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DIREITO PENAL ESPECIAL E LEGISLAÇÃO EXTRAVAGANTE1 
PROF. ALEX RIBEIRO CABRAL 
 
AULA 05 – CRIMES CONTRA A HONRA 
 
1 – CONSTITUÇÃO FEDERAL e CÓDIGO PENAL 
 
A CF/88 prevê a proteção da honra em seu artigo 5º, X, no qual dispõe: 
 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a 
honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização 
pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; 
 
O Código Penal, a seu turno, prevê três modalidades de crime contra a honra: 
calúnia, difamação e injúria (arts. 138, 139 e 140, CP). 
 
2 – CALÚNIA 
 
2.1 Honra Objetiva 
 
O crime de calúnia está previsto no art. 138 do Código Penal e, uma vez 
cometido, gera abalo à honra objetiva da vítima, que pode ser entendida como a reputação 
(bom nome) do indivíduo perante o seu grupo social. 
 
Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe 
falsamente fato definido como crime: 
 
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e 
multa. 
 
1 Elaborado com base, precipuamente, nas obras: I. SANCHES, Rogerio. Manual de Direito Penal: Volume 
Único. II. ROQUE, Fabio. Direito Penal Didático. III. GONÇALVEZ, Victor Eduardo Rios. Direito Penal 
Esquematizado: Parte Especial. IV. GRECO, Rogério. Código Penal Comentado; V. CAPEZ, Fernando. Curso 
de Direito Penal; VI. DA COSTA, Álvaro Mayrink. Direito Penal: Parte Especial. 
 
 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa 
a imputação, a propala ou divulga. 
 
§ 2º - É punível a calúnia contra os mortos. 
 
Exceção da verdade 
 
§ 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: 
 
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação 
privada, o ofendido não foi condenado por sentença 
irrecorrível; 
 
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas 
indicadas no nº I do art. 141; 
 
III - se do crime imputado, embora de ação 
pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível. 
 
2.2 Imputação Falsa de Fato Definido como Crime 
 
Na calúnia o agente criminoso age de modo a atribuir, falsamente, ao 
ofendido a prática de um fato criminoso específico/determinado. Em outras palavras, o 
agente narra um fato criminoso como se tivesse sido praticado pela vítima da calúnia, o que, 
evidentemente, é capaz de abalar a honra objetiva de quem sofre esse tipo de ação. 
 
É possível que a calúnia seja uma imputação relacionada a um fato que não 
ocorreu ou que seja relacionada à acusação de uma pessoa que não cometeu o fato 
criminoso que efetivamente ocorreu. 
 
Ex.1: Ricardo, com o objetivo de manchar a honra de José, diz para colegas 
de trabalho que José, recém demitido, estava furtando dinheiro do caixa da empresa e por 
isso foi mandado embora. Na hipótese, Ricardo sabe que jamais houve furto algum e que 
o motivo da demissão de José foi outro, mas criou essa estória para manchar a reputação 
de José. 
 
Ex.2: Uma determinada empresa afastou Mévio e Tício, dois funcionários 
que estavam praticando o crime de assédio sexual. Caio diz para colegas da empresa que 
José também era um dos autores dos crimes de assédio sexual, mesmo ciente de que José 
jamais participou de tais condutas. 
 
Importante que se verifique a falsidade da imputação. Se o fato imputado 
for verdadeiro, não haverá configuração de crime. Também é importante observar que se 
o autor acreditar que o fato é verdadeiro, mesmo não o sendo, tendo atribuído crime a 
outrem por engano, poderá alegar erro de tipo (art. 20, §1º, CP – erro plenamente 
justificável pelas circunstâncias). 
 
A lei, ainda, prevê a possibilidade de calúnia contra os mortos no §2º do art. 
138, entendendo o legislador que, no tocante ao crime em questão, a memória dos mortos 
deve ser preservada. 
 
2.3 Imputação de Contravenção 
 
Importante: necessário para a configuração da calúnia a atribuição falsa de 
CRIME. Caso seja atribuída à vítima a prática de uma contravenção penal (fulano tem uma 
banca de jogo do bicho – art. 58, do DL 3688/41), a conduta do agente equivalerá ao crime 
de difamação. No crime de difamação há imputação de fato ofensivo à vítima, sendo que 
tal fato ofensivo não constitui crime. 
 
2.4 Elemento Subjetivo 
 
Dolo direto ou eventual, no sentido de ofender a honra objetiva da vítima, 
atribuindo-lhe falsamente a prática de um crime. 
 
