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Anotações sobre embargos de terceiros: conceito, finalidade e exemplos de atos de constrição (penhora, busca e apreensão, arresto, sequestro, arrolamento); cabimento, requisitos (constrição/ameaça, titularidade, condição de terceiro) e legitimidade ativa segundo o art. 674.

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Clara Alves

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Embargos de Terceiros 
 
● Conceito: 
↳ É ação que se utiliza quando a pessoa que não é parte do processo, ou seja, 
o terceiro que fazer cessar apreensão ou agressão indevida ou evitar que elas 
ocorram. 
↳ Essa agressão indevida foi praticada por meio de um ato oriundo de um 
processo judicial que está tramitando. 
↳ É ação que se utilizar para fazer cessar/desfazer a constrição que recaiu de 
forma indevida no bem do terceiro. 
⇘ constrição: ato que se originou em um processo de execução, que possui 
como finalidade desapossar e torná lo indisponível ao devedor. 
↳ Exemplos de atos de desapossamento ou atos de constrição: 
a) penhora: instituto processual que só existe no processo de execução 
(mais comum). 
b) busca e apreensão: o bem é retirado da esfera de disponibilidade do 
devedor. 
c) arresto: é um procedimento determinado pelo juiz, visando a garantia 
futura da execução ao apreender qualquer bem do devedor. 
d) sequestro: são tutelas cautelares que possuem como finalidade 
apreender o bem do devedor que pender litígio, 
e) arrolamento de bens: 
⇘ Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça 
de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito 
incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua 
inibição por meio de embargos de terceiro. 
 
● Hipóteses de Cabimento: 
↳ Em um processo de execução, o credor buscando o cumprimento da 
obrigação busca os bens de propriedade do devedor. Porém, por erro do 
próprio judiciário, pode ocorrer a constrição indevida de bens de terceiro, ou 
seja, a penhora recai sobre um bem que não é do devedor. 
↳ Dessa forma, essas são as seguintes hipóteses: 
a) se é de terceiro, não é do autor e nem do réu; 
b) ação em curso, e dela originou uma apreensão de um bem de terceiro; 
c) houve uma constrição indevida sobre um bem de terceiro, pensando se 
tratar de um bem de propriedade do devedor. 
 
● Requisitos: 
↳ Para que se possa entrar com o embargos, que é uma ação autônoma, é 
preciso que haja: 
a) constrição ou ameaça de constrição: 
↳ só existe a ação se tiver uma ação em curso e dessa ação se originou 
uma determinação judicial que causou a constrição indevida 
 
b) deve ser proprietária ou possuidor: 
↳ deve proprietário, ainda que fiduciário, ou possuidor do bem ou direito 
apreendido ou ameaçado. 
⇘ proprietário fiduciário: aquele em que ocorre a transferência do bem 
para garantia do cumprimento de uma obrigação. 
⇘ Art. 674. 
 
§ 1º Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive 
fiduciário, ou possuidor. 
 
c) deve ser um terceiro: 
↳ isso quer dizer que não participa da relação jurídica já instaurada, não 
sendo autor e nem réu, mas foi atingido pelo ato processual desta. 
 
● Legitimidade: 
1) Ativa (EMBARGANTE): 
↳ O autor dos embargos de terceiros é chamado de embargante. 
⇘ Art. 674. 
§ 2º Considera-se terceiro, para ajuizamento dos embargos: 
I - o cônjuge ou companheiro, quando defende a posse de bens 
próprios ou de sua meação, ressalvado o disposto no art. 843 ; 
↳ TODAS as vezes que é ajuizado uma ação contra um devedor casado, 
independentemente do casamento, presume-se que a obrigação que foi 
contraída, foi revertida em prol da família. 
↳ O cônjuge poderá usar dos embargos de terceiro quando for efetivado 
uma penhora sobre um bem imóvel que ele tenha direito sobre. 
↳ Dessa forma, ele deseja defender a sua propriedade ou apenas a sua 
meação. 
⇘ meação: penhorou um bem que também é meu, na integralidade ou a 
minha parte pelo regime de casamento. 
 
