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Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Mateus J. R. Paranhos da Costa Departamento de Zootecnia, FCAV-UNESP Jaboticabal-SP Lívia Carolina Magalhães Silva BEA Consultoria e Treinamento na Produção Animal Ltda. Jaboticabal-SP 2ª Edição Jaboticabal Funep 2017 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Paranhos da Costa, Mateus José Rodrigues P223b Boas práticas de manejo, bezerros leiteiros / Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, Lívia Carolina Magalhães Silva. -- 2 ed. - Jaboticabal : Funep, 2017. [E-BOOK] 66 p. : il. Não inclui bibliografia ISBN: 978-85-7805-164-8 1. Manejo. 2. Bezerros leiteiros. I. Magalhães Silva, Lívia Carolina. II. Título. CDU 636.2.053 Ficha catalográfica elaborada pela Seção Técnica de Aquisição e Tratamento da Informação Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação - UNESP, Câmpus de Jaboticabal. Primeira publicação 2011 Desenho da capa: Paulo Tosta Diagramação e projeto gráfico: Luis F. Savan Distribuição gratuita www.grupoetco.org.br - www.zoetis.com.br - www.funep.org.br Todos os direitos reservados Via de acesso Professor Paulo Donato Castellane, s/nº - Câmpus da Unesp - Bairro Rural CEP: 14884-900 Jaboticabal/SP - PABX: 16 3209-1300 – www.funep.org.br Apresentação ........................................................................... 7 Desenvolvimento e validação deste manual Opinião de quem usa as boas práticas de manejo Planejamento para a criação de bezerros leiteiros ...................................................................10 Preparação da equipe de trabalho Organização de instalações e equipamentos Formação de banco de dados Cuidados prévios ao nascimento ..........................................................................15 Secagem das vacas Formação do lote de parição Manejos preparatórios para o parto Cuidados ao nascimento ...........………….....………………………......18 Acompanhamento do nascimento Situações de emergência com os bezerros Primeiros cuidados após o nascimento ........................................................................ 21 Cura do umbigo A primeira mamada Avaliação da qualidade do colostro A formação do banco de colostro O fornecimento do primeiro colostro A pesagem dos bezerros ÍNDICE ÍNDICE O aleitamento ........................................................................ 37 O aleitamento natural O aleitamento artificial Cuidados durante o aleitamento Escovando os bezerros durante o aleitamento Instalações e manejos de rotina ....................................................................... 45 Criação coletiva em piquetes Criação individual em piquetes Criação em galpões (coletiva ou individual) Oferecendo oportunidades para brincadeiras e interações sociais A oferta de alimentos sólidos Atenção especial para com os bezerros fracos ou doentes A condução dos bezerros Cuidados no majejo de mochação Desmama ....................................................................... 58 O manejo dos bezerros leiteiros passo a passo ....................................................................... 62 Considerações finais ....................................................................... 65 Agradecimentos ....................................................................... 66 7 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Desde a publicação da 1ª edição deste manual, em 2014, realizamos uma série de pesquisas focadas no manejo dos bezerros leiteiros. Muitos dos resultados obtidos com estas novas pesquisas confirmaram os resultados anteriores, indicando que a adoção das boas práticas de manejo contribui para melhorar as condições de saúde e o desempenho dos bezerros leiteiros, promovendo o bem-estar dos animais. Os resultados destas pesquisas trouxeram também novas perspectivas sobre como realizar o manejo dos bezerros leiteiros, oferecendo condições para um maior detalhamento na descrição dos procedimentos de manejo. Foi com base nestes conhecimentos que preparamos esta segunda edição do manual Boas Práticas de Manejo: Bezerros Leiteiros, contemplando uma completa revisão e ampliação do conteúdo apresentando na edição anterior. Reiteramos nesta edição a visão de que a criação de bezerros é uma das atividades mais importantes e complexas das fazendas leiteiras. Assim, o objetivo com a publicação da segunda edição deste manual de boas práticas de manejo é o de oferecer uma série de recomendações atualizadas sobre o manejo de bezerros leiteiros de forma a promover o bem-estar dos animais. Apresentação 8 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Desenvolvimento e validação deste manual As boas práticas de manejo de bezerros leiteiros apresentadas neste manual foram fundamentadas em resultados de mais de 10 anos de pesquisa. Todas as recomendações foram validadas, pela avaliação de sua aplicação prática nas rotinas de manejo de fazendas comerciais. As trocas de experiências com os produtores e trabalhadores durante o desenvolvimento das pesquisas e do processo de validação das recomendações foram muito importantes, pois proporcionaram oportunidades para enriquecer o conteúdo deste manual e tornar as recomendações mais seguras e abrangentes. Os resultados obtidos nos primeiros estudos sobre a adoção das boas práticas de manejo de bezerros leiteiros foram muito animadores, pois mostraram expressiva redução na ocorrência de problemas de saúde e na mortalidade de bezerros. Os resultados mais recentes confirmaram estes achados, mas mostraram também que os bezerros que foram criados com a adoção das boas práticas de manejo se mostraram menos reativos ao manejo e que esta condição se manteve por longo tempo após terem sido desmamados. 9 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Opinião de quem usa as boas práticas de manejo A criação de bezerras é um dos setores mais importantes de uma fazenda de pecuária, quer seja de leite ou corte, pois representa a garantia de reposição das fêmeas e a continuidade do negócio. Seguir o passo a passo das boas práticas de manejo de bezerros indicadas neste manual, como a cura de umbigo e o fornecimento de colostro de boa qualidade, entre outras ações, pode se tornar a chave do sucesso e viabilidade do negócio. Uma das principais e maiores transformações da Santa Luzia ocorreram depois que implantamos as boas práticas de manejo nos diversos setores da fazenda. Houve uma redução significativa da mortalidade e das perdas em geral e a melhoria do desempenho dos animais. As práticas de bem-estar animal passaram a ser uma filosofia do trabalho da Santa Luzia. Maurício Silveira Coelho – Médico Veterinário e Sócio Proprietário Fazenda Santa Luzia (Grupo Cabo Verde), Passos-MG Como técnico e criador buscamos sempre evoluir na criação e na recria de bovinos leiteiros. As boas práticas de manejo vieram complementar essa evolução como peça que faltava neste quebra cabeça. Foi o nosso toque final. José Renato Chiari – Médico Veterinário e Sócio Proprietário Agropecuária Irmãos Chiari, Morrinhos-GO 10 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Planejamento para criação de bezerros leiteiros Para se ter sucesso no desenvolvimento das boas práticas de manejo de bezerros é necessário organização e planejamento. É importante definir previamente quem assume a responsabilidade pelo manejo dos bezerros e onde este manejo será realizado, além de dispor dos recursos necessários para que o trabalho seja bem conduzido. É fundamental também contar com registros que permitam o melhor controle do rebanho. Por exemplo, é importante conhecer antecipadamente quantos bezerros irão nascer a cada semana, pois com essa informação será possível fazer previsões sobre as necessidades de espaço e da quantidade de leite e de alimentos sólidos(ração e feno) que devem estar disponíveis. Com essas medidas será possível definir planos de ação para a solução de problemas mais frequentes e também para lidar com as situações de emergência. 11 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Preparação da equipe de trabalho A pessoa que assumir a responsabilidade pelo cuidado com os bezerros deve estar bem treinada para realizar os manejos iniciais, que envolvem a oferta de colostro, a cura do umbigo e a pesagem dos bezerros, além de ser capaz de conduzir as rotinas de manejo posteriores (aleitamento, cuidados sanitários e desmama) e de lidar com as situações de emergência de forma eficiente e segura. Lembre-se! A saúde e a sobrevivência dos bezerros dependem de como o manejo é realizado. É importante que a equipe responsável pelo trabalho esteja consciente da importância de se dar atenção a cada bezerro (individualmente), além de estar treinada para a execução das boas práticas de manejo. 