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Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica - Turma 2024B 5.1 Introdução O módulo Diversidade e inclusão no contexto da EJA Integrada à Educação Profissional foi desenvolvido pela Prof.ª Liliane Madruga Prestes, sendo apresentado aqui pela Prof.ª Greicimara Vogt Ferrari. Diversidade e inclusão no contexto da EJA Integrada à EduDiversidade e inclusão no contexto da EJA Integrada à Edu…… Transcrição do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=OLHULuP3elw Baixar o aplicativo móvel. ◄ 4.6 Teste seus conhecimentos Seguir para... 5.2 Educação em direitos humanos no contexto brasileiro: breve incursão nas atuais políticas públicas ► https://download.moodle.org/mobile?version=2020061501.12&lang=pt_br&iosappid=633359593&androidappid=com.moodle.moodlemobile https://moodle.ifrs.edu.br/mod/quiz/view.php?id=451634&forceview=1 https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=451637&forceview=1 Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica - Turma 2024B 5.2 Educação em direitos humanos no contexto brasileiro: breve incursão nas atuais políticas públicas Introdução O objetivo deste material é oferecer ferramentas teóricas para a ampliação de conhecimentos sobre conceitos fundamentais, como diversidade, diferença e direitos humanos, visando o aprimoramento das práticas educativas no contexto da Educação Básica. Esta proposta busca aprofundar a compreensão sobre a relação intrínseca entre a promoção dos direitos humanos e a inclusão no contexto educacional, em conformidade com os princípios estabelecidos no artigo 5º da Constituição Federal do Brasil. O referido artigo consagra os princípios fundamentais da igualdade e da não discriminação, garantindo a todas as pessoas brasileiras direitos inalienáveis, tais como a igualdade perante a lei e a inviolabilidade da vida, da liberdade, da igualdade, da segurança e da propriedade. Neste contexto, a promoção da diversidade e equidade na Educação Básica assume um caráter não apenas aspiracional, mas constitui um compromisso constitucional com a edificação de uma sociedade mais justa e inclusiva. Os estudos dedicados à temática da diversidade na Educação Básica oferecem uma oportunidade ímpar para o aprofundamento das diferentes dimensões dessa questão, como a diversidade étnico-racial, de gênero, de sexualidade, entre outras. Mais do que compreender essas dimensões, esses estudos propiciam o desenvolvimento de práticas pedagógicas e políticas educacionais que efetivamente promovam a inclusão de todas as pessoas, respeitando sua dignidade e seus direitos. Ao adentrar tais questões, abre-se a possibilidade de contribuir para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, onde cada estudante seja reconhecido e respeitado em sua singularidade. Por meio da educação, podemos combater o preconceito, a discriminação e as violências de gênero, raça, etnia, orientação sexual e demais formas de discriminação, promovendo assim uma cultura de paz e respeito mútuo. Declaração Universal dos Direitos Humanos Para iniciarmos os estudos sobre diversidade e educação reportamos a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), da qual o Brasil é signatário. A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um marco fundamental na história dos direitos humanos. Foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, em Paris, como resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial e como uma aspiração para garantir que tais violações não se repetissem no futuro. O processo de elaboração da Declaração Universal foi impulsionado pela necessidade de estabelecer um conjunto de princípios comuns que reconhecessem a dignidade inerente a todos os seres humanos e os direitos fundamentais que deveriam ser protegidos e promovidos em todo o mundo. Para tanto, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu a Comissão de Direitos Humanos em 1946, presidida por Eleanor Roosevelt, com o objetivo de elaborar uma declaração universal que refletisse os valores e aspirações compartilhados pela comunidade internacional. O processo de redação da Declaração Universal envolveu representantes de diferentes países, culturas e tradições jurídicas, resultando em um documento que expressa um consenso global sobre os direitos humanos. A Declaração é composta por 30 artigos que abrangem uma ampla gama de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, reconhecendo que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Desde sua adoção, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem servido como um farol de esperança e inspiração para indivíduos e movimentos ao redor do mundo na luta por justiça, igualdade e dignidade. Apesar dos desafios e violações frequentes, a Declaração continua a ser um princípio orientador na promoção e proteção dos direitos humanos em todas as partes do mundo. Em suma, a Declaração Universal dos Direitos Humanos representa um compromisso coletivo da humanidade em reconhecer e respeitar a dignidade e os direitos inalienáveis de cada pessoa, independentemente de sua raça, etnia, religião, gênero, orientação sexual, nacionalidade ou qualquer outra característica. Ela continua sendo um documento crucial na busca por um mundo mais justo, livre e igualitário para todos. Figura 1 - Declaração Universal dos Direitos Humanos Constituição Federal de 1988 e atuais políticas públicas em educação