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Revisada
Atualizada
Ampliada
Edição 
2025.1
L a v a g e m d e
CAPITAIS
LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ 2 
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 3 
2. HISTÓRICO .................................................................................................................................. 3 
2.1. ALTERAÇÕES ADVINDAS COM A LEI 12.683/12 .............................................................. 3 
2.1.1. Extinção do rol de infrações antecedentes ................................................................... 4 
2.1.2. Aprimoramento das medidas assecuratórias ................................................................ 5 
2.1.3. Ampliação das pessoas físicas/jurídicas responsáveis pela comunicação de 
operações suspeitas (Lei 9.613/98, art. 9º) ................................................................................. 7 
3. EXPRESSÃO “LAVAGEM DE DINHEIRO” (LAVAGEM DE CAPITAIS) .................................... 8 
4. CONCEITO DE LAVAGEM DE CAPITAIS .................................................................................. 8 
5. GERAÇÕES DE LEIS DE LAVAGEM DE CAPITAIS .................................................................. 9 
5.1. LEIS DE 1ª GERAÇÃO ......................................................................................................... 9 
5.2. LEIS DE 2ª GERAÇÃO ......................................................................................................... 9 
5.3. LEIS DE 3ª GERAÇÃO ......................................................................................................... 9 
6. FASES DA LAVAGEM DE CAPITAIS ........................................................................................ 10 
6.1. 1ª FASE: COLOCAÇÃO (PLACEMENT) ............................................................................ 11 
6.2. 2ª FASE: DISSIMULAÇÃO, OCULTAÇÃO OU MASCARAMENTO (LAYERING, 
“COLOCAR CAMADAS”) ............................................................................................................... 12 
6.3. 3ª FASE: INTEGRAÇÃO (INTEGRATION) ........................................................................ 12 
7. BEM JURÍDICO TUTELADO ..................................................................................................... 12 
7.1. 1ª CORRENTE .................................................................................................................... 12 
7.2. 2ª CORRENTE .................................................................................................................... 13 
7.3. 3ª CORRENTE .................................................................................................................... 13 
7.4. 4ª CORRENTE .................................................................................................................... 14 
8. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS .................................................................... 15 
9. SUJEITOS DO CRIME ............................................................................................................... 18 
9.1. SUJEITO ATIVO ................................................................................................................. 18 
9.2. SUJEITO PASSIVO ............................................................................................................ 19 
9.3. AUTOLAVAGEM (SELFLAUNDERING) ............................................................................ 19 
9.4. DESNECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO NA INFRAÇÃO ANTECEDENTE .................. 20 
9.5. ADVOGADO COMO SUJEITO ATIVO DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS ........... 20 
10. TIPO OBJETIVO ..................................................................................................................... 22 
10.1. DISTINÇÃO ENTRE O EXAURIMENTO DA INFRAÇÃO ANTECEDENTE E O CRIME DE 
LAVAGEM DE CAPITAIS .............................................................................................................. 22 
10.2. NATUREZA INSTANTÂNEA OU PERMANENTE .............................................................. 22 
11. TIPO SUBJETIVO ................................................................................................................... 24 
11.1. DOLO EVENTUAL .............................................................................................................. 24 
11.2. CASO DO BANCO CENTRAL DE FORTALEZA (TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA)
 24 
12. OBJETO MATERIAL ............................................................................................................... 25 
12.1. PRODUTO DIRETO E INDIRETO DA INFRAÇÃO ANTECEDENTE ............................... 25 
12.2. LAVAGEM DA LAVAGEM (LAVAGEM EM CADEIA) ........................................................ 25 
13. REGIME ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO CAMBIAL E TRIBUTÁRIA (RERCT) ............. 26 
14. CAUSA DE AUMENTO DE PENA ......................................................................................... 26 
15. COMPETÊNCIA CRIMINAL ................................................................................................... 27 
15.1. VARAS ESPECIALIZADAS PARA LAVAGEM DE CAPITAIS ........................................... 27 
16. JUSTA CAUSA DUPLICADA ................................................................................................. 28 
17. APLICAÇÃO DO ART. 366 DO CPP NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS ........................ 29 
18. AÇÃO CONTROLADA ............................................................................................................ 29 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 1 
 
19. COLABORAÇÃO PREMIADA ................................................................................................ 30 
19.1. PREVISÃO LEGAL E CONSIDERAÇÕES ......................................................................... 30 
19.2. BENEFÍCIOS ....................................................................................................................... 31 
19.3. EFEITOS ............................................................................................................................. 31 
19.4. MOMENTO DA COLABORAÇÃO PREMIADA .................................................................. 32 
20. LIBERDADE PROVISÓRIA .................................................................................................... 32 
21. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ................................................................................................ 32 
22. (IM)POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO AUTOMÁTICO DE SERVIDOR PÚBLICO 
INDICIADO POR LAVAGEM DE CAPITAIS ..................................................................................... 33 
22.1. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PELO PODER JUDICIÁRIO ..................................... 34 
22.2. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE .......................................................................... 34 
22.3. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA .......................................................................................... 34 
22.4. VIOLAÇÃO À ISONOMIA ................................................................................................... 35 
23. JURISPRUDÊNCIA EM TESES ............................................................................................. 36 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 2 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. Quanto mais contato temos com uma mesma fonte de 
estudo, mais familiarizados ficamos, o que ajuda na memorização e na compreensão da matéria. 
O Caderno Legislação Penal Especial - Lavagem de Capitais possuiou Instruções da Avestruz compreende as hipóteses 
em que os operadores do sistema financeiro (que têm, enquanto tais, a obrigação de conhecer seus 
clientes e a procedência do dinheiro deles), deliberadamente, evitam a consciência quanto à origem 
ilícita dos valores para que, futuramente, não sejam responsabilizados pelo crime de Lavagem de 
Capitais. 
Não obstante a decisão do magistrado de 1ª Instância, no TRF da 5ª Região, os empresários 
foram absolvidos, em razão do entendimento de que o crime do Banco Central somente foi 
descoberto na segunda-feira e, como a venda ocorreu no sábado, os lojistas não tinham como saber 
da ocorrência do crime. Para mais, à época, o tipo penal pelo qual foram denunciados não admitia 
dolo eventual (elemento essencial para a Teoria da Cegueira Deliberada). 
12. OBJETO MATERIAL 
O objeto material é a pessoa ou coisa sob a qual recai a conduta delituosa. 
O objeto material da lavagem consiste no produto da infração antecedente, tanto produto 
direto quanto indireto. 
12.1. PRODUTO DIRETO E INDIRETO DA INFRAÇÃO ANTECEDENTE 
Produto direto é o resultado imediato da operação delinquencial. Ex.: relógio subtraído, 
dinheiro obtido com a venda da droga, dinheiro obtido como fruto da corrupção. 
Produto indireto ou proveito é o resultado mediato do crime, ou seja, a substituição ou 
utilização econômica do produto direto do delito. Ex.: venda de droga que gera R$ 500.000,00, esse 
valor é o produto direto. O que o sujeito for fazer com esses R$ 500.000,00 será o produto indireto. 
Se comprar um apartamento, será ele o proveito. 
12.2. LAVAGEM DA LAVAGEM (LAVAGEM EM CADEIA) 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 26 
 
Possibilitada a partir da edição da Lei 12.683/12, consiste na lavagem que tem como infração 
penal antecedente outra lavagem. Assim, a partir do momento em que qualquer infração penal pode 
ser considerada antecedente da Lavagem de Capitais, esta infração penal antecedente poderá ser, 
inclusive, outra Lavagem de Capitais. 
13. REGIME ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO CAMBIAL E TRIBUTÁRIA (RERCT) 
A título de atualização, atentar-se ao Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária 
(RERCT) de valores não declarados mantidos no exterior e extinção da punibilidade do crime de 
Lavagem de Capitais, tratado na Lei 13.254/2016. 
Entendeu-se como alternativa de fonte de rendas, no Brasil, o retorno dos valores remetidos 
ao exterior de maneira não declarada. 
Buscou-se incentivar as pessoas que o fizeram a se manifestarem declarando a operação, 
retomarem a quantia despachada, pagarem uma multa irrisória e assim ter reconhecida, em seu 
favor, a extinção de sua punibilidade por eventual Lavagem de Capitais, já que, em tese, nela 
incorreram por ofender a ordem econômico-financeira através do crime de Evasão de Divisas. 
Apesar de a referida lei ter sido criada com tempo determinado, vem sofrendo sucessivas 
prorrogações a fim de facilitar tal mecanismo. 
14. CAUSA DE AUMENTO DE PENA 
Lei 9.613/98 
Lei 9.613/98, com redação 
dada pela Lei 12.683/12 
Lei 9.613/98, com redação 
dada pela Lei 14.478/22 
Art. 1º, § 4º A pena será 
aumentada de 1 (um) a 2/3 (dois 
terços), nos casos previstos nos 
incisos I a VI do caput deste 
artigo, se o crime for cometido 
de forma habitual ou por 
intermédio de organização 
criminosa. 
 
Art. 1º, § 4º A pena será 
aumentada de um a dois terços, 
se os crimes definidos nesta Lei 
forem cometidos de forma 
reiterada ou por intermédio de 
organização criminosa. 
Art. 1º, § 4º A pena será 
aumentada de 1/3 (um 
terço) a 2/3 (dois terços) se 
os crimes definidos nesta 
Lei forem cometidos de 
forma reiterada, por 
intermédio de organização 
criminosa ou por meio da 
utilização de ativo virtual. 
 
O crime de Lavagem de Capitais não é crime habitual. Tanto não é que, se praticado 
reiteradamente, será computada a causa de aumento de pena. 
De acordo com Gustavo Badaró, deve-se “interpretar o novo texto como uma dispensa da 
comprovação da habitualidade para a causa de aumento, caracterizada como repetição usual da 
prática criminosa, que revela um estilo de vida do agente, voltado àquele delito”. 
Renato Brasileiro de Lima entende que “a habitualidade não é uma elementar do tipo de 
lavagem, como acontece em outros crimes, como o exercício ilegal de medicina, arte dentária ou 
farmacêutica (art. 282 do CP). O § 4º (em sua redação antiga) traz a figura da habitualidade 
http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10602464/artigo-282-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033702/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 27 
 
criminosa, a reiteração delituosa, ou do criminoso habitual, conceito este que não se confunde com 
crime habitual. Enquanto no crime habitual o delito é único, figurando a habitualidade como 
elementar do tipo, na habitualidade criminosa há pluralidade de crimes, sendo a habitualidade uma 
característica do agente, e não da infração penal. No crime habitual a prática de um ato isolado não 
gera tipicidade, ao passo que, na habitualidade criminosa, tem-se uma sequência de atos típicos 
que demonstram um estilo de vida do autor, ou seja, cada um dos crimes anteriores já é suficiente 
de per si para a caracterização da lavagem, sendo que o conjunto de delitos autoriza o aumento da 
pena”. 
15. COMPETÊNCIA CRIMINAL 
Em regra, a competência para julgar a Lavagem de Capitais é da Justiça Estadual. Todavia, 
a própria lei prevê situações em que essa competência poderá ser da Justiça Federal (art. 2º, III, da 
Lei 9.613/98): 
Art. 2º, III - são da competência da Justiça Federal 
a) quando praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômico-
financeira, ou em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, 
ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas; 
b) quando a infração penal antecedente for de competência da Justiça 
Federal. 
 
Além disso, alguns doutrinadores (Andrey Borges de Mendonça) citam o inciso V do artigo 
109 da CF/88: 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar 
V - os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, 
iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no 
estrangeiro, ou reciprocamente. 
 
A lavagem também será julgada pela Justiça Federal quando a infração penal antecedente 
for dotada de internacionalidade territorial do resultado relativamente à conduta delituosa. Nesse 
caso, o Brasil também teria assumido a obrigação de combater esse delito. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-MG - Delegado - FUMARC - 2021): O processo e o julgamento dos 
crimes previstos na Lei nº 9.613/1998 não são da competência da Justiça 
Federal nas hipóteses em que a infração penal antecedente for de 
competência da Justiça Federal, tendo em vista serem crimes autônomos. 
Errado. 
15.1. VARAS ESPECIALIZADAS PARA LAVAGEM DE CAPITAIS 
Ao longo dos anos, especialmente, em 2003, com a difusão da especialização de Varas, 
surgiram dois problemas: 
1) É possível especializar Vara? 
2) É possível especializar Vara através de Resoluções e Provimentos? 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 28 
 
O STF foi chamado a analisar a questão e pronunciou-se no sentido de que é possível a 
especialização de Varas, visto que está compreendida no poder de auto-organização do Poder 
Judiciário. Assim, se o Judiciário entende que a especialização de Varas aperfeiçoará sua prestação 
jurisdicional, poderá fazê-la. 
Essa especialização, de acordo com o Supremo, não está sujeita ao Princípio da Reserva 
Legal em Sentido Estrito e sim ao Princípio da Legalidade em Sentido Amplo. Portanto, pode ocorrer 
através de Provimentos, Portarias, sem que seja necessária lei ordinária em sentido estrito. 
Houve uma decisão que, à época, entendeu que essa atribuição não seria do Conselho da 
Justiça Federal (CJF), porque, de fato,na CF/88, o CJF não tem atribuições jurisdicionais, desta 
forma, tal especialização não pode ser feita pelo CJF como determina o artigo 12 da Lei 5.010/66 
que, por sua vez, deve ser lido à luz da CF/88: 
Art. 12. Nas Seções Judiciárias em que houver mais de uma Vara, poderá o 
Conselho da Justiça Federal (entende-se TRF) fixar-lhes sede em cidade 
diversa da Capital, especializar Varas e atribuir competência por natureza de 
feitos a determinados Juízes. 
 