12 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Organização de instalações e equipamentos As instalações usadas para o alojamento dos bezerros devem estar localizadas em áreas de fácil acesso, de modo a permitir o constante monitoramento dos animais e facilitar a realização dos manejos. Os bezerros devem ser sempre mantidos em locais limpos e em boas condições de conforto térmico, sem sofrer com calor ou frio e nem estar exposto a condições de correntes de ar fria e de umidade excessiva. As instalações devem ser arejadas, livres de moscas e estar em bom estado de conservação e de higiene, devem também proporcionar fácil acesso a água, alimentos e sombra. É recomendável dispor de local especifico para o alojamento de animais doentes, de forma a minimizar o risco de disseminação de doenças. Nestes casos o cuidado deve ser redobrado, não utilize os mesmos utensílios (mamadeiras, baldes, bebedouros e comedouros) usados com os bezerros doentes com os saudáveis. 13 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Faça uso de camas para cobrir o piso de galpões e baias. Use de preferência a palha ou capim seco para cobrir o piso dos locais onde serão alojados os animais. As instalações devem dispor de bebedouros e comedouros com dimensões adequadas. Atenção especial deve ser dada a altura e profundidade dos mesmos, garantindo que todos animais tenham acesso aos recursos, mesmo quando os níveis de água e alimento estiverem baixos. Água e alimentos (feno e concentrado) de boa qualidade devem estar sempre disponíveis. Independentemente dos tipos de instalações adotados, todos devem proporcionar condições que permitam a adoção das boas práticas de manejo, assegurando boas condições de saúde e de conforto aos bezerros. Todos os equipamentos, como baldes, bicos, panelas, bebedouros e instrumentos veterinários, devem estar limpos e em boas condições de uso. Guarde-os em um local apropriado, abrigados do sol e poeira, com boa ventilação e protegido de insetos. Dê ATENçãO A DETALHES NA CONSTRUçãO E MANUTENçãO DE INSTALAçõES E EqUIPAMENTOS! CAMA DE BOA qUALIDADE NA ÁREA DE DESCANSO PROPORCIONA MAIOR CONFORTO AOS BEzERROS 14 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Formação de banco de dados A formação do banco de dados consiste na coleta e no armazenamento de informações, que serão importantes para o controle e o manejo do rebanho. Registre diariamente tudo de importante que acontecer com os bezerros como, por exemplo: o dia de seu nascimento, doenças, aplicações de medicamentos, acidentes, quantidade de alimento ingerido e outros acontecimentos relevantes. Não se esqueça de registrar também o número (ou nome) do bezerro e de sua mãe. Os registros podem ser feitos em cadernos, agendas, fichas de controle ou no computador. Guarde as informações com cuidado, pois só assim será possível manter um histórico dos acontecimentos na fazenda, que será útil para a tomada de decisões sobre as práticas de manejo adotadas. 15 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Cuidados prévios ao nascimento Os cuidados com os bezerros começam antes do nascimento. Por volta de 60 dias antes da data prevista do parto, as vacas devem ser apartadas do rebanho em lactação e submetidas ao manejo de secagem, que tem a finalidade de interromper a lactação. Secagem das vacas A qualidade do colostro depende da regeneração dos tecidos do úbere responsáveis pela produção do leite, esta recuperação depende diretamente da correta secagem das vacas. Portanto, a secagem das vacas é muito importante para a saúde dos bezerros e para a futura lactação da vaca. Vacas que emendam lactações tendem a produzir colostro de baixa qualidade, colocando a saúde e a vida dos bezerros em risco. Além disso, elas geralmente produzem bezerros com baixo vigor ao nascimento. Importante! Independentemente do tipo de secagem que será adotado nunca deixe as vacas por longos períodos sem acesso a água. 16 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Formação do lote de parição As fêmeas gestantes fora do período de lactação (novilhas e vacas secas) devem ser mantidas em locais com boa disponibilidade de alimentos e fácil acesso a água. Devem também dispor de sombra suficiente para abrigar todas elas nas horas mais quentes do dia. quando se aproxima o final da gestação (que corresponde às três ultimas semanas de gestação) estas vacas e novilhas devem ser conduzidas para os piquetes ou baias maternidade, onde darão a luz aos seus filhotes. Estes locais também devem oferecer boas condições de alojamento, assegurando livre acesso a água e alimentos, além de estarem limpos, livres de lama, de água empoçada, de resíduos orgânicos em decomposição e de outras condições que colocam os bezerros recém- nascidos em situações de risco. Atenção: Sempre que for possível evite manter vacas e novilhas no mesmo piquete maternidade, faça isto para reduzir o risco das novilhas gestantes sofrerem de estresse social resultante da competição com as vacas. 17 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Manejos preparatórios para o parto As baias e os piquetes maternidades devem ser instalados em locais de fácil acesso e com boa visualização, evitando-se locais com muita movimentação e ruídos. quando forem usados piquetes maternidades, estes devem proporcionar condições para as vacas se isolarem do rebanho no momento do parto. Este é um comportamento natural apresentado pelas fêmeas bovinas na proximidade do parto. É fundamental definir quem será a pessoa responsável pelo acompanhamento dos nascimentos, o materneiro. Esta pessoa deve estar treinada para identificar os problemas que podem ocorrer durante o parto e que podem, de alguma forma, vir a prejudicar o bem-estar de vacas e bezerros. Atenção! É importante que o acompanhamento das novilhas e vacas prestes a parir faça parte da rotina de trabalho da fazenda e, portanto, deve-se atribuir a responsabilidade para o acompanhamento dos partos a uma pessoa específica, que terá esta atividade como prioritária. 18 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Cuidados ao nascimento As primeiras ações de cuidados diretos com os bezerros leiteiros devem ter inicio logo em seguida ao parto. Em condições normais é a própria mãe que realiza os cuidados iniciais, lambendo o bezerro de forma a retirar as membranas fetais, massageando-o e estimulando-o a se levantar. Entretanto, nem todas as vacas realizam estas ações de forma bem sucedida; assim, o materneiro deve estar preparado para intervir sempre que notar algum problema como, por exemplo, bezerros abandonados pelas mães ou com dificuldade para se levantar. Para tanto é necessário realizar o acompanhamento sistemático dos partos e das primeiras horas de vida dos bezerros. Acompanhamento do nascimento Na proximidade do parto, as novilhas e vacas apresentam comportamentos típicos, elas geralmente param de comer, isolam-se do rebanho e andam de um lado para outro, até que ocorre o rompimento da bolsa. Neste momento elas geralmente param de andar, permanecendono local onde ocorrerá o parto. É recomendável oferecer condições para que as fêmeas tenham oportunidade para expressar esses comportamentos. Durante o processo de expulsão do feto a vaca geralmente permanece deitada, ela se levanta no final (quando ocorre a ruptura do cordão umbilical) sem provocar a queda do bezerro. Imediatamente ela se vira e passa a lamber seu bezerro. Este comportamento de lamber promove a limpeza do corpo do bezerro e o estimula a se levantar. 19 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Não é normal que as fêmeas bovinas realizem todo o trabalho de parto em pé. Esta situação, que coloca a vida do bezerro em risco, ocorre quando o local de parição não oferece boas condições para o parto (p.ex. quando há buracos, pedras ou acúmulo de lama no local de parição) ou quando elas se sentem ameaçadas pela presença de pessoas estranhas ou de potenciais predadores (p.ex. cães e urubus) no local do parto. Importante! Assegure que o local do parto ofereça condições para que vacas e novilhas realizem o trabalho de parto com segurança e o mínimo estresse. As pessoas responsáveis pelo acompanhamento dos nascimentos devem estar preparadas para auxiliar as vacas quando estas enfrentarem dificuldades no parto. Atenção especial deve ser dada aos partos que se prolongam por mais uma hora e meia a partir do aparecimento das patas e do focinho do bezerro. Deve-se fazer uma avaliação das condições da novilha e da vaca em trabalho de parto e do bezerro prestes a nascer. quando detectar algum problema avalie a situação, nos casos mais simples ajude a vaca a parir, corrigindo a posição do bezerro ou puxando-o cuidadosamente. Nos casos mais graves, consulte um médico veterinário. O auxilio ao parto deve ser feito sempre com muito cuidado, use de luvas descartáveis (novas) e avental limpo para realizar os procedimentos, descartando as luvas usadas em local apropriado e realizando a higiene do avental logo após o término do trabalho. 