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Questionário da disciplina Hermenêutica e Argumentação Jurídica. 
 
1. Que significa hermenêutica? 
Extraído do livro Hermenêutica Jurídica de R. Limongi França. 
Resposta: De acordo com Carlos Maximiliano, hermenêutica é a parte da ciência jurídica que 
tem como objeto o estudo e a sistematização dos processos, que devem ser utilizados para 
que a interpretação se realize, de modo que o seu escopo seja alcançado da melhor maneira. 
A interpretação, portanto, consiste em aplicar as regras, que a hermenêutica perquire e 
ordena, para o bom entendimento dos textos legais. 
Perquirir (significado): efetuar investigação escrupulosa; inquirir de maneira minuciosa, 
esquadrinhar; indagar. 
Extraído do JusBrasil 
I- Definições de Hermenêutica Jurídica 
Carlos Maximiliano: Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar. 
Hermenêutica Jurídica é a teoria científica da arte de interpretar, aplicar e integrar o Direito. 
(subsunção: enquadramento do Direito ao caso concreto) 
Subsunção: Aplicação de uma norma jurídica a um fato concreto, verificando se as 
características e circunstâncias do caso se enquadram nos requisitos e pressupostos 
estabelecidos pela norma, resultando na incidência ou não da norma ao caso. 
 
2. Qual a correlação existente entre a interpretação, a aplicação e a integração do 
Direito? 
Resposta: O direito existe para ser aplicado. Antes, porém, é preciso interpretá-lo. Só aplica 
bem o direito quem o interpreta bem. Devido ao fato de que a lei pode apresentar lacunas, é 
necessário preenche-las (integração do direito), a fim de que se possa dar sempre uma 
resposta jurídica, favorável ou contrária, a quem se encontra em desamparo de lei expressa. 
3. O que significa “interpretar a lei”? Quais elementos integram este conceito? 
Resposta: Interpretar a lei significa compreender o sentido da lei e aplicá-la a situações 
concretas. Esse processo envolve considerar o contexto, os objetivos da lei, e os princípios 
gerais do direito. 
Interpretar" é fixar o verdadeiro sentido e o alcance, de uma norma jurídica. 
 
Destacam-se três elementos que integram o conceito de interpretação: 
a) Revelar o seu sentido: deve-se descobrir a finalidade da norma jurídica. É sempre 
necessário ir além da superfície das palavras, a fim de conhecer a força e o poder que advém 
delas. 
b) Fixar o seu alcance: significa delimitar o seu campo de incidência. 
c) “Norma jurídica”: todas as normas podem ser objeto de interpretação. 
4. Apenas as normas jurídicas legais admitem interpretação? Explique. 
Resposta: Normas jurídicas não são apenas as leis e não são só elas que devem ser 
interpretadas, embora sejam elas o objeto principal da interpretação. Todas as normas 
jurídicas podem ser objeto de interpretação. 
Atenção: As leis, os códigos penais, os decretos e as decisões judiciais são exemplos de normas 
jurídicas, assim como qualquer texto jurídico que busque controlar a conduta dos indivíduos 
em uma sociedade 
Não, nem todas as normas jurídicas são leis, mas todas elas podem ser interpretadas. A 
interpretação é uma atividade necessária para compreender o sentido e o alcance de uma 
norma jurídica. 
 
5. Qual a importância da interpretação? Qual o papel no magistrado neste momento? 
Resposta: 
A interpretação é fundamental para a aplicação do direito e para a garantia da justiça. O 
magistrado atua como intérprete das leis, aplicando as normas jurídicas aos casos concretos. 
A importância da interpretação 
• A interpretação é necessária, mesmo quando as leis são claras, pois o conceito de 
clareza é subjetivo. 
• A interpretação é uma atividade que requer raciocínio, lógica, discernimento, bom 
senso, sabedoria e experiência. 
• A interpretação deve obedecer a critérios como proporcionalidade, razoabilidade e 
proibição de excessos. 
O papel do magistrado 
• O magistrado deve interpretar e aplicar as normas jurídicas para garantir a justiça. 
• O magistrado deve apresentar as razões que o levaram a decidir de determinada 
maneira. 
• O magistrado deve interpretar os textos jurídicos para compreender a significação que 
deles pode ser extraída. 
• O magistrado deve aplicar a norma ao caso concreto, de forma que a interpretação só 
tenha força de lei para o caso em julgamento. 
A interpretação jurídica é fundamental para a busca da realização da justiça. 
 
6. É necessário interpretar-se uma norma clara? Deve ser observado, hoje, o brocardo “in 
claris cessat interpretatio”? 
Resposta: Não, não se deve aplicar o brocardo "in claris cessat interpretatio" de forma 
absoluta, pois a interpretação é necessária mesmo quando a norma é clara. 
Explicação 
• O brocardo "in claris cessat interpretatio" é um princípio jurídico antigo que significa 
"quando a norma é clara, não é necessário interpretá-la". 
• No entanto, a clareza é subjetiva e relativa, ou seja, o que é claro para uma pessoa 
pode ser obscuro para outra. 
• Uma palavra pode ser clara de acordo com a linguagem comum, mas ter um significado 
específico ou técnico diferente. 
• O art. 5º da lei de introdução ao código civil determina que a aplicação das leis deve 
conformar-se “aos fins sociais e às exigências do bem comum”. 
• A interpretação é necessária para fazer com que a norma jurídica incida em um caso 
concreto. 
• A hermenêutica jurídica é o sistema de regras para interpretar as leis. 
A interpretação jurídica pode ser feita por meio de métodos como gramatical, sistemático, 
histórico, teleológico-axiológico e sociológico. 
 
7. Caracterize as espécies de interpretação quanto ao agente. 
Resposta: 
Limonge França (2014) em seu livro Hermenêutica Jurídica, 1988, nos introduz ao tema 
dizendo que “a interpretação não se restringe tão somente aos estreitos termos da lei, pois 
conhecidas são suas limitações para o bem exprimir do direito, o que, aliás, acontece com a 
generalidade das formas de que o direito se reveste”. 
Segundo o doutrinador a interpretação pode ser dividida em 3 critérios, a saber: 
a) Agente da interpretação; 
b) Natureza; 
c) Extensão. 
Vejamos o quadro sinótico da interpretação conforme definição de Limonge França: 
Agente: 
Interpretação Pública Autêntica (órgão que favoreceu a lei) 
Interpretação Pública Judicial (juiz – jurisprudência – súmula) 
Interpretação Privada Doutrinária (doutrinador) 
 
QUANTO AO AGENTE DE INTERPRETAÇÃO: com base no órgão prolator do entendimento 
da lei. 
Interpretação Pública Autêntica 
É aquela oriunda do próprio órgão que favoreceu a lei. Se o Poder Legislativo declara o 
sentido e alcance de um texto, o seu ato, é uma verdadeira norma jurídica, e só por isso 
tem força obrigatória, ainda que ofereça interpretação incorreta, em desacordo com os 
preceitos basilares da hermenêutica. 
O professor Tourinho exemplifica a interpretação autêntica através do art. 150, § 4º e § 
5º do CP em que o próprio legislador procurou estabelecer os contornos da palavra “casa”. 
Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade 
expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: 
§ 4º - A expressão "casa" compreende: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. 
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10620916/artigo-150-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10620677/paragrafo-4-artigo-150-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10620545/paragrafo-5-artigo-150-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10620545/paragrafo-5-artigo-150-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de-dezembro-de-1940
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91614/codigo-penal-decreto-lei-2848-40
§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa": 
I - hospedaria, estalagem ou qualqueroutra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a 
restrição do n.º II do parágrafo anterior; 
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. 
 