Vide inciso II do § 1º do artigo 105 da CF/88: 
Art. 105, § 1º Funcionarão junto ao Superior Tribunal de Justiça: 
II - o Conselho da Justiça Federal, cabendo-lhe exercer, na forma da lei, a 
supervisão administrativa e orçamentária da Justiça Federal de primeiro e 
segundo graus, como órgão central do sistema e com poderes correicionais, 
cujas decisões terão caráter vinculante. 
16. JUSTA CAUSA DUPLICADA 
A justa causa é requisito para o oferecimento da peça acusatória, ou seja, o suporte 
probatório mínimo. 
Tratando-se do delito de lavagem de capitais, a justa causa deve ser duplicada. Significa 
dizer que deve haver suporte probatório mínimo tanto para a infração penal antecedente quanto 
para o crime de lavagem. 
Art. 2º, § 1o A denúncia será instruída com indícios suficientes da 
existência da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos 
previstos nesta Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou 
extinta a punibilidade da infração penal antecedente. 
 
Observa-se, contudo, que segundo o STJ, na denúncia pelo crime de lavagem de dinheiro, 
não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e pormenorizada da 
infração penal antecedente: 
Se o Ministério Público oferece denúncia por lavagem de dinheiro, ele deverá 
narrar, além do crime de lavagem (art. 1º da Lei nº 9.613/98), qual foi a 
infração penal antecedente cometida. Importante esclarecer, contudo, que 
não é necessário que o Ministério Público faça uma descrição exaustiva e 
pormenorizada da infração penal antecedente, bastando apontar a existência 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 29 
 
de indícios suficientes de que ela tenha sido praticada e que os bens, direitos 
ou valores que foram “lavados” (ocultados ou dissimulados) sejam 
provenientes desta infração. Assim, a aptidão da denúncia relativa ao crime 
de lavagem de dinheiro não exige uma descrição exaustiva e pormenorizada 
do suposto crime prévio, bastando a presença de indícios suficientes de que 
o objeto material da lavagem seja proveniente, direta ou indiretamente, de 
infração penal. STJ. Corte Especial. APn 923-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 23/09/2019 (Info 657). 
17. APLICAÇÃO DO ART. 366 DO CPP NA LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
Conforme o art. 366 do CPP, se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir 
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar 
a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão 
preventiva, condicionada aos pressupostos e requisitos do art. 312 do CPP. 
Segundo previsão expressa do art. 2º, § 2º da Lei 9.613/98, o art. 366 do CPP não se aplica 
no caso do processo pelo crime de lavagem de capitais. 
Art. 2º, § 2o No processo por crime previsto nesta Lei, não se aplica o disposto 
no art. 366 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de 
Processo Penal), devendo o acusado que não comparecer nem constituir 
advogado ser citado por edital, prosseguindo o feito até o julgamento, com a 
nomeação de defensor dativo. 
 
Trata-se de mera opção legislativa. O legislador entendeu que, para os crimes de lavagem 
de capitais, deve haver um tratamento mais rigoroso ao réu, não se aplicando a suspensão do 
processo. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-PR - Promotor - MPE-PR - 2021): No processo dos crimes previstos 
na Lei 9.613/1998, o acusado que não comparecer nem constituir advogado 
será citado por edital e o processo ficará suspenso nos termos do art. 366 do 
CPP. Errado. 
 
(PF - Delegado Federal - CESPE - 2021): Ficarão suspensos o processo e 
o curso do prazo prescricional do acusado citado por edital que não 
comparecer nem constituir advogado. Errado. 
18. AÇÃO CONTROLADA 
Segundo Renato Brasileiro, “a ação controlada consiste no retardamento da intervenção do 
aparato estatal, que deve ocorrer em momento mais oportuno do ponto de vista da investigação 
criminal. Cuida-se de importante técnica especial de investigação, prevista expressamente na Lei 
de Lavagem de Capitais, na Lei de Drogas e na Lei de Organizações Criminosas”. 
A ação controlada está prevista na Lei de Lavagem (art. 4º-B), desde que autorizada pelo 
juiz. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art366
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del3689.htm#art366
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 30 
 
Art. 4o-B. A ordem de prisão de pessoas ou as medidas assecuratórias de 
bens, direitos ou valores poderão ser suspensas pelo juiz, ouvido o Ministério 
Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as 
investigações. 
 
O Pacote Anticrime incluiu o § 6º ao art. 1º da Lei de Lavagem de Capitais, admitindo a ação 
controlada e a infiltração de agentes. 
Art. 1º, § 6º Para a apuração do crime de que trata este artigo, admite-se a 
utilização da ação controlada e da infiltração de agentes. 
 
Destaca-se que até a entrada em vigor da Lei 13.964/2019, não era possível a infiltração de 
agentes nos delitos de lavagem. Com o advento do Pacote Anticrime passou a ser possível, 
devendo respeitar os requisitos da Lei 12.850/2013. 
Diante disso, surge a indagação: qual o motivo de o Pacote Anticrime autorizar algo que já 
estava previsto em lei? 
• 1ª corrente: não houve nenhuma novidade. Ao citar a ação controlada no § 6º, o Pacote 
Anticrime apenas reforçou a previsão já contida. 
• 2ª corrente: o Pacote Anticrime, ao se referir à ação controlada, estabeleceu que a ação 
controlada deve seguir a mesma sistemática da Lei 12.850/2013, assim como a 
infiltração. 
Portanto, não haverá necessidade de autorização prévia, ao contrário do que prevê o art. 
4º-B, que, segundo a 2ª corrente, revogou tacitamente a necessidade de autorização judicial para 
a ação controlada. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-PR - Promotor - MPE-PR - 2021): Para apuração de crime previsto na 
Lei 9.613/1998, admite-se a ação controlada, mesmo quando não se tratar de 
organização criminosa. Correto. 
 
(PF - Delegado Federal - CESPE - 2021): Ouvido o Ministério Público, ordens 
de prisão ou medidas assecuratórias de bens poderão ser suspensas pelo 
juiz quando a execução imediata dessas ações puder comprometer as 
investigações. Correto. 
19. COLABORAÇÃO PREMIADA 
19.1. PREVISÃO LEGAL E CONSIDERAÇÕES 
Está disciplinada no § 5º do art. 1º da Lei de Lavagem de Capitais: 
Art. 1º, § 5o A pena poderá ser reduzida de um a dois terços e ser cumprida 
em regime aberto ou semiaberto, facultando-se ao juiz deixar de aplicá-la 
ou substituí-la, a qualquer tempo, por pena restritiva de direitos, se o 
autor, coautor ou partícipe colaborar espontaneamente com as autoridades, 
prestando esclarecimentos que conduzam à apuração das infrações penais, 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 31 
 
à identificação dos autores, coautores e partícipes, ou à localização dos bens, 
direitos ou valores objeto do crime. 
 
A colaboração premiada (também conhecida por “chamada de corréu”), genericamente 
falando, consiste na possibilidade concedida ao autor, coautor ou partícipe da infração penal de ter 
sua pena reduzida, substituída por restritiva de direitos, ou até mesmo extinta, mediante a denúncia 
de seus comparsas às autoridades, possibilitando: 
a) O desmantelamento da associação ou organização criminosa; 
b) A descoberta de toda a trama delituosa; 
c) A localização do produto docrime ou; 
d) A facilitação da libertação do sequestrado, no caso do crime de extorsão mediante 
sequestro, cometido em concurso de agentes. 
Obs.: se o réu confessar o crime, mas suas declarações não 
representam efetiva colaboração com a investigação policial e com o 
processo criminal nem fornecem informações eficazes para a 
descoberta da trama delituosa, ele não terá direito ao benefício da 
delação premiada. STJ. 6ª Turma. HC 174286-DF, Rel. Min. Sebastião 
Reis Júnior, julgado em 10/4/2012. 
19.2. BENEFÍCIOS 
A colaboração premiada na Lei de Lavagem de Capitais pode trazer para o acusado três 
benefícios (que variam de acordo com o grau de colaboração): 
1) Diminuição da pena de 1/3 a 2/3 e fixação de regime inicial aberto ou semiaberto; 
Obs.: salienta-se que na redação original havia menção apenas a 
fixação de regime aberto. 
2) Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos (mesmo que não 
preenchidos os requisitos do art. 44 CP); 
3) Perdão judicial como causa extintiva da punibilidade. 
19.3. EFEITOS 
A colaboração premiada deve produzir um dos efeitos listados abaixo (não são 
cumulativos): 
a) Apuração das infrações penais 
Segundo Renato Brasileiro, “não há qualquer referência a qual das infrações penais a 
colaboração se refere. Diante do silêncio da lei, o ideal é concluir que o dispositivo se refere-se à 
apuração de ambas as infrações, ou seja, tanto da lavagem de capitais quanto das infrações 
antecedentes”. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 32 
 
b) Identificação dos demais coautores 
As informações prestadas devem ser capazes de identificar todos os indivíduos que 
concorreram para a prática criminosa. 
c) Localização dos bens, direitos ou valores objetos do crime 
19.4. MOMENTO DA COLABORAÇÃO PREMIADA 
Para a doutrina, a colaboração premiada pode ser acordada com o criminoso desde a fase 
investigatória até o momento da sentença. Porém, para alguns doutrinadores, a colaboração 
premiada poderia ser feita mesmo após o trânsito em julgado da sentença condenatória, desde que 
a delação seja objetivamente eficaz. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PGE-CE - Procurador - CESPE - 2021): Em caso de colaboração 
espontânea do agente com as autoridades, mediante esclarecimentos 
relevantes para a apuração da materialidade ou da autoria/participação no 
crime nos termos da lei, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços e 
ser cumprida em regime aberto ou semiaberto, facultadas ainda ao órgão 
julgador a concessão do perdão judicial ou a substituição da pena, a qualquer 
tempo, por pena restritiva de direitos. Correto. 
20. LIBERDADE PROVISÓRIA 
Trata-se de uma medida de contracautela que substitui a prisão em flagrante, desde que o 
indivíduo preencha determinados requisitos, podendo ou não ficar sujeito ao cumprimento ou não 
de certas condições. 
A redação original da Lei de Lavagem de Capitais vedava a concessão de liberdade 
provisória e de fiança. 
Art. 3º Os crimes disciplinados nesta Lei são insuscetíveis de fiança e 
liberdade provisória e, em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá 
fundamentadamente se o réu poderá apelar em liberdade. 
 
A Lei 12.683/2012 revogou tal previsão, seguindo o entendimento do STF que considera 
inconstitucional toda e qualquer lei que vede, de forma genérica, a concessão de liberdade 
provisória. 
21. EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
Além dos efeitos previstos no Código Penal, o art. 7º da Lei de Lavagem de Capitais (alterado 
pela Lei 12.683/2012), consagra um efeito GENÉRICO da condenação, bastando, portanto, o 
trânsito em julgado da sentença penal condenatória. 
Art. 7º São efeitos da condenação, além dos previstos no Código Penal: 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 33 
 
I - a perda, em favor da União - e dos Estados, nos casos de competência da 
Justiça Estadual -, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta 
ou indiretamente, à prática dos crimes previstos nesta Lei, inclusive aqueles 
utilizados para prestar a fiança, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro 
de boa-fé; 
II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de qualquer natureza 
e de diretor, de membro de conselho de administração ou de gerência das 
pessoas jurídicas referidas no art. 9º, pelo dobro do tempo da pena privativa 
de liberdade aplicada. 
§ 1o A União e os Estados, no âmbito de suas competências, regulamentarão 
a forma de destinação dos bens, direitos e valores cuja perda houver sido 
declarada, assegurada, quanto aos processos de competência da Justiça 
Federal, a sua utilização pelos órgãos federais encarregados da prevenção, 
do combate, da ação penal e do julgamento dos crimes previstos nesta Lei, 
e, quanto aos processos de competência da Justiça Estadual, a preferência 
dos órgãos locais com idêntica função. 
§ 2o Os instrumentos do crime sem valor econômico cuja perda em favor da 
União ou do Estado for decretada serão inutilizados ou doados a museu 
criminal ou a entidade pública, se houver interesse na sua 
conservação. 
 
