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História do SUS Antes do SUS: Antes da criação do SUS, o acesso à saúde pública no Brasil era limitado principalmente aos trabalhadores com carteira assinada, por meio do INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social). Quem não contribuía com a previdência ficava sem assistência médica ou dependia de instituições de caridade. Constituição de 1988: A grande virada aconteceu com a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu a saúde como direito de todos e dever do Estado. Isso garantiu que qualquer cidadão brasileiro passasse a ter acesso universal, integral e gratuito aos serviços de saúde. Criação do SUS: O SUS foi oficialmente criado em 1990, com a Lei nº 8.080 (Lei Orgânica da Saúde), que organizou os princípios e diretrizes do sistema. Princípios do SUS O SUS é guiado por princípios fundamentais: 1. Universalidade – Todos têm direito ao acesso à saúde, sem discriminação. 2. Integralidade– O cuidado deve ser completo, desde a prevenção até o tratamento e reabilitação. 3. Equidade – Reconhece que diferentes pessoas têm diferentes necessidades; ou seja, trata desigualmente quem é desigual, para promover justiça. Organização do SUS O SUS é descentralizado e participativo, dividido em três esferas de gestão: 1. União (Governo Federal) - Define políticas nacionais de saúde. - Coordena o sistema. - Financia parte dos serviços por meio do Ministério da Saúde. 2. Estados - Organizam e coordenam ações regionais. - Administram hospitais estaduais e centros especializados. 3. Municípios - Responsáveis pela maioria dos atendimentos básicos (postos de saúde, vacinação, etc.). - Gerem unidades de atenção primária (como as Unidades Básicas de Saúde – UBS). Como o SUS funciona na prática O SUS oferece uma ampla gama de serviços, como: - Atendimento em UBSs e hospitais públicos. - Vacinação gratuita. - Transplantes de órgãos. - Distribuição de medicamentos. - Programas de saúde da família. - Controle de doenças (ex: dengue, HIV, tuberculose). Participação da população O SUS também incentiva a participação social, por meio dos Conselhos e Conferências de Saúde, onde a sociedade civil pode ajudar a fiscalizar e propor melhorias. Políticas de saúde do SUS O que são políticas de saúde? São diretrizes e ações planejadas para: - Prevenir doenças. - Promover a saúde. - Tratar e reabilitar as pessoas. - Garantir acesso igualitário e de qualidade aos serviços de saúde. Principais Políticas de Saúde do SUS 1. Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) - Define a atenção primária à saúde, como o primeiro contato da população com o SUS (postos, UBSs). - Prioriza a prevenção, diagnóstico precoce e promoção da saúde. - Base da Estratégia Saúde da Família (ESF), com equipes multiprofissionais que atuam na comunidade. 2.Política Nacional de Humanização (PNH) - Busca melhorar o acolhimento, vínculo e respeito no atendimento de saúde. - Fortalece o protagonismo do paciente, dos trabalhadores e da gestão. 3.Política Nacional de Vigilância em Saúde - Abrange ações de vigilância epidemiológica, sanitária, ambiental e saúde do trabalhador. - Atua no controle de surtos, epidemias (ex: dengue, COVID-19) e fiscalização de alimentos, medicamentos, ambientes e produtos. 4. Política Nacional de Medicamentos - Garante o acesso a medicamentos essenciais, com controle de qualidade, uso racional e distribuição gratuita por meio de farmácias do SUS. 5. Política Nacional de Saúde Mental - Organiza o cuidado em saúde mental, com foco na desinstitucionalização (ou seja, menos internações em manicômios) e mais acolhimento em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). 6. Política Nacional de Saúde da População Negra, Indígena, LGBTQIA+ e outros grupos; - Focada em equidade, busca reduzir desigualdades históricas e promover o acesso digno à saúde para populações vulneráveis. 7. Política Nacional de Saúde do Idoso - Promove o envelhecimento ativo e saudável, com ações de prevenção, reabilitação e cuidado especializado. 