Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
 
Radiografia simples do tórax: noções de anatomia. 
 
 
1 – Partes moles 
 
Devemos analisar as partes moles em toda radiografia, com atenção para os tecidos supraclaviculares e 
torácicos laterais, além dos órgãos do abdome superior e das mamas (figura 1). 
 
 
 
 
2 – Arcabouço ósseo 
 
O arcabouço ósseo faz parte da avaliação da radiografia de tórax. Devem ser sempre examinadas as 
costelas, as clavículas, o esterno e a cintura escapular (figuras 2 a 5). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Análise das partes moles torácicas. 
As setas apontam para as mamas. 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2. Segmentos do esterno na radiografia 
simples de tórax em perfil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3. Clavículas na radiografia em PA. 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 – Parênquima pulmonar: divisão em lobos 
 
Nem sempre é possível estimar com precisão a localização de lesões na radiografia simples de tórax. 
Contudo, o conhecimento do aspecto normal e da divisão dos lobos pulmonares é fundamental. Utilizamos 
como referência os septos interlobares, entre os quais estão as fissuras. 
 
O pulmão direito é composto por três lobos: superior, médio e inferior. Eles são separados por duas fissuras: 
horizontal (pequena) e oblíqua (grande). A horizontal divide o lobo superior dos lobos médio e 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4. Demonstração das costelas posteriores e anteriores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5. Coluna vertebral assinalada na 
radiografia em perfil. 
4 
 
 
inferior. A oblíqua divide o lobo inferior dos demais lobos. As figuras 6 a 9 ilustram a topografia das fissuras 
e a divisão em lobos do pulmão direito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6. Posição das fissuras horizontal e oblíqua direitas na radiografia de 
tórax em PA e perfil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7. Localização do lobo superior direito na radiografia de tórax. 
5 
 
 
 
 
 
 
O pulmão esquerdo é composto por dois lobos: superior e inferior (a língula é parte do lobo superior esquerdo). 
Estes são separados pela fissura oblíqua (grande). As figuras 10 a 12 ilustram a topografia das fissuras e a 
divisão em lobos do pulmão esquerdo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8. Situação do lobo médio na radiografia de tórax. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9. Localização do lobo inferior direito na radiografia de tórax. 
6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10. Posição da fissura oblíqua esquerda na 
radiografia de tórax em perfil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11. Localização do lobo superior esquerdo na radiografia de tórax. 
7 
 
 
 
 
 
 
 
Sinal da silhueta 
Este sinal é de grande utilidade na localização de lesões torácicas na radiografia simples. Ele baseia-se nos 
seguintes princípios: 
• imagens compostas por densidades diferentes (ex: partes moles e ar), localizadas lado a lado, têm 
seus contornos facilmente diferenciados. Por exemplo, o coração está ao lado do lobo médio e da 
língula, mas é fácil diferenciar os contornos cardíacos. 
• Imagens com densidades iguais, lado a lado, perdem os seus contornos. Por exemplo, a pneumonia 
do lobo médio tem densidade de partes moles e borra os contornos cardíacos direitos, pois o coração 
também tem densidade de partes moles. 
• Imagens com densidades iguais, em níveis diferentes (ex: anterior e posterior), têm os contornos 
mantidos. Por exemplo, a pneumonia do lobo inferior direito tem densidade de partes moles, mas 
não borra os contornos cardíacos direitos, pois o coração, apesar de também ter densidade de partes 
moles, é anterior, e o lobo inferior direito é posterior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12. Localização do lobo inferior esquerdo na radiografia de tórax. 
8 
 
 
As figuras 13 a 16 ilustram este conceito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13. Pneumonia do lobo médio, borrando os contornos cardíacos direitos, pois o 
lobo médio e o coração são anteriores e têm a mesma densidade, de partes moles. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14. Pneumonia do lobo inferior direito, que não borra os contornos cardíacos. 
Apesar da densidade ser a mesma, o lobo inferior direito é posterior e o coração, anterior. 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 – Hilos pulmonares 
 
Nos hilos pulmonares encontram-se brônquios, artérias, veias e linfáticos. O que visualizamos na radiografia 
é uma somatória destas estruturas (figura 17). A figura 18 mostra a localização das artérias pulmonares na 
radiografia em perfil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15. Pneumonia da língula, borrando os contornos cardíacos esquerdos, 
pois a língula e o coração são anteriores e têm densidade igual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16. Massa no lobo inferior esquerdo, que não borra os contornos cardíacos, 
pois este lobo e o coração estão em planos diferentes. 
10 
 
 
 
 
 
 
 
5 – Cúpulas diafragmáticas e seios costofrênicos 
 
De um modo geral, a cúpula diafragmática esquerda é mais baixa que a direita, devido à posição esquerda 
do coração no tórax (figura 19). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17. Hilos pulmonares. As setas apontam para as artérias 
pulmonares interlobares descendentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18. Anatomia das artérias pulmonares no perfil. 
APE: artéria pulmonar esquerda; APD: artéria pulmonar direita. 
11 
 
 
 
 
 
Os seios costofrênicos (laterais, anteriores e posteriores) são ângulos formados pelo encontro das cúpulas 
diafragmáticas com a parede torácica (figura 20). 
 
