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GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 28 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO UNIDADE DE ENSINO: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO CAPÍTULO 2 – DEGRADAÇÃO DO SOLO 2.4 Degradação física do Solo As principais formas de degradação física do solo e que serão tratadas em nossa disciplina são as seguintes: a) selamento superficial; b) compactação e adensamento; c) danos à estrutura; d) alterações na porosidade; e) alterações de permeabilidade; f) inundação; g) drenagem de áreas úmidas; h) Arenização; i) Erosão. i) Erosão A erosão é considerada como a principal forma de degradação do solo e pode ser conceituada como o processo de desprendimento e arraste acelerado das partí- culas minerais e/ou orgânicas do solo pela ação da água ou do vento. Esse processo ocorre naturalmente nos ecossistemas, porém, a ação antrópica pode acelerar sua ocorrência, até atingir níveis prejudiciais ao homem e ao ambiente. A erosão é responsável por grandes perdas de solo, matéria orgânica, nutrien- tes, fertilizantes, sementes, entre outros. Por isso, a erosão leva à perda de qualidade e produtividade do solo. Atualmente, as margens de lucro das atividades agropecuárias são cada vez mais reduzidas e a forte vinculação da agricultura com a qualidade do ambiente torna imprescindível a busca da maximização e compatibilização da eficiência técnica dos processos produtivos com a preservação ambiental. Partindo-se desse pressuposto, o conhecimento, a prevenção e o controle da erosão, são práticas indispensáveis na agricultura atual. É fundamental que todos tenham a exata noção de que o solo e a água são indissociáveis no ambiente, o que significa dizer que o mau uso do solo GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 29 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO implicará, necessariamente, o comprometimento da qualidade e quantidade de água disponível ao homem e animais. As práticas agrícolas intensivas, que não utilizam um sistema adequado de ma- nejo e conservação do solo, podem levar a uma intensificação dos processos erosi- vos, devido à exposição do solo ao sol, ao vento e à chuva. Com isso, ocorre a des- truição dos agregados, formação de camadas compactadas, diminuição da permea- bilidade e infiltração e isso tudo acaba levando à ocorrência da erosão. Quando o solo fica descoberto, a ação das chuvas ocasiona erosão, o que, em muitos casos, acaba até mesmo inutilizando algumas para o cultivo, devido à excessiva degradação. Não obstante, com o uso intenso de mecanização, a compactação é outro pro- blema encontrado e, além de seus efeitos diretos sobre os cultivos agrícolas, é mais um fator que favorece a erosão. Vários são os prejuízos causados pela erosão tanto para a agricultura quanto para o meio ambiente. Juntamente com o arraste das partículas minerais e orgânicas do solo há o transporte, para fora da área de cultivo, de nutrientes, sementes, defen- sivos agrícolas, entre outros, os quais, além de representarem um prejuízo à produção agropecuária, podem causar também a contaminação dos recursos hídricos. Com isso, os custos de produção são aumentados, devido à maior necessidade de fertili- zantes e corretivos, além de reduzir o rendimento operacional das máquinas. Não obstante, a qualidade e disponibilidade de água para o consumo humano e animal também podem ser afetadas pela erosão do solo. Isso se deve à poluição e assorea- mento dos mananciais, o que pode provocar enchentes nos períodos mais chuvosos e escassez de água nos períodos mais secos. Tipos de erosão – Classificação conforme os agentes erosivos ou intempéri- cos (Voltor Engenharia & Meio Ambiente, 2021): Fluvial Pluvial Eólica Marinha Glacial Gravitacional GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 30 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO Erosão Fluvial - esse tipo de erosão é causado pela água dos rios, transformando o seu curso em vales mais profundos do que seu entorno. Além disso, quando não há vegetação nas margens dos cursos d’água, elas são erodidas pela força das águas, in- tensificando processo de assoreamento e alarga- mento do leito das bacias de drenagem. Erosão Pluvial – é causada pela água das chuvas. Em menor intensidade, ela provoca apenas a lava- gem do solo, mas, em grandes proporções, provoca erosões mais intensas. Quando os solos estão sem vegetação, sobretudo em áreas inclinadas. Os efei- tos da erosão pluvial são mais graves. Erosão Marinha – causado pelo desgaste das ro- chas dos solos litorâneos pela água do mar, contri- buindo para a formação de praias e paisagens cos- teiras, tais como as falésias. Erosão Glacial – ocorre como o congelamento dos solos e a consequente movimentação em blocos. Também atua no congelamento da água que se di- lata e provoca alterações na composição e disposi- ção das rochas e dos solos. Erosão Gravitacional – esse tipo de erosão cos- tuma ocorrer em localidades muito inclinadas, como em cadeias montanhosas. Consiste na