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PSICOLOGIA 
EXPERIMENTAL
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. 
Diretor de EAD: Enzo Moreira
Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato 
Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes
Coordenadora educacional: Pamela Marques
Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa
Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha
Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi 
 
Psicologia experimental / Valéria Guedes Caruso; Andréia Aparecida Padilha. – São Paulo: 
Cengage – 2020.
 Bibliografia.
 ISBN 9786555582888
 1. Psicologia 2. Padilha, Andréia Aparecida.
Grupo Ser Educacional
 Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro 
CEP: 50100-160, Recife - PE 
PABX: (81) 3413-4611 
E-mail: sereducacional@sereducacional.com
“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com 
isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns 
anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também 
passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o 
aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino 
Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.
O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, 
tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar 
seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento 
da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da 
democracia com a ampliação da escolaridade.
Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar 
as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-
lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no 
contexto da sociedade.”
Janguiê Diniz
PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL
Autoria
Valéria Guedes Caruso 
Graduada em Psicologia pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) e em Pedagogia pela Universidade 
Nove de Julho (Uninove).
Mestra em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (Unicid) e pós-graduada em Recursos 
Humanos na Gestão de Negócios pela Universidade São Judas Tadeu (USJT) e Fundação Getulio Vargas 
(FGV).
Possui Vicência como professora/conteudista em cursos presenciais e a distância (Psicologia, Pedagogia, 
Administração e Gestão). Prática na docência presencial e a distância através de metodologia ativas de 
aprendizagem, portais eletrônicos, ferramentas de educação. 
Atua em produção acadêmica e participa de grupos de pesquisa. Tem experiência como consultora na 
gestão de pessoas, com ênfase em psicologia organizacional. 
Andréia Aparecida Padilha
Graduada em Psicologia pela Faculdade Pitágoras.
Pós-graduanda em Terapia Cognitiva Comportamental: Aspectos Clínicos e Institucionais pela Unidade 
de Ensino e Aprendizagem de Viçosa (Unesav).
Foi monitora e congressista na Brain Connection 2019.
SUMÁRIO
Prefácio .................................................................................................................................................8
UNIDADE 1 - Introdução à psicologia experimental ........................................................................9
Introdução.............................................................................................................................................10
1 Origens histórica, filosófica e epistemológica .................................................................................... 11
2 Visão geral da experimentação em Psicologia ................................................................................... 14
3 Vertentes da Psicologia Experimental ................................................................................................ 16
4 Método científico da psicologia experimental ................................................................................... 19
5 Campo de atuação ............................................................................................................................. 23
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................26
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................27
UNIDADE 2 - Análise experimental do comportamento ..................................................................29
Introdução.............................................................................................................................................30
1 Aspectos históricos da pesquisa com animais ................................................................................... 31
2 O controle do comportamento e suas variáveis ................................................................................ 38
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................44
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................45
UNIDADE 3 - Behaviorismo e análise experimental do comportamento .........................................47
Introdução.............................................................................................................................................48
1 Behaviorismo e análise experimental do comportamento ................................................................49
2 Comportamento e condicionamento reflexo ..................................................................................... 53
3 Comportamento operante e seus reforçadores ................................................................................. 55
4 Esquemas simples de reforçamento .................................................................................................. 57
5. Behaviorismo - aplicabilidade ........................................................................................................... 59
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................63
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................64
UNIDADE 4 - Ampliações do comportamento .................................................................................65
Introdução.............................................................................................................................................66
1 Reforçamento diferencial e modelagem ............................................................................................ 67
2 Discriminação e generalização ........................................................................................................... 74
3 Punição e Extinção ............................................................................................................................. 76
4 Recuperação espontânea ................................................................................................................... 79
PARA RESUMIR ..............................................................................................................................82
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................83
Esta obra, intitulada Psicologia experimental, apresenta, além de conceitos comuns 
da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades.
Dando início, a primeira unidadeo comportamento parte da mesma relação 
de estímulo e resposta. Façamos a seguinte lógica: anterior a qualquer emoção existe um evento 
antecedente, ou seja, algo ocorreu no ambiente para que o organismo reagisse e manifestasse 
o que nomeamos por emoções. Em outras palavras, quando alguém está com raiva, há um 
evento anterior, cuja relação com o organismo despertou a emoção de raiva. Os eventos públicos 
também são resultado das interações, logo, devem ser pesquisados da mesma forma.
É válido ressaltar que, assim como alguns reflexos são inatos, algumas emoções também nos 
acompanham desde o início de nosso repertório. As emoções não nascem do nada. Na maioria 
das vezes, as emoções são respostas fisiológicas do organismo. Essas alterações fisiológicas 
também são inatas. As sensações relacionadas ao medo, por exemplo, a taquicardia, sudorese 
são respostas fisiológicas ao qual caracterizamos por medo e que estão presentes desde o 
nascimento. Consequentemente aos aspectos da teoria darwiniana, o medo foi uma emoção 
adquirida em meio a evolução como uma ferramenta para a sobrevivência. O medo protege 
o organismo da ameaça. Ou seja, o medo é um reflexo inato eliciado através da interação do 
organismo com o ambiente. Quando dizemos que é difícil controlar a emoção, se deve ao fato de 
esta ser uma resposta reflexa.
• Comportamento reflexo: uma das habilidades dos organismos é a de aprender novos 
reflexos. Os organismos aprendem novas relações e novas respostas emocionais. Essas 
relações posteriores chamamos de comportamento reflexo.
• Generalização respondente: quando um estímulo se assemelha fisicamente ao estímulo 
condicionado, este pode passar a eliciar a mesma resposta condicionada.
43
• Extinção respondente: quando um estímulo condicionado deixa de ser emparelhado ao 
estímulo incondicionado, a resposta condicionada tende a entrar em extinção.
• Recuperação espontânea: se houver um novo emparelhamento, o reflexo pode voltar a 
ser eliciado.
• Contracondicionamento: quando se condiciona a resposta contrária a que foi eliciada 
pelo estímulo condicionado.
• Dessensibilização Sistemática: tentativa de suavizar o processo de extinção do reflexo.
• Carga emocional das palavras: as palavras também são estímulos, por isso, podem ser 
emparelhadas com estímulos condicionados e passar a eliciar respostas emocionais.
Para uma maior compreensão do behaviorismo metodológico, uma sugestão de leitura é o 
livro “Sobre o behaviorismo”, de Burrhus Frederic Skinner. Traduzido por Maria Penha Vilalobos, 
o livro traz, de uma maneira bem elaborada e de fácil compreensão, os pensamentos do pai do 
Behaviorismo e suas concepções.
Dentro da psicologia, em especial na análise do comportamento, existem muitos conceitos, e 
que na maioria das vezes os significados adquiridos no senso comum são diferentes dos conceitos 
científicos. É desafiador perceber que as explicações que inicialmente eram mentalistas passam 
a ter um significado e começam a ser não apenas compreendidas, mas também experimentadas 
e comprovadas. 
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
44
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender como surgiu a Análise Experimental do Comportamento, seus aspec-
tos éticos e históricos;
• compreender a ferramenta de análise experimental, como é realizada em laborató-
rio e suas finalidades;
• identificar os conceitos necessários para se produzir um estudo experimental;
• aprofundar sobre os modelos animais e a diversidade de resultados que é possível 
se passar da testagem animal para a intervenção humana.
PARA RESUMIR
ABIB, J. A. D. Teoria Moral de Skinner e Desenvolvimento Humano. Psicologia: Reflexão 
e Crítica, 2001, v. 14, n. 1, pp. 107-117. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/prc/
v14n1/5211.pdf. Acesso: 29 mai. 2020.
ABREU, G. Terapia comportamental e cognitiva comportamental: práticas clínicas. 1. ed. 
São Paulo: Roca, 2004.
FERREIRA, L. M.; HOCHMAN, B.; BARBOSA, M. V. J. Modelos experimentais em pesquisa. 
Acta Cirúrgica Brasileira, 2005, v. 20, Suppl. 2, pp. 28-34. Disponível em: https://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-86502005000800008&lng=pt&nr
m=iso&tlng=pt. Acesso em: 14 mai. 2020.
GALVÃO, O. F.; BARROS, R. S. Curso de introdução à Análise Experimental do 
Comportamento. Universidade federal do Pará. Centro de filosofia e ciências 
humanas. Departamento de psicologia experimental, 2001. Disponível em: https://
edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1875533/mod_resource/content/1/Curso%20de%20
Introduc%CC%A7a%CC%83o%20a%CC%80%20Ana%CC%81lise%20Experimental%20
do%20Comportamento%20-%20Galva%CC%83o%20e%20Barros.pdf. Acesso em: 28 
mai. 2020.
HOTTOIS, G.; PARIZEAU, M. H. Dicionário da Bioética. Lisboa: Instituto Piaget, 1998.
INNIS, N.K. Animal Psychology in America as Revealed in APA Presidential Addresses. 
Journal of Experimental Psychology: Anymal Processes, v. 18, pp 3-11, 1992.
KOHLENBERG, R.; TSAI, M. Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas 
intensas e curativas. Traduzido por Rachel Rodrigues Kerbauy. 1. ed. Santo André: 
Esetec, 2006. 
MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios de análise do comportamento. 1.ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2007.
CARVALHO NETO, M. B. Análise do comportamento: behaviorismo radical, análise 
experimental do comportamento e análise aplicada do comportamento. Interação em 
Psicologia, 2002, v. 06, n. 01, pp.13-18. Disponível em: https://www.researchgate.net/
publication/277033892_Analise_do_comportamento_behaviorismo_radical_analise_
experimental_do_comportamento_e_analise_aplicada_do_comportamento. Acesso 
em 12 mai. 2020.
OLIVEIRA, C. I. O pensamento em Watson: rompendo com o legado metafísico e 
buscando uma referência materializante. Psicologia: teoria e pesquisa, v. 23, n. 4, pp. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
457-466, out. /dez. 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ptp/v23n4/12.pdf. 
Acesso em: 11 mai.2020.
SKINNER, B. F. Sobre o behaviorismo. Tradução de Maria Penha Vilalobos. São Paulo: 
Cultrix, 1974.
SKINNER, B. F. The Operational Analysis of Psycolgical terms. The Behavioral and Brain 
Sciences, v. 7, pp 547-553, 1984. (Originalmente publicado em 1945). 
TSAI, M.; KOHLENBERG, R.; KANTER, J.; KOHLENBERG, B.; FOLLETTE, W.; CALLAGHAN, 
G. Um Guia para a Psicoterapia Analítica Funcional. Tradução Fátima Cristina de Souza 
Conte e Maria Zilah da S. Brandão. 1. ed. Santo André: Esetec, 2011.
WATSON, J. B. A psicologia como o behaviorista a vê. Artigo clássico. Temas em 
Psicologia, v. 16, n. 2, Ribeirão Preto, 2008. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/
scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2008000200011. Acesso em: 28 mai. 
2020.
UNIDADE 3
Behaviorismo e análise experimental 
do comportamento
Olá,
Você está na unidade Behaviorismo e análise experimental do comportamento. Conheça 
aqui como a ciência da Psicologia, em sua vertente experimental, analisa, estuda um 
objeto observável e mensurável. O estudo desenvolvido pelos psicólogos da vertente é 
passível de ser replicado e, por definir teorias e conceitos, também pode ser utilizado 
em condições e sujeitos diferentes. Essa prerrogativa amplia significativamente o 
estudo da Psicologia Experimental. Além deste fator muito importante aos estudiosos, 
a funcionalidade dos estudos se mostra fundamental, ou seja, como o comportamento 
se manifesta frente às variáveis do meio. Seja este hereditário ou por hábito, são estas 
demandas que veremos a seguir.
Bons estudos!
Introdução
49
1 BEHAVIORISMO E ANÁLISE EXPERIMENTAL DO 
COMPORTAMENTO
A ciência é conhecimento acumulado e revalidado, então, como nos coloca a Bock, Furtado 
e Teixeira (2008, p. 59), o objeto de estudo da Psicologia Experimental foi evoluindo e, na 
atualidade, “não se entende comportamento como uma ação isolada de um sujeito, mas, sim, 
como uma interação entre aquilo que o sujeito faz e o ambiente onde o seu ‘fazer’ acontece”. 
Deve estar presente em nossos estudos que nada nosé mais comum que o comportamento, seja 
o nosso próprio como de outro sujeito que esteja ao nosso redor, como mostra a figura “Inter-
relação entre o indivíduo e o meio ambiente”.
Figura 1 - Inter-relação entre o indivíduo e o meio ambiente 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem demonstra como o sujeito emite suas respostas mediante o meio, 
apresentando ou não estímulos. 
Assim, retratando como o estudo do Behaviorismo está vendo na atualidade a funcionalidade 
do comportamento do sujeito. A evolução do conhecimento se dá com o comportamento do 
indivíduo ao interagir com o meio, promovendo a necessidade de duas expressões: resposta e 
estímulo. 
A questão presente é decorrente da metodologia utilizada no estudo da Psicologia 
Experimental – método experimental e analítico. O método de pesquisa experimental tem um 
objeto de estudo = comportamento, e a partir deste selecionam-se as variáveis que se relacionam 
com tal ação, estabelecendo como controlar e como observar (GIL, 2008). É descritiva, pois 
observa, registra, analisa, classifica. E a interpretação se dá sem a interferência do pesquisador; 
com uso de técnicas de coleta de dados na pesquisa e em observações sistemáticas. Então 
resposta e estímulo são as variáveis que se relacionam com o objeto de estudo.
50
Assim, “comportamento, entendido como interação entre indivíduo e ambiente, é a unidade 
básica de descrição e o ponto de partida para uma ciência do comportamento” (BOCK; FURTADO; 
TEIXEIRA, 2008, p. 59).
Quando nos remetemos à Psicologia Experimental, estamos falando da Psicologia 
desenvolvida e estuda por psicólogos americanos que em nosso país têm grande influência. Em 
função de suas determinações é chamada de Behaviorismo Radical, por Skinner, em 1945, o 
principal contemporâneo de Watson.
Os autores Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 59) colocam que “a base da corrente skinneriana 
está na formulação do comportamento operante”. Para podermos entender tal formulação, 
devemos primeiro compreender o conceito de comportamento reflexo ou respondente.
Ao se estudar o comportamento dos indivíduos na atualidade estamos, enquanto 
pesquisadores, mantendo contato com a realidade que nos cerca e buscando dar razão para nossa 
análise, pois devemos ter compromisso e estar atento à melhora de vida de nossa sociedade, 
entendendo o quão complexo e variável é este, o que é defendido por Skinner em oportunidades 
diversas, sem descartar o fato que, se estudarmos, conseguiremos retratar e definir princípios 
e teorias. É entendido por todos que a ciência caminha do simples para o complexo, então, 
conseguirá analisar o comportamento e tentar buscar respostas as nossas dúvidas.
1.1 Comportamento respondente
Antes de toda e qualquer colocação, cabe identificar o que se entende por comportamento 
respondente. “O comportamento reflexo ou respondente é o que usualmente chamamos de ‘não 
voluntario’ e inclui as respostas que são eliciadas (ou produzidas) por estímulos antecedentes 
do ambiente” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 59). É bem “tranquilo” explicar o que venha 
a ser comportamento reflexo ou respondente: quando estamos na cozinha e aproximamos a 
mão sobre uma superfície quente, a recolhemos sem pensar. Outro exemplo seria o que ocorre 
quando encostamos a mão em uma tomada energizada, também tiramos a mão sem pensar.
Então o comportamento respondente é todo o comportamento involuntário, ou seja, 
independe da vontade do emissor. Apresentamos enquanto indivíduo um determinado 
comportamento em decorrência de ocorrências do ambiente. As mudanças do ambiente ocorrem 
e promovem alteração de nosso comportamento, como pode ser visto na figura “Resposta ao 
estímulo”.
51
Figura 2 - Resposta ao estímulo 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: A figura mostra a relação entre o estímulo decorrente do meio ambiente e a 
resposta como um comportamento involuntário.
Esmiuçando nossa figura, temos que todo o comportamento decorrente de um estímulo (S) 
do meio que promova no indivíduo uma resposta (R), resposta esta involuntária, ou seja, não 
aprendida, é um comportamento respondente.
Cabe buscar o que nos apresenta Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 60) 
Comportamentos reflexos ou respondentes são interações estímulo-resposta (ambiente-sujeito) 
incondicionadas, nas quais certos eventos ambientais confiavelmente eliciam certas respostas do 
organismo que independem de “aprendizagem”. Mas interações desse tipo também podem ser 
provocadas por estímulos que, originalmente, não eliciavam respostas em determinado organismo. 
Quando estes estímulos são temporariamente pareados com estímulos eliciadores podem, em certas 
condições, elicitar respostas semelhantes às destes. As novas interações chamamos também de 
reflexos, que agora são condicionados devido a uma história de pareamento, o qual levou o organismo 
a responder a estímulos que antes não respondia.
A ideia é que o comportamento respondente sendo involuntário seria inato. Entendendo 
inato como aquilo que está com o indivíduo desde seu nascimento, ou seja, que é inerente ou 
natural ao organismo vivo. 