Interpretação Pública Judicial 
É aquela realizada pelos juízes ou Tribunais (órgãos do Poder Judiciário) em que aplicam a 
lei no caso concreto. Oportuno anotar que as decisões reiteradas formam a jurisprudência 
e, por conseguinte, atraves do efeito vinculativo, formam as Súmulas. 
Interpretação Privada Doutrinária 
É aquela interpretação, ligada a uma questão do direito científico, realizada pelo 
doutrinador que demanda pesquisas em que são apresentadas especial significado sobre o 
assunto interpretado. 
 
8. Diferencie os momentos ou processos de interpretação: literal, lógico, 
sistemático, histórico, teleológico e sociológico. 
 
QUANTO À ESPÉCIE/NATUREZA: tem como fundamento os diversos tipos de elementos 
contidos nas leis, e que servem como ponto de partida para sua compreensão. 
Interpretação Gramatical 
Limonge França bem diz que a interpretação gramatical é aquela que tem como ponto de 
partida o exame do significado e alcance de cada uma das palavras do preceito legal, ou seja, 
o próprio significado das palavras. Contudo, importante dizer que em casos de dúvida entre os 
vários significados de uma frase ou palavra, o intérprete gramatical deve aceitar o significado 
comum, salvo se puder demonstrar um uso linguístico especial. Se os significados variam, é 
decisivo aquele dominante ao tempo da elaboração da lei, alerta Fenech. 
Os autores, ainda acrescentam que a interpretação gramatical, atualmente, é insuficiente para 
conduzir o intérprete a um resultado conclusivo, pois, pode haver textos ambíguos, 
anfibiológicos ou até mesmo a imprecisão do legislador ao elaborar o texto da lei, por isso, é 
necessário que os elementos por ela fornecidos sejam articulados com os demais, propiciados 
pelas outras espécies de interpretação. 
Por fim, insta dizer que a interpretação gramatical também é conhecida por interpretação 
literal ouinterpretação filológica. 
 
Interpretação Lógica/Teleológica 
Esta interpretação leva em consideração a finalidade da norma jurídica. Ela é subdividida em 
critério subjetivo e objetivo. No primeiro caso, leva em consideração qual foi a intenção de o 
legislador ao elaborar a norma jurídica, analisando principalmente o processo legislativo da 
sua criação. Já o segundo leva em consideração a finalidade da lei. 
 
A interpretação lógica também é conhecida por interpretação Teleológica. 
 
Interpretação Histórica/Sociológica 
Tourinho Filho salienta que é a pesquisa do processo evolutivo da lei, a história dos seus 
precedentes, auxilia o aclaramento da norma. Os projetos de leis, as discussões havidas 
durante sua elaboração, a Exposição de Motivos, as obras científicas do autor da lei são 
elementos valiosos de que se vale o intérprete para proceder à interpretação. Limonge França, 
complementa, dizendo que a interpretação histórica é aquela que indaga das condições de 
meio e momento da elaboração da norma legal, bem assim das causas pretéritas da solução 
dada pelo legislador. 
 
A interpretação histórica também é conhecida por interpretação histórica sociológica. 
 
Interpretação Sistemática/Lógico Sistemática 
Procura extrair o conteúdo da norma jurídica por meio da análise sistemática do ordenamento 
jurídico. Uma vez que este não é lógico. Quem irá colocar lógica no sistema é o interprete ou 
o cientista do Direito. Parte-se sempre da interpretação gramatical, analisando-se os vários 
dispositivos legais até se chegar a uma conclusão interpretativa. 
 
Limonge França divide esta interpretação em dois aspectos diversos: 
 
1) Quando é feita em relação à própria lei a que o dispositivo pertence; e 
 
2) Quando se processa com vistas para o sistema geral do direito positivo em vigor. 
 
No primeiro caso, revela considerar o caráter geral da lei; o livro, título ou parágrafo onde o 
preceito se encontra; o sentido tecnológico-jurídico com que certas palavras são empregadas 
no diploma, etc. Já no segundo caso, importa atender à própria índole do direito nacional com 
relação as matérias semelhantes à da lei interpretada; ao regime político do país; às últimas 
tendências do costume, da jurisprudência e da doutrina, no que concerne ao assunto do 
preceito etc. 
Tourinho Filho nos ensina que o interprete recorre a este tipo de interpretação quando a 
dúvida não recai sobre o sentido de uma expressão ou de uma fórmula da lei, mas sim sobre 
a regulamentação do fato ou da relação sobre que se deve julgar. Aqui o intérprete deve 
colocar a norma em relação com o conjunto de todo o Direito vigente e com as regras 
particulares de Direito que têm pertinência com ela. O intérprete poderá, inclusive, lançar mão 
da analogia e dos princípios gerais do Direito. 
 
A interpretação sistemática também é conhecida por interpretação Lógico Sistemática. 
 
Interpretação Comparativa 
Extrai-se o conteúdo da norma jurídica fazendo uma comparação com o ordenamento jurídico 
de outro país. 
10. Uma lei elaborada anteriormente à Constituição vigente, e que consagre situação de 
desigualdade sexual não amparada por essa Constituição, será inconstitucional. 
 
QUANTO À EXTENSÃO: com base no alcance maior ou menor das conclusões a que o 
interprete chegue ou tenha querido chegar. 
 
