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ECONOMIA MARXISTA II Preço de custo e lucro (Livro III, cap. 1) “Trata-se [...] de 
encontrar e expor as formas concretas que surgem do processo de movimento do capital 
considerado como um todo. Em seu movimento real, os capitais se defrontam em tais 
formas concretas, para as quais a figura do capital no processo de produção direto, bem 
como sua figura no processo de circulação, só aparece como momento específico. As 
configurações do capital, como as desenvolvemos neste livro, aproximam-se, portanto, 
passo a passo, da forma em que elas mesmas aparecem na superfície da sociedade, na 
ação dos diferentes capitais entre si, na concorrência e na consciência costumeira dos 
agentes da produção.” (C, III, p. 23) Preâmbulo: O objeto do livro III de O capital O preço de 
custo Ex.: Sejam: valor dos meios de trabalho = 1.200 depreciação dos meios de trabalho = 
20 materiais de produção = 380 salários = 100 taxa de mais-valia = 100% Temos : M = c + v 
+ m = pc = c + v = Assim: M = pc + m Preço de custo – uma categoria do cálculo capitalista 
“O que a mercadoria custa ao capitalista e o que custa mesmo a produção da mercadoria, 
são, todavia, duas grandezas completamente diferentes. A parte de valor da mercadoria 
que consiste em mais-valia não custa nada ao capitalista, exatamente porque custa trabalho 
não pago ao trabalhador. Como, no entanto, na base da produção capitalista o próprio 
trabalhador, depois de seu ingresso no processo de produção, constitui um ingrediente do 
capital produtivo posto em função e pertencente ao capitalista, sendo o capitalista, portanto, 
o verdadeiro produtor de mercadoria, então o preço de custo da mercadoria aparece 
necessariamente para ele como o verdadeiro custo da própria mercadoria.” (p. 24) “O 
agrupamento das diferentes partes de valor da mercadoria que só repõem o valor de capital 
despendido em sua produção sob a categoria do preço de custo expressa, portanto [...], o 
caráter específico da produção capitalista. O custo capitalista da mercadoria mede-se no 
dispêndio em capital, o verdadeiro custo da mercadoria no dispêndio em trabalho. O preço 
de custo capitalista da mercadoria é, portanto, quantitativamente diferente de seu valor ou 
de seu verdadeiro preço de custo; ele é menor do que o valor-mercadoria [...].” (p. 24) Do 
livro I de O capital, sabemos que o valor do produto de 600 se compõe: 1) do valor que 
reaparece do capital constante de 400 (c); e 2) do valor novo produzido de 200, soma do 
capital variável com a mais-valia (v + m). Por sua vez, o preço de custo compreende: 1) o 
valor que reaparece de 400; e 2) metade do valor novo produzido de 200. “Portanto, em 
relação a sua origem, dois elementos total e absolutamente diferentes do valor-mercadoria” 
(p. 25). Por que o preço de custo é uma categoria da aparência? A diferença entre os 
componentes do valor-mercadoria que constituem o preço de custo salta à vista quando 
ocorre uma mudança na grandeza de valor, ora da parte constante, ora da parte variável do 
capital que foi despendida (p. 25). Suponha-se que ocorra uma variação no valor do capital 
constante: c N vft v m pc valor 1 400 100 1 100 100 500 600 2 400 100 1,5 150 3 400 100 
0,5 50 Suponha-se que ocorra uma variação no valor do capital variável: c N vft v m pc valor 
1 400 100 1 100 100 500 600 2 600 100 1 100 3 200 100 1 100 N = nº de trabalhadores; vft 
= valor da força de trabalho Observe-se que, sob os pressupostos adotados, o valor novo (v 
+ m) não se altera. “Uma alteração na grandeza absoluta de valor do capital variável, na 
medida em que ela só expressa uma alteração no preço da força de trabalho, não muda o 
mínimo na grandeza absoluta do valor-mercadoria, pois em nada modifica a grandeza 
absoluta do valor novo [gerado pela] força de trabalho mobilizada. Tal mudança afeta muito 
mais apenas a proporção quantitativa de ambos os componentes do valor novo, dos quais 
