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MICROBIOLOGIA, 
IMUNOLOGIA E 
PARASITOLOGIA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Catalina Yumi Masuda Nishi 
 
 
2 2 
CONVERSA INICIAL 
Desde o início da vida no planeta, o metabolismo microbiano tem sido um 
dos pilares no desenvolvimento e manutenção da biosfera. Os organismos 
procariontes têm a capacidade de metabolizar uma grande variedade de matéria 
orgânica e inorgânica, de moléculas complexas como celulose a moléculas 
inorgânicas e íons como o nitrogênio atmosférico (N2), íons de ferro, de 
manganês e enxofre, entre outros. Os microrganismos convertem moléculas 
variadas em compostos prejudiciais ou essenciais para a sobrevivência de 
outros organismos. O conhecimento das vias metabólicas dos microrganismos 
permite: o entendimento dos processos infecciosos; o desenvolvimento de 
métodos de diagnóstico e controle destes; a exploração econômica dos 
microrganismos e seus produtos; e o desenvolvimento de métodos de controle 
dos processos de deterioração de materiais. 
Nesta aula, abordaremos aspectos do metabolismo, nutrição, cultivo dos 
microrganismos e formas de controle através de diferentes métodos. 
Nosso objetivo geral é reconhecer aspectos da forma, estrutura, 
reprodução, fisiologia, metabolismo e identificação dos seres microscópicos, 
como vírus, bactérias e fungos, compreendendo suas relações recíprocas e com 
outros seres vivos, seus efeitos benéficos e prejudiciais sobre os homens, 
animais e plantas. 
Já nossos objetivos específicos serão identificar as relações entre a 
estrutura dos vírus, bactérias e fungos e seus respectivos metabolismos; 
reconhecer as práticas de culturas de bactérias e fungos para estudo em 
laboratório; identificar as principais técnicas de controle de microrganismos 
físicos e químicos; analisar os principais programas nacionais de controle de 
microrganismos; proceder à leitura de artigos sobre a ação de antibióticos e a 
relação do uso indiscriminado desses medicamentos com a resistência 
bacteriana. 
TEMA 1 – METABOLISMO MICROBIANO: ANABOLISMO E CATABOLISMO 
DE BACTÉRIAS, FUNGOS E VÍRUS 
Os organismos vivos são de certa forma máquinas químicas, e os 
processos celulares de manutenção e reprodução seguem uma série de reações 
químicas interconectadas denominadas de vias metabólicas. Basicamente, 
 
 
3 3 
existem dois tipos de vias metabólicas: aquelas envolvidas na liberação de 
energia ou exergônicas e na utilização de energia ou endergônicas. O 
anabolismo refere-se às vias endergônicas de biossíntese de moléculas 
complexas a partir de moléculas simples com consumo de energia, enquanto 
que o catabolismo se refere às vias exergônicas de quebra de moléculas 
complexas para moléculas simples com liberação de energia (Figura 1). 
Figura 1 – Resumo do Metabolismo 
 
 A energia molecular armazenada nas ligações das moléculas complexas 
e liberada nas vias exergônicas é coletada em moléculas de alto poder 
energético, como o ATP (adenosina trifosfato), a principal moeda energética 
(Figura 2). 
 
 
 
4 4 
Figura 2 – Adenosina trifosfato ATP 
 
Crédito: Designua/Shutterstock. 
A energia armazenada é o combustível para as vias endergônicas. As 
células estão procurando constantemente um balance entre o anabolismo e o 
catabolismo. Sendo assim, os mecanismos de obtenção de energia são os 
mesmos processos de síntese de ATP, o que ocorre pela fosforilação (processo 
de adição de um grupo fosfato num composto) do ADP (adenosina difosfato). A 
fosforilação pode ocorrer: 
• por fosforilação em nível de substrato: adição do fosfato direto de 
molécula a molécula; 
• por fosforilação oxidativa: a energia da oxidação de nutrientes, usada para 
síntese do ATP, ou por meio de reações de oxidação e redução de 
moléculas receptoras e doadoras de forma sequencial chamada sistema 
de transporte de elétrons; 
• por fotofosforilação: energia da luz para a síntese de ATP, como mostrado 
nas figuras 3, 4 e 5. 
 
