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UNG – UNIVERSIDADE DE GUARULHOS 
 
PROCESSO PENAL III PROFESSOR ROBERTO GAMA 
 
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RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - RESE 
 
 
CONCEITO 
É o recurso cabível para impugnar as decisões interlocutórias do 
magistrado, expressamente previstas em lei. Embora essa seja a regra, o Código de 
Processo Penal terminou por criar exceções. Exemplos: a) decisão que concede ou nega 
habeas corpus, considerando-se este uma autêntica ação constitucional; b) decisão que 
julga extinta a punibilidade do agente, pertinente ao mérito, uma vez que afasta o direito 
de punir do Estado e faz terminar o processo. 
O ideal seria considerar o recurso em sentido estrito como agravo, 
valendo para todas as decisões interlocutórias, na forma da lei, aplicando-se, ainda, a 
apelação para as decisões definitivas, especialmente as que envolverem o mérito. 
 
CABIMENTO 
O Código de Processo Penal enumera expressamente as hipóteses 
para o cabimento de recurso em sentido estrito, não se admitindo ampliação por 
analogia, mas unicamente interpretação extensiva. Nas palavras de GRECO FILHO, “o rol 
legal é taxativo, não comportando ampliação por analogia, porque é exceptivo da regra 
da irrecorribilidade das interlocutórias. Todavia, como qualquer norma jurídica, podem as 
hipóteses receber a chamada interpretação extensiva. Esta não amplia o rol legal; apenas 
admite que determinada situação se enquadra no dispositivo interpretado, a despeito de 
sua linguagem mais restrita. A interpretação extensiva não amplia o conteúdo da norma; 
somente reconhece que determinada hipótese é por ela regida, anda que a sua expressão 
verbal não seja perfeita” (Manual de processo penal, p. 320). Exemplo disso pode 
observar-se na rejeição do aditamento à denúncia, que equivale à decisão de não 
recebimento da denúncia, prevista no art. 581, I. Dá-se à rejeição do aditamento uma 
interpretação extensiva, pois não deixa de ser um afastamento do direito de agir do 
Estado-acusação, manifestado pela ação penal. Cabe, então, recurso em sentido estrito. 
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Há, no entanto, corrente jurisprudencial que não admite qualquer modalidade de 
ampliação do rol previsto no art. 581. 
Justamente porque não se admite a ampliação do rol previsto no 
referido art. 581, é inadmissível a interposição de recurso em sentido estrito durante a 
fase de investigação criminal, como ocorre no inquérito policial. Eventuais decisões 
equivocadas, tomadas pelo juiz que fiscaliza o andamento da investigação, devem ser 
impugnadas por meio de correição parcial. Dependendo do caso, cuidando-se de direito 
líquido e certo, por meio de ação de impugnação: mandado de segurança (pelo MP ou 
pelo indiciado, conforme o caso) ou habeas corpus (pelo indiciado, tratando-se da 
liberdade de locomoção). 
Outro registro que merece ser feito diz respeito à inoperância de 
determinados incisos do art. 581 do CPP, tendo em vista que, pelo advento da Lei de 
Execução Penal, passam a comportar a interposição de agravo em execução. Assim, 
continua sendo viável o recurso em sentido estrito para os seguintes casos: 
a) decisão que não receber a denúncia ou a queixa (inciso I). Essa 
hipótese deveria comportar apelação, uma vez que é típica decisão terminativa do 
processo. Nesse sentido, previa o § 2.º do art. 44 da Lei 5.250/67 (Lei de Imprensa) que 
“contra a decisão que rejeitar a denúncia ou queixa cabe recurso de apelação e, contra a 
que recebê-la, recurso em sentido estrito sem suspensão do curso do processo” (hoje, 
considerada não recepcionada pelo STF). Entretanto, o Código de Processo Penal usa 
fórmula diversa, prevendo recurso em sentido estrito, quando o magistrado rejeita a 
denúncia ou queixa, e deixando de prever recurso para o recebimento. 
Por outro lado, contra a decisão que recebe a denúncia ou queixa não 
há, como regra, recurso algum. Pode-se usar, como alternativa, o habeas corpus para 
fazer cessar o constrangimento ilegal gerado pelo recebimento de denúncia ou queixa, 
sem haver a correspondente justa causa para a ação penal. 
Lembre-se de que a razão de ser do inquérito, além de formar a opinio 
delicti do promotor, é também instruir a denúncia, possibilitando que o magistrado faça 
uma avaliação preliminar da admissibilidade da acusação. Não existindo motivo suficiente 
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para o Estado-acusação ingressar com a ação penal, pode o Judiciário trancá-la, caso 
tenha havido o recebimento da peça acusatória. 
