Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
2 
Olá, Alunos! 
 
Sejam bem-vindos! 
 
Esse material foi elaborado com muito carinho para que você 
possa absorver da melhor forma possível os conteúdos e se 
preparar para a sua 2ª fase, e deve ser utilizado de forma 
complementar junto com as aulas. 
 
Qualquer dúvida ficamos à disposição via plataforma 
“pergunte ao professor”. 
 
Lembre-se: o seu sonho também é o nosso! 
Bons estudos! Estamos com você até a sua aprovação! 
 
Com carinho, 
Equipe Ceisc ♥ 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
3 
 
 
2ª FASE OAB | PENAL | 43º EXAME 
Direito Penal 
 
 
 SUMÁRIO 
 
Prescrição 
1.1 Conceito ..........................................................................................................6 
1.2 Espécies de Prescrição ...................................................................................6 
1.3 Efeitos da Prescrição ......................................................................................7 
1.4 Prescrição da pretensão punitiva ....................................................................8 
1.4.1. Prescrição da pretensão punitiva em abstrato ou propriamente dita ...........9 
1.4.1.1. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva em abstrato .........9 
1.4.1.2. Termo inicial da prescrição da pretensão punitiva em abstrato .............. 12 
1.4.1.3. Causas interruptivas da prescrição da pretensão punitiva ..................... 14 
1.4.1.4. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva ................ 16 
1.4.1.4. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva em abstrato16 
1.4.2. Prescrição da pretensão punitiva retroativa .............................................. 24 
1.4.2.1. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva retroativa ........... 26 
1.4.2.2. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva retroativa nos 
crimes diversos do Procedimento do Tribunal do Júri ......................................... 26 
1.4.3. Prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente ............. 30 
1.4.3.1. Pressupostos .......................................................................................... 31 
1.4.3.2. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva superveniente ... 31 
1.4.3.3. Hipótese de incidência da prescrição da pretensão punitiva superveniente 
ou intercorrente ................................................................................................... 32 
1.5 Prescrição da pretensão executória .............................................................. 33 
1.5.1. Termos iniciais .......................................................................................... 34 
1.5.2. Causas interruptivas .................................................................................. 36 
1.5.3. Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do livramento 
condicional .......................................................................................................... 37 
1.5.4. Algumas hipóteses de incidência da prescrição da pretensão executória 38 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá, aluno(a). Este material de apoio foi organizado com base nas aulas do curso preparatório 
para a 2ª Fase do 43º Exame da OAB e deve ser utilizado como um roteiro para as respectivas 
aulas. Além disso, recomenda-se que o aluno assista as aulas acompanhado da legislação 
pertinente. 
 
Bons estudos, Equipe Ceisc. 
Atualizado em abril de 2025. 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
6 
Prescrição 
 
Prof. Nidal Ahmad 
@prof.nidal 
 
1.1 Conceito 
Quando um indivíduo pratica, em tese, um fato típico e ilícito, surge para o Estado o 
poder e o dever de buscar a punição do responsável, ou seja, a pretensão punitiva. E essa 
punição é concretizada com a sentença penal condenatória transitada em julgado, com a 
imposição de uma pena, surgindo, a partir de então, a pretensão executória dessa pena. 
Todavia, o exercício da pretensão punitiva e executória do Estado não é ilimitada ou 
perpétua; não perdura, pois, como regra, por tempo indeterminado. O direito de punir e de 
executar a pena imposta ao apenado encontra limites temporais, que, se não observados, 
podem levar à extinção da punibilidade do agente pela incidência prescrição da pretensão 
punitiva ou prescrição da pretensão executória. 
A prescrição penal, pois, é a perda da pretensão punitiva ou executória do Estado pelo 
decurso do tempo sem o seu exercício. 
 
