os idosos, com bastante frequência, constituem um grupo vulnerá-
vel e cabe aos CEPs e à CONEP a defesa de tais indivíduos.
Sardenberg et al. (1999; 2002) confirmam o dito: que durante 
muito tempo questionou-se como exigir do pesquisador a submissão de 
seu projeto a um CEP e desta forma propiciar a defesa dos vulneráveis. 
A solução veio através da fundamentação da resolução CNS nº 196/96 
em leis já existentes no Brasil e internacionalmente e mais recentemente 
um grande número de periódicos (número que cresce com o passar do 
tempo) tem exigido a declaração dos comitês de que o projeto foi previa-
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mente analisado e aprovado para a publicação dos artigos científicos.
Desta forma, a ponderação sobre os riscos e benefícios de 
uma pesquisa envolvendo idosos e a avaliação prévia do projeto de 
pesquisa por um comitê independente se tornaram obrigatórias.
Deve-se admitir que o envelhecimento é um fato da história na-
tural do ser humano e a população nessa faixa etária tende a crescer 
cada vez mais. Torna-se necessário identificar a vulnerabilidade a que 
esse grupo está sujeito, informá-lo devidamente sobre essa característica 
e propiciar a eles o direito de serem protegidos e viverem condignamente.
Não se pode, em nome da proteção contra a vulnerabilidade, vul-
nerabilizar o indivíduo agindo por ele e retirando o seu poder de autonomia, 
daí a necessidade da comunicação e do consentimento dessa pessoa para 
que possa agir. É necessário que se transforme a imagem do idoso como 
aquele velho doente, acamado, semimorto ou morto socialmente muitas 
vezes, necessitando de auxílio, na imagem de uma pessoa viva, com muita 
experiência de vida e que pode adoecer e necessitará de cuidados espe-
cíficos para o alívio do sofrimento, sendo possível até a cura em deter-
minadas doenças que o acometa, mas que invariavelmente encontra-se 
bastante próximo do fim inexorável de todo ser humano, a morte.
É necessário que os profissionais da saúde se conscientizem da 
função primordial de sua profissão, aliviar sofrimentos, não somente dos 
jovens, mas também dos idosos, e desempenhem o papel de protetores da 
dignidade da vida em um mundo em que se desconsidera cada vez mais 
esse valor naqueles que já viveram toda uma vida (SECHINATO, 2009).
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A todo o momento vemos a constatação de que o envelheci-
mento da população é um fenômeno mundial que teve início nos paí-
ses em desenvolvimento, em decorrência do aumento da expectativa 
de vida e diminuição dos índices de mortalidade da população, o que 
foi devido por unanimidade dos pesquisadores consultados, ao desen-
volvimento do conhecimento científico de saúde, saneamento básico 
adequado, melhoria das condições nutricionais, elevação dos níveis de 
higiene pessoal e ambiental tanto em residências como no trabalho, 
assim como em decorrência dos avanços tecnológicos.
Em países em desenvolvimento como o Brasil, o aumento da 
expectativa de vida tem sido evidenciado

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