O objetivo de ofender a vítima deve estar presente. Isto é, indispensável o 
animus injuriandi vel diffamandi. Se não há seriedade no agente, tendo feito a narração do fato 
por brincadeira (animus jocandi), o fato é atípico. Evidentemente, a análise quanto à presença 
de animus jocandi depende de peculiaridades do caso concreto. Caso o fato criminoso 
imputado à vítima tenho sido mencionado em roda de amigos, a título de zombaria, não 
teremos a configuração do tipo penal em estudo. 
 
Não há modalidade culposa. 
 
 
 
2.5 Calúnia X Denunciação Caluniosa 
 
Necessário distinguir a calúnia da denunciação caluniosa2, pois neste último 
caso, a conduta do agente é mais grave, já que pretende prejudicar a vítima perante as 
autoridades causando a instauração de procedimento contra a vítima. Ex: Caio vai à 
delegacia de polícia apresentar falsa notícia-crime, dizendo que Tício pratica crime de furto 
na agência bancária onde trabalha, mesmo sabendo Caio que Tício jamais praticou o 
referido crime. 
 
Como a conduta do agente leva às autoridades imputação de crime 
sabidamente falsa, considera-se uma infração contra a administração da justiça. 
 
Por óbvio que o crime de denunciação caluniosa traz consigo ofensa à honra 
da vítima. De todo modo, os tribunais consideram que o crime de calúnia fica absorvido 
pelo crime de denunciação caluniosa. 
 
2.5 Meio de Execução 
 
Escrita, Gestual, Simbólica e Verbal. 
 
2.6 Consumação e Tentativa 
 
A consumação se dá no momento em que terceira pessoa passa a ter 
conhecimento da imputação caluniosa. 
 
 
2 Art. 339. Dar causa à instauração de inquérito policial, de procedimento investigatório criminal, de processo 
judicial, de processo administrativo disciplinar, de inquérito civil ou de ação de improbidade administrativa 
contra alguém, imputando-lhe crime, infração ético-disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente: 
(Redação dada pela Lei nº 14.110, de 2020) 
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa. 
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. 
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção. 
Somente se admite a tentativa na forma escrita. Ex.: carta com conteúdo 
calunioso que foi endereçada a terceiros, mas não chegou ao destino por circunstância 
alheia à vontade do agente. 
 
Ademais, trata-se de crime formal, não exigindo resultado efetivo de dano à 
honra da vítima para que seja considerado consumado. 
 
2.7 Imunidade 
 
Devemos nos atentar para pessoas que usufruem de unanimidade para 
manifestação de suas palavras e opiniões enquanto detentores de certos cargos. 
 
É o caso dos deputados e senadores, vide artigo 53 da Carta Magna: 
 
Art. 53. Os Deputados e Senadores são 
invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas 
opiniões, palavras e votos. 
 
Tal imunidade, contudo, não é absoluta, pois é necessário que a fala do 
deputado/senador tenha relação com a função por ele exercida, isto é, a fala protegida pela 
imunidade tem relação com o exercício do cargo político. Por outro lado, caso um senador, 
por exemplo, venha a acusar o seu vizinho de praticar crimes, não estará protegido pela 
imunidade, pois essa conduta não tem relação com a sua função. 
 
Deputados estaduais também têm direito a tal imunidade, conforme já 
decidido pelo STF nas ADIs 5824 e 5825, haja vista que tal imunidade estaria prevista no 
artigo 27, §1º, da CF: 
 
§ 1º Será de quatro anos o mandato dos 
Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta 
Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, 
imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, 
impedimentos e incorporação àsForças Armadas. 
 
Os Vereadores também são protegidos pela imunidade em questão, vide 
artigo 29, VIII, da CF: 
 
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas 
opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na 
circunscrição do Município. 
 
2.8 Exceção da Verdade 
 
Se a pessoa acusada pelo crime de calúnia demonstrar em juízo que a sua 
afirmação é verdadeira, teremos a aplicação da exceção da verdade, resultando da prova da 
verdade a atipicidade. 
 
Tal prova é feita no mesmo processo, podendo o acusado juntar 
documentos e produzir prova testemunhal para demonstrar a veracidade do que disse à 
respeito da suposta vítima da calúnia. 
 