A Constituição Federal de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, representa um marco importante para a Educação em Direitos Humanos no Brasil. No texto constitucional, diversos dispositivos garantem e promovem os direitos humanos como princípios fundamentais da República Federativa do Brasil. Além disso, a educação é tratada como um direito social, essencial para o desenvolvimento pleno da pessoa e para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. A seguir, apresento os principais aspectos relacionados à Educação em Direitos Humanos na Constituição Federal de 1988: 1. Igualdade e dignidade humana: A Constituição estabelece a igualdade de todos perante a lei, sem qualquer forma de discriminação, assegurando a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República. Fonte: Arquivo ONU 2. Direitos sociais: A educação é reconhecida como um direito social, juntamente com saúde, trabalho, moradia, entre outros, garantindo o acesso universal e igualitário a uma educação de qualidade em todos os níveis de ensino. 3. Princípios educacionais: A Constituição estabelece princípios norteadores da educação, como a pluralidade de ideias e concepções pedagógicas, a gestão democrática do ensino público, a valorização dos profissionais da educação e a promoção de valores éticos e sociais. 4. Direitos da criança e do adolescente: A Carta Magna assegura a proteção integral dos direitos da criança e do adolescente, incluindo o direito à educação como prioridade absoluta, garantindo sua dignidade, respeito e liberdade. 5. Direito à cultura e à informação: A Constituição reconhece o direito de acesso à cultura e à informação como fundamentais para o exercício da cidadania e o desenvolvimento humano, resguardando a liberdade de expressão e o pluralismo de ideias. Em relação às políticas atuais de Educação em Direitos Humanos, o Brasil tem avançado na implementação de programas e ações voltados para a promoção e difusão dos direitos humanos nas instituições de ensino e na sociedade em geral. Algumas iniciativas incluem: 1. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH): Lançado em 2003, o PNEDH estabelece diretrizes e metas para a promoção da Educação em Direitos Humanos em todos os níveis de ensino, bem como em outras esferas da sociedade. 2. Inclusão da temática nos currículos escolares: As diretrizes curriculares nacionais e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) incorporam conteúdos relacionados aos direitos humanos, promovendo sua abordagem de forma transversal em todas as disciplinas. 3. Formação de educadores: Programas deformação continuada e especialização têm sido desenvolvidos para capacitar professores e gestores escolares na abordagem dos direitos humanos em sala de aula e na gestão escolar. 4. Campanhas e projetos educacionais: Diversas iniciativas, como campanhas educativas, projetos de conscientização e eventos temáticos, são promovidas por órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e instituições de ensino para disseminar valores e práticas de respeito aos direitos humanos. No entanto, apesar dos avanços, ainda há desafios a serem enfrentados, como a efetivação das políticas públicas, a superação de desigualdades e preconceitos, e a garantia do acesso universal e equitativo à educação em direitos humanos em todo o país. Contudo, muitos são os desafios e, neste aspecto, as pesquisadoras Candau e Sacavino (2023) elencam o que segue: Desafios Atuais Para A Educação Em Direitos Humanos (síntese do texto de Candau e Sacavino, 2013) 1. Desconstruir a visão do senso comum sobre os Direitos Humanos Ainda hoje persiste a associação dos Direitos Humanos à ideia de “proteção de bandidos”, uma representação que precisa ser desconstruída. É fundamental superar essa visão para compreendermos que os Direitos Humanos estão intrinsecamente ligados à promoção da dignidade de todas as pessoas, à defesa do estado de direito e à adoção de estratégias de diálogo e negociação para a resolução de conflitos inerentes à dinâmica social. 2. Assumir uma concepção de educação em Direitos Humanos e explicitar o que se pretende atingir em cada situação concreta Como já assistimos, o discurso sobre os Direitos Humanos é permeado por uma polissemia significativa nos dias atuais. Essa diversidade de interpretações influencia diretamente a compreensão e abordagem da educação em Direitos Humanos. Torna-se, portanto, necessário fazer escolhas claras sobre qual direção se almeja seguir nesse contexto. Essa multiplicidade de significados atribuídos aos Direitos Humanos reflete-se na variedade de abordagens presentes na educação sobre o tema. Desde abordagens mais jurídicas, que ressaltam a importância da legislação e dos tratados internacionais, até perspectivas mais externas para a promoção da igualdade, da diversidade e da justiça social, cada interpretação traz consigo implicações específicas para as práticas educativas. Dessa forma, a definição dos objetivos e valores que orientam a educação em Direitos Humanos torna-se essencial para orientar tanto a elaboração de políticas públicas quanto as práticas pedagógicas em diferentes contextos educacionais. Isso implica escolher entre diferentes horizontes e perspectivas, delineando um caminho que seja consistente com os princípios fundamentais dos Direitos Humanos e capaz de promover uma sociedade mais justa, igualitária e democrática. 