 
5 5 
Figura 3 – Fosforilação a nível de substrato 
 
Fonte: DownHouseSoftware, 2013. 
Figura 4 – Fosforilação oxidativa 
 
Crédito: Vector Mine/Shutterstock. 
 
 
 
6 6 
Figura 5 – Fosforilação não cíclica 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
As células requerem energia para: (1) biossíntese das partes estruturais 
(parede, membrana e apêndices externos); (2) síntese de enzimas, ácidos 
nucleicos, polissacarídeos, fosfolipídios e outros; (3) reparo de danos e 
manutenção da célula; (4) crescimento e multiplicação; (5) armazenamento de 
nutrientes e excreção de produtos de descarte; (6) mobilidade (nos procariontes, 
a rotação do flagelo é conduzida pela energia da força próton-motiva pela 
passagem de prótons através da membrana citoplasmática; nos eucariontes, os 
cílios e flagelos realizam um movimento vibratório complexo que requer ATP). 
De todos os organismos vivos, os microrganismos procariontes são os 
mais versáteis e diversificados em suas exigências nutricionais e vias 
metabólicas. Todos os organismos vivos requerem fontes carbono e de energia 
e podem ser classificados de acordo com as fontes utilizadas. Segundo a fonte 
de energia, podem ser classificados em: fototróficos, que obtém energia pela 
transferência de elétrons da luz; e quimiotróficos, que obtém energia pela 
transferência de elétrons da quebra de ligações químicas, podendo ser 
organotróficos (de compostos orgânicos) e litotróficos (de compostos inorgânicos 
como o sulfeto de hidrogênio e ferro reduzido, característica exclusiva dos 
microrganismos). 
De acordo com a fonte de carbono, os organismos são classificados em: 
autotróficos, com capacidade de converter moléculas de carbono inorgânico 
 
 
7 7 
(dióxido de carbono – CO2; bicarbonato – HCO3; e outros carbonatos – CO3) em 
compostos orgânicos complexos (bactérias púrpuras, verdes, cianobactérias, 
algas, plantas); e em heterotróficos, que utilizam compostos orgânicos 
previamente produzidos pelos organismos autotróficos. Este grupo inclui a 
maioria dos organismos procariontes e eucariontes. A classificação em tipos 
nutricionais combinando as duas fontes resulta em organismos 
quimioautotróficos ou litoautotróficos, quimio-heterotróficos, fotoautotróficos e 
foto-heterotróficos. 
Os organismos podem obter a energia: 
• pela respiração, via oxidação aeróbia de carboidratos ou de outros 
compostos orgânicos diferentes; 
• pela oxidação aeróbia de compostos inorgânicos; 
• pela respiração anaeróbica; 
• pela fermentação (oxidação anaeróbia) de carboidratos ou aminoácidos; 
• pela fotossíntese (oxigênica e não oxigênica). 
Para a maioria dos eucariontes e procariontes, o catabolismo de 
carboidratos é sua fonte primária de energia, sendo a glicose a fonte mais 
comumente utilizada. A respiração consiste em três etapas: (1) a glicólise é feita 
pela via metabólica de Embdem-Meyerhof-Parnas (EMP), oxidação da glicose 
em ácido pirúvico, no entanto, alguns procariontes usam uma via a alternativa 
chamada via Entner-Douforoff (ED), e para outros, como a bactéria oportunista 
Pseudomonas aeruginosa a via metabólica ED é sua única via de glicólise 
(característica utilizada para identificação); (2) ciclo do ácido tricarboxílico (Ciclo 
de Krebs), em que a energia armazenada em Acetil – CoA (acetil coenzima A) é 
liberada através de uma série de reações de oxidorredução com transferência 
de elétrons a coenzimas transportadoras; (3) cadeia de transporte de elétrons, 
pela transferência de forma sequencial com liberação gradual de energia 
utilizada para geração de ATP. A maioria da energia em ATP resulta por 
fosforilação oxidativa durante a respiração celular (figuras 6 e 7). 
 
