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S2P2 LOMBALGIA OBJETIVOS: REVISAR a anatomia musculoesquelética e nervosa da região lombar; ESTUDAR o pacotão; RELACIONAR os sintomas com a raiz acometida; CITAR os exames de imagem no diagnóstico diferencial da compressão radicular lombar; ENTENDER a farmacodinâmica dos AINES e Esteroides (mecanismo de ação dele) sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025 10:44 ANATOMIA: As vértebras lombares são cinco vértebras localizadas na parte inferior da coluna vertebral, inferiormente às vértebras torácicas e superiormente à pelve e ao sacro. Como essas vértebras são as principais responsáveis por sustentar o peso e permitir os movimentos da metade superior do corpo, elas são logicamente as maiores vértebras da coluna vertebral. NERVOS: A medula espinal se estende até a vértebra L2. Abaixo do nível de L2, o canal espinal envolve um feixe de nervos conhecido como cauda equina, que chega inferiormente até os membros inferiores e os órgãos pélvicos. Ao longo do segmento lombar da coluna, as raízes da cauda equina deixam o canal vertebral através dos forames intervertebrais. As raízes de L1 deixam o canal vertebral nos forames intervertebrais entre L1 e L2, as raízes de L2 nos forames intervertebrais entre L2 e L3, e assim sucessivamente. De MÚSCULOS: Os músculos da região lombar são os que estabilizam a coluna vertebral e incluem o multífido lombar, o transverso do abdome, o quadrado lombar e os intertransversários lombares. Músculos da região lombar Multífido lombar: Sustenta as partes laterais da coluna vertebral, desde o pescoço até a região lombar Transverso do abdome: Estabiliza a pelve e a região lombar, puxando o abdômen em direção à coluna Quadrado lombar: Cria uma parede na parte interior do abdômen e da dorsal ao iliopsoas Intertransversários lombares: Divididos em quatro pares de músculos mediais e laterais Iliopsoas: Grande músculo que se estende desde a coluna vertebral até a região proximal do fêmur Outros músculos que ajudam a fortalecer a coluna vertebral são: Latíssimo do dorso, Serráteis posteriores, Longuíssimo toráxico, Iliocostal, Espinhal toráxico, Trapézio. DEFINIÇÃO e EPIDEMIOLOGIA: Lombalgia é a principal causa de incapacidade no mundo todo, sendo um dos principais motivos de ausência do trabalho . A lombalgia acomete entre 58 e 84% das pessoas ao longo da vida ,2 de 39 a 67% no último ano e 33% no último mês, ao passo que entre 13 e 28% relatarão esse sintoma no momento do estudo Lombalgia é a principal causa de incapacidade no mundo todo, sendo um dos principais motivos de ausência do trabalho . A prevalência de lombalgia é maior em mulheres. A prevalência de lombalgia aumenta com a idade até a faixa dos 60 anos Há relação entre a genética e a degeneração discal. CLASSIFICAÇÃO E DIFERENCIAL DIAGNÓSTICO: 85% das lombalgias não tem uma causa especifíca. QUANTO AO TEMPO: ►Aguda: até 4 semanas (1 mês) ►Subaguda: entre 4 e 12 semanas (1-3 meses) ►Crônica: dor por, pelo menos, 12 semanas (3 meses) e dor em pelo menos metade dos dias nos últimos 6 meses DE ACORDO COM A SEMIOLOGIA E A ETIOLOGIA: · NÃO IRRADIADAS: · Não especificas/ mecânicas (70-90%) · Degenerativa (10%) · Espondilolistese (3%): deslocamento anterior de uma vértebra ou da coluna vertebral em relação à vertebra inferior · Espondilólise (1-4%): fratura por estresse ou trauma das facetas articulares · IRRADIADAS COM RADICULOPATIAS (CIATALGIA): · Dor irradiada desde a região lombar até abaixo da região do joelho. · Hérnia discal que necessita intervenção cirúrgica (2%) · Estenose espinal (3%) · Cauda equina (0,0004 ou 1-2% das hérnias discais) VISCERAL (REFERIDA) OU OUTRAS COMPLICAÇÕES: · Sistêmica · Fratura por osteoporose (4%) · Infecção (osteomielite, abscesso paraespinhal, tuberculose) (0,01%) · Malignidade (0,7%) · Espondilite anquilosante (0,3%) · Doenças do tecido conectivo · REFERIDA: · Aneurisma aórtico · Pancreatite aguda · Pielonefrite aguda · Cólica renal · Úlcera péptica. DIAGNÓSTICO: Anamnese: historia da doença atual OBS: Síndrome da cauda equina é a compressão aguda das raízes sacrais que formam a cauda equina EXAME FÍSICO: localizar com mais precisão a dor e sua possível irradiação. · Inspeção para observar se não há abaulamento ou sinais de trauma. · Flexão do dorso para avaliar limitação e funcionalidade. · Palpação das apófises e da região dolorida para avaliar extensão da dor e possibilidade de patologia localizada e específica. Caso haja descrição ou suspeita de radiculopatia, é mandatório realizar os seguintes testes: · Teste da elevação da perna reta (Lasègue): dor neste membro a 30 a 60 graus. · Teste de elevação da perna oposta: dor no membro não elevado a 30 a 60 graus. QUANDO USAR O EXAME DE IMAGEM? A RM é superior para a definição das estruturas das partes moles, enquanto a mielo- TC fornece imagens ideais do recesso lateral do canal vertebral, define anormalidades ósseas e é mais bem tolerada por pacientes claustrofóbicos. EXAME NEUROLÓGICO: ■ Pesquisar força, sensibilidade e reflexos. Deve-se concentrar na pesquisa das raízes de L3 a S2, sendo os sítios mais comuns de herniação de disco lombar entre L4 e L5 e L5 e S1. ■ Raiz L5: dorsiflexão do pé. Sensibilidade da face medial do pé e o espaço entre o 1° e o 2° artelhos. ■ Raiz S1: reflexo aquileu. Sensibilidade na parte posterior da perna e na face lateral do pé. Flexão plantar. ■ Realiza-se o teste de elevação de membros inferiores, considerado positivo se houver reprodução da dor e dos sintomas neurológicos como parestesias no território do dermátomo afetado, entre 30-70°. TRATAMENTO: LOMBALGIA AGUDA: Sinais amarelos, deve ser feito esforço para retomem as atividades habituais, para não haver cronificação, fatores como: psíquicos preexistentes, somatização, comportamento de evitação ou catastrofização, prejuízo funcional importante, presença de outros tipos de dor crônica, possibilidade de ganhos secundários. NÃO FARMACOLÓGICO: Calor local pode ser orientado. Massoterapia, acupuntura, manipulação espinhal são alternativas a serem consideradas de acordo com preferências do paciente, custos e disponibilidade. FARMACOLÓGICO: Analgesicos simples (paracetamol e dipirona) AINH (anti-inflamatório não hormonal) ex: diclofenaco, ibuprofeno, naproxeno Miorrelaxentes não benzodiazepínicos, ex: ciclobenzaprina e carisoprodol TRATAMENTO DA LOMBALGIA CRÔNICA: Não medicamentoso: exercicios de alongamento, acupuntura, terapia cognitivo-comportamental Farmacológico: AINES e analgésicos simples Antidepressivos, ex: amitriptilina e duloxetina Anticonvulsivantes, ex: gabapentina, topiramato e pregabalina TRATAMENTO CIRÚRGICO: sem resposta adequada ao tratamento conservador otimizado. CASOS DE NEOLPASIAS COMO ETIOLOGIA: A dor nas costas é o sintoma neurológico mais comum em pacientes com câncer sistêmico e o sintoma de apresentação em 20%. A causa geralmente provém de metástases dos corpos vertebrais (85-90%), mas também pode resultar da disseminação de câncer pelo forame intervertebral (especialmente no caso de linfoma), de meningite carcinomatosa ou de metástases para a medula espinal. A coluna torácica é a mais comumente afetada. A dor nas costas relacionada a câncer tende a ser constante, surda, sem alívio com repouso e pior à noite. Por outro lado, as causas mecânicas de lombalgia geralmente melhoram com repouso. A RM, a TC e a mielo-TC são os exames de escolha nos casos em que se suspeita de metástase vertebral. Assim que se detecta uma metástase, a imagem de toda a coluna é fundamental, pois revela lesões tumorais adicionais em cerca de um terço dos pacientes. A RM é preferida para definição de tecidos moles, porém a modalidade de imagem mais rapidamente disponível é a melhor, visto que o estado do paciente pode deteriorar rapidamente sem intervenção. O