Havendo a rejeição da denúncia ou queixa e interposição de recurso 
em sentido estrito, pelo Ministério Público ou pelo querelante, conforme o caso, é 
preciso intimar o denunciado para que apresente contrarrazões. É certo que ainda não 
existe ação penal ajuizada (houve somente o início da ação penal com o oferecimento da 
denúncia ou queixa), motivo pelo qual o eventual acusado não foi chamado a integrar a 
relação processual. Não deveria, em tese, portanto, responder ao recurso, pois nem faz 
parte do processo. Ocorre que, em homenagem à ampla defesa – aliás, o recebimento ou 
a rejeição da peça acusatória é de seu legítimo interesse –, sempre se possibilitou que tal 
situação fosse viabilizada. 
Antes da modificação havida no processo civil, por meio da Lei 
8.952/94, alterando a redação do art. 296 do CPC/1973 (vide art. 331, CPC/2015), que previa 
a intimação do réu para apresentar contrarrazões ao recurso da parte contra o 
indeferimento da inicial 
(atualmente, não há mais necessidade de se intimar a parte contrária 
para contra-arrazoar), usava-se o referido art. 296 como referência e, por analogia, para 
fazer o mesmo em processo penal. Ocorre que, posteriormente, surgiu o mesmo efeito 
na Lei 9.099/95 (art. 82, § 2.º), mantendo-se intacta a posição de intimar o eventual 
acusado para manifestar-se quanto ao recurso em sentido estrito oposto contra a 
decisão de rejeição da denúncia ou queixa. 
Aliás, ainda que não houvesse o disposto no mencionado art. 82, § 2.º, 
da Lei 9.099/95, para servir de referência, outra não poderia ser a solução, a fim de dar 
cumprimento fiel à garantia constitucional da ampla defesa. Nessa ótica, conferir a lição 
de TOURINHO FILHO, Código de Processo Penal comentado, v. 2, p. 287. Recentemente, 
editou o Supremo Tribunal Federal a Súmula 707, nos seguintes termos: “Constitui 
nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso 
interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação de defensor dativo”. Vale 
ressaltar que a mesma regra ocorre no tocante à queixa-crime. Quanto à nulidade, 
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segundo nos parece, é relativa, dependente, pois, da mostra de prejuízo. Pode ocorrer, 
por exemplo, de, não havendo a intimação, o tribunal confirmar a rejeição. Logo, não se 
fala em nulidade, pois nenhum mal adveio ao denunciado. 
Quando houver o recebimento parcial da denúncia ou da queixa, o que 
sustentamos ser viável e já expusemos no capítulo referente à ação penal, cabe recurso 
em sentido estrito da parte acusatória. 
Se o recurso for provido, o acórdão do tribunal implica o recebimento 
da denúncia ou queixa, sendo desnecessário que o juiz de primeiro grau o faça, bastando 
a este que designe data para interrogatório, determinando a citação do acusado. 
Atualmente, está em vigor a Súmula 709 do STF: “Salvo quando nula a decisão de 
primeiro grau, o acórdão que provê o recurso contra a rejeição da denúncia vale, desde 
logo, pelo recebimento dela”; 
b) decisão que concluir pela incompetência do juízo (inciso II), 
configurando autêntica decisão interlocutória, pois apenas altera o juízo competente 
para julgar a causa, sem colocar fimao processo. O reconhecimento da incompetência, 
neste caso, é feito de ofício pelo magistrado. Quando houver a interposição de exceção 
de incompetência aplica-se a hipótese prevista no inciso III do art. 581 (decisão que julgar 
procedente a exceção). No caso do juiz concluir pela competência do juízo, não há 
recurso, salvo se a decisão for de flagrante ilegalidade, podendo-se ingressar com habeas 
corpus, pois o réu não deve ser processado senão pelo juiz natural. 
Lembremos que uma das hipóteses do juiz da Vara do Júri, quando 
termina a fase da formação da culpa, é a desclassificação da infração penal para outra, de 
competência de outro juízo que não o Tribunal do Júri (art. 419, CPP). Exemplo: 
verificando que não se tratou de homicídio seguido de furto, mas de autêntico latrocínio. 
Cuida-se de alteração de competência, impugnável por recurso em sentido estrito, com 
base também no inciso II do art. 581; 
c) decisão que julgar procedentes as exceções, salvo a de suspeição 
(inciso III), que deveria comportar, na realidade, para algumas situações, apelação, pois 
é terminativa do procedimento incidente autuado em apartado, como ocorre nos casos 
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de exceção de coisa julgada, litispendência e ilegitimidade de parte. Rejeitando a exceção 
relativa a qualquer dessas matérias, não há recurso cabível, podendo a parte prejudicada 
valer-se de habeas corpus, em caso de flagrante ilegalidade, ou aguardar futura e 
eventual apelação, para reiterar a impugnação. 
Por outro lado, a procedência da exceção de incompetência não é 
terminativa, logo, é autenticamente interlocutória, cabendo recurso em sentido estrito. 
