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EXAME FÍSICO ABDOMINAL PONTOS ANATÔMICOS IMPORTANTES DELIMITAÇÃO DO ABDOME ● Realiza a segmentação anatômica a partir da linha mediana e linha transversa ○ Linha mediana divide o abdômen em direito e esquerdo ○ Linha transversa cruza a cicatriz umbilical e divide o abdômen em andar superior e inferior A divisão varia conforme a dor do paciente, no entanto, em caso de ausência de dor, prioriza-se a divisão em 9 regiões. Obs.: A região umbilical também pode ser denominada de Mesogástrio, assim como a suprapúbica pode ser denominada de hipogástrio. PERGUNTAS INICIAIS ● Alimentou-se nas últimas horas? Há quanto tempo? ● Eliminação intestinal (frequência, data da última evacuação, cor, odor, consistência, incontinência fecal) ○ Caso o paciente não tenha evacuado, pode-se identificar fezes em sigmóide ● Eliminação urinária atual (frequência, quantidade, cor, odor) ● Está com dor em algum local do abdômen? ○ Se sim, esse local deve ser o último a ser examinado EXAME FÍSICO INICIANDO O EXAME FÍSICO ● Iluminação de qualidade no ambiente de exame; ● Explicar o procedimento que será realizado; ● Posicionamento e desnudamento do paciente ○ Posição: Paciente posicionado adequadamente, deitado em posição supinada, cabeça apoiada e relaxada, com braços ao longo do corpo e perna esticadas. ○ Examinador deve estar sempre à direita do leito Obs.: Examinar as áreas doloridas ao final do exame com observação da expressão não verbal do paciente. Lembrar sempre de questionar antes de examinar se o paciente está com a bexiga cheia, evacuação recente e se alimentou recentemente. SIGA A ORDEM: 1. Inspeção 2. Ausculta 3. Percussão 4. Palpação INSPEÇÃO Primeiro será a inspeção estática e posteriormente a dinâmica. “Vou realizar uma inspeção estática que consiste em avaliar o tipo do seu abdome, se há cicatrizes, a posição da sua cicatriz umbilical e se existe a presença de abaulamentos ou retrações”. ● ESTÁTICA: ○ Observar se existem lesões na pele, cicatrizes cirúrgicas, circulação. Descrição da cicatriz umbilical: ● Centrada - na linha mediana; ● Normal/comum: centrada e retraída. ● Desviada para direita ou esquerda quando, observa-se patologias, como massa que desvia a cicatriz umbilical ● Retraída - quando está abaixo da parede abdominal ● Plana - na altura da parede abdominal ● Protusa - acima da parede abdominal Obs.: Se o paciente apresentar cicatriz umbilical plana ou protuso, deve-se avaliar a hérnia umbilical Obs.: As cicatrizes umbilicais planas e protusas são mais sugestivas a hérnia umbilical. Alguns pacientes podem ter problemas na circulação porta (associada à hipertensão porta e cirrose hepática) e vão apresentar uma circulação como cabeça de medusa (veias tortuosas proeminentes na superfície do abdome) A circulação colateral pode ser visível em caso de obstrução do sistema venoso porta ou veia cava. Em caso da presença de cicatriz cirúrgica, deve-se descrevê-la. ● Cicatriz xifoumbilical se estiver na linha mediana e se ela for no apêndice xifoide até o umbigo; ● Cicatriz mediana umbilical-pubiana se estiver na linha mediana do umbigo até a sínfise púbica; ● Xifo-pubiana se estiver na linha mediana do apêndice xifoide até o púbis ● Cicatriz cirúrgica paramediana se for paralela à linha mediana ● Transversas ou oblíquas ○ Observar o contorno abdominal (formato do abdome) ■ Abdome plano - a parede abdominal está na mesma altura das cristas ilíacas. ■ Abdome globoso - o diâmetro anteroposterior é maior que o diâmetro transverso ■ Abdome em batráquio - diâmetro transverso é maior que o diâmetro antero-posterior, ou seja, mais lateralizado). ■ Abdome pendular (Abdome da puérpera) ■ Abdome em avental - obesidade flácida e na sínfise púbica ele tem uma dobra de pele e subcutâneo ■ Abdome escavado - parede abdominal esta abaixo, nos casos de desnutrição ○ Analisa-se a presença