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11
Aline Kühl Torricelli
CLÍNICA MÉDICA V
SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE
2
SUMÁRIO
SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
4. Manifestações Clínicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4.1. Manifestações Critério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Mapa mental . Introdução à síndrome antifosfolípide (SAF) . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
4.2. Manifestações Não Critério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
5. SAF Catastrófica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
6. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
7. Os antifosfolípides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
Mapa mental . A três etapas dos testes para anticoagulante lúpico (ACL) . . . . 9
Mapa mental . Anticorpos antifosfolípides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
8. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
Mapa mental . Síndrome antifosfolípide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
3
SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE
O QUE VOCÊ PRECISA SABER?
 u A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é a trombofilia adquirida mais comum e acomete principalmente adultos 
jovens, com predileção pelo sexo feminino.
 u Caracteriza-se clinicamente por morbidade gestacional e tromboses arteriais e/ou venosas.
 u Os anticorpos antifosfolípides, são: anticardiolipina, anticoagulante lúpico, anti-β2 glicoproteína.
 u O anticardiolipina é o mais sensível para SAF e pode gerar falsa positividade do VDRL. O anti-β2 glicoproteína 
e o anticoagulante lúpico são mais específicos para SAF, e o mais trombótico é o anticoagulante lúpico.
 u Para classificar um paciente como portador de SAF, deve-se preencher um critério clínico e um critério 
laboratorial (antifosfolípides positivos em pelo menos 2 ocasiões com intervalo de pelo menos 12 semanas).
1. INTRODUÇÃO
 BASES DA MEDICINA
O que é fosfolípide?
A membrana plasmática de todas as células é composta 
por fosfolípides. Na SAF, o alvo são os fosfolípides expres-
sados nas plaquetas, células endoteliais e trofoblásticas 
(placenta).
A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombo-
filia adquirida de etiologia autoimune associada à 
presença de anticorpos antifosfolípides persisten-
tes, responsável por eventos arteriais, venosos e 
obstétricos. Os anticorpos antifosfolípides partici-
pam da patogênese da doença e são úteis para o 
diagnóstico.
Quando a SAF ocorre de maneira isolada, recebe 
a nomenclatura de SAF primária e, se associada à 
outra doença autoimune, nomeia-se SAF secundária, 
cuja principal associação é com Lúpus Eritematoso 
Sistêmico (LES). Outros termos usados referem-se 
ao quadro clínico: SAF trombótica para aquele indi-
víduo que apresenta fenômeno trombótico; SAF 
gestacional para morbidade na gestação; e SAF 
catastrófica para múltiplas tromboses.
 DIA A DIA MÉDICO
Pacientes com SAF geralmente são vistos nos estágios 
de obstetrícia, hematologia ou reumatologia. Mas, pela 
diversidade de sítios trombóticos, outras especialidades 
podem se deparar com essa condição (ex.: AVC e neuro-
logia ou IAM e cardiologia).
2. EPIDEMIOLOGIA
É a trombofilia adquirida mais comum e acomete 
principalmente adultos jovens, com predileção pelo 
sexo feminino. Responsável por aproximadamente 
10% das tromboses venosas profundas, 15% das 
perdas fetais recorrentes e 13% dos casos de aci-
dente vascular cerebral isquêmico.
importância/prevalência
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
4
A distribuição entre SAF primária e secundária é 
praticamente meio a meio, sendo 36% secundária 
ao LES. A SAF catastrófica é rara.
 DIA A DIA MÉDICO
Na rotina médica, é importante suspeitar de SAF em 
indivíduos jovens que apresentam quadros trombóticos 
sem possuir fatores de risco para trombose.
3. FISIOPATOLOGIA
 BASES DA MEDICINA
Existem evidências de que os anticorpos antifosfolípides 
são patogênicos, e não simplesmente marcadores soro-
lógicos para a SAF. No entanto, a presença persistente 
dos anticorpos na circulação não é suficiente para a 
formação de coágulos in vivo. Portanto, o mais aceito 
é a “hipótese de dois eventos”, a qual sustenta que os 
anticorpos antifosfolípides (primeiro evento) exercem 
sua ação pró-trombótica na presença de outra condição 
trombofílica (segundo evento).
Na fisiopatologia da SAF, temos um ambiente pró-
-trombótico: por um lado, o aumento de fatores 
pró-coagulantes, como agregação plaquetária, 
tromboxano A2, ativação endotelial, fator tecidual, 
estresse oxidativo e moléculas de adesão, e, por 
outro, a redução da fibrinólise e dos anticoagulantes 
naturais (2 glicoproteína, proteína C, atividade anti-
trombina). Esse ambiente pró-trombótico é gerado 
pela interação dos anticorpos antifosfolípides com 
células endoteliais, monócitos e plaquetas e com as 
proteínas relacionadas à regulação da coagulação. 
Portanto, a presença dos anticorpos antifosfolípides 
(aPL) é fundamental como um dos gatilhos para 
a doença (first hit), porém existe a necessidade 
de um segundo gatilho (second hit), que pode ser 
infeccioso, pós-cirúrgico, imobilização prolongada, 
estado inflamatório etc.