3. Ações Articulares de Sensibilização e Formação As ações de sensibilização, em sua maioria, têm um caráter breve e são direcionadas a um público amplo. Por outro lado, os programas de formação concentram-se em grupos específicos, geralmente de pequeno porte, e pressupõem processos contínuos, permitindo mudanças significativas em opiniões, atitudes, valores e comportamentos. É crucial não dissociar nem contrapor essas duas abordagens, mas sim concebê-las de forma inter-relacionada, um aspecto que deve ser constantemente trabalhado. Nos últimos anos, houve um investimento especializado na divulgação do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos, bem como em diversas ações de sensibilização. No entanto, é urgente procurar uma articulação mais explícita entre essas ações e os programas de formação de multiplicadores, bem como intensificar os investimentos nessas iniciativas. Só desta maneira será possível que a promoção dos Direitos Humanos possa ter um impacto mais profundo em diversos setores da sociedade brasileira, com prioridade dada ao sistema educativo em suas diversas modalidades. Desafios Atuais Para A Educação Em Direitos Humanos (síntese do texto de Candau e Sacavino, 2013) 4. Construir ambientes educativos que respeitem e promovam os Direitos Humanos A educação em Direitos Humanos transcende a mera inclusão de conteúdos em diferentes contextos educativos. Trata-se, sobretudo, de criar ambientes nos quais os Direitos Humanos permeiem todas as relações e componentes educativos. Segundo o Programa Mundial para a Educação em Direitos Humanos (ONU, 2005), essa educação é concebida como um processo que engloba duas dimensões essenciais: os Direitos Humanos no contexto educativo, que visa garantir que todos os aspectos e processos educativos promovam a aprendizagem dos Direitos Humanos; A realização dos Direitos Humanos na educação, que tem como objetivo garantir o respeito aos Direitos Humanos de todos os envolvidos nos processos educativos. Dentro dessa perspectiva, a promoção dos Direitos Os humanos nos sistemas de ensino incluem a formulação e implementação de políticas públicas, a configuração dos ambientes de aprendizagem, bem como as condições de trabalho e o desenvolvimento profissional dos educadores e educadores. Assim, garantir a efetivação dos Direitos Humanos na educação requer uma abordagem abrangente que atue em múltiplos aspectos do sistema educacional, passando pela construção de espaços inclusivos, democráticos e respeitosos dos direitos de todos os envolvidos. 5. Incorporar a educação em Direitos Humanos no currículo escolar Do ponto de vista pedagógico, é crucial analisar as bases teóricas e práticas das estratégias para integrar a educação em Direitos Humanos na escola básica, fundamental e média. Não se busca simplesmente introduzir uma disciplina específica sobre o tema, mas sim incorporar os Direitos Humanos como um dos eixos balizadores dos Projetos Político-Pedagógicos das escolas, o que representa um desafio significativo. 6. Introduzir a educação em Direitos Humanos na formação inicial e continuada de educadores É notável a desvantagem da abordagem dos Direitos Humanos na formação de professores e educadores, tanto na formação inicial quanto na continuada. Poucas instituições trabalham consistentemente nessa perspectiva, apesar da urgência de contribuir para uma cultura dos Direitos Humanos que permeie diversas práticas sociais. É crucial que as instituições de formação de educadores incluam espaços dedicados a essa temática, como disciplinas, seminários e melhorias. Além disso, é fundamental aprofundar a educação em Direitos Humanos na pós-graduação, incluindo cursos de especialização, mestrado e doutorado, visto que a produção acadêmica nessa área ainda é limitada. Desafios Atuais Para A Educação Em Direitos Humanos (síntese do texto de Candau e Sacavino, 2013) 7. Estimular a produção de materiais com apoio Para avançar na formação de educadores em Direitos Humanos, é essencial ter acesso a materiais adequados, tanto para a capacitação dos professores quanto para o ensino fundamental e médio. No entanto, há poucos recursos disponíveis com essa abordagem, como textos, vídeos, jogos e softwares. É urgente oferecer financiamento para a produção desses materiais e construir redes para sua disseminação. Esses são apenas alguns dos desafios a serem enfrentados para que a educação em Direitos Humanos seja integrada nos sistemas de ensino, na formação de educadores e na sociedade em geral. É necessário considerar a complexidade e a diversidade de perspectivas nesse campo e adotar uma abordagem que forme assuntos de direito, capacitar grupos vulneráveis e resgatar a memória histórica da luta pelos Direitos Humanos. Isso requer a implementação de processos formativos que articulem diferentes dimensões - cognitiva, afetiva e sociopolítica - fundamentais para a educação em Direitos Humanos, além do uso de estratégias pedagógicas ativas, participativas e coletivas. Referências: CANDAU, V. M. F., SACAVINO, S. B. (2013). Educação em direitos humanos e formação de educadores. Educação, 36(1).Disponível em https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/12319. Acesso em 20 dez. 2023.