Prévia do material em texto
Professor Doutor Rafael Rodrigues Barbosa ELETRÔNICA ANALÓGICA ELETRÔNICA ANALÓGICA REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Marcelino Fernando Rodrigues Santos Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos André Oliveira Pedro Vinícius de Lima Machado FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP B238t Barbosa, Rafael Rodrigues Eletrônica analógica / Rafael Rodrigues Barbosa. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 81 p. ; il. color. ISBN 978-65-5433-058-9 1. Eletrônica. 2. Eletrônica digital. 3. Semicondutores. 4. Transistores. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD:23.ed. 621.382 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9 /1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023W by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ AUTOR Professor Dr. Rafael Rodrigues Barbosa ● Doutor em Física (UEM) ● Mestre em Física (UEM) ● Especialista em Engenharia Elétrica com ênfase em Automação (UNICAM) ● Graduado em Física (UFT) ● Professor do Curso de Sistema de Informação (UNIMATER) ● Professor do Curso de Engenharia Mecatrônica EaD (UniCesumar) ● Pesquisador de Pós-Doutorado (UEM). Trabalha com simulações computacionais de materiais bidimensionais, no intui- to de predizer propriedades estruturais, eletrônicas e ópticas, para desenvolvimento de dispositivos eletrônicos, optoeletrônicos e computação quântica, utilizando redes neurais e técnicas de machine learning além das teorias da mecânica quântica. Têm experiência em eletrônica analógica e digital no desenvolvimento de protótipos utilizando placas de prototipagem de hardware, principalmente na criação de sensores. Atualmente é professor do curso de sistemas de informação na UNIMATER e professor do curso de engenharia de controle e automação (mecatrônica) na Unicesumar. E por último é pesquisador de Pós- -Doutorado no Laboratório de Teoria e Modelagem e Simulação de Nanomateriais (LTMS) vinculado ao Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1599349116575696 http://lattes.cnpq.br/1599349116575696 4 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Seja bem-vindo à disciplina de Eletrônica Analógica, quando a maioria das pessoas pensa em engenharia elétrica e eletrônica, pensa em computação e no mundo digital. Embora seja verdade que o know-how digital é vital no mundo em que vivemos, estaríamos perdidos sem as habilidades dos engenheiros analógicos. A engenharia elétrica analógica é vital em muitas áreas diferentes, e é essencial para projetos de energia, circuitos de amplificadores operacionais e filtros. Se você não entender a engenharia elétrica básica, estará reduzindo significativamente suas chances de empregabilidade. Circuitos analógicos são geralmente mais difíceis de projetar. Eles exigem maior habilidade para conceituar do que sistemas digitais comparáveis. O processo de projetar circuitos analógicos é muito menos automatizado do que para sistemas digitais, com muitos projetados completamente à mão. No entanto, algumas plataformas foram desenvolvidas desde o início dos anos 2000 que permitiram que o design analógico fosse definido usando software, permitindo uma prototipagem mais rápida. Embora muitas vezes visto como engenharia elétrica básica. Os conteúdos serão dispostos em 4 unidades: ● Unidade I: Semicondutores e circuitos de diodos, parte fundamental da manipulação de correntes contínuas e alternadas. ● Unidade II: Transistores de junção bipolar (TJB), vamos ver a aplicabilidade desse transistor na eletrônica analógica. ● Unidade III: Transistores de Efeito de Campo (TEC), vamos compreender o funcionamento desses transistores e comparar com o transistores de junção bipolar. ● Unidade IV: Vamos ver as aplicações desses transistores (TJB e TEC) em sistemas de amplificação. Venha comigo, vamos desbravar o mundo da eletrônica. SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Semicondutores; ● Teoria dos Diodos. Objetivos da Aprendizagem ●Estudar as características dos semicondutores; ●Compreender os tipos de circuitos de diodos e a teoria. 1UNIDADEUNIDADE Professor Doutor Rafael Rodrigues Barbosa SEMICONDUTORES E TEORIA SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOSDOS DIODOS 7UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS INTRODUÇÃO Opa, seja bem-vindo(a) a nossa primeira unidade da disciplina de Eletrônica Analógica. Você já pensou em viver em um mundo sem as maravilhas tecnológicas? Certamente, seria difícil ficar sem o seu celular ou computador. Nosso mundo está rodeado de dispositivos eletrônicos. E é isso que vamos compreender nessa primeira unidade. Você sabia que a indústriaindependentemente do ciclo que o mesmo estiver. Na Figura 1 podemos observar um exemplo de circuito amplificador de classe A. Note que a corrente ICC (corrente de dreno), produzida pela fonte de corrente contínua, alimenta dois segmentos do transistor: o coletor e a base. No último, a base do transistor é alimentada por um divisor de tensão (R1 e R2). FIGURA 3 - CIRCUITO DE UM AMPLIFICADOR DE CLASSE A Fonte: o Autor (2022). 68UNIDADE 4 AMPLIFICADORES O ganho de potência nesse tipo de amplificador pode ser calculado de acordo com a potência do sinal de entrada e saída. A equação do ganho é dada por Outro ponto que devemos nos atentar é a existência da corrente de dreno. Nessa configuração, mesmo quando o sinal CA for nulo, a corrente de dreno estará ativa, uma consequência direta da polarização do transistor. Isto prejudica a eficiência dos amplificadores de classe A, o que acaba limitando o seu uso em casos onde a fonte de energia é limitada (SEDRA e SMITH, 2007). 2.4 Amplificador classe B Apesar de mais simples, os amplificadores de classe A são pouco eficientes devido a corrente de dreno. Em dispositivos sustentados por baterias, os amp classe A devem ser substituídos pela segunda classe de amplificadores, os amp classe B. Em um amplificador classe B a corrente no coletor não é constante. Em geral, essa classe de amplificadores elimina um semiciclo do sinal CA a partir de uma configuração conhecida por push-pull. No circuito abaixo podemos ver uma representação desse circuito. Note que a ligação em paralelo dos dois transistores protege o sinal de saída de qualquer distorção de onda gerada no circuito. Nesse arranjo, dizemos que os transistores são liga- dos simetricamente, o que significa que enquanto um transistor transmite sinal, ou outro está em corte. FIGURA 4 - AMPLIFICADOR CLASSE B PUSH-PULL Fonte: o Autor (2022). 69UNIDADE 4 AMPLIFICADORES A principal vantagem desse amplificador é a inexistência da corrente de dreno, uma vez que para Vin nulo, os dois transistores ficam em corte. 2.5 Dissipador para transistor de potência Ao projetar sistemas com amplificadores, devemos nos atentar às especificações apresentadas nos datasheets de cada transistor, em especial a potencial nominal do transistor. Se uma determinada temperatura for atingida no segmento do coletor, o transistor será permanentemente danificado. Em geral, os principais transistores operam em uma temperatura limite de 150oC a 200oC (MALVINO, 2016), portanto, fatores como a temperatura ambiente e o fator de degradação devem ser considerados durante a fase de projeto. A principal regra para se determinar a potência nominal de um transistor é dada pela seguinte regra: Com P sendo a potência nominal, D o fator de degradação e TA a temperatura ambiente. Em casos extremos, as condições de operação do transistor obrigam o uso de dissipadores de calor. Nessas condições, o encapsulamento do transistor não consegue dissipar o calor acumulado de maneira rápida. Logo, superfícies dissipadoras de calor são adicionadas aos transistores, aumentando a área de contato entre o transistor e o ar circundante (MALVINO, 2016). Esses dissipadores podem ser encontrados nas mais variadas formas, como mostra a Figura 3: FIGURA 5 - DISSIPADOR DE CALOR PARA TRANSISTORES Fonte: HEAT SINKS. Disponível em: https://www.powerelectronictips.com/wp-content/ uploads/2018/12/WHTH_FAQ_heat-sinks_Pt2_Fig2.png. Acesso em: 06 dez. 2022. 70UNIDADE 4 AMPLIFICADORES 2.6 Amplificador diferencial O amplificador operacional, também conhecido por amp-op, é um dispositivo eletrônico capaz de realizar operações matemáticas, como a adição, subtração ou a multiplicação, em sinais elétricos. Esse dispositivo é amplamente utilizado em circuitos de comunicação, controle e instrumentação industrial (MALVINO, 2016). O amp-op mais comum é o amplificador diferencial (amp-dif), amplamente utilizado em circuitos integrados (CIs). O amp-dif pode ser representado da seguinte forma: FIGURA 6 - AMPLIFICADOR DIFERENCIAL Fonte: ELECTROSOME. Disponível em: https://electrosome.com/wp-content/uploads/2016/07/Differen- tial-Amplifier-using-Transistor-Dual-Input-Unbalanced-Output.jpg>https://electrosome.com/wp-content/ uploads/2016/07/Differential-Amplifier-using-Transistor-Dual-Input-Unbalanced-Output.jpg. Acesso em: 06 dez. 2022. Esse dispositivo é composto por dois transistores ligados em paralelo. A configuração dos transistores é feita com os emissores em comum, como mostra a Figura 1. Nesse caso, os dois emissores dividem a mesma resistência RE. As entradas V1 (entrada não inversora) e V2 (entrada inversora) representam os sinais de entrada, enquanto Vout representa o sinal de saída. Nessa configuração, Vout será igual a diferença entre VC2 e VC1 (tensão de saída do coletor 1 e 2). 