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UNIVERSIDADE ANHANGUERA CURSO DE SERVIÇO SOCIAL DANIELA PEREIRA BRITO O SERVIÇO SOCIAL NO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA ATUAÇÃO DA CASA LAR Catanduva 2025 DANIELA PEREIRA BRITO O SERVIÇO SOCIAL NO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA ATUAÇÃO DA CASA LAR Portfólio apresentado como requisito parcial para aprovação na disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso I do Curso de Serviço Social da Universidade Anhanguera. Orientador(a): Profa. Valquiria Aparecida Dias Caprioli Catanduva 2025 Dedico este trabalho às crianças e adolescentes da Associação Recomeçar – Casa Lar, que me ensinaram o verdadeiro significado da resiliência e da esperança. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, pela força e perseverança concedidas durante toda a minha trajetória acadêmica. À minha família, pelo apoio incondicional e por compreender minhas ausências durante o período de estudos e estágio. À Profa. Valquiria Aparecida Dias Caprioli, pela orientação dedicada e pelos valiosos ensinamentos que contribuíram significativamente para minha formação profissional. À assistente social Fabiana Waldomiro Heredia supervisora de campo, por compartilhar seus conhecimentos e experiências, proporcionando-me um aprendizado enriquecedor durante o estágio. À equipe da Associação Recomeçar – Casa Lar, pela acolhida e pela oportunidade de vivenciar o cotidiano institucional, experiência fundamental para a elaboração deste trabalho. Aos professores do curso de Serviço Social da Universidade Anhanguera, pelos ensinamentos e reflexões que contribuíram para minha formação acadêmica e para a construção de um olhar crítico sobre a realidade social. A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho e para minha formação profissional. "Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como esta trata as suas crianças." Nelson Mandela RESUMO Este portfólio apresenta as experiências vivenciadas durante o estágio supervisionado realizado na Associação Recomeçar – Casa Lar, instituição de acolhimento para crianças e adolescentes situada na cidade de Catanduva, São Paulo. O trabalho articula os conhecimentos teórico- metodológicos adquiridos ao longo do curso de Serviço Social com a prática profissional observada no campo de estágio, destacando os desafios e possibilidades da atuação do assistente social no contexto do acolhimento institucional. A partir da análise crítica das atividades desenvolvidas, das reflexões sobre a ética profissional e da fundamentação teórica sobre o tema, o estudo propõe uma investigação sobre o papel do Serviço Social na garantia de direitos e na promoção da reintegração familiar de crianças e adolescentes em situação de acolhimento. A metodologia adotada baseia-se na perspectiva crítico-dialética, utilizando procedimentos como pesquisa bibliográfica, análise documental e observação participante. Os resultados preliminares apontam para a importância do trabalho interdisciplinar e em rede, da dimensão socioeducativa da prática profissional e do compromisso ético-político do assistente social na efetivação dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. O estudo contribui para a reflexão sobre a atuação do Serviço Social no acolhimento institucional e para a qualificação dos serviços oferecidos às crianças, adolescentes e suas famílias. Palavras-chave: Serviço Social. Acolhimento Institucional. Casa Lar. Criança e Adolescente. Direitos. SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO DO PORTFÓLIO.............................................................................10 2 IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO...............................................................12 3 CONTEXTO INSTITUCIONAL....................................................................................15 4 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS....................................................20 5 ESCOLHA DO TEMA DO TCC...................................................................................28 6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................................32 6.1 Serviço Social e Projeto Ético-Político Profissional...................................................33 6.2 Proteção Social e Política de Assistência Social.......................................................35 6.3 Criança e Adolescente como Sujeitos de Direitos: Perspectiva Histórica..................37 6.4 Acolhimento Institucional: Transformações Históricas e Marcos Normativos............39 6.5 Casa Lar: Especificidades e Desafios......................................................................42 6.6 O Trabalho do Assistente Social no Acolhimento Institucional..................................44 7 METODOLOGIA.......................................................................................................47 7.1 Tipo de Pesquisa....................................................................................................48 7.2 Procedimentos Técnicos.........................................................................................49 7.3 Sujeitos da Pesquisa..............................................................................................51 7.4 Análise dos Dados..................................................................................................52 7.5 Aspectos Éticos da Pesquisa..................................................................................53 7.6 Limitações Metodológicas......................................................................................54 7.7 Cronograma da Pesquisa.......................................................................................55 8 REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA NA PESQUISA...........................................................56 8.1 Ética Profissional e Projeto Ético-Político do Serviço Social.....................................57 8.2 Dilemas Éticos no Cotidiano do Acolhimento Institucional.......................................59 8.3 Ética na Pesquisa em Serviço Social......................................................................62 8.4 Aprendizados Éticos no Processo de Formação Profissional...................................64 8.5 Considerações sobre a Ética na Pesquisa e na Intervenção Profissional…………..66 8.6 Orçamento……………………………………………………………….................67 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................68 REFERÊNCIAS............................................................................................................70 1 APRESENTAÇÃO DO PORTFÓLIO Este portfólio representa o resultado de um processo de aprendizagem e reflexão crítica desenvolvido durante o estágio supervisionado realizado na Associação Recomeçar – Casa Lar, situada na cidade de Catanduva, São Paulo. A instituição dedica-se ao acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, oferecendo proteção integral conforme preconizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O estágio supervisionado constitui um momento privilegiado na formação profissional do assistente social, pois possibilita a articulação entre os conhecimentos teórico-metodológicos, ético-políticos e técnico-operativos adquiridos ao longo da graduação com a realidade concreta do exercício profissional. É nesse espaço que o estudante tem a oportunidade de vivenciar os desafios cotidianos da profissão, desenvolver competências e habilidades específicas e construir uma identidadeNas situações em que precisava comunicar decisões difíceis, como a impossibilidade de reintegração familiar imediata ou a necessidade de encaminhamento para família substituta, a profissional o fazia com honestidade e sensibilidade, respeitando o tempo e as reações emocionais dos sujeitos. 8.10 # 8.4.3 A Defesa Intransigente dos Direitos Humanos e da Justiça Social O estágio também me permitiu compreender a concretude do princípio da defesa intransigente dos direitos humanos e da justiça social. Observei como a assistente social posicionava-se diante de situações de violação de direitos, denunciando-as às instâncias competentes e mobilizando recursos para sua superação. Em reuniões intersetoriais, a profissional argumentava em favor dos direitos das crianças, adolescentes e suas famílias, confrontando visões estigmatizantes e práticas discriminatórias. Este posicionamento evidenciava o compromisso com o artigo 3º do Código de Ética, que estabelece como dever do assistente social desempenhar suas atividades profissionais com eficiência e responsabilidade, observando a legislação em vigor. 8.11 # 8.4.4 A Necessidade de Reflexão Crítica e Educação Permanente Por fim, o estágio me permitiu compreender que a dimensão ética exige reflexão crítica constante e educação permanente. Observei como a assistente social buscava atualizar-se sobre as discussões éticas da profissão, participando de eventos, estudando publicações do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e discutindo dilemas éticos em supervisão. Esta postura reflexiva e de busca por conhecimento evidenciava o compromisso com o artigo 2º do Código de Ética, que estabelece como direito do assistente social o aprimoramento profissional de forma contínua, colocando-o a serviço dos princípios deste Código. 