A patogênese focada na SAF obstétrica não foi 
totalmente elucidada. Trombose intraplacentária, 
deficit na invasão trofoblástica e produção de gona-
dotrofina coriônica humana são aspectos sugeridos.
Figura 1. Patogênese da SAF.
Fonte: Acervo Sanar.
Síndrome antifosfolípide 
5
 DIA A DIA MÉDICO
Um conceito importante na fisiopatogenia da SAF e que 
tem impacto do ponto de vista prático é a presença PER-
SISTENTE dos anticorpos antifosfolípides. Por isso, para 
o diagnóstico no dia a dia de SAF, é importante comprovar 
a persistência da positividade deles, repetindo a dosa-
gem dos autoanticorpos. Na presença de um novo teste 
positivo, isso assegura que a positividade é persistente, 
e não transitória.
4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
 BASES DA MEDICINA
Pela característica sistêmica autoimune da SAF, o quadro 
clínico é diverso e qualquer órgão pode ser afetado. Os 
fenômenos englobados nos critérios classificatórios de 
Sydney são os mais característicos da doença: trombose 
e morbidade gestacional (manifestações critério). Mas 
não se esqueça de que a SAF é uma doença autoimune, 
e uma série de outras manifestações que não fazem 
parte dos critérios classificatórios podemestar presentes 
(manifestações não critério).
4 .1 . MANIFESTAÇÕES CRITÉRIO
4 .1 .1 . Trombose Arterial e/ou Venosa
A trombose venosa profunda é a manifestação 
mais comum da SAF, mas podem ocorrer outros 
fenômenos trombóticos, como: acidente vascular 
cerebral, infarto pulmonar, infarto agudo do mio-
cárdio, trombose de veia renal, trombose de veia 
hepática, trombose retiniana arterial ou venosa, 
oclusão arterial aguda, trombose de seio sagital.
A Síndrome de Sneddon é a presença de AVC isquê-
mico mais livedo reticular na presença de antifos-
folípides.
 DICA  O evento arterial mais comum é o 
AVC e o venoso é a TVP.
4 .1 .2 . Morbidade Gestacional
Os eventos gestacionais ocorridos na SAF são con-
sequência do seu alvo principal, que é a placenta, 
e, por esse motivo, óbitos de final de gestação, 
restrição de crescimento uterino, eclâmpsia ou 
pré-eclâmpsia e prematuridade são eventos que, 
mesmo únicos, são mais específicos para SAF do 
que abortamentos com menos de 10 semanas. 
Devemos ser muito cuidadosos ao atribuir uma 
perda gestacional isolada de 1° trimestre à SAF, uma 
vez que trissomias, alterações uterinas e fatores 
endócrinos são de longe causas mais comuns. Por-
tanto, pensar em SAF na presença de abortamento 
habitual (3 episódios ou mais).
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
6
Síndrome Antifosfolípide (SAF)
Trombose 
venosa e 
arterial 
recorrente
Morbidade 
gestacional
Presença de 
Anticorpos 
Antifosfolípides 
(AAFs)
Primária Secundária
Uma das 
trombofilias 
adquiridas mais 
frequentes
Predomínio em 
adultos jovens 
e de meia-idade
Predomínio no 
sexo feminino
Classificação
Diátese 
trombótica 
autoimune
Epidemiologia
AAF incluídos 
nos critérios de 
classificação
Ausência de 
outras doenças 
autoimunes
Presença de LES 
ou outra doença 
autoimune
Anticardiolipina 
(aCL)
Antibeta2-
glicoproteína I 
(antibeta2-GPI)
Anticoagulante 
Lúpico (LA)
Mapa mental. Introdução à síndrome antifosfolípide (SAF)
Síndrome antifosfolípide 
7
4 .2 . MANIFESTAÇÕES NÃO CRITÉRIO
Algumas manifestações não são relacionadas direta-
mente com trombose, mas estão associadas à SAF 
e não fazem parte dos Critérios Classificatórios de 
Sydney. São elas: livedo reticular, necrose avascular, 
coreia, mielite transversa, úlceras crônicas, valvopa-
tia e endocardite de Libman-Sacks, microangiopatia 
trombótica renal, plaquetopenia, anemia hemolítica 
mediada por autoanticorpos ou microangiopática 
e convulsões.
Figura 2. Biópsia renal mostrando 
microangiopatia trombótica.
Fonte: Strakhan et al.¹
5. SAF CATASTRÓFICA
 BASES DA MEDICINA
A fisiopatologia da síndrome antifosfolípide catastrófica 
difere da SAF clássica, uma vez que múltiplas tromboses 
levam à isquemia tecidual com necrose e consequente 
liberação de citocinas, ocasionando um quadro de Sín-
drome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS). Por-
tanto, o pilar terapêutico na SAF catastrófica, além da 
anticoagulação, será a imunossupressão.
Síndrome rara (1% dos casos de SAF) e extrema-
mente grave, com evolução a óbito em 50% dos 
casos. Compreende progressão rápida de falência 
orgânica decorrente de múltiplas tromboses, em 
geral mais que 3, em sítios diferentes e com aco-
metimento da microcirculação.