1.2 Comportamento respondente aprendido
Ampliando nosso conhecimento cabe um parêntese aqui. Temos na nossa história de 
vida eventos que apresentam significativa importância, na existência e preservação enquanto 
“espécie”. São chamados de eventos filogenéticos, e são decorrentes de comportamentos que 
podem reforçar ou punir o indivíduo. Bons exemplos de eventos filogenéticos seriam o alimento, 
uma situação ameaçadora, sexo. Situações que podem ser aprendidas se fazendo uso de um 
estímulo neutro. Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 60) continua nos auxiliando neste sentido com 
a descrição de um experimento: 
Suponha que, numa sala aquecida, sua mão direita seja mergulhada numa vasilha de água gelada. 
A temperatura da mão cairá rapidamente devido ao encolhimento ou contrição dos vasos sanguíneos, 
caracterizado o comportamento como respondente. Esse comportamento será acompanhado de uma 
modificação semelhante, e mais facilmente mensurável, na mão esquerda, onde a constrição vascular 
52
também será induzida. Suponha, agora, que a sua mão direita seja mergulhada na água gelada um 
certo número de vezes, em intervalos de três e quatro minutos, e que você ouça uma companhia 
pouco antes de cada imersão. Lá pelo vigésimo pareamento do som da companhia com a água fria, a 
mudança de temperatura nas mãos poderá ser eliciada apenas pelo som, isto é, sem necessidade de 
imergir uma das mãos. 
Com este experimento temos novos conceitos importantes na evolução de nosso conhecimento 
sobre a base teórica da psicologia experimental, como mostra a figura “Condicionamento 
respondente”.
Figura 3 - Condicionamento respondente 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem retrata um exemplo de estimulo condicionado e um exemplo de 
estímulo incondicionado, e quais suas respectivas respostas.
Um estímulo neutro (NS) e um estímulo eliciador de respondentes (fortes) podem se 
emparelhar e promover o comportamento respondente com o qual foi pareado.
Exemplo: é habitual que as pessoas que já frequentaram dentistas, em certos momentos do 
tratamento, se sintam ameaçados pelas ferramentas e, só ouvir o som do motor, fiquem mal, com 
receio de sentir dor. Então não é necessário estar fazendo um tratamento no dentista, é só ouvir 
o som que já incomoda. É possível que os organismos vivos apresentem respostas variadas frente 
a estímulos; determinadas respostas podem estar sob controle de outros estímulos.
Vamos buscar outros exemplos para explicitar a situação: uma senhora teve sua casa “alagada” 
depois de uma terrível enchente no verão passado. Nesta ocasião perdeu grande parte de seus 
pertences e esteve por horas sob ameaça de se afogar, até. Desde este episódio muito difícil para 
ela, esteve em contato direto com emoções que se emparelham e, a cada vez que chove (estimulo 
incondicionado), reconhece como estímulo ameaçador(perda dos pertences). Para a senhora, 
uma simples chuva torna-se um estímulo que se emparelha e, após, ambos serão eliciadores do 
comportamento de medo, que se estabelece cada vez que chove.
53
Só como nota cabe apontar o que é significante quanto à “Terapia Comportamental”. Autores 
como Caballo (2002) apontam que seria: o foco nos determinantes atuais do comportamento – 
não se prender ao histórico; foco na mudança do comportamento como critério para determinar 
o treinamento; discriminar objetivamente os procedimentos e/ou passos – de sorte a poder 
replicar; credibilidade quanto ao procedimento básico de investigação, na formulação das 
hipóteses norteadoras do tratamento e nas técnicas terapêuticas específicas; especificidade nas 
definições e explicações, no tratamento e na mediação. 
A Terapia comportamental baseia-se nos princípios de aprendizagem do estímulo e da resposta. 
2 COMPORTAMENTO E CONDICIONAMENTO 
REFLEXO
As primeiras tentativas para entender e decodificar o comportamento humano ocorreram com 
Aristóteles classificando como naturalístico o comportamento. As percepções dos pensadores 
depois se voltam mais para uma visão teológica e, por muito tempo, ficou com predomínio desta 
visão, que refletia como os seres humanos emitiam seus comportamentos, reconhecendo certa 
semelhança entre eles, implementando a ideia de padrão: apetite, paixão, razão. Já na Idade 
Média teremos Descartes, que identificou semelhança com atividade mecânica das máquinas. E, 
segundo Millenson (1976, p. 24), 
A teoria do corpo como um tipo específico de máquina poderia ser testada por observação e 
experimentação. [...] Ao restabelecer a ideia de que, pelo menos algumas das causas do comportamento 
humano e animal poderiam ser encontradas no ambiente observável, Descartes estabeleceu as bases 
filosóficas que eventualmente iriam justificar uma abordagem experimental do comportamento. 
Vamos ter em decorrência, fisiologistas/estudiosos que demonstraram que os movimentos 
de características automáticas se relacionavam. 
2.1 Reflexos condicionados ou adquiridos
Descartes desperta nos pesquisadores da época o interesse sobre a ação reflexa do animal. 
Tem-se neste período estudos sobre a ação da luz na visão humana (contração da pupila), o reflexo. 
Os experimentos em animais levam a certas constatações sobre a não existência da alma humana.
A fisiologia entende o mecanismo neural e o define como sendo elétrico em contradição a 
tese de hidráulico, que o comparava a uma máquina. A ação involuntária ligada ao sobrenatural 
perde força para justificar a ação involuntária dos humanos. Os estudiosos chegam às causas do 
comportamento reflexo, chegam a definir leis quantitativas de estímulo-resposta.
54
Temos então Pavlov, que desenvolveu estudos em paralelo com diversos outros pesquisadores, 
mas entre eles, sugere ser o único que reconheceu o “indício para a compreensão do 
comportamento ajustado e adaptado dos organismos” (MILLENSON, 1976, p. 24). Assim, temos 
os reflexos condicionais, o nome se dá por serem estes condicionados a um evento anterior.
Importante apresentar a contribuição de Pavlov, como descreve o autor Millenson (1976, 
p. 26): “[...] lei geral do condicionamento: depois de uma associação temporal repetida de 
dois estímulos, aquele que ocorre primeiro, eventualmente, passa a eliciar a resposta que, 
normalmente, é eliciada pelo segundo estímulo”.
2.2 A evolução e o comportamento adaptativo
Neste momento histórico temos Darwin, que com seus estudos estimulam o entendimento 
sobre a adaptação dos seres ao meio em que vivem. Thorndike acompanha a tendências das 
pesquisas sobre o comportamento humano e aponta quatro situações que se mostram um divisor 
de águas para o contexto “ciência do comportamento”. 
1. Era fundamental conhecer o histórico dos sujeitos e tal história deveria ser semelhante 
entre eles;
2. Deveria haver repetição quanto às observações e estas precisavam ser variadas quantos 
aos sujeitos;
3. Fundamental analisar diversos comportamentos;
4. Os resultados deveriam ser apresentados de forma quantitativa.
Como já estudamos a Lei do Efeito desenvolvida por Thorndike se faz presente até a atualidade. 
O caminho que a evolução do conhecimento tomou sobre o comportamento do ser humano faz 
com que a Psicologia não se atenha à ideia de mente, busque estudar os fatos como ciência da 
experiência. “Ocorreu a Watson que os dados do comportamento tinham valor em si mesmos e que 
os problemas tradicionais da Psicologia – imaginação, sentimento, associação de ideias – poderiam 
ser todos estudados estritamente por métodos comportamentais” (MILLENSON, 1976, p. 31).
Um longo caminho se apresenta, pois, o conhecimento até o momento que o comportamento 
seria resposta de um reflexo unicamente não se sustenta, então, com os estudos de Skinner 
teremos: “um objeto de estudo fidedigno, a taxa de respostas operante, o comportamento 
espontaneamente emitido começa a desenvolver leis próprias, sendo cada ocorrência tão geral e 
previsível como aquelas do reflexo” (MILLENSON, 1976, p. 34-35).
55
Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:
3 COMPORTAMENTO OPERANTE E SEUS 
REFORÇADORES
Não é difícil reconhecer que a maioria de nossos comportamentos foram aprendidos. Só no 
início de nossas vidas contamos com comportamentos inatos (estabelecidos filogeneticamente) 
para assim, aos poucos, nos adaptar ao meio ambiente. Exemplo: mamar é um comportamento 
inato, já nascemos sabendo mamar. Já se alimentar fazendo uso do garfo e da faca requer 
aprendizado.
Com nosso repertório inicial simples e se esgotando necessitamos incorporar comportamentos 
novos e mais complexos. A estes novos comportamentos chamamos de comportamento 
operante, o comportamento que “opera” sobre o meio ambiente e, em consequência, o modifica. 
3.1 Comportamento operante
Exemplificando a ideia, cabe relembrar o experimento “Caixa de Skinner”: “tais experimentos 
permitiram-lhes fazer afirmações sobre o que chamaram de leis comportamentais” (BOCK; 
FURTADO; TEIXEIRA 2008, p. 62). O “ratinho” estando com sede (necessidade orgânica) e 
explorando a Caixa de Skinner onde se encontra, em dado momento, pressiona a barra que 
dispensa uma “gotinha” de água, ao sanar a sede o “ratinho” reconhece que a cada vez que 
desenvolve este comportamento recebe água. Logo, a repetição ocorre, na primeira oportunidade 
foi aleatória a situação, mas com esta ideia a probabilidade da situação se repetir é evidente.
Veja como Bock, Furtado e Teixeira (1995, p. 49) apresentam esta situação: “o ratinho, por 
acaso, pressiona a barra e recebe a gota d’água. Inicia-se o processo de aprendizagem. O que 
propicia a aprendizagem dos comportamentos é a ação do organismo sobre o meio e o efeito dela 
56
resultante – a satisfação de alguma necessidade”.
Assim, comportamento operante é aquele comportamento entendido como voluntário (sua 
origem é da natureza inata de diversos comportamentos que o organismo vivo dispõe), mas por 
promover uma “consequência” no meio ambiente, entende-se que “opera” sobre o meio, como 
mostra a figura “Comportamento operante”.
Figura 4 - Comportamento operante 
Fonte: Elaborado pela autora, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra como ocorre a relação entre o comportamento e o estímulo, 
sendo uma consequência.
3.2 Base da Teoria de Skinner
O conceito [comportamento - consequência] é base para a teoria de Skinner. Tal proposição 
identifica que o sujeito, efetivamente ao interagir com o ambiente, o reformula e vice e versa. O 
significativo aqui é entender que um dado comportamento é capaz de gerar resposta do meio, 
esta resposta tem probabilidade de reforçar ou não o comportamento que a originou. Assim, a 
consequência promovida poderá reforçar ou enfraquecer o comportamento gerado.
Vale indicar que Martin e Pear (2009, 41) nos colocam:
Comportamentos que se quer reforçar devem, em primeiro lugar, ser especificamente 
identificados. Caso você comece com uma classe geral de comportamento (porexemplo: ser mais 
amigável), você deve então especificar comportamentos específicos (sorrir, por exemplo) que 
caracterizem tal classe. Sendo específico dessa maneira, você:
· melhora a confiabilidade para detectar exemplos do comportamento e de mudanças em sua 
frequência, que é o padrão pelo qual se julga a eficácia do reforço;
· aumenta a probabilidade de que o programa de reforçamento seja aplicado consistentemente.
Então, reforçando o conceito, “comportamento operante pode ser representado da seguinte 
maneira: R -----> S, em que R é a resposta (pressionar a barra) e S é o estímulo reforçador (a água), 
que tanto interessa ao organismo; a seta significa ‘levar a’” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63).
57
O estímulo que enfatiza o comportamento dá-se o nome de reforço, “o termo ‘estímulo’ foi 
mantido da relação R-S do comportamento respondente para designar-lhe a responsabilidade 
pela ação apesar de ela ocorrer após a manifestação do comportamento” (BOCK; FURTADO; 
TEIXEIRA 2008, p. 63).
Para compreender efetivamente o esquema deve-se reconhecer que o comportamento 
operante é a manifestação da interação homem-meio. Aqui temos a relação de funcionalidade da 
ação humana – para que “serve” o conceito, para explicar que nos comportamos em relação ao 
meio, na intenção de alguma resposta deste para conosco (relação funcional), ou seja, é a relação 
entre o comportamento do indivíduo (resposta) e o ambiente promovendo outras situações ou 
comportamentos (consequências). Tais consequências são as variáveis que controlam a emissão 
do comportamento do indivíduo e que retratam o aprendizado.
4 ESQUEMAS SIMPLES DE REFORÇAMENTO
Estamos entendendo, através dos esquemas já apresentados, que a aprendizagem do 
indivíduo ocorre evoluindo de seus comportamentos inatos para os aprendidos, e que estes 
comportamentos são passiveis de serem explicados, decodificados, reconhecendo um padrão 
neste contexto.
A manifestação do comportamento observada, ao apresentar alteração de frequência 
de manifestação para maior ou para menor, nos remete à ideia de que o condicionamento 
(aprendizagem) operante tem origem em dois tipos de relação (positiva e negativa) e dois tipos 
de consequências (reforçadoras e punidoras). 
4.1 Reforço positivo e reforço negativo
Em nossos estudos chamaremos de reforço toda e qualquer consequência oriunda de uma 
resposta (comportamento) que altere a possibilidade de, no futuro, esta resposta vir ou não a 
FIQUE DE OLHO
O profissional da área de gestão de pessoas deve estar atento às possíveis intervenções em 
saúde mental, no espaço organizacional. Introjetar a importância de se ter boa saúde física 
e mental. É fundamental para os funcionários e para suas famílias. A saúde mental é um 
importante fator que possibilita o ajuste necessário para lidar com as emoções positivas e 
negativas próprias do ambiente organizacional.
58
ocorrer (probabilidade).
Assim, se é possível de ocorrer ou não, podemos nomear como o reforço positivo ou negativo: 
“reforço positivo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o produz. E 
o reforço negativo é todo evento que aumenta a probabilidade futura da resposta que o remove 
ou atenua” (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63).
Para exemplificar as definições, vamos lembrar o experimento desenvolvido por Skinner, 
na “Caixa de Skinner”, com o “ratinho” que pressionava a barra para obter água e sanar sua 
sede (comportamento operante que promove uma consequência que reforça a repetição do 
comportamento). Estamos descrevendo o reforço positivo.
Continuando agora, o “ratinho” está no mesmo ambiente, mas no assoalho da caixa há a 
ocorrência de choques. O “ratinho”, incomodado com a situação, “anda” pela caixa até que em 
um dado momento pressiona novamente a barra. Quando este comportamento por parte do 
“ratinho” ocorre, os choques param.
[...] as respostas de pressão tenderão a aumentar de frequência. Chama-se de reforço negativo 
ao processo de fortalecimento dessa classe de respostas (pressão à barra), isto é, a remoção de um 
estímulo aversivo controla a emissão da resposta. É condicionamento por se tratar de aprendizagem, 
e também reforçamento, porque um comportamento é apresentado e aumentado em sua frequência 
ao alcançar o efeito desejado (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008, p. 63).
Assim, a ideia que retiramos destes experimentos é: quando o “ratinho” pressiona a barra 
para sanar a sede, a ele foi dada a oportunidade de conseguir algo. Esta oferta ao organismo de 
algo, chamamos de reforço positivo. Já quando um evento possibilita que algo desagradável não 
ocorra, chamamos de reforço negativo.
Importante destacarmos o entendimento de Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 64) frente a 
última colocação:
Não se pode, a priori, definir um evento como reforçador. A função reforçadora de um evento 
ambiental qualquer só é definida pelo aumento na frequência da resposta que o produziu, ou seja, pela 
relação funcional estabelecida entre o comportamento do indivíduo e o ambiente.
4.2 Reforços primários e reforços secundários
Então, qual é o papel dos reforçadores para que o organismo “aprenda” o comportamento, 
e o mantenha de forma que seja possível uma ação produtiva ao indivíduo? Aqui também 
cabe retomar a ideia de que os estímulos reforçadores foram se apresentando na evolução das 
espécies (Darwin - em sua teoria descreve a evolução frente a possibilidades que reforçam a 
sobrevivência). E, em outros momentos, foram sendo acrescentados ao repertório dos indivíduos 
por condicionamento.
59
Autores como Baum (2006) nos lembram que o condicionamento respondente se evidencia 
frente aos estímulos, o que a filogenia traz e o que reforços ambientais apresentam. Exemplificando: 
quando estamos no ambiente de trabalho, numa manhã, e sentimos fome (estímulo filogenético). 
Para sanar esta necessidade, tomamos um “cafezinho” (estímulo do aprendido, não devemos 
comer no ambiente de trabalho apenas tomar café é aceito normalmente). Ampliando nosso 
exemplo, o ato de decidir tomar o “cafezinho” já é um condicionamento operante.
Diferenciando o que venha a ser reforçadores primários, lembramos que toda e qualquer 
espécie animal requer reforços primários (necessários a sobrevivência) para se manter no meio 
ambiente: água, alimento, afeto. Os reforços secundários são os que são emparelhados, por um 
tempo, com os primários.
Exemplificando o conceito, o indivíduo jovem, ao se alimentar num almoço familiar, coloca em 
seu próprio prato o que tem interesse em comer (reforçador primário), mas concomitante reconhece 
que a família (em especial a mãe - sorri) manifesta agrado, aqui temos um reforço secundário.
Bock, Furtado e Teixeira (2008, p. 64) apontam que ”[...] reforçadores secundários, quando 
emparelhados com muitos outros, tornam-se reforçadores generalizados, como o dinheiro e a 
aprovação social, que reforçam grande parte do repertório comportamental.”