71UNIDADE 4 AMPLIFICADORES 2.7 Amp-op Os amplificadores operacionais são os componentes ativos mais básicos em um circuito eletrônico, e são amplamente utilizados em sistemas analógicos (MALVINO, 2016). Os amp-ops podem ser utilizados como osciladores, filtros e conversores de forma, entre outras várias aplicações. Os amp-ops podem ser encontrados em diagramas com a seguinte representação: FIGURA 7 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UM AMP-OP Fonte: O autor (2022). Perceba que o amp-op possui duas entradas, a não inversora e inversora, além de uma saída (out). A construção de um amp-op pode ser muito complexa. Em geral, esses dispositivos possuem diversos componentes que são separados em estágios (SPENCER e GHAUSI, 2003). Em um amp-op comum, esses estágios são: amplificadores diferenciais, estágio de ganho e estágio de saída. Para se ter uma ideia da complexidade desses sistemas, veja a seguinte figura: 72UNIDADE 4 AMPLIFICADORES FIGURA 8 - DIAGRAMA DO AMP-OP 714 Fonte: MALVINO (2016, p. 496). A Figura 3 é uma simplificação de um amp-op conhecido por 714. Devido a sua complexidade, não vamos nos aprofundar no funcionamento desse dispositivo, no entanto, podemos identificar a primeira e última etapa com facilidade. Note que o primeiro estágio é constituído por dois amp-dif (Q1 e Q2). O sinal coletado pelos diferenciais é amplificado em uma série de estágios EC que resultam em um sinal muito alto. Por fim, o sinal de saída é coletado pelo estágio final (Q9 e Q10), cuja configuração é a de um seguidor de emissor push-pull classe B. 2.7.1 Amp-op: Inversor, não inversor e buffer O amp-op pode ser integrado ao circuito de diferentes formas, dependendo apenas do tipo de aplicação e o resultado esperado. As principais formas de circuitos amp-op são: Amp-op inversor: O amp-op inversor é representado na Figura 4. Nesse circuito a fase do sinal de saída é atrasada em relação ao sinal de entrada em 180o. 73UNIDADE 4 AMPLIFICADORES FIGURA 9 - AMP-OP INVERSOR Fonte: o Autor (2022). Amp-op não inversor: No amp-op não inversor a fase do sinal processador permanece constante, como mostra a Figura 5. FIGURA 10 - AMP-OP NÃO INVERSOR Fonte: O autor (2022). Buffer: Nessa configuração os pontos de entrada dos amp-op lineares são isola- dos, como mostra a Figura 6. As principais características dos buffers são os circuitos com alta impedância de entrada e impedância nula na saída. FIGURA 11 - AMP-OP COM DOIS BUFFERS NA ENTRADA Fonte: o Autor (2022). 74UNIDADE 4 AMPLIFICADORES Amp-op: Comparador, somador e subtrator Nos amp-ops não lineares, as principais aplicações em circuitos são os dispositivos comparadores, somador e subtrator. A seguir, vamos ver alguns exemplos desses circuitos: Comparador: Como o próprio nome diz, esse circuito compara dois sinais de entrada com o objetivo de saber qual possui a maior tensão. Esses circuitos possuem duas entradas de tensão (tensão alta e baixa) e uma de saída, como mostraa Figura 7. FIGURA 12: AMP-OP COMPARADOR. Fonte: O Autor (2022) Somador: Em circuitos analógicos, a combinação entre dois sinais distintos é feita pelo amp-op somador. Um exemplo desse circuito pode ser observado na Figura 8: FIGURA 13 - AMP-OP SOMADOR Fonte: o Autor (2022). Subtrator: Como o próprio nome sugere, esse circuito subtrai duas tensões de entrada, de modo que a tensão de saída seja Vout = V1 - V2. 75UNIDADE 4 AMPLIFICADORES FIGURA 14 - AMP-OP SUBTRATOR Fonte: MALVINO (2016, p. 423). 76UNIDADE 4 AMPLIFICADORES Os amplificadores de som são equipamentos construídos para receber um sinal elétrico de pequena amplitude em sua entrada e amplificá-los em tensão e potência, para poder acionar na sua saída um alto-falante, ou seja, uma carga de baixa impedância (normalmente na ordem de 4 a 8 Ohms). LEIA MAIS SOBRE. Fonte: Como Funcionam Os Amplificadores De Som?. Eletrônica Geral, 2021. Disponível em: https://eltgeral.com.br/como-funcionam-os-amplificadores-de-som/. Acesso em: 06 dez. 2022. Quais são as diferenças entre um transistor de um tubo de válvula? Fonte: o Autor (2022) https://eltgeral.com.br/como-funcionam-os-amplificadores-de-som/ 77UNIDADE 4 AMPLIFICADORES CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos nesta unidade que os amplificadores são usados para aumentar a amplitude de uma tensão ou corrente, ou até mesmo para aumentar a quantidade de energia disponível geralmente de uma onda senoidal. Além de amplificar o sinal, devemos analisar a eficiência entre a potência de entrada com a potência total de saída. Em amplificadores de áudio a eficiência ideal é entre 30 - 50%, já em amplificadores de comunicação deve variar entre 50 - 70%. Um fator importante que devemos considerar em amplificadores de áudio é a distorção, ou seja, a amplificação fiel da forma de onda da entrada, quanto menor a distorção, em geral, melhor a qualidade do som. Com o estudo de amplificadores, finalizamos a etapa do estudo de eletrônica analógica, o próximo passo é compreender os desafios da eletrônica digital. OBRIGADO! 78UNIDADE 4 AMPLIFICADORES LEITURA COMPLEMENTAR Recomendo a leitura do artigo a seguir: Resumo: O amplificador operacional é um dos componentes mais úteis da eletrônica. Isso porque ele pode ser usado para criar diversos circuitos interessantes. Sendo assim, neste post, aprenderemos o que são os amplificadores operacionais, como funcionam e quais são suas características. Fonte: GUIMARÃES, F. Amplificador Operacional - O que é e como funciona. 2020. Disponível em: https://mundoprojetado.com.br/amplificador-operacional/. Acesso 03 dez. 2022. https://mundoprojetado.com.br/amplificador-operacional/ 79UNIDADE 4 AMPLIFICADORES MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Eletrônica Analógica Básica - Série Eixos Autor: Eduardo Cesar Alves Cruz e Salomão Choueri Junior. Editora: Editora Érica. Sinopse: O livro analisa os conceitos e as especificações dos dispositivos usados em projetos simples e práticos de es de alimentação lineares, como: transformador, diodo retificador, LED, capacitor e circuitos integrados, reguladores de tensão. Os capítulos possuem abordagem matemática objetiva e são enriquecidos com orientações sobre desenvolvimento de projetos. As aplicações práticas apresentadas são os circuitos retificadores com filtro capacitivo, as es de alimentação estabilizadas - com saídas fixa e ajustável - e os circuitos de sinalização a LED. Pode ser usado nos cursos técnicos em Automação Industrial, Eletroeletrônica, Eletrônica, Eletromecânica, Eletrotécnica, Manutenção Automotiva, Mecatrônica, Refrigeração e Climatização, Sistemas de Energia Renovável, Telecomunicações, entre outros. FILME/VÍDEO Título: Como os Amplificadores de Áudio funcionam Ano: 2013. Sinopse: Neste vídeo será explicado como os Amplificadores de áudio funcionam. Classe(AB). Os assuntos abordados vão desde filtros RC e divisores de ten- são a amplificadores operacionais. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Ilqnh- VsWr80 https://www.youtube.com/watch?v=IlqnhVsWr80 https://www.youtube.com/watch?v=IlqnhVsWr80 80 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BEHZAD, R. Fundamentals of Microelectronics. 1ª. Ed. Wiley, 2008. BOYLESTAD, R.; NASHELSKY, L. Dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos. 6. ed. Rio de Janeiro, RJ: LTC, 1999. JOHNSON, D. E.; HILBURN, J. L. Fundamentos de análise de circuitos elétricos. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1994. MALVINO A. P. Eletrônica. Volume I. McGraw Hill - Artmed. 7ª edição. 2007. MALVINO A. P. Eletrônica. Volume I. McGraw Hill - Artmed. 8ª edição. 2016. MALVINO, A. P.l. Eletrônica. 4. ed. São Paulo, SP: Makron Books, 1997. MILLMAN, J.; HALKIAS; C. C. Eletrônica: dispositivos e circuitos. ed. São Paulo, SP: McGraw-Hill, 1981. SEDRA, A. S.; SMITH, C. K. Microeletrônica; São Paulo: PEARSON Education BR, 2007. SPENCER, R. R; GHAUSI, M. S. Introduction to electronic circuit design. Upper Saddle River, N.J: Prentice Hall/Pearson Education, 2003. 81 CONCLUSÃO GERAL Prezado (a) aluno (a), Neste material, busquei trazer para você as principais aplicações da eletrônica analógica além de mostrar os desafios dessa área. Vimos que toda tecnologia eletrônica tem algum nível analógico. Começamos a entender a função do diodo e como ele pode ser utilizado para converter correntes alternadas em correntes contínuas, ou seja, vimos a primeira função da eletrônica analógica de tratar sinais, sempre que você carregar a bateria do seu celular, lembre-se do componente diodo. Posteriormente avançamos para compreender o funcionamento de um transistor de junção bipolar, estudamos sua forma de polarização e sua aplicação em pequenos amplificadores. Um dos componentes mais sofisticados dentro da eletrônica é o transistor de efeito de campo que são a base da eletrônica digital, vide processadores digitais. Estudamos os JFETs e MOSFETs, e suas formas de polarização e aplicação. Por último, focamos em estudar os amplificadores, afinal é esse o principal objetivo de um transistor seja ele de junção bipolar ou com efeito de campo - amplificar sinais - nessa etapa não estamos preocupados em processar sinais, apenas em analisar a entrada do sinal e ampliá-las. Criamos vários circuitos de amplificadores e analisamos suas aplicações. E com isso finalizamos nossa etapa em entender um pouco desse mundo da eletrônica analógica. Como sempre digo, a eletrônica digital pode ser mais avançada do que suas contrapartes analógicas, mas se você aprofundar, perceberá que muitas vezes a eletrônica analógica é uma necessidade. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado! ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 ENDEREÇO CAMPUS SEDE Rodovia BR-376, 1000 KM 102 - Chácara Jaraguá CEP 87701 - 970 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Shutterstock Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 8: Botão 9: Botão 10:de semicondutores movimenta cerca de US $600 bilhões em dólares ao ano no mundo? Segundo o blog Deloitte. Os chips de semicondutores são importantes em todos os setores. Na primeira parte dessa unidade, vamos explorar o funcionamento do material essencial para fabricar chips, o silício. No ponto de vista físico e de engenharia. Posteriormente, vamos compreender o funcionamento do diodo, componente essencial nas fontes de tensão, principalmente na conversão da corrente alternada para corrente contínua, ou seja, o carregador do seu notebook precisa desse circuito para carregar sua bateria. E por último, vamos adentrar ao mundo do circuito eletrônico por meio de diodos. Vamos compreender um pouco sobre design PCB (Placa de Circuito Impresso), e aprender a simular esses circuitos para você conseguir criar sua placa eletrônica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS SEMICONDUTORES 1TÓPICO Semicondutores é uma classe de materiais que possuem condutividade elétrica intermediária, isto é, sua condução está entre a de materiais condutores, como o cobre e o ouro, e materiais isolantes, como o vidro ou a borracha. No entanto, a principal qualidade do semicondutor se encontra na sua capacidade de oscilar sua condução elétrica em relação a fatores externos, como a dopagem com impurezas ou a temperatura. Um ótimo exemplo de semicondutor é o silício (Si). Em temperatura ambiente, o Si se comporta como um material isolante. Neste caso, os elétrons da banda de valência do Si não possuem energia suficiente para romper a barreira de potencial entre a banda de condução e a banda de valência. Porém, quando aquecido, os elétrons de valência são excitados, e passam a ocupar níveis de energia na banda de condução. As bandas de energia fazem parte de um segmento da física conhecido por teoria de bandas. Em resumo, a teoria classifica os tipos de materiais de acordo com as distâncias entre as bandas de condução de valência. Como vemos na Figura 1, um metal é um ótimo condutor elétrico, pois os elétrons podem transitar entre as bandas livremente. No caso de semicondutores e isolantes, o hiato energético, também conhecido por gap de energia, cria uma barreira de potencial a ser vencida pelo elétron. O tamanho desta barreira determinará se o material é um semicondutor ou um isolante (MALVINO, 1997). 9 FIGURA 1 - BANDAS DE ENERGIA DE UM METAL, SEMICONDUTOR E ISOLANTE Fonte: Valentim Nunes, DEQA, IPT, 2007. Disponível em: http://www.docentes.ipt.pt/valentim/ensino/ Metais%20e%20Semicondutores.pdf. Acesso em: 17 ago. 2022. Logo abaixo apresentamos uma tabela de gap de banda para os três tipos de materiais: FIGURA 2 - TABELA DE BANDGAP PARA MATERIAIS CONDUTORES (BRANCO), SEMICONDUTORES (AZUL) E ISOLANTES (VERDE). Fonte: Jean, Pathways for Solar Photovoltaics, 2015, doi: 10.1039/C4EE04073B. 1.1 Dopagem Além da temperatura, semicondutores podem ter suas propriedades de condução elétrica alteradas por um processo conhecido por dopagem. Nesse método, o semicondutor é dopado em uma fração ínfima (aproximadamente 1 parte por bilhão) com uma impureza, que pode ser outro material semicondutor, como o germânio, silício, ou carbono. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 10 Nessa proporção, a impureza não afeta a estabilidade do material, porém, suas propriedades eletrônicas sofrem alterações substanciais devido à instabilidade no número de cargas positivas e negativas no material. O processo de dopagem ocorre em semicondutores do tipo intrínseco (semicondutores de alto teor de pureza), resultando nos ditos semicondutores extrínsecos. Desses, podemos obter dois tipos de semicondutores: ● Tipo-n: São condutores de carga negativa, em que o número de elétrons na banda de condução excede o número de ligações covalentes no cristal, ou seja, o cristal condutor possui um excesso de cargas negativas (elétrons). ● Tipo-p: Como o próprio nome sugere, estes condutores são ditos positivos. Sua estrutura eletrônica possui lacunas de cargas negativas na órbita da valência conhecidas por buracos. Em suma, os buracos podem ser interpretados como a vacância de um elétron, e seu comportamento é semelhante ao de uma carga positiva. Hoje em dia, o Si é o material mais utilizado na produção de semicondutores. Sua principal vantagem em relação ao germânio (Ge) é seu custo de produção por unidade. Apesar de ainda apresentar algum espaço para aperfeiçoamentos, o Si está muito próximo de atingir seu limite na cadeia produtiva. No presente momento, fabricantes como a TSMC, Samsung, AMD e Intel já são capazes de construir transistores com espessura de apenas algumas poucas dezenas de átomos de Si (SEDRA e SMITH, 2007). Em alguns centros de desenvolvimento e pesquisa, já estão sendo vinculados trabalhos em que transistores de chaveamento são desenvolvidos com apenas um único átomo de Si. Por este motivo, uma grande parcela de pesquisadores procuram alternativas ao Si que possam contornar essas limitações. Um exemplo de material promissor para desenvolvimento de transistores é a heterojunção entre semicondutores Ge (germânio), e Si com grafeno, isso implicaria em um aumento na mobilidade eletrônica, aumentando a velocidade e consequentemente a diminuição do tamanho do dispositivo. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 2 TEORIA DE DIODOS TÓPICO A combinação de dois semicondutores distintos (tipo-n e tipo-p) formam um cristal semicondutor conhecido por semicondutor-pn. Na região de junção, conhecida por junção pn, podemos observar alguns fenômenos interessantes. Quando um diodo PN não sofre influência de uma ddp externa, a região de junção permanece em um estado de equilíbrio, em que os elétrons livres no semicondutor tipo-n combinam-se com os buracos do semicondutor tipo-p, criando uma região carregada com cargas de sinais opostos. Por consequência, um campo elétrico oposto ao fluxo de cargas é criado, impedindo o processo de difusão de elétrons e buracos (BOYLESTAD e NASHEL- SKY, 1999). Ao aplicarmos uma ddp suficientemente grande entre o catodo e o anodo, o campo elétrico de oposição ao fluxo é reduzido, permitindo a difusão dos elétrons e buracos em suas respectivas zonas de neutralidade. FIGURA 3 - EXEMPLO DE JUNÇÃO PN Fonte: https://toshiba.semicon-storage.com/ap-en/semiconductor/knowledge/e-learning/discrete/chap1/ chap1-6.html. Acesso em: 17 ago. 2022. 12 2.1 LED Os LED (light emitting diode), ou diodo emissor de luz, são exemplos de dispositivos eletrônicos de junção PN. Como o próprio nome diz, essa classe de diodo é capaz de emitir fótons de luz em um processo de excitação e desexcitação dos elétrons livres conhecido por eletroluminescência. FIGURA 4 - DISPOSITIVO LED VERMELHO Fonte: https://www.build-electronic-circuits.com/what-is-an-led/. Acesso em: 17 ago. 2022. Ao ser excitado por uma ddp, os elétrons livres interagem com a junção PN, e são elevados a níveis de ocupação de maior energia. Após um breve período, os elétrons excitados tendem a retornar para os estados de menor energia. Para que isto ocorra, o elétron precisa perder a energia adquirida durante a sua excitação. Desta forma, o elétron se desfaz da energia sobressalente emitindo um fóton de luz com energia bem definida. A luz emitida durante este processo depende do gap entre as bandas de condução e de valência, que por sua vez, mudam de acordo com os materiais utilizados na confecção do dispositivo LED. 2.2 Dispositivode Diodo Podemos definir um diodo como um dispositivo semicondutor que permite a passa- gem de corrente elétrica em uma única direção. Sua origem começa com o surgimento das válvulas de potência, na forma de diodos termiônicos. Podemos observar alguns exemplos de diodos na Figura 5. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 13 FIGURA 5 - (A) VÁLVULA ELETRÔNICA DIODO Fonte: Disponível em: https://www.tubemaster.com.br/valvula-eletronica-diodo. Acesso em: 17 ago. 2022. (b) Diodo de estado-sólido Fonte: Disponível em: https://www.gadgetronicx.com/diode-tutorial-construction-working-vi-characteristics. Acesso em: 17 ago. 2022. Estes dispositivos eram comumente encontrados em transmissores e receptores de sinais de rádio devido a sua capacidade de modulação e amplificação de sinais elétricos. Com a evolução dos processos de manufatura de semicondutores, os diodos de estado-sólido ganharam o protagonismo na produção de componentes eletrônicos, servindo como reguladores de tensão, protetores contra surtos ou simplesmente como emissores de luz (LED). Os diodos de estado-sólido (Figura 5-b) são construídos com base em uma junção entre dois materiais semicondutores, a chamada junção PN. Este tipo de junção recebe este nome devido a utilização de dois tipos de semicondutores, os do tipo-p, que possuem um número maior de buracos (o termo buraco é utilizado para indicar a ausência de elé- trons, por este motivo, o índice p remete a palavra positivo), e os do tipo-n (negativo), que possuem uma maior concentração de elétrons (MILLMAN e HALKIAS, 1981). Quando aplicamos uma tensão variável em um diodo e medimos a sua corrente, podemos observar um comportamento semelhante ao da Figura 6. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 14 FIGURA 6 - CURVA DO DIODO Fonte: IMAGES APP. disponível em: https://images.app.goo.gl/8sBtU4pFgvTnj6Qp9. Acesso em: 17 ago. 2022. Este comportamento recebe o nome de curva de diodo, e pode ser dividido em duas regiões: ● Região inversa: Ao aplicarmos uma tensão em um diodo polarizado rever- samente, a corrente não fluirá enquanto a tensão de ruptura não for quebrada. Em geral, a tensão de ruptura é sempre maior do que a tensão de joelho, podendo, em alguns diodos, ultrapassar os 1000 V. ● Região direta: Quando polarizado diretamente, a corrente aumenta expo- nencialmente no diodo a partir de uma tensão mínima conhecida por tensão de joelho. Em alguns diodos de germânio, esta tensão pode variar entre 0,3 e 0,5 V. Para os diodos de silício, a tensão de joelho costuma ultrapassar o valor de 0,6 V. 2.3 Circuitos de Diodo O diodo pode ser encontrado em um circuito a partir das seguintes representações: UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 15 FIGURA 7 - POSSÍVEIS REPRESENTAÇÕES DE UM DIODO: (A) REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DA JUNÇÃO PN; (B) POLARIZAÇÃO DO DIODO Fonte: o Autor (2022). A depender da situação, podemos fazer as seguintes considerações sobre a influência do diodo no circuito: ● Diodo ideal: Em circuitos de alta potência, podemos desprezar a dissipação no diodo, utilizando-o apenas como uma chave moduladora de corrente. ● Segunda aproximação: Em alguns casos, se faz necessário um controle mais preciso na tensão e corrente. Logo, precisamos considerar uma barreira de potencial referente à tensão de joelho, de modo que, em uma polarização direta, a tensão da carga será equivalente à tensão da fonte menos a tensão de joelho. ● Terceira aproximação: Nesse caso, além da tensão de joelho, vamos considerar a resistência de corpo do diodo. Assim, a tensão no diodo será a soma entre a tensão de joelho e a tensão gerada pelo produto entre a corrente e a resistência do diodo, formando uma chave em série. 2.4 Diodos Especiais Como dito anteriormente, os diodos podem exercer diversas funções em um circuito eletrônico. Para atender essa diversidade de aplicações, alguns diodos especiais foram criados. Entre os principais, podemos citar os seguintes (SPENCER e GHAUSI, 2003): UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 16 ● Diodo Zener: Ao contrário dos diodos comuns, o diodo Zener é projetado para operar na região de ruptura, permitindo o fluxo de corrente no sentido oposto ao da polarização. Devido a sua habilidade de manter uma tensão de saída constante mesmo com variações de correntes no circuito, este tipo de diodo é amplamente empregado como um regulador de tensão, em uma configuração conhecida por regulador de tensão Zener, ou ainda regulador Zener. FIGURA 8 - FOTO E REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DO DIODO ZENER Fonte: BLOG NOVA ELETRÔNICA. Disponível em: http://blog.novaeletronica.com.br/tabela-de-diodos-ze- ner-de-4w-5w-1w-3w-5w-e-6-watts/. Acesso em: 17 ago. 2022. ● Diodo emissor de luz (LED): O LED é sem dúvida um dos principais exemplos da optoeletrônica, podendo ser encontrado em abundância em qualquer dispositivo eletrônico atual. Sua principal vantagem em relação aos outros meios de iluminação é a sua eficiência em converter energia elétrica em luz, processo este que ocorre graças ao efeito conhecido por eletroluminescência. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 17 FIGURA 9 - COMPONENTES DE UM LED E SUA REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA Fonte: CIRCUITOS ELETRÔNICOS. Disponível em: https://josecintra.com/blog/circuitos-eletronicos-leds/. Acesso em: 17 ago. 2022. Além do LED, dispositivos como o fotodiodo e o diodo laser também são exemplos de dispositivos optoeletrônicos que se utilizam dos princípios da junção PN. ● Diodo Schottky: Em aplicações de retificação de onda de alta frequência, os diodos comuns podem sofrer falhas referentes a cargas indesejadas que induzem correntes reversas. Estas falhas ocorrem devido ao tempo de vida das cargas armazenadas pelo diodo. Nesse sentido, os diodos Schottky foram desenvolvidos de modo a não possuírem cargas armazenadas, podendo operar como retificadores de alta frequência. Devido a elevada quantidade de operações realizadas por segundo, este tipo de diodo é amplamente empregado em circuitos de computadores digitais. 2.5 Retificadores Retificadores são dispositivos eletrônicos presentes em praticamente todos os eletrônicos e eletrodomésticos que conhecemos: smartphones, computadores, geladeiras e microondas, todos estes operam em um regime de corrente contínua (DC). Como exem- plo, um desktop comum alimenta os seus periféricos com saídas de 5 e 12 V DC, sendo necessário a conversão de 120 ou 220 V AC na fonte de alimentação. A seguir, veremos alguns circuitos capazes de converter sinais de corrente alternada em corrente contínua, em diferentes níveis de complexidade. 2.5.1 Retificador de Meia Onda A retificação de meia onda é a forma mais simples de retificar uma corrente CA em CC, e é feita com a inserção de apenas um diodo no circuito retificador. Na Figura 10 apresentamos um circuito de retificação de meia onda com um diodo comum e um elemento de carga R. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 18 FIGURA 10 - (A) ESQUEMA DO RETIFICADOR DE MEIA ONDA, (B) TENSÃO NO ELEMENTO DE CARGA EM RELAÇÃO AO TEMPO Fonte: o Autor (2022). Note que o sinal retificado é ligeiramente menos intenso do que o sinal proveniente do transformador secundário. Isto é uma consequência da tensão de joelho do diodo, que atua como uma barreira de potencial. 2.5.2 Retificador de Onda Completa com Ligação Central A adição de um segundo diodo remove a ausência de sinal entre os picos de pola- ridade equivalente. Neste caso, a retificação do sinal AC é feita por completo, formando a chamada onda completa. FIGURA 11 - (A) ESQUEMA DO RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA COM LIGAÇÃO CENTRAL, (B) TENSÃO NO ELEMENTO DE CARGA EM RELAÇÃO AO TEMPO Fonte: o Autor (2022). Ao longo dos ciclos da corrente CA, os diodosD1 e D2 são alimentados em diferentes semiciclos, aqui representados pelas linhas pontilhadas verde e amarela. Note que a configuração central utiliza apenas a metade do transformador secundário, além de dissipar a potência do circuito em apenas um diodo a cada semiciclo. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 19 2.5.3 Retificador de Onda Completa em Ponte Assim como no caso anterior, a retificação é de onda completa. A diferença entre os circuitos está na ligação em ponte dos diodos retificadores. O semiciclo em amarelo representa a condução dos diodos D1 e D2, enquanto o semiciclo verde representa a condução nos diodos D3 e D4. O arranjo dos quatro diodos permite a condução ininterrupta durante o ciclo total da corrente CA. Esse tipo de retificador, além de usar a tensão total do transformador secundário, distribui a carga elétrica entre quatro diodos (2 a cada semiciclo), o que melhora a dissipação de potência do sistema. FIGURA 12 - (A) ESQUEMA DO RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA EM PONTE, (B) TENSÃO NO ELEMENTO DE CARGA EM RELAÇÃO AO TEMPO Fonte: o Autor. 2.5.4 Filtro CC A adição de um capacitor em paralelo à resistência de carga atenua o decréscimo na tensão sobre R. Neste caso, enquanto a constante de tempo do circuito RC for maior do que o período do sinal CA, o capacitor deve permanecer com sua carga total quase no limite. Deste modo, a tensão sobre R será praticamente constante, apresentando uma pequena oscilação em decorrência do tempo de descarga do capacitor. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 20 FIGURA 13 – (A) ESQUEMA DO RETIFICADOR DE MEIA ONDA COM FILTRO CC, (B) TENSÃO NO ELEMENTO DE CARGA EM RELAÇÃO AO TEMPO Fonte: o Autor (2022). 2.5.5 Retificador com Regulador de Tensão Neste caso, a pequena oscilação na tensão de carga (linha verde) provocada pelo capacitor é eliminada do circuito com a adição de um diodo Zener. Este elemento é capaz de regular a tensão a partir da dissipação por efeito Joule da tensão sobressalente, mantendo a tensão sobre o elemento de carga R constante. O diodo Zener deve ser escolhido com base na tensão de saída do transformador e na tensão desejada no elemento de carga. FIGURA 14 - (A) ESQUEMA DO RETIFICADOR DE ONDA COMPLETA EM PONTE COM FILTRO CC E REGULADOR DE TENSÃO, (B) TENSÃO NO ELEMENTO DE CARGA EM RELAÇÃO AO TEMPO. Fonte: o Autor (2022). UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 21 Existem vários diodos especiais veja o funcionamento de um diodo laser O diodo laser também é conhecido como LD e diodo laser de injeção. Funciona como um diodo emissor de luz, mas cria um feixe de laser em vez da luz. E hoje, diodos a laser são usados para comunicação por fibra óptica, leitores de código de barras, ponteiros laser, leitura/gravação de CD/DVD/Blue-ray disc, impressão a laser, varredura a laser e ilu- minação por feixe de luz. Existem também muitos tipos de diodos de laser que são usados conforme a necessidade. Abaixo, gostaria de mencionar apenas o nome do diodo laser. ● Laser de Heteroestrutura Dupla ● Lasers Quânticos de Poço ● Lasers Quânticos em Cascata ● Lasers de Heteroestrutura de Confinamento Separado ● Lasers Refletores de Bragg Distribuídos Pesquise um pouco mais sobre o funcionamento desses dispositivos, também chamados de optoeletrônicos. Fonte: DARTORA C.A. Processos Ópticos e Dispositivos: LED’s Lasers Semicondutores e Fotodetectores. Disponível em: http://www.eletrica.ufpr.br/cadartora/Documentos/TE069/8-Lasers.pdf. Acesso em: 15 fev. 2023. UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS http://www.eletrica.ufpr.br/cadartora/Documentos/TE069/8-Lasers.pdf 22 É possível criar uma proteção contra sobretensão em dispositivos sensíveis utilizando diodo? Dispositivos eletrônicos sensíveis precisam ser protegidos contra surtos de tensão, e o diodo é perfeito para isso. Quando usados como dispositivos de proteção de tensão, os diodos não são condutores, no entanto, eles imediatamente causam curto-circuito em qualquer pico de alta tensão, enviando-o para o solo (aterramento), onde não pode dani- ficar circuitos integrados sensíveis. Para este uso, são projetados diodos especializados conhecidos como “supressores de tensão transitória”. Eles podem lidar com grandes picos de energia em curtos períodos que normalmente danificariam componentes sensíveis. Fonte: o Autor (2022). UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS 23UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade estudamos as características dos materiais semicondutores e verificamos o funcionamento de um diodo e sua junção PN, bem como analisamos os circuitos de retificadores com diodo. Devemos considerar que os dispositivos semicondutores têm características únicas, como baixo consumo de energia, alta resistência à temperatura, alta tensão de ruptura e melhor estabilidade térmica, bem como alta mobilidade de elétrons, os torna mais aplicáveis, especialmente na indústria da eletrônica. E na próxima unidade vamos discutir o funcionamento de um transistor que tem características similares ao diodo. VALEU! 24UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Diodo: Função, Aplicação e 10 Tipos Principais (Guia Completo) Autor: Flávio Barbosa Link de acesso: https://flaviobabos.com.br/diodo/ Resenha: O artigo mostra o funcionamento de vários outros diodos, como o diodo túnel, varactor, pin e gunn. Recomendo a leitura. https://flaviobabos.com.br/diodo/ 25UNIDADE 1 SEMICONDUTORES E TEORIA DOS DIODOS MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: A Arte da Eletrônica: Circuitos Eletrônicos e Microele- trônica Autor: Paul Horowitz. Editora: Bookman Sinopse: Depois de 25 anos, sai a nova edição de um dos mais importantes livros de eletrônica do mundo. Pela primeira vez em português, A Arte da Eletrônica consegue a proeza de levar o estudante a entender o funcionamento dos circuitos eletrônicos sem uma abordagem à matemática avançada. FILME/VÍDEO Título: O Jogo da Imitação Ano: 2014 Sinopse: Em 1939, a recém-criada agência de inteligência britânica MI6 recruta Alan Turing, um aluno da Universidade de Cambridge, para entender códigos nazistas, incluindo o "Enigma", que os criptógrafos acreditavam ser inquebrável. A equipe de Turing, incluindo Joan Clarke, analisa as mensagens de "Enigma", enquanto ele constrói uma máquina para decifrá- las. Após desvendar as codificações, Turing se torna herói. Porém, em 1952, autoridades revelam sua homossexualidade, e a vida dele vira um pesadelo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Fundamentos de um Transistor; ● Reta de carga e Ponto Q; ● Transistor como chave; ● Polarização da Base versus emissor. Objetivos da Aprendizagem ● Conceituar e contextualizar o funcionamento de um transistor de junção bipolar; ● Compreender os tipos de configuração de um transistor; ● Estabelecer a importância dentro da eletrônica analógica. 2UNIDADEUNIDADE TRANSISTORES DE TRANSISTORESDE Professor Doutor Rafael Rodrigues Barbosa JUNÇÃO BIPOLARJUNÇÃO BIPOLAR 27UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR INTRODUÇÃO Um cérebro humano contém 100 bilhões de células que nos permitem pensar e lembrar das coisas. Da mesma forma, um computador contém bilhões de células em miniatura conhecidas como transistores. É um dispositivo semicondutor feito de silício, um composto químico comumente encontrado na areia. Os transistores revolucionaram as indústrias eletrônicas, desde que foram inventados. Foi inventado por John Bardeen, Walter Houser Brattain e William Shockley em 1947, nesta unidade vamos explorar os transistores de junção bipolar, esse componente é muito utilizado dentro da eletrônica analógica, então vamos lá. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 1TÓPICO FUNDAMENTOS DE UM TRANSISTOR Um transistor é um componente eletrônico usado em circuitos para amplificar ou alternar sinais elétricos, ou energia, permitindo que seja usado em uma ampla variedade de dispositivos eletrônicos. Um transistor consiste em dois diodos PN conectados de trás para frente. Possui três terminais: emissor, base e coletor. A ideia básica por trás de um transistor é que ele permite controlar o fluxo de corrente através de um canal variando a intensidade de uma corrente muito menor que flui através de um segundo canal (BOYLES- TAD e NASHELSKY, 1999). FIGURA 1 - UM TRANSISTOR É UM DISPOSITIVO COM TRÊS TERMINAIS, CAPAZ DE AMPLIFICAR E RETIFICAR Fonte: o Autor (2022) Conforme discutido na seção anterior, um transistor é composto de três terminais: emissor, coletor e base. Nesta seção, discutimos as funcionalidades de cada terminal em detalhes. 29UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR A base serve como um dispositivo controlador para uma alimentação elétrica maior. O coletor é uma fonte elétrica maior e a saída dessa fonte é o emissor. A corrente que flui através da porta do coletor pode ser regulada enviando níveis variados de corrente da base. Desta forma, uma quantidade muito pequena de corrente pode ser usada para controlar uma grande quantidade de corrente como em amplificadores. O transistor funciona como um interruptor ou como um amplificador. 1.1 Características Físicas dos Terminais ● Emissor – Este segmento está no lado esquerdo do transistor. É de tamanho moderado e fortemente dopado. ● Base – Este segmento está no centro do transistor. É fino e levemente dopado. ● Coletor – Este segmento está no lado direito do transistor. É maior que o emissor e é moderadamente dopado. Existem dois tipos de transistores, NPN e PNP, embora ambos sejam transisto- res de junção bipolar. Existem aplicações que fazem uso de transistores como chave de dispositivo e amplificador. Em um transistor PNP, os portadores de carga majoritários são buracos, enquanto no NPN, os portadores de carga majoritários são elétrons. FIGURA 2 - TRANSISTOR NPN E PNP Fonte: o Autor (2022). O PNP liga por um sinal baixo, enquanto o NPN liga por um sinal alto. Nos transis- tores PNP, o P representa a polaridade do terminal emissor e N representa a polaridade do terminal base. No NPN, N representa o revestimento carregado negativamente do material, en- quanto P representa a camada carregada positivamente. 30 TABELA 1 - DIFERENÇAS ENTRE NPN E PNP Fonte: o Autor (2022). NPN PNP A corrente flui do terminal do coletor para o terminal do emissor. A corrente flui do emissor para o terminal do coletor. Um semicondutor tipo P é colocado entre os dois semicondutores tipo N. É feito de duas camadas de material do tipo P com o tipo N intercalado entre elas. O transistor liga com o aumento da corrente no terminal base Os transistores ligam quando não há fluxo de corrente no terminal base Quando a corrente é reduzida na base, o transistor não funciona no terminal do coletor e desliga Quando uma corrente está presente na base de um transistor PNP, o transistor desliga. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 2RETA DE CARGA E PONTO Q TÓPICO Dispositivos de chaveamento ou amplificadores necessitam de transistores polari- zados para um funcionamento pleno. Em geral, a polarização do transistor é feita na base, de modo que a corrente do coletor (IB) permaneça fixa em qualquer condição de operação (a variação de temperatura no transistor é um dos fatores que interferem na operação do transistor. Por norma, o ganho de corrente no coletor é muito sensível a mudanças de temperatura). A adequação da polarização no transistor depende da escolha de elementos como a resistência na base (RB) (MILLMAN e HALKIAS, 1981). Para um melhor entendimento, façamos os cálculos da corrente do coletor (IC) e da tensão emissor-coletor (VEC) para o seguinte caso: FIGURA 3 - CIRCUITO DE UM TRANSISTOR POLARIZADO NA BASE Fonte: o Autor (2022). 32 O dimensionamento de RB é essencial para uma operação satisfatória do transistor. Caso esse elemento seja mal dimensionado, o transistor deverá operar nas regiões de saturação ou próximo ao ponto de corte (JOHNSON e HILBURN, 1994). Para um RB de , com um ganho beta de corrente de 100 vezes, a corrente na base e a tensão emissor-coletor será: Em termos do ponto Q, também conhecido por ponto quiescente ou ponto de ope- ração, a corrente no coletor e a tensão no emissor-coletor formam um ponto no gráfico de IC versus VEC, como na Figura 4. Note que o ponto de operação do transistor está muito próximo ao ponto de corte. Idealmente, um ponto Q razoável deve ficar centrado na chamada reta de carga. FIGURA 4 - GRÁFICO DA CORRENTE NO COLETOR VERSUS A TENSÃO NO EMISSOR-COLETOR Fonte: ELECTRONICS-TUTORIAL. Disponível em: https://www.electronics-tutorials.ws/transistor/tran_2. html. Acesso em: 09 out. 2022. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 33 Então, os transistores bipolares têm a capacidade de operar em três regiões diferentes (BEHZAD, 2008): ● Região ativa - o transistor opera como um amplificador: ● Saturação - o transistor está “Fully-ON” operando como uma chave: (sa- turação) ● Corte - o transistor está "Totalmente OFF" operando como uma chave: A reta de carga pode ser interpretada como um guia para todos os possíveis pontos Q do transistor. De fato, se calcularmos VEC e IC para uma resistência de base de 500 , o ponto Q será localizado quase ao centro da reta de carga (nesse caso, IC = 2,86 mA e 6,42 V). 