8.Política Nacional de Saúde da Mulher - Atenção ao pré-natal, parto humanizado, prevenção de câncer de mama e colo do útero, planejamento familiar e saúde sexual/reprodutiva. Como são elaboradas essas políticas? São feitas com base em: - Estudos técnicos e epidemiológicos. - Demandas da população. - Participação social (através de Conselhos e Conferências de Saúde). - Acordos entre os gestores nas três esferas (União, estados e municípios), por meio da CIT – Comissão Intergestores Tripartite**. Financiamento do SUS O SUS é financiado por recursos dos três níveis de governo: 1. União (Governo Federal) - Principal fonte de recursos. - Repasse para estados e municípios via fundo a fundo (transferência automática). - Usa recursos do orçamento federal, incluindo impostos como COFINS, CSLL e outros vinculados à Seguridade Social. 2. Estados - Devem aplicar mínimo de 12% de sua receita em saúde (Lei Complementar nº 141/2012). 3. Municípios - Devem aplicar mínimo de 15% de sua receita em saúde. Curiosidade: Em 2000, foi criada a Emenda Constitucional 29, que ajudou a fixar esses percentuais mínimos de investimento em saúde pelos entes federativos. Depois, a Lei Complementar 141/2012 detalhou regras de fiscalização e transparência. Como o dinheiro é usado? Os recursos financiam: - Unidades Básicas de Saúde (UBS) - Hospitais e maternidades - Programas como Saúde da Família, vacinação, controle de endemias - Compra de medicamentos - Pagamento de profissionais de saúde - Equipamentos e insumos Gestão do SUS A gestão do SUS é descentralizada, participativa e compartilhada entre União, estados e municípios. Descentralização Cada nível tem autonomia para organizar seus serviços, mas de forma articulada. Isso aproxima a gestão das realidades locais. Gestão Compartilhada - Realizada por Comissões Intergestores: - CIT (Tripartite): União, estados e municípios discutem políticas nacionais. - CIB (Bipartite): Estados e municípios discutem a gestão regional. Participação Social Acontece por meio de: - Conselhos de Saúde (nacional, estadual e municipal): com representantes do governo, profissionais e da sociedade civil. - Conferências de Saúde: onde a população pode propor mudanças nas políticas públicas. Gestão por Regiões de Saúde Para melhorar o acesso e a coordenação dos serviços, o SUS é organizado em Regiões de Saúde, que agrupam municípios vizinhos para facilitar a referência e contrarreferência (ex: quando um paciente precisa ser transferido de um posto para um hospital regional). Desafios do financiamento e gestão - Subfinanciamento crônico (recursos nem sempre suficientes). - Diferenças na capacidade de gestão entre municípios. - Burocracia nos repasses. - Falta de integração entre os sistemas de informação. - Gastos com saúde crescendo mais rápido que o orçamento. Níveis de atenção básica O que são os níveis de atenção à saúde? São categorias que organizam os serviços do SUS conforme a complexidade do cuidado necessário. Eles funcionam em rede— ou seja, se complementam e se comunicam entre si. São três: 1.Atenção Primária (ou básica) É a porta de entrada do SUS - Acontece nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou Postos de Saúde. - É onde a maioria das demandas de saúde da população deve ser resolvida. Exemplos de serviços: - Consulta médica, de enfermagem e odontológica. - Pré-natal. - Vacinação. - Acompanhamento de doenças crônicas (como diabetes e hipertensão). - Visitas domiciliares da Estratégia Saúde da Família (ESF). - Ações de promoção e prevenção (como palestras, campanhas de saúde etc.). Objetivo: Evitar agravamentose internações, resolvendo até 80% dos problemas de saúde da população. 2️. Atenção Secundária É o nível intermediário - Oferece serviços especializados quando a atenção básica não resolve. - Exige encaminhamento (referência) da atenção primária. Exemplos de serviços: - Consultas com especialistas (cardiologistas, endocrinologistas, psiquiatras etc.). - Exames mais complexos (ultrassom, tomografia, colonoscopia...). - Atendimento em Centros de Especialidades ou Policlínicas. - Serviços como os CAPS (para saúde mental). 