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Embargos de Terceiros ● Conceito: ↳ É ação que se utiliza quando a pessoa que não é parte do processo, ou seja, o terceiro que fazer cessar apreensão ou agressão indevida ou evitar que elas ocorram. ↳ Essa agressão indevida foi praticada por meio de um ato oriundo de um processo judicial que está tramitando. ↳ É ação que se utilizar para fazer cessar/desfazer a constrição que recaiu de forma indevida no bem do terceiro. ⇘ constrição: ato que se originou em um processo de execução, que possui como finalidade desapossar e torná lo indisponível ao devedor. ↳ Exemplos de atos de desapossamento ou atos de constrição: a) penhora: instituto processual que só existe no processo de execução (mais comum). b) busca e apreensão: o bem é retirado da esfera de disponibilidade do devedor. c) arresto: é um procedimento determinado pelo juiz, visando a garantia futura da execução ao apreender qualquer bem do devedor. d) sequestro: são tutelas cautelares que possuem como finalidade apreender o bem do devedor que pender litígio, e) arrolamento de bens: ⇘ Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro. ● Hipóteses de Cabimento: ↳ Em um processo de execução, o credor buscando o cumprimento da obrigação busca os bens de propriedade do devedor. Porém, por erro do próprio judiciário, pode ocorrer a constrição indevida de bens de terceiro, ou seja, a penhora recai sobre um bem que não é do devedor. ↳ Dessa forma, essas são as seguintes hipóteses: a) se é de terceiro, não é do autor e nem do réu; b) ação em curso, e dela originou uma apreensão de um bem de terceiro; c) houve uma constrição indevida sobre um bem de terceiro, pensando se tratar de um bem de propriedade do devedor. ● Requisitos: ↳ Para que se possa entrar com o embargos, que é uma ação autônoma, é preciso que haja: a) constrição ou ameaça de constrição: ↳ só existe a ação se tiver uma ação em curso e dessa ação se originou uma determinação judicial que causou a constrição indevida b) deve ser proprietária ou possuidor: ↳ deve proprietário, ainda que fiduciário, ou possuidor do bem ou direito apreendido ou ameaçado. ⇘ proprietário fiduciário: aquele em que ocorre a transferência do bem para garantia do cumprimento de uma obrigação. ⇘ Art. 674. § 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário, ou possuidor. c) deve ser um terceiro: ↳ isso quer dizer que não participa da relação jurídica já instaurada, não sendo autor e nem réu, mas foi atingido pelo ato processual desta. ● Legitimidade: 1) Ativa (EMBARGANTE): ↳ O autor dos embargos de terceiros é chamado de embargante. ⇘ Art. 674. § 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento dos embargos: I - o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens próprios ou de sua meação, ressalvado o disposto no art. 843 ; ↳ TODAS as vezes que é ajuizado uma ação contra um devedor casado, independentemente do casamento, presume-se que a obrigação que foi contraída, foi revertida em prol da família. ↳ O cônjuge poderá usar dos embargos de terceiro quando for efetivado uma penhora sobre um bem imóvel que ele tenha direito sobre. ↳ Dessa forma, ele deseja defender a sua propriedade ou apenas a sua meação. ⇘ meação: penhorou um bem que também é meu, na integralidade ou a minha parte pelo regime de casamento. II - o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução; ↳ Qualquer bem que o devedor venda após a sua citação no processo de execução é considerada fraude à execução (venda da má-fé). ↳ O terceiro adquirente do bem, só pode se utilizar dos embargos se demonstrar que agiu de boa-fé, ou seja, que não sabia de possíveis constrições. ↳ Porém se o terceiro sabia e mesmo assim o adquiriu não poderá se utilizar desse instrumento processual. III - quem sofre constrição judicial de seus bens por força de desconsideração da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez parte; ↳ Em regra, quando há uma execução em face de uma empresa os bens que serão penhorados são o da própria empresa. ↳ Porém, quando eles não são suficientes a penhora pode recair sobre os bens do sócio (incidente de desconsideração da personalidade jurídica). ↳ Nesses casos, se for instaurado o incidente e um dos sócios ficou “para trás”, ou seja, não foi intimado para se manifestar e um de seus bens é penhorado ele adquire legitimidade para interpor embargos de terceiros e questionar a constrição existente. IV - o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos expropriatórios respectivos. ↳ Quando um bem é financiado com garantia real do cumprimento da obrigação e ele é penhorado, o credor que possui essa garantia deve ser intimado com 5 dias de antecedência. ↳ Porém, se ele não for intimado, ele possui a legitimidade de entrar com embargos de terceiros para preservar seu direito de preferência. ➔ OUTRAS LEGITIMIDADES ATIVAS: ↳ A doutrina e a jurisprudência também reconhecem que possuem legitimidade ativa: a) assistente: ↳ O ASSISTENTE que defende o interesse do assistido. ↳ Para que isso ocorra, deve ter uma constrição indevida. b) adquirente: ↳ O ADQUIRENTE que não registrou o compromisso de compra e venda, mesmo que não tenha registro. ↳ O compromissário possui a legitimidade (não tem propriedade regular mas tem a posse). ⇘ “O titular de promessa de compra e venda, irrevogável e quitada, estando na posse do imóvel, pode-se opor à penhora deste mediante embargos de terceiro, em execução intentada contra o promitente vendedor, ainda que a promessa não esteja inscrita.” - Súmula 84 STJ 2) Passiva: ↳ O réu dos embargos de terceiros é chamado de embargado. ↳ A ação é contra quem indicou o bem ou o direito a penhora. ↳ Na maioria dos casos é o CREDOR. ↳ Porém se o DEVEDOR indicou o bem à penhora na ação de execução, ele entrará no polo passivo junto com o credor (CREDOR + DEVEDOR) ↳ Resumindo o polo passivo: a) credor indicou o bem/direito: CREDOR. b) devedor indicou o bem/direito: CREDOR + DEVEDOR. ● Prazo para Intervir no Processo: ⇘ Art. 675. Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. 1) Intervenção em Processo de Conhecimento: ↳ Pode-se opor embargos de terceiro em processo de conhecimento a qualquer tempo, desde que a sentença não tenha transitado em julgado. ↳ Caso o processo esteja em grau de recurso pode, pois ainda não ocorreu o trânsito, mas a competência não será do tribunal e sim do juízo de primeiro grau. 2) Intervenção em Processo de Execução ou Cumprimento de Sentença: ↳ Pode-se opor a ação em um prazo de 5 DIAS depois da adjudicação, alienação ou arrematação, mas sempre ANTES da assinatura da carta. ↳ O prazo final para o embargante intervir é em até 5 DIAS APÓS os atos de expropriação. 3) Fraude à Execução: ↳ Quando se tem uma situação de fraude à execução o terceiro possui um prazo de 15 DIAS a partir do momento em que foi intimado da declaração de ineficácia para entrar com os embargos. ● Competência: ↳ A competência é do juiz do processo principal, mas os embargos não são autuados em apenso e sim de forma dependente. ↳ Regra de competência funcional absoluta. ⇘ Art. 676. Os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo que ordenou a constrição e autuados em apartado. ➔ CARTA PRECATÓRIA: ↳ Em regra, a competênciaé do juiz deprecante, ou seja, daquele que determinou a realização do ato (expediu a CP). ⇘ Art. 676. Parágrafo único. Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os embargos serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a carta. a) CP devolvida: competência do juízo deprecante. b) CP não foi devolvida: competência do juízo deprecado. ↳ Se os embargos forem opostos em face da União, autarquias e empresas públicas a competência será da Justiça Federal. ⇘ Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; ● Aspectos Procedimentais: 1) Petição Inicial: ↳ Como toda petição inicial, obrigatoriamente, deve obedecer os requisitos do artigo 319 do CPC. ↳ Também deve apresentar, de imediato, as provas que comprovem o direito pleiteado pelo embargante. ⇘ as provas também podem ser produzidas na audiência preliminar, situação em que também deve comprovar sua situação de terceiro por meio de testemunhas. ↳ Também é fundamental que seja mencionada, na referida peça, se o terceiro é possuidor OU proprietário do bem/direito, além de mencionar que sofreu uma constrição indevida. ⇘ a posse é fácil de ser comprovada; basta uma certidão de propriedade expedida pelo cartório de registro de imóveis ou escritura pública. ↳ Caso o embargante não possua provas documentais para comprovar os requisitos listados acima, a legislação permite que na própria P.I ele já traga o rol de testemunhas que irão comprovar a sua condição de terceiro + de possuidor ou de proprietário. ↳ Sendo comprovada a posse sobre o bem/direito, o juiz irá deferir os embargos e irá ordenar, por meio de uma tutela de urgência satisfativa, a suspensão de todas as medidas constritivas sobre o bem litigioso ou