O rim é o órgão mais afetado, envolvido em 71% dos 
casos, principalmente sob a forma de microangio-
patia trombótica. A microangiopatia renal origina 
frequentemente a insuficiência renal rapidamente 
progressiva, necessitando de suporte dialítico 
de urgência, casos em que a hipertensão arterial 
maligna é frequente. Em seguida, estão os pulmões 
(64%), sendo a Síndrome do Desconforto Respirató-
rio Agudo (SARA) a principal manifestação; porém, 
ainda podem ocorrer embolia pulmonar, hipertensão 
de artéria pulmonar, com o desenvolvimento de cor 
pulmonale agudo, e insuficiência ventricular direita 
grave. O 3° órgão mais afetado é o cérebro (62%), 
principalmente na forma de tromboses que levam 
a múltiplos infartos, podendo promover quadros de 
coma e convulsões.
O diagnóstico diferencial entre púrpura tromboci-
topênica trombótica, síndrome hemolítico-urêmica 
ou coagulação intravascular disseminada pode ser 
desafiador.
O tratamento é agressivo, combinado de anticoa-
gulação, corticosteroides e plasmaférese ou imu-
noglobulina intravenosa/ciclofosfamida.
 DIA A DIA MÉDICO
Diante de uma possibilidade diagnóstica de SAF catastró-
fica, o tratamento é instituído prontamente pela gravidade 
do quadro. Note que o diagnóstico definitivo será feito a 
posteriori.
6. DIAGNÓSTICO
Os critérios classificatórios de Sydney (2006) são 
os mais utilizados na prática clínica para auxiliar no 
diagnóstico e deve-se preencher 1 critério clínico 
e 1 critério laboratorial. Vale ressaltar que, por se 
tratar de critérios classificatórios, estes são utili-
zados para fins de pesquisa e, em pacientes com 
manifestações não contempladas pelos critérios, 
o diagnóstico deve ser individualizado.
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
8
Tabela 1. Critérios laboratoriais.
Anticardiolipina presente IgM ou IgG em títulos 
moderados a altos (> 40 GPL ou MPL)
Anticoagulante lúpico
Anti-β2 glicoproteína IgM ou IGG em títulos 
moderados a altos (> percentil 99)
Devem estar presentes em duas ou mais ocasiões 
com intervalo de, no mínimo, doze semanas.
Fonte: Adaptada de Carvalho et al.²
Tabela 2. Critérios clínicos.
Trombose vascular Morbidade Gestacional
1 ou mais episódios 
de trombose arte-
rial, venosa ou de 
pequenos vasos em 
qualquer órgão ou te-
cido, confirmados por 
achados inequívocos 
de imagem ou de exa-
me histopatológico. A 
histopatologia deve 
excluir vasculite.
3 ou mais abortamentos espon-
tâneos antes de 10 semanas de 
idade gestacional. Excluir se: cau-
sas maternas cromossômicas, 
anatômicas ou hormonais.
1 ou mais nascimentos prematuros 
de feto morfologicamente normal 
com 34 semanas ou menos em vir-
tude de eclâmpsia ou pré-eclâmp-
sia grave ou sinais reconhecidos 
de insuficiência placentária.
Uma ou mais mortes de feto mor-
fologicamente normal com mais 
de 10 semanas de idade gestacio-
nal, com morfologia fetal normal 
detectada por ultrassonografia ou 
exame direto do feto.
Fonte: Adaptada de Carvalho et al.²
 DIA A DIA MÉDICO
Na suspeita de trombofilia, não se esqueça de solici-
tar pesquisa para outras trombofilias, como proteína C, 
proteína S, fator V Leiden e deficiência de antitrombina.
7. OS ANTIFOSFOLÍPIDES
A técnica utilizada para realização da anticardiolipina 
e do anti-2 glicoproteína é o ELISA. Já para o anticoa-
gulante lúpico é feito um teste funcional em 3 etapas:
 u Triagem: demonstra o prolongamento de um tes-
te de coagulação dependente de fosfolípide, ou 
seja, a presença de um inibidor ou a deficiência 
de fatores de coagulação. Pode ser feito com 
TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativa-
do), Tempo de Coagulação com Kaolin (KCT) e 
com Veneno de Víbora Russel (dRVVT).
 u Presença do inibidor: adiciona-se plasma normal 
ao teste. Se houver correção, então existia defi-
ciência de fatores de coagulação; se não corrigir, 
presume-se a presença de um inibidor.
 u Dependência de fosfolípides: adicionam-se fosfo-
lípides, que servem de substrato para o inibidor, 
com consequente ligação e correção do teste.
