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PSICOLOGIA EXPERIMENTAL Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Psicologia experimental / Valéria Guedes Caruso; Andréia Aparecida Padilha. – São Paulo: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555582888 1. Psicologia 2. Padilha, Andréia Aparecida. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Valéria Guedes Caruso Graduada em Psicologia pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em Pedagogia pela Universidade Nove de Julho (Uninove). Mestra em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e pós-graduada em Recursos Humanos na Gestão de Negócios pela Universidade São Judas Tadeu (USJT) e Fundação Getulio Vargas (FGV). Possui Vicência como professora/conteudista em cursos presenciais e a distância (Psicologia, Pedagogia, Administração e Gestão). Prática na docência presencial e a distância através de metodologia ativas de aprendizagem, portais eletrônicos, ferramentas de educação. Atua em produção acadêmica e participa de grupos de pesquisa. Tem experiência como consultora na gestão de pessoas, com ênfase em psicologia organizacional. Andréia Aparecida Padilha Graduada em Psicologia pela Faculdade Pitágoras. Pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental: Aspectos Clínicos e Institucionais pela Unidade de Ensino e Aprendizagem de Viçosa (Unesav). Foi monitora e congressista na Brain Connection 2019. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Introdução à psicologia experimental ........................................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1 Origens histórica, filosófica e epistemológica .................................................................................... 11 2 Visão geral da experimentação em Psicologia ................................................................................... 14 3 Vertentes da Psicologia Experimental ................................................................................................ 16 4 Método científico da psicologia experimental ................................................................................... 19 5 Campo de atuação ............................................................................................................................. 23 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................27 UNIDADE 2 - Análise experimental do comportamento ..................................................................29 Introdução.............................................................................................................................................30 1 Aspectos históricos da pesquisa com animais ................................................................................... 31 2 O controle do comportamento e suas variáveis ................................................................................ 38 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................45 UNIDADE 3 - Behaviorismo e análise experimental do comportamento .........................................47 Introdução.............................................................................................................................................48 1 Behaviorismo e análise experimental do comportamento ................................................................49 2 Comportamento e condicionamento reflexo ..................................................................................... 53 3 Comportamento operante e seus reforçadores ................................................................................. 55 4 Esquemas simples de reforçamento .................................................................................................. 57 5. Behaviorismo - aplicabilidade ........................................................................................................... 59 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................64 UNIDADE 4 - Ampliações do comportamento .................................................................................65 Introdução.............................................................................................................................................66 1 Reforçamento diferencial e modelagem ............................................................................................ 67 2 Discriminação e generalização ........................................................................................................... 74 3 Punição e Extinção ............................................................................................................................. 76 4 Recuperação espontânea ................................................................................................................... 79 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................82 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................83 Esta obra, intitulada Psicologia experimental, apresenta, além de conceitos comuns da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades. Dando início, a primeira unidadeo comportamento parte da mesma relação de estímulo e resposta. Façamos a seguinte lógica: anterior a qualquer emoção existe um evento antecedente, ou seja, algo ocorreu no ambiente para que o organismo reagisse e manifestasse o que nomeamos por emoções. Em outras palavras, quando alguém está com raiva, há um evento anterior, cuja relação com o organismo despertou a emoção de raiva. Os eventos públicos também são resultado das interações, logo, devem ser pesquisados da mesma forma. É válido ressaltar que, assim como alguns reflexos são inatos, algumas emoções também nos acompanham desde o início de nosso repertório. As emoções não nascem do nada. Na maioria das vezes, as emoções são respostas fisiológicas do organismo. Essas alterações fisiológicas também são inatas. As sensações relacionadas ao medo, por exemplo, a taquicardia, sudorese são respostas fisiológicas ao qual caracterizamos por medo e que estão presentes desde o nascimento. Consequentemente aos aspectos da teoria darwiniana, o medo foi uma emoção adquirida em meio a evolução como uma ferramenta para a sobrevivência. O medo protege o organismo da ameaça. Ou seja, o medo é um reflexo inato eliciado através da interação do organismo com o ambiente. Quando dizemos que é difícil controlar a emoção, se deve ao fato de esta ser uma resposta reflexa. • Comportamento reflexo: uma das habilidades dos organismos é a de aprender novos reflexos. Os organismos aprendem novas relações e novas respostas emocionais. Essas relações posteriores chamamos de comportamento reflexo. • Generalização respondente: quando um estímulo se assemelha fisicamente ao estímulo condicionado, este pode passar a eliciar a mesma resposta condicionada. 43 • Extinção respondente: quando um estímulo condicionado deixa de ser emparelhado ao estímulo incondicionado, a resposta condicionada tende a entrar em extinção. • Recuperação espontânea: se houver um novo emparelhamento, o reflexo pode voltar a ser eliciado. • Contracondicionamento: quando se condiciona a resposta contrária a que foi eliciada pelo estímulo condicionado. • Dessensibilização Sistemática: tentativa de suavizar o processo de extinção do reflexo. • Carga emocional das palavras: as palavras também são estímulos, por isso, podem ser emparelhadas com estímulos condicionados e passar a eliciar respostas emocionais. Para uma maior compreensão do behaviorismo metodológico, uma sugestão de leitura é o livro “Sobre o behaviorismo”, de Burrhus Frederic Skinner. Traduzido por Maria Penha Vilalobos, o livro traz, de uma maneira bem elaborada e de fácil compreensão, os pensamentos do pai do Behaviorismo e suas concepções. Dentro da psicologia, em especial na análise do comportamento, existem muitos conceitos, e que na maioria das vezes os significados adquiridos no senso comum são diferentes dos conceitos científicos. É desafiador perceber que as explicações que inicialmente eram mentalistas passam a ter um significado e começam a ser não apenas compreendidas, mas também experimentadas e comprovadas. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 44 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender como surgiu a Análise Experimental do Comportamento, seus aspec- tos éticos e históricos; • compreender a ferramenta de análise experimental, como é realizada em laborató- rio e suas finalidades; • identificar os conceitos necessários para se produzir um estudo experimental; • aprofundar sobre os modelos animais e a diversidade de resultados que é possível se passar da testagem animal para a intervenção humana. PARA RESUMIR ABIB, J. A. D. Teoria Moral de Skinner e Desenvolvimento Humano. Psicologia: Reflexão e Crítica, 2001, v. 14, n. 1, pp. 107-117. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/prc/ v14n1/5211.pdf. Acesso: 29 mai. 2020. ABREU, G. Terapia comportamental e cognitiva comportamental: práticas clínicas. 1. ed. São Paulo: Roca, 2004. FERREIRA, L. M.; HOCHMAN, B.; BARBOSA, M. V. J. Modelos experimentais em pesquisa. Acta Cirúrgica Brasileira, 2005, v. 20, Suppl. 2, pp. 28-34. Disponível em: https://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-86502005000800008&lng=pt&nr m=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 mai. 2020. GALVÃO, O. F.; BARROS, R. S. Curso de introdução à Análise Experimental do Comportamento. Universidade federal do Pará. Centro de filosofia e ciências humanas. Departamento de psicologia experimental, 2001. Disponível em: https:// edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1875533/mod_resource/content/1/Curso%20de%20 Introduc%CC%A7a%CC%83o%20a%CC%80%20Ana%CC%81lise%20Experimental%20 do%20Comportamento%20-%20Galva%CC%83o%20e%20Barros.pdf. Acesso em: 28 mai. 2020. HOTTOIS, G.; PARIZEAU, M. H. Dicionário da Bioética. Lisboa: Instituto Piaget, 1998. INNIS, N.K. Animal Psychology in America as Revealed in APA Presidential Addresses. Journal of Experimental Psychology: Anymal Processes, v. 18, pp 3-11, 1992. KOHLENBERG, R.; TSAI, M. Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Traduzido por Rachel Rodrigues Kerbauy. 1. ed. Santo André: Esetec, 2006. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios de análise do comportamento. 1.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. CARVALHO NETO, M. B. Análise do comportamento: behaviorismo radical, análise experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento. Interação em Psicologia, 2002, v. 06, n. 01, pp.13-18. Disponível em: https://www.researchgate.net/ publication/277033892_Analise_do_comportamento_behaviorismo_radical_analise_ experimental_do_comportamento_e_analise_aplicada_do_comportamento. Acesso em 12 mai. 2020. OLIVEIRA, C. I. O pensamento em Watson: rompendo com o legado metafísico e buscando uma referência materializante. Psicologia: teoria e pesquisa, v. 23, n. 4, pp. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 457-466, out. /dez. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ptp/v23n4/12.pdf. Acesso em: 11 mai.2020. SKINNER, B. F. Sobre o behaviorismo. Tradução de Maria Penha Vilalobos. 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O estudo desenvolvido pelos psicólogos da vertente é passível de ser replicado e, por definir teorias e conceitos, também pode ser utilizado em condições e sujeitos diferentes. Essa prerrogativa amplia significativamente o estudo da Psicologia Experimental. Além deste fator muito importante aos estudiosos, a funcionalidade dos estudos se mostra fundamental, ou seja, como o comportamento se manifesta frente às variáveis do meio. Seja este hereditário ou por hábito, são estas demandas que veremos a seguir. Bons estudos! Introdução 49 1 BEHAVIORISMO E ANÁLISE EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO A ciência é conhecimento acumulado e revalidado, então, como nos coloca a Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 59), o objeto de estudo da Psicologia Experimental foi evoluindo e, na atualidade, “não se entende comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas, sim, como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde o seu ‘fazer’ acontece”. Deve estar presente em nossos estudos que nada nosé mais comum que o comportamento, seja o nosso próprio como de outro sujeito que esteja ao nosso redor, como mostra a figura “Inter- relação entre o indivíduo e o meio ambiente”. Figura 1 - Inter-relação entre o indivíduo e o meio ambiente Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: A imagem demonstra como o sujeito emite suas respostas mediante o meio, apresentando ou não estímulos. Assim, retratando como o estudo do Behaviorismo está vendo na atualidade a funcionalidade do comportamento do sujeito. A evolução do conhecimento se dá com o comportamento do indivíduo ao interagir com o meio, promovendo a necessidade de duas expressões: resposta e estímulo. A questão presente é decorrente da metodologia utilizada no estudo da Psicologia Experimental – método experimental e analítico. O método de pesquisa experimental tem um objeto de estudo = comportamento, e a partir deste selecionam-se as variáveis que se relacionam com tal ação, estabelecendo como controlar e como observar (GIL, 2008). É descritiva, pois observa, registra, analisa, classifica. E a interpretação se dá sem a interferência do pesquisador; com uso de técnicas de coleta de dados na pesquisa e em observações sistemáticas. Então resposta e estímulo são as variáveis que se relacionam com o objeto de estudo. 50 Assim, “comportamento, entendido como interação entre indivíduo e ambiente, é a unidade básica de descrição e o ponto de partida para uma ciência do comportamento” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 59). Quando nos remetemos à Psicologia Experimental, estamos falando da Psicologia desenvolvida e estuda por psicólogos americanos que em nosso país têm grande influência. Em função de suas determinações é chamada de Behaviorismo Radical, por Skinner, em 1945, o principal contemporâneo de Watson. Os autores Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 59) colocam que “a base da corrente skinneriana está na formulação do comportamento operante”. Para podermos entender tal formulação, devemos primeiro compreender o conceito de comportamento reflexo ou respondente. Ao se estudar o comportamento dos indivíduos na atualidade estamos, enquanto pesquisadores, mantendo contato com a realidade que nos cerca e buscando dar razão para nossa análise, pois devemos ter compromisso e estar atento à melhora de vida de nossa sociedade, entendendo o quão complexo e variável é este, o que é defendido por Skinner em oportunidades diversas, sem descartar o fato que, se estudarmos, conseguiremos retratar e definir princípios e teorias. É entendido por todos que a ciência caminha do simples para o complexo, então, conseguirá analisar o comportamento e tentar buscar respostas as nossas dúvidas. 1.1 Comportamento respondente Antes de toda e qualquer colocação, cabe identificar o que se entende por comportamento respondente. “O comportamento reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos de ‘não voluntario’ e inclui as respostas que são eliciadas (ou produzidas) por estímulos antecedentes do ambiente” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 59). É bem “tranquilo” explicar o que venha a ser comportamento reflexo ou respondente: quando estamos na cozinha e aproximamos a mão sobre uma superfície quente, a recolhemos sem pensar. Outro exemplo seria o que ocorre quando encostamos a mão em uma tomada energizada, também tiramos a mão sem pensar. Então o comportamento respondente é todo o comportamento involuntário, ou seja, independe da vontade do emissor. Apresentamos enquanto indivíduo um determinado comportamento em decorrência de ocorrências do ambiente. As mudanças do ambiente ocorrem e promovem alteração de nosso comportamento, como pode ser visto na figura “Resposta ao estímulo”. 51 Figura 2 - Resposta ao estímulo Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: A figura mostra a relação entre o estímulo decorrente do meio ambiente e a resposta como um comportamento involuntário. Esmiuçando nossa figura, temos que todo o comportamento decorrente de um estímulo (S) do meio que promova no indivíduo uma resposta (R), resposta esta involuntária, ou seja, não aprendida, é um comportamento respondente. Cabe buscar o que nos apresenta Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 60) Comportamentos reflexos ou respondentes são interações estímulo-resposta (ambiente-sujeito) incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais confiavelmente eliciam certas respostas do organismo que independem de “aprendizagem”. Mas interações desse tipo também podem ser provocadas por estímulos que, originalmente, não eliciavam respostas em determinado organismo. Quando estes estímulos são temporariamente pareados com estímulos eliciadores podem, em certas condições, elicitar respostas semelhantes às destes. As novas interações chamamos também de reflexos, que agora são condicionados devido a uma história de pareamento, o qual levou o organismo a responder a estímulos que antes não respondia. A ideia é que o comportamento respondente sendo involuntário seria inato. Entendendo inato como aquilo que está com o indivíduo desde seu nascimento, ou seja, que é inerente ou natural ao organismo vivo. 1.2 Comportamento respondente aprendido Ampliando nosso conhecimento cabe um parêntese aqui. Temos na nossa história de vida eventos que apresentam significativa importância, na existência e preservação enquanto “espécie”. São chamados de eventos filogenéticos, e são decorrentes de comportamentos que podem reforçar ou punir o indivíduo. Bons exemplos de eventos filogenéticos seriam o alimento, uma situação ameaçadora, sexo. Situações que podem ser aprendidas se fazendo uso de um estímulo neutro. Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 60) continua nos auxiliando neste sentido com a descrição de um experimento: Suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. A temperatura da mão cairá rapidamente devido ao encolhimento ou contrição dos vasos sanguíneos, caracterizado o comportamento como respondente. Esse comportamento será acompanhado de uma modificação semelhante, e mais facilmente mensurável, na mão esquerda, onde a constrição vascular 52 também será induzida. Suponha, agora, que a sua mão direita seja mergulhada na água gelada um certo número de vezes, em intervalos de três e quatro minutos, e que você ouça uma companhia pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo pareamento do som da companhia com a água fria, a mudança de temperatura nas mãos poderá ser eliciada apenas pelo som, isto é, sem necessidade de imergir uma das mãos. Com este experimento temos novos conceitos importantes na evolução de nosso conhecimento sobre a base teórica da psicologia experimental, como mostra a figura “Condicionamento respondente”. Figura 3 - Condicionamento respondente Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: A imagem retrata um exemplo de estimulo condicionado e um exemplo de estímulo incondicionado, e quais suas respectivas respostas. Um estímulo neutro (NS) e um estímulo eliciador de respondentes (fortes) podem se emparelhar e promover o comportamento respondente com o qual foi pareado. Exemplo: é habitual que as pessoas que já frequentaram dentistas, em certos momentos do tratamento, se sintam ameaçados pelas ferramentas e, só ouvir o som do motor, fiquem mal, com receio de sentir dor. Então não é necessário estar fazendo um tratamento no dentista, é só ouvir o som que já incomoda. É possível que os organismos vivos apresentem respostas variadas frente a estímulos; determinadas respostas podem estar sob controle de outros estímulos. Vamos buscar outros exemplos para explicitar a situação: uma senhora teve sua casa “alagada” depois de uma terrível enchente no verão passado. Nesta ocasião perdeu grande parte de seus pertences e esteve por horas sob ameaça de se afogar, até. Desde este episódio muito difícil para ela, esteve em contato direto com emoções que se emparelham e, a cada vez que chove (estimulo incondicionado), reconhece como estímulo ameaçador(perda dos pertences). Para a senhora, uma simples chuva torna-se um estímulo que se emparelha e, após, ambos serão eliciadores do comportamento de medo, que se estabelece cada vez que chove. 53 Só como nota cabe apontar o que é significante quanto à “Terapia Comportamental”. Autores como Caballo (2002) apontam que seria: o foco nos determinantes atuais do comportamento – não se prender ao histórico; foco na mudança do comportamento como critério para determinar o treinamento; discriminar objetivamente os procedimentos e/ou passos – de sorte a poder replicar; credibilidade quanto ao procedimento básico de investigação, na formulação das hipóteses norteadoras do tratamento e nas técnicas terapêuticas específicas; especificidade nas definições e explicações, no tratamento e na mediação. A Terapia comportamental baseia-se nos princípios de aprendizagem do estímulo e da resposta. 2 COMPORTAMENTO E CONDICIONAMENTO REFLEXO As primeiras tentativas para entender e decodificar o comportamento humano ocorreram com Aristóteles classificando como naturalístico o comportamento. As percepções dos pensadores depois se voltam mais para uma visão teológica e, por muito tempo, ficou com predomínio desta visão, que refletia como os seres humanos emitiam seus comportamentos, reconhecendo certa semelhança entre eles, implementando a ideia de padrão: apetite, paixão, razão. Já na Idade Média teremos Descartes, que identificou semelhança com atividade mecânica das máquinas. E, segundo Millenson (1976, p. 24), A teoria do corpo como um tipo específico de máquina poderia ser testada por observação e experimentação. [...] Ao restabelecer a ideia de que, pelo menos algumas das causas do comportamento humano e animal poderiam ser encontradas no ambiente observável, Descartes estabeleceu as bases filosóficas que eventualmente iriam justificar uma abordagem experimental do comportamento. Vamos ter em decorrência, fisiologistas/estudiosos que demonstraram que os movimentos de características automáticas se relacionavam. 2.1 Reflexos condicionados ou adquiridos Descartes desperta nos pesquisadores da época o interesse sobre a ação reflexa do animal. Tem-se neste período estudos sobre a ação da luz na visão humana (contração da pupila), o reflexo. Os experimentos em animais levam a certas constatações sobre a não existência da alma humana. A fisiologia entende o mecanismo neural e o define como sendo elétrico em contradição a tese de hidráulico, que o comparava a uma máquina. A ação involuntária ligada ao sobrenatural perde força para justificar a ação involuntária dos humanos. Os estudiosos chegam às causas do comportamento reflexo, chegam a definir leis quantitativas de estímulo-resposta. 54 Temos então Pavlov, que desenvolveu estudos em paralelo com diversos outros pesquisadores, mas entre eles, sugere ser o único que reconheceu o “indício para a compreensão do comportamento ajustado e adaptado dos organismos” (MILLENSON, 1976, p. 24). Assim, temos os reflexos condicionais, o nome se dá por serem estes condicionados a um evento anterior. Importante apresentar a contribuição de Pavlov, como descreve o autor Millenson (1976, p. 26): “[...] lei geral do condicionamento: depois de uma associação temporal repetida de dois estímulos, aquele que ocorre primeiro, eventualmente, passa a eliciar a resposta que, normalmente, é eliciada pelo segundo estímulo”. 2.2 A evolução e o comportamento adaptativo Neste momento histórico temos Darwin, que com seus estudos estimulam o entendimento sobre a adaptação dos seres ao meio em que vivem. Thorndike acompanha a tendências das pesquisas sobre o comportamento humano e aponta quatro situações que se mostram um divisor de águas para o contexto “ciência do comportamento”. 1. Era fundamental conhecer o histórico dos sujeitos e tal história deveria ser semelhante entre eles; 2. Deveria haver repetição quanto às observações e estas precisavam ser variadas quantos aos sujeitos; 3. Fundamental analisar diversos comportamentos; 4. Os resultados deveriam ser apresentados de forma quantitativa. Como já estudamos a Lei do Efeito desenvolvida por Thorndike se faz presente até a atualidade. O caminho que a evolução do conhecimento tomou sobre o comportamento do ser humano faz com que a Psicologia não se atenha à ideia de mente, busque estudar os fatos como ciência da experiência. “Ocorreu a Watson que os dados do comportamento tinham valor em si mesmos e que os problemas tradicionais da Psicologia – imaginação, sentimento, associação de ideias – poderiam ser todos estudados estritamente por métodos comportamentais” (MILLENSON, 1976, p. 31). Um longo caminho se apresenta, pois, o conhecimento até o momento que o comportamento seria resposta de um reflexo unicamente não se sustenta, então, com os estudos de Skinner teremos: “um objeto de estudo fidedigno, a taxa de respostas operante, o comportamento espontaneamente emitido começa a desenvolver leis próprias, sendo cada ocorrência tão geral e previsível como aquelas do reflexo” (MILLENSON, 1976, p. 34-35). 55 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 COMPORTAMENTO OPERANTE E SEUS REFORÇADORES Não é difícil reconhecer que a maioria de nossos comportamentos foram aprendidos. Só no início de nossas vidas contamos com comportamentos inatos (estabelecidos filogeneticamente) para assim, aos poucos, nos adaptar ao meio ambiente. Exemplo: mamar é um comportamento inato, já nascemos sabendo mamar. Já se alimentar fazendo uso do garfo e da faca requer aprendizado. Com nosso repertório inicial simples e se esgotando necessitamos incorporar comportamentos novos e mais complexos. A estes novos comportamentos chamamos de comportamento operante, o comportamento que “opera” sobre o meio ambiente e, em consequência, o modifica. 3.1 Comportamento operante Exemplificando a ideia, cabe relembrar o experimento “Caixa de Skinner”: “tais experimentos permitiram-lhes fazer afirmações sobre o que chamaram de leis comportamentais” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA 2008, p. 62). O “ratinho” estando com sede (necessidade orgânica) e explorando a Caixa de Skinner onde se encontra, em dado momento, pressiona a barra que dispensa uma “gotinha” de água, ao sanar a sede o “ratinho” reconhece que a cada vez que desenvolve este comportamento recebe água. Logo, a repetição ocorre, na primeira oportunidade foi aleatória a situação, mas com esta ideia a probabilidade da situação se repetir é evidente. Veja como Bock, Furtado e Teixeira (1995, p. 49) apresentam esta situação: “o ratinho, por acaso, pressiona a barra e recebe a gota d’água. Inicia-se o processo de aprendizagem. O que propicia a aprendizagem dos comportamentos é a ação do organismo sobre o meio e o efeito dela 56 resultante – a satisfação de alguma necessidade”. Assim, comportamento operante é aquele comportamento entendido como voluntário (sua origem é da natureza inata de diversos comportamentos que o organismo vivo dispõe), mas por promover uma “consequência” no meio ambiente, entende-se que “opera” sobre o meio, como mostra a figura “Comportamento operante”. Figura 4 - Comportamento operante Fonte: Elaborado pela autora, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra como ocorre a relação entre o comportamento e o estímulo, sendo uma consequência. 3.2 Base da Teoria de Skinner O conceito [comportamento - consequência] é base para a teoria de Skinner. Tal proposição identifica que o sujeito, efetivamente ao interagir com o ambiente, o reformula e vice e versa. O significativo aqui é entender que um dado comportamento é capaz de gerar resposta do meio, esta resposta tem probabilidade de reforçar ou não o comportamento que a originou. Assim, a consequência promovida poderá reforçar ou enfraquecer o comportamento gerado. Vale indicar que Martin e Pear (2009, 41) nos colocam: Comportamentos que se quer reforçar devem, em primeiro lugar, ser especificamente identificados. Caso você comece com uma classe geral de comportamento (porexemplo: ser mais amigável), você deve então especificar comportamentos específicos (sorrir, por exemplo) que caracterizem tal classe. Sendo específico dessa maneira, você: · melhora a confiabilidade para detectar exemplos do comportamento e de mudanças em sua frequência, que é o padrão pelo qual se julga a eficácia do reforço; · aumenta a probabilidade de que o programa de reforçamento seja aplicado consistentemente. Então, reforçando o conceito, “comportamento operante pode ser representado da seguinte maneira: R -----> S, em que R é a resposta (pressionar a barra) e S é o estímulo reforçador (a água), que tanto interessa ao organismo; a seta significa ‘levar a’” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63). 57 O estímulo que enfatiza o comportamento dá-se o nome de reforço, “o termo ‘estímulo’ foi mantido da relação R-S do comportamento respondente para designar-lhe a responsabilidade pela ação apesar de ela ocorrer após a manifestação do comportamento” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA 2008, p. 63). Para compreender efetivamente o esquema deve-se reconhecer que o comportamento operante é a manifestação da interação homem-meio. Aqui temos a relação de funcionalidade da ação humana – para que “serve” o conceito, para explicar que nos comportamos em relação ao meio, na intenção de alguma resposta deste para conosco (relação funcional), ou seja, é a relação entre o comportamento do indivíduo (resposta) e o ambiente promovendo outras situações ou comportamentos (consequências). Tais consequências são as variáveis que controlam a emissão do comportamento do indivíduo e que retratam o aprendizado. 4 ESQUEMAS SIMPLES DE REFORÇAMENTO Estamos entendendo, através dos esquemas já apresentados, que a aprendizagem do indivíduo ocorre evoluindo de seus comportamentos inatos para os aprendidos, e que estes comportamentos são passiveis de serem explicados, decodificados, reconhecendo um padrão neste contexto. A manifestação do comportamento observada, ao apresentar alteração de frequência de manifestação para maior ou para menor, nos remete à ideia de que o condicionamento (aprendizagem) operante tem origem em dois tipos de relação (positiva e negativa) e dois tipos de consequências (reforçadoras e punidoras). 4.1 Reforço positivo e reforço negativo Em nossos estudos chamaremos de reforço toda e qualquer consequência oriunda de uma resposta (comportamento) que altere a possibilidade de, no futuro, esta resposta vir ou não a FIQUE DE OLHO O profissional da área de gestão de pessoas deve estar atento às possíveis intervenções em saúde mental, no espaço organizacional. Introjetar a importância de se ter boa saúde física e mental. É fundamental para os funcionários e para suas famílias. A saúde mental é um importante fator que possibilita o ajuste necessário para lidar com as emoções positivas e negativas próprias do ambiente organizacional. 58 ocorrer (probabilidade). Assim, se é possível de ocorrer ou não, podemos nomear como o reforço positivo ou negativo: “reforço positivo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o produz. E o reforço negativo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o remove ou atenua” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63). Para exemplificar as definições, vamos lembrar o experimento desenvolvido por Skinner, na “Caixa de Skinner”, com o “ratinho” que pressionava a barra para obter água e sanar sua sede (comportamento operante que promove uma consequência que reforça a repetição do comportamento). Estamos descrevendo o reforço positivo. Continuando agora, o “ratinho” está no mesmo ambiente, mas no assoalho da caixa há a ocorrência de choques. O “ratinho”, incomodado com a situação, “anda” pela caixa até que em um dado momento pressiona novamente a barra. Quando este comportamento por parte do “ratinho” ocorre, os choques param. [...] as respostas de pressão tenderão a aumentar de frequência. Chama-se de reforço negativo ao processo de fortalecimento dessa classe de respostas (pressão à barra), isto é, a remoção de um estímulo aversivo controla a emissão da resposta. É condicionamento por se tratar de aprendizagem, e também reforçamento, porque um comportamento é apresentado e aumentado em sua frequência ao alcançar o efeito desejado (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63). Assim, a ideia que retiramos destes experimentos é: quando o “ratinho” pressiona a barra para sanar a sede, a ele foi dada a oportunidade de conseguir algo. Esta oferta ao organismo de algo, chamamos de reforço positivo. Já quando um evento possibilita que algo desagradável não ocorra, chamamos de reforço negativo. Importante destacarmos o entendimento de Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 64) frente a última colocação: Não se pode, a priori, definir um evento como reforçador. A função reforçadora de um evento ambiental qualquer só é definida pelo aumento na frequência da resposta que o produziu, ou seja, pela relação funcional estabelecida entre o comportamento do indivíduo e o ambiente. 4.2 Reforços primários e reforços secundários Então, qual é o papel dos reforçadores para que o organismo “aprenda” o comportamento, e o mantenha de forma que seja possível uma ação produtiva ao indivíduo? Aqui também cabe retomar a ideia de que os estímulos reforçadores foram se apresentando na evolução das espécies (Darwin - em sua teoria descreve a evolução frente a possibilidades que reforçam a sobrevivência). E, em outros momentos, foram sendo acrescentados ao repertório dos indivíduos por condicionamento. 59 Autores como Baum (2006) nos lembram que o condicionamento respondente se evidencia frente aos estímulos, o que a filogenia traz e o que reforços ambientais apresentam. Exemplificando: quando estamos no ambiente de trabalho, numa manhã, e sentimos fome (estímulo filogenético). Para sanar esta necessidade, tomamos um “cafezinho” (estímulo do aprendido, não devemos comer no ambiente de trabalho apenas tomar café é aceito normalmente). Ampliando nosso exemplo, o ato de decidir tomar o “cafezinho” já é um condicionamento operante. Diferenciando o que venha a ser reforçadores primários, lembramos que toda e qualquer espécie animal requer reforços primários (necessários a sobrevivência) para se manter no meio ambiente: água, alimento, afeto. Os reforços secundários são os que são emparelhados, por um tempo, com os primários. Exemplificando o conceito, o indivíduo jovem, ao se alimentar num almoço familiar, coloca em seu próprio prato o que tem interesse em comer (reforçador primário), mas concomitante reconhece que a família (em especial a mãe - sorri) manifesta agrado, aqui temos um reforço secundário. Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 64) apontam que ”[...] reforçadores secundários, quando emparelhados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e a aprovação social, que reforçam grande parte do repertório comportamental.” Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5. BEHAVIORISMO - APLICABILIDADE Os conceitos até aqui discutidos já nos estimulam a identificar em quais práticas profissionais há espaço para a utilização. A educação é a primeira que se apresenta, os programas de ensino que utilizam na sua apresentação exercício com respostas nas páginas finais, está trabalhando no conceito de condicionamento operante. 60 Outras áreas que utilizam os conceitos e as técnicas do Behaviorismo são, por exemplos, os programas de treinamento organizacionais, os planos de carreira organizacionais, o atendimento clínico e de aprendizagem para pessoas com necessidades especiais, a música no treino físico e nos cultos religiosos, todos têm por base os conceitos de reforçamento. Uma análise de nossos comportamentos, com base na Psicologia Experimental, possibilita a decodificação e a possível reformulação caso haja interesse. 5.1 Reforçamento positivo Trabalharemos agora com a aplicação do conceito em nossa ação, fazendo uso das colocações de Martin e Pear (2009, p. 39):Reforçador positivo é um evento que, apresentado imediatamente após um comportamento, faz com que o comportamento aumente em frequência (ou probabilidade de ocorrer). O termo reforçador positivo é um sinônimo aproximado da palavra recompensa. Uma vez que se determinou que um evento funciona como reforçador positivo para um determinado indivíduo, numa determinada situação, esse evento pode ser usado para fortalecer outros comportamentos desse indivíduo em outras situações. Em conjunto com o conceito de reforçador positivo, o princípio chamado reforçamento positivo afirma que se, numa determinada situação, alguém faz alguma coisa que é imediatamente seguida por um reforçador positivo, então essa pessoa tem maior probabilidade de fazer a mesma coisa novamente quando encontrar uma situação semelhante. Aqui temos com esta definição a percepção da dificuldade de se reconhecer qual é a frequência para que um reforçador positivo venha a produzir a resposta esperada. Vejamos um exemplo prático: você já deve ter atuado em alguma organização que tenha como prática de gestão de pessoas um plano de carreira que considere a meritocracia, ou seja, o bom desempenho é recompensado com bônus financeiro. A gratificação determinada aos profissionais comumente produz diferentes estímulos, a repetição ou continuidade do FIQUE DE OLHO Uma visão crítica sobre os meios de comunicação de massa e mesmo aqueles que as organizações fazem uso para todos os seus stakeholder é fundamental, pois enquanto profissional da área temos que ter consciência do limite e da amplitude de nossa interferência na vida pessoal e profissional das pessoas que atuam conosco nas organizações. Uma postura ética e moral cabe em qualquer lugar. 61 desempenho que possibilitou o ganho da recompensa. Nem todos os profissionais “veem” o ganho como efetivamente reforçador ao desempenho. Além deste fato, para uns o reforçamento positivo pode ocorrer uma vez ao ano, o que garante a continuidade do comportamento, para outros deve ser de três em três meses. 5.2 Comportamentos operantes Continuando na ideia da aplicabilidade, devemos apontar que os comportamentos que se apresentam ao meio ambiente e que são influenciados por estas consequências dá-se o nome de comportamentos operantes ou respostas operantes. Martin e Pear (2009, p. 39) nos auxiliam nesta questão: Comportamentos operantes, seguidos por reforçadores, são fortalecidos, enquanto comportamentos operantes, seguidos por eventos punitivos são enfraquecidos. Um tipo de diferente de comportamento – o comportamento reflexo. Este processo tem grande relevância na aprendizagem e se mostra como diretriz para utilizar o reforçamento positivo na intenção de fortalecer um comportamento interessante. Um exemplo seria o aprendizado familiar: Laura, mãe de 4 filhos de idades bem próximas, diariamente são estimulados a arrumarem seus pertences antes de dormir à noite para, no dia seguinte, logo cedo, irem à escola. É comum neste momento doméstico que Laura grite na intenção de obter a atenção dos filhos e, além da atenção, que eles desenvolvam as atividades esperadas. Mas, dentre os 4 filhos, um já não aguarda mais as colocações da mãe, faz o que deve ser feito; já há um deles que não adianta mais só as expressões verbais, se faz necessários outras atitudes para que o comportamento se estabeleça. 5.3 Escolhendo reforçadores Deve-se ter grande atenção quanto aos possíveis reforçadores para a elaboração de programa de reforçamento positivo, pois, como nos colocam Martin e Pear (2009, p. 41) Alguns estímulos são reforçadores positivos para virtualmente todas as pessoas. Comida é um reforçador positivo para quase qualquer pessoa que não se alimentava há várias horas. Balas são um reforçador para a maioria das crianças. Por outro lado, muitas vezes são estímulos por coisas diferentes indivíduo diferentes. Você conseguiria lembrar de algum reforçador que o agrada que não seja comum a grande parte de seus amigos ou familiares? Interessante finalizar com esta questão. 62 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 63 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender o Behaviorismo e a análise experimental do comportamento; • entender como ocorre a relação resposta x estímulo; • aprender sobre os reflexos condicionados ou adquiridos e os condicionais; • compreender o comportamento operante e as leis comportamentais; • entender o funcionamento do reforço positivo, negativo e o condicionamento res- pondente e operante. PARA RESUMIR BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo: ciência, comportamento e cultura. 2. ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 1995. CABALLO, V. E. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. reimp. São Paulo: Liv. Editora Santos, 2002. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. JACÓ-VILELA, A. M.; FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. T. (org.) História da psicologia: rumos e percursos. Coleção o Ensino de Psicologia. Rio de Janeiro: Nau Ed., 2006. KANTOWITZ, B. H.; ELMES, D. G.; ROEDIGER III, H. L. Psicologia Experimental - psicologia para compreender a pesquisa em psicologia. São Paulo: Cengage Learming, 2006. MARTIN, G.; PEAR, J. Modificação de comportamento: o que é e como fazer. Tradução N. C. Aguirre. 8. ed. São Paulo: Roca, 2009. MEDEIROS, M. B.; MOREIRA, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007. MILLENSON, J.R. Princípios de análise do comportamento. Tradução A. A. Souza, D. Rezende. Brasil: Brasília, 1975. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2019. PLATET-LOMBARD, V. L. V.; WATANABE, O. M.; CASSETARI, L. Psicologia Experimental - manual teórico e prático de análise do comportamento. 5. ed. São Paulo: Edicon, 2015. SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. Trad. Suely Murai Cuccio. São Paulo: Cengage Learning, 2005. SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. Tradução: J. C. Todorov, R. Azzi. 11. ed. São Paulo: Martin Fontes, 2003. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 4 Ampliações do comportamento Olá, Você está na unidade Ampliações do Comportamento. Conheça aqui como são adquiridos os comportamentos mais complexos. Falaremos dessa construção partindo dos comportamentos primários, as ferramentas que são utilizadas para a criação e manutenção. Conheceremos os métodos mais utilizados para a modelagem comportamental, a relação que existe entre cada processo na formação e manutenção do comportamento, como se aplicam no cotidiano os conceitos que descobriremos a cada tópico da unidade, a razão pelo qual existem métodos pouco efetivos, mas muito utilizados. Bons estudos! Introdução 67 1 REFORÇAMENTO DIFERENCIAL E MODELAGEM Antes de aprofundarmos na unidade, é necessário que façamos uma breve, porém importante explicação sobre o condicionamento pavloviano. Este condicionamento explica como os organismos aprendem novos reflexos. Para a obtenção do condicionamento pavloviano é necessário que um estímulo neutro seja emparelhado com um estímulo incondicionado, esta relação é geradora da resposta incondicionada. Após esse condicionamento inicial, o estímulo condicionado é emparelhado com a resposta condicionada, resultando no reflexo aprendido, ou também conhecido como condicionamento de segunda ordem. Vamos recapitular a proposta de Skinner, em que ele afirma que os eventos privados e públicos têm a mesma forma de explicação, sendo assim, o condicionamento pavloviano explicará não só os comportamentos externos, mas também as emoções. Podemos perceber que os comportamentos vão sempre se relacionar com eventos anteriores, e que temosum aparato importantíssimo para a aprendizagem humana: o comportamento respondente. O comportamento respondente é responsável pela compreensão de como ocorre o processo de aprendizagem no ser humano, porém, existe uma complexidade muito maior no universo comportamental, não basta apenas compreender aprendizagem comportamental, mas trabalhar também com as causas e justificativas dos comportamentos mais sofisticados e complexos. Diversos comportamentos abrangem o universo, desde os mais simples aos mais sofisticados, e logicamente comportamentos complexos envolvem explicações e desenvolvimento diferente dos comportamentos menos complexos. A diferenciação de respostas não existe em vão. E, novamente, teremos aqui explicações evolucionistas para o comportamento. Assim como o ambiente possui variações, os indivíduos foram apresentando variações comportamentais para lidar com o meio em que estavam. Os serem que desenvolveram boas adaptações às variações ambientais foram os que sobreviveram ao longo do evolucionismo, como mostra a figura “Evolução humana”. 68 Figura 1 - Evolução Humana Fonte: SpicyTruffel, iStock, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem temos a representação da teoria da evolução de Charles Darwin, mostrando a influência do evolucionismo no comportamento humano. Para Skinner (1998) existem três tipos de histórias na determinação do comportamento humano: história filogenética, história ontogenético e história cultural. A história filogenética é o meio pelo qual o ambiente seleciona e varia determinadas características, fazendo com que as características mais necessárias sejam mais frequentes no comportamento. Ao longo do processo de evolução humana, determinados comportamentos trouxeram benefícios à espécie, auxiliando na sobrevivência. Esses comportamentos aumentaram sua frequência e passaram pelo processo de seleção. Podemos ter como exemplo de comportamentos filogenéticos o ser humano aprender a falar. Trata-se de um comportamento que não é comum aos outros animais e que auxilia na nossa sobrevivência enquanto espécie. Foram comportamentos que se mantiveram devido à interação fenótipo- ambiente. O nível ontogenético diz da seleção comportamental. É aqui que adquirimos novas respostas, deixamos de emitir e aprimoramos as demais. O ambiente é que seleciona o repertório comportamental. A reprodução, variação ou extinção dos comportamentos fazem parte deste nível. Dizemos que o nível filogenético oferece o material para que o nível ontogenético atue. O nível cultural diz das contingências de reforço mantidas pelo grupo. Essas contingências vão variar, uma vez que existem várias culturas e a variação das práticas culturais depende da variação dos operantes. No nível cultural, a transmissão ocorre entre as gerações sucessivas. Ele trata da coletividade, transcendendo o indivíduo. É um nível cujas características não partem do individual para o coletivo, mas do coletivo para o individual. Nesse nível, o que interessa é o efeito sobre o grupo e não apenas do indivíduo separadamente. Esses três níveis se relacionam, podemos dizer que o nível cultural é produto do nível ontogenético, que é produto do nível filogenético. Compreendemos que características biológicas, comportamentais e culturais evoluem através da seleção. 69 Skinner (1998, p. 33-34) cita que, O hábito de buscar dentro do organismo uma explicação do comportamento tende a obscurecer as variáveis que estão ao alcance de uma análise científica. Estas variáveis estão fora do organismo, em seu ambiente imediato e em sua história ambiental. [...]. Estas variáveis independentes são de várias espécies e suas relações com o comportamento são quase sempre sutis e complexas, mas não se pode esperar uma explicação analisá-las. O que Skinner enfatiza em seu trecho é exatamente sobre como esses três níveis são importantes para a compreensão e explicação do comportamento. Se partimos apenas pelas causas externas do indivíduo na explicação de seu comportamento, não encontraremos respostas suficientes para sua compreensão. Tendo em vista os três níveis histórico do comportamento, temos o surgimento do comportamento verbal. Assim como outros comportamentos, o comportamento verbal é reforçado pelos efeitos que causam nas pessoas e no próprio ser que fala. Trata-se de um comportamento que independe das relações geográficas e espaciais. Este comportamento não requer suporte ambiental para ocorrer. • Um exemplo dessa afirmação: para andar de carro, eu preciso de um carro, mas para dizer a palavra carro eu não necessito do objeto. O comportamento verbal pode ter as mesmas consequências reforçadoras de qualquer outro comportamento. • Outro exemplo: quando uma criança vai mexer em algo que não é permitido podemos detê-la segurando suas mãos, tirando o objeto do lugar, ou dizendo que não se pode mexer. A expansão do comportamento verbal depende diretamente das práticas da comunidade verbal a que o indivíduo pertence. Suas contingências modeladoras podem ser indulgentes (quando são pouco elaboradas) ou exigentes (quando são mais elaboradas), como pode ser visto na figura “Linguagem na aprendizagem”. 70 Figura 2 - Linguagem na aprendizagem Fonte: Monika Gniot, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra como já na infância os comportamentos são moldados nas relações. A resposta verbal depende das razões pelas quais o ouvinte responde, sendo atribuídas à intenção do falante. Mas como as palavras são capazes de eliciar respostas emocionais? Acontece que as palavras são estímulos, podendo assim ser emparelhadas com estímulos condicionados e, quando emparelhadas, passam a produzir respostas emocionais. Compreendendo os conceitos e as origens acima, vamos falar sobre os reforços. Reforços são as consequências de um comportamento cuja a probabilidade é que ocorra com frequência. Para determinar se um estímulo é neutro, condicionado ou incondicionado, devemos avaliar a relação do estímulo com o organismo. Os reforçadores podem ser naturais ou arbitrários. Eles são naturais quando o reforço é produto do próprio comportamento, e são arbitrários quando o produto do reforço é indireto. Por exemplo: quando uma criança estuda e como reforço recebe elogios, estamos falando de reforços naturais. Quando essa criança estuda para receber um celular ao final do ano, estamos falando de reforço arbitrário. 71 Os reforços ainda possuem uma subdivisão, eles podem ser positivos ou negativos. Reforço positivo é quando o estímulo apresentado aumenta a frequência do comportamento. São exemplos de reforços positivos: o salário no final do mês de trabalho, a aprovação após um ano de estudo, um beijo após investir na conquista da namorada. Note que a “recompensa” em todos os exemplos faz com que a frequência do comportamento aumente. Já o reforço negativo é quando há a retirada de um estímulo aversivo para aumentar a probabilidade do comportamento. São exemplos de reforços negativos: retirar um animal que assusta do ambiente para que a criança possa brincar, retirar um barulho que incomoda para que o jovem possa estudar tranquilamente. Neste exemplo percebemos que a retirada dos estímulos é que aumenta a probabilidade do comportamento. São propriedades dos reforços: a diminuição na variabilidade de topografia (propriedade formal ou estrutural) da resposta reforçada; as respostas passam a ser mais estereotipadas (padronizadas); é o método mais recomendado e eficaz na seleção de novos comportamentos; para que o reforço seja efetivo, ele precisa ser contingente com a resposta (necessário que exista uma relação de dependência entre o reforço e o comportamento). Antes de conhecermos mais sobre as ferramentas utilizadas na análise do comportamento, é necessário ainda que saibamos a diferença entre comportamento respondente e comportamento operante. Essa designação é necessária, pois lidaremos mais na frente com o mesmo padrão de execução, cujo objetivo será diferente devido ao tipode comportamento. FIQUE DE OLHO O comportamento respondente tem como característica ser inato, é um comportamento eliciado, não é um comportamento controlado e não produz consequências no ambiente. O comportamento operante é um comportamento aprendido, é emitido, é passível de controle e produz consequências no ambiente. 