e expedição de mandado de manutenção e restituição em favor o embargante, ↳ Se já houve a constrição: o terceiro deve apresentar caução, pois se os embargos forem julgados improcedentes, pode ser que haja reparação de eventuais prejuízos. ↳ Na Petição Inicial, é possível que o embargante formule um pedido liminar, para que seja reintegrada ou mantida a posse. A partir desse momento, o juiz pode: a) deferir a liminar mediante caução; b) indeferir de plano, se entender que não ficou demonstrada a posse e nem a condição de terceiro. ➔ REGRAS DAS TUTELAS PROVISÓRIAS E DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS: ↳ Não se convencendo nesse momento, o juiz irá designar uma audiência de justificação prévia. ↳ O réu é citado para participar, mas não para exercer o contraditório ainda. ↳ Nessa audiência ele irá deferir ou indeferir a liminar, podendo já fazer isso antes da audiência se a P.I já tiver provas suficientes. ⇘ Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua posse ou de seu domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo documentos e rol de testemunhas. § 1º É facultada a prova da posse em audiência preliminar designada pelo juiz. § 2º O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio alheio. § 3º A citação será pessoal, se o embargado não tiver procurador constituído nos autos da ação principal. § 4º Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição aproveita, assim como o será seu adversário no processo principal quando for sua a indicação do bem para a constrição judicial. 2) Suspensão das Medidas Constritivas: ↳ Se o juiz entender que as provas apresentadas comprovam a posse a propriedade do embargante, irá deferir a liminar e determinar a suspensão das medidas constritivas que já foram efetivadas. ↳ Se as provas não comprovarem a posse ou a propriedade do embargante, o juiz irá indeferir a liminar e a constrição que já foi realizada vai continuar gerando efeitos. ⇘ Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o domínio ou a posse determinará a suspensão das medidas constritivas sobre os bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a manutenção ou a reintegração provisória da posse, se o embargante a houver requerido. ↳ Se o processo estiver no Tribunal, o juiz irá comunicar o Relator, pois ele não possui competência para deferir as medidas constritivas com o processo em grau de recurso, isso cabe ao Relator. ↳ Valor da causa: é o valor do bem/direito que recaiu (pesa) a constrição. 3) Citação do Embargado: ↳ Após o deferimento ou não da liminar o embargado é citado. ↳ Ele é citado na pessoa do seu advogado. ↳ O embargado deve apresentar contestação no prazo de 15 DIAS, aplicando as regras do rito comum. ⇘ Art. 679. Os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum. 4) Resposta do Embargado: ↳ NÃO se admite a reconvenção, visto que o objeto dos embargos é muito limitado. ↳ A ausência de contestação por parte do embargado pode gerar revelia. 5) Produção de Provas: ↳ Todos os tipos de provas são aceitos e podem ser produzidos. ↳ Entretanto, a única matéria limitada é quando o embargante for um credor com garantia real, podendo alegar somente o que está previsto no artigo abaixo. ⇘ Art. 680. Contra os embargos do credor com garantia real, o embargado somente poderá alegar que: I - o devedor comum é insolvente; II - o título é nulo ou não obriga a terceiro; III - outra é a coisa dada em garantia. ↳ Se houver audiência de instrução e julgamento, as partes poderão arrolar novas testemunhas. ● Sentença: 1) Sentença de Procedência: ↳ Embargante tem razão. ↳ Os efeitos da constrição judicial determinada no processo principal irão cessar. ↳ O embargado deverá arcar com o ônus da sucumbência. 2) Sentença de Improcedência: ↳ Embargante não tem razão. ↳ Os efeitos da constrição judicial determinada no processo principal irão se manter. ↳ O embargante deverá arcar com o ônus da sucumbência. 3) Natureza da Sentença: ↳ Admite várias classificações: declaratória, constitutiva e até mesmo condenatória. ↳ Se o embargo ocorrer em uma ação de conhecimento, a mesma sentença julgará a duas ações. ↳ Se o embargo ocorrer em uma ação de execução, ele receberá uma sentença autônoma, pois a execução não possui sentença de mérito. ● Recurso: ↳ APELAÇÃO = 15 DIAS. ↳ Contados a partir da publicação da sentença. ↳ O recurso é recebido com duplo efeito: a) suspensivo: suspende a lide principal enquanto não for julgado no Tribunal. b) devolutivo: