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MICROBIOLOGIA, 
IMUNOLOGIA E 
PARASITOLOGIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Catalina Yumi Masuda Nishi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A palavra imunologia deriva do latim immunis, que significa “isento, livre 
de carga”. Essa ciência surge a partir da microbiologia. A imunologia é o ramo 
da biologia que estuda os mecanismos e reações de defesa que conferem 
resistência às doenças. O sistema que realiza a defesa contra o ataque 
constante de microrganismos é chamado de sistema imunológico, o qual é 
fundamental para a sobrevivência do organismo e, por isso, precisa atuar de 
forma eficiente. É uma ciência relativamente recente, e seu começo é atribuído 
a Edward Jenner, que demonstrou a proteção induzida pelo vírus da varíola 
bovina (cowpox) contra a varíola humana (smallpox), processo que denominou 
vacinação. Não entanto, há relatos do uso de crostas secas das pústulas da 
varíola pelos chineses na Antiguidade, processo denominado de variolação. 
Com a identificação de vários agentes etiológicos no período final do século XIX, 
a era dourada da microbiologia, os médicos já haviam observado que os 
sobreviventes de doenças infecciosas, mesmo no caso da varíola, tornavam-se 
resistentes (imunes) àquela doença, processo conhecido como imunização 
natural. Pasteur desenvolveu a vacina antirrábica e demonstrou que a 
imunização também poderia ser obtida mediante exposição a um microrganismo 
inativado, atenuado ou morto (como no caso da raiva) ou semelhantes (produzir 
a doença similar em outra espécie), como no caso da varíola e tuberculose, 
conservando a propriedade de imunização. No entanto, ele tinha pouco 
conhecimento sobre os mecanismos envolvidos no processo de imunização. 
Alguns anos mais tarde, Emil von Behring e Shibasaburo Kitasato demonstraram 
a presença de proteínas no soro de animais imunizados contra difteria e tétano 
que, quando transferidas para o sangue de outros animais, eram capazes de 
protegê-los contra as toxinas produzidas dessas bactérias. Tais proteínas, 
conhecidas como antitoxinas, foram batizadas de anticorpos, e o processo de 
imunização obtido pela administração do soro de animais imunes denominou-se 
soroterapia. Pouco depois, Elie Metchnikoff demonstrou células capazes de 
engolir microrganismos, que foram denominadas de fagócitos. E assim a 
imunologia foi avançando e evoluindo. 
A história da imunologia no Brasil coincide com o princípio dessa área no 
velho mundo. Em 1941, foi publicado no Brasil o primeiro livro educacional de 
imunologia, escrito pelo bacteriologista e imunologista Otto Guilherme Bier 
 
 
3 
(professor da Escola Paulista de Medicina, pesquisador do Instituto Biológico de 
São Paulo). Em 1960, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o 
campo da imunologia como perspectiva para o controle de doenças 
infectocontagiosas nas áreas de diagnóstico e de imunização. A OMS propõe 
linhas de ação como: atividades de formação e treinamentos com parcerias 
internacionais; estabelecimento de centros mundiais de referência em 
imunologia; inserção da imunologia como disciplina no currículo das escolas de 
medicina; estabelecimento de protocolos comuns. Para o programa de pesquisa, 
viu-se a necessidade de formar imunologistas. Foram criados, então, centros de 
formação e pesquisa em Ibadan, Nigéria (para África), em São Paulo, Brasil, e 
Cidade do México, México (para América Latina) e em Cingapura (para o sudeste 
Asiático e Pacífico Ocidental) sob a coordenação do Centro de Lausanne, Suíça. 
Esse programa possibilitou a troca de experiências entre esses professores de 
centros de excelência científica e demais pesquisadores e grupos de pesquisa 
brasileiros, o que levou ao crescimento da imunologia no Brasil. Conhecer a 
história da ciência, criada nos anos de pioneirismo da biomedicina experimental 
no Brasil, nos mostra uma rede interconectada de influências, conhecimentos 
compartilhados, idealismo e comprometimento humanístico que atualmente 
anda ausente, provavelmente pela noção competitiva induzida pelos países 
desenvolvidos. A interação entre diferentes áreas, respeitando e trabalhando 
com pessoas diferentes, não é uma utopia – pelo menos no Brasil, como 
demonstra a história da ciência no país. 
Nesta aula, abordaremos os conceitos básicos do sistema imune: seus 
componentes, sua função geral, seus mecanismos de ação e sua regulação. 
 Objetivo geral: reconhecer as células, tecidos, órgãos e substâncias 
químicas que atuam nas reações de defesa do organismo. 
 Objetivos específicos: Compreender a função geral do sistema 
imunológico, bem como as células, tecidos e órgãos que o compõe; 
identificar o papel das imunoglobulinas no sistema imunológico; explicar 
a histocompatibilidade e sua relação com o transplante de tecidos e 
órgãos; ilustrar a relação antígeno-anticorpo no organismo; reconhecer 
como ocorre a regulação da resposta imune no organismo. 
 
