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MICROBIOLOGIA, 
IMUNOLOGIA E 
PARASITOLOGIA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Catalina Yumi Masuda Nishi 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Vacinas e soros 
As vacinas e soros deram início e continuam dando o incentivo contínuo 
para o desenvolvimento de métodos para identificar, diagnosticar e tratar as 
inúmeras doenças que surgem e ressurgem. A história da microbiologia, 
parasitologia e imunologia está interligada, pois a identificação da etiologia das 
doenças e a procura por tratamento e prevenção levaram ao desenvolvimento 
das vacinas e soros, que por sua vez contribuíram para o entendimento das 
características desses agentes e os mecanismos de defesa, levando a novos 
campos de estudos. Os trabalhos dos pioneiros das ciências mostram a trajetória 
da humanidade, a qual foi gerando conhecimento e estimulando o pensamento 
crítico, aprimorando-se para melhorar a qualidade de vida. 
Nesta aula abordaremos alguns aspectos históricos do desenvolvimento 
de vacinas e soros no mundo e no Brasil, assim como seus mecanismos de ação, 
suas aplicações em diferentes campos e sua contribuição para as políticas em 
saúde pública. 
• Objetivo geral: compreender a resposta do sistema imune às vacinas e 
aos soros. 
• Objetivos específicos: descrever a história do desenvolvimento das 
pesquisas com vacinas e soros e sua importância para a saúde pública; 
diferenciar a ação das vacinas e soros no organismo, bem como quando 
são utilizados; identificar os principais animais peçonhentos da realidade 
brasileira e aqueles que são utilizados para fabricação de soros; 
reconhecer como ocorre a produção em larga escala para fabricação de 
vacinas e soros na atualidade; pesquisar as principais políticas públicas 
de imunização da população brasileira. 
TEMA 1 – HISTÓRIA DO DESENVOLVIMENTO DE VACINAS E SOROS NO 
MUNDO E NO BRASIL 
O início da vacinação, definida como o uso de parte ou todo o 
microrganismo patogênico para proteção contra o microrganismo, vem da 
Antiguidade, mesmo que tenha sido atribuída a Edward Jenner em 1796, quando 
vacinou uma criança de oito anos usando o vírus da varíola bovina. O conceito 
 
 
3 
de vacinação provavelmente originou-se no pensamento homeopático sobre o 
uso de pequenas doses da doença como proteção contra o desenvolvimento de 
formas mais severas, fato empiricamente verificado pela ingestão de pequenas 
doses de veneno para prevenir um envenenamento fatal intencional vindo do 
rival. A descoberta do uso do vírus da varíola bovina certamente mostrou 
eficácia, e essa inovação não somente levou à erradicação da varíola no século 
XX, mas também mostrou a possibilidade de conferir proteção contra as doenças 
infectocontagiosas intencionalmente. A história da vacinação como 
empreendimento começa com Louis Pasteur e suas observações nas culturas 
do microrganismo que causa a cólera das galinhas (Pasteurella multocida), que 
o levaram a formular a hipótese de que os patógenos poderiam ser atenuados 
por exposição a efeitos ambientais estressantes — hipótese que confirmou com 
o desenvolvimento das vacinas contra o antraz e a raiva. Em 1801, Benjamin 
Waterhouse, médico, cofundador e presidente da escola de medicina de 
Harvard, começa a usar a vacina da varíola bovina, levando o estado de 
Massachusetts a ser o primeiro dos Estados Unidos a promover a vacinação. Os 
outros estados foram aderindo à prática da imunização nos anos seguintes. Leis 
de imunização compulsória foram criadas, e em resposta, sociedades 
antivacinação foram criadas. E assim foi iniciada a busca por estratégias para 
desenvolver vacinas vivas. No século seguinte, Calmette e Guérin usaram a 
passagem em meios artificiais para atenuar o Mycobacterium bovis (BCG), e 
Theiler utilizou passagem em camundongos e ovos embrionados para atenuar o 
vírus da febre amarela. Ao mesmo tempo, o conceito de anticorpo e resposta 
imune celular desenvolveu-se a partir dos trabalhos de Paul Ehrlich e Ilya 
Metchnikoff, e a imunologia começou a explicar os mecanismos de defesa com 
suas duas frentes: imunidade natural, ou inata, e a adaptativa. 
A soroterapia, descoberta em 1890 por von Behring e Kitasato, com seus 
estudos da difteria e tétano, e as antitoxinas foram produzidas para tratamento 
e prevenção dessas doenças, contudo, a prevenção conferida pelo soro tinha 
curta duração, e em 1920 conseguiu-se a proteção com as toxinas modificadas 
(toxoide). A vacina segura, utilizada até hoje, foi desenvolvida: a DPT (Difteria, 
Pertusis – coqueluche – e Tétano). Na metade do século XX, a cultura celular foi 
adaptada para a cultura de vírus, permitindo o crescimento de vírus e a produção 
de vacinas. Com o desenvolvimento das técnicas moleculares, novos caminhos 
 