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5. BEHAVIORISMO - APLICABILIDADE
Os conceitos até aqui discutidos já nos estimulam a identificar em quais práticas profissionais 
há espaço para a utilização. A educação é a primeira que se apresenta, os programas de ensino 
que utilizam na sua apresentação exercício com respostas nas páginas finais, está trabalhando no 
conceito de condicionamento operante.
60
Outras áreas que utilizam os conceitos e as técnicas do Behaviorismo são, por exemplos, os 
programas de treinamento organizacionais, os planos de carreira organizacionais, o atendimento 
clínico e de aprendizagem para pessoas com necessidades especiais, a música no treino físico e 
nos cultos religiosos, todos têm por base os conceitos de reforçamento.
Uma análise de nossos comportamentos, com base na Psicologia Experimental, possibilita a 
decodificação e a possível reformulação caso haja interesse. 
5.1 Reforçamento positivo
Trabalharemos agora com a aplicação do conceito em nossa ação, fazendo uso das colocações 
de Martin e Pear (2009, p. 39):Reforçador positivo é um evento que, apresentado imediatamente após um comportamento, 
faz com que o comportamento aumente em frequência (ou probabilidade de ocorrer). O 
termo reforçador positivo é um sinônimo aproximado da palavra recompensa. Uma vez que se 
determinou que um evento funciona como reforçador positivo para um determinado indivíduo, 
numa determinada situação, esse evento pode ser usado para fortalecer outros comportamentos 
desse indivíduo em outras situações. Em conjunto com o conceito de reforçador positivo, o 
princípio chamado reforçamento positivo afirma que se, numa determinada situação, alguém 
faz alguma coisa que é imediatamente seguida por um reforçador positivo, então essa pessoa 
tem maior probabilidade de fazer a mesma coisa novamente quando encontrar uma situação 
semelhante.
Aqui temos com esta definição a percepção da dificuldade de se reconhecer qual é a 
frequência para que um reforçador positivo venha a produzir a resposta esperada.
Vejamos um exemplo prático: você já deve ter atuado em alguma organização que tenha 
como prática de gestão de pessoas um plano de carreira que considere a meritocracia, ou 
seja, o bom desempenho é recompensado com bônus financeiro. A gratificação determinada 
aos profissionais comumente produz diferentes estímulos, a repetição ou continuidade do 
FIQUE DE OLHO
Uma visão crítica sobre os meios de comunicação de massa e mesmo aqueles que as 
organizações fazem uso para todos os seus stakeholder é fundamental, pois enquanto 
profissional da área temos que ter consciência do limite e da amplitude de nossa interferência 
na vida pessoal e profissional das pessoas que atuam conosco nas organizações. Uma 
postura ética e moral cabe em qualquer lugar.
61
desempenho que possibilitou o ganho da recompensa. Nem todos os profissionais “veem” o 
ganho como efetivamente reforçador ao desempenho. Além deste fato, para uns o reforçamento 
positivo pode ocorrer uma vez ao ano, o que garante a continuidade do comportamento, para 
outros deve ser de três em três meses. 
5.2 Comportamentos operantes
Continuando na ideia da aplicabilidade, devemos apontar que os comportamentos que se 
apresentam ao meio ambiente e que são influenciados por estas consequências dá-se o nome 
de comportamentos operantes ou respostas operantes. Martin e Pear (2009, p. 39) nos auxiliam 
nesta questão: 
Comportamentos operantes, seguidos por reforçadores, são fortalecidos, enquanto 
comportamentos operantes, seguidos por eventos punitivos são enfraquecidos. Um tipo de diferente 
de comportamento – o comportamento reflexo. 
Este processo tem grande relevância na aprendizagem e se mostra como diretriz para utilizar 
o reforçamento positivo na intenção de fortalecer um comportamento interessante.
Um exemplo seria o aprendizado familiar: Laura, mãe de 4 filhos de idades bem próximas, 
diariamente são estimulados a arrumarem seus pertences antes de dormir à noite para, no 
dia seguinte, logo cedo, irem à escola. É comum neste momento doméstico que Laura grite na 
intenção de obter a atenção dos filhos e, além da atenção, que eles desenvolvam as atividades 
esperadas. Mas, dentre os 4 filhos, um já não aguarda mais as colocações da mãe, faz o que deve 
ser feito; já há um deles que não adianta mais só as expressões verbais, se faz necessários outras 
atitudes para que o comportamento se estabeleça. 
5.3 Escolhendo reforçadores
Deve-se ter grande atenção quanto aos possíveis reforçadores para a elaboração de programa 
de reforçamento positivo, pois, como nos colocam Martin e Pear (2009, p. 41)
Alguns estímulos são reforçadores positivos para virtualmente todas as pessoas. Comida é um 
reforçador positivo para quase qualquer pessoa que não se alimentava há várias horas. Balas são um 
reforçador para a maioria das crianças. Por outro lado, muitas vezes são estímulos por coisas diferentes 
indivíduo diferentes.
Você conseguiria lembrar de algum reforçador que o agrada que não seja comum a grande 
parte de seus amigos ou familiares? Interessante finalizar com esta questão. 
62
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63
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender o Behaviorismo e a análise experimental do comportamento;
• entender como ocorre a relação resposta x estímulo;
• aprender sobre os reflexos condicionados ou adquiridos e os condicionais;
• compreender o comportamento operante e as leis comportamentais;
• entender o funcionamento do reforço positivo, negativo e o condicionamento res-
pondente e operante.
PARA RESUMIR
BAUM, W. M. Compreender o behaviorismo: ciência, comportamento e cultura. 2. ed. 
Porto Alegre: Artmed. 2006.
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo 
de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. Psicologias: uma introdução ao estudo 
de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 1995.
CABALLO, V. E. Manual de técnicas de terapia e modificação do comportamento. reimp. 
São Paulo: Liv. Editora Santos, 2002. 
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
JACÓ-VILELA, A. M.; FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. T. (org.) História da psicologia: 
rumos e percursos. Coleção o Ensino de Psicologia. Rio de Janeiro: Nau Ed., 2006. 
KANTOWITZ, B. H.; ELMES, D. G.; ROEDIGER III, H. L. Psicologia Experimental - psicologia 
para compreender a pesquisa em psicologia. São Paulo: Cengage Learming, 2006.
MARTIN, G.; PEAR, J. Modificação de comportamento: o que é e como fazer. Tradução N. 
C. Aguirre. 8. ed. São Paulo: Roca, 2009. 
MEDEIROS, M. B.; MOREIRA, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 
Porto Alegre: Artmed, 2007. 
MILLENSON, J.R. Princípios de análise do comportamento. Tradução A. A. Souza, D. 
Rezende. Brasil: Brasília, 1975.
MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. 
ed. São Paulo: Artmed, 2019.
PLATET-LOMBARD, V. L. V.; WATANABE, O. M.; CASSETARI, L. Psicologia Experimental - 
manual teórico e prático de análise do comportamento. 5. ed. São Paulo: Edicon, 2015.
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. Trad. Suely Murai Cuccio. 
São Paulo: Cengage Learning, 2005.
SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. Tradução: J. C. Todorov, R. Azzi. 11. 
ed. São Paulo: Martin Fontes, 2003.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 4
Ampliações do comportamento
Olá,
Você está na unidade Ampliações do Comportamento. Conheça aqui como são adquiridos 
os comportamentos mais complexos. Falaremos dessa construção partindo dos 
comportamentos primários, as ferramentas que são utilizadas para a criação e manutenção. 
Conheceremos os métodos mais utilizados para a modelagem comportamental, a relação 
que existe entre cada processo na formação e manutenção do comportamento, como se 
aplicam no cotidiano os conceitos que descobriremos a cada tópico da unidade, a razão 
pelo qual existem métodos pouco efetivos, mas muito utilizados.
Bons estudos!
Introdução
67
1 REFORÇAMENTO DIFERENCIAL E MODELAGEM
Antes de aprofundarmos na unidade, é necessário que façamos uma breve, porém 
importante explicação sobre o condicionamento pavloviano. Este condicionamento explica como 
os organismos aprendem novos reflexos. Para a obtenção do condicionamento pavloviano é 
necessário que um estímulo neutro seja emparelhado com um estímulo incondicionado, esta 
relação é geradora da resposta incondicionada. Após esse condicionamento inicial, o estímulo 
condicionado é emparelhado com a resposta condicionada, resultando no reflexo aprendido, ou 
também conhecido como condicionamento de segunda ordem. Vamos recapitular a proposta de 
Skinner, em que ele afirma que os eventos privados e públicos têm a mesma forma de explicação, 
sendo assim, o condicionamento pavloviano explicará não só os comportamentos externos, mas 
também as emoções. Podemos perceber que os comportamentos vão sempre se relacionar com 
eventos anteriores, e que temosum aparato importantíssimo para a aprendizagem humana: o 
comportamento respondente.
O comportamento respondente é responsável pela compreensão de como ocorre o processo 
de aprendizagem no ser humano, porém, existe uma complexidade muito maior no universo 
comportamental, não basta apenas compreender aprendizagem comportamental, mas trabalhar 
também com as causas e justificativas dos comportamentos mais sofisticados e complexos.
Diversos comportamentos abrangem o universo, desde os mais simples aos mais sofisticados, 
e logicamente comportamentos complexos envolvem explicações e desenvolvimento diferente 
dos comportamentos menos complexos.
A diferenciação de respostas não existe em vão. E, novamente, teremos aqui explicações 
evolucionistas para o comportamento. Assim como o ambiente possui variações, os indivíduos 
foram apresentando variações comportamentais para lidar com o meio em que estavam. Os 
serem que desenvolveram boas adaptações às variações ambientais foram os que sobreviveram 
ao longo do evolucionismo, como mostra a figura “Evolução humana”. 
68
Figura 1 - Evolução Humana 
Fonte: SpicyTruffel, iStock, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem temos a representação da teoria da evolução de Charles Darwin, 
mostrando a influência do evolucionismo no comportamento humano.
Para Skinner (1998) existem três tipos de histórias na determinação do comportamento 
humano: história filogenética, história ontogenético e história cultural. A história filogenética é 
o meio pelo qual o ambiente seleciona e varia determinadas características, fazendo com que as 
características mais necessárias sejam mais frequentes no comportamento. Ao longo do processo 
de evolução humana, determinados comportamentos trouxeram benefícios à espécie, auxiliando 
na sobrevivência. Esses comportamentos aumentaram sua frequência e passaram pelo processo 
de seleção. Podemos ter como exemplo de comportamentos filogenéticos o ser humano aprender 
a falar. Trata-se de um comportamento que não é comum aos outros animais e que auxilia na 
nossa sobrevivência enquanto espécie. Foram comportamentos que se mantiveram devido à 
interação fenótipo- ambiente.
O nível ontogenético diz da seleção comportamental. É aqui que adquirimos novas respostas, 
deixamos de emitir e aprimoramos as demais. O ambiente é que seleciona o repertório 
comportamental. A reprodução, variação ou extinção dos comportamentos fazem parte deste 
nível. Dizemos que o nível filogenético oferece o material para que o nível ontogenético atue.
O nível cultural diz das contingências de reforço mantidas pelo grupo. Essas contingências vão 
variar, uma vez que existem várias culturas e a variação das práticas culturais depende da variação 
dos operantes. No nível cultural, a transmissão ocorre entre as gerações sucessivas. Ele trata da 
coletividade, transcendendo o indivíduo. É um nível cujas características não partem do individual 
para o coletivo, mas do coletivo para o individual. Nesse nível, o que interessa é o efeito sobre o 
grupo e não apenas do indivíduo separadamente.
Esses três níveis se relacionam, podemos dizer que o nível cultural é produto do nível 
ontogenético, que é produto do nível filogenético. Compreendemos que características biológicas, 
comportamentais e culturais evoluem através da seleção.
69
Skinner (1998, p. 33-34) cita que,
O hábito de buscar dentro do organismo uma explicação do comportamento tende a obscurecer 
as variáveis que estão ao alcance de uma análise científica. Estas variáveis estão fora do organismo, em 
seu ambiente imediato e em sua história ambiental. [...]. Estas variáveis independentes são de várias 
espécies e suas relações com o comportamento são quase sempre sutis e complexas, mas não se pode 
esperar uma explicação analisá-las.
O que Skinner enfatiza em seu trecho é exatamente sobre como esses três níveis são 
importantes para a compreensão e explicação do comportamento. Se partimos apenas pelas 
causas externas do indivíduo na explicação de seu comportamento, não encontraremos respostas 
suficientes para sua compreensão.
Tendo em vista os três níveis histórico do comportamento, temos o surgimento do 
comportamento verbal. Assim como outros comportamentos, o comportamento verbal é 
reforçado pelos efeitos que causam nas pessoas e no próprio ser que fala. Trata-se de um 
comportamento que independe das relações geográficas e espaciais. Este comportamento não 
requer suporte ambiental para ocorrer. 
• Um exemplo dessa afirmação: para andar de carro, eu preciso de um carro, mas para 
dizer a palavra carro eu não necessito do objeto. O comportamento verbal pode ter as 
mesmas consequências reforçadoras de qualquer outro comportamento.
• Outro exemplo: quando uma criança vai mexer em algo que não é permitido podemos 
detê-la segurando suas mãos, tirando o objeto do lugar, ou dizendo que não se pode 
mexer.
A expansão do comportamento verbal depende diretamente das práticas da comunidade 
verbal a que o indivíduo pertence. Suas contingências modeladoras podem ser indulgentes 
(quando são pouco elaboradas) ou exigentes (quando são mais elaboradas), como pode ser visto 
na figura “Linguagem na aprendizagem”.
70
Figura 2 - Linguagem na aprendizagem 
Fonte: Monika Gniot, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra como já na infância os comportamentos são moldados nas 
relações.
A resposta verbal depende das razões pelas quais o ouvinte responde, sendo atribuídas à 
intenção do falante. Mas como as palavras são capazes de eliciar respostas emocionais? Acontece 
que as palavras são estímulos, podendo assim ser emparelhadas com estímulos condicionados e, 
quando emparelhadas, passam a produzir respostas emocionais.
Compreendendo os conceitos e as origens acima, vamos falar sobre os reforços. Reforços 
são as consequências de um comportamento cuja a probabilidade é que ocorra com frequência. 
Para determinar se um estímulo é neutro, condicionado ou incondicionado, devemos avaliar a 
relação do estímulo com o organismo. Os reforçadores podem ser naturais ou arbitrários. Eles 
são naturais quando o reforço é produto do próprio comportamento, e são arbitrários quando o 
produto do reforço é indireto. 
Por exemplo: quando uma criança estuda e como reforço recebe elogios, estamos falando de 
reforços naturais. Quando essa criança estuda para receber um celular ao final do ano, estamos 
falando de reforço arbitrário.
71
Os reforços ainda possuem uma subdivisão, eles podem ser positivos ou negativos. Reforço 
positivo é quando o estímulo apresentado aumenta a frequência do comportamento. São 
exemplos de reforços positivos: o salário no final do mês de trabalho, a aprovação após um ano 
de estudo, um beijo após investir na conquista da namorada. Note que a “recompensa” em todos 
os exemplos faz com que a frequência do comportamento aumente. 
Já o reforço negativo é quando há a retirada de um estímulo aversivo para aumentar a 
probabilidade do comportamento. São exemplos de reforços negativos: retirar um animal que 
assusta do ambiente para que a criança possa brincar, retirar um barulho que incomoda para que 
o jovem possa estudar tranquilamente. Neste exemplo percebemos que a retirada dos estímulos 
é que aumenta a probabilidade do comportamento. 
São propriedades dos reforços: a diminuição na variabilidade de topografia (propriedade 
formal ou estrutural) da resposta reforçada; as respostas passam a ser mais estereotipadas 
(padronizadas); é o método mais recomendado e eficaz na seleção de novos comportamentos; 
para que o reforço seja efetivo, ele precisa ser contingente com a resposta (necessário que exista 
uma relação de dependência entre o reforço e o comportamento).
Antes de conhecermos mais sobre as ferramentas utilizadas na análise do comportamento, é 
necessário ainda que saibamos a diferença entre comportamento respondente e comportamento 
operante. Essa designação é necessária, pois lidaremos mais na frente com o mesmo padrão de 
execução, cujo objetivo será diferente devido ao tipode comportamento.
FIQUE DE OLHO
O comportamento respondente tem como característica ser inato, é um comportamento 
eliciado, não é um comportamento controlado e não produz consequências no ambiente. 
O comportamento operante é um comportamento aprendido, é emitido, é passível de 
controle e produz consequências no ambiente.
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1.1 Modelagem comportamental
A modelagem consiste no procedimento de reforço diferencial por aproximações sucessivas 
de um comportamento que terá com resultado um novo comportamento. Funciona da seguinte 
forma: nós aprendemos que não nascemos com a execução de todos os comportamentos. Temos 
um aparato inicial que são os reflexos inatos. A partir deles começam nossas primeiras interações 
com o mundo. Essas interações geram comportamentos, para além desses comportamentos, 
novas relações em que outras respostas vão surgindo e, quando reforçadas essas respostas, 
também passam a ser novos comportamentos que foram moldados a partir de um referencial, 
mas que possuem um significado e uma finalidade divergente do original. Assim acontece a 
modelagem. A partir de um comportamento “referência” pôde-se modelar novos repertórios 
comportamentais. Skinner (1974 apud ARANTES; ROSE, 2009, p. 66) diz:
A ocasião em que o comportamento ocorre, o próprio comportamento e suas consequências 
estão inter-relacionadas [...]. Como resultado de seu lugar nessas contingências, um estímulo presente 
quando uma resposta é reforçada adquire certo controle sobre tal resposta.
