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Andrea Boeira do Amaral - Privatização ou Estatização no Estado Democrático de Direito - Ano 2007

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o projeto de que re-
sultou aquela legislação pioneira.”24 
Essa lei estabelecia a contribuição dos empregadores, dos trabalhadores e 
do Estado, assegurando, em seu art. 9º, os seguintes benefícios: aposentadoria, 
pensão aos dependentes, medicamentos com preço especial e socorros médicos. 
As divergências que existiram a respeito de a Lei Eloy Chaves ter sido o 
marco de nascimento da previdência social foram feitas no sentido de que, antes do 
Decreto Legislativo 4.682/23 ter sido instaurado, o Brasil já havia contado com ou-
tras experiências protetivas e relevantes de caráter previdenciário, conforme já fora 
exposto anteriormente. Algumas experiências não tiveram muita relevância, mas ou-
tras sim, como o Mongeral de 1835. Essas abordagens divergentes somente foram 
mencionadas para demonstrar outros posicionamentos e questões polêmicas, sem 
deixar de lado que o fundamental é ter em mente que o ponto de partida oficial da 
origem da previdência social brasileira realmente foi a Lei Eloy Chaves. 
Seguindo-se nas palavras de Martinez: “À vista do desenvolvimento posteri-
or e da estrutura jurídica na lei, realmente, 24 de janeiro de 1923 pode ser escolhida 
a data de sua instituição ou, pelo menos, ser considerada a da primeira lei a regrar 
sistematicamente o assunto.”25 
No mesmo sentido, Leite também aborda essa questão de maneira sucinta e 
bastante compreensível:
24 LEITE; VELLOSO, op. cit., p. 36.
25 MARTINEZ, op. cit., p. 70.
27
“Qualquer dúvida que ainda pudesse subsistir quanto a esse marco histórico 
ficou sanada em definitivo quando o Regulamento Geral da Previdência So-
cial, baixado logo em seguida à expedição da sua Lei Orgânica, ao instituir o 
“Dia da Previdência Social”, destinado a “vincular as gerações sucessivas a 
uma tradição no sentido da perfeita compreensão e resguardo das finalida-
des” desta, estabeleceu a sua comemoração em 24 de janeiro, isto é, na 
data da “Lei Elói Chaves”.26
Na década de 20, ocorreu a reforma da Lei Eloy Chaves, por meio do Decre-
to Legislativo 5.109, de 20 de dezembro de 1925, ampliando as CAPs para vários ti-
pos de empresas e a outros ramos de atividade. Dentre eles podem ser citados inici-
almente os portuários e os marítimos. As CAPs eram organizadas por empresas, e 
cada uma delas possuía sua caixa. 
Já na década de 30, principalmente após a revolução de outubro de 1930, 
verificou-se maior preocupação por parte do Estado com relação ao seguro social e 
à necessidade de prestar amparo às classes menos favorecidas, e foi assim que 
ocorreu uma nítida expansão em ritmo bem mais acelerado da previdência social. As 
CAPs existentes foram reunidas em Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAPs), 
conforme a categoria profissional e perduraram até a década de 50. Logo após, em 
4 de fevereiro de 1931, foi criado o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, e, 
naquele mesmo ano, foi instituído o Decreto 20.465, em 1º de outubro, que estendeu 
o regime das CAPs aos empregados de todos os serviços públicos. Em 1932 e 1934 
também foram incluídas no sistema as empresas de mineração e de transporte aé-
reo, seguidas da regulamentação pelas Caixas, agora em bastante número, da as-
sistência médica e de empréstimos em dinheiro. Portanto, nesse período, os benefí-
cios só iam aumentando e foi assim que passaram a se estender às diversas cate-
gorias profissionais no decorrer dos anos subseqüentes.
Todas essas mudanças influenciaram diretamente a Constituição de 1934, 
que passou a contemplar várias disposições relacionadas à proteção social. Essa foi 
a primeira Constituição que estabeleceu a forma tripartite de custeio no art. 121, § 
1º, h, a partir da contribuição do governo, dos empregadores e dos trabalhadores. 
