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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
2 
Sumário 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS .......................................................................... 3 
1. CONTEXTO HISTÓRICO DA LEI nº 9.613/98 ................................................................................................... 3 
2. CONCEITO E EXPRESSÃO “LAVAGEM DE DINHEIRO” .................................................................................... 3 
3. GERAÇÕES DA LEI DE LAVAGEM E LEI Nº 12.883/2012 ................................................................................. 3 
4. BEM JURÍDICO TUTELADO ........................................................................................................................... 10 
5. FASES DA LAVAGEM .................................................................................................................................... 11 
6. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS .............................................................................................. 12 
7. DOS SUJEITOS DO DELITO ............................................................................................................................ 16 
7.1 Sujeito ativo ........................................................................................................................................... 16 
7.2 Sujeito Passivo ....................................................................................................................................... 17 
8. DOS CRIMES DE "LAVAGEM" OU OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS E VALORES ......................................... 17 
9. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS ....................................................................... 23 
9.1 Colaboração Premiada .......................................................................................................................... 23 
9.2 Ação Controlada e Infiltração de Agentes ............................................................................................. 24 
9.2.1 Infiltração de agentes ..................................................................................................................... 25 
9.2.2. Ação controlada ............................................................................................................................. 28 
10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ........................................................................................................................ 30 
11. AFASTAMENTO DO SERVIDOR PÚBLICO COMO EFEITO AUTOMÁTICO DO INDICIAMENTO: ................... 31 
12. COMPETÊNCIA ........................................................................................................................................... 34 
13. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 366, CPP NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS .................................................... 34 
14. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA ............................................................................................................. 35 
 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
3 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
SUGESTÃO DE LEITURA PARA ESTUDO: Lei nº 9.613/98. 
Principais Artigos (leitura importantíssima!!!) 
Art. 1º, §§ 3º, 4º, 5º e 6º - leitura do §5º conjugada com o art. 4º da Lei 12.850/2013 
Art. 2º, II, III, §§1º e 2º - leitura do §2º conjugada com o art. 366 do CPP 
Art. 4º 
Art. 4º-A e 4º-B 
Art. 7º 
Art. 9º 
Art. 17-D 
 
1. CONTEXTO HISTÓRICO DA LEI nº 9.613/98 
 
 A origem da Lei de Lavagem de Capitais está ligada à Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico 
de Drogas, celebrado no ano de 1988, em Viena. Explicamos: na referida Convenção percebeu-se que, como 
a lavagem de capitais é meio para dissimular a movimentação do dinheiro ilícito obtido com o tráfico de 
drogas, seria necessária uma maior repressão das movimentações financeiras, surgindo, assim, a 
criminalização da Lavagem de Capitais. 
 A convenção em questão foi ratificada pelo Brasil por meio do Decreto nº 154/1991, assumindo o 
compromisso de criminalizar a lavagem de capitais, o que acontece somente anos depois, em 1998 com a Lei 
nº 9.613/98. 
 
2. CONCEITO E EXPRESSÃO “LAVAGEM DE DINHEIRO” 
 
 Essa expressão “Lavagem de Dinheiro” tem origem no Direito norte-americano nos idos de 1920 – 
na cidade de Chicago – “Money Laundering”. Em alguns países é usada a expressão Branqueamento de 
Capitais (Portugal e Espanha). 
 
Aprofundando: Vamos fazer um link com a criminologia? 
Os crimes de lavagem de capitais integram as chamadas “cifras douradas”, que são as infrações penais 
praticadas pela elite e que não são reveladas ou apuradas, envolvendo delitos tipicamente do “colarinho 
branco” (sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais etc.) 
 
 Lavagem é um método pelo qual dinheiro ilícito é inserido no sistema financeiro, com a aparência de 
ter sido obtida de maneira lícita. Em outras palavras: é dar aparência de dinheiro limpo ao dinheiro sujo. 
 
3. GERAÇÕES DA LEI DE LAVAGEM E LEI Nº 12.883/2012 
 
A doutrina acaba fazendo diferenciação entre gerações de leis de lavagem de capitais. Veja: 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
4 
 
a) Leis de 1ª Geração: 
O único crime antecedente era o delito de tráfico de drogas, ou seja, a primeira geração traz ideia 
das primeiras leis de lavagem de capitais e isso se deu em razão da Convenção acima citada. Assim, somente 
se podia falar em lavagem de capitais se o crime antecedente fosse de tráfico de drogas. 
 
b) Leis de 2ª Geração: 
 Ao longo dos anos o legislador observou que a imprescindibilidade da criminalização da lavagem de 
capitais, percebendo que o delito de tráfico de drogas não era o único capaz de gerar grande quantidade de 
dinheiro. Por esse motivo, optou por ampliar o rol dos crimes antecedentes, porém, este rol continuou sendo 
taxativo. Só haveria o crime de lavagem de capitais se a infração antecedente fosse uma das infrações abaixo: 
 
Art. 1º da Lei de Lavagem: “Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, 
disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores 
provenientes, direta ou indiretamente, de crime: 
I - de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins; 
II – de terrorismo e seu financiamento; 
III - de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua 
produção; 
IV - de extorsão mediante seqüestro; 
V - contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para outrem, 
direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço para a 
prática ou omissão de atos administrativos; 
VI - contra o sistema financeiro nacional; 
VII - praticado por organização criminosa. 
VIII – praticado por particular contra a administração pública estrangeira” 
 
 Obs.: Para a doutrina majoritária, a Lei nº 9.613/98, em sua redação originária, era uma lei de 
segunda geração, pois previa um rol taxativo de crimes que configuravam como infração antecedente e 
produtora da lavagem. 
 
c) Leis de 3ª Geração: 
 Preveem que qualquer crime capaz de gerar bens ou valores pode ser considerado crime 
antecedente do crime de lavagem de capitais. 
 Atualmente, a Lei nº 9.613/98, com a redação dada pela Lei nº 12.683/12, é classificada como uma 
lei de 3ª geração, pois passou a criminalizar a lavagem como fruto de qualquer infração penal – seja crime 
ou contravenção penal – produtora de bens, direitos e valores capazes de serem ocultados/dissimulados. 
 A reforma suprimiu o antigo rol taxativo de crimes antecedentes e ampliou a abrangência dos 
antecedentes da lavagem: agora qualquer infração penalno § 4º deste artigo, o relatório circunstanciado, 
juntamente com todos os atos eletrônicos praticados durante a operação, deverão 
ser registrados, gravados, armazenados e apresentados ao juiz competente, que 
imediatamente cientificará o Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 
2019) 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
28 
§ 6º No curso do inquérito policial, o delegado de polícia poderá determinar aos 
seus agentes, e o Ministério Público e o juiz competente poderão requisitar, a 
qualquer tempo, relatório da atividade de infiltração. (Incluído pela Lei nº 13.964, 
de 2019) 
§ 7º É nula a prova obtida sem a observância do disposto neste artigo. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
 
Esquematizando... 
 
INFILTRAÇÃO POLICIAL 
LEI DE DROGAS 
(ART. 53, I) 
 
LEI DO CRIME 
ORGANIZADO 
(ARTS. 10 A 14) 
 
ECA 
(ARTS. 190-A A 190-
E) 
 
LEI DE LAVAGEM (ART. 1O, § 6º) 
INCLUÍDO PELA LEI ANTICRIME 
Não prevê prazo 
máximo. 
 
Prazo de 6 meses, podendo 
ser sucessivamente 
prorrogada. 
 
Prazo de 90 dias, 
sendo permitidas 
renovações, mas o 
prazo total da 
infiltração não 
poderá exceder 720 
dias. 
Não prevê prazo máximo. 
 
Não disciplina 
procedimento a ser 
adotado. 
 
Só poderá ser adotada se a 
prova não puder ser 
produzida por outros meios 
disponíveis. 
Só poderá ser 
adotada se a prova 
não puder ser 
produzida por outros 
meios disponíveis. 
Não disciplina procedimento a 
ser adotado. 
 
 É cabível a infiltração 
policial virtual (lei 
anticrime) 
A infiltração de 
agentes ocorre 
apenas na internet. 
 
 
9.2.2. Ação controlada 
 
A ação controlada consiste no retardamento da intervenção do aparato estatal no flagrante, que 
deve ocorrer num momento mais oportuno sob o ponto de vista da investigação criminal. 
Em outras palavras: a ação controlada funciona como uma autorização legal para que a prisão em 
flagrante seja retardada ou protelada para outro momento, que não aquele em que o agente está em uma 
situação de flagrância (CPP, art. 302). Tem-se uma mitigação do flagrante obrigatório. 
Trata-se de uma importante técnica especial de investigação, prevista expressamente na Lei de 
Drogas (art. 53, II), na Lei de Lavagem de Capitais (Lei n° 9.613/98, art. 4°B, com redação dada pela Lei n° 
12.683/12) e na Lei das Organizações Criminosas (Lei n° 12.850/13, art. 8º). 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art14
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29 
Geralmente, essa técnica especial de investigação costuma ser utilizada com mais frequência em 
relação a delitos permanentes, notadamente crimes de posse que não sofrem qualquer alteração de quadro 
derivada do retardo da intervenção do aparato estatal, permitindo, ademais, a prisão em flagrante enquanto 
não cessar a permanência (CPP, art. 303). 
Ressalta-se que a ação controlada deve ser executada pela autoridade policial com a máxima cautela, 
de modo a se evitar que os autores da infração penal escapem da persecução penal. Nesse sentido, a Lei n° 
12.850 deixa claro que o procedimento investigatório deve ser levado a efeito mediante observação e 
acompanhamento das ações praticadas por organizações criminosas. 
 
Desnecessidade de prévia autorização judicial 
De acordo com a jurisprudência do STJ, com as inovações da Lei n. 13.964/2019, o legislador passou 
a admitir a ação controlada para apuração de crimes de lavagem de dinheiro (art. 1°, § 6°, da Lei n. 
9.613/1998) e, ainda, a atuação de agentes de polícia infiltrados virtuais (art. 10-A da Lei n. 12.850/2013) 
com o propósito de investigar os crimes previstos na Lei de Organização Criminosa e a eles conexos. 
Entretanto, mesmo depois das diversas modificações para aperfeiçoar a legislação processual penal, 
não se condicionou a ação controlada à permissão prévia do Poder Judiciário (HC 512.290/RJ, Info 680, STJ). 
Portanto, na Lei de ORCRIM e na Lei de Lavagem NÃO SE EXIGE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL para que se 
proceda à ação controlada. 
 
ATENÇÃO! 
A questão da necessidade ou não de autorização judicial para a realização de ação controlada no 
âmbito da Lei 9.613/98 é objeto de discussão e divergência doutrinária, notadamente diante do advento da 
Lei 13.964/19. Isso porque o Pacote Anticrime trouxe a previsão expressa quanto à possibilidade de adoção 
da ação controlada aos crimes de lavagem de capitais. 
Ocorre que a previsão não veio acompanhada da regulamentação do procedimento que deve ser 
adotado para sua implementação. Nesse contexto, parte da doutrina indica que antes da inserção do §6º, a 
ação controlada era viabilizada pelo art. 4º-B, cuja redação decorre da Lei 12.683/12 e, nesse contexto, indica 
a necessidade de determinação judicial. 
 Contudo, esse NÃO é o entendimento que prevalece. Na doutrina majoritária, com arrimo na 
jurisprudência do STJ, constata-se que a ação controlada no âmbito da Lei de Lavagem não depende de 
autorização judicial. Isso porque, a Lei 13.964/19 trouxe a previsão expressa acerca da possibilidade de 
realização no âmbito da Lei 9.613/98, bem como disciplinou o procedimento de implementação na Lei 
12.850/13. 
Na Lei de Organizações Criminosas é dispensada expressamente a autorização judicial, determinando 
apenas a prévia comunicação. Nesse sentido, sendo decorrentes do mesmo ato legislativo, que tem como 
propósito aperfeiçoar a investigação de crimes envolvendo organizações criminosas, deve-se aplicar a 
mesma sistemática. 
Conforme ensina o Professor Renato Brasileiro (Legislação Criminal Especial Comentada, p. 689): 
“Se a interpretação do art. 1 º, §6°, da Lei n. 9.613/98, não apresenta maiores problemas quanto ao 
agente infiltrado, o mesmo não pode ser dito quanto à parte em que o dispositivo passa a admitir a ação 
controlada. De fato, causa enorme estranheza - algo recorrente, aliás, na interpretação dos diversos 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
30 
dispositivos introduzidos no nosso ordenamento jurídico pelo Pacote Anticrime – o fato de o dispositivo em 
questão admitir a utilização da ação controlada em relação aos crimes de lavagem de capitais, pela singela 
razão de que tal técnica de investigação já estava expressamente prevista na própria Lei de Lavagem de 
Capitais, mais precisamente em seu art. 4°-B, incluído pela Lei n. 12.683/12. 
Como, então, interpretar esse dispositivo, especificamente nessa parte? Certamente haverá quem 
diga que o legislador do Pacote Anticrime quis apenas reforçar a possibilidade de utilização da ação 
controlada. Não nos parece ser esta a melhor conclusão. Ora, a lei não pode levar a interpretações absurdas. 
Se a ação controlada já estava prevista na Lei n. 9.613/98 (art. 4°-B), por que haveria necessidade de uma 
outralei dizer o mesmo? Por isso, preferimos concluir que, ao introduzir o §6° ao art. 1 ° da Lei n. 9.613/98, 
quis o legislador do Pacote Anticrime submeter os crimes de lavagem de capitais à mesma sistemática da 
ação controlada prevista na Lei das Organizações Criminosas (arts. 8° e 9°), do que se conclui que, 
doravante, a utilização da referida técnica especial de investigação não mais estará sujeita à necessidade 
de prévia autorização judicial, bastando apenas a comunicação ao juiz competente pelas autoridades 
policiais ou administrativas, o qual poderá, então, estabelecer seus respectivos limites materiais e temporais. 
Esta parece ser a única interpretação capaz de conferir alguma lógica à referência à ação controlada no §6° 
do art. 1 º da Lei n. 9.613/98, desburocratizando e otimizando a investigação nos crimes de lavagem de 
capitais”. (destaques nossos) 
 
● Se a ação controlada envolver transposição de fronteiras (delitos transnacionais), o retardamento da 
intervenção policial ou administrativa somente poderá ocorrer com a cooperação das autoridades 
dos países que figurem como provável itinerário ou destino do investigado, de modo a reduzir os 
riscos de fuga e extravio do produto, objeto, instrumento ou proveito do crime 
Entrega vigiada 
É uma das técnicas mais tradicionais de ação controlada que tem por objetivo a identificação do 
maior número possível de agentes do esquema criminoso, bem como localização dos ativos ocultos, e 
descoberta de outras fontes de prova. 
Conforme o art. 2°, alínea "i", da Convenção de Palermo, entrega vigiada é a técnica que consiste em 
permitir que remessas ilícitas ou suspeitas saiam do território de um ou mais Estados, os atravessem ou neles 
entrem, com o conhecimento e sob o controle das suas autoridades competentes, com a finalidade de 
investigar infrações e identificar as pessoas envolvidas na sua prática. 
 
10. EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
 
Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal: 
I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da Justiça 
Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou 
indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles utilizados 
para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-fé; 
II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza e de 
diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das pessoas 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
31 
jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade 
aplicada. 
 
§ 1o A União e os Estados, no âmbito de suas competências, regulamentarão a 
forma de destinação dos bens, direitos e valores cuja perda houver sido declarada, 
assegurada, quanto aos processos de competência da Justiça Federal, a sua 
utilização pelos órgãos federais encarregados da prevenção, do combate, da ação 
penal e do julgamento dos crimes previstos nesta Lei, e, quanto aos processos de 
competência da Justiça Estadual, a preferência dos órgãos locais com idêntica 
função. 
§ 2o Os instrumentos do crime sem valor econômico cuja perda em favor da União 
ou do Estado for decretada serão inutilizados ou doados a museu criminal ou a 
entidade pública, se houver interesse na sua conservação. 
 
Uma parcela significativa da doutrina entende que os efeitos previstos no art. 7° da Lei 9.613/98 são 
específicos da condenação, ou seja, não se trata de efeitos automáticos, devendo ser motivados na sentença. 
Para que esses efeitos, como a perda de bens, valores e direitos relacionados à infração, sejam aplicados, o 
magistrado deve demonstrar na sentença as razões que justificam essa aplicação. Isso decorre do princípio 
da individualização da pena e da necessidade de garantir ao réu o direito à ampla defesa e ao contraditório, 
assegurados pela Constituição Federal. Guilherme de Souza Nucci, em seus comentários sobre a legislação 
penal, destaca que "a aplicação de efeitos penais secundários, como a perda de bens, exige fundamentação 
específica e não pode ser automática, pois se insere no campo da individualização da pena e das garantias 
fundamentais do acusado." 
No entanto, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre a automaticidade ou não dos 
efeitos do art. 7º da Lei nº 9.613/98 apresenta posições variadas. Há uma linha jurisprudencial que entende 
que esses efeitos são automáticos e decorrem diretamente da condenação (AgRg no REsp 1.840.416/PR; 
REsp 1.680.945/SP), mas também há decisões que defendem a necessidade de fundamentação específica na 
sentença, para assegurar a individualização da pena e o respeito aos direitos do condenado (HC 320.030/SP, 
REsp 1.361.350/SP). 
 
11. AFASTAMENTO DO SERVIDOR PÚBLICO COMO EFEITO AUTOMÁTICO DO INDICIAMENTO: 
 
Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, sem 
prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o juiz 
competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. (Incluído pela Lei 
nº 12.683, de 2012) 
 
 Dispositivo introduzido pela Lei 12.683/12. 
 Trata-se de previsão extremamente criticada pela doutrina, que alega a sua inconstitucionalidade 
com base em 2 argumentos: 
 
 
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LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
32 
(1) Violação a regra de julgamento da garantia constitucional de presunção de inocência: Antecipação 
da culpa, pior, sem que ao menos tenha sido oportunizado o direito a se manifesta sobre os motivos 
pelos quais é investigado. Equipara aquele está sendo investigado àquele condenado por sentença 
penal condenatória transitada em julgado. 
 
(2) Violação do princípio da Jurisdicionalidade: Ao prever o efeito imediato fruto do ato de 
indiciamento, que é realizado por uma autoridade não judiciária, permite-se que seja imposta uma 
medida de natureza cautelar sem a analise in concreto da sua real necessidade, adequação e 
proporcionalidade. 
 
 Nessa toada, recentemente o STF entendeu pela INCONSTITUCIONALIDADE do referido dispositivo. 
Veja: 
 
É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor 
público pelo simples fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime 
É inconstitucional a determinação de afastamento automático de servidor público 
indiciado em inquérito policial instaurado para apuração de crimes de lavagem ou 
ocultação de bens, direitos e valores. Com base nesse entendimento, o STF 
declarou inconstitucional o art. 17-D da Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 
9.613/98): Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será 
afastado, sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que 
o juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. O 
afastamento do servidor somente se justifica quando ficar demonstrado nos autos 
que existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções e que o 
afastamento é medida eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a 
própria Administração Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo 
Poder Judiciário. STF. Plenário. ADI 4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o 
ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000). 
 
Explicação via Dizer o Direito1: 
● Afastamento deve ser apreciado pelo Poder Judiciário 
 O afastamento do servidor somente se justifica quando ficar demonstrado nos autos que existe risco 
caso ele continue no desempenho de suas funções e que o afastamento é medida eficaz e proporcional para 
se tutelar a investigação e a própria Administração Pública. Tais circunstâncias precisam ser apreciadas pelo 
Poder Judiciário. 
 A necessidade concreta de afastar o servidor pode ocorrer a partir de representação da autoridade 
policial ou do Ministério Público, na forma de medida cautelar diversa da prisão,conforme preveem os arts. 
282, § 2º, e 319, VI, do CPP. 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor público pelo 
simples fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 07/01/2021 
 
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/22cdb13a83f73ccd1f79ffaf607b0621?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/22cdb13a83f73ccd1f79ffaf607b0621?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/22cdb13a83f73ccd1f79ffaf607b0621
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
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● Afronta ao princípio da proporcionalidade 
 O indiciamento representa a análise técnico-jurídica do Delegado de Polícia que concluiu pela 
probabilidade do crime objeto da investigação. Trata-se, contudo, de um juízo prévio (pré-processual) e não 
vinculante. Logo, tendo em vista as características do sistema acusatório, o Ministério Público não está 
obrigado a seguir o indiciamento realizado pela autoridade policial. 
 Pelo art. 17-D, o afastamento do servidor estaria automaticamente vinculado ao indiciamento, que 
é uma atividade discricionária da autoridade policial, ocorrendo independentemente do início da ação penal 
e da análise dos requisitos necessários para a efetivação dessa grave medida constritiva. 
Afastar o servidor nesses moldes, com o mero indiciamento, viola o princípio da proporcionalidade. 
 O ato de indiciamento não gera e não pode gerar efeitos materiais em relação ao indiciado, já que 
se trata de mero ato de imputação de autoria de natureza preliminar, provisória e não vinculante ao titular 
da ação penal. 
 
● Presunção de inocência 
 A presunção de inocência exige que a imposição de medidas coercitivas ou constritivas aos direitos 
dos acusados, no decorrer de inquérito ou processo penal, seja amparada em requisitos concretos que 
sustentam a fundamentação da decisão judicial impositiva, não se admitindo efeitos cautelares automáticos 
ou desprovidos de fundamentação idônea. 
 
● Violação à isonomia 
 Vale ainda mencionar um último argumento: a norma do art. 17-D viola também o princípio da 
isonomia. Isso porque ela faz uma distinção sem sentido entre acusados que foram previamente indiciados 
de acusados que não foram indiciados. 
 O inquérito policial e o indiciamento são dispensáveis, ou seja, o MP pode oferecer a denúncia 
mesmo que não sejam realizados. Isso significa que a norma do art. 17-D cria uma distinção sem sentido: os 
acusados que foram previamente indiciados pela autoridade policial estarão afastados de suas funções. Por 
outro lado, os acusados que foram denunciados sem prévio indiciamento irão permanecer, em regra, no 
exercício de seus cargos. 
 Existem normas jurídicas que determinam o afastamento, mas não com o mero indiciamento 
 Importante destacar que existem normas no ordenamento jurídico nacional que preveem o 
afastamento de servidor investigado por crimes graves, mas exigem representação da autoridade policial ou 
do Ministério Público, bem como decisão judicial fundamentada para a imposição da medida, verificando-se 
sua necessidade e proporcionalidade no confronto entre os interesses públicos e os interesses individuais do 
investigado. 
 Cite-se, por exemplo, o art. 2º, § 5º, da Lei de Organização Criminosa (Lei nº 12.850/2013), que prevê 
a reserva de jurisdição para o afastamento cautelar de servidor público: 
Art. 2º (...) 
§ 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra organização 
criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do cargo, emprego 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
34 
ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se fizer necessária à 
investigação ou instrução processual. 
 
 No mesmo sentido, o art. 56, § 1º, da Lei nº 11.343/2006: 
 
Art. 56. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para a audiência de 
instrução e julgamento, ordenará a citação pessoal do acusado, a intimação do 
Ministério Público, do assistente, se for o caso, e requisitará os laudos periciais. 
§ 1º Tratando-se de condutas tipificadas como infração do disposto nos arts. 33, 
caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, ao receber a denúncia, poderá decretar o 
afastamento cautelar do denunciado de suas atividades, se for funcionário público, 
comunicando-se ao órgão respectivo. 
 
 Percebe-se que tais normas, instituídas para o combate de crimes tão graves quanto a lavagem ou 
ocultação de capitais, determinam que o afastamento do servidor, além de depender de decisão judicial, 
deve fundar-se em juízo de valor específico, qual seja, o prejuízo à investigação criminal, à instrução 
processual e, por que não, à reiteração criminosa, decorrentes da manutenção do servidor público em suas 
funções. 
 Daí que o afastamento, considerando a necessidade de fundamentação específica da decisão, não 
pode ser consequência automática prevista em lei para o ato administrativo do indiciamento, ou mesmo o 
recebimento da denúncia oferecida, obedecendo-se, com isto, ao princípio constitucional da 
proporcionalidade das medidas restritivas de direitos. 
 
12. COMPETÊNCIA 
 
 Em regra, a competência é da Justiça comum estadual, salvo quando envolver uma das hipóteses 
previstas no art. 109 da CF/88 ou em quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça 
Federal. 
● Regra: Justiça Estadual 
● Exceção: Justiça Federal nas hipóteses do art. 109, CF ou quando o crime antecedente for da JF. 
 
13. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 366, CPP NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 O art. 366 do CPP prevê que, nos casos de citação por edital frustrada do acusado, o processo e o 
curso do prazo prescricional ficam suspensos. 
 Tal previsão visa, basicamente, preservar o direito à ampla defesa, em especial o direito de presença 
e de audiência, desdobramentos da autodefesa. 
 
 Art. 366, CPP. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir 
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
35 
o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for 
o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. 
 
 No entanto, o art. 2º, §2º da Lei de Lavagem de Capitais prevê expressamente a não aplicação do art. 
366, CPP nos processos que apuram crimes de lavagem. 
 
Art. 2º. (...) § 2º No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto 
no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo 
Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir advogado ser citado 
por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a nomeação de defensor 
dativo. (Redação dada pela Lei nº 12.683, de 2012) 
 
 Logo, ainda que haja citação por edital frustrada, o processo e o prazo prescricional não são 
suspensos, permanecem correndo, devendo ser constituído um defensor dativo. 
 A ratio dessa vedação, de acordo com a exposição de motivos, seria garantir maior efetividade no 
combate à lavagem de capitais. 
 
DICA: 
- Provas Objetivas: Deve afirmar que não se aplica o art. 366, CPP, em razão do princípio da especialidade. 
- Posição crítica da doutrina para prova dissertativa: Inconstitucionalidade desse dispositivo por violação 
ao princípio da ampla defesa e do contraditório. 
 
14. JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA 
 
O patrimônio de terceiro que praticou a lavagem de dinheiro, mas não cometeu 
o crime antecedente, só poderá ser atingido, se for demonstrado que 
determinados bens, direitos ou valores constitueminstrumento, produto ou 
proveito do crime anterior. O § 2º, do art. 4º, da Lei nº 9.613/98, deve ser 
interpretado restritivamente, sob pena de criar indevidas hipóteses de 
responsabilidade integral ou solidária não previstas em lei. 
É inviável a tese de que o agente que lavou parcela dos recursos ilícitos deve 
responder solidariamente pelo prejuízo total decorrente de infração penal 
antecedente que foi praticada exclusivamente por terceiro. 
Há autonomia entre a lavagem de dinheiro e o crime antecedente, no que se refere 
à quantificação do proveito econômico, motivo pelo qual só podem ser constritos 
os bens, direitos ou valores que tenham relação com a lavagem de capitais. 
Em outras palavras, aqueles que lavam dinheiro só possuem a obrigação de 
indenizar os danos causados pela infração antecedente enquanto subsistir 
patrimônio ou proveito que guarde relação direta com os bens, direitos ou valores 
obtidos de forma ilícita. STJ. 5ª Turma. AgRg no AgRg no REsp 1.970.697-PR, Rel. 
Min. Messod Azulay Neto, julgado em 19/3/2024 (Info 808). 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
36 
 
Sem autorização judicial, é ilícita a solicitação de relatórios de inteligência 
financeira feita pela autoridade policial ao COAF (atual UIF). RHC 147.707-P,A Rel. 
Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por maioria, julgado em 
15/8/2023, DJe 24/8/2023. (Info 784 STJ) 
 
A medida assecuratória de indisponibilidade de bens, prevista no art. 4º, § 4º, da 
Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita ou ilícita, adquiridos antes ou 
depois da infração penal, bem como de pessoa jurídica ou familiar não 
denunciado, quando houver confusão patrimonial. Segundo o art. 4º da Lei nº 
9.613/98, havendo indícios suficientes de infração penal, o juiz poderá decretar 
medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do investigado ou acusado, ou 
existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam instrumento, produto ou 
proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das infrações penais antecedentes. 
O § 4º do art. 4º complementa o caput ao dizer que a medida assecuratória pode 
recair sobre bens, direitos ou valores com duas possíveis finalidades: 
a) para reparação do dano decorrente da infração penal (seja o antecedente ou a 
própria lavagem); ou b) para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas. 
De acordo com o STJ, a medida assecuratória de indisponibilidade de bens, prevista 
no art. 4º, § 4º, da Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita ou ilícita, 
adquiridos antes ou depois da infração penal, bem como de pessoa jurídica ou 
familiar não denunciado, quando houver confusão patrimonial. 
STJ. Corte Especial. Inq 1190-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 
15/09/2021 (Info 710). 
 