8.5 Considerações sobre a Ética na Pesquisa e na Intervenção Profissional As reflexões sobre ética desenvolvidas durante o estágio e sistematizadas neste trabalho evidenciam a centralidade desta dimensão na formação e no exercício profissional do assistente social. A ética não se resume a um conjunto de normas a serem seguidas, mas constitui uma reflexão crítica sobre os valores que orientam as escolhas profissionais e sobre as implicações destas escolhas para os sujeitos atendidos. No contexto do acolhimento institucional, a dimensão ética ganha contornos específicos, dada a vulnerabilidade dos sujeitos atendidos e a complexidade das situações enfrentadas. O assistente social é desafiado a construir intervenções que respeitem a dignidade e a autonomia dos sujeitos, ao mesmo tempo em que garantam sua proteção e o acesso a direitos. Esta construção exige compromisso com os princípios do Código de Ética e do projeto ético- político do Serviço Social, mas também sensibilidade para compreender as particularidades de cada situação e criatividade para encontrar respostas adequadas às necessidades apresentadas. As reflexões éticas desenvolvidas neste trabalho não pretendem esgotar o tema, mas contribuir para o debate sobre a dimensão ética na formação e no exercício profissional do assistente social, especialmente no contexto do acolhimento institucional. Espera-se que estas reflexões possam inspirar outros estudantes e profissionais a aprofundar sua compreensão sobre a ética como elemento constitutivo do Serviço Social e como compromisso com a emancipação humana. 8-6 - ORÇAMENTO Não será utilizado orçamento na pesquisa. 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS O percurso formativo vivenciado durante o estágio supervisionado na Associação Recomeçar – Casa Lar proporcionou experiências significativas que contribuíram substancialmente para minha formação profissional como assistente social. A articulação entre os conhecimentos teórico- metodológicos adquiridos na academia e a prática profissional observada no campo de estágio possibilitou uma compreensão mais aprofundada sobre os desafios e possibilidades da atuação do Serviço Social no contexto do acolhimento institucional. A elaboração deste portfólio representou um exercício de sistematização e reflexão crítica sobre as experiências vivenciadas, permitindo identificar as múltiplas determinações que incidem sobre o trabalho do assistente social na Casa Lar e as estratégias utilizadas para enfrentar os desafios cotidianos. Este processo de sistematização foi fundamental para a definição do tema do Trabalho de Conclusão de Curso, que busca aprofundar a análise sobre a atuação profissional neste campo específico. O acolhimento institucional, como medida protetiva prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, deve ser aplicado em caráter excepcional e provisório, visando à proteção integral e à garantia do direito à convivência familiar e comunitária. No entanto, a realidade observada durante o estágio revelou a complexidade dos fatores que levam ao acolhimento e os desafios para a efetivação destes princípios. Entre os principais desafios identificados, destacam-se: a insuficiência de políticas públicas que apoiem as famílias na superação das situações de vulnerabilidade; a fragilidade da rede socioassistencial e do Sistema de Garantia de Direitos; a persistência de visões estigmatizantes sobre as famílias pobres; e as limitações institucionais que afetam a qualidade do atendimento oferecido. Diante destes desafios, observei como o assistente social busca construir estratégias de intervenção que articulem as dimensões técnico-operativa, teórico-metodológica e ético-política da profissão. Entre estas estratégias, destacam-se: o trabalho interdisciplinar e em rede; a utilização de instrumentais técnicos como visitas domiciliares, entrevistas, estudos sociais e pareceres; a realização de ações socioeducativas com as famílias; e a articulação com movimentos sociais e instâncias de controle social para a defesa de políticas públicas. A atuação do assistente social no acolhimento institucional é permeada por contradições e tensões, que exigem posicionamento ético e compromisso com os princípios do Código de Ética Profissional e do projeto ético-político do Serviço Social. Durante o estágio, pude observar como a assistente social supervisora buscava materializar estes princípios em sua prática cotidiana, mesmo diante de limitações institucionais e de pressões externas. As reflexões desenvolvidas neste portfólio evidenciam a importância da dimensão investigativa do Serviço Social, que permite a produção de conhecimentos sobre a realidade social e a qualificação da intervenção profissional. O estágio supervisionado, como espaço privilegiado de articulação entre teoria e prática, contribuiu significativamente para o desenvolvimento desta dimensão, estimulando a curiosidade intelectual, o espírito crítico e a capacidade de análise. A escolha do tema para o Trabalho de Conclusão de Curso – "O Serviço Social no acolhimento institucional de crianças e adolescentes: desafios e possibilidades na atuação da Casa Lar" – emerge justamente desta dimensão investigativa, buscando aprofundar a compreensão sobre um campo específico de atuação profissional e contribuir para a qualificação dos serviços oferecidos. A fundamentação teórica apresentada neste portfólio oferece subsídios para a análise do objeto de estudo, articulando conhecimentos sobre o Serviço Social, as políticas de proteção à criança e ao adolescente e o acolhimento institucional. A metodologia proposta, baseada na perspectiva crítico-dialética, permitirá apreender o objeto em suas múltiplas determinações e relações, considerando os aspectos históricos, sociais, políticos e econômicos que o constituem. As reflexões sobre ética desenvolvidas ao longo do trabalho evidenciam a centralidade desta dimensão na formação e no exercício profissional do assistente social. A ética não se resume a um conjuntode normas a serem seguidas, mas constitui uma reflexão crítica sobre os valores que orientam as escolhas profissionais e sobre as implicações destas escolhas para os sujeitos atendidos. Ao finalizar este portfólio, reafirmo meu compromisso com a qualificação profissional e com a defesa intransigente dos direitos humanos, especialmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social. O estágio supervisionado fortaleceu minha compreensão sobre o papel ético-político do assistente social e sobre a necessidade de uma atuação crítica, propositiva e comprometida com a transformação social. As experiências vivenciadas na Associação Recomeçar – Casa Lar deixaram marcas significativas em minha formação profissional e pessoal, sensibilizando-me para a importância do acolhimento humanizado, do respeito à diversidade e da defesa intransigente dos direitos das crianças e adolescentes. Estas experiências serão fundamentais para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso e para minha futura atuação como assistente social. Espero que as reflexões desenvolvidas neste portfólio possam contribuir para o debate sobre a atuação do Serviço Social no acolhimento institucional e para a qualificação dos serviços oferecidos às crianças, adolescentes e suas famílias. Acredito que a produção de conhecimentos sobre este campo específico pode subsidiar práticas profissionais mais críticas, reflexivas e comprometidas com a efetivação dos direitos e com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. REFERÊNCIAS ABEPSS. Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social. 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Dispõe sobre adoção e altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente). BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Política Nacional de Assistência Social. Brasília: MDS, 2004. BRASIL. Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. Brasília: CONANDA/CNAS, 2006. BRASIL. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Conselho Nacional de Saúde. CFESS. Conselho Federal de Serviço Social. Código de Ética do/a Assistente Social. Lei 8.662/93 de regulamentação da profissão. 10. ed. rev. e atual. Brasília: CFESS, 2012. COUTO, Berenice Rojas et al. O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. São Paulo: Cortez, 2010. FALEIROS, Vicente de Paula. Infância e processo político no Brasil. In: RIZZINI, Irene; PILOTTI, Francisco (Orgs.). 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Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.profissional alinhada aos princípios do Código de Ética do Assistente Social e do projeto ético-político da profissão. O presente trabalho busca sistematizar as experiências vivenciadas no campo de estágio, articulando-as com os fundamentos teóricos do Serviço Social e com as normativas que orientam a política de proteção à criança e ao adolescente no Brasil. Mais do que um relato descritivo de atividades, este portfólio se propõe a ser um instrumento de análise crítica da realidade institucional e das possibilidades de intervenção profissional no contexto do acolhimento institucional. A escolha da temática para o Trabalho de Conclusão de Curso emerge justamente das inquietações e reflexões suscitadas durante o período de estágio, buscando aprofundar o conhecimento sobre os desafios e possibilidades da atuação do assistente social em espaços de acolhimento institucional, com foco na garantia de direitos e na promoção da reintegração familiar. Objetivos do Portfólio: 1. Documentar e analisar criticamente as experiências vivenciadas no campo de estágio; 2. Estabelecer conexões entre a teoria apreendida durante a formação acadêmica e a prática professional observada; 3. Refletir sobre os desafios éticos e técnicos da atuação do assistente social no contexto do acolhimento institucional; 4. Fundamentar a escolha do tema do Trabalho de Conclusão de Curso; 5. Contribuir para o aprimoramento da prática profissional no campo da proteção social especial de alta complexidade. Estrutura do Trabalho: O portfólio está organizado em seções que contemplam desde a identificação e contextualização do campo de estágio até as reflexões sobre a ética na pesquisa e as considerações finais. Cada seção foi elaborada de modo a evidenciar o processo de construção do conhecimento e a maturação do olhar profissional sobre a realidade institucional e as demandas apresentadas pelos usuários do serviço. A trajetória aqui documentada representa não apenas um requisito acadêmico, mas um compromisso com a qualificação profissional e com a defesa intransigente dos direitos humanos, especialmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social. 