 
 
8 8 
Figura 6 – Catabolismo da glicose pelas vias Embdem-Meyerhof-Parnas (EMP) 
e Entner-Douforoff (ED) 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
 
 
 
9 9 
Figura 7 – Respiração aeróbica 
 
Crédito: vector Mine/Shutterstock. 
A cadeia de transporte de elétrons ocorrena parede interna da membrana 
citoplasmática nos procariontes ou nos complexos de proteína especializados da 
membrana interna das mitocôndrias nos eucariontes. Na respiração aeróbica, a 
célula usa o oxigênio como aceptor final dos elétrons. Os organismos 
anaeróbicos usam um sistema de transporte de elétrons alternativo com aceptor 
final dos elétrons inorgânico (NO3, NO2-, SO4, Fe3) ou orgânico (fumarato). A 
variação na composição do sistema de transporte de elétrons dos 
microrganismos pode servir para o diagnóstico e identificação de alguns 
patógenos. As vias que catabolizam outros compostos, como lipídios e 
proteínas, eventualmente se conectam com a via glicolítica. Os microrganismos 
produzem lipases e fosfolipases, que além de degradar vários tipos de lipídios e 
fosfolipídios, atuam como fatores de virulência em certos patógenos. A 
degradação das proteínas envolve as proteases para quebrar a proteína em 
pequenos peptídeos. Estas proteases, como a gelatinase e caseinase, são 
usadas para diferenciar bactérias clinicamente relevantes (Figura 8). 
 
 
 
10 10 
Figura 8 – Resumo do metabolismo: produção da energia 
 
Na ausência de oxigênio, muitos microrganismos conseguem oxidar 
diferentes compostos através da fermentação. Esta oxidação é incompleta, 
resultando na produção de diferentes substâncias e pouca energia. A 
possibilidade de oxidação destes subprodutos é o que permite a utilização de 
alguns deles como combustível. Na fermentação de carboidratos, a degradação 
 
 
11 11 
do substrato normalmente é realizada pela via glicolítica até o piruvato com 
participação de coenzimas transportadoras que são reoxidadas para o piruvato 
ou compostos dele derivados. Os compostos resultantes definem o tipo de 
fermentação, característica utilizada para identificação dos microrganismos. 
Os principais tipos de fermentação são: (1) fermentação láctica (ácido 
láctico), podendo ser homoláctica, característica dos Streptococcus e 
Lactobacillus e Bacillus, ou heteroláctica (lactato, etanol, CO2 e acetato), típica 
do Leuconostoc; (2) fermentação alcoólica (etanol e CO2), característica da 
levedura Saccharomyces cerevisiae; (3) fermentação propriônica (ácido 
propiônico, ácido acético, CO2 e H2), Proprionibacterium e Veionella; (4) 
fermentação butírica: butanol (ácido butírico, butanol, isopropanol, acetona e 
CO2), Clostridium; (5) fermentação butileno-glicólica (butanodiol e CO2), 
Klebsiella, Enterobacter; (6) fermentação ácido-mista (ácido acético, ácido 
succínico, etanol, CO2 e H2), Escherichia, Salmonella. A fermentação 
microbiana tem sido amplamente explorada industrialmente na produção de 
alimentos, bebidas alcoólicas, solventes e substâncias farmacêuticas. Os 
microrganismos podem ser diferenciados pelo tipo de fermentação e pelos 
substratos que pode utilizar (Figura 9). 
Figura 9 – Fermentação de carboidratos e seus produtos 
 
Créditos: Maraze; Stokkete; Duangnapa Kanchanasakun / Shutterstock. 
 
