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Tema: A Filosofia na Idade Média: fé versus razão. Objetivos: Compreender as diferenças paradigmáticas entre teocentrismo e antropocentrismo. Estabelecer proposições sobre os conceitos de fé e razão. Estratégia pedagógica: Aula expositiva e exercícios de aplicação dos conceitos. Leitura: ARANHA, M. L. A.; MARTINS, M. H. P. Filosofando: Introdução à Filosofia. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2009. (Capítulo 13, Páginas 160 a 163). MARCONDES, D. Textos Básicos de Filosofia: dos Pré-socráticos a Wittgenstein. 4. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2005. (Páginas 59 a 71). Termos Pagão: aquele que não foi batizado. No contexto, os religiosos chamavam pagãos os filósofos gregos, por terem vivido antes do cristianismo. Heresia: doutrina que se opõe aos dogmas da igreja. Apologética: a apologética tinha por objetivo justificar racionalmente a fé cristã e defendê-la das heresias. A apologia é um “discurso para justificar, defender ou louvar”. Linha do Tempo – Visão Geral Pré-História (~3 milhões a.C. até ~4.000**** a.C.): Surgimento do homem, domínio do fogo e uso de pedra. Idade Antiga (~4.000 a.C. a 476* d.C.): Grandes civilizações: E Egito, Mesopotâmia, Grécia, Roma, Hebreus, Fenícios, Persas etc. Idade Média - tempo intermediário, intervalo (476 a 1453**): Feudalismo, forte influência da Igreja. Idade Moderna (1453 a 1789***): Grandes Navegações, Absolutismo, Renascimento. Idade Contemporânea (1789 até hoje): Revolução Francesa, Revolução Industrial, avanços tecnológicos. *Queda do Império Romano do Ocidente ** Marca a tomada de Constantinopla (capital do Império Bizantino) pelos turcos otomanos. Esse evento é considerado simbólico para o encerramento da era medieval e o início da Idade Moderna. *** Marca a Revolução Francesa, um evento que rompeu com as estruturas do Antigo Regime, alterou profundamente a ordem política e social e abriu caminho para a Idade Contemporânea. **** A Pré-História termina com o surgimento da escrita, marcando o início dos registros históricos. Da Antiguidade à Idade Média: A Grande Transição A Queda de Roma e o nascimento de uma nova era Fim da Idade Antiga • 476 d.C.: Queda do Império Romano do Ocidente → marco simbólico do fim da Antiguidade • Colapso da estrutura política e administrativa romana • Invasões bárbaras (povos de origem germânica, eslava e outros)→ fragmentação territorial da Europa Mudança de paradigmas culturais e religiosos • O Cristianismo passa de religião perseguida a religião oficial do Império Romano (Édito de Tessalônica, 380) • Filosofia greco-romana perde centralidade para a teologia cristã • Nova preocupação: a salvação da alma, não apenas a explicação racional do mundo Nascimento da Idade Média (séc. V ao XV) • Forte influência da Igreja como centro do saber • Ênfase na fé, tradição e autoridade • A Filosofia se adapta ao novo cenário: surge a Filosofia Cristã Idade Média (entre 476 e 1453) Contexto Histórico (séc. V ao XV) • Fortíssima influência da Igreja Católica • Sociedade baseada em dogmas religiosos A Idade Média é dividida pelos historiadores em duas grandes fases, que são: • Alta Idade Média: século V ao século X • Baixa Idade Média: século XI ao século XV. O teocentrismo na Idade Média • Deus como centro de toda explicação • Conhecimento filosófico/científico submisso à fé cristã A Patrística (IV-VIII): iniciou com a transição entre a Antiguidade e o Medievo Santo Agostinho (354–430) • “Crer para entender, entender para crer” • Iluminação divina como caminho para a verdade Influência na Educação/Psicologia • Formação moral centrada em valores cristãos • Psicologia: introspecção agostiniana inspirando reflexão sobre a alma Escolástica (séc. IX–XIII) • Conciliação entre fé e razão (razão = herança grega) • Tomás de Aquino (~1225–1274): síntese entre Aristóteles e Cristianismo • Manutenção da tradição lógica e filosófica, apesar da forte influência eclesiástica • Preservação das obras de Aristóteles (via tradução árabe) • Escolástica: método argumentativo sólido que influenciou ciências posteriores A transição do teocentrismo para o Antropocentrismo (séc. XIV a XVI) Antropocentrismo: ser humano como centro das reflexões • Período de Mudança • Final da Baixa Idade Média (XV) ao Renascimento (XV e XVI) • Crise do poder eclesiástico e valorização do pensamento humanista • Repercussões • Crescente autonomia das universidades (passam a contemplar outras áreas de conhecimento); Maior valorização do método empírico e racional • Influência na Psicologia: surgimento de uma visão mais empírica do