1.2 Espécies de Prescrição 
Com a prática do crime, o direito abstrato de punir do Estado concretiza-se, dando 
origem a um conflito entre o direito estatal de punir e o direito de liberdade do indivíduo. Assim, 
praticado o crime e antes de a sentença penal transitar em julgado, o Estado é titular da 
pretensão punitiva em busca da prestação jurisdicional postulada na peça acusatória. 
Com o trânsito em julgado da decisão condenatória, o jus puniendi concreto transforma-
se em jus punitionis, isto é, a pretensão punitiva converte-se em pretensão executória. 
Assim, pode-se verificar duas espécies de prescrição: a) prescrição da pretensão 
punitiva propriamente dita; b) prescrição da pretensão executória. 
Na prescrição da pretensão punitiva há uma subdivisão, apresentando três 
modalidades: a) prescrição da pretensão punitiva em abstrato; b) prescrição da pretensão 
punitiva retroativa; c) prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente. 
Na prescrição da pretensão punitiva, o decurso do tempo faz com que o Estado perca 
o direito de punir no tocante à pretensão de o poder judiciário julgar a lide e aplicar a sanção 
penal. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
7 
Prescrição da 
pretensão punitiva
TRÂNSITO EM 
JULGADO DA 
SENTENÇA 
PENAL 
CONDENATÓRIA
Prescrição da 
pretensão 
executória
O marco divisório para identificação da espécie de prescrição é o trânsito em julgado 
da sentença condenatória. 
A prescrição da pretensão punitiva ocorre antes de a sentença final transitar em 
julgado (CP, art. 109, caput). Exemplo: Suponha-se que um sujeito cometa um crime de lesão 
corporal leve (pena de 03 meses a 01 ano), não se descobrindo a autoria. Se o Estado, dentro 
do prazo de 4 (quatro) anos, não exercer o jus perseqüendi in juditio, opera-se a extinção da 
punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva. 
Na prescrição da pretensão executória, o decurso do tempo sem o seu exercício faz com 
que o Estado perca o direito de executar a sanção imposta na sentença condenatória. 
A prescrição da pretensão executória ocorre após o trânsito em julgado da sentença 
condenatória (CP, art. 110, caput). Exemplo: Suponha-se que o agente tenha sido condenado 
irrecorrivelmente a três meses de detenção pela prática de lesão corporal leve, não fazendo jus 
ao sursis. Se o Estado não iniciar a execução da pena no prazo de três anos, opera-se a 
extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão executória. 
 
*Para todos verem: esquema. 
 
 
*Para todos verem: Esquema. 
 
 
 
 
 
 
Prescrição Espécies
Prescrição da 
pretensão 
punitiva
Prescrição da 
pretensão punitiva 
em abstrato ou 
propriamente dita
Prescrição da 
pretensão punitiva 
retroativa
Prescrição da 
pretensão punitiva 
superveniente ou 
intercorrente
Prescrição da 
pretensão 
executória
2ª Fase Penal | 43º Exameque o réu tenha sido denunciado por ter praticado no dia 5 de outubro de 
2010 crime de roubo simples (CP, art. 157, caput). A denúncia foi recebida no dia 15 de março 
de 2011. Após regular tramitação do processo, no dia 15 de junho de 2012, o Magistrado 
proferiu sentença condenatória, aplicando pena de 4 (quatro) anos, transitando em julgado a 
sentença para todos, e, portanto, também para a acusação, no dia 25 de junho de 2012. Após 
expedição e cumprimento do mandado de prisão, o réu iniciou a cumprir a pena no dia 10 de 
maio de 2014. No dia 15 de junho de 2016, restando, portanto, aproximadamente 1 (ano) e 11 
(onze) meses para o término da pena, o apenado empreendeu fuga. No dia 18 de agosto de 
2020, em patrulhamento de rotina, policiais abordaram o condenado, e verificaram que havia 
um mandado de prisão contra ele, razão pela qual o levaram para o estabelecimento carcerário. 
Nesse caso, verifica-se que não há incidência da prescrição da pretensão executória. 
A base de cálculo para será o tempo restante da pena, qual seja, 1 (um) ano e 11 (onze) meses. 
Logo, o prazo prescricional de 4 (quatro) anos (CP, art. 109, V). O termo inicial é a data da fuga 
do condenado, qual seja, 15/06/2016. 
Agora, considerando o novo prazo prescricional, com base na aplicada, bem como o 
termo inicial, deve-se verificar se não incidiu a prescrição da pretensão executória. 
E, no caso, forçoso concluir que incidiu a prescrição da pretensão executória, pois entre 
a data da fuga do condenado (15/06/2016) e a data em que foi capturado (18/08/2020), 
passaram-se mais de 4 (quatro) anos. Logo, deve-se declarar a extinção da punibilidade do 
condenado, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, permanecendo hígidos os efeitos 
secundários, penais e extrapenais, da sentença condenatória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
41de Ordem 
 
 
 