Interpretação Declarativa 
 É aquela interpretação que chega ao mesmo resultado da lei, ou seja, aquilo que está escrito 
na norma. O interprete chega nesse resultado utilizando-se dos vários métodos de 
interpretação supracitados. 
Interpretação Progressiva 
 Diz-se progressiva a interpretação quando o intérprete, observando que a expressão contida 
na norma sofreu alteração no correr dos anos, procura adaptar-lhe o sentido ao conceito atual. 
Por exemplo, o CPP não cuidou do mandado de prisão via fax, justamente porque o CPP é de 
1941 e o primeiro sistema de fax ocorreu em 1949 no Japão. Hoje, entretanto, é muito comum 
os Tribunais, quando a condenação é por eles decretada, ordenar a expedição de mandado de 
prisão por esse meio. Trata-se de interpretação progressiva conforme preceitua Tourinho 
Filho. 
Interpretação Extensiva / Ampliativa 
É aquela que amplia o sentido da norma, pois, a norma disse menos do que ela queria, por 
isso o interprete deve ampliar o sentido ou alcance delas. Geralmente o interprete utiliza-se 
do método teleológico. 
As leis penais também admitem a interpretação extensiva? Tourinho Filho aponta a posição 
de Maggiore, a interpretação extensiva nada mais representa senão a reintegração do 
pensamento do legislador, e, por conseguinte, é aplicável também à penal. No mesmo sentido 
a lição de Aníbal Bruno, Magalhães Noronha é, também desse sentir. Como exemplo de 
interpretação extensiva no campo penal, aponta Hungria o art. 235 do CP no qual incrimina a 
bigamia. Dai conclui-se que também a poligamia também é objeto de incriminação. 
A interpretação extensiva também é chamada de interpretação ampliativa. 
Interpretação Restritiva 
O contrário da interpretação extensiva é a restritiva. Esta interpretação restringe o sentido da 
norma jurídica. Isso quer dizer que a norma jurídica disse mais do que ela queria dizer. Há uma 
superabundância normativa. Nesse sentido, vem o interprete e faz uma interpretação 
teleológica para restringir o alcance daquela norma jurídica, de modo a dar uma interpretação 
menos ampla àquela norma jurídica. 
Interpretação Analógica Tourinho Filho ensina que ao lado da interpretação extensiva e 
mantendo com esta certa similitude, está a interpretação analógica. Não se deve confundir, 
contudo, interpretação analógica com analogia. A primeira é forma de interpretação; a 
segunda é integração. Quando se pode proceder a interpretação analógica? Quando a própria 
lei a determinar. Por exemplo, quando o art. 61, II, c, do CP fala em “à traição, de emboscada, 
ou mediante dissimulação,ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do 
ofendido”, pergunta-se: que outro recurso poderá ser este? Evidentemente deve ser um 
“recurso” semelhante, análogo à “emboscada”, à “traição”, à “dissimulação”, em molde a 
dificultar ou tornar impossível a defesa do ofendido. Não teria sentido que o legislador ali 
catalogasse todas as hipóteses que guardassem semelhança com a “emboscada”, com a 
“traição”, com a “dissimulação”. Já a analogia é a integração. A doutrina entende que o 
ordenamento jurídico apresenta lacunas, vazios e devem ser preenchidos, e o processo de 
preenchimento, chama-se analogia. 
O doutrinador ainda complementa dizendo que analogia é um princípio jurídico segundo o 
qual a lei estabelecida para determinado fato a outro se aplica, embora por ela não regulado, 
dada a semelhança em relação ao primeiro. 
E finaliza: "Como se percebe, nítida a diferença entre a interpretação extensiva e a analogia. 
Naquela, o intérprete conclui que a lei contém a disposição para o caso concreto, mas, como 
a expressão é mais defeituosa, procura-se adaptá-la à mens legis. Já na analogia, parte-se do 
pressuposto de que a lei 'não contém a disposição precisa para o caso concreto, mas o 
legislador cuidou de um caso semelhante ou de uma matéria análoga'. Nítida a diferença, 
também, entre interpretação analógica e analogia. Ali, a vontade da lei é abranger os casos 
análogos àqueles por ela regulados. Aqui, não há essa voluntas legis, não existe essa vontade, 
mas o intérprete, assim mesmo, preenche o meato, o claro, o vazio." 
Considerações finais: Todas as menções realizadas aos ilustres doutrinadores Tourinho Filho e 
Limonge Franca foram retiradas, respectivamente, dos livros: Processo Penal, volume 1, ano 
2012 e Hermenêutica Jurídica, 2º edição, 1988. 
 
11. Diferencie aplicação e integração do direito. 
Resposta: 
A aplicação do direito é o ato de fazer valer uma norma jurídica em um caso concreto, 
enquanto a integração do direito é o processo de preencher lacunas legais. 
Aplicação do direito 
• Consiste em cumprir a tutela jurídica ao interesse individual ou coletivo 
• É mais do que simplesmente aplicar a letra da lei 
• É preciso interpretar bem o direito para aplicar bem 
Integração do direito 
• É um processo de completar, esclarecer ou corrigir lacunas dentro de uma norma 
legal 
• É uma técnica utilizada quando não há uma lei que regule especificamente uma 
situação concreta 
• É um processo contínuo 
• É fundamental para a aplicação eficaz e justa das leis 
A integração do direito pode ser feita por meio de: 
• Analogia, que procura os casos mais semelhantes 
• Princípios gerais do direito 
• Costumes 
A integração do direito é uma ferramenta jurídica essencial para: Respeitar as intenções do 
legislador, Tornar as leis efetivas, Interpretar direitos não explicitados nas leis. 
 
12. Quais as concepções de aplicação do direito? Explique-as. 
Resposta: 
Google Ia: A aplicação do direito consiste em fazer valer as normas jurídicas em situações 
concretas. Para isso, considera-se a hipótese prevista na norma, os interesses individuais ou 
coletivos, e os princípios do direito. 
Conceitos gerais do direito 
Justiça, Igualdade, Legalidade, Responsabilidade, Obrigação, Autonomia da vontade. 
Princípios da aplicação do direito 
• Generalidade: a norma jurídica aplica-se a todos os cidadãos 
• Imperatividade: a norma jurídica impõe deveres e condutas aos cidadãos 
• Obrigatoriedade: ninguém pode deixar de cumprir a lei 
Formas de integração da norma jurídica Gramatical, Lógica, Sistemática, Histórica, Sociológica 
ou teleológica. 
Espécies de âmbito de aplicação 
• Espacial: onde a norma pode ser aplicada 
• Temporal: a partir de quando a norma pode ser aplicada 
• Material: sobre o quê se aplica a norma 
• Pessoal: quem ela obriga 
Importância da aplicação do direito 
A aplicação do direito é fundamental para a realização de valores como a justiça, a segurança 
e o bem comum. 
 
ChatGpt: 
Na hermenêutica jurídica, as concepções do direito variam conforme a forma como se entende 
a interpretação e a função do direito. As principais concepções são: 
 
1. Direito como norma (positivismo jurídico) 
Características: O direito é visto como um conjunto de normas estabelecidas pelo Estado. 
Interpretação: O foco é na literalidade da lei e na aplicação objetiva da norma. 
Autores: Hans Kelsen, H.L.A. Hart. 
Crítica: Ignora contextos sociais, históricos e éticos. 
 
2. Direito como fato social (realismo jurídico / sociologismo jurídico) 
Características: O direito é compreendido como um fenômeno social, resultado de práticas e 
relações sociais. 
Interpretação: Deve considerar a realidade social e os efeitos práticos da aplicação do direito. 
Autores: Eugen Ehrlich, Karl Llewellyn. 
 
3. Direito como valor (jusnaturalismo / neoconstitucionalismo) 
Características: O direito está ligado à justiça, à moral e aos direitos fundamentais. 
Interpretação: A interpretação jurídica deve buscar o sentido mais justo, conforme princípios 
constitucionais e valores éticos. 
Autores: Ronald Dworkin, Robert Alexy. 
 
Destaque: Forte influência da Constituição e dos direitos humanos. 
 
4. Direito como linguagem (hermenêutica filosófica) 
Características: O direito é uma prática discursiva, interpretativa e histórica. 
Interpretação: Sempre contextual; a norma ganha sentido na aplicação concreta. 
Autores: Friedrich Gadamer, Lenio Streck (no Brasil). 
Destaque: O intérprete é parte do processo de construção do sentido da norma (não é neutro). 
 
Essas concepções influenciam diretamente como se interpreta o direito: se de forma mais 
fechada e técnica (positivismo) ou mais aberta e comprometida com valores (hermenêutica 
filosófica e neoconstitucionalismo). 
 