Entretanto, se o magistrado rejeita a exceção, não cabe recurso, exceto em casos de 
situações teratológicas, evidenciando juízo nitidamente incompetente (ofensivo ao 
princípio do juiz natural), cabendo habeas corpus por parte do réu. 
Quanto à ressalva feita no tocante à exceção de suspeição, não há 
necessidade de interposição de recurso em sentido estrito, pois, se for aceita a causa de 
suspeição levantada, segundo dispõe o art. 99 do CPP, deverá o magistrado suspender o 
curso do processo e enviar os autos ao substituto. Há controle do Tribunal de Justiça, 
pois a designação de magistrado para substituir o suspeito é feita pela Presidência. Logo, 
o juiz não deve acolher exceção quando a suspeição não for autêntica, sob pena de 
responsabilidade funcional. Por outro lado, caso não reconheça a suspeição aventada, 
segue-se o disposto no art. 100, caput, do CPP, determinando-se a remessa dos autos 
apartados, necessariamente, à Instância Superior; 
d) decisão que pronunciar o réu (inciso IV), nítida decisão 
interlocutória. A decisão de pronúncia é interlocutória mista, mesmo porque julga apenas 
a admissibilidade da acusação, encaminhando o feito à apreciação do Tribunal do Júri. 
Não ingressa no mérito, embora profira um julgamento mais apurado do que ocorre com 
o simples recebimento da denúncia ou queixa. 
No caso da impronúncia, entretanto, ocorre típica decisão terminativa, 
colocando fim ao processo. Logo, com a edição da Lei 11.689/2008, passa a ser 
impugnada, corretamente, por apelação (art. 416, CPP); 
e) decisão que conceder, negar, arbitrar, cassar ou julgar inidônea a 
fiança, indeferir requerimento de prisão preventiva ou revogá-la, conceder liberdade 
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provisória ou relaxar a prisão em flagrante (inciso V), constituindo, todas elas, decisões 
interlocutórias. 
Pode o juiz decidir acerca da fiança, concedendo-a, negando-a, 
arbitrando valor muito baixo ou excessivo, cassando-a ou mesmo julgando-a não idônea. 
Nessa parte, a lei prevê tanto situação favorável ao réu quanto desfavorável. Assim, 
concedida a fiança ou fixado um valor muito baixo, pode o Ministério Público recorrer. 
Negada, cassada ou considerada inidônea, cabe ao acusado apresentar seu 
inconformismo. Embora quando a decisão seja desfavorável ao réu possa este impetrar 
habeas corpus, pois se está diante de norma que envolve a liberdade de locomoção, 
previu o legislador a possibilidade de utilização do recurso em sentido estrito, o que não 
aconteceu nas hipóteses que se seguem. Em se tratando de prisão preventiva, pode o 
juiz indeferir o pedido formulado pelo promotor, não acolher a representação feita pelo 
delegado ou revogá-la, propiciando recurso por parte do Ministério Público. Não se 
tratou das situações envolvendo a decretação da preventiva ou indeferimento de sua 
revogação, o que provoca, como alternativa única para o interessado, a impetração de 
habeas corpus. 
Aliás, no caso de negativa de fiança, cassação ou consideração de sua 
inidoneidade, via de regra, o réu vale-se da ação constitucional, que é muito mais célere. 
Por outro lado, quando o juiz conceder liberdade provisória, pode o Ministério Público 
recorrer, mas não cabe recurso em sentido estrito para o réu, se tiver o seu pedido de 
liberdade provisória negado, valendo-se ele do habeas corpus. 
Finalmente, quando a prisão, por ser ilegal, merecer ser relaxada, caso 
o juiz o faça, proporciona ao Ministério Público a interposição de recurso em sentido 
estrito. Quando houver negativa ao relaxamento, somente por habeas corpus o 
interessado pode questionar a decisão. 
Vale destacar que alguns julgados têm permitido a interposição, pelo 
Ministério Público, de mandado de segurança para dar “efeito suspensivo ao recurso em 
sentido estrito”, que, como regra, não o tem, evitando-se a libertação de pessoa 
considerada perigosa. Era o que se dava, por exemplo, quando o juiz, em afronta à Lei 
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8.072/90 (Crimes Hediondos), concedia liberdade provisória a quem havia sido preso em 
flagrante pela prática de crime hediondo ou equiparado. Atualmente, em face da edição 
da Lei 11.464/2007, permite-se a liberdade provisória, sem fiança, aos acusados por tais 
delitos. O exemplo permanece válido para ilustrar o ponto em debate. Por isso, não nos 
parece deva o tribunal conceder a ordem para dar efeito suspensivo ao recurso em 
sentido estrito, pois este não o possui; logo, não se trata de garantir direito líquido e 
certo. O correto seria conceder a segurança para evitar a soltura, uma vez que a decisão 
do magistrado teria afrontado diretamente disposição legal, sendo justificável considerar 
direito líquido e certo da sociedade, representada pelo Ministério Público, a manutenção 
da prisão (isso antes do novo tratamento dado à liberdade provisória para delitos 
hediondos e equiparados – Lei 11.464/2007). O mandado de segurança, ao contrário do 
habeas corpus, pode ser usado tanto pelo indivíduo, quanto pelo Ministério Público, uma 
vez que se destina à proteção de direito líquido e certo (qualquer um) e não 
exclusivamente ao direito de ir e vir, que é o caso do habeas corpus. Lembremos que a 
Lei 12.016/2009 consolida o entendimento de que cabe mandado de segurança, quando 
interposto contra decisão judicial da qual não caiba recurso com efeito suspensivo (art. 