A redação do art. 7º, I, é ampla e prevê, como efeito da condenação, o perdimento de bens, 
direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática de lavagem de dinheiro, 
inclusive aqueles utilizados para prestar a fiança. A Lei 12.683/2012 aumentou as possibilidades 
de perdimento. 
O perdimento será em favor da União se o crime de lavagem, no caso concreto, for de 
competência federal. Por outro lado, o perdimento será revertido para o respectivo Estado se o 
processo criminal por lavagem, na situação específica, for de competência da Justiça Estadual. 
Salienta-se que a União e os Estados poderão editar atos infralegais disciplinando para onde 
serão destinados os bens, direitos e valores cujo perdimento houver sido declarado. A própria Lei, 
contudo, limita a discricionariedade do regulamento afirmando que deverá ser assegurada a 
utilização de tais bens, direitos e valores pelos órgãos encarregados da prevenção (ex.: COAF), do 
combate (ex.: Polícia Federal), da ação penal (ex.: Ministério Público) e do julgamento (ex.: varas 
especializadas) de lavagem de dinheiro. 
22. (IM)POSSIBILIDADE DE AFASTAMENTO AUTOMÁTICO DE SERVIDOR PÚBLICO 
INDICIADO POR LAVAGEM DE CAPITAIS1 
Observe a redação do art. 17-D da Lei de Lavagem de Capitais: 
Art. 17-D. Em caso de indiciamento de servidor público, este será afastado, 
sem prejuízo de remuneração e demais direitos previstos em lei, até que o 
juiz competente autorize, em decisão fundamentada, o seu retorno. 
 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É inconstitucional a previsão legal que determina o afastamento do servidor público pelo simples 
fato de ele ter sido indiciado pela prática de crime. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 02/04/2024. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 34 
 
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) ajuizou ADI contra o 
dispositivo alegando que ele violaria os princípios constitucionais da presunção de inocência, da 
segurança jurídica, da razoabilidade e da proporcionalidade, do devido processo legal, do 
contraditório e ampla defesa e da inafastabilidade da jurisdição. 
O que o STF decidiu? O pedido foi julgado procedente? A previsão é inconstitucional? 
SIM. O STF julgou inconstitucional o art. 17-D da Lei 9.613/98. 
22.1. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO PELO PODER JUDICIÁRIO 
O afastamento do servidor somente se justifica quando ficar demonstrado nos autos que 
existe risco caso ele continue no desempenho de suas funções e que o afastamento é uma medida 
eficaz e proporcional para se tutelar a investigação e a própria Administração Pública. Tais 
circunstâncias precisam ser apreciadas pelo Poder Judiciário. 
A necessidade concreta deafastar o servidor pode ocorrer a partir de representação da 
autoridade policial ou do Ministério Público, na forma de medida cautelar diversa da prisão, 
conforme preveem os arts. 282, § 2º, e 319, VI, do CPP. 
22.2. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
O indiciamento representa a análise técnico-jurídica do Delegado de Polícia que conclui pela 
probabilidade do crime objeto da investigação. Trata-se, contudo, de um juízo prévio (pré-
processual) e não vinculante. Logo, tendo em vista as características do sistema acusatório, o 
Ministério Público não está obrigado a seguir o indiciamento realizado pela autoridade policial. 
Pelo art. 17-D, o afastamento do servidor estaria automaticamente vinculado ao 
indiciamento, que é uma atividade discricionária da autoridade policial, ocorrendo 
independentemente do início da ação penal e da análise dos requisitos necessários para a 
efetivação dessa grave medida constritiva. 
Afastar o servidor nesses moldes, com o mero indiciamento, viola o princípio da 
proporcionalidade. O ato de indiciamento não gera e não pode gerar efeitos materiais em relação 
ao indiciado, já que se trata de mero ato de imputação de autoria de natureza preliminar, provisória 
e não vinculante ao titular da ação penal. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TRF-3 - Juiz - TRF-3 - 2022): O Supremo Tribunal Federal reconheceu que 
o afastamento de servidor público de suas funções em caso de indiciamento 
por crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores 
não viola os princípios da presunção de inocência, da proporcionalidade e da 
igualdade porque tem previsão legal expressa e não acarreta prejuízo de 
remuneração. Errado. 
22.3. PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA 
A presunção de inocência exige que a imposição de medidas coercitivas ou constritivas aos 
direitos dos acusados, no decorrer de inquérito ou processo penal, seja amparada em requisitos 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 35 
 
concretos que sustentam a fundamentação da decisão judicial impositiva, não se admitindo efeitos 
cautelares automáticos ou desprovidos de fundamentação idônea. 
22.4. VIOLAÇÃO À ISONOMIA 
A norma do art. 17-D viola também o princípio da isonomia. Isso porque ela faz uma distinção 
sem sentido entre acusados que foram previamente indiciados de acusados que não foram 
indiciados. 
O inquérito policial e o indiciamento são dispensáveis, ou seja, o MP pode oferecer a 
denúncia mesmo que não sejam realizados. Isso significa que a norma do art. 17-D cria uma 
distinção sem sentido: os acusados que foram previamente indiciados pela autoridade policial 
estarão afastados de suas funções. Por outro lado, os acusados que foram denunciados sem prévio 
indiciamento irão permanecer, em regra, no exercício de seus cargos. 
Existem normas jurídicas que determinam o afastamento, mas não com o mero indiciamento 
Importante destacar que existem normas no ordenamento jurídico nacional que preveem o 
afastamento de servidor investigado por crimes graves, mas exigem representação da autoridade 
policial ou do Ministério Público, bem como decisão judicial fundamentada para a imposição da 
medida, verificando-se sua necessidade e proporcionalidade no confronto entre os interesses 
públicos e os interesses individuais do investigado. 
Cite-se, por exemplo, o art. 2º, § 5º, da Lei de Organização Criminosa (Lei 12.850/2013), 
que prevê a reserva de jurisdição para o afastamento cautelar de servidor público: 
Art. 2º, § 5º Se houver indícios suficientes de que o funcionário público integra 
organização criminosa, poderá o juiz determinar seu afastamento cautelar do 
cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração, quando a medida 
se fizer necessária à investigação ou instrução processual. 
 
No mesmo sentido, o art. 56, § 1º, da Lei 11.343/2006: 
Art. 56. Recebida a denúncia, o juiz designará dia e hora para a audiência de 
instrução e julgamento, ordenará a citação pessoal do acusado, a intimação 
do Ministério Público, do assistente, se for o caso, e requisitará os laudos 
periciais. 
§ 1º Tratando-se de condutas tipificadas como infração do disposto nos arts. 
33, caput e § 1º, e 34 a 37 desta Lei, o juiz, ao receber a denúncia, poderá 
decretar o afastamento cautelar do denunciado de suas atividades, se for 
funcionário público, comunicando-se ao órgão respectivo. 
 
Percebe-se que tais normas, instituídas para o combate de crimes tão graves quanto a 
lavagem ou ocultação de capitais, determinam que o afastamento do servidor, além de depender 
de decisão judicial, deve fundar-se em juízo de valor específico, qual seja, o prejuízo à investigação 
criminal, à instrução processual e, ainda, à reiteração criminosa, decorrentes da manutenção do 
servidor público em suas funções. 
Daí que o afastamento, considerando a necessidade de fundamentação específica da 
decisão, não pode ser consequência automática prevista em lei para o ato administrativo do 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 36 
 
indiciamento, ou mesmo o recebimento da denúncia oferecida, obedecendo-se, com isto, ao 
princípio constitucional da proporcionalidade das medidas restritivas de direitos. 
Em suma: 
É inconstitucional a determinação de afastamento automático de servidor 
público indiciado em inquérito policial instaurado para apuração de crimes de 
lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. STF. Plenário. ADI 
4911/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 20/11/2020 (Info 1000). 
23. JURISPRUDÊNCIA EM TESES 
Neste tópico, colaciona-se os enunciados das Edições 166 e 167 da Jurisprudência em 
Teses organizada pelo STJ, frequentemente cobrados em concursos. 
Edição 166 da Jurisprudência em Teses do STJ: Lavagem de Capitais I 
1) É desnecessário que o autor do crime de lavagem de dinheiro tenha sido autor ou 
partícipe da infração penal antecedente, basta que tenha ciência da origem ilícita dos 
bens, direitos e valores e concorra para sua ocultação ou dissimulação. 
2) Nos crimes de lavagem de dinheiro, a denúncia é apta quando apresentar justa causa 
duplicada, indicando lastro probatório mínimo em relação ao crime de lavagem de 
dinheiro e à infração penal antecedente. 
3) A aptidão da denúncia relativa ao crime de lavagem de dinheiro não exige uma descrição 
exaustiva e pormenorizada do suposto crime prévio, bastando, com relação às condutas 
praticadas antes da Lei 12.683/2012, a presença de indícios suficientes de que o objeto 
material da lavagem seja proveniente, direta ou indiretamente, de um daqueles crimes 
mencionados nos incisos do art. 1º da Lei 9.613/1998. 
4) O crime de lavagem de dinheiro, antes das alterações promovidas pela Lei 12.683/2012, 
estava adstrito aos crimes descritos no rol taxativo do art. 1º da Lei 9.613/1998. 
5) O tipo penal do art. 1º da Lei 9.613/1998 é de ação múltipla ou plurinuclear, consumando-
se com a prática de qualquer dos verbos mencionados na descrição típica e relacionando-
se com qualquer das fases do branqueamento de capitais (ocultação, dissimulação, 
reintrodução), não exigindo a demonstração da ocorrência de todos os três passos do 
processo de branqueamento. 
6) O crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, tipificado no art. 1º da Lei 
9.613/1998, constitui crime autônomo em relação às infrações penais antecedentes. 
7) Embora a tipificação da lavagem de dinheiro dependa da existência de uma infração penal 
antecedente, é possível a autolavagem - isto é, a imputação simultânea, ao mesmo réu, 
da infração antecedente e do crime de lavagem -, desde que sejam demonstrados atos 
diversos e autônomos daquele que compõe a realização da primeira infração penal, 
circunstância na qual não ocorrerá o fenômeno da consunção. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 37 
 
8) O crime de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica 
de ocultar, é permanente, protraindo-sesua execução até que os objetos materiais do 
branqueamento se tornem conhecidos. 
9) A aquisição de bens em nome de pessoa interposta caracteriza-se como conduta, em 
tese, de ocultação ou dissimulação, prevista no tipo penal do art. 1º da Lei 9.613/1998, 
sendo suficiente, portanto, para o oferecimento da denúncia. 
10) A realização, por período prolongado, de sucessivos contratos de empréstimo 
pessoal para justificar ingressos patrimoniais como se renda fossem - sem que se 
esclareça a forma e a fonte de pagamento das parcelas, acrescidas de juros, e sem que 
isso represente, em nenhum momento, uma correspondente redução do padrão de vida 
do devedor - é apta a configurar, em tese, ato de dissimulação da origem ilícita de valores, 
elemento constituinte do delito de lavagem de dinheiro, que extrapole o mero recebimento 
de vantagens indevidas. 
Edição 167 da Jurisprudência em Teses do STJ: Lavagem de Capitais II 
1) No crime de lavagem de dinheiro que envolve grande quantidade de agentes residentes 
em diversas unidades da federação, a regra de competência do local onde se realizaram 
as operações irregulares será afastada para, em homenagem aos princípios da razoável 
duração do processo e da celeridade de sua tramitação, dar lugar ao foro do domicílio do 
investigado. 
2) A autoridade judiciária brasileira é competente para julgar os crimes de lavagem ou 
ocultação de dinheiro cometidos, mesmo que parcialmente, no território nacional, bem 
como na hipótese em que os crimes antecedentes tenham sido praticados em prejuízo 
da administração pública, ainda que os atos tenham ocorrido exclusivamente no exterior. 
3) Compete ao juízo processante do crime de lavagem de dinheiro apreciar e decidir a 
respeito da união dos processos (art. 2º, II, da Lei 9.613/1998), examinando caso a caso, 
com objetivo de otimizar a entrega da prestação jurisdicional. 
4) O reconhecimento da extinção da punibilidade pela prescrição da infração penal 
antecedente não implica atipicidade do delito de lavagem (art. 1º da Lei 9.613/1998). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-SP - Promotor - VUNESP - 2023): O reconhecimento da extinção da 
punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva referente à infração penal 
antecedente não implica atipicidade do delito de lavagem. Correto. 
5) O delito de evasão de divisas é autônomo e antecedente ao crime de lavagem de capitais, 
não constituindo este mero exaurimento impunível daquele, nem havendo consunção 
entre eles. 
6) A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei 9.613/1998) como crime 
antecedente da lavagem de dinheiro é atípica antes do advento da Lei 12.850/2013, por 
ausência de descrição normativa. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 38 
 
