A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
27 pág.
Cap. 3 - Comércio de animais silvestres

Pré-visualização | Página 1 de 10

76
AN
IM
AI
S 
SE
LV
AG
EN
S 
E 
SI
LV
ES
TR
ES
�
CA
PÍ
TU
LO
 3
1
CAPÍTULO 3
ANIMAIS SELVAGENS 
E SILVESTRES
1. Introdução
2. Comércio de animais selvagens e silvestres
a) Elefantes
b) Ursos
c) Tigres
d) Carne de caça
e) Focas
f) Baleias
g) Tartarugas
3. Caça e armadilhas
4. Criação em cativeiro de animais selvagens e silvestres
para fins comerciais
a) Fazendas de ursos
b) Fazendas de Civets (Gatos-de-Algália)
c) Fazendas de peles
5. Comércio de animais de estimação exóticos
6. Estratégias de proteção animal
a) O Poder das coalizões
b) Educação pública
c) Análise de fatores econômicos
d) Reabilitação de animais selvagens e silvestres e 
santuários
7. Perguntas e respostas
8. Recursos adicionais
ÍN
D
IC
E
77
INTRODUÇÃO
Cada vez mais, animais selvagens e silvestres estão ameaçados de extinção, devido a
perda de habitat, poluição, intervenção humana, exploração comercial e outros fatores. Os
homens nem sempre fazem uso dos recursos naturais, incluindo animais selvagens e
silvestres, de maneira responsável. Como resultado, os processos ecológicos não
conseguem funcionar corretamente, para manter o meio ambiente saudável e diversificado
para a população selvagem/silvestre.
Existem tipos diferentes de exploração dos animais selvagens e silvestres, com efeitos
variados no bem-estar dos indivíduos envolvidos. Alguns animais são capturados na
natureza, enquanto outros são reproduzidos em cativeiro. Eles podem ser comercializados
vivos ou mortos (inteiros, em partes ou na forma de produtos processados). Muitos tipos
de exploração envolvem alto grau de sofrimento animal. Algumas formas de exploração
comercial dos animais selvagens e silvestres também comprometem sua preservação.
Populações animais são afetadas, assim como também a qualidade de vida do animal
individualmente.
Para desenvolver estratégias eficazes de proteção para os animais selvagens e silvestres, 
é importante compreender melhor a exploração comercial de certas espécies, o comércio
internacional delas e seus produtos, além da disponibilidade de produtos humanitários
alternativos.
COMÉRCIO DE ANIMAIS SELVAGENS E SILVESTRES
Animais selvagens e silvestres são caçados por suas peles, seus corpos, derivados e suas
partes, para alimentação, produção de medicamentos tradicionais, moda e artigos de luxo.
Animais vivos são também caçados por serem animais de estimação exóticos e pela
indústria do entretenimento. Fortes incentivos financeiros movimentam o comércio de
animais selvagens e silvestres, gerando lucros tanto para caçadores quanto para grandes
corporações multinacionais. O comércio de animais selvagens e silvestres tem colocado
muitas espécies, tais como tigres e rinocerontes, à beira da extinção e continua a ameaçar
muitas outras. Todo ano, centenas de milhares de animais são comercializados ilegalmente,
gerando uma receita de bilhões de dólares
Segue uma breve introdução aos problemas de algumas espécies individualmente.
a) Elefantes
Existem duas espécies de elefantes: o asiático (Elephas maximus) e o africano (Loxodonta
africana). Um elefante pesa entre três e seis toneladas, tem até quatro metros de altura 
e presas que pesam em média 27 quilos. Seu período de gestação é de 22 a 24
meses. Atingem a maturidade aos 18 anos e podem viver entre 60 e 70 anos, algumas
vezes até mais.
O processo para obtenção de marfim é cruel e aterrador. O elefante precisa ser morto antes
que o marfim seja removido. Isso pode ser feito por meio de tiros, apedrejamento ou
envenenamento por dardos, o que resulta em morte lenta e dolorosa. Ocorre também com o
uso de metralhadoras, quando manadas inteiras são chacinadas nos bebedouros.
AN
IM
AI
S 
SE
LV
AG
EN
S 
E 
SI
LV
ES
TR
ES
�
CA
PÍ
TU
LO
 3
1
1
2
78
Independentemente da forma de matança, o processo de remoção do marfim é o mesmo.
Para se retirar as presas de um elefante, o caçador precisa cortar sua cabeça a fundo, para
retirar cerca de 25% de marfim de dentro do crânio. 
Entre 1979 e 1989, a demanda mundial pelo marfim reduziu a população de elefantes a
níveis perigosos. Em dez anos, cerca de 100 mil espécimes foram abatidos. Na África, as
populações de elefantes foram reduzidas quase à metade, de 1,3 milhão para 600 mil.