Não configura o crime de lavagem a conduta do agente que esconde as notas de 
dinheiro recebido como propina nos bolsos do paletó, na cintura e dentro das 
meias. Não configura o crime de lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei nº 9.613/98) a 
conduta do agente que recebe propina decorrente de corrupção passiva e tenta 
viajar com ele, em voo doméstico, escondendo as notas de dinheiro nos bolsos do 
paletó, na cintura e dentro das meias. Também não configura o crime de lavagem 
de dinheiro o fato de, após ter sido descoberto, dissimular (“mentir”) a natureza, a 
origem e a propriedade dos valores. STF. 1ª Turma. Inq 3515/SP, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 8/10/2019 (Info 955). 
 
Na denúncia pelo crime de lavagem de dinheiro, não é necessário que o 
Ministério Público faça uma descrição exaustiva e pormenorizada da infração 
penal antecedente. Se o Ministério Público oferece denúncia por lavagem de 
dinheiro, ele deverá narrar, além do crime de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98), 
qual foi a infração penal antecedente cometida. Importante esclarecer, contudo, 
que não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4cf0ed8641cfcbbf46784e620a0316fb?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4cf0ed8641cfcbbf46784e620a0316fb?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e074a2975740cdf3948cfc063892260e?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
37 
pormenorizada da infração penal antecedente, bastando apontar a existência de 
indícios suficientes de que ela tenha sido praticada e que os bens, direitos ou 
valores que foram “lavados” (ocultados ou dissimulados) sejam provenientes desta 
infração. Assim, a aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro 
não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada do suposto crime prévio, 
bastandoa presença de indícios suficientes de que o objeto material da lavagem 
seja proveniente, direta ou indiretamente, de infração penal. STJ. Corte Especial. 
APn 923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/09/2019 (Info 657). 
 
Não se deve reconhecer a consunção entre corrupção passiva e lavagem quando 
a propina é recebida no exterior por meio de transação envolvendo offshore na 
qual resta evidente a intenção de ocultar os valores. Eduardo Cunha foi 
condenado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de 
divisas, por ter solicitado e recebido dinheiro de uma empresa privada para 
interferir em um contrato com a Petrobrás. A propina teria sido acertada entre o 
indivíduo chamado “IC”, proprietário da empresa beneficiada, e “JL”, ex-Diretor 
Internacional da Petrobrás. O pagamento foi realizado mediante transferências 
para contas secretas no exterior. O STF entendeu que não se podia reconhecer a 
consunção entre a corrupção passiva e a lavagem, considerando que não houve 
simples pagamento da propina para interposta pessoa, mas sim pagamento 
mediante utilização de contas secretas no exterior em nome de uma offshore, de 
um lado, e de um trust, de outro, e da realização de transação por meio da qual a 
propina foi depositada e ocultada em local seguro. Logo, ficou demonstrada da 
autonomia entre os delitos. STF. 2ª Turma. HC 165036/PR, Rel. Min. Edson Fachin, 
julgado em 9/4/2019 (Info 937). 
 
Recebimento de propina em depósitos bancários fracionados pode configurar 
lavagem. Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe propina por meio de 
depósitos bancários fracionados, em valores que não atingem os limites 
estabelecidos pelas autoridades monetárias à comunicação compulsória dessas 
operações. Ex: suponhamos que, na época, a autoridade bancária dizia que todo 
depósito acima de R$ 20 mil deveria ser comunicado ao COAF; diante disso, um 
Deputado recebia depósitos periódicos de R$ 19 mil para burlar essa regra. Para o 
STF, isso configura o crime de lavagem. Trata-se de uma forma de ocultação da 
origem e da localização da vantagem pecuniária recebida pela prática do crime 
antecedente. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
29/5/2018 (Info 904). 
 
Simples fato de ter recebido a propina em espécie não configura lavagem de 
dinheiro. O mero recebimento de valores em dinheiro não tipifica o delito de 
lavagem, seja quando recebido pelo próprio agente público, seja quando recebido 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6c81c83c4bd0b58850495f603ab45a93?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
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LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
38 
por interposta pessoa. STF. 2ª Turma. AP 996/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado 
em 29/5/2018 (Info 904). 
 
Pena pode ser aumentada se o crime de lavagem envolveu grandes somas de 
valores. Se a lavagem de dinheiro envolveu valores vultosos, a pena-base poderá 
ser aumentada (“consequências do crime”) tendo em vista que, neste caso, 
considera-se que o delito violou o bem jurídico tutelado de forma muito mais 
intensa do que o usual. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado 
em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Pena pode ser aumentada se a lavagem de dinheiro ocorreu por meio de várias 
transações financeiras envolvendo diversos países. A pena-base pode ser 
aumentada, no que tange às “circunstâncias do crime”, se a lavagem de dinheiro 
ocorreu num contexto de múltiplas transações financeiras e de múltipla 
transnacionalidade, o que interfere na ordem jurídica de mais de um Estado 
soberano. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 23/5/2017 
(Info 866). 
 
Reprovabilidade do crime cometido por “homem público” é maior. Se um 
Deputado Federal que exerce mandato há muitos anos é condenado, o órgão 
julgador poderá aumentar a pena-base atribuindo destaque negativo para a 
“reprovabilidade”. A circunstância de o réu ser homem de longa vida pública, 
acostumado com regras jurídicas, enseja uma maior reprovabilidade em sua 
conduta considerando a sua capacidade acentuada de conhecer e compreender a 
necessidade de observar as normas. STF. 1ª Turma. AP 863/SP, Rel. Min. Edson 
Fachin, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
Forma de impugnação contra a decisão que decreta a medida assecuratória 
prevista no art. 4º da Lei de Lavagem de Dinheiro. É possível a interposição de 
apelação, com fundamento no art. 593, II, do CPP, contra decisão que tenha 
determinado medida assecuratória prevista no art. 4º, caput, da Lei nº 9.613/98 
(Lei de lavagem de Dinheiro), a despeito da possibilidade de postulação direta ao 
juiz constritor objetivando a liberação total ou parcial dos bens, direitos ou valores 
constritos (art. 4º, §§ 2º e 3º, da mesma Lei). O indivíduo que sofreu os efeitos da 
medida assecuratória prevista no art. 4º da Lei nº 9.613/98 tem a possibilidade de 
postular diretamente ao juiz a liberação total ou parcial dos bens, direitos ou 
valores constritos. No entanto, isso não proíbe que ele decida não ingressar com 
esse pedido perante o juízo de 1º instância e queira, desde logo, interpor apelação 
contra a decisão proferida, na forma do art. 593, II, do CPP. STJ. 5ª Turma. REsp 
1585781-RS, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 28/6/2016 (Info 587) 
 
 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/21fe5b8ba755eeaece7a450849876228?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/21fe5b8ba755eeaece7a450849876228?categoria=11&subcategoria=124&assunto=285
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LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
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Pratica lavagem de dinheiro o sujeito que recebe propina por meio de depósitos 
bancários fracionados, em valores que não atingem os limites estabelecidos pelas 
autoridades monetárias à comunicação compulsória dessas operações. (STF. 
2°Turma. AP 996/DF) 
 
A inexistência de delito antecedente exclui a tipicidade do crime de lavagem de 
dinheiro e torna insubsistente a imputação do crime de organização criminosa, 
pela ausência da prática de infrações penais. STJ. RHC 161.701-PB, Rel. Ministro 
Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 19/3/2024. (Info 805) 
 
É constitucional norma que permite o acesso, por autoridades policiais e pelo 
Ministério Público, a dados cadastrais de pessoas investigadas independentemente 
de autorização judicial, excluído do âmbito de incidência da norma a possibilidade 
de requisição de qualquer outro dado cadastral além daqueles referentes à 
qualificação pessoal, filiação e endereço (art. 5º, X e LXXIX, da CF/88). 
Art. 17-B. A autoridade policial e o Ministério Público terão acesso, exclusivamente, 
aos dados cadastrais do investigado que informam qualificação pessoal, filiação e 
endereço, independentemente de autorização judicial, mantidos pela Justiça 
Eleitoral, pelas empresas telefônicas, pelas instituições financeiras, pelos 
provedores de internet e pelas administradoras de cartão de crédito. STF. Plenário. 
ADI 4.906/DF, Rel. Min. Nunes Marques, julgado em 11/09/2024 (Info 1150). 
 
JURISPRUDÊNCIA EM TESES DO STJ 
EDIÇÃO N. 166: DO CRIME DE LAVAGEM – I 
 
1) É desnecessário que o autor do crime de lavagem de dinheiro tenha sido autor ou partícipe da infração 
penal antecedente, basta que tenha ciência da origem ilícita dos bens, direitos e valores e concorra para 
sua ocultação ou dissimulação. 
 
Princípio da autonomia - O processo e julgamento do crime de lavagem de dinheiro é regido pelo princípio 
da autonomia. Isso significa que, para a denúncia que imputa ao réu o delito de lavagem de dinheiro ser 
considerada apta, não é necessária prova concreta da ocorrência da infração penal antecedente, bastando a 
existência de elementos indiciários de que o capital lavado seja decorrente desta infração penal (STF. 1ª 
Turma. HC 93.368/PR, DJe de 25/8/2011). 
 
2) Nos crimes de lavagem de dinheiro, a denúncia é apta quando apresentar justa causa duplicada, 
indicando lastro probatório mínimo em relação ao crime de lavagem de dinheiro e à infração penal 
antecedente. 
 
No caso do delito previsto no art. 1º da Lei n. 9.613/98, a aptidão da denúncia é aferida a partir da verificação 
da presença de elementos informativos suficientes que sirvam de lastro probatório mínimo que apontem a 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
40 
materialidade e ofereçam indícios da autoria da prática de atos de ocultação ou de dissimulação da origem 
dos bens ou valores. Além disso, a inicial acusatória deve trazer elementos que sinalizem a existência de 
infração penal antecedente, demonstrando a chamada justa causa duplicada. STJ. 5ª Turma. HC 525.790/MG, 
Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 15/10/2019. 
 
3) A aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva e 
pormenorizada do suposto crime prévio, bastando, com relação às condutas praticadas antes da Lei nº 
12.683/2012, a presença de indícios suficientes de que o objeto material da lavagem seja proveniente, 
direta ou indiretamente, de um daqueles crimes mencionados nos incisos do art. 1º da Lei nº 9.613/98. 
(Info 657). 
 
4) O crime de lavagem de dinheiro, ANTES DAS ALTERAÇÕES PROMOVIDAS PELA LEI N. 12.683/2012, estava 
adstrito aos crimes descritos no rol taxativo do art. 1º da Lei n. 9.613/1998. 
 
Vale ressaltar que, se o crime tiver sido praticado antes da Lei nº 12.683/2012, o Ministério Público deverá 
narrar um crime antecedente que se amolde a um dos incisos do art. 1º segundo a redação que vigorava 
antes da novidade legislativa. Nesse sentido: “(...) tendo o crime sido praticado antes da alteração legislativa 
[da Lei 12.683/2012], a denúncia [deve ter] o cuidado de imputar ao paciente a conduta conforme previsão 
legal à época dos fatos” (STJ. 5ª Turma. HC 276.245/MG, DJe 20/06/2017). 
 
5) O tipo penal do art. 1º da Lei nº 9.613/98 é de ação múltipla ou plurinuclear, consumando-se com a 
prática de qualquer dos verbos mencionados na descrição típica e relacionando-se com qualquer das fases 
do branqueamento de capitais (ocultação, dissimulação, reintrodução), não exigindo a demonstração da 
ocorrência de todos os três passos do processo de branqueamento. 
 
6) O crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificado no art. 1º da Leinº 9.613/1998, 
constitui crime autônomo em relação às infrações penais antecedentes. 
 
7) Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de uma infração penal antecedente, 
é possível a autolavagem - isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, da infração antecedente e do 
crime de lavagem -, desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que compõe a 
realização da primeira infração penal, circunstância na qual não ocorrerá o fenômeno da consunção. 
 
É também a posição do STF: 
 
(...) 2. O sistema jurídico brasileiro não exclui os autores do delito antecedente do âmbito de incidência das 
normas penais definidoras do crime de lavagem de bens, direitos ou valores, admitindo, por consequência, 
a punição da chamada autolavagem. É possível, portanto, em tese, que um mesmo acusado responda, 
concomitantemente, pela prática dos delitos antecedente e de lavagem, inexistindo bis in idem decorrente 
de tal proceder. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
41 
3. Nada obstante, a incriminação da autolavagem pressupõe a prática de atos de ocultação, dissimulação ou 
integração autônomos ao delito antecedente, ainda que se verifique, eventualmente, consumações 
simultâneas. 
4. A consunção constitui critério de resolução de conflito aparente de normas penais incidente em casos em 
que a norma consuntiva contemple e esgote o desvalor da consumida, em hipótese de coapenamento de 
condutas. Assim, eventual coincidência temporal entre o recebimento indireto de vantagem indevida, no 
campo da corrupção passiva, e a implementação de atos autônomos de ocultação, dissimulação ou 
integração na lavagem, não autoriza o reconhecimento de crime único se atingida a tipicidade objetiva e 
subjetiva própria do delito de lavagem. (...) STF. 2ª Turma. HC 165036, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
09/04/2019. 
 
