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4 EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DESAFIOS E AVANÇOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Paulo Cesar Lopes do Carmo Tutor (a) Externa (a): Shirmey Batista Mourão Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso de Pedagogia (PED 1559) _ Seminário Interdisciplinar do Módulo VI 05/11/2018 RESUMO Este trabalho tem como objetivo refletir sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA), tendo como referência para a reflexão a questão do abandono entendido neste trabalho como causa e consequência do fracasso escolar. Ao longo do Curso de pedagogia constatou-se que dentre os vários problemas de educação, o abandono escolar na EJA merece uma atenção particular. A análise foi feita a partir da pesquisa instruída no presente trabalho. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi a pesquisa bibliográfica, tendo com atividade prática, uma simulação fática de uma aula da presente modalidade. No referencial teórico foram trazidos autores que dialogam com as Políticas Publicas de educação, causas e consequências do abandono escolar tendo como pano de fundo um enfoque sobre a EJA na contemporaneidade. Os resultados obtidos na pesquisa demonstram possíveis causas para o abandono escolar são ,sendo em sua maioria devido a dificuldade de conciliar o trabalho e os estudos, a falta de integração entre o ensino médio e o profissionalizante, a má formação dos professores, a falta de recursos didáticos adotados, a inadequação do currículo as especificidades da EJA e a ausência de políticas públicas adequadas para garantir não apenas o acesso, mas também a permanência destes alunos na escola, sendo o grande desafio, a formação de um individuo capaz de construir seu próprio conhecimento, e reflita sobre seu papel na sociedade, de forma ativa e cidadã. Palavras chave: EJA. Abandono escolar. Evasão escolar. 1 INTRODUÇÃO Tratar da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no contexto das políticas públicas de Educação tendo como motivação a reflexão sobre o abandono escolar está ligado ao interesse em refletir sobre uma modalidade que por si só já apresenta um contexto diferenciado dado à especificidade do público que integra a EJA. Não somente adultos, mas jovens e idosos. Diante disso, já somos colocados diante de um grande desafio. Como estabelecer políticas públicas que apoiam o acesso, o sucesso e permanência destes estudantes principalmente tendo a perspectiva da construção de uma sociedade democrática. Este tema identifica uma preocupação constante do Ministério da Educação que via implantação de Programas e Ações busca o reconhecimento e a valorização da EJA no Brasil; pelas responsabilidades dos pais e ou encarregados de educação e da própria sociedade civil. Do ponto de vista econômico, estes estudantes vão engrossar a taxa de desemprego e são candidatos a mão-de-obra não qualificada, auferindo baixos rendimentos, dificultando desta forma o seu bem-estar familiar e social. Diante do exposto surge uma questão: Quais as especificidades da EJA? Quais as causas do abandono escolar dos Jovens e Adultos da escola de EJA. A busca pela resposta para estas questões foi determinante, na medida em que envolve uma situação com repercussões na vida pessoal e social desses jovens e adultos. A metodologia de pesquisa foi a prática simulada, realizada em sala de aula e embasada em pesquisa documental. 2- A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DESAFIOS E AVANÇOS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) estabeleceu no capítulo II, seção V a Educação de Jovens e Adultos, assim dita o artigo 37: “A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou oportunidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. Essa definição da EJA nos esclarece o potencial de educação inclusiva e compensatória que essa modalidade de ensino possui. Ao ser estabelecido na Lei 9.394/96, a EJA ganhou força e tornou-se uma política de Estado, de modo que hoje o governo brasileiro investe e incentiva essa modalidade educacional como possibilidade de se elevar o índice de ensino da população, principalmente, daqueles que não tiveram acesso ou possibilidade de estudos. Com isso vemos que além de ser uma política educacional, a EJA é principalmente uma política social. Ela dará condições para que os alunos melhorem suas condições de trabalho, melhorem a sua qualidade de vida e com isso sejam respeitados na sociedade. Deste modo, cabe ao governo, de acordo com o parágrafo segundo do artigo 37 da referida lei, estimular o acesso da população a essa modalidade educacional, e oferecer condições de funcionamento dignas para que sejam de fato efetivados os seus objetivos que são os de inclusão social e melhoria da qualidade de vida pessoal e profissional dos educandos. 