Um exemplo da modelagem ocorre com as crianças. Um bebê não nasce falando, mas de 
forma instintiva ele reproduz ruídos e sons. Na primeira tentativa de se comunicar com a mãe, ele 
reproduz vários sons e não obtém sucesso, porém quando fala “ma” é reforçado com carinho e 
atenção de sua mãe. Segundo Skinner, receber carinho e atenção são reforçadores poderosíssimos 
para influenciar o comportamento humano. O bebê aprende que toda vez que pronuncia aquele 
fonema é reforçado e começa repetidamente a fazê-lo até que, em dado momento, a mãe para de 
reforçá-lo. Na busca de continuação desse reforço, a criança passa de “ma” a reproduzir “mama” 
e novamente lhe voltam os reforços por parte da mãe, consequentemente ele aprenderá a falar 
“mamãe” e outras palavras que o ambiente o reforçará. Note que há uma busca por reforçamento 
continuo.
73
A modelagem é muito importante, pois o comportamento “final” é muito improvável de 
ser emitido naturalmente. Ensinar padrões de comportamentos complexos sem a modelagem 
seria extremamente difícil, se não impossível. Logo, a função da modelagem é selecionar novas 
respostas, tornar uma resposta eficiente, explicar e facilitar a seleção de novos comportamentos.
Skinner relata sobre o compromisso dos estudiosos em análise do comportamento para 
encontrar formas alternativas de controle que excluíssem os métodos punitivos ou que 
trouxessem respostas letais aos indivíduos (GRIFFIN; PAYSEY; STARK; EMERSON, 1998). Skinner 
(1953/1965) define a punição como um procedimento e Azrin e Holz (1966) vão dizer que além 
de um procedimento, a punição é um processo comportamental.
1.2 Reforço diferencial
Frente à proposta de Skinner, surgem os primeiros estudos sobre o reforço diferencial. 
Também conhecido pela sigla DRO (do inglês diferencial reiinforcement of other behavior), 
consiste em reforçar tudo o que é adequado e não reforçar o que não é adequado, reduzindo, 
assim, os comportamentos inadequados. O primeiro elaborador do reforço diferencial na 
literatura foi Reynolds (1961). Seu objetivo era investigar efeitos de contraste comportamental 
em esquemas múltiplos. Para tal investigação foram utilizados pombos. Foi ensinado às aves a 
bicar um disco iluminado para, em troca, receberem alimento. Qualquer outro comportamento 
das aves que não fosse bicar o disco, não era reforçado.
No cotidiano, um exemplo de reforçando diferencial é quando os pais iniciam o treino da 
toalete com o filho. Reforça-se todos os comportamentos relacionados com a ida da criança até o 
local ideal para fazer cocô ou xixi, como pedir para ir ao banheiro, sentar no vaso e não há nenhum 
tipo de reforço quando essa criança faz suas necessidades na fralda, ou mesmo na roupa. Existem 
dois tipos de reforçamento diferencial: o reforçamento diferencial de alta resposta, que ocorre 
em um período de tempo determinado; e o reforçamento diferencial de baixa resposta, que 
ocorre após um intervalo de tempo. O procedimento DRO é utilizado há décadas, principalmente 
pela probabilidade de aumentar a frequência de comportamentos socialmente aceitos sem se 
utilizar de técnicas com controle aversivo, usando exclusivamente o reforço positivo (COOPER; 
HERON; HEWARD, 2007; FISHER; PIAZZA; ROANE, 2011; LEAF; MCEACHIN, 1999); não diferente 
dos outros comportamentos. Torna-se necessário a avaliação do que é reforçador e punitivo para 
o indivíduo em questão. No reforçamento diferencial trabalhamos com:
• SΔ (estímulo delta)
É o estímulo no qual a resposta tem pouca chance de ser reforçada;
• SD (estímulo discriminativo)
É o estímulo que serve de ocasião para que uma resposta aconteça e tenha alta probabilidade 
74
de ser reforçada. Este tem função controladora e indica o comportamento a ser emitido. O reforço 
diferencial consiste em reforçar o comportamento na presença do estímulo discriminativo e 
colocar o comportamento em extinção da presença do estímulo delta, também conhecido como 
treino discriminativo. Ambos são produtos da tríplice contingência.
2 DISCRIMINAÇÃO E GENERALIZAÇÃO
A discriminação é o processo em que respostas específicas irão ocorrer apenas na presença de 
estímulos específicos. Ele é definido por diversos fatores. O primeiro deles é que, para ocorrer, é 
necessário que um mesmo comportamento, numa determinada situação, produza consequências 
diferentes. Na discriminação operante, o organismo responde de maneira diferente a estímulos 
fisicamente diferentes. Ela diz do papel do contexto nas relações, do fator ambiental. Os 
operantes discriminados são os comportamentos que, em determinados contextos, produzem 
consequências reforçadoras, enquanto os estímulos discriminativos são os estímulos que são 
apresentados antes do comportamento e que regulam a sua frequência.
Aqui também se configura contingência de três termos. A tríplice contingência é a unidade 
básica do comportamento, pois diz da relação: antecedente, resposta, consequência (S : R→C). 
Sem essa consideração, torna-se impossível a explicação de grande parte dos comportamentos, 
devido ao fato de que a compreensão comportamental é estabelecida quando considerado 
também o contexto em que ocorre. A análise funcional consiste em encaixar o comportamento 
dentro dos três termos de análise: verificar o porquê o comportamento ocorre, analisar o 
comportamento em si e as consequências que ele traz. A análise é representada da seguinte 
forma: O- R→C (ocasião antecedente; resposta; consequência).
Os estímulos que ocorrem antes do comportamento e controlam a sua ocorrência são os 
estímulos discriminativos. O estimulo antecedente é que controla qual resposta produzirá 
consequências de reforço. Esse treino, consequentemente, produz o controle de estímulos. 
São esses treinos que nos propiciam responder diariamente aos comportamentos e dizem da 
aprendizagem, como mostra a figura “Crianças com bolas”.
São exemplos de controle de estímulo adquiridos pelo treino: compreender que a “cara 
boa” dos pais influencia na resposta positiva ao pedido de uma festa; a cara fechada do patrão 
representa uma condição de que não é um bom momento para se pedir um aumento; a execução 
de funções exercidas com sucesso no celular através do treino e a posterior aprendizagem; dentre 
outras situações diárias.
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Figura 3 - Crianças com bolas 
Fonte: FatCamera, iStock, 2020.
#ParaCegoVer: A figura mostra crianças segurando diferentes bolas: de vôlei, de futebol, de 
basquete. A diferenciação do tipo de bolaé um exemplo da discriminação.
A generalização diz do padrão de respostas semelhantes para estímulos diferentes, devido 
à semelhança entre os estímulos. Neste caso há uma relação de magnitude. Quanto mais 
parecido com o estímulo, maior a magnitude de resposta. Existem dois tipos de generalização 
na análise do comportamento: a generalização operante e generalização respondente. A 
generalização operante é quando respondemos de maneira semelhante a estímulos fisicamente 
semelhantes. Em outras palavras, um determinado estímulo possui uma relação de aproximação 
com estímulo discriminativo de reforçamento passado e elicia o mesmo comportamento. A 
generalização respondente é quando estímulos fisicamente semelhantes eliciam respostas 
reflexas semelhantes, ou seja, a generalização respondente é quando um estímulo semelhante 
ao estímulo condicionado passa a eliciar a resposta condicionada.
Por exemplo: uma pessoa que em determinado momento da vida foi mordida por um pastor 
alemão, pode passar a ter medo do cachorro que a mordeu, ter medo de outros cachorros da 
mesma raça, ou ainda, ter medo de qualquer raça de cachorro. Neste caso, a semelhança dos 
cachorros, mesmo que os demais não a tenham mordido, eliciam o medo da experiência anterior.
São exemplos cotidianos de generalização: quando uma criança aprende a falar “bola”. Sua 
aprendizagem ocorreu com o estímulo de uma bola de futebol e ela reproduz na presença de bolas 
de gude, bola de sabão, bola de ping-pong. Um exemplo mais sofisticado é quando temos um 
determinado aparelho celular e posteriormente trocamos por outro diferente, a aprendizagem 
76
anterior é utilizada para operar o atual aparelho, como mostra a figura “Diferentes smartphones 
modernos”.
A generalização é importante por facilitar os processos de aprendizagem. Desta forma não 
temos que modelar uma resposta para cada estímulo diferente.
A ferramenta utilizada para saber o quanto a generalização está ocorrendo é o gradiente 
de generalização, nele temos graficamente a representação de relação entre as semelhanças do 
estímulo apresentado com o estímulo discriminativo e a frequência de resposta produzida em 
sua presença.
É possível ainda testar se de fato houve a generalização através do teste de generalização. É 
necessário que o teste seja feito em extinção para que a observação não seja muito maior que 
o real.
Figura 4 - Diferentes smartphones modernos 
Fonte: Bet_Noire, iStock, 2020.
#ParaCegoVer: A diversidade de celulares e o estímulo discriminativo comum de 
funcionamento de todos eles e a semelhança para nomeá-los como aparelho celulares é um 
exemplo de generalização.
3 PUNIÇÃO E EXTINÇÃO
A punição tem por objetivo eliminar comportamentos indesejados. Trata-se de uma 
consequência que torna o comportamento indesejado menos provável. Skinner (1983, p. 50) faz 
uma crítica a punição: 
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A recompensa (reforço) e a punição não diferem unicamente com relação aos efeitos que 
produzem. Uma criança castigada de modo severo por brincadeiras sexuais não ficará necessariamente 
desestimulada de continuar, da mesma forma que um homem preso por assalto violento não terá 
necessariamente diminuída sua tendência a violência. Comportamentos sujeitos a punições tendem a 
se repetir assim que as contingências punitivas forem removidas.
Existem dois tipos de punições: a punição positiva e a punição negativa. Punição positiva 
é quando há a adição de um estímulo aversivo no ambiente, fazendo com que diminua a 
probabilidade do comportamento. Já a punição negativa é quando é retirado um estímulo 
aversivo do ambiente para diminuir a probabilidade do comportamento. Um dos diferenciais da 
punição é que o comportamento inadequado não desaparece, ou seja, existe a probabilidade 
de que este comportamento ocorra em ambientes em que não haja punição ou que retorne no 
mesmo ambiente quando não houver mais os estímulos punitivos.
Um exemplo de punição positiva é quando temos um comportamento no qual a mãe bate na 
criança quando esta mexe em sua bolsa. Para reduzir o comportamento de mexer na bolsa, a mãe 
inclui o estímulo de bater nessa criança. Se o acréscimo do “bater” nesta relação fizer com que a 
criança diminua a quantidade de vezes em que mexe na bolsa, nomeamos o comportamento da 
mãe como punição positiva. Um exemplo de punição negativa é quando uma criança tem notas 
escolares ruins e, como consequência, os pais retiram o seu vídeo game. Se a retirada do vídeo 
game diminuir a probabilidade de obter notas ruins na escola, nomeamos como punição negativa.
A grande questão de críticas quanto à punição é que o incremento de estímulo aversivo ou retirada 
de estímulo reforçador não são efetivos para a mudança de comportamento. Apesar de ser mais fácil 
punir o que é inadequado do que reforçar o que é adequado, a punição possui consequências. Essas 
consequências podem ser o contracontrole, emissão de respostas incompatíveis com o comportamento 
punido e/ou a supressão de outros comportamentos além do punido. 
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A oposição à punição se dá exatamente às suas consequências. Diferente dos reforços, nos 
comportamentos secundários as punições tendem a ser problemáticas, posteriormente exigindo 
uma nova intervenção. Apesar de todas as recomendações quanto a não utilização da punição 
como método, trata-se do método mais utilizado no controle do comportamento devido a sua 
consequência imediata.
Diferente do reforço e da modelagem que demoram mais tempo para sua efetividade, a 
punição tem um efeito imediato, como vemos, não é efetivo a longo prazo, mas imediato na 
resposta. É válido lembrar também que a punição produz subprodutos, gerando mal-estar, 
sentimentos de medo, ansiedade e produzir conflito entre a resposta punida e a resposta evitada, 
como mostra a figura “Punição como método”.
Figura 5 - Punição como método 
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem retrata um adulto brigando com uma criança, mostrando que um 
dos efeitos punitivos é a mudança na relação entre punidor e punido.
3.1 Extinção
A extinção é a quebra da relação já estabelecida anteriormente entre a resposta e a 
consequência. Neste caso, a consequência é retirada da relação.
A extinção é uma das alternativas substitutivas à punição. Trata-se de um método menos 
aversivo, mas que também gera respostas emocionais. A extinção diminui a frequência do 
comportamento, mas não treina novas respostas ao organismo. Um fator interessante na extinção 
é que antes dela ocorrer há um aumento na frequência e aumento na variabilidade da forma de 
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resposta do comportamento. E é após esse aumento de frequência e ausência de reforço que 
ocorre a extinção. Um exemplo de resposta emocional que está associada a esse processo é de 
frustação.
Iremos caracterizar esse fator citado acima como resistência à extinção. Essa resistência diz 
da história de reforçamento do comportamento. Quanto mais reforçado foi o comportamento, 
mais resistente ele será à extinção. Quanto mais rápida for a resposta, maior será a resistência. 
Quanto maior variação de reforçamento ocorrer, também maior será a sua resistência (se não 
houver o reforço contínuo, ou seja, durante um mesmo comportamento houver variação entre 
ser ou não ser reforçado).
Existem dois tipos de extinção: extinção operante e extinção respondente. Na extinção 
operante há a quebra da relação resposta/consequência já estabelecida; já a extinção respondente 
é quando o estímulo condicionado deixa de ser emparelhado com o estímulo incondicionado.
3.2 Contingências do reforço negativo
Como vimos, todas as formas de modelagem comportamental trazem consequências, alguma 
eficientes no comportamento, outras com prejuízos no desenvolvimento. Agora falaremos um 
pouco sobre os comportamentos que são mantidos através do reforço negativo. Quando retiramos 
o estímulo aversivo do ambiente em que o organismo está, reforçamos negativamente o seu 
comportamento. Ambas se relacionam com a respostade evitar ou atrasar um estímulo aversivo 
e, por se tratar de consequências de reforço, mesmo sendo negativo, tendem a ser mantidas pelo 
organismo. A fuga corresponde à emissão de resposta quando o estímulo aversivo está presente. 
Já a esquiva é a emissão de resposta que evita a apresentação do estímulo aversivo. Temos em fuga 
um estímulo original, e na esquiva o estímulo condicionado. Ambas se tratam do comportamento 
do organismo de não se relacionar com o estímulo aversivo e são reforçados negativamente. 
Na ordem comportamental de resposta dos estímulos, o organismo tende primeiro a evitar o 
estímulo aversivo, quando não o consegue, ele foge. Ambos os comportamentos são importantes 
para o ser humano e estão relacionados com a defesa, a manutenção da sobrevivência e 
evolução da espécie. Porém estes mesmos comportamentos, quando generalizados, diminuem o 
repertório comportamental, deixando de ser funcional e sendo contrário ao propósito da clínica, 
que é expandir o repertório a fim de tornar as experiências mais amplas.
4 RECUPERAÇÃO ESPONTÂNEA
A extinção não acaba de fato com o comportamento. A recuperação espontânea é uma forma 
de resistência à extinção. Ela acontece quando um comportamento, que anteriormente foi extinto, 
passa a ressurgir. Ou seja, para que haja recuperação espontânea, primeiro o organismo passa 
pelo condicionamento entre os estímulos condicionados e incondicionados. Quando deixamos 
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de reforçar o comportamento criado aqui, o organismo passará pelo processo de resistência até 
chegar na extinção.
Mesmo após extinto, ele pode reaparecer e é então que nomeamos recuperação espontânea. 
Aqui, se o estímulo condicionado não estiver associado ao estímulo incondicionado, ocorre 
novamente a extinção. Isso quer dizer que o organismo tentará emitir o mesmo comportamento 
em busca da resposta, se ele a obtiver, o comportamento voltará, em caso contrário haverá uma 
nova extinção. 
Pavlov experimenta no teste de condicionamento também a recuperação espontânea. Após 
parear o som com o alimento, ambos estímulos produziram a salivação no cachorro. Quando 
se deixou de emparelhar os estímulos, o cachorro passou por todo o processo de extinção do 
comportamento e a salivação desapareceu apenas na presença do som. Depois de algumas horas 
de repouso, novamente a salivação surgiu na presença do som.
Um exemplo de recuperação espontânea é quando um casal briga no namoro e o garoto 
decide bloquear a sua namorada nas redes sociais. Após um tempo, ele a desbloqueia. Havendo 
uma possibilidade de ser reforçado em seu comportamento (ter a atenção novamente da 
namorada), o comportamento de mantê-la nas redes sociais volta. Caso contrário, novamente 
ele tende a bloqueá-la.
A recuperação espontânea nos mostra que o comportamento extinto não deixa de existir. 
Mas esse comportamento não terá a mesma magnitude de força quanto no momento em que foi 
reforçado antes da extinção. 
4.1 Contracondicionamento e dessensibilização sistemática
Esses são dois processos importantíssimos para a atuação de um analista comportamental. 