 
 
4 
TEMA 1 – SISTEMA IMUNE: FUNÇÕES, CÉLULAS E TECIDOS 
Todos os organismos estão continuamente expostos a substâncias, 
microrganismos capazes de causar danos e infecções (Figura1). 
Figura 1 – Diferentes grupos de microrganismos patogênicos 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
A maioria possui sistemas de proteção e defesa que trabalham de várias 
formas, como barreiras físicas impedindo a invasão ou químicas repelindo os 
invasores. Os animais vertebrados possuem esses mecanismos de proteção 
geral, mas também têm outras formas com sistemas de proteção avançados 
chamado de sistema imune. O sistema imune humano é um dos mais 
complexos. Evoluiu para proteger o hospedeiro contra os múltiplos 
microrganismos patogênicos que também estão em continua evolução. Esse 
sistema ajuda o hospedeiro também a eliminar substâncias tóxicas que 
penetram pelas mucosas, sendo de crucial importância a habilidade de identificar 
o próprio do não próprio ou estranho. O sistema possui a capacidade de resposta 
rápida contra microrganismos invasores, assim como também de uma resposta 
 
 
5 
mais lenta específica e duradoura. Esse sistema compreende um conjunto de 
diferentes células (Figura 2), tecidos, órgãos (Figura 3) e moléculas como os 
componentes do sistema do complemento (Figura 4) que trabalham em conjunto 
para combater infecções, dano celular e doenças. O Sistema do Complemento 
consiste de uma série complexa de proteínas na sua maioria enzimas que atuam 
como mediadores das respostas imune e inflamatória. 
Quadro 1 – Componentes do sistema imune 
 
Figura 2 – Células do sistema imune 
 
Crédito: Extender/Shutterstock. 
 
 
6 
 
Figura 3 – Órgãos do sistema imune 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
Figura 4 – Sistema do complemento 
 