 
12 12 
Os organismos fotoautotróficos convertem a energia radiante em energia 
química via fotossíntese, utilizando esta energia para produzir compostos 
orgânicos a partir do CO2. A fotossíntese microbiana também contribui como 
fornecedor desta energia e fontes de carbono em diversos ecossistemas. Nos 
procariontes, na falta de organelas membranosas, os pigmentos 
fotossintetizantes se encontram em dobras internas da membrana 
citoplasmática. Os pigmentos fotossintetizantes estão organizados em 
fotossistemas, em que absorvem a luz excitando os elétrons de moléculas, que 
depois geram a energia para produzir ATP. Cada pigmento fotossintetizante 
absorve a luz visível em comprimento de onda específico. Por exemplo, 
bacterioclorofila (verde, púrpura ou vermelha), carotenoides (laranja, vermelha 
ou amarela), clorofila (verde), ficocianinas (azul). As bactérias fotossintetizantes 
utilizam diferentes misturas de pigmentos, para incrementar a absorção da luz 
nos ambientes competitivos (Figura 10). 
Figura 10 – Fotossíntese (a) Esquema com os fotossistemas I e II inseridos na 
membrana tilacoide; (b) Esquema mostrando a fotossíntese cíclica e não cíclica 
 
O entendimento do metabolismo microbiano tem auxiliado na identificação 
de microrganismos patogênicos, no entendimento da reciclagem dos elementos 
na natureza, na utilização em benefício do homem — como na agricultura, 
reduzindo a utilização de adubos químicos, agrotóxicos no controle de pragas e 
na biorremediação para remover ou degradar compostos xenobióticos, 
contaminantes e poluentes. 
TEMA 2 – CULTURA DE BACTÉRIAS E FUNGOS 
As bactérias e fungos necessitam de nutrientes e ambiente propício para 
seu desenvolvimento. O crescimento bacteriano refere-se a um aumento no 
 
 
13 13 
número de organismos, e não ao tamanho. Como vimos nas aulas anteriores, as 
bactérias se dividem por fissão binária com crescimento exponencial, resultando 
em colônias (massa de células bacterianas teoricamente originadas do 
crescimento de uma única célula UFC – unidade formadora de colônia). O cultivo 
dos microrganismos foi fundamental para seu estudo e identificação, como vimos 
na breve história da microbiologia. A condição principal para o cultivo é o 
fornecimento dos fatores ambientais químicos (nutrientes como fontes de 
carbono, nitrogênio, enxofre e fósforo, micronutrientes e fatores de crescimento) 
e físicos (temperatura, pH, pressão osmótica e atmosfera gasosa). 
A temperatura determina a velocidade das reações metabólicas 
bacterianas e influencia a absorção de nutrientes. De acordo com a temperatura 
ótima de crescimento, os microrganismos são classificados em: (1) Psicrófilas: 
entre 5º e 17º, como Pseudomonas, Flavobacterium e Alcaligenes, que são 
microrganismos que deterioram alimentos estocados por períodos prolongados; 
(2) Mesófilas: entre 28º e 40º, a maioria dos microrganismos; (3) Termófilas: 
entre 45º e 70º, Bacillus stearothermophilus; (4) Termófilas extremas: entre 70º 
e 110º, Thermococcus celer e outras archaeas (Figura 11). 
Figura 11 – Classificação dos microrganismos de acordo com a temperatura 
ótima de crescimento 
 
Segundo a necessidade do oxigênio, os microrganismos se classificam 
em: (1) Aeróbios estritos: há necessidade absoluta do oxigênio, como 
Pseudomonas aeruginosa, gênero Mycobacterium e Legionella. Em culturas 
 
 
14 14 
artificiais, em meios líquidos, deve-se agitar o meio para aumentar o suplemento 
de O2 dissolvido; (2) Microaerófilos: requerem baixa concentração do O2 em 2 a 
10%, como os gêneros Neisseria, Campylobacter, Azospirillum, Vibrio e 
Helicobacter; (3) Anaeróbios facultativos: desenvolvem-se na presença e 
ausência do O2. Obtém a energia pela respiração aeróbia na presença do O2 e 
por fermentação ou respiração anaeróbia na sua ausência, como os membros 
da família Enterobacteriaceae, E. coli; (4) Anaeróbios aerotolerantes: não 
utilizam o O2 como aceptor final de elétrons e neutralizam os efeitos nocivos do 
O2 pela superóxido dismutase, como o Streptococcus faecalis e os Lactobacillus. 
(5) Anaeróbios estritos: a presença do O2 é letal. A energia é obtida por 
fermentação, pela respiração anaeróbia ou pela fotossíntese bacteriana pelo 
processo de metanogenese como os gêneros Clostridium, Methanobacterium. 
Podemos observar os diferentes grupos cultivando as bactérias em tubos com 
meio líquido de tioglicolato (Figura 12). 
Figura 12 – Classificação dos microrganismos de acordo com a necessidade de 
oxigênio 
 