 
4 
e perspectivas para a produção de vacinas e soros vão surgindo, como mostrado 
no Quadro 1. 
Quadro 1 – Desenvolvimento das vacinas humanas 
Microrganismos 
vivos Atenuados 
Microrganismos 
mortos inteiros 
Proteínas ou 
Polissacarídeos 
Purificados 
Desenvolvidas por 
engenharia genética 
Século XVIII 
 Varíola (1798) 
Século XIX 
 Raiva (1885) Febre Tifoide 
(1896) 
 
 Cólera (1896) 
 Peste bubônica 
(1897) 
 
Século XX, primeira 
metade 
 
 Tuberculosis BCG 
(bacille Calmette-
Guérin) (1927) 
Pertussis ou 
Coqueluche (1926) 
Toxoide diftérico –
Difteria (1923) 
 
 Febre Amarela 
(1935) 
Influenza – Gripe 
(1936) 
Toxoide Tetânico – 
Tétanus (1926) 
 
 Rickettsioses – 
Tifus e Febre 
Maculosa (1938) 
 
Século XX, segunda 
metade 
 
 Polio (oral) (1963) Polio (injetado) 
(1955) 
Proteínas secretadas 
pelo Bacillus anthracis 
– Antrax (1970) 
Hepatitis B – Antígeno 
de superfície 
recombinante (1986) 
 Sarampo (1963) Raiva (cell culture) 
(1980) 
 Meningite – 
Polissacarídeo do 
Meningococcus 
(1974) 
Lyme OspA (1998) 
 Caxumba- 
Parotidite (1967) 
Encefalite 
japonesa (cultura 
em cérebro de 
camundongo) 
(1992) 
Polissacarídeo do 
Pneumococcus (1977) 
Colera - toxina B 
recombinante (1993) 
 Rubéola (1969) Encefalite 
transmitida por 
carrapato 
encephalitis (1981) 
Polissacarídeo do 
Haemophilus 
influenzae type B 
(1985) 
 
 Adenovirus (1980) Hepatitis A (1996) H.influenzae type b 
conjugada (1987) 
 
(continua) 
 
 
 
5 
(continuação do Quadro 1) 
Febre tifoide 
(Salmonella TY21a) 
(1989) 
Cólera (WC-rBS) 
Células inteiras de 
V. cholerae mortas 
em combinação 
com a toxina 
subunidade B 
recombinante 
(1991) 
Polissacarídeo 
capsular da 
Salmonella Vi (1994) 
 
 Varicella – 
Catapora (1995) 
Vacina 
Meningococcica 
conjugada (group 
C) (1999) 
Vacina acelular contra 
Pertusis. Acellular 
pertussis (1996) 
 
Rotavírus com 
rearranjos em seu 
genoma (1999) 
 Hepatitis B (com 
derivados plasmáticos) 
(1981) 
 
 Cólera – atenuada 
(1994) 
 
Influenza adaptada 
ao frio, intranasal 
(1999) 
 