5.º, II). 
Tem-se entendido, ainda, que o assistente de acusação é parte 
ilegítima para interpor recurso em sentido estrito nas hipóteses em que o juiz concede 
liberdade ao acusado. Trata-se de interesse da sociedade – e não do ofendido – manter o 
acusado no cárcere, provisoriamente, ou permitir que aguarde seu julgamento definitivo 
em liberdade. 
Pensamos, no entanto, em sentido contrário, ou seja, o ideal seria 
suprimir as várias delimitações que o processo penal ainda coloca para a atuação do 
ofendido, como assistente de acusação, sob o fundamento de que a vítima que persiga o 
réu pode transformar o feito num campo propício para o exercícioda vindita, o que seria 
indevido. A participação da vítima seria vista, pois, somente como uma alternativa viável 
a garantir a condenação, a fim de ser conseguido um título executivo judicial, para dar 
início, na esfera cível, à ação civil ex delicto. Ocorre que o ofendido por um crime pode ter 
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nítido interesse em buscar justiça e a correta aplicação da lei penal e processual penal, 
não se cingindo a sua atuação à procura de um título executivo, que o habilite à 
indenização civil. Embora o interesse primordial, em crimes de ação pública, seja da 
sociedade, representada pelo Ministério Público, deve-se garantir que o ofendido, 
querendo, tenha papel relevante na instrução, podendo recorrer de todas as decisões 
contrárias ao que considera legítimo e justo. 
Ademais, com a edição da Lei 11.690/2008, passa-se a dar ciência à 
vítima toda vez que o réu ingressar ou sair da prisão (art. 201, § 2.º, CPP). Qual o sentido 
disso se não se abriu a oportunidade de oferecer o ofendido recurso contra a soltura do 
acusado? Por isso, a alteração nesse prisma precisa ocorrer, sob pena de ficar sem sentido 
prático o crescimento da figura da vítima no processo penal. 
Quando a ação penal for privada (exclusiva ou subsidiária da pública), 
é natural que o querelante possa recorrer das decisões concernentes à liberdade do réu, 
pois é a parte principal no polo ativo; 
f) decisão que absolver sumariamente o réu (inciso VI): o dispositivo 
foi revogado, uma vez que a absolvição sumária, sentença terminativa de mérito que é, 
passa a ser impugnada, corretamente, por apelação (art. 416, CPP); 
g) decisão que julgar quebrada a fiança ou perdido o seu valor (inciso 
VII), constituindo decisão interlocutória, sendo ambas as hipóteses desfavoráveis ao 
acusado. Quando houver o quebramento, implicando a obrigação de se recolher à prisão, 
pode dar ensejo à impetração de habeas corpus. Caso o juiz negue o quebramento ou a 
perda, o Ministério Público somente pode insurgir-se contra a decisão em preliminar de 
futura apelação, se houver; 
h) decisão que decretar a prescrição ou julgar, por outro modo, extinta 
a punibilidade (inciso VIII), que mereceria ser impugnada por apelação, uma vez que 
afasta a pretensão punitiva do Estado, não deixando, pois, de ser uma decisão 
terminativa de mérito. Pode-se até discutir que não é verdadeiramente o mérito da 
imputação (fato típico, antijurídico e culpável), mas, ainda assim, o ideal seria a apelação. 
Além do mais, é incompreensível, como vem apontando a doutrina, a redação do inciso 
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em questão. Fala-se da decisão que decretar a prescrição ou julgar extinta a punibilidade, 
por outra causa, sendo certo que a prescrição não deixa de ser uma das causas de 
extinção da punibilidade. Logo, há nítida redundância. 
Ao julgar extinta a punibilidade, o magistrado não apreciou o mérito da 
imputação, razão pela qual, se provido o recurso da acusação, o processo retornará à 
origem para a continuidade da instrução ou para que seja proferida sentença 
condenatória ou absolutória. 