 
 
 
 
6 – Mediastino 
 
O mediastino é o espaço entre os pulmões, que pode ser dividido em (figura 21): 
• superior: localizado acima do nível da vértebra T5 (mais ou menos no nível da carina); 
• inferior: situado abaixo do nível de T5. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 19. Cúpulas diafragmáticas. A direita é habitualmente mais alta que a esquerda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20. Seios costofrênicos laterais assinalados 
na radiografia de tórax em PA. 
12 
 
 
 
 
 
 
Outra divisão do mediastino, até mais comumente empregada, é a seguinte (figura 22): 
• anterior: borda posterior do esterno até a borda posterior do coração; 
• médio: borda posterior do coração até a borda anterior da coluna vertebral; 
• posterior: a partir da borda anterior da coluna vertebral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21. Divisão do mediastino em compartimentos superior e inferior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22. Divisão do mediastino em compartimentos 
anterior, médio e posterior. 
13 
 
 
O conhecimento das linhas mediastinais é importante na avaliação da radiografia simples de tórax: 
 
 
• Linha de junção anterior: ponto de encontro entre os pulmões anteriormente (figura 23). Fica na linha 
mediana e abaixo do manúbrio esternal. É vista em 20% das radiografias de tórax. Abaulamentos desta 
linha indicam lesões anteriores. 
 
 
 
• Linha de junção posterior: ponto de encontro entre os pulmões posteriormente (figura 24). Pode estar 
localizada acima do manúbrio esternal. Abaulamentos desta linha são decorrentes de lesões posteriores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 23. Linha de junção anterior 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24. Linha de junção posterior. 
14 
 
 
 
 
• Linha da veia cava superior (figura 25): situada à direita da coluna vertebral, dirigindo-se para o átrio 
direito. 
 
 
• Linha da artéria subclávia esquerda (figura 26): a artéria subclávia esquerda emerge do arco da aorta e 
se dirige antero-superiormente à esquerda. Visualizada na maior parte das radiografias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25. Linha da veia cava superior. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 26. Linha da artéria subclávia esquerda.15 
 
 
 
 
• Linha da aorta descendente (figura 27): deve estar à esquerda da coluna vertebral. A porção 
ascendente da aorta é de difícil visualização, a não ser que haja uma ectasia ou um aneurisma da aorta. 
 
 
 
• Linhas paratraqueais (figura 28): são finas; a direita é mais facilmente visualizada (cerca de 60% das 
radiografias). Alargamentos podem ocorrer em diversas condições, como hematomas, linfonodomegalias, 
massas mediastinais ou tumores traqueais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 27. Linha da aorta descendente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 28. Linhas paratraqueais. 
16 
 
 
 
 
• Linha do recesso azigoesofágico (figura 29): formada pela junção da veia ázigos com o esôfago. 
Abaulamentos desta linha podem ser decorrentes de linfonodomegalias, carcinoma esofágico, dilatação 
da ázigos, cistos broncogênicos, etc. 
 
 
 
• Linhas cardíacas: do lado direito o contorno cardíaco normal é dado pelo átrio direito. À esquerda o 
contorno decorre de três estruturas: tronco arterial pulmonar, átrio esquerdo e ventrículo esquerdo (figura 
30). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 29. Linha do recesso azigoesofágico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 30. Linhas cardíacas. AD: átrio direito; 
AE: átrio esquerdo; VE: ventrículo esquerdo. 
17 
 
 
• Linhas paravertebrais (figura 31): geralmente são imperceptíveis. Podem estar alargadas em caso de 
alterações no mediastino posterior (abscessos, neoplasias, ectasia da ázigos) ou na própria coluna 
vertebral (osteófitos, tumores). 
 
 
 
O espaço retroesternal (figura 32) também é um local que deve ser avaliado com cuidado na radiografia (em 
perfil). Geralmente é hipertransparente, ocupado apenas por parênquima pulmonar. A obliteração com 
opacificação do mesmo é comumente vista em massas mediastinais anteriores, como timoma, teratoma ou 
linfoma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 31. Linhas paravertebrais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 32. Espaço retroesternal normal. 
18 
 
 
Podemos também avaliar outras estruturas mediastinais na radiografia em perfil, como a traquéia, o 
coração, a aorta descendente, as artérias pulmonares e a veia cava inferior (figuras 33 a 35). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 33. Traquéia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 34. Coração. 
19 
 
 
 
 
 
Leitura recomendada 
 
Felson B. Chest roentgenology. WB Saunders, Philadelphia, PA, 1973: 574p. 
 
 
Juhl JH, Crummy AB, Kuhlman JE. Paul and Juhl's Essentials of Radiologic Imaging. Lippincott Williams & 
Wilkins, 1998, 1408p. 
 
McLoud TC. Thoracic Radiology: The Requisites. Mosby, 1998, 512p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 35. Anatomia da aorta e das 
artérias pulmonares no perfil. 
APE: artéria pulmonar esquerda; 
APD: artéria pulmonar direita

Mais conteúdos dessa disciplina