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John Locke (1632 – 1704) John Locke (1632 – 1704) foi médico o que fez, segundo alguns comentadores, ser influenciado pelo método de diagnóstico de um colega de ofício, Thomas Sydenham (1624 – 1689), que utilizaria a observação dos sintomas como o caminho para diagnosticar a doença. Para esses comentadores, para seu pensamento filosófico, funda o empirismo Locke transporta essa centralidade da experiência moderno. o homem nAsce como umA foLhA em BRAnco e nA medidA em que expeRimenTA o mundo, VAi pRoduzindo soBRe eLe, impRessões e ideiAs SeGundo TRATAdo soBRe o GoVeRno Os Dois tratados sobre o Governo foram publicados após a vitória da Revolução Gloriosa em 1690. O livro Patriarca de Robert Filmer será o alvo dos ataques do primeiro tratado. Filmer defende a ideia de que a legitimidade do rei advém de sua descendência originária no primeiro homem, Adão, e consequentemente outorgada por Deus, com que obviamente o contratualista Locke discorda. Já no Segundo tratado sobre o Governo o objetivo será o de estabelecer a origem do Estado e os seus limites. EsTAdo de NATuRezA Como Hobbes, Locke também parte do Estado de Natureza e da constituição do contrato social, como entidade jurídica fundadora do Estado e da Sociedade Civil. Entretanto sua concepção de estado de natureza em muito se diferencia da do seu colega inglês. No estado de natureza lockeano, a lei natural determina que “sendo todos iguais e independentes, ninguém deveria prejudicar a outrem em sua vida, saúde, liberdade ou posses” (LOCKE, 1998, p. 384). PRopRiedAde Para Locke, o Estado de Natureza existe num ambiente regido pela racionalidade, igualdade e independência entre os homens. Haveria entre eles uma relação marcada pelo respeito tanto na figura de cada um, como, também, nas respectivas posses. Há um pLAno diVino pARA que os homens se ToRnem cRiATuRAs sociáVeis “Embora a Terra e todas as criaturas inferiores sejam comuns a todos os homens, cada homem tem uma propriedade em sua própria pessoa. A esta ninguém tem direito algum além dele mesmo. O trabalho de seu corpo e a obra de suas mãos, pode-se dizer, são propriamente dele. Qualquer coisa que ele então retire do estado com que a natureza a proveu e deixou, mistura-a ele com o seu trabalho junta-lhe algo que é seu, transformando-a em sua propriedade.” (Ibidem, p. 409). SociedAde CiViL A ausência de um juiz comum dotado de autoridade coloca todos os homens em estado de natureza; a força sem direito sobre a pessoa de um homem causa o estado de guerra, havendo ou não um juiz comum. (Ibidem, p. 398). CoRpo PoLíTico O pacto social produz uma sociedade civil e um corpo político que são divididos, segundo Locke, em Executivo, Federativo e Legislativo. Este último, definido como poder supremo, agirá dirigido pelo consentimento, submetido aos limites e às obrigações, isto é, obrigado a preservar a humanidade, no coletivo, e a propriedade, no privado. “O poder legislativo, em seus limites extremos, limita-se ao bem público da sociedade.” (Ibidem, 505). A racionalidade, que em Locke, determinou a saída do Estado de Natureza, traz do estado de natureza para a sociedade civil a lei da natureza, que se impõe aos atos do corpo político. DiReiTo de ResisTÊnciA Como o governo, para Locke, depende do consentimento do povo, aquele não pode ser usurpador – quando toma o poder de forma não prescrita – nem tirano – quando usa o poder para seus interesses. Em um ou em outro caso o contrato pode ser quebrado, pois o consentimento acaba. Todos terão o dever de se unirem em torno do ofendido, como se fossem todos ofendidos por meio da ofensa destinada a um só, porque a coletividade original existente no Estado de Natureza ainda persiste, como também as obrigações oriundas do desejo de Deus pela autopreservação a comunidade. Todos serão obrigados a resistir diante de um poder ilegítimo ou tirânico.