20 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Situações de emergência com os bezerros Logo após ao nascimento dos bezerros podem ocorrer situações que exijam ações de emergência. Por exemplo, quando o bezerro apresenta dificuldade para respirar, ou quando é abandonado pela mãe ou ainda quando nasce com baixo vigor . Nos casos em que o bezerro apresentar dificuldade para respirar, deve-se retirar as membranas e muco do nariz e da boca para, logo em seguida, realizar massagem no tórax, estimulando-o a respirar. Se o bezerro continuar com dificuldades para respirar após esses procedimentos, busque auxilio de um médico veterinário imediatamente. 21 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Cura do umbigo A cura do umbigo deve ser realizada logo nas primeiras horas de vida do bezerro e ser repetida pelo menos por mais duas vezes nas primeiras 24 horas de vida. Há vários produtos disponíveis no mercado para este fim. Um dos produtos mais usados é a tintura de iodo a 10%, em função de seu poder desinfetante e cicatrizante. Não faça uso exclusivo de mata-bicheiras para a cura do umbigo, a maioria destes produtos têm a apenas ação larvicída e repelente, não atuando como desinfetante nem cicatrizante. Primeiros cuidados após o nascimento As recomendações apresentadas a seguir devem ser adotadas para todos o bezerros, independente do sexo e do futuro produtivo do animal. Do ponto de vista do bem-estar animal não é aceitável negligenciar nos cuidados com qualquer bezerro, mesmo com aqueles que não tenham valor comercial (machos, fêmeas “freemartin” e animais com baixo vigor ou com defeitos físicos). Muitas vezes é tomada a decisão de realizar o abater destes bezerros, nestes casos deve-se adotar o procedimento de abate humanitário, realizando-o com utilização de medicamentos próprios para este fim ou com a realização de atordoamento prévio, que deve ser feito com equipamentos adequados (p.ex. com uma pistola portátil de dardo cativo). 22 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Coloque a tintura de iodo (ou outro desinfetante) em um recipiente que possibilite embeber todo o umbigo; uma boa opção é o copo sem retorno utilizado para desinfetar os tetos da vaca durante a ordenha. Este recipiente evita que a solução de iodo utilizada volte a se misturar com a solução nova ainda contida no copo. Caso utilize outro tipo de recipiente lembre-se trocar a solução desinfetante para cada bezerro, evitando o risco de contaminação. Utilize luvas para realizar a cura do umbigo, pois as soluções utilizadas na desinfecção do umbigo agridem e mancham a pele. Mergulhe todo o umbigo do bezerro na solução desinfetante contida no recipiente, mantendo-o mergulhado por pelo menos 10 segundos (conte pausadamente até 10). Assegure para que o líquido embeba todo o umbigo, inclusive parte mais próximas da barriga do bezerro. Em alguns casos os bezerros podem nascer com hemorragia no umbigo, nessas situações procure a orientação de um médico veterinário. A partir do segundo dia de vida do bezerro, siga realizando a cura do umbigo, podendo ser realizada 1 ou 2 vezes ao dia, por pelo menos mais 5 dias consecutivos ou até sua completa secagem. 23 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS qUANDO NECESSÁRIO CORTE O UMBIGO, MANTENDO-O COM 4 A 5 DEDOS DE COMPRIMENTO UMBIGO APóS O PROCEDIMENTO DE CURA Fique sempre atento à ocorrência de inflamações e de bicheiras. Em certos casos a aplicação de outros medicamentos pode ser necessária, porém devem isto deve ser realizado sob orientação de um médico veterinário. Evite cortar o umbigo dos bezerros. Isto deve ser feito somente nos casos em que o umbigo for muito comprido (acima de 20 cm), para estes casos utilize sempre um tesoura limpa, previamente desinfetada em solução de iodo. Antes de realizar o corte, embeba todo o umbigo do bezerro em solução de iodo a 10% como explicado anteriormente. Espere por alguns minutos, até a solução de iodo parar de pingar, e em seguida realize o corte do umbigo. Deixe o umbigo com 8 a 10 cm de comprimento (aproximadamente de 4 a 5 dedos). Evite cortar o umbigo muito curto e puxá-lo durante o procedimento de corte, pois estes procedimentos aumentam o risco de ocorrências de bicheiras e de hérnias umbilicais. 24 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A primeira mamada quanto mas rápida for a ingestão de colostro pelos bezerros recém-nascidos, maior será sua capacidade de enfrentar os microrganismos que provocam as doenças. É através do colostro que os bezerros adquirem a capacidade de reagir a uma série de agentes infecciosos, dentre eles os causadores da diarreia e pneumonia, que estão dentre as principais causas de morte de bezerros. Assim, é importante assegurar que a primeira mamada ocorra nas primeiras horas de vida dos bezerros, de preferência em até 3 horas após o nascimento. Em condições de amamentação natural é difícil garantir uma boa colostragem, sendo assim é recomendado realizar a avaliação da qualidade do colostro previamente ao seu fornecimento e assegurar que os bezerros mamem pelo menos 2 L de colostro de boa qualidade aos bezerros nas três primeiras horas de vida e mais 2 L em até 6 horas após o nascimento. Siga este procedimento mesmo quando houver evidências de que o bezerro já efetuou a primeira mamada na própria mãe. 25 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Avaliação da qualidade do colostro É muito importante avaliar a qualidade do colostro antes de oferecê-lo aos bezerros. Esta avaliação é geralmente feita com o uso do colostrômetro, que é o instrumento usado para medir a densidade relativa do colostro. Esta medida oferece uma estimativa da quantidade de imunoglobulinas presente no colostro. Imunoglobulinas são proteínas que atuam na defesa do organismos, protegendo-o contra a ação de agentes que podem provocar doenças. quanto maior for a densidade do colostro, melhor será sua qualidade. A coleta do colostro dever ser realizada nas primeiras horas após o parto. Conduzaa vaca até o local onde será feita a coleta de amostra do colostro assim que ela terminar os cuidados com bezerro. Faça a condução com cuidado, dê especial atenção ao bezerro nesse momento, pois ele pode seguir a mãe, correndo o risco de cair e ser pisoteado pela vaca quando a condução é feita com pressa e sem cuidado. O local onde será realizada a coleta do colostro deve estar limpo e dispor de recursos a adequada contenção da vaca. Com a vaca contida, coloque as luvas (descartáveis) e realize o teste da caneca de fundo preto para avaliar se há sinais de mastite clínica. Se não houver evidências de mastite, realize o procedimento de limpeza dos quatro tetos, utilizando a mesma solução para higienização dos tetos adotada na rotina de manejo de ordenha da fazenda e ordenhe os quatro tetos da vaca até completar o volume pelo menos 200 ml de colostro. Importante! Nos casos em que o teste de diagnóstico de mastite clínica (teste do caneco de fundo preto) der positivo (quando há grumos no fundo do caneco) inicie o tratamento imediatamente, conforme instrução de um médico veterinário. Nesses casos o colostro não deve ser oferecido ao bezerro recém-nascido e nem a bezerros mais velhos. 26 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Há dois tipos de colostrômetro, o de vidro e o de cubos. O colostrômetro de vidro é composto por duas partes: um recipiente (que pode ser uma proveta ou pipeta de vidro ou plástico) e um densímetro de vidro com demarcações coloridas (verde, amarelo e vermelho). O colostrômetro de cubos é composto por 6 cubos plástico coloridos, sendo 3 verdes, 1 amarelo e 2 vermelhos. Em ambos os casos as cores são usadas para definir a qualidade do colostro. COLOSTRÔMETRO DE CUBOS COLOSTRÔMETROS DE VIDRO 27 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Como usar o colostrômetro de vidro: Ordenhe a o colostro e deixo-o no balde por alguns minutos, até desaparece a espuma; encha o recipiente do colostrômetro até o ponto indicado. Se houver formação de espuma, espere até que ela desapareça. Coloque o recipiente em uma superfície plana e mergulhe o densímetro no colostro. Espere por alguns segundos, até o densímetro permanecer totalmente parado dentro do recipiente do colostrômetro e faça a leitura na escala colorida do densímetro. A cor verde representa um colostro de ótima qualidade (com concentração de 50 a 140 mg/ml de imunoglobulinas), enquanto o amarelo indica um colostro de média qualidade e o vermelho um colostro de péssima qualidade. O teste com o colostrômetro de vidro deve ser realizado quando a temperatura do colostro estiver entre 25 e 35 oC. quando a avaliação é feita com temperatura mais baixa há uma superestimação da concentração