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Concurseiro Social - Regime Jurídico do Servidores Públicos Civis da União Comentada - Lei nº 8112 de 1991

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a infração disciplinar, será formulada a indiciação do servidor, com a especificação 
dos fatos a ele imputados e das respectivas provas. 
§ 1o O indiciado será citado por mandado expedido pelo presidente da comissão para apresentar 
defesa escrita, no prazo de 10 (dez) dias, assegurando-se-lhe vista do processo na repartição. 
§ 2o Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será comum e de 20 (vinte) dias. 
§ 3o O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para diligências reputadas indispensáveis. 
§ 4o No caso de recusa do indiciado em apor o ciente na cópia da citação, o prazo para defesa contar-
se-á da data declarada, em termo próprio, pelo membro da comissão que fez a citação, com a 
assinatura de (2) duas testemunhas. 
Comentários: 
É nesta fase do processo que se formula a indiciação do servidor a qual conterá: a tipificação 
da infração disciplinar; a especificação dos fatos imputados ao servidor; e a indicação das respectivas 
provas. 
Sobre o tema vale transcrever Acórdão do STF, relativo ao Mandado de Segurança nº 
21.721/RJ, no sentido de que, se cabível, somente depois de concluída a fase instrutória, como regra 
geral, será tipificada a infração disciplinar, a conferir: 
"Somente depois de concluída a fase instrutória (na qual o servidor figura como 'acusado'), é 
que, se for o caso, será tipificada a infração disciplinar, formulando-se a indiciação do servidor, com a 
especificação dos fatos a ele imputados e das respectivas provas (art. 161, caput) sendo, então, ele, já 
na condição de 'indiciado', citado, por mandado expedido pelo presidente da comissão, para apresentar 
defesa escrita, no prazo de 10 (dez) dias (que poderá ser prorrogado em dobro, para diligências 
reputadas indispensáveis), assegurando-lhe vista do processo na repartição (art. 161, caput e 
parágrafo 1º e 3º)." 
Havendo dois ou mais indiciados, o prazo será comum e de 20 dias. 
O prazo de defesa poderá ser prorrogado pelo dobro, para diligências reputadas 
indispensáveis. 
Mediante a recusa do indiciado em assinar a cópia da citação, o prazo para defesa contar-se-á 
da data declarada, em termo próprio, pelo membro da comissão que fez a citação, com a assinatura de 
2 testemunhas. 
 
Art. 162. O indiciado que mudar de residência fica obrigado a comunicar à comissão o lugar onde 
poderá ser encontrado. 
Art. 163. Achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital, publicado no 
Diário Oficial da União e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio conhecido, 
para apresentar defesa. 
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o prazo para defesa será de 15 (quinze) dias a partir da 
última publicação do edital. 
Comentários: 
Achando-se o indiciado em lugar incerto e não sabido, será citado por edital, publicado no 
Diário Oficial da União (DOU) e em jornal de grande circulação na localidade do último domicílio 
conhecido, para apresentar defesa. Deverão ser observadas as demais regras que tratam da revelia, 
tais como: prazo para defesa de 15 dias, contados a partir da última publicação do edital; designação 
de servidor como defensor dativo, ocupante de cargo de nível igual ou superior ao do indiciado; ser a 
revelia declarada, por termo, nos autos do processo e devolvido o prazo para a defesa, conforme 
estatui o artigo seguinte e seus parágrafos. 
Especial destaque merece o fato de que a citação será publicada no DOU "e" em jornal de 
grande circulação. Há concursos que substituem o "e" pelo "ou", tornando a resposta falsa. 
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Art. 164. Considerar-se-á revel o indiciado que, regularmente citado, não apresentar defesa no prazo 
legal. 
§ 1o A revelia será declarada, por termo, nos autos do processo e devolverá o prazo para a defesa. 
§ 2o Para defender o indiciado revel, a autoridade instauradora do processo designará um servidor 
como defensor dativo, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter 
nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado. 
Comentários: 
Revelia é instituto de direito processual e será declarada quando o indiciado que, regularmente 
citado, não apresentar defesa no prazo legal. Aconselha a melhor doutrina que a nomeação do 
defensor dativo recaia, sempre que possível, na pessoa de servidor bacharel em Ciências Jurídicas, 
em razão dos seus conhecimentos na área do Direito, conjugando as regras do art. 5º, inc. LV com as 
do art. 133, da CF, e sem embargo das normas disciplinadas no art. 10 da Lei 8.906/94 (Cf. Parecer 
AGU no GO 12, de 7.2.94, DOU de 10.2.94, p. 2028). 
Em determinado concurso foi apresentada a seguinte questão: Quem está em estágio 
probatório pode ser nomeado defensor dativo? A resposta é sim, pois a exigência é de que este 
defensor seja ocupante de cargo efetivo e não que seja estável conforme exigência das comissões no 
Procedimento Sumário (art. 133) e no PAD ordinário (art. 149). 
 