de assimetria, como hepatoesplenomegalia, hérnias de parede abdominal, neoplasia e obstruções ○ Analisa-se a presença de abaulamentos e/ou retrações a partir da presença de massas abdominais, como neoplasias ou hérnia de parede abdominal ● DINÂMICA: ○ Analisar os movimentos respiratórios ■ Torácico, toracoabdominal (principalmente em mulheres), abdominal (principalmente em homens), uso de musculatura acessória ○ Identificar se as peristalses estão visíveis, como por exemplo, em quadros diarreicos a peristalse pode estar visível. Normalmente, não são visíveis ○ Analisar a pulsação da aorta abdominal, logo, deve-se palpar a aorta abdominal para analisar a pulsação. Além da aorta, verificar pontos pulsáteis (transmissão do batimento de uma artéria na parede abdominal) Aneurismas de aorta abdominal podem alterar a pulsação, por isso, deve-se analisar a palpação da aorta abdominal. Obs.: Idosos com pontos pulsáteis, deve-se avaliar a aneurisma de aorta. ○ Identificar a presença de hérnias ■ Realizar a manobra de valsava: deve-se respirar profundamente e em seguida, é necessário fechar a boca, apertar o nariz com os dedos e forçar a saída de ar, não deixando-o escapar. Caso o paciente não consiga, peça para que realize uma tosse forçada ■ Analisar se há diástase dos retos abdominais: deve-se erguer a cabeça, sem tirar muito os ombros da maca e olhar para os pés. Estará normal se não ocorrer o abaulamento da linha mediana. Já se ocorrer o afastamento na linha mediana do apêndice xifoide até a cicatriz umbilical AUSCULTA Normal: ruídos hidroaéreos normoativos. A ausculta deve ser realizada antes da percussão e palpação, pois na ausculta analisa-se os ruídos hidroaéreos e obstruções, então, a partir da palpação, pode-se alterar a motilidade intestinal. A presença de ruídos hidroaéreos é identificada pela peristalse. ● Ruídos hidroaéreos ● Vascular (análise de sopros) ● Pesquisar obstrução intestinal AUSCULTA VASCULAR (SOPROS) As principais são: aorta abdominal e artérias renais, pois pacientes com sopro nessas regiões, pode identificar estenose e hipertensão arterial secundária, por exemplo. Mas também ausculta as artérias ilíacas e femorais. O ideal é que não seja ouvido nada, devendo, iniciar pelos pontos pulsáteis para verificar a presença ou ausência de sopros abdominais. ● Aorta, artéria renal direita e esquerda, artéria ilíaca direita e esquerda e artéria femoral AUSCULTA DOS RUÍDOS HIDROAÉREOS Deve-se utilizar o estetoscópio para avaliar os ruídos hidroaéreos produzidos pela relação entre líquidos e ar causados pela movimentação intestinal. Ausculta os 4 quadrantes e a área periumbilical, em busca de sons de estalidos ou gorgolejos (sons de água), que surgem geralmente entre 5 a 10 segundos. Ao localizar um ruído hidroaéreo, muda-se para outro quadrante. Na sequência, deve-se escolher o melhor quadrante e após o primeiro, contar quantos ruídos hidroaereos no intervalo de 1min para avaliar se são: ● Normais/presentes (4 a 30) (normoativos) ● Aumentados (hiperativos) ● Diminuídos ou ausentes (hipoativo) ● Ruídos metálicos: obstrução intestinal Importante: Deve-se auscultar os 4 quadrantes e a região epigástrica. Além disso, deve-se iniciar pelo quadrante imediatamente depois da queixa do paciente e seguir o sentido horário, finalizando, portanto, pelo quadrante da queixa. Importante: caso a dor seja difusa, deve-se iniciar pelo quadrante inferior direito. PERCUSSÃO Normal: som normotimpânico Realiza-se a percussão em todos os quadrantes, para analisar a intensidade e distribuição dos gases do abdômen, massas, visceromegalias, hepatimetria e ascite. A percussão do abdome, de modo geral, deve-se fazer em sentido horário. Os sons encontrados podem ser timpânicos (gases), submaciços, maciços (vísceras, líquido, massa) ou hiper timpânicos. Às vezes, ao percutir um local, espera-se que seja timpânico, mas ao percutir, observa-se