Síndrome antifosfolípide 
9
Tempo de coagulação normal
1ª etapa: ensaio funcional da coagulação
Tempo de coagulação 
prolongado
2ª etapa: mistura a 1:1 
(mistura a 1:1 do plasma do paciente e de um controle)
Corrige o tempo de coagulação Não corrige o 
tempo de coagulação
InibidorDeficiência de fator
3ª etapa: acréscimo de fosfolipídeos em excesso
Corrige o tempo de coagulação Não corrige o tempo de coagulação
Positivo para ACL ACL não confirmado
Mapa mental. A três etapas dos testes para anticoagulante lúpico (ACL)
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
10
O anticardiolipina é o mais sensível para SAF, porém 
perde em especificidade. A presença do anticardio-
lipina pode gerar falsa positividade do VDRL, pois oantígeno utilizado no exame que pesquisa o VDRL é 
o complexo cardiolipina-colesterol fosfatidilcolina. 
O anti-β2 glicoproteína e o anticoagulante lúpico 
são mais específicos para SAF, mas o mais trombó-
tico é o anticoagulante lúpico. A tripla positividade 
(presença de todos os antifosfolípides) aumenta 
significativamente o risco de trombose.
 DIA A DIA MÉDICO
Apesar de constar nos critérios classificatórios, a dosagem 
do anticorpo anti-β2 glicoproteína não está disponível 
numa grande parte dos serviços de saúde. Outro ponto 
importante é a confiabilidade e a necessidade de uma 
técnica adequada para realização do anticoagulante 
lúpico. Lembre-se de que todo autoanticorpo pode gerar 
falso positivo por situações diversas, como técnica inade-
quada, infecções, uso de medicações e neoplasias. Outro 
motivo de falsa positividade do anticoagulante lúpico é o 
uso de varfarina ou dos novos anticoagulantes orais. O 
mesmo também pode ser falso negativo na vigência do 
evento trombótico, por isso a necessidade de novo teste 
após 12 semanas.
A pesquisa de anticorpos contra outros fosfolípides e que 
não fazem parte dos critérios classificatórios, tais como 
fosfatidilserina e fosfatidiletanolamina, assim como con-
tra complexos de proteína fosfolípide, como o complexo 
fosfatidilserina, e o domínio 1 da beta2-GPI, tem sido 
realizada por alguns laboratórios. No entanto, o papel 
de cada um desses autoanticorpos na fisiopatogenia e 
associações clínicas, permanece alvo de estudos.
Síndrome antifosfolípide 
11
Anticardiolipina Anti-b2-glicoproteína I Anticoagulante lúpico
Mais sensível e 
menos específico
Método: ELISA Método: ELISA
Método: ensaios 
funcionais da coagulação 
(3 etapas)
Reconhece epítopos da 
cardiolipina (fosfolipídeo 
da membrana interna 
das mitocôndrias)
Reconhece epítopos 
da própria glicoproteína 
ou do complexo 
glicoproteína/cardiolipina
Reflete existência de AC 
que prolongam os ensaios 
de coagulação dependentes 
de fosfolipídeos in vitro
Reatividade cruzada com 
testes para sífilis (“positivo 
falso biológico” para sífilis)
Mais específico que 
o anticardiolipina
Maior associação 
com a presença de 
fenômenos trombóticos
Mapa mental. Anticorpos antifosfolípides
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
12
8. TRATAMENTO
O tratamento envolve medidas não específicas e 
que diminuem o risco trombótico, como cessar 
tabagismo, uso de contraceptivos combinados, 
perda de peso, controle de dislipidemia, diabetes 
e hipertensão.
Pacientes em uso de cumarínicos devem ter orien-
tação nutricional, para interferência da dieta nos 
níveis de INR. Nesse sentido, também devem ser 
orientados quanto às medicações que podem inter-
ferir no ajuste do INR.
Para o tratamento específico da SAF, o arsenal 
medicamentoso envolve: Ácido Acetilsalicílico (AAS), 
clopidogrel, varfarina, Heparina Não Fracionada 
(HNF), Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) 
e hidroxicloroquina. A escolha terapêutica depen-
derá do tipo de evento trombótico e, no caso de 
morbidade gestacional, início de profilaxia de novos 
eventos. Pacientes com baixo peso ou acima de 
120 kg, em uso de HBPM, devem ter seus níveis 
de anti-Xa monitorizados. Vale lembrar que, nos 
casos trombóticos, a anticoagulação ou o uso de 
antiagregantes é feito por tempo indefinido.
A hidroxicloroquina tem papel na SAF secundária 
associada à LES e, na primária, em caso de múltiplos 
eventos, mesmo com INR no alvo e comorbidades 
associadas (obesidade, hipertensão e dislipidemia).
O uso, a segurança e a eficácia dos novos anticoa-
gulantes na SAF não estão bem estabelecidos até 
o momento. Os dados sobre a rivaroxabana são 
limitados e contraditórios.
Tabela 3. Profilaxia e tratamento na SAF.