ruptura e transportes de sedimentos proporcionados pela ação da gravidade com a disposição gradual de par- tículas de rochas das localidades mais altas para os pontos de menor altitudes. GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 31 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO Erosão Eólica A erosão eólica tem como agente o vento. Geral- mente, ocorre em regiões mais planas, de precipitação menos intensa, com vegetação natural escassa, com so- los mais arenosos e desagregados e onde sopram ven- tos fortes. Esse tipo de erosão é comum nas regiões onde ocorrem os areais, além do litoral, através do mo- vimento das dunas. A erosão eólica provoca o intemperismo das rochas e também atua no trans- porte de sedimentos para zonas mais distantes dos pontos de erosão. A erosão eólica é dividida em três fases: a desagregação e início do movimento, transporte e deposi- ção. A desagregação e início do movimento das partículas de solo são causados pela ação das forças do vento sobre a superfície do terreno. O transporte das partículas de solo é influenciado pelo tamanho e velocidade do vento, ocorrendo de três formas: saltamento, suspensão e rolamento. No salta- mento ocorre o rápido movimento das partículas do solo, na forma de curtos saltos, pela ação do vento e colisão das partículas. Na suspensão, as partículas de solo, constituídas de areia fina, silte e argila, ficam suspensas no ar e são transportadas a grandes distâncias. O rolamento ocorre com as partículas mais pesadas. Pelo seu peso mais elevado, as partículas não são erguidas, mas sim arrastadas sobre a su- perfície do solo pela força do vento e pelo impacto de outras partículas erodidas. A deposição ocorre quando há diminuição parcial ou total da velocidade do vento. Primeiramente, depositam-se as partículas mais pesadas, transportadas por rolamento, posteriormente as partículas intermediárias, transportadas por saltamento e, por fim, as partículas mais leves, transportadas por suspensão. Erosão hídrica Causada pela ação da água, principalmente da chuva, sendo, no Brasil, a forma mais comum de ocorrência. O processo que leva à erosão hídrica pode ser dividido em três fases: desagregação, transporte e deposição. GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 32 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGADISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO A desagregação ocorre quando a chuva atinge a superfície do solo e ocasiona o umedecimento dos agre- gados, com consequente diminuição de suas forças co- esivas. Durante a ocorrência da chuva, os agregados são desintegrados em partículas menores pelo impacto das gotas sobre o solo. A desagregação vai aumentando à medida que aumenta a energia cinética da chuva, a qual se dá em função da intensidade, da velocidade e do tamanho das gotas. O transporte das partículas de solo começa a ocorrer no momento em que a intensidade da chuva excede a capacidade de infiltração da água do solo. A capaci- dade de infiltração decresce com o tempo de ocorrência da chuva, tanto pelo umede- cimento do solo, como pelo efeito do selamento superficial. Simultaneamente ao trans- porte, também vai ocorrendo a enxurrada, a qual vai aumentando sua velocidade à medida que o volume de água e sólidos e a declividade do terreno aumentam. Quando a enxurrada aumenta e vai ganhando força, a capacidade de gerar atrito e desagre- gação é intensificada. Observa-se que, no início (parte mais elevada do terreno), a área de ação da erosão é pequena e aumenta com o declive do terreno. Quando a carga de sedimentos é maior que a capacidade de transporte da enxurrada, ocorre a deposição das partículas de solo nas partes mais baixas do de- clive. A ordem de deposição das partículas pela ação da água da chuva está inversa- mente relacionada ao seu tamanho. Primeiramente se depositam as partículas maio- res e, posteriormente, as menores que, pelo fato de percorrerem maiores distâncias em direção às partes mais baixas do terreno, poderão atingir os cursos hídricos. Portanto, para um bom controle e prevenção da erosão, é necessário não so- mente impedir a enxurrada, mas também e, principalmente, amenizar o efeito das go- tas de chuva sobre a dispersão dos agregados do solo, o que é o primeiro passo, ou seja, o que desencadeia o processo erosivo. As principais formas de ocorrência da erosão hídrica são: a) erosão laminar; b) erosão em sulcos; c) voçorocas; d) erosão em túnel. GRADUAÇÃO UNEC / EAD NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Professor: D.Sc. Marcos Alves de Magalhães Página | 33 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA DISCIPLINA: MANEJO E CONSERVAÇÃO DO SOLO 1) Quais são as principais formas de degradação física do solo? 2) Na erosão hídrica quando começa a ocorrer o transporte das partículas de solo? 3) O que ocorre quando a carga de sedimentos do solo é maior que a capacidade de transporte da enxurrada? Referência Bibliográfica VOLTOR ENGENHARIA & MEIO AMBIENTE. Tipos de erosão Limeira, SP., 2021. Disponível em: Acesso em 21 jun., 2021