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METÓDOS DE 
INTERPRETAÇÃO 
Aula 13.02.2024
• MIGUEL REALE:
• Entende que a interpretação autêntica é 
somente aquela que se opera por meio 
de outro ato normativo: a interpretação 
não retroage pois disciplina a matéria tal 
como nela foi esclarecido, tão-somente a 
partir de sua vigência (v. efeitos ex tunc e 
ex nunc)
• Lei de Diretrizes e Bases - Lei 9394/96 | 
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996
Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber 
que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei:
• Art. 49. As instituições de educação 
superior aceitarão a transferência de 
alunos regulares, para cursos afins, na 
hipótese de existência de vagas, e 
mediante processo seletivo.
• Parágrafo único. As transferências ex
officio dar-se-ão na forma da lei. 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2699080/art-49-da-lei-de-diretrizes-e-bases-lei-9394-96
Lei 9536/97 | Lei nº 9.536, de 11 de dezembro de 1997
Regulamenta o parágrafo único do art. 49 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono 
a seguinte Lei:
• Art. 1º A transferência ex officio a que se refere o parágrafo único do art. 49 da Lei nº 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, será efetivada, entre instituições vinculadas a qualquer sistema 
de ensino, em qualquer época do ano e independente da existência de vaga, quando se 
tratar de servidor público federal civil ou militar estudante, ou seu dependente estudante, se 
requerida em razão de comprovada remoção ou transferência de ofício, que acarrete 
mudança de domicílio para o município onde se situe a instituição recebedora, ou para 
localidade mais próxima desta. (Vide ADIN 3324-7)
• Parágrafo único. A regra do caput não se aplica quando o interessado na transferência se 
deslocar para assumir cargo efetivo em razão de concurso público, cargo comissionado ou 
função de confiança.
• Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 12.12.1997
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/anotada/2898148/art-1-da-lei-9536-97
• b) Judicial: interpretação jurídica 
manifesta sobretudo nas decisões 
prolatadas pela Justiça. Realizada pelos 
magistrados – e outros operadores do 
Direito - por exemplo, ao sentenciar. 
• Pode ser relacionada a sentenças, 
acórdãos, súmulas – vinculantes ou não 
- dos Tribunais (interpretação judicial 
imparcial), entre outros (decisões 
interlocutórias, v.g.).
* Acusação e defesa: interpretação judicial 
parcial.
*E como enquadrar a atividade 
hermenêutica no âmbito da arbitragem e 
mediação?
• c) Administrativa: aquela cuja fonte 
elaboradora é a própria Administração 
Pública, através de seus órgãos e 
mediante pareceres, despachos, 
decisões, circulares, portarias etc. 
• * Adm. Pública Brasileira: Direta/Indireta. 
Ex.: Interpretação pela administração 
paulistana da Lei Cidade Limpa.
• d) Doutrinária (Doutrinal): vem a 
ser a realizada cientificamente 
pelos doutrinadores e juristas e 
expressas em obras, pareceres, 
entre outros. 
• Há livros especializados de Direito, 
que comentam artigo por artigo de 
uma lei, código ou consolidação, 
oferecendo sentido (ou sentidos) 
do texto comentado, com base em 
critérios científicos.
• e) Aberta: espécie de interpretação 
jurídica pautada no reconhecimento de 
que não apenas técnicos em leis 
interpretam o Direito. 
• V. texto “Hermenêutica Constitucional e 
Transponibilidade das Cláusulas 
Pétreas”.
• “Amicus Curiae” e Audiência Pública.
• A Lei 9.882/99, que regulamente o 
procedimento para Argüição de 
Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPF), em seu art. 6º, §
1º, também prevê a participação do 
amigo da corte, pois assim reza:
• A admissão do "Amicus Curiae" no 
processo que visa o controle de 
concentrado de constitucionalidade por 
via de ação qualifica-se, de certa forma, 
como fator de legitimação social 
extraordinária, viabilizando, em prol dos 
preceitos democráticos, a participação 
de entidades e instituições que 
representem de forma efetiva os 
interesses difusos e coletivos da 
sociedade e que expressem os valores 
essenciais e relevantes de classes e 
grupos.