Profilaxia gestacional Trombose aguda Infarto Agudo 
do Miocárdio
Acidente Vascular 
Cerebral Isquêmico
• SAF gestacional: HBPM 1 
mg/kg/dia + AAS 100 mg/
dia
• SAF gestacional fora da 
gestação: AAS 100 mg/dia
• SAF gestacional com evento 
trombótico prévio: HBPM 1 
mg/kg 2x ao dia + AAS 100 
mg/dia
• Venosa: Anticoagulação 
com HBPM ou HNF ou var-
farina (INR entre 2 – 3)
• Arterial: Anticoagulação 
com HBPM ou HNF ou var-
farina (INR entre 2,5 – 3,5)
• Varfarina (INR 2.0-3.0 com 
AAS), (INR 2.5-3.5)
• Se Stent ou intervenção per-
cutânea coronárias: Varfa-
rina (INR 2.0-3.0) + clopi-
dogrel 75 mg/d + AAS 100 
mg/d
• Cardioembólico: anticoagu-
lação com HBPM ou HNF ou 
varfarina (INR entre 2 – 3)
• Se antifosfolípides positi-
vos: AAS 100 mg/dia
• Aterosclerótico: AAS 300 
mg/dia.
• Alto Risco/retrombose: Var-
farina (INR 2.0 – 3.0)
• Retrombose: Associar AAS 
100 mg ou (INR 2.5-3.5)
Fonte: Elaborada pela autora.
 DIA A DIA MÉDICO
O diagnóstico de SAF trombótica se associa a toda uma 
cadeia de eventos relacionados ao tratamento e acom-
panhamento; afinal de contas, pense que são indivíduos 
jovens que necessitarão fazer uso de anticoagulação a 
vida toda. Também, a maioria desses indivíduos fará uso 
de varfarina, pela disponibilidade e baixo custo, uma droga 
que requer controle laboratorial regular, possui interações 
alimentares e com outras medicações, e pode causar 
eventos adversos hemorrágicos.
Síndrome antifosfolípide 
13
Mapa mental. Síndrome antifosfolípide
Trombose arterial 
e/ou venosa
Coreia
SAF 
trombótica
SAF 
gestacional
Secundária 
ao LES
Livedo 
reticular
Anemia 
hemolítica
Microangiopatia 
trombótica renal
Valvopatia
Morbidade 
gestacional
Mielite
Necrose 
avascular
Endocardite de 
Libman-Sacks
Plaquetopenia
Úlceras 
crônicas
Tratamento
Manifestações 
critério
Manifestações 
não critério
SÍNDROME 
ANTIFOSFOLÍPIDE
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
14
REFERÊNCIAS
1. Strakhan M, Hurtado-Sbordoni M, Galeas N, Bakirhan K, 
Alexis K, Elrafei T. 36-Year-Old Female with Catastrophic 
Antiphospholipid Syn-drome Treated with Eculizumab: A 
Case Report and Review of Literature. Case Rep Hematol. 
2014; 2014: 704371.
2. Carvalho MAP, Bértolo MB, Lanna CCD, Ferreira GA. 
Reumatologia Diagnóstico E Tratamento. 5. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan; 2019.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Cavestro C, Richetta L, Pedemonte E, Asteggiano G. Sneddon’s 
syndrome presenting with severe disabling bilateral headache. 
J Headache Pain. 2009; 10(3): 211-3.
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Marques Neto JF, Vasconcelos JTS, Shinjo SK, Radominski 
SC. Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. 2 ed. São 
Paulo: Manole; 2021.
Síndrome antifosfolípide 
15
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1
(HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS – 2021) Paciente sexo feminino, 
32 anos, com antecedente de 3 abortos espontâ-
neos, deu entrada no pronto-socorro com quadro 
de edema e vermelhidão no membro inferior direi-
to, tendo sido realizado USG doppler do membro, 
constatando-se a presença de trombose venosa pro-
funda. A alteração mais provável de ser encontrada 
nessa paciente, dentre as abaixo, é a presença do: 
	⮦ Fator reumatoide. 
	⮧ Anticorpo antimitocôndria. 
	⮨ Anticorpo antiendomísio. 
	⮩ Anticorpo anti-beta2 glicoproteína 1. 
	⮪ Anticorpo anti-LKM1. 
Questão 2
(HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES – UFRN – 2019) O 
diagnóstico da Síndrome Antifosfolipídeo (SAAF) é, 
antes de tudo, clínico, de modo que a paciente deve 
ter uma ou mais das características trombóticas ou 
obstétricas dessa condição. Os testes laboratoriais 
para anticorpos antifosfolipídeos são usados para 
confirmar ou refutar o diagnóstico. O médico pode 
confirmar o diagnóstico de SAAF em paciente: 
	⮦ Secundigesta com 8 semanas, 1 aborto espon-
tâneo prévio no primeiro trimestre e dois exames 
positivos para anticorpos anticoagulante lúpico. 
	⮧ Primigesta, 13 semanas, sem comorbidades e 
com anticorpo anticoagulantelúpico positivo 
em um único exame. 
	⮨ Gestante com 16 semanas, 3 abortos espontâ-
neos prévios no primeiro trimestre e dois exa-
mes positivos para anticorpos anticardiolipina. 
	⮩ Secundigesta, com parto pré-termo por pré-e-
clâmpsia grave na gestação anterior e com an-
ticorpo anticoagulante lúpico positivo em um 
único exame. 
Questão 3
(SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2019) Pa-
cientes com síndrome antifosfolípide e, pelo me-
nos, um episódio de trombose venosa profunda, na 
presença de anticorpos antifosfolípides positivos 
em duas ocasiões, devem ser anticoagulados para 
manter a INR (razão normalizada internacional) entre: 
	⮦ 1,0 e 2,0. 
