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EDUCAÇÃO AMBIENTAL Prof. Gleidis Guerra · A crise começa a partir da Revolução Industrial, época que alterou as formas de organização social, econômica e ambiental. Essa falta de projeção futura, abuso de recursos sem pensar gerou um problema mundial e a pergunta: “Até quando o planeta suportará?” · Houve aumento na população urbana e, com isso, na poluição feita pela mesma. Problemas de saúde começaram a surgir e até mortes por causa da inversão térmica, poluentes, grande uso de carvão... · Desde a década de 1960 os ambientalistas já alertavam sobre os problemas ambientais. · A década de 1970 é marcada pela questão ambiental. Destaca-se a consequência de uma crise planetária. Armas nucleares, contaminação do solo e alimentos, extinção de espécies animais e vegetais, desmatamento, etc. · 1972, Estocolmo (Suécia): 1ª Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, que adotou mediante a uma Declaração um conjunto de pontos de manejo ecologicamente racionais do meio ambiente. · 1973: nasce a Secretaria Especial de Meio Ambiente no brasil (Sema) · 1977: Conferência de Tbilisi: Foi a partir dessa Conferência que o Meio Ambiente passou a ser definido como um conjunto de sistema natural e social. · 1992: RIO92. Foi uma conferência realizada pela ONU no Brasil. Foram aprovados 5 acordos internacionais: Declaração do Rio; Agenda 21; Declaração de Florestas; Convenção sobre mudanças climáticas e Convenção sobre a diversidade biológica. · Agenda 21: foi gerada com a proposta de implantação global. Visando inserir desenvolvimentos sustentáveis para o planeta. A busca do equilíbrio perfeito entre o ser humano a natureza e a economia sem prejudicar a qualidade de vida e o ambiente planetário. O grande slogan foi: “Pensar globalmente e agir localmente”. O cumprimento destes objetivos exige fluxo de recursos financeiros. · É importante ressaltar que em países subdesenvolvidos ou que estão em desenvolvimento possuem ainda um agravante de maior ressalva que é a questão da renda, a população está mais preocupada em sobreviver do que com o meio ambiente. · 1995: ONU passa a organizar um evento anual chamado Conferência das Partes da Convenção-Quadro onde se tratavam as mudanças climáticas. · A COP3 (1997) deu origem ao Protocolo De Kyoto, que define metas de redução na emissão de gases ao efeito estufa. · 20 anos após a RIO92 (ou ECO92), foi realizada em 2012 a RIO+20, com o intuito de definição na agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. · Ocorrências ambientais como as vistas anteriormente despertaram um olhar da mídia e da opinião pública. Desta forma, passou-se a buscar na educação ferramentas para as mudanças de comportamento ambiental. E foi assim que essa forma de educação deu-se como Educação Ambiental. · O desafio é formular uma educação ambiental crítica e inovadora nos níveis formal e informal. · Preservar o ambiente é responsabilidade de todos e de cada um. Assim, a educação ambiental é para a Cidadania. Não adianta tratar os sintomas se você não tratar a causa. Melhorar a rede de escoamento de água, nivelar o chão não resolve a causa das inundações que é o desmatamento e retirada da vegetação original. O que a Legislação diz sobre isso? Lei 6938 Art 2º diz: “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar o país condições ao desenvolvimento socioeconômico.” “A Educação Ambiental para todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la, para participação ativa na defesa do meio ambiente”. Portanto, é componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis de escolaridade. UNIDADE 2 · Segundo dados da própria ONU, corroborados por diversas instituições de estudos e de pesquisas, entre 1990 e 2017, o mundo perdeu 178 milhões de ha de florestas, cabendo ao Brasil a triste marca de ter desmatado, neste período, nada menos do que 92,3 milhões de ha ou 51,9% do desmatamento mundial. (Fonte: Ecodebate 2021) · Considerando as duas faces do meio ambiente (social e natural), um bom programa de Educação Ambiental deve considerar a compreensão dos fatores biológicos, físicos e socioeconômicos e como eles interagem. Estão todos interdependentes. · Objetivos, princípios e estratégias da Conferência de Tbilisi: Propiciar a conscientização a respeito das relações entre o modo de vida das pessoas e a qualidade ambiental; possibilitar ações críticas frente aos problemas do meio ambiente; Estimular o investimento de recursos públicos e privados na implementação da educação ambiental em ambientes informais. Essa Conferência considerou o meio ambiente como “o conjunto de sistemas naturais e sociais em que vivem os homens e os demais organismos e de onde obtêm sua subsistência”. Meio ambiente: Conscientização ou moda? O modismo ecológico não representa a conscientização efetiva de mudança de atitude. Quando falamos sobre esse tema, é muito mais do que utilizar apenas sua Eco-Bag com estampa de árvore. É preciso um esforço