Século XXI 
 Rotavírus (vacina 
atenuada com 
novos rearranjos 
genéticos) (2006) 
Encefalite 
japonesa cultivada 
em células Vero 
(2009) (Vero cell) 
Conjugado 
Pneumocócico 
(Heptavalente)* (2000) 
Papilomavirus humano 
recombinante HPV 
(quadrivalente) (2006) 
 Varicella – Zoster 
vivos atenuados 
(2006) 
Cólera (WC only- 
do inglês Whole 
Cell ou vacina 
somente com a 
célula inteira ) 
(2009) 
Conjugado 
Pneumocócico 
(Heptavalente)* (2000) 
Papilomavirus humano 
recombinante HPV 
(bivlente) (2009) 
 Conjugado 
Pneumocócico * (13-
valent) (2010) 
Proteínas 
Meningocócicas do 
grupo B (2013) 
*Polissacarídeo capsular conjugado a proteínas carregadoras. 
Fonte: elaborado com base em Plotkin, 2014. 
A introdução da vacina no Brasil remonta a 1804. Em 1811 foi criada a 
junta vacínica da corte, mas a primeira legislação de obrigatoriedade surgiu em 
1832. Em 1846, foi criado o Instituto Vacínico do Império a partir da junta 
vacínica. Várias epidemias de varíola se instalaram no país. Após a instauração 
da República,uma das suas metas era a modernização do país e seu ingresso 
no mundo civilizado. Nesse tempo, o comércio internacional, a imigração, as 
vidas econômicas e sociais eram paralisadas pelas epidemias da varíola, febre 
amarela e peste bubônica, e as primeiras tentativas para mudar foi uma reforma 
urbana acompanhada de campanhas sanitárias contra essas doenças. Por volta 
do final do século XIX e início do XX, o Instituto Soroterápico Federal em 1900 
 
 
6 
foi a primeira instituição a produzir soro no Brasil, com Oswaldo Cruz na sua 
direção geral. Além do Instituto Soroterápico Federal no Rio de Janeiro 
(incorporado posteriormente ao instituto Manguinhos, atual FIOCRUZ), em São 
Paulo, a comissão formada pelos especialistas em doenças de saúde pública Dr. 
Emilio Ribas (diretor dos serviços de saúde de São Paulo); Dr. Adolpho Lutz 
(diretor do instituto bacteriológico) e o Dr. Vital Brasil (assistente do Dr. Lutz) 
propõem a criação do Instituto Soroterápico em São Paulo, instalado na fazenda 
Butantã. Com o Dr. Vital Brasil na sua direção, tinha a responsabilidade de 
produzir soro para ser usado no combate à epidemia de peste bubônica que 
assolava a cidade, e para tal, construíram-se laboratórios e uma fábrica de 
antissoros. Graças às suas observações sobre a severidade clínica do sítio da 
picada nos acidentes com serpentes de diferentes espécies que apresentavam 
sintomas diferentes, ele iniciou estudos que demonstraram que o soro antiofídico 
de Calmette, contra a serpente Naja, não era universal. Vital Brasil comprovou a 
especificidade dos venenos, e essa descoberta colaborou para o 
estabelecimento do novo conceito na imunologia, a especificidade, e pela 
primeira vez a medicina tinha um produto realmente eficaz no tratamento dos 
acidentes ofídicos. Em 1904, outra epidemia de varíola assola a capital, e a lei 
de obrigatoriedade da vacinação é novamente aprovada. Estoura a Revolta da 
Vacina. Em 1907, a febre amarela é eliminada no Rio de Janeiro, e em 1908 uma 
epidemia de varíola leva a população em massa aos postos de vacinação. Em 
1927, o BCG é introduzido no Brasil, e assim pouco a pouco outras vacinas e 
soros foram sendo introduzidos no país, e algumas vacinas de produção nacional 
começam a ser utilizadas, como a vacina contra a febre amarela, em 1937. 
Atualmente, existem 4 laboratórios produtores de soros contra os animais 
peçonhentos: o Instituto Vital Brasil, o Instituto Butantã em São Paulo, a 
Fundação Ezequiel Dias, em Minas Gerais e o Centro de Pesquisa e Produção 
de Imunobiológicos, no Paraná. E os dois principais institutos produtores de 
vacinas, além dos soros, são o I. Butantã e I Oswaldo Cruz. Estes institutos 
preservam e continuam fortalecendo os três pilares desde sua criação: pesquisa, 
produção e a popularização da ciência. 
TEMA 2 – DIFERENÇAS DE AÇÃO DAS VACINAS E SOROS NO ORGANISMO 
Uma pessoa adquire imunidade a uma específica doença de várias 
formas. Para algumas doenças, como sarampo e varicela, contrair a doença 
 
