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11 Aline Kühl Torricelli CLÍNICA MÉDICA V SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE 2 SUMÁRIO SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 4. Manifestações Clínicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 4.1. Manifestações Critério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 Mapa mental . Introdução à síndrome antifosfolípide (SAF) . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 4.2. Manifestações Não Critério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 5. SAF Catastrófica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 6. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 7. Os antifosfolípides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 Mapa mental . A três etapas dos testes para anticoagulante lúpico (ACL) . . . . 9 Mapa mental . Anticorpos antifosfolípides . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 8. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Mapa mental . Síndrome antifosfolípide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15 3 SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE O QUE VOCÊ PRECISA SABER? u A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é a trombofilia adquirida mais comum e acomete principalmente adultos jovens, com predileção pelo sexo feminino. u Caracteriza-se clinicamente por morbidade gestacional e tromboses arteriais e/ou venosas. u Os anticorpos antifosfolípides, são: anticardiolipina, anticoagulante lúpico, anti-β2 glicoproteína. u O anticardiolipina é o mais sensível para SAF e pode gerar falsa positividade do VDRL. O anti-β2 glicoproteína e o anticoagulante lúpico são mais específicos para SAF, e o mais trombótico é o anticoagulante lúpico. u Para classificar um paciente como portador de SAF, deve-se preencher um critério clínico e um critério laboratorial (antifosfolípides positivos em pelo menos 2 ocasiões com intervalo de pelo menos 12 semanas). 1. INTRODUÇÃO BASES DA MEDICINA O que é fosfolípide? A membrana plasmática de todas as células é composta por fosfolípides. Na SAF, o alvo são os fosfolípides expres- sados nas plaquetas, células endoteliais e trofoblásticas (placenta). A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombo- filia adquirida de etiologia autoimune associada à presença de anticorpos antifosfolípides persisten- tes, responsável por eventos arteriais, venosos e obstétricos. Os anticorpos antifosfolípides partici- pam da patogênese da doença e são úteis para o diagnóstico. Quando a SAF ocorre de maneira isolada, recebe a nomenclatura de SAF primária e, se associada à outra doença autoimune, nomeia-se SAF secundária, cuja principal associação é com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Outros termos usados referem-se ao quadro clínico: SAF trombótica para aquele indi- víduo que apresenta fenômeno trombótico; SAF gestacional para morbidade na gestação; e SAF catastrófica para múltiplas tromboses. DIA A DIA MÉDICO Pacientes com SAF geralmente são vistos nos estágios de obstetrícia, hematologia ou reumatologia. Mas, pela diversidade de sítios trombóticos, outras especialidades podem se deparar com essa condição (ex.: AVC e neuro- logia ou IAM e cardiologia). 2. EPIDEMIOLOGIA É a trombofilia adquirida mais comum e acomete principalmente adultos jovens, com predileção pelo sexo feminino. Responsável por aproximadamente 10% das tromboses venosas profundas, 15% das perdas fetais recorrentes e 13% dos casos de aci- dente vascular cerebral isquêmico. importância/prevalência Síndrome antifosfolípide Reumatologia 4 A distribuição entre SAF primária e secundária é praticamente meio a meio, sendo 36% secundária ao LES. A SAF catastrófica é rara. DIA A DIA MÉDICO Na rotina médica, é importante suspeitar de SAF em indivíduos jovens que apresentam quadros trombóticos sem possuir fatores de risco para trombose. 3. FISIOPATOLOGIA BASES DA MEDICINA Existem evidências de que os anticorpos antifosfolípides são patogênicos, e não simplesmente marcadores soro- lógicos para a SAF. No entanto, a presença persistente dos anticorpos na circulação não é suficiente para a formação de coágulos in vivo. Portanto, o mais aceito é a “hipótese de dois eventos”, a qual sustenta que os anticorpos antifosfolípides (primeiro evento) exercem sua ação pró-trombótica na presença de outra condição trombofílica (segundo evento). Na fisiopatologia da SAF, temos um ambiente pró- -trombótico: por um lado, o aumento de fatores pró-coagulantes, como agregação plaquetária, tromboxano A2, ativação endotelial, fator tecidual, estresse oxidativo e moléculas de adesão, e, por outro, a redução da fibrinólise e dos anticoagulantes naturais (2 glicoproteína, proteína C, atividade anti- trombina). Esse ambiente pró-trombótico é gerado pela interação dos anticorpos antifosfolípides com células endoteliais, monócitos e plaquetas e com as proteínas relacionadas à regulação da coagulação. Portanto, a presença dos anticorpos antifosfolípides (aPL) é fundamental como um dos gatilhos para a doença (first hit), porém existe a necessidade de um segundo gatilho (second hit), que pode ser infeccioso, pós-cirúrgico, imobilização prolongada, estado inflamatório etc. A patogênese focada na SAF obstétrica não foi totalmente elucidada. Trombose intraplacentária, deficit na invasão trofoblástica e produção de gona- dotrofina coriônica humana são aspectos sugeridos. Figura 1. Patogênese da SAF. Fonte: Acervo Sanar. Síndrome antifosfolípide 5 DIA A DIA MÉDICO Um conceito importante na fisiopatogenia da SAF e que tem impacto do ponto de vista prático é a presença PER- SISTENTE dos anticorpos antifosfolípides. Por isso, para o diagnóstico no dia a dia de SAF, é importante comprovar a persistência da positividade deles, repetindo a dosa- gem dos autoanticorpos. Na presença de um novo teste positivo, isso assegura que a positividade é persistente, e não transitória. 4. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS BASES DA MEDICINA Pela característica sistêmica autoimune da SAF, o quadro clínico é diverso e qualquer órgão pode ser afetado. Os fenômenos englobados nos critérios classificatórios de Sydney são os mais característicos da doença: trombose e morbidade gestacional (manifestações critério). Mas não se esqueça de que a SAF é uma doença autoimune, e uma série de outras manifestações que não fazem parte dos critérios classificatórios podemestar presentes (manifestações não critério). 4 .1 . MANIFESTAÇÕES CRITÉRIO 4 .1 .1 . Trombose Arterial e/ou Venosa A trombose venosa profunda é a manifestação mais comum da SAF, mas podem ocorrer outros fenômenos trombóticos, como: acidente vascular cerebral, infarto pulmonar, infarto agudo do mio- cárdio, trombose de veia renal, trombose de veia hepática, trombose retiniana arterial ou venosa, oclusão arterial aguda, trombose de seio sagital. A Síndrome de Sneddon é a presença de AVC isquê- mico mais livedo reticular na presença de antifos- folípides. DICA O evento arterial mais comum é o AVC e o venoso é a TVP. 4 .1 .2 . Morbidade Gestacional Os eventos gestacionais ocorridos na SAF são con- sequência do seu alvo principal, que é a placenta, e, por esse motivo, óbitos de final de gestação, restrição de crescimento uterino, eclâmpsia ou pré-eclâmpsia e prematuridade são eventos que, mesmo únicos, são mais específicos para SAF do que abortamentos com menos de 10 semanas. Devemos ser muito cuidadosos ao atribuir uma perda gestacional isolada de 1° trimestre à SAF, uma vez que trissomias, alterações uterinas e fatores endócrinos são de longe causas mais comuns. Por- tanto, pensar em SAF na presença de abortamento habitual (3 episódios ou mais). Síndrome antifosfolípide Reumatologia 6 Síndrome Antifosfolípide (SAF) Trombose venosa e arterial recorrente Morbidade gestacional Presença de Anticorpos Antifosfolípides (AAFs) Primária Secundária Uma das trombofilias adquiridas mais frequentes Predomínio em adultos jovens e de meia-idade Predomínio no sexo feminino Classificação Diátese trombótica autoimune Epidemiologia AAF incluídos nos critérios de classificação Ausência de outras doenças autoimunes Presença de LES ou outra doença autoimune Anticardiolipina (aCL) Antibeta2- glicoproteína I (antibeta2-GPI) Anticoagulante Lúpico (LA) Mapa mental. Introdução à síndrome antifosfolípide (SAF) Síndrome antifosfolípide 7 4 .2 . MANIFESTAÇÕES NÃO CRITÉRIO Algumas manifestações não são relacionadas direta- mente com trombose, mas estão associadas à SAF e não fazem parte dos Critérios Classificatórios de Sydney. São elas: livedo reticular, necrose avascular, coreia, mielite transversa, úlceras crônicas, valvopa- tia e endocardite de Libman-Sacks, microangiopatia trombótica renal, plaquetopenia, anemia hemolítica mediada por autoanticorpos ou microangiopática e convulsões. Figura 2. Biópsia renal mostrando microangiopatia trombótica. Fonte: Strakhan et al.