Crédito: Ellepigrafica/Shutterstock 
 
 
7 
As linhas de defesa que o corpo tem incluem: barreiras físicas; glóbulos 
brancos ou leucócitos; produtos celulares e outras moléculas; órgãos e tecidos 
linfoides. A primeira linha de defesa contra invasores são barreiras físicas ou 
mecânicas: a pele, a córnea nos olhos, as membranas que revestem os tratos 
respiratório, digestório, urinário e reprodutivo; enquanto permanecerem intactas, 
muitos invasores não conseguem ultrapassá-las. Além de barreiras físico-
mecânicas, as secreções dessas barreiras possuem enzimas e outras moléculas 
que podem destruir alguns microrganismos. Os leucócitos originam-se a partir 
das células tronco progenitoras da medula óssea, onde muitas evoluem para a 
fase adulta, os granulócitos, monócito/macrófago, células dendríticas e 
mastócitos derivam do progenitor mieloide, e o progenitor linfoide dá origem aos 
linfócitos. Sua linha de defesa apresenta dois tipos de resposta: uma não 
específica, porém rápida, chamada de resposta imune inata ou imunidade inata, 
e uma resposta imune adaptativa ou imunidade adaptativa que exige prévia 
exposição (característica explorada na imunização); portanto, uma resposta 
específica e duradoura,porém, mais lenta. Os dois tipos de resposta inata e 
adaptativa interagem diretamente ou por meio de moléculas que atraem ou 
ativam outras células do sistema imune, como as proteínas do sistema do 
complemento, as citocinas (que são os mensageiros) e os anticorpos. Os órgãos 
e tecidos linfoides são tecidos organizados que contêm grandes quantidades de 
linfócitos em um ambiente de células não linfoides, sendo classificados como 
primários, nos quais as células são produzidas e/ou se multiplicam: a medula 
óssea (origem, produção e maturação para algumas células) e o timo (onde os 
linfócitos T se diferenciam e multiplicam; essas células são essenciais para a 
resposta adaptativa); e secundários: o baço (filtra o sangue de detritos celulares, 
células danificadas, e patógenos; ajuda na maturação dos linfócitos); nódulos 
linfáticos (distribuídos ao longo dos vasos linfáticos, sua principal função é a 
filtragem da linfa e auxiliar a na construção da resposta imune); rede linfática 
(sistema de vasos que coletam líquido intersticial, passando-se a chamar linfa, 
direcionada para os nódulos linfáticos para serem filtrados e retornar para o 
sangue); os tecidos linfoides associados à mucosas (anel de Waldeyer, BALT, 
GALT, placas de Peyer, tecido linfático urogenital; todas contêm grande número 
de linfócitos). 
A resposta imune inata é encontrada nos vertebrados, invertebrados e em 
plantas, e seu mecanismo básico de regulação é conservado. Uma vez que 
 
 
8 
microrganismos invasores ultrapassam as barreiras físicas, as células 
envolvidas na resposta inata (neutrófilo, eosinófilo, basófilo, 
monócito/macrófago, células dendríticas e células NK – natural killer) devem 
diferenciar o próprio e não próprio, e na imunidade inata baseia-se no 
reconhecimento de moléculas particulares que são comuns para muitos 
patógenos e ausentes no hospedeiro. Essas moléculas associadas aos 
patógenos estimulam respostas de fagocitose e inflamação. O sistema do 
complemento, que consiste de cerca de 20 proteínas interativas, realça a 
habilidade dos fagócitos para identificar e eliminar os patógenos (processo 
chamado de opsonização – do grego opson, que significa tempero). 
A imunidade adaptativa é ativada quando a imunidade inata é insuficiente. 
Sem a informação fornecida pela imunidade inata, não seria possível a resposta 
imune adaptativa. Existem 3 tipos de linfócitos: (1) células B, quando ativadas 
por um antígeno específico, produzem os anticorpos ou imunoglobulinas; (2) 
células T em suas diferentes classes: linfócito T auxiliador (que expressa o 
marcador de superfície CD4), atua modulando a resposta imune, contribuindo na 
ativação das células B ou células T citotóxicas quando necessárias; Linfócito T 
regulador; linfócito T citotóxico (que expressa o marcador de superfície CD8), 
que é ativado para eliminação de células infectadas ou reconhecidas como não 
próprias; célula NKT; célula T de memória (Figura 5); (3) célula NK – natural 
killer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
Figura 5 – Ação e ativação da resposta imune pela célula auxiliadora Th 
 
Crédito: Alila Medical Media/Shutterstock. 
Os linfócitos são as principais células ativas na imunidade adaptativa. Os 
outros componentes são as células APC, ou apresentadoras de antígenos 
(sendo antígeno toda substância com capacidade de desencadear uma resposta 
imune), como os macrófagos e as células dendríticas, que fagocitam o agente 
invasor e apresentam aos linfócitos uma parte para reagir especificamente. Há 
dois tipos de resposta adaptativa: a resposta imune humoral (mediada por 
linfócitos B e anticorpos) e a resposta imune celular (mediada pelos linfócitos T). 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Figura 6 – Imunidade humoral e imunidade celular 
 