Existem fatores que interferem na modelagem comportamental, um dele é se a pessoa é capaz 
de se relacionar com um estímulo que para ela é intenso. É comum que as pessoas cheguem 
na clínica querendo controlar sentimentos ou mesmo curar medos. Também é comum nesses 
casos que a pessoa apresente uma resposta emocional muito forte para o estímulo aversivo, não 
conseguindo lidar diretamente.
Porém, como fazer com que um determinado estímulo deixe de ser aversivo sem que a 
pessoa entre em contato com ele? O papel do contracondicionamento e da dessensibilização 
sistemática é reduzir o sofrimento frente a um estímulo que causa respostas emocionais com 
magnitude alta. O contracondicionametno consiste em condicionar respostas contrárias ao 
estímulo condicionado. Isso faz com que o estímulo, que causava reações aversivas, passe a ter 
uma gama maior de possibilidades, inclusive de estímulos não-aversivos.
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Um exemplo de contracondicionametno é quando uma pessoa deseja parar de beber, mas não 
consegue inicialmente. Para este caso utiliza-se um estímulo que não seja agradável para relacioná-
lo com a bebida, um chá amargo por exemplo. Iremos condicionar a pessoa para que a bebida emita 
a mesma resposta que o chá ruim. Após o condicionamento, a pessoa passa a emitir o mesmo 
comportamento para ambos os estímulos, desta forma, a bebida se torna desagradável. Um outro 
processo muito utilizado para questões similares é a dessensibilização sistemática. Essa consiste em 
dividir o processo de extinção em pequenas partes. Para tal é necessário que antes se construa uma 
escala crescente de contato com o estímulo, começando do contato que eliciar a menor magnitude 
de resposta até chegar no contato com maior eliciação de magnitude de resposta.
Um exemplo de dessensibilização sistemática é o utilizado no medo de cachorro. De acordo 
com o nível de medo da pessoa, começamos a dessensibilização aproximando-a de uma imagem 
do animal, um vídeo, posteriormente a um cão de pelúcia, a ver um cachorro mais distante, ver 
um cachorro mais próximo, até que a pessoa consiga se aproximar de cães. Junto a cada etapa 
podem ser utilizados estímulos que sejam agradáveis para o indivíduo. Eis também um método 
muito efetivo na modelagem comportamental. 
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Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender como acontece o processo de modelagem comportamental;
• observar como o reforçamento diferencial é usado na modelagem;
• entender como ocorrem os processos de generalização e de discriminação e suas 
relevâncias para o comportamento;
• diferenciar os tipos de punições, conhecer sobre as suas consequências e entender o 
porquê de não ser um método recomendado.
PARA RESUMIR
BORGES, N. B.; BANACO, R. A. História comportamental: efeitos de história de 
Reforçamento em DRL em ratos Wistar. Psicologia: teoria e prática, v. 12, n. 02, pp. 112-
126, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2010. Disponível em: http://pepsic.
bvsalud.org/pdf/ptp/v12n2/v12n2a08.pdf. Acesso em: 20 mai. 2020.
FALEIROD, T. C.; HUBNER, M. M. C. Efeito do Reforçamento diferencial de resposta 
verbal referente à leitura sobre a duração da resposta de ler. Instituto de Psicologia da 
Universidade de São Paulo. Revista brasileira de terapia comportamental e cognitiva, v. 
IX, n. 02, pp. 307-316, Belo Horizonte-MG, 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.
org/pdf/rbtcc/v9n2/v9n2a12.pdf. Acesso em: 20 mai. 2020.
GALVÃO, O. F.; BARROS, R. S. Curso de introdução à Análise Experimental do 
Comportamento. São Paulo: CopyMarket.com, 2001.
KOHLENBERG, R. J.; TSAI, M. Psicoterapia analítica funcional: criando relações 
terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETEC, 2006.
MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios de análise do comportamento. 1. ed. São 
Paulo: Artmed, 2007.
SANTOS, G. C. V. O procedimento de DRO e a aparente possibilidade de uso de 
procedimentos não aversivos na redução de “comportamentos-problema”. Revista 
Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, v. XX, n. 3, pp. 99-117. Disponível 
em: http://www.usp.br/rbtcc/index.php/RBTCC/article/view/1220. Acesso em: 21 mai. 
2020.
SILVA, E. R.; FARIA, S. F., SANTOS, R. O. A Modelagem e o Controle do Comportamento. 
Psicologado, jun. 2015. Disponível em: https://psicologado.com.br/abordagens/
comportamental/a-modelagem-e-o-controle-do-comportamento. Acesso em: 20 mai. 
2020.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Psicologia experimental é um livro direcionado para estudantes 
dos cursos de psicologia e correlatos.
Além de abordar assuntos triviais, o livro traz conteúdo 
sobre aplicabilidade do behaviorismo, análise experimental do 
comportamento, condicionamento reflexo, reforçadores do 
comportamento operante, esquemas simples de reforçamento, 
análise experimental do comportamento, e ampliações do 
comportamento.
Após a leitura da obra, o leitor vai saber que oscomportamentos 
operantes (ou respostas operantes) são aqueles que se apresentam 
ao meio ambiente; entender que inato é o que está com o indivíduo 
desde seu nascimento; identificar os diversos momentos históricos 
em que a psicologia buscou se tornar uma ciência; reconhecer as 
primeiras Escolas de Psicologia e a relação com a evolução do 
conhecimento científico; compreender como surgiu a Análise 
Experimental do Comportamento, e seus aspectos éticos e históricos; 
aprofundar-se sobre os modelos animais e a diversidade de 
resultados da testagem animal para a intervenção humana; observar 
como o reforçamento diferencial é usado na modelagem; diferenciar 
os tipos de punições, saber as suas consequências e entender o 
porquê de não ser um método não recomendado, e muito mais.
Aproveite a leitura do livro. 
Bons estudos!aborda a psicologia como a ciência que estuda o 
comportamento humano e suas características individuais e coletivas. O texto discute 
as origens históricas, filosóficas e epistemológicas da psicologia, explica como se 
analisa um experimento científico no campo da psicologia. 
A segunda unidade discute os aspectos históricos e filosóficos que envolveram o 
processo de construção da psicologia cientifica. O leitor vai conhecer os influenciadores 
da época e suas contribuições para a psicologia, o método experimental (seus conceitos, 
os aspectos relacionados e sua execução), como a pesquisa animal influenciou e 
influencia as descobertas humanas, e mais. 
Na sequência, a terceira unidade trata da psicologia em sua vertente experimental. 
O leitor conhecerá como o comportamento se manifesta frente às variáveis do meio. 
Concluindo a obra, a quarta e última unidade analisa como são adquiridos os 
comportamentos mais complexos. O leitor saberá mais sobre os métodos mais 
utilizados para a modelagem comportamental, a relação que existe entre cada processo 
na formação e manutenção do comportamento, a razão pelo qual existem métodos 
pouco efetivos, mas muito utilizados.
Este é apenas um panorama do conteúdo que o leitor vai estudar. Após a leitura 
deste livro na íntegra, ele vai compreender de forma fácil do que se trata a psicologia 
experimental.
Agora é com você! Sorte em seus estudos!
PREFÁCIO
UNIDADE 1
Introdução à psicologia experimental
Olá,
Você está na unidade Introdução à Psicologia Experimental. Conheça aqui a psicologia 
como a ciência que estuda o comportamento humano e suas características individuais e 
coletivas. Teremos a oportunidade de pautar sobre as suas origens históricas, filosóficas 
e epistemológicas, e como se analisa um experimento científico no campo da psicologia. 
O que se estuda na psicologia experimental, memória, motivação, não só na psicologia 
infantil, como na social e educativa. 
Bons estudos!
Introdução
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1 ORIGENS HISTÓRICA, FILOSÓFICA E 
EPISTEMOLÓGICA
Em diversos momentos de nossa vida pessoal ou profissional fazemos uso do termo 
“psicologia” para nos referirmos a contextos de senso comum, na maioria das vezes. Ou seja, 
retratando um conhecimento sem verificação metodológica (científica). Conhecimento este que 
se transmite de pessoa para pessoa, sem método ou conferência. Mas, para a Psicologia chegar 
a ser uma ciência teve que evoluir e tornar seu estudo algo possível de reprodução, objetivando 
avaliar limitações e capacidades de determinada ideia, separando o conhecimento científico do 
conhecimento místico.
E, dessa forma, dar o salto para reconhecer a realidade sobre uma ótica estudada, pensada, 
reflexiva, não intuitiva. Assim, não fazendo uso de expressões “parece que sim”, “ele é assim 
mesmo”, “todos os profissionais de atendimento ao público são estressados” etc. Devemos ter 
claro que a preocupação na identificação dos motivos que levam o ser humano a fazer de uma 
forma ou de outra algo, o domínio deste conhecimento interessa a grande parte das pessoas 
desde sempre, mas mesmo sendo uma dúvida antiga, ela é atualíssima.
1.1 História da psicologia
Os primeiros indícios de estudos sobre Psicologia remontam à antiguidade, quando os gregos, 
no auge de sua cultura e riqueza, produziram conhecimentos em arquitetura, física e geometria. O 
conceito de democracia. E devido a toda essa riqueza era possível alguns trabalharem (escravos) e 
os cidadãos (livres) podiam se interessar por filosofia, artes. Os filósofos gregos, em suas reflexões 
sobre o ser humano e sua interioridade, chegam a nos colocar que: 
[...] termo psicologia vem do grego psyché, que significa alma, e de logos, que significa razão. A 
alma ou espírito era concebida como a parte imaterial do ser humano e abarcaria o pensamento, os 
sentimentos de amor e ódio, a irracionalidade, o desejo, a sensação e a percepção (BOCK; FURTADO; 
TEIXEIRA, 2008, p. 33).
Assim, temos Sócrates (469-399 a.C) que, na busca por diferenciar o homem dos animais, 
aponta como nossa característica a razão. E seu discípulo Platão (427-347 a.C) define o lugar onde 
ocorre a razão = a cabeça e a alma humana. Em sequência, o discípulo de Platão, Aristóteles (384-
322 a.C), coloca que não há dissociação entre alma e corpo. Segundo Bock, Furtado e Teixeira 
(2008), Aristóteles estudou as diferenças entre a razão, a percepção e as sensações humanas 
elaborando o primeiro tratado em Psicologia, “Da anima”.
Após a Antiguidade teremos a Idade Média e o Cristianismo, que com Santo Agostinho (354-
430) separa a alma humana do corpo humano. Com o surgimento do Protestantismo, São Tomás 
de Aquino diferencia essência e existência. E o Renascimento é caracterizado pela descoberta de 
12
novas terras (América, Índia). E, o surgimento do capitalismo se baseia nas nações enriquecendo 
(França, Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal), e o conhecimento evoluindo em vários setores.
Somam-se as colocações já apresentadas de Bock, Furtado e Teixeira (2008, p.36), René 
Descartes (1596-1659), importante filósofo da época “postula a separação entre mente (alma, 
espírito) e corpo, afirmando que o homem possui uma substancia material e uma substancia 
pensante, e que o corpo, desprovido do espírito, é apenas uma máquina”.
Ferreira nos auxilia a confirmar a colaboração de Descartes para a Psicologia quando (2005, 
p. 23-24)
[...] no início do século XVII, Descartes propõe a separação entre esses domínios, entendidos agora 
como duas substâncias distintas. [...] Nossa mente e cérebro se identificam pois ao sujeito, restando 
ao corpo o papel de mero objeto, de mera máquina opaca ao nosso conhecimento imediato. [...] Essa 
dualidade marcou o início da psicologia no século XVIII, e ainda está presente nas discussões sobre a 
relação entre alma e corpo, que acompanham a psicologia até os dias de hoje. 
A humanidade dá um grande salto na questão conhecimento pôs Renascimento, que pode 
ser visto na tabela “A evolução histórica das Escolas de Pensamento Psicológico”, desenvolvido 
por Schultz e Schultz (2005, p. 1-17).
Tabela 1 - A evolução histórica das Escolas de pensamento psicológico 
Fonte: SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p. 1-17.
#ParaCegoVer: Na imagem, há um quadro de três colunas e oito linhas, apresentando uma 
determinada década, fatos que aconteceram naquela época de relevantes e que escola da 
psicologia de formou durante aquele período e seu fundador. 
13
A tabela nos mostra que a Psicologia, assim como as demais ciências, evoluiu em decorrência da 
cultura da época, das forças externas que deram direção. O estudo do contexto permite identificar 
as ideias predominantes oriundas da cultura da época, como das forças sociais, econômicas e 
políticas (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005). Ainda, é possível identificar que o Behaviorismo surge num 
momento histórico que a sociedade vivenciava, acreditar ou não no conhecimento científico.
Um bom exemplo é o ocorrido com o professor John Scopes (escola pública americana/1925). 
Contrariando a lei, ministrou uma aula em que apresentava a teoria do Evolucionismo, de Charles 
Darwin, “A Origem das Espécies” e, por isso, foi processado e julgado. O acontecimento ficou 
conhecido como o “Julgamento do Macaco”. E foi decorrente da acomodação social entre crer na 
teoria do Evolucionismo e acreditar no que a Bíblia diz. A situação promoveu revisão no sistema 
educacional americano (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005).
Outro seria os estudos desenvolvidos durante a 1ª Guerra Mundial (1914 a 1918) sobre 
desempenho das tropas. Vamos ter o surgimento do termo Behaviorismo, com John B. Watson, 
em artigo publicado 1913, como nos colocam Bock, Furtado, Teixeira (2008, p. 58):
Psicologia: como os behavioristas a veem. O termo behavior significa ‘comportamento’; por isso, 
para denominar essa tendência teórica, usamos Behaviorismo – e, também, Comportamentalismo, 
Teoria Comportamental, Análise Experimental do Comportamento, Análise do Comportamento.
Este foi um evento histórico, queapresentou a Psicologia de forma científica, em um artigo 
com conhecimento e prática sistematizada.
1.2 Epistemologia da Psicologia
O estudo da Psicologia apresenta seus conceitos de forma lógica, classificando e validando 
o conhecido, com dados consistentes, com narrativa e cronologia. O conhecimento pode ser 
tratado como teoria e passa a ser referenciado. W. Wundt (1832-1926), em 1875, que contava 
com um Laboratório de Experimentos em Psicofisiologia (Alemanha), trouxe estudos traduzidos 
em “marco histórico significou o desligamento das ideias psicológicas de ideias abstratas e 
espiritualistas, que defendiam a existência de uma alma nos homens” (BOCK. FURTADO; TEIXEIRA, 
2008, p. 24-25). No laboratório de Wundt vários outros psicólogos se formaram, a exemplo 
Titchener (1867 – 1927). 
Cabe no momento retomar a ideia das características fundamentais de um estudo científico; 
iniciamos com o objeto de estudo = foco do estudo, o que se pretende investigar. E, ao apresentar 
as informações de modo que tenhamos conhecimento, é necessária uma linguagem precisa 
e rigorosa, o domínio das normas e métricas definidas para o tipo de investigação (objeto de 
estudo) e dados de maneira programada, sistemática e controlada. 
Assim, é possível a verificação da validade do estudo. Esta última colocação significa que seu 
14
objeto de estudo será apresentado com base em suas ideias e atentando à forma culta e à normas 
da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), não se esquecendo que o conhecimento é 
acumulativo e objetivo.
Então deve-se atentar à identificação do objeto de estudo e não se confundir com ele, pois as 
ciências apresentam objetos de estudos diferentes (a medicina estuda a natureza e as causas das 
doenças humanas; a astronomia os astros). A Psicologia, a Antropologia, a Economia, a Sociologia, 
por serem classificadas como ciências humanas, estudam o homem.
Para identificar melhor qual é o nosso objeto de estudo, buscamos Bock, Furtado, Teixeira 
(2008, p. 21), que explicam que devemos questionar qual seria o objeto de estudo da Psicologia. 
Se for um psicólogo comportamentalista teremos que é o comportamento humano. Já um 
psicólogo psicanalista diria que é o inconsciente. Ou seja, pode ser tanto a consciência humana 
como a personalidade, e irá depender da teoria de psicologia que embasa o estudo.
O caminho percorrido em busca do conhecimento em Psicologia, desenvolvido por suas 
diversas Escolas de Pensamento, possibilitou a Regulamentação desta ciência, que no Brasil 
chegou em 27 de agosto de 1962, pela Lei n. 4.119 de 1962. Data que hoje é comemorado o Dia 
do Psicólogo (27 de agosto), marcando o direito de uma profissão. Cabe descrever mais a situação 
ocorrida:
Antes de ser juridicamente reconhecida, a Psicologia estava presente em campos como a 
Educação, a Saúde, o Trabalho e o Direito, sendo ensinada nas Escolas Normais e Faculdades 
de Filosofia e em centros de excelência como a Universidade de São Paulo, a partir de 1958. 
Seu estabelecimento como profissão, contudo, enfrentou resistências da área médica, que 
considerava como privativas, práticas associadas à clínica. Apesar dessas resistências, a lei que 
regulamenta a profissão assegurou o trabalho do(a) psicólogo(a), definido como “uso de métodos 
e técnicas psicológicas para a solução de problemas de ajustamento”. A regulamentação da 
profissão de psicólogo(a) em lei não era comum à época. Com a exceção de Estados Unidos, 
Canadá e Egito (CRP, s.d.). 