• Quanto a natureza (ou método de 
interpretação ou momento), a 
interpretação pode ser:
• a) Literal (também conhecida como 
"gramatical", ou "literal-gramatical" ou 
"filológica"): 
• Pauta-se no exame do significado e alcance 
de cada uma das palavras da norma jurídica; 
ela se baseia na letra da norma jurídica. 
INTERPRETAÇÃO 
LITERAL 
• A interpretação literal é um método de hermenêutica 
jurídica que consiste em interpretar o texto legal de 
acordo com o seu significado exato. É um método 
inicial de leitura, que pode não captar o sentido 
completo da norma.
• Como funciona?
• A interpretação literal é baseada no significado de 
cada palavra da norma.
• O intérprete que adota este método não pode fugir 
do sentido geral do texto.
• A interpretação literal é útil para apreender o sentido 
de uma norma em particular.
INTERPRETAÇÃO 
LITERAL 
• In Claris cessat interpretativo
• Quando a norma for redigida de forma clara e 
objetiva não será necessário interpretá-la.
• A segurança de que a lei corresponda à vontade 
legislativa não é bem definida, pois é bem possível 
que as palavras sejam defeituosas ou imperfeitas 
que não produzam em extensão o conteúdo do 
princípio.
• A norma pode ter valor mais amplo e profundo que 
não advém de suas palavras, sendo assim 
imprescindível a interpretação de todas as normas 
por conterem conceitos com contornos 
imprecisos.
• b) Lógico-Sistemática (fusão da 
interpretação lógica com a interpretação 
sistemática): 
• Busca descobrir o sentido e alcance do 
dispositivo, situando-o no conjunto do 
sistema jurídico; 
• A compreensão da expressão normativa 
deriva da concepção que o hermeneuta 
tem desta como parte integrante de um 
todo, em conexão com as demais 
normas jurídicas que com ela se 
articulam logicamente. 
• Não se concebe o dispositivo como um 
todo isolado em si mesmo, auto-
suficiente.
• A dimensão lógica desta forma de 
interpretação está amparada nos 
recursos da Lógica, tendo em vista ao 
menos a necessidade do exegeta de bem 
definir e classificar os conceitos, sejam 
jurídicos ou não.
• Interpretação sistemática:
• Sistema, essa é a palavra chave. 
• A interpretação sistemática visa a harmonia 
entre as normas, analisando uma de acordo 
com o que diz outras, ainda que de outros 
âmbitos como o Penal, Civil. 
• Esse método beneficia o sistema jurídico como 
um todo, onde o sistema se completa em 
conjunto.
• O método lógico-sistemático é o resultado da 
união da interpretação sistemática com a 
interpretação lógica.
• Verifica-se que toda a norma jurídica é parte 
integrante que deve manter uma harmonia para 
que possa funcionar efetivamente. 
• c) Histórica: 
• c.1) Dogmática: indaga das 
condições de meio e momento 
da elaboração da norma 
jurídica, bem como das causas 
pretéritas da solução dada pelo 
legislador (v. "origo legis" e 
"occasio legis").
c.2) Evolutiva: espécie de interpretação 
que busca descobrir o sentido e o alcance 
das expressões de Direito à luz do 
momento histórico em que, por exemplo, a 
norma jurídica será aplicada 
Nesta hipótese, a expressão jurídica 
descola-se da vontade do legislador, para 
que seja valorizada a vontade da lei, pelo 
fato desta abranger hipóteses que o 
legislador não previu: 'a lei pode ser mais 
sábia do que o legislador.
Exemplo: Sentido de família 
CONCEITO DE 
FAMÍLIA 
• Art. 1.723. É reconhecida 
como entidade familiar a união 
estável entre o homem e a 
mulher, configurada na 
convivência pública, contínua e 
duradoura e estabelecida com o 
objetivo de constituição de 
família.
• d)Teleológica: busca o fim (ou fins) que a 
norma jurídica tenciona servir ou tutelar 
(valor ou valores, sobretudo). 
• Busca os fins sociais e bens comuns da 
norma, dando-lhe certa autonomia em 
relação ao tempoque ela foi feita
• Art. 5º da LINDB: Na aplicação da lei, o 
juiz atenderá aos fins sociais a que ela se 
dirige e às exigências do bem comum.
• Juízo de valor e valor (distinções).
