Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA XXXX VARA DA COMARCA DE
XXXX DO ESTADO DE XXXX
Sr. Carlos, nacionalidade XXXX, estado civil XXXX, empresário, portador do CPF/MF nº
XXXX, RG de n° xxxx, residente e domiciliado na Rua xxxx, n° XXXX, bairro XXXX, CEP XXXX,
cidade e UF XXXX, vem respeitosamente perante a Vossa Excelência propor:
AÇÃO REPARATÓRIA POR DANOS MORAIS
Em face da Pizzaria Mais Sabor, Pessoa jurídica, com CPF/CNPJ de n. XXXX, com sede na
Rua XXXX, nº XXXX, bairro XXXX, CEP XXXX, cidade e UF XXXX, pelas razões de fato e de direito
que passa a aduzir.
I- DOS FATOS
O autor, Sr. Carlos, em comemoração ao seu aniversário, foi ao estabelecimento da ré,
Pizzaria Mais Sabor, com sua família. Ao chegar ao estabelecimento, indagou sobre a possibilidade
de pagamento com cartão de crédito, tendo em vista não possuir dinheiro em espécie ou conta
bancária. A parte ré, por meio de um de seus funcionários, informou-o positivamente sobre a
possibilidade.
Após a refeição, ao se dirigir ao caixa para efetuar o pagamento, o autor foi surpreendido com
a notícia de que a máquina de cartão estava quebrada e que, portanto, não seria possível o
pagamento com cartão. Argumentou com o caixa, que o estabelecimento não poderia contradizer a
informação anteriormente dada. No entanto, a situação se agravou quando o funcionário da ré
proferiu ofensas ao autor em frente a sua família e demais clientes, humilhando-o e expondo-o a um
vexame público. Além disso, o funcionário ameaçou chamar a polícia caso o autor não pagasse a
conta.
O autor, com grande constrangimento, solicitou conversar com o proprietário da ré. O
proprietário, após muita insistência, permitiu a saída do autor sob ameaças de prisão caso não
voltasse no dia seguinte para pagar a conta. No dia seguinte, o autor, constrangido, retornou ao
estabelecimento e quitou a dívida.
II- DO DIREITO
A conduta da parte ré e seus funcionários configura ato ilícito e abusivo, com violação do
direito fundamental do consumidor à dignidade e ao respeito. A prática de humilhação, ofensa e
ameaças, em ambiente público e diante da família do consumidor, causa um prejuízo de natureza
extrapatrimonial, que se caracteriza como dano moral.
O Código Civil, em seu artigo 186, estabelece que aquele que, por ação ou omissão, violar
direito de outrem ou causar-lhe prejuízo, é obrigado a reparar o dano. O artigo 927, por sua vez,
estabelece que, se uma pessoa, por ato ilícito, causar dano a outrem, é obrigada a indenizá-lo.
O Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 6º, inciso VI, garante ao
consumidor o direito à proteção contra práticas abusivas e o direito de exigir a reparação de danos. O
CDC, em seu artigo 12, estabelece que o fornecedor é responsável, independentemente das culpas,
pelos vícios de qualidade ou quantidade que tornem impróprio ou inadequado o consumo, assim
como pelos serviços defeituosos.
A jurisprudência tem reconhecido que o dano moral é presumido em situações de humilhação
e vexame, principalmente em relação à vulnerabilidade do consumidor em face do fornecedor.
III- DO DANO MATERIAL E MORAL 
O dano moral está indiscutivelmente configurado nos autos. Tem-se que o mesmo pode ser
conceituado como uma lesão aos direitos da personalidade. Estes são atributos essenciais e
inerentes à pessoa. Concernem à sua própria existência e abrangem a sua integridade física,
psíquica ou emocional, sob diversos prismas. O direito da personalidade é, em última razão, um
direito fundamental e emana do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. 
No âmbito constitucional, não se pode olvidar que a Constituição Federal de 1988, no artigo
5º, inciso X, normatizou, de forma expressa, que são invioláveis a intimidade, a vida privada e a honra
e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação. Trata-se de previsão inserida no Título dos Direitos e Garantias
Fundamentais, ou seja, os bens jurídicos ali referidos são cruciais para o desenvolvimento do Estado
Democrático. 