Art. 165. Apreciada a defesa, a comissão elaborará relatório minucioso, onde resumirá as peças 
principais dos autos e mencionará as provas em que se baseou para formar a sua convicção. 
§ 1o O relatório será sempre conclusivo quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor. 
§ 2o Reconhecida a responsabilidade do servidor, a comissão indicará o dispositivo legal ou 
regulamentar transgredido, bem como as circunstâncias agravantes ou atenuantes. 
Comentários: 
Concernente ao relatório, cabe aqui citar a valiosa lição de Alberto Bonfim, verbis: 
"A dialética a ser seguida pela comissão, no relatório, deve ser baseada no método 
contraditório, isto é, o cotejo de cada ponto da acusação com a concernente arguição de defesa, para 
daí tirar ilações pró ou contra o acusado". 
O relatório é peça informativo-opinativa que, salvo previsão legal, não é vinculante para a 
Administração Pública ou para os demais interessados no processo administrativo. Por esse motivo, a 
autoridade competente pode divergir da conclusão ou sugestão oferecida e decidir de modo diferente, 
bastando que fundamente sua decisão. 
 
Art. 166. O processo disciplinar, com o relatório da comissão, será remetido à autoridade que 
determinou a sua instauração, para julgamento. 
Comentários: 
Nesta última fase do processo administrativo, a autoridade ou órgão competente profere uma 
decisão sobre o objeto analisado. Para essa ação, não há qualquer faculdade para a Administração 
Pública, pois se trata de poder-dever de proferir a decisão (essa obrigação está prevista no art. 48 da 
Lei 9.784/99) que comumente está baseada na conclusão do relatório. Não obstante assim sempre se 
proceda, a autoridade ou o órgão competente pode desprezar as conclusões do relatório ou mesmo 
contrariá-las, em face de interpretações diversas das normas jurídicas aplicáveis no caso ou se, em 
razão dos fatos, chegar a outra conclusão, e decidir de modo diferente do sugerido no relatório. O 
imprescindível é que a decisão seja fundamentada na prova ou nas informações constantes do 
processo administrativo. Nenhum argumento, prova ou informações fora dos autos podem ser usados 
como fundamento da decisão. A Lei 9.784/99 cuida da motivação do ato administrativo no art. 50, e 
prescreve a indispensabilidade da sua motivação. A motivação, consoante o § 1º desse artigo, deve 
ser explícita, clara e congruente. 
 
Seção II 
Do Julgamento 
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Art. 167. No prazo de 20 (vinte) dias, contados do recebimento do processo, a autoridade julgadora 
proferirá a sua decisão. 
§ 1o Se a penalidade a ser aplicada exceder a alçada da autoridade instauradora do processo, este 
será encaminhado à autoridade competente, que decidirá em igual prazo. 
§ 2o Havendo mais de um indiciado e diversidade de sanções, o julgamento caberá à autoridade 
competente para a imposição da pena mais grave. 
§ 3o Se a penalidade prevista for a demissão