¹ 5. SAF CATASTRÓFICA BASES DA MEDICINA A fisiopatologia da síndrome antifosfolípide catastrófica difere da SAF clássica, uma vez que múltiplas tromboses levam à isquemia tecidual com necrose e consequente liberação de citocinas, ocasionando um quadro de Sín- drome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS). Por- tanto, o pilar terapêutico na SAF catastrófica, além da anticoagulação, será a imunossupressão. Síndrome rara (1% dos casos de SAF) e extrema- mente grave, com evolução a óbito em 50% dos casos. Compreende progressão rápida de falência orgânica decorrente de múltiplas tromboses, em geral mais que 3, em sítios diferentes e com aco- metimento da microcirculação. O rim é o órgão mais afetado, envolvido em 71% dos casos, principalmente sob a forma de microangio- patia trombótica. A microangiopatia renal origina frequentemente a insuficiência renal rapidamente progressiva, necessitando de suporte dialítico de urgência, casos em que a hipertensão arterial maligna é frequente. Em seguida, estão os pulmões (64%), sendo a Síndrome do Desconforto Respirató- rio Agudo (SARA) a principal manifestação; porém, ainda podem ocorrer embolia pulmonar, hipertensão de artéria pulmonar, com o desenvolvimento de cor pulmonale agudo, e insuficiência ventricular direita grave. O 3° órgão mais afetado é o cérebro (62%), principalmente na forma de tromboses que levam a múltiplos infartos, podendo promover quadros de coma e convulsões. O diagnóstico diferencial entre púrpura tromboci- topênica trombótica, síndrome hemolítico-urêmica ou coagulação intravascular disseminada pode ser desafiador. O tratamento é agressivo, combinado de anticoa- gulação, corticosteroides e plasmaférese ou imu- noglobulina intravenosa/ciclofosfamida. DIA A DIA MÉDICO Diante de uma possibilidade diagnóstica de SAF catastró- fica, o tratamento é instituído prontamente pela gravidade do quadro. Note que o diagnóstico definitivo será feito a posteriori. 6. DIAGNÓSTICO Os critérios classificatórios de Sydney (2006) são os mais utilizados na prática clínica para auxiliar no diagnóstico e deve-se preencher 1 critério clínico e 1 critério laboratorial. Vale ressaltar que, por se tratar de critérios classificatórios, estes são utili- zados para fins de pesquisa e, em pacientes com manifestações não contempladas pelos critérios, o diagnóstico deve ser individualizado. Síndrome antifosfolípide Reumatologia 8 Tabela 1. Critérios laboratoriais. Anticardiolipina presente IgM ou IgG em títulos moderados a altos (> 40 GPL ou MPL) Anticoagulante lúpico Anti-β2 glicoproteína IgM ou IGG em títulos moderados a altos (> percentil 99) Devem estar presentes em duas ou mais ocasiões com intervalo de, no mínimo, doze semanas. Fonte: Adaptada de Carvalho et al.² Tabela 2. Critérios clínicos. Trombose vascular Morbidade Gestacional 1 ou mais episódios de trombose arte- rial, venosa ou de pequenos vasos em qualquer órgão ou te- cido, confirmados por achados inequívocos de imagem ou de exa- me histopatológico. A histopatologia deve excluir vasculite. 3 ou mais abortamentos espon- tâneos antes de 10 semanas de idade gestacional. Excluir se: cau- sas maternas cromossômicas, anatômicas ou hormonais. 1 ou mais nascimentos prematuros de feto morfologicamente normal com 34 semanas ou menos em vir- tude de eclâmpsia ou pré-eclâmp- sia grave ou sinais reconhecidos de insuficiência placentária. Uma ou mais mortes de feto mor- fologicamente normal com mais de 10 semanas de idade gestacio- nal, com morfologia fetal normal detectada por ultrassonografia ou exame direto do feto. Fonte: Adaptada de Carvalho et al.² DIA A DIA MÉDICO Na suspeita de trombofilia, não se esqueça de solici- tar pesquisa para outras trombofilias, como proteína C, proteína S, fator V Leiden e deficiência de antitrombina. 7. OS ANTIFOSFOLÍPIDES A técnica utilizada para realização da anticardiolipina e do anti-2 glicoproteína é o ELISA. Já para o anticoa- gulante lúpico é feito um teste funcional em 3 etapas: u Triagem: demonstra o prolongamento de um tes- te de coagulação dependente de fosfolípide, ou seja, a presença de um inibidor ou a deficiência de fatores de coagulação. Pode ser feito com TTPA (Tempo de Tromboplastina Parcial Ativa- do), Tempo de Coagulação com Kaolin (KCT) e com Veneno de Víbora Russel (dRVVT). u Presença do inibidor: adiciona-se plasma normal ao teste. Se houver correção, então existia defi- ciência de fatores de coagulação; se não corrigir, presume-se a presença