Crédito: Ellepigrafica/Shutterstock. 
As fases da resposta imune são: o reconhecimento na qual é necessário 
identificar o invasor e diferenciar o próprio do não próprio (toda célula possui 
moléculas específicas – antígenos – na superfície), e nos humanos, as 
moléculas mais importantes de identificação própria são chamadas de antígenos 
leucocitários humanos (HLA) ou complexo principal de histocompatibilidade 
(MHC); a ativação e mobilização, fase na qual os linfócitos são ativados quando 
reconhecem o invasor; a regulação, quando a resposta deve ser controlada para 
prevenir o dano excessivo; e a resolução, que implica o confinamento do invasor 
e sua eliminação. 
TEMA 2 – IMUNOGLOBULINAS 
Em 1890, von Behring e Kitasato reportaram a existência de um agente 
no sangue que poderia neutralizar a toxina da difteria. No ano seguinte, 
referiram-se ao agente como anticorpo, e os estudos mostraram a habilidade do 
anticorpo de discriminar entre duas substâncias. A substância que induzia a 
produção do anticorpo foi chamada de antígeno (uma contração de 
Antisomatogen e Immunkorperbildner). Em 1939, Tiselius e Kabat utilizaram a 
 
 
11 
eletroforese para separar o soro imunizado em albumina, alfa-globulina, beta-
globulina e gamma-globulina, e os anticorpos encontraram-se na fração gamma. 
Mais de 100 anos de pesquisas na estrutura e função dos anticorpos enfatizam 
a natureza complexa destas glicoproteínas globulares com função imunitária 
denominadas imunoglobulinas. Cada molécula de imunoglobulina (Ig) é 
constituída por 2 cadeias polipeptídicas pesadas idênticas e duas cadeias 
polipeptídicas leves ligadas por pontes dissulfeto, em formato de Y. Análises das 
cadeias polipeptídicas revelaram que estão compostas por uma região altamente 
variável (amino terminal) e uma região constante (carboxi terminal). A região V 
variável é responsável pelo reconhecimento antigênico (também conhecida 
como porção Fab – do inglês antigen binding fragment – porção de ligação aos 
antígenos), enquanto que a região constante ou C (Fc) é responsável por várias 
funções efetoras como fixação do complemento e outros receptores celulares do 
sistema imune, uma molécula bifuncional (Figura 7). A imunoglobulina individual 
liga-se a um número limitado de antígenos, mas as imunoglobulinas como 
população podem se ligar a um número ilimitado de antígenos. Essa propriedade 
de ligação ajustável depende de mecanismos complexos de rearranjo que 
alteram o DNA das células B. 
 
 
 
12 
Figura 7 – Estrutura em Y da Imunoglobulina 
 
Crédito: Soleil Nordic/Shutterstock. 
As imunoglobulinas são produzidas pelos linfócitos B, quando ativados 
por um antígeno, e diferenciam-se em células plasmáticas B para produzir os 
anticorpos específicos essenciais na imunidade humoral. Existem 5 classes de 
imunoglobulinas, cada uma com um papel distinto na resposta imune. A Ig G, 
que constitui a maioria das imunoglobulinas circulantes, é produzido do meio 
para o final de uma nova infecção. Ela atravessa a barreira placentária, pode 
ativar o sistema do complemento e marcar o patógeno fazendo-o visível para os 
fagócitos. Ig M é uma molécula grande: contém 5 seções em Y com capacidade 
de ligar ou aglutinar rapidamente vários patógenos, e é o primeiro anticorpo a 
ser produzido, evitando a disseminação do patógeno. É também o responsável 
pela reação de incompatibilidade entre os grupos sanguíneos. Ig A é o anticorpo 
encontrado em todos os fluidos corporais, como saliva, lágrimas, suor, muco, e 
evita a entrada e infecção nos típicos lugares de entrada. Ig D tem seu papel na 
 
 
13 
resposta imune desconhecido; essas moléculas localizam-se na superfície de 
membranas de linfócitos B maduros. Ig E tem um papel importante na defesa 
contra infecções parasitárias como vermes, e também são responsáveis pelas 
reações alérgicas. Ligam-se aos mastócitos que são as células responsáveis 
pelos sintomas típicos de alergia (Figura 8). 
Figura 8 – Classes de Imunoglobulinas 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
As imunoglobulinas ou anticorpos atuam de 3 formas principais: 
neutralizando o patógeno; ativando outras células dedefesa, como os fagócitos; 
e ativando o sistema do complemento que pode causar dano à parede celular do 
patógeno diretamente, dilatando os vasos sanguíneos e dando suporte à reação 
inflamatória. Muitos componentes do sistema podem ainda atrair as células de 
defesa para o local de infecção. As imunoglobulinas são um dos produtos 
sanguíneos mais usados na prática clínica. 
TEMA 3 – HISTOCOMPATIBILIDADE 
Literalmente, histocompatibilidade é a compatibilidade entre células, 
tecidos e órgãos. No genoma humano foi identificada uma região que codifica, 
 