Crédito: V.iann/Shutterstock. 
Outros fatores, como o PH, dividem em três grandes grupos: (1) acidófilas, 
entre 1,8 e 5; (2) neutrófilas, entre 5 e 9; (3) alcalófilas: entre 9 e 11. Segundo a 
pressão osmótica, existem: (1) não halofílicas: as bactérias que vivem nas 
concentrações habituais de rios e lagos, geralmente com concentrações 
 
 
15 15 
menores que 0,05%, como E. coli; (2) halofílicas: as que se desenvolvemem 
concentrações salinas maiores que 0,5%, como as marinas adaptadas a 
concentrações em torno de 3,5%, como Vibrio fischeri; (3) halotolerantes: 
bactérias que toleram concentrações de até 6%, como o Staphilococcus aureus; 
(4) halofílicas extremas: espécies pertencentes às Archaeas, que se 
desenvolvem em concentrações de 30%, como Halobacterium salanarium. A luz 
é um fator essencial para as bactérias fotossintetizantes, mas para algumas 
espécies pode inibir o crescimento (Figura 13). 
Figura 13 – Classificação do crescimento de microrganismos segundo o fator pH 
 
Os meios de cultura contêm os nutrientes e os parâmetros físicos 
necessários ao crescimento dos microrganismos. Apesar dos esforços, ainda 
existem microrganismos não cultiváveis até o momento, como Mycobacterium 
leprae (hanseníase), Chlamydia, Rikectsia e o Treponema pallidum (sífilis). Os 
meios de cultura são utilizados para estúdio, diagnóstico e produção industrial 
do microrganismo ou dos produtos do metabolismo do microrganismo. 
De acordo com a composição, encontramos os meios quimicamente 
definidos (composição química exata é conhecida) e meios complexos 
(composição química é exata não conhecida). Os meios de cultura podem ser 
classificados pela sua consistência em: (1) sólidos: contendo um agente 
solidificador inerte como o ágar, fornecem um suporte físico para o crescimento 
em colônias ideal para isolamento e observação das características coloniais; (2) 
semissólidos: a concentração do ágar é menor a 0,5% e sua consistência suave 
 
 
16 16 
os faz úteis para os microrganismos microaerofílicos, bem como para observar 
a mobilidade; (3) líquidos: têm ausência de agentes gelificantes e os caldos 
nutrientes são úteis na propagação e crescimento em grande número, estudos 
de fermentação e vários testes de identificação (Figura 14). 
Figura 14 – Classificação dos meios de cultura pela sua consistência: (a) sólido; 
(b) semissólido; (c) líquido 
 
 (a) (b) (c) 
Crédito: iTENG; MyFavoriteTime; NonSitth/Shutterstock. 
De acordo com a função e aplicação, os meios podem ser: (1) de uso 
geral: crescem os microrganismos não exigentes como o caldo e ágar nutriente 
(peptona, água extratos de carne e levedura e minerais); (2) enriquecidos: 
contêm um suprimento de nutrientes especiais (sangue, gema de ovo, soros) 
utilizados como crescimento para microrganismos exigentes como Haemophilus, 
Neisseria; (3) seletivos: favorecem o crescimento do microrganismo de interesse 
e impedem o crescimento de outros de uma mistura (qualquer meio pode se 
deixar seletivo adicionando substâncias inibidoras como antibióticos, corantes 
indicadores, alterações do pH ou combinações dos mesmos), como ágar Thayer 
Martim, que tem antibióticos para selecionar a Neisseria gonorrhoeae, ágar 
Lowenstein Jensen para o M. tuberculosis, ágar sal-manitol com 10% de NaCl 
para o S. aureus; (4) diferenciais facilitam a identificação do microrganismo de 
interesse e permitem o crescimento de mais de um grupo, mas as colônias são 
morfologicamente distinguíveis, como ágar sal-manitol (fermentadores do 
manitol em amarelo), ágar sangue (padrão de hemólise α, β, γ), ágar Mac 
Conkey (fermentadoras de lactose em pink), ágar tiossulfato-citrato-bile-sucrose 
(Vibrio cholerae, colônias em amarelo, fermentação da sucrose); (5) meios de 
transporte (para evitar a contaminação e dessecação da amostra); (6) meios 
anaeróbicos com substâncias que reduzam o O2, como o tioglicolato de sódio e 
oxirase; (7) meios para testes de identificação bioquímica, para teste de 
 