72 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Modelagem comportamental A modelagem consiste no procedimento de reforço diferencial por aproximações sucessivas de um comportamento que terá com resultado um novo comportamento. Funciona da seguinte forma: nós aprendemos que não nascemos com a execução de todos os comportamentos. Temos um aparato inicial que são os reflexos inatos. A partir deles começam nossas primeiras interações com o mundo. Essas interações geram comportamentos, para além desses comportamentos, novas relações em que outras respostas vão surgindo e, quando reforçadas essas respostas, também passam a ser novos comportamentos que foram moldados a partir de um referencial, mas que possuem um significado e uma finalidade divergente do original. Assim acontece a modelagem. A partir de um comportamento “referência” pôde-se modelar novos repertórios comportamentais. Skinner (1974 apud ARANTES; ROSE, 2009, p. 66) diz: A ocasião em que o comportamento ocorre, o próprio comportamento e suas consequências estão inter-relacionadas [...]. Como resultado de seu lugar nessas contingências, um estímulo presente quando uma resposta é reforçada adquire certo controle sobre tal resposta. Um exemplo da modelagem ocorre com as crianças. Um bebê não nasce falando, mas de forma instintiva ele reproduz ruídos e sons. Na primeira tentativa de se comunicar com a mãe, ele reproduz vários sons e não obtém sucesso, porém quando fala “ma” é reforçado com carinho e atenção de sua mãe. Segundo Skinner, receber carinho e atenção são reforçadores poderosíssimos para influenciar o comportamento humano. O bebê aprende que toda vez que pronuncia aquele fonema é reforçado e começa repetidamente a fazê-lo até que, em dado momento, a mãe para de reforçá-lo. Na busca de continuação desse reforço, a criança passa de “ma” a reproduzir “mama” e novamente lhe voltam os reforços por parte da mãe, consequentemente ele aprenderá a falar “mamãe” e outras palavras que o ambiente o reforçará. Note que há uma busca por reforçamento continuo. 73 A modelagem é muito importante, pois o comportamento “final” é muito improvável de ser emitido naturalmente. Ensinar padrões de comportamentos complexos sem a modelagem seria extremamente difícil, se não impossível. Logo, a função da modelagem é selecionar novas respostas, tornar uma resposta eficiente, explicar e facilitar a seleção de novos comportamentos. Skinner relata sobre o compromisso dos estudiosos em análise do comportamento para encontrar formas alternativas de controle que excluíssem os métodos punitivos ou que trouxessem respostas letais aos indivíduos (GRIFFIN; PAYSEY; STARK; EMERSON, 1998). Skinner (1953/1965) define a punição como um procedimento e Azrin e Holz (1966) vão dizer que além de um procedimento, a punição é um processo comportamental. 1.2 Reforço diferencial Frente à proposta de Skinner, surgem os primeiros estudos sobre o reforço diferencial. Também conhecido pela sigla DRO (do inglês diferencial reiinforcement of other behavior), consiste em reforçar tudo o que é adequado e não reforçar o que não é adequado, reduzindo, assim, os comportamentos inadequados. O primeiro elaborador do reforço diferencial na literatura foi Reynolds (1961). Seu objetivo era investigar efeitos de contraste comportamental em esquemas múltiplos. Para tal investigação foram utilizados pombos. Foi ensinado às aves a bicar um disco iluminado para, em troca, receberem alimento. Qualquer outro comportamento das aves que não fosse bicar o disco, não era reforçado. No cotidiano, um exemplo de reforçando diferencial é quando os pais iniciam o treino da toalete com o filho. Reforça-se todos os comportamentos relacionados com a ida da criança até o local ideal para fazer cocô ou xixi, como pedir para ir ao banheiro, sentar no vaso e não há nenhum tipo de reforço quando essa criança faz suas necessidades na fralda, ou mesmo na roupa. Existem dois tipos de reforçamento diferencial: o reforçamento diferencial de alta resposta, que ocorre em um período de tempo determinado; e o reforçamento diferencial de baixa resposta, que ocorre após um intervalo de tempo. O procedimento DRO é utilizado há décadas, principalmente pela probabilidade de aumentar a frequência de comportamentos socialmente aceitos sem se utilizar de técnicas com controle aversivo, usando exclusivamente o reforço positivo (COOPER; HERON; HEWARD, 2007; FISHER; PIAZZA; ROANE, 2011; LEAF; MCEACHIN, 1999); não diferente dos outros comportamentos. Torna-se necessário a avaliação do que é reforçador e punitivo para o indivíduo em questão. No reforçamento diferencial trabalhamos com: • SΔ (estímulo delta) É o estímulo no qual a resposta tem pouca chance de ser reforçada; • SD (estímulo discriminativo) É o estímulo que serve de ocasião para que uma resposta aconteça e tenha alta probabilidade 74 de ser reforçada. Este tem função controladora e indica o comportamento a ser emitido. O reforço diferencial consiste em reforçar o comportamento na presença do estímulo discriminativo e colocar o comportamento em extinção da presença do estímulo delta, também conhecido como treino discriminativo. Ambos são produtos da tríplice contingência. 2 DISCRIMINAÇÃO E GENERALIZAÇÃO A discriminação é o processo em que respostas específicas irão ocorrer apenas na presença de estímulos específicos. Ele é definido por diversos fatores. O primeiro deles é que, para ocorrer, é necessário que um mesmo comportamento, numa determinada situação, produza consequências diferentes. Na discriminação operante, o organismo responde de maneira diferente a estímulos fisicamente diferentes. Ela diz do papel do contexto nas relações, do fator ambiental. Os operantes discriminados são os comportamentos que, em determinados contextos, produzem consequências reforçadoras, enquanto os estímulos discriminativos são os estímulos que são apresentados antes do comportamento e que regulam a sua frequência. Aqui também se configura contingência de três termos. A tríplice contingência é a unidade básica do comportamento, pois diz da relação: antecedente, resposta, consequência (S : R→C). Sem essa consideração, torna-se impossível a explicação de grande parte dos comportamentos, devido ao fato de que a compreensão comportamental é estabelecida quando considerado também o contexto em que ocorre. A análise funcional consiste em encaixar o comportamento dentro dos três termos de análise: verificar o porquê o comportamento ocorre, analisar o comportamento em si e as consequências que ele traz. A análise é representada da seguinte forma: O- R→C (ocasião antecedente; resposta; consequência). Os estímulos que ocorrem antes do comportamento e controlam a sua ocorrência são os estímulos discriminativos. O estimulo antecedente é que controla qual resposta produzirá consequências de reforço. Esse treino, consequentemente, produz o controle de estímulos. São esses treinos que nos propiciam responder diariamente aos comportamentos e dizem da aprendizagem, como mostra a figura “Crianças com bolas”. São exemplos de controle de estímulo adquiridos pelo treino: compreender que a “cara boa” dos pais influencia na resposta positiva ao pedido de uma festa; a cara fechada do patrão representa uma condição de que não é um bom momento para se pedir um aumento; a execução de funções exercidas com sucesso no celular através do treino e a posterior aprendizagem; dentre outras situações diárias. 75 Figura 3 - Crianças com bolas Fonte: FatCamera, iStock, 2020. #ParaCegoVer: A figura mostra crianças segurando diferentes bolas: de vôlei, de futebol, de basquete. A diferenciação do tipo de bolaé um exemplo da discriminação. A generalização diz do padrão de respostas semelhantes para estímulos diferentes, devido à semelhança entre os estímulos. Neste caso há uma relação de magnitude. Quanto mais parecido com o estímulo, maior a magnitude de resposta. Existem dois tipos de generalização na análise do comportamento: a generalização operante e generalização respondente. A generalização operante é quando respondemos de maneira semelhante a estímulos fisicamente semelhantes. Em outras palavras, um determinado estímulo possui uma relação de aproximação com estímulo discriminativo de reforçamento passado e elicia o mesmo comportamento. A generalização respondente é quando estímulos fisicamente semelhantes eliciam respostas reflexas semelhantes, ou seja, a generalização respondente é quando um estímulo semelhante ao estímulo condicionado passa a eliciar a resposta condicionada. Por exemplo: uma pessoa que em determinado momento da vida foi mordida por um pastor alemão, pode passar a ter medo do cachorro que a mordeu, ter medo de outros cachorros da mesma raça, ou ainda, ter medo de qualquer raça de cachorro. Neste caso, a semelhança dos cachorros, mesmo que os demais não a tenham mordido, eliciam o medo da experiência anterior. São exemplos cotidianos de generalização: quando uma criança aprende a falar “bola”. Sua aprendizagem ocorreu com o estímulo de uma bola de futebol e ela reproduz na presença de bolas de gude, bola de sabão, bola de ping-pong. Um exemplo mais sofisticado é quando temos um determinado aparelho celular e posteriormente trocamos por outro diferente, a aprendizagem 76 anterior é utilizada para operar o atual aparelho, como mostra a figura “Diferentes smartphones modernos”. A generalização é importante por facilitar os processos de aprendizagem. Desta forma não temos que modelar uma resposta para cada estímulo diferente. A ferramenta utilizada para saber o quanto a generalização está ocorrendo é o gradiente de generalização, nele temos graficamente a representação de relação entre as semelhanças do estímulo apresentado com o estímulo discriminativo e a frequência de resposta produzida em sua presença. É possível ainda testar se de fato houve a generalização através do teste de generalização. É necessário que o teste seja feito em extinção para que a observação não seja muito maior que o real. Figura 4 - Diferentes smartphones modernos Fonte: Bet_Noire, iStock, 2020. #ParaCegoVer: A diversidade de celulares e o estímulo discriminativo comum de funcionamento de todos eles e a semelhança para nomeá-los como aparelho celulares é um exemplo de generalização. 3 PUNIÇÃO E EXTINÇÃO A punição tem por objetivo eliminar comportamentos indesejados. Trata-se de uma consequência que torna o comportamento indesejado menos provável. Skinner (1983, p. 50) faz uma crítica a punição: 77 A recompensa (reforço) e a punição não diferem unicamente com relação aos efeitos que produzem. Uma criança castigada de modo severo por brincadeiras sexuais não ficará necessariamente desestimulada de continuar, da mesma forma que um homem preso por assalto violento não terá necessariamente diminuída sua tendência a violência. Comportamentos sujeitos a punições tendem a se repetir assim que as contingências punitivas forem removidas. Existem dois tipos de punições: a punição positiva e a punição negativa. Punição positiva é quando há a adição de um estímulo aversivo no ambiente, fazendo com que diminua a probabilidade do comportamento. Já a punição negativa é quando é retirado um estímulo aversivo do ambiente para diminuir a probabilidade do comportamento. Um dos diferenciais da punição é que o comportamento inadequado não desaparece, ou seja, existe a probabilidade de que este comportamento ocorra em ambientes em que não haja punição ou que retorne no mesmo ambiente quando não houver mais os estímulos punitivos. Um exemplo de punição positiva é quando temos um comportamento no qual a mãe bate na criança quando esta mexe em sua bolsa. Para reduzir o comportamento de mexer na bolsa, a mãe inclui o estímulo de bater nessa criança. Se o acréscimo do “bater” nesta relação fizer com que a criança diminua a quantidade de vezes em que mexe na bolsa, nomeamos o comportamento da mãe como punição positiva. Um exemplo de punição negativa é quando uma criança tem notas escolares ruins e, como consequência, os pais retiram o seu vídeo game. Se a retirada do vídeo game diminuir a probabilidade de obter notas ruins na escola, nomeamos como punição negativa. A grande questão de críticas quanto à punição é que o incremento de estímulo aversivo ou retirada de estímulo reforçador não são efetivos para a mudança de comportamento. Apesar de ser mais fácil punir o que é inadequado do que reforçar o que é adequado, a punição possui consequências. Essas consequências podem ser o contracontrole, emissão de respostas incompatíveis com o comportamento punido e/ou a supressão de outros comportamentos além do punido. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 78 A oposição à punição se dá exatamente às suas consequências. Diferente dos reforços, nos comportamentos secundários as punições tendem a ser problemáticas, posteriormente exigindo uma nova intervenção. Apesar de todas as recomendações quanto a não utilização da punição como método, trata-se do método mais utilizado no controle do comportamento devido a sua consequência imediata. Diferente do reforço e da modelagem que demoram mais tempo para sua efetividade, a punição tem um efeito imediato, como vemos, não é efetivo a longo prazo, mas imediato na resposta. É válido lembrar também que a punição produz subprodutos, gerando mal-estar, sentimentos de medo, ansiedade e produzir conflito entre a resposta punida e a resposta evitada, como mostra a figura “Punição como método”. Figura 5 - Punição como método Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem retrata um adulto brigando com uma criança, mostrando que um dos efeitos punitivos é a mudança na relação entre punidor e punido. 3.1 Extinção A extinção é a quebra da relação já estabelecida anteriormente entre a resposta e a consequência. Neste caso, a consequência é retirada da relação. A extinção é uma das alternativas substitutivas à punição. Trata-se de um método menos aversivo, mas que também gera respostas emocionais. A extinção diminui a frequência do comportamento, mas não treina novas respostas ao organismo. Um fator interessante na extinção é que antes dela ocorrer há um aumento na frequência e aumento na variabilidade da forma de 79 resposta do comportamento. E é após esse aumento de frequência e ausência de reforço que ocorre a extinção. Um exemplo de resposta emocional que está associada a esse processo é de frustação. Iremos caracterizar esse fator citado acima como resistência à extinção. Essa resistência diz da história de reforçamento do comportamento. Quanto mais reforçado foi o comportamento, mais resistente ele será à extinção. Quanto mais rápida for a resposta, maior será a resistência. Quanto maior variação de reforçamento ocorrer, também maior será a sua resistência (se não houver o reforço contínuo, ou seja, durante um mesmo comportamento houver variação entre ser ou não ser reforçado). Existem dois tipos de extinção: extinção operante e extinção respondente. Na extinção operante há a quebra da relação resposta/consequência já estabelecida; já a extinção respondente é quando o estímulo condicionado deixa de ser emparelhado com o estímulo incondicionado. 3.2 Contingências do reforço negativo Como vimos, todas as formas de modelagem comportamental trazem consequências, alguma eficientes no comportamento, outras com prejuízos no desenvolvimento. Agora falaremos um pouco sobre os comportamentos que são mantidos através do reforço negativo. Quando retiramos o estímulo aversivo do ambiente em que o organismo está, reforçamos negativamente o seu comportamento. Ambas se relacionam com a respostade evitar ou atrasar um estímulo aversivo e, por se tratar de consequências de reforço, mesmo sendo negativo, tendem a ser mantidas pelo organismo. A fuga corresponde à emissão de resposta quando o estímulo aversivo está presente. Já a esquiva é a emissão de resposta que evita a apresentação do estímulo aversivo. Temos em fuga um estímulo original, e na esquiva o estímulo condicionado. Ambas se tratam do comportamento do organismo de não se relacionar com o estímulo aversivo e são reforçados negativamente. Na ordem comportamental de resposta dos estímulos, o organismo tende primeiro a evitar o estímulo aversivo, quando não o consegue, ele foge. Ambos os comportamentos são importantes para o ser humano e estão relacionados com a defesa, a manutenção da sobrevivência e evolução da espécie. Porém estes mesmos comportamentos, quando generalizados, diminuem o repertório comportamental, deixando de ser funcional e sendo contrário ao propósito da clínica, que é expandir o repertório a fim de tornar as experiências mais amplas. 4 RECUPERAÇÃO ESPONTÂNEA A extinção não acaba de fato com o comportamento. A recuperação espontânea é uma forma de resistência à extinção. Ela acontece quando um comportamento, que anteriormente foi extinto, passa a ressurgir. Ou seja, para que haja recuperação espontânea, primeiro o organismo passa pelo condicionamento entre os estímulos condicionados e incondicionados. Quando deixamos 80 de reforçar o comportamento criado aqui, o organismo passará pelo processo de resistência até chegar na extinção. Mesmo após extinto, ele pode reaparecer e é então que nomeamos recuperação espontânea. Aqui, se o estímulo condicionado não estiver associado ao estímulo incondicionado, ocorre novamente a extinção. Isso quer dizer que o organismo tentará emitir o mesmo comportamento em busca da resposta, se ele a obtiver, o comportamento voltará, em caso contrário haverá uma nova extinção. Pavlov experimenta no teste de condicionamento também a recuperação espontânea. Após parear o som com o alimento, ambos estímulos produziram a salivação no cachorro. Quando se deixou de emparelhar os estímulos, o cachorro passou por todo o processo de extinção do comportamento e a salivação desapareceu apenas na presença do som. Depois de algumas horas de repouso, novamente a salivação surgiu na presença do som. Um exemplo de recuperação espontânea é quando um casal briga no namoro e o garoto decide bloquear a sua namorada nas redes sociais. Após um tempo, ele a desbloqueia. Havendo uma possibilidade de ser reforçado em seu comportamento (ter a atenção novamente da namorada), o comportamento de mantê-la nas redes sociais volta. Caso contrário, novamente ele tende a bloqueá-la. A recuperação espontânea nos mostra que o comportamento extinto não deixa de existir. Mas esse comportamento não terá a mesma magnitude de força quanto no momento em que foi reforçado antes da extinção. 