7) Por ser atípico, não se pode invocar a substituição do crime de organização criminosa 
por associação criminosa (art. 288 do Código Penal), pois este não estava incluído no rol 
taxativo da redação original da Lei 9.613/1998. 
8) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, é legítima a exasperação 
da pena-base pela valoração negativa das consequências do crime em decorrência da 
movimentação de expressiva quantia de recursos, que extrapole o elemento natural do 
tipo. 
9) A incidência simultânea do reconhecimento da continuidade delitiva (art. 70 do CP) e da 
majorante prevista no § 4º do art. 1º da Lei 9.613/1998, nos crimes de lavagem de 
dinheiro, acarreta bis in idem. 
10) Os familiares e parentes próximos de pessoas que ocupem cargos ou funções 
públicas relevantes - consideradas pessoas politicamente expostas (PPE), nos termos do 
art. 2º, da Resolução 29, de 19/12/2017, do COAF - sujeitam-se ao controle estabelecido 
nos arts. 10 e 11 da Lei 9.613/1998 a fim de ser apurada a possível prática de lavagem 
de dinheiro. 
11) O art. 1º, § 5º, da Lei 9.613/1998 trata da delação premiada, ato unilateral, praticado 
pelo agente que, espontaneamente, opta por prestar auxílio tanto à atividade de 
investigação, quanto à instrução procedimental, independente de prévio acordo entre as 
partes interessadas, cujos benefícios não podem ultrapassar a fronteira objetiva e 
subjetiva da demanda, dada sua natureza endoprocessual. 
12) A atuação de promotores auxiliares ou de grupos especializados, como o Grupo de 
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), na investigação de 
infrações penais, a exemplo do crime de lavagem de dinheiro, não ofende o princípio do 
promotor natural, não havendo que se falar em designação casuística. 
13) Nos crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, a autoridade policial 
e o Ministério Público têm acesso, independentemente de autorização judicial, aos dados 
meramente cadastrais de investigados que não são protegidos pelo sigilo constitucional 
(art. 17-B da Lei 9.613/1998). 
14) É possível o deferimento de medida assecuratória em desfavor de pessoa jurídica 
que se beneficia de produtos decorrentes do crime de lavagem, ainda que não integre o 
polo passivo de investigação ou ação penal. 
15) Não há óbice à aplicação imediata das medidas assecuratórias previstas no art. 4º 
da Lei 9.613/1998 e implementadas pela Lei 12.683/2012, por se tratar de institutos de 
direito processual a luz do princípio tempus regit actum.como base as aulas do 
professor Renato Brasileiro, do Curso G7 Jurídico, complementadas com as aulas do Professor 
Fábio Roque (CERS). 
Dois livros foram utilizados para complementar nosso CS de Legislação Penal Especial: a) 
Legislação Criminal para Concursos (Fábio Roque, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar), 
ano 2018 e b) Legislação Criminal Comentada (Renato Brasileiro), ano 2020, ambos da Editora 
Juspodivm. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos: é importante você se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Ademais, no Caderno constam os principais artigos da lei, mas, ressaltamos, que é 
necessária leitura conjunta do seu Vade Mecum, muitas questões são retiradas da legislação. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + súmulas + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você 
faça uma boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos! Bons estudos! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 3 
 
1. INTRODUÇÃO 
Em meio à legislação criminal especial está a Lei de Lavagem de Capitais (Lei 9.613/1998) 
que, vale dizer, ainda é considerada recente, principalmente porque foi completamente alterada em 
2012 pela Lei 12.683/2012 e em 2019 pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019). 
 Trata-se de uma das leis mais importantes da atualidade, conforme contemplado na 
Operação Lava-Jato, por exemplo, cujas investigações se iniciaram no ano de 2009 e, se não fosse 
a apuração da Lavagem de Capitais, muitos outros crimes não seriam descobertos. 
2. HISTÓRICO 
A Lei de Lavagem de Capitais (LC) surgiu com um compromisso assumido pelo Brasil na 
Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico de Drogas e Substâncias Psicotrópicas (Convenção 
de Viena, celebrada no ano de 1988), ratificada pelo Decreto 154/1991. Nela, os países signatários 
reconheceram a falência dos mecanismos de combate ao Tráfico de Drogas e concluíram que, ante 
à frustração dos meios, até então utilizados, restava pugnar a movimentação financeira do Tráfico. 
Assim, originou-se a ideia de criminalizar o procedimento usado pelas organizações 
criminosas para mascarar a origem ilícita dos valores, a chamada “criminalização das lavagens 
capitais”. 
O projeto de Lei foi coordenado pelo ex-Ministro Nelson Jobim e contou com a participação 
de Vicente Greco Filho, René Ariel Dotti, Francisco de Assis Toledo e Miguel Reale Júnior. 
Destaca-se, contudo, que após quatorze anos da edição da Lei Originária, a legislação 
brasileira sofreu significativa transformação, verificada através da Lei 12.683/12, que despontou 
como consequência do reconhecimento de que a lei anterior (Lei 9.613/98) não estava surtindo os 
efeitos desejados, por isso houve a necessidade de aprimorar a legislação. 
O Grupo de Controle de Atividades Financeiras (GAF) concluiu que a legislação brasileira, 
apesar de ter entrado em vigor há poucos anos (1998), estava obsoleta. À época, foram feitas 
pesquisas com juízes, em que se detectou pouquíssimos casos de condenação fundada na lavagem 
de capitais. 
2.1. ALTERAÇÕES ADVINDAS COM A LEI 12.683/12 
A referida lei produziu, pelo menos, três mudanças sensíveis, são elas:
 
Extinção do rol de 
infrações antecedentes
Aprimoramento das 
medidas 
assecuratórias
Ampliação das pessoas 
físicas/jurídicas 
responsáveis pela 
comunicação de 
operações suspeitas 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 4 
 
2.1.1. Extinção do rol de infrações antecedentes 
Quando a lei brasileira entrou em vigor, em 1998 (redação original), havia um rol taxativo de 
infrações antecedentes. Assim, antigamente, somente se configurava a lavagem de capitais se o 
crime que produziu aquele dinheiro estivesse listado como infração antecedente no rol do art. 1º da 
Lei 9.613/98, conforme a antiga redação: 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, 
direta ou indiretamente, de crime: 
I de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins; 
II de terrorismo e seu financiamento; 
III de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à 
sua produção; 
IV de extorsão mediante sequestro; 
V contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para 
outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou 
preço para a prática ou omissão de atos administrativos; 
VI contra o sistema financeiro nacional; 
VII praticado por organização criminosa; 
VIII praticado por particular contra a administração pública estrangeira (arts. 
337 B, 337 C e 337 D do Decreto Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 
Código Penal). 
Pena: reclusão de três a dez anos e multa. 
 
Caso o crime antecedente não constasse no rol taxativo, ainda que ocorresse a ocultação 
ou dissimulação de bens, direitos ou valores, não havia que se falar em Lavagem de Capitais. 
A partir da alteração trazida pela Lei 12.683/12, esse rol perdeu seu caráter taxativo e 
adquiriu viés exemplificativo. Observe a nova redação do art. 1º, caput, da Lei 9.613/98: 
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, 
direta ou indiretamente, de infração penal. 
I a VIII - revogados pela Lei nº 12.683, de 2012. 
Pena: reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-MS - Promotor - Instituto AOCP - 2022): A prática de organização 
criminosa (art. 1º, VII, da Lei nº 9.613/1998) como crime antecedente da 
lavagem de dinheiro é atípica antes do advento da Lei nº 12.850/2013, por 
ausência de descrição normativa. Correto. 
 
(MPE-MT - Promotor - FCC - 2019): Somente constitui o crime de “lavagem” 
ou ocultação de bens, direitos e valores se o valor em pecúnia envolvido tiver 
decorrido de um dos crimes referidos no rol exaustivo da Lei n° 9.613/1998. 
Errado. 
 
(MPE-SP - Promotor - MPE-SP - 2019): Dentre as principais alterações 
produzidas pela Lei n° 12.683/12 à Lei n° 9.613/98, que dispõe sobre os 
crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, temos a 
mudança da redação do caput do artigo 1°, a revogação do rol taxativo 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 5 
 
constante em seus incisos e a majoração da pena, que comportava, até 
então, a substituição por restritivas de direitos. Errado. 
Nota-se que, anteriormente, a redação trazia a expressão “crime”. Agora, o legislador não 
apenas revogou todos os incisos do art. 1º, como também substituiu a palavra “crime” por “infração 
penal”. Isso significa dizer que, pelo menos, em tese, qualquer infração penal, seja crime ou 
contravenção penal (a exemplo do jogo do bicho), poderá figurar como antecedente da 
lavagem de capitais. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor – MPE-RS - 2023): Atualmente, a legislação brasileira 
admite qualquer infração penal capaz de produzir ativos financeiros como 
antecedente para o crime de lavagem de dinheiro, inclusive as contravenções 
penais. Correto. 
O Professor Renato Brasileiro salienta que se o examinador questionar a respeito do crime 
de prevaricação, previsto no art. 319 do CP, como antecedente do crime de Lavagem de Capitais, 
é preciso prestar atenção, porque não obstante a nova previsão do art. 1º da Lei 9.613/98 prevendo 
a expressão “infrações penais”, paraque se classifiquem como antecedentes da Lavagem de 
Capitais devem revestir-se do que a doutrina denomina “infração penal produtora”, ou seja, a 
infração precisa produzir bens, direitos ou valores capazes de sofrer algum tipo de 
ocultação. Se a infração penal não produzir nada, obstará a sua inclusão como antecedente de 
Lavagem de Capitais. 
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou 
praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou 
sentimento pessoal: 
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2021): A partir da alteração promovida pela 
Lei nº 12.683/2012, foi suprimida a relação de infrações penais antecedentes, 
de modo que pode configurar-se o delito de “lavagem de dinheiro” diante da 
prática anterior de qualquer uma, desde que não se trate de contravenção 
penal. Errado. 
2.1.2. Aprimoramento das medidas assecuratórias 
Houve necessidade da conscientização estatal e social acerca da premissa de que a prisão 
cautelar de uma pessoa talvez não seja tão importante quanto as medidas cautelares patrimoniais. 
O combate eficaz a uma organização criminosa passa, obrigatoriamente, pela recuperação dos 
valores ilícitos desviados. Por isso, a Lei 12.683/12 visou fortalecer as medidas assecuratórias. 
Ex.: a alienação antecipada é a diligência por meio da qual são vendidos os bens que 
sofreram algum tipo de constrição patrimonial, quando verificado que o decurso do tempo pode 
causar seu perecimento ou afetar seu valor (art. 4º da Lei 9.613/98). 
Art. 4º O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante 
representação do delegado de polícia, ouvido o Ministério Público em 24 
(vinte e quatro) horas, havendo indícios suficientes de infração penal, poderá 
decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou valores do investigado 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 6 
 
ou acusado, ou existentes em nome de interpostas pessoas, que sejam 
instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos nesta Lei ou das 
infrações penais antecedentes. 
§ 1º Proceder-se-á à alienação antecipada para preservação do valor dos 
bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou 
depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. 
§ 2º O juiz determinará a liberação total ou parcial dos bens, direitos e valores 
quando comprovada a licitude de sua origem, mantendo-se a constrição dos 
bens, direitos e valores necessários e suficientes à reparação dos danos e ao 
pagamento de prestações pecuniárias, multas e custas decorrentes da 
infração penal. 
§ 3º Nenhum pedido de liberação será conhecido sem o comparecimento 
pessoal do acusado ou de interposta pessoa a que se refere o caput deste 
artigo, podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à conservação 
de bens, direitos ou valores, sem prejuízo do disposto no § 1o. 
§ 4º Poderão ser decretadas medidas assecuratórias sobre bens, direitos ou 
valores para reparação do dano decorrente da infração penal antecedente ou 
da prevista nesta Lei ou para pagamento de prestação pecuniária, multa e 
custas. 
 
Obs.: a expressão de “ofício” contida no art. 4º deve ser interpretada 
à luz do sistema acusatório e, principalmente, em consonância com o 
art. 3º-A do CPP, que prevê que o juiz não pode substituir as partes/se 
enveredar na investigação, sob pena de violar o sistema acusatório. 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedadas a iniciativa do 
juiz na fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão 
de acusação. 
 
A modificação provocada pela Lei 12.683/12 passou a permitir que o juiz decrete medidas 
assecuratórias que poderão recair não apenas sobre bens que sejam instrumento, produto ou 
proveito dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Capitais, mas também das infrações penais 
antecedentes. Portanto, o juiz poderá sequestrar carros, iates, helicópteros e tantos outros bens 
quanto forem necessários, não apenas nos casos em que se tratar de produto direto ou indireto da 
Lavagem, como também se for produto direto ou indireto da infração antecedente. 
Não obstante, convém mencionar que o STJ também tem entendido que a indisponibilidade 
de bens da Lei 9.613/98 pode atingir também bens de origem lícita, bens adquiridos antes mesmo 
do crime e bens da pessoa jurídica ou mesmo de um familiar não denunciado, desde que haja 
indícios de que houve confusão patrimonial: 
Segundo o art. 4º da Lei nº 9.613/98, havendo indícios suficientes de infração 
penal, o juiz poderá decretar medidas assecuratórias de bens, direitos ou 
valores do investigado ou acusado, ou existentes em nome de interpostas 
pessoas, que sejam instrumento, produto ou proveito dos crimes previstos 
nesta Lei ou das infrações penais antecedentes. O § 4º do art. 4º 
complementa o caput ao dizer que a medida assecuratória pode recair sobre 
bens, direitos ou valores com duas possíveis finalidades: a) para reparação 
do dano decorrente da infração penal (seja o antecedente ou a própria 
lavagem); ou b) para pagamento de prestação pecuniária, multa e custas. De 
acordo com o STJ, a medida assecuratória de indisponibilidade de bens, 
prevista no art. 4º, § 4º, da Lei nº 9.613/98, pode atingir bens de origem lícita 
ou ilícita, adquiridos antes ou depois da infração penal, bem como de pessoa 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 7 
 
jurídica ou familiar não denunciado, quando houver confusão patrimonial. 
STJ. Corte Especial. Inq 1190-DF, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 
15/09/2021 (Info 710). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-GO - Promotor - FGV - 2022): A medida assecuratória de 
indisponibilidade de bens prevista no Art. 4º, §4º, da Lei nº 9.613/1998 permite 
a constrição de quaisquer bens, direitos ou valores para reparação do dano 
decorrente do crime ou para pagamento de prestação pecuniária, pena de 
multa e custas processuais. Correto. 
Nesta toada, observa-se, ainda, que a Alienação Antecipada ganhou mais destaque em 
nosso ordenamento, passando a ser prevista expressamente no próprio CPP: 
Art. 144-A. O juiz determinará a alienação antecipada para preservação do 
valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de 
deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua 
manutenção. 
 
