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Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub - Previdência Privada - Ano 2005

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68, parágrafo 2o, da Lei Complementar n° 
109, de 29 de maio de 2001, determinou que a concessão de benefí­
cio pela Previdência Complementar não depende da concessão de 
benefício pelo Regime Geral da Previdência Social, ilustrando bem a 
autonomia de organização da Previdência Privada. Esta previsão res­
peitou o art. 202 da Constituição. Não obstante, de quando em vez 
ainda se ouve falar desta terminologia.
8 . CONTEXTO JURÍDICO ATUAL DA PREVIDÊNCIA 
COMPLEMENTAR PRIVADA NO BRASIL
Na Constituição Federal, a temática da Previdência Privada está 
inserida no âmbito do Título VIII, da Ordem Social, cujo art. 193 
estabelece que:
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“A ordem social tem como base o prim ado do trabalho, e como 
objetivo o bem -estar e a justiça sociais” (destaques nossos).
Mais especificamente, o legislador constitucional enquadrou, in­
clusive, a Previdência Privada no Capítulo II do Título VIII, esfera 
da Seguridade Social.
Já o art. 194 da Constituição Federal ressalta que:
“A seg u rid ad e social co m p re en d e u m c o n ju n to in te g ra d o 
d e ações de in ic ia tiva dos Poderes Públicos e da sociedade, 
d estin ad as a asseg u rar os d ire ito s relativos à saúde , à previ­
dência e à assistência social” (d estaq ues nossos).
Pois bem, a iniciativa da sociedade vem se manifestando com o 
crescimento ímpar da Previdência Complementar Privada brasileira. 
A Justiça Social se dá, outrossim, com observância do princípio da 
liberdade de iniciativa (art. 170 da Constituição).
Para Arion Sayão Romita “O estatuto fundamental, portanto, 
longe de coibir, concita o particular a prover, por seus próprios meios, 
à satisfação de necessidades que a previdência oficial, por impossibi­
lidade ou incapacidade, descura”36.
A relevância da Previdência Privada é tão marcante, do pon­
to de vista social e, por conseguinte, legal, que o ordenamento 
jurídico brasileiro veio a regular a Previdência Social em leis o r­
dinárias, e a Previdência Privada em leis com plem entares (hie­
rarquicam ente superiores).
Além disto, sublinhe-se que os recursos existentes nos planos 
previdenciários privados têm caráter alimentar.
De acordo com o parágrafo Io-A do artigo 100 da nossa Constitui­
ção (parágrafo incluído pela Emenda Constitucional n° 30, de 13/09/00):
36 ROMITA, Arion Sayão. Estrutura da relação de previdência privada (entidades fecha­
das). São Paulo: LTR. Revista de Previdência Social, v 25, nQ 252, p. 773, novembro de 
2001.
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“O s débitos ele natureza alim entícia compreendem aqueles de­
correntes de salários, vencim entos, proventos, pensões e suas 
com plcm entações, benefícios previdenciários e indenizações por 
m orte ou invalidez, fundadas na responsabilidade civil, em v irtu­
de de sentença transitada em julgado” (destaques nossos).
A natureza alimentícia das pensões e suas complementações, 
benefícios previdenciários e indenizações por morte ou invalidez nos 
ensina que o caráter previdenciário (como vem reiterando a própria 
postura da Organização Internacional do Trabalho - O IT) incute 
um valor ao contexto que de longe foge do simples seguro privado e 
da singela aplicação financeira. O interesse é de manutenção do pa- 
drao de vida.
O regime de Previdência Complementar Privada é previsto pelo 
art. 202 da Constituição, fruto da Emenda Constitucional n° 20, de 
15 de dezembro de 1998.
A Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, revogou 
expressamente a Lei n° 6.435/77 e a Lei n° 6.462/77, passando a 
reger de forma geral toda a Previdência Privada, aberta e fechada.