2.1.3 METODOLOGIA DE PESQUISA A referida pesquisa foi embasada na prática simulada, a qual foi apresentada em sala de aula, através de uma atividade prática, que envolveu os colegas e teve como objetivo, manter o aluno motivado utilizando os instrumentos pedagógicos próprios da Educação de adultos. A atividade demonstrou através de simulação a maneira correta de se trabalhar com os alunos da E.J.A. não os infantilizando e deixando que expressem seus sentimentos em relação à escola. 2.1.4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Para ajudar na estimulação e motivação na permanência do aluno do EJA, se faz necessário entender que a prática pedagógica utilizada é diferente do que seria usado para com uma criança. Um adulto geralmente passa o dia trabalhando e chegam às aulas com um cansaço acumulado. Deste modo, nas aulas, focaremos no equilíbrio da reprodução escrita de textos, para que não seja um processo tão cansativo e estressante. Outra questão é o material utilizado e a forma como serão utilizados esses meios; deste modo, utilizaremos a seguinte simulação. A narrativa, de uma aluna, que durante o dia trabalha na casa de família, e a noite vai a escola. Na escola, ela tinha um professor, que não tinha a formação adequada na prática do EJA, o que a fez por muito pouco desistir da formação. Ocorre que, esse professor pediu licença do cargo, e assumiu um professor que tinha conhecimento, da prática, e a fez motivar-se novamente, e permanecer até o término do curso. Um dos graves problemas da E.J.A. é justamente o fato de que os alunos adultos não se sentem bem, sendo tratados como crianças. O adulto precisa, saber o porquê precisa estudar qualquer assunto, qual a serventia que isso terá, pois ele carrega suas próprias experiências vividas no decorrer de uma vida com educação informal, de modo que não se pode desprezar tal conhecimento adquirido, uma vez que este conhecimento é força motriz para a construção de novos. Com uma Didática adequada ao adulto, fica mais fácil esse manter a autoestima e ficar na escola e a ela se integrar. A dificuldade está em preparar adequadamente um professor para a E.J.A. que saiba já das dificuldades desse público, que precisa mais de um orientador do que de um professor que o conduza o tempo todo. Além da temática das aulas precisarem ser algo que favoreça e estimule o assunto a ficar na sala de aula. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve por finalidade obter maior compreensão sobre a EJA, constatar a importância das políticas públicas de educação garantir o acesso e a permanência de jovens e adultos na escola, levando em consideração que, embora a EJA atenda a muitos jovens que não trabalham, grande parte de seu público são trabalhadores, que chegam à escola já com uma carga de experiências de vida que precisa ser levada em conta. A partir do referencial teórico foi possível conhecer melhor a EJA, os avanços ocorridos ao longo do tempo, as leis que embasam a modalidade, contudo, ainda nota-se, que apesar de todos os avanços a EJA ainda não tem recebido a devida atenção por parte das políticas de Estado, pois ainda persiste nesta modalidade um dilema, que não é exclusivo dela, que é a evasão, ocorrida por vários motivos, como os apontados pelos alunos e coordenação:falta de pessoal para atender aos alunos, ausência de lanche, cansaço do trabalho, falta de profissionais qualificados para a área, dentre outros. De outro modo, não basta criar leis, se não forem postas verdadeiramente em prática com atitudes eficientes e objetivas, que contribuam verdadeiramente para uma educação de maior qualidade na EJA, como por exemplo, levar os alunos à biblioteca, para desvendarem outro mundo, incentivá-los a prosseguir os estudos, se tornarem autores ativos na construção do seu conhecimento, na melhoria direta de sua vida, como cidadão, profissional e constituinte da sociedade brasileira. REFERÊNCIAS BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96. Brasília: 1996. Disponível em: . Acesso em: 31 outubro de 2014. GADOTTI, Moacir. Paulo Freire: uma bibliografia. São Paulo. Cortez: instituto Paulo Freire 1996, p.69-115. FREIRE, P. Conscientização teoria e prática de libertação. São Paulo. Cortez e Morais,1979 _______. Pedagogia do oprimido. 17. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1987 _______. A importância do ato de ler. em três artigos que se complementam. 27. Ed. São Paulo.