8) O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica de ocultar, é 
permanente, protraindo-se sua execução até que os objetos materiais do branqueamento se tornem 
conhecidos, o que evidencia a atualidade necessária à decretação da prisão preventiva (STJ/2021) 
 
O delito de lavagem de bens, direitos ou valores, previsto no art. 1º da Lei nº 9.613/98, quando praticado na 
modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente. A característica básica dos delitos 
permanentes está na circunstância de que a execução desses crimes não se dá em um momento definido e 
específico, mas em um alongar temporal. Quem oculta e mantém oculto algo, prolonga a ação até que o fato 
se torne conhecido. Assim, o prazo prescricional somente tem início quando as autoridades tomam 
conhecimento da conduta do agente. STF. 1ª Turma, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 
 
9) A aquisição de bens em nome de pessoa interposta caracteriza-se como conduta, em tese, de ocultação 
ou dissimulação, prevista no tipo penal do art. 1º da Lei n. 9.613/1998, sendo suficiente, portanto, para o 
oferecimento da denúncia. 
 
Ex.: determinado agente político recebe vantagem indevida (“propina”) proveniente de corrupção passiva e, 
com o dinheiro, adquire imóveis que estão em nome de familiares e empregados usados como “laranja”. 
 
Cuidado para não confundir: O mero recebimento da vantagem indevida por meio de interposta pessoa não 
é conduta apta a configurar o delito de lavagem de capitais (STF. 2ª Turma. AP 996, Rel. Min. Edson Fachin, 
julgado em 29/05/2018). 
 
10) A realização, por período prolongado, de sucessivos contratos de empréstimo pessoal para justificar 
ingressos patrimoniais como se renda fossem - sem que se esclareça a forma e a fonte de pagamento das 
parcelas, acrescidas de juros, e sem que isso represente, em nenhum momento, uma correspondente 
redução do padrão de vida do devedor - é apta a configurar, em tese, ato de dissimulação da origem ilícita 
de valores, elemento constituinte do delito de lavagem de dinheiro, que extrapole o mero recebimento de 
vantagens indevidas 
 
Nesse sentido: STJ. Corte Especial. APn 940/DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 06/05/2020. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
42 
A pessoa toma o empréstimo para justificar a entrada das quantias em sua conta bancária e depois salda 
essas dívidas em dinheiro, com recursos provenientes da infração penal antecedente. 
 
EDIÇÃO N. 167: DO CRIME DE LAVAGEM - II 
 
1) No crime de lavagem de dinheiro que envolve grande quantidade de agentes residentes em diversas 
unidades da federação, a regra de competência do local onde se realizaram as operações irregulares será 
afastada para, em homenagem aos princípios da razoável duração do processo e da celeridade de sua 
tramitação, dar lugar ao foro do domicílio do investigado. 
 
Em regra, a competência para processar e julgar o crime de lavagem de dinheiro é do Juízo do local onde 
foram realizadas as operações irregulares. Entretanto, tendo as operações financeiras sido realizadas em 
instituição localizada em Foz do Iguaçu/PR (conta CC5), o STJ, diante das peculiaridades - número elevado de 
contas de depositantes domiciliados em diversos Estados da Federação-, vem decidindo, em homenagem ao 
princípio da duração razoável do processo, pela competência do Juízo do domicílio dos investigados. STJ. 3ª 
Seção. CC 93.991/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 09/06/2010. 
 
2) A autoridade judiciária brasileira é competente para julgar os crimes de lavagem ou ocultação de 
dinheiro cometidos, mesmo que parcialmente, no território nacional, bem como na hipótese em que os 
crimes antecedentes tenham sido praticados em prejuízo da administração pública, ainda que os atos 
tenham ocorrido exclusivamente no exterior. 
 
Caso concreto: para cometer a lavagem de dinheiro, os réus se utilizaram de uma offshore constituída no 
exterior e também de contas bancárias de uma instituição financeira localizada em outro país. Mesmo assim, 
o STJ considerou que a Justiça brasileira teria competência para julgar a causa considerando que os agentes 
fizeram uso de uma empresa sediada no Brasil, tendo praticado os crimes antecedentes em nosso país. STJ. 
5ª Turma. HC 221.108/PR, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 11/03/2014. 
Praticados os crimes antecedentes ao delito de lavagem de dinheiro em prejuízo da Administração Pública 
brasileira - especificamente, contra o patrimônio da Petrobras -, ainda que porventura os atos de lavagem 
tenham-se realizado exclusivamente no estrangeiro, subsiste a competência do Poder Judiciário brasileiro 
para processar e julgar os fatos, a teor do art. 7º, I, “b”, do CP. 
 
O Brasil comprometeu-se em tratados e convenções internacionais a combater o crime de lavagem de 
capitais oriundos de crimes de corrupção (Convenção sobre Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros 
em Transações Comerciais Internacionais, incorporada pelo Decreto n. 3.678/2000, e Convenção das Nações 
Unidas contra a Corrupção, ratificada pelo Decreto n. 5.687/2000). 
 
Desse modo, também se aplica, ao caso, a disposição do art. 7º, II, “a”, do CP (crime praticado no estrangeiro 
que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir), porquanto os crimes imputados efetivamente 
teriam como delito antecedente atos de corrupção já processados e julgados perante a jurisdição brasileira. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
43 
STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 112.868/PR, Rel. Min. Leopoldo De Arruda Raposo (Desembargador convocado 
do TJ/PE), julgado em 19/11/2019. 
 
3) Compete ao juízo processante do crime de lavagem de dinheiro, apreciar e decidir a respeito da união 
dos processos (art. 2º, II, da Lei nº 9.613/98), examinando caso a caso, com objetivo de otimizar a entrega 
da prestação jurisdicional. 
 
4) O reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição da infração penal antecedente não 
implica atipicidadedo delito de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98). 
 
5) O delito de evasão de divisas é autônomo e antecedente ao crime de lavagem de capitais, não 
constituindo este mero exaurimento impunível daquele, nem consunção entre os abordados crimes. 
 
O agente que praticou o crime contra o sistema financeiro nacional (art. 22 da Lei nº 7.492/96) pode também 
ser sujeito ativo do delito de lavagem de capitais (art. 1º da Lei nº 9.613/98), não constituindo este mero 
exaurimento impunível do primeiro crime e tampouco ficando caracterizado o bis in idem em decorrência da 
dupla punição. São condutas independentes, cada qual tipificada autonomamente, inexistindo, no 
ordenamento jurídico, qualquer previsão excluindo a responsabilidade do autor do crime antecedente pelo 
delito posterior. STJ. 6ª Turma. REsp 1222580/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/03/2014. 
 
6) A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei nº 9.613/98) como crime antecedente da lavagem 
de dinheiro é atípica antes do advento da Lei nº 12.850/2013, por ausência de descrição normativa. 
 
7) Por ser atípico, não se pode invocar a substituição do crime de organização criminosa por associação 
criminosa (art. 288 do Código Penal - CP), pois este não estava incluído no rol taxativo da redação original 
da Lei nº 9.613/1998. 
 
8) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, é legítima a exasperação da pena-base 
pela valoração negativa das consequências do crime em decorrência da movimentação de expressiva 
quantia de recursos envolvidos que extrapole o elemento natural do tipo. 
 
A elevada complexidade dos mecanismos de lavagem de dinheiro utilizados e o montante total movimentado 
pela empreitada criminosa autorizam a valoração negativa das circunstâncias e consequências do crime, para 
exasperar e pena-base. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1866173/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 
30/03/2021. 
 
9) A incidência simultânea do reconhecimento da continuidade delitiva (art. 70 do CP) e da majorante 
prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.613/98, nos crimes de lavagem de dinheiro, acarreta bis in idem. 
 
Art. 1º (...) § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei 
forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
44 
 
10) Os familiares e parentes próximos de pessoas que ocupem cargos ou funções públicas relevantes - 
consideradas pessoas politicamente expostas - PPE, nos termos do art. 2º, da Resolução nº 29, de 
19/12/2017, do COAF - sujeitam-se ao controle estabelecido nos arts. 10 e 11 da Lei nº 9.613/98 a fim de 
ser apurada a possível prática de lavagem de dinheiro. 
 
11) O art. 1º, § 5º, da Lei nº 9.613/98 trata da delação premiada, ato unilateral, praticado pelo agente que, 
espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de investigação, quanto à instrução 
procedimental, independente de prévio acordo entre as partes interessadas, cujos benefícios não podem 
ultrapassar a fronteira objetiva e subjetiva da demanda, dada sua natureza endoprocessual. 
 
O art. 1º, § 5º, da Lei 9.613/98 trata da delação premiada (unilateral), que tem a característica de ato 
unilateral, praticado pelo agente que, espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de 
investigação, quanto à instrução procedimental, sendo que o referido instituto, diferentemente da 
colaboração premiada (que demanda a bilateralidade), não depende de prévio acordo a ser firmado entre as 
partes interessadas. A correta hermenêutica a ser conferida ao instituto, direciona-se no sentido de que não 
há como expandir os benefícios advindos da delação premiada, eis que unilateral, para além da fronteira 
objetiva e subjetiva da demanda posta à apreciação, eis que possuem natureza endoprocessual, sob pena de 
violação ou afronta ao princípio do Juiz natural. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1765139/PR, Rel. Min. Felix 
Fischer, julgado em 23/04/2019. 
 
12) A atuação de promotores auxiliares ou de grupos especializados, como o Grupo de Atuação Especial 
de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na investigação de infrações penais, a exemplo do crime de 
lavagem de dinheiro, não ofende o princípio do promotor natural, não havendo que se falar em designação 
casuística. 
 
13) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, a autoridade policial e o Ministério 
Público têm acesso, independentemente de autorização judicial, aos dados meramente cadastrais de 
investigados que não são protegidos pelo sigilo constitucional (art. 17-B da Lei nº 9.613/98). 
 
14) É possível o deferimento de medida assecuratória em desfavor de pessoa jurídica que se beneficia de 
produtos decorrentes do crime de lavagem, ainda que não integre o polo passivo de investigação ou ação 
penal. 
 
15) Não há óbice à aplicação imediata das medidas assecuratórias previstas no art. 4º da Lei nº 9.613/98 e 
implementadas pela Lei nº 12.683/2012, por se tratarem de institutos de direito processual a luz do 
princípio tempus regit actum. 
 
 
 
Bibliografia 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
45 
Legislação Criminal Especial Comentada. Volume Único. Renato Brasileiro de Lima. 8ª edição. 2020 
Leis Penais Especiais. Volume único. Gabriel Habbib. 10ª edição. 2018 
Anotações do curso do professor Marcos Paulo Dutra (2016). 
Dizer o Direito.é capaz de, em tese, figurar como antecedente. 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
5 
1ª GERAÇÃO O crime de tráfico de drogas era a única infração penal antecedente na lavagem de capitais 
2ª GERAÇÃO Existe um rol taxativo de infrações penais antecedentes. 
3ª GERAÇÃO Admitem lavagem de dinheiro de qualquer infração penal antecedente. 
 
Em suma: a partir da Lei nº 12.683 de 2012, qualquer delito (crime ou contravenção) pode funcionar 
como antecedente da lavagem, desde que se trate de infração penal produtora de bens ou valores. 
 
Já caiu em prova e foi considerada correta a seguinte alternativa: A lei brasileira que criminaliza a lavagem 
de dinheiro classifica-se como de terceira geração, pois admite que o delito de lavagem de dinheiro pode ter 
como precedente qualquer ilícito penal. 
 
4. INOVAÇÕES TRAZIDAS PELA LEI 12.683/12 
 
Além da supressão do rol taxativo de crimes antecedentes, outras mudanças foram trazidas pela Lei 
nº 12.683/12, vejamos: 
● INOVAÇÃO 1: 
ANTES: somente havia lavagem de dinheiro se a ocultação ou dissimulação fosse de bens, direitos ou valores 
provenientes de um crime antecedente. 
AGORA: haverá lavagem de dinheiro se a ocultação ou dissimulação for de bens, direitos ou valores 
provenientes de um crime ou de uma contravenção penal. Desse modo, a lavagem de dinheiro continua a 
ser um crime derivado, mas agora depende de uma infração penal antecedente, que pode ser um crime ou 
uma contravenção penal. 
 
● INOVAÇÃO 2: 
ANTES: a lei brasileira listava um rol de crimes antecedentes para a lavagem de dinheiro fazendo com que o 
Brasil, segundo a doutrina majoritária, estivesse enquadrado nas legislações de segunda geração. 
AGORA: qualquer infração penal pode ser antecedente da lavagem de dinheiro. A legislação brasileira de 
lavagem passa para a terceira geração. 
 
● INOVAÇÃO 3: 
ANTES: a Lei de Lavagem afirmava que havia uma autonomia entre o julgamento da lavagem e do crime 
antecedente, não esclarecendo se esta autonomia era absoluta ou relativa nem o juízo responsável por 
decidir a unificação ou separação dos processos. 
AGORA: a alteração deixou claro que a autonomia entre o julgamento da lavagem e da infração penal 
antecedente é relativa, de modo que a lavagem e a infração antecedente podem ser julgadas em conjunto 
ou separadamente, conforme se revelar mais conveniente no caso concreto, cabendo ao juiz competente 
para o crime de lavagem decidir sobre a unidade ou separação dos processos. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
6 
 
● INOVAÇÃO 4: 
ANTES: a Lei nº 9.613/98 não explicitava se havia o crime de lavagem no caso de estar extinta a punibilidade 
da infração penal antecedente. 
AGORA: a alteração trouxe regra expressa no sentido de que poderá haver o crime de lavagem ainda que 
esteja extinta a punibilidade da infração penal antecedente. Vale ressaltar que já havia julgado do STJ nesse 
sentido, a despeito da omissão legal. A inovação, contudo, é produtiva para que não haja qualquer dúvida 
quanto a esse aspecto. 
 