3️. Atenção Terciária Alta complexidade - Voltada para casos que exigem recursos tecnológicos avançados e equipe especializada. Exemplos de serviços: - Internações hospitalares. - Cirurgias de alta complexidade (transplantes, neurocirurgias, oncologia etc.). - UTI – Unidade de Terapia Intensiva. - Tratamentos prolongados e especializados. Integração entre os níveis: a linha de cuidado O paciente pode circular entre os níveis, conforme a necessidade. Isso é feito por meio de: - Referência (encaminhamento para um nível superior). - Contrarreferência (retorno ao nível anterior com orientações ou continuidade do cuidado). Vigilância em saúde O que é Vigilância em Saúde? É o conjunto de ações que identificam, monitoram e controlam riscos à saúde da população — sejam eles causados por doenças, pelo ambiente, por alimentos, pelo trabalho ou outros fatores. Ela integra diversas áreas que trabalham juntas para prevenir agravos à saúde e promover o bem-estar da população. Componentes da Vigilância em Saúde 1. Vigilância Epidemiológica - Monitora e investiga **doenças transmissíveis e não transmissíveis**. - Detecta surtos, epidemias e ameaças à saúde pública. - Garante o controle de doenças como dengue, COVID-19, tuberculose, HIV, etc. - Atua com sistemas de notificação, como o SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). 2. Vigilância Sanitária (VISA) - Fiscaliza produtos e serviços que afetam a saúde: alimentos, medicamentos, cosméticos, hospitais, farmácias, clínicas etc. - Garante a segurança sanitária da produção, comercialização e uso desses produtos. - Também cuida da liberação de registros da Anvisa. 3. Vigilância Ambiental em Saúde - Avalia riscos no **ambiente que podem impactar a saúde humana**, como: - Qualidade da água e do ar. - Agrotóxicos. - Desastres naturais. - Vetores (mosquitos, ratos, etc.). - Atua, por exemplo, no controle da dengue, chikungunya, leptospirose e doenças transmitidas por água contaminada**. 4. Vigilância em Saúde do Trabalhador - Monitora e previne **doenças e acidentes relacionados ao ambiente de trabalho**. - Atua em conjunto com sindicatos, empresas e profissionais. - Ex: prevenção de LER/DORT, intoxicações ocupacionais, acidentes de trabalho. Integração com o SUS A Vigilância em Saúde está integrada aos serviços da atenção primária e hospitalar, agindo de forma transversal: - Quando há um surto, ela notifica e mobiliza toda a rede. - Ela orienta campanhas de vacinação, ações de controle de vetores, programas de educação em saúde, etc. Exemplo na prática Imagine um surto de dengue: 1. Pessoas começam a aparecer com sintomas nas UBS. 2. A **vigilância epidemiológica** identifica o padrão e notifica os casos. 3. A **vigilância ambiental** entra em campo para eliminar criadouros do mosquito. 4. A atenção básica orienta a população e faz atendimentos. 5. A vigilância sanitária pode atuar em locais de risco, como depósitos de lixo, comércios, etc. Sistemas de Informação utilizados - SINAN – Notificação de agravos. - SIVEP-Gripe – Monitora casos graves de síndromes respiratórias. - SIM – Sistema de Informações sobre Mortalidade. - SINASC – Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. - SISVAN– Avaliação nutricional da população. Conferencias e conselhos em saúde Participação Social no SUS A participação da sociedade está prevista na Constituição de 1988 e nas Leis Orgânicas da Saúde (Lei nº 8.080/90 e Lei nº 8.142/90). É um dos princípios organizativos do SUS, junto com a descentralização e a integralidade. Conselhos de Saúde O que são? São órgãos colegiados permanentes e deliberativos, que atuam no controle social das políticas de saúde, em todos os níveis (municipal, estadual e nacional). Funcionamento: - Devem se reunir regularmente (geralmente todo mês). - Têm poder de aprovar planos de saúde, acompanhar a execução orçamentária e fiscalizar ações da gestão pública. - São paritários: metade dos membros é da sociedade civil (usuários do SUS), o restante é dividido entre gestores, profissionais de saúde e prestadores de serviços. Composição: - 50% usuários do SUS (população) - 25% trabalhadores da saúde - 25% gestores e prestadores de serviços Onde existem? - Conselho Nacional de Saúde (CNS) - Conselhos Estaduais de Saúde - Conselhos Municipais de Saúde Conferências de Saúde O que são? São eventos amplos e periódicos, abertos à participação da população, que avaliam a situação da saúde e propõem diretrizes para as políticas públicas. Frequência: - Realizadas a cada 4 anos (com etapas municipais, estaduais e nacional). Etapas: 1. **Municipal** – discute os problemas e propostas locais. 