◄ 5.1 Introdução Seguir para... 5.3 Igualdade, equidade e diversidade: conceitos e desafios da agenda 2030 da onu para a educação global ► https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=451636&forceview=1 https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=451638&forceview=1 Baixar o aplicativo móvel. https://download.moodle.org/mobile?version=2020061501.12&lang=pt_br&iosappid=633359593&androidappid=com.moodle.moodlemobile Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica - Turma 2024B 5.3 Igualdade, equidade e diversidade: conceitos e desafios da agenda 2030 da onu para a educação global O direito à educação é garantido por diversos tratados internacionais, mas ainda enfrentamos desafios significativos de inclusão e equidade. Nos últimos anos, houve progressos na expansão do acesso à educação, especialmente no nível primário, mas ainda existem cerca de 263 milhões de crianças e jovens fora da escola, a maioria delas meninas. As disparidades de gênero e socioeconômicas são evidentes, com as crianças mais pobres enfrentando maiores dificuldades de acesso e conclusão da educação primária. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o Marco de Ação de Educação 2030 (ONU) têm como objetivo assegurar uma educação de qualidade inclusiva e equitativa para todos. Isso requer abordar todas as formas de exclusão e marginalização, com foco especial na igualdade de gênero e na inclusão de grupos historicamente excluídos, como as famílias mais pobres, minorias étnicas, povos indígenas e pessoas com deficiências. Para alcançar essa meta, é essencial que as políticas de educação promovam uma mudança de pensamento e atitudes em todos os níveis do sistema educacional. Isso inclui desde os professores nas salas de aula até os responsáveis por formular políticas nacionais. Por fim, cabe salientar que as políticas educacionais devem garantir o direito igual de cada indivíduo à educação e estabelecer formas de ensino, apoio e liderança que permitam uma educação de qualidade para todos. Para tanto, o primeiro passo é ampliarmos o entendimento sobre os termos inclusão e equidade, os quais são definidos pela ONU (2015) como: Inclusão: é o processo que ajuda a superar barreiras que limitam a presença participação e conquistas dos estudantes. Baixar o aplicativo móvel. Equidade: é garantir que existe uma preocupação com justiça/processos justos, de modo que a educação de todos os estudantes seja considerada como de igual importância. Referências: UNESCO. Manual para garantir inclusão e equidade na educação. – Brasília: UNESCO, 2019. Disponível em https://prceu.usp.br/wp- content/uploads/2020/10/2019-Manual-para-garantir-a-inclusao-e-equidade-na-educacao.pdf. Acesso 25/04/2024. CARTILHA COM SUGESTÕES DE MATERIAIS PARA A PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/560950. Acesso 25/04/2024. ◄ 5.2 Educação em direitos humanos no contexto brasileiro: breve incursão nas atuais políticas públicas Seguir para... 5.4 Políticas públicas para a promoção da educação para a diversidade no contexto escolar brasileiro ► https://download.moodle.org/mobile?version=2020061501.12&lang=pt_br&iosappid=633359593&androidappid=com.moodle.moodlemobile https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=451637&forceview=1 https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=451639&forceview=1 Educação de Jovens e Adultos Integrada à Educação Profissional e Tecnológica - Turma 2024B 5.4 Políticas públicas para a promoção da educação para a diversidade no contexto escolar brasileiro Estratégias para a promoção da educação para a diversidade No Brasil, as estratégias de enfrentamento das desigualdades ainda são incipientes, em especial, para o acesso e permanência nos diferentes níveis e modalidades da educação. Contudo, há avanços significativos tanto nas políticas que promovam o acesso a educação como direito fundamental bem como para o enfrentamento das violências decorrentes de discriminação por raça/etnia, gênero, orientação sexual, etarismo ou deficiências. No âmbito escolar, tais políticas são definidas como ações afirmativas, a saber: Políticas de ações afirmativas: Políticas públicas (e privadas) voltadas à concretização do princípio constitucional da igualdade material e à neutralização dos efeitos da discriminação racial, de gênero, de idade, de origem nacional e de compleição física. Na sua compreensão, a igualdade deixa de ser simplesmente um princípio jurídico a ser respeitado por todos, e passa a ser um objetivo constitucional a ser alcançado pelo Estado e pela sociedade (Gomes, 2002, p. 51). Educação indígena O conceito de educação indígena na legislação brasileira atual está fundamentado principalmente na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 9.394/1996. De acordo com essas leis, a educação escolar indígena é reconhecida como um direito dos povos indígenas e deve ser garantida pelo Estado brasileiro. O artigo 210 da Constituição Federal estabelece que o ensino fundamental é obrigatório e deve ser ministrado de forma regular, em língua portuguesa, e também nas línguas maternas dos povos indígenas, nas áreas de predominância linguística desses povos. Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu artigo 78, define a educação escolar indígena como uma modalidade de ensino específica, destinada aos povos indígenas e voltada para a valorização de suas línguas, culturas e tradições. Além disso, reconhece a diversidade étnica e cultural desses povos e determina que a oferta de educação escolar indígena deve considerar suas especificidades socioculturais e linguísticas. Portanto, o conceito de educação indígena na legislação brasileira atual se baseia na promoção da interculturalidade, no respeito à diversidade étnica e cultural dos povos indígenas e na garantia do direito à educação escolar em suas línguas e de acordo com suas tradições. A legislação sobre educação indígena no Brasil é uma área importante que reflete o compromisso do país com o respeito à diversidade cultural e étnica. Aqui está uma cronologia das principais leis e documentos relacionados à educação indígena no Brasil: Constituição Federal de 1988: Reconhece os direitos dos povos indígenas à sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, bem como o direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB): Estabelece a obrigatoriedade da educação escolar indígena, garantindo aos povos indígenas o acesso a uma educação escolar específica, intercultural e bilíngue, respeitando suas línguas e conhecimentos tradicionais. Decreto nº 6.861/2009: Regulamenta a oferta de educação escolar indígena nas redes públicas de ensino, garantindo a formação de professores indígenas, a elaboração de currículos específicos e o respeito à diversidade cultural e étnica dos povos indígenas. Portaria nº 1.440/2010: Estabelece diretrizes para a implementação da educação escolar indígena, promovendo a participação das comunidades indígenas na gestão e na elaboração dos projetos político-pedagógicos das escolas indígenas. Parecer CNE/CEB nº 14/1999: Dispõe sobre as diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar indígena, orientando a elaboração de currículos que valorizem as línguas, culturas e tradições dos povos indígenas. Resolução CNE/CEB nº 3/1999: Estabelece normas para a organização e funcionamento das escolas indígenas, garantindo o respeito à diversidade cultural, linguística e étnica dos povos indígenas. BRASIL. RESOLUÇÃO nº 5, de 22 de junho de 2012 - Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação Básica. BRASIL. RESOLUÇÃO nº 1, de 7 de janeiro de 2015 - Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores Indígenas em cursos de Educação Superior e de Ensino Médio. Educação étnico racial e enfrentamento do racismo estrutural O conceito de educação étnico-racialna legislação brasileira refere-se às políticas e práticas educacionais destinadas a promover a igualdade racial, combater o racismo e valorizar a diversidade étnica e cultural presente na sociedade brasileira. Esse conceito está embasado em diversos dispositivos legais que buscam garantir o respeito aos direitos humanos, o reconhecimento da diversidade étnico-racial e a promoção da igualdade de oportunidades no sistema educacional. Vejamos uma breve cronologia das atuais políticas educacionais vigentes: 1. Lei nº 10.639/2003: Esta lei altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". 2. Lei nº 11.645/2008: Esta lei altera a Lei nº 9.394/1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Indígena". 3. Decreto nº 4.886/2003: Este decreto regulamenta o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos, conforme previsto no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal. 4. Portaria Interministerial nº 1.960/2017: Esta portaria estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Quilombola na Educação Básica, que visam orientar a elaboração e a implementação de propostas pedagógicas específicas para as escolas localizadas em comunidades quilombolas. 5. Resolução CNE/CP nº 1/2012: Esta resolução estabelece Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, reconhecendo a necessidade de inclusão da educação étnico-racial e quilombola nos currículos escolares como parte integrante da promoção dos direitos humanos. 6. Resolução CNE/CP nº 2/2012: Esta resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico- Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Essa cronologia reflete os esforços do Brasil em promover uma educação inclusiva, que reconheça e valorize a diversidade étnico- cultural do país, especialmente das comunidades afrodescendentes e quilombolas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Racismo estrutural O conceito de "racismo estrutural", popularizado pelo filósofo e jurista brasileiro Silvio Almeida, refere-se a uma forma de racismo enraizada nas estruturas sociais, políticas e econômicas de uma sociedade. Diferentemente do racismo interpessoal, que envolve atitudes discriminatórias de indivíduos específicos em relação a outros com base na raça, o racismo estrutural é mais sutil e está embutido nas instituições, normas e práticas cotidianas, muitas vezes de maneira invisível ou implícita. Silvio Almeida argumenta que o racismo estrutural está presente em diversas esferas da vida social, como no mercado de trabalho, acesso à educação, sistema de justiça criminal, políticas públicas e mídia, resultando em desigualdades sistemáticas e persistentes entre grupos raciais. Essas disparidades são produto de um legado histórico de discriminação racial, que se manifesta de maneira contínua e reproduz padrões de vantagem e desvantagem com base na raça. Ao trazer à tona o conceito de racismo estrutural, Silvio Almeida busca destacar a necessidade de enfrentar não apenas as manifestações individuais de preconceito racial, mas também as injustiças sistêmicas que perpetuam a marginalização e a exclusão de grupos racialmente minoritários. Isso implica a implementação de políticas e práticas que abordem as raízes estruturais do racismo e promovam a igualdade racial