• e) Sociológica: Fatores Sociais 
• O julgador preocupa-se com o bem e o 
mal resultantes do seu veredictum.
• Se é certo que o juiz deve buscar o 
verdadeiro sentido e alcance do texto; 
todavia este alcance e aquele sentido 
não podem estar em desacordo com o 
fim colimado pela legislação – o bem 
social. 
• Toda ciência que se limita aos textos de 
um livro e despreza as realidades é ferida 
de esterilidade.
• Não se pode conceber o Direito a não ser 
no seu momento dinâmico, isto é, como 
desdobramento constante da vida dos 
povos. 
INTERPRETAÇÃO SOCIOLÓGICA 
A interpretação sociológica é um método de interpretação jurídica que visa compreender o objetivo 
social da lei. O objetivo é que a lei seja aplicada da melhor forma possível na sociedade.
Como é feita a interpretação sociológica?
•Procura saber o fim social da lei, ou seja, o que o legislador visou a proteger
•Faz uma ligação entre lei, causa e finalidade
•Identifica o fim, o escopo, a razão, a finalidade da lei
•Atualiza a lei, pois o texto evolui
•Prevalece o caráter valorativo, ético e político-social da interpretação
Contexto
A interpretação sociológica surgiu da necessidade de atender aos anseios sociais, evitando uma 
ruptura entre a lei e o fato.
• A própria evolução desta ciência 
realiza-se no sentido de fazer 
prevalecer o interesse coletivo, 
embora timbre a magistratura em o 
conciliar com o indivíduo. 
• Exemplo propriedade privada: hoje 
considera fundado mais no interesse 
social do que no individual; 
• O direito de cada homem é 
assegurado em proveito comum e 
condicionado pelo bem de todos. 
ART. 5º CF/88
• XXII - é garantido o direito de propriedade;
• XXIII - a propriedade atenderá a sua função 
social;
• XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para 
desapropriação por necessidade ou utilidade 
pública, ou por interesse social, mediante justa 
e prévia indenização em dinheiro, ressalvados 
os casos previstos nesta Constituição;
• XXV - no caso de iminente perigo público, a 
autoridade competente poderá usar de 
propriedade particular, assegurada ao 
proprietário indenização ulterior, se houver 
dano;
• f) Analógica: 
• Não faz sentido falar de interpretação analógica, 
por se tratar de mais um caso de analogia.
• Isto não quer dizer que o raciocínio por analogia 
não seja empregado em processos hermenêuticos 
(muito pelo contrário). 
• Analogia = Espécie de raciocínio indutivo (palavra 
chave: probabilidade).
• Analogia x interpretação analógica: a diferença 
entre interpretação analógica e analogia reside na 
voluntas legis: na primeira, pretende a vontade da 
norma abranger os casos semelhantes por ela 
regulados; na segunda, ocorre o inverso: não é 
pretensão da lei aplicar o seu conteúdo aos casos 
análogos, tanto que silencia a respeito, mas o 
intérprete assim o faz, suprindo a lacuna
INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA 
A interpretação analógica é um método de interpretação da lei que se baseia na comparação entre os 
próprios termos da norma. É também conhecida como interpretação intra legem.
A interpretação analógica é utilizada quando a lei apresenta uma fórmula genérica que deve ser 
interpretada. O objetivo é extrair o sentido da norma a partir dos próprios elementos que ela fornece.
A interpretação analógica é diferente da analogia, que é uma forma de integrar lacunas na norma.
Exemplos de interpretação analógica
•O homicídio qualificado por paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe
•A descoberta de "outro motivo torpe" que qualifique o crime
Restrições à interpretação analógica
A interpretação analógica é proibida em determinadas situações, como:
•Na integração de lacunas que envolvam determinadas situações na esfera do Direito Penal
•A partir de normas excecionais
CÓDIGO PENAL 
• Art. 121. Matar alguem:
• Pena - reclusão, de seis a 
vinte anos.
• Homicídio qualificado
• § 2° Se o homicídio é 
cometido:
• I - mediante paga ou 
promessa de recompensa, ou 
por outro motivo torpe;
STJ RECURSO ESPECIAL 1998/0077951-5 DJ 16/05/2005 p. 275 
ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. 
APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. MOLÉSTIA GRAVE. 
CARDIOPATIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE 
VIOLAÇÃO DO ART. 111, INCISO II, DO CTN. LEI N. 4.506/64 (ART. 17, 
INCISO III). DECRETO N. 85.450/80. PRECEDENTES.
1. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal 
da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda 
conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de 
apreciar e aplicar as normas de direito, de valer-se de uma 
equilibrada ponderação dos elementos lógico-sistemático, 
histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a 
moderna metodologia de interpretação das normas 
jurídicas.
• 2. O STJ firmou o entendimento de que a 
cardiopatia grave, nos termos do art. 17, 
inciso III, da Lei n. 4.506/64, importa na
exclusão dos proventos de aposentadoria
da tributação pelo Imposto de Renda, 
mesmo que a moléstia tenha sido
contraída depois do ato de aposentadoria
por tempo de serviço.
• 3. Recurso especial conhecido e não-
provido.
• Lei Nº 4.506/1964. Código Tributário
Nacional 
• Dispõe sobre o Sistema Tributário
Nacional e institui normas gerais de direito
tributário aplicáveis à União, Estados e 
Municípios. 
• Art. 111. Interpreta-se literalmente a 
legislação tributária que disponha sobre:
• I - suspensão ou exclusão do crédito
tributário;
• II - outorga de isenção;
• III - dispensa do cumprimento de 
obrigações tributárias acessórias.
QUESTÃO PROPOSTA AO JULGADOR
DATA DA CONCESSÃO 
DA APOSENTADORIA
CARDIOPATIA DETECTADA
ANTES DA APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: TEM DIREITO 
A ISENÇÃO DE IR.
CARDIOPATIA DETECTADA
APÓS A APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: NÃO TEM 
DIREITO A ISENÇÃO DE IR.
LEI No 1.711, DE 28 DE OUTUBRO DE 1952.
Revogada pela Lei nº 8.112, de 1990- Estatuto do Servidor Público
Art. 178. O funcionário será aposentado com vencimento ou remuneração 
integral:
I –... (omissis)...
II –... (omissis)...
III – quando acometido de tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia 
malíguina, cegueira, lepra, paralisia, cardiopatia grave e outras moléstias que a 
lei indicar, na base de conclusões da medicina especializada.
Uma interpretação literal entende que a doença deve 
ser a causa da aposentadoria. Se aparecer depois, 
não cumpre a literalidade da lei.
QUESTÃO PROPOSTA AO JULGADOR
DATA DA CONCESSÃO 
DA APOSENTADORIA
CARDIOPATIA DETECTADA
ANTES DA APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: TEM DIREITO 
A ISENÇÃO DE IR.
CARDIOPATIA DETECTADA
APÓS A APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: NÃO TEM 
DIREITO A ISENÇÃO DE IR.
QUESTÃO PROPOSTA AO JULGADOR
DATA DA CONCESSÃO 
DA APOSENTADORIA
CARDIOPATIA DETECTADA
ANTES DA APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: TEM DIREITO 
A ISENÇÃO DE IR.
CARDIOPATIA DETECTADA
APÓS A APOSENTADORIA
ENTENDIMENTO: NÃO TEM 
DIREITO A ISENÇÃO DE IR.
INTERPRETAÇÃO STJ:
TEM DIREITO A ISENÇÃO DE IR.
Interpretação sistemática. A 
unidade orgânica e os princípios
informativos das normas
• Processo civil. Execução para entrega de coisa. 
Mercadoria fungível. Sacas de soja. Título
extrajudicial. Arts. 585, II e 621, CPC.
• HERMENÊUTICA. INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA.
• I – Admissível que a execução para entrega de 
coisa(s) fungível(is), submetida a disciplina prevista
nos arts. 621 usque 628 do Estatuto Processual, 
seja fundada em título executivo extrajudicial (art. 
585, II, do mesmo diploma).
• II – Sem embargo das respeitáveis posições em
contrário, tenho que a interpretação sistemática
conferida pelo aresto recorrido ao art. 621, em face 
da regra do art. 585, II, é a que melhor reflete os
princípios norteadores da hermenêutica, além de 
apresentar-se mais razoável, guardando coerência
com a atual tendência evolutiva do direito
processual, sob cuja inspiração foramelaborados
os projetos de reforma do Estatuto instrumental 
encaminhados ao Congresso Nacional, alguns
deles hoje já integrados a nossa ordem legal.