Se o juiz constatar a veracidade do fato, além de absolver o acusado, 
remeterá cópia dos autos ao Ministério Público, na forma do artigo 40 do Código de 
Processo Penal.3 
 
Obs.: sendo proposta a exceção da verdade contra quem tenha foro por 
prerrogativa de função, o incidente da exceção da verdade será julgado perante o foro que 
detenha a prerrogativa, conforme previsão do art. 85 do CPP.4 
 
Ex.: governador de Estado ajuíza ação penal de iniciativa privada no 
JECRIM, alegando que foi caluniado por João. Se João apresentar tese de exceção da 
verdade contra o governador, esse incidente será julgado perante o STJ, foro por 
prerrogativa de função dos detentores de tal cargo. 
 
2.8.1 Vedação da Exceção da Verdade 
 
3 Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de 
crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao 
oferecimento da denúncia. 
 
4 Art. 85. Nos processos por crime contra a honra, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição 
sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o 
julgamento, quando oposta e admitida a exceção da verdade. 
 
É vedada a exceção da verdade nos casos previstos no art. 138, §3º, I, II e 
III, do CP: 
 
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado 
por sentença irrecorrível; 
 
A lógica deste inciso é relacionada ao fato de a existência da ação de natureza 
privada depender da manifestação de vontade da vítima do crime. Logo, pode, o crime de 
ação privada ter ocorrido, mas a vítima não teve interesse em dar início à ação penal por 
ser um fato que a vítima pretenda deixar de lado. Assim, o agente que pratica a calúnia fica 
impedido de apresentar a exceção da verdade, pois se sequer a vítima do crime de ação 
privada quis que o caso fosse apurado, não pode um terceiro suscitar a apuração do referido 
crime. Se a ação penal privada for efetivamente proposta, com condenação daquele que 
sofreu a suposta calúnia por sentença transitada em julgado, poderá ser apresentada a 
exceção da verdade. 
 
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; 
 
Não pode ser apresentada a exceção da verdade contra Presidente da 
República. 
 
A prerrogativa de ajuizar ação penal em face do presidente é da PGR. Em 
razão disso, a lei entende que não deve ser aberta a possibilidade, a qualquer pessoa do 
povo, de apresentar exceção da verdade, arvorando-se ao papel de instaurar procedimento 
de averiguação de fato criminoso supostamente praticado pelo Presidente, além do que, em 
virtude da grandeza do cargo, a exceção da verdade seria um constrangimento 
desnecessário. 
 
Quanto ao chefe de estado estrangeiro, entende-se que a exceção da verdade 
deve ser evitada para preservação das relações diplomáticas. 
 
 
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença 
irrecorrível. 
 
Havendo sentença absolutória transitada em julgado em prol do ofendido 
pela calúnia, não será admitida a exceção da verdade, pois entende-se que o ofendido é 
considerado inocente por decisão imutável quanto ao fato criminoso a ele imputado pelo 
agente. 
 
Por fim, há, ainda, a possibilidade de apresentação de exceção da notoriedade 
do fato, prevista no artigo 523 do CPP5, situação na qual o acusado alegará que o fato 
criminoso do qual o ofendido foi acusado é de domínio público, sendo de conhecimento 
geral. 
 
3 – DIFAMAÇÃO 
 
3.1 Honra Objetiva 
 
O crime de difamação está previsto no art. 139 do Código Penal e, uma vez 
cometido, tal como a calúnia, gera abalo à honra objetiva da vítima, que pode ser entendida 
como a reputação do indivíduo perante o seu grupo social. 
 
Art. 139 - Difamar alguém, imputando-lhe fato 
ofensivo à sua reputação: 
 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Exceção da verdade 
 
Parágrafo único - A exceção da verdade somente 
se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é 
relativa ao exercício de suas funções. 
 
 
3.2 Imputação de Fato Ofensivo à Reputação 
 
5 Art. 523. Quando for oferecida a exceção da verdade ou da notoriedade do fato imputado, o querelante 
poderá contestar a exceção no prazo de dois dias, podendo ser inquiridas as testemunhas arroladas na queixa, 
ou outras indicadas naquele prazo, em substituição às primeiras, ou para completar o máximo legal. 
 
Na difamação o agente criminoso age de modo a atribuir à vítima a prática 
de um determinado fato ofensivo a sua honra. 
 
Não é necessário que o fato imputado à vítima seja falso. Pode ocorrer 
difamação, mesmo sendo o fato verdadeiro, isto porque a intenção do legislador é a de que 
cada pessoa cuide de sua própria vida, evitando fazer comentários maldosos ou sobre a 
intimidade da vida alheia. 
 