Segundo Renato Brasileiro, a alienação antecipada de bens consiste na expropriação 
antecipada de bens móveis ou imóveis, fungíveis, de fácil deterioração e de difícil conservação, que 
tenham sido objeto de medidas cautelares patrimoniais, adotada com o objetivo de preservar o valor 
dos bens. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-AM - Delegado - FGV - 2022): Ainda em relação às medidas 
assecuratórias da Lei nº 9.613/98, no que toca ao standard de prova (ou 
modelos de constatação) para o seu deferimento, é correto afirmar que a lei 
exige indícios suficientes. Correto. 
 
(MPE-SP - Promotor - MPE-SP - 2022): No processo por crime de lavagem 
de dinheiro, o pedido de liberação total ou parcial de bens pelo réu exige o 
seu comparecimento pessoal. Correto. 
 
(TJ-RO - Juiz - VUNESP - 2019): As medidas assecuratórias de bens só 
podem ser decretadas se a requerimento do Ministério Público ou mediante 
representação da Autoridade Policial. Errado. 
 
(TJ-RO - Juiz - VUNESP - 2019): Decretada medida assecuratória de bens, 
comprovada posteriormente a origem lícita, o juiz determinará a liberação, 
mantendo, contudo, a constrição de bens suficientes à reparação dos danos 
e demais encargos decorrentes da infração penal. Correto. 
2.1.3. Ampliação das pessoas físicas/jurídicas responsáveis pela comunicação de 
operações suspeitas (Lei 9.613/98, art. 9º) 
No sistema financeiro, por muito tempo, convencionou-se dizer que “dinheiro não temcheiro”, ou seja, a procedência da moeda era propositalmente ignorada. Todavia, a Lei 9.613/98 
tentou romper com esse paradigma, mormente porque todos os países se conscientizaram de que 
de nada adianta um Estado desejar combater a Lavagem de Capitais se, para tanto, não contar 
com a colaboração de alguns agentes financeiros, aquelas pessoas físicas ou jurídicas que atuam 
no mercado financeiro. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 8 
 
Assim, integrantes desse setor devem, obrigatoriamente, comunicar operações suspeitas, 
os denominados “gatekeepers”. Hoje, existe uma política de Know Your Costumer (conhecer o seu 
cliente), em que a empresa busca criar mecanismos de modo a evitar que a sua operação seja 
utilizada para prática de lavagem. Desta forma, houve uma ampliação do rol de pessoas físicas e 
jurídicas que passam a ter a obrigação legal de, eventualmente, comunicar operações suspeitas. 
Salienta-se que a Lei 13.974/2020 reestruturou o COAF, que está vinculado 
administrativamente ao Banco Central. 
Art. 1º Esta Lei reestrutura o Conselho de Controle de Atividades Financeiras 
(Coaf), de que trata o art. 14 da Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998. 
 
Art. 2º O Coaf dispõe de autonomia técnica e operacional, atua em todo o 
território nacional e vincula-se administrativamente ao Banco Central do 
Brasil. 
 
Art. 3º Compete ao Coaf, em todo o território nacional, sem prejuízo das 
atribuições estabelecidas na legislação em vigor: 
I - produzir e gerir informações de inteligência financeira para a prevenção e 
o combate à lavagem de dinheiro; 
II - promover a interlocução institucional com órgãos e entidades nacionais, 
estrangeiros e internacionais que tenham conexão com suas atividades. 
3. EXPRESSÃO “LAVAGEM DE DINHEIRO” (LAVAGEM DE CAPITAIS) 
Tem origem no direito norte-americano, a partir da expressão “money laudering”, uma vez 
que durante a década de 1920, na cidade de Chicago, a máfia teria adquirido várias lavanderias, 
utilizadas como esquema para lavagem de dinheiro. 
Atenção: em alguns países da Europa (Espanha e Portugal) é 
utilizada a terminologia “branqueamento de capitais”. No Brasil, o 
termo não foi adotado, porque o legislador evitou sugerir inferência 
racista do vocábulo e consequentes discussões estéreis e 
inoportunas. 
Nota-se que “lavagem” é uma metáfora que traduz a ideia de que o dinheiro é “sujo”, 
porquanto proveniente de infração penal antecedente e quando se “lava” se dá àquela moeda 
aparência lícita. 
4. CONCEITO DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
Conforme leciona Renato Brasileiro, “é o ato ou a sequência de atos praticados para encobrir 
a natureza, localização ou propriedade de bens, direitos ou valores de origem delituosa, com o 
objetivo de reintroduzi-los à economia formal com aparência lícita”. 
Cria-se uma manobra para dar ao dinheiro proveniente de infração penal antecedente feição 
lícita. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 9 
 
Cuidado: apesar de a doutrina trabalhar com vários conceitos e fases 
da lavagem de capitais, a jurisprudência do STF entende que não há 
necessidade de complexidade das operações financeiras. 
O Professor Renato Brasileiro exemplifica que houve um caso, conhecido como a “Máfia dos 
Fiscais em São Paulo”, em que fiscais da prefeitura extorquiam construtoras e afins (concussão, 
corrupção passiva) e com esse dinheiro realizavam depósitos na conta de familiares (cunhados). A 
discussão deu-se em torno do questionamento se o mero depósito na conta de um cunhado 
configuraria Lavagem de Dinheiro. O Supremo entendeu que, embora a doutrina desenvolva vários 
mecanismos, a Lavagem de Capitais não demanda grandes articulações. O depósito de dinheiro 
na conta de um parente para mascarar a origem ilícita é suficiente para caracterização do delito 
(STF, RHC 80.816). 
5. GERAÇÕES DE LEIS DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
5.1. LEIS DE 1ª GERAÇÃO 
As primeiras leis que surgiram sobre Lavagem de Capitais traziam como infração penal 
antecedente um único delito: o Tráfico de Drogas. Esse cenário era absolutamente natural, visto 
que a Lei de Lavagem surgiu na Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico de Drogas de 
Viena (1998). 
Diante da satisfação dos países para com a criminalização da Lavagem é que surgiram as 
leis de 2ª geração. 
5.2. LEIS DE 2ª GERAÇÃO 
Nessa oportunidade, advém um rol taxativo de crimes antecedentes, há uma tímida 
ampliação das circunstâncias caracterizadoras da Lavagem de Capitais. A Lei 9.613/98 em sua 
redação original era considerada uma lei de segunda geração. 
Salienta-se que a doutrina minoritária sustentava que a Lei 9.613/98 era uma lei de terceira 
geração, tendo em vista que o seu art. 1º, inciso VII previa como crime antecedente, pelo menos 
em tese, qualquer crime praticado por organização criminosa. Contudo, não prevaleceu tal 
entendimento, já que o STF à época entendeu que não havia conceito de organização criminosa 
(surgiu apenas em 2012). 
Atualmente, após as alterações ocorridas em 2012, nossa lei de lavagem de capitais é de 
terceira geração. 
5.3. LEIS DE 3ª GERAÇÃO 
A partir de 2012 é que se diz que a lei brasileira de Lavagem de Capitais revestiu-se de 
caráter de lei de 3ª geração, porque qualquer infração penal (desde que produtora) poderá 
funcionar como infração penal antecedente da Lavagem de Capitais. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 10 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2017): O atual tratamento legal ao crime 
de lavagem de dinheiro no Brasil insere-se na doutrinariamente designada 
terceira fase ou terceira geração da repressão penal a tal tipo de delito. 
Correto. 
 
(PC-PA - Delegado - FUNCAB - 2016): A legislação brasileira que cuida da 
lavagem de dinheiro é considerada uma lei de segunda geração. Errado. 
 
Atenção: em alguns casos, na ânsia de combater a Lavagem de 
Capitais, pode-se incorrer na vulgarização do crime. Nesse sentido, 
vários países englobam a referida lei como lei de 3ª geração, todavia 
(ao contrário do Brasil) o legislador, inteligentemente, estipula que 
para que a infração penal seja considerada antecedente deverá 
possuir pena de no mínimo, quatro anos. Trata-se de medida 
interessante no combate à banalização do crime de Lavagem de 
Capitais. 
Ao final, indaga-se: a participação em organização criminosa constitui infração penal hábil 
para configurar o crime de lavagem de capitais? 
Depende. A prática de organização criminosa (art. 1º, VII, da Lei 9.613/1998) como crime 
antecedente da lavagem de dinheiro é atípica antes do advento da Lei 12.850/2013, por ausência 
de descrição normativa, conforme posicionamento adotado pelo STJ no julgamento do RHC 
109122/DF. 
6. FASES DA LAVAGEM DE CAPITAIS 
As fases que serão analisadas abaixo foram idealizadas pelo Grupo de Ação Financeira 
sobre Lavagem de Dinheiro (GAF), formado pelos sete países mais ricos do mundo, que tem como 
objetivo coordenar providências de modo a combater a Lavagem de Capitais. 
Idealiza-se um modelo de Lavagem composto por três fases: COLOCAÇÃO, 
DISSIMULAÇÃO e INTEGRAÇÃO. 
 
1ª FASE •COLOCAÇÃO (placement)
2ª FASE
•DISSIMULAÇÃO ou 
ENCOBRIMENTO ou 
MASCARAMENTO ou 
OCULTAÇÃO (layering)
3ª FASE
•INTEGRAÇÃO 
(integration)
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 11 
 
Os Tribunais Superiores e a própria doutrina consolidam que tais fases desenvolvidas pelo 
GAF correspondem ao que seria um modelo ideal/completo de Lavagem de Dinheiro. Contudo, a 
tipificação do delito NÃO está condicionada ao preenchimento das três fases. 
O depósito de cheques de terceiro recebidos pelo agente, como produto de 
concussão, em contas-correntes de pessoas jurídicas, às quais contava ele 
ter acesso, basta a caracterizar a figura de "lavagem de capitais" mediante 
ocultação da origem, da localização e da propriedade dos valores respectivos 
(Lei n. 9.613, art. 1º, caput): o tipo não reclama nem êxito definitivo daocultação, visado pelo agente, nem o vulto e a complexidade dos exemplos 
de requintada "engenharia financeira" transnacional, com os quais se ocupa 
a literatura. (STF, RHC 80.816, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, 
Julgamento 10/04/2001). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-MT - Promotor - FCC - 2019): É adotada nos tribunais superiores 
brasileiros a doutrina norte-americana que aponta a existência de três fases 
distintas do crime de “lavagem” de bens, direitos e valores: a colocação, o 
encobrimento e a integração. Correto. 
 
(TRF-3 - Juiz - TRF-3 - 2018): O processo de lavagem de dinheiro é composto 
por, pelo menos, três fases: ocultação, dissimulação e integração. Correto. 
 
(PC-RS - Delegado - FUNDATEC - 2018): O crime de lavagem de bens, 
direitos ou valores é composto por três fases: a colocação (placement), a 
ocultação (layering) e a integração (integration), devendo todas estarem 
configuradas para o enquadramento da conduta na figura criminosa. Errado, 
pois não há necessidade de todas estarem presentes, conforme 
entendimento do STF. 
6.1. 1ª FASE: COLOCAÇÃO (PLACEMENT) 
Trata-se da introdução do dinheiro ilícito no sistema financeiro com o propósito de dificultar 
a identificação da origem dos valores e da infração penal antecedente. 
Várias são as técnicas utilizadas, a exemplo do smurfing, que representa uma tática de 
colocação pela qual se pulveriza uma quantidade grande em pequenos depósitos com a finalidade 
de não levantar suspeitas. 
No julgamento da AP 996, o STF entendeu que o depósito fracionado de dinheiro de 
corrupção na conta corrente é meio idôneo para consumação do crime de lavagem de capitais. 
Assim segue: 
AÇÃO PENAL. CORRUPÇÃO PASSIVA E LAVAGEM DE DINHEIRO. (...). 8. 
LAVAGEM DE CAPITAIS. 8.1. RECEBIMENTO DE DINHEIRO EM 
ESPÉCIE. ATIPICIDADE. 8.2. VANTAGEM INDEVIDA DEPOSITADA DE 
FORMA PULVERIZADA EM CONTAS-CORRENTES. CONDUTA TÍPICA. 
8.3. DECLARAÇÃO À AUTORIDADE FAZENDÁRIA DE DISPONIBILIDADE 
MONETÁRIA INCOMPATÍVEL COM RENDIMENTOS REGULARMENTE 
PERCEBIDOS. CONFIGURAÇÃO DO DELITO. 8.4. DOAÇÃO ELEITORAL. 
FORMA DE ADIMPLEMENTO DE VANTAGEM INDEVIDA. INFRAÇÃO 
PENAL DE BRANQUEAMENTO CARACTERIZADA. CONDENAÇÃO. (...) 
8.2. O depósito fracionado de valores em conta corrente, em quantias que 
não atingem os limites estabelecidos pelas autoridades monetárias à 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 12 
 
comunicação compulsória dessas operações, apresenta-se como meio 
idôneo para a consumação do crime de lavagem de capitais. No caso, tal 
prática foi cabalmente demonstrada pelo conjunto probatório amealhado aos 
autos. STF, Segunda Turma, Ministro Relator Edson Fachin, Julgamento em 
29/05/2018. 
6.2. 2ª FASE: DISSIMULAÇÃO, OCULTAÇÃO OU MASCARAMENTO (LAYERING, 
“COLOCAR CAMADAS”) 
São realizadas diversas operações financeiras com o objetivo de dificultar o rastreamento 
da origem ilícita dos valores. 
Quanto maior a movimentação, maior a distância dos valores da sua origem ilícita. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PC-AC - Delegado - IBADE - 2017): A ocultação é a fase da lavagem de 
capitais, de acordo com as definições do COAF, em que são realizados 
diversos negócios e movimentações financeiras, a fim de impedir o 
rastreamento e encobrir a origem ilícita dos valores. Correto. 
 