	⮧ 1,5 e 2,5. 
	⮨ 2,0 e 3,0. 
	⮩ 3,0 e 4,0. 
Questão 4
(SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – DISTRITO FEDERAL – 2019) 
Uma paciente branca, primigesta, de 37 anos de 
idade, procura atendimento ambulatorial em sua 
primeira consulta pré-natal com 10 semanas de 
gestação. Essa paciente não tem doenças pre-
gressas conhecidas, mas esteve em repouso nas 
últimas duas semanas em razão de importante 
hiperêmese gravídica (com vômitos e náuseas fre-
quentes) e pequeno descolamento placentário. A 
única medicação que a paciente esteve tomando 
nos últimos anos é um contraceptivo oral combi-
nado antes da concepção. Na consulta, apresenta 
queixa de au-mento progressivo de panturrilha es-
querda com edema, rubor e dor, notado há alguns 
dias, sendo detectado, ao exame físico: frequência 
cardíaca de 84 bpm, frequência respiratória de 18 
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
16
irpm, saturação de oxigênio de 98% e acréscimo de 
5 cm da circunferência da panturrilha esquerda em 
relação à panturrilha direita. Atualmente, ela nega 
falta de ar, tosse ou dor no peito e apresenta índice 
de massa corpórea de 31 kg/m2, mas se apresenta 
ligeiramente desidratada. Ela nega etilismo, tabagis-
mo e não tem alergia conhecida a medicamentos. 
A paciente também relata que sua irmã teve uma 
embolia pulmonar no ano passado. Considerando 
o caso clínico apresentado e os conhecimentos 
médicos a ele relacionados, julgue o item a seguir. 
Para essa paciente, deve-se avaliar possíveis causas 
de tromboembolismo, como síndrome de anticorpos 
antifosfolípides. 
	⮦ CERTO. 
	⮧ ERRADO. 
Questão 5
(HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO – 2020) Mulher 
de 32 anos é transferida para investigação diagnós-
tica de trombofilia adquirida. Nos últimos meses, 
apresentou diversos episódios tromboembólicos 
arteriais e venosos. É tabagista (10 maços-ano) e 
faz uso de contraceptivo conjugado via oral há cin-
co anos. A anamnese, o exame físico e os exames 
complementares indicam síndrome de anticorpo 
antifosfolipídio (SAF) primária. Esse fato foi refor-
çado pela exclusão de eventos arteriais devidos a 
embolias paradoxais, uma vez que o ecocardiogra-
ma com microbolhas afastou a existência de fora-
me oval patente ou outros shunts intracardíacos. 
O conjunto de dados relatados no prontuário da 
paciente, para a construção da hipótese diagnós-
tica de SAF, é:
	⮦ História de hanseníase na adolescência, ausculta 
de plop mitral e tempo de coagulação extrema-
mente reduzido.
	⮧ Passado de episódios recorrentes de injúria renal 
aguda, detecção de placas de Hollenhorst na fun-
doscopia e deficiência sérica de inibidor de C1.
	⮨ História de morte fetal espontânea no quarto 
mês de gestação prévia, presença de livedo re-
ticularis e tempo de tromboplastina parcial ati-
vado prolongado.
	⮩ Passado de fenômenos autoimunes (especial-
mente síndrome pulmão-rim), palpação de frê-
mito na região cervical e INR corrigido no teste 
da mistura.
Questão 6
(SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – DF – 2020) Consideran-
do os estudos acerca da síndrome antifosfolipídio 
(SAF), julgue o item a seguir. É uma causa de abor-
tamento habitual e pode apresentar anticorpo lúpus 
anticoagulante circulante.
	⮦ CERTO.
	⮧ ERRADO.
Questão 7
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2020) Mulher, 
30 anos de idade, com síndrome do anticorpo anti-
fosfolípide (G1 P1 A0, um óbito fetal com 32 sema-
nas, trombose venosa profunda de membro inferior 
direito e anticoagulante lúpico por duas vezes com 
intervalo de 12 semanas). Refere que nos últimos 6 
meses tem apresentado episódios de pressão ar-
terial elevada. Faz uso de varfarina há 5 anos sem 
controle regular do RNI. Ao exame físico apresenta 
PA= 180x100 mmHg, sem outras alterações. Exames 
laboratoriais: creatinina = 1,2 mg/dL (VR = 0,5 -1,3); 
Urina 1 = proteínas +/4+, leucócitos 8000/campo, 
eritrócitos 65.000/campo; e proteinúria = 0,9 g/24h. 
Assinale a alternativo correta:
	⮦ A biópsia renal é útil para o diagnóstico de ne-
fropatia da síndrome antifosfolípide e a histolo-
gia mostra microangiopatia trombótica na fase 
crônica da doença.
	⮧ O diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico 
com nefrite lúpica e síndrome antifosfolípide 
secundária se impõe, pois 20 a 40% dos pacien-
tes com síndrome antifosfolípide desenvolvem 
lúpus sistêmico.