de um inibidor. u Dependência de fosfolípides: adicionam-se fosfo- lípides, que servem de substrato para o inibidor, com consequente ligação e correção do teste. Síndrome antifosfolípide 9 Tempo de coagulação normal 1ª etapa: ensaio funcional da coagulação Tempo de coagulação prolongado 2ª etapa: mistura a 1:1 (mistura a 1:1 do plasma do paciente e de um controle) Corrige o tempo de coagulação Não corrige o tempo de coagulação InibidorDeficiência de fator 3ª etapa: acréscimo de fosfolipídeos em excesso Corrige o tempo de coagulação Não corrige o tempo de coagulação Positivo para ACL ACL não confirmado Mapa mental. A três etapas dos testes para anticoagulante lúpico (ACL) Síndrome antifosfolípide Reumatologia 10 O anticardiolipina é o mais sensível para SAF, porém perde em especificidade. A presença do anticardio- lipina pode gerar falsa positividade do VDRL, pois oantígeno utilizado no exame que pesquisa o VDRL é o complexo cardiolipina-colesterol fosfatidilcolina. O anti-β2 glicoproteína e o anticoagulante lúpico são mais específicos para SAF, mas o mais trombó- tico é o anticoagulante lúpico. A tripla positividade (presença de todos os antifosfolípides) aumenta significativamente o risco de trombose. DIA A DIA MÉDICO Apesar de constar nos critérios classificatórios, a dosagem do anticorpo anti-β2 glicoproteína não está disponível numa grande parte dos serviços de saúde. Outro ponto importante é a confiabilidade e a necessidade de uma técnica adequada para realização do anticoagulante lúpico. Lembre-se de que todo autoanticorpo pode gerar falso positivo por situações diversas, como técnica inade- quada, infecções, uso de medicações e neoplasias. Outro motivo de falsa positividade do anticoagulante lúpico é o uso de varfarina ou dos novos anticoagulantes orais. O mesmo também pode ser falso negativo na vigência do evento trombótico, por isso a necessidade de novo teste após 12 semanas. A pesquisa de anticorpos contra outros fosfolípides e que não fazem parte dos critérios classificatórios, tais como fosfatidilserina e fosfatidiletanolamina, assim como con- tra complexos de proteína fosfolípide, como o complexo fosfatidilserina, e o domínio 1 da beta2-GPI, tem sido realizada por alguns laboratórios. No entanto, o papel de cada um desses autoanticorpos na fisiopatogenia e associações clínicas, permanece alvo de estudos. Síndrome antifosfolípide 11 Anticardiolipina Anti-b2-glicoproteína I Anticoagulante lúpico Mais sensível e menos específico Método: ELISA Método: ELISA Método: ensaios funcionais da coagulação (3 etapas) Reconhece epítopos da cardiolipina (fosfolipídeo da membrana interna das mitocôndrias) Reconhece epítopos da própria glicoproteína ou do complexo glicoproteína/cardiolipina Reflete existência de AC que prolongam os ensaios de coagulação dependentes de fosfolipídeos in vitro Reatividade cruzada com testes para sífilis (“positivo falso biológico” para sífilis) Mais específico que o anticardiolipina Maior associação com a presença de fenômenos trombóticos Mapa mental. Anticorpos antifosfolípides Síndrome antifosfolípide Reumatologia 12 8. TRATAMENTO O tratamento envolve medidas não específicas e que diminuem o risco trombótico, como cessar tabagismo, uso de contraceptivos combinados, perda de peso, controle de dislipidemia, diabetes e hipertensão. Pacientes em uso de cumarínicos devem ter orien- tação nutricional, para interferência da dieta nos níveis de INR. Nesse sentido, também devem ser orientados quanto às medicações que podem inter- ferir no ajuste do INR. Para o tratamento específico da SAF, o arsenal medicamentoso envolve: Ácido Acetilsalicílico (AAS), clopidogrel, varfarina, Heparina Não Fracionada (HNF), Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM) e hidroxicloroquina. A escolha terapêutica depen- derá do tipo de evento trombótico e, no caso de morbidade gestacional, início de profilaxia de novos eventos. Pacientes com baixo peso ou acima de 120 kg, em uso de HBPM, devem ter seus níveis de anti-Xa monitorizados. Vale lembrar que, nos casos trombóticos, a anticoagulação ou o uso de antiagregantes é feito por tempo indefinido. A hidroxicloroquina tem papel na SAF secundária associada à LES e, na primária, em caso de múltiplos eventos, mesmo com INR no alvo e comorbidades associadas (obesidade, hipertensão e dislipidemia). O uso, a segurança e a eficácia dos novos anticoa- gulantes na SAF não estão bem estabelecidos até o momento. Os dados sobre a