2.1 Polarização por divisor de tensão Em um circuito de polarização por divisor de tensão (PDT, polarização por divisor de tensão) a base do transistor é ligada a um divisor de tensão, como na Figura 5. FIGURA 5 - POLARIZAÇÃO DA BASE POR UM DIVISOR DE TENSÃO Fonte: o Autor (2022). O divisor de tensão aqui é representado pelas resistências localizadas no lado esquerdo da malha. Como o próprio nome diz, o divisor de tensão divide a tensão de entrada de acordo com os valores adotados nas resistências. No caso de resistores idênticos (R1 = R2), a tensão de entrada é multiplicada por um fator ½. Nesse caso, a tensão de base será gerada pela mesma fonte de tensão do coletor. A tensão na base (VBB) pode ser calculada a partir da seguinte equação: UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 34 com VCC, R1 e R2 sendo, respectivamente, a tensão de polarização do coletor, a primeira resistência do divisor e a segunda resistência do divisor. Uma vez que a corrente no divisor de tensão for desprezível, podemos afirmar que a polarizaçãodo transistor é na verdade uma polarização do emissor. A principal vantagem desse tipo de polarização é o estabelecimento de um ponto Q estável, que independe das variações no transistor, IC ou ganho beta CC (MALVINO, 1997). 2.2 Polarização do emissor com fonte dupla Esse tipo de polarização é comumente encontrada em dispositivos eletrônicos alimentados por fontes de alimentação com saídas positivas e negativas. Nesse caso, a polarização do coletor é feita pelo terminal positivo, enquanto o emissor é polarizado pelo terminal negativo da fonte dupla. A seguir, podemos ver um exemplo de polarização por fonte dupla: FIGURA 6 - TRANSISTOR POLARIZADO POR FONTE DUPLA Fonte: O Autor (2022). Perceba que o emissor do transistor é polarizado diretamente pelo terminal -2 V da fonte. Já o coletor, é polarizado reversamente pelo terminal de 10 V positivo da fonte. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 TRANSISTOR COMO CHAVE TÓPICO UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 35 Uma das aplicações mais fundamentais de um transistor é usá-lo para controlar o fluxo de energia para outra parte do circuito - usando-o como um interruptor elétrico. Conduzindo-o no modo de corte ou saturação, o transistor pode criar o efeito binário de ligar/desligar de um interruptor (SPENCER; GHAUSI, 2003). Chaves de transistor são blocos de construção de circuitos críticos; eles são usados para fazer portas lógicas, que passam a criar microcontroladores, microprocessadores e outros circuitos integrados. Abaixo estão alguns circuitos de exemplo. FIGURA 7 - TRANSISTOR NPN FUNCIONANDO COMO CHAVE Fonte: o Autor (2022). 36 Você notará que cada um desses circuitos usa um resistor em série entre a entrada de controle e a base do transistor. Não se esqueça de adicionar este resistor! Um transistor sem resistor na base é como um LED sem resistor limitador de corrente. Lembre-se de que, de certa forma, um transistor é apenas um par de diodos interconectados. Estamos polarizando diretamente o diodo emissor de base para ligar a carga. O diodo só precisa de 0,7V para ligar, mais tensão do que isso significa mais corrente. Alguns transistores só podem ser classificados para um máximo de 10-100mA de corrente para fluir através deles. Se você fornecer uma corrente acima da classificação máxima, o transistor pode explodir (SEDRA; SMITH, 2007). O resistor em série fica entre nossa fonte de controle e a base limita a corrente na base. O nó base-emissor pode obter sua feliz queda de tensão de 0,7 V, e o resistor pode reduzir a tensão restante. O valor do resistor e a tensão através dele definirão a corrente. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 POLARIZAÇÃO DA BASE VERSUS EMISSOR TÓPICO UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 37 Vamos fazer um exemplo: Qual é a tensão entre o coletor e o terra? E entre o coletor e o emissor do transistor? (Veja a Figura 8 a seguir) R: A tensão da base é de 5V. A tensão no emissor é de 0,7 V (junção): Ve = 5 - 0,7 = 4,3 V Vamos agora calcular a corrente no emissor (Lei de Ohm): Ie = 43/1000 = 4,3 mA Pronto, analisamos a parte do emissor, agora vamos para o coletor, lembrando que a corrente do Ic = Ie, logo: Ic x Rc = 0,0043 x 2000 = 8,6 V Para saber a tensão que passa pelo coletor basta: Vc = 15 - 8,6 = 6,4 V. O que se aproxima muito da nossa simulação feita no PROTEUS. 38 FIGURA 8 - CIRCUITO COM TRANSISTOR NPN Fonte: o Autor (2022). Com isso podemos analisar a polarização da base e a polarização do emissor: FIGURA 9 - POLARIZAÇÃO DO EMISSOR Fonte: o Autor (2022). UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 39 O modo de funcionamento da polarização do emissor (Figura 9) é ativa ou linear, ou seja, tem aplicação em amplificadores e acionadores com Ic (corrente do coletor) controlada. FIGURA 10 - POLARIZAÇÃO DA BASE Fonte: o Autor (2022). Já a polarização da base (Figura 10) tem seu modo de funcionamento em corte e saturação, podemos aplicar em circuitos digitais ou chaveamento. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 40 Aplicações do TJB Os TJBs são usados em um circuito discreto projetado devido à disponibilidade de muitos tipos e, obviamente, por causa de sua alta transcondutância e resistência de saída que é melhor que o MOSFET (que veremos mais adiante). Os TJBs também são adequados para a aplicação de alta frequência. Fonte: o Autor (2022). Qual é a relação entre transistores e a lei de Moore? Fonte: o Autor (2022). UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 41 CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos nessa unidade que os transistores são dispositivos semicondutores usados em equipamentos eletrônicos modernos para alternar ou amplificar sinais eletrônicos. Os transistores são amplamente aceitos como os blocos básicos de construção de máquinas eletrônicas modernas. Eles são fabricados a partir de materiais semicondutores. Vimos algumas maneiras de polarizar um transistor bem como analisar um circuito transistorizado, além de calcular as tensões e correntes dentro do circuito. UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR 42UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR LEITURA COMPLEMENTAR Como funciona um transistor e qual a sua aplicação? Autor: Henrique Mattede Link: https://www.mundodaeletrica.com.br/como-funciona-um-transistor-e-qual-a- -sua-aplicacao/ https://www.mundodaeletrica.com.br/como-funciona-um-transistor-e-qual-a-sua-aplicacao/ https://www.mundodaeletrica.com.br/como-funciona-um-transistor-e-qual-a-sua-aplicacao/ 43UNIDADE 2 TRANSISTORES DE JUNÇÃO BIPOLAR MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Dispositivos Semicondutores: Diodos e Transistores Autor: Eduardo Cesar A. Cruz e Salomão Choueri Júnior Angelo Eduardo B. Marques. Editora: Editora Érica. Sinopse: O livro, em sua décima terceira edição revisada, aborda os principais dispositivos semicondutores utilizados na maioria dos circuitos eletrônicos, a saber: diodo retificador, LED, diodo Zener, fotodiodo, fototransistor, transistor bipolar, JFET, MOSFET, PTC, NTC e LDR. Cada dispositivo é analisado do ponto de vista da sua construção física, funcionamento, especificações técnicas e modelos matemáticos. Apresenta uma análise completa das principais aplicações desses disposi- tivos, envolvendo funcionamento, projeto e parâmetros, as es de tensão estabilizadas, os amplificadores de áudio e de alta frequência, os circuitos de acionamento e os sensores eletrôni- cos. Há diversos exercícios resolvidos e propostos, bem como sugestões de pesquisas. FILME/VÍDEO Título: A História do Transistor Ano: 2022. Sinopse: O vídeo conta a história resumida do famoso semicondutor que deu origem à evolução industrial em equipamentos eletrônicos, o Transistor. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=fmuIEI2m- BlM https://www.youtube.com/watch?v=fmuIEI2mBlM https://www.youtube.com/watch?v=fmuIEI2mBlM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Transistores de Efeito de Campo; ● MOSFETs. Objetivos da Aprendizagem ● Compreender o funcionamento de um Transistor de Efeito de Campo; ● Desenvolver um circuito de polarização com um JFET; ● Entender o modo de depleção de um MOSFET. 3UNIDADEUNIDADE TRANSISTORES DE EFEITOTRANSISTORES DE EFEITO Professor Doutor Rafael Rodrigues Barbosa DE CAMPO DE CAMPO 45UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO INTRODUÇÃO A década de 50 foi os anos dourados da eletrônica, foi quando o Shockley teve uma ideia de fazer um dispositivo de estado sólido a partir de semicondutores. Ele imaginou que um forte campo elétrico poderia causar o fluxo de eletricidade dentro de um semicondutor próximo, depois de alguns projetos fracassados e alguns anos. Dois parceiros de Shockley, Brattain e Bardeen construíram o primeiro transistor funcional da qual foi assunto da Unidade anterior. No entanto, a ideia de fazer um transistor por acionamento com campo elétrico, estava viva, o cientista da Bell Labs, John Atalla, criou um novo projeto baseado na teoria de efeito de campo de Shockley, e assim no final da década de 60, os fabricantes converteram os circuitos integrados do tipo junção para dispositivos de efeito de campo. Hoje a maioria dos transistores são de efeito de campo e você literalmente está usando milhões desses agora. Nesta Unidade, vamos compreender o funcionamento dos transistores de efeito de campo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 1TÓPICO TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 1.1 JFET O JFET é um transistor unipolar, que atua como um dispositivo de corrente controlada por tensão, e é um dispositivo no qual a corrente em dois eletrodos é controlada pela ação de um campo elétrico em uma junção P-N. A Figura 1 e 2 mostra o símbolo bem como a construção do JFET, respectivamente. Uma pequena barra de material semicondutor extrínseco, tipo N é tomada e suas duas extremidades, dois contatos ôhmicos são feitos que são os terminais drain e source do FET. Eletrodos fortemente dopados de material do tipo P formam junções P-N em cada lado da barra. A região estreita entre as duas portas P é chamada de canal. Como esse canal está na barra de tipo N, o FET é conhecido como JFET de canal N. Os elétrons entram no canal pelo terminal chamado source e saem pelo terminal chamado drain. Os terminais retirados de eletrônicos fortemente dopados de material do tipo P, são chamados de portas. Esses eletrodos são conectados entre si e apenas um terminal é retirado, que é chamado de gate, conforme mostrado na Figura 2. canal-P JFET. 47 FIGURA 1 - REPRESENTAÇÃO DE UM TRANSISTOR TIPO FET CANAL P E N Fonte: GALEON. 