 
17 17 
susceptibilidade antimicrobiana. As estufas e jarras de anaerobiose fornecem a 
temperatura ótima e o ambiente gasosos necessário. 
TEMA 3 – CONTROLE DE MICRORGANISMOS: MÉTODOS FÍSICOS E 
QUÍMICOS 
Vários agentes físicos e químicos podem ser utilizados para manter os 
microrganismos em níveis aceitáveis. O controle de certos microrganismos é 
importante para prevenir e controlar doenças infecciosas nos homens, animais 
e plantas; para preservar os alimentos; para impedir que micróbios 
contaminantes interfiram em processos industriais; e para impedir a 
contaminação de culturas puras. 
Na microbiologia, a esterilização se refere à completa destruição de todos 
os organismos vivos de um objeto ou material, um processo absoluto. A 
desinfecção é a destruição ou remoção de microrganismos infecciosos ou 
nocivos de objetos sem vida por métodos físicos e químicos que reduzem ou 
inibem o crescimento. Os agentes microbicidas matam os microrganismos sem 
necessariamente esterilizá-los; os agentes microbiostáticos se referem aos 
agentes que inibem o crescimento e a reprodução. As condições que influenciam 
na atividade antimicrobiana são: tamanho da população microbiana; intensidade 
ou concentração do agente microbicida; o tempo de exposição ao agente 
microbicida; a temperatura de exposição; a natureza do material; as 
características dos microrganismos. 
O modo de ação dos agentes antimicrobianos físicos e químicos visa 
atacar estruturas específicas: (1) parede celular, fragilizando-a e levando à lise 
(alguns antibióticos, detergentes e álcoois); (2) membrana citoplasmática, 
levando à perda da integridade da membrana (detergentes e surfactantes); (3) 
processos de biossíntese celular (DNA e RNA), na prevenção da replicação, 
transcrição (algumas drogas antimicrobianas, radiação, óxido de etileno, 
formaldeído); (4) proteínas, interferindo nos ribossomos e prevenindo o processo 
de translação, denaturação e quebra (álcoois, fenóis, ácidos e calor). 
3.1 Agentes físicos 
O calor é o método mais prático, eficiente e barato de desinfecção e 
esterilização de objetos inanimados e materiais que podem ser submetidos a 
 
 
18 18 
altas temperaturas. A temperatura e o tempo de exposição determinam a 
eficiência para a esterilização. Os microrganismos morrem pela denaturação de 
proteínas no calor úmido e oxidação no calor seco. Dentro do calor úmido, 
encontram-se: 
• a fervura (100 ºC): desinfecção; 
• calor úmido sob pressão (autoclaves): 121 ºC à pressão de 15 lb/pol² (1 
atm) esterilização; 
• pasteurização (72 ºC em 15 minutos, superaquecer 140 ºC por 5 
segundos e resfriar imediatamente): destrói os microrganismos 
patogênicos, reduz o número, não é esterilização. 
No calor seco, temos: a flambagem e a incineração. Em fornos, consegue-
se a esterilização a 160 ºC por duas horas. O efeito das radiações depende do 
comprimento de onda, da intensidade e duração. Há dois tipos de radiações 
empregados no controle: os ionizantes (raios γ, x e β) formam superóxidos que 
reagem com o DNA, esterilização; e não ionizantes (raios ultravioleta atuam 
provocando mutações no DNA). A dessecação é utilizada para preservação dos 
microrganismos via liofilização. Na preservação de alimentos, explora-se a 
pressão osmótica do ambiente hipertónico com concentrações altas de sal ou 
açúcar. São utilizados também controle por filtração, por ondas ultrassônicas, 
baixas temperaturas. 
3.2 Agentes químicos 
Há centenas de produtos químicos diferentes disponíveis para o controle 
do crescimento microbiano. As principais substâncias utilizadas para 
desinfecção ou antissepsia são divididas em vários níveis: 
• alto nível germicida: destrói até endósporos pode ser esterilizante; 
• nível intermediário: destrói esporos de fungos, mas não endósporos; 
• baixo nível: destrói somente formas vegetativas bacterianas e fúngicas. 
Fenol e compostos fenólicos atuam lesando as células microbianas pela 
alteração da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática, de 
denaturação de proteínas; álcoois para formas vegetativas, sua capacidade 
bactericida aumenta quanto maior for sua cadeia de carbono, e o mecanismo de 
ação deve-se à capacidade de desnaturar proteínas, solvente de lipídiose ação 
 