rivaroxabana são limitados e contraditórios. Tabela 3. Profilaxia e tratamento na SAF. Profilaxia gestacional Trombose aguda Infarto Agudo do Miocárdio Acidente Vascular Cerebral Isquêmico • SAF gestacional: HBPM 1 mg/kg/dia + AAS 100 mg/ dia • SAF gestacional fora da gestação: AAS 100 mg/dia • SAF gestacional com evento trombótico prévio: HBPM 1 mg/kg 2x ao dia + AAS 100 mg/dia • Venosa: Anticoagulação com HBPM ou HNF ou var- farina (INR entre 2 – 3) • Arterial: Anticoagulação com HBPM ou HNF ou var- farina (INR entre 2,5 – 3,5) • Varfarina (INR 2.0-3.0 com AAS), (INR 2.5-3.5) • Se Stent ou intervenção per- cutânea coronárias: Varfa- rina (INR 2.0-3.0) + clopi- dogrel 75 mg/d + AAS 100 mg/d • Cardioembólico: anticoagu- lação com HBPM ou HNF ou varfarina (INR entre 2 – 3) • Se antifosfolípides positi- vos: AAS 100 mg/dia • Aterosclerótico: AAS 300 mg/dia. • Alto Risco/retrombose: Var- farina (INR 2.0 – 3.0) • Retrombose: Associar AAS 100 mg ou (INR 2.5-3.5) Fonte: Elaborada pela autora. DIA A DIA MÉDICO O diagnóstico de SAF trombótica se associa a toda uma cadeia de eventos relacionados ao tratamento e acom- panhamento; afinal de contas, pense que são indivíduos jovens que necessitarão fazer uso de anticoagulação a vida toda. Também, a maioria desses indivíduos fará uso de varfarina, pela disponibilidade e baixo custo, uma droga que requer controle laboratorial regular, possui interações alimentares e com outras medicações, e pode causar eventos adversos hemorrágicos. Síndrome antifosfolípide 13 Mapa mental. Síndrome antifosfolípide Trombose arterial e/ou venosa Coreia SAF trombótica SAF gestacional Secundária ao LES Livedo reticular Anemia hemolítica Microangiopatia trombótica renal Valvopatia Morbidade gestacional Mielite Necrose avascular Endocardite de Libman-Sacks Plaquetopenia Úlceras crônicas Tratamento Manifestações critério Manifestações não critério SÍNDROME ANTIFOSFOLÍPIDE Síndrome antifosfolípide Reumatologia 14 REFERÊNCIAS 1. Strakhan M, Hurtado-Sbordoni M, Galeas N, Bakirhan K, Alexis K, Elrafei T. 36-Year-Old Female with Catastrophic Antiphospholipid Syn-drome Treated with Eculizumab: A Case Report and Review of Literature. Case Rep Hematol. 2014; 2014: 704371. 2. Carvalho MAP, Bértolo MB, Lanna CCD, Ferreira GA. Reumatologia Diagnóstico E Tratamento. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2019. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA Cavestro C, Richetta L, Pedemonte E, Asteggiano G. Sneddon’s syndrome presenting with severe disabling bilateral headache. J Headache Pain. 2009; 10(3): 211-3. Hochberg MC, Silman AJ, Smolen JS, Weiblatt ME, Weisman MH. Reumatologia. 6 ed. Elsevier. 2016. Imboden JB, Hellman DB, Stone JH. Current Reumatologia Diagnóstico e Tratamento. 3. ed. Porto Alegre: AMGH; 2014. Liu DJJ, Falção LFR (Org.). Amerepam: Manual De Reumato- logia. 2. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2020. Marques Neto JF, Vasconcelos JTS, Shinjo SK, Radominski SC. Livro da Sociedade Brasileira de Reumatologia. 2 ed. São Paulo: Manole; 2021. Síndrome antifosfolípide 15 QUESTÕES COMENTADAS Questão 1 (HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS – 2021) Paciente sexo feminino, 32 anos, com antecedente de 3 abortos espontâ- neos, deu entrada no pronto-socorro com quadro de edema e vermelhidão no membro inferior direi- to, tendo sido realizado USG doppler do membro, constatando-se a presença de trombose venosa pro- funda. A alteração mais provável de ser encontrada nessa paciente, dentre as abaixo, é a presença do: ⮦ Fator reumatoide. ⮧ Anticorpo antimitocôndria. ⮨ Anticorpo antiendomísio. ⮩ Anticorpo anti-beta2 glicoproteína 1. ⮪ Anticorpo anti-LKM1. Questão 2 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE LOPES – UFRN – 2019) O diagnóstico da Síndrome Antifosfolipídeo (SAAF) é, antes de tudo, clínico, de modo que a paciente deve ter uma ou mais das características trombóticas ou obstétricas dessa condição. Os testes laboratoriais para anticorpos antifosfolipídeos são usados para confirmar ou refutar o diagnóstico. O médico pode confirmar o diagnóstico de SAAF em paciente: ⮦ Secundigesta com 8 semanas, 1 aborto espon- tâneo prévio no primeiro trimestre e dois exames positivos para anticorpos anticoagulante lúpico. ⮧ Primigesta, 13 semanas, sem comorbidades e com anticorpo anticoagulantelúpico positivo em um único exame. ⮨ Gestante com 16 semanas, 3 abortos espontâ- neos prévios no primeiro trimestre e dois exa- mes