Ex.: Tício conta para diversas pessoas que Mévio vai trabalhar embriagado 
todos os dias; Fulana diz para as amigas que Beltrana trabalha em casa de prostituição; José 
conta para colegas de trabalho que a esposa do chefe tem caso extraconjugal. 
 
Segundo parte da doutrina, não somente as pessoas físicas, mas também as 
pessoas jurídicas podem ser sujeitas passivas do crime de difamação, afinal as empresas 
também têm uma reputação a zelar. Imaginemos o exemplo de uma escola que passa a 
sofrer comentários desonrosos, no sentido de que não paga mais seus funcionários e que 
está prestes a fechar as portas. Evidentemente, tais comentários ferem a reputação da 
empresa, prejudicando, certamente, os negócios. O STF tem antigo julgado admitindo tal 
possibilidade. 
 
O STJ, por outro lado, não vem admitindo essa tese, pois entende que a 
difamação está presente no Título I da Parte Especial do CP, intitulado Crimes contra a 
Pessoa, sendo tal “pessoa” considerada a pessoa natural, a criatura humana. 
 
Sobre as pessoas mortas, só há lei prevendo a possibilidade de crime de 
calúnia contra os mortos, mas não crime de difamação. Logo, não há que se falar em 
difamação de mortos, por ausência de previsão legal. 
 
3.3 Elemento Subjetivo 
 
Dolo direto ou eventual, no sentido de buscar ofender a honra objetiva da 
vítima, atribuindo-lhe um fato desonroso. 
 
O objetivo de ofender a vítima deve estar presente. Isto é, indispensável o 
animus injuriandi vel diffamandi. Se não há seriedade no agente, tendo feito a narração do fato 
por brincadeira (animus jocandi), o fato é atípico. Evidentemente, a análise quanto à presença 
de animus jocandi depende de peculiaridades do caso concreto. 
 
3.4 Meio de Execução 
 
Escrita, Gestual, Simbólica e Verbal. 
 
3.5 Consumação e Tentativa 
 
A consumação se dá no momento em que terceira pessoa passa a ter 
conhecimento da imputação caluniosa. 
 
Somente se admite a tentativa na forma escrita. Ex.: carta com conteúdo 
difamatório que foi endereçada a terceiros, mas não chegou ao destino por circunstância 
alheia à vontade do agente. 
 
3.6 Imunidade 
 
Além dos parlamentares, que gozam de imunidade, como já visto no item 
2.7, em relação à difamação e à injúria também possuem imunidade no exercício de suas 
funções: os membros do Ministério Público (art. 41,V, da Lei 8.625/936) e os magistrados 
(art. 41, V, da LC 35/797). 
 
6 Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de 
outras previstas na Lei Orgânica: 
[...] 
V - gozar de inviolabilidade pelas opiniões que externar ou pelo teor de suas manifestações processuais ou 
procedimentos, nos limites de sua independência funcional; 
 
7 Art. 41 - Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem o magistrado não pode ser punido ou 
prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. 
 
Os advogados também tinham imunidade semelhante a de membros do MP 
e juízes, o que era garantido pelo art. 7º, §2º, da Lei 8.906/94 (Estatuto da OAB). Contudo, 
a Lei 14.365/2022 alterou diversos dispositivos da Lei 8.906/94, revogando o parágrafo 
acima. 
 
3.7 Exceção da Verdade 
 
Somente aplica-se a exceção da verdade se a vítima da difamação é 
funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. 
 
Isto é, uma vez sendo o agente processado criminalmente pelo funcionário 
público em virtude de difamação, tem o agente a oportunidade de provar que é verdadeiro 
o fato ofensivo imputado ao funcionário. A lógica por trás dessa possibilidade é a de que 
há interesse público em que o funcionário em questão exerça suas funções de forma 
adequada e exemplar. 
 
4 - INJÚRIA 
 
4.1 Honra Subjetiva 
 
O crime de injúria está previsto no art. 140 do Código Penal e, uma vez 
cometido, gera abalo à honra subjetiva da vítima, que pode ser entendida como a imagem 
que cada pessoa tem sobre si mesma, seja no tocante aos aspectos físicos, morais ou 
intelectuais. 
 
 
Injúria 
 
Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a 
dignidade ou o decoro: 
 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
 
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, 
provocou diretamente a injúria; 
 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em 
outra injúria. 
 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de 
fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se 
considerem aviltantes: 
 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, 
além da pena correspondente à violência. 
 