III – Segundo assinalado por Carlos 
Maximiliano em sua admirável 
Hermenêutica e Aplicação do Direito, 
citando o Digesto de Celso, "não se 
encontra um princípio isolado, em ciência 
alguma; acha-se cada um em conexão 
íntima com outros. O direito objetivo não é 
um conglomerado caótico de preceitos; 
constitui vasta unidade, organismo 
regular, sistema, conjunto harmônico de 
normas coordenadas, em 
interdependência metódica, embora 
fixada cada uma no seu lugar próprio” (STJ, 
REsp n. 52.052/RS, in DJU de 19/12/1994).
• Interpretação teleológica ou finalística, construtiva e valorativa. Os fins sociais
da lei e as exigências do bem comum (art. 5º da LICC)
Processual civil. Lei 8.009/90. Bem de família. Hermenêutica. Freezer, máquina de lavar e secar roupas e 
microondas. Impenhorabilidade. Teclado musical. Escopos político e social do processo. Hermenêutica. 
Precedentes. Recurso provido.
 I - Não obstante noticiem os autos não ser ele utilizado como atividade profissional, mas apenas como 
instrumento de aprendizagem de uma das filhas do executado, parece-me mais razoável que, em uma 
sociedade marcadamente violenta como a atual, seja valorizada a conduta dos que se dedicam aos 
instrumentos musicais, sobretudo quando sem o objetivo do lucro, por tudo que a música representa, 
notadamente em um lar e na formação dos filhos, a dispensar maiores considerações. Ademais, não seria 
um mero teclado musical que iria contribuir para o equilíbrio das finanças de um banco. O processo, como 
cediço, não tem escopo apenas jurídico, mas também político (no seu sentido mais alto) e social.
 
II - A Lei 8.009/90, ao dispor que são impenhoráveis os equipamentos que 
guarnecem a residência, inclusive móveis, não abarca tão-somente os 
indispensáveis à moradia, mas também aqueles que usualmente a integram 
e que não se qualificam como objetos de luxo ou adorno.
 III -Ao juiz, em sua função de intérprete e aplicador da lei, em atenção aos 
fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum, como 
admiravelmente adverte o art. 5º, LICC, incumbe dar exegese construtiva e 
valorativa, que se afeiçoe aos seus fins teleológicos, sabido que ela deve 
refletir não só os valores que a inspiraram mas também as transformações 
culturais e sócio-políticas da sociedade a que se destina (STJ, REsp
218882/SP, in DJU de 25/10/1999).
Interpretação evolutiva. 
As transformações
• Processual civil. Execução fiscal. Adiantamento
de despesas para o oficial de justiça ou para o perito. 
Art. 27, CPC.
• 1. Se a interpretação por critérios tradicionais
conduzir à injustiça, incoerências ou contradição, 
recomenda-se buscar o sentido eqüitativo, lógico e 
acorde com o sentimento geral.
• 2. Custas e emolumentos, quanto à natureza
jurídica, não se confundem com despesas para o 
custeio de atos decorrentes de caminhamento
processual.
• 3. O Oficial de Justiça ou Perito não estão
obrigados a arcar, em favor da Fazenda Pública, com 
as despesas necessárias para a execução de atos
judiciais.
• 4. Recurso conhecido e improvido.
• (STJ, REsp 154682/SP, in DJU de 02/03/1998).
Interpretação estrita, restritiva e não-
extensiva. Exceções, punições, privilégios, 
limitações de direitos, prescrições de ordem 
pública e atos benéficos
• PROCESSUAL CIVIL. VISTA DE AUTOS. SEGREDO DE 
JUSTIÇA. ESTAGIÁRIO NÃO INSCRITO NA OAB. IMPOSSIBILIDADE. 
EXEGESE DO ART. 154 DO CPC C/C OS ARTS. 1º E 3º, §2º, DA LEI 
N. 8906/94.
• Frente à redação dos dispositivos legais referidos, inexiste
qualquer dúvida acerca da impossibilidade de se conceder vista 
dos autos, protegidos pelo segredo de justiça, a estagiário não
inscrito na OAB, porque tal se revela em atividade inerente ao
exercício da advocacia, não podendo ser provocada por quem não
satisfaz a condição prevista no art. 3º, §2º, do Estatuto do 
Advogado.