em todas as áreas da sociedade. Clique aqui para versão em Libras O que é racismo estrutural? | Silvio AlmeidaO que é racismo estrutural? | Silvio Almeida Transcrição do vídeo Vejamos o infográfico abaixo que aborda como o racismo estrutural está presente no cotidiano e as formas de enfrentamento: https://www.youtube.com/watch?v=PD4Ew5DIGrU Figura 1 - Para entender o racismo estrutural Fonte: Governo do Estado de São Paulo Descrição da imagem: Quadro informativo sobre o tema racismo, com a cor laranja o quadro apresenta textos e imagens de correntes rompendo, um homem negro e uma navio. No texto tem as seguintes informações; Para entender o racismo estrutural: O racismo estrutural é um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas presentes no dia a dia da população que promove, mesmo que sem a intenção, o preconceito racial. Histórico: Durante 300 anos, cerca de 5 milhões de africanos foram transportados para o Brasil e vendidos como escravos. E após o fim da escravidão, em 1888, a população negra foi despejada à própria sorte nas pequenas e grandes cidades brasileiras. Não houve nenhuma política compensatória pelos trabalhos nas senzalas. Linha do tempo: 1951 - Lei Afonso Arinos: Primeira norma contra o racismo. 1988 - Discriminação racial vira contravenção penal. 1989 - Lei 7.716 Tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. Figura 2 - Como fugir do racismo estrutural? Outra dica Guia de atividades com oficinas de Letramento Racial para a promoção de uma Educação Antirracista no contexto da Educação Profissional e Tecnológica. Educação especial Fonte: Governo do Estado de São Paulo Descrição da imagem: Quadro de cor laranja, sobre o tema racismo. O texto apresenta as seguintes informações: Acabar com o racismo estrutural é um processo longo, que passa da educação nas escolas até a mudança de postura da sociedade. Ele está em todos os lugares e de tão enraizado, você pode nem perceber que está cometendo um ato de racismo até nos pequenos detalhes. Por exemplo, que tal você mudar esses termos do seu vocabulário: “A coisa tá preta” para “A coisa apertou”, “Mercado negro” para “Mercado clandestino”, “Magia negra” para “Bruxaria”, “Inveja branca” para “Inveja”, “Serviço de preto” para “Serviço mal feito”, “Criado-mudo” para “Mesa de cabeceira”, “Não sou tuas negas” para “Não sou da sua laia”. A educação especial no Brasil é definida como uma modalidade de ensino transversal a todos os níveis e etapas da educação básica, destinada a garantir o atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Este conceito foi estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/1996). A legislação sobre pessoas com deficiência e educação especial no Brasil passou por várias atualizações ao longo dos anos. Aqui está uma lista em ordem cronológica: Lei nº 7.853/1989: Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, estabelecendo medidas de integração social e garantindo seus direitos fundamentais. Constituição Federal de 1988: Estabelece a igualdade de direitos e proíbe qualquer forma de discriminação, incluindo a discriminação por motivo de deficiência. Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA): Assegura às crianças e adolescentes com deficiência o acesso à educação inclusiva e especializada. Lei nº 8.742/1993 (Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS): Garante benefícios e serviços às pessoas com deficiência, incluindo acesso à educação e programas de apoio. Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB): Estabelece que a educação especial é uma modalidade de ensino destinada a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Decreto nº 3.298/1999: Regulamenta a Lei nº 7.853/1989 e estabelece normas para a promoção da acessibilidade e a integração das pessoas com deficiência. Lei nº 10.098/2000: Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Decreto nº 5.296/2004: Regulamenta a Lei nº 10.098/2000 e estabelece normas e critérios para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência.Decreto nº 6.949/2009: Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assegurando a plena inclusão das pessoas com deficiência em todos os aspectos da vida social, incluindo a educação. Lei nº 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa com Deficiência): Estabelece direitos e garantias às pessoas com deficiência, incluindo o direito à educação inclusiva e o acesso a recursos e serviços especializados. O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) é uma legislação fundamental que complementa o arcabouço legal da educação especial no Brasil, assegurando os direitos das pessoas com deficiência, incluindo o direito à educação. Historicamente, diversas leis, incluindo a Constituição Federal de 1988, utilizavam a terminologia "portador de deficiência". No entanto, movimentos políticos liderados pelas pessoas com deficiência questionaram essa expressão, sugerindo que ela transmitia a ideia de que a deficiência era algo carregado ou transportado pela pessoa, em vez de ser uma condição intrínseca à sua identidade. Em resposta a essas preocupações, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República emitiu a Portaria N° 2.344 em 2010, atualizando a nomenclatura oficial para "pessoas com deficiência" no âmbito da administração federal, refletindo a alteração já realizada no Regimento Interno do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade). Aprovado em 