Melhor explicação com exemplos 
1. Direito como norma (positivismo jurídico) 
• Características: O positivismo jurídico considera o direito como um conjunto de 
normas criadas por uma autoridade legítima, geralmente o Estado. A validade de uma 
norma é independente de sua justiça ou moralidade. 
• Interpretação: A interpretação é estritamente literal, focando na aplicação das 
normas sem considerar contextos sociais ou morais. 
• Exemplo: Um juiz aplica uma lei penal específica sem levar em conta as circunstâncias 
sociais do réu, julgando unicamente com base na letra da lei. 
2. Direito como fato social (realismo jurídico/sociologismo jurídico) 
• Características: Esta abordagem vê o direito como um produto das interações sociais. 
As normas não são apenas textos, mas refletem comportamentos e práticas sociais. 
• Interpretação: A interpretação deve considerar as realidades sociais e os efeitos das 
normas sobre a vida das pessoas. 
• Exemplo: Um tribunal considera o impacto social de uma decisão sobre a 
comunidade antes de aplicar uma norma, buscando um resultado que leve em conta 
as consequências práticas. 
3. Direito como valor (jusnaturalismo/neoconstitucionalismo) 
• Características: Essa corrente defende que o direito deve estar alinhado com 
princípios éticos e de justiça. Os direitos fundamentais têm um papel central. 
• Interpretação: A interpretação busca encontrar o sentido mais justo da norma, 
considerando valores constitucionais e direitos humanos. 
• Exemplo: Um juiz interpreta uma norma à luz dos direitos fundamentais, priorizando 
a proteção de grupos vulneráveis, mesmo que isso signifique ir além da letra da lei. 
4. Direito como linguagem (hermenêutica filosófica) 
• Características: Nesta abordagem, o direito é visto como uma prática interpretativa 
que evolui com o tempo e o contexto. A norma é apenas uma parte do processo 
comunicativo. 
• Interpretação: A interpretação é contextual e busca compreender o sentido da norma 
nas situações concretas. 
• Exemplo: Um intérprete busca entender a intenção do legislador e o contexto 
histórico ao aplicar uma norma, reconhecendo que sua aplicação podevariar 
conforme as circunstâncias. 
Considerações Finais 
Essas concepções não são mutuamente exclusivas e, na prática, podem se complementar. O 
positivismo pode oferecer clareza e estabilidade, enquanto a hermenêutica e o jusnaturalismo 
podem proporcionar flexibilidade e uma abordagem mais humanística ao direito. Se você 
quiser explorar mais alguma dessas correntes ou analisar um caso específico, é só avisar! 
 
13. Existem lacunas no direito? Explique. 
Resposta: Sim. 
Lacunas no direito são falhas na legislação que deixam situações sem regulamentação 
jurídica. Podem ocorrer quando a lei não prevê uma situação ou quando prevê, mas não 
determina as consequências jurídicas. 
Tipo de lacuna Descrição 
Normativa Ausência de norma prevista para um caso concreto 
Ontológica Norma prevista para o caso, mas que não tem eficácia social 
Deontológica Inadequação da ordem normativa ao "dever-ser" 
Ideológica Lacuna relacionada a um critério transcendente 
Teleológica Lacuna relacionada a um critério imanente 
As lacunas podem ser resolvidas por meio de decisões judiciais que integrem a norma 
jurídica. Para isso, os juízes podem aplicar analogia, costumes e princípios gerais do direito. 
As lacunas são reveladoras de uma imperfeição do sistema jurídico. O preenchimento de 
lacunas é crucial para garantir a justiça e a efetividade do ordenamento jurídico. 
Um exemplo de preenchimento de lacuna no direito do trabalho foi o reconhecimento do 
teletrabalho como modalidade válida de contrato de trabalho. 
 
14. Pode o juiz deixar de sentenciar alegando lacuna ou obscuridade da lei? 
Fundamente. 
Resposta: 
1. O juiz não se exime de decidir alegando lacuna ou obscuridade da lei, cabendo-lhe, no 
julgamento da lide, aplicar os princípios constitucionais e as normas legais; não as havendo, 
recorrerá à analogia, aos costumes e aos princípios gerais de direito”. 
 
2. Não, o juiz não pode deixar de sentenciar alegando lacuna ou obscuridade da lei, a menos 
que demonstrada a lacuna. 
Justificativa: 
O juiz deve aplicar a lei vigente, mesmo que a parte não tenha solicitado a sua aplicação. 
O juiz deve utilizar outros meios para manter a paz social, como a analogia, os costumes, os 
princípios gerais do direito e a equidade. 
O juiz não pode deixar de aplicar a lei se o caso concreto se enquadra na previsão legal. 
A lacuna da lei ocorre quando não há uma norma legal para solucionar um caso concreto. 
A lacuna deve ser demonstrada por quem a alega. 
O princípio da obrigatoriedade determina que ninguém pode se escusar de cumprir a lei 
alegando que não a conhece. 
A expressão "non liquet" vem do direito romano e se refere aos casos em que o juiz não 
encontra uma resposta jurídica clara. 
 
15. Quais os métodos de integração da norma jurídica? Caracterize-os. 
Resposta: 
Os métodos de integração da norma jurídica são a analogia, os costumes, os princípios gerais 
de direito e a equidade. 
Analogia 
• Consiste em aplicar uma norma a um caso semelhante, quando não há uma lei 
específica para aquele caso 
• Existem dois tipos de analogia: a legal e a jurídica 
• A analogia legal aplica uma norma já existente 
• A analogia jurídica usa um conjunto de normas para extrair elementos que se 
apliquem ao caso 
Costumes 
• Consistem em práticas e hábitos consolidados na sociedade 
• O juiz pode considerar os costumes locais ou sociais como parâmetros para sua 
decisão 
Princípios gerais de direito 
• São conceitos fundamentais que orientam a aplicação das normas 
• O juiz pode recorrer a esses princípios para fundamentar sua decisão 
Atenção: 
Os princípios gerais do direito são regras que orientam a criação, interpretação e aplicação 
das leis. Eles são fundamentais para a justiça e a equidade, e são a base do ordenamento 
jurídico. 
 
Princípios gerais do direito 
Definição Regras que informam e dão apoio ao direito, mesmo que não estejam escritas 
Função Orientam a elaboração e interpretação das normas, influenciando decisões 
judiciais e legislativas 
Exemplos Legalidade, igualdade, boa-fé, segurança jurídica, razoabilidade, 
proporcionalidade, moralidade, publicidade, eficiência 
Importância Garantem a equidade, a justiça e a coerência no ordenamento jurídico 
Os princípios gerais do direito são alicerces do ordenamento jurídico, independentemente de 
estarem positivados em norma legal. Eles são usados para extrair ideias e concepções para a 
criação de outras normas. 
Alguns princípios gerais do direito podem ser aplicados em todo o ordenamento jurídico, 
como o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio do melhor interesse da 
criança/adolescente. 
Equidade 
• Consiste na utilização da “justiça” por parte do juiz 
• A equidade é a justiça amoldada à especificidade de uma situação real 
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) prevê esses meios de integração 
no seu art. 4º. 
 