II - o adquirente de bens cuja constrição decorreu de decisão que 
declara a ineficácia da alienação realizada em fraude à execução; 
↳ Qualquer bem que o devedor venda após a sua citação no processo 
de execução é considerada fraude à execução (venda da má-fé). 
↳ O terceiro adquirente do bem, só pode se utilizar dos embargos se 
demonstrar que agiu de boa-fé, ou seja, que não sabia de possíveis 
constrições. 
↳ Porém se o terceiro sabia e mesmo assim o adquiriu não poderá se 
utilizar desse instrumento processual. 
 
III - quem sofre constrição judicial de seus bens por força de 
desconsideração da personalidade jurídica, de cujo incidente não fez 
parte; 
↳ Em regra, quando há uma execução em face de uma empresa os bens 
que serão penhorados são o da própria empresa. 
↳ Porém, quando eles não são suficientes a penhora pode recair sobre os 
bens do sócio (incidente de desconsideração da personalidade 
jurídica). 
↳ Nesses casos, se for instaurado o incidente e um dos sócios ficou “para 
trás”, ou seja, não foi intimado para se manifestar e um de seus bens é 
penhorado ele adquire legitimidade para interpor embargos de 
terceiros e questionar a constrição existente. 
 
IV - o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do 
objeto de direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos 
termos legais dos atos expropriatórios respectivos. 
↳ Quando um bem é financiado com garantia real do cumprimento da 
obrigação e ele é penhorado, o credor que possui essa garantia deve 
ser intimado com 5 dias de antecedência. 
 
↳ Porém, se ele não for intimado, ele possui a legitimidade de entrar com 
embargos de terceiros para preservar seu direito de preferência. 
 
➔ OUTRAS LEGITIMIDADES ATIVAS: 
↳ A doutrina e a jurisprudência também reconhecem que 
possuem legitimidade ativa: 
a) assistente: 
↳ O ASSISTENTE que defende o interesse do assistido. 
↳ Para que isso ocorra, deve ter uma constrição indevida. 
 
b) adquirente: 
↳ O ADQUIRENTE que não registrou o compromisso de 
compra e venda, mesmo que não tenha registro. 
↳ O compromissário possui a legitimidade (não tem 
propriedade regular mas tem a posse). 
⇘ “O titular de promessa de compra e venda, irrevogável e 
quitada, estando na posse do imóvel, pode-se opor à 
penhora deste mediante embargos de terceiro, em 
execução intentada contra o promitente vendedor, ainda 
que a promessa não esteja inscrita.” - Súmula 84 STJ 
 
2) Passiva: 
↳ O réu dos embargos de terceiros é chamado de embargado. 
↳ A ação é contra quem indicou o bem ou o direito a penhora. 
↳ Na maioria dos casos é o CREDOR. 
↳ Porém se o DEVEDOR indicou o bem à penhora na ação de execução, 
ele entrará no polo passivo junto com o credor (CREDOR + DEVEDOR) 
↳ Resumindo o polo passivo: 
a) credor indicou o bem/direito: CREDOR. 
b) devedor indicou o bem/direito: CREDOR + DEVEDOR. 
 
● Prazo para Intervir no Processo: 
⇘ Art. 675. Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de 
conhecimento enquanto não transitada em julgado a sentença e, no 
cumprimento de sentença ou no processo de execução, até 5 (cinco) dias 
depois da adjudicação, da alienação por iniciativa particular ou da 
arrematação, mas sempre antes da assinatura da respectiva carta. 
 
1) Intervenção em Processo de Conhecimento: 
↳ Pode-se opor embargos de terceiro em processo de conhecimento a 
qualquer tempo, desde que a sentença não tenha transitado em 
julgado. 
↳ Caso o processo esteja em grau de recurso pode, pois ainda não 
ocorreu o trânsito, mas a competência não será do tribunal e sim do 
juízo de primeiro grau. 
 