Finalmente, em 1989, a Convenção para o Comércio Internacional de Espécies da Flora e
Fauna Selvagens e Silvestres em Perigo (CITES) aprovou a proibição do comércio de marfim
e outros produtos derivados do elefante. Dois dos maiores mercados consumidores de
marfim do mundo, Europa e EUA, foram efetivamente fechados.
CITES
RESUMIDAMENTE, A CONVENÇÃO PARA O COMÉRCIO INTERNACIONAL DE
ESPÉCIES DA FLORA E FAUNA SELVAGENS E SILVESTRES EM PERIGO (CITES) É
O ÓRGÃO DAS NAÇÕES UNIDAS RESPONSÁVEL PELA REGULAMENTAÇÃO
INTERNACIONAL DO COMÉRCIO DE ESPÉCIES EM PERIGO. O BRASIL É MEMBRO
DA CITES DESDE NOVEMBRO DE 1975, DESTA FORMA DEMONSTRANDO
INTENÇÃO DE CONSENSO COM SUAS DIRETRIZES. AS AUTORIDADES
RESPONSÁVEIS PELA ADMINISTRAÇÃO DAS REGULAMENTAÇÕES PERTENCEM
AO INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS
RENOVÁVEIS – IBAMA, DEPARTAMENTO DE VIDA SILVESTRE (DEVIS). 
CITES CLASSIFICA AS ESPÉCIES EM PERIGO EM TRÊS CATEGORIAS, DE
FORMA A GARANTIR QUE O COMÉRCIO INTERNACIONAL DOS ESPÉCIMES DA
FAUNA E FLORA NÃO AMEACE SUA SOBREVIVÊNCIA:
• APÊNDICE I – ESPÉCIES AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO: O COMÉRCIO 
INTERNACIONAL É COMPLETAMENTE PROIBIDO.
• APÊNDICE II – ESPÉCIES QUE PODEM FICAR AMEAÇADAS SE O COMÉRCIO
NÃO FOR ESTRITAMENTE REGULAMENTADO.
• APÊNDICE III – ESPÉCIES INDICADAS E PROTEGIDAS PELO ESTADO QUE
BUSCA ASSISTÊNCIA DE TERCEIROS PARA CONTROLAR O COMÉRCIO.
PARA INFORMAÇÕES MAIS DETALHADAS EM RELAÇÃO AO CITES, LEIA O
CAPÍTULO SOBRE “LEGISLAÇÃO DE PROTEÇÃO ANIMAL”.
No entanto, recentemente, os principais países consumidores, como o Japão e outras
nações do Sudeste Africano, se empenharam para suspender a proibição e restabelecer o
comércio de marfim. Em 1997, a CITES, por meio de votação, suspendeu parcialmente a
proibição e permitiu a venda de estoques acumulados de marfim para o Japão, em caráter
“experimental”, no Zimbábue, Botsuana e Namíbia. Essa foi a primeira venda internacional
legal de marfim em uma década. Desde a concretização dessa venda, em 1999, houve
aumento significativo de apreensões de marfim em trânsito ilegal. Apesar disso e também
do evidente aumento da caça ilegal, em 2002 foi acertada a venda, sob certas condições,
do marfim de Botsuana, Namíbia e África do Sul. No encontro do CITES de 2004, outras
propostas para comércio de estoques foram rejeitadas, mas a Namíbia foi autorizada a
comercializar bijuterias ornamentais contendo marfim. Com isso, permitiu que os milhões de
AN
IM
AI
S 
SE
LV
AG
EN
S 
E 
SI
LV
ES
TR
ES
�
CA
PÍ
TU
LO
 3
1
79
turistas que visitam o país todos os anos as adquiram como souvenirs. O comércio de
marfim continuará a ser questão contenciosa em todos os encontros do CITES.
APENAS OS ELEFANTES DEVERIAM USAR MARFIM.
b) Ursos
Existem oito espécies de ursos em todo o mundo: panda gigante, urso polar ou branco, urso
pardo, urso negro americano, urso negro asiático ou tibetano, urso-de-óculos ou urso
andino, urso preguiça ou urso beiçudo e urso malaio. Os ursos vivem em todos os
continentes, com exceção de África, Antártica e Austrália. Todas as oito espécies estão em
perigo; cinco estão listadas no Apêndice I e as três restantes estão no Apêndice II.
Os ursos são caçados, tanto legalmente quanto ilegalmente, por uma série de razões,
incluindo seu uso como troféus (América do Norte e Europa), como controle de pragas
(Japão); como alimento (no mundo todo) e para a produção de medicamentos (no mundo
todo). A caça autorizada de ursos ainda é praticada em diversos países, como Canadá,
Croácia, Rússia, Romênia,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.