16. “A equidade pode ser entendida como princípio ou como hábito”. Explique. 
Resposta: 
Equidade é um princípio que reconhece as diferenças entre as pessoas e busca tratar a todos 
de acordo com suas necessidades. É um conceito fundamental para a construção de 
sociedades justas. 
Equidade como princípio 
• É um princípio do Sistema Único de Saúde (SUS) 
• É um princípio jurídico que visa garantir justiça e imparcialidade 
• É um princípio essencial para a efetivação dos Direitos Humanos 
• É um princípio que reconhece as diversidades e especificidades de cada cidadão ou 
grupo social 
• É um princípio que considera as características individuais e necessidades específicas 
Equidade na prática 
• Na saúde, a equidade propõe estratégias de intervenção para mitigar os efeitos 
nocivos à saúde 
• No direito, a equidade atenua a rigidez da lei escrita, possibilitando que o julgador 
adapte a aplicação da norma 
• Na sala de aula, a equidade trata os alunos de maneira diferenciada, reconhecendo as 
suas características específicas 
A equidade difere da igualdade, que se baseia no princípio da universalidade. 
Equidade é a disposição de reconhecer e tratar as pessoas de acordo com as suas necessidades 
e particularidades. É um princípio fundamental para a efetivação dos Direitos Humanos. 
Equidade 
Definição Dar a cada um o que precisa para que todos tenham acesso às mesmas 
oportunidades 
Princípios Reconhece as diferenças individuais e necessidades específicas 
Importância Reduz desigualdades e promove a justiça social 
Exemplos Priorizar vítimas de acidentes graves no pronto-socorro, reconhecer as diferenças 
nas condições de vida e saúde no SUS 
A equidade se diferencia da igualdade, que se baseia no princípio da universalidade. Ou seja, 
todos devem ser regidos pelas mesmas regras e ter os mesmos direitos e deveres. 
A equidade é um tema correlato da justiça. No direito civil brasileiro, a equidade pode ser 
identificada como a "justiça do caso em concreto". 
A equidade deve levar em consideração: 
• As necessidades, diversidades e especificidades de cada cidadão ou grupo social 
• As diferentes condições de vida, como habitação, trabalho, renda, acesso à educação, 
lazer 
• As diferentes características e contextos de grupos e indivíduos específicos 
 
 
17. Interprete a seguinte assertiva: “Considerando o ordenamento jurídico uma 
unicade sistêmica, o Direito não tolera antinomias” (Noberto Bobbio). 
Resposta: 
A assertiva de que o direito não tolera antinomias, considerando o ordenamento jurídico como 
unitário e sistêmico, significa que o intérprete pode ficar sem critério ou diante de um conflito 
de critérios quando se depara com normas colidentes. 
Explicação De acordo com o jusfilósofo Norberto Bobbio, as antinomias podem ser solúveis ou 
reais. As antinomias solúveis são chamadas de aparentes, enquanto as insolúveis são 
chamadas de reais. 
Para que ocorra uma antinomia, é preciso que: 
Duas normas pertençamao mesmo ordenamento. 
As duas normas tenham o mesmo âmbito de validade. 
Bobbio defendia que o ordenamento jurídico regula o comportamento das pessoas e o modo 
de produção das regras. Ele também acreditava que os princípios são tão importantes quanto 
as regras. Bobbio considerava o direito um termo que pode ser usado para indicar uma norma 
jurídica particular ou um determinado complexo de normas jurídicas. 
Segundo Norberto Bobbio, o ordenamento jurídico não tolera antinomias, e suas normas 
distinguem-se nos âmbitos da validade 
Alternativas 
A) temporal, espacial, de finalidade e material. 
B) temporal, espacial, pessoal e imperativa. 
C) temporal, autorizativa, pessoal e material. 
D) hierárquica, espacial, pessoal e material. 
E) temporal, espacial, pessoal e material. 
 
 
18. O que você entende por “antinomia jurídica”? 
Reposta: 
Antinomia jurídica é um conflito entre duas ou mais normas legais, princípios ou disposições 
de uma lei. Esse conflito pode ser real ou aparente, dificultando a interpretação das normas. 
Antinomia jurídica 
O que é? Contradição entre normas válidas e vigentes 
Quando 
ocorre? 
Quando não há critérios para resolver o conflito 
Como se 
resolve? 
Dependendo do caso, pode-se aplicar critérios como hierarquia, especialidade, lei 
mais recente ou lei mais benéfica 
Exemplos Conflitos entre o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil, ou entre leis 
de países diferentes em comércio internacional 
Para que se caracterize uma antinomia jurídica, as normas devem ser: Válidas, Vigentes, 
Contraditórias entre si. 
A antinomia jurídica pode ser classificada de acordo com: Critério de solução, Conteúdo, 
Âmbito, Extensão da contradição. 
A antinomia jurídica é um fenômeno comum, especialmente devido à multiplicação das 
leis, segundo o Senado. 
Mais explicação: 
Dá-se a antinomia jurídica (lacunas de conflitos) quando existem duas normas conflitantes 
sem que se possa saber qual delas deverá ser utilizada no caso concreto. Assim sendo, ambas 
se excluem, pois não é possível dizer qual delas deverá prevalecer em relação à outra, 
https://www12.senado.leg.br/ril/edicoes/51/201/ril_v51_n201_p151.pdf
obrigando o juiz a utilizar os critérios de preenchimento de lacunas para resolver o caso 
concreto. Portanto, para que se configure uma antinomia jurídica é necessário que se 
apresentem três requisitos: normas incompatíveis; indecisão por conta da incompatibilidade 
e; necessidade de decisão. 
 
As antinomias são de dois tipos: antinomia aparente e antinomia real. 
Nas antinomias reais, o sujeito não pode agir em acordo com ambas as regras. Sua ação se 
torna insustentável do ponto de vista do seguimento da ordem jurídica, porque, se seguir uma 
norma, violará, automaticamente, a outra. 
Como resolver a antinomia real? A solução de uma antinomia real é dada pelo intérprete 
autêntico, com a utilização da analogia, dos costumes e dos princípios gerais de Direito, nos 
termos do art. 4º da LINDB. 
É só imaginar que um artigo do CTB estabelece que a velocidade máxima nas rodovias 
estaduais é de 80km/h e outro artigo prevê que é 110km/h. Se estou a 95km/h, devo ser 
multado pelo policial rodoviário federal? É possível que ele cumpra ambas as normas, ao 
mesmo tempo? Não. 
Já as antinomias aparentes se resolvem de maneira sistêmica. 
Por exemplo, a aparente antinomia entre o art. 435 do Código Civil (“Reputar-se-á celebrado 
o contrato no lugar em que foi proposto”) e o art. 101, inc. I, do Código de Defesa do 
Consumidor (“A ação pode ser proposta no domicílio do autor”) é facilmente resolvida pela 
compreensão de que a norma especial derroga a norma geral na aplicação 
 
20. Mencione e explique os principais critérios para solução das antinomias. 
Resposta: 
Os principais critérios para solucionar antinomias jurídicas são o critério hierárquico, o critério 
cronológico e o critério da especialidade. 
Critério hierárquico 
• Consiste em dar preferência a uma norma com status hierárquico superior 
• Por exemplo, em conflitos entre leis ordinárias e decretos, ou entre leis ordinárias e 
dispositivos constitucionais 
• O princípio que rege este critério é "lex superior derogat legi inferiori", ou seja, lei 
superior derroga leis inferiores 
Critério cronológico 
• É o único critério que tem previsão legal no Brasil, na Lei de Introdução às Normas do 
Direito 
Critério da especialidade 
• Consiste em dar preferência a uma norma mais específica ao caso em questão 
• O princípio que rege este critério é "lex specialis derogat legi generali", ou seja, lei 
especial derroga leis genéricas 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1882011874/codigo-de-transito-brasileiro-lei-9503-97
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10703904/artigo-435-da-lei-n-10406-de-10-de-janeiro-de-2002
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91577/codigo-civil-lei-10406-02
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10594863/artigo-101-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10594822/inciso-i-do-artigo-101-da-lei-n-8078-de-11-de-setembro-de-1990
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/codigo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91585/codigo-de-defesa-do-consumidor-lei-8078-90
Para que haja antinomia jurídica, as normas devem: Ser jurídicas, Estar vigentes, Integrar um 
mesmo ordenamento, Ser expedidas por autoridades competentes, Ser aplicáveis ao 
mesmo. 
A solução de uma antinomia real é dada pelo intérprete autêntico, com a utilização da 
analogia, dos costumes e dos princípios gerais de Direito. 
 