2. **Estadual** – consolida as propostas dos municípios. 3. **Nacional** – define as diretrizes gerais para o SUS em todo o país. Participantes: - Delegados eleitos nas etapas anteriores (usuários, trabalhadores, gestores). - Representantes de movimentos sociais, sindicatos, conselhos, ONGs, etc. Exemplo: A 17ª Conferência Nacional de Saúde (2023) teve como tema: Garantir direitos e defender o SUS, a vida e a democracia – Amanhã vai ser outro dia. Por que são importantes? - Garantem a democracia participativo no SUS. - Permitem que a sociedade fiscalize, opine e construa as políticas públicas. - Ajudam a tornar o SUS mais eficiente, transparente e conectado às reais necessidades da população. Resumo prático: | Ferramenta | O que é? | Quando ocorre? | Para que serve? | |-----------------|------------------------------------- --------|------------------------|---------------------- -------------------------| | Conselho de Saúde | Órgão permanente de controle social | Reuniões regulares | Fiscalizar, aprovar e acompanhar políticas | | Conferência de Saúde | Evento amplo de participação social | A cada 4 anos | Avaliar a saúde e propor diretrizes para o SUS | Se quiser, posso te ajudar a montar uma apresentação ou mapa mental com tudo isso bem visual. Só dizer o formato que você prefere! O que é o planejamento em saúde? É o processo de organização das ações, recursos e metas para garantir que os serviços de saúde atendam às necessidades da população com eficiência e qualidade. Objetivos do planejamento: - Identificar prioridades de saúde. - Definir metas e estratégias. - Alocar recursos (humanos, financeiros e materiais). - Avaliar resultados e ajustar o que for necessário. Tipos de planejamento no SUS 1. Plano de Saúde - Documento quadrienal (4 anos). - Define as metas e diretrizes de médio prazo para cada esfera (município, estado e União). - Baseado em dados epidemiológicos, demográficos e sociais. - É construído com participação do Conselho de Saúde. 2. Programação Anual de Saúde (PAS) - Desdobra o Plano de Saúde ano a ano. - Detalha ações, metas e recursos para o ano vigente. - Serve como base para o monitoramento e avaliação da gestão. 3. Relatório Anual de Gestão (RAG) - Documento que apresenta os resultados alcançados no ano. - Avalia se os objetivosda Programação Anual foram cumpridos. - É apresentado ao Conselho de Saúde para fiscalização. O que são programas de saúde? São conjuntos de ações organizadas e contínuas voltadas para resolver problemas específicos ou atender grupos prioritários da população. Principais programas do SUS Atenção Básica - Programa Saúde da Família (PSF)– agora chamado Estratégia Saúde da Família (ESF). - Programa Saúde Bucal - Programa Nacional de Imunizações (PNI)– vacinações. Saúde da Mulher e da Criança - Rede Cegonha– pré-natal, parto humanizado e cuidados com o bebê. - Programa Nacional de Triagem Neonatal (teste do pezinho) Saúde do Idoso - Acompanhamento de doenças crônicas, prevenção de quedas, cuidados paliativos. Saúde Mental - Programa de Atenção Psicossocial (CAPS) - Estratégias para reabilitação psicossocial e tratamento humanizado. Saúde do Trabalhador - Ações de vigilância e prevenção de acidentes/doenças no ambiente de trabalho. Saúde Indígena - Serviços específicos com respeito às práticas culturais, por meio dos DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas). Doenças específicas - Programa Nacional de Controle da Tuberculose - Programa de DST/AIDS e Hepatites Virais - Programa de Controle da Hanseníase -Combate à dengue e doenças transmitidas por vetores Exemplo de como tudo se conecta: 1. O município identifica que há muitos casos de hipertensão e diabetes. 2. No Plano de Saúde, define como prioridade ampliar o controle dessas doenças. 3. Na Programação Anual, planeja ações como capacitar equipes, fazer mutirões e ampliar o ESF. 4. Durante o ano, executa as ações. 5. No RAG, avalia se houve redução nos casos ou melhora no acompanhamento dos pacientes.