2015, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, também conhecido como Lei Brasileira de Inclusão, representa um marco histórico na luta pelos direitos das pessoas com deficiência no Brasil. Sua elaboração foi motivada por um longo processo de mobilização e reivindicação dessas pessoas e de suas organizações representativas. Antes da promulgação do Estatuto, o Brasil já contava com legislações voltadas para a proteção e promoção dos direitos das pessoas com deficiência, como a Lei nº 7.853/1989, que dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência e sua integração social. O processo de elaboração do Estatuto foi marcado por intensos debates e contribuições da sociedade civil, de especialistas, de órgãos governamentais e de parlamentares, incluindo audiências públicas, consultas populares e discussões em diversos fóruns. Assim, o Estatuto da Pessoa com Deficiência representa um importante avanço na garantia dos direitos e na promoção da inclusão social dessas pessoas, reconhecendo-as como sujeitos de direitos e estabelecendo medidas para sua plena participação na sociedade, em igualdade de condições com as demais pessoas. No que diz respeito à educação especial, o Estatuto da Pessoa com Deficiência reforça os princípios da inclusão e acessibilidade, garantindo que as pessoas com deficiência tenham direito à educação em igualdade de oportunidades com as demais. Destaca-se a obrigatoriedade do Estado em promover políticas públicas educacionais inclusivas, visando à eliminação de barreiras e à garantia de acesso, permanência, participação e aprendizado dos alunos com deficiência em todos os níveis e modalidades de ensino. Além disso, o estatuto estabelece medidas específicas para garantir a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE), como parte integrante da educação especial, conforme previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O AEE deve ser oferecido de forma complementar ou suplementar à escolarização dos alunos com deficiência, com o objetivo de promover o desenvolvimento de suas potencialidades e a autonomia na aprendizagem. Cabe salientar que a Educação Especial está contemplada na Agenda 2030 da ONU por meio do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4 (ODS 4), que visa garantir uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Dentro do ODS 4, há metas específicas que abordam a necessidade de garantir uma educação inclusiva e equitativa para todos, especialmente para grupos vulneráveis, como pessoas com deficiência. A meta 4.5, por exemplo, estabelece a meta de assegurar a igualdade de acesso para todos os homens e mulheres à educação inclusiva, de qualidade e ao aprendizado ao longo da vida. Além disso, o Marco de Ação de Educação 2030, adotado pela comunidade global de educação para avançar no progresso em direção ao ODS 4 e seus objetivos, enfatiza a necessidade de abordar todas as formas de exclusão e marginalização na educação, incluindo a Educação Especial. O Marco destaca a importância de garantir que todos os estudantes, independentemente de suas condições, tenham acesso a uma educação de qualidade e que sejam apoiados de acordo com suas necessidades específicas. Portanto, a Educação Especial está integrada na Agenda 2030 da ONU como parte dos esforços globais para garantir uma educação inclusiva e equitativa para todos, em linha com os princípios de igualdade, não discriminação e respeito aos direitos humanos. Série sobre o uso de terminologias – vídeo 1Série sobre o uso de terminologias – vídeo 1 Transcrição do vídeo https://www.youtube.com/watch?v=IqP8sJioZKU Sexualidade e gênero: aproximações iniciais ao campo de estudos O termo "sexo biológico" se refere aos órgãos sexuais que uma pessoa possui no momento do nascimento, o que difere da orientação sexual. A orientação sexual diz respeito à atração ou ligação afetiva que alguém sente por outra pessoa. Já o conceito de gênero nos remete aos estudos de Joan Scott (1995), uma influente historiadora e teórica feminista, desempenhou um papel crucial na formulação do conceito de gênero como uma categoria analítica na pesquisa histórica. Em sua obra seminal "Gênero: uma categoria útil de análise histórica", Scott define gênero como um construto social e cultural que molda as identidades e as relações de poder entre os sexos. Para ela, o gênero transcende as dimensões biológicas e naturais, sendo, em vez disso, um sistema complexo de significados e práticas que estrutura as sociedades e influencia a vida individual e coletiva. A contribuição de Scott reside na sua argumentação de que o gênero é uma construção socialmente contingente, sujeita a transformações históricas e a disputas ideológicas. Ela enfatiza a importância de investigar como as normas, as expectativas e as hierarquias de gênero são estabelecidas, contestadas e negociadas em diferentes contextos sociais e históricos. Ao destacar as relações de poder subjacentes às construções de gênero, Scott oferece uma abordagem crítica para compreender as desigualdades sociais e as lutas por justiça e igualdade de gênero. Portanto, o conceito de gênero proposto por Joan Scott destaca a necessidade de uma análise cuidadosa das dinâmicas sociais e culturais que moldam as identidades de gênero e influenciam as experiências individuais e coletivas. Sua obra continua a ser uma referência central para estudiosos e ativistas interessados na compreensão das complexidades