Quanto à Lei Complementar n° 108, de 29 de maio de 2001, suas 
disposições abrangem exclusivamente a relação entre a União, os Es­
tados, o Distrito Federal e os Municípios, inclusive suas autarquias, 
fundações, sociedades de economia mista e empresas controladas dire­
ta ou indiretamente, enquanto patrocinadores de entidades fechadas 
de Previdência Complementar, e suas respectivas entidades fechadas.
A Lei Complementar n° 108 não é, portanto, a lei de Previdên­
cia Privada dos servidores públicos, até porque numerosos emprega­
dos de autarquias, fundações, sociedades de economia mista e 
empresas controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público, e 
mesmo de pessoas jurídicas de Direito Público, são celetistas (rela­
ção trabalhista regida pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT)
Diz o art. 202 da Constituição que a Previdência Complemen­
tar Privada possui caráter complementar e organização autônoma
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em relação ao Regime Geral de Previdência Social. O regime de Pre­
vidência Privada é facultativo.
O Estado não tem, portanto, monopólio de atuação na Previ­
dência nacional.
Deduz-se que a grande característica da Previdência Comple­
mentar Privada é sua natureza particular. Mesmo sendo privada, po­
rém, ela não perde jamais seu traço distintivo constitucional de 
elemento de proteção social. Esta relevância essencial se desdobra na 
postura do legislador.
8 .1 . P r e v id ê n c ia p r iv a d a e o s is t em a f in a n c e ir o n a c io n a l
Uma previsão constitucional pouco citada, mas extremamente 
importante na compreensão da matéria, advém do art. 192 da Cons­
tituição Federal (redação dada pela Emenda Constitucional n° 40, 
de 2003), que estabelece:
“O sistema financeiro nacional, estruturado de form a a promover
o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da 
coletividade, em todas as partes que o compõem , abrangendo as 
cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que 
disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas 
instituições que o integram .”
A Emenda Constitucional n° 40 revogou o inc. II que previa:
II - autorização e funcionamento dos estabelecimentos de 
seguro, resseguro, previdência e capitalização, bem como 
do órgão oficial fiscalizador” (destaques nossos).
A órbita de seguros privados e de capitalização que rodeia a 
Previdência Com plem entar Privada corresponde ao envolvimen­
to da temática com o sistema financeiro nacional, a promoção do 
desenvolvimento equilibrado do País e com os interesses da cole­
tividade.
A diretiva constitucional tem liame com as aplicações das contri­
buições previdenciárias privadas pelas entidades que administram fiin-
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dos de Previdência, já que os valores podem ser inseridos no círculo do 
sistema financeiro nacional, fato que interessa à coletividade sob o pris-
11 ia social (aposentadoria como manutenção do padrão de vida em com- 
plem entação ao Regime Oficial de repartição sim ples) e ao 
desenvolvimento equilibrado do País, pois fortalece a poupança interna, 
f avorecendo juros mais baixos e facilitando empréstimos financeiros.
Mas mesmo inserta no campo do sistema financeiro nacional, 
os valores das reservas técnicas da Previdência Privada não são mera 
aplicação financeira ou especulativa.
A própria Receita Federal brasileira confirma que a aplicação 
em previdência privada, para fins de apuração de imposto de renda, 
no momento da declaração, no modelo completo, não se caracteriza 
por aplicação financeira. Por isso, não deve ser informada na ficha 
“Bens”. Deverá haver um lançamento na ficha de “Pagamentos” (có­
digo 6 - contribuições a entidades de previdência privada).
0 substitutivo ao projeto de Lei Complementar n° 47/1991, 
atual PLP 161/2004 (em tramitação), dispõe sobre o Sistema Finan­
ceiro Nacional, regulamentando o art. 192 da Constituição Federal.
Na estrutura do Sistema Financeiro Nacional é prevista a cria­
ção da Superintendência de Previdência Privada.
A Superintendência de Previdência Privada seria uma autarquia 
especial, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de 
autonomia administrativa, econômica, financeira e técnica, com sede e 
foro no Distrito Federal e jurisdição em todo território nacional.
Seriam assegurados