2 VISÃO GERAL DA EXPERIMENTAÇÃO EM 
PSICOLOGIA
Mesmo a Psicologia sendo uma ciência estudada de forma sistematizada, desde o século XIX 
é considerada uma ciência jovem e ainda não explica diversas situações sobre o homem. Este fato 
também justifica a diversidade de objetos de estudo. O ser humano vive em sociedade e só esta 
situação já distingue todos os estudos das ciências humanas, em particular a Psicologia.
15
Vamos refletir um pouco: o homem se expressa manifestando seu comportamento (possível 
de ser estudado); já os sentimentos (não se observa – só quando é manifestado), além disto, cada 
um de nós é de “um jeito” (nossa singularidade) e, ao mesmo tempo, somos iguais geneticamente. 
Difícil é o homem-corpo, homem-pensamento, homem-afeto, homem-ação, outro conceito 
humano de nossa subjetividade (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 2008).
Como explicam Schultz e Schultz (2005, p. 110), na reprodução de texto original “A Textbook 
of Psychology” (1909), de E.B. Titchener, “todo conhecimento humano é derivado da experiência 
humana, não há outra fonte de conhecimento. Todavia a experiência humana, como vimos, pode 
ser analisada a partir de pontos de vistas distintos”. 
2.1 Primeiros passos da Psicologia Experimental
O Estruturalismo, da Escola Americana em Psicologia, tem início com as pesquisas E. B. 
Titchener (1867-1927), com o estudo da estrutura consciente da mente, e sua sensações. A ótica 
seria a experiência consciente do indivíduo, através da reflexão deste sobre sua experiencia 
pessoal. Simplificando, Titchener analisa conteúdos mentais e sua conexão mecânica, por 
associação, sem considerar a intuição (lembre-se do conceito de senso comum) (SCHULTZ, 2009).
Nesta análise da experiência humana de Titchener, o importante é descobrir a natureza das 
experiências conscientes para determinar sua estrutura, por meio da análise das partes que a 
formam. A principal divergência quanto ao objeto de estudo da Psicologia para Wundt (1832-
1926), que fora seu mentor na Alemanha, é que esta análise deve se atentar ao estudo da 
consciência através da introspecção, utilizando somente elementos estruturais da consciência. 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2005).
2.2 Contribuições da Escola Estruturalismo
Para Schultz e Schultz (2005, p.114), Titcherner (1867 – 1927), em decorrência de seus 
estudos no Laboratório de W. Wundt (1832-1926), contribui para a evolução dos estudos em 
Psicologia quando propõe: “1. reduzir os processos conscientes aos seus componentes mais 
simples; 2. determinar as leis de associação desses elementos da consciência; 3. conectar os 
elementos às suas condições fisiológicas”. Ou seja, uma definição clara do objeto de estudo: a 
experiência consciente.
Complementando, Schultz e Schultz (2005, p. 111) lecionam que:
No estudo da experiência consciente, Titcherner fez um alerta a respeito de se cometer o que 
chamou de erro de estímulo, que gera uma confusão entre o processo mental e o objeto da observação. 
Por exemplo: o observador que vê uma maçã e a descreve apenas como a fruta maçã em vez de 
descrever elementos como a cor, o brilho e a forma que está percebendo, comete o erro de estímulo. 
O objeto da observação não deve ser descrito na linguagem cotidiana, mas em termos do conteúdo 
16
consciente elementar da experiência. 
Tal proposta favorece o objeto de estudo, mas os métodos empregados vão se desgastando 
com a evolução do conhecimento científico. E temos a principal crítica ao pensamento da escola 
Estruturalista, que é a percepção sobre introspecção. Além desta situação, estudos da Psicologia 
voltados aos animais e às crianças não eram reconhecidos pelo fundador do Estruturalismo, pois 
não corroboravam com sua visão de Psicologia.
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3 VERTENTES DA PSICOLOGIA EXPERIMENTAL
O foco de estudo da Psicologia Experimental é o comportamento humano e, ao estudá-
lo, centra a investigação e a experimentação em fatos observáveis. A prática de análise ocorre 
em situações controladas, propriamente em laboratórios. As variáveis de análise relacionam 
o comportamento com a cognição. Aqui tem-se a principal diferenciação entre a Psicologia 
Experimental e as demais Escolas de Psicologias, por se centrar em eventos controlados e 
com variáveis determinadas, apresentando resultados estatísticos que facilita a compreensão 
pelos demais. Nos primeiros 40 anos da Psicologia, não só os conceitos e premissas de Watson 
corroboraram para o seu desenvolvimento, mas a biologia também rumava frente aquestão. 
Schultz e Schultz (2005, p.228) colocam que 
As premissas básicas do beharviorismo de Watson eram simples, diretas e ousadas. Ele buscava 
uma psicologia científica que lidasse exclusivamente com os atos comportamentais observáveis e 
passíveis de descrição objetiva, por exemplo, em termos de ‘estímulo’ e ‘resposta’. 
Este é um ponto significativo da Teoria, que somado às colocações a seguir, retratam bem 
claramente como “pensa” um psicólogo comportamental, uma vez que os termos “imagem”, 
“sensação”, “mente” e “consciência” não compõem o repertório da ciência do comportamento.
17
3.1 Rumo à ciência do Behaviorismo
Watson mesmo não sendo o mentor exclusivo das ideias básicas do beharviorismo, em muito 
contribuiu ao estruturar seus conceitos e apresentá-los, os quais seriam: a tradição filosófica 
objetivista e mecanicista; a psicologia animal e a psicologia funcional. Ideias estas já discutidas 
desde Descartes - filosofo/matemático (1596 – 1650), conhecido como “o fundador da filosofia 
moderna e pai da matemática moderna”, significativo para o Pensamento Ocidental.
Há também a colaboração de Auguste Conte – filósofo (1798-1857), fundador do Positivismo. 
Com estas colocações, conseguimos descrever o ambiente do conhecimento no século XX, no qual 
inicia o Behaviorismo. Assim, Schultz e Schultz (2005, p.229) apresentam a seguinte colocação:
[...] quando Watson começou a trabalhar com o behaviorismo, as suas ideias, já tão impregnadas 
pelas influências objetivas, mecanicistas e materialistas, deram origem a um novo tipo de psicologia – 
disciplina que excluía a consciência, a mente ou a alma -, com enfoque apenas em algo visível, audível 
ou palpável. O resultado foi uma ciência do comportamento que enxergava o ser humano como uma 
máquina.
Dessa forma, o objetivo da Escola Comportamentalista é ser uma ciência de estudo 
rigorosamente científico, em que temos como método científico aquele que tem procedimentos 
que contam com regras básicas, que investigam e obtém resultados confiáveis. Através da 
observação dos fatos, a atenção à interdisciplinaridade, ou seja, o ser humano está num 
contexto complexo e conta com diversas disciplinas que o explicam. Importante fazer uso de 
todas as ferramentas disponíveis para a pesquisa científica, independente da disciplina. Com a 
quantificação, fazer uso de métodos estatísticos e, assim, apresentar a teoria e a submeter à 
verificação, não esquecendo a neutralidade que todo o conhecimento deve demonstrar.
3.2 A influência da Psicologia animal
É notório, observando colocações de Watson, que as pesquisas com animais favoreceram o 
desenvolvimento do Behaviorismo. Schultz e Schultz (2005, p.133) esclarecem sobre a influência 
das Teorias de Darwin (séc. XIX) na Psicologia contemporânea:
(1) o enfoque na psicologia animal, que formou a base da psicologia comparativa; (2) a ênfase 
nas funções e não na estrutura da consciência; (3) a aceitação da metodologia e dos dados de diversas 
áreas; (4) o enfoque na descrição e mensuração das diferenças individuais.
Isto traz a ideia de que é possível estudar o homem sem considerar a introspecção 
experimental e, mais à frente, iremos observar a significância das diferenças individuais do ser 
humano. Colaborando com a ideia central, temos J. Loeb fisiologista/zoólogo (1859 – 1924), 
que “desenvolveu uma teoria do comportamento animal baseado no conceito de tropismo, o 
movimento forçado involuntário. [...] reação direta e automática do animal a um estímulo [...] 
reação comportamental forçada pelo estímulo, não cabendo [...] definição consciente do animal” 
18
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p. 229).
Aqui creio que posso discutir com você alguns movimentos que nós seres humanos 
apresentamos sem consciência: reação ao som do trovão; a mudança brusca de luminosidade; 
alteração de temperatura; entre outros. Você lembra mais alguns?
• Estudos
Então, no início do século XX vamos identificar alguns psicólogos que estudam a psicologia 
animal, desenvolvendo pesquisas em laboratórios acadêmicos, ou seja, estudos em universidades 
com estudantes (profissionais em formação); as pesquisas de R. Yerkes (1876-1956), que foi um 
pesquisador de comportamento social animal (primatas) e dos humanos (inteligência humana, 
desempenho); junto com outros pesquisadores. O labirinto criado em diversos laboratórios 
aponta orientações para a aprendizagem humana e animal.
• Condicionamento
Temos que apontar a colaboração de E. L. Thorndike psicólogo (1874 – 1949), que apresentou, 
através de seus estudos, o início ao conceito de condicionamento operante, ou seja, ele identificou 
que os seres vivos, quando observam uma situação agradável, tendem a repetir o comportamento 
na busca da mesma resposta, e que o contrário ocorre quando a consequência não for agradável.
• Conceito de reforço
Thorndike realizou pesquisas com pombos em gaiola (a caixa-problemas), fazendo uso do 
conceito de reforço; e foi quem apresentou a primeira teoria de aprendizagem na Psicologia, por 
utilizar suas pesquisas mais para uma orientação de associação de ideias (aprendizagem do mais 
simples para o mais complexo).
Thorndike contribuiu especialmente ao formular a Lei do Efeito, grande salto para nosso 
estudo. Os organismos animais tendem a repetir o comportamento se este for recompensado (no 
mundo do trabalho seriam exemplos os salários; os planos de carreira). Já no contexto contrário, 
o comportamento tende a não ocorrer se a consequência não for agradável (seguindo o exemplo 
quando o profissional atinge os resultados, mas não percebe a contrapartida “prometida” – PLR.). 
3.3 A Psicologia funcional
No século XIX, o “conhecimento” ou as “pesquisas” quanto ao contexto natureza humana 
estavam muito envoltos em conceitos, por vezes, místicos; sem definir efetivamente o objeto de 
estudo, ou melhor, com dificuldade para definir o objeto de estudo. Então iremos apontar a visão 
de pesquisadores em Psicologia que, neste contexto, buscam identificar a função de consciência 
e como a consciência influencia o comportamento. 
19
O filósofo/psicólogo W. James (1842-1910) discorre sobre a ideia de que a Psicologia não 
busca o que promove a experiência do indivíduo, e sim o estudo sobre a acomodação dos seres 
humanos ao meio ambiente. Busca apontar que a consciência humana orienta e é vital para a 
nossa sobrevivência, pois sem esta não evoluiríamos ou estaríamos no ponto que estamos da 
humanidade. Em contrapartida temos caracteres não racionais: emoção e paixão. O ser humano 
na concepção de James não é totalmente racional.
Ferreira e Gutman (2005, p. 121) trazem que os estudos se centravam na pesquisa pura, não 
preocupada com as demandas práticas do conhecimento; o objeto de estudo é o entendimento 
que o indivíduo detém de sua vivência, “objeto problematizado por correntes como a psicanálise 
e o behaviorismo”, assim, afiançando que a experiência humana é comum a todos os indivíduos. 
Faz uso da introspecção controlada para observar as sensações humanas. E o caráter mais 
complexo da pesquisa foi “por conta das exigências do método, não estuda os sujeitos comuns 
(muito menos crianças, animais e loucos); estuda outros psicólogos devidamente treinados 
na profissão de fé da fisiologia para chegarem aos meandros da nossa experiência mais pura” 
(FERREIRA; GUTMAN, 2005, p. 121.
4 MÉTODO CIENTÍFICO DA PSICOLOGIA 
EXPERIMENTAL
Chegamos ao ápice da Psicologia Experimental, pois suas pesquisas efetivamente fazem 
uso de método científico, assim formula-se a hipótese, planeja-se o passo a passo do estudo, 
coleta-se os dados e, finalmente, compara-se/analisa-se estes e reconhece-se ou não a hipótese 
formulada. Retomando colocações de Schultz e Schultz (2005, p.265) sobre os métodos do 
Behaviorismo temos que: 
Watson insistia em que a psicologia se limitasse aos dados das ciências naturais, ao que fosse 
passível de observação. [...] a psicologia devia limitar-se ao estudo objetivo do comportamento. 
Somente os métodos objetivos rígidosde investigação deviam ser adotados [...]. Para Watson, esses 
métodos incluíam:
FIQUE DE OLHO
Todo o profissional deve avaliar o próprio desempenho. Preferencialmente, diariamente, 
anotando os acertos e os erros, redigindo o aprendido. Toda a atividade deve ser isenta 
com definição de objeto de estudo. Assim, é ser pesquisador. Em paralelo, estude sempre. 
Mantenha-se atualizado. O conhecimento nunca é demasiado, e sim necessário.
20
· a observação, com e sem o uso de instrumentos,
· método de teste,
· o método de relato verbal e
· o método do reflexo condicionado.
Aqui cabe apontar que todo o indivíduo, ao pesquisar, não deve defender sua ótica em 
detrimento de outro conhecimento, pois os instrumentos apresentam características diferentes, 
que implicam em resultados diferentes. Assim, separar os valores pessoais na ação científica 
é primordial para possibilitar uma resposta fidedigna. Como já apontado anteriormente, 
o conhecimento por ser acumulativo com limitações do momento, pois em ciência, algo é 
verdadeiro até que se prove o contrário.
4.1 O objeto de estudo do Behaviorismo
Os elementos do comportamento são os objetos de estudo da Psicologia Experimental. E 
o que seriam os elementos do comportamento? São os movimentos musculares do corpo e as 
secreções glandulares. Assim, só se analisa o que é possível de ser descrito de forma objetiva.
Ampliando tal entendimento, Schultz e Schultz (2005, p.267) acredita que “apesar de a 
meta estabelecida reduzir todo comportamento em unidades de estímulo-resposta (E-R), o 
behaviorista basicamente devia envidar esforços para compreender o comportamento do 
organismo na totalidade”. Então, identifica-se que a observação e análise de todo e qualquer 
“ato” (termo utilizado por Watson) deve ser bem desenvolvida para que a identificação possa ser 
descrita e retratada.
Tem-se aqui o entendimento que os “atos” seriam: um piscar de olhos, comer, escrever, 
dançar, brincar etc. E as respostas podem ser observáveis, sendo explicitas ou implícitas, quando 
ocorrem dentro do indivíduo, como uma dor de barriga.
Cabe avaliar que os estímulos, como as respostas de um dado comportamento, podem ser 
simples ou complexos. Assim,
A psicologia behaviorista de Watson investiga o comportamento de todo organismo em relação ao 
seu ambiente. Para propor leis específicas do comportamento, primeiramente é necessário analisar os 
complexos de estímulo-resposta, reduzindo-os em estímulos elementares e nas unidades de resposta”. 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.267-268).
Até aqui percebe-se que Watson buscava uma ciência que fosse a mais objetiva possível, 
comparável com a física ou a matemática. Mas quando se trata de comportamento humano, 
fica impossível não reconhecer situações como: instinto, emoção e pensamento. Então, vamos 
21
analisar como a psicologia de Watson tratou estas situações, focado na ideia de que todos os 
comportamentos humanos possam ser identificados como estímulo-resposta.
Os estudos de Watson, em 1914, inicialmente descrevem o que entendia por instintos, 
foram 11 (até o comportamento aleatório). Mas, na continuidade dos estudos, apresentou 
uma outra resposta. Em 1925, “reavaliou sua posição e eliminou o conceito de instinto. Alegou 
que os comportamentos aparentemente instintivos são, na verdade, respostas condicionadas 
socialmente” (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268).
Temos aqui um salto significativo nos estudos da Teoria Comportamentalista, pois em 
continuidade, as colocações de Watson revelam que:
Ao adotar a visão de que aprendizagem - ou o condicionamento - seria a chave para a compreensão 
do desenvolvimento humano, tornou-se um ambientalista radical, indo mais longe não apenas negava 
os instintos como se recusava a admitir no seu sistema, qualquer tipo de talento, temperamento ou 
capacidade herdada. (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005, p.268).
Aqui temos uma situação bem importante, Watson aponta que, ao seu ver, não há limitações 
ao ser humano, contanto que se trabalhe a situação pretendida desde o nascimento, tudo é 
possível. Um entendimento que até atualmente é bem presente; com treinamento se chega 
aonde se pretende. Muitos cientistas corroboram com tal posição, pois a Psicologia não teria 
como modificar o instinto, mas sim treiná-lo.
Continuando nossa análise sobre os estudos de Watson quanto às emoções, para o 
pesquisador seriam respostas fisiológicas a estímulos específicos. O exemplo mais evidente 
seriam os batimentos cardíacos que se aceleram quando o indivíduo sofre alguma ameaça; nesta 
hipótese, há recusa de se observar qualquer nível de consciência sobre as emoções. O indivíduo 
sente a emoção e não se faz nada quanto. Se fica roborizado, simples, é comportamento implícito.