Mais explicação: 
Antinomia - O conflito aparente de normas e seus critérios de resolução 
 
Os conflitos de normas ocorridos durante o processo de interpretação denominam-se 
Antinomias. Esses problemas podem ser solucionados através da aplicação de três critérios: 
hierárquico, cronológico e da especialidade. 
O primeiro critério solucionador de antinomias e o mais relevante é o hierárquico, pois não 
há o que se falar em norma jurídica inferior contrária à superior. Isto ocorre porque “a norma 
que representa o fundamento de validade de uma outra norma é, em face desta, uma norma 
superior”, por exemplo a Constituição Federal de 1988 tem caráter supralegal, na qual, as 
demais leis (ordinárias, complementares, etc.) devem estar em consonância aos princípios 
estabelecidos por ela, caso contrário será considerada inconstitucional perdendo sua 
efetividade. 
O critério cronológico tem por fundamentado o artigo 2º, § 1º, da Lei de Introdução às Normas 
do Direito Brasileiro, que regula que norma posterior revoga a anterior: “A lei posterior revoga 
a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando 
regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior”. 
O terceiro e último critério é o da especialidade o qual prescreve que a norma especial 
prevalece sobre a geral. Este critério também encontra-se no artigo 2º, § 2o da Lei de 
Introdução às Normas do Direito Brasileiro. “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou 
especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. 
O princípio da Especialidade tem por finalidade evitar o bis in idem, sendo certo que a 
comparação entre as normas será estabelecida in abstracto. Um exemplo que podemos citar 
é o conflito de parâmetros de níveis sonoros determinados em decibéis. Vejamos um exemplo: 
O proprietário de um veículo automotivo que deseja ligar o som em via pública aberta à 
circulação, duas normas entrariam em conflito para julgá-lo. Segundo as normas insculpidas 
pela ABNT, (Associação Brasileira de Normas Técnicas), som poluidor em área mista com 
predominância residencial é aquele que fica acima dos níveis permitidos pela NBR 10151/00, 
ou seja, no período diurno, (7h 22h), até o nível máximo de 55 dB, e no período noturno, (22h 
7h), até o máximo de 50 dB. Se analisarmos pela ótica doCódigo de Trânsito Brasileiro, o 
Art. 228 descreve que: “Usar no veículo equipamento com som em volume ou frequência que 
não sejam autorizados pelo CONTRAN”. Ocorre infração grave com multa e retenção do 
veículo. A resolução do CONTRAN que regulamenta a aferição é a Resolução 204/2006 que 
descreve: “A utilização, em veículos de qualquer espécie, de equipamento que produza som 
só será permitida, nas vias terrestres abertas à circulação, em nível de pressão sonora não 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1882011874/codigo-de-transito-brasileiro-lei-9503-97
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10600568/artigo-228-da-lei-n-9503-de-23-de-setembro-de-1997
superior a 80 decibéis – dB (A), medido a 7m (sete metros) de distância do veículo”. Nesse caso 
supracitado, qual seria o critério adotado para valorar o limite permitido ao usuário do som 
do carro? É preciso termos em mente que o Princípio da Especificidade leva em consideração 
a lei mais específica para julgar o caso. A Lei Ambiental utiliza a NBR para autuar os infratores. 
O CTB utiliza resolução para normatizar os parâmetros limites passíveis de autuação. Ambas 
são leis federais. O agente autuador, no uso de seus poderes coercitivos, deve lembrar que em 
favor do réu, usa-se a lei mais benéfica (ou menos danosa). Nesse caso onde há conflito de 
normas, deveria o agente utilizar o CTB, já que esta norma é a que beneficia o réu. 
Nosso ordenamento jurídico está recheado de exemplos como esse apresentado 
anteriormente. Em muitos casos, não parte do agente a decisão de utilizar norma A ou B, 
cabendo ao réu a provocação da justiça para que seu caso seja julgado com a norma mais 
benéfica em seu favor. 
Autores: Rodrigo Bezerra; Júlio César Azevedo. 
KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. 7ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. P. 217. 
LINDB, Art. 2º. Não se destinando à vigência temporária, CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 
1988 http://www.planalto.gov.br/…/Cons…/ConstituicaoCompilado.htm 
 
 
21. A partir da técnica de interpretação constitucional no caso da colisão de direitos 
fundamentais, é possível, para solucionar essa hipótese, conferir-se vigência a um 
em detrimento do outro. 
Resposta: 
Não, não é possível conferir vigência a um direito fundamental em detrimento de outro 
quando há colisão entre eles. Para solucionar esse conflito, é preciso usar a técnica de 
ponderação e o princípio da proporcionalidade. 
Meu entendimento: Implica também, levar em consideração o direito fundamental da 
dignidade humana para resolver o conflito. 
Na ponderação entre direitos fundamentais colidentes, deve prevalecer a norma (princípio ou 
regra) que melhor concretize a dignidade humana. Mesmo no conflito de regras, deve se 
recorrer ao princípio que a inspirou, devendo prevalecer o da dignidade humana acaso 
incidente, sendo prioritária a sua concretização. 
Explicação 
• A colisão de direitos fundamentais ocorre quando o exercício de um direito impede ou 
prejudica o exercício de outro. 
• Os direitos fundamentais são normas com forte conteúdo axiológico e alta carga 
valorativa. 
• O princípio da proporcionalidade é o melhor instrumento para solucionar conflitos 
entre direitos fundamentais. 
• A técnica de ponderação é necessária para solucionar a colisão de direitos 
fundamentais. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1882011874/codigo-de-transito-brasileiro-lei-9503-97
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1882011874/codigo-de-transito-brasileiro-lei-9503-97
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1503907193/constituicao-federal-constituicao-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.planalto.gov.br/%E2%80%A6/Cons%E2%80%A6/ConstituicaoCompilado.htm
• O intérprete deve usar o princípio da concordância prática ou da harmonização para 
coordenar os bens jurídicos em conflito. 
• Deve prevalecer a norma que melhor concretize a dignidade humana. 
• Deve-se recorrer ao princípio que inspirou a regra, devendo prevalecer o da dignidade 
humana. 
 
22. Uma lei elaborada anteriormente à Constituição vigente, e que consagre 
situação de desigualdade sexual não amparada por essa Constituição, será 
inconstitucional. 
Reposta: FALSA. 
Não há inconstitucionalidade de lei anterior a lei vigente. se compatível com a cf/88, ela foi 
recepcionada. se incompatível com a cf/88, ela foi revogada. contudo, é possível a discussão 
material em sede de controle de constitucionalidade (apreciação judicial e não legislativa). 
23. Resuma o desenvolvimento da hermenêutica tradicional à hermenêutica 
contemporânea. 
Extraído do artigo: Hermenêutica jurídica tradicional e contemporânea 
Introdução ao Estudo do Direito - IED 
por: Rodrigo Bezerra Martins 
Resumo: A hermenêutica jurídica é a teoria da interpretação do Direito. Inicialmente, a 
hermenêutica jurídica se conformava em estudar regras de subsunção para uma atividade 
interpretativa focada na plenitude do ordenamento jurídico. Hoje, a hermenêutica jurídica 
contemporânea abandona os métodos tradicionais e adota uma proposta de descrever as 
condições reais do intérprete. 
Palavras-chave: hermenêutica jurídica, interpretação constitucional. 
 