2 IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO DE ESTÁGIO Instituição: Associação Recomeçar – Casa Lar E-mail: associacaorecomecar@email.com Site: www.associacaorecomecar.org.br Natureza da Instituição: Organização da sociedade civil sem fins lucrativos, inscrita no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS), com foco em acolhimento institucional para crianças e adolescentes na modalidade Casa Lar. Histórico da Instituição: A Associação Recomeçar foi fundada em 2005 por um grupo de voluntários da comunidade local, preocupados com a situação de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no município de Catanduva. Inicialmente, a instituição atuava apenas com projetos socioeducativos em contraturno escolar. Em 2008, diante da crescente demanda por serviços de acolhimento no município, a Associação ampliou sua atuação, inaugurando a Casa Lar Recomeçar, com capacidade para acolher até 10 crianças e adolescentes. Ao longo de sua trajetória, a instituição passou por diversas transformações para adequar-se às normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e às Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. Em 2010, firmou convênio com a Secretaria Municipal de Assistência Social, passando a integrar a rede socioassistencial do município como serviço de proteção social especial de alta complexidade. Missão: Acolher e proteger crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, promovendo seu desenvolvimento integral e trabalhando pela garantia do direito à convivência familiar e comunitária. Visão: Ser referência regional em acolhimento institucional humanizado, contribuindo para a construção de uma sociedade que valorize e proteja seus membros mais vulneráveis. Valores: - Respeito à dignidade e aos direitos humanos - Compromisso com a proteção integral - Valorização da convivência familiar e comunitária mailto:associacaorecomecar@email.com http://www.associacaorecomecar.org.br/ - Transparência e ética nas relações institucionais - Qualidade e humanização no atendimento Estrutura Organizacional: A Associação Recomeçar possui a seguinte estrutura organizacional: 1. Assembleia Geral: composta por todos os associados, é o órgão máximo de deliberação da instituição. 2. Diretoria Executiva: formada por Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, eleitos para mandato de dois anos. 3. Conselho Fiscal: responsável pela fiscalização da gestão financeira da instituição. 4. Coordenação Técnica: responsável pela gestão do serviço de acolhimento. 5. Equipe Técnica: composta por assistente social, psicólogo e pedagogo. 6. Equipe de Cuidadores/Educadores: responsáveis pelos cuidados diretos com as crianças e adolescentes acolhidos. 7. Equipe de Apoio: cozinheira, auxiliar de limpeza, motorista e auxiliar administrativo. Período do Estágio: Fevereiro de 2025 a maio de 2025 Carga Horária: 240 horas (20 horas semanais) Supervisão de campo: Fabiana Waldomiro Heredia (CRESS 40.126) Supervisão Acadêmica: Profa. Valquiria Aparecida Dias Caprioli (CRESS 54321) Público-Alvo: Crianças e adolescentes de 0 a 18 anos incompletos, de ambos os sexos, em situação de risco pessoal e social, cujas famílias ou responsáveis encontram-se temporariamente impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção. O encaminhamento para o serviço é realizado exclusivamente pela Vara da Infância e Juventude ou pelo Conselho Tutelar, em caráter excepcional e provisório, como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta. 3 CONTEXTO INSTITUCIONAL O acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil passou por significativas transformações ao longo da história, refletindo as mudanças nas concepções sobre infância, família e proteção social. Até a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, predominava o modelo de atendimento baseado em grandes instituições totais, conhecidas como orfanatos ou internatos, caracterizadas pelo atendimento massificado, pela longa permanência dos acolhidos e pelo distanciamento da família e da comunidade. A partir do ECA, estabeleceu-se um novo paradigma na proteção à infância e adolescência, fundamentado na Doutrina da Proteção Integral, que reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento. Nesse contexto, o acolhimento institucional passou a ser concebido como medida protetiva, de caráter excepcional e provisório, aplicada apenas quando esgotadas todas as possibilidades de permanência na família de origem, extensa ou comunidade. A modalidade Casa Lar, na qual se insere a Associação Recomeçar, representa uma evolução nos serviços de acolhimento, buscando aproximar-se do ambiente familiar. Conforme as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (CONANDA/CNAS, 2009), a Casa Lar caracteriza-se pelo atendimento em unidades residenciais, com capacidade máxima para 10 crianças e adolescentes, nas quais pelo menos uma pessoa ou casal trabalha como educador/cuidador residente, prestando cuidados a um grupo de crianças e adolescentes. 3.1 Panorama Nacional e Regional do Acolhimento Institucional Segundo dados do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos (CNCA), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça, em 2024 existem aproximadamente 30 mil crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional no Brasil. Os principais motivos que levam ao acolhimento são: negligência familiar (38%),abandono (19%), violência doméstica (14%), dependência química/alcoolismo dos pais ou responsáveis (11%), abuso sexual (9%) e outros motivos (9%). No estado de São Paulo, estima-se que existam cerca de 8.000 crianças e adolescentes acolhidos, distribuídos em aproximadamente 700 serviços de acolhimento. Na região de Catanduva, além da Associação Recomeçar, existem mais duas instituições de acolhimento, totalizando uma capacidade de atendimento para 30 crianças e adolescentes. 3.2 A Associação Recomeçar no Contexto das Políticas Públicas A Associação Recomeçar integra a rede socioassistencial do município de Catanduva como serviço de proteção social especial de alta complexidade, conforme a tipificação estabelecida pela Política Nacional de Assistência Social (PNAS) e pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Como tal, articula-se com os demais serviços, programas e projetos da rede socioassistencial, bem como com as demais políticas públicas e com o Sistema de Garantia de Direitos. O financiamento da instituição é realizado por meio de convênio com a Secretaria Municipal de Assistência Social, complementado por doações de pessoas físicas e jurídicas, eventos beneficentes e projetos aprovados em editais públicos e privados. A gestão dos recursos é realizada de forma transparente, com prestação de contas regular aos órgãos competentes e à comunidade. 3.3 Fluxo de Atendimento e Serviços Oferecidos O ingresso de crianças e adolescentes na Casa Lar ocorre exclusivamente por determinação da autoridade judiciária (Vara da Infância e Juventude) ou, em caráter excepcional e de urgência, pelo Conselho Tutelar. Ao chegar à instituição, a criança ou adolescente é acolhido pela equipe técnica, que realiza uma avaliação inicial e elabora o Plano Individual de Atendimento (PIA), instrumento que norteia o trabalho a ser desenvolvido durante o período de acolhimento. Os serviços oferecidos pela Associação Recomeçar incluem: 1. **Acolhimento e proteção integral**: moradia, alimentação, vestuário, higiene, saúde, educação, lazer, cultura, esporte, profissionalização (para adolescentes) e desenvolvimento espiritual (respeitando a diversidade religiosa). 2. **Preservação dos vínculos familiares**: visitas familiares programadas, contatos telefônicos, participação da família em atividades na instituição, acompanhamento e orientação familiar. 3. **Inserção comunitária**: matrícula em escolas da comunidade, participação em atividades culturais, esportivas e de lazer no território, utilização dos serviços públicos disponíveis. 4. **Preparação para o desligamento**: orientação e apoio para reintegração familiar ou, quando esgotadas as possibilidades de retorno à família de origem ou extensa, encaminhamento para família substituta (adoção, guarda ou tutela). 5. **Acompanhamento pós-desligamento**: visitas domiciliares e contatos periódicos com a família e a criança/adolescente após o desligamento, por um período mínimo de seis meses. 3.4 Articulação com a Rede Socioassistencial e o Sistema de Garantia de Direitos A Associação Recomeçar mantém articulação permanente com os seguintes órgãos e serviços: - **Vara da Infância e Juventude**: encaminhamentos, audiências concentradas, relatórios periódicos, discussão de casos. - **Conselho Tutelar**: encaminhamentos emergenciais, acompanhamento de casos, notificações. - **CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social)**: acompanhamento das famílias, discussão de casos, encaminhamentos. - **CRAS (Centro de Referência de Assistência Social)**: inclusão das famílias em programas de transferência de renda e serviços de convivência e fortalecimento de vínculos. - **Secretaria Municipal de Saúde**: atendimento médico, odontológico, psicológico e psiquiátrico. - **Secretaria Municipal de Educação**: matrícula e acompanhamento escolar. - **Secretaria Municipal de Esportes e Cultura**: inclusão em atividades esportivas e culturais. - **CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente)**: registro e fiscalização da instituição, participação em reuniões e conferências. - **Ministério Público**: fiscalização, acompanhamento de casos, audiências. - **Defensoria Pública**: orientação jurídica às famílias, representação em processos. - **Organizações da Sociedade Civil**: parcerias para atividades complementares. Esta articulação em rede é fundamental para garantir a proteção integral das crianças e adolescentes acolhidos e para potencializar as possibilidades de reintegração familiar, conforme preconizado pelo ECA e pelas normativas que orientam os serviços de acolhimento institucional. 4 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Durante o período de estágio supervisionado na Associação Recomeçar – Casa Lar, tive a oportunidade de participar de diversas atividades que contribuíram significativamente para minha formação profissional como assistente social. Estas experiências possibilitaram a articulação entre os conhecimentos teórico-metodológicos adquiridos na academia e a prática profissional, permitindo uma compreensão mais aprofundada dos desafios e possibilidades da atuação do Serviço Social no contexto do acolhimento institucional. 4.1 Acompanhamento de Visitas Técnicas e Relatórios de Acolhimento Uma das atividades mais enriquecedoras do estágio foi o acompanhamento das visitas técnicas realizadas pela assistente social supervisora às famílias das crianças e adolescentes acolhidos. Estas visitas tinham como objetivo conhecer a realidade socioeconômica e cultural das famílias, identificar potencialidades e fragilidades, e construir estratégias para a superação das situações que levaram ao acolhimento institucional. Durante as visitas, pude observar a aplicação de técnicas de entrevista e escuta qualificada, bem como a postura ética da profissional, que sempre buscava estabelecer uma relação horizontal com as famílias, livre de julgamentos morais e preconceitos. A experiência me permitiu compreender a importância do respeito à diversidade e à autonomia dos sujeitos, princípios fundamentais do Código de Ética do Assistente Social. Além das visitas, participei da elaboração de relatórios de acolhimento, documentos que registram a situação inicial da criança ou adolescente ao ingressar na instituição. Estes relatórios incluem informações sobre a história de vida, composição familiar, motivos do acolhimento, condições de saúde, desenvolvimento psicossocial e situação escolar. A elaboração destes documentos exigiu habilidades de observação, registro e análise crítica da realidade, competências essenciais para o exercício profissional do assistente social. 4.2 Participação em Reuniões com Equipe Multidisciplinar Semanalmente, a equipe técnica da Casa Lar, composta por assistente social, psicólogo e pedagogo, realizava reuniões para discussão de casos, planejamento de intervenções e avaliação das ações desenvolvidas. Participar destas reuniões foi fundamental para compreender a importância do trabalho interdisciplinar na garantia da proteção integral das crianças e adolescentes acolhidos. Nas reuniões, cada profissional contribuía com seu olhar específico sobre as situações apresentadas, possibilitando uma compreensão mais ampla e complexa das demandas. A assistente social, em particular, trazia para a discussão elementos relacionados à garantia de direitos, acesso a políticas públicas e trabalho com as famílias, evidenciando o papel do Serviço Social na mediação entre os usuários e o acesso à proteção social. Além das reuniões internas, tive a oportunidade de acompanhar a supervisora em reuniões da rede socioassistencial, como as realizadas no CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). Estas experiências me permitiram compreendera importância da articulação intersetorial e do trabalho em rede para a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes. 4.3 Estudo de Casos e Elaboração de Pareceres Sociais O estudo de caso é uma metodologia fundamental no trabalho do assistente social, pois permite uma análise aprofundada das situações atendidas, considerando aspectos individuais, familiares e sociais. Durante o estágio, participei de estudos de caso de crianças e adolescentes acolhidos, contribuindo com observações e reflexões a partir das atividades que acompanhei. Sob supervisão, auxiliei na elaboração de pareceres sociais, documentos técnicos que expressam a opinião profissional do assistente social sobre determinada situação. Estes pareceres eram encaminhados à Vara da Infância e Juventude e subsidiavam decisões judiciais sobre a permanência no acolhimento, reintegração familiar ou encaminhamento para família substituta. A elaboração de pareceres sociais exigiu um rigoroso processo de estudo, análise e síntese, bem como o domínio da linguagem técnica do Serviço Social. Aprendi que estes documentos têm um peso significativo na vida dos sujeitos atendidos, podendo influenciar decisões que afetarão seu futuro, o que reforça a responsabilidade ética do profissional na sua elaboração. 4.4 Apoio no Planejamento de Ações Socioeducativas e Recreativas O cotidiano da Casa Lar inclui diversas atividades socioeducativas e recreativas, que visam promover o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes acolhidos. Durante o estágio, auxiliei no planejamento e execução destas atividades, buscando articular aspectos lúdicos e educativos. Entre as atividades desenvolvidas, destacam-se oficinas de cidadania e direitos, rodas de conversa sobre temas como identidade e projeto de vida, atividades de incentivo à leitura, jogos cooperativos e passeios culturais. Estas ações tinham como objetivo fortalecer a autoestima, desenvolver habilidades sociais, estimular a autonomia e ampliar o repertório cultural dos acolhidos. O planejamento destas atividades exigiu criatividade, sensibilidade e conhecimento sobre desenvolvimento infantojuvenil, além da capacidade de adaptar as propostas às diferentes faixas etárias e perfis dos acolhidos. A experiência me permitiu compreender que, mesmo em um contexto de proteção, é fundamental garantir espaços de expressão, participação e protagonismo para crianças e adolescentes. 4.5 Levantamento de Dados para Construção de Indicadores Sociais Uma das demandas apresentadas pela instituição durante o período de estágio foi a necessidade de sistematizar informações sobre o perfil das crianças e adolescentes acolhidos e suas famílias, bem como sobre os resultados alcançados pelo serviço. Para atender a esta demanda, participei do levantamento de dados para a construção de indicadores sociais. Realizei pesquisa documental nos prontuários dos acolhidos, coletando informações sobre idade, sexo, motivos do acolhimento, tempo de permanência na instituição, situação familiar, entre outros aspectos. Os dados coletados foram organizados em planilhas e posteriormente analisados, gerando relatórios estatísticos que subsidiaram o planejamento institucional e a prestação de contas aos órgãos financiadores. Esta atividade me permitiu compreender a importância da dimensão investigativa do Serviço Social e da produção de conhecimento sobre a realidade social como subsídio para a intervenção profissional. Além disso, evidenciou a relevância dos registros e da documentação técnica como instrumentos que dão visibilidade ao trabalho realizado e contribuem para a avaliação e o aprimoramento dos serviços. 4.6 Observação da Aplicação do ECA nas Práticas Institucionais Durante todo o período de estágio, busquei observar como os princípios e diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) se materializavam nas práticas cotidianas da instituição. Esta observação incluiu aspectos como o respeito à individualidade e privacidade dos acolhidos, a preservação dos vínculos familiares, a participação na vida comunitária e o direito à informação e à participação nas decisões que afetam suas vidas. Pude constatar que a equipe da Casa Lar demonstrava compromisso com a efetivação dos direitos previstos no ECA, buscando superar práticas institucionais tradicionais, marcadas pelo assistencialismo e pela tutela. No entanto, também identifiquei desafios e contradições, como a dificuldade em garantir atendimento personalizado em um contexto coletivo e as tensões entre o direito à convivência familiar e a necessidade de proteção. Estas observações suscitaram reflexões sobre o papel do assistente social como agente de garantia de direitos e sobre a necessidade de uma postura crítica e propositiva diante das contradições institucionais. Compreendi que o compromisso com o projeto ético-político do Serviço Social exige uma vigilância constante para que as práticas profissionais não reproduzam lógicas de controle e disciplinamento, mas promovam a emancipação e o protagonismo dos sujeitos. 4.7 Reflexão Crítica sobre a Ética Profissional no Cotidiano da Casa Lar O cotidiano da Casa Lar apresenta inúmeras situações que exigem posicionamento ético do assistente social, desde questões relacionadas ao sigilo profissional até dilemas envolvendo a autonomia dos sujeitos e os limites da intervenção. Durante o estágio, busquei refletir criticamente sobre estas questões, à luz do Código de Ética Profissional e dos princípios que fundamentam o projeto ético-político do Serviço Social. Uma das situações que mais me provocou reflexões foi o acesso às informações sobre a história de vida das crianças e adolescentes acolhidos. Percebi a importância de tratar estas informações com sigilo e respeito, evitando exposições desnecessárias e garantindo que o conhecimento sobre a trajetória dos sujeitos sirva para qualificar o atendimento, e não para estigmatizá-los. Outra questão relevante foi a relação com as famílias dos acolhidos, muitas vezes marcada por julgamentos morais e culpabilização. Observei o esforço da assistente social supervisora em construir uma abordagem baseada no respeito e na compreensão dos determinantes sociais que contribuíram para as situações de vulnerabilidade, buscando fortalecer as potencialidades das famílias e não apenas apontar suas fragilidades. Estas reflexões foram fundamentais para a construção da minha identidade profissional e para a compreensão de que a dimensão ética não se resume ao cumprimento formal de um código, mas se expressa nas escolhas cotidianas, na relação com os usuários e na defesa intransigente dos direitos humanos. 