Prévia do material em texto
EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA ___ VARA DO JÚRI DA COMARCA DE CAMPOS DE JORDÃO FAMILIAR DE GIOVANA, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da cédula de identificação RG nº, inscrito no CPF sob nº, residente e domiciliado, CEP, endereço eletrônico, por seu advogado e procurador com poderes especiais (instrumento de procuração em anexo), nos termos do artigo 100, parágrafo 3º, do Código Penal e artigo 29 e 41 do Código de Processo Penal, vem respeitosamente perante a presença de Vossa Excelência, de acordo com os fatos e fundamento jurídicos a seguir expostos, propor QUEIXA – CRIME SUBSIDIÁRIA Em face de GUILHERME BALBINO, nacionalidade, estado civil, profissão, portador da cédula de identificação RG nº, inscrito no CPF sob nº, residente e domiciliado, CEP, endereço eletrônico, consubstanciada nas provas colhidas no inquérito policial no. ____ e diante da inércia do Ministério Público em propor ação penal, pelos fatos e fundamentos que passa a expor: I) DOS FATOS. O réu, Guilherme Bambino, que é funcionário público federal, no dia 21/08/15, totalmente consciente e voluntariamente, efetuou diversos disparos com sua arma de fogo contra Giovana, sua namorada, durante uma viagem de férias, no qual o casal fez a Campos de Jordão. O laudo pericial constatou que a vítima Giovana veio a falecer em decorrência das lesões provenientes do referido disparo que Guilherme cometeu. Durante o inquérito policial, diversas testemunhas do fato afirmaram que o acusado, julgando estar a arma desmuniciada e querendo fazer uma brincadeira com a vítima, realmente estava mirando em sua direção e puxara o gatilho de sua arma. Após concluída a investigação e relatado o inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público, na data de 04/07/18, permanecendo no órgão até a presente data, ou seja, O Ministério Público perdeu o prazo. II) DOS FUNDAMENTOS. Diante dos fatos abordados anteriormente, conforme se verifica, no dia 21 de agosto de 2015, o querelado agindo de forma totalmente consciente e voluntária, efetuou disparos de arma de fogo em direção à sua própria namorada, a vítima, que foram determinantes e ocasionaram a sua injusta morte, conforme se constata do laudo pericial juntado ao inquérito policial e os diversos documentos. No inquérito policial, consta também que diversas testemunhas que estavam na hora do ocorrido e do fato, presenciaram o exato momento em que o querelado, em meio a uma devida brincadeira, mirou a sua arma de fogo em direção à vítima e efetuou os disparos que foram causadores da morte. Os fatos narrados tipificam o crime previsto no artigo 121, parágrafo 2º, inciso IV, do Código Penal, porque ao efetuar disparo de arma de fogo, de forma consciente e voluntária, o querelado assumiu o risco de causar a morte da vítima, a teor do artigo 18, inciso I, segunda parte, do Código Penal. Artigo 121, parágrafo 2º, inciso IV, do CP: IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. Artigo 18, inciso I, segunda parte, do CP: Diz-se o crime: I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Ainda que não restem dúvidas que os disparos foram efetuados por brincadeira, a assunção do risco de causar o resultado morte, pelo querelado, é nítida pois não agiu com a cautela esperada em não verificar se a arma se encontrava desmuniciada. No mais, embora o crime praticado seja de iniciativa pública incondicionada, há muito já escoou o prazo legal previsto no artigo 46, do Código de Processo Penal para o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público, restando demonstrada a desídia do órgão acusador, facultando-se ao querelante a propositura da presente ação penal, conforme previsto nos artigos 29 e 46, do Código de Processo Penal. Artigo 29, CPP: Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. Artigo 46, CPP: O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. III) DO PEDIDO. Pelo exposto, requer-se: a) A intimação do digno representante do Ministério Público, para que se manifeste nos termos do artigo 29, do Código de Processo Penal, b) O recebimento da presente queixa-crime, prosseguindo-se até seus ulteriores termos, c) A citação do querelado para que compareça perante este respeitável Juízo e responda aos termos da presente ação penal sob pena de revelia, d) a produção de todas as provas em direito admitidas, notadamente a oitiva de testemunhas cujo rol segue abaixo, e) Seja declara a pronúncia e, após realização de plenário do júri, a condenação do querelado pela prática do crime previsto no artigo 121, parágrafo 2º., inciso IV do Código Penal. f) Seja, ainda, fixado o valor mínimo de indenização, nos termos do artigo 387 do Código de Processo Penal. Nestes termos, pede-se deferimento. Local e data. Advogado – OAB Assinatura.