(PC-PA - Delegado - FUNCAB - 2016): A fase de layering, ou dissimulação, 
na lavagem de dinheiro, é aquela em que se busca dar aos recursos 
financeiros a aparência de legítimos, à qual se sucede a fase de integração 
(integration). Correto. 
6.3. 3ª FASE: INTEGRAÇÃO (INTEGRATION) 
Representa o retorno daqueles bens formalmente incorporados ao sistema financeiro que 
se dará de duas formas: no próprio mercado (mobiliário ou imobiliário) ou no refinanciamento de 
atividade ilícita originária. 
7. BEM JURÍDICO TUTELADO 
Em relação ao bem jurídico aqui tutelado, não há consenso doutrinário. 
 
Verificam-se, pelo menos, quatro correntes. 
7.1. 1ª CORRENTE 
Defende que o crime de Lavagem de Capitais tutela o mesmo bem jurídico protegido pela 
infração antecedente. 
Entretanto, o problema enfrentado é no sentido de que se o crime antecedente for o Tráfico 
de Drogas, a Lavagem de Capitais tutelará o bem jurídico “saúde pública”. Se, no entanto, a infração 
antecedente for o roubo, o bem jurídico defendido será o “patrimônio”, e um mesmo delito não pode 
tutelar bens jurídicos tão distintos. Não é à toa que o presente posicionamento é absolutamente 
minoritário. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 13 
 
7.2. 2ª CORRENTE 
Sustentada por Roberto Podval, Rodolfo Tigre Maia, Gustavo Badaró, Pierpaolo Bottini. 
Para essa corrente, a Lavagem de Capitais é similar ao favorecimento real (art. 349 CP), 
porque quando o agente oculta ou dissimula a origem ilícita dos valores, ele visa, em última análise, 
esconder para tornar seguro o proveito do crime. Portanto, se o favorecimento real tem como bem 
jurídico a Administração da Justiça, nada mais lógico do que emprestar idêntico raciocínio à 
Lavagem de Capitais. 
Art. 349 - Prestar a criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, 
auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime: 
Pena - detenção, de um a seis meses, e multa. 
7.3. 3ª CORRENTE 
Teoricamente, condiz com a posição majoritária da doutrina brasileira. 
Obs.: quando cobrado em prova, costuma ser essa a corrente 
adotada. 
Aqui, o bem jurídico tutelado é a “ordem econômico-financeira”, visto que a Lavagem de 
Capitais ocasiona problema no equilíbrio do mercado, nas relações de consumo, na livre 
concorrência e no próprio financiamento do sistema financeiro. 
Considerando que o bem jurídico tutelado é a “ordem econômico-financeira”, entende-se 
como perfeitamente possível a aplicação do denominado princípio da insignificância. 
 Hoje, o valor que serve como parâmetro de aplicação do princípio da insignificância é R$ 
20.000,00, embora seja necessário trazer algumas observações. 
Esse valor foi fixado pela jurisprudência tendo como base a Portaria MF 75, de 29/03/2012, 
na qual o Ministro da Fazenda determinou, em seu art. 1º, inciso II, “o não ajuizamento de execuções 
fiscais de débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a R$ 
20.000,00 (vinte mil reais).” 
Em outros termos, essa Portaria determina que, até o valor de 20 mil reais, os débitos 
inscritos como Dívida Ativa da União não serão executados. 
Com base nisso, a jurisprudência construiu o seguinte raciocínio: ora, não há sentido lógico 
permitir que alguém seja processado criminalmente pela falta de recolhimento de um tributo que 
nem sequer será cobrado no âmbito administrativo-tributário. Se a própria “vítima” não irá cobrar o 
valor, não faz sentido aplicar o direito penal contra o autor desse fato. 
Salienta-se, ainda, que esse valor de 20 mil reais é adotado tanto pelo STF como pelo STJ. 
Assim segue: 
Incide o princípio da insignificância aos crimes tributários federais e de 
descaminho quando o débito tributário verificado não ultrapassar o limite de 
R$ 20.000,00 (vinte mil reais), a teor do disposto no art. 20 da Lei n. 
10.522/2002, com as atualizações efetivadas pelas Portarias n. 75 e 130, 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 14 
 
ambas do Ministério da Fazenda. STJ. 3ª Seção. REsp 1.709.029/MG, Rel. 
Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/02/2018 (recurso repetitivo). 
 
Aplica-se o princípio da insignificância ao crime de descaminho quando o 
montante do tributo não recolhido for inferior ao limite de R$ 20.000,00 - valor 
estipulado pelo art. 20, Lei 10.522/2002, atualizado pelas portarias 75 e 
130/2012, do Ministério da Fazenda. STF. 2ª Turma. HC 155347/PR, Rel. 
Min. Dias Tóffoli, julgado em 17/4/2018 (Info 898). 
 
Todavia, em uma situação hipotética, tem-se que o Ministério Público Estadual do Pará 
ofereceu uma denúncia em face dos sócios da Empresa X, porque teriam deixado de recolher ICMS 
na saída de mercadoriasdurante o exercício de 2003. 
Na época da constituição definitiva do crédito tributário, 02/09/2005, o valor atualizado, 
excluído juros e multa, era de R$ 14.700,34. 
Diante disso, houve a impetração de Habeas Corpus pleiteando o trancamento da ação 
penal em razão da aplicação do princípio da insignificância com fundamento no limite de R$ 
20.000,00 (vinte mil reais) previsto no art. 20 da Lei 10.522/2002. 
Após a discussão ser decidida nas instâncias ordinárias, o tema chegou até o STJ, que 
decidiu da seguinte forma: 
Não pode ser aplicado para fins de incidência do princípio da insignificância 
nos crimes tributários estaduais o parâmetro de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), 
estabelecido no art. 20 da Lei 10.522/2002, devendo ser observada a lei 
estadual vigente em razão da autonomia do ente federativo. STJ. 5ª Turma. 
AgRg-HC 549.428-PA. Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/05/2020. 
 
Para o STJ, esse parâmetro vale, a princípio, apenas para os crimes que se relacionam a 
tributos federais, considerando que é baseado no art. 20 da Lei 10.522/2002, que trata dos tributos 
federais. Assim, esse é o valor que a União considera insignificante. 
Logo, para fins de crimes de sonegação fiscal que envolvam tributos estaduais ou 
municipais, deve ser analisado se há lei estadual ou municipal dispensando a execução fiscal no 
caso de tributos abaixo de determinado valor. Esse será o parâmetro para a insignificância. 
Ressalta-se, por fim, que esse também é o entendimento adotado pelo STF: 
O limite previsto pela legislação federal para aplicação do princípio da 
insignificância nos crimes tributários não é aplicável quando se tratar de 
tributos estaduais” (RHC 152.069/SC, Rel. Min. Luiz Fux, decisão 
monocrática, DJe 09.02.2018). STF. 1ª Turma. HC 183959 AgR, Rel. Min. 
Rosa Weber, julgado em 15/12/2020. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RO - Promotor - FMP Concursos - 2017): Em relação ao crime de 
lavagem de dinheiro, o bem jurídico tutelado é a Administração Pública, 
segundo a corrente doutrinária preponderante no Brasil. Errado, pois o 
entendimento majoritário entende que o bem jurídico tutelado é a ordem 
econômico-financeira. 
7.4. 4ª CORRENTE 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 15 
 
Defendida Alberto Silva Franco, entende que o crime de Lavagem de Capitais viola mais de 
um bem jurídico. 
Alguns dos defensores afirmam que afeta tanto a “ordem econômico-financeira” quanto a 
“Administração da Justiça”, enquanto outros dizem que se tutela, a um só tempo, a “ordem 
econômico-financeira” e o mesmo bem jurídico tutelado pela infração antecedente. 
Portanto, o crime de Lavagem de Capitais seria pluriofensivo. 
Esse posicionamento é minoritário. 
8. ACESSORIEDADE DA LAVAGEM DE CAPITAIS 
Inicialmente, destaca-se que a leitura do art. 1º, caput, deve ser realizada conjuntamente 
com o art. 2º, II e § 1º do art. 2º, todos da Lei 9.613/98. 
Art. 1o Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, 
movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, 
direta ou indiretamente, de infração penal. 
 
Nota-se que a palavra “infração penal” está inserida na redação típica do crime de Lavagem 
de Capitais, isto é, a infração penal antecedente é uma circunstância elementar do crime de 
Lavagem de Capitais. Por essa razão é que se diz que à semelhança do que ocorre com o crime 
de Receptação, a Lavagem de Capitais é conhecida como “crime acessório/parasitário”, porque sua 
tipificação está atrelada a outro crime. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-SP - Promotor - MPE-SP - 2019): O crime de “lavagem” de capitais 
tem natureza acessória, derivada ou dependente de infração penal 
anteriormente cometida, típica e antijurídica, da qual decorreu a obtenção de 
vantagem financeira ilegal. Correto. 
 
(TRF-3 - Juiz - TRF-3 - 2018): O processo e julgamento do crime de lavagem 
de dinheiro prescinde da existência da infração penal antecedente. Errado. 
 
(TRF-2 - Juiz - TRF-2 - 2017): A lavagem de dinheiro é considerada crime 
derivado ou acessório, pois pressupõe a ocorrência de delito anterior. Não se 
admite a sua existência quando o ativo financeiro é proveniente de infração 
penal cometida posteriormente aos atos acoimados como sendo de lavagem. 
Correto. 
Sem que haja a infração penal antecedente, não há que se falar em Lavagem de Capitais. 
Todavia, o art. 2º, II, da Lei 9.613/98 estabelece aparente independência do processo da Lavagem 
de Capitais: 
Art. 2º O processo e julgamento dos crimes previstos nesta Lei: 
II - independem do processo e julgamento das infrações penais antecedentes, 
ainda que praticados em outro país, cabendo ao juiz competente para os 
crimes previstos nesta Lei a decisão sobre a unidade de processo e 
julgamento. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 16 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2023): Ao sujeito ativo do crime de lavagem 
de dinheiro não é exigido que tenha participado ou concorrido do crime 
antecedente, e sim basta que tenha conhecimento, de qualquer modo, que 
os bens ocultados tenham uma origem ilícita. Correto. 
A respeito dessa independência, decidiu o STJ pela exclusão da tipicidade do crime de 
lavagem ante a inexistência do delito antecedente: 
A inexistência de delito antecedente exclui a tipicidade do crime de lavagem 
de dinheiro e torna insubsistente a imputação do crime de organização 
criminosa, pela ausência da prática de infrações penais. STJ. Sexta Turma. 
RHC 161.701-PB, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 19/03/2024 
(Info 805). 
 
No mesmo sentido, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal já julgou situação 
semelhante: 
Habeas corpus. 2. Crime contra a ordem tributária. 3. Medidas cautelares de 
busca e apreensão e prisão domiciliar deferidas pelo juízo de primeiro grau. 
4. Substrato fático que não se enquadra no tipo penal mencionado no inciso 
V do artigo 1º da Lei 8.137/1990. 5. Incidência da Súmula Vinculante 24. 6. 
Atipicidade dos fatos narrados como delito fiscal no decreto prisional. 7. Não 
ocorrência do crime de lavagem de dinheiro pela atipicidade dos fatos 
narrados como suposto delito antecedente. 8. Confirmação da liminar 
anteriormente concedida. 9. Ordem concedida para reconhecer a ilegalidade 
das medidas cautelares deferidas, bem como a nulidade das provas delas 
decorrentes. (HC 180567, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgado 
em 22/11/2022, DJe-s/n Divulg. 16-03-2023. Public. 17/03/2023). 
 
O processo do crime de Lavagem de Capitais independe do processo da infração 
antecedente. Nesse sentido, o § 1º do art. 2º: 
Art. 2º § 1o A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência 
da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta 
Lei, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a 
punibilidade da infração penal antecedente. 
 