2014. Disponível em: http://galeon.com/auvebo/tarea1_archivos/image014.jpg. Acesso em: 15 set. 2022. FIGURA 2 - REPRESENTAÇÃO DO CANAL N E P DOS TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO Fonte: UNIVERSIDAD DE OVIEDO. Disponível em: https://image.slidesharecdn.com/transistorfet- -100904122658-phpapp02/95/transistor-fet-4-728.jpg?cb=1283604163. Acesso em: 15 set. 2022. O princípio de funcionamento do JFET do canal N e do JFET do canal P é semelhante. A única diferença é que no canal N JFET a corrente é transportada por elétrons enquanto no canal P JFET é transportada por buracos. No JFET, a junção P-N entre gate e source é sempre mantida em condições de polarização reversa. Como a corrente em uma junção P-N polarizada reversa é extremamente pequena, praticamente zero. A corrente de porta no JFET é frequentemente negligenciada e considerada zero (BEHZAD, 2008). UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 48 Vamos considerar o circuito da Figura 3, a tensão VDD é aplicada entre o drain e source. O terminal do gate é mantido aberto. A barra é de material tipo N. Devido às polaridades da tensão aplicada, conforme mostrado na Figura, os portadores majoritários, ou seja, os elétrons começam a fluir do source para o drain. O fluxo de elétrons faz a corrente de drain, ID. FIGURA 3 - POLARIZAÇÃO NORMAL DE TRANSISTOR TIPO FET Fonte: Malvino (2007, p. 426). 1.2 Região Ôhmica Como podemos ver na Figura 4, porque a corrente de drain permanece constante? Quando Vds = Vp, as camadas de depleção quase se tocam. O canal de condução estreito então estrangula ou evita que a corrente aumente. É por isso que a corrente tem um limite superior de Idss. A tensão mínima Vp é chamada de tensão de estrangulamento e a tensão máxima Vds (máx) é a tensão de ruptura. Idss significa a corrente de dreno onde a fonte com a gate fica curto. Esse é o valor máximo de corrente de dreno que um JFET pode produzir. Podemos concluir assim que a tensão de estrangulamento separa duas principais regiões do JFET. A região quase horizontal é a região ativa. A parte quase vertical da curva de dreno abaixo do estrangulamento é chamada de região ôhmica. Quando operando na região ôhmica, JFET é equivalente a um resistor com valor aproximado de: UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 49 Só recapitulando, Rds pode ser chamada de resistência ôhmica do JFET. Digamos que a tensão de pico é de 4V e a corrente Idss = 10 mA. Rds só pode ser: Logo Rds = 400Ω, se nosso transistor JFET está em região ôhmica. FIGURA 4 - CURVAS DE DRENO Fonte: ELETRÔNICA-ANALÓGICA. Disponível em http://eletronica-analogica2015.blogspot.com/2017/02/ jfet-junction-field-effect-transistor.html. Acesso em: 15 set. 2022. Para estabelecer a tensão no drain basta polarizar o gate. A tensão negativa no gate é aplicada e isso estabelece uma corrente no drain que é menor que Idss. Quando a corrente do drain circula por Rd, ela estabelece uma tensão no drain que é proporcional: 1.3 Transcondutância A transcondutância será útil na compreensão do comportamento dos amplificadores FET. Você pode interpretá-la como a inclinação de ID vs VGS na região saturada e depende da sua escolha de ID (BOYLESTAD e NASHELSKY, 1999). Uma curva de gm (VGS) e gm (ID) geralmente são mostradas nas folhas de dados e têm formas complicadas. UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 50 FIGURA 5 - TRANSCONDUTÂNCIA Fonte: UFPB. Disponível em: http://app.cear.ufpb.br/~asergio/Eletronica/Transistor/MOSFET.pdf. Acesso em: 15 set. 2022. Em virtude da função elevada ao quadrado nesta equação, os JFETs são frequentemente chamados de dispositivos quadráticos. A função quadrática produz a curva não-linear. Exemplo: Amplificado tipo JFET. Qual é a tensão de saída do dreno? UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 2 MOSFET TÓPICO Um transistor de efeito de campo (FET) opera como um canal semicondutor condutor com dois contatos ôhmicos – o source e o drain – onde o número de portadores de carga no canal é controlado por um terceiro contato – o gate. Na direção vertical, a estrutura gate channel-substrato (junção gate) pode ser considerada como um dispositivo ortogonal de dois terminais, que é uma estrutura MOS ou um dispositivo retificador com polarização reversa que controla a carga móvel no canal por acoplamento capacitivo (efeito de campo).Exemplos de FETs baseados nesses princípios são FET de semicondutor de óxido de metal (MOSFET), FET de junção (JFET), FET de semicondutor de metal (MESFET) e FET de heteroestrutura (HFETs). Em todos os casos, a impedância gate-channel estacionária é muito grande em condições normais de operação. A estrutura básica do FET é mostrada esquematicamente na Figura 6. Os MOSFETs são usados tanto como dispositivos discretos quanto como elementos ativos em circuitos integrados (ICs) monolíticos digitais e analógicos. Nos últimos anos, o tamanho do dispositivo de tais circuitos foi reduzido para a faixa de submicrômetros profundos (ou seja, ao nível de estrutura muito pequena). Atualmente, o nó de tecnologia 0,13 µm para MOSFET complementar (CMOS) é usado para ICs de escala muito grande (VLSIs) e, dentro de alguns anos, a tecnologia sub-0,1 µm estará disponível, com um aumento proporcional na velocidade e na integração escala. Centenas de milhões de transistores em um único chip são usados em microprocessadores e em ICs de memória hoje (JOHNSON e HILBURN, 1994). 53 2.1 MOSFET modo Depleção Sendo um dispositivo em modo de depleção, esse tipo de MOSFET "normalmente ativado" atua como um interruptor "normalmente fechado" e não requer que a corrente do gate funcione. O modo de depleção opera aplicando uma tensão de porta mais negativa do que a tensão de limiar -Vth ou -Vgs (desligado), que tem o efeito de "esgotar" ou desligar a corrente no canal pré-formado abaixo do gate. Isso muda o tamanho da região de depleção sob a área do gate, aumentando assim a resistência do canal e reduzindo o fluxo de corrente (SEDRA e SMITH, 2007). A área de seção transversal (L x W) do canal do MOSFET é fixada pela geometria do dispositivo. FIGURA 6 - EXEMPLO DO MOSFET MODO DEPLEÇÃO Fonte: UFPB. Disponível em: http://app.cear.ufpb.br/~asergio/Eletronica/Transistor/MOSFET.pdf. Acesso em: 15 set. 2022. Vamos ver um amplificador com MOSFET no modo depleção: Exemplo: UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO 54UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO . 55 Conheça o IGBT O IGBT reúne a facilidade de acionamento dos MOSFET’s e sua elevada impedância de entrada com as pequenas perdas em condução dos TBP (Transistores Bipolares de Potência). Sua velocidade de chaveamento é determinada, a princípio, pelas características mais lentas – as quais são devidas às características do TBP. Assim, a velocidade dos IGBT’s é semelhante à dos TBP; no entanto, nos últimos anos tem crescido gradativamente, permitindo a sua operação em frequências de dezenas de kHz, nos componentes para correntes na faixa de dezenas e até centenas de Ampères. Fonte: SOARES, C. F. T. et al. Universidade Federal Do Rio De Janeiro. O IGBT (Insulated Gate Bipolar Transistor). Disponível em: https://www.gta.ufrj.br/grad/01_1/igtb/Pagina_IGBT.htm. Acesso em: Qual é a relação entre tensão e campo elétrico no controle de fluxo de corrente de um transistor de efeito de campo? Fonte: o Autor (2022). UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO https://www.gta.ufrj.br/grad/01_1/igtb/Pagina_IGBT.htm 56UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos nesta unidade o funcionamento de um transistor de efeito de campo, tanto o FET como o MOSFET, como visto na introdução os transistores de efeito de campo são mais utilizados que os transistores de junção bipolar. No entanto, o desenvolvimento de um transistor do tipo FET é mais complicado que um TJB. No entanto, uma das principais vantagens do FET em relação ao TJB é que os FET’s são dispositivos sensíveis à tensão com alta impedância de entrada (da ordem de 107 a 1012 Ω), como a impedância de entrada é alta, os FET’s são preferidos para uso em amplificadores de vários estágios. Além de que os FET’s não são tão sensíveis à interferência eletromagnética quanto os TJB. Enfim, são algumas considerações que devemos fazer para relacionar o uso dos FET’s e dos TJB’s. Na próxima unidade vamos compreender a operação de um amplificador de potência e assim podemos classificar os tipos de amplificadores. 57UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO LEITURA COMPLEMENTAR As soluções Gráficas e Matemáticas da polarização de um JFET Autor: Aparecido Nicolett Fonte: NICOLETT, Aparecido. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Aula 03 Polarização do JFET - Soluções Gráficas e Matemáticas. Disponível em: https://www. pucsp.br/~elo2eng/Aula_03_DCE3_2018.pdf. Acesso em: 06 dez. 2022. https://www.pucsp.br/~elo2eng/Aula_03_DCE3_2018.pdf https://www.pucsp.br/~elo2eng/Aula_03_DCE3_2018.pdf 58UNIDADE 3 TRANSISTORES DE EFEITO DE CAMPO MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Eletrônica Analógica Básica - Série Eixos Autor: Eduardo Cesar Alves Cruz e Salomão Choueri Júnior. Editora: Editora Érica. Sinopse: O livro analisa os conceitos e as especificações dos dispositivos usados em projetos simples e práticos de es de alimentação lineares, como: transformador, diodo retificador, LED, capacitor e circuitos integrados, reguladores de tensão. Os capítulos possuem abordagem matemática objetiva e são enriquecidos com orientações sobre desenvolvimento de projetos. As aplicações práticas apresentadas são os circuitos retificadores com filtro capacitivo, as es de alimentação estabilizadas - com saídas fixa e ajustável - e os circuitos de sinalização a LED. Pode ser usado nos cursos técnicos em Automação Industrial, Eletroeletrônica, Eletrônica, Eletromecânica, Eletrotécnica, Manutenção Automotiva, Mecatrônica, Refrigeração e Climatização, Sistemas de Energia Renovável, Telecomunicações, entre outros. FILME/VÍDEO Título: How MOSFETs and Field-Effect Transistor Ano: 2013. Sinopse: Como os MOSFETs são usados para amplificar e co- mutar sinais eletrônicos. Essa animação descreve o MOSFET (Tem Legenda). Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=tz62t-q_KEc https://www.youtube.com/watch?v=tz62t-q_KEc . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Capacitor de Acoplamento; ● Circuitos Amplificadores. Objetivos da Aprendizagem ● Compreender o funcionamento de um amplificador; ● Saber classificar os tipos de amplificadores; ● Estabelecer os fundamentos para desenvolver um circuito amplificador. 4UNIDADEUNIDADE AMPLIFICADORESAMPLIFICADORES Professor Doutor Rafael Rodrigues Barbosa 60UNIDADE 4 AMPLIFICADORES INTRODUÇÃO Amplificador, em eletrônica, dispositivo que responde a um pequeno sinal de entrada (tensão, corrente ou potência) e fornece um sinal de saída maior que contém as características essenciais da forma de onda do sinal de entrada. Amplificadores de vários tipos são amplamente usados em equipamentos eletrônicos como receptores de rádio e televisão, equipamentos de áudio de alta fidelidade e computadores. A ação de amplificação pode ser fornecida por dispositivos eletromecânicos (por exemplo, transformadores e geradores) e tubos de vácuo, mas a maioria dos sistemas eletrônicos agora emprega microcircuitos de estadosólido como amplificadores. Tal circuito integrado consiste em muitos milhares de transistores e dispositivos relacionados em um único minúsculo chip de silício. Nesta Unidade vamos compreender melhor o funcionamento de um amplificador e como esse dispositivo é tão essencial dentro da eletrônica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61UNIDADE 4 AMPLIFICADORES CAPACITOR DE ACOPLAMENTO 1TÓPICO Capacitores de acoplamento são amplamente utilizados em circuitos amplificadores. Por exemplo, em amplificadores baseados em amplificadores operacionais de alimentação única, onde a entrada não inversora é polarizada para uma tensão de referência ou um terra virtual (que vamos ver mais em detalhes). Isso é feito para que o nível do solo do seu sinal seja posicionado de forma que a parte negativa do seu sinal não, seja cortada. Polarizar a entrada não inversora significa conectá-la a uma tensão CC com metade da fonte de alimentação do seu amplificador operacional. A tensão CC introduzida no seu sinal de entrada agora também será transportada para o seu sinal de saída. Quando seu sinal de saída está conectado a outro estágio do circuito, o sinal CC que ele carrega pode causar instabilidade de desempenho ou danos ao circuito. A tensão CC do seu bias é removida colocando um capacitor de acoplamento. Os capacitores de acoplamento geralmente são colocados na entrada e na saída do seu circuito (SPENCER; GHAUSI, 2003). De acordo com Malvino (2016) para essa análise a respeito dos capacitores de acoplamento como a tensão CC tem uma frequência que se pode aproximar em zero, já a reatância de um capacitor de acoplamento é praticamente infinita. Diante de tudo isso, é fundamental utilizar duas aproximações para um capacitor: 1) Para de Corrente Contínua, o capacitor é como uma chave aberta. 2) Para análise Corrente Alternada, o capacitor é como uma chave fechada 62UNIDADE 4 AMPLIFICADORES A reatância do capacitor aumenta à medida que a frequência do sinal que passa por ele diminui. À medida que o sinal se aproxima de CC, a reatância do capacitor se torna alta o suficiente para que o capacitor atue como um circuito aberto, bloqueando assim o sinal CC. Exemplo 1: Com base no circuito a seguir, se R = 2kΩ e a faixa de frequência que varia entre 20Hz a 20kHz, calcule a capacitância necessária para que o sistema funcione como um capacitor de acoplamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63UNIDADE 4 AMPLIFICADORES 2 CIRCUITOS AMPLIFICADORES TÓPICO Amplificadores transistorizados são comumente usados em aplicações como RF (rádio frequência), áudio, OFC (comunicação por fibra ótica), etc. De qualquer forma, a aplicação mais comum que vemos em nosso dia a dia é o uso de transistores como am- plificadores de áudio. Como você sabe, existem três configurações de transistor que são comumente usadas, ou seja, base comum (CB), coletor comum (CC) e emissor comum (CE) (BEHZAD, 2008). Veja a forma da onda de um amplificador com polarização da base (Figura 1). A fonte de tensão é uma corrente alternada que está acoplada à base. De acordo com Mal- vino (2007) como é uma tensão CA na entrada, ocorre uma variação senoidal na corrente da base, assim a tensão total do coletor é uma onda senoidal agora invertida e superposta com tensão de 15V. 64UNIDADE 4 AMPLIFICADORES FIGURA 1 - AMPLIFICADOR COM POLARIZAÇÃO DA BASE Fonte: o Autor (2022). Lembrando que o capacitor de acoplamento está aberto quando se tem uma corrente contínua, mas está fechada (ou em curto) para a corrente alternada, ele acopla a tensão CA no coletor no resistor de carga. E é por essa razão que temos uma tensão na carga é um sinal CA puro, ou seja, com valores máximos e mínimos com um valor médio zero. ● Ganho de tensão O ganho de tensão de um amplificador normalmente se relaciona com a tensão de saída dividida pela tensão de entrada. Veja a equação a seguir: ● Tensão de Saída É uma forma derivativa do ganho de tensão: Analogamente você consegue derivar o cálculo da tensão de entrada. 65UNIDADE 4 AMPLIFICADORES Nós também vimos que uma família de curvas conhecidas comumente como Curvas de Característica, relaciona a corrente do Coletor transistores (Ic) com a Voltagem do Coletor (Vce) para diferentes valores da corrente de base dos transistores (Ib). Todos os tipos de amplificadores de transistores operam usando entradas de sinal de CA que alternam entre um valor positivo e um valor negativo, de modo que é necessária alguma maneira de "predefinir" o circuito do amplificador para operar entre esses dois valores mínimos ou máximos. Isto se consegue usando um processo conhecido como Biasing (BOYLESTAD e NASHELSKY, 1999). Biasing é muito importante no design do amplificador, pois é uma forma de determinar um ponto de operação correto do amplificador, ou seja, estabelecer um transistor para receber sinais, e buscar reduzir qualquer distorção ao sinal de saída. Basicamente o intuito de um pequeno amplificador é amplificar o sinal de entrada com uma quantidade mínima de distorção ou ruído, ou seja, o sinal de saída tem que ser praticamente exato, com uma amplitude maior (amplificado). Para obter baixa distorção quando usado como amplificador, o ponto de reposição operacional precisa ser selecionado corretamente. Este é de fato o ponto de operação de CC do amplificador e sua posição pode ser estabelecida em qualquer ponto ao longo da linha de carga por um arranjo de polarização adequado (JOHNSON e HILBURN, 1994). A melhor posição possível para este ponto Q é tão próxima da posição central da linha de carga como razoavelmente possível, produzindo assim uma operação de amplificador de tipo Classe A, ou seja. Vce = 1 / 2Vcc. Para avançar no nosso assunto é importante você compreender o que um capacitor “Bypass”. 2.1 Capacitor bypass (desvio) Em um capacitor bypass (desvio), o ruído CA é roteado para o solo. Geralmente esses capacitores utilizados para bypass além de filtrar o ruído melhoram o desempenho geral do circuito. Vamos analisar o exemplo a seguir: 66UNIDADE 4 AMPLIFICADORES Exemplo 2: No circuito a seguir, a frequência de entrada da tensão é de 1kHz. Partindo do valor da frequência, qual é o valor necessário para capacitância para fechar curto entre o ponto E com o terra? A seguir Xc deve ser dez vezes menor que a resistência de Thevenin. Agora calcu- lamos C por: Na figura a seguir vemos um amplificador PDT (polarização por divisor de tensão): FIGURA 2 - AMPLIFICADOR PDT Fonte: o Autor (2022). 67UNIDADE 4 AMPLIFICADORES Foi preciso usar um capacitor bypass entre o emissor e o terra. Sabemos que sem esse capacitor, a corrente CA na base seria bem menor, no entanto, com um capacitor bypass, foi possível além de filtrar o sinal obter um ganho de sinal de saída maior. 2.2 Fórmula para a Resistência CA do emissor Graças a Física da matéria condensada é possível verificar a seguinte fórmula para resistência CA do emissor: Pode-se concluir que a resistência CA do diodo emissor é igual a 25mV dividido pela corrente CC do emissor. O interessante dessa fórmula é que ela é aplicável a qualquer transistor. Na prática esse valor de 25mV pode variar até 50mV. Essa razão é importante para determinar o ganho de tensão. Em outras palavras, quanto menor for seu valor, maior o ganho de tensão de um amplificador com transistor. 2.3 Amplificador classe A Os amplificadores de classe A são dispositivos que operam apenas no regime ativo. Em outras palavras, o coletor do transistor amplificador sempre estará alimentado pelo sinal de corrente alternada,