da comunidade local, da mídia e de profissionais na união em um esforço conjunto e integrado em prol da conscientização. · Pode-se dividir a cidadania em 3 dimensões: civil, política e socioeconômica. Uma nova dimensão seria então a cidadania ecológica, em que se incorpora o direito real a um ambiente saudável, entretanto, somente ocorrerá quando a natureza for vista como aliada e não inimiga. O que é o desenvolvimento sustentável? Está fundamentado no desejo de satisfazer às necessidades humanas presentes, sem comprometer a possibilidade das próximas gerações também satisfazerem às suas necessidades. uso racional dos recursos naturais, redução no consumo de energia, minimização da emissão de poluentes, redução e tratamento de resíduos, etc. · É errado pensar que o crescimento econômico é o suficiente para todo o desenvolvimento psíquico, social e moral. Ao contrário, o desenvolvimento não pode ocorrer às custas da degradação da qualidade de vida, da lógica da competitividade. · Uma empresa socialmente responsável e sustentável é aquela que atua nas três dimensões: proteção ambiental, apoio e fomento ao desenvolvimento local, regional e global, estímulo e garantia da equidade social. · Devemos trabalhar com a sensibilização e motivação das pessoas, desenvolvendo os seguintes aspectos: · Conscientização : As pessoas precisam saber sobre a crise ambiental e suas manifestações globais e locais e que todos nós somos coautores, porque isso ocorre por nossas ações. · Capacidade de Avaliação : Desenvolvimento do senso crítico dos educandos. Necessitamos de pessoas bem informadas, inteiradas e atualizadas sobre aspectos sociais, econômicos, éticos, políticos, tecnológicos, científicos, entre outros. · Mudança de comportamento : Resgate de valores como confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa é o primeiro passo a ser dado nessa direção, juntamente com o incentivo à adoção de comportamentos centrados na redução de impactos ambientais. · Participação efetiva dos educandos : O aumento da participação eleva o nível de envolvimento e comprometimento. O trabalho a partir de projetos que partam de experiências individuais e práticas que promovam melhorias em seu ambiente auxilia neste sentido. · Desenvolvimento de competências : O cidadão engajado nas questões ambientais deve também agir frente aos problemas apresentados (conhecimento + ação). Sugerir propostas, tomar atitudes condizentes, assumir sua responsabilidade frente à crise ambiental. É importante ressaltar que o Planeta é complexo, e suas questões são interdisciplinares. Alguns fundamentos da interdisciplinaridade são: · Movimento dialético : Exercício de dialogar e refletir com nossas próprias produções, para extrair desse diálogo novos pressupostos. · Recurso da memória : Para entender o hoje precisamos olhar para o passado. Memória registro, escrita realizada em livros, artigos, resenhas, anotações, cursos,palestras, e a memória vivida. · Parceria : Iniciar um diálogo com outras formas de conhecimento a que não estamos habituados. Ex: a área de exatas precisa aprender a se comunicar com a área de humanas. · Respeito ao modo de ser de cada um : A interdisciplinaridade decorre mais do encontro de indivíduos do que de disciplinas. · Busca da totalidade : O conhecimento interdisciplinar busca a totalidade do conhecimento. Cada um possui seu olhar, suas opiniões e isto exige respeito, entretanto sempre deve-se buscar o conhecimento do todo. As salas de aula deveriam ser locais onde reina a interdisciplinaridade, mas vemos que ocorre o contrário, ela acaba não tendo lugar. A cada entrada e saída de professores mais desconexas suas matérias ficam em nossa mente. Aprendemos a segmenta-las em gavetas quando na verdade está tudo entrelaçado. · O grande desafio é transformar as atitudes em comportamentos. Atitude x comportamento: Atitude é como a gente age, comportamento é a maneira como nos comportamos. Não adianta ter uma “atitude Eco” de “#MundoVerde ; #VamosSalvarOPlaneta” se a pessoa se comporta de maneira diferente disto (Gastando água, desperdiçando alimentos, sendo consumista...). · Educação formal e não formal : Ambiente Educacional · O local em que o programa será implementado também é de suma importância para o seu planejamento. Salas de aula, laboratórios, locais ao ar livre, tudo pode incentivar e motivar o participante, sensibilizando-o e envolvendo-o no programa. Metas para os programas na primeira infância Ruth Wilson (1993, citada pelo EECO, 2000, p. 10-12), são 6 metas: 1. Desenvolver a consciência da beleza do mundo natural. 2. Tomar conhecimento dos conceitos de ciclos, diversidade e interrelações da natureza. 3. Desenvolver senso de apreciação e respeito pela integridade do mundo natural. 4. Desenvolver senso de cuidado pelo planeta. 5. Desenvolver a consciência de que as pessoas são parte do mundo natural. 6. Desenvolver a compreensão de como contribuir para o bem-estar da Terra. image1.png image2.png image3.png