que o som está maciço. Por exemplo, quando o fígado está aumentado, ao percutir o hipocôndriodireito, observa-se uma submacicez, em razão de uma hepatomegalia. HEPATIMETRIA (PERCUSSÃO DO FÍGADO) Recomenda-se que seja realizada de cima para baixo, a fim de delimitar a borda superior e inferior do fígado. Primeiro faz a medição de cima para baixo para delimitar a borda superior do fígado e depois de baixo para cima para delimitar a borda inferior. ● De cima para baixo: a partir do 2° espaço intercostal até a transição tóraco-abdominal, seguindo sempre a linha hemiclavicular direita. Percute cada espaço intercostal a partir do 2° até encontrar um som maciço. ● De baixo para cima: percute o abdome pela projeção da linha hemiclavicular até ouvir um som maciço, encontrando, portanto, o limite da borda inferior. DICA: Percuta procurando alguma alteração ou macicez. PERCUSSÃO DO BAÇO Para melhor percussão do baço, coloca-se o paciente na posição de Schuster, ou seja, em decúbito lateral direito, com a perna levemente fletida e o braço esquerdo elevado sobre a cabeça e o pescoço. Condições normais: espaço de Traube livre Percute no espaço entre a linha axilar anterior e linha axilar média, nos últimos 2 ou 3 espaços intercostais. Se o baço crescer, ao percutir, ouve-se um som maciço. Livre: som timpânico (normal). Ocupado: som maciço (sugestivo de esplenomegalia). ASCITE Utilizada para um grau mais leve de ascite, em que se pede para o paciente ficar em decúbito lateral direito e esquerdo enquanto se percute a região lateral e central do abdome. Caso haja a presença de ascite, ao realizar a percussão, será perceptível a presença de som timpânico na lateral e som maciço no centro, isso acontece porque ao ficar em decúbito o líquido ascítico vai se deslocar conforme a gravidade. PALPAÇÃO Normal: indolor, sem visceromegalias ou massas palpáveis. PALPAÇÃO SUPERFICIAL Deve-se iniciar de forma superficial, apenas passando a mão e aprofundando cerca de 2cm em todos os quadrantes do abdome do paciente, pesquisando alguma rigidez/resistência (abdome flácido, tenso ou rígido), hipersensibilidade dolorosa, dor, massas na parede abdominal (que pode ser hérnia, cicatrizes ou tumores). Inicia-se pelo quadrante inferior direito, seguindo em sentido horário, concluindo na região umbilical. Se houver contração voluntária, pode ser indicativo de frio ou cócegas, já se a contração for involuntária pode ser indicativo de irritação peritoneal. Irritação Peritoneal: avalia-se a partir da localização exata/precisa da dor e a partir disso, pesquisa-se a descompressão dolorosa. PALPAÇÃO PROFUNDA Deve-se palpar colocando a mão dominante embaixo e a outra mão em cima, a fim de tentar delimitar massas e órgãos, a partir do aprofundamento em cerca de 10cm. Em caso de identificação de massas abdominais, deve-se localizar, dimensionar, caracterizar a forma, consistência, superfície, mobilidade e pulsação. PALPAÇÃO DO FÍGADO Como se sabe a delimitação das bordas inferiores e superiores do fígado, deve-se palpar abaixo da borda inferior. Se o paciente inspira, o diafragma desce e “empurra” o fígado para baixo, logo, é importante que a palpação do fígado seja em uma inspiração profunda. Obs.: Primeira dupla de imagens: Técnica de Lemos Torres e a segunda é a Técnica de Mathieu. Lemos Torres: Nele, o examinador com a mão esquerda na região lombar direita do paciente tenta evidenciar o fígado para frente. Com a mão direita espalmada sobre a parede anterior, tenta palpar a borda hepática anterior durante a inspiração profunda. PALPAÇÃO DO BAÇO Normalmente, não é possível palpar o baço, apenas se o mesmo estiver aumentado. Em caso de baço aumentado, ele começa a ser palpado abaixo do rebordo costal. O baço fica acoplado no diafragma, na altura da 9ª, 10ª e 11ª costelas, ocupando grande parte da região posterior à linha axilar média esquerda. Para palpar