um constitui mais-valia, enquanto o outro repõe o capital variável e, por isso, entra no preço 
de custo da mercadoria.” (p. 25-26) “Esse estado real das coisas aparece, porém, 
necessariamente de modo invertido da perspectiva da produção capitalista. [...] [...] a parte 
do capital desembolsada em trabalho só difere da parte do capital desembolsada em meios 
de produção [...] por servir para o pagamento de um elemento de produção materialmente 
diverso, mas de maneira alguma por desempenhar um papel funcionalmente diverso no 
processo de formação do valor da mercadoria, e portanto também no processo de 
valorização do capital. [...] A diferença entre capital constante e capital variável 
desapareceu.” (p. 26-27) “Essa diferença entre capital fixo e circulante em relação ao 
cálculo do preço de custo só comprova, portanto, o surgimento aparente do preço de custo 
a partir do valor-capital despendido ou do preço que os elementos de produção 
despendidos, inclusive o trabalho, custam ao próprio capitalista. Por outro lado, a parte 
variável do capital, desembolsada em força de trabalho, é identificada aqui expressamente, 
com referência à formação do valor e sob a rubrica de capital circulante, com o capital 
constante (a parte de capital consistente em materiais de produção), consumando-se assim 
a mistificação do processo de valorização do capital.” (p. 27-28) Em relação à formação do 
preço de custo, só se faz valer uma diferença – entre capital fixo e capital circulante (p. 27). 
pc = cf (depreciação do capital fixo) + cc (materiais de produção e salários) = 20 + 480 = 
500 A mais-valia Consideremos as duas fórmulas seguintes: M = c + (v + m) trabalho morto 
trabalho vivo M = (c + v) + m custo de produção mais-valia “É agora claro para o capitalista 
que esse acréscimo de valor [m] se origina dos procedimentos produtivos que são 
efetuados com o capital, que, portanto, ele se origina do próprio capital [...].” (p. 28) “Como 
tal descendente imaginário do capital global adiantado, a mais-valia assume a forma 
transmutada de lucro.” [...] (p. 29) “O lucro, tal como o temos inicialmente ante nós, é, 
portanto, o mesmo que a mais-valia, apenas numa forma mistificada [...]. Já que na 
formação aparente do preço de custo não se reconhece nenhuma diferença entre capital 
constante e variável, a origem da alteração de valor que ocorre durante o processo de 
produção precisa ser deslocada da parte variável do capital para o capital global. Já que 
num polo o preço da força de trabalho aparece na forma transmutada de salário, no polo 
antitético a mais-valia aparece na forma transmutada de lucro.” (p. 29-30) Antes tínhamos: 
M = c + v + m Agora temos: M = pc + l “Se [...] a mercadoria é vendida por seu valor, então 
se realiza um lucro que é igual [...] a toda a mais-valia contida no valor-mercadoria. Mas o 
capitalista pode vender a mercadoria com lucro, embora a venda abaixo de seu valor.” (p. 
30) No exemplo: M = 400 + 100 + 100 = 600 pc = 400 + 100 = 500 • Se pm = 600, lucro = 
100 • Se pm = 560, lucro = 60 • Se pm = 630, lucro = 130 “A lei básica da concorrência 
capitalista [...] fundamenta-se [...] nessa diferença entre valor e preço de custo da 
mercadoria e na possibilidade, dela resultante, de vender com lucro a mercadoria abaixo de 
seu valor.” (p. 30) Relação entre valor e preço de mercado “O limite mínimo do preço de 
venda da mercadoria é dado por seu preço de custo. [...] o capitalista está inclinado a 
considerar o preço de custo como o autêntico valor intrínseco da mercadoria, pois é o preço 
necessário à mera manutenção de seu capital. [...] O excedente de valor, ou mais-valia, 
realizado por ocasião da venda da mercadoria aparece, por isso, ao capitalista como 
excedente de seu preço de venda sobre seu valor, ao invés de como excedente de seu 
valor sobre seu preço de custo, de modo que a mais-valia contida na mercadoria não se 
realiza pela venda desta, mas se origina da própria venda.” (p. 30)

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