 
7 
usualmente produz uma imunidade permanente. A vacinação é outra forma de 
tornar-se imune à doença. Essas duas maneiras de proteção são exemplos da 
imunidade ativa, de forma natural (contraindo a doença) ou adquirida 
(vacinação). A imunidade ativa requer a exposição ao agente ou ao antígeno do 
agente, com a participação e ativação dos linfócitos T e B via apresentação dos 
antígenos pelas células apresentadoras de antígenos (APC), produzindo células 
de memória. A resposta é permanente, porém lenta — há de construí-la. A outra 
forma de imunidade é a denominada imunidade passiva natural, e o exemplo 
principal é aquela proteção que a mãe passa para o filho na forma de anticorpos 
que atravessam a placenta durante o desenvolvimento e na amamentação, 
principalmente com o colostro. E a imunidade passiva artificial pode ser induzida 
quando anticorpos são ministrados como medicação para um indivíduo não 
imune — soroterapia. Estes anticorpos (imunoglobulinas) provêm de um pool de 
imunoglobulinas pré-formadas e purificadas de produtos sanguíneos de 
humanos imunizados ou de animais imunizados (como cavalos). Esta proteção 
é de curta duração e ação rápida (Figura1). 
Figura 1 – Imunidade ativa e imunidade passiva 
Imunidade Ativa Imunidade Passiva 
Natural Artificial Natural Artificial 
 
 
 
 
 
 
 
 
Infecção Vacinação Anticorpos maternos 
Anticorpos 
monoclonais/Antisoros 
Créditos: Promotive/Shutterstock; Baldyrgan/Shutterstock; Garumna/Shutterstock; 
Anaitsmi/Shutterstock. 
A resposta ativa e passiva tem participação dos linfócitos. Porém, na 
produção ativa os anticorpos são próprios, produzidos pela pessoa, e na passiva 
os anticorpos são produzidos externamente. 
A história da imunização passiva começa em 1890, com Kitasato e von 
Behring, com seus trabalhos com as toxinas diftérica e tetânica. Esses trabalhos 
que deram início à soroterapia, e em estudos seguintes notou-se que no caso da 
 
 
8 
toxina diftérica e tetânica, além de servir como tratamento, conferia também 
imunidade permanente. A soroterapia foi utilizada não somente para doenças 
infecciosas, mas também para venenos de animais peçonhentos. E esses 
estudos com serpentes levaram ao entendimento da especificidade do antígeno 
e anticorpo. As imunoglobulinas são utilizadas quando uma resposta rápida é 
necessária concomitantemente à vacinação, como no caso de contaminações 
com o vírus da raiva. Há estudos para seu uso em certos casos de câncer, e 
infecções com bactérias super-resistentes. Os diferentes tipos de vacinas e 
soros são demonstrados no Quadro 2. 
Quadro 2 – Tipos de vacinas e soros imunes 
Vacinas 
Viva atenuada Vírus ou bactérias modificadas em laboratório; o organismo conserva a 
habilidade de replicar (crescer) e de desencadear uma resposta imune 
sem causar a doença. 
Inativada Produzida por crescimento de micro-organismos em cultura em meios 
vivos ou artificiais, depois inativadas por métodos físicos ou químicos. 
Pode ser o micro-organismo inteiro ou fracionado. Não são organismos 
vivos, não replicam, não crescem, nem multiplicam. Portanto, não 
causam a doença. Exige múltiplas doses. 
Toxoide Toxina inativada. O micro-organismo produtor da toxina é cultivado para 
a obtenção e produção da toxina, posteriormente inativada por métodos 
físicos ou químicos. Atualmente, para sua produção, é utilizada a 
biotecnologia. 
Soros imunes 
Monoclonais Anticorpos específicos para um antígeno. Anticorpos idênticos 
produzidos a partir de um único clone de um único linfócito B clonado e 
imortalizado. 
Policlonais Anticorpos provenientes de vários linfócitos. Heterólogo (animais) ou 
homólogo (humano). 
TEMA 3 – PRINCIPAIS ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL E A 
PRODUÇÃO DE VACINAS E SOROS 
Os animais peçonhentos possuem glândula de veneno em comunicação 
como dentes, ferrões e aguilhões, estruturas por onde o veneno é injetado. 
Entram nessa categoria as serpentes Bothrops (B. atrox, jararaca do norte; B. 
bilineata, jararaca verde; B. erythromelas, jararaca da seca; B. leucurus, 
jararaca; B. alternatus, urutu cruzeiro; B. moojeni, caiçaca; B. neuwiedi, jararaca 
pintada; B. jararacuçu, jararacuçu; B. jararaca, jararaca preguiçosa), cujo 
tratamento específico é com soro antibotrópico. Há também a Crotalus durissus, 
cascavel, cujo tratamento é com soro anticrotálico, a Lachesis muta, surucucu; 
e as Micrurus (M. corallinus; M ibibibica; M frontalis; M leminiscatus; M spixii). 
 