4.8 Cronograma de Atividades Realizadas Período Atividades Desenvolvidas Fevereiro/2025 - Conhecimento da instituição e da equipe - Estudo do Projeto Político-Pedagógico e do Regimento Interno - Observação do cotidiano institucional Março/2025 - Acompanhamento de visitas técnicas às família - Participação em reuniões da equipe multidisciplinary - Auxílio na elaboração de relatórios de acolhimento Abril/2025 - Participação em estudos de casos - Apoio no planejamento de ações socioeducativas - Levantamento de dados para indicadores sociais Maio/2025 - Auxílio na elaboração de pareceres sociais - Participação em reuniões da rede socioassistencial - Observação de audiências concentradas na Vara da Infância As atividades desenvolvidas durante o estágio proporcionaram uma visão ampla e crítica sobre o trabalho do assistente social no contexto do acolhimento institucional, evidenciando tanto as possibilidades de intervenção quanto os desafios enfrentados no cotidiano profissional. Esta experiência foi fundamental para a escolha do tema do Trabalho de Conclusão de Curso, que busca aprofundar a reflexão sobre os desafios e possibilidades da atuação do Serviço Social na CasaLar. 5 ESCOLHA DO TEMA DO TCC 5.1 Tema Proposto "O Serviço Social no acolhimento institucional de crianças e adolescentes: desafios e possibilidades na atuação da Casa Lar" 5.2 Delimitação do Problema de Pesquisa Quais os principais desafios enfrentados pelo/a assistente social na Casa Lar e como a atuação profissional contribui para a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional? 5.3 Justificativa A escolha do tema para este Trabalho de Conclusão de Curso emerge diretamente das experiências vivenciadas durante o estágio supervisionado na Associação Recomeçar – Casa Lar. O período de imersão neste campo de atuação profissional suscitou inquietações e reflexões sobre o papel do assistente social em espaços de acolhimento institucional, especialmente no que se refere à garantia de direitos e à promoção da reintegração familiar. O acolhimento institucional, conforme preconizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelas normativas que orientam a política de assistência social, deve ser uma medida excepcional e provisória, aplicada apenas quando esgotadas todas as possibilidades de permanência na família de origem ou extensa. No entanto, a realidade observada durante o estágio revelou a complexidade dos fatores que levam ao acolhimento e os desafios para a efetivação do direito à convivência familiar e comunitária. A atuação do assistente social neste contexto é permeada por contradições e tensões, que vão desde as limitações institucionais até os dilemas éticos que emergem no cotidiano profissional. Por um lado, o profissional é chamado a contribuir para a garantia de direitos e para a construção de alternativas que viabilizem a reintegração familiar; por outro, depara-se com situações de violação de direitos, vulnerabilidade social e fragilização dos vínculos familiares que exigem intervenções complexas e multidimensionais. A relevância social desta pesquisa reside na possibilidade de contribuir para a qualificação dos serviços de acolhimento institucional, a partir da reflexão crítica sobre a prática profissional do assistente social. Ao identificar os desafios e as possibilidades de intervenção, pretende-se oferecer subsídios para o aprimoramento das estratégias de proteção integral e de promoção do direito à convivência familiar e comunitária. Do ponto de vista acadêmico, a pesquisa se justifica pela necessidade de produção de conhecimento sobre a atuação do Serviço Social em espaços de acolhimento institucional, especialmente na modalidade Casa Lar, que representa uma evolução nos serviços de proteção social especial de alta complexidade. Embora existam estudos sobre o tema, ainda há lacunas no que se refere à análise das especificidades da intervenção profissional nestes espaços, considerando as transformações recentes nas políticas de proteção à infância e adolescência. No âmbito profissional, a pesquisa se justifica pela contribuição que pode oferecer para a formação e o exercício profissional do assistente social, ao sistematizar conhecimentos sobre os instrumentais técnico-operativos, as competências teórico-metodológicas e os compromissos ético-políticos necessários para a atuação qualificada em serviços de acolhimento institucional. 5.4 Objetivos da Pesquisa 5.5 # Objetivo Geral Analisar os desafios e as possibilidades da atuação do assistente social no serviço de acolhimento institucional na modalidade Casa Lar, com foco na garantia de direitos e na promoção da reintegração familiar de crianças e adolescentes. 5.6 # Objetivos Específicos 1. Contextualizar historicamente o acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil, identificando as transformações nas concepções e práticas ao longo do tempo; 2. Caracterizar o serviço de acolhimento institucional na modalidade Casa Lar, considerando suas especificidades, princípios e diretrizes; 3. Identificar as atribuições e competências do assistente social no contexto do acolhimento institucional, com base na legislação profissional e nas normativas que orientam os serviços de proteção social especial; 4. Analisar os principais desafios enfrentados pelo assistente social na Casa Lar, considerando aspectos institucionais, relacionais e sociais; 5. Investigar as estratégias e instrumentais utilizados pelo assistente social para a garantia de direitos e a promoção da reintegração familiar; 6. Refletir sobre as implicações éticas da atuação profissional no contexto do acolhimento institucional, à luz do Código de Ética do Assistente Social e do projeto ético-político da profissão. 5.7 Hipóteses ou Pressupostos Iniciais 1. A atuação do assistente social na Casa Lar é fundamental para a garantia de direitos e para a promoção da reintegração familiar, mas enfrenta desafios relacionados às condições institucionais, à complexidade das situações familiares e às limitações das políticas públicas. 2. O trabalho interdisciplinar e em rede constitui uma estratégia essencial para a superação dos desafios e para a potencialização das possibilidades de intervenção do assistente social no contexto do acolhimento institucional. 3. A dimensão socioeducativa da prática profissional, expressa em ações de orientação, informação e reflexão crítica, contribui significativamente para o fortalecimento da autonomia e do protagonismo das famílias no processo de reintegração familiar. 4. A atuação do assistente social na Casa Lar é permeada por dilemas éticos que exigem posicionamento crítico e compromisso com os princípios do Código de Ética Profissional e com o projeto ético-político do Serviço Social. A investigação destes pressupostos, a partir da articulação entre teoria e prática, permitirá uma compreensão mais aprofundada sobre o papel do Serviço Social no acolhimento institucional e sobre as possibilidades de qualificação da intervenção profissional neste campo. 6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O presente trabalho fundamenta-se em um referencial teórico que articula conhecimentos sobre o Serviço Social, as políticas de proteção à criança e ao adolescente e o acolhimento institucional. A seguir, apresentamos os principais conceitos e categorias teóricas que embasam nossa análise, organizados em subtópicos temáticos. 6.1 Serviço Social e Projeto Ético-Político Profissional O Serviço Social brasileiro, ao longo de sua trajetória histórica, passou por um processo de renovação crítica que resultou na construção de um projeto profissional comprometido com a defesa dos direitos humanos, da justiça social e da emancipação dos sujeitos. Este projeto, denominado projeto ético-político, materializa-se no Código de Ética Profissional (1993), na Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8.662/1993) e nas Diretrizes Curriculares da ABEPSS (1996). Segundo Iamamoto (2008), o Serviço Social é uma profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, que atua nas expressões da questão social, compreendida como o conjunto das desigualdades e lutas sociais produzidas e reproduzidas no movimento contraditório das relações sociais. A autora destaca que o assistente social trabalha nas contradições do capitalismo, mediando interesses antagônicos de classes, o que confere à profissão uma dimensão essencialmente política. Netto (1999) ressalta que o projeto ético-político do Serviço Social tem como núcleo o reconhecimento da liberdade como valor ético central, o compromisso com a autonomia e a emancipação dos sujeitos, a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo. Este projeto se posiciona a favor da equidade e da justiça social, na perspectiva da universalização do acesso a bens e serviços relativos às políticas e programas sociais. No contexto do acolhimento institucional, a atuação do assistente social deve estar alinhada a estesprincípios, buscando garantir os direitos das crianças e adolescentes, fortalecer sua autonomia e protagonismo, e contribuir para a superação das situações de vulnerabilidade que levaram ao acolhimento. Como afirma Yazbek (2009), o Serviço Social tem uma dimensão socioeducativa que se expressa na socialização de informações, no diálogo reflexivo e na construção de processos emancipatórios junto aos usuários. 6.2 Proteção Social e Política de Assistência Social A proteção social no Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, passou a ser concebida como direito do cidadão e dever do Estado, compondo o tripé da Seguridade Social junto com a saúde e a previdência social. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS), aprovada em 2004, e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), implementado a partir de 2005, representam avanços significativos na organização e oferta de serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais. De acordo com Sposati (2009), a assistência social como política pública de proteção social deve garantir seguranças sociais que reduzam vulnerabilidades e previnam riscos sociais. Entre estas seguranças, destacam-se a segurança de acolhida, a segurança de convívio familiar e comunitário, a segurança de desenvolvimento da autonomia, a segurança de sobrevivência a riscos circunstanciais e a segurança de renda. O SUAS organiza-se em níveis de proteção social: básica e especial (de média e alta complexidade). O acolhimento institucional para crianças e adolescentes integra os serviços de proteção social especial de alta complexidade, destinados a indivíduos que se encontram em situação de abandono, ameaça ou violação de direitos, com vínculos familiares rompidos ou fragilizados, necessitando de proteção integral (BRASIL, 2009). Couto et al. (2010) destacam que a implementação do SUAS representa um avanço na perspectiva de superação do assistencialismo e da benemerência que historicamente marcaram a assistência social no Brasil. No entanto, os autores apontam desafios para a efetivação desta política, como a precarização das condições de trabalho, a insuficiência de recursos e a persistência de práticas conservadoras. No contexto do acolhimento institucional, a política de assistência social deve articular-se com outras políticas setoriais, como saúde, educação, habitação e trabalho, na perspectiva da intersetorialidade e da integralidade do atendimento. Como afirma Pereira (2010), a intersetorialidade é uma estratégia fundamental para enfrentar problemas complexos que exigem ações articuladas e complementares. 6.3 Criança e Adolescente como Sujeitos de Direitos: Perspectiva Histórica A concepção de criança e adolescente como sujeitos de direitos é relativamente recente na história brasileira. Até o final do século XX, predominavam abordagens que tratavam a infância e a adolescência ora como objetos de tutela e controle, ora como alvos de práticas assistencialistas e repressivas. Rizzini (2011) analisa a trajetória das políticas para a infância no Brasil, identificando diferentes paradigmas que orientaram as ações do Estado e da sociedade. A autora destaca que, durante grande parte do século XX, prevaleceu o paradigma da "situação irregular", expresso nos Códigos de Menores de 1927 e 1979, que categorizava crianças e adolescentes pobres como "menores" e os submetia a medidas de controle e institucionalização. A partir da década de 1980, com o processo de redemocratização do país e a mobilização de movimentos sociais, emerge um novo paradigma, baseado na Doutrina da Proteção Integral, que reconhece crianças e adolescentes como sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento. Este paradigma se consolida com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990. O ECA representa uma ruptura com a legislação anterior, estabelecendo princípios como a prioridade absoluta, o melhor interesse da criança, a proteção integral e a corresponsabilidade da família, da sociedade e do Estado na garantia dos direitos. Como afirma Faleiros (2011), o Estatuto inaugura uma nova ética no tratamento da infância e adolescência, baseada no respeito à dignidade humana e no reconhecimento da condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. No entanto, Passetti (1999) alerta para as contradições entre o discurso legal e a realidade vivenciada por muitas crianças e adolescentes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. O autor critica a persistência de práticas institucionais que, apesar do discurso de proteção, reproduzem lógicas de controle e disciplinamento. 6.4 Acolhimento Institucional: Transformações Históricas e Marcos Normativos O acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil tem uma longa história, marcada por diferentes concepções e práticas. Segundo Rizzini e Rizzini (2004), a institucionalização foi, durante muito tempo, a principal resposta do Estado às situações de pobreza e abandono, resultando na separação de crianças de suas famílias e na sua internação em grandes instituições totais. As autoras identificam que, até meados do século XX, predominavam os chamados "orfanatos" ou "internatos de menores", caracterizados pelo atendimento massificado, pela longa permanência dos acolhidos e pelo distanciamento da família e da comunidade. Estas instituições funcionavam como espaços de controle e disciplinamento, visando à "recuperação" ou "regeneração" dos "menores abandonados ou delinquentes". Com a promulgação do ECA, estabelece-se um novo paradigma para o acolhimento institucional, que passa a ser concebido como medida protetiva, de caráter excepcional e provisório. O Estatuto determina que o acolhimento deve ser aplicado apenas quando esgotadas todas as possibilidades de permanência na família de origem ou extensa, e deve visar à reintegração familiar ou, não sendo esta possível, à colocação em família substituta. Em 2006, o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) reforça a excepcionalidade e a provisoriedade do acolhimento institucional e estabelece diretrizes para a qualificação dos serviços. O Plano enfatiza a necessidade de preservação dos vínculos familiares, de participação da família no processo de acolhimento e de articulação intersetorial para a garantia de direitos. Em 2009, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) aprovam as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes, documento que estabelece parâmetros de funcionamento e metodologias para diferentes modalidades de acolhimento, incluindo a Casa Lar. A Lei 12.010/2009, conhecida como Lei da Adoção, introduz importantes alterações no ECA, estabelecendo prazos para a permanência em acolhimento (inicialmente de dois anos, posteriormente alterado para 18 meses pela Lei 13.509/2017), a obrigatoriedade de elaboração do Plano Individual de Atendimento (PIA) e a realização de audiências concentradas para reavaliação da situação de cada criança e adolescente acolhido. Estas transformações normativas refletem uma mudança de paradigma no atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, priorizando o direito à convivência familiar e comunitária e estabelecendo o acolhimento institucional como medida excepcional e transitória. No entanto, como apontam Gulassa (2010) e Oliveira (2015), a implementação destes princípios enfrenta desafios relacionados à cultura institucional, à precariedade das políticas públicas e à complexidade das situações familiares. 6.5 Casa Lar: Especificidades e Desafios A Casa Lar é uma modalidade de acolhimento institucional que busca aproximar-se do ambientefamiliar, oferecendo atendimento em unidades residenciais com capacidade máxima para 10 crianças e adolescentes. Conforme as Orientações Técnicas (CONANDA/CNAS, 2009), a Casa Lar caracteriza-se pela presença de educadores/cuidadores residentes, que prestam cuidados a um grupo de crianças e adolescentes, buscando estabelecer relações próximas e individualizadas. Esta modalidade representa uma evolução em relação aos grandes abrigos, pois possibilita um atendimento mais personalizado, em um ambiente que se assemelha a uma residência familiar. Como afirma Gulassa (2010), a Casa Lar busca oferecer um espaço de proteção que, ao mesmo tempo, promova o desenvolvimento da autonomia, da identidade e dos vínculos afetivos. No entanto, a autora alerta para os desafios específicos desta modalidade, como a necessidade de capacitação contínua dos educadores/cuidadores, a prevenção da rotatividade de profissionais, a garantia de privacidade e individualidade em um espaço coletivo, e a construção de relações afetivas que não substituam os vínculos familiares, mas ofereçam segurança e estabilidade emocional. Oliveira (2015) destaca que, apesar dos avanços representados pela Casa Lar, persistem desafios relacionados à efetivação do caráter excepcional e provisório do acolhimento. A autora identifica que, em muitos casos, o acolhimento se prolonga devido à insuficiência de políticas públicas que apoiem as famílias na superação das situações de vulnerabilidade, à morosidade do sistema de justiça e à persistência de visões estigmatizantes sobre as famílias pobres. 6.6 O Trabalho do Assistente Social no Acolhimento Institucional O assistente social, no contexto do acolhimento institucional, desempenha um papel fundamental na garantia de direitos e na promoção da reintegração familiar. Suas atribuições estão definidas na Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8.662/1993), no Código de Ética Profissional, nas normativas do SUAS e nas Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento. De acordo com Fávero (2007), o assistente social atua na interface entre o jurídico e o social, contribuindo para a garantia de direitos e para a construção de alternativas que viabilizem a reintegração familiar ou, quando esta não for possível, o encaminhamento para família substituta. A autora destaca a importância do estudo social como instrumento que subsidia decisões judiciais e orienta intervenções profissionais. Valente (2013) ressalta que o trabalho do assistente social no acolhimento institucional deve pautar-se pela defesa intransigente dos direitos humanos, pelo respeito à diversidade e pela recusa de condutas discriminatórias. A autora enfatiza a necessidade de uma abordagem crítica que compreenda as determinações sociais, econômicas e culturais que contribuem para as situações de vulnerabilidade e violação de direitos. Entre as atribuições específicas do assistente social no acolhimento institucional, destacam-se: a elaboração do estudo social e do Plano Individual de Atendimento (PIA); o acompanhamento das famílias de origem, visando à reintegração familiar; a articulação com a rede socioassistencial e com o Sistema de