diagnóstico precoce é fundamental. Um forte preditor de desfecho é a função neurológica basal antes do diagnóstico.Entre 50 e 75% dos pacientes não caminham no momento do diagnóstico e poucos recuperam a capacidade de caminhar. LOMBALGIA COM RADICULOPATIA: Uma causa comum de dor nas costas com radiculopatia é um disco herniado afetando a raiz nervosa, resultando em dor nas costas que se irradia para a perna. O termo ciática é usado quando a dor na perna se irradia posteriormente na distribuição do isquiático ou L5/S1. O prognóstico da dor aguda lombar e na perna com radiculopatia devido à herniação de disco em geral é favorável, com a maioria dos pacientes demonstrando melhora substancial em questão de meses. Exames de imagem seriados sugerem regressão espontânea da parte herniada do disco em cerca de dois terços dos pacientes em 6 meses. Apesar disso, há várias opções importantes de tratamento para proporcionar alívio dos sintomas enquanto esse processo de cura se desenvolve A lombociatalgia por compressão radicular ocorre quando há compressão de uma raiz nervosa lombossacra, geralmente devido a hérnia de disco, estenose do canal vertebral ou espondilolistese. Isso leva a dor irradiada ao longo do trajeto do nervo ciático, além de outros sintomas neurológicos. 🔎 Principais Causas: ✔ Hérnia de disco lombar (mais comum, principalmente em L4-L5 e L5-S1) ✔ Estenose do canal vertebral (estreitamento do canal medular) ✔ Espondilolistese (deslizamento de uma vértebra sobre outra) ✔ Osteófitos (bicos de papagaio) ✔ Tumores ou infecções (mais raros) ⚠ Sintomas: ✅ Dor lombar irradiada para perna e pé (padrão específico dependendo da raiz afetada) ✅ Formigamento e dormência no trajeto do nervo afetado ✅ Fraqueza muscular (em casos mais graves) ✅ Diminuição de reflexos tendinosos 📌 Raízes Nervosas Mais Afetadas e Seus Sintomas: 🔹 L4 → Dor na face anterior da coxa e medial da perna; fraqueza na extensão do joelho 🔹 L5 → Dor na lateral da coxa e dorso do pé; fraqueza na dorsiflexão do pé 🔹 S1 → Dor na face posterior da perna e planta do pé; fraqueza na flexão plantar 🏥 Diagnóstico: 🔍 Exame clínico (Teste de Lasègue, força muscular, reflexos) 🔍 Imagem: Ressonância magnética (melhor exame para ver compressão nervosa) ⚕ Tratamento: 💊 Conservador (casos leves/moderados): · Analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares · Fisioterapia e fortalecimento muscular · Modificação de atividades para evitar sobrecarga 🔪 Cirúrgico (casos graves ou refratários): · Discectomia (remoção da hérnia) · Laminectomia (descompressão) Principais raízes nervosas afetadas e seus sintomas: 1️⃣ Raiz nervosa L4 (compressão entre L3-L4) 🔹 Dor: Região lombar inferior, face anterior da coxa e parte medial da perna 🔹 Formigamento/Dormência: Mesmos locais da dor 🔹 Fraqueza: Extensão do joelho (quadríceps) 🔹 Reflexo afetado: Patelar (joelho) 📌 Teste clínico: Dificuldade para levantar de uma cadeira sem apoio pode sugerir fraqueza no quadríceps. 2️⃣ Raiz nervosa L5 (compressão entre L4-L5) 🔹 Dor: Região lombar inferior, lateral da coxa e perna, dorso do pé até o hálux (dedão) 🔹 Formigamento/Dormência: Lateral da perna e dorso do pé 🔹 Fraqueza: Dorsiflexão do pé (dificuldade de levantar a ponta do pé) e do hálux (dedão) 🔹 Reflexo afetado: Nenhum reflexo profundo típico alterado 📌 Teste clínico: O paciente pode ter dificuldade em andar sobre os calcanhares devido à fraqueza na dorsiflexão do pé. 3️⃣ Raiz nervosa S1 (compressão entre L5-S1) 🔹 Dor: Região lombar inferior, glúteo, parte posterior da coxa e perna, lateral do pé e 5º dedo 🔹 Formigamento/Dormência: Panturrilha e borda lateral do pé 🔹 Fraqueza: Flexão plantar (dificuldade em ficar na ponta dos pés) e flexão do joelho 🔹 Reflexo afetado: Aquileu (tornozelo) 📌 Teste clínico: O paciente pode ter dificuldade em andar na ponta dos pés devido à fraqueza na flexão plantar. O que é o nervo ciático? 