● INOVAÇÃO 5: 
ANTES: a Lei nº 9.613/98 afirmava simplesmente que o art. 366 do CPP não se aplicava aos processos de 
lavagem de dinheiro, sem explicar qual seria o regramento a ser adotado. 
AGORA: a alteração reafirmou que não se aplica o art. 366 do CPP à lavagem de dinheiro, deixando claro 
que, se o acusado não comparecer nem constituir advogado, será nomeado a ele defensor dativo, 
prosseguindo normalmente o feito até o julgamento. 
 
● INOVAÇÃO 6: 
ANTES: a redação original da Lei mencionava que o juiz poderia decretar a apreensão ou o sequestro de bens, 
direitos ou valores. Por conta dessa menção restrita à apreensão e ao sequestro, havia divergência na 
doutrina se seria possível o juiz determinar também a hipoteca legal e o arresto. 
AGORA: a nova Lei acaba com a polêmica considerando que afirma que o juiz poderá decretar medidas 
assecuratórias, terminologia mais ampla que pode ser vista como um gênero que engloba todas essas 
espécies de medidas cautelares. Além disso, a nova Lei deixa claro que podem ser objeto das medidas 
assecuratórias os bens, direitos ou valores que estejam em nome do investigado (antes da ação penal), do 
acusado (após a ação penal) ou de interpostas pessoas; e deixa expresso que somente podem ser objeto de 
medidas assecuratórias os bens, direitos ou valores que sejam instrumento, produto ou proveito do crime 
de lavagem ou das infrações penais antecedentes. 
 
● INOVAÇÃO 7: 
ANTES: a Lei previa que o sequestro e a apreensão deveriam ser levantados se a denúncia não fosse oferecida 
no prazo de 120 dias. 
AGORA: foi revogada essa previsão. No caso do sequestro, o CPP prevê que ele será levantado se a ação 
penal não for intentada no prazo de 60 dias. Essa regra agora deve ser aplicada também aos processos de 
lavagem de dinheiro. 
 
● INOVAÇÃO 8: 
ANTES: não havia previsão expressa de constrição de bens para custear a reparação dos danos decorrentes 
da infração ou para pagamento de prestação pecuniária, multas e custas, o que gerava divergências na 
doutrina e jurisprudência. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
7 
AGORA: há previsão expressa de que sejam decretadas medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou 
valores para reparação do dano decorrente da infração penal antecedente ou do crime de lavagem ou ainda 
para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas do processo. 
 
● INOVAÇÃO 9: 
ANTES: não havia previsão expressa de alienação antecipada para os processos de lavagem de dinheiro. 
AGORA: as medidas assecuratórias são medidas cautelares reais que visam resguardar o patrimônio do 
acusado, para que, posteriormente, possa suportar os efeitos da condenação, bem como, permitir o seu 
confisco ao término da persecutio criminis. Com o advento da Lei nº 12.683/2012, passou-se a admitir a 
“alienação antecipada” (art. 4º) como uma das medidas assecuratórias. Se o réu for absolvido, o valor será 
restituído, por outro lado, se for condenado, o Estado fará o confisco do valor. 
 
● INOVAÇÃO 10: 
ANTES: se a parte prejudicada conseguisse provar que os bens, direitos ou valores apreendidos ou 
sequestrados possuíam origem lícita eles deveriam ser restituídos. 
AGORA: mesmo se a parte conseguir provar que os bens, direitos ou valores constritos possuem origem lícita, 
ainda assim eles podem permanecer indisponíveis no montante necessário para reparação dos danos e para 
o pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da infração penal. Em outras palavras, 
o simples fato de ter origem lícita não autoriza a liberação de bens apreendidos. 
 
● INOVAÇÃO 11: 
ANTES: o art. 7º, I, previa, como efeito da condenação, o perdimento de bens, direitos e valores que tinham 
sido objeto de lavagem de dinheiro. 
AGORA: a nova redação do art. 7º, I é mais ampla e prevê, como efeito da condenação, o perdimento de 
bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática de lavagem de dinheiro, inclusive 
aqueles utilizados para prestar a fiança. A nova Lei aumenta, assim, as possibilidades de perdimento. 
 
● INOVAÇÃO 12: 
ANTES: o art. 7º, I, previa que o perdimento dos bens, direitos e valores objetos de lavagem de dinheiro 
ocorria sempre em favor da União. 
AGORA: a nova redação do art. 7º, I prevê que o perdimento dos bens, direitos e valores relacionados com 
a lavagem de dinheiro pode ocorrer em favor da União ou do Estado. 
O perdimento será em favor da União se o crime de lavagem, no caso concreto, for de competência federal. 
Por outro lado, o perdimento será revertido para o respectivo Estado se o processo criminal por lavagem, na 
situação específica, for de competência da Justiça Estadual. 
 
● INOVAÇÃO 13: 
ANTES: a Lei previa a obrigação de comunicar operações suspeitas para as pessoas físicas apenas em algumassituações específicas, como as trazidas pelos incisos IX a XII do parágrafo único do art. 9º. 
AGORA: a Lei prevê, de forma genérica, que todas as pessoas físicas que trabalham com as atividades listadas 
no art. 9º estão sujeitas às obrigações previstas nos arts. 10 e 11. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
8 
 
● INOVAÇÃO 14: 
Os incisos I, X e XII do parágrafo único do art. 9º tiveram sua redação modificada e foram incluídas seis novas 
atividades (incisos XIII a XVIII) cujas pessoas que as exercem passam a ter as obrigações previstas nos arts. 10 
e 11 da Lei de Lavagem. 
 
● INOVAÇÃO 15: 
A Lei ampliou as obrigações previstas no art. 10 da Lei de Lavagem e que devem ser cumpridas pelas pessoas 
de que trata o art. 9º. 
 
OBS.1: Ampliação das pessoas físicas/jurídicas responsáveis pela comunicação de operações suspeitas – 
art. 9º. O legislador estabelece para essas pessoas o dever de conhecer seus clientes – Know Your Costumer. 
É interessante fazer a leitura do art. 9º da Lei (na íntegra). São espécies de verdadeiros garantidores, posto 
que têm o dever de conhecer o cliente, e adotar mecanismos, de modo a impedir que sua operação seja 
utilizada como estratégia para o crime de lavagem de capitais. 
 
DAS PESSOAS SUJEITAS AO MECANISMO DE CONTROLE 
Art. 9º. Sujeitam-se às obrigações referidas nos arts. 10 e 11 as pessoas físicas e 
jurídicas que tenham, em caráter permanente ou eventual, como atividade 
principal ou acessória, cumulativamente ou não: 
I - A captação, intermediação e aplicação de recursos financeiros de terceiros, em 
moeda nacional ou estrangeira; 
II – A compra e venda de moeda estrangeira ou ouro como ativo financeiro ou 
instrumento cambial; 
III - a custódia, emissão, distribuição, liquidação, negociação, intermediação ou 
administração de títulos ou valores mobiliários. 
Parágrafo único. Sujeitam-se às mesmas obrigações: 
 I – As bolsas de valores, as bolsas de mercadorias ou futuros e os sistemas de 
negociação do mercado de balcão organizado 
II - As seguradoras, as corretoras de seguros e as entidades de previdência 
complementar ou de capitalização; 
III - as administradoras de cartões de credenciamento ou cartões de crédito, bem 
como as administradoras de consórcios para aquisição de bens ou serviços; 
IV - As administradoras ou empresas que se utilizem de cartão ou qualquer outro 
meio eletrônico, magnético ou equivalente, que permita a transferência de fundos; 
V - as empresas de arrendamento mercantil (leasing), as empresas de fomento 
comercial (factoring) e as Empresas Simples de Crédito (ESC); 
VI - as sociedades que, mediante sorteio, método assemelhado, exploração de 
loterias, inclusive de apostas de quota fixa, ou outras sistemáticas de captação de 
apostas com pagamento de prêmios, realizem distribuição de dinheiro, de bens 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
9 
móveis, de bens imóveis e de outras mercadorias ou serviços, bem como concedam 
descontos na sua aquisição ou contratação; 
VII - as filiais ou representações de entes estrangeiros que exerçam no Brasil 
qualquer das atividades listadas neste artigo, ainda que de forma eventual; 
VIII - as demais entidades cujo funcionamento dependa de autorização de órgão 
regulador dos mercados financeiro, de câmbio, de capitais e de seguros; 
IX - as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que operem no Brasil 
como agentes, dirigentes, procuradoras, comissionárias ou por qualquer forma 
representem interesses de ente estrangeiro que exerça qualquer das atividades 
referidas neste artigo; 
X - as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam atividades de promoção imobiliária 
ou compra e venda de imóveis; 
XI - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem jóias, pedras e metais 
preciosos, objetos de arte e antigüidades. 
XII - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo ou de alto valor, 
intermedeiem a sua comercialização ou exerçam atividades que envolvam grande 
volume de recursos em espécie; 
XIII - as juntas comerciais e os registros públicos; 
XIV - as pessoas físicas ou jurídicas que prestem, mesmo que eventualmente, 
serviços de assessoria, consultoria, contadoria, auditoria, aconselhamento ou 
assistência, de qualquer natureza, em operações: 
a) de compra e venda de imóveis, estabelecimentos comerciais ou industriais ou 
participações societárias de qualquer natureza; 
b) de gestão de fundos, valores mobiliários ou outros ativos; 
c) de abertura ou gestão de contas bancárias, de poupança, investimento ou de 
valores mobiliários; 
d) de criação, exploração ou gestão de sociedades de qualquer natureza, 
fundações, fundos fiduciários ou estruturas análogas; 
e) financeiras, societárias ou imobiliárias; e 
f) de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos relacionados a atividades 
desportivas ou artísticas profissionais; 
XV - pessoas físicas ou jurídicas que atuem na promoção, intermediação, 
comercialização, agenciamento ou negociação de direitos de transferência de 
atletas, artistas ou feiras, exposições ou eventos similares; 
XVI - as empresas de transporte e guarda de valores; 
XVII - as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de alto valor de origem 
rural ou animal ou intermedeiem a sua comercialização; e 
XVIII - as dependências no exterior das entidades mencionadas neste artigo, por 
meio de sua matriz no Brasil, relativamente a residentes no País. 
XIX - as prestadoras de serviços de ativos virtuais. 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
10 
Vamos aprofundar para a prova discursiva? 
É possível impor o dever de comunicar operações suspeitas de lavagem de capitais às autoridades 
competentes aos advogados? Até que ponto esse suposto dever de comunicação é compatível com o sigilo 
constitucional inerente ao exercício da advocacia? 
 
 De acordo com entendimento do STJ (HC 50.933), o exercício da advocacia não é causa de imunidade 
em relação à lavagem de capitais. Nesse sentido, embora a lei não seja clara em relação ao advogado, parte 
da doutrina entende que é possível inseri-lo no inciso XIV do art. 9º, em razão das atividades prestadas. 
 Entretanto, a OAB entendeu que os advogados não estariam incluídos entre as referidas pessoas. 
 Outra parte da doutrina ainda divide: 
▪ Advogados de representação contenciosa: são advogados que atuam na defesa de seus clientes em 
um processo judicial. Nesse caso, não estão obrigados a comunicar operações suspeitas, sob pena 
de violação ao sigilo constitucional, inerente à advocacia. 
▪ Advogados de operação: diz respeito à atividade de consultoria jurídica não processual (empresarial; 
tributária). Nesse caso, diante do dever do “know your customer”, existe a obrigação de 
comunicação de operações suspeitas. 
 
4. BEM JURÍDICO TUTELADO 
 
Acerca dessa matéria, existem quatro correntes na doutrina: 
 
▪ 1ª Corrente: O bem jurídico tutelado é o mesmo bem jurídico tutelado pelo crime antecedente. 
Obs.: Quando se estava na primeira geração de leis de lavagem era possível sustentar essa corrente 
considerando que havia apenas um crime que importaria na lavagem. 
 
▪ 2ª Corrente - Roberto Bertibal: A lavagem de capitais tutela a administração da justiça. A lavagem 
de capitais é muito semelhante ao crime de favorecimento real – art. 349, CP – crime este que está 
incluído dentre aqueles contra a administração da justiça, uma vez que a prática de lavagem torna 
mais difícil a recuperação do produto direto ou indireto da infração antecedente. 
 
▪ 3ª Corrente – crime pluriofensivo: São dois os bens jurídicos tutelados pela lei de lavagem de capitais. 
Tutela-se tanto o bem jurídico tutelado pelo crime antecedente (saúde pública, patrimônio, etc.) 
como a ordem econômico-financeira. 
 