2) Intervenção em Processo de Execução ou Cumprimento de Sentença: 
↳ Pode-se opor a ação em um prazo de 5 DIAS depois da adjudicação, 
alienação ou arrematação, mas sempre ANTES da assinatura da carta. 
↳ O prazo final para o embargante intervir é em até 5 DIAS APÓS os atos 
de expropriação. 
 
 
 
 
3) Fraude à Execução: 
↳ Quando se tem uma situação de fraude à execução o terceiro possui 
um prazo de 15 DIAS a partir do momento em que foi intimado da 
declaração de ineficácia para entrar com os embargos. 
 
● Competência: 
↳ A competência é do juiz do processo principal, mas os embargos não são 
autuados em apenso e sim de forma dependente. 
↳ Regra de competência funcional absoluta. 
⇘ Art. 676. Os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo que 
ordenou a constrição e autuados em apartado. 
 
➔ CARTA PRECATÓRIA: 
↳ Em regra, a competênciaé do juiz deprecante, ou seja, daquele que 
determinou a realização do ato (expediu a CP). 
⇘ Art. 676. 
Parágrafo único. Nos casos de ato de constrição realizado por carta, os 
embargos serão oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo 
juízo deprecante o bem constrito ou se já devolvida a carta. 
a) CP devolvida: competência do juízo deprecante. 
b) CP não foi devolvida: competência do juízo deprecado. 
 
↳ Se os embargos forem opostos em face da União, autarquias e empresas 
públicas a competência será da Justiça Federal. 
⇘ Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal 
forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, 
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça 
Eleitoral e à Justiça do Trabalho; 
 
● Aspectos Procedimentais: 
1) Petição Inicial: 
↳ Como toda petição inicial, obrigatoriamente, deve obedecer os 
requisitos do artigo 319 do CPC. 
↳ Também deve apresentar, de imediato, as provas que comprovem o 
direito pleiteado pelo embargante. 
⇘ as provas também podem ser produzidas na audiência preliminar, 
situação em que também deve comprovar sua situação de terceiro por 
meio de testemunhas. 
↳ Também é fundamental que seja mencionada, na referida peça, se o 
terceiro é possuidor OU proprietário do bem/direito, além de mencionar 
que sofreu uma constrição indevida. 
⇘ a posse é fácil de ser comprovada; basta uma certidão de 
propriedade expedida pelo cartório de registro de imóveis ou escritura 
pública. 
↳ Caso o embargante não possua provas documentais para comprovar 
os requisitos listados acima, a legislação permite que na própria P.I ele já 
traga o rol de testemunhas que irão comprovar a sua condição de 
terceiro + de possuidor ou de proprietário. 
↳ Sendo comprovada a posse sobre o bem/direito, o juiz irá deferir os 
embargos e irá ordenar, por meio de uma tutela de urgência satisfativa, 
a suspensão de todas as medidas constritivas sobre o bem litigioso ou e 
expedição de mandado de manutenção e restituição em favor o 
embargante, 
 
↳ Se já houve a constrição: o terceiro deve apresentar caução, pois se os 
embargos forem julgados improcedentes, pode ser que haja reparação 
de eventuais prejuízos. 
↳ Na Petição Inicial, é possível que o embargante formule um pedido 
liminar, para que seja reintegrada ou mantida a posse. A partir desse 
momento, o juiz pode: 
 
a) deferir a liminar mediante caução; 
b) indeferir de plano, se entender que não ficou demonstrada a 
posse e nem a condição de terceiro. 
 
➔ REGRAS DAS TUTELAS PROVISÓRIAS E DAS AÇÕES 
POSSESSÓRIAS: 
↳ Não se convencendo nesse momento, o juiz irá designar uma 
audiência de justificação prévia. 
↳ O réu é citado para participar, mas não para exercer o 
contraditório ainda. 
↳ Nessa audiência ele irá deferir ou indeferir a liminar, podendo já 
fazer isso antes da audiência se a P.I já tiver provas suficientes. 
 