Watson, nesta questão, não encontra significativo apoio dos demais, pois seus experimentos 
com crianças, em que trabalhou respostas emocionais como medo, raiva e afeto, não foram 
obtidas as mesmas respostas. Mas Watson coloca que os medos, a raiva e o afeto manifestados 
pelo adulto são produzido socialmente em sua infância. Aqui discute com Freud, pois não 
reconhece inconsciente e consciente, uma vez que acredita que os medos são aprendidos, não 
traumas da infância.
Os processos de pensamento para Watson ocorriam no cérebro, mas de forma imperceptível ao 
observador, pois não seriam passíveis de observação e de experimentação, por não haver movimento 
muscular. Schultz e Schultz (2005, p. 270-271) nos auxiliam no entendimento, quando colocam que:
O sistema behaviorista de Watson tentou reduzir o pensamento a comportamento motor 
implícito. Ele alegava ser o pensamento, como todos os demais aspectos do funcionamento humano, 
uma espécie de comportamento sensório-motor. Partia do princípio de que o comportamento do 
22
pensamento envolvia movimentos ou reações de fala implícitas.
Enquanto entre os cientistas ocorriam debates, a sociedade em si não se incomodava com 
todas estas colocações e/ou pesquisas. Mas, num dado momento, as colocações de Watson 
atingiram os populares, pois sugeriam à sociedade a possibilidade de se ter comportamentos 
controlados e moldados cientificamente, sem devaneios, sem condutas inadequadas e ou 
comportamentos convencionais. Esses conceitos ressoam como algo bem positivo, dando 
esperança às pessoas que desacreditavam na humanidade.
Watson coloca que é capaz de “desenvolver”, a partir de bebês saudáveis, adultos especialistas 
na área que bem entender. Além de tais colocações, temos que os estudos de Watson e Albert, 
com o reflexo condicionado, demonstram que é possível que os distúrbios emocionais dos 
adultos de hoje são decorrentes de respostas condicionadas em suas infâncias ou adolescências, 
respostas ocorridas por condicionamento equivocado na infância ou adolescência.
Schultz e Schultz (2005, p. 272) colocam que o pesquisador acredita que o “controle prático 
sobre o comportamento infantil [..] não era apenas possível como também absolutamente 
necessário. Ele desenvolveu um plano para melhoria da sociedade, um programa de ética 
experimental, baseado nos princípios do behaviorismo”. Mas, não teve oportunidade de praticar 
efetivamente seus pressupostos teóricos.
4.2 Behaviorismo radical
Complementando nossos conhecimentos sobre o método científico da Psicologia 
Experimental, devemos compreender os estudos desenvolvidos por Skinner (1904-1990), ou 
melhor, identificar o Princípio de reforço, que entendia que o ser humano não dispunha de 
livre arbítrio, pois a ação humana é resultado de ações anteriores. Se os resultados não forem 
favoráveis, dificilmente a ação será repetida; já se for positiva, há significativa possibilidade de ser 
repetida, repetida, repetida. 
• Skinner, em continuidade e complementariedade aos estudos de Watson, desenvolveu 
bases teóricas para intelecção e intervenção do comportamento, fez usou do condiciona-
mento operante (Caixa de Skinner).
• Skinner estabeleceu uma escola de pesquisa experimental em Psicologia, que nomeou de 
Behaviorismo Radical, o qualestuda os estímulos apresentados aos indivíduos pelo meio 
ambiente. Seus estudos conceituaram: a punição, o reforço positivo e o reforço negativo.
• Como seus colegas, Skinner não reconheceu em sua teoria a possibilidade de subjetivi-
dade e introspecção da ação humana; estudou apenas comportamentos observáveis que 
possibilitassem previsão e o controle.
O porquê do título de Behaviorismo Radical? O objeto de estudo é o comportamento dos 
23
seres vivos (homem) que se observa, somente. Nega expressões como mente, alma etc., próprias 
de outras vertentes da Psicologia. Reconhece a possibilidade de estudar o pensamento e as 
emoções, através da estrutura da linguagem.
Skinner foi muito reconhecido nos Estados Unidos e no Brasil. Só confirmando o já exposto, 
o behaviorismo radical se atém ao comportamento dos organismos vivos e sua interação entre 
estímulos do ambiente e respostas do organismo, sendo determinado por três tipos de seleção: 
a filogenética, ontogenética e cultural. 
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5 CAMPO DE ATUAÇÃO
A Psicologia Experimental na atualidade, ao retomarmos a tabela “A evolução histórica das 
Escolas de pensamento psicológico”, percebe-se que nosso objeto de estudo seria a quarta escola 
a se apresentar na linha cronológica do conhecimento (Estruturalismo, Funcionalismo, Psicanálise 
e Behaviorismo). E, no aprofundamento de nosso conhecimento, identifica-se que a Escola 
Experimental se apresenta como uma que nos orienta até então (SCHULTZ; SCHULTZ, 2005).
FIQUE DE OLHO
Para estar sempre atualizado quanto aos conhecimentos, é muito significativo que você leia 
sobre as vertentes da Psicologia na atualidade. Temos as que acompanham o Behaviorismo 
desde os primórdios a Psicanálise; a evolução do conhecimento psicológico na Cognitiva. 
E, hoje, identificamos outras como: psicologia positivista e psicologia evolucionista. Mas, a 
mente do pesquisador ou do aprendiz deve sempre buscar a ciência e suas comprovações. 
24
Mesmo que conceitos e/ou vocábulos das demais escolas façam parte dos discursos de 
profissionais ou não da área, dificultando o discurso, tal dificuldade compromete a fala dos 
psicólogos no dia a dia de atuação quanto ao Behaviorismo. Para os puristas da escola, mesmo 
isto ocorrendo de fato, não se reconhecem os conceitos ou vocábulos que abordem as ideias 
sobre o inconsciente, por estes não serem compatíveis com a observação e análise imparciais. 
A pesquisa não possibilita que se obtenham definições de conceitos ou ferramentas de trabalho 
fidedignas, assim, a ciência não seria preservada no final. 
5.1 Necessidades da sociedade contemporânea
Identificando as necessidades do século XXI, buscamos Martin e Pear (2009, p. 3) com sua 
colocação, mesmo sendo uma fala de 2009, se mostra bem atual:
Muitas das melhores conquistas da sociedade, assim como alguns de seus mais prementes desafios 
sociais e de saúde – como racismo, doenças cardíacas, síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS), 
terrorismo -, estão firmemente embasadas os em comportamento.
Alguns autores apontam que estamos vivendo uma “crise” em termos de comportamento 
social e individual. A sociedade não identifica plenamente o como se comportar; os conflitos 
entre as gerações (no trabalho e fora dele); a imaturidade dos adultos apontada por filósofos, 
sociólogos, antropólogos, psicólogos entre estudiosos e práticos. 
Quando estamos “lidando” com indivíduos numa instituição acadêmica, com foco na inclusão 
por exemplo, temos crianças com diversos transtornos só descritos neste século. Uma criança que 
pouco se socializa ou que não tem aparentemente interesse em se socializar ou comunicar; outra 
com ritmo de aprendizagem divergente do padrão. Nossa interação com estes indivíduos não deve 
se apegar no que “imaginamos” que esteja ocorrendo, pois não temos domínio efetivo deste saber. 
Somos profissionais e devemos trabalhar com base no observável, na busca de respostas para uma 
ação produtiva para o indivíduo inIcialmente e, em consequência, para a comunidade. 
Observando outros eventos do cotidiano, como: jogar lixo no chão; improdutividade; não respeito 
às normas e regras de convivência no trânsito, no condomínio, na escola, na empresa; transtornos de 
comportamento (fobias); doenças profissionais e sociais; gerenciamento da vida pessoal, financeira 
etc., que também corroboram com as práticas e ferramentas do Teoria Behaviorista.
Falta apontar, em particular, a utilização de tais ferramentas no mundo esportivo, nações fazem 
uso da prática no preparo de seus esportistas na busca de melhor desempenho pessoal e coletivo.
5.2 Divergências
Os conceitos de Psicologia na vertente Behaviorismo são amplos e destinados a todos os 
indivíduos. Na atualidade, objetivando resposta às demandas sociais, é necessário identificar 
25
teorias, técnicas e ferramentas de ação. O Behaviorismo social vem enfrentando tal situação.
Então lembramos que outros seguidores de Skinner, como Bandura e Rotter, tomaram 
caminhos um tanto divergentes do mentor inicial, trabalhando com conceitos e abordagens menos 
radicais. Desenvolveram pesquisas quanto à autoeficácia e modificação dos comportamentos 
socialmente anormais, se distanciando do Behaviorismo Radical e das práticas objetivas de 
pesquisa, de certa forma.
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26
Nesta unidade, você teve a oportunidade de:
• compreender que a Psicologia é um estudo presente na nossa história desde seus 
primórdios;
• entender sobre a dicotomia, mente e razão;
• identificar os diversos momentos históricos em que a Psicologia buscou se tornar 
uma ciência;
• reconhecer as primeiras Escolas de Psicologia e a relação com a evolução do 
conhecimento científico; 
• a influência da Psicologia animal no estudo do Behaviorismo;
• o comportamento sendo estudado na Psicologia funcional;
• a identificação do objeto de estudo e a ênfase ao método científico;
• a atuação do profissional de Psicologia frente às demandas atuais. 
PARA RESUMIR
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. de L. T. Psicologias: uma introdução ao estu-
do de Psicologia. 14. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
BRASIL. Lei n. 4.119, de 27 de agosto de 1962. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/1950-1969/L4119.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%204.119%2C%20
DE%2027%20DE%20AGOSTO%20DE%201962.&text=Disp%C3%B5e%20s%C3%B4bre%20
os%20cursos%20de,regulamenta%20a%20profiss%C3%A3o%20de%20psic%C3%B3lo-
go.&text=Art.,de%20bacharelado%2C%20licenciado%20e%20Psic%C3%B3logo. Acesso 
em: 29 mai. 2020.
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA (CRP). O avanço da profissão. Disponível em: 
http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/jornal_crp/172/frames/fr_avancos.aspx. 
Acesso em: 14 mai. 2020.
JACÓ-VILELA, A. M.; FERREIRA, A. A. L.; PORTUGAL, F. T. (org.) História da psicologia: 
rumos e percursos. Coleção o Ensino de Psicologia. Rio de Janeiro: Nau Ed., 2006. 
KANTOWITZ, B. H.; ELMES, D. G.; ROEDIGER III, H. L. Psicologia Experimental - Psicologia 
para compreender a pesquisa em Psicologia. São Paulo: Cengage Learming, 2006.
MARTIN, G.; PEAR, J. Modificação de comportamento: o que é e como fazer. Trad. N. C. 
Aguirre; ver. H. J. Guilhardi. 8. ed. São Paulo: Roca, 2009. 
MILLENSON, J.R. Princípios de análise do comportamento. Trad. A. A. Souza, D. Rezende. 
Brasil: Brasília, 1975.
MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos de análise do comportamento. 2. 
ed. São Paulo: Artmed, 2019.
PLATET-LOMBARD, V. L. V.; WATANABE, O. M.; CASSETARI, L. Psicologia Experimental - 
manual teórico e prático de análise do comportamento. 5. ed. São Paulo: Edicon, 2015.
SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. História da psicologia moderna. Trad. Suely Murai Cuccio. 
São Paulo: Cengage Learning, 2005.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
UNIDADE 2
Análise experimental do 
comportamento
Olá,
Você está na unidade de Análise Experimental do Comportamento. Conheça aqui os 
aspectos históricos e filosóficos que envolveram o processo de construção dapsicologia 
cientifica, além dos grandes influenciadores da época e suas contribuições científicas 
para a psicologia. Abordaremos o método experimental, seus conceitos, os aspectos 
relacionados e sua execução. Entenderemos como a pesquisa animal influenciou e ainda 
influencia cientificamente as descobertas humanas.
Falaremos sobre a utilização de animais nos experimentos, como esses estudos foram 
elaborados e seus intuitos. Destacaremos a criação dos ambientes controlados para 
pesquisa científica, além de falar sobre os conceitos éticos e históricos das pesquisas 
experimentais. Também abordaremos as respectivas ferramentas para pesquisa 
laboratorial em análise do comportamento. Aprenderemos, ainda, sobre as variáveis que 
envolvem o comportamento experimental e como identificá-las.
Bons estudos!
Introdução
31
1 ASPECTOS HISTÓRICOS DA PESQUISA COM 
ANIMAIS
O século XIX e o século XX marcaram a psicologia como a ciência da mente humana. Derivada 
dos conceitos em fisiologia e das aproximações para o estudo, seu primeiro propulsor foi Wundt, 
fisiologista utilizando o método da introspecção. Ele media, através dos relatos das pessoas, as 
sensações e percepções, a fim de produzir sistematicamente métodos para a explicação dos 
conceitos filosóficos.
Aplicado aos conceitos do pragmatismo, entendemos que a visão de mundo é consequência 
do que o ser experimenta. Nesse contexto, o que não é experienciado, não tem utilidade de 
explicação. Partindo exatamente desse pressuposto, se baseiam os estudos de John Watson 
(1913). Ele não nega a existência de comportamentos privados, mas ignora a necessidade de 
compreendê-los. Sabemos que o surgimento do Behaviorismo nasceu das críticas ao modelo 
metalista dos aspectos psicológicos e da necessidade de tornar a psicologia uma ciência que, 
assim como as outras, se comprovasse cientifica e metodologicamente.
John Watson (2008) explica que:
A psicologia humana falhou em cumprir sua reinvindicação como uma ciência natural. Devido a 
uma noção errônea de que seus campos são de fato os fenômenos conscientes e que a introspecção 
é o único método direto de averiguar esses fatos, ela emaranhou-se em uma série de questões 
especulativas aos quais, enquanto fundamentais para seus princípios atuais, não são abertas para 
o tratamento experimental. Na busca pelas respostas a essas questões, ela se tornou mais e mais 
afastada do contato com os problemas os quais dizem respeito vitalmente ao interesse humano. 
A partir desse momento, surgem as primeiras propostas de se trabalhar com comportamentos 
públicos e as críticas aos modelos de estudo em psicologia que trabalham com conceitos 
mentalistas. Termos como: consciência, mente, inconsciente são ditos como insuficientes para a 
explicação do comportamento humano, uma vez que não são localizados no tempo e no espaço.
A teoria Darwiniana influenciou diversas áreas cientificas, e não foi diferente com a Psicologia, 
em especial com o Behaviorismo. Através da teoria da evolução de Darwin, concluímos que a 
sobrevivência na Terra depende da adaptação dos seres nela, o que explica, por exemplo, os animais 
que entram em extinção e a ideia de que o ser humano é uma evolução de milhões de anos no 
mundo animal. A conclusão de que diferentes espécies se apropriam dos mesmos comportamentos 
foi o principal motivo para que se executasse a experiência com animais em todas as áreas de 
pesquisas relacionadas aos vivos, como é o caso da medicina, da farmacologia, psicologia e biologia.
No caso específico das ciências voltadas para o estudo da humanidade, o objetivo não era 
a investigação dos animais em si, mas a apropriação que estes estudos poderiam obter para a 
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investigação humana, uma vez que os estudos com seres humanos vivos não eram permitidos e 
que o foco inicial das pesquisas se tratava basicamente dos comportamentos observáveis.
Uma obra que aborda de forma mais clara a compreensão desta etapa é o trabalho de B. F. Skinner, 
intitulado “The Behavior of Organisms” (“O Comportamento dos Organismos”), publicado em 1938, 
perpassando pela teoria evolucionista de Darwin, os estudos do behaviorismo radical elaborados por 
John Watson, os experimentos de Pavlov com o condicionamento clássico, entre outros.
Skinner não desvaloriza o Behaviorismo Radical (BR) e suas conquistas, pelo contrário, ele 
considera o BR como a filosofia para a criação do behaviorismo metodológico. Para Abib (2001), o 
behaviorismo radical não é apenas uma filosofia da análise do comportamento, mas uma filosofia 
da ciência. É a partir dessa nova proposta que adquirimos as ferramentas que hoje são utilizadas 
dentro da Análise do Comportamento. 
Como explica o autor, Skinner considerava tanto os eventos públicos quanto os eventos 
privados e a ideia de que não se deve separar os dois, ambos são comportamentos e devem ser 
estudados da mesma forma.
Ainda, segundo Innis (1992), as pesquisas da Associação Americana de Psicologia (APA), 
mostram que cerca de 7% dos estudos em psicologia eram realizados com animais, na sua maioria 
roedores. Com o passar dos anos, o número de pesquisas animais foi diminuindo, a medida em 
que foram criando sistemas operacionais computadorizados que apresentam as mesma funções 
e características dos animais. Um exemplo de programa de computador é o Sniffy, que simula 
todos os comportamentos de um rato para a reprodução de estudos de comportamento e 
condicionamento operante.
Ainda assim, em situações que não se tem um programa específico para pesquisa, os animais 
são as fontes utilizadas para pesquisa em psicologia (INNIS, 1992).
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1.1 Aspectos éticos do estudo experimental
Grandes descobertas foram feitas através das pesquisas com animais, entre elas, o 
condicionamento clássico de Pavlov. Através dos estudos pavlovianos é que hoje temos a 
construção de que diferentes estímulos, quando condicionados, podem provocar os mesmos 
comportamentos respondentes. Todo o início da construção filosófica behaviorista advém do 
evolucionismo, do determinismo e das pesquisas animais, porém assim como nas outras ciências, 
houve um momento em que apenas isso não era o suficiente para a elaboração científica.