▪ 4ª Correntede capitais seja um crime acessório 
(parasitário), não há necessidade de condenação judicial anterior para que reste caracterizado o delito de 
lavagem de capitais. Na verdade, basta que a infração penal anterior seja TÍPICA e ILÍCITA. É que a doutrina 
chama de ACESSORIEDADE LIMITADA DA LAVAGEM DE CAPITAIS. Vamos entender... 
 O que isso significa? 
 R.: Na esfera da participação criminal, denomina-se acessoriedade limitada o grau de dependência 
segundo o qual só se pode castigar a conduta do partícipe quando o fato principal for típico e ilícito. O que 
a doutrina faz é transportar esse conceito para o crime de lavagem de capitais, entendendo que haverá o 
DELITO DE LAVAGEM DESDE QUE A INFRAÇÃO PENAL ANTERIOR SEJA TÍPICA E ILÍCITA. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
14 
 
 Qual a consequência prática disso? 
 R.: Ora, se pela Acessoriedade Limitada o delito de lavagem de capitais subsiste desde que a infração 
penal anterior seja típica e antijurídica, haverá crime de lavagem mesmo que haja a exclusão da culpabilidade 
da infração anterior. Por outro lado, se houver a exclusão da ilicitude da infração anterior, o delito de lavagem 
restará prejudicado, tendo em vista que faltará o elemento “antijuridicidade” exigido pela Teoria da 
Acessoriedade Limitada. 
 Veja a explicação do professor Renato Brasileiro sobre o tema: 
 
“Dependendo a lavagem de uma conduta antecedente que seja típica e ilícita, 
afasta-se a possibilidade de condenação pelo delito de lavagem se acaso o autor da 
infração antecedente for absolvido com fundamento na prova da inexistência do 
fato (CPP, art. 386, I), não haver prova da existência do fato (CPP, art. 386, 11), não 
constituir o fato infração penal (CPP, art. 386, III), ou quando existirem 
circunstâncias que excluam o crime ou mesmo se houver fundada dúvida sobre a 
existência de causas excludentes de ilicitude (CPP, art. 386, VI, 1 ª parte). (...) 
Em sentido contrário, conclui-se que subsiste a possibilidade de tipificação do crime 
de lavagem de capitais ainda que presente uma causa excludente da culpabilidade 
em relação à infração antecedente (v.g., inimputabilidade, erro de proibição 
inevitável, inexigibilidade de conduta diversa). A título de exemplo, mesmo que o 
autor da infração precedente seja absolvido em virtude de coação moral irresistível, 
circunstância que isenta o réu de pena, continua sendo possível a tipificação do 
crime de lavagem de capitais, nos termos do art. 2°, § 1 1 °, da Lei nº 9.613/98. Na 
mesma linha, consistindo a punibilidade em mera consequência do delito, forçoso 
é concluir que a incidência de uma causa extintiva da punibilidade não tem o 
condão de retirar o caráter delituoso da conduta antecedente. Portanto, pelo 
menos em regra, incidindo uma causa extintiva da punibilidade (e.g., prescrição, 
morte do agente, pagamento do débito tributário) em relação à infração 
precedente, nada impede a condenação pelo crime de lavagem.” 
 
 Vamos esquematizar para facilitar a compreensão? 
 
INEXISTÊNCIA DO FATO O DELITO DE LAVAGEM FICARÁ PREJUDICADO, pois seu 
processamento depende de uma infração penal que seja, ao 
menos, TÍPICA E ILÍCITA. 
NÃO CONSTITUIR O FATO INFRAÇÃO PENAL 
CAUSAS QUE EXCLUAM O CRIME 
CAUSA EXTINTIVA DA ILICITUDE 
 
 
CAUSA EXTINTIVA DA CULPABILIDADE 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
15 
CAUSA EXTINTIVA DA PUNIBILIDADE * Não impedem a configuração do crime de lavagem. Ou seja: O 
CRIME DE LAVAGEM SUBSISTE mesmo que haja exclusão da 
culpabilidade ou da punibilidade da infração penal anterior 
 
* ATENÇÃO: Em regra, as causas extintivas da punibilidade do crime anterior não impedem a condenação 
pelo delito de lavagem. Entretanto, há 2 exceções: (i) anistia; e (ii) abolitio criminis. 
 Assim, a abolitio criminis e a anistia, em que pese serem causas extintivas da punibilidade, se 
incidirem na infração penal antecedente, impedirão a punição pelo crime de lavagem de capitais. Isso 
porque em ambas as hipóteses a conduta antecedente deixa de ser considerada crime, alterando a qualidade 
dos produtos (bens, direitos e valores) provenientes da conduta até então criminalizada, ou seja, deixa de 
ser um produto ilícito. Portanto, se com a abolitio criminis e a anistia não há mais infração penal antecedente, 
muito menos produtos ilícitos a serem mascarados, não subsiste a possibilidade de condenação por crime 
de lavagem por atipicidade da conduta. 
 Em relação à acessoriedade do crime de lavagem de capitais, deve-se atentar ao que a doutrina 
chama de JUSTA CAUSA DUPLICADA, que consiste na necessidade de instruir a ação penal do crime de 
lavagem de capitais com indícios suficientes da existência da infração anterior. 
 Explicamos: Quando se oferece a denúncia em face do crime de lavagem de capitais, a Lei nº 9.613 
exige, não apenas o lastro probatório mínimo do crime de lavagem de capitais, mas também a demonstração 
do lastro probatório mínimo acerca da infração penal antecedente. Veja: 
 
Art. 2º. (...) § 1o A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência da 
infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, ainda que 
desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade da infração penal 
antecedente. 
 
Nas palavras de Renato Brasileiro: 
 
“Outrossim, em se tratando de crimes de lavagem de capitais, não basta 
demonstrar a presença de lastro probatório quanto à ocultação de bens, direitos 
ou valores, sendo indispensável que a denúncia também seja instruída com suporte 
probatório demonstrando que tais valores são provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal, tal qual disposto no art. 1 º, caput, da Lei nº 
9.613/98, com redação determinada pela Lei nº 12.683/12. Tem -se aí o que a 
doutrina chama de justa causa duplicada, ou seja, lastro probatório mínimo quanto 
à lavagem e quanto à infração antecedente” 
 
É importante fixar: 
▪ O delito de lavagem de dinheiro não absorve a infração penal antecedente. 
▪ Embora seja um crime parasitário, o delito de lavagem é atribuído ao acusado em concurso material 
com a infração penal antecedente. 
▪ Os fatos são puníveis ainda que desconhecido ou isento de pena o autor. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
16 
▪ Os fatos são puníveis ainda que extinta a punibilidade da infração antecedente. 
▪ O crime de lavagem de capitais exige a justa causa duplicada: lastro probatório mínimo em relação à 
lavagem + infração penal antecedente. 
 
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: 
No crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, para se tipificar a conduta praticada, é 
necessário que os bens, direitos ou valores provenham de crime anterior e que o agente já tenha sido 
condenado judicialmente pelo crime previamente cometido. 
R.: ERRADO! Inobstante seja o crime de lavagem de capitais crime acessório, também denominado de 
parasitário, não há necessidade de condenação judicial anterior para que o crime reste caracterizado e/ou 
seja punido pelo delito de lavagem de capitais. Nesse sentido, veja o que dispõe a legislação: Art. 2º, II da Lei. 
 
Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte afirmativa: Conforme a jurisprudência do STJ, não 
impede o prosseguimento da apuração de cometimento do crime de lavagem de dinheiro a extinção da 
punibilidade dos delitos antecedentes. 
R.: CERTO! Uma vez ocorrendo a extinção da punibilidade do crime antecedente ao de lavagem de capitais, 
não haverá impedimento para o processamento do crime de lavagem de capitais. Nesse sentido, o art. 2º, 
§1º da Lei. 
 
7. DOS SUJEITOS DO DELITO 
 
7.1 Sujeito ativo 
 
Trata-se de crime comum, podendo ser praticado por qualquer pessoa. 
 
Observações importantes: 
● Pessoa jurídica pode praticar crime de lavagem? 
 Não.Em que pese ser possível a prática de crime de lavagem por pessoa jurídica, uma vez que se 
trata de crime contra a ordem econômico-financeira (majoritariamente) e, portanto, com assento no art. 
173, §5º da CF/88, fato é que a Lei de lavagem de capitais não prevê essa responsabilidade penal da pessoa 
jurídica. 
 
● Autor do crime antecedente também pode responder por lavagem? Há punição na autolavagem? 
Há divergência doutrinária: 
 
1ª posição – Delmanto: Defende que o próprio autor da infração penal antecedente não pode ser 
responsabilizado penalmente pelo crime de lavagem por 2 argumentos de base: 
- A lavagem configura um post factum impunível, é um mero exaurimento do delito precedente. 
Responsabilizá-lo pelos dois delitos, em concurso material, configuraria bis in idem. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
17 
- Garantia da não autoincriminação: a lavagem de capitais não configura crime para o autor do crime 
antecedente pois está acobertada pelo direito que o acusado tem de não produzir provas contra si 
mesmo. 
 
2ª posição – Majoritária (STF/STJ): O autor do crime antecedente pode ser responsabilizado pelo 
crime de lavagem de capitais. É o que a doutrina chama de autolavagem. Argumentos: 
- Afirma que não se pode aplicar o Princípio da Consunção diante da tutela de bens jurídicos distintos 
– o tráfico, por exemplo, tutela a saúde pública e lavagem a ordem econômica. Assim, como os bens 
jurídicos são distintos, não se pode aplicar o princípio da consunção. 
- Alega que o direito de não produzir provas contra si mesmo não dá ao agente a possibilidade de 
praticar novos delitos. Caso o agente pratique ambos os delitos: crime antecedente e lavagem de 
dinheiro, claramente tem-se o concurso material. 
 
● O sujeito ativo do crime de lavagem de capitais é necessariamente o sujeito ativo do crime 
antecedente? 
 A participação no crime antecedente não é condição obrigatória para que se possa ser sujeito ativo 
do crime de lavagem de capitais, desde que o agente tenha consciência da origem ilícita dos valores. (RMS 
16.813/STJ). 
 
Juris em teses STJ: Embora a tipificação da lavagem depende da existência de uma infração penal 
antecedente, é possível a autolavagem – imputação simultânea ao mesmo réu, da infração penal e do crime 
de lavagem, desde que demonstração dos atos diversos e autônomos daquele compõe a realização da 
primeira infração penal, circunstância que não ocorrerá consunção. 
 
7.2 Sujeito Passivo 
 
O sujeito passivo do delito de Lavagem de Capitais depende da posição adotada quanto ao bem 
jurídico tutelado: Será: 
● A sociedade - se for considerada a ordem econômico-financeira como o bem jurídico tutelado. 
● O Estado - caso considere a Administração da Justiça como o bem jurídico tutelado. 
 
8. DOS CRIMES DE "LAVAGEM" OU OCULTAÇÃO DE BENS, DIREITOS E VALORES 
 
Art. 1º. Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou 
indiretamente, de infração penal. 
 
Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. 
 
§ 1o Incorre na mesma pena quem, para ocultar ou dissimular a utilização de bens, 
direitos ou 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
18 
valores provenientes de infração penal: 
I - os converte em ativos lícitos; 
II - os adquire, recebe, troca, negocia, dá ou recebe em garantia, guarda, tem em 
depósito, movimenta ou transfere; 
III - importa ou exporta bens com valores não correspondentes aos verdadeiros. 
§ 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem: 
I - utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores 
provenientes de infração penal; 
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua 
atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. 
 
(a) Características gerais: Em linhas gerais podemos caracterizar os crimes acima como: 
● Crimes comuns: não se exigindo qualquer característica do sujeito ativo, que inclusive pode ser o 
autor da infração penal, tendo em vista que o STF admite a figura da “autolavagem”. 
● Tipo penal misto alternativo: uma vez que a prática de duas ou mais condutas do tipo penal não 
gera concurso de crimes. 
● De natureza formal: já que se consumam com a ocultação ou dissimulação de bens, não se exigindo 
que estes sejam introduzidos de forma lícita no sistema econômico. Mas há divergência. Veja: 
De acordo com o professor Gabriel Habib, “Com a prática da conduta típica de converter, 
independentemente de o agente conseguir a efetiva ocultação ou a dissimulação. Crime formal. 
Classificação. Crime comum; doloso; FORMAL; comissivo; de perigo concreto; instantâneo; admite 
tentativa”. 
Contudo, o autor Renato Brasileiro também expõe: “Há fundada controvérsia na doutrina acerca da 
natureza do crime do art. 1°, caput, da Lei 9.613/98, se material ou formal. Grande parte da doutrina sustenta 
que se trata de crime de natureza formal. Apesar de os núcleos aí utilizados – ocultar e dissimular - 
implicarem a produção de resultados naturalísticos (ocultação e dissimulação), não há dissociação 
cronológica das ações em si mesmas, por força inclusive da presença de outros elementos normativos que 
remetem obrigatoriamente a diferenciados complementos teleológicos e executivos (natureza, origem, 
localização, disposição, movimentação ou propriedade). Daí por que se trata de crime formal. Sem embargo 
desse entendimento, parece-nos que o crime do art. 1°, caput, da Lei n° 9.613/98, tem natureza material, ou 
seja, o resultado naturalístico "ocultação ou dissimulação da natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente dos crimes 
antecedentes" faz parte do preceito primário do caput do art. 1, ficando sua consumação dependente da 
produção desse resultado”. 
 
(b) Tipo objetivo: 
● Dissimular: disfarçar, escamotear, tornar pouco perceptível. 
● Ocultar: esconder a coisa, tirar de circulação, subtrair da vista. Consuma-se com o simples 
encobrimento. Para que se possa falar em lavagem de capitais, é necessário que a ocultação ocorra 
com o objetivo de lhe conferir uma aparência lícita, e não meramente esconder a coisa objeto de 
subtração. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
19 
 
É importante frisar que, na modalidade “ocultação”, a lavagem de dinheiro tem natureza de crime 
permanente, influenciando no lapso do termo prescricional e possibilitando a prisão em flagrante do agente. 
 