8 
1.3 Efeitos da Prescrição 
Os efeitos da prescrição da pretensão punitiva e da prescrição da pretensão executória 
são distintos. 
a) Prescrição da pretensão punitiva 
A prescrição da pretensão punitiva elimina o próprio exercício da ação penal, seja na 
fase investigatória ou durante o processo judicial. Se a incidência da prescrição ocorrer ainda 
na fase investigatória, deve o inquérito policial ser arquivado; se oferecida a denúncia, a peça 
acusatória deverá ser rejeitada, já que ausente o interesse de agir (CPP, art. 395, II); se 
recebida a denúncia, com citação do réu, deverá ser declarada a extinção da punibilidade, com 
absolvição sumária do réu (CPP, art. 397, IV). Se incidir a qualquer tempo após a resposta à 
acusação, deverá ser declarada extinta a punibilidade do acusado, nos termos do artigo 107, 
IV, do Código Penal. 
A prescrição da pretensão punitiva ocorre antes do trânsito em julgado da sentença 
penal condenatória, razão pela qual não gera efeitos penais, como, por exemplo, para fins de 
reincidência ou maus antecedentes, nem extrapenais, como o dever de reparar o dano, pois 
não haverá formação do título executivo. 
b) Prescrição da pretensão executória 
A prescrição da pretensão executória pressupõe sentença condenatória transitada em 
julgado, incidindo, pois, na fase de execução da pena. Logo, compete ao juízo da execução 
penal reconhecer a prescrição executória, e declarar a extinção da punibilidade, nos termos do 
artigo 66, II, da Lei de Execução Penal, reconhecer a prescrição executória, e declarar a 
extinção da punibilidade, com base no artigo 107, IV, do CP. Se o pedido formulado for 
indeferido, caberá contra essa decisão o recurso de agravo em execução (LEP, art. 197). 
Como há sentença condenatória transitada em julgado, a prescrição da pretensão 
executória não apaga os efeitos da condenação, permanecendo, pois, hígidos os efeitos 
secundários da condenação tanto na esfera penal, como no campo extrapenal. 
Assim, a prescrição da pretensão executória não cessa os efeitos da sentença 
condenatória definitiva para fins de reincidência ou maus antecedentes, bem como mantém a 
possibilidade de ação de execução ex delicto, já que mantém o status de título executivo. 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
9 
1.4 Prescrição da pretensão punitiva 
A prescrição da pretensão punitiva incide antes da sentença penal transitar em julgado, 
e se subdivide em: a) prescrição da pretensão punitiva em abstrato; b) prescrição da pretensão 
punitiva retroativa; c) prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente. 
*Para todos verem: esquema. 
 
Conforme a espécie de prescrição, altera-se a forma do cálculo, os termos iniciais, bem 
como o momento processual que poderá ser reconhecida. Por isso, para melhor compreensão 
do leitor, afigura-se necessário estudo individualizado de cada uma dessas espécies. 
 
1.4.1. Prescrição da pretensão punitiva em abstrato ou propriamente dita 
A prescrição da pretensão punitiva em abstrato ou propriamente dita está prevista no 
artigo 109, caput, do Código Penal, e poderá incidir, como regra: a) entre a data da consumação 
do fato e a do recebimento da denúncia; b) entre a data do recebimento da denúncia e da 
publicação da sentença penal condenatória; c) entre a data do recebimento da denúncia até a 
fase recursal, na hipótese de sentença absolutória. 
 
1.4.1.1. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva em abstrato 
Quando alguém é acusado de praticar uma infração penal é como se um cronômetro 
fosse acionado, passando a correr o prazo para o Estado punir o cidadão. 
Como ainda não há nenhum elemento ou fator concreto que possa servir de parâmetro 
para esse cálculo, o legislador estabeleceu como base para o cálculo da prescrição da 
Prescrição da 
pretensão punitiva
Prescrição da 
pretensão punitiva em 
abstrato ou 
propriamente dita
Prescrição da 
pretensão punitiva 
retroativa
Prescrição da 
pretensão punitiva 
superveniente ou 
intercorrente
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
10 
pretensão punitiva em abstrato a pena máxima cominada ao delito pelo qual o agente está 
sendo acusado (CP, art. 109, caput). 
Para encontrar o prazo de prescrição da pretensão punitiva em abstrato, deve-se, 
primeiro, ser verificado a pena máxima prevista para o delito, para, após, enquadrá-la no 
correspondente inciso do artigo 109 do Código Penal. 
Assim, para saber o prazo da prescrição da pretensão punitiva em abstrato do crime de 
homicídio, que prevê pena de 6 (seis) a 20 (vinte) anos, deve-se enquadrar a pena máxima (20 
anos) no correspondente inciso do artigo 109 do Código Penal. No caso, a pena máxima de 20 
(vinte) anos, enquadra-se no art. 109, I, do Código Penal, razão pela qual o prazo prescricional 
do crime de homicídio é de 20 (vinte) anos. 
*Para todos verem: Esquema. 
Máximo da pena privativa de liberdade cominada Prazo prescricional 
Homicídio: pena máxima de 20 (vinte) anos 20 (vinte) anos (art. 109, I, CP) 
 
Da mesma forma, para saber o prazo da prescrição da pretensão punitiva em abstrato 
do crime de furto simples, que prevê pena de 1 (um) a 4 (quatro) anos, deve-se enquadrar a 
pena máxima (4 anos) no correspondente inciso do artigo 109 do Código Penal. No caso, a 
pena máxima de 4 (quatro) anos enquadra-se no art. 109, IV, do Código Penal, razão pela qual 
o prazo prescricional do crime de furto simples é de 8 (oito) anos. 
*Para todos verem: Esquema. 
Máximo da pena privativa de liberdade cominada Prazo prescricional 
Furto simples: pena máxima de 4 (quatro) anos 8 (oito) anos (art. 109, IV, CP) 
 