positivos para anticorpos anticardiolipina. ⮩ Secundigesta, com parto pré-termo por pré-e- clâmpsia grave na gestação anterior e com an- ticorpo anticoagulante lúpico positivo em um único exame. Questão 3 (SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE GOIÁS – GO – 2019) Pa- cientes com síndrome antifosfolípide e, pelo me- nos, um episódio de trombose venosa profunda, na presença de anticorpos antifosfolípides positivos em duas ocasiões, devem ser anticoagulados para manter a INR (razão normalizada internacional) entre: ⮦ 1,0 e 2,0. ⮧ 1,5 e 2,5. ⮨ 2,0 e 3,0. ⮩ 3,0 e 4,0. Questão 4 (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – DISTRITO FEDERAL – 2019) Uma paciente branca, primigesta, de 37 anos de idade, procura atendimento ambulatorial em sua primeira consulta pré-natal com 10 semanas de gestação. Essa paciente não tem doenças pre- gressas conhecidas, mas esteve em repouso nas últimas duas semanas em razão de importante hiperêmese gravídica (com vômitos e náuseas fre- quentes) e pequeno descolamento placentário. A única medicação que a paciente esteve tomando nos últimos anos é um contraceptivo oral combi- nado antes da concepção. Na consulta, apresenta queixa de au-mento progressivo de panturrilha es- querda com edema, rubor e dor, notado há alguns dias, sendo detectado, ao exame físico: frequência cardíaca de 84 bpm, frequência respiratória de 18 Síndrome antifosfolípide Reumatologia 16 irpm, saturação de oxigênio de 98% e acréscimo de 5 cm da circunferência da panturrilha esquerda em relação à panturrilha direita. Atualmente, ela nega falta de ar, tosse ou dor no peito e apresenta índice de massa corpórea de 31 kg/m2, mas se apresenta ligeiramente desidratada. Ela nega etilismo, tabagis- mo e não tem alergia conhecida a medicamentos. A paciente também relata que sua irmã teve uma embolia pulmonar no ano passado. Considerando o caso clínico apresentado e os conhecimentos médicos a ele relacionados, julgue o item a seguir. Para essa paciente, deve-se avaliar possíveis causas de tromboembolismo, como síndrome de anticorpos antifosfolípides. ⮦ CERTO. ⮧ ERRADO. Questão 5 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO – 2020) Mulher de 32 anos é transferida para investigação diagnós- tica de trombofilia adquirida. Nos últimos meses, apresentou diversos episódios tromboembólicos arteriais e venosos. É tabagista (10 maços-ano) e faz uso de contraceptivo conjugado via oral há cin- co anos. A anamnese, o exame físico e os exames complementares indicam síndrome de anticorpo antifosfolipídio (SAF) primária. Esse fato foi refor- çado pela exclusão de eventos arteriais devidos a embolias paradoxais, uma vez que o ecocardiogra- ma com microbolhas afastou a existência de fora- me oval patente ou outros shunts intracardíacos. O conjunto de dados relatados no prontuário da paciente, para a construção da hipótese diagnós- tica de SAF, é: ⮦ História de hanseníase na adolescência, ausculta de plop mitral e tempo de coagulação extrema- mente reduzido. ⮧ Passado de episódios recorrentes de injúria renal aguda, detecção de placas de Hollenhorst na fun- doscopia e deficiência sérica de inibidor de C1. ⮨ História de morte fetal espontânea no quarto mês de gestação prévia, presença de livedo re- ticularis e tempo de tromboplastina parcial ati- vado prolongado. ⮩ Passado de fenômenos autoimunes (especial- mente síndrome pulmão-rim), palpação de frê- mito na região cervical e INR corrigido no teste da mistura. Questão 6 (SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – DF – 2020) Consideran- do os estudos acerca da síndrome antifosfolipídio (SAF), julgue o item a seguir. É uma causa de abor- tamento habitual e pode apresentar anticorpo lúpus anticoagulante circulante. ⮦ CERTO. ⮧ ERRADO. Questão 7 (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2020) Mulher, 30 anos de idade, com síndrome do anticorpo anti- fosfolípide (G1 P1 A0, um óbito fetal com 32 sema- nas, trombose venosa profunda de membro inferior direito e anticoagulante lúpico por duas vezes com intervalo de 12 semanas). Refere que nos últimos 6 meses tem apresentado episódios de pressão ar- terial elevada. Faz uso de varfarina há 5 anos sem controle regular do RNI. Ao exame físico apresenta PA= 180x100 mmHg, sem outras alterações. Exames laboratoriais: creatinina = 1,2 mg/dL (VR = 0,5 -1,3); Urina 1 = proteínas +/4+, leucócitos 8000/campo, eritrócitos 65.000/campo; e proteinúria = 0,9 g/24h. Assinale a