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Christiano Ferreira - Mudança de Regime Previdenciário de Repartição para Regime Misto - Uma Perspectiva para o Brasil - Ano 2012

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representatividade dos empregadores, estes em 1990 detinham 4,5% da estrutura da população 
ocupada no Brasil, os dados para 2002 apontam 4,1% de participação. Os trabalhadores que 
optaram trabalhar por conta própria representaram em 1990, 18,5%, para os dados com 
referência de 2002 com o percentual de 22,6%. 
 
 
 
 
Fonte: BRITO, Fausto. Transição demográfica e desigualdades sociais no Brasil, Revista 
Brasileira de Estatística Populacional, São Paulo, v.25, 2008. Disponível em: http// 
<www.scielo.br/pdf/rbepop/v25n1/v25n1a02.pdf >. Acesso em: 21 fev 2012. 
 
Gráfico 1 – População em Idade Ativa no Brasil de 1940 a 2050 
49 
 
 
 
 
 
 
Gráfico 2 – Estrutura da População Ocupada no Brasil de 1990 a 2002 
 
Fonte: BRASIL– MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Diagnóstico do Sistema 
Previdenciário Brasileiro e Alternativas, Brasília, MPS. Disponível em: http// 
<www.camara.gov.br/internet/comissão/index/esp/180303_ricardo_berzoini.ppt>. Acesso em: 
11 out 2011. 
 
O Gráfico 2 mostra a ampliação da informalidade através do aumento da participação 
dos trabalhadores sem carteira assinada no período. Os trabalhadores por conta própria 
obtiveram aumento considerável de 1990 até 2002, provavelmente este crescimento justifica-
se pelo incentivo de alguns governos estaduais em planos de demissão voluntária ou a falta de 
perspectiva do mercado de trabalho com carteira assinada em absorver esta mão de obra. Em 
suma o período de 1990 até 2002 serviu para aprofundar a crise do emprego formal e 
consecutivamente não contribuiu para a melhora nas contas previdenciárias. Estes dados 
estatísticos refletem a fragilidade na qual encontrava-se o mercado de trabalho brasileiro e a 
dificuldade por parte da Previdência Social em buscar novos contribuintes para os regimes. 
(FERREIRA, 2006), (BRITO, 2008) e (MIRANDA, 2010). 
 
[...] Nesta década de 2010, verifica-se o crescimento do conjunto da ocupação, com 
destaque para o assalariamento com carteira assinada. Com base nas informações da 
Relação Anual de Informações Sociais (Rais) – registro administrativo sobre o 
emprego formal mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), estima-se 
que, entre 2003 e 2009, foram criados mais de 12 milhões de empregos formais. 
Essa dinâmica da ocupação teve, por um lado, forte impacto na taxa de desemprego 
metropolitana que diminuiu de 19,5%, em 2002, para 14,2%, em 2009. Por outro 
lado, contribuiu para a diminuição da informalidade no conjunto dos ocupados que, 
segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) caiu de 46,5%, em 2002, 
para 42,7%, em 2008. (DIEESE, 2010, p.1) 
 
57,7%
19,3%
18,5%
4,5%
54,2%
21,0%
20,3%
4,5%
52,3%
22,2%
21,0%
4,4%
51,3%
23,2%
21,1%
4,4%
49,9%
23,9%
21,9%
4,3%
49,1%
24,2%
22,1%
4,5%
47,2%
25,1%
23,0%
4,7%
47,0%
25,0%
23,4%
4,6%
46,4%
25,7%
23,3%
4,6%
45,0%
26,6%
23,8%
4,6%
44,0%
27,9%
23,6%
4,6%
45,3%
27,2%
23,2%
4,2%
45,5%
27,8%
22,6%
4,1%
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
 
Empregados c/ carteira assinada Empregados s/ carteira assinada Conta-própria Empregador
50 
 