sujeito • Na Pedagogia: métodos de ensino baseados na capacidade racional do indivíduo Fé e Razão – Conceitos e Perspectivas Conceitos Centrais • Fé: crença em verdades reveladas; sustentada pelo teocentrismo • Razão: capacidade de refletir logicamente; retoma a herança grega Patrística (séc. IV–VIII) • Santo Agostinho: influência do platonismo e da iluminação divina • “Fé antes da razão” – mas a razão não é descartada, apenas subordinada Escolástica (séc. IX–XIII) • Tomás de Aquino: fé e razão são complementares • Uso sistemático da lógica (aristotelismo) para fundamentar dogmas Mudanças Finais da Idade Média (séc. XIV e XV) e Renascimento (séc. XV–XVI) • Críticas à total subordinação do pensamento filosófico à teologia • Humanismo: foco no potencial do ser humano • Início de uma abordagem científica mais autônoma (ex.: por volta de 1450, invenção da prensa de Gutenberg; 1492, "descoberta" da América) Mudanças Finais da Idade Média (séc. XIV e XV) e Renascimento (séc. XV–XVI) Influência na Psicologia • Introspecção Agostiniana (séc. IV–V) • Antecipou reflexões sobre o “eu interior” e a subjetividade • Método Lógico da Escolástica (séc. XI–XIII) • Forneceu bases para debates científicos, influenciando posteriormente o surgimento da Psicologia como ciência • Relação entre o espiritual e o racional • Inspira estudos na Psicologia da Religião e da espiritualidade Mudanças Finais da Idade Média (séc. XIV e XV) e Renascimento (séc. XV–XVI) Influência na Pedagogia • Bases Morais Cristãs • Legado ético e formativo presente em muitas práticas pedagógicas até hoje • Estrutura das primeiras universidades (séc. XI–XIII) • Organização de currículos, debates e ensino teórico (métodos dialéticos) • Valorização da Autonomia • Na passagem ao antropocentrismo (séc. XIV–XVI), há ênfase no pensamento crítico, ainda fundamental na educação moderna Compreendendo as diferenças paradigmáticas entre teocentrismo e antropocentrismo. O teocentrismo coloca Deus no centro de tudo, enquanto o antropocentrismo coloca os seres humanos no centro. TEOCENTRISMO Theos (Deus) e kentron (centro) • Os fundamentos de Deus são entendidos como os que deveriam reger a sociedade. • Deposita na figura de Deus as explicações para os acontecimentos, desde o surgimento da humanidade até para onde vamos depois de mortos. Fonte: https://ead.unifeob.edu.br/blog/teocentrismo-e-antropocentrismo TEOCENTRISMO • Vigente durante a Idade Média, quando a religião Católica, um dos principais poderes da época, era um forte componente social, determinando regras, comportamentos e decisões sociais. • A usura (lucro excessivo) era considerada pecado e, por isso, condenada e desestimulada pela Igreja. • Os reis eram representantes de Deus. • O ser humano, para se realizar e conseguir ser salvo após a morte, precisava se submeter às vontades e desejos de Deus. • A Igreja detinha poder sobre o conhecimento. • Os pensamentos científicos, com base em testes, eram considerados heresias e pecados. ANTROPOCENTRISMO O desenho também está filosoficamente ligado ao Antropocentrismo, se transformando num símbolo deste conceito humanista. Fonte: https://www.significados.com.br/homem-vitruviano/ ANTROPOCENTRISMO Anthropos (humano) e kentron (centro) Ressalta o ser humano, como figura importante da história, da sociedadee política, considerando-o como ser dotado de inteligência para realizar suas ações no mundo. O ser humano é visto como crítico, racional e capaz de conduzir sua própria existência. Fonte: https://ead.unifeob.edu.br/blog/teocentrismo-e-antropocentrismo https://ead.unifeob.edu.br/blog/teocentrismo-e-antropocentrismo ANTROPOCENTRISMO O antropocentrismo também é conhecido por ser um movimento da Renascença*. É o renascimento da ideia do homem como ser independente e capaz de tomar suas ações (algo valorizado anteriormente na Grécia e Roma Antigas). * O renascimento (renascença) surge quando os pensadores dos séculos XV e XVI, retomam o conhecimento dos greco-romanos, que renasce na passagem da Idade Média para a Moderna, daí o nome do período que faz referência ao renascer da racionalidade, do humanismo e do antropocentrismo dos antigos. Teocentrismo versus Antropocentrismo: uma mudança de paradigma O teocentrismo, predominante durante a Idade Média, atribuía a Deus a centralidade na explicação da realidade, orientando a cultura, a ciência e a organização social. Com o advento da Idade Moderna, essa concepção foi gradualmente substituída pelo antropocentrismo, perspectiva que coloca o ser humano como centro do conhecimento, da cultura e da reflexão filosófica. Essa transição marca um momento crucial