de imunoglobulinas no colostro, e quando for mais alta que 35 oC esta concentração é subestimada. Ao final da avaliação lave as partes do colostrômetro água e detergente neutro e mantenha o equipamento sempre em local limpo e seco. 28 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Como usar o colostrômetro de cubos: Da mesma forma que para o colostrômetro de vidro, ordenhe o colostro e deixo-o no balde por alguns minutos, até desaparecer a espuma; coloque os cubos dentro do balde, observe quantos cubos aparecem na superfície do colostro e faça a leitura, como exemplificado no quadro abaixo. Atenção, faça a medida sempre quando a temperatura do colostro estiver entre 20 e 30 oC. Após finalizar a avaliação, lave os cubos com água e detergente neutro (nunca use água com temperatura superior a 60 oC) e mantenha sempre em local limpo e seco. Em ambos os casos (colostrômetro de vidro ou de cubos) evite fornecer colostro de média e baixa qualidade para bezerros nas primeiras 24 horas de vida; use-o para alimentar os bezerros a partir do segundo dia até uma semana de idade. (Informações obtidas do site do fabricante) Cubos que aparecem na superfície do colostro Densidade (g /dm3) Qualidade GE.1025 Ruim GE.1030 Ruim GE.1035 Médio GE.1040 Bom GE.1060 Muito bom GE.1075 Muito bom 29 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Como usar o refratômetro: O refratômetro portátil é o mais usado para avaliação da qualidade do colostro, que normalmente vem calibrado de fábrica. No caso de dúvidas realize a calibração seguindo os seguintes procedimentos: 1 - limpe e seque cuidadosamente a tampa e o vidro; 2 - coloque 2 ou 3 gotas de água destilada na superfície de vidro e abaixe a tampa sobre a amostra, isto faz com que a água se espalhe através de toda a superfície do vidro, sem formar bolhas de ar nem manchas secas; 3 - exponha o refratômetro à luz natural e faça a leitura, você verá um campo circular com graduações, a leitura é feita entre o limite claro e escuro; para a água destilada deve marcar zero, se não estiver realize a calibração, utilizando o parafuso de calibração (que fica sob a cobertura de borracha). Com o refratômetro calibrado. 1 - limpe a superfície de vidro e a tampa com um pano limpo e macio; coloque um par de gotas de colostro sobre a superfície do vidro e abaixe a tampa sobre a amostra, 3 - exponha o refratômetro à luz natural e faça a leitura, um colostro de boa qualidade vai apresentar leitura no refratômetro igual ou maior que 22%. A qualidade do colostro também pode medida com o uso de refratômetros de brix, que são instrumentos que medem a concentração de sólidos totais no colostro. De forma semelhante à medida do colostrômetro, quanto maior for a quantidade de sólidos totais no colostro, melhor será sua qualidade. REFRATÔMETRO MANUAL PORTÁTIL 30 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Geralmente os bezerros permanecem com suas mães entre 12 e 24 horas após o nascimento. Durante período as mães geralmente lambem seus filhotes, retirando o liquido amniótico e as membranas fetais que cobrem o seu corpo e estimulando-o a se levantar. Durante estas primeiras horas também ocorre a primeira mamada pelo bezerro. Entretanto, devido a combinação de uma série de fatores, nem sempre o bezerro é capaz de mamar sozinho em até seis horas após o seu nascimento, ocorrendo falhas ou atrasos na primeira mamada ou ainda a ingestão de colostro de má qualidade. Assim, é recomendado estabelecer um protocolo de manejo que assegure a ingestão de quantidade adequada de colostro de boa qualidade nas primeiras horas de vida de todos os bezerros. Para se alcançar este objetivo deve-se oferecer colostro em mamadeiras, garantindo que cada bezerro irá ingerir pelo menos 2 L de colostro de boa qualidade em até 3 horas após os nascimentos e mais 2 L em até 6 horas de vida. quando o bezerro recém-nascido não for capaz de ingerir esta quantidade de colostro voluntariamente em uma mamada, deve-se reduzir a quantidade oferecida por mamada e aumentar a frequência de amamentações, assegurando que será ingerido pelo menos 4 L de colostro nas primeiras 6 horas de vida. O primeiro colostro deve ser sempre oferecido em mamadeiras limpas e com bicos com furos pequenos, com no máximo 3 mm de largura. 31 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Há situações em que o bezerro apresenta baixo vigor e dificuldade de se manter em pé nas primeiras horas de vida. Estas condições dificultam a colostragem pois o bezerro fica cansado e se deita (ou cai), dificultando o manejo. Estes casos merecem atenção especial, tenha paciência e respeite a quantidade de colostro que o bezerro quiser ingerir naquele momento e volte a oferecer o colostro mais tarde, em intervalos regulares. Evite oferecer o colostro aos bezerros de forma forçada, por meio do uso da sonda esofágica, pois além desta ação ser muito aversiva para os bezerros, causando estresse, ela traz o risco de causar ferimentos e provocar falsa via. quando o uso da sonda esofágica for inevitável, ele deve ser feito apenas por pessoas muito bem treinadas. Importante! Não ofereça o primeiro colostro ao bezerro quando ele estiver deitado, pois quando o bezerro mama deitado aumenta o risco de falsa via (quando certaquantidade de colostro ou de leite alcança os pulmões). Assim, se o bezerro estiver deitado no momento da oferta do colostro, estimule-o a se levantar. Isto pode ser feito passando a mão no sentido contrário aos pelos das costas e da inserção de cauda do bezerro (simulando o comportamento de lambidas da vaca). 32 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Em alguns casos o bezerro recém-nascido pode ter ingerido o colostro na própria mãe, antes da intervenção do materneiro. Esta situação pode ser identificada quando as vacas estão com os tetos murchos e enrugados e quando os bezerros apresentam o abdome (“vazio”) cheio. Mesmo nestes casos deve-se seguir as recomendações previamente descritas neste manual, realizando a avaliação do colostro e seu fornecimento de maneira controlada. Isto porque não há nenhuma garantia de que o bezerro tenha ingerido a quantidade adequada de colostro de boa qualidade. Tenha em conta que nesta situação pode ser mais difícil o bezerro realizar a mamada, pelo fato de já ter mamado em sua mãe. TETOS CHEIOS E BRILHANTES BEzERRO COM O ABDOME (VAzIO) FUNDO 33 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Após a ingestão dos 4 L de colostro nas primeiras 6 horas de vida, continue fornecendo o colostro ao bezerro, faça-o pelo menos por mais duas vezes no primeiro dia de vida e deixe-o mamar a vontade. Importante! É recomendado que o bezerro receba colostro pelo menos nos primeiros 3 dias de vida, de forma a garantir boa imunidade local e melhorar seu desempenho. Forneça sempre o colostro em mamadeiras ou baldes limpos. FORNEçA COLOSTRO PARA O BEzERRO ATÉ O 3º DIA DE IDADE Há situações em que as vacas recém-paridas não produzem colostro de boa qualidade ou em quantidade suficiente para suprir as necessidades do bezerro. Por conta disto é recomendado dispor de um banco de colostro, de forma a assegurar que fazenda sempre terá colostro de boa qualidade disponível para o atendimento das necessidades de todos os bezerros recém-nascidos. Assim, sempre que o colostro for classificado como de boa qualidade, esgote todo o colostro da vaca, reserve a quantidade de colostro que será fornecida ao bezerro e congele o restante, para formar o banco de colostro da fazenda. 34 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A formação do banco de colostro O banco de colostro dever ser formado apenas com colostro de boa qualidade, obtido na primeira ordenha. O congelamento deve sempre ser feito em recipientes limpos e logo após a ordenha. Use recipientes com capacidade de até 2 litros para evitar desperdícios. O uso de sacos plásticos, próprios para armazenamento de alimentos no congelador, é uma boa opção para o congelamento, pois além de descartáveis, eles favorecem o descongelamento em função da maior área de contato com o calor do banho-maria. Coloque etiquetas em todas as embalagens usadas para o congelamento do colostro, identificando o dia, o mês e o ano em que o colostro foi congelado. quando bem armazenado o colostro tem validade de até 1 ano. O colostro deve ser descongelado sempre em banho-maria, que é uma técnica de cozimento a base de calor indireto em fogo brando, que evita que o colostro entre em ebulição. Atenção: a temperatura da água do banho-maria não deve ultrapassar 60 oC, pois as altas temperaturas aumentam o risco de desnaturar as proteínas que conferem a imunidade ao bezerro. Nunca ferva o colostro! Uma vez descongelado, o colostro não poderá ser congelado novamente. 35 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS quando todo colostro estiver descongelado, apague o fogo e verifique a temperatura do colostro. O ideal é fornecer o colostro ao bezerro quando estiver por volta de 37 oC. Nos casos em que o colostro estiver frio, acenda o fogo novamente, controlando a temperatura da água (para que não ultrapasse os 60 ºC) até que o colostro esteja na temperatura recomendada. Ofereça o colostro ao bezerro seguindo as recomendações apresentadas neste manual. COLOSTRO SENDO COLOCADO EM BALDE COM BICOExEMPLOS DE DESCONGELAMENTO DO COLOSTRO EM BANHO MARIA 36 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A pesagem dos bezerros A pesagem dos bezerros é uma ação importante para a avaliação das condições de criação e de manejo da fazenda, sendo recomendado que eles sejam pesados pelos menos ao nascimento e à desmama, de preferência em balança com boa precisão. Na falta de uma balança pode ser usada uma fita de pesagem. A fita de pesagem dá uma estimativa do peso do bezerro com base na medida do diâmetro do tórax do animal. As fitas são especificas para raças de bezerros (pequena, média e grande). Para evitar erros na medição é importante que esta seja feita sempre pelo mesmo funcionário. Para usar a fita de pesagem é necessário manter o bezerro em pé, seguindo-se os procedimentos descritos a seguir: Dicas para o uso da fita de pesagem Segure o bezerro, mantendo-o em pé, faça esta contenção sem uso de força excessiva. Passe a fita ao redor do tórax do bezerro, próximo aos membros anteriores, contornando todo seu corpo. Ajuste a fita e faça a leitura da medida. Registre regularmente os pesos dos bezerros para ter um melhor controle de seu desenvolvimento! OBTENDO O PESO DO BEzERRO COM O USO DA FITA DE PESAGEM 37 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS O aleitamento O leite é essencial para a alimentação dos bezerros, portanto ele deve ser de boa qualidade e oferecido sempre com muito cuidado e na quantidade correta para atender as suas necessidades. O aleitamento pode ocorrer de duas formas: natural e artificial. O local do aleitamento deve estar sempre limpo e em boas condições de uso e limpos, de forma a facilitar a realização da mamada. O aleitamento pode ocorrer de duas formas, natural e artificial. O aleitamento natural No aleitamento natural os bezerros mamam diretamente em suas mães, permanecendo com elas após as ordenhas por um período de tempo determinado, que pode variar de alguns minutos a algumas horas. Nesses casos é comum deixar um dos tetos para o bezerro. Este tipo de aleitamento é adotado em rebanhos cujas vacas não são capazes de manter a lactação sem a presença do bezerro, sendo mais frequente em rebanhos zebuínos (puros ou cruzados) e de raças de dupla aptidão. 38 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS ALEITAMENTO NATURAL DURANTE A ORDENHAALEITAMENTO NATURAL: BEzERROS AGUARDANDO PARA MAMAR Os bezerros devem ingerir pelos menos 6 L de leite por dia até alcançarem 35 dias de idade e esta ingestão deve se dar em pelo menos duas mamadas, recebendo 3 L de leite pela manhã e mais 3 L pela tarde. quando se adota a estratégia de se deixar um teto para o bezerro deve-se monitorar a produção de leite da vaca de forma a garantir que as necessidades do bezerro serão atendida. quando não houver leite suficiente para o bezerro deve-se fornecer complementar o leite, fornecido em mamadeira. Atenção! Assegure-se que o bezerro ingeriu a quantidade adequada de leite. No aleitamento natural é difícil controlar a quantidade de leite ingerida, nestes casos deve-se monitorar constantemente o peso e a condição corporal dos bezerros. 39 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS O aleitamento artificial Este tipo de aleitamento é o mais comum em propriedades de bovinos especializados para produção leiteira. Consiste no fornecimento do leite natural ou de substitutos de leite em baldes ou em mamadeiras. quando a opção for o fornecimento de leite natural de boa qualidade é aconselhável fazê-lo logo após a ordenha; nos casos em que isto não for possível, o leite deve ser aquecido, mantendo a temperatura em torno de 37 °C. Não é recomendado o uso do leite de descarte para alimentar os bezerros. O leite de vacas com mastite ou com resíduos de antibióticos pode causar problemas de saúde nos bezerros. Se optar pelo uso do leite de descarte para a alimentação dos bezerros, este deve ser pasteurizado antes do fornecimento. A pasteurização é um processo quesubmete o leite a uma alta temperatura, e em seguida a uma baixa temperatura, com essa rápida variação de temperatura é possível reduzir a carga bacteriana do leite. A pasteurização deve ser realizada em equipamentos específicos, garantindo que todas as etapas do processo sejam bem feitas e obtenção de leite na temperatura ideal para ser fornecido ao bezerro, por volta de 37 ºC. Importante! A pasteurização não elimina os resíduos de antibióticos do leite de descarte, sendo assim, sua ingestão traz riscos para a saúde dos bezerros. 40 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS quando a opção alimentar os bezerros com substitutos de leite, siga todas as instruções dos fabricantes quanto à diluição e à temperatura da água. Importante! Utilize sempre água de boa qualidade, de preferência clorada. Evite usar substitutos de leite com alto teor de proteína vegetal (por exemplo, a soja), pois os bezerros jovens têm dificuldades em digeri-la, aumentando os riscos de diarreia e de empanzinamento. Nunca misture o sucedâneo do leite em leite natural ou de descarte, esta mistura pode alterar o pH e comprometer a qualidade do produto fornecido aos bezerros, aumentando o risco de ocorrências de empanzinamento, diarreia e úlcera de abomaso nos bezerros. Mantenha todo o material necessário para o preparo do leite (vasilhas, panelas e colheres) limpo e em boas condições de uso. 41 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Os bezerros têm alta motivação (vontade) para sugar, eles normalmente satisfazem esta vontade sugando os tetos da mãe enquanto mamam. Nas condições de aleitamento artificial com baldes sem bicos é comum os bezerros sugarem uns aos outros. Esse comportamento, conhecido como “mamada cruzada”, pode ter consequências negativas, principalmente quando o alvo da sucção for os tetos das bezerras, pois prejudica o desenvolvimento do aparelho mamário e aumenta o risco de mastite. BEzERROS APRESENTANDO COMPORTAMENTOS DE MAMADA CRUzADA BEzERROS SUGANDO OBJETOS 42 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A quantidade de leite a ser oferecida deverá atender as exigências de cada animal. Um bom critério para atender a esta recomendação é definir a quantidade de leite oferecida com base no peso do bezerro. Nos primeiros 35 dias de idade o bezerro deve ingerir a quantidade de leite diária que corresponda a pelo menos 15% de seu peso vivo. Por exemplo, um bezerro com 40 kg de peso vivo deve receber 6 litros de leite/dia no início do aleitamento, esta quantidade de leite deve ser dividida em pelo menos duas mamadas. Para satisfazer a vontade dos bezerros em sugar é recomendado que o aleitamento seja feito em baldes com bicos, que devem ser fixados a 45 cm de altura (do bico até o chão), assemelhando-se à altura do úbere da vaca. Este procedimento reduz o risco dos bezerros engasgarem, devido a ingestão do leite ser mais lenta. Atenção! Mesmo com o uso de balde com bico alguns bezerros podem continuar apresentando o comportamento de sugar uns aos outros. Este comportamento deve ser evitado. Sempre que houver um bezerro apresentando este comportamento, verifique o furo do bico, se estiver rasgado troque-o e se não for este o caso separe o bezerro do grupo por pelo menos 15 minutos após cada mamada. 43 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Cuidados durante o aleitamento artificial Atenção aos bicos usados para o aleitamento dos bezerros, eles se desgastam com o tempo e precisam ser trocados periodicamente. Certifique-se de que o bico não está rasgado ou com furo muito grande. Bicos rasgados e com furos grandes aumentam a velocidade de ingestão do leite, que pode levar o bezerro a engasgar ou, nos casos mais graves, resultar em falsa via, aumentando o risco de pneumonia. O entupimento do bico pode ocorrer quando há má diluição do substituto do leite, dificultando sua ingestão pelo bezerro. Certifique-se sempre que o substituto do leite está bem diluído. Nos casos de entupimento, pare o aleitamento, retire o bico do balde e lave-o com cuidado, desentupindo-o. ALEITAMENTO EM BALDES COM BICOS NUNCA AUMENTE O FURO DO BICO! A quantidade de leite a ser oferecida deverá atender as exigências de cada animal. Um bom critério para atender a esta recomendação é definir a quantidade de leite oferecida com base no peso do bezerro. Nos primeiros 35 dias de idade o bezerro deve ingerir a quantidade de leite diária que corresponda a pelo menos 15% de seu peso vivo. Por exemplo, um bezerro com 40 kg de peso vivo deve receber 6 litros de leite/dia no início do aleitamento, esta quantidade de leite deve ser dividida em pelo menos duas mamadas. 