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de 
elementos referentes a religião ou à condição de pessoa 
idosa ou com deficiência: (Redação dada pela Lei nº 14.532, 
de 2023) 
 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
(Redação dada pela Lei nº 14.532, de 2023) 
 
Na injúria teremos a atribuição pelo agente de uma qualidade negativa à 
vítima. Na injúria não há a imputação de fato ofensivo ou criminoso à vítima, como ocorre 
na difamação e na calúnia, respectivamente; o agente, na injúria, somente se utiliza de um 
xingamento, de uma ofensa direcionada à vítima. 
 
Ex.: Tício, na presença de Mévio, o chama de ladrão, corrupto, vagabundo 
etc. Caio, na presença de Maria, a chama de piranha, vadia, interesseira etc. 
 
Como o crime em tela afeta a honra subjetiva, necessário, para a sua 
configuração, que a vítima tome ciência do xingamento, seja pessoalmente, seja por meio 
de terceiros que lhe digam que foi ofendida pelo agente. 
 
Obs.: no momento da propositura da ação penal pela vítima contra quem a 
ofendeu, imprescindível que sejam descritas na peça inicial as expressões ofensivas, sem 
qualquer pudor, pois o juiz terá de fazer a análise de recebimento ou rejeição da peça 
acusatória, valendo-se do conhecimento das ofensas tal como foram proferidas, de modo 
a verificar, em última análise, se se está, ao menos em tese, diante ou não de uma injúria. 
 
4.2 Elemento Subjetivo 
 
Dolo direto, no sentido de ofender a honra subjetiva da vítima, atribuindo-
lhe qualidade/característica negativa. 
 
4.3 Meios de Execução 
 
Escrita, Gestual, Simbólica e Verbal. 
 
4.4 Consumação e Tentativa 
 
A consumação se dá no momento em que a vítima toma ciência da expressão 
injuriosa. 
 
Somente se admite a tentativa na forma escrita. Ex.: carta com conteúdo 
difamatório que foi endereçada a terceiros, mas não chegou ao destino por circunstância 
alheia à vontade do agente. 
 
4.5 Imunidade 
 
Além dos parlamentares, que gozam de imunidade, como já visto no item 
2.7, em relação à difamação e à injúria também possuem imunidade no exercício de suas 
funções: os membros do Ministério Público (art. 41, V, da Lei 8.625/93) e os magistrados 
(art. 41, da LC 35/79). 
 
4.6 Exceção da Verdade 
 
Não é admissível na injúria. 
 
4.7 Perdão Judicial 
 
O juiz pode aplicar o perdão judicial nas hipóteses do art. 140, §1º, I e II: 
 
§ 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: 
 
I - quando o ofendido, de forma reprovável, 
provocou diretamente a injúria; 
 
II - no caso de retorsão imediata, que consista em 
outra injúria. 
 
 
 
4.8 Distinção Entre Lesão Leve e Injúria Real 
 
Na injúria real (art. 140, §2º, CP8), o agente ofende a vítima por meio de uma 
agressão (vias de fato ou lesão efetiva). A intenção do agente é a de humilhar a vítima, não 
de lesioná-la. O caráter humilhante da ação decorre da natureza do ato (raspar o cabelo / 
cuspir no rosto da vítima) ou do meio empregado pelo agente (atirar tomate ou ovos em 
pessoa que está discursando / jogar um copo de água no rosto da vítima para causar 
vexame). 
 
4.9 Injúria Qualificada 
 
O artigo 140, §3º, traz hipótese de injúria qualificada pelo preconceito contra 
religião, pessoas idosas ou com deficiência. 
 
§ 3º Se a injúria consiste na utilização de 
elementos referentes a religião ou à condição de pessoa 
idosa ou com deficiência: (Redação dada pela Lei nº 14.532, 
de 2023) 
 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
 
Perceba que a injúria simples tem pena de um a seis meses. Mas a injúria 
qualificada pelo preconceito tem pena bem mais severa, de 1 a 3 anos. 
 
8 Art. 140 - Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: 
 
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 
[...]. 
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se 
considerem aviltantes: 
 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. 
 
 
Ex.: contra idosos → chamar a vítima de velho babão, de velho esclerosado; 
contra pessoas com deficiência: chamar o ofendido de aleijado ou aberração; contra religião 
→ chamar a vítima de feiticeiro. 
 
 
4.10 Injúria Racial 
 
No mais, importante dizer que entrou em vigor no ano de 2023 a Lei 14.532, 
que transportou para a Lei 7.716/89 (Lei do Racismo) a conduta da injúria racial, que antes 
estava presente no artigo 140, §3º, do CP. 
 