 
9 
Figura 2 – Diferenças entre as principais serpentes peçonhentas encontradas no 
Brasil que causam acidentes ofídicos 
 
Fonte: elaborado com base em Ciência Brasilis, 2016. 
Crédito: Flávio Smile. 
Os venenos ofídicos podem ser classificados de acordo com suas 
atividades fisiopatológicas, efeitos observados em nível local e sistêmico, 
conforme demonstrado no Quadro 3. 
Quadro 3 – Mecanismo de ação dos venenos ofídicos 
Veneno Soro AtividadeEfeito Local Efeito Sistêmico 
Botrópico 
Antibotrópico e 
Antibotrópico-laquético 
Inflamatória 
aguda, 
Coagulante, 
Hemorrágica 
Necrose 
tecidual, Lesão 
endotelial 
Liberação de 
mediadores 
inflamatórios e 
substâncias vasoativas, 
ativação da 
coagulação, Lesão 
endotelial. 
Laquético Antibotrópico-laquético 
Inflamatória 
aguda, 
Coagulante, 
Hemorrágica, 
Neurotóxica 
Necrose 
tecidual, Lesão 
endotelial 
Liberação de 
mediadores 
inflamatórios e 
substâncias vasoativas, 
ativação da 
coagulação, Lesão 
endotelial, Estimulação 
vagal. 
Crotálico Anticrotálico 
Neurotóxico, 
Miotóxico, 
Coagulante. 
Ausente 
Bloqueio 
neuromuscular, 
Rabdomiólise, Ativação 
da coagulação. 
Elapídico Antielapídico Neurotóxico. Ausente 
Bloqueio 
neuromuscular 
 
Escorpiões: Tityus serrulatus, escorpião amarelo; Tityus bahiensis, 
escorpião marrom; Tityus stigmurus, escorpião do nordeste; Tityus cambridgei, 
escorpião preto – todos exigem tratamento com soro antiescorpiônico (Figura 3). 
 
 
 
10 
Figura 3 – Escorpiões encontrados no Brasil 
 
Fonte: Escorpiões e a produção de cachaça, 2017. 
Créditos: FMportella/Shutterstock; Marcos David/CC-Pd; CC-PD; Vera Larina/Shutterstock. 
Aranhas: Loxosceles spp, aranha marrom; Phoneutria spp, aranha 
armadeira; Latrodectus spp, aranha viúva negra – tratamentos com soro 
antiloxoscélico, soro antiaracnídico e soro antilatrodectus, respectivamente 
(Figura 4). 
Figura 4 – Aranhas de interesse médico 
Fonte: Picada de aranha..., S.d. 
Créditos: CC By-Sa 3.0; Margus Vilbas/Shutterstock; Jay Ondreicka/Shutterstock. 
Lepidópteros: os estágios de larva e de adulto são de interesse médico, 
como: Megalopigidae, lagarta de fogo; Saturniidae, espinhos; Saturnídeo – 
Lonomia, orugas. Os acidentes com as larvas, chamados de erucismo (euricae, 
que significa larva) produzem quadros de dermatite urticante. Existe uma rara 
complicação chamada de síndrome hemorrágica, contra a qual se usa o soro 
https://www.shutterstock.com/pt/g/Vizunchik
https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0
https://www.shutterstock.com/pt/g/Maxiska
https://www.shutterstock.com/pt/g/Jay+Ondreicka
 
 
11 
antilonômico. O adulto da mariposa Hylesia sp causa a dermatite 
papulopruriginosa (Figura 5). 
Figura 5 – Exemplos de lepidópteros de interesse médico por causarem 
acidentes 
 