Ex.: dois processos, sendo que um deles comporta autos relacionados ao Tráfico de Drogas 
e o outro à Lavagem de Capitais, no primeiro foram vendidos um milhão de reais em drogas e, no 
segundo, abriu-se um curso preparatório para se aplicar esse um milhão de reais. 
Indaga-se: os dois processos precisam tramitar juntos num único processo ou podem 
tramitar separadamente? Os processos criminais da Lavagem de Capitais e da infração penal 
antecedente NÃO precisam tramitar juntos (art. 2º, II, da Lei 9.613/98). Entretanto, não significa que 
não possam tramitar em conjunto. Não há regra absoluta. Isto porque, entre os dois crimes 
praticados há evidente conexão probatória. No exemplo, a prova da infração antecedente (Tráfico 
de Drogas) influi na prova do crime de Lavagem de Capitais (art. 76, III, do CP). Como há conexão 
probatória, é possível a reunião, porém esta reunião não é obrigatória. 
Se for dito que podem tramitar juntos, quem é que decide sobre a reunião dos feitos: 
o juiz da Lavagem ou o juiz do Tráfico de Drogas,já que ao último crime é cominada pena 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 17 
 
mais gravosa? De acordo com o CPP, quando há conexão, quem decide, num primeiro momento, 
é o juízo com força atrativa (forum attractionis). Existem alguns critérios para identificar o forum 
attractionis; o primeiro deles é o juiz ao qual for cominada a pena mais grave. 
Contudo, essa não é a lógica adotada na lavagem de capitais. A segunda parte do art. 
2º, II, da Lei 9.613/98 (“cabendo ao juiz competente para os crimes previstos nesta Lei a decisão 
sobre a unidade de processo e julgamento”) é uma novidade e tem status de regra especial em 
relação ao CPP. Assim, independentemente da gravidade das penas, quem dará a última palavra 
acerca da reunião ou separação de processos é o juiz que averigua a Lavagem de Capitais 
Se no processo de Tráfico de Drogas (crime antecedente) os autores forem 
absolvidos, será possível uma condenação pelo crime de Lavagem de Capitais? À primeira 
vista, pode-se pensar que não será possível uma condenação, visto que a infração penal 
antecedente é elementar da Lavagem. Não obstante, conforme André Luís Callegari, adota-se a 
Teoria da Acessoriedade Limitada e, portanto, quanto à infração penal antecedente, basta que seja 
conduta típica e antijurídica/ilícita para que o crime de Lavagem de Capitais seja punível. 
Assim, a absolvição da infração antecedente poderá influir ou não na condenação do crime 
de Lavagem de Capitais, dependerá do fundamento da absolvição: 
• Se tiver sido absolvido porque reconhecida a atipicidade da infração antecedente, 
obrigatoriamente, não poderá haver condenação pela Lavagem. 
• Se absolvido por conta de excludente de ilicitude na infração antecedente, também não 
será possível sua condenação na Lavagem. 
• Se a absolvição se der com base numa excludente da culpabilidade, poderá ocorrer a 
condenação, dado que a infração antecedente terá sido conduta típica e antijurídica, 
logo, basta para condenação no crime de Lavagem de Capitais – mesmo raciocínio será 
aplicado ao deparar-se com causa extintiva da punibilidade, pelo menos, em regra. 
O § 1º do art. 2º da Lei 9.613/98 confirma o que foi exposto acima, observe: 
 
Art. 2º, § 1º A denúncia será instruída com indícios suficientes da existência 
da infração penal antecedente, sendo puníveis os fatos previstos nesta Lei, 
ainda que desconhecido ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade 
da infração penal antecedente. 
 
Atenção: em regra, se extinta a punibilidade da infração antecedente, 
os crimes de Lavagem de Capitais continuam puníveis. Ocorre que a 
doutrina cita duas exceções, ou seja, duas causas extintivas da 
punibilidade que impedem a tipificação da Lavagem de Capitais. São 
elas: anistia e abolitio criminis, porque em ambas é como se a infração 
penal antecedente tivesse deixado de existir (inexiste elementar). 
Não há que se falar em manifesta ausência de tipicidade de conduta, 
correspondente ao crime de “lavagem de dinheiro”, ao argumento de que o 
agente não foi igualmente condenado pela prática de algum dos crimes 
anteriores arrolados no elenco taxativo do artigo 1º, da Lei 9.613/98, 
sendo inexigível que o autor do crime acessório tenha concorrido para 
a prática do crime principal, desde que tenha conhecimento quanto à 
origem criminosa dos bens ou valores. Complexidade da prova e ausência de 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 18 
 
manifesta inadequação da conduta ao tipo penal. (STJ, 6ª Turma, HC 
36.837/GP, Rel. Min. Paulo Medina, DJ 06/12/2004, p. 372). 
 
Assim, não se tem como conditio sine qua non da Lavagem de Capitais a condenação pela 
infração antecedente, tanto é que a própria lei dispõe que os processos são independentes e 
autônomos. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2023): Somente é possível o crime de 
lavagem de dinheiro se houver uma infração penal antecedente. Entretanto, 
basta a comprovação de indícios suficientes da existência da infração penal 
antecedente, não exigindo a legislação pátria a condenação do(s) autor(es) 
pela prática do delito antecedente, sendo que, mesmo extinto o processo da 
infração penal antecedente pela prescrição da pretensão punitiva do Estado, 
permanece a possibilidade de punição pelo crime de lavagem de dinheiro 
vinculado a ela. Correto. 
 
(MPE-MS - Promotor - Instituto AOCP - 2022): É desnecessário que o autor 
do crime de lavagem de dinheiro tenha sido autor ou partícipe da infração 
penal antecedente, basta que tenha ciência da origem ilícita dos bens, direitos 
e valores e concorra para sua ocultação ou dissimulação. Correto. 
 
(MPE-RS - Promotor - MPE-RS - 2021): A extinção da punibilidade da 
infração penal antecedente pela prescrição não prejudica a configuração do 
delito de “lavagem de dinheiro”. Correto. 
 
(PF - Delegado Federal - CESPE - 2021): É requisito específico da denúncia 
a existência de indícios suficientes da ocorrência do crime antecedente cuja 
punibilidade não esteja extinta. Errado. 
9. SUJEITOS DO CRIME 
9.1. SUJEITO ATIVO 
A Lavagem de Capitais é crime comum, ou seja, pode ser praticado por qualquer pessoa, 
não se exige nenhuma qualidade especial do agente. 
A lei brasileira pune, exclusivamente, pessoas físicas pelo crime de Lavagem de Capitais. A 
pessoa jurídica pode até responder, mas estará sujeita exclusivamente às punições administrativas 
e não às criminais. 
Quando internacionalmente questionado a respeito do tema, o Brasil justificou que não 
poderia o país ser considerado inadimplente, porque prevê sanções administrativas contra as 
pessoas jurídicas, tais como advertências e multas pecuniárias. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(PF - Delegado Federal - CESPE - 2021): O crime de lavagem de dinheiro 
está, consoante a lei, equiparado ao crime hediondo. Errado. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 19 
 
9.2. SUJEITO PASSIVO 
Será a “coletividade”, caso se concorde que o bem jurídico tutelado é a “ordem econômico-
financeira”. 
Por outro lado, se entender o bem jurídico tutelado como a “administração da Justiça”, o 
sujeito passivo será “o próprio Estado no qual está inserido o Poder Judiciário”. 
9.3. AUTOLAVAGEM (SELFLAUNDERING) 
Entende-se por “autolavagem” a hipótese em que o mesmo indivíduo que responde pela 
infração penal antecedente também é criminalmente processado pelo delito de Lavagem de 
Capitais. 
O autor da infração antecedente também responde pelo crime de Lavagem de Capitais? Há 
duas correntes: 
• 1ª corrente (minoritária): a autolavagem não é possível. Esse entendimento é adotado 
por alguns países da Europa, como a Itália e a França, que sustentam que a Lavagem é 
semelhante ao Favorecimento Real e, portanto, não pode o autor responder pelos dois 
crimes. Nessa perspectiva, são apontados alguns argumentos, adotados por 
doutrinadores como Roberto Delmanto, que entendem que o autor da infração 
antecedente não responde pelo crime de Lavagem por razões como: 
o O crime de Lavagem deve ser interpretado como semelhante ao Favorecimento Real; 
o Com base no princípio da consunção, a Lavagem é mero exaurimento da infração 
antecedente, ou seja, é de se esperar que o sujeito lave o dinheiro obtido em decorrência 
do ilícito anteriormente ocorrido e sua punição pela lavagem configuraria bis in idem; 
o Haveria violação ao princípio do Nemo tenetur se detegere (vedação da 
autoincriminação), pois quem lava dinheiro o faz para que sua autoria em relação ao 
crime antecedente não seja revelada. Trata-se de tentativa de evitar a produção de 
provas contra si mesmo. 
• 2ª corrente (majoritária): a autolavagem é possível. 
A legislação brasileira não fez semelhante reserva à da Itália e da França, basta comparar 
os preceitos do art. 1º da Lei 9.613/98 com os do art. 349 do CP. 
Não há falar em Princípio da Consunção ou conflito aparente de normas, visto que a infração 
penalantecedente independe da Lavagem de Capitais. Quando o indivíduo lava o dinheiro, praticará 
infração penal autônoma, violando, portanto, bem jurídico diverso, sendo é incongruente entender 
a Lavagem como exaurimento da infração antecedente. 
Tampouco há falar em violação do direito ao silêncio. Ninguém é obrigado a produzir prova 
contra si mesmo, todavia, tal princípio não serve de justificativa para prática de delitos na tentativa 
de encobrir crimes anteriores. Os direitos não podem ser utilizados como escudo protetivo para 
atividades ilícitas. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 20 
 
Neste sentido, reforçando o entendimento pela possibilidade da autolavagem, entendeu o 
STJ: 
Embora a tipificação da lavagem de capitais dependa da existência de uma 
infração penal antecedente, é possível a autolavagem, isto é, a imputação 
simultânea, ao mesmo réu, do delito antecedente e do crime de lavagem, 
desde que sejam demonstrados atos diversos e autônomos daquele que 
compõe a realização do primeiro crime, circunstância em que não ocorrerá o 
fenômeno da consunção. A autolavagem (self laundering/autolavado) merece 
reprimenda estatal, na medida em que o autor da infração penal antecedente, 
já com a posse do proveito do crime, poderia simplesmente utilizar-se dos 
bens e valores à sua disposição, mas reinicia a prática de uma série de 
condutas típicas, a imprimir a aparência de licitude do recurso obtido com a 
prática da infração penal anterior. Dessa forma, se for confirmado, a partir do 
devido processo legal, que o indivíduo deu ares de legalidade ao dinheiro 
indevidamente recebido, estará configurado o crime de lavagem de capitais. 
STJ. Corte Especial. APn 989-DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
16/02/2022 (Info 726). 
 
A lavagem de dinheiro pressupõe a ocorrência de delito anterior, sendo 
próprio do delito que esteja consubstanciado em atos que garantam ou levem 
ao proveito do resultado do crime anterior, mas recebam punição autônoma. 
Conforme a opção do legislador brasileiro, pode o autor do crime (leia-se 
infração penal) antecedente responder por lavagem de dinheiro, dada à 
diversidade dos bens jurídicos atingidos e à autonomia deste delito. (STJ, 5ª 
Turma, Resp 1.234.097/PR, Rel. Min. Gilson Dipp,j. 03/11/2011). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-DFT - Juiz - CESPE - 2023): Embora a tipificação da lavagem de dinheiro 
dependa da existência de uma infração penal antecedente, é possível a 
imputação simultânea, ao mesmo réu, do crime de lavagem e da infração 
antecedente, desde que demonstrados atos diversos e autônomos daquele 
que compõe a realização da primeira infração penal, circunstância na qual 
não ocorrerá o fenômeno da consunção. Correto. 
 