Agora a injúria racial está prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, alterada 
pela Lei 14.532/2023: 
 
Art. 2º-A Injuriar alguém, ofendendo-lhe a 
dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou 
procedência nacional. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 
2023) 
 
Pena: reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e 
multa. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) 
 
Parágrafo único. A pena é aumentada de metade 
se o crime for cometido mediante concurso de 2 (duas) ou 
mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 14.532, de 2023) 
 
 
Quando a injúria, portanto, tem relação com raça, cor, etnia ou procedência 
nacional, será aplicado o artigo acima, com pena de 2 a 5 anos e multa. 
 
Obs.: a CF/88 prevê que o crime de racismo é imprescritível e inafiançável 
(art. 5º, XLII), tendo tanto o STJ como o STF estendido esse entendimento também para 
a injúria racial. 
 
Atenção!!! Não podemos confundir injúria racial com o crime de 
racismo previsto no artigo 20 da Lei 7.716/1989. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14532.htm#art1Em primeiro lugar, na injúria racial há ofensa a uma pessoa determinada, 
como ocorre, por exemplo, quando alguém chama uma pessoa negra de “macaco”. 
 
No crime de racismo do artigo 20 há ofensa a pessoas indeterminadas, 
fazendo-se referências desairosas contra todos os integrantes da raça, cor, etnia ou 
procedência nacional atacadas: 
 
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a 
discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião 
ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, 
de 15/05/97) 
 
Pena: reclusão de um a três anos e 
multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97) 
 
Ademais, também não podemos confundir injúria racial com os demais tipos 
de racismo previstos entre os artigos 3º e 14 da Lei 7.716/89, pois todos estes pressupõem 
atos efetivos de SEGREGAÇÃO da vítima em razão de cor, raça, etnia, religião ou 
procedência nacional, como, por exemplo: 
 
Art. 3º Impedir ou obstar o acesso de alguém, 
devidamente habilitado, a qualquer cargo da 
Administração Direta ou Indireta, bem como das 
concessionárias de serviços públicos. 
 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, por 
motivo de discriminação de raça, cor, etnia, religião ou procedência 
nacional, obstar a promoção funcional. (Incluído pela Lei nº 
12.288, de 2010) (Vigência) 
 
Art. 4º Negar ou obstar emprego em empresa 
privada. 
 
Pena: reclusão de dois a cinco anos. 
 
Art. 5º Recusar ou impedir acesso a 
estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou 
receber cliente ou comprador. 
 
Pena: reclusão de um a três anos. 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9459.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9459.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9459.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm#art60
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm#art60
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12288.htm#art65
Art. 6º Recusar, negar ou impedir a inscrição ou 
ingresso de aluno em estabelecimento de ensino público ou 
privado de qualquer grau. 
 
Pena: reclusão de três a cinco anos. 
 
No tocante a atos de segregação contra idosos, temos o crime específico do 
artigo 96 da Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso).9 
 
No que se refere a atos de segregação contra pessoas com deficiência, temos 
o crime do artigo 88 da Lei 13.146/2015 (Estatuto da Pessoa Com Deficiência).10 
 
Em relação aos portadores do vírus HIV e doentes de AIDS, atos de 
segregação/marginalização que venham a sofrer estão previstos no artigo 1º, incisos I a VI, 
da Lei 12.984/2014.11 
 
 
9 LEI 10.741/2003 (ESTATUTO DO IDOSO): Art. 96. Discriminar pessoa idosa, impedindo ou dificultando 
seu acesso a operações bancárias, aos meios de transporte, ao direito de contratar ou por qualquer outro meio 
ou instrumento necessário ao exercício da cidadania, por motivo de idade: 
Pena – reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. 
 
10 LEI 13.146/2015 (ESTATUTO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA): Art. 88. Praticar, induzir ou incitar 
discriminação de pessoa em razão de sua deficiência: 
 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. 
 
 
11 LEI 12.984/2014: Art. 1º Constitui crime punível com reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, as 
seguintes condutas discriminatórias contra o portador do HIV e o doente de aids, em razão da sua condição 
de portador ou de doente: 
I - recusar, procrastinar, cancelar ou segregar a inscrição ou impedir que permaneça como aluno em creche 
ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado; 
II - negar emprego ou trabalho; 
III - exonerar ou demitir de seu cargo ou emprego; 
IV - segregar no ambiente de trabalho ou escolar; 
V - divulgar a condição do portador do HIV ou de doente de aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade; 
VI - recusar ou retardar atendimento de saúde.

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