 
14 
para moléculas expressadas na superfície das células nucleadas, uma região 
variável e comum a todos os vertebrados, inicialmente relacionada com a 
rejeição a tecidos transplantados, conhecida como complexo principal de 
histocompatibilidade (MHC, do inglês major histocompatibility complex). Sabe-
se agora que tem papel importante no sistema imunológico e na determinação 
da identidade biológica de cada um. Uma das funções do sistema imune 
adaptativo é o reconhecimento do próprio e do externo. O MHC codifica para um 
grupo de proteínas antígenos uma marca única de identidade das células. Esses 
genes pertencem ao sistema de antígenos leucocitários humanos HLA (do inglês 
human leukocyte antigen) e codificam as principais moléculas encarregadas da 
apresentação do antígeno para as células do sistema imunológico que, se são 
identificadas como externas, constroem uma resposta para eliminá-lo. A 
identidade HLA é composta de vários genes agrupados na mesma região no 
cromossomo 6. Cada gene possui uma grande diversidade de alelos, por isso é 
difícil encontrar dois indivíduos com o mesmo grupo de genes. A grande 
complexidade nos transplantes é encontrar essa compatibilidade entre doador e 
receptor. Em 1964, o Dr. Terasaki desenvolveu o teste de microcitotoxicidade, 
um teste de tipagem de tecidos entre o doador e receptor, e em 1970 esse teste 
tornou-se padrão para transplantes. Há também a tipagem cruzada, exame para 
detectar a presença de anticorpos pré-formados específicos para os antígenos 
do doador. O desenvolvimento de técnicas moleculares de alta precisão permitiu 
a identificação de alelos e revelou incompatibilidades antes não observadas. 
Estudos mostraram que há existência de duas moléculas codificadas pelo 
MHC, moléculas classe I e classe II. As moléculas MHC I são encontradas em 
todas as células nucleadas e os antígenos são apresentados aos linfócitos 
citotóxicos CD8, enquanto que as MHC II encontradas somente nas células 
apresentadoras de antígenos (dendríticas, macrófagos, linfócitos B e outras) e 
os antígenos são apresentados aos linfócitos T auxiliador CD4. Somente após a 
descoberta de como o receptor de célula T reconhece o antígeno foi entendida 
a participação do MHC no sistema imune. Alguns aspectos importantes do MHC: 
apesar de ter um grau alto de polimorfismo de espécies, um indivíduo pode ter 
um máximo de 6 diferentes produtos MHC classe I e ligeiramente um pouco mais 
de MHC classe II; cada molécula MHC tem somente um sítio de ligação; de todos 
os diferentes peptídeos que uma molécula MHC pode ligar, todos se ligam no 
mesmo sítio, um de cada vez; cada molécula MHC pode ligar muitos diferentes 
 