44 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Escovando os bezerros durante o aleitamento Trate os bezerros com carinho e aproveite os manejos de rotina para criar intimidade com cada um deles. Aproveite o momento do aleitamento para estimulá-los, fazendo a escovação. Use suas próprias mãos ou uma escova de cerdas macias, passando-as com cuidado sobre o corpo dos bezerros. A escovação produz sensação agradável e fortalece a relação entre o tratador e o animal. Esta ação imita o comportamento da vaca, que lambe o bezerro enquanto ele mama. Aproveite o momento da escovação para realizar um exame cuidadoso em cada bezerro. Infestações por carrapatos, bicheiras, inflamações no umbigo, corrimento nasal e diarreias são facilmente identificadas pela observação quando se está próximo e tocando o bezerro. Faça desta prática uma atividade de rotina. 45 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Instalações e manejos de rotina Há várias formas para se realizar a criação de bezerros leiteiros, que variam em função do clima, da raça escolhida e das condições da fazenda, envolvendo a infraestrutura, a disponibilidade de recursos e o manejo adotado. A criação pode ser feita em piquetes ou em galpões e, em ambos os casos, elas pode ser feita de forma coletiva ou individual. Em qualquer situação deve-se dispor de um local para o armazenamento de equipamentos e medicamentos, que devem ficar abrigados da chuva e da radiação solar direta. Neste mesmo local deve ser instalada uma pia, para que os tratadores lavem suas mãos e realizem a limpeza dos equipamentos. É recomendável dispor de um freezer para congelamento do colostro) e de um fogão, que será usado para o descongelamento do colostro e o aquecimento do leite ou da água (quando se usa substituto de leite para a alimentação dos bezerros). Independentemente das instalações que serão utilizadas na criação de bezerros elas devem estar sempre limpas e oferecer condições que sejam confortáveis para os animais, além de proporcionar boas condições para a realização dos manejos. Para que estas condições sejam alcançadas é importante que os bezerros tenham a oportunidade de expressar seus comportamentos naturais, com liberdade para correr, pular e interagir com outros indivíduos por pelo menos algumas horas por dia. 46 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Criação coletiva em piquetes Na criação coletiva em piquetes os bezerros permanecem soltos o tempo todo, geralmente a partir da segunda semana de vida. Neste tipo de criação os bezerros têm a possibilidade de expressar seus comportamentos naturais. Entretanto, é necessário ter atenção especial para evitar que acidentes, infestações por carrapatos ou doenças sejam detectados muito tardiamente. Certifique-se de que os bezerros tenham fácil acesso aos alimentos e água de boa qualidade e que haja sombra disponível para que todos os animais se protejam do sol nas horas mais quentes do dia . O ideal é ter um piquete com sombra natural (árvores), mas também é adequado o uso de telas de sombreamento. 47 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Os bebedouros devem estar dispostos em áreas com boa drenagem ou que tenham piso de concreto ao seu redor, de forma a minimizar a formação de lama no piquete. Nesse tipo de criação é comum o aleitamento natural, que geralmente ocorrelogo após a ordenha. Nos casos de aleitamento artificial, deve-se dispor de local adequado para fazê-lo, a sala de aleitamento, que deve estar localizada próximo aos piquetes onde os bezerros ficam alojados, facilitando a condução dos animais e a realização do trabalho. 48 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Criação individual em piquetes Dentre as vantagens da criação individual de bezerros estão a redução do risco de transmissão de doenças entre os bezerros e as facilidades de alimentação, de aplicação de medicamentos e de identificação de problemas, além do melhor controle da quantidade de ração ingerida. Entretanto, este método de criação não permite que animais expressem todos seus comportamentos naturais, pois eles ficam com muitas limitações de movimentos e sem oportunidade de interações sociais com outros bezerro. Todos os bezerros alojados individualmente em piquetes devem ter acesso permanente á água e alimentos sólidos (concentrado e volumoso). Uma das possibilidades para a adoção deste tipo de criação é o uso de abrigos móveis individuais com cobertura, as casinhas tropicais. Neste tipo de criação os bezerros ficam presos à casinha por uma corrente durante todo o período de aleitamento e, portanto, têm mobilidade muito limitada, uma vez que têm acesso apenas ao abrigo (que oferece sombra aos animais) e a uma pequena área externa. 49 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Uma outra forma de criação individual em piquetes é com uso de estacas. Este método é muito parecido com o das casinhas tropicais, se diferenciando apenas por não dispor do abrigo. Portanto, além de limitar a mobilidade do bezerro, não oferece a opção para ele escolher entre ficar exposto ao sol ou procurar a sombra. Há ainda a possibilidade de manter os bezerros em sistema de alojamento individual ao ar livre, oferendo um pouco mais de liberdade à eles; este método de criação é conhecido como bezerreiro “tropical” ou “argentino”. Neste tipo de alojamento os bezerros são amarrados a uma corrente fixada a um fio de arame estendido entre dois postes de madeira. Neste caso os bezerros também têm acesso a um abrigo, que geralmente e feito de tela de sombreamento, proporcionando proteção contra a radiação solar direta. Levando-se em conta o bem- estar dos bezerros, este é o tipo de criação individual em piquetes mais recomendado pois, quando bem dimensionado, oferece mais oportunidades para os bezerros expressarem seus comportamentos de brincadeiras, como correr e saltar. 50 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Criação em galpões (coletiva ou individual) A criação em galpões consiste em manter os animais a maior parte do tempo em ambiente coberto, alojados em grupos ou em baias individuais. Para este tipo de instalação é necessário tomar alguns cuidados: 1) Evite alta densidade de animais, quando em grupos mantenha área de pelo menos 3 m² por bezerro, assegurando espaço suficiente para que todos os animais tenham a possibilidade de se deitar e levantar ao mesmo tempo, sem riscos de serem pisoteados uns pelos outros. 2) Independentemente do piso da instalação, mantenha-o coberto com cama (de preferência de palha ou capim seco) com pelo menos 10 cm de cobertura. Além de proporcionar conforto, a utilização de cama facilita a limpeza, pois pode- se retirar a camada suja de fezes, sobrepondo-a com material limpo. 3) Evite usar camas de material muito fino (como a serragem, por exemplo), este tipo de cama produz muita poeira, dificultando a respiração dos animais e aumentando o risco de doenças respiratórias. 51 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS 4) Faça a limpeza completa do galpão pelo menos uma vez por semana (aumentando a frequência sempre que necessário) e espalhe cal virgem sobre o piso antes de repor a cama. A cal tem ação bactericida. 5) Retire regularmente as camadas úmidas e sujas da cama, repondo com cama limpa e seca. 6) Instale cortinas nas laterais do galpão, de forma a controlar o fluxo de ar, fechando-as em dias frios para evitar correntes de vento. 7) No caso dos bezerros serem aleitados nas baias, deve-se retirar a água por, ao menos, duas horas após o aleitamento, de forma a evitar ingestão descontrolada de água após a mamada. Nos demais períodos do dia, a água de boa qualidade deverá estar sempre disponível. Lembre-se! Os bezerros necessitam de espaço para expressarem seus comportamentos naturais, principalmente aqueles mantidos em baias individuais. Considere a possibilidade de soltá- los em piquetes por algumas horas todos os dias. Atenção! Evite situações que resultem em alta temperatura e forte odor (de urina e fezes) no interior do galpão, que ocorrem principalmente em galpões baixos e com pouca ventilação, sendo agravado quando há falhas na limpeza dos galpão e quando os animais são mantidos em alta densidade. 52 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Oferecendo oportunidades para interações sociais e brincadeiras Bezerros gostam de correr e brincar. Muitas vezes impedimos que eles façam essas atividades aos mantê-los presos em correntes ou em baias muito pequenas. Exercícios físicos e banhos de sol favorecem o desenvolvimento dos bezerros. Assim, quando os bezerros são criados em ambientes confinados, é recomendado dispor de um piquete para que eles sejam soltos por algumas horas a cada dia, para que possam correr, brincar e interagir socialmente. Esse piquete deve dispor de pelo menos 10 m² por animal. O melhor horário para soltar os bezerros é logo após a mamada da manhã. Não é recomendado soltá-los em dias de chuva. 