⇘ Art. 677. Na petição inicial, o embargante fará a prova sumária de sua 
posse ou de seu domínio e da qualidade de terceiro, oferecendo 
documentos e rol de testemunhas. 
§ 1º É facultada a prova da posse em audiência preliminar designada 
pelo juiz. 
§ 2º O possuidor direto pode alegar, além da sua posse, o domínio 
alheio. 
§ 3º A citação será pessoal, se o embargado não tiver procurador 
constituído nos autos da ação principal. 
§ 4º Será legitimado passivo o sujeito a quem o ato de constrição 
aproveita, assim como o será seu adversário no processo principal 
quando for sua a indicação do bem para a constrição judicial. 
 
 
2) Suspensão das Medidas Constritivas: 
↳ Se o juiz entender que as provas apresentadas comprovam a posse a 
propriedade do embargante, irá deferir a liminar e determinar a 
suspensão das medidas constritivas que já foram efetivadas. 
↳ Se as provas não comprovarem a posse ou a propriedade do 
embargante, o juiz irá indeferir a liminar e a constrição que já foi 
realizada vai continuar gerando efeitos. 
⇘ Art. 678. A decisão que reconhecer suficientemente provado o domínio 
ou a posse determinará a suspensão das medidas constritivas sobre os 
bens litigiosos objeto dos embargos, bem como a manutenção ou a 
reintegração provisória da posse, se o embargante a houver requerido. 
↳ Se o processo estiver no Tribunal, o juiz irá comunicar o Relator, pois 
ele não possui competência para deferir as medidas constritivas com o 
processo em grau de recurso, isso cabe ao Relator. 
↳ Valor da causa: é o valor do bem/direito que recaiu (pesa) a constrição. 
 
3) Citação do Embargado: 
↳ Após o deferimento ou não da liminar o embargado é citado. 
↳ Ele é citado na pessoa do seu advogado. 
 
↳ O embargado deve apresentar contestação no prazo de 15 DIAS, 
aplicando as regras do rito comum. 
⇘ Art. 679. Os embargos poderão ser contestados no prazo de 15 
(quinze) dias, findo o qual se seguirá o procedimento comum. 
 
4) Resposta do Embargado: 
↳ NÃO se admite a reconvenção, visto que o objeto dos embargos é 
muito limitado. 
↳ A ausência de contestação por parte do embargado pode gerar 
revelia. 
 
5) Produção de Provas: 
↳ Todos os tipos de provas são aceitos e podem ser produzidos. 
↳ Entretanto, a única matéria limitada é quando o embargante for um 
credor com garantia real, podendo alegar somente o que está previsto 
no artigo abaixo. 
⇘ Art. 680. Contra os embargos do credor com garantia real, o 
embargado somente poderá alegar que: 
I - o devedor comum é insolvente; 
II - o título é nulo ou não obriga a terceiro; 
III - outra é a coisa dada em garantia. 
↳ Se houver audiência de instrução e julgamento, as partes poderão 
arrolar novas testemunhas. 
 
● Sentença: 
1) Sentença de Procedência: 
↳ Embargante tem razão. 
↳ Os efeitos da constrição judicial determinada no processo principal 
irão cessar. 
↳ O embargado deverá arcar com o ônus da sucumbência. 
 
2) Sentença de Improcedência: 
↳ Embargante não tem razão. 
↳ Os efeitos da constrição judicial determinada no processo principal 
irão se manter. 
↳ O embargante deverá arcar com o ônus da sucumbência. 
 
3) Natureza da Sentença: 
↳ Admite várias classificações: declaratória, constitutiva e até mesmo 
condenatória. 
↳ Se o embargo ocorrer em uma ação de conhecimento, a mesma 
sentença julgará a duas ações. 
↳ Se o embargo ocorrer em uma ação de execução, ele receberá uma 
sentença autônoma, pois a execução não possui sentença de mérito. 
 
● Recurso: 
↳ APELAÇÃO = 15 DIAS. 
↳ Contados a partir da publicação da sentença. 
↳ O recurso é recebido com duplo efeito: 
a) suspensivo: suspende a lide principal enquanto não for julgado no 
Tribunal. 
b) devolutivo:

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