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NOVO CPC ANOTADO - 2015

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proposta na inicial e não 
suspende o andamento do processo, porque está ligada ao objeto principal. 
O legislador optou pela dispensa de ação própria para o fim da desconside-
ração. Assim, o NCPC, ao reservar o espaço do incidente para o trato da questão, 
reafirmou o caráter sumário do debate a ser estabelecido. Embora não haja restri-
ções na Lei acerca de tipos de prova ou prazos, o fato é que não se pode imaginar 
a amplitude do debate peculiar ao de uma ação própria travestida em incidente, 
sobretudo quando proposto no curso do processo de conhecimento. 
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Seja como for, a melhor solução é preservar a sumariedade, limitando a ati-
vidade probatória, tal como acontece, por exemplo, na atual exceção de pré-exe-
cutividade, e, se necessário, aplicando à decisão final o disposto no art. 503, § 2º, 
com a reserva às partes do debate plenário em ação própria posterior, inclusive de 
natureza indenizatória, se for o caso. 
Registre-se posicionamento doutrinário diverso, entendendo, sem ressalvas, 
não serem viáveis restrições probatórias e empregando à decisão caráter “equipa-
rável a uma sentença tendo, pois, o condão de transitar em julgado”, que resolve o 
mérito da questão incidental (nesse sentido, Wambier, Tereza Arruda Alvim [et 
al.], Primeiros Comentários ao Novo Código de Processo Civil, RT, São Paulo, 
1ª edição, p. 252 e 255). 
Quando a desconsideração de personalidade advier de ato que configure 
fraude à execução, ainda assim a via para a pronúncia da fraude e ineficácia do 
desvio patrimonial depende da propositura do incidente (art. 792, § 3º) que, não 
observado, suscitará embargos de terceiro (art. 674, § 2º, III).
A pessoa jurídica ou o sócio são citados com todas as formalidades e conse-
quências próprias do ato citatório (art. 238 a 259), procedendo-se ao registro na 
distribuição (art. 134, § 1º) e, dependendo do objeto do debate incidental, o re-
gistro, por extensão, da existência do incidente na forma do art. 828 (desconside-
ração em execução pecuniária) ou do art. 167, I, n. 21, da Lei 6.216/75 (desconsi-
deração em demandas de natureza real ou reipersecutória). Tais registros, quando 
cabíveis, têm por objetivo garantir o requerente contra a alienação de patrimônio 
pelo terceiro, conforme art. 137. 
O provimento do incidente converterá o sócio (ou a pessoa jurídica), em par-
te no processo, na condição de litisconsorte, inclusive no processo de execução.
CAPÍTULO V
DO AMICUS CURIAE
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especi-
ficidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, po-
derá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem 
pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou 
jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no 
prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
§ 1o A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência 
nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de 
declaração e a hipótese do § 3o.
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§ 2o Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a inter-
venção, definir os poderes do amicus curiae.
§ 3o O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de reso-
lução de demandas repetitivas.
Anotações ao artigo 138:
Carolina Moraes Migliavacca
Mestre e Especialista em Direito Processual Civil
Professora de Direito Processual Civil
Advogada
A tônica do novo Código de Processo Civil é de uma maior adequação aos 
fenômenos da massificação de conflitos, da pluralização da sociedade e da coleti-
vização das demandas, tanto que traz para o dia-a-dia forense alguns expedientes 
como o Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas e o Incidente de Assun-
ção de Competência, bem como enfatiza um julgamento especial de recursos de 
natureza extraordinária, quando considerados “repetitivos”. A positivação do ami-
cus curiae é justificada por esta mesma linha, considerando-se que, se as demandas 
judiciais tenderão a assumir mais expressão coletiva e para além das partes (autor 
e réu) que a compõem, então o alargamento da participação de representantes de 
esferas específicas da sociedade vai justificada nesta ideia de democracia parti-
cipativa (MARINONI, Luiz Guilherme. Comentários à Constituição do Brasil. 
Coord.: SARLET, Ingo Wolfgang; STRECK, Lenio Luiz; MENDES, Gilmar Ferrei-
ra. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 367).
O instituto, na verdade, não é novo no direito processual civil brasileiro, que 
evidentemente se inspirou na experiência norte-americana. A doutrina e a juris-
prudência já reconhecem que a permissão legal de “intervenções anômalas” para 
determinadas entidades deve, sim, ser considerada como intervenção de amici curiae. 
É o caso da Lei nº 6.385/76 (Comissão de Valores Mobiliários), Lei nº 8.884/94 (Con-
selho Administrativo de Defesa Econômica), da própria Lei nº 8.906/94 (Ordem dos 
Advogados do Brasil), e tantas outras. E o instituto ganhou maior ênfase quando a Lei 
nº 9.868/99, que regula as ações de controle de constitucionalidade (ADI e ADC) e a 
arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), a Lei nº 11.417/2006 
e os arts. 543-A, § 6º e 543-C, § 4º, do CPC de 1973 permitem a consulta a “terceiros” 
nos incidentes de edição de súmula vinculante, de averiguação de repercussão geral 
nos recursos extraordinários e de julgamento de recursos especiais repetitivos. 
O novo artigo de lei avança ao trazer contornos próprios para a forma de in-
tervenção do amicus curiae. Primeiro: apesar de encontrarmos amplo espaço para 
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interpretarmos que, mesmo antes do novo CPC, a intervenção do amicus curiae 
também poderia ocorrer em primeiro grau de jurisdição ou mesmo fora das hi-
póteses legais previstas, a verdade é que a prática do instituto ocorre infinitamente 
em maior frequência perante as demandas e incidentes que contam com expressa 
previsão legal para a consulta de entidades especializadas (como é o caso da ADI, 
da determinação da repercussão geral ou edição de súmula vinculante), e perante 
tribunais. Com a redação expressa do art. 138, CPC, cada vez mais contaremos 
com a participação do amicus curiae em demandas individuais de primeiro grau. 
O artigo 138 também elimina a existente dúvida sobre quem poderia atuar como 
amicus curiae, expressamente ampliando a intervenção para órgãos e entidades com 
alguma representatividade ou especialidade técnica, assim como pessoas físicas ou ju-
rídicas. O que poderá trazer maiores divagações quando do deferimento ou não da 
intervenção será a identificação do verdadeiro interesse do amicus, que, a rigor, deve 
ter uma natureza institucional e não jurídica no conflito (BUENO, Cassio Scarpinella. 
Novo código de processo civil anotado. Saraiva, 2015, p. 135). Neste aspecto, sugere-
se a ampla utilização dos tão valorizados conceitos de cooperação e contraditório das 
partes (inclusive do próprio amicus curiae que pretende intervir, ou que foi chamado 
para tanto), para que todos os envolvidos forneçam os seus argumentos e impressões 
sobre a participação de determinado sujeito.
A inocorrência de alteração de competência por decorrência da participação 
do amicus curiae (por exemplo, no caso de algum órgão federal em demanda que 
tramita perante a Justiça Estadual) ilustra a participação destacada que o sujeito 
tem em relação às partes no processo, sempre com o foco no fornecimento de ar-
gumentos, impressões, informações técnicas calcadas na representatividade ou na 
especialidade técnica daquele sujeito com o objeto da lide. Aqui, cabe reforçar que 
o amicus curiae não se confunde com o perito e tampouco é condutor de prova 
pericial, tanto é que os seus poderes e sua forma de intervenção (se por manifes-
tação escrita apenas uma vez ou ao longo do processo, se por meio de sustentação 
oral, manifestação em audiência, etc) podem ser caso a caso decididas pelo juiz, ao 
passo