Créditos: Elton Aben/Shutterstock; Josman525/Shutterstock; Helissa Grundemann/Shutterstock; 
Nairobi Manrique/Shutterstock. 
Himenópteros: insetos com ferrões verdadeiros. Três famílias de 
importância médica: Apidae (abelhas e mamangavas); Vespidae (vespa 
amarela, vespão e marimbondo) e Formicidae (formigas). A incidência de 
acidentes é desconhecida, mas são de interesse por provocar reações alérgicas 
de hipersensibilidade. Os relatos mais graves são pela picada de abelhas 
africanizadas. 
No Brasil, existem 4 institutos capacitados para a produção dos soros: 
Instituto Butantã (SP), Fundação Ezequiel Dias (MG), Instituto Vital Brasil (RJ) e 
o Centro de Produção e Pesquisa em Imunobiológicos (PR). Apesar de os 
acidentes com animais peçonhentos serem de notificação obrigatória, o Brasil 
carece de um banco de dados que permita a distribuição dos soros em tempo 
seguro para o atendimento de qualidade. A OMS entrou no combate aos 
acidentes com animais peçonhentos ao colocá-los na lista das NTD – doenças 
tropicais negligenciadas. 
TEMA 4 – PRODUÇÃO DE VACINAS E SOROS BACTERIANOS, VIRAIS E 
RECOMBINANTES 
As vacinas iniciais eram relativamente grosseiras, consistindo de vírus 
vivos atenuados e parcialmente purificados, no caso da varíola humana e raiva, 
ou de bactérias inativadas (pertusis). Com o tempo foram sendo introduzidos 
métodos mais refinados como tratamentos químicos para as proteínas toxinas 
para formar os toxoides (difteria e tétano). Assim, como a tecnologia das vacinas 
 
 
12 
avançaram, os métodos de produção também evoluíram e novas vacinas 
surgiram, e continuam evoluindo para vacinas mais imunogênicas e seguras. O 
processo de produção de uma vacina para por diferentes etapas: 
1. Geração do Antígeno. (a) Vírus, são cultivados em células primárias 
(células de embriões de galinha, ovos embrionados, linhagens de células 
humanas para cultura celular de reprodução contínua); (b) Bactérias: 
cultivados em biorreatores (equipamentos que utilizam meios específicos 
que otimizam a produção do antígeno); (c) Proteínas recombinantes 
derivadas dos patógenos geradas em leveduras, bactérias ou cultura 
celular. 
2. Liberação e isolamento do antígeno. 
3. Purificação do antígeno utilizando diferentes processos, separação por 
tamanho, propriedades físico-químicas, afinidade de ligação e atividade 
biológica. Alguns precisam de inativação. 
4. Adição de outros componentes como adjuvantes (que realçam a resposta 
imune), estabilizantes e conservantes. 
5. Embalagem e distribuição. 
O desenvolvimento de vacinas modernas explora novas tecnologias que 
incluem vetores virais produzidos em células animais, partículas semelhantes a 
vírus produzidos em leveduras ou células de insetos, polissacáridos conjugados 
carregando proteínas, plasmídeos de DNA produzidos em E. coli e vacinas 
terapêuticas para câncer criadas por ativação in vitro de leucócitos do paciente, 
como mostrado no Quadro 4. 
 
 
 