Introdução 
A hermenêutica jurídica desenvolveu-se com o fim de organizar racionalmente o 
processo de interpretação e aplicação do Direito. 
Neste estudo, pretende-se narrar, do modo mais sintético possível, a hermenêutica 
jurídica desde sua concepção tradicional até o ponto de vista contemporâneo. 
Seguiremos aqui a lição de Carlos MAXIMILIANO (1999, p. 1), lançando mão do termo 
“hermenêutica” para se referir à teoria da interpretação, e não à interpretação em si. 
Hermenêutica jurídica tradicional 
A disciplina da hermenêutica jurídica é recente, mas oriunda de uma prolongada 
formação histórica: “a interpretação do direito acompanhou-lhe o desenvolvimento, a 
evolução, sofrendo na sua longa trilha influência das diversas doutrinas filosóficas, jurídicas, 
políticas e sociais, até atingir um estado de sistematização, quando passou a trabalhar com um 
método” (MAGALHÃES, 1989, p. 9). 
Ponto determinante do pensamento hermenêutico tradicional é considerar a 
interpretação e a aplicação do Direito fases distintas, esta posterior àquela: “como se percebe, 
toda a doutrina tradicional, com o apoio de REALE, está fundada na perfeita separação entre 
https://conteudojuridico.com.br/consultas/artigos?categoria=Introdu%C3%A7%C3%A3o%20ao%20Estudo%20do%20Direito%20-%20IED
https://conteudojuridico.com.br/consultas/artigos?articulista=Rodrigo%20Bezerra%20Martins
o momento da interpretação do Direito, que corresponderia ao descobrimento do sentido do 
texto, e o momento de sua aplicação aos casos concretos que se pretende solucionar.” 
(Drumond, 2001, p. 60). 
A hermenêutica tradicional ou clássica manifestou-se na França, com a Escola da Exegese, e 
na Alemanha, com a Escola Dogmática. Vigeu a era da “jurisprudência dos conceitos”, valendo-
se os juízes, meros aplicadores do Direito, de processos lógicos para desvelar o sentido da 
norma (MAGALHÃES, 1989, p. 35-39). 
Para afastar a interpretação do Direito do arbítrio do intérprete, a metodologia jurídica 
desenvolveu critérios orientados à vontade do legislador e ao sentido da norma, como o fez 
Savigny com seus elementos gramatical, lógico, histórico, sistemático (LARENZ, 1997, p. 449-
450). 
Fornecia-se ao intérprete uma lente (um dos métodos considerados apropriados ou sua 
utilização conjunta) para que ele descobrisse, exclusivamente no material observado 
(plenitude do ordenamento jurídico), aquilo que sempre (pois o sentido seria imutável, 
indiferente a qualquer variante) foi a verdade jurídica (suposta identificação da vontade do 
legislador ou do sentido inequívoco da norma). 
Pela doutrina tradicional do Direito “haveria, sempre, a subsunção de um concreto estado de 
coisasa uma lei universal – a plenitude e suficiência do modelo subsuncional de aplicação do 
direito” (ARANHA, 1999, p. 76). 
Os autores da hermenêutica clássica preocupavam-se em formular regras para a atividade 
interpretativa, ao passo que os pensadores contemporâneos envolveram-se com a filosofia 
subjacente à atividade de interpretar e concretizar as normas jurídicas (SILVA, 2001, p. 108). A 
defasagem do pensamento tradicional foi revelada incontestavelmente por sua insuficiência 
no trato da interpretação constitucional. 
Hermenêutica jurídica contemporânea 
Na “Velha Hermenêutica” interpretava-se a lei à exaustão, por meio de operações lógicas. Na 
“Nova Hermenêutica”, concretiza-se o preceito constitucional, o que significa interpretar com 
criatividade[1] (BONAVIDES, 2000, p. 585). As regras tradicionais de interpretação, que 
operam pela “abstração do problema concreto a decidir” e, em seguida, “a subsunção em 
forma de conclusão silogística com o conteúdo da norma” (ALVARENGA, 1998, p. 90-91), 
perdem lugar no contexto da interpretação constitucional. 
Conclui Lúcia B. F. de ALVARENGA (1998, p. 87): “Destarte, a questão hermenêutica deixa de 
ser um problema de correta subsunção do fato à norma – com sua carga lógica, histórica, 
sistemática, teleológica e valorativa – para se tornar um problema de conformação política dos 
fatos, isto é, de sua transformação conforme um projeto ideológico”. Completa Maria da 
Conceição Ferreira MAGALHÃES (1989, p. 17): “isto porque a Hermenêutica não se refere 
somente à lei, mas ao direito; seu escopo é compreender o conteúdo das formas de expressão 
do direito, daí estar o problema da interpretação muito jungido ao da teoria das fontes do 
Direito.” 
No mesmo sentido, Rubens Limongi FRANÇA (1988, p. 22): 
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_edn1
Quando se fala em hermenêutica ou interpretação, advirta-se que elas não se podem restringir 
tão-somente aos estreitos termos da lei, pois conhecidas são as suas limitações para bem 
exprimir o direito, o que, aliás, acontece com a generalidade das formas de que o direito se 
reveste. Desse modo, é ao direito que a lei exprime que se devem endereçar tanto a 
hermenêutica como a interpretação, num esforço de alcançar aquilo que, por vezes, não logra 
o legislador manifestar com a necessária clareza e segurança. 
O Direito é um fenômeno cultural. Como objeto do conhecimento, não se apresenta inerte 
frente ao observador, estático, de valor neutro, como é próprio dos objetos dos fenômenos 
ditos naturais, mas sim em um ir e vir ininterrupto entre sua materialidade e sua vivência 
(COELHO, 2003, p. 35-38). 
A ampliação do rol de métodos e sua flexibilização em virtude das influências sócio-jurídicas e 
históricas, típicas da permeabilidade entre sujeito que interpreta e objeto interpretado, dão a 
tônica da hermenêutica jurídica contemporânea: “O intérprete, em contato com a realidade 
social, encontrará, através do manejo flexível dos métodos, a solução jurídica compatível à 
nova sociedade” (MAGALHÃES, 1989, p. 137). 
Como é impossível a compreensão jurídica exclusivamente pela escavação do texto normativo, 
que se pretendia pleno e unívoco frente às pretensões da hermenêutica tradicional, o atual 
aplicador do Direito constrói o sentido da norma pela interpretação: 
Por isso dizer-se que o sentido da lei é construído mediante sua interpretação. Essa lhe supre 
as deficiências de incompletitude, conformando sua aparência por meio da insígnia 
do legislador ideal, a semelhança de um quebra cabeças, em que somente vai sendo possível 
captar melhor o desenho que ele contém pela insistência de tentativas interpretativas a seu 
respeito (ARANHA, 1999, p. 74). 
Seguindo a hermenêutica tradicional na renovação da metodologia contemporânea, em 
especial, no que nos interessa, da interpretação constitucional, surgem os métodos tópico, 
concretizador, científico-espiritual e normativo-estruturante.[2] 
No que pesa à hermenêutica constitucional, a contribuição de Konrad HESSE (1998, p. 61) foi 
levar o foco do procedimento de realização do Direito Constitucional para as particularidades 
concretas das condições de vida, aliadas ao contexto normativo. “Interpretação constitucional 
é concretização.” 
Nesse panorama da concretização, ou da “Nova Hermenêutica” (BONAVIDES, 2000, p. 544), 
não há lugar para os métodos tradicionais de interpretação, instituídos por Savigny 
(gramatical, sistemático, histórico, teleológico), em si mesmo considerados[3], haja vista a 
Constituição não oferecer critérios inequívocos, seguros, que proporcionem diretrizes 
suficientes: “onde nada de unívoco está querido, nenhuma vontade real pode ser averiguada” 
(HESSE, 1998, p. 57). Sendo a norma indeterminada, ela não pode ser fundamento único para 
a interpretação (ALVARENGA, 1998, p. 96). 
O intérprete termina por escolher livremente, a seu bel-prazer, quais métodos e princípios 
serão aplicados (COELHO, 2003, p. 108). As regras tradicionais não podem ser consideradas 
independentes umas das outras, havendo por indispensável sua integração. “Não há um 
método único e seguro que garanta a verdade do conhecimento humano” (SILVA, 2001, p. 
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_edn2
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_edn3
139). Como entre os métodos não existe hierarquia, é impossível decidir racionalmente qual 
deles utilizar quando levam a resultados distintos. 
Assim, na esteira da mencionada “viragem” da hermenêutica filosófica, a hermenêutica 
jurídica abandona os métodos tradicionais e parte na direção de “ajustar os modelos jurídicos 
às necessidades de um mundo cada vez mais complexo e, por isso, cada vez menos propício a 
toda forma de arrumação” (COELHO, 2003, p. 76). 
Pode-se concluir, a partir de GADAMER (2003, p. 631), que “a hermenêutica jurídica é uma 
proposta de descrever as condições reais do intérprete e não uma oferta de critérios ou 
métodos científicos” (STRECK, 2000, p. 198). 
Conclusão 
A hermenêutica jurídica tradicional era voltada à formulação de regras para uma atividade 
interpretativa que se exauria na plenitude do ordenamento jurídico, pela simples subsunção 
dos fatos às normas. 
No atual contexto, o da hermenêutica jurídica contemporânea, o sentido da norma não é mais 
descoberto, mas construído pela interpretação. A interpretação existe na incidência de um 
caso concreto que demanda solução. Ao interpretar, o exegeta (na acepção ampla do termo, 
não apenas relacionado aos militantes da Escola da Exegese), funde o seu horizonte de 
experiência presente (no que atua a pré-compreensão) ao horizonte passado relativo ao 
momento de criação do texto normativo. O caminho termina por anunciar um desfecho 
autêntico, original, e, sobretudo, mutável, pois a renovação do processo em outro caso ou em 
diferente momento (ou ambos) conduz a resultado próprio. Uma interpretação é um ato único, 
que se renova a cada instante, e que adiciona significado àquilo que se interpreta. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALVARENGA, Lucia Barros Freitas de. Direitos humanos, dignidade e erradicação da pobreza: 
Uma dimensão hermenêutica para a realização constitucional. Brasília: Brasília Jurídica, 1998. 
ARANHA, Márcio Iorio. Interpretação constitucional e as garantias institucionais dos direitos 
fundamentais. São Paulo: Atlas, 1999. 
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 10ª ed. São Paulo: Malheiros, 2000. 
CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional. 5ª ed. Coimbra: Almedina, 1992. 
COELHO, Inocêncio Mártires. Interpretação Constitucional. 2ª ed. Porto Alegre: Fabris, 2003. 
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STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica jurídica e(m) crise: uma exploração hermenêutica da 
construção do Direito. 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2000. 
NOTAS: 
 