 
15 
peptídeos se considera não específico; o polimorfismo é por linha germinal, não 
há mecanismos de recombinação para gerar diversidade; as moléculas MHC 
estão ligadas à membrana, e para reconhecimento exige contato célula-célula; 
o peptídeo deve se associar a uma molécula MHC, caso contrário não 
desencadeia uma resposta imune, esse é um nível de controle; as células T 
maduras devem ter o receptor de célula T para reconhecerem o peptídeo; esse 
é o segundo nível de controle; citocinas como o interferon aumentam a 
expressão das MHC. Esse poderoso mecanismo genético gera a variação vista 
entre os alelos MHC, sendo crucial para o sistema imunológico manter a 
variedade de moléculas para a defesa ante os agentes infecciosos. 
TEMA 4 – REAÇÃO ANTÍGENO-ANTICORPO 
O antígeno e o anticorpo combinam-se especificamente, interação 
chamada de reação antígeno-anticorpo (Ag-Ac), base da imunidade humoral ou 
imunidade mediada por anticorpos. A reação também é utilizada para 
diagnóstico; quando ocorre in-vitro, é chamada de reações sorológicas. A reação 
acontece em três fases: a formação do complexo Ag-Ac; efeitos, visíveis como 
aglutinação e precipitação; e destruição do agente ou sua neutralização. A 
especificidade refere-se à habilidade de um anticorpo reagir somente com um 
único antígeno, formando o complexo antígeno-anticorpo. O complexo antígeno-
anticorpo leva à inflamação, ativação do sistema do complemento e opsonização 
(do grego opson, “tempero”, deixando o complexo ou o antígeno mais 
reconhecível) do agente, deixando-os expostos aos fagócitos. A natureza das 
reações é no sistema de chave e fechadura (o sítio de combinação de um 
anticorpo é localizado na porção Fab da molécula e é construído a partir de 
regiões hipervariáveis de cadeias pesadas e leves). As ligações são não 
covalentes (elas incluem pontes de hidrogênio, ligações eletrostáticas, forças de 
Van der Waals e hidrofóbicas). Uma vez que são ligações não covalentes, são 
reversíveis. A afinidade é a força de ligação de um único determinante antigênico 
com o sítio de ligação no anticorpo, e a avidez e a medida de força total de 
ligação contendo muitos determinantes antigênicos e anticorpos multivalentes. 
A reatividade cruzada refere-se à habilidade de um sítio de combinação de 
anticorpo em particular de reagir com mais de um determinante antigênico. As 
reações antígeno-anticorpo in-vivo incluem aglutinação, precipitação, fixação do 
complemento, neutralização e citotoxicidade-anticorpo-dependente. As reações 
 
 
16 
in-vitro incluem: aglutinação/hemaglutinação, precipitação, neutralização, 
fixação do complemento, técnica de anticorpo fluorescente, ELISA (Enzyme 
linked immuno sorbent assay), raioimunoensaio e imunocromatografia. Dentro 
das aplicações das reações antígeno-anticorpo, temos: diagnóstico (detectando 
a presença ou do antígeno ou do anticorpo específico), medições da severidade 
e estágio da doença (identificando a classe de anticorpo circulante, ou a 
quantidade de antígenos circulantes), medição da resposta ao tratamento e 
epidemiologia. 
TEMA 5 – REGULAÇÃO DA RESPOSTA IMUNE 
O sistema imune tem evoluído para permitir uma resposta efetiva contra 
agentes patogênicos e não patogênicos enquanto evita a autoimunidade. O 
equilíbrio tem se conseguido devido ao complexo mecanismo de sinais 
estimulatórios e inibitórios que contribuem para a regulação da resposta imune. 
Sinais coestimulantes positivos são essenciais para a ativação, montagem e 
execução da resposta imune, enquanto que sinais de regulação negativa são 
críticos para a terminação da resposta imune, para a tolerância periférica e para 
evitar dano tisular induzido pela inflamação. Assim, quando os mecanismos de 
discriminação antigênica do que é próprio e externo (self/no self) falham, ou 
quando a invasão do patógeno não é controlada, o sistema imune começa a 
destruir células e tecidos do corpo, consequentemente causando doenças 
autoimunes e síndromes crônicas. Apesar de termos dividido para efeitos 
didáticos o sistema imunológico, todos os componentes e tipos de respostas 
atuam em colaboração para o sucesso da eliminação do agente que 
desencadeiou a resposta. Mencionaremos vários mecanismos de regulação: (a) 
pelo antígeno/antígenos de superfície; (b) pelo anticorpo; (c) pela célula T 
reguladora; (d) por mecanismos neuroendócrinos; (e) alguns aspectos 
genéticos. 
a. Pelo antígeno, que exerce a regulação pela permanência, quantidade, 
natureza e via de entrada no organismo. Quantidades muito altas ou muito 
baixas do agente podem levar à tolerância. A natureza (proteica, lipídica 
etc.) influencia no processamento e reconhecimentopelos receptores 
celulares do sistema imune (como com as APC, células apresentadoras 
de antígenos). A via de entrada também influencia; existem alguns 
 