alternativo correta: ⮦ A biópsia renal é útil para o diagnóstico de ne- fropatia da síndrome antifosfolípide e a histolo- gia mostra microangiopatia trombótica na fase crônica da doença. ⮧ O diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico com nefrite lúpica e síndrome antifosfolípide secundária se impõe, pois 20 a 40% dos pacien- tes com síndrome antifosfolípide desenvolvem lúpus sistêmico. ⮨ Paciente com síndrome antifosfolípide não evo- luem com nefropatia secundária à doença. ⮩ A nefropatia da síndrome antifosfolípide pode se manifestar com hipertensão arterial e hematúria; Síndrome antifosfolípide 17 na biópsia renal há hiperplasia fibrosa da íntima e focos de atrofia tubular com pseudotiroidização. ⮪ Trata-se de nefropatia hipertensiva sem asso- ciação com a síndrome antifosfolípide; a biópsia renal é proscrita, pois a paciente usa anticoagu- lante oral. Questão 8 (HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE DUTRA – 2020) A sín- drome de anticorpo antifoslípide (SAAF), é uma doença autoimune caracterizada por uma série de manifestações clínicas, na maioria das vezes relacionadas direta ou indiretamente ao estado de hipercoagulabilidade. Em relação a SAAF, assinale a alternativa INCORRETA: ⮦ A trombose de veia hepática está entre as ma- nifestações clínicas. ⮧ Dentre os critérios obstétricos da doença: a pre- sença de 3 ou mais abortos espontâneos antes de 10 semanas de gestação. ⮨ A dosagem de anti-beta-2-glicoproteína não faz parte dos critérios diagnósticos. ⮩ Está relacionada à insuficiência placentária. Síndrome antifosfolípide Reumatologia 18 GABARITO E COMENTÁRIOS Questão 1 dificuldade: Y Dica do professor: Paciente com fenômeno trom- bótico associado ao abortamento habitual, lembre- -se de SAF (Síndrome do Anticorpo Antifosfolípide). Alternativa A: INCORRETA. O fator reumatoide até pode vir positivo em SAF, por ser uma condição autoimune, mas está mais associado à presença de Vasculite crioglobulinêmica, Sjögren e artrite reumatoide. Alternativa B: INCORRETA. O antimitocôndria está associado à cirrose biliar primária. Alternativa C: INCORRETA. O antiendomísio é um au- toanticorpo da doença celíaca. Alternativa D: CORRETA. Os antifosfolípides são: anti- coagulante lúpico, anticardiolipina e anti-beta 2-gli- coproteína. Alternativa E: INCORRETA. O anti-LKM1 está associa- do à hepatite autoimune. ✔ resposta: ⮩ Questão 2 dificuldade: Y Dica do professor: Questão sobre abortamento habitual, definido como 3 perdas CONSECUTIVAS. Só com isso já chegaríamos à resposta, mas vamos aproveitar: dosamos 3 marcadores – anticoagulante lúpico, anticorpo anticardiolipina e beta2-glicopro- teína. Resultados positivos em 2 amostragens se- paradas com intervalo de pelo menos 12 semanas fecham o diagnóstico de SAAF. ✔ resposta: ⮨ Questão 3 dificuldade: Y Dica do professor: Em pacientes com antecedente de trombose venosa e com presença de anticorpos antifosfolípides em níveis médios a altos e/ou LA, o uso de anticoagulação com meta de INR entre 2,0 e 3,0 reduz o risco de recorrência das tromboses. ✔ resposta: ⮨ Questão 4 dificuldade: Y Dica do professor: A síndrome do anticorpo anti- fosfolípide, isolada ou associada a Lúpus eritema- toso sistêmico, eleva grandemente o risco de trom- bose na gestação, sendo indicada anticoagulação profilática durante a gestação e puerpério quando diagnosticada. ✔ resposta: ⮦ Questão 5 dificuldade: Y Dica do professor: Síndrome do anticorpo antifos- folípide é uma doença autoimune na qual os pacien- tes têm autoanticorpos contra as proteínas ligadas aos fosfolipídios, de origem ainda indeterminada, mas que conta com alta carga genética envolvida, possuindo risco de hereditariedade aumentado. Nela podem ocorrer trombos venosos ou arteriais nos mais diversos sítios sanguíneos. O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue, com a evolu- ção dos testes e o aumento da disponibilidade dos métodos de ELISA, foram descritos os anticorpos anticardiolipina (aCL) e o anti-beta-2-glicoproteína I (aB2GPI), que também fazem parte dos critérios classificatórios atuais. As manifestações clínicas mais características da SAF são as tromboses e as perdas gestacionais. As tromboses podem aco- meter qualquer leito vascular sendo as tromboses venosas as manifestações mais frequentes, acome- tendo predominantemente os membros inferiores Síndrome antifosfolípide 19 e as arteriais mais prevalentes são os acidentes vasculares encefálicos isquêmicos (AVEi). As