STF – O delito de lavagem de bens, direitos ou valores, previsto no art. 1° da lei 
9.613/98, quando praticado na modalidade ocultação tem natureza jurídica de 
crime permanente. A característica básica dos delitos permanentes está na 
circunstância de que a execução desses crimes não se dá em momento definido e 
específico, mas em um alongar temporal. (STF. 1°Turma. AP863/SP) 
 
Já caiu em prova e foi considerada CORRETA a seguinte assertiva: De acordo com o entendimento atual do 
Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, o crime de lavagem de bens, direitos ou valores, praticado na 
modalidade de ocultação, tem natureza de crime permanente, logo, a prescrição somente começa a contar 
do dia em que cessar a permanência. (DPC/RS-2018) 
 
Observações importantes: 
● Os delitos elencados nos incisos I a III do art. 1º, §1º são de natureza subsidiária. Se atingirem o 
especial fim de agir (ocultação/dissimulação), responderão pelo caput e não, pelo §1º. 
● O tipo previsto no art. 1º, §2º, I não se confunde com a receptação qualificada do art. 180, §1º do 
CP: 
- Receptação qualificada é crime próprio, exigindo que o autor exerça com habitualidade a atividade, 
fato que não se opera no crime de lavagem de capitais.Qualquer pessoa que use o objeto material 
do crime em atividade econômica ou financeira, mesmo sem habitualidade, pratica o crime de 
lavagem. 
- Na receptação qualificada o autor não pode participar do crime antecedente, ao passo que na 
lavagem de capitais, é perfeitamente possível a autolavagem, 
● O tipo penal previsto no art. 1º, §2º, II prevê punição de qualquer forma de contribuição à pratica de 
lavagem. Pune de forma autônoma o que já seria possível com a norma de extensão subjetiva 
prevista no art. 29 do CP. Renato brasileiro coloca no nome de “associação para fins de lavagem de 
capitais”. 
 
(c) Elemento subjetivo: o crime de lavagem é punido exclusivamente à título de dolo. 
● Redação originária da Lei nº 9.613/98: O dolo tinha que abranger o conhecimento acerca de um dos 
crimes antecedentes listados nos revogados incisos do art. 1º. Não bastava a ciência de que os 
produtos/proventos ocultados eram frutos de crime. 
● Atual redação: Sem o rol exaustivo de crimes antecedentes, basta que o agente tenha consciência 
de que os valores são provenientes de infração penal, dispensa-se o conhecimento detalhado das 
circunstâncias do crime antecedente. 
 
Pergunta-se: Exige-se o dolo específico? 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
20 
De acordo com a doutrina majoritária, SIM! Todas as figuras típicas da Lei de Lavagem exigem, não 
apenas o DOLO GENÉRICO (ocultar/ dissimular o produto direto ou indireto de infração penal), mas também 
o DOLO ESPECÍFICO (reciclar o produto direto/indireto da infração penal antecedente, dando a ele uma 
aparência lícita por meio de diversos atos de mascaramento), mesmo não estando expresso nos art. 1º, caput 
e §2º. É justamente a presença do especial fim de agir (elemento subjetivo especial) que diferencia o crime 
de lavagem de capitais do crime de favorecimento real, visto que ambos possuem o mesmo dolo genérico: 
tornar seguro o proveito do crime. 
 
 Pergunta-se: Admite-se o dolo eventual para os crimes de lavagem de capitais ou apenas o dolo 
direto? 
 R.: Em regra, sim! A única figura que não admite o dolo eventual é a prevista no art. 1º, §2º, II, tendo 
em vista que só haverá punição se o agente SOUBER da origem ilícita. Veja: 
 
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que sua 
atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes previstos nesta Lei. 
 
IMPORTANTE: Teoria da cegueira deliberada ou Teoria das instruções da avestruz ou Teoria da evitação da 
consciência 
 Essa teoria tem origem na jurisprudência norte americana e tem incidência nos casos em que o 
agente tem consciência da provável ilicitude dos bens, direitos e valores, por ele ocultados ou dissimulados, 
mas, ainda assim, deliberadamente, cria diversos mecanismos impedir o aperfeiçoamento da representação 
acerca do fato. Ou seja: o agente, deliberadamente, se recusa a saber a origem ilícita dos valores para que 
possa, posteriormente, alegar que “não sabia de nada”, buscando afastar o elemento subjetivo necessário. 
 Ora, se o agente pode ter consciência sobre a origem ilícita do dinheiro e escolhe não buscar essa 
informação de forma mais aprofundada, ele demonstra nitidamente indiferença em relação ao bem jurídico 
protegido, da mesma forma que demonstra indiferença quem age com dolo eventual. Nesse caso, como o 
agente assume o risco de produzir o resultado, deverá responder pelo crime de lavagem de capitais a título 
de dolo eventual. 
 Nas palavras do professor Renato Brasileiro (2020): 
 
“Segundo a doutrina, essa teoria fundamenta-se na seguinte premissa: o indivíduo 
que, suspeitando que pode vir a praticar determinado crime, opta por não 
aperfeiçoar sua representação sobre a presença do tipo objetivo em um caso 
concreto, reflete certo grau de indiferença em face do bem jurídico tutelado pela 
norma penal tão elevado quanto o daquele que age com dolo eventual, daí por que 
pode responder criminalmente pelo delito se o tipo penal em questão admitir a 
punição a título de dolo eventual. (...) 
 
No Brasil, a teoria da cegueira deliberada foi efetivamente utilizada para 
fundamentar as condenações por lavagem de capitais nos autos do Processo 
Criminal nº 2005.81.00.014586-0, relativo à subtração da quantia de R$ 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
21 
164.755.150,00 (cento e sessenta e quatro milhões, setecentos e cinquenta e cinco 
mil, cento e cinquenta de reais) do interior do Banco Central do Brasil localizado na 
cidade de Fortaleza/CE. Referida teoria foi utilizada como fundamento para a 
condenação de dois empresários, proprietários de uma concessionária de 
veículos, pela prática do crime do art. 1 º, V e VII, § 1 º, I, § 2°, I e II, da Lei 9.613/98, 
em virtude de terem recebido a quantia de R$ 980.000,00 (novecentos e oitenta 
mil reais), em notas de cinquenta reais em sacos de náilon, pela compra de 11 
(onze) veículos, dentre eles 03 (três) Mitsubish 1200, 02 (dois) Mitsubish Pajero 
Sport, e 01 (um) pajero Full, sendo que os acusados teriam recebido a quantia sem 
questionamento, nem mesmo quando a quantia de R$ 250.000,00 (duzentos e 
cinquenta mil reais) foi deixada pelo intermediário para "futuras compras", tendo 
também se abstido de comunicar às autoridades responsáveis a movimentação 
suspeita.” 
 
Em linhas gerais, são requisitos para aplicação da teoria da cegueira deliberada: 
● A consciência por parte do agente no sentido de que os valores possam ter origem ilícita; 
● Que o agente deliberadamente crie mecanismos que obstem a sua plena consciência da origem ilícita 
do dinheiro ou deixe de buscar informações que lhe permitam concluir por tal origem. 
 
Para o Examinador Bruno Gilaberte, a cegueira deliberada revela o dolo do agente, ainda que na modalidade 
indireta (eventual). 
Dessa forma, a manutenção consciente da ignorância perante razoáveis evidências de ilicitude amolda-se à 
assunção do risco. 
Nas palavras do examinador: “É o famoso ‘não me fale nada, eu não quero saber de nada’, usado como um escudo para 
possíveis implicações penais, embora saiba-se desde logo que o benefício da ignorância repousa em uma violação da lei 
penal.” 
Para o examinador, inclusive, a receptação praticada mediante dolo eventual (artigo 180, § 1º, do CP) nada mais é do 
que uma positivação dessa teoria. 
Nesse sentido, o examinador, se mostra favorável à punição daqueles que, agindo por interposta pessoa, fingem não 
saber da postura de seus prepostos quando o delito é desvendado. 
Gilaberte defende ainda, que embora essa teoria seja aplicada ao combate à lavagem de dinheiro, pode ser imposta a 
qualquer delito, como, por exemplo, no caso da mãe que, suspeitando de abuso sexual praticado pelo padrasto contra 
sua filha, prefere manter-se à margem de qualquer levantamento mais aprofundado, permitindo a perpetuação da 
violência. 
Nesse caso, o examinador defende que a mãe pode, assim como o executor, ser responsabilizada por estupro de 
vulnerável. 
 
 
(d) Objeto material: O objeto material da lavagem de dinheiro são bens, dinheiro ou valores obtidos 
direta ou indiretamente de uma infração penal antecedente. 
● Produto direto: É o resultado imediato do delito. São os bens que chegam às mãos do criminoso 
como resultado direto do crime. Ex.: objeto furtado, dinheiro obtido com a corrupção passiva, etc. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
22 
● Produto indireto: É o resultado obtido em virtude da utilização do produto direto. É o proveito obtido 
pelo criminoso como resultado da transformação, substituição ou utilização econômica do produto 
direto do delito. 
 
OBS.1: Se os bens, valores e direitos forem provenientes de ilícitos civis ou ilícitos administrativos, não há a 
configuração do crime de lavagem. Exemplo: atos de improbidade. 
 
OBS.2: Lavagem em cadeiaou lavagem da lavagem: Com o advento da Lei nº 12.683/2012, qualquer infração 
penal pode figurar como crime antecedente da lavagem de capitais (inclusive, uma outra lavagem de 
capitais). Nesse sentido, a lavagem em cadeia é a lavagem de capitais que tem como infração penal 
antecedente um outro crime de lavagem de capitais. 
 
(e) Consumação e tentativa 
 O crime se consuma com a prática do primeiro ato de mascaramento dos valores ilícitos, sendo 
dispensável o êxito definitivo da ocultação, e a realização de operações de grande vulto ou de grande 
complexidade. 
 Lembre-se que a consumação independe do aperfeiçoamento das três etapas da lavagem (colocação 
– dissimulação – integração). A fase da integração constitui o mero exaurimento do crime. 
 Por fim, por se tratar de crime plurissubsistente, a tentativa é perfeitamente possível. Havendo a 
tentativa, deve haver a diminuição de pena. 
 
Art. 1º. (...) §3º: “A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do 
Código Penal.” 
 
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte afirmativa: 
Em crimes de lavagem de dinheiro, dada a natureza do delito praticado, é incabível a tentativa. 
R.: ERRADO. O crime de lavagem de dinheiro admite tentativa, nos termos do art. 1º, § 3º, da Lei nº 9.613/98. 
 
(f) Causas de aumento de pena 
 
§ 4º A pena será aumentada de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços) se os crimes 
definidos nesta Lei forem cometidos de forma reiterada, por intermédio de 
organização criminosa ou por meio da utilização de ativo virtual. (Redação dada 
pela Lei nº 14.478, de 2022) 
 
São causas de aumento de pena: 
● Crime praticado de forma reiterada: praticar um crime de forma reiterada é sinônimo de praticar 
um crime de forma habitual. 
 
Cuidado para não confundir habitualidade criminosa com crime habitual! 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
23 
Na habitualidade criminosa há pluralidade de crimes, sendo a habitualidade, uma característica do agente. 
Por outro lado, no crime habitual, a prática de um ato isolado não é crime, ou seja, crimes habituais são 
aqueles delitos em que se exige a prática reiterada de uma mesma conduta 
 
● Praticado por meio de organização criminosa 
 Lembre-se que não há bis in idem a condenação pelo crime de lavagem de capitais majorada pelo 
§4º do art. 1º em concurso material com o crime de organização criminosa previsto na Lei 12.850/13, já que 
se tratam de objetividade jurídicas completamente distintas. 
 
● Por meio da utilização de ativo virtual 
De acordo com a Lei 14.478/22, considera-se ativo virtual a representação digital de valor que pode 
ser negociada ou transferida por meios eletrônicos e utilizada para realização de pagamentos ou com 
propósito de investimento. 
Ainda de acordo com o referido diploma, não se incluem entre os ativos: a moeda nacional; moedas 
estrangeiras; moeda eletrônica (nos termos da Lei 12.865 de 2013); instrumentos que provejam ao seu titular 
acesso a produtos ou serviços especificados ou a benefício proveniente desses produtos ou serviços, a 
exemplo de pontos e recompensas de programas de fidelidade; e representações de ativos cuja emissão, 
escrituração, negociação ou liquidação esteja prevista em lei ou regulamento, a exemplo de valores 
mobiliários e de ativos financeiros. 
 
9. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
A Lei de Lavagem de Capitais traz uma peculiaridade quanto à distribuição do ônus da prova, pois 
durante a fase investigativa ou no curso da ação penal, a acusação precisa apenas apresentar indícios 
consistentes do crime para que sejam adotadas medidas de bloqueio de bens do investigado. Já a defesa, 
caso deseje reaver os bens antes da sentença, terá que demonstrar de forma cabal a origem lícita do 
patrimônio. Portanto, nessa fase, a responsabilidade de provar a licitude recai sobre o acusado. No entanto, 
se o pedido for feito após a sentença condenatória, cabe ao Ministério Público comprovar que os bens têm 
origem ilícita. 
 
9.1 Colaboração Premiada 
 
Art. 1º. (...) § 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida 
em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la ou 
substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o autor, coautor 
ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, prestando 
esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, à identificação dos 
autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, direitos ou valores objeto 
do crime. 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
24 
 Os benefícios da colaboração premiada são concedidos de acordo com o grau de colaboração dado 
pelo delator. São BENEFÍCIOS trazidos pela lei de lavagem de capitais: 
 
▪ Diminuição da pena de 1 a 2/3 e fixação do regime inicial aberto; 
▪ Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, mesmo que não preenchidos 
os requisitos do art. 44 do CP; 
▪ Perdão judicial como causa extintiva da punibilidade. 
 
 CONTRIBUIÇÕES POSSÍVEIS: são contribuições alternativas e não cumulativas: 
▪ Apuração das infrações penais: Renato Brasileiro diz que, como a Lei não especificou a infração penal 
(se antecedente ou o próprio crime de lavagem), o ideal é concluir que o colaborador deve fornecer 
informações sobre todas as infrações para as quais tenha concorrido: só infração antecedente, só 
lavagem de capitais ou ambas. 
▪ Identificação dos demais autores e partícipes: Renato Brasileiro ensina que, como o legislador 
utilizou a conjunção aditiva “e”, somente será considerada a colaboração que ajude na identificação 
de todos os que concorreram para a pratica delituosa. 
▪ Localização dos bens, direitos ou valores objeto do crime. 
 
💣 É importante decorar, pois muitas provas objetivas costumam trocar os benefícios/resultados da 
colaboração premiada na Lei de Lavagem de capitais com os benefícios/resultados da colaboração premiada 
na Lei de Organização Criminosa ou Lei de Drogas, por exemplo! 
 