4.1 Contracondicionamento e dessensibilização sistemática Esses são dois processos importantíssimos para a atuação de um analista comportamental. Existem fatores que interferem na modelagem comportamental, um dele é se a pessoa é capaz de se relacionar com um estímulo que para ela é intenso. É comum que as pessoas cheguem na clínica querendo controlar sentimentos ou mesmo curar medos. Também é comum nesses casos que a pessoa apresente uma resposta emocional muito forte para o estímulo aversivo, não conseguindo lidar diretamente. Porém, como fazer com que um determinado estímulo deixe de ser aversivo sem que a pessoa entre em contato com ele? O papel do contracondicionamento e da dessensibilização sistemática é reduzir o sofrimento frente a um estímulo que causa respostas emocionais com magnitude alta. O contracondicionametno consiste em condicionar respostas contrárias ao estímulo condicionado. Isso faz com que o estímulo, que causava reações aversivas, passe a ter uma gama maior de possibilidades, inclusive de estímulos não-aversivos. 81 Um exemplo de contracondicionametno é quando uma pessoa deseja parar de beber, mas não consegue inicialmente. Para este caso utiliza-se um estímulo que não seja agradável para relacioná- lo com a bebida, um chá amargo por exemplo. Iremos condicionar a pessoa para que a bebida emita a mesma resposta que o chá ruim. Após o condicionamento, a pessoa passa a emitir o mesmo comportamento para ambos os estímulos, desta forma, a bebida se torna desagradável. Um outro processo muito utilizado para questões similares é a dessensibilização sistemática. Essa consiste em dividir o processo de extinção em pequenas partes. Para tal é necessário que antes se construa uma escala crescente de contato com o estímulo, começando do contato que eliciar a menor magnitude de resposta até chegar no contato com maior eliciação de magnitude de resposta. Um exemplo de dessensibilização sistemática é o utilizado no medo de cachorro. De acordo com o nível de medo da pessoa, começamos a dessensibilização aproximando-a de uma imagem do animal, um vídeo, posteriormente a um cão de pelúcia, a ver um cachorro mais distante, ver um cachorro mais próximo, até que a pessoa consiga se aproximar de cães. Junto a cada etapa podem ser utilizados estímulos que sejam agradáveis para o indivíduo. Eis também um método muito efetivo na modelagem comportamental. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 82 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender como acontece o processo de modelagem comportamental; • observar como o reforçamento diferencial é usado na modelagem; • entender como ocorrem os processos de generalização e de discriminação e suas relevâncias para o comportamento; • diferenciar os tipos de punições, conhecer sobre as suas consequências e entender o porquê de não ser um método recomendado. PARA RESUMIR BORGES, N. B.; BANACO, R. A. História comportamental: efeitos de história de Reforçamento em DRL em ratos Wistar. Psicologia: teoria e prática, v. 12, n. 02, pp. 112- 126, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010. Disponível em: http://pepsic. bvsalud.org/pdf/ptp/v12n2/v12n2a08.pdf. Acesso em: 20 mai. 2020. FALEIROD, T. C.; HUBNER, M. M. C. Efeito do Reforçamento diferencial de resposta verbal referente à leitura sobre a duração da resposta de ler. Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Revista brasileira de terapia comportamental e cognitiva, v. IX, n. 02, pp. 307-316, Belo Horizonte-MG, 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud. org/pdf/rbtcc/v9n2/v9n2a12.pdf. Acesso em: 20 mai. 2020. GALVÃO, O. F.; BARROS, R. S. Curso de introdução à Análise Experimental do Comportamento. São Paulo: CopyMarket.com, 2001. KOHLENBERG, R. J.; TSAI, M. Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETEC, 2006. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios de análise do comportamento. 1. ed. São Paulo: Artmed, 2007. SANTOS, G. C. V. O procedimento de DRO e a aparente possibilidade de uso de procedimentos não aversivos na redução de “comportamentos-problema”. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. XX, n. 3, pp. 99-117. Disponível em: http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/1220. Acesso em: 21 mai. 2020. SILVA, E. R.; FARIA, S. F., SANTOS, R. O. A Modelagem e o Controle do Comportamento. Psicologado, jun. 2015. Disponível em: https://psicologado.com.br/abordagens/ comportamental/a-modelagem-e-o-controle-do-comportamento. Acesso em: 20 mai. 2020. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Psicologia experimental é um livro direcionado para estudantes dos cursos de psicologia e correlatos. Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo sobre aplicabilidade do behaviorismo, análise experimental do comportamento, condicionamento reflexo, reforçadores do comportamento operante, esquemas simples de reforçamento, análise experimental do comportamento, e ampliações do comportamento. Após a leitura da obra, o leitor vai saber que oscomportamentos operantes (ou respostas operantes) são aqueles que se apresentam ao meio ambiente; entender que inato é o que está com o indivíduo desde seu nascimento; identificar os diversos momentos históricos em que a psicologia buscou se tornar uma ciência; reconhecer as primeiras Escolas de Psicologia e a relação com a evolução do conhecimento científico; compreender como surgiu a Análise Experimental do Comportamento, e seus aspectos éticos e históricos; aprofundar-se sobre os modelos animais e a diversidade de resultados da testagem animal para a intervenção humana; observar como o reforçamento diferencial é usado na modelagem; diferenciar os tipos de punições, saber as suas consequências e entender o porquê de não ser um método não recomendado, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos!aborda a psicologia como a ciência que estuda o comportamento humano e suas características individuais e coletivas. O texto discute as origens históricas, filosóficas e epistemológicas da psicologia, explica como se analisa um experimento científico no campo da psicologia. A segunda unidade discute os aspectos históricos e filosóficos que envolveram o processo de construção da psicologia cientifica. O leitor vai conhecer os influenciadores da época e suas contribuições para a psicologia, o método experimental (seus conceitos, os aspectos relacionados e sua execução), como a pesquisa animal influenciou e influencia as descobertas humanas, e mais. Na sequência, a terceira unidade trata da psicologia em sua vertente experimental. O leitor conhecerá como o comportamento se manifesta frente às variáveis do meio. Concluindo a obra, a quarta e última unidade analisa como são adquiridos os comportamentos mais complexos. O leitor saberá mais sobre os métodos mais utilizados para a modelagem comportamental, a relação que existe entre cada processo na formação e manutenção do comportamento, a razão pelo qual existem métodos pouco efetivos, mas muito utilizados. Este é apenas um panorama do conteúdo que o leitor vai estudar. Após a leitura deste livro na íntegra, ele vai compreender de forma fácil do que se trata a psicologia experimental. Agora é com você! Sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Introdução à psicologia experimental Olá, Você está na unidade Introdução à Psicologia Experimental. Conheça aqui a psicologia como a ciência que estuda o comportamento humano e suas características individuais e coletivas. Teremos a oportunidade de pautar sobre as suas origens históricas, filosóficas e epistemológicas, e como se analisa um experimento científico no campo da psicologia. O que se estuda na psicologia experimental, memória, motivação, não só na psicologia infantil, como na social e educativa. Bons estudos! Introdução 11 1 ORIGENS HISTÓRICA, FILOSÓFICA E EPISTEMOLÓGICA Em diversos momentos de nossa vida pessoal ou profissional fazemos uso do termo “psicologia” para nos referirmos a contextos de senso comum, na maioria das vezes. Ou seja, retratando um conhecimento sem verificação metodológica (científica). Conhecimento este que se transmite de pessoa para pessoa, sem método ou conferência. Mas, para a Psicologia chegar a ser uma ciência teve que evoluir e tornar seu estudo algo possível de reprodução, objetivando avaliar limitações e capacidades de determinada ideia, separando o conhecimento científico do conhecimento místico. E, dessa forma, dar o salto para reconhecer a realidade sobre uma ótica estudada, pensada, reflexiva, não intuitiva. Assim, não fazendo uso de expressões “parece que sim”, “ele é assim mesmo”, “todos os profissionais de atendimento ao público são estressados” etc. Devemos ter claro que a preocupação na identificação dos motivos que levam o ser humano a fazer de uma forma ou de outra algo, o domínio deste conhecimento interessa a grande parte das pessoas desde sempre, mas mesmo sendo uma dúvida antiga, ela é atualíssima. 1.1 História da psicologia Os primeiros indícios de estudos sobre Psicologia remontam à antiguidade, quando os gregos, no auge de sua cultura e riqueza, produziram conhecimentos em arquitetura, física e geometria. O conceito de democracia. E devido a toda essa riqueza era possível alguns trabalharem (escravos) e os cidadãos (livres) podiam se interessar por filosofia, artes. Os filósofos gregos, em suas reflexões sobre o ser humano e sua interioridade, chegam a nos colocar que: [...] termo psicologia vem do grego psyché, que significa alma, e de logos, que significa razão. A alma ou espírito era concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os sentimentos de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 33). Assim, temos Sócrates (469-399 a.C) que, na busca por diferenciar o homem dos animais, aponta como nossa característica a razão. E seu discípulo Platão (427-347 a.C) define o lugar onde ocorre a razão = a cabeça e a alma humana. Em sequência, o discípulo de Platão, Aristóteles (384- 322 a.C), coloca que não há dissociação entre alma e corpo. Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), Aristóteles estudou as diferenças entre a razão, a percepção e as sensações humanas elaborando o primeiro tratado em Psicologia, “Da anima”. Após a Antiguidade teremos a Idade Média e o Cristianismo, que com Santo Agostinho (354- 430) separa a alma humana do corpo humano. Com o surgimento do Protestantismo, São Tomás de Aquino diferencia essência e existência. E o Renascimento é caracterizado pela descoberta de 12 novas terras (América, Índia). E, o surgimento do capitalismo se baseia nas nações enriquecendo (França, Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal), e o conhecimento evoluindo em vários setores. Somam-se as colocações já apresentadas de Bock, Furtado e Teixeira (2008, p.36), René Descartes (1596-1659), importante filósofo da época “postula a separação entre mente (alma, espírito) e corpo, afirmando que o homem possui uma substancia material e uma substancia pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina”. Ferreira nos auxilia a confirmar a colaboração de Descartes para a Psicologia quando (2005, p. 23-24) [...] no início do século XVII, Descartes propõe a separação entre esses domínios, entendidos agora como duas substâncias distintas. [...] Nossa mente e cérebro se identificam pois ao sujeito, restando ao corpo o papel de mero objeto, de mera máquina opaca ao nosso conhecimento imediato. [...] Essa dualidade marcou o início da psicologia no século XVIII, e ainda está presente nas discussões sobre a relação entre alma e corpo, que acompanham a psicologia até os dias de hoje. A humanidade dá um grande salto na questão conhecimento pôs Renascimento, que pode ser visto na tabela “A evolução histórica das Escolas de Pensamento Psicológico”, desenvolvido por Schultz e Schultz (2005, p. 1-17). Tabela 1 - A evolução histórica das Escolas de pensamento psicológico Fonte: SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p. 1-17. #ParaCegoVer: Na imagem, há um quadro de três colunas e oito linhas, apresentando uma determinada década, fatos que aconteceram naquela época de relevantes e que escola da psicologia de formou durante aquele período e seu fundador. 13 A tabela nos mostra que a Psicologia, assim como as demais ciências, evoluiu em decorrência da cultura da época, das forças externas que deram direção. O estudo do contexto permite identificar as ideias predominantes oriundas da cultura da época, como das forças sociais, econômicas e políticas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). Ainda, é possível identificar que o Behaviorismo surge num momento histórico que a sociedade vivenciava, acreditar ou não no conhecimento científico. Um bom exemplo é o ocorrido com o professor John Scopes (escola pública americana/1925). Contrariando a lei, ministrou uma aula em que apresentava a teoria do Evolucionismo, de Charles Darwin, “A Origem das Espécies” e, por isso, foi processado e julgado. O acontecimento ficou conhecido como o “Julgamento do Macaco”. E foi decorrente da acomodação social entre crer na teoria do Evolucionismo e acreditar no que a Bíblia diz. A situação promoveu revisão no sistema educacional americano (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). Outro seria os estudos desenvolvidos durante a 1ª Guerra Mundial (1914 a 1918) sobre desempenho das tropas. Vamos ter o surgimento do termo Behaviorismo, com John B. Watson, em artigo publicado 1913, como nos colocam Bock, Furtado, Teixeira (2008, p. 58): Psicologia: como os behavioristas a veem. O termo behavior significa ‘comportamento’; por isso, para denominar essa tendência teórica, usamos Behaviorismo – e, também, Comportamentalismo, Teoria Comportamental, Análise Experimental do Comportamento, Análise do Comportamento. Este foi um evento histórico, queapresentou a Psicologia de forma científica, em um artigo com conhecimento e prática sistematizada. 1.2 Epistemologia da Psicologia O estudo da Psicologia apresenta seus conceitos de forma lógica, classificando e validando o conhecido, com dados consistentes, com narrativa e cronologia. O conhecimento pode ser tratado como teoria e passa a ser referenciado. W. Wundt (1832-1926), em 1875, que contava com um Laboratório de Experimentos em Psicofisiologia (Alemanha), trouxe estudos traduzidos em “marco histórico significou o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas e espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens” (BOCK. FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 24-25). No laboratório de Wundt vários outros psicólogos se formaram, a exemplo Titchener (1867 – 1927). Cabe no momento retomar a ideia das características fundamentais de um estudo científico; iniciamos com o objeto de estudo = foco do estudo, o que se pretende investigar. E, ao apresentar as informações de modo que tenhamos conhecimento, é necessária uma linguagem precisa e rigorosa, o domínio das normas e métricas definidas para o tipo de investigação (objeto de estudo) e dados de maneira programada, sistemática e controlada. Assim, é possível a verificação da validade do estudo. Esta última colocação significa que seu 14 objeto de estudo será apresentado com base em suas ideias e atentando à forma culta e à normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), não se esquecendo que o conhecimento é acumulativo e objetivo. Então deve-se atentar à identificação do objeto de estudo e não se confundir com ele, pois as ciências apresentam objetos de estudos diferentes (a medicina estuda a natureza e as causas das doenças humanas; a astronomia os astros). A Psicologia, a Antropologia, a Economia, a Sociologia, por serem classificadas como ciências humanas, estudam o homem. Para identificar melhor qual é o nosso objeto de estudo, buscamos Bock, Furtado, Teixeira (2008, p. 21), que explicam que devemos questionar qual seria o objeto de estudo da Psicologia. Se for um psicólogo comportamentalista teremos que é o comportamento humano. Já um psicólogo psicanalista diria que é o inconsciente. Ou seja, pode ser tanto a consciência humana como a personalidade, e irá depender da teoria de psicologia que embasa o estudo. O caminho percorrido em busca do conhecimento em Psicologia, desenvolvido por suas diversas Escolas de Pensamento, possibilitou a Regulamentação desta ciência, que no Brasil chegou em 27 de agosto de 1962, pela Lei n. 4.119 de 1962. Data que hoje é comemorado o Dia do Psicólogo (27 de agosto), marcando o direito de uma profissão. Cabe descrever mais a situação ocorrida: Antes de ser juridicamente reconhecida, a Psicologia estava presente em campos como a Educação, a Saúde, o Trabalho e o Direito, sendo ensinada nas Escolas Normais e Faculdades de Filosofia e em centros de excelência como a Universidade de São Paulo, a partir de 1958. Seu estabelecimento como profissão, contudo, enfrentou resistências da área médica, que considerava como privativas, práticas associadas à clínica. Apesar dessas resistências, a lei que regulamenta a profissão assegurou o trabalho do(a) psicólogo(a), definido como “uso de métodos e técnicas psicológicas para a solução de problemas de ajustamento”. A regulamentação da profissão de psicólogo(a) em lei não era comum à época. Com a exceção de Estados Unidos, Canadá e Egito (CRP, s.d.). 