Nessa hipótese, o assistente de acusação, habilitado ou não, pode 
apresentar recurso em sentido estrito (art. 584, § 1.º, CPP); 
i) decisão que indeferir o pedido de reconhecimento da prescrição ou 
de outra causa extintiva da punibilidade (inciso IX), esta, sim, autêntica decisão 
interlocutória, uma vez que o processo continua normalmente. Aliás, é a contraposição 
do inciso anterior, que autoriza o recurso em sentido estrito contra a decisão que julga 
extinta a punibilidade. Bastaria, no entanto, ter feito menção ao indeferimento de causa 
extintiva da punibilidade, deixando de lado a prescrição, que já está inserida no contexto 
dos motivos de extinção da punibilidade do réu; 
j) decisão que concede ou nega a ordem de habeas corpus (inciso X), 
que, em nosso entendimento, é decisão de mérito da ação de impugnação, logo, deveria 
ser impugnada por apelação. Lembremos, ainda, que, na hipótese de decisão concessiva 
do habeas corpus, ainda que haja recurso voluntário, cabe o denominado recurso de 
ofício, obrigando o reexame da decisão por instância superior, conforme o art. 574, I, do 
CPP; 
l) decisão que anular o processo da instrução criminal, no todo ou em 
parte (inciso XIII), pois típica decisão interlocutória. É preciso ressaltar, no entanto, que 
dificilmente o recurso será julgado antes da reprodução dos atos processuais, perdendo 
o sentido prático a sua interposição. Negando o magistrado a anulação do processo, 
requerida por qualquer das partes, não cabe recurso, salvo, em casos teratológicos, a 
impugnação por habeas corpus – por parte do réu, como regra – ou mesmo a reiteração 
da questão em preliminar de futura apelação, pela parte prejudicada; 
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m) decisão que incluir jurado na lista geral ou desta o excluir (inciso 
XIV), outra autêntica decisão interlocutória. Tendo em vista a imparcial formação da lista 
de jurados, o procedimento deve ser de conhecimento geral, publicando-se o resultado 
final na imprensa e afixando-se no fórum. Logo, é possível que qualquer pessoa 
questione a idoneidade de um jurado, incluído na lista (ver art. 426, § 1.º, CPP). Nesse caso, 
pode o juiz, acolhendo petição da parte interessada, excluí-lo da lista, o que dá margem 
ao inconformismo daquele que foi extirpado. Por outro lado, a inclusão de alguém, 
impugnada e mantida pelo magistrado, dá lugar, também, à interposição de recurso em 
sentido estrito. Nesse caso, em caráter excepcional, segue o recurso ao Presidente do 
Tribunal de Justiça. O prazo para sua interposição é, excepcionalmente, de vinte dias, 
contado da data da publicação da lista definitiva dos jurados (art. 586, parágrafo único); 
n) decisão que denegar a apelação ou a julgar deserta (inciso XV), 
também decisão interlocutória, justificando-se o recurso em sentido estrito. Caso o juiz 
receba, indevidamente, apelação (apresentada fora do prazo, por exemplo), cabe à parte 
contrária levantar em preliminar das contrarrazões a impossibilidade de conhecimento, 
mas não se interpõe recurso à parte. 
Esta situação propicia recurso ao assistente de acusação, embora não 
haja expressa menção no art. 584, § 1.º, nem no art. 598. É consequência natural do seu 
direito de apelar. Sendo denegado, é preciso que a lei lhe garanta o socorro devido; 
o) decisão que ordenar a suspensão do processo, em virtude de 
questão prejudicial (inciso XVI), cuidando-se de autêntica decisão interlocutória. Sobre a 
incidência de questão prejudicial, ver os arts. 92 e 93 do CPP. Decidindo o juiz que a 
questão a ser apreciada no juízo cível constitui matéria importante para o deslinde da 
causa criminal, devendo ser decidida previamente, determinará a suspensão do trâmite 
do processo criminal. Sem dúvida, essa decisão implica quase sempre prejuízo, direto ou 
indireto, para alguma das partes, interessada no rápido desfecho do processo, por 
variadas razões (testemunhas que se esquecem do que viram ou ouviram, provas 
periciais que podem ficar prejudicadas etc.). Assim, a decisão pode ser impugnada pela 
via do recurso em sentido estrito. 
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Se o magistrado negar a suspensão do processo não cabe recurso, 
afinal, é faculdade sua apreciar o seu cabimento, em razão de questão prejudicial, porque 
deve buscar certificar-se, antecipadamente, da relevância da decisão do juiz civil. Evita-se 
com isso o sobrestamento inconsistente da ação penal; 
p) decisão que decidir o incidente de falsidade (inciso XVIII), queé, de 
fato, decisão interlocutória, pela qual o juiz verifica ser ou não falso determinado 
documento – material ou ideologicamente –, produzindo, como efeito, a manutenção do 
referido documento nos autos, caso o incidente seja improcedente, ou o seu 
desentranhamento, não mais sendo utilizado como prova, quando o incidente for 
procedente. Logicamente, a despeito da impugnação da decisão ser feita por recurso em 
sentido estrito, a qualquer momento, pode a questão ser reapreciada, dando-se ao 
documento o seu devido valor, caso ele ainda esteja entranhado nos autos. Assim sendo, 
somente na sentença é que o magistrado irá, realmente, verificar a validade do 
documento para a apuração da verdade real, sendo natural que torne a tratar do tema. 