 
19 19 
detergente; halogênios, compostos altamente oxidantes e reativos destroem 
componentes vitais da célula microbiana (iodo e cloro); metais pesados e seus 
compostos inativam proteínas (mercúrio cromo, nitrato de prata – AgNO3, sulfato 
de cobre – CuSO4); detergentes compostos que diminuem a tensão superficial e 
ajudam na remoção mecânica dos microrganismos; agentes oxidantes, como a 
água oxigenada; gases e aerossóis como óxido de etileno e óxido de propileno 
(agentes alquilantes do DNA) esterilizantes químicos. 
TEMA 4 – PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DE MICRORGANISMOS 
O aumento progressivo dos microrganismos multirresistentes nas últimas 
décadas mostra-se como uma ameaça à saúde pública do Brasil e do mundo. O 
problema decorre de mutações dos microrganismos, do compartilhamento de 
material genético (plasmídeos) entre os microrganismos e do uso indiscriminado 
e inadequado dos antimicrobianos tanto na saúde humana e animal. Como nos 
hospitais e centros de saúde o uso dos antimicrobianos é alto, os 
microrganismos multirresistentes apareceram nos hospitais. Visando ao controle 
de infecções hospitalares, criaram-se nos hospitais comissões de controle de 
infecção. 
A variada metodologia utilizada levou à produção do Manual de 
Procedimentos Básicos em Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção 
Hospitalar1, unificado por parte do Ministério de Saúde. Após a unificação dos 
procedimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) elaborou o 
Plano Nacional para Prevenção e Controle da Resistência Microbiana nos 
Serviços de Saúde2, para uma conscientização do problema emergente. 
Preocupada com o aumento de multirresistência que ameaça a saúde pública 
mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS), junto a outros setores das 
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da 
Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), criou objetivos definidos para a 
prevenção e controle destes microrganismos, que serviram como base para a 
elaboração do Plano de Ação Nacional para Prevenção e Controle da 
 
1 Disponível em: 
. Acesso em: 31 mar. 2020. 
2 Disponível em: 
. Acesso em: 31 mar. 2020. 
 
 
20 20 
Resistência aos. Antimicrobianos do Brasil (PAN-BR)3. O projeto teve também a 
participação da Anvisa e dos ministérios da Saúde, Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento, Cidades, de Educação e Cultura, Ciência, Tecnologia e 
Inovação em Comunicação e do Meio Ambiente. Espera-se com este plano evitar 
ou desacelerar o avanço da multirresistência. 
TEMA 5 – ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE A AÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E AS 
BACTÉRIAS RESISTENTES 
A leitura dos seguintes artigos complementa o entendimento da 
multirresistência, levando a uma reflexão para conscientização em todos os 
níveis da sociedade e ajudando no uso de práticas para desacelerar o avanço 
da resistência. 
• “A resistência aos antibióticos e as superbactérias”. Disponível em: 
. 
Acesso em: 31 mar. 2020. 
• Folha informativa - Resistência aos antibióticos. Disponível em: 
. 
Acesso em: 31 mar. 2020. 
• “Resistencia a los antimicrobianos”. Disponível em: 
. Acesso em: 31 mar. 2020. 
NA PRÁTICA 
• Pesquise os microrganismos participantes dos ciclos biogeoquímicos e 
sua aplicação para nosso benefício. 
• Pesquise sobre biorremediação e reflita sobre sua aplicabilidade nos 
desastres ambientais. Para isso, leia o artigo “Microrganismos como 
alternativa sustentável”. Disponível em: 
. Acesso em: 31 mar. 2020. 
 