(MPE-MG - Promotor - FUNDEP - 2021): Se o agente participa do delito 
principal antecedente, a subsequente lavagem de dinheiro configura um post 
factum impunível. Errado. 
9.4. DESNECESSIDADE DE PARTICIPAÇÃO NA INFRAÇÃO ANTECEDENTE 
O sujeito ativo da Lavagem de Capitais não necessariamente precisa ter concorrido para a 
infração antecedente, desde que tenha conhecimento da origem ilícita dos valores por ele 
ocultados. 
9.5. ADVOGADO COMO SUJEITO ATIVO DO CRIME DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
É evidente que o advogado (assim como juízes, promotores e outros) pode ser sujeito ativo, 
até porque a Lavagem é caracterizada como “crime comum”. 
Indaga-se: o advogado tem a obrigação de comunicar operações suspeitas ao COAF, como 
os gatekeepers? 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 21 
 
Há poucos anos, alguns advogados passaram a defender pessoas acusadas de Lavagem 
de Capitais. Em razão disso, foram demonizados, sob argumento de que, ao patrocinarem 
lavadores de dinheiro, estariam recebendo dinheiro sujo e, portanto, concorriam com a Lavagem de 
Capitais. Na oportunidade, houve a infeliz sugestão de que, a partir dali, nos processos de Lavagem 
de Capitais, os denunciados obrigatoriamente teriam que ser defendidos por defensores públicos. 
Perceba que se estaria impondo a alguém quem seria seu advogado. Haveria, desta forma, violação 
ao princípio da ampla defesa, uma vez que o acusado estaria impedido de constituir advogado de 
sua própria confiança. 
A indagação feita acima é oriunda das mudanças introduzidas pela Lei 12.683/02, entre elas, 
a ampliação das pessoas físicas ou jurídicas obrigadas a comunicar operações suspeitas. 
Nesse sentido, dispõe o parágrafo único, inciso XIV, do art. 9º da Lei 9.613/98: 
Art. 9o Sujeitam-se às obrigações referidas nos arts. 10 e 11 as pessoas 
físicas e jurídicas que tenham, em caráter permanente ou eventual, como 
atividade principal ou acessória, cumulativamente ou não: 
Parágrafo único. Sujeitam-se às mesmas obrigações 
XIV - as pessoas físicas ou jurídicas que prestem, mesmo que 
eventualmente, serviços de assessoria, consultoria, contadoria, auditoria, 
aconselhamento ou assistência, de qualquer natureza, em operações: 
a) de compra e venda de imóveis, estabelecimentos comerciais ou industriais 
ou participações societárias de qualquer natureza; 
b) de gestão de fundos, valores mobiliários ou outros ativos; 
c) de abertura ou gestão de contas bancárias, de poupança, investimento ou 
de valores mobiliários; 
d) de criação, exploração ou gestão de sociedades de qualquer natureza, 
fundações, fundos fiduciários ou estruturas análogas; 
e) financeiras, societárias ou imobiliárias; e 
f) de alienação ou aquisição de direitos sobre contratos relacionados a 
atividades desportivas ou artísticas profissionais; 
 
Parcela doutrinária (Rodrigo de Grandis) compreende o advogado em duas espécies: 
a) Advogados de representação contenciosa: advogado que atua na defesa de cliente 
em processo concreto judicial ou administrativo. Esse advogado não tem a obrigação 
de comunicar operação suspeita. 
b) Advogados de operações: advogado especializado em consultoria jurídica não 
processual. Aqui, inexiste situação jurídica concreta relacionada a processo judicial ou 
administrativo. Esse perfil de advogado tem a obrigação de comunicar operações 
suspeitas, assim como profissionais de qualquer outra área. 
Não é essa a orientação que tem sido adotada pelo próprio COAF (vide Resolução 24/2013) 
e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), conforme verificado na provocação do órgão especial 
do Conselho Pleno do Conselho Federal, em relação à consulta formalizada pela OAB/SP, processo 
em que o Conselho Federal decidiu que: 
Lei nº 12.683/02 alterando Lei nº 9.613/98; Lei especial (Estatuto da OAB) 
não pode ser revogada por lei que trata genericamente outras profissões, 
advogados e sociedades de advocacia não devem fazer cadastro no COAF, 
nem têm o dever de divulgar dados sigilosos de seus clientes que lhes forem 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 22 
 
entregues no exercício funcional. Obrigações das Seccionais e Comissões 
de prerrogativas nacionais e estaduais de amparar os advogados que 
ilegalmente sejam instados a fazê-los. 
 
Portanto, tanto o COAF quanto a OAB entendem que as alterações produzidas pela Lei 
12.683/02 não são aplicáveis aos advogados e que a distinção entre advogados de representação 
contenciosa e advogados de operações não tem qualquer validade. 
10. TIPO OBJETIVO 
Dois são os verbos utilizados no art. 1º, caput, da Lei 9.613/98: 
1) Ocultar: esconder alguma coisa. 
2) Dissimular: encobrir/disfarçar algo. 
Tem-se crime de ação múltipla e conteúdo variado, sendo que a incidência de qualquer um 
dos verbos (ocultar ou dissimular) é suficiente para caracterização do delito de Lavagem de 
Capitais. 
10.1. DISTINÇÃO ENTRE O EXAURIMENTO DA INFRAÇÃO ANTECEDENTE E O CRIME 
DE LAVAGEM DE CAPITAIS 
É imperioso saber precisamente a linha tênue que separa a infração penal antecedente, com 
todo seu iter criminis (cogitação, preparação, execução e consumação), do momento inicial que 
marca o crime de Lavagem de Capitais, principalmente o momento finaldo antecedente criminal 
(compreendido como o “exaurimento”, apesar de, para a maioria dos doutrinadores, não fazer parte 
do iter criminis). 
Pierpaolo Bottini, Gustavo Badaró e Fausto de Sanctis compreendem que o sujeito somente 
ingressará no delito de Lavagem de Capitais quando praticar atos ou uma sequência de atos com 
o intuito de atribuir aparência lícita aos valores ilicitamente obtidos. Portanto, o simples usufruto do 
produto ou proveito da infração antecedente não tipifica lavagem de capitais. 
Note que guardar dinheiro em armários, embaixo de colchões ou em qualquer outro 
esconderijo não caracteriza atos com objetivo de mascarar sua origem ilícita, bem como se o sujeito 
adquirir um apartamento com valores ilicitamente obtidos e registrá-lo no seu próprio nome. 
10.2. NATUREZA INSTANTÂNEA OU PERMANENTE 
Há duas correntes que objetivam definir a natureza do delito: 
• 1ª corrente: o crime de Lavagem de Capitais é instantâneo. 
Sustenta que o delito se concretiza no exato momento em que são realizados atos com 
intuito de mascarar a origem dos valores. Segundo Bottini, “a manutenção do bem ocultado ou 
dissimulado é mero desdobramento e decorrência dos atos iniciais”. 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 23 
 
• 2ª corrente: os verbos “ocultar” e “dissimular”, pela própria redação do tipo penal, 
sugerem tratar-se de crime permanente, ou seja, aquele cuja consumação se prolonga 
no tempo e, durante todo esse período, o agente detém o poder de fazer cessar sua 
execução. 
Quando abordado o crime instantâneo, tem-se que a prescrição começa a fluir a partir da 
consumação. Por outro lado, no que tange ao crime permanente, a prescrição começa a fluir a partir 
da cessação da permanência do delito. 
Dispõe o inciso III do art. 111 do CP: 
Art. 111 - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa 
a correr: 
III - nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência. 
 
A 1ª Turma do STF, na Ação Penal 863, condenou Paulo Maluf por lavagem de capitais 
praticada na década de 90, sob justificativa de que o réu manteve os valores ocultos no exterior, 
configurando, portanto, o crime permanente e, como tal, não haveria que se falar em prescrição. 
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. EX-
PREFEITO MUNICIPAL. ATUAL DEPUTADO FEDERAL. DENÚNCIA. 
ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LAUDO PERICIAL. IMPROCEDÊNCIA. 
NATUREZA DA PROVA DA MATERIALIDADE DOCUMENTAL E NÃO 
PERICIAL. AUSÊNCIA DE OPINIÃO TÉCNICA ESPECIALIZADA. PARCIAL 
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELA PRESCRIÇÃO. CRIME DE LAVAGEM 
DE DINHEIRO. MODALIDADE OCULTAR. NATUREZA PERMANENTE DO 
CRIME RECONHECIDA. PRESCRIÇÃO QUE NÃO TERIA OCORRIDO 
AINDA QUE O CRIME FOSSE INSTANTÂNEO DE EFEITOS 
PERMANENTES. IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO DE 
RETROATIVIDADE “IN MALAM PARTEM” DA LEI PENAL. ATOS DE 
LAVAGEM PRATICADOS QUANDO JÁ ESTAVA EM VIGOR A LEI 9.613/98 
A DESPEITO DE O CRIME ANTECEDENTE TER SIDO PRATICADO 
ANTERIORMENTE. MATERIALIDADE, AUTORIA, TIPICIDADE OBJETIVA 
E SUBJETIVA PROVADAS. CONDENAÇÃO DECRETADA. (...) 3. O crime 
de lavagem de bens, direitos ou valores, quando praticado na 
modalidade típica de “ocultar”, é permanente, protraindo-se sua 
execução até que os objetos materiais do branqueamento se tornem 
conhecidos, razão pela qual o início da contagem do prazo prescricional 
tem por termo inicial o dia da cessação da permanência, nos termos do 
art. 111, III, do Código Penal. (...) 5. Embora não estivesse em vigor a Lei 
9.613/98 quando o crime antecedente (corrupção passiva) foi praticado, os 
atos de lavagem ocorreram durante sua vigência, razão pela qual não há falar 
em retroatividade da lei penal em desfavor do réu. A Lei 9.613/98 aplica-se 
aos atos de lavagem praticados durante sua vigência, ainda que o crime 
antecedente tenha ocorrido antes de sua entrada em vigor (...). (AP 863, 
Relator: Min. EDSON FACHIN, Primeira Turma, julgado em 23/05/2017, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe191 DIVULG 28-08-2017 PUBLIC 29-08-
2017). 
 
Atente-se, ainda, que a lavagem de capitais é delito do tipo plurissubsistente, ou seja, que 
se fraciona em fases, tem iter criminis bem definido e, portanto, admite tentativa. Há, inclusive, 
previsão legal neste sentido: 
Art. 1º, § 3º A tentativa é punida nos termos do parágrafo único do art. 14 do 
Código Penal. 
 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 24 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
(TJ-RS - Juiz - FAURGS - 2022): Em uma sociedade por ações "A", dois 
executivos desenvolvem estratégia para obter importante contrato com uma 
sociedade de economia mista “M”. Eles decidem que a maneira mais 
“eficiente” de o conseguir é procurar um diretor da empresa “M” e oferecer-
lhe 10% do valor do contrato. O valor equivalente a essa porcentagem seria 
repassado a uma conta de uma empresa "fantasma", em nome de "laranja", 
para que depois pudesse ser reinvestido no mercado de bitcoins. E assim foi 
feito. Nesse cenário global, pode-se identificar o cometimento dos seguintes 
crimes corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Correto. 
 
(MPE-MS - Promotor - Instituto AOCP - 2022): O crime de lavagem de bens, 
direitos ou valores, quando praticado na modalidade típica de ocultar, é 
permanente, protraindo-se sua execução até que os objetos materiais do 
branqueamento se tornem conhecidos. Correto. 
 
(PC-ES - Delegado - CESPE - 2022): A modalidade de ocultar a propriedade 
de bens provenientes diretamente de infração penal é conduta de natureza 
permanente, até que os objetos materiais da lavagem se tornem conhecidos. 
Correto. 
 
(PGE-CE - Procurador - CESPE - 2021): Por constituir crime 
unissubsistente, a tentativa é impunível. Errado. 
11. TIPO SUBJETIVO 
No Brasil, o crime de lavagem de capitais é punido, unicamente, a título de dolo, seja ele 
direto (resultado pretendido) ou eventual (assumidos riscos de produção do resultado). 
 Não se admite, portanto, punição a título de culpa. 
11.1. DOLO EVENTUAL 
Para se afirmar que o crime não admite dolo eventual, é preciso verificar a redação do tipo 
penal, porque, por vezes, o próprio texto do dispositivo já afasta a possibilidade do dolo eventual. 
Cita-se, como exemplo, o art. 339 (denunciação caluniosa) e art. 180 (receptação), ambos do CP. 
O mesmo raciocínio deve ser aplicado aos crimes de Lavagem de Capitais. Em regra, os 
crimes de Lavagem de Capitais são punidos tanto a título de dolo direto quanto eventual, salvo o 
crime do art. 1º, § 2º, inciso II, da Lei 9.613/98, que prevê a punição apenas a título de dolo direto. 
Art. 1o, § 2o Incorre, ainda, na mesma pena quem 
II - participa de grupo, associação ou escritório tendo conhecimento de que 
sua atividade principal ou secundária é dirigida à prática de crimes 
previstos nesta Lei. 
11.2. CASO DO BANCO CENTRAL DE FORTALEZA (TEORIA DA CEGUEIRA 
DELIBERADA) 
 
 
CS - LAVAGEM DE CAPITAIS - 2025.1 25 
 
No Banco Central de Fortaleza foi subtraída a quantia de R$ 164.755.150,00 em espécie. 
Para retirar o dinheiro de Fortaleza, os criminosos utilizaram várias estratégias, destacando-se, 
entre elas, a ideia de rechear veículos com notas de R$ 50,00 e R$ 100,00. Onze automóveis 
importados foram adquiridos de uma concessionária, num sábado, pela totalidade de R$ 
980.000,00, pagos em notas de R$ 50,00 transportadas em sacos de nylon. Deixaram os 
criminosos, ainda, a quantia de R$ 250.000,00 para futuras compras, já que não havia carros o 
suficiente. 
Nesse caso, utilizou-se a denominada “Teoria da Cegueira Deliberada” (willfull blindness), 
posteriormente, aproveitada em outros eventos envolvendo Lavagem de Capitais. 
A primeira decisão do Juiz de 1ª Instância condenou os empresários da loja pelo crime de 
lavagem, fundamentada na obrigação dos empresários de comunicar essa operação suspeita. Não 
o fazendo, assumiram o risco de produzir o resultado (dolo eventual), com base na Teoria da 
Cegueira Deliberada. 
A Teoria da Cegueira Deliberada

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