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FEBRE CATARRAL MALIGNA
A febre catarral maligna (FCM) é uma doença infecciosa, pansistêmica, causada por um vírus que afeta ruminantes domésticos e silvestres, e ocasionalmente, suínos. Esta doença não é causada apenas por um vírus, mas sim por vários tipos de herpesvírus. Um dos agentes etiológicos desta doença pertence ao gênero Rhadinovirus, família Gammaherpesvirinae e são espécie-específicos. Até os dias de hoje, foram identificados nove vírus que pertencem ao grupo causador da FCM. Este vírus tem um período de incubação de 3 a 10 semanas, podendo chegar a 200 dias. O curso da FCM geralmente é de 3 a 7 dias, raramente prolongando-se por mais tempo.
A enfermidade está distribuída amplamente pelo mundo. No Brasil, o primeiro relato foi em 1924 na Paraíba. Outros estados também registraram casos da doença como Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Piauí e Pernambuco (Macedo et al., 2007). As regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste também notificaram a presença da doença, havendo o diagnóstico do OHV-2 por PCR no Rio Grande do Sul. Ela está na lista de notificação obrigatória do OIE, sendo também de notificação obrigatória no MAPA. 
Existem 4 vírus do grupo de vírus que causam FCM, porém no Brasil foi demonstrado apenas o herpes vírus ovino tipo 2 (OHV-2), como causa da doença, sendo os ovinos reservatórios da doença, mas a forma com que os ovinos transmitem a doença ainda não foi identificada e ainda é discutível a transmissão da FCM entre bovinos. 
A transmissão de OHV-2 aos bovinos e outros ruminantes é associada ao período perinatal dos ovinos, cordeiros seriam uma importante fonte de transmissão do vírus. Entretanto, existem estudos indicando que cordeiros recém-nascidos não são infectados e, portanto, não são fontes importantes para a transmissão de OHV-2. E grandes concentrações de partículas virais são detectadas predominantemente em ovinos entre 6 e 9 meses de idade. 
Com relação a patogênese, embora o DNA viral possa ser detectado em células mononucleares circulantes e na maioria dos tecidos por PCR, o sítio celular da replicação do vírus in vivo é desconhecido. O vírus aparentemente é transferido entre tecido linfóide/célula e células endoteliais pelo tráfego de leucócitos nos linfócitos. Nos bovinos, o vírus modifica a atividade linfocitária de supressão, desenvolvendo a proliferação linfóide e atividade desordenada as células natural “killer” , levando às lesões teciduais. 
Sinais clínicos dessa doença podem ser muito variáveis e o curso da doença pode ser agudo ou crônico. Na forma aguda as alterações só são percebidas durante 12-24 horas antes da morte, onde há a ocorrência de depressão seguida de diarreia. Em geral, o aparecimento dos sinais está associado com o desenvolvimento de febre alta, aumento da lacrimação serosa e exsudato nasal, que progride para profusas descargas mucopurulentas. Em alguns casos ocorrem lesões de pele caracterizada por ulceração e exsudação, que podem formar crostas endurecidas associados com necrose da epiderme, estes são muitas vezes restritos ao períneo, o úbere e tetos, podendo haver lesões na cavidade bucal e plano nasolabial. Sinais nervosos, tais como hiperestesia, incoordenação motora, nistagmo e pressão da cabeça contra objetos, podem estar presentes, na ausência de outros sinais clínicos ou concomitantemente. De um modo geral, o curso clínico da doença é agudo e fatal, devido ao desenvolvimento de distúrbios pansistêmicos, incluindo estomatite e gastrenterites erosivas, erosões no trato respiratório superior, ceratoconjuntivite, encefalite, exantema e linfadenopatia. Histologicamente as lesões consistem de vasculite com necrose fibrinóide, infiltrados mononucleares em vários órgãos sobretudo na rete mirabile carotídea, hiperplasia linfóide e necrose dos epitélios de revestimento e são consideradas muito características para a doença. 
O diagnóstico da FCM baseia-se nos sinais clínicos, achados de necropsia e histologia. Além disso a enfermidade pode ser diagnosticada por isolamento viral em cultivo celular, testes sorológicos como Ci-ELISA (inibição competitiva imunoenzimática), ELISA, imunoflorescência indireta e exames moleculares como PCR. Os principais diagnósticos diferenciais para FCM são doenças virais vesiculares como a febre aftosa, estomatite vesicular, diarreia viral bovina, doença das mucosas, língua azul, peste bovina, rinotraqueíte bovina infecciosa, doença de Jembrana, intoxicações por arsênico, Ramaria flavor-brunnescens e por Amaranthus spp.
Não há tratamento específico nem vacina para a doença.