🔹 O nervo ciático é o maior e mais longo nervo do corpo humano. 🔹 Origina-se das raízes nervosas L4, L5, S1, S2 e S3 no plexo lombossacro. 🔹 Sai da pelve pelo forame isquiático maior, abaixo do músculo piriforme. 🔹 Corre pela região posterior da coxa e se divide em nervo tibial e nervo fibular comum na altura do joelho, inervando a perna e o pé. ⚠ Como a compressão radicular causa lombociatalgia? ✅ Quando uma raiz nervosa que forma o nervo ciático (principalmente L4, L5 ou S1) é comprimida por uma hérnia de disco, estenose de canal ou osteófitos, ocorre: 🔹 Dor irradiada ao longo do trajeto do ciático (da lombar até o pé) 🔹 Formigamento, dormência e perda de sensibilidade 🔹 Fraqueza muscular nos músculos inervados pelo ciático 📌 Exemplo: · Compressão de L5 → Dor na lateral da coxa e perna, fraqueza para levantar o pé · Compressão de S1 → Dor na panturrilha e lateral do pé, dificuldade para ficar na ponta do pé 🏥 Teste clínico: Sinal de Lasègue · Paciente deitado, eleva-se a perna esticada. · Se houver dor irradiada na perna entre 30° e 70°, sugere compressão do nervo ciático. AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides) 📌 Mecanismo de ação: · Inibem a ciclooxigenase (COX), enzima responsável pela conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas, que são mediadores da dor, inflamação e febre. · Existem duas isoformas da COX: · COX-1: Produz prostaglandinas que protegem a mucosa gástrica e regulam a função renal. · COX-2: Produz prostaglandinas inflamatórias. · AINEs não seletivos (ex.: ibuprofeno, naproxeno) inibem COX-1 e COX-2, podendo causar efeitos adversos como úlcera gástrica. · AINEs seletivos para COX-2 (ex.: celecoxibe) reduzem a inflamação com menor risco de efeitos gastrointestinais, mas podem aumentar risco cardiovascular. 🔹 Corticosteroides (Esteroides) 📌 Mecanismo de ação: · Agem no núcleo celular, aumentando a expressão de genes anti-inflamatórios e reduzindo a produção de mediadores pró-inflamatórios. · Inibem a fosfolipase A2, enzima que libera ácido araquidônico, bloqueando a via da ciclooxigenase (COX) e lipoxigenase (LOX). · Reduzem a produção de prostaglandinas, leucotrienos e citocinas inflamatórias. 📌 Efeitos principais: ✔ Ação anti-inflamatória mais potente que os AINEs ✔ Imunossupressão (usados em doenças autoimunes e alergias) ✔ Podem causar efeitos adversos como osteoporose, hiperglicemia e supressão do eixo HPA (se usados cronicamente). 1. AINEs (Anti-inflamatórios Não Esteroides) 🔹 Exemplos: Ibuprofeno, Naproxeno, Cetoprofeno, Diclofenaco, Meloxicam, Celecoxibe. 🔹 Mecanismo de ação na lombociatalgia: · Inibem a enzima ciclooxigenase (COX-1 e COX-2), reduzindo a produção de prostaglandinas (moléculas inflamatórias). · As prostaglandinas aumentam a sensibilidade dos nervos à dor e contribuem para a inflamação na raiz nervosa comprimida. · Ao reduzir as prostaglandinas, os AINEs diminuem a dor e a inflamação ao redor do nervo ciático. ✅ Efeito esperado: Alívio da dor e redução do edema inflamatório ao redor da raiz nervosa. ⚠ Limitação: AINEs não atuam diretamente na compressão do nervo, apenas no processo inflamatório associado. 📌 2. Corticosteroides (Esteroides) 🔹 Exemplos: Prednisona, Dexametasona, Metilprednisolona. 🔹 Mecanismo de ação na lombociatalgia: · Inibem a fosfolipase A2, bloqueando a produção de ácido araquidônico, o que reduz tanto a via das prostaglandinas (COX) quanto a via dos leucotrienos (LOX). · Isso resulta em uma potente ação anti-inflamatória e imunossupressora, reduzindo o edema e a resposta inflamatória ao redor do nervo comprimido. ✅ Efeito esperado: Redução mais eficaz do edema radicular, podendo aliviar rapidamente a dor intensa causada pela compressão nervosa. ⚠ Limitação: Uso crônico pode causar efeitos adversos graves, como osteoporose, hiperglicemia e supressão do eixo adrenal. image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image1.png image2.png image3.png image4.png