	⮨ Paciente com síndrome antifosfolípide não evo-
luem com nefropatia secundária à doença.
	⮩ A nefropatia da síndrome antifosfolípide pode se 
manifestar com hipertensão arterial e hematúria; 
Síndrome antifosfolípide 
17
na biópsia renal há hiperplasia fibrosa da íntima e 
focos de atrofia tubular com pseudotiroidização.
	⮪ Trata-se de nefropatia hipertensiva sem asso-
ciação com a síndrome antifosfolípide; a biópsia 
renal é proscrita, pois a paciente usa anticoagu-
lante oral.
Questão 8
(HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE DUTRA – 2020) A sín-
drome de anticorpo antifoslípide (SAAF), é uma 
doença autoimune caracterizada por uma série 
de manifestações clínicas, na maioria das vezes 
relacionadas direta ou indiretamente ao estado de 
hipercoagulabilidade. Em relação a SAAF, assinale 
a alternativa INCORRETA:
	⮦ A trombose de veia hepática está entre as ma-
nifestações clínicas.
	⮧ Dentre os critérios obstétricos da doença: a pre-
sença de 3 ou mais abortos espontâneos antes 
de 10 semanas de gestação.
	⮨ A dosagem de anti-beta-2-glicoproteína não faz 
parte dos critérios diagnósticos.
	⮩ Está relacionada à insuficiência placentária.
Síndrome antifosfolípide Reumatologia
18
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 1 dificuldade:    
 Y Dica do professor: Paciente com fenômeno trom-
bótico associado ao abortamento habitual, lembre-
-se de SAF (Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide). 
Alternativa A: INCORRETA. O fator reumatoide até 
pode vir positivo em SAF, por ser uma condição 
autoimune, mas está mais associado à presença 
de Vasculite crioglobulinêmica, Sjögren e artrite 
reumatoide. 
Alternativa B: INCORRETA. O antimitocôndria está 
associado à cirrose biliar primária. 
Alternativa C: INCORRETA. O antiendomísio é um au-
toanticorpo da doença celíaca. 
Alternativa D: CORRETA. Os antifosfolípides são: anti-
coagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta 2-gli-
coproteína. 
Alternativa E: INCORRETA. O anti-LKM1 está associa-
do à hepatite autoimune. 
 ✔ resposta: ⮩
Questão 2 dificuldade: 
 Y Dica do professor: Questão sobre abortamento 
habitual, definido como 3 perdas CONSECUTIVAS. 
Só com isso já chegaríamos à resposta, mas vamos 
aproveitar: dosamos 3 marcadores – anticoagulante 
lúpico, anticorpo anticardiolipina e beta2-glicopro-
teína. Resultados positivos em 2 amostragens se-
paradas com intervalo de pelo menos 12 semanas 
fecham o diagnóstico de SAAF. 
 ✔ resposta: ⮨
Questão 3 dificuldade: 
 Y Dica do professor: Em pacientes com antecedente 
de trombose venosa e com presença de anticorpos 
antifosfolípides em níveis médios a altos e/ou LA, o 
uso de anticoagulação com meta de INR entre 2,0 
e 3,0 reduz o risco de recorrência das tromboses. 
 ✔ resposta: ⮨
Questão 4 dificuldade: 
 Y Dica do professor: A síndrome do anticorpo anti-
fosfolípide, isolada ou associada a Lúpus eritema-
toso sistêmico, eleva grandemente o risco de trom-
bose na gestação, sendo indicada anticoagulação 
profilática durante a gestação e puerpério quando 
diagnosticada. 
 ✔ resposta: ⮦
Questão 5 dificuldade:  
 Y Dica do professor: Síndrome do anticorpo antifos-
folípide é uma doença autoimune na qual os pacien-
tes têm autoanticorpos contra as proteínas ligadas 
aos fosfolipídios, de origem ainda indeterminada, 
mas que conta com alta carga genética envolvida, 
possuindo risco de hereditariedade aumentado. 
Nela podem ocorrer trombos venosos ou arteriais 
nos mais diversos sítios sanguíneos. O diagnóstico 
é feito por meio de exames de sangue, com a evolu-
ção dos testes e o aumento da disponibilidade dos 
métodos de ELISA, foram descritos os anticorpos 
anticardiolipina (aCL) e o anti-beta-2-glicoproteína 
I (aB2GPI), que também fazem parte dos critérios 
classificatórios atuais. As manifestações clínicas 
mais características da SAF são as tromboses e 
as perdas gestacionais. As tromboses podem aco-
meter qualquer leito vascular sendo as tromboses 
venosas as manifestações mais frequentes, acome-
tendo predominantemente os membros inferiores 
Síndrome antifosfolípide 
19
e as arteriais mais prevalentes são os acidentes 
vasculares encefálicos isquêmicos (AVEi). As per-
das gestacionais ocorrem, caracteristicamente, no 
final da gestação; no entanto, podemos encontrar 
as mais diversas formas de morbidade gestacional, 
como perdas precoces recorrentes, pré-eclâmpsia, 
eclâmpsia e síndrome HELLP. Outras manifestações 
clínicas relativamente comuns, que não fazem par-
tes dos critérios classificatórios são: livedo/vascu-
lopatia livedoide, plaquetopenia (geralmente entre 
50-150 mil/mm3), anemia hemolítica, enxaqueca, 
Fenômeno de Raynaud, valvopatia (mitral > aórti-
ca), nefropatia (microangiopatia trombótica), co-
reia, entre outros. Lembrando que a anticoagulação 
costuma ser usada para prevenção e tratamento.