o baço, o médico deve segurar o paciente com a mão esquerda, apoiando e comprimindo para frente a região inferior da caixa torácica e dos tecidos moles adjacentes; com a mão direita, por baixo do rebordo costal esquerdo, faz-se pressão para dentro, na direção do baço. Então, inicia-se a palpação em um nível baixo suficiente que seja capaz de detectar um possível aumento, e nesse momento deve se solicitar ao paciente que inspire profundamente; quando o baço descer de encontro aos dedos do examinador, este deve palpar a margem ou ponta do baço, pesquisar sensibilidade ao toque e avaliar o contorno esplênico e a distância entre o ponto mais baixo do baço e o rebordo costal esquerdo. Após isso, deve-se repetir a mesma manobra com o paciente em decúbito lateral direito (ou seja, de frente para o examinador), pois nessa posição, a gravidade desloca o baço para um local mais acessível para palpação. Essa posição também é chamada de posição de Schust. SINAIS CLÁSSICOS DE ABDOME AGUDO SINAL DE BLUMBERG ● O paciente vai referir dor à descompressão brusca no ponto de McBurney, ou seja, a dor vai se exacerbar quando o examinador retirar a mão do ponto de McBurney ● Indicativo de apendicite aguda ● Região da fossa ilíaca direita ● Como fazer: deve-se pegar o ponto de McBurney, localizado entre a cicatriz umbilical e a espinha ilíaca superior SINAL DE MURPHY ● Pede-se para o paciente se inspirar profundamente e o examinador palpa o ponto cístico. Durante a inspiração, o examinador vai manter a mão no local e pede para o paciente expirar. Neste momento, o paciente interrompe a respiração por dor à palpação do hipocôndrio direito. ● Indicativo de peritonite local e colecistite aguda ● Hipocôndrio direito, especificamente no ponto cístico (localizado na linha hemiclavicular, 2cm abaixo do rebordo costal) ● Durante a expiração o examinador aprofunda a mão e pede para o paciente inspirar novamente, mas o paciente vai referir dor e parar de inspirar (em caso de Murphy positivo). ● Sinal de Murphy positivo: parada brusca da inspiração SINAL DE ROVSING ● Dor no quadrante inferior direito ao realizar a palpação do quadrante inferior esquerdo do abdome. ● Indicativo de apendicite aguda. SINAL DO MÚSCULO DO OBTURADOR ● Feito à flexão até 90° e rotação externa da coxa direita. Ao movimento, cria dor em região hipogástrica, sugerindo apendicite aguda. ● Realizado para investigação de apendicite ● O sinal é positivo quando o indivíduo sente dor ao realizar esse movimento, visto que o músculo obturador fica próximo ao apêndice cecal. SINAL DE GIORDANO ● Realiza-se a percussão nas costelas flutuantes, aproximadamente. ● Pesquisa-se pielonefrite ou litíase renal. ● Ausente: punho-percussão das lojas renais sem alterações ● Presente/positivo: Sinal de Giordano presente No paciente com GECA, não se realiza as manobras dos sinais clássicos. SINAL DE PSOAS ● Pode ser indicativo de apendicite ● Com o paciente em decúbito lateral esquerdo faz-se a extensão forçada da coxa direita do paciente, provocando assim, o estiramento do músculo psoas. ● Paciente relata dor durante a manobra, o Sinal do Psoas é considerado positivo, e sugere processo inflamatório adjacente ao músculo psoas. ● Sugestivo de Peritonite (irritação peritoneal). RELACIONANDO SINTOMAS CLÍNICOS COM OS SINAIS: PIELONEFRITE: A pielonefrite é a infecção que acomete a pelve e o córtex renal, é uma infecção bacteriana ou fúngica (mais comum no sexo feminino). Sinais e sintomas: ● Poliúria ● Urgência miccional ● Disúria (dor, queimação, ardência ou desconforto durante ou após urinar) ● Pode ou não ter febre e dores lombares. No exame físico: sinal de giordano positivo. COLECISTITE: Inflamação aguda da vesícula biliar Sinais e sintomas: ● Vômitos ● enjoo ● Icterícia ● calafrios ● Febre ● Dor no quadrante superior direito No exame físico: Dor à palpação subcostal e Sinal de Murphy positivo.