do gênero e nas lutas por transformações sociais e políticas relacionadas à igualdade de gênero. Os avanços nos estudos de gênero e sexualidade refletem uma mudança significativa na compreensão das diferenças entre orientação sexual e identidade de gênero, conceitos fundamentais explorados por Joan Scott em sua obra. A identidade de gênero, conforme Scott sugere, vai além da simples distinção entre homem e mulher com base na biologia, sendo influenciada por fatores históricos e culturais. Ela está intrinsecamente ligada à forma como uma pessoa se reconhece e deseja ser reconhecida pela sociedade. Nesse contexto, a emergência da noção de "diversidade de gênero" reflete uma abordagem mais inclusiva, reconhecendo que não existem apenas dois gêneros, mas sim uma multiplicidade de identidades de gênero. Essa perspectiva desafia as construções binárias tradicionais de gênero e enfatiza a importância de considerar as experiências individuais e a autodeterminação na definição da identidade de gênero. De acordo com os princípios existencialistas, essa diversidade reflete a complexidadeda existência humana, rejeitando a ideia de uma essência fixa que define o ser humano e enfatizando, em vez disso, a maneira como cada indivíduo se relaciona e se expressa no mundo. Para exemplificar tal diversidade, vejamos a mandala abaixo: Figura 3 - Mandala da diversidade sexual Políticas para enfrentamento das violências No que se refere ao enfrentamento das violências, gradativamente, há avanços na legislação brasileira diante do aumento exponencial dos casos de feminicídio, racismo, entre outros. Vejamos alguns exemplos: Fonte: Guia ANS de Diversidade e Inclusão [recurso eletrônico] / Agência Nacional de Saúde Suplementar (Brasil). - Rio de Janeiro: ANS,2023. Descrição da imagem: Mandala da diversidade sexual; Sexo biológico: Feminino, Masculino e Intersexo. Expressão de gênero: H=Homem, M=Mulher e N=Não Binário. Identidade de gênero: C=Cisgênero e T=Transexual. Orientação sexual: He=Heterossexual, Ho=Homossexual, Bi=Bissexual, A=Assexuado, SH=Sente atração por Homens, SM=Sente atração por Mulheres. Exemplos de instrumentos legais para o combate às violências étnico-raciais e de gênero Constituição Federal do Brasil (1988) A Constituição estabelece em seu artigo 3º que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. No artigo 5º, garante a igualdade perante a lei, proibindo a discriminação de qualquer natureza e prevendo punição para práticas discriminatórias. Lei nº 7.716/1989 (Lei Caó) Esta lei define como crime a prática de discriminação racial ou étnica e estabelece penas para condutas discriminatórias, como impedir acesso a locais públicos, negar empregos ou promoções por motivos de raça ou cor, entre outros. Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) Conhecida como Lei Maria da Penha, é uma legislação que visa proteger as mulheres contra a violência doméstica e familiar. Estabelece medidas protetivas, como afastamento do agressor do lar e proibição de contato com a vítima, e prevê punições para os agressores. Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial) Este estatuto busca promover a igualdade racial no Brasil, garantindo a efetivação de direitos da população negra e o combate à discriminação racial em todas as suas formas. Prevê ações afirmativas, políticas públicas e punições para práticas discriminatórias. Lei nº 13.104/2015 (Lei do Feminicídio) Acrescenta ao Código Penal a qualificação do crime de feminicídio, considerando-o como homicídio qualificado quando praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. Visa coibir e punir de forma mais severa os crimes de \violência contra mulheres. Plano Nacional de Educação (PNE) O PNE estabelece metas e estratégias para a promoção da igualdade étnico-racial e de gênero no sistema educacional, visando à erradicação de todas as formas de discriminação e à promoção de uma educação inclusiva e não discriminatória.Essas legislações representam importantes ferramentas no combate às violências étnico-raciais e de gênero no Brasil, buscando garantir o respeito aos direitos humanos e a promoção da igualdade e da diversidade. Referências: ALMEIDA, S. L. O que é Racismo Estrutural? Belo Horizonte: Editora Letramento, 2018. BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Manual Orientador da Diversidade. Brasília, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt- br/assuntos/noticias/todas-as-noticias/2018/dezembro/ministerio-lanca-manual-orientador-de- diversidade/ManualLGBTDIGITAL.pdf/view Acesso em: 25/04/2024. BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino téc. de nível médio e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 25/04/2024. CONIF. 110 anos Rede federal de Educação Profissional e Tecnológica. Livreto. Brasília, 2019. CORADINI, L.; SANTOS, M. P. dos. Panorama das Ações Afirmativas no IFRS: avanços e desafios. In: SONZA, A. P. et al. (org.). Afirmar a Inclusão e as Diversidades no IFRS: ações e reflexões. Bento Gonçalves: IFRS, 2020. p. 8-17. ESCOTT, C. M.; MORAES, M. A. C. de. História da educação profissional no Brasil: as políticas públicas e o novo cenário de formação de professores nos institutos federais de educação, ciências e tecnologia. In: IX Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”, p. 1492-1508, 2012. Disponível em: https://www.academia.edu/24496815. 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