 ✔ resposta: ⮨
Questão 6 dificuldade: 
 Y Dica do professor: A Síndrome Antifosfolípide (SAF) 
é desordem sistêmica, autoimune, caracterizada por 
trombose arterial e/ou venosa, morte fetal e abor-
tos espontâneos recorrentes, e trombocitopenia, 
acompanhada de títulos elevados de anticorpos 
antifosfolípides (AAF): anticoagulante lúpico e/ou 
anticardiolipina.
 ✔ resposta: ⮦
Questão 7 dificuldade:   
 Y Dica do professor: A SAAF tende a acometer os 
rins através de uma obstrução vascular não infla-
matória, que pode lesar desde as artérias renais 
até os finos capilares glomerulares. Ocorre aqui a 
formação de trombos intraluminais, o que leva o 
endotélio a secretar um material mucoide e hialino 
no lúmen vascular.
Alternativa A: INCORRETA. Na fase crônica da doen-
ça, devido ao distúrbio de vascularização renal, há 
necrose e perda de néfrons, com sobrecarga dos 
remanescentes. Nessa fase sobressaem os acha-
dos de uma glomeruloesclerose focal e segmentar.
Alternativa B: INCORRETA. Apesar de muitas vezes 
termos as 2 condições associadas, não temos no 
caso outras manifestações que nos façam pensar 
em o Lúpus. A princípio estamos diante de uma 
SAAF primária.
Alternativa C: INCORRETA. Como já discutido, temos 
sim doença renal associada à SAAF.
Alternativa D: CORRETA. Histologicamente o vaso 
obstruído com o material mucoide gera um aspecto 
histológico que assemelha-se ao tecido tireoidiano, 
gerando o que os patologistas chamam de "pseu-
dotireoidização".
Alternativa E: INCORRETA. A nefropatia hipertensiva 
demora anos para aparecer, e o quadro de hiperten-
são é recente. Temos aqui provavelmente uma hiper-
tensão secundária a uma doença parenquimatosa 
renal, já que os achados sugestivos de glomerulo-
patia e a hipertensão apareceram ao mesmo tempo.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 8 dificuldade:  
 Y Dica do professor: A Síndrome Antifosfolípide (SAF) 
é uma trombofilia adquirida de origem autoimune, 
responsável por eventos arteriais, venosos e obs-
tétricos. 
Alternativa A: CORRETA. A trombose venosa profunda 
é a manifestação mais comum da SAF, mas podem 
ocorrer outros fenômenos trombóticos, incluído 
neles a trombose de veia hepática. 
Alternativa B: CORRETA. Os critérios de morbidade ges-
tacional são: 3 ou mais abortamentos espontâneos 
antes de 10 semanas de IG; 1 ou mais nascimento 
prematuro de feto morfologicamente normal com 
34 semanas ou menos em virtude de DHEG ou si-
nais de insuficiência placentária; 1 ou mais mortes 
de feto morfologicamente normal com mais de 10 
semanas de IG. 
Alternativa C: INCORRETA. São critérios laboratoriais 
de SAF: anticardiolipina IgM ou IgG em títulos mode-
rados a altos, anticoagulante lúpico e anti-b2glico-
proteína IgM ou IgG em títulos moderados a altos. 
Tais critérios devem estar presentes em 2 ou mais 
ocasiões com intervalo de, no mínimo, 12 semanas. 
Alternativa D: CORRETA. Os eventos gestacionais 
ocorridos na SAF são consequência do seu alvo 
principal, a placenta, gerando assim óbitos de final 
de gestação, RCIU, DHEG e prematuridade, refletindo 
a insuficiência placentária ocorrida nessa doença.
 ✔ resposta: ⮨
Fixe seus conhecimentos!
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FIXE SEU CONHECIMENTO COM FLUXOGRAMAS
Use esse espaço para construir fluxogramas e fixar seu conhecimento!
FIXE SEU CONHECIMENTO COM MAPAS MENTAIS
Use esse espaço para construir mapas mentais e fixar seu conhecimento!
	Síndrome antifosfolípide
	Introdução 
	Epidemiologia 
	Fisiopatologia 
	Manifestações Clínicas 
	Manifestações Critério 
	Mapa mental. Introdução à Síndrome Antifosfolípide (SAF)
	Manifestações Não Critério 
	SAF Catastrófica 
	Diagnóstico 
	Os antifosfolípides 
	Mapa mental. A três etapas dos testes para Anticoagulante Lúpico (ACL)
	Mapa mental. Anticorpos antifosfolípides
	Tratamento 
	Mapa mental. Síndrome Antifosfolípide
	Referências 
	Bibliografia consultada 
	Questões comentadas

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