 
17 
agentes que, por via oral ou intravenosa, levam à tolerância, enquanto 
que por via intramuscular ou subcutânea geram imunidade (característica 
explorada na forma de ministrar algumas vacinas). A regulação pelos 
antígenos de superfície e a apropriada apresentação do antígeno para os 
linfócitos são essenciais para a proliferação e diferenciação dessas 
células imunitárias, caso contrário as células entram em anergia (não 
funcionais). A evolução do entendimento da sinalização e coestimulação 
das citocinas e do papel do MHC na resposta imune para seu estímulo e 
para sua regulação dentro da apresentação dos antígenos e em outros 
níveis, inibindo ou estimulando as diferentes células, por competição de 
sítios de ligação, estimula a apoptose celular ou estimula a morte induzida 
por células T citotóxicas. 
b. Regulação pelos anticorpos: anticorpos circulantes podem exercer 
atividade regulatória por competição pelo antígeno entre o anticorpo e o 
receptor de membrana de célula B, ou via regulação negativa de 
anticorpos. Com base nesses mecanismos de regulação, podem ser 
pensadas formas de uso terapêutico, como, por exemplo, anticorpos 
neutralizantes anti-Rh para a prevenção da eritroblastose fetal (doença 
hemolítica causada pela incompatibilidade do sistema Rh do sangue da 
mãe e do feto, que se manifesta quando a mãe é Rh negativa e o feto é 
Rh positivo). Outro mecanismo é a teoria da rede idiotípica imunológica, 
que postula que para cada clone de linfócito B se produza um clone de 
anticorpo contendo um idiotipo (consiste nas diferenças encontradas nas 
Ig na parte hipervariável das cadeias pesada e leve, que são próprias das 
moléculas de anticorpos pertencentes a um clone em particular) e 
anticorpos Anti-idiotipo, que regulariam a síntese de novas 
imunoglobulinas. Na clínica, anticorpos monoclonais anti-idiotipo têm sido 
utilizados com algum sucesso no tratamento de linfoma das células B e 
leucemias de células T. 
c. A regulação pelos linfócitos T e suas citocinas. As T reguladoras, 
conhecidas como Treg, podem ser divididas em 2 grupos: as Treg naturais 
e as Treg constitutivas, induzidas à periferia (Th 2 produtoras de IL10 – 
interleucina 10 citocina que contribui para a não produção de indução de 
tolerância gastrointestinal; Th 3 produtora de TGF-β – do inglês 
Transforming growth factor, ou fator de transformação de crescimento, 
 
 
18 
citocina que controla a proliferação, diferenciação e função celular como 
na ativação da NKT). Cada grupo de células T tem um perfil diverso na 
produção de citocinas, que as identifica além de funções efetoras; 
regulam negativamente o desenvolvimento de outras células T (o INFγ – 
interferon gamma – produzido pelo Th 1 pode atuar como regulador, 
inibindo o desenvolvimento do Th 2 célula T auxiliadora 2, do inglês helper 
T Cell). 
d. Fatores neuroendócrinos, idade e alimentação também interferem no 
sistema imunológico. O cortisol e glicocorticoides são potentes 
imunossupressores (estimulam citocinas do padrão Th 1, inibindo 
diversas funções do sistema imune). O estado nutricional influencia 
devido à necessidade de vários nutrientes específicos para sua 
apropriada maturação de alguns componentes (vitamina D participa da 
maturação das células dendríticas, e o ácido retinoico derivado da 
vitamina A participa da geração das células T reguladoras). 
e. Existem determinados polimorfismos que podem levar a uma maior ou 
menor susceptibilidade para algumas doenças. Como a associação 
encontrada entre alguns HLA e doenças autoimunes, como no caso de 
espondilite anquilosante (doença inflamatória crônica que afeta 
articulações do esqueleto axial, especialmente coluna, ombros, quadril e 
joelhos, sem causa conhecida) e HLA B27; e a artrite reumatoide e o HLA 
DR4. 
O sistema imune é um sistema complexo, que evolui constantemente para 
manter o equilíbrio entre a capacidade de gerar células T efetoras que consigam 
controlar a invasão dos patógenos e preservar a tolerância, e ainda guardar a 
memória para o caso de ter um reencontro com o mesmo patógeno. 
NA PRÁTICA 
Leia o seguinte artigo seguinte e elabore um quadro comparando dos 
mecanismos de resposta imune para as infecções mencionadas: 
MACHADO, P. R. L et al. Mecanismos de resposta imune às infecções. Rev. 
Bras Dermatol. Rio de Janeiro, n. 79, v. 6, 2004, p. 647-664. Disponível em: 
. Acesso em: 11 out. 2019. 
 