 
Os dados da citação acima a respeito de estudo publicado pelo Departamento 
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em 2010 mostram que 
existe uma melhora considerável, no nível de emprego da economia brasileira do período de 
2003 a 2009. Este trouxe não somente benefícios para a base dos contribuintes dos regimes de 
previdência social, mas também auxiliou na diminuição da informalidade do mercado de 
trabalho, e do déficit da previdência. “O crescimento do emprego formal tem um grande peso 
no aumento da arrecadação previdenciária, em especial nas receitas correntes que guardam 
uma vinculação muito estreita com o mercado de trabalho” (BRASIL, 2010a, p.8). 
Segundo Ferreira (2006) as distorções demográficas representam um grande problema 
para a administração das contas previdenciárias, conforme se visualiza a seguir: 
 
Além das pessoas estarem, em média, vivendo por mais tempo, o número de filhos 
por mulher em seu período fértil, mensurado pela taxa de fecundidade, tem 
declinado de maneira acelerada. Enquanto em 1960, cada mulher tinha em média 6,3 
filhos, em 2000 esse indicador caiu para 2,4 e em 2008 para apenas 1,86. A queda 
nas taxas de fecundidade está associada a aspectos sociais e culturais, como a 
revisão de valores relacionados à família e o aumento da escolaridade feminina; 
desenvolvimento científico como os métodos contraceptivos; e econômicos, como o 
aumento da participação da mulher no mercado de trabalho. (BRASIL, 2010b, p.18). 
 
Ferreira (2006, p.27) diz que, “Diante do declínio da taxa de fecundidade e do 
aumento da expectativa de sobrevida, a pirâmide populacional no Brasil começa a se 
deformar. Na medida em que existe um aumento da expectativa de vida e uma redução da 
mortalidade infantil, agregada à queda da taxa de natalidade”, em 2050 a pirâmide 
populacional assumirá um formato quase retangular conforme demonstrado no Gráfico 3. 
Ainda segundo Ferreira (2006, p.27) “Outro dado importante é que as projeções populacionais 
para as próximas décadas mostram a presença cada vez maior da mulher idosa, decorrente do 
fato das taxas de sobrevida para as pessoas do sexo feminino serem mais longas do que para 
as pessoas do sexo masculino”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
 
Tabela 3 – Taxa de Crescimento Populacional 
 
 
Média anual de crescimento populacional por década -1960-2030 
 
 1960-1970 2,9% 
 1970-1980 2,5% 
 1980-1990 1,8% 
 1990-2000 1,6% 
 2000-2010 1,2% 
 2010-2020* 0,8% 
 2020-2030* 0,4% 
*Projeção 
 
Fonte: BRASIL, 2010 – MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Projeções Atuariais para o 
Regime Geral de Previdência Social, Brasília. 
 
Através da Tabela 3, nota-se a queda acentuada da média da taxa de crescimento 
populacional. Na década de 1960-1970 esta média chegava a 2,9%, e a projeção para a década 
de 2010-2020, denota um valor inferior a 1%, isto é 0,8%, sendo a previsão confirmada em 
um futuro próximo, pode-se constatar que esta taxa fique em 0,4% na década de 2020-2030. 
Estes dados afetam diretamente o futuro do sistema de previdência, contribuindo para a 
deformação da pirâmide populacional. Nas próximas décadas, teremos um aumento da 
população idosa em idade de receber benefícios e uma redução da base, que, por conseguinte 
resultará em um crescimento do déficit, levando-se em conta a premissa da receita menos 
despesa. (BRASIL, 2010). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
52 
 
 
 (Em Milhões de Pessoas) 
Gráfico 2 
 
Gráfico 3 – Pirâmides Populacionais no Brasil – 1980 – 2000 – 2020 – 2050 
 
Fonte: BRASIL – MINISTÉRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Livro Branco da Previdência 
Social, Brasília, MPS, 2002, p.120. Disponível em http// <www.mpas.gov.br>. Acesso em 10 
set 2011. 
 
O processo de envelhecimento da população brasileiro influencia a deformidade da 
pirâmide populacional, os países desenvolvidos apresentam as mesmas características que o 
Brasil. Pode-se explicar o processo de envelhecimento pela composição de dois fenômenos: a 
redução da taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida. Sendo que o aumento