O estudo com animais foi diminuindo a medida em que se ampliavam as elaborações e as 
construções científicas (elas não deixavam de acontecer, porém com uma frequência muito 
menor). Com o passar dos anos, outras ferramentas foram sendo criadas para uma investigação 
ainda mais precisa e detalhada.
Um dos casos mais conhecidos de experimento animal no Behaviorismo é o experimento em 
que um estímulo neutro sistematicamente é condicionado ao estímulo significativo, fazendo com 
que ambos produzam o mesmo comportamento. Partindo do pressuposto de que os estímulos 
condicionais são adquiridos, Pavlov utilizou um cachorro para seu experimento e pareou o estímulo 
não condicional (que no caso era a comida) a uma resposta não condicional (a salivação do animal), 
adicionou ao estudo um estímulo neutro (recurso sonoro) e, na conclusão de seu teste, um estímulo 
que até então era neutro, passa também a ser condicionado quando pareado a um estímulo que já 
era condicionado anteriormente, como pode ser visto na figura “Cachorro de Pavlov”.
Figura 1 - Cachorro de Pavlov 
Fonte: Arquivo pessoal, 2020.
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#ParaCegoVer: Na imagem temos o exemplo de como foi feito o experimento de 
condicionamento operante, elaborado por Pavlov.
Posterior a esse estudo, e bastante polêmico, foi a pesquisa elaborada por John Watson, em 
que a mesma proposta de condicionamento é realizada, porém com um comportamento mais 
complexo: o medo. Watson, na primeira experimentação em humanos, utilizou o pequeno Albert, 
um bebê escolhido em um orfanato para ser manipulado. No momento inicial do experimento 
foram apresentados vários estímulos ao bebê para identificar quais eram despertadores de 
medo. Notou-se, num primeiro momento, que sons fortes e desagradáveis incomodavam Albert.Posteriormente, apresentaram um pequeno rato branco à criança e, a partir do momento em 
que o ele quis brincar com o animal, introduziu-se um som muito forte no ambiente em que 
Albert estava e isso o incomodava. O experimento teve duração de um ano e, ao final, o pequeno 
Albert além de adquirir medo de ratos, passou a temer qualquer objeto que tivesse as mesmas 
características da ratazana, situações que remetessem a época do experimento, além de adquirir 
ansiedade. Apesar das diversas críticas feitas a Watson, principalmente vinculadas às questões 
éticas, o experimento do pequeno Albert é um dos mais conhecidos na psicologia.
• Brechas
Devido a diversas brechas aos quais o behaviorismo radical não propunha explicação, surge a 
nova proposta intitulada behaviorismo metodológico, por B. F. Skinner, também conhecida como 
Análise do Comportamento. 
• Técnica de análise
Dentro dessa nova proposta de ciência temos a técnica de análise experimental do 
comportamento, cujo método consiste na utilização do animal em ambiente controlado para se 
obter informações que possam ser utilizadas posterirormente para aplicabilidade de pesquisas 
em seres humanos. Para a realização do método é necessário que o animal escolhido para a 
pesquisa possua as mesmas características humanas que serão foco da análise.
• Estudos com animais
Os estudos com animais são de extrema importância para a elaboração de conhecimento 
sobre aspectos físicos e emocionais de diversas espécies. É o método pelo qual se elabora 
cientificamente intervenções sobre inúmeras problemáticas.
Assim como nos estudos fármacos, em que os testes são feitos primeiramente em animais 
devido à possibilidade de efeitos colaterais, o mesmo ocorre na psicologia. Não seria adequado 
criar um ambiente deprimido, estressante para submeter uma pessoa a testagem. Alguns estudos, 
inclusive, levam anos para serem executados e seria inviável manter uma pessoa privada em um 
laboratório por um tempo extenso privada. Também não seria correto submetê-la a privação de 
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água, comida, ou mesmo a expor a choques. Eis o motivo da testagem em animais. Apesar de 
outros animais também possuírem características bem próximas aos seres humanos, a utilização 
abrangente de ratos em laboratório se dá devido ao baixo custo benefício, a tranquilidade de 
manuseio e manipulação e ao fácil armazenamento, como mostra a figura “Rato em laboratório”.
Figura 2 - Rato em laboratório 
Fonte: Yurchyks, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: Na imagem temos um rato sendo submetido a uma agulha, mostrando 
utilização de ratos em laboratório para análise.
1.2 Modelos animais e o estudo do comportamento
A Análise Experimental do Comportamento (AEC) foi o método utilizado pelo Behaviorismo 
para evidenciar de forma cientifica e sistemática as pesquisas em psicologia. Para compreendermos 
melhor o que significa a análise experimental do comportamento, é interessante que fracionemos 
também sua explicação. Analisar, para a ciência, significa estudar separadamente, de forma 
fracionada e reducionista; já o experimento diz da produção de conhecimento de forma planejada 
e manipulada laboratorialmente. O termo comportamento é o objeto final de estudo na AEC, ou 
seja, estamos falando da seleção e redução máxima de determinado comportamento e reproduzi-
lo em laboratório para ser analisado cientificamente com o objetivo de se compreender demais 
comportamentos relacionados, possibilidades de intervenção e soluções quando aplicadas 
na realidade humana. Neste método de experimento podemos analisar tanto aspectos físicos 
como emocionais, psicopatológicos e cognitivos com mais eficiência devido à profundidade de 
possibilidade de manipulação.
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Para a experimentação, modelo é a representação simples de um fenômeno mais complexo. 
Nas pesquisas em patologias, as condições criadas em laboratório precisam ser idênticas as de 
foco de investigação. Temos quatro métodos de investigação animal. 
• Modelo induzido
A patologia a ser avaliada precisa ser introduzida no animal a ser investigado. Um exemplo 
de modelo induzido é a pesquisa de pressão alta realizada com animais. Elevamos a pressão do 
animal através de medicamentos e analisamos como ele resiste a hipertensão. O foco da pesquisa 
consiste em estudar os mecanismos de defesa do organismo animal, analisando esse aspecto se 
obtém ferramentas para intervir de forma parecida em humanos.
• Modelo espontâneo
O foco da pesquisa surge de forma natural tanto no animal como em seres humanos e o 
objetivo do experimento é analisar as semelhanças do desenvolvimento da doença em ambos 
os organismos para elaborar métodos de intervenção. Um exemplo de modelo espontâneo é 
o estudo do câncer. Pegamos um animal que já possui a doença naturalmente e a análise em 
laboratório consiste na observação do desenvolvimento desse animal e a relação com a doença 
(note que neste caso, a doença não foi instalada em laboratório, ela já faz parte do organismo do 
animal). 
• Modelo negativo
O objetivo a ser pesquisado não se desenvolve em animais. O foco de pesquisa nesse caso é 
a observação da resistência animal à doença para estabelecer meios parecidos em humanos. Um 
exemplo de método negativo é o corrimento vaginal. Trata-se de uma doença de não é de origem 
animal. Neste caso investigamos quais as diferenças no sistema reprodutor animal que fazem com 
que a doença não seja predominante naquele organismo e, sucessivamente, a comparação com 
a espécie que desenvolve a doença.
• Modelo órfão
são os casos em que determinadas patologias são de exclusiva origem animal e não 
encontradas em humanos. Um exemplo de doença que foi estudada pelo método órfão é o vírus 
HIV. Estudos comprovam que esse vírus já existia em algumas espécies de macacos, mas não era 
predominante em seres humanos. 
Neste caso, o foco em pesquisa é analisar como o organismo animal respondeu e se 
desenvolveu diante da doença, obtendo, desta forma, ferramentas para a elaboração de 
intervenção em humanos, como pode ser visto na figura “Estudo em laboratório”.
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Figura 3 - Estudo em laboratório 
Fonte: Alexander Raths, Shutterstock, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra como a análise em laboratório requer atenção, todos os 
comportamentos devem ser observados em um experimento.
As ferramentas mais utilizadas para estudos comportamentais são:
- A caixa de Skinner, que consiste na caixa onde o ratinho é colocado para treinamento. O rato 
é privado de água e alimentação e cria-se laboratorialmente o comportamento de pressionar a 
barra para adquirir alimento. O treino se inicia de forma simples e vai ganhando complexidade ao 
longo do desempenho do próprio animal;
- O campo aberto ou Open Field, que foi elaborado por Hall (1934), é uma ferramenta utilizada 
para testar os comportamentos relacionados à ansiedade nos animais. Neste teste observamos 
de maneira experimental as respostas de esquiva (ativa e passiva), respostas condicionadas de 
congelamento. Ele é realizado em arena circular cercada e delineada para calcular os movimentos 
do animal; 
- O labirinto em cruz elevado, que foi validado por Handley e Mithani em 1984, é um teste 
executado sem nenhuma espécie de punição. Sua execução se destina à identificação das 
ansiedades desenvolvidas, de uma forma geral, eliciadas pela ausência de estímulo;
- O labirinto em T elevado, que foi validado por Viana e Tomaz Graeff em 1994, também é um 
teste animal de ansiedade, porém mais específico. Ele trabalha exclusivamente com a esquiva 
inibitória e a fuga, dedicando o foco de estudo ao transtorno de ansiedade generalizada e o 
transtorno do pânico. 
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A figura “Rato box Skinner” mostra a caixa de Skinner, com o rato passando pelo experimento.
Figura 4 - Rato Box Skinner 
Fonte: Arquivo pessoal, 2020.
#ParaCegoVer: A imagem mostra a caixa de Skinner, que é utilizada em laboratório para o 
treino de comportamento operante.
2 O CONTROLE DO COMPORTAMENTO E SUAS 
VARIÁVEIS
A análise do comportamento é embasadana filosofia behaviorista metodológica adotada 
por Skinner, e parte do pressuposto de que compreender o comportamento humano é a forma 
de modificá-lo. A análise do comportamento busca entender a relação entre o organismo e o 
ambiente, o qual denominamos de condicionamento operante (MOREIRA; MEDEIROS, 2007; 
SCHULTZ; SCHULTZ, 2009).
FIQUE DE OLHO
O programa Sniffy, é um exemplo de programa virtual em substituição de animais para 
experimento. Através dele você pode modelar o condicionamento operante em um ratinho 
virtual e ver na prática os conceitos aprendidos nesta unidade. 
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O método de análise experimental do comportamento trata da observação de forma reduzida 
do comportamento com a finalidade de relacionar a maior quantidade possível de possibilidades 
e comportamentos, partindo do reducionismo para a experimentação inicial e, posteriormente, 
a expansão do comportamento. O reducionismo utilizado na análise do comportamento é o 
probabilístico (Skinner, 1953/1965; Bacharach, 1965/1975).
A psicologia estuda a interação entre o organismo e o ambiente, o qual chamaremos de 
reflexo. O organismo corresponde a qualquer ser vivo, e ambiente é tudo que cerca o organismo. 
O ambiente sempre irá variar em função do foco da análise. As interações são as alterações que o 
ambiente produz no organismo, e vice-versa.
2.1 Reflexo Inato
Os reflexos inatos são comportamentos nos quais o organismo já nasce dotado. Trata-se de 
uma preparação mínima para o organismo se relacionar com o ambiente. São exemplos de reflexo 
inato: a contração da pupila quando uma luz é direcionada; taquicardia quando algo inesperado 
assusta uma pessoa; a transpiração quando o corpo está em um local com a temperatura elevada; 
o comportamento do bebê de sugar o peito da mãe para se alimentar, dentre outros. Note que 
estes comportamentos não nos foram ensinados. Nós já nascemos com uma disposição para 
executá-los. Perceba ainda que, em todos os comportamentos, mesmo nos inatos, existe um 
evento anterior que o elicia. Essa regra se aplica tanto para eventos públicos como para os 
privados.
2.2 Reflexo, estímulo e resposta
Em psicologia dizemos que reflexo é o resultado da relação entre um organismo e o ambiente. 
Vale lembrar que ambiente em psicologia experimental é tudo que se relaciona com o organismo, 
logo, o ambiente varia de acordo com o foco da investigação. Em determinada relação a 
ser analisada, um outro organismo pode assumir o papel de ambiente, por não ser o foco da 
investigação.
O comportamento é um objeto de estudo muito complexo, por isso a necessidade da sua 
redução analítica para a compreensão. Para controlarmos um comportamento, torna-se necessário 
conhecer e reconhecer a maior quantidade possível de variáveis inseridas no ambiente. Quanto 
mais controlado o ambiente, mais observável será o comportamento.
Para descriminarmos um reflexo é necessário que antes saibamos o que é estímulo e resposta. 
O estímulo é o ambiente ou uma mudança no ambiente, enquanto reposta é como o organismo 
se comporta a esse ambiente ou a mudança dele. Reflexo é a relação entre estímulo e resposta. 
Em termos gerais, reflexo é a relação entre estimulo resposta no qual o estímulo elicia a resposta. 
(MOREIRA; MEDEIROS, 2007).
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Quando dizemos de reflexo estamos falando de uma mudança no ambiente que acarretou em 
uma mudança também no organismo.
Na análise do comportamento usaremos a letra (S) para nomear estímulo e a letra (R) para 
resposta. A relação entre estímulo e resposta é representada pela seta (→). O princípio de 
qualquer comportamento é o reflexo. 
2.3 Intensidade do estímulo e magnitude de resposta
Os conceitos de intensidade de estímulo e magnitude de resposta também se fazem 
necessários para compreender o comportamento. Ambas se referem à quantidade de estímulo 
e força de resposta. Um exemplo para a compreensão da intensidade de estímulo e magnitude 
de resposta é a relação em que quanto mais calor o ambiente, mais a pessoa transpira (a 
quantidade de transpiração depende proporcionalmente da quantidade de calor). A medição 
dessa intensidade é necessária para a dedução de um aumento ou diminuição do estímulo e o 
cálculo da relação intensidade-magnitude. São alguns dos métodos de medição de estímulo e 
resposta: som/decibéis, saliva, suor/mililitros, contração pupilar/diâmetro, choque/volts, calor/
graus Celsius, taquicardia/quantidade de batimentos, alimento/quantidade em gramas. 
O comportamento é composto por leis, também chamadas de propriedades, trata-se das 
conservações, são lógicas estabelecidas dentro dos padrões relacionais do comportamento. São elas: 
• Lei da intensidade-magnitude
A intensidade do estimulo é diretamente proporcional a quantidade de resposta. Quanto 
maior o calor, maior a presença de sudorese. Note que quando um estimulo aumenta o mesmo 
acontece com a resposta.
• Lei do limiar
Há uma intensidade mínima para o estimulo ser eliciado. Para que a sudorese aconteça, é 
necessário de um mínimo de calor no ambiente, caso contrário o organismo não responde.
• Lei da latência
Tempo de espera entre a apresentação do estimulo e a eliciação da resposta. Quanto maior a 
intensidade do estimulo, menor o tempo de latência na resposta. Entre a presença de calor, existe 
um tempo até que se comece a sudorese. Esse espaço de tempo entre os dois é a latência.
Uma outra característica dos reflexos são as eliciações sucessivas da resposta. À medida que 
um mesmo estímulo é apresentado diversas vezes na mesma intensidade o organismo pode reagir 
de forma diferente. É o caso quando a mesma intensidade de calor persiste e em determinado 
momento o organismo diminui ou aumenta a transpiração. Essa variação de intensidade no 
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repertório de comportamento do organismo é a eliciação sucessiva.
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2.4 Variáveis e função
Nosso foco será o comportamento operante (S: R →C). Variáveis são as propriedades dos 
eventos investigados. Antes de analisarmos as variáveis, devemos estabelecer os eventos que 
serão investigados. Estes podem ser: eventos ambientais ou eventos comportamentais. Os 
eventos ambientais são as mudanças que ocorrem no ambiente no período de observação, 
enquanto os eventos comportamentais são as ações do organismo que está sendo investigado.
A variáveis podem ser: dependentes, independentes ou estranhas.
• Variáveis dependentes (VD): são quando elas sofrem os efeitos de outras variáveis.
• Variáveis independentes (VI): são as que afetam as variáveis dependentes.
• Variáveis estranhas: afetam a variável dependente, porém não é o foco da investigação.
 Exemplo prático:
Queremos investigar a eficácia da cafeína na estimulação do crescimento capilar 
experimentalmente. Para essa investigação, duas pessoas com mesmo tamanho de cabelo 
são submetidas ao experimento. Ambas usarão a mesma marca de shampoo, porém um dos 
recipientes estará com a cafeína acrescida em sua composição. Submeteremos as duas pessoas 
a três lavagens semanais dos cabelos na mesma temperatura de água, efetuando os mesmos 
movimentos e com o mesmo tempo de lavagem.
Neste exemplo temos as seguintes variáveis:
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• Variável dependente: crescimento do cabelo
• Variável independente: café
• Variáveis estranhas: quantidade de lavagens do cabelo, temperatura da água, qualidade 
do shampoo.
Dentro de um experimento, as variáveis precisam ser identificadas para se controlar o 
ambiente e obter informações da análise.
2.5 Reflexos e emoções
Para a análise do comportamento, as emoções também são comportamentos. Na psicologia 
experimental, as emoções são denominadas por comportamentos privados. Os eventos ou 
comportamentos privados nada mais são que respostas aos estímulos que não são localizados no 
tempo e no espaço. São exemplos de comportamentos privados: o medo, a alegria, raiva, tristeza, 
felicidade.
Skinner (1984) propõe o estudo dos eventos privados partindo do mesmo pressuposto dos 
eventos públicos, afirmando que a avaliação de todo

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