Embora constando do rol do art. 581 do CPP, não mais comportam 
recurso em sentido estrito as seguintes situações: 
a) decisão que conceder, negar ou revogar a suspensão condicional da 
pena (inciso XI), pois outros dois recursos estão disponíveis para tanto (agravo em 
execução e apelação). 
A regra para a concessão da suspensão condicional da pena é que seja 
feita na sentença condenatória, conforme expressamente prevê o art. 157 da Lei de 
Execução Penal. Logo, é caso de apelação, caso seja indevidamente concedida ou mesmo 
se for negada. 
Excepcionalmente, quando o juiz da execução criminal alterar as 
condições do sursis (art. 158, § 2.º, LEP), considerá-lo sem efeito (art. 161, LEP), revogá-lo 
ou prorrogá-lo (art. 162, LEP), provocará a possibilidade de interposição de agravo (art. 
197, LEP) e não de recurso em sentido estrito. 
Aparentemente, poderia haver uma hipótese remanescente para a 
utilização do recurso em sentido estrito: se o réu não comparecer à audiência 
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admonitória e o sursis ficar sem efeito, devendo ser a pena imediatamente executada 
(art. 161, LEP). Mas não é realidade. 
Destarte, caso, injustificadamente, tenha sido a suspensão condicional 
da pena tornada sem efeito (por exemplo, se o réu não foi devidamente intimado para a 
referida audiência), não cabe recurso algum contra a decisão do juiz da condenação, que 
expedirá guia de recolhimento. O caminho correto para o condenado é reiterar ao juiz da 
execução a restauração do benefício, demonstrando-lhe a falha ocorrida. Assim sendo, 
se o juiz negar, caberá agravo. Caso acolha o pedido, restaurará o sursis. E mais, se a 
decisão do juiz da condenação implicar a prisão indevida do sentenciado, melhor resolver 
pela via do habeas corpus, mais rápida e eficaz; 
b) decisão que conceder, negar ou revogar livramento condicional 
(inciso XII), cuidando-se de decisão interlocutória, mas da alçada da Lei de Execução 
Penal, impugnada pelo agravo (art. 197, Lei 7.210/84); 
c) decisão a respeito da unificação de penas (inciso XVII), que é decisão 
interlocutória proferida durante a execução das penas, logo, impugnável pelo agravo. A 
unificação é um autêntico incidente na execução da pena, valendo para transformar 
vários títulos (sentenças condenatórias diversas) em um único, seja para produzir a soma 
de penas (quando há várias condenações em concurso material, conforme o art. 69, CP), 
seja para transformar várias penas em uma só, com uma causa de aumento (quando não 
foi anteriormente reconhecido o crime continuado – art. 71, CP – ou o concurso formal – 
art. 70, CP) ou, ainda, para fixar o teto de cumprimento da pena (quando a pena 
ultrapassar o montante de 30 anos, seguindo-se o disposto no art. 75, CP); 
d) decisão que decretar medida de segurança, depois de transitar a 
sentença em julgado (inciso XIX), cuidando-se de decisão interlocutória do processo de 
execução da pena, impugnável pelo agravo. Dispõe o art. 183 da Lei de Execução Penal 
(Lei 7.210/84) o seguinte: “Quando, no curso da execução da pena privativa de liberdade, 
sobrevier doença mental ou perturbação da saúde mental, o juiz, de ofício, a 
requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou da autoridade 
administrativa, poderá determinar a substituição da pena por medida de segurança”. 