53 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A oferta de alimentos sólidos Os bezerros começam a se interessar pela ração e feno logo na primeira semana de vida, embora neste período a ingestão ainda seja baixa. O dimensionamento dos comedouros deve ser definido de forma a permitir o acesso de todos os animais ao alimento ao mesmo tempo. Cuidado com a altura e profundidade de cochos, assegure que todos os animais terão fácil acesso aos recursos. Sempre que possível dê preferência para o uso da ração peletizada. A ração farelada é mais difícil de ser ingerida e pode ser aspirada, sendo uma das causas de problemas respiratórios) Ração embolorada, molhada ou contaminada deve ser descartada. O fornecimento de ração deve ser feito pelo menos duas vezes ao dia, para garantir que esta esteja sempre fresca. A sobra de ração deve ser recolhida todos os dias, podendo ser utilizada para alimentar os bezerros desmamados. 54 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Alimentos volumosos também devem estar sempre disponíveis, dê preferência a feno ou capim picado. Certifique-se de que o volumoso a ser fornecido esteja fresco e livre de contaminações. Na fase de aleitamento não é recomendado o uso de alimentos fermentados, como a silagem, por exemplo. 55 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Tanto em condições de criação extensiva quanto intensiva, há bezerros que necessitam de atenção e cuidados especiais, geralmente por estarem fracos ou doentes. Observe os animais com cuidado todos os dias e, ao identificar algum bezerro com problema de saúde, separe-o dos demais. Atenção! Realize monitoramento constante das condições de saúde dos bezerros e redobre a atenção durante o tratamento dos bezerros doentes até sua plena recuperação. BAIA ESPECIAL PARA BEzERROS FRACOS OU DOENTES MONITORAMENTO CONSTANTE DA SAúDE DOS BEzERROS Atenção especial para com bezerros fracos ou doentes 56 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A condução dos bezerros quando o tratador desenvolve boas interações com os bezerros, o manejo de condução fica mais fácil, pois os animais associam a sua presença a ações positivas, passando a segui-lo ou a atender ao seu chamado. Dicas que facilitam a condução dos bezerros: 1) Aproxime-se do bezerro tranquilamente, sem fazer movimentos bruscos. 2) Ofereça seus dedos, aproximando-os de sua boca, estimulando-oa sugá-los. 3) Com o dedo próximo ou dentro da boca do bezerro inicie o deslocamento, fazendo com que o animal o acompanhe. Lembre-se! A condução fica mais fácil quando o tratador tem intimidade com os bezerros; logo, não perca as oportunidades para interagir com eles de forma positiva (com carícias e chamando-os pelo nome), principalmente durante o aleitamento e a oferta de ração. 57 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Cuidados no manejo de mochação A mochação é uma prática muito comum nas fazendas leiteiras, podendo ser feita com o uso de ferro quente ou produtos químicos (pastas causticas de hidróxido de sódio ou de hidróxido de potássio). Do ponto de vista do bem-estar animal, o uso de ferro quente é o método mais recomendado, isto porque as pastas causticas causam dor por um período mais longo de tempo e há maior risco de lesões na pele do próprio animal e de outros, caso tenham contato físico. A mochação com ferro quente é muito dolorosa e, portanto, deve ser feita sempre com muito cuidado e após a aplicação de anestesia local, como determinado na Resolução no 877, de 15 de fevereiro de 2008, do Conselho Federal de Medicina Veterinária. Deve-se considerar também o uso de analgésicos após a mochação. Todos esses procedimentos devem ser realizados sob a orientação de um médico veterinário. A mochação consiste na queima dos botões dos chifres, devendo ser realizada antes da implantação dos mesmos nos crânios dos bezerros, em geral entre 21 e 30 dias de idade. Evite realizar a mochação em animais muitos novos que são mais susceptíveis a traumas e estresse. Atenção! Monitore constantemente os bezerros submetidos ao manejo de mochação, principalmente durante o período de chuvas, quando ocorre maior risco de bicheiras. 58 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS A desmama O leite é mais que uma importante fonte de alimento para o bezerro. É também fonte de prazer, devido à forte motivação que os bezerros têm para sugar. Assim, a desmama (ou desaleitamento) é uma das principais causas de estresse para os bezerros leiteiros, podendo resultar, quando mal feita, em perda de apetite e de peso e maior risco de contrair doenças. É agravante o fato de que, na desmama, o bezerro geralmente é levado para um outro ambiente e recebe os cuidados de um novo tratador, aumentando o estresse nessa fase da vida dos animais. Com a adoção de boas práticas de manejo busca-se minimizar o estresse da desmama nos bezerros, evitando realizar outros manejos negativos no momento da retirada do leite, que deve ser feita de forma gradativa, de forma a possibilitar uma melhor adaptação do bezerro. Uma das ações neste sentido é a adoção da desmama progressiva como uma boa prática de manejo, sendo caracterizada pela redução gradativa da oferta de leite. Essa prática deve levar em conta a idade, o peso e a capacidade de ingestão de concentrado pelo bezerro. Estudos comprovam que os bezerros sentem menos estresse quando desmamados desta forma, pois com passar do tempo vão se adaptando a quantidades menores de leite e se tornando menos dependentes deste alimento. 59 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Nas condições de aleitamento artificial pode-se iniciar a redução na oferta de leite quando os bezerros atingirem aproximadamente 35 dias de idade, desde que apresentem boas condições de saúde, bom vigor e já iniciaram a ingestão de ração. Esta redução deve ser de forma gradativa até que o bezerro seja desmamado alcance pelos menos 90 kg de peso vivo e estejam ingerindo pelo menos 700 g de ração por dia, o que geralmente ocorre quando ele atinge por volta de 80 dias de idade. É importante monitorar os pesos dos bezerros no final da fase de aleitamento para a definição daqueles que podem ser desmamados. Exemplo de desmama progressiva, definindo a quantidade de leite a ser oferecida aos bezerros ao longo de seu desenvolvimento (referência: bezerro com 40 kg de peso vivo ao nascimento) Atenção! quando os bezerros que atingirem 90 kg de peso vivo antes dos 80 dias de vida e estiverem ingerindo pelos menos 700 g de concentrado , reduza a quantidade de leite para 1 litro/dia em uma mamada diária por 7 dias consecutivos e desmame-os. Idade do bezerro (dias) Quantidade de leite oferecido Do nascimento ao 3º dia de idade Colostro à vontade / 2 vezes ao dia Do 4º ao 35º dia 6 litros / 2 vezes ao dia Do 36º ao 55º dia 4 litros / 2 vezes ao dia Do 56º ao 60º dia 3 litros / 2 vezes ao dia Do 61º ao 70º dia 2 litros / 2 vezes ao dia Do 71º ao 80º dia 1 litro / uma vez ao dia 81º dia Desmama 60 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Nos casos que não for possível formar vários lotes de bezerros em fase de aleitamento a desmama progressiva pode ser simplificada, fornecendo 6 L de leite (em duas mamadas) até que os bezerros alcancem 45 dias de idade e reduzindo esta oferta pela metade, oferecendo 3 L de leite em uma única mamada no período da manhã até os bezerros completarem 90 dias de idade, como detalhado na tabela a seguir. Nesta situação há uma redução brusca na quantidade de leite oferecida a partir do 46º dia de idade, esta condição exige maior cuidado no monitoramento da condição corporal dos bezerros e na quantidade de concentrado ingerida. Bezerros com baixo peso ao nascimento podem levar mais tempo para atingir o peso recomendado para a realização da desmama. Nesses casos, monitore seu ganho de peso e consumo de ração, bezerros com ganhos médios superiores a 700 g de peso vivo/dia e com consumos de pelo menos 700 g de ração/dia indicam que os bezerros já estão prontos para serem desmamados. Exemplo de desmama progressiva simplificada, definindo a quantidade de leite a ser oferecida aos bezerros ao longo de seu desenvolvimento (referência: bezerro com 40 kg de peso vivo ao nascimento) Idade do bezerro (dias) Quantidade de leite oferecido Do nascimento ao 3º dia de idade Colostro à vontade / 2 vezes ao dia Do 4º ao 45º dia 6 litros / 2 vezes ao dia Do 46º ao 90º dia 3 litros / 1 vez ao dia 91º dia Desmama Importante! Monitore a condição corporal dos bezerros e a quantidade de concentrado ingerida e use estas informações para a definição da quantidade de leite a ser oferecida a cada animal. 