Objetivou-se o amparo aos casos de velhice, invalidez, maternidade, acidentes do 
trabalho e morte. 
26 LEITE, Celso Barroso. A proteção social no Brasil. 2. ed. São Paulo: LTr., 1978. p. 28-29.
28
Já a Constituição de 1937, outorgada em 10 de novembro, foi muito sintética 
em matéria previdenciária e não trouxe grandes evoluções à seguridade social. Ela 
empregava a expressão seguro social, ao invés de previdência social. Nas palavras 
de Gonçalves, nessa Constituição verificou-se uma regressão em termos de previ-
dência social.27
Em suma, pode-se dizer que, entre os anos de 1940 a 1960, seguiu-se uma 
tendência que direcionava a uniformização do sistema previdenciário. No aspecto 
constitucional, a Carta de 1946 utilizou, de forma bastante inovadora, a expressão 
previdência social, assegurando a proteção aos eventos de doença, invalidez, velhi-
ce e morte. Essa Constituição foi a primeira tentativa de sistematizar as normas de 
proteção social, elencadas no art. 157 do texto. Já em 1960, foi criado o Ministério 
do Trabalho e da Previdência Social e, finalmente, em 26 de agosto do mesmo ano, 
foi aprovada a Lei 3.807, intitulada Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), que 
serviu para unificar os critérios relacionados à concessão de benefícios dos IAPs, 
sendo complementada logo em seguida pelo Regulamento Geral da Previdência So-
cial, aprovado pelo Decreto 48.959-A, de 19 de setembro de 1960.
Ainda é importante destacar que o sistema previdenciário brasileiro somente 
veio a se consolidar em 1967, a partir da instauração do Decreto-lei 72/66, que in-
corporou todos os IAPs e criou o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). 
Em 1977, foi criado o Sistema Nacional de Previdência e Assistência Social 
(Sinpas), com o objetivo de promover a integração entre as áreas da assistência so-
cial, assistência médica e gestão das entidades ligadas ao Ministério da Previdência 
e Assistência Social. O Sinpas contava com diversos órgãos na época, que acaba-
ram sendo posteriormente extintos, exceto a Empresa de Processamento de Dados 
da Previdência Social (Dataprev), que existe até hoje e gerencia os sistemas infor-
matizados do Ministério da Previdência Social.
Também em 1977, mais especificamente no dia 15 de setembro, foi instituí-
da a Lei 6.435, trazendo disposições relativas às entidades de previdência privada, 
dividindo-as em fechadas (para empregados de uma mesma empresa ou de um gru-
po de empresas, complementando o sistema de previdência e assistência social) e 
abertas (as demais). Em 9 de novembro de 1977, com o surgimento da Lei 6.462 al-
terou-se a anterior Lei 6.435, complementando-se a legislação aplicável às entida-
des que há longo tempo operavam em previdência privada, sem a supervisão dos 
27 GONÇALVES, op. cit., p. 20.
29
órgãos governamentais. Com essa nova legislação, o governo passou a dispor de 
meios eficazes para fiscalizar e controlar as entidades de previdência privada. Em 
1978 adveio o Decreto 81.240, de 15 de janeiro de 1978, para regulamentar as dis-
posições da Lei 6.435, relativas às entidades fechadas, colocando-as sob a orienta-
ção e o controle do Conselho e da Secretaria de Previdência Complementar do Mi-
nistério da Previdência e Assistência Social. E o Decreto 81.402, de 23 de fevereiro 
de 1978, fez o mesmo com relação às entidades abertas, tendo como órgão normati-
vo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), as quais poderão operar na 
complementação de aposentadorias, pensões e também em seguros de vida e se-
guro-saúde.
Nesse contexto, chega-se à atual Constituição Federal de 1988, conhecida 
como a Constituição Cidadã. Por ela ocorreram significativas mudanças no sistema 
previdenciário brasileiro ao inserir-se um capítulo específico que trata da Seguridade 
Social, em seus arts. 194 a 204. Foi somente pela da Lei Maior de 1988 que a segu-
ridade social brasileira passou a reunir suas três atividades: saúde, previdência soci-
al e assistência social. A partir dessas