 
19 
Leia o seguinte artigo e elabore um roteiro escolhendo uma das respostas 
imunes, tendo como exemplo o lido no artigo: 
ALVES, K. T. et al. O uso de história em quadrinhos no ensino de imunologia 
para educação básica de nível médio. Revista Inter Ação. n. 41, 2006. 
Disponível em: . Acesso em: 11 out. 2019. 
a. Pesquise sobre o sistema do complemento e sua colaboração na resposta 
imune e na inflamação; 
b. Pesquise a diferença entre a célula NK e a célula NKT e seu papel na 
imunidade e na doença; 
c. Pesquise as diferenças entre os receptores de membrana da célula B e 
célula T. 
Leituras complementares 
ALVES, C. et al. O papel do complexo principal de histocompatibilidade na 
fisiologia da gravidez e na patogênese de complicações obstétricas. Disponível 
em: . Acesso em: 11 out. 
2019. 
FERNANDES, A. P. M. et al. Como entender a associação entre HLA e doenças 
autoimunes. Disponível em: 
 Acesso em: 11 out. 2019. 
FORTES, M. R. P. et al. Imunologia da paracoccidioidomicose. Disponível em: 
. Acesso em: 11 out. 2019. 
Vídeos 
Assista aos seguintes vídeos: 
 HOW DOES your immune system work? - Emma Bryce. TED-Ed, 8 jan. 2018. 
Disponível em: . Acesso 
em: 15 out. 2019. 
 THE IMMUNE System Explained I – Bacteria Infection. Kurzgesagt – In a 
Nutshell, [S.d.]. Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2019. 
 IMMUNE System: Innate and Adaptive Immunity Explained. Science ABC, 26 
jul. 2018. Disponível em: . 
Acesso em: 15 out. 2019. 
https://www.researchgate.net/publication/312277502_O_USO_DE_HISTORIA_EM_QUADRINHOS_NO_ENSINO_DE_IMUNOLOGIA_PARA_EDUCACAO_BASICA_DE_NIVEL_MEDIO
https://www.researchgate.net/publication/312277502_O_USO_DE_HISTORIA_EM_QUADRINHOS_NO_ENSINO_DE_IMUNOLOGIA_PARA_EDUCACAO_BASICA_DE_NIVEL_MEDIO
https://www.researchgate.net/publication/312277502_O_USO_DE_HISTORIA_EM_QUADRINHOS_NO_ENSINO_DE_IMUNOLOGIA_PARA_EDUCACAO_BASICA_DE_NIVEL_MEDIO
http://www.scielo.br/pdf/rbsmi/v7n4/a02v7n4.pdf
http://www.scielo.br/pdf/abem/v47n5/a15v47n5.pdf
http://www.scielo.br/pdf/abd/v86n3/v86n3a14.pdf
 
 
20 
 COMO os parasitas alteram o comportamento de seus hospedeiros - Jaap de 
Roode. TED-Ed, 9 mar. 2015. Disponível em: 
. Acesso em: 15 out. 
2019. 
ANTIBODIES and bacteria. Fernsalini, [S.d.]. Disponível em: 
. Acesso em: 15 out. 
2019. 
CELLS At Work : Best Moments Episode 8 "Blood Circulation". Vedrai: Hataraku 
Saibou, 25 ago. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 15 out. 2019. 
FINALIZANDO 
Trabalhamos nesta aula os componentes do sistema imunológico, as 
respostas imunes, os anticorpos/imunoglobulinas, o complexo principal de 
histocompatibilidade (MHC), as reações antígeno-anticorpo e a regulação da 
resposta imune.

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