2 VISÃO GERAL DA EXPERIMENTAÇÃO EM PSICOLOGIA Mesmo a Psicologia sendo uma ciência estudada de forma sistematizada, desde o século XIX é considerada uma ciência jovem e ainda não explica diversas situações sobre o homem. Este fato também justifica a diversidade de objetos de estudo. O ser humano vive em sociedade e só esta situação já distingue todos os estudos das ciências humanas, em particular a Psicologia. 15 Vamos refletir um pouco: o homem se expressa manifestando seu comportamento (possível de ser estudado); já os sentimentos (não se observa – só quando é manifestado), além disto, cada um de nós é de “um jeito” (nossa singularidade) e, ao mesmo tempo, somos iguais geneticamente. Difícil é o homem-corpo, homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação, outro conceito humano de nossa subjetividade (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008). Como explicam Schultz e Schultz (2005, p. 110), na reprodução de texto original “A Textbook of Psychology” (1909), de E.B. Titchener, “todo conhecimento humano é derivado da experiência humana, não há outra fonte de conhecimento. Todavia a experiência humana, como vimos, pode ser analisada a partir de pontos de vistas distintos”. 2.1 Primeiros passos da Psicologia Experimental O Estruturalismo, da Escola Americana em Psicologia, tem início com as pesquisas E. B. Titchener (1867-1927), com o estudo da estrutura consciente da mente, e sua sensações. A ótica seria a experiência consciente do indivíduo, através da reflexão deste sobre sua experiencia pessoal. Simplificando, Titchener analisa conteúdos mentais e sua conexão mecânica, por associação, sem considerar a intuição (lembre-se do conceito de senso comum) (SCHULTZ, 2009). Nesta análise da experiência humana de Titchener, o importante é descobrir a natureza das experiências conscientes para determinar sua estrutura, por meio da análise das partes que a formam. A principal divergência quanto ao objeto de estudo da Psicologia para Wundt (1832- 1926), que fora seu mentor na Alemanha, é que esta análise deve se atentar ao estudo da consciência através da introspecção, utilizando somente elementos estruturais da consciência. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). 2.2 Contribuições da Escola Estruturalismo Para Schultz e Schultz (2005, p.114), Titcherner (1867 – 1927), em decorrência de seus estudos no Laboratório de W. Wundt (1832-1926), contribui para a evolução dos estudos em Psicologia quando propõe: “1. reduzir os processos conscientes aos seus componentes mais simples; 2. determinar as leis de associação desses elementos da consciência; 3. conectar os elementos às suas condições fisiológicas”. Ou seja, uma definição clara do objeto de estudo: a experiência consciente. Complementando, Schultz e Schultz (2005, p. 111) lecionam que: No estudo da experiência consciente, Titcherner fez um alerta a respeito de se cometer o que chamou de erro de estímulo, que gera uma confusão entre o processo mental e o objeto da observação. Por exemplo: o observador que vê uma maçã e a descreve apenas como a fruta maçã em vez de descrever elementos como a cor, o brilho e a forma que está percebendo, comete o erro de estímulo. O objeto da observação não deve ser descrito na linguagem cotidiana, mas em termos do conteúdo 16 consciente elementar da experiência. Tal proposta favorece o objeto de estudo, mas os métodos empregados vão se desgastando com a evolução do conhecimento científico. E temos a principal crítica ao pensamento da escola Estruturalista, que é a percepção sobre introspecção. Além desta situação, estudos da Psicologia voltados aos animais e às crianças não eram reconhecidos pelo fundador do Estruturalismo, pois não corroboravam com sua visão de Psicologia. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 VERTENTES DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL O foco de estudo da Psicologia Experimental é o comportamento humano e, ao estudá- lo, centra a investigação e a experimentação em fatos observáveis. A prática de análise ocorre em situações controladas, propriamente em laboratórios. As variáveis de análise relacionam o comportamento com a cognição. Aqui tem-se a principal diferenciação entre a Psicologia Experimental e as demais Escolas de Psicologias, por se centrar em eventos controlados e com variáveis determinadas, apresentando resultados estatísticos que facilita a compreensão pelos demais. Nos primeiros 40 anos da Psicologia, não só os conceitos e premissas de Watson corroboraram para o seu desenvolvimento, mas a biologia também rumava frente aquestão. Schultz e Schultz (2005, p.228) colocam que As premissas básicas do beharviorismo de Watson eram simples, diretas e ousadas. Ele buscava uma psicologia científica que lidasse exclusivamente com os atos comportamentais observáveis e passíveis de descrição objetiva, por exemplo, em termos de ‘estímulo’ e ‘resposta’. Este é um ponto significativo da Teoria, que somado às colocações a seguir, retratam bem claramente como “pensa” um psicólogo comportamental, uma vez que os termos “imagem”, “sensação”, “mente” e “consciência” não compõem o repertório da ciência do comportamento. 17 3.1 Rumo à ciência do Behaviorismo Watson mesmo não sendo o mentor exclusivo das ideias básicas do beharviorismo, em muito contribuiu ao estruturar seus conceitos e apresentá-los, os quais seriam: a tradição filosófica objetivista e mecanicista; a psicologia animal e a psicologia funcional. Ideias estas já discutidas desde Descartes - filosofo/matemático (1596 – 1650), conhecido como “o fundador da filosofia moderna e pai da matemática moderna”, significativo para o Pensamento Ocidental. Há também a colaboração de Auguste Conte – filósofo (1798-1857), fundador do Positivismo. Com estas colocações, conseguimos descrever o ambiente do conhecimento no século XX, no qual inicia o Behaviorismo. Assim, Schultz e Schultz (2005, p.229) apresentam a seguinte colocação: [...] quando Watson começou a trabalhar com o behaviorismo, as suas ideias, já tão impregnadas pelas influências objetivas, mecanicistas e materialistas, deram origem a um novo tipo de psicologia – disciplina que excluía a consciência, a mente ou a alma -, com enfoque apenas em algo visível, audível ou palpável. O resultado foi uma ciência do comportamento que enxergava o ser humano como uma máquina. Dessa forma, o objetivo da Escola Comportamentalista é ser uma ciência de estudo rigorosamente científico, em que temos como método científico aquele que tem procedimentos que contam com regras básicas, que investigam e obtém resultados confiáveis. Através da observação dos fatos, a atenção à interdisciplinaridade, ou seja, o ser humano está num contexto complexo e conta com diversas disciplinas que o explicam. Importante fazer uso de todas as ferramentas disponíveis para a pesquisa científica, independente da disciplina. Com a quantificação, fazer uso de métodos estatísticos e, assim, apresentar a teoria e a submeter à verificação, não esquecendo a neutralidade que todo o conhecimento deve demonstrar. 3.2 A influência da Psicologia animal É notório, observando colocações de Watson, que as pesquisas com animais favoreceram o desenvolvimento do Behaviorismo. Schultz e Schultz (2005, p.133) esclarecem sobre a influência das Teorias de Darwin (séc. XIX) na Psicologia contemporânea: (1) o enfoque na psicologia animal, que formou a base da psicologia comparativa; (2) a ênfase nas funções e não na estrutura da consciência; (3) a aceitação da metodologia e dos dados de diversas áreas; (4) o enfoque na descrição e mensuração das diferenças individuais. Isto traz a ideia de que é possível estudar o homem sem considerar a introspecção experimental e, mais à frente, iremos observar a significância das diferenças individuais do ser humano. Colaborando com a ideia central, temos J. Loeb fisiologista/zoólogo (1859 – 1924), que “desenvolveu uma teoria do comportamento animal baseado no conceito de tropismo, o movimento forçado involuntário. [...] reação direta e automática do animal a um estímulo [...] reação comportamental forçada pelo estímulo, não cabendo [...] definição consciente do animal” 18 (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p. 229). Aqui creio que posso discutir com você alguns movimentos que nós seres humanos apresentamos sem consciência: reação ao som do trovão; a mudança brusca de luminosidade; alteração de temperatura; entre outros. Você lembra mais alguns? • Estudos Então, no início do século XX vamos identificar alguns psicólogos que estudam a psicologia animal, desenvolvendo pesquisas em laboratórios acadêmicos, ou seja, estudos em universidades com estudantes (profissionais em formação); as pesquisas de R. Yerkes (1876-1956), que foi um pesquisador de comportamento social animal (primatas) e dos humanos (inteligência humana, desempenho); junto com outros pesquisadores. O labirinto criado em diversos laboratórios aponta orientações para a aprendizagem humana e animal. • Condicionamento Temos que apontar a colaboração de E. L. Thorndike psicólogo (1874 – 1949), que apresentou, através de seus estudos, o início ao conceito de condicionamento operante, ou seja, ele identificou que os seres vivos, quando observam uma situação agradável, tendem a repetir o comportamento na busca da mesma resposta, e que o contrário ocorre quando a consequência não for agradável. • Conceito de reforço Thorndike realizou pesquisas com pombos em gaiola (a caixa-problemas), fazendo uso do conceito de reforço; e foi quem apresentou a primeira teoria de aprendizagem na Psicologia, por utilizar suas pesquisas mais para uma orientação de associação de ideias (aprendizagem do mais simples para o mais complexo). Thorndike contribuiu especialmente ao formular a Lei do Efeito, grande salto para nosso estudo. Os organismos animais tendem a repetir o comportamento se este for recompensado (no mundo do trabalho seriam exemplos os salários; os planos de carreira). Já no contexto contrário, o comportamento tende a não ocorrer se a consequência não for agradável (seguindo o exemplo quando o profissional atinge os resultados, mas não percebe a contrapartida “prometida” – PLR.). 3.3 A Psicologia funcional No século XIX, o “conhecimento” ou as “pesquisas” quanto ao contexto natureza humana estavam muito envoltos em conceitos, por vezes, místicos; sem definir efetivamente o objeto de estudo, ou melhor, com dificuldade para definir o objeto de estudo. Então iremos apontar a visão de pesquisadores em Psicologia que, neste contexto, buscam identificar a função de consciência e como a consciência influencia o comportamento. 19 O filósofo/psicólogo W. James (1842-1910) discorre sobre a ideia de que a Psicologia não busca o que promove a experiência do indivíduo, e sim o estudo sobre a acomodação dos seres humanos ao meio ambiente. Busca apontar que a consciência humana orienta e é vital para a nossa sobrevivência, pois sem esta não evoluiríamos ou estaríamos no ponto que estamos da humanidade. Em contrapartida temos caracteres não racionais: emoção e paixão. O ser humano na concepção de James não é totalmente racional. Ferreira e Gutman (2005, p. 121) trazem que os estudos se centravam na pesquisa pura, não preocupada com as demandas práticas do conhecimento; o objeto de estudo é o entendimento que o indivíduo detém de sua vivência, “objeto problematizado por correntes como a psicanálise e o behaviorismo”, assim, afiançando que a experiência humana é comum a todos os indivíduos. Faz uso da introspecção controlada para observar as sensações humanas. E o caráter mais complexo da pesquisa foi “por conta das exigências do método, não estuda os sujeitos comuns (muito menos crianças, animais e loucos); estuda outros psicólogos devidamente treinados na profissão de fé da fisiologia para chegarem aos meandros da nossa experiência mais pura” (FERREIRA; GUTMAN, 2005, p. 121. 4 MÉTODO CIENTÍFICO DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL Chegamos ao ápice da Psicologia Experimental, pois suas pesquisas efetivamente fazem uso de método científico, assim formula-se a hipótese, planeja-se o passo a passo do estudo, coleta-se os dados e, finalmente, compara-se/analisa-se estes e reconhece-se ou não a hipótese formulada. Retomando colocações de Schultz e Schultz (2005, p.265) sobre os métodos do Behaviorismo temos que: Watson insistia em que a psicologia se limitasse aos dados das ciências naturais, ao que fosse passível de observação. [...] a psicologia devia limitar-se ao estudo objetivo do comportamento. Somente os métodos objetivos rígidosde investigação deviam ser adotados [...]. Para Watson, esses métodos incluíam: FIQUE DE OLHO Todo o profissional deve avaliar o próprio desempenho. Preferencialmente, diariamente, anotando os acertos e os erros, redigindo o aprendido. Toda a atividade deve ser isenta com definição de objeto de estudo. Assim, é ser pesquisador. Em paralelo, estude sempre. Mantenha-se atualizado. O conhecimento nunca é demasiado, e sim necessário. 20 · a observação, com e sem o uso de instrumentos, · método de teste, · o método de relato verbal e · o método do reflexo condicionado. Aqui cabe apontar que todo o indivíduo, ao pesquisar, não deve defender sua ótica em detrimento de outro conhecimento, pois os instrumentos apresentam características diferentes, que implicam em resultados diferentes. Assim, separar os valores pessoais na ação científica é primordial para possibilitar uma resposta fidedigna. Como já apontado anteriormente, o conhecimento por ser acumulativo com limitações do momento, pois em ciência, algo é verdadeiro até que se prove o contrário. 4.1 O objeto de estudo do Behaviorismo Os elementos do comportamento são os objetos de estudo da Psicologia Experimental. E o que seriam os elementos do comportamento? São os movimentos musculares do corpo e as secreções glandulares. Assim, só se analisa o que é possível de ser descrito de forma objetiva. Ampliando tal entendimento, Schultz e Schultz (2005, p.267) acredita que “apesar de a meta estabelecida reduzir todo comportamento em unidades de estímulo-resposta (E-R), o behaviorista basicamente devia envidar esforços para compreender o comportamento do organismo na totalidade”. Então, identifica-se que a observação e análise de todo e qualquer “ato” (termo utilizado por Watson) deve ser bem desenvolvida para que a identificação possa ser descrita e retratada. Tem-se aqui o entendimento que os “atos” seriam: um piscar de olhos, comer, escrever, dançar, brincar etc. E as respostas podem ser observáveis, sendo explicitas ou implícitas, quando ocorrem dentro do indivíduo, como uma dor de barriga. Cabe avaliar que os estímulos, como as respostas de um dado comportamento, podem ser simples ou complexos. Assim, A psicologia behaviorista de Watson investiga o comportamento de todo organismo em relação ao seu ambiente. Para propor leis específicas do comportamento, primeiramente é necessário analisar os complexos de estímulo-resposta, reduzindo-os em estímulos elementares e nas unidades de resposta”. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.267-268). Até aqui percebe-se que Watson buscava uma ciência que fosse a mais objetiva possível, comparável com a física ou a matemática. Mas quando se trata de comportamento humano, fica impossível não reconhecer situações como: instinto, emoção e pensamento. Então, vamos 21 analisar como a psicologia de Watson tratou estas situações, focado na ideia de que todos os comportamentos humanos possam ser identificados como estímulo-resposta. Os estudos de Watson, em 1914, inicialmente descrevem o que entendia por instintos, foram 11 (até o comportamento aleatório). Mas, na continuidade dos estudos, apresentou uma outra resposta. Em 1925, “reavaliou sua posição e eliminou o conceito de instinto. Alegou que os comportamentos aparentemente instintivos são, na verdade, respostas condicionadas socialmente” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268). Temos aqui um salto significativo nos estudos da Teoria Comportamentalista, pois em continuidade, as colocações de Watson revelam que: Ao adotar a visão de que aprendizagem - ou o condicionamento - seria a chave para a compreensão do desenvolvimento humano, tornou-se um ambientalista radical, indo mais longe não apenas negava os instintos como se recusava a admitir no seu sistema, qualquer tipo de talento, temperamento ou capacidade herdada. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268). Aqui temos uma situação bem importante, Watson aponta que, ao seu ver, não há limitações ao ser humano, contanto que se trabalhe a situação pretendida desde o nascimento, tudo é possível. Um entendimento que até atualmente é bem presente; com treinamento se chega aonde se pretende. Muitos cientistas corroboram com tal posição, pois a Psicologia não teria como modificar o instinto, mas sim treiná-lo. Continuando nossa análise sobre os estudos de Watson quanto às emoções, para o pesquisador seriam respostas fisiológicas a estímulos específicos. O exemplo mais evidente seriam os batimentos cardíacos que se aceleram quando o indivíduo sofre alguma ameaça; nesta hipótese, há recusa de se observar qualquer nível de consciência sobre as emoções. O indivíduo sente a emoção e não se faz nada quanto. Se fica roborizado, simples, é comportamento implícito. Watson, nesta questão, não encontra significativo apoio dos demais, pois seus experimentos com crianças, em que trabalhou respostas emocionais como medo, raiva e afeto, não foram obtidas as mesmas respostas. Mas Watson coloca que os medos, a raiva e o afeto manifestados pelo adulto são produzido socialmente em sua infância. Aqui discute com Freud, pois não reconhece inconsciente e consciente, uma vez que acredita que os medos são aprendidos, não traumas da infância. Os processos de pensamento para Watson ocorriam no cérebro, mas de forma imperceptível ao observador, pois não seriam passíveis de observação e de experimentação, por não haver movimento muscular. Schultz e Schultz (2005, p. 270-271) nos auxiliam no entendimento, quando colocam que: O sistema behaviorista de Watson tentou reduzir o pensamento a comportamento motor implícito. Ele alegava ser o pensamento, como todos os demais aspectos do funcionamento humano, uma espécie de comportamento sensório-motor. Partia do princípio de que o comportamento do 22 pensamento envolvia movimentos ou reações de fala implícitas. Enquanto entre os cientistas ocorriam debates, a sociedade em si não se incomodava com todas estas colocações e/ou pesquisas. Mas, num dado momento, as colocações de Watson atingiram os populares, pois sugeriam à sociedade a possibilidade de se ter comportamentos controlados e moldados cientificamente, sem devaneios, sem condutas inadequadas e ou comportamentos convencionais. Esses conceitos ressoam como algo bem positivo, dando esperança às pessoas que desacreditavam na humanidade. Watson coloca que é capaz de “desenvolver”, a partir de bebês saudáveis, adultos especialistas na área que bem entender. Além de tais colocações, temos que os estudos de Watson e Albert, com o reflexo condicionado, demonstram que é possível que os distúrbios emocionais dos adultos de hoje são decorrentes de respostas condicionadas em suas infâncias ou adolescências, respostas ocorridas por condicionamento equivocado na infância ou adolescência. Schultz e Schultz (2005, p. 272) colocam que o pesquisador acredita que o “controle prático sobre o comportamento infantil [..] não era apenas possível como também absolutamente necessário. Ele desenvolveu um plano para melhoria da sociedade, um programa de ética experimental, baseado nos princípios do behaviorismo”. Mas, não teve oportunidade de praticar efetivamente seus pressupostos teóricos. 4.2 Behaviorismo radical Complementando nossos conhecimentos sobre o método científico da Psicologia Experimental, devemos compreender os estudos desenvolvidos por Skinner (1904-1990), ou melhor, identificar o Princípio de reforço, que entendia que o ser humano não dispunha de livre arbítrio, pois a ação humana é resultado de ações anteriores. Se os resultados não forem favoráveis, dificilmente a ação será repetida; já se for positiva, há significativa possibilidade de ser repetida, repetida, repetida. • Skinner, em continuidade e complementariedade aos estudos de Watson, desenvolveu bases teóricas para intelecção e intervenção do comportamento, fez usou do condiciona- mento operante (Caixa de Skinner). • Skinner estabeleceu uma escola de pesquisa experimental em Psicologia, que nomeou de Behaviorismo Radical, o qualestuda os estímulos apresentados aos indivíduos pelo meio ambiente. Seus estudos conceituaram: a punição, o reforço positivo e o reforço negativo. • Como seus colegas, Skinner não reconheceu em sua teoria a possibilidade de subjetivi- dade e introspecção da ação humana; estudou apenas comportamentos observáveis que possibilitassem previsão e o controle. O porquê do título de Behaviorismo Radical? O objeto de estudo é o comportamento dos 23 seres vivos (homem) que se observa, somente. Nega expressões como mente, alma etc., próprias de outras vertentes da Psicologia. Reconhece a possibilidade de estudar o pensamento e as emoções, através da estrutura da linguagem. Skinner foi muito reconhecido nos Estados Unidos e no Brasil. Só confirmando o já exposto, o behaviorismo radical se atém ao comportamento dos organismos vivos e sua interação entre estímulos do ambiente e respostas do organismo, sendo determinado por três tipos de seleção: a filogenética, ontogenética e cultural. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5 CAMPO DE ATUAÇÃO A Psicologia Experimental na atualidade, ao retomarmos a tabela “A evolução histórica das Escolas de pensamento psicológico”, percebe-se que nosso objeto de estudo seria a quarta escola a se apresentar na linha cronológica do conhecimento (Estruturalismo, Funcionalismo, Psicanálise e Behaviorismo). E, no aprofundamento de nosso conhecimento, identifica-se que a Escola Experimental se apresenta como uma que nos orienta até então (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). FIQUE DE OLHO Para estar sempre atualizado quanto aos conhecimentos, é muito significativo que você leia sobre as vertentes da Psicologia na atualidade. Temos as que acompanham o Behaviorismo desde os primórdios a Psicanálise; a evolução do conhecimento psicológico na Cognitiva. E, hoje, identificamos outras como: psicologia positivista e psicologia evolucionista. Mas, a mente do pesquisador ou do aprendiz deve sempre buscar a ciência e suas comprovações. 24 Mesmo que conceitos e/ou vocábulos das demais escolas façam parte dos discursos de profissionais ou não da área, dificultando o discurso, tal dificuldade compromete a fala dos psicólogos no dia a dia de atuação quanto ao Behaviorismo. Para os puristas da escola, mesmo isto ocorrendo de fato, não se reconhecem os conceitos ou vocábulos que abordem as ideias sobre o inconsciente, por estes não serem compatíveis com a observação e análise imparciais. A pesquisa não possibilita que se obtenham definições de conceitos ou ferramentas de trabalho fidedignas, assim, a ciência não seria preservada no final. 5.1 Necessidades da sociedade contemporânea Identificando as necessidades do século XXI, buscamos Martin e Pear (2009, p. 3) com sua colocação, mesmo sendo uma fala de 2009, se mostra bem atual: Muitas das melhores conquistas da sociedade, assim como alguns de seus mais prementes desafios sociais e de saúde – como racismo, doenças cardíacas, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), terrorismo -, estão firmemente embasadas os em comportamento. Alguns autores apontam que estamos vivendo uma “crise” em termos de comportamento social e individual. A sociedade não identifica plenamente o como se comportar; os conflitos entre as gerações (no trabalho e fora dele); a imaturidade dos adultos apontada por filósofos, sociólogos, antropólogos, psicólogos entre estudiosos e práticos. Quando estamos “lidando” com indivíduos numa instituição acadêmica, com foco na inclusão por exemplo, temos crianças com diversos transtornos só descritos neste século. Uma criança que pouco se socializa ou que não tem aparentemente interesse em se socializar ou comunicar; outra com ritmo de aprendizagem divergente do padrão. Nossa interação com estes indivíduos não deve se apegar no que “imaginamos” que esteja ocorrendo, pois não temos domínio efetivo deste saber. Somos profissionais e devemos trabalhar com base no observável, na busca de respostas para uma ação produtiva para o indivíduo inIcialmente e, em consequência, para a comunidade. Observando outros eventos do cotidiano, como: jogar lixo no chão; improdutividade; não respeito às normas e regras de convivência no trânsito, no condomínio, na escola, na empresa; transtornos de comportamento (fobias); doenças profissionais e sociais; gerenciamento da vida pessoal, financeira etc., que também corroboram com as práticas e ferramentas do Teoria Behaviorista. Falta apontar, em particular, a utilização de tais ferramentas no mundo esportivo, nações fazem uso da prática no preparo de seus esportistas na busca de melhor desempenho pessoal e coletivo. 5.2 Divergências Os conceitos de Psicologia na vertente Behaviorismo são amplos e destinados a todos os indivíduos. Na atualidade, objetivando resposta às demandas sociais, é necessário identificar 25 teorias, técnicas e ferramentas de ação. O Behaviorismo social vem enfrentando tal situação. Então lembramos que outros seguidores de Skinner, como Bandura e Rotter, tomaram caminhos um tanto divergentes do mentor inicial, trabalhando com conceitos e abordagens menos radicais. Desenvolveram pesquisas quanto à autoeficácia e modificação dos comportamentos socialmente anormais, se distanciando do Behaviorismo Radical e das práticas objetivas de pesquisa, de certa forma. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 26 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender que a Psicologia é um estudo presente na nossa história desde seus primórdios; • entender sobre a dicotomia, mente e razão; • identificar os diversos momentos históricos em que a Psicologia buscou se tornar uma ciência; • reconhecer as primeiras Escolas de Psicologia e a relação com a evolução do conhecimento científico; • a influência da Psicologia animal no estudo do Behaviorismo; • o comportamento sendo estudado na Psicologia funcional; • a identificação do objeto de estudo e a ênfase ao método científico; • a atuação do profissional de Psicologia frente às demandas atuais. PARA RESUMIR BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estu- do de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008. BRASIL. Lei n. 4.119, de 27 de agosto de 1962. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4119.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%204.119%2C%20 DE%2027%20DE%20AGOSTO%20DE%201962.&text=Disp%C3%B5e%20s%C3%B4bre%20 os%20cursos%20de,regulamenta%20a%20profiss%C3%A3o%20de%20psic%C3%B3lo- go.&text=Art.,de%20bacharelado%2C%20licenciado%20e%20Psic%C3%B3logo. Acesso em: 29 mai. 2020. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA (CRP). O avanço da profissão. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/172/frames/fr_avancos.aspx. Acesso em: 14 mai. 2020. JACÓ-VILELA, A. M.; FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. T. (org.) História da psicologia: rumos e percursos. Coleção o Ensino de Psicologia. Rio de Janeiro: Nau Ed., 2006. KANTOWITZ, B. H.; ELMES, D. G.; ROEDIGER III, H. L. Psicologia Experimental - Psicologia para compreender a pesquisa em Psicologia. São Paulo: Cengage Learming, 2006. MARTIN, G.; PEAR, J. Modificação de comportamento: o que é e como fazer. Trad. N. C. Aguirre; ver. H. J. Guilhardi. 8. ed. São Paulo: Roca, 2009. MILLENSON, J.R. Princípios de análise do comportamento. Trad. A. A. Souza, D. Rezende. Brasil: Brasília, 1975. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. ed. São Paulo: Artmed, 2019. PLATET-LOMBARD, V. L. V.; WATANABE, O. M.; CASSETARI, L. Psicologia Experimental - manual teórico e prático de análise do comportamento. 5. ed. São Paulo: Edicon, 2015. SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. Trad. Suely Murai Cuccio. São Paulo: Cengage Learning, 2005. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Análise experimental do comportamento Olá, Você está na unidade de Análise Experimental do Comportamento. Conheça aqui os aspectos históricos e filosóficos que envolveram o processo de construção dapsicologia cientifica, além dos grandes influenciadores da época e suas contribuições científicas para a psicologia. Abordaremos o método experimental, seus conceitos, os aspectos relacionados e sua execução. Entenderemos como a pesquisa animal influenciou e ainda influencia cientificamente as descobertas humanas. Falaremos sobre a utilização de animais nos experimentos, como esses estudos foram elaborados e seus intuitos. Destacaremos a criação dos ambientes controlados para pesquisa científica, além de falar sobre os conceitos éticos e históricos das pesquisas experimentais. Também abordaremos as respectivas ferramentas para pesquisa laboratorial em análise do comportamento. Aprenderemos, ainda, sobre as variáveis que envolvem o comportamento experimental e como identificá-las. Bons estudos! Introdução 31 1 ASPECTOS HISTÓRICOS DA PESQUISA COM ANIMAIS O século XIX e o século XX marcaram a psicologia como a ciência da mente humana. Derivada dos conceitos em fisiologia e das aproximações para o estudo, seu primeiro propulsor foi Wundt, fisiologista utilizando o método da introspecção. Ele media, através dos relatos das pessoas, as sensações e percepções, a fim de produzir sistematicamente métodos para a explicação dos conceitos filosóficos. Aplicado aos conceitos do pragmatismo, entendemos que a visão de mundo é consequência do que o ser experimenta. Nesse contexto, o que não é experienciado, não tem utilidade de explicação. Partindo exatamente desse pressuposto, se baseiam os estudos de John Watson (1913). Ele não nega a existência de comportamentos privados, mas ignora a necessidade de compreendê-los. Sabemos que o surgimento do Behaviorismo nasceu das críticas ao modelo metalista dos aspectos psicológicos e da necessidade de tornar a psicologia uma ciência que, assim como as outras, se comprovasse cientifica e metodologicamente. John Watson (2008) explica que: A psicologia humana falhou em cumprir sua reinvindicação como uma ciência natural. Devido a uma noção errônea de que seus campos são de fato os fenômenos conscientes e que a introspecção é o único método direto de averiguar esses fatos, ela emaranhou-se em uma série de questões especulativas aos quais, enquanto fundamentais para seus princípios atuais, não são abertas para o tratamento experimental. Na busca pelas respostas a essas questões, ela se tornou mais e mais afastada do contato com os problemas os quais dizem respeito vitalmente ao interesse humano. A partir desse momento, surgem as primeiras propostas de se trabalhar com comportamentos públicos e as críticas aos modelos de estudo em psicologia que trabalham com conceitos mentalistas. Termos como: consciência, mente, inconsciente são ditos como insuficientes para a explicação do comportamento humano, uma vez que não são localizados no tempo e no espaço. A teoria Darwiniana influenciou diversas áreas cientificas, e não foi diferente com a Psicologia, em especial com o Behaviorismo. Através da teoria da evolução de Darwin, concluímos que a sobrevivência na Terra depende da adaptação dos seres nela, o que explica, por exemplo, os animais que entram em extinção e a ideia de que o ser humano é uma evolução de milhões de anos no mundo animal. A conclusão de que diferentes espécies se apropriam dos mesmos comportamentos foi o principal motivo para que se executasse a experiência com animais em todas as áreas de pesquisas relacionadas aos vivos, como é o caso da medicina, da farmacologia, psicologia e biologia. No caso específico das ciências voltadas para o estudo da humanidade, o objetivo não era a investigação dos animais em si, mas a apropriação que estes estudos poderiam obter para a 32 investigação humana, uma vez que os estudos com seres humanos vivos não eram permitidos e que o foco inicial das pesquisas se tratava basicamente dos comportamentos observáveis. Uma obra que aborda de forma mais clara a compreensão desta etapa é o trabalho de B. F. Skinner, intitulado “The Behavior of Organisms” (“O Comportamento dos Organismos”), publicado em 1938, perpassando pela teoria evolucionista de Darwin, os estudos do behaviorismo radical elaborados por John Watson, os experimentos de Pavlov com o condicionamento clássico, entre outros. Skinner não desvaloriza o Behaviorismo Radical (BR) e suas conquistas, pelo contrário, ele considera o BR como a filosofia para a criação do behaviorismo metodológico. Para Abib (2001), o behaviorismo radical não é apenas uma filosofia da análise do comportamento, mas uma filosofia da ciência. É a partir dessa nova proposta que adquirimos as ferramentas que hoje são utilizadas dentro da Análise do Comportamento. Como explica o autor, Skinner considerava tanto os eventos públicos quanto os eventos privados e a ideia de que não se deve separar os dois, ambos são comportamentos e devem ser estudados da mesma forma. Ainda, segundo Innis (1992), as pesquisas da Associação Americana de Psicologia (APA), mostram que cerca de 7% dos estudos em psicologia eram realizados com animais, na sua maioria roedores. Com o passar dos anos, o número de pesquisas animais foi diminuindo, a medida em que foram criando sistemas operacionais computadorizados que apresentam as mesma funções e características dos animais. Um exemplo de programa de computador é o Sniffy, que simula todos os comportamentos de um rato para a reprodução de estudos de comportamento e condicionamento operante. Ainda assim, em situações que não se tem um programa específico para pesquisa, os animais são as fontes utilizadas para pesquisa em psicologia (INNIS, 1992). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 33 1.1 Aspectos éticos do estudo experimental Grandes descobertas foram feitas através das pesquisas com animais, entre elas, o condicionamento clássico de Pavlov. Através dos estudos pavlovianos é que hoje temos a construção de que diferentes estímulos, quando condicionados, podem provocar os mesmos comportamentos respondentes. Todo o início da construção filosófica behaviorista advém do evolucionismo, do determinismo e das pesquisas animais, porém assim como nas outras ciências, houve um momento em que apenas isso não era o suficiente para a elaboração científica. O estudo com animais foi diminuindo a medida em que se ampliavam as elaborações e as construções científicas (elas não deixavam de acontecer, porém com uma frequência muito menor). Com o passar dos anos, outras ferramentas foram sendo criadas para uma investigação ainda mais precisa e detalhada. Um dos casos mais conhecidos de experimento animal no Behaviorismo é o experimento em que um estímulo neutro sistematicamente é condicionado ao estímulo significativo, fazendo com que ambos produzam o mesmo comportamento. Partindo do pressuposto de que os estímulos condicionais são adquiridos, Pavlov utilizou um cachorro para seu experimento e pareou o estímulo não condicional (que no caso era a comida) a uma resposta não condicional (a salivação do animal), adicionou ao estudo um estímulo neutro (recurso sonoro) e, na conclusão de seu teste, um estímulo que até então era neutro, passa também a ser condicionado quando pareado a um estímulo que já era condicionado anteriormente, como pode ser visto na figura “Cachorro de Pavlov”. Figura 1 - Cachorro de Pavlov Fonte: Arquivo pessoal, 2020. 34 #ParaCegoVer: Na imagem temos o exemplo de como foi feito o experimento de condicionamento operante, elaborado por Pavlov. Posterior a esse estudo, e bastante polêmico, foi a pesquisa elaborada por John Watson, em que a mesma proposta de condicionamento é realizada, porém com um comportamento mais complexo: o medo. Watson, na primeira experimentação em humanos, utilizou o pequeno Albert, um bebê escolhido em um orfanato para ser manipulado. No momento inicial do experimento foram apresentados vários estímulos ao bebê para identificar quais eram despertadores de medo. Notou-se, num primeiro momento, que sons fortes e desagradáveis incomodavam Albert.Posteriormente, apresentaram um pequeno rato branco à criança e, a partir do momento em que o ele quis brincar com o animal, introduziu-se um som muito forte no ambiente em que Albert estava e isso o incomodava. O experimento teve duração de um ano e, ao final, o pequeno Albert além de adquirir medo de ratos, passou a temer qualquer objeto que tivesse as mesmas características da ratazana, situações que remetessem a época do experimento, além de adquirir ansiedade. Apesar das diversas críticas feitas a Watson, principalmente vinculadas às questões éticas, o experimento do pequeno Albert é um dos mais conhecidos na psicologia. • Brechas Devido a diversas brechas aos quais o behaviorismo radical não propunha explicação, surge a nova proposta intitulada behaviorismo metodológico, por B. F. Skinner, também conhecida como Análise do Comportamento. • Técnica de análise Dentro dessa nova proposta de ciência temos a técnica de análise experimental do comportamento, cujo método consiste na utilização do animal em ambiente controlado para se obter informações que possam ser utilizadas posterirormente para aplicabilidade de pesquisas em seres humanos. Para a realização do método é necessário que o animal escolhido para a pesquisa possua as mesmas características humanas que serão foco da análise. • Estudos com animais Os estudos com animais são de extrema importância para a elaboração de conhecimento sobre aspectos físicos e emocionais de diversas espécies. É o método pelo qual se elabora cientificamente intervenções sobre inúmeras problemáticas. Assim como nos estudos fármacos, em que os testes são feitos primeiramente em animais devido à possibilidade de efeitos colaterais, o mesmo ocorre na psicologia. Não seria adequado criar um ambiente deprimido, estressante para submeter uma pessoa a testagem. Alguns estudos, inclusive, levam anos para serem executados e seria inviável manter uma pessoa privada em um laboratório por um tempo extenso privada. Também não seria correto submetê-la a privação de 35 água, comida, ou mesmo a expor a choques. Eis o motivo da testagem em animais. Apesar de outros animais também possuírem características bem próximas aos seres humanos, a utilização abrangente de ratos em laboratório se dá devido ao baixo custo benefício, a tranquilidade de manuseio e manipulação e ao fácil armazenamento, como mostra a figura “Rato em laboratório”. Figura 2 - Rato em laboratório Fonte: Yurchyks, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem temos um rato sendo submetido a uma agulha, mostrando utilização de ratos em laboratório para análise. 1.2 Modelos animais e o estudo do comportamento A Análise Experimental do Comportamento (AEC) foi o método utilizado pelo Behaviorismo para evidenciar de forma cientifica e sistemática as pesquisas em psicologia. Para compreendermos melhor o que significa a análise experimental do comportamento, é interessante que fracionemos também sua explicação. Analisar, para a ciência, significa estudar separadamente, de forma fracionada e reducionista; já o experimento diz da produção de conhecimento de forma planejada e manipulada laboratorialmente. O termo comportamento é o objeto final de estudo na AEC, ou seja, estamos falando da seleção e redução máxima de determinado comportamento e reproduzi- lo em laboratório para ser analisado cientificamente com o objetivo de se compreender demais comportamentos relacionados, possibilidades de intervenção e soluções quando aplicadas na realidade humana. Neste método de experimento podemos analisar tanto aspectos físicos como emocionais, psicopatológicos e cognitivos com mais eficiência devido à profundidade de possibilidade de manipulação. 36 Para a experimentação, modelo é a representação simples de um fenômeno mais complexo. Nas pesquisas em patologias, as condições criadas em laboratório precisam ser idênticas as de foco de investigação. Temos quatro métodos de investigação animal. • Modelo induzido A patologia a ser avaliada precisa ser introduzida no animal a ser investigado. Um exemplo de modelo induzido é a pesquisa de pressão alta realizada com animais. Elevamos a pressão do animal através de medicamentos e analisamos como ele resiste a hipertensão. O foco da pesquisa consiste em estudar os mecanismos de defesa do organismo animal, analisando esse aspecto se obtém ferramentas para intervir de forma parecida em humanos. • Modelo espontâneo O foco da pesquisa surge de forma natural tanto no animal como em seres humanos e o objetivo do experimento é analisar as semelhanças do desenvolvimento da doença em ambos os organismos para elaborar métodos de intervenção. Um exemplo de modelo espontâneo é o estudo do câncer. Pegamos um animal que já possui a doença naturalmente e a análise em laboratório consiste na observação do desenvolvimento desse animal e a relação com a doença (note que neste caso, a doença não foi instalada em laboratório, ela já faz parte do organismo do animal). • Modelo negativo O objetivo a ser pesquisado não se desenvolve em animais. O foco de pesquisa nesse caso é a observação da resistência animal à doença para estabelecer meios parecidos em humanos. Um exemplo de método negativo é o corrimento vaginal. Trata-se de uma doença de não é de origem animal. Neste caso investigamos quais as diferenças no sistema reprodutor animal que fazem com que a doença não seja predominante naquele organismo e, sucessivamente, a comparação com a espécie que desenvolve a doença. • Modelo órfão são os casos em que determinadas patologias são de exclusiva origem animal e não encontradas em humanos. Um exemplo de doença que foi estudada pelo método órfão é o vírus HIV. Estudos comprovam que esse vírus já existia em algumas espécies de macacos, mas não era predominante em seres humanos. Neste caso, o foco em pesquisa é analisar como o organismo animal respondeu e se desenvolveu diante da doença, obtendo, desta forma, ferramentas para a elaboração de intervenção em humanos, como pode ser visto na figura “Estudo em laboratório”. 37 Figura 3 - Estudo em laboratório Fonte: Alexander Raths, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra como a análise em laboratório requer atenção, todos os comportamentos devem ser observados em um experimento. As ferramentas mais utilizadas para estudos comportamentais são: - A caixa de Skinner, que consiste na caixa onde o ratinho é colocado para treinamento. O rato é privado de água e alimentação e cria-se laboratorialmente o comportamento de pressionar a barra para adquirir alimento. O treino se inicia de forma simples e vai ganhando complexidade ao longo do desempenho do próprio animal; - O campo aberto ou Open Field, que foi elaborado por Hall (1934), é uma ferramenta utilizada para testar os comportamentos relacionados à ansiedade nos animais. Neste teste observamos de maneira experimental as respostas de esquiva (ativa e passiva), respostas condicionadas de congelamento. Ele é realizado em arena circular cercada e delineada para calcular os movimentos do animal; - O labirinto em cruz elevado, que foi validado por Handley e Mithani em 1984, é um teste executado sem nenhuma espécie de punição. Sua execução se destina à identificação das ansiedades desenvolvidas, de uma forma geral, eliciadas pela ausência de estímulo; - O labirinto em T elevado, que foi validado por Viana e Tomaz Graeff em 1994, também é um teste animal de ansiedade, porém mais específico. Ele trabalha exclusivamente com a esquiva inibitória e a fuga, dedicando o foco de estudo ao transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno do pânico. 38 A figura “Rato box Skinner” mostra a caixa de Skinner, com o rato passando pelo experimento. Figura 4 - Rato Box Skinner Fonte: Arquivo pessoal, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra a caixa de Skinner, que é utilizada em laboratório para o treino de comportamento operante. 2 O CONTROLE DO COMPORTAMENTO E SUAS VARIÁVEIS A análise do comportamento é embasadana filosofia behaviorista metodológica adotada por Skinner, e parte do pressuposto de que compreender o comportamento humano é a forma de modificá-lo. A análise do comportamento busca entender a relação entre o organismo e o ambiente, o qual denominamos de condicionamento operante (MOREIRA; MEDEIROS, 2007; SCHULTZ; SCHULTZ, 2009). FIQUE DE OLHO O programa Sniffy, é um exemplo de programa virtual em substituição de animais para experimento. Através dele você pode modelar o condicionamento operante em um ratinho virtual e ver na prática os conceitos aprendidos nesta unidade. 39 O método de análise experimental do comportamento trata da observação de forma reduzida do comportamento com a finalidade de relacionar a maior quantidade possível de possibilidades e comportamentos, partindo do reducionismo para a experimentação inicial e, posteriormente, a expansão do comportamento. O reducionismo utilizado na análise do comportamento é o probabilístico (Skinner, 1953/1965; Bacharach, 1965/1975). A psicologia estuda a interação entre o organismo e o ambiente, o qual chamaremos de reflexo. O organismo corresponde a qualquer ser vivo, e ambiente é tudo que cerca o organismo. O ambiente sempre irá variar em função do foco da análise. As interações são as alterações que o ambiente produz no organismo, e vice-versa. 2.1 Reflexo Inato Os reflexos inatos são comportamentos nos quais o organismo já nasce dotado. Trata-se de uma preparação mínima para o organismo se relacionar com o ambiente. São exemplos de reflexo inato: a contração da pupila quando uma luz é direcionada; taquicardia quando algo inesperado assusta uma pessoa; a transpiração quando o corpo está em um local com a temperatura elevada; o comportamento do bebê de sugar o peito da mãe para se alimentar, dentre outros. Note que estes comportamentos não nos foram ensinados. Nós já nascemos com uma disposição para executá-los. Perceba ainda que, em todos os comportamentos, mesmo nos inatos, existe um evento anterior que o elicia. Essa regra se aplica tanto para eventos públicos como para os privados. 2.2 Reflexo, estímulo e resposta Em psicologia dizemos que reflexo é o resultado da relação entre um organismo e o ambiente. Vale lembrar que ambiente em psicologia experimental é tudo que se relaciona com o organismo, logo, o ambiente varia de acordo com o foco da investigação. Em determinada relação a ser analisada, um outro organismo pode assumir o papel de ambiente, por não ser o foco da investigação. O comportamento é um objeto de estudo muito complexo, por isso a necessidade da sua redução analítica para a compreensão. Para controlarmos um comportamento, torna-se necessário conhecer e reconhecer a maior quantidade possível de variáveis inseridas no ambiente. Quanto mais controlado o ambiente, mais observável será o comportamento. Para descriminarmos um reflexo é necessário que antes saibamos o que é estímulo e resposta. O estímulo é o ambiente ou uma mudança no ambiente, enquanto reposta é como o organismo se comporta a esse ambiente ou a mudança dele. Reflexo é a relação entre estímulo e resposta. Em termos gerais, reflexo é a relação entre estimulo resposta no qual o estímulo elicia a resposta. (MOREIRA; MEDEIROS, 2007). 40 Quando dizemos de reflexo estamos falando de uma mudança no ambiente que acarretou em uma mudança também no organismo. Na análise do comportamento usaremos a letra (S) para nomear estímulo e a letra (R) para resposta. A relação entre estímulo e resposta é representada pela seta (→). O princípio de qualquer comportamento é o reflexo. 2.3 Intensidade do estímulo e magnitude de resposta Os conceitos de intensidade de estímulo e magnitude de resposta também se fazem necessários para compreender o comportamento. Ambas se referem à quantidade de estímulo e força de resposta. Um exemplo para a compreensão da intensidade de estímulo e magnitude de resposta é a relação em que quanto mais calor o ambiente, mais a pessoa transpira (a quantidade de transpiração depende proporcionalmente da quantidade de calor). A medição dessa intensidade é necessária para a dedução de um aumento ou diminuição do estímulo e o cálculo da relação intensidade-magnitude. São alguns dos métodos de medição de estímulo e resposta: som/decibéis, saliva, suor/mililitros, contração pupilar/diâmetro, choque/volts, calor/ graus Celsius, taquicardia/quantidade de batimentos, alimento/quantidade em gramas. O comportamento é composto por leis, também chamadas de propriedades, trata-se das conservações, são lógicas estabelecidas dentro dos padrões relacionais do comportamento. São elas: • Lei da intensidade-magnitude A intensidade do estimulo é diretamente proporcional a quantidade de resposta. Quanto maior o calor, maior a presença de sudorese. Note que quando um estimulo aumenta o mesmo acontece com a resposta. • Lei do limiar Há uma intensidade mínima para o estimulo ser eliciado. Para que a sudorese aconteça, é necessário de um mínimo de calor no ambiente, caso contrário o organismo não responde. • Lei da latência Tempo de espera entre a apresentação do estimulo e a eliciação da resposta. Quanto maior a intensidade do estimulo, menor o tempo de latência na resposta. Entre a presença de calor, existe um tempo até que se comece a sudorese. Esse espaço de tempo entre os dois é a latência. Uma outra característica dos reflexos são as eliciações sucessivas da resposta. À medida que um mesmo estímulo é apresentado diversas vezes na mesma intensidade o organismo pode reagir de forma diferente. É o caso quando a mesma intensidade de calor persiste e em determinado momento o organismo diminui ou aumenta a transpiração. Essa variação de intensidade no 41 repertório de comportamento do organismo é a eliciação sucessiva. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2.4 Variáveis e função Nosso foco será o comportamento operante (S: R →C). Variáveis são as propriedades dos eventos investigados. Antes de analisarmos as variáveis, devemos estabelecer os eventos que serão investigados. Estes podem ser: eventos ambientais ou eventos comportamentais. Os eventos ambientais são as mudanças que ocorrem no ambiente no período de observação, enquanto os eventos comportamentais são as ações do organismo que está sendo investigado. A variáveis podem ser: dependentes, independentes ou estranhas. • Variáveis dependentes (VD): são quando elas sofrem os efeitos de outras variáveis. • Variáveis independentes (VI): são as que afetam as variáveis dependentes. • Variáveis estranhas: afetam a variável dependente, porém não é o foco da investigação. Exemplo prático: Queremos investigar a eficácia da cafeína na estimulação do crescimento capilar experimentalmente. Para essa investigação, duas pessoas com mesmo tamanho de cabelo são submetidas ao experimento. Ambas usarão a mesma marca de shampoo, porém um dos recipientes estará com a cafeína acrescida em sua composição. Submeteremos as duas pessoas a três lavagens semanais dos cabelos na mesma temperatura de água, efetuando os mesmos movimentos e com o mesmo tempo de lavagem. Neste exemplo temos as seguintes variáveis: 42 • Variável dependente: crescimento do cabelo • Variável independente: café • Variáveis estranhas: quantidade de lavagens do cabelo, temperatura da água, qualidade do shampoo. Dentro de um experimento, as variáveis precisam ser identificadas para se controlar o ambiente e obter informações da análise. 2.5 Reflexos e emoções Para a análise do comportamento, as emoções também são comportamentos. Na psicologia experimental, as emoções são denominadas por comportamentos privados. Os eventos ou comportamentos privados nada mais são que respostas aos estímulos que não são localizados no tempo e no espaço. São exemplos de comportamentos privados: o medo, a alegria, raiva, tristeza, felicidade. Skinner (1984) propõe o estudo dos eventos privados partindo do mesmo pressuposto dos eventos públicos, afirmando que a avaliação de todo