61 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Nos casos de aleitamento natural, a desmama geralmente ocorre mais tarde, quando o bezerro alcança entre 7 e 8 meses de idade. Em alguns casos, em que a manutenção da lactação depende da presença do bezerro, é comum reduzir a quantidade de leite disponível para ele com o passar do tempo, mantendo o contato entre ele e a mãe até a secagem da mesma. Nesse caso não é possível controlar exatamente quanto o bezerro está mamando, sendo recomendado monitorar seu comportamento (vocalização e ingestão de ração) e condição corporal de forma a assegurar que ele não está passando fome. Lembre-se! O principal elemento para a definição de quem será desmamado é a observação! A partir das observações realizadas durante as rotinas diárias de manejo é possível se fazer uma boa avaliação das condições de cada um dos bezerros sob seus cuidados. Com estas observações fica mais fácil e mais seguro tomar a decisão de quem deve ser desmamado, minimizando o risco de sofrimento para os bezerros e de trabalho extra para os tratadores. 62 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS O manejo de bezerros leiteiros passo a passo 1. Defina quem será o responsável pelo manejo dos bezerros e onde este manejo será realizado. 2. Estabeleça uma rotina de registros que permitam o controle do rebanho. 3. Assegure que todos os recursos necessários para o manejo dos bezerros estejam disponíveis e em boas condições de uso. 4. Promova a secagem das vacas quando elas estiverem por volta de 60 dias antes da data prevista do parto. 5. Transfira as vacas para o piquete ou baia maternidade assim que se aproximar as três ultimas semanas de gestação. 6. Sempre que possível acompanhe o trabalho de parto, ajudando quandofor necessário. 7. Logo após o nascimento do bezerro realize a cura do umbigo. Repita o procedimento de cura do umbigo pelo menos mais duas vezes no primeiro dia de vida do bezerro. 8. Evite cortar o umbigo dos bezerros, fazendo-o somente nos casos em que o umbigo tiver mais de 20 cm de comprimento. 9. Siga realizando a cura do umbigo por pelo menos mais 5 dias ou até sua completa secagem. 10. Fique sempre atento à ocorrência de inflamações e de bicheiras. 11. Assim que a vaca terminar os primeiros cuidados com o bezerro, conduza-a até o local onde será feita a ordenha do colostro. Realize esta condução com atenção e cuidado pois o bezerro geralmente acompanha a mãe e há riscos dele cair e ser pisoteado pela vaca. 63 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS 12. Ordenhe uma amostra do colostro e faça a avaliação de sua qualidade utilizando o colostrômetro. 13. No caso do colostro se mostrar de boa qualidade ofereça-o ao bezerro o quanto antes e ordenhe a vaca até esgotá-la. O colostro excedente deve ser congelado para a formação do banco de colostro. 14. O ideal é que o bezerro mame pelo menos 2 L do primeiro colostro (obtido na primeira ordenha da vaca) em até 3 horas após o parto e mais 2 L até que complete 6 horas de vida, totalizando a ingestão de 4 L nas primeiras 6 horas de vida. 15. Ofereça o primeiro colostro em mamadeira com bico, cujo furo deve ter no máximo 3 mm de largura. Continue oferecendo o primeiro colostro durante o primeiro dia de vida do bezerro, sem limitar a quantidade ingerida. 16. Evite utilizar colostro de média ou baixa qualidade para aleitar bezerros no seu primeiro dia de vida. 17. quando a vaca não produzir colostro de boa qualidade, use o banco de colostro para fazer o primeiro aleitamento do bezerro . 18. Descongele o colostro sempre em banho-maria. Não deixe a temperatura da água ultrapassar 60 oC. Nunca ferva o colostro. 19. A temperatura do colostro deve estar próxima de 37 oC no momento de ser oferecido aos bezerros. 20. Colostros com média e baixa qualidade devem ser oferecido aos bezerros a partir do segundo dia de vida.. Se houver grande disponibilidade de colostro mantenha esta oferta até que o bezerro alcance três dias de idade. 21. quando não houver disponibilidade de colostro, ofereça leite de boa qualidade aos bezerros a partir do segundo dia de vida. 22. Evite utilizar o leite de descarte, produzido por vacas com mastite ou que contenham resíduos de antibióticos. 23. quando fizer a opção de usar o leite de descarte para a alimentação dos bezerros, submeta-o ao processo de pasteurização. Lembre-se que a pasteurização não elimina os resíduos de antibióticos do leite de descarte. 64 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS 24. O leite deve ser oferecido em mamadeiras ou em baldes com bico, assegurando aos bezerros a oportunidade de sugar. Certifique-se de que o bico não esteja rasgado ou nem com furo muito grande. 25. Os bezerros devem ser amamentados pelo menos duas vezes ao dia, recebendo quantidade de leite suficiente para atender suas necessidades. 26. Sempre que possível interaja com os bezerros. Isto pode ser feito a qualquer momento do dia, mas em particular durante a amamentação. Escove os bezerros enquanto eles mamam. 27. Assegure que os bezerros tenham acesso ao alimento sólido (ração e feno) a partir da primeira semana de vida. Certifique-se que todos os bezerros tenham fácil acesso a estes alimentos. 28. Os bezerros podem ser mantidos condições de alojamento individual ou coletivo. Em ambos os casos eles devem ser alojados em locais limpos e confortáveis. Em qualquer situação, evite manter os bezerros em alta densidade. 29. quando os bezerros foram criados em galpões faça uso de cama, preferencialmente com palha ou capim seco e com pelo menos 10 cm de cobertura. Nestes casos, sempre que possível reserve um piquete onde os bezerros possam ser liberados por algumas horas durante o dia, para tomar banho de sol e se exercitar e brincar. 30. Aproveite as oportunidades e ganhe intimidade com os bezerros. Sempre que possível fique com eles, observando-os e tocando-os. 31. Desmame os bezerros de forma progressiva. Forneça inicialmente a quantidade de leite que satisfaça o animal e inicie a redução na oferta de leite a partir do 35º dia de idade dos bezerros, realizando a desmama quando atingirem por volta de 80 dias de idade. 32. Lembre-se a base principal para definição do momento da desmama é a observação. Monitore o bezerro constantemente, e caso ele mostre sinais de estresse em função da desmama, retome a amamentação e reavalie a situação. 65 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Considerações finais A adoção das boas práticas de manejo na primeira fase da vida dos bezerros (do nascimento à desmama) é fundamental para que eles cresçam fortes e saudáveis. Assim, todas as recomendações apresentadas neste manual contribuem para melhorar o bem-estar dos bezerros leiteiros, com reflexos positivos no seu desenvolvimento e na produtividade da fazenda. Lembre-se que a aplicação das boas práticas de manejo devem continuar mesmo após a desmama. Incentivamos os proprietários e tratadores a manterem os princípios apresentados neste manual em todas as atividades da fazenda leiteira, tratando os animais sob seus cuidados com respeito e atenção. 66 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS Agradecimentos Para a produção da primeira edição deste manual contamos com apoio dos proprietários e funcionários das fazendas Germânia (Taiaçu-SP), Ipiranga (Loanda-PR) e Massaranduva (Itaí-SP), que proporcionaram as melhores condições para a realização de nossas pesquisas e para a validação das recomendações das práticas de manejo nele apresentadas. Contamos também com a colaboração de Ocilon Gomes de Sá Filho, Adriana Postos Madureira e Aline Cristina Sant’Anna, que realizarão a revisão do texto e apresentaram valiosas sugestões para melhorá-lo. A todas estas pessoas, nossos sinceros agradecimentos. As pesquisas mais recentes, que serviram de base para a elaboração desta segunda edição, foram realizadas na Fazenda Santa Luzia, em Passos-MG. Assim, agradecemos também a Mauricio Silveira Coelho, Deni Soares e a toda a equipe da fazenda, pela gentil acolhida e colaboração durante a realização das coletas de dados. Cabe ainda agradecer a José Renato Chiari e a equipe da Agropecuária Irmãos Chiari, pela hospitalidade e atenção com que nos receberam na Fazenda São Caetano durante a validação das recomendações apresentadas neste manual. Vários integrantes do Grupo ETCO e da equipe técnica do zoetis colaboraram com a produção deste manual, em particular Luciana Pontes, Maria Fernanda Guimarães e Hevelise Dias que deram expressiva contribuição durante a coleta de dados. Parte das fotos que ilustram este manual foram cedidas por Karen Camille Rocha Góis. Apresentamos a todos nossa gratidão e reconhecimento. 67 Boas Práticas de Manejo BEZERROS LEITEIROS