 
 A concessão do dano moral tem por escopo proporcionar ao lesado meios para aliviar sua
angústia e sentimentos atingidos. In casu, a falta de empatia e profissionalismo de toda a equipe do
estabelecimento comercial com o cliente, enseja indenização por dano moral, que se traduz em uma
forma de se amenizar a dor e o sofrimento da requerente, afetado que ficou em sua dignidade, sendo
certo que se é verdade que não há como mensurar tal constrangimento, menos exato não é que a
indenização pode vir a abrandar ou amenizá-lo.
 A indenização por dano moral, como registra a boa doutrina e a jurisprudência, há de ser fixada tendo
em vista dois pressupostos fundamentais, a saber: a proporcionalidade e razoabilidade. Tudo isso se
dá em face do dano sofrido pela parte ofendida, de forma a assegurar-se a reparação pelos danos
morais experimentados, bem como a observância do caráter sancionatório e inibidor da condenação,
o que implica o adequado exame das circunstâncias do caso, da capacidade econômica do ofensor e
a exemplaridade - como efeito pedagógico - que há de decorrer da condenação. 
Vejamos, a propósito, o que ensina o mestre Sílvio de Salvo Venosa em sua obra sobre
responsabilidade civil: 
"Os danos projetados nos consumidores, decorrentes da atividade do
fornecedor de produtos e serviços, devem ser cabalmente
indenizados. No nosso sistema foi adotada a responsabilidade objetiva
no campo do consumidor, sem que haja limites para a indenização. Ao
contrário do que ocorre em outros setores, no campo da indenização
aos consumidores não existe limitação tarifada." (Direito Civil.
Responsabilidade Civil, São Paulo, Ed. Atlas, 2004, p. 206). 
Nas palavras do emérito Desembargador Sérgio Cavalieri Filho: 
“...o dano moral não está necessariamente vinculado a alguma reação
psíquica da vítima. Pode haver ofensa à dignidade da pessoa humana
se, dor, sofrimento, vexame, assim como pode haver dor, sofrimento,
vexame sem violação da dignidade....a reação química da vítima só
pode ser considerada dano moral quando tiver por causa uma
agressão à sua dignidade.” (Programa de Responsabilidade Civil, 10ª
edição, Atlas, 2012, São Paulo, pág.89). 
A reparação do dano moral não visa, portanto, reparar a dor no sentido literal, mas sim,
aquilatar um valor compensatório que amenize o sofrimento e constrangimento provocado por aquele
dano, sendo a prestação de natureza meramente satisfatória. Assim, no caso em comento,
clarividente se mostra a ofensa a direitos da pessoa humana, haja vista toda a angústia e transtorno
que o requerente e sua família sofreu no determinado momento.
IV- DOS PEDIDOS
Em face do exposto, requer, se digne Vossa Excelência de: 
1) Mandar citar a requerida para, querendo, responder a presente, sob pena de revelia; 
2) Conceder a inversão do ônus da prova em favor da requerente, nos moldes entabulados
pelo Código de Defesa do Consumidor; 
3) Provado quanto baste e empós os ulteriores termos legais, JULGAR PROCEDENTE a
presente esgrima, para o fim de: 
4) CONDENAR a requerida a pagar, ao requerente, uma indenização por danos morais (art.
5º. CF/88 c/c arts. 6º, inciso VI, e 14 do CDC), em montante a ser arbitrado por este juízo, sugerindo-
se, com base na capacidade financeira das partes e no grau e extensão do dano, o valor
correspondente a XXXX salários mínimos, como parâmetro mínimo;
Protesta e requer provar o alegado por todos os meios de provas admitidos em direito,
juntada de novos documentos, perícias, depoimentos pessoais e inquirição de testemunhas
(oportunamente arroladas), tudo desde já requerido.
Dá à causa, para efeitos meramente processuais, o valor de XXXX.
Nesses termos.
Pede deferimento.
CIDADEXXXX, DIA XXXX DE MÊS XXXX DE ANO XXXX
Advogado/ OAB nº xxxx

Mais conteúdos dessa disciplina