• Demais disso, a ciência hermenêutica não socorre o 
recorrente, quanto à alegativa de que a expressão “procuradores” 
do art. 155 do Código de Processo Civil deva ser interpretada
amplamente, de forma a abranger todo e qualquer estagiário
substabelecido no processo.
• As prescrições de ordem pública, quando ordenadoras ou
vedantes, visam a proteger o interesse da coletividade, motivo
porque se sujeitam à interpretação estrita, impossibilitada, assim, 
a extensiva e o aplicar da analogia.
• Recurso conhecido, porém desprovido.
• (STJ, ROMS 14697/SP, in DJU de 16/12/2002).
• Quanto a seus efeitos ou resultados, a 
interpretação pode ser:
a) Extensiva: quando o intérprete conclui 
que a abrangência semântica da norma é 
mais ampla do que indicam suas palavras 
(v. termo, conceito, palavra). 
• Nesse caso, afirma-se que o legislador 
escreveu menos do que queria dizer, e o 
intérprete, alargando o campo de sentido 
e/ou incidência da norma, recepciona 
determinadas situações não previstas 
expressamente em sua letra, mas que 
nela se encontram, virtualmente, 
incluídas. 
• Às vezes, o legislador pode formular para um caso 
singular um conceito que deve valer para toda uma 
categoria ou usar um elemento que designa 
espécie, quando queria aludir ao gênero.
Por exemplo, a lei diz "filho", quando na realidade 
queria dizer "descendente". 
• Ou ainda, a Lei do Inquilinato dispõe que: "o 
proprietário tem direito de pedir o prédio para seu 
uso"; a interpretação que conclui por incluir o 
"usufrutuário" entre os que podem pedir o prédio 
para uso próprio, por entender que a intenção da lei 
é a de abranger também aquele que tem sobre o 
prédio um direito real de usufruto, é uma 
interpretação extensiva.
• A interpretação do artigo 235 do Código Penal, que 
incrimina a bigamia, para incluir também a poligamia
•
INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA 
• A interpretação extensiva é utilizada quando a lei não é 
suficientemente abrangente para atender a um caso concreto
• O intérprete deve verificar os limites da norma e ampliar o seu 
sentido ou alcance
• A interpretação extensiva busca a real vontade do legislador
• A interpretação extensiva não exige a elaboração de uma norma 
complementar
• b) Restritiva: quando o intérprete restringe o 
sentido da norma ou limita sua incidência, 
concluindo que o legislador escreveu mais do 
que realmente pretendia dizer e assim o 
intérprete elimina a amplitude das palavras.
Por exemplo, a lei diz "descendente", quando 
na realidade queria dizer "filho".
• No direito penal, a interpretação restritiva pode 
ser usada para analisar qualificadoras de crimes, 
como o homicídio.
• 
• c) Estrita, Declarativa ou Especificadora: 
• Quando se limita a declarar ou especificar 
o pensamento expresso na norma jurídica, 
sem ter necessidade de estendê-la a 
casos não previstos ou restringi-la 
mediante a exclusão de casos 
inadmissíveis. 
• Nela o intérprete chega à constatação de 
que as palavras expressam, com medida 
exata, o espírito da lei, cabendo-lhe 
apenas constatar esta coincidência.
• Pela interpretação declarativa, 
estrita ou especificadora 
aplicam-se (as normas) no 
sentido exato, não se dilatam, 
nem restringem os seus termos
• A interpretação estrita há de ser 
aplicada, por exemplo, quando 
se trata de leis que impõem 
penalidades, que cominam 
multas etc. 
• É declarativa quando a letra se 
harmoniza com o significado 
obtido pelos outros métodos. 
• É extensiva, se o significado 
obtido pelos outros métodos é 
mais amplo do que o literal; a 
final, é restritiva, quando o 
significado literal é mais amplo 
do que aquele obtido pelos 
outros métodos
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	Slide 14: INTERPRETAÇÃO LITERAL 
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	Slide 19: CONCEITO DE FAMÍLIA 
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