3 Disponível em: . Acesso em: 31 mar. 2020. 
 
 
21 21 
• Pesquise sobre os biofilmes: reflita sobre estas comunidades microbianas 
mistas e como podem contribuir na resistência a antimicrobianos. 
• Com base no artigo “Microrganismos: nossas fábricas microscópicas”, 
reflita sua viabilidade utilizando os conhecimentos adquiridos na aula. 
Disponível em: . Acesso em: 31 mar. 2020. 
• Pesquise quais são os meios de cultura utilizados na identificação 
bioquímica de bactérias e fungos. 
• Identifique quais medidas de controle do crescimento microbiano você 
utiliza no seu dia a dia. 
• Pesquise a utilização de microrganismos no controle biológico de pragas 
como uma alternativa ao uso de agrotóxicos. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, trabalhamos os aspectos do metabolismo microbiano, a 
classificação de acordo com as fontes de energia e carbono, os fatores químicos 
e físicos que influenciam no crescimento microbiano e sua classificação segundo 
o comportamento frente aos fatores ambientais. Vimos os meios de cultura 
utilizados para isolamento e identificação, bem como o controle do crescimento 
por métodos químicos e físicos. Também conhecemos os planos de ação 
nacionais contra o avanço dos microrganismos multirresistentes e refletimos e 
analisamos artigos sobre o tema. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Plano Nacional 
para Prevenção e Controle da Resistência Microbiana nos Serviços de 
Saúde. 15 maio 2017. Disponível em: 
. Acesso em: 29 maio 2019. 
BLACK, J. G. Microbiology: principles and explorations. Jonh Wiley & Sons, 
Inc., 2002. 
COMCIÊNCIA. A resistência a antibióticos e as superbactérias. jun. 2018. 
Disponível em: . Acesso em: 12 jun. 2019. 
MAZA, L. M.; PEZZLO, M. T; BARON, E. J. Atlas de diagnóstico em 
microbiologia. Artmed 1999. 
MADIGAN, M. T.; MARTINKO, J. M.; PARKER, J. Brok's Biology of 
Microorganisms. 9. ed. Prentice Hall, 1999. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Plano de Ação Nacional para Prevenção e Controle 
da Resistência aos Antimicrobianos no Âmbito da Saúde Única. 2018. 
Disponível em: 
. Acesso em: 29 maio 2019. 
PERRY, J. J.; STANLEY, J. T.; LORY, S. Microbial Life. Sinauer Associates 
Publishers. 2002. 
TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. Artmed, 2000. 
WHO. Antimicrobial Resistance. 15 fev. 2018. Disponível em: 
. 
Acesso em: 14 jun. 2019. 
_____. Antibiotic Resistance. 5 fev. 2018. Disponível em: 
. 
Acesso em: 14 jun. 2019. 
	CONVERSA INICIAL
	TEMA 1 – METABOLISMO MICROBIANO: ANABOLISMO E CATABOLISMO DE BACTÉRIAS, FUNGOS E VÍRUS
	TEMA 2 – CULTURA DE BACTÉRIAS E FUNGOS
	TEMA 3 – CONTROLE DE MICRORGANISMOS: MÉTODOS FÍSICOS E QUÍMICOS
	3.1 Agentes físicos
	3.2 Agentes químicos
	TEMA 4 – PROGRAMA NACIONAL DE CONTROLE DE MICRORGANISMOS
	TEMA 5 – ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE A AÇÃO DE ANTIBIÓTICOS E AS BACTÉRIAS RESISTENTES
	NA PRÁTICA
	FINALIZANDO
	REFERÊNCIAS

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