Pergunta-se: Cumpridos os requisitos legais, o magistrado poderia negar-se a aplicar os benefícios 
previstos na Lei? Trata-se de mera faculdade do juiz? 
Adimplidos os requisitos legais, não restaria liberdade ao magistrado no que concerne à aplicação ou 
não do benefício legal. O juiz até pode valorar a quantidade de redução, por exemplo, mas não negar a 
aplicação do benefício legal. 
 
9.2 Ação Controlada e Infiltração de Agentes 
 
Art. 1º. (...) § 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a 
utilização da ação controlada e da infiltração de agentes. ” (NR) 
 
O §6º foi inserido pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), passando a inserir, de forma expressa, a 
ação controlada e a infiltração de agentes como meios de obtenção de provas nos crimes de lavagem de 
capitais. 
Note que não houve regulamentação específica a respeito da operacionalização dessas modalidades 
de investigação, de modo que pensamos que deve ser aplicado todo o regramento utilizado na lei de 
organização criminosa, legislação que detalha a forma de aplicação dessas duas modalidades investigativas. 
A seguir vamos rever algumas informações importantes acerca desses dois institutos. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
25 
 
Caiu na prova do RJ (2021) – Questão 29: Para a apuração do crime de lavagem ou ocultação de 
bens, direitos e valores, admite-se a utilização da ação controlada e da infiltração de agentes. 
Gabarito: Correto 
 
 
9.2.1 Infiltração de agentes 
 
(a) Conceito e previsão normativa: A infiltração de agentes é o meio extraordinário de obtenção de 
provas, previsto no art. 10, § 3°, da Lei n° 12.850/13, que permite a infiltração do agente de polícia em 
organização criminosa com o fim de verificar o seu funcionamento, hierarquia,estrutura, divisão de tarefas, 
os delitos por ela praticados, quem são seus integrantes e suas respectivas rotinas e localização, bem como 
demais elementos que úteis à repressão da criminalidade organizada. 
(b) Prazo da infiltração: A autorização da infiltração de agentes pode ser concedida pelo prazo de 
até 6 (seis) meses, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que comprovada sua necessidade, por 
decisão fundamentada, comprovando a necessidade da medida. 
Caso haja necessidade de renovação de prazo, esta deve se dar antes do decurso do prazo fixado na 
decisão originária, evitando-se uma solução de continuidade na realização da infiltração. Se a infiltração se 
prolongar por período "descoberto" de autorização judicial, os elementos probatórios aí obtidos devem ser 
considerados inválidos, por violação ao preceito do art. 10, caput, da Lei n° 12.850/13, que demanda prévia 
autorização judicial para a execução da infiltração de agentes. 
 
(c) Espécies de infiltração: A doutrina norte-americana aponta a existência de duas espécies de 
infiltração: 
 
- Light cover: espécie de infiltração mais branda, que não demora mais de 6 (seis) meses. Não demanda 
inserção contínua e permanente. 
 
- Deep cover: são infiltrações que se prolongam por mais de 6 (seis) meses, necessitando de uma imersão 
mais profunda e complexa no seio da organização criminosa. 
 
A infiltração pode ocorrer de maneira preventiva ou repressiva. 
 
(d) Fases da infiltração: A operação infiltração policial pode ser subdividida em: (i) Recrutamento; (ii) 
Formação; (iii) Imersão; (iv) Especialização da infiltração; (v) Infiltração propriamente dita; (vi) Seguimento; 
(vii) Pós-infiltração e (viii) Reinserção. 
 
(e) Legitimidade para requerer: Tem-se como legitimados o Delegado de Polícia e o Ministério 
Público. Sendo que, se requerida pelo MP no curso do inquérito policial, deve ser precedida, também, da 
manifestação técnica do delegado. 
 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
26 
Art. 10. A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada 
pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação 
técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será 
precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que 
estabelecerá seus limites. 
§ 1º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes 
de decidir, ouvirá o Ministério Público. 
 
(f) Limites e alcance da decisão: É preciso haver um limite investigatório que consiste no mandado 
de infiltração com autorização extensiva expressa - artigo 11. 
▪ Espacial: é preciso saber a base territorial até pela delimitação da competência (artigo 11 da 
LCO). 
▪ Temporal: art. 10, §3º diz que a infiltração será autorizada por até 06 meses, sem prejuízo de 
eventuais renovações, desde que comprovada sua necessidade. 
 
(g) Fragmentariedade e Subsidiariedade: a medida somente será admitida se a prova não puder ser 
produzida por outros meios. Portanto, a infiltração deve ser ultima ratio. 
 
(h) Plano de organização da infiltração: Trata-se de documento técnico pelo qual a polícia mostrará 
ao Judiciário e ao MP no que consiste a operação. Deve acompanhar o pedido para que alcance o magistrado 
e lhe dê ciência do caso, bem como propicie o controle externo e interno da atividade policial. 
(i) Segredo de Justiça: O art. 10, caput, da Lei n° 12.850/13, ao se referir à autorização judicial da 
infiltração de agentes, deixa evidente que se trata de decisão sigilosa. Por sua vez, o art. 12, caput, da referida 
Lei, prevê que o pedido de infiltração será sigilosamente distribuído, de forma a não conter informações que 
possam indicar a operação a ser efetivada ou identificar o agente que será infiltrado, porquanto tais dados 
serão entregues diretamente ao magistrado. 
(j) Sustação da operação: A preocupação do legislador com a proteção da integridade física e da 
própria vida do agente infiltrado, fica evidenciada diante do dispositivo constante do art. 12, § 3°, da Lei n° 
12.850/13, que dispõe: "Havendo indícios seguros de que o agente infiltrado sofre risco iminente, a 
operação será sustada mediante requisição do Ministério Público ou pelo delegado de polícia, dando-se 
imediata ciência ao Ministério Público". 
 Se o início da infiltração está condicionado à concordância do agente policial e à prévia autorização 
judicial, a sustação das operações deverá ocorrer de imediato, antes mesmo de qualquer requisição do 
Ministério Público ou do Delegado de Polícia, da mesma forma que o agente policial tem o direito de recusar 
ou fazer cessar a atuação infiltrada a qualquer tempo. 
 
(k) Responsabilidade criminal do agente infiltrado: O art. 13, parágrafo único, da Lei n° 12.850/13, 
dispõe expressamente que "não é punível, no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente infiltrado 
no curso da investigação, quando inexigível conduta diversa. 
Nesse sentido, Renato Brasileiro preceitua que, no caso de o agente ser coagido a praticar outros 
crimes, sob pena de ter sua verdadeira identidade revelada, o ideal é concluir pela inexigibilidade de conduta 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
27 
diversa, com a consequente exclusão da culpabilidade, desde que respeitada a proporcionalidade e mantida 
a finalidade da investigação. 
Desta feita, excluindo-se apenas a culpabilidade do injusto penal praticado pelo agente infiltrado, 
isso significa dizer que subsiste a tipicidade e ilicitude da conduta, permitindo, por meio da TEORIA DA 
ACESSORIEDADE LIMITADA, a punição dos demais integrantes da organização criminosa pelas infrações 
penais praticadas. 
(l) Infiltração de agentes na internet como modalidade de investigação prevista na Lei 12.850/13: 
Com a entrada em vigor da Lei 13964/19, mais um dispositivo foi incluído genericamente como modalidade 
investigativa: a infiltração de agentes na internet. Vejamos o tratamento legislativo a respeito da matéria. 
 
Art. 10-A. Será admitida a ação de agentes de polícia infiltrados virtuais, obedecidos 
os requisitos do caput do art. 10, na internet, com o fim de investigar os crimes 
previstos nesta Lei e a eles conexos, praticados por organizações criminosas, desde 
que demonstrada sua necessidade e indicados o alcance das tarefas dos policiais, 
os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de 
conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas. (Incluído 
pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 1º Para efeitos do disposto nesta Lei, consideram-se: (Incluído pela Lei nº 
13.964, de 2019) 
I - dados de conexão: informações referentes a hora, data, início, término, duração, 
endereço de Protocolo de Internet (IP) utilizado e terminal de origem da 
conexão; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
II - dados cadastrais: informações referentes a nome e endereço de assinante ou 
de usuário registrado ou autenticado para a conexão a quem endereço de IP, 
identificação de usuário ou código de acesso tenha sido atribuído no momento da 
conexão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 2º Na hipótese de representação do delegado de polícia, o juiz competente, antes 
de decidir, ouvirá o Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 3º Será admitida a infiltração se houver indícios de infração penal de que trata o 
art. 1º desta Lei e se as provas não puderem ser produzidas por outros meios 
disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 4º A infiltração será autorizada pelo prazo de até 6 (seis) meses, sem prejuízo de 
eventuais renovações, mediante ordem judicial fundamentada e desde que o total 
não exceda a 720 (setecentos e vinte) dias e seja comprovada sua 
necessidade. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 
§ 5º Findo o prazo previstodo delito de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98). 
 
5) O delito de evasão de divisas é autônomo e antecedente ao crime de lavagem de capitais, não 
constituindo este mero exaurimento impunível daquele, nem consunção entre os abordados crimes. 
 
O agente que praticou o crime contra o sistema financeiro nacional (art. 22 da Lei nº 7.492/96) pode também 
ser sujeito ativo do delito de lavagem de capitais (art. 1º da Lei nº 9.613/98), não constituindo este mero 
exaurimento impunível do primeiro crime e tampouco ficando caracterizado o bis in idem em decorrência da 
dupla punição. São condutas independentes, cada qual tipificada autonomamente, inexistindo, no 
ordenamento jurídico, qualquer previsão excluindo a responsabilidade do autor do crime antecedente pelo 
delito posterior. STJ. 6ª Turma. REsp 1222580/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/03/2014. 
 
6) A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei nº 9.613/98) como crime antecedente da lavagem 
de dinheiro é atípica antes do advento da Lei nº 12.850/2013, por ausência de descrição normativa. 
 
7) Por ser atípico, não se pode invocar a substituição do crime de organização criminosa por associação 
criminosa (art. 288 do Código Penal - CP), pois este não estava incluído no rol taxativo da redação original 
da Lei nº 9.613/1998. 
 
8) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, é legítima a exasperação da pena-base 
pela valoração negativa das consequências do crime em decorrência da movimentação de expressiva 
quantia de recursos envolvidos que extrapole o elemento natural do tipo. 
 
A elevada complexidade dos mecanismos de lavagem de dinheiro utilizados e o montante total movimentado 
pela empreitada criminosa autorizam a valoração negativa das circunstâncias e consequências do crime, para 
exasperar e pena-base. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1866173/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 
30/03/2021. 
 
9) A incidência simultânea do reconhecimento da continuidade delitiva (art. 70 do CP) e da majorante 
prevista no § 4º do art. 1º da Lei nº 9.613/98, nos crimes de lavagem de dinheiro, acarreta bis in idem. 
 
Art. 1º (...) § 4º A pena será aumentada de um a dois terços, se os crimes definidos nesta Lei 
forem cometidos de forma reiterada ou por intermédio de organização criminosa. 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
44 
 
10) Os familiares e parentes próximos de pessoas que ocupem cargos ou funções públicas relevantes - 
consideradas pessoas politicamente expostas - PPE, nos termos do art. 2º, da Resolução nº 29, de 
19/12/2017, do COAF - sujeitam-se ao controle estabelecido nos arts. 10 e 11 da Lei nº 9.613/98 a fim de 
ser apurada a possível prática de lavagem de dinheiro. 
 
11) O art. 1º, § 5º, da Lei nº 9.613/98 trata da delação premiada, ato unilateral, praticado pelo agente que, 
espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de investigação, quanto à instrução 
procedimental, independente de prévio acordo entre as partes interessadas, cujos benefícios não podem 
ultrapassar a fronteira objetiva e subjetiva da demanda, dada sua natureza endoprocessual. 
 
O art. 1º, § 5º, da Lei 9.613/98 trata da delação premiada (unilateral), que tem a característica de ato 
unilateral, praticado pelo agente que, espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de 
investigação, quanto à instrução procedimental, sendo que o referido instituto, diferentemente da 
colaboração premiada (que demanda a bilateralidade), não depende de prévio acordo a ser firmado entre as 
partes interessadas. A correta hermenêutica a ser conferida ao instituto, direciona-se no sentido de que não 
há como expandir os benefícios advindos da delação premiada, eis que unilateral, para além da fronteira 
objetiva e subjetiva da demanda posta à apreciação, eis que possuem natureza endoprocessual, sob pena de 
violação ou afronta ao princípio do Juiz natural. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1765139/PR, Rel. Min. Felix 
Fischer, julgado em 23/04/2019. 
 
12) A atuação de promotores auxiliares ou de grupos especializados, como o Grupo de Atuação Especial 
de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na investigação de infrações penais, a exemplo do crime de 
lavagem de dinheiro, não ofende o princípio do promotor natural, não havendo que se falar em designação 
casuística. 
 
13) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, a autoridade policial e o Ministério 
Público têm acesso, independentemente de autorização judicial, aos dados meramente cadastrais de 
investigados que não são protegidos pelo sigilo constitucional (art. 17-B da Lei nº 9.613/98). 
 
14) É possível o deferimento de medida assecuratória em desfavor de pessoa jurídica que se beneficia de 
produtos decorrentes do crime de lavagem, ainda que não integre o polo passivo de investigação ou ação 
penal. 
 
15) Não há óbice à aplicação imediata das medidas assecuratórias previstas no art. 4º da Lei nº 9.613/98 e 
implementadas pela Lei nº 12.683/2012, por se tratarem de institutos de direito processual a luz do 
princípio tempus regit actum. 
 
 
 
Bibliografia 
 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL 
 
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
 
 
45 
Legislação Criminal Especial Comentada. Volume Único. Renato Brasileiro de Lima. 8ª edição. 2020 
Leis Penais Especiais. Volume único. Gabriel Habbib. 10ª edição. 2018 
Anotações do curso do professor Marcos Paulo Dutra (2016). 
Dizer o Direito.

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