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Significa, portanto, que o acusado foi condenado no processo de conhecimento e 
encontra-se cumprindo pena privativa de liberdade. Porém, adoece mentalmente, não 
mais podendo ficar em presídio comum, razão pela qual o magistrado converte sua pena 
em medida de segurança, transferindo-o para hospital de custódia e tratamento; 
e) decisão que impuser medida de segurança por transgressão de 
outra (inciso XX), outra decisão interlocutória do processo de execução, passível de 
impugnação pelo agravo. Decorre do art. 184, caput, da Lei de Execução Penal (Lei 
7.210/84): “O tratamento ambulatorial poderá ser convertido em internação se o agente 
revelar incompatibilidade com a medida”. Há duas medidas de segurança: 
internação (para casos mais graves) e tratamento ambulatorial (para 
outras situações). Esta última é cumprida em liberdade, com a obrigação de comparecer 
ao médico regularmente para acompanhamento. Portanto, se não forem cumpridas suas 
condições, pode o juiz determinar a sua conversão em internação; 
f) decisão que mantiver ou substituir a medida de segurança, nos casos 
do art. 774 (inciso XXI), que não mais subsiste, pois foi revogado, tacitamente, pela Lei 
7.210/84, o mencionado art. 774 do CPP; 
g) decisão que revogar a medida de segurança (inciso XXII), que é 
decisão interlocutória, provocando a libertação do agente ou sua liberação do 
tratamento ambulatorial (art. 179, LEP), sujeita à impugnação pela via do agravo. É a única 
hipótese de agravo em execução com efeito suspensivo; 
h) decisão que deixar de revogar a medida de segurança, nos casos em 
que a lei admita a revogação (inciso XXIII), outra decisão interlocutória, impugnável pelo 
agravo em execução. Trata-se do previsto nos arts. 175 a 179 da Lei de Execução Penal 
(Lei 7.210/84), referindo-se à cessação da periculosidade como causa para a libertação ou 
desoneração do agente. Se, preenchidos os requisitos legais, o juiz não determinar a 
cessação do cumprimento da medida de segurança, cabe agravo; 
i) decisão que converter a multa em detenção ou em prisão simples 
(inciso XXIV), que não mais encontra aplicação, tendo em vista a modificação do art. 51 
do Código Penal, vedando a possibilidade de conversão de multa em prisão. 
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PROCESSAMENTO DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO 
O prazo para interposição é de cinco dias, exceto na hipótese de 
inclusão ou exclusão de jurado da lista geral, cujo prazo é de vinte dias, contados da data 
da publicação definitiva da referida lista (art. 586, caput e parágrafo único, CPP, 
respectivamente). 
Pode haver a formação de instrumento à parte, que será remetido ao 
tribunal, a fim de não prejudicar o andamento da instrução, como também se prevê a 
possibilidade de subida do recurso nos próprios autos do processo (art. 583, CPP). 
São hipóteses em que o recurso sobe com os autos: 
a) recursos de ofício, como ocorre na concessão de habeas corpus; 
b) não recebimento da denúncia ou queixa; 
c) procedência das exceções (salvo a de suspeição); 
d) pronúncia. Neste caso, é incompreensível que o recurso contra a 
pronúncia suba nos próprios autos, o que prejudica o prosseguimento da instrução, ao 
mesmo tempo em que o art. 584, § 2.º, do CPP, preceitua que “o recurso da pronúncia 
suspenderá tão somente o julgamento”. Não se pode instruir o feito, deixando-o pronto 
para o plenário, sem os autos principais. Ademais, o dispositivo entra em conflito com a 
exigência de preclusão da pronúncia para que se possa inaugurar a segunda fase do 
procedimento do júri (fasede preparação do plenário), conforme preveem os arts. 421 e 
422 do CPP. Em suma, o correto é que o recurso contra a pronúncia suba nos próprios 
autos e que se aguarde o seu retorno para dar continuidade às demais fases do processo; 
e) decretação da extinção da punibilidade; 
f) julgamento de habeas corpus; 
g) toda vez que não houver prejuízo para o prosseguimento da 
instrução. 
A maioria das situações descritas provoca a paralisação do andamento 
do processo principal, motivo pelo qual não há empecilho para o recurso em sentido 
estrito ser processado nos autos, sem a formação do instrumento. Exemplos de recursos 
que não prejudicam o andamento do processo: a) contra decisão que indefere o 
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seguimento da apelação, já que o recurso em sentido estrito tem efeito suspensivo nesta 
hipótese (art. 584), não existindo razão para formar-se um instrumento à parte; b) contra 
decisão que ordena a suspensão do processo, em virtude de questão prejudicial, pois o 
trâmite processual cessa de toda maneira. 
São hipóteses em que se forma o instrumento para subida à parte: 
a) decisão que conclui pela incompetência do juízo; 
b) toda decisão concernente à liberdade do réu; 
c) indeferimento do reconhecimento da extinção da punibilidade; 
d) anulação da instrução no todo ou em parte; 
e) inclusão ou exclusão do jurado da lista geral; 
f) julgamento do incidente de falsidade. 
Para a subida por instrumento, incumbe à parte interessada indicar as 
peças que pretende ver encartadas nos autos do recurso em sentido estrito (art. 587, 
caput, CPP). O mesmo procedimento pode ser adotado pelo recorrido que, ao se 
manifestar (art. 588, CPP), também pode indicar peças para compor o instrumento. 
São peças obrigatórias para que o tribunal possa averiguar os 
requisitos de admissibilidade do recurso, tais como a tempestividade, o interesse, a 
adequação e a legitimidade: a) decisão recorrida; b) certidão de sua intimação; c) termo 
de interposição do recurso. 