13 
Quadro 4 – Evolução do processo de produção tradicional da vacina e eventos 
relacionados 
Ano Evento histórico da vacina 
1796 
A estratégia de desenvolvimento foi o uso de um vírus animal relacionado similar ao 
agente humano (uso do vírus da varíola bovina para proteção contra a varíola humana). 
1879 
Vacina bacteriana viva atenuada (cólera da galinha). Atenuação por pares sucessivos 
em meios de cultura. 
1884 
Vacina viral viva atenuada crescida em tecido cerebral e atenuada por processo químico 
(raiva). 
1897 
Vacina preparada do soro de cavalo inativada utilizando o microrganismo inteiro contra a 
peste bubônica. 
1918 
Vacina bacteriana de célula inteira inativada contra a B. pertusis que causa a 
coqueluche. 
1923 Vacina de toxoide preparada de toxinas bacterianas inativadas contra a difteria. 
1931 
Vacina liofilizada contra a varíola humana utilizando a cultura em ovos embrionados com 
vírus Vaccinia vírus hibrido. 
1949 
Vacina combinada com os toxoides diftérico e tetânico e células inteiras de B. pertusis 
(DTwP). 
1949 Vacina viral produzida com células humanas não neurais por Enders (pólio). 
1955 
Vacina viral inativada produzida in vitro com células primárias de rim de macaco contra a 
pólio por Salk. 
1962 
Linhagem de células humanas diploides (WI-38) estabelecida por Hayflick. Vacina oral 
contra pólio (Sabin). 
1986 
Vacina recombinante com partículas semelhantes a vírus produzida em leveduras 
(Hepatite B). 
1987 Vacina conjugada polissacarídeo-proteína (b). 
1996 Produção da vacina acelular contra B. pertusis. 
1998 
Vacina clássica altamente purificada usando uma abordagem biotecnológica. Vacinas 
recombinantes para Doença de Lyme. 
Após 
2003 
Vacinas vivas atenuadas por passagens em cultura celular utilizando novos rearranjos 
genéticos como as vacinas contra rotavirus, influenza. 
Fonte: elaborado com base em Josefberg; Buckland, 2012. 
Os processos de produção dos soros contra o veneno de animais 
peçonhentos, antitetânico e antirrábico em geral pouco têm mudado. Foram 
adequados todos os centros de produção aos padrões internacionais de controle 
de qualidade, visando diminuir os efeitos adversos. O processo inclui a geração 
do antígeno do próprio veneno, que é processado, diluído, filtrado e preparado 
para ser injetado nos cavalos. No caso das toxinas tetânica e rábica, primeiro 
deve-se gerar a toxina com a cultura da bactéria e do vírus que produzirão as 
toxinas que posteriormente devem ser extraídas filtradas e diluídas para serem 
injetadas nos cavalos. Após a quarentena, do sangue dos cavalos é extraído o 
 
 
14 
plasma, que passa por processosde separação de moléculas, e os anticorpos 
obtidos são filtrados e purificados, seguido de vários testes de sua atividade 
biológica e controle de qualidade. A tecnologia dos anticorpos monoclonais 
desenvolvida por Milstein e Kohler são mais puros e direcionados a um único 
sítio do patógeno. O processo de produção dos anticorpos monoclonais começa 
com a geração das células produtoras, os hibridomas, que provêm da fusão de 
células de mieloma com células B (normalmente células de camundongos). 
Posteriormente, os clones são selecionados de acordo com a especificidade de 
antígeno e classe de imunoglobulina; uma vez identificada a linha da célula do 
hibridoma promissor, cada clone é confirmado e caracterizado para ser 
escalados para a expansão dos clones em biorreatores. Os anticorpos 
monoclonais têm um grande potencial, e estão sendo usados em alguns tipos de 
câncer, esclerose múltipla e artrite reumatoide, entre outras doenças. 
TEMA 5 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE IMUNIZAÇÃO 
A história recente da política pública de imunização tem como marco o 
final da campanha de erradicação da varíola, (1962-1973). Pelo Brasil ser o 
último país da região a aderir à campanha de erradição global da varíola, iniciada 
pela OMS em 1959, teve menos tempo para cumprir as metas estipuladas, mas 
foram esses esforços que aparentemente implementaram uma cultura de 
imunização na população, apesar de termos na história episódios como o da 
Revolta da Vacina. Após a erradição da varíola, implementou-se a campanha 
contra o pólio. O programa nacional de imunização (PNI) foi estendido e 
confirmado em 1975, com a implantação dos dias nacionais de vacinação. Nesse 
mesmo ano, foi instituído o sistema nacional de vigilãncia epidemiológica e 
imunizações. O PNI é um dos programas que, apesar das críticas, têm 
aumentado a cobertura vacinal, e desde sua implantação dobradoou o número 
de vacinas fornecidas e a cobertura vacinal. O programa manteve os dias 
nacionais de vacinação, o que tem ajudado no aumento da cobertura na 
população. Em 1976, a FIOCRUZ implantou um centro de produção de vacinas. 
Em 1986, foi criado o Zé Gotinha, personagem símbolo da eliminação do pólio. 
O último caso registrado de polimielite foi em 1989 e em 1994, o Brasil recebeu 
o certificado da eliminação da pólio. 
 