da história ocidental, no qual o declínio da influência da Igreja Católica permitiu o florescimento de novas abordagens científicas e racionais. O ser humano passa a ser visto como capaz de investigar, compreender e transformar o mundo por meio da razão. • Nesse contexto, surgem os primeiros estudos sistemáticos em matemática e ciências naturais, como o modelo heliocêntrico, que propôs o Sol — e não a Terra — como centro do sistema planetário. SIGNIFICADOS DE FÉ • Ter fé é crer firmemente em algo, sem ter em mãos nenhuma evidência de que seja verdadeiro ou real o objeto da crença. • O Apóstolo Paulo ensinou que “a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1). • A fé se dá quando a pessoa passa a acreditar de maneira incondicional numa explicação de mundo e a considera como sendo uma verdade absoluta, ainda que haja qualquer tipo de prova objetiva (racional) a contrariando. SIGNIFICADOS DE RAZÃO • A filosofia vê a razão como a consciência moral que orienta as vontades e oferece finalidades éticas para a ação. Para muitos filósofos, a razão é a capacidade moral e intelectual dos seres humanos e também a propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas. • Razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É, entre outros, um dos meios pelo qual os seres racionais propõem razões ou explicações para causa e efeito. A razão é particularmente associada à natureza humana, ao que é único e definidor do ser humano. Não existe pensamento deslocado ou afastado do contexto histórico no qual ele é produzido. Não existe pensamento filosófico imune ao seu tempo e lugar. A IDADE MÉDIA (séc. V ao XV) E A FILOSOFIA MEDIEVAL: RAZÃO E FÉ Contexto histórico A IDADE MÉDIA Após a queda do Império Romano (476 d.C.), e a formação dos novos reinos bárbaros (germanos, eslavos etc.), lentamente foi introduzida a ordem feudal, de natureza aristocrática, em cujo topo da pirâmide encontravam-se os nobres e o clero. Formava-se assim a sociedade estamental. A Idade Média é caracterizada por um modelo econômico, um modo de produção, denominado de feudal, em que a riqueza se constituía na posse de terras e na vassalagem - uma relação entre senhores feudais e servos. Surge uma nova ordem social, saindo da escravidão, comum no Império Romano, para uma nova lógica de relações sociais, o da vassalagem, do trabalho servil. Cabe destacar que tanto no início quanto no fim da Idade Média, ocorreram cisões na Igreja cristã. Em seu início a cisão dentro da própria Igreja, dá origem no Ocidente a Igreja Católica Romana e no Oriente, a Igreja Ortodoxa. A causa foi uma disputa interna por poder. No final da Idade Média, no início da Idade Moderna, uma nova cisão, surgindo o protestantismo (p.ex., Lutero} A IDADE MÉDIA (séc. V ao XV) E A FILOSOFIA MEDIEVAL: RAZÃO E FÉ Contexto histórico A Igreja Católica consolidou-se como força espiritual e política: representava um elemento agregador numa Europa fragmentada e culturalmente atuou de maneira decisiva, pois preservou a herança greco-latina nos mosteiros. Os monges eram os únicos letrados, o que justifica a impregnação religiosa nos princípios morais, políticos e jurídicos da sociedade medieval. Vale ressaltar que na Idade Média há o monopólio da Igreja Católica nos campos da cultura e da educação. Escolas e universidades estão vinculadas à Igreja A grande questão A grande questão discutida pelos intelectuais da Idade Média era a relação entre razão e fé, entre filosofia e teologia. Até a próxima aula! Slide 1: Tema: A Filosofia na Idade Média: fé versus razão. Objetivos: Compreender as diferenças paradigmáticas entre teocentrismo e antropocentrismo. Estabelecer proposições sobre os conceitos de fé e razão. Estratégia pedagógica: Aula expositiva e e Slide 2: Termos Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10: Fé e Razão – Conceitos e Perspectivas Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15: Compreendendo as diferenças paradigmáticas entre teocentrismo e antropocentrismo. Slide 16 Slide 17: TEOCENTRISMO Slide 18: TEOCENTRISMO Slide 19: ANTROPOCENTRISMO O desenho também está filosoficamente ligado ao Antropocentrismo, se transformando num símbolo deste conceito humanista. Slide 20: ANTROPOCENTRISMO Slide 21: ANTROPOCENTRISMO Slide 22 Slide 23: SIGNIFICADOS DE FÉ Slide 24: SIGNIFICADOS DE RAZÃO Slide 25 Slide 26: A IDADE MÉDIA (séc. V ao XV) E A FILOSOFIA MEDIEVAL: RAZÃO E FÉ Contexto histórico Slide 27: A IDADE MÉDIA Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31: A IDADE MÉDIA (séc. V ao XV) E A FILOSOFIA MEDIEVAL: RAZÃO E FÉ Contexto histórico Slide 32 Slide 33: A grande questão