Todas as hipóteses mencionadas no tópico anterior, referentes ao 
agravo em execução, comportam a formação do instrumento para não prejudicar o 
andamento da execução da pena. Por vezes, sobem os autos do incidente gerado na 
execução, pois já está destacado do principal. Exemplo: quando o condenado pleiteia 
livramento condicional, forma-se uma autuação em apenso aos autos da execução 
principal. Se o juiz conceder ou negar o livramento, havendo agravo, sobem os autos 
desse incidente, apenas. 
Outra situação destacada pelo art. 583, parágrafo único, do CPP, 
recomendando a formação de instrumento à parte, é a pluralidade de réus em caso de 
pronúncia. Logo, havendo mais de um pronunciado, é possível que alguns não recorram, 
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transitando em julgado a decisão, valendo, para eles, o encaminhamento do caso à 
apreciação do Tribunal Popular. Para aquele que recorrer, impõe-se a formação de um 
traslado, isto é, autos apartados, a fim de que suba o recurso, sem prejuízo do andamento 
do processo principal. Por outro lado, estipula o artigo em comento que a falta de 
intimação de um deles faz com que o recurso interposto por outro provoque a formação 
do mencionado traslado. 
O recurso em sentido estrito tem, como regra, o efeito meramente 
devolutivo, isto é, devolve ao tribunal o conhecimento da matéria nele aventada, mas 
não provoca a suspensão do andamento do feito. 
Excepcionalmente, têm efeito suspensivo os seguintes casos (art. 
584, CPP): 
a) contra decisão que considera perdida a fiança (art. 581, VII, segunda 
parte); 
b) contra decisão que denega seguimento à apelação ou a considera 
deserta (art. 581, XV); 
c) contra decisão que considera quebrada a fiança, somente na parte 
referente à perda de metade de seu valor (art. 581, VII, primeira parte). Lembremos que 
a declaração de quebra da fiança provoca dois efeitos: perda de metade de seu valor (o 
que a interposição do recurso permite não seja aplicado de imediato) e recolhimento ao 
cárcere (para tanto, não há efeito suspensivo, mas pode comportar habeas corpus para 
evitar a prisão). 
Não mais tem aplicação o disposto no art. 584 quanto à concessão do 
livramento condicional, unificação de penas e conversão de multa em prisão. Os dois 
primeiros passaram a ser disciplinados pela Lei de Execução Penal, passíveis de 
impugnação pela via do agravo, sem efeito suspensivo. O último caso foi extirpado pela 
modificação do art. 51 do Código Penal, inexistindo conversão de multa em prisão. 
Após a interposição do recurso, dentro de 2 (dois) dias, contados da 
sua apresentação ou do dia em que o escrivão, providenciado o traslado (quando for o 
caso), o fizer com vista ao recorrente, deverá este oferecer as razões. Em seguida, por 
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igual prazo, abre-se vista ao recorrido. Quando este for o acusado, será intimado na 
pessoa de seu defensor (art. 588, CPP). A redação do referido art. 588 dá a entender que 
o prazo de dois dias corre da data da interposição do recurso, sem qualquer intimação, o 
que não corresponde à realidade, aplicando-se a regra geral do art. 798, § 5.º, a, do Código 
de Processo Penal. Justifica-se esse entendimento, pois o recorrente, ao apresentar seu 
recurso, deve aguardar o recebimento pelo juiz e seu regular processamento, para, 
então, poder apresentar suas razões. 
Na sequência, com a resposta do recorrido ou sem ela, o recurso é 
concluso ao juiz, que terá dois dias para reformar ou manter sua decisão, mandando 
instruir o recurso com os traslados que julgar necessários (art. 589, caput). É o 
denominado juízo de retratação, propiciando ao magistrado, tomando conhecimento 
das razões do recorrente, convencer-se de que se equivocou na decisão, reformando-a. 
Nesta hipótese, a parte contrária, por simples petição, poderá recorrer 
da nova decisão, se comportar recurso, não sendo mais lícito ao magistrado modificá-la. 
Independentemente de novos arrazoados, pois as partes já se manifestaram sobre a 
questão em debate, determinará a subida do recurso ao tribunal (art. 589, parágrafo 
único, CPP). 
Vale exemplificar que, por vezes, quando o magistrado, no juízo de 
retratação, reformar a decisão, pode não caber recurso da parte contrária, que foi 
prejudicada pelo novo entendimento adotado. Assim, quando o juiz reconhece uma 
exceção (de ilegitimidade de parte, por exemplo), cabe recurso. Se houver retratação, 
voltando atrás o magistrado, não cabe recurso, de modo que a outra parte deve 
conformar-se ou reiterar a questão em preliminar de apelação. 
O indeferimento do seguimento do recurso em sentido estrito 
comporta a interposição de carta testemunhável.

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