 
15 
Figura 6 – Zé Gotinha, personagem símbolo da campanha de vacinação contra 
poliomielite 
 
Fonte: Ministério da Saúde, 2018. 
Atualmente, o calendário nacional de vacinação do Ministério da Saúde 
recomenda as seguintes vacinas: BCG contra tuberculose, hepatite B, DPT + HB 
– Hib (difteria, coqueluche, tétano, hepatite B e Haemophilus influenza b), VIP 
(vacina pólio injetada), rotavírus, pneumocócica, meningocócica C, febre 
amarela, tríplice viral (sarampo, rubéola, caxumba), varicela e HPV, com suas 
doses de reforço. Anualmente, o ministério fornece a vacina contra gripe para os 
grupos considerados vulneráveis. 
NA PRÁTICA 
• Pesquise sobre imunização ativa e passiva para câncer, como no artigo 
Active and passive immunization for cancer (Baxter, 2014). 
• Pesquise sobre o receptor Toll like. 
• Leia os artigos Vacinas e campanhas: as imagens de uma história a ser 
contada (Pôrto; Ponte, 2003), Vacina BCG contra tuberculose: efeito 
protetor e políticas de vacinação (Pereira et al., 2007) e A (não) vacinação 
infantil entre a cultura e a lei: os significados atribuídos por casais de 
camadas médias de São Paulo, Brasil (Barbieri; Couto; Aith, 2017). 
• Leia o artigo Acidentes de trabalho por animais peçonhentos entre 
trabalhadores do campo, floresta e águas, Brasil 2007 a 2017 (Ministério 
da Saúde, 2019) e crie uma campanha de prevenção contra acidentes 
com animais peçonhentos. 
• Pesquise sobre o plano nacional de imunização, escolha uma vacina e 
crie uma campanha, justificando sua escolha. 
 
 
16 
FINALIZANDO 
Trabalhamos nesta aula uma breve história das vacinas e os soros no 
mundo e no Brasil. A diferença entre imunidade passiva e ativa; os principais 
animais peçonhentos do Brasil. A produção das vacinas e soros e sua evolução. 
E as políticas públicas de imunização. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
BARBIERI, C. L. A.; COUTO, M. T.; AITH, F. M. A. A (não) vacinação infantil 
entre a cultura e a lei: os significados atribuídos por casais de camadas médias 
de São Paulo, Brasil. Cad. Saúde Pública. n. 33, v. 2, 2017. Disponível em: 
. 
Acesso em: 17 out. 2019. 
BAXTER, D. Active and passive immunization for cancer. Human Vaccines & 
Immuntherapeutics. n. 10, v. 7, 2014. Disponível em: 
. Data de acesso: 17 set. 2019. 
CIÊNCIA brasilis. Instagram. 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 15 out. 2019. 
ESCORPIÕES e a produção de cachaça. Site da Cachaça, 31 jul. 2017. 
Disponível em: . Acesso em: 15 out. 2019. 
JOSEFSBERG, J. O.; BUCKLAND, B. Vaccine process technology. Biotechnol. 
Bioeng. v. 109, n. 6, p. 1443-60, 2012. Disponível em: 
. Acesso em: 15 de out. 2019. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE. O Zé Gotinha também... Twitter. 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 17 
out. 2019. 
_____. Boletim epidemiológico 11. Brasília: Secretaria de Vigilância em 
Saúde, 2019. Disponível em: 
./images/pdf/2019/marco/29/2018-
059.pdf>. Acesso em: 17 out. 2019. 
PEREIRA, S. M. et al. Vacina BCG contra tuberculose: efeito protetor e políticas 
de vacinação. Rev Saúde Pública. n. 41, v. 1, 2007. Disponível em: 
. Acesso em: 17 out. 2019. 
PICADA de aranha venenosa – sintomas, cuidados e prevenção – como tratar e 
tipos de aranha. Essas e Outras. Disponível em: 
 
 
18 
. Acesso em: 15 out. 2019. 
PORTO, A.; PONTE, C. F. Vacinas e campanhas: imagens de uma história a ser 
contada. História, Ciências, Saúde. v. 10, n. 2, 2003. Disponível em: 
. Acesso em: 17 out. 2019. 
PLOTKIN, S. History of vaccination. PNAS, v. 111 n. 34, p. 12283–12287, 2014. 
Disponívelem: . Acesso em: 15 out. 2019.

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