per- das gestacionais ocorrem, caracteristicamente, no final da gestação; no entanto, podemos encontrar as mais diversas formas de morbidade gestacional, como perdas precoces recorrentes, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP. Outras manifestações clínicas relativamente comuns, que não fazem par- tes dos critérios classificatórios são: livedo/vascu- lopatia livedoide, plaquetopenia (geralmente entre 50-150 mil/mm3), anemia hemolítica, enxaqueca, Fenômeno de Raynaud, valvopatia (mitral > aórti- ca), nefropatia (microangiopatia trombótica), co- reia, entre outros. Lembrando que a anticoagulação costuma ser usada para prevenção e tratamento. ✔ resposta: ⮨ Questão 6 dificuldade: Y Dica do professor: A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é desordem sistêmica, autoimune, caracterizada por trombose arterial e/ou venosa, morte fetal e abor- tos espontâneos recorrentes, e trombocitopenia, acompanhada de títulos elevados de anticorpos antifosfolípides (AAF): anticoagulante lúpico e/ou anticardiolipina. ✔ resposta: ⮦ Questão 7 dificuldade: Y Dica do professor: A SAAF tende a acometer os rins através de uma obstrução vascular não infla- matória, que pode lesar desde as artérias renais até os finos capilares glomerulares. Ocorre aqui a formação de trombos intraluminais, o que leva o endotélio a secretar um material mucoide e hialino no lúmen vascular. Alternativa A: INCORRETA. Na fase crônica da doen- ça, devido ao distúrbio de vascularização renal, há necrose e perda de néfrons, com sobrecarga dos remanescentes. Nessa fase sobressaem os acha- dos de uma glomeruloesclerose focal e segmentar. Alternativa B: INCORRETA. Apesar de muitas vezes termos as 2 condições associadas, não temos no caso outras manifestações que nos façam pensar em o Lúpus. A princípio estamos diante de uma SAAF primária. Alternativa C: INCORRETA. Como já discutido, temos sim doença renal associada à SAAF. Alternativa D: CORRETA. Histologicamente o vaso obstruído com o material mucoide gera um aspecto histológico que assemelha-se ao tecido tireoidiano, gerando o que os patologistas chamam de "pseu- dotireoidização". Alternativa E: INCORRETA. A nefropatia hipertensiva demora anos para aparecer, e o quadro de hiperten- são é recente. Temos aqui provavelmente uma hiper- tensão secundária a uma doença parenquimatosa renal, já que os achados sugestivos de glomerulo- patia e a hipertensão apareceram ao mesmo tempo. ✔ resposta: ⮩ Questão 8 dificuldade: Y Dica do professor: A Síndrome Antifosfolípide (SAF) é uma trombofilia adquirida de origem autoimune, responsável por eventos arteriais, venosos e obs- tétricos. Alternativa A: CORRETA. A trombose venosa profunda é a manifestação mais comum da SAF, mas podem ocorrer outros fenômenos trombóticos, incluído neles a trombose de veia hepática. Alternativa B: CORRETA. Os critérios de morbidade ges- tacional são: 3 ou mais abortamentos espontâneos antes de 10 semanas de IG; 1 ou mais nascimento prematuro de feto morfologicamente normal com 34 semanas ou menos em virtude de DHEG ou si- nais de insuficiência placentária; 1 ou mais mortes de feto morfologicamente normal com mais de 10 semanas de IG. Alternativa C: INCORRETA. São critérios laboratoriais de SAF: anticardiolipina IgM ou IgG em títulos mode- rados a altos, anticoagulante lúpico e anti-b2glico- proteína IgM ou IgG em títulos moderados a altos. Tais critérios devem estar presentes em 2 ou mais ocasiões com intervalo de, no mínimo, 12 semanas. Alternativa D: CORRETA. Os eventos gestacionais ocorridos na SAF são consequência do seu alvo principal, a placenta, gerando assim óbitos de final de gestação, RCIU, DHEG e prematuridade, refletindo a insuficiência placentária ocorrida nessa doença. ✔ resposta: ⮨ Fixe seus conhecimentos! 20 FIXE SEU CONHECIMENTO COM FLUXOGRAMAS Use esse espaço para construir fluxogramas e fixar seu conhecimento! FIXE SEU CONHECIMENTO COM MAPAS MENTAIS Use esse espaço para construir mapas mentais e fixar seu conhecimento! Síndrome antifosfolípide Introdução Epidemiologia Fisiopatologia Manifestações Clínicas Manifestações Critério Mapa mental. Introdução à Síndrome Antifosfolípide (SAF) Manifestações Não Critério SAF Catastrófica Diagnóstico Os antifosfolípides Mapa mental. A três etapas dos testes para Anticoagulante Lúpico (ACL) Mapa mental. Anticorpos antifosfolípides Tratamento Mapa mental. Síndrome Antifosfolípide Referências Bibliografia consultada Questões comentadas