Garantia de Direitos; a preparação para o desligamento e o acompanhamento pós-desligamento; e a participação na seleção e capacitação de educadores/cuidadores. Gulassa (2010) destaca que o assistente social deve atuar na perspectiva da garantia de direitos, evitando posturas assistencialistas ou tutelares. A autora enfatiza a importância do trabalho interdisciplinar e da articulação em rede para a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes acolhidos e para a superação das situações que levaram ao acolhimento. Oliveira (2015) aponta que o assistente social enfrenta desafios específicos no contexto do acolhimento institucional, como a tensão entre a proteção e o controle, a necessidade de mediar conflitos entre diferentes atores (família, instituição, sistema de justiça), e a escassez de recursos e políticas públicas que apoiem o trabalho de reintegração familiar. A autora ressalta que, diante destes desafios, o assistente social deve fortalecer sua dimensão investigativa e propositiva, produzindo conhecimentos sobre a realidade social e propondo alternativas que contribuam para a qualificação dos serviços e para a efetivação dos direitos das crianças, adolescentes e suas famílias. Esta fundamentação teórica oferece subsídios para a análise dos desafios e possibilidades da atuação do assistente social na Casa Lar, tema central deste Trabalho de Conclusão de Curso. A articulação entre os conhecimentos teóricos e a experiência vivenciada no campo de estágio permitirá uma compreensão mais aprofundada sobre o papel do Serviço Social no acolhimento institucional e sobre as estratégias para qualificar a intervenção profissional neste campo. 7 METODOLOGIA A metodologia adotada para o desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Curso fundamenta-se na perspectiva crítico-dialética, que compreende a realidade social como totalidade concreta, historicamente determinada e permeada por contradições. Esta abordagem permite apreender o objeto de estudo – a atuação do assistente social no acolhimento institucional – em suas múltiplas determinações e relações, considerando os aspectos históricos, sociais, políticos e econômicos que o constituem. 7.1 Tipo de Pesquisa A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, pois busca compreender os significados, valores, crenças e atitudes que permeiam a atuação profissional do assistente social no contexto do acolhimento institucional. Como afirma Minayo (2010), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Quanto aos objetivos, a pesquisa classifica-se como exploratória e descritiva. Exploratória porque busca proporcionar maior familiaridade com o problema, tornando-o mais explícito e contribuindo para a construção de hipóteses. Descritiva porque visa descrever as características do fenômeno estudado e estabelecer relações entre variáveis, utilizando técnicas padronizadas de coleta de dados (GIL, 2008). 7.2 Procedimentos Técnicos Os procedimentos técnicos adotados para a coleta de dados incluem: 7.3 # 7.2.1 Pesquisa Bibliográfica A pesquisa bibliográfica constitui a base teórica do trabalho, permitindo o diálogo com autores que discutem temas relacionados ao Serviço Social, às políticas de proteção à criança e ao adolescente e ao acolhimento institucional. Foram consultadas obras de referência, artigos científicos, dissertações, teses e documentos institucionais que abordam a temática. A seleção das fontes bibliográficas seguiu critérios de relevância, atualidade e pertinência ao tema, priorizando autores reconhecidos no campo do Serviço Social e da proteção à infância e adolescência. A análise do material bibliográfico foi realizada a partir de fichamentos, que permitiram a sistematização das principais ideias e conceitos. 7.4 # 7.2.2 Pesquisa Documental A pesquisa documental envolveu a análise de documentos institucionais da Associação Recomeçar – Casa Lar, como o Projeto Político-Pedagógico, o Regimento Interno, relatórios de atividades e registros de atendimento. Também foram analisados documentos normativos que orientam os serviços de acolhimento institucional, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento e as normativas do SUAS. A análise documental permitiu compreender a estrutura e o funcionamento da instituição, as metodologias de trabalho adotadas e os princípios que orientam o atendimento às crianças e adolescentes acolhidos. Além disso, possibilitou identificar as atribuições formalmenteestabelecidas para o assistente social no contexto do acolhimento institucional. 7.5 # 7.2.3 Observação Participante A observação participante foi realizada durante o período de estágio supervisionado na Associação Recomeçar – Casa Lar, de fevereiro a maio de 2025, totalizando 240 horas. Esta técnica permitiu a imersão no cotidiano institucional, a observação das práticas profissionais e a interação com os sujeitos envolvidos (equipe técnica, educadores/cuidadores, crianças e adolescentes acolhidos e suas famílias). Durante a observação, foram registradas em diário de campo as atividades desenvolvidas, as situações observadas, as reflexões suscitadas e as questões emergentes. O diário de campo constituiu um instrumento fundamental para a sistematização das experiências e para a construção de análises críticas sobre a realidade observada. A observação participante possibilitou apreender aspectos da atuação profissional que não estão formalmente documentados, como as estratégias utilizadas para enfrentar desafios cotidianos, as relações estabelecidas com os diferentes atores e as tensões e contradições que permeiam o trabalho do assistente social no acolhimento institucional. 7.3 Sujeitos da Pesquisa Os sujeitos da pesquisa incluem a assistente social supervisora de campo, a equipe técnica da Casa Lar (psicólogo e pedagogo), os educadores/cuidadores, as crianças e adolescentes acolhidos e suas famílias. A interação com estes sujeitos ocorreu no contexto do estágio supervisionado, durante as atividades cotidianas da instituição, reuniões de equipe, visitas domiciliares e atendimentos. É importante ressaltar que, em respeito aos princípios éticos da pesquisa, foram adotados procedimentos para garantir o anonimato e a confidencialidade das informações. Os nomes dos sujeitos foram substituídos por pseudônimos, e informações que pudessem identificá-los foram omitidas ou modificadas. 7.4 Análise dos Dados A análise dos dados foi realizada a partir da técnica de análise de conteúdo, conforme proposta por Bardin (2011). Esta técnica permite a interpretação dos significados explícitos e implícitos nas comunicações, a partir de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. O processo de análise seguiu as seguintes etapas: 1. **Pré-análise**: organização do material coletado, leitura flutuante e formulação de hipóteses preliminares; 2. **Exploração do material**: codificação e categorização dos dados, a partir de unidades de registro e de contexto; 3. **Tratamento dos resultados, inferência e interpretação**: análise crítica dos dados categorizados, estabelecimento de relações com o referencial teórico e construção de sínteses interpretativas. As categorias de análise foram definidas a partir dos objetivos da pesquisa e do referencial teórico, incluindo: atribuições e competências do assistente social no acolhimento institucional; desafios institucionais, relacionais e sociais; estratégias e instrumentais para a garantia de direitos e a promoção da reintegração familiar; e implicações éticas da atuação profissional. 7.5 Aspectos Éticos da Pesquisa A pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde, que dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Foram adotados procedimentos para garantir o respeito à dignidade e à autonomia dos sujeitos, a proteção contra danos e a confidencialidade das informações. O projeto de pesquisa foi submetido à apreciação da Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade Anhanguera, obtendo parecer favorável. Além disso, foi solicitada autorização formal da instituição campo de estágio para a realização da pesquisa e utilização dos dados coletados. Os sujeitos da pesquisa foram informados sobre os objetivos, métodos, potenciais benefícios e riscos, e consentiram livremente em participar. No caso das crianças e adolescentes, foram observadas as disposições do ECA e as orientações do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) sobre pesquisas envolvendo este público. 7.6 Limitações Metodológicas É importante reconhecer as limitações metodológicas da pesquisa, que incluem: 1. **Subjetividade do pesquisador**: como participante do cotidiano institucional, o pesquisador está sujeito a vieses de percepção e interpretação. Para minimizar este risco, buscou-se manter uma postura reflexiva e crítica, dialogando constantemente com o referencial teórico e com a supervisão acadêmica e de campo. 2. **Especificidade do contexto**: os resultados da pesquisa referem-se a um contexto específico (a Associação Recomeçar – Casa Lar) e não podem ser generalizados para todos os serviços de acolhimento institucional. No entanto, podem oferecer insights relevantes para a compreensão de realidades semelhantes. 3. **Temporalidade da pesquisa**: a pesquisa foi realizada em um período determinado (fevereiro a maio de 2025), captando um recorte temporal da realidade estudada. Processos de mudança institucional ou transformações nas políticas públicas posteriores a este período não foram contemplados na análise. 4. **Acesso limitado a determinados espaços e informações**: por questões éticas e institucionais, nem todos os espaços e informações estavam acessíveis ao pesquisador. Esta limitação foi considerada na análise dos dados, evitando conclusões baseadas em informações parciais ou insuficientes. Apesar destas limitações, considera-se que a metodologia adotada permitiu uma aproximação significativa ao objeto de estudo, possibilitando a construção de conhecimentos relevantes sobre a atuação do assistente social no acolhimento institucional. 