 
[1] “A liberdade de criação do intérprete, portanto, não pode ser eliminada na interpretação, 
porque isso equivaleria a negar a sua própria humanidade. No entanto, da sua vinculação à 
realidade objetiva resulta que liberdade de criação não implica arbitrariedade na atribuição 
de sentido.” (DINIZ, 1998, p. 269) 
[2] Para uma exposição sobre os referidos métodos de interpretação constitucional, conferir: 
CANOTILHO, 1992, p. 218-221; BONAVIDES, 2000, p. 446-480; e COELHO, 2003, p. 107-125, 
que também discorre sobre esses métodos de “esotérica denominação” (p. 108). 
[3] Para ficar claro: “Desse modo, a hermenêutica de Savigny não perdeu a sua aplicabilidade, 
quando se trata de interpretar a Constituição. Apenas não é a única ou a melhor possibilidade, 
nem possui a amplitude que se lhe pretende atribuir, como é o caso, por exemplo, de Ernst 
Forsthoff, pois não se deve deixar de levar em conta a importância dos princípios 
hermenêuticos elaborados pela teoria constitucional contemporânea.” (DINIZ, 1998, p. 247). 
Os critérios lógico-subsuntivos de Savigny ainda são úteis como “controle adicional de 
concordância” (ARANHA, 1999, p.72). 
Rodrigo Bezerra Martins, o autor 
Conforme a NBR 6023:2000 da Associacao Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), este texto 
cientifico publicado em periódico eletrônico deve ser citado da seguinte forma: MARTINS, 
Rodrigo Bezerra. Hermenêutica jurídica tradicional e contemporânea Conteudo Juridico, 
Brasilia-DF: 23 set 2014, 05:15. Disponivel 
em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-
tradicional-e-contemporanea. Acesso em: 06 abr 2025. 
 
24. Diferencie colisão e antinomia e como solucioná-las. 
Reposta: 
Colisão de regras pode ser solucionada pela subsunção da norma, enquanto antinomia é um 
conflito entre normas válidas. 
Colisão de regras 
• Ocorre quando há um conflito entre duas regras 
• A solução é aplicar uma das normas e expurgar a outra 
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_ednref1
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_ednref2
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea#_ednref3
https://conteudojuridico.com.br/consultas/artigos?articulista=Rodrigo%20Bezerra%20Martins
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea
https://conteudojuridico.com.br/consulta/artigos/41034/hermeneutica-juridica-tradicional-e-contemporanea
• Se não for possível, há uma antinomia aparente 
Antinomia 
• Ocorre quando há duas normas válidas e conflitantes 
• Não é possível determinar qual norma aplicar em um caso concreto 
• Pode ser aparente ou real 
Solução de antinomia aparente 
• Aplica-se um dos critérios de solução objetiva: hierárquico, cronológico ou da 
especialidade 
• O critério hierárquico dá preferência à norma de nível mais alto 
• O critério cronológico dá preferência à lei posterior 
Solução de antinomia real 
• Utiliza-se a analogia, os costumes e os princípios gerais de Direito 
• Em alguns casos, pode ser criada uma nova norma 
Quando não há antinomia? 
• Quando há colisão de princípios constitucionais, pois não há hierarquia entre eles 
 
25. Descreva as técnicas de sistematização e lógica de interpretação. 
Reposta: 
A interpretação sistemática é uma técnica de análise de textos legais, enquanto a 
interpretação lógica é um método que usa argumentos lógicos para interpretar a lei. 
Interpretação sistemática 
• Analisa e compreende textos legais, como leis, regulamentos e contratos 
• Considera o contexto, a finalidade e a estrutura da norma jurídica 
• Busca interpretar os textos de forma sistemática 
Interpretação lógica 
• Baseia-se na investigação da ratio legis (da razão da lei) 
• Utiliza argumentos lógicos para descobrir o sentido da lei 
• Exige um pressuposto lógico para a sua utilização 
• Ultrapassa o sentido literal da palavra e busca o sentido da “alma” da lei 
• Serve-se dos elementos históricos, sistemáticos, direito comparado e extrajurídico

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