7.7 Cronograma da Pesquisa Etapas Fev/20 25 Mar/20 25 Abr/20 25 Mai/20 25 Jun/20 25 Jul/20 25 Ago/20 25 Set/20 25 Out/20 25 Nov/20 25 Elaboraçã o do projeto de pesquisa X X Revisão bibliográf ica X X X X X X X Coleta de dados (estágio) X X X X X Análise dos dados X X X X Redação do TCC X X X X X Revisão e ajustes finais X X Apresenta ção e defesa X O cronograma apresentado contempla todas as etapas da pesquisa, desde a elaboração do projeto até a apresentação e defesa do Trabalho de Conclusão de Curso. A distribuição das atividades ao longo do tempo foi planejada de forma a garantir a qualidade e a viabilidade da pesquisa, considerando o período de estágio supervisionado e os prazos acadêmicos estabelecidos pela Universidade Anhanguera. 8 REFLEXÕES SOBRE A ÉTICA NA PESQUISA A dimensão ética é um elemento fundamental na formação e no exercício profissional do assistente social, permeando todas as suas ações e relações. Durante o estágio supervisionado na Associação Recomeçar – Casa Lar, tive a oportunidade de vivenciar situações que exigiram posicionamento ético e reflexão crítica sobre os valores e princípios que orientam a profissão. Estas experiências foram essenciais para a construção da minha identidade profissional e para a compreensão da indissociabilidade entre as dimensões técnica, política e ética do Serviço Social. 8.1 Ética Profissional e Projeto Ético-Político do Serviço Social O Código de Ética do Assistente Social (1993) estabelece princípios fundamentais que orientam o exercício profissional, como o reconhecimento da liberdade como valor ético central, a defesa intransigente dos direitos humanos, a ampliação e consolidação da cidadania, a defesa da democracia, o posicionamento em favor da equidade e justiça social, e o compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população. Estes princípios expressam o projeto ético-político do Serviço Social, construído coletivamente pela categoria profissional a partir dadécada de 1980, em um contexto de redemocratização do país e de renovação crítica da profissão. Este projeto, como afirma Barroco (2010), representa um posicionamento político em favor da classe trabalhadora e dos segmentos sociais vulnerabilizados, e uma opção por um projeto societário que propõe a construção de uma nova ordem social, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero. No contexto do acolhimento institucional, a materialização destes princípios exige do assistente social uma postura crítica diante das contradições institucionais, das relações de poder e das situações de violação de direitos. Durante o estágio, pude observar como a assistente social supervisora buscava orientar sua prática pelos princípios do Código de Ética, mesmo diante de limitações institucionais e de pressões externas. 8.2 Dilemas Éticos no Cotidiano do Acolhimento Institucional O cotidiano do acolhimento institucional apresenta inúmeros dilemas éticos que desafiam o assistente social a posicionar-se de forma coerente com os princípios da profissão. Durante o estágio, identifiquei algumas situações que exemplificam estes dilemas: 8.3 # 8.2.1 Sigilo Profissional e Compartilhamento de Informações O sigilo profissional é um direito do assistente social e um dever para com os usuários, conforme estabelecido no Código de Ética. No entanto, no contexto do acolhimento institucional, o profissional frequentemente se depara com a necessidade de compartilhar informações com a equipe multidisciplinar, com o sistema de justiça e com outros serviços da rede socioassistencial. Durante o estágio, observei como a assistente social lidava com esta questão, buscando equilibrar o respeito ao sigilo com a necessidade de garantir o acesso a direitos. Em reuniões de equipe, por exemplo, ela compartilhava apenas as informações necessárias para qualificar o atendimento, preservando aspectos íntimos da história de vida das crianças, adolescentes e suas famílias. Em relatórios encaminhados à Vara da Infância e Juventude, a profissional tinha o cuidado de apresentar análises técnicas fundamentadas, evitando julgamentos morais ou exposições desnecessárias. Esta postura evidenciava o compromisso com o artigo 16 do Código de Ética, que estabelece que o sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo de que o assistente social tome conhecimento, como decorrência do exercício da atividade profissional. 8.4 # 8.2.2 Autonomia dos Sujeitos e Proteção Integral Outro dilema ético frequente refere-se à tensão entre o respeito à autonomia dos sujeitos e a necessidade de proteção integral. No caso de crianças e adolescentes, esta questão se complexifica, pois são sujeitos em condição peculiar de desenvolvimento, que necessitam de proteção especial, mas também têm direito à participação e ao protagonismo. Durante o estágio, presenciei situações em que adolescentes manifestavam desejos e opiniões que, por vezes, conflitavam com as avaliações técnicas sobre seu melhor interesse. A assistente social buscava escutar atentamente estas manifestações, considerá-las em suas análises e, sempre que possível, incorporá-las ao planejamento das intervenções. No trabalho com as famílias, observei como a profissional procurava fortalecer a autonomia e o protagonismo dos responsáveis, evitando posturas tutelares ou prescritivas. Mesmo em casos de grave vulnerabilidade, ela reconhecia as potencialidades e os saberes das famílias, construindo com elas estratégias para a superação das situações que levaram ao acolhimento. 8.5 # 8.2.3 Limites Institucionais e Compromisso com a Qualidade dos Serviços O assistente social, como trabalhador assalariado, está sujeito a condições institucionais que podem limitar sua autonomia profissional e a qualidade dos serviços prestados. No contexto do acolhimento institucional, estas limitações podem incluir insuficiência de recursos, precariedade das condições de trabalho, sobrecarga de demandas e pressões para resultados imediatos. Durante o estágio, observei como a assistente social lidava com estas limitações, buscando garantir a qualidade do atendimento mesmo em condições adversas. Em algumas situações, isso exigia posicionamentos firmes em defesa dos direitos dos usuários, como quando argumentou pela necessidade de contratação de mais profissionais para garantir o atendimento adequado às famílias. Em outras situações, a profissional buscava estratégias criativas para superar as limitações, como a articulação com outros serviços da rede, a mobilização de recursos comunitários e a proposição de projetos que pudessem captar recursos adicionais. Estas estratégias evidenciavam o compromisso com o artigo 7º do Código de Ética, que estabelece como direito do assistente social dispor de condições de trabalho condignas para garantir a qualidade do exercício profissional. 8.3 Ética na Pesquisa em Serviço Social A dimensão investigativa é parte constitutiva do trabalho do assistente social, que deve produzir conhecimentos sobre a realidade social para qualificar sua intervenção. No entanto, esta produção de conhecimentos deve orientar-se por princípios éticos que garantam o respeito à dignidade e aos direitos dos sujeitos envolvidos. A Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde estabelece normas éticas para pesquisas em Ciências Humanas e Sociais, incluindo o Serviço Social. Entre os princípios estabelecidos, destacam-se o respeito à dignidade humana, à autonomia, à confidencialidade, à privacidade e à liberdade de participação. Durante o estágio, busquei orientar minhas observações e registros por estes princípios, garantindo o anonimato e a confidencialidade das informações coletadas. Nos registros em diário de campo, utilizei códigos para identificar os sujeitos, evitando a exposição de seus nomes. Nas discussões acadêmicas sobre as situações observadas, tive o cuidado de preservar aspectos que pudessem identificar os usuários do serviço. Para a elaboração deste Trabalho de Conclusão de Curso, solicitei autorização formal da instituição campo de estágio e informei os sujeitos envolvidos sobre os objetivos da pesquisa. Além disso, submeti o projeto à apreciação da Comissão de Ética em Pesquisa da Universidade Anhanguera, garantindo que os procedimentos adotados estivessem em conformidade com as normas éticas vigentes. 8.4 Aprendizados Éticos no Processo de Formação Profissional O estágio supervisionado constituiu um espaço privilegiado para a construção de aprendizados éticos, permitindo a articulação entre os conhecimentos teóricos sobre ética profissional e as situações concretas do cotidiano institucional. Entre os principais aprendizados, destaco: 8.8 # 8.4.1 A Importância da Escuta Qualificada e do Respeito à Diversidade Durante o estágio, pude compreender a importância da escuta qualificada como instrumento técnico-operativo e como postura ética. Observei como a assistente social supervisora dedicava tempo e atenção para escutar as crianças, adolescentes e suas famílias, buscando compreender suas perspectivas, necessidades e desejos. Esta escuta era realizada com respeito à diversidade de valores, crenças e modos de vida, evitando julgamentos morais ou imposições de padrões culturais hegemônicos. A profissional demonstrava sensibilidade para reconhecer as diferentes formas de organização familiar e comunitária, valorizando os saberes e as estratégias de sobrevivência construídas pelos sujeitos. 8.9 # 8.4.2 O Compromisso com a Verdade e a Transparência nas Relações Outro aprendizado significativo foi a importância do compromisso com a verdade e a transparência nas relações com os usuários. Observei como a assistente social comunicava de forma clara e acessível as informações sobre direitos, procedimentos institucionais e possibilidades de intervenção, evitando criar falsas expectativas ou ocultar informações relevantes.