Para efeito de contagem do prazo da prescrição da pretensão punitiva são levadas em 
conta as causas de aumento e de diminuição da pena. 
As agravantes e as atenuantes, salvo a relacionada à menoridade relativa e senilidade 
(CP, art. 115), não influenciam no cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato, já que não há parâmetro estabelecido em lei do quantum do agravamento e da 
atenuação, ficando, pois, a cargo da discricionariedade do juiz. 
• Causas de aumento de pena 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
11 
Em relação à causa de aumento de pena, deve-se considerar a fração que mais 
aumenta, a fim de ser alcançada a pena máxima cominada ao delito na forma majorada. 
Assim, se, por exemplo, o agente praticar o crime de roubo majorado pelo emprego de 
arma branca, a pena será aumentada de 1/3 (um terço) até a metade (CP, art. 157, § 2º, VII). 
Nesse caso, para fins de verificação da prescrição, deve-se considerar a pena máxima do crime 
de roubo (dez anos) e elevar em metade (fração que mais aumenta), chegando à pena máxima 
do crime de roubo majorado pelo emprego de arma branca em 15 (quinze) anos. Agora, resta 
enquadrar essa pena máxima no inciso I do artigo 109 do Código Penal, para constatar que o 
prazo prescricional será de 20 (vinte) anos. 
*Para todos verem: Esquema. 
Máximo da pena privativa de liberdade 
cominada 
Prazo prescricional 
Roubo majorado pelo emprego de arma de fogo: 
Pena máxima = 15 (quinze) anos, resultado do 
acréscimo de metade sobre a pena máxima de 10 (dez) 
anos cominada ao crime de roubo simples. 
20 (vinte) anos (art. 
109, I, CP) 
 
• Causas de diminuição da pena 
Em relação à causa de diminuição da pena, deve-se considerar a fração que menos 
diminua, para alcançar a pena máxima cominada ao delito praticado, com incidência de causa 
de redução da pena. 
Imaginemos que o agente tenha praticado o crime de estelionato simples tentado (CP, 
art. 171 c/c 14, II). A pena do crime de estelionato varia de 1 (um) a 5 (cinco) anos, sobre a qual 
recai a redução de um a dois terços, em decorrência da tentativa (CP, art. 14, parágrafo único). 
Logo, deve-se considerar a pena de 5 (cinco) anos e diminui-la de um terço (1/3), como forma 
de alcançar a pena máxima do crime de estelionatotentado, que, no caso, será de 3 (três) anos 
e 4 (quatro) meses. Agora, resta enquadrar essa pena máxima do estelionato simples tentado 
no inciso IV do artigo 109 do Código Penal, para constatar que o prazo prescricional será de 8 
(oito) anos. 
*Para todos verem: Esquema. 
Máximo da pena privativa de liberdade 
cominada 
Prazo prescricional 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
12 
Estelionato simples tentado: Pena máxima = 3 
(três) anos e 4 (quatro) meses, resultado da 
diminuição de 1/3 sobre a pena máxima de 8 (oito) 
anos cominada ao crime de furto simples. 
8 (oito) anos (art. 109, 
IV, CP) 
 
• Concurso de crimes 
No caso de concurso de crimes, o prazo da prescrição da pretensão punitiva deve 
considerar a pena máxima cominada a cada infração penal, isoladamente (CP, art. 119). 
Logo, o critério da exasperação da pena e do cúmulo material não é considerado para 
verificação do prazo prescricional. 
Assim, se, por exemplo, o agente praticou três crimes de furto simples, em continuidade 
delitiva, o prazo da prescrição da pretensão punitiva deve ser verificado isoladamente, em 
relação a cada um dos crimes, ignorando em absoluto a exasperação da pena de um sexto e 
dois terços, prevista no artigo 71, caput, do Código Penal. 
É o que se extrai também da Súmula 497 do STF. 
 
1.4.1.2. Termo inicial da prescrição da pretensão punitiva em abstrato 
O prazo prescricional, como dito, é verificado com base nos prazos previstos no artigo 
109 do Código Penal. Após encontrar o prazo prescricional pertinente à infração penal pelo qual 
o agente está sendo acusado, deve-se verificar em que momento esse prazo começa a correr, 
ou seja, o termo inicial da contagem do prazo prescricional. 
Nos termos do artigo 111 do Código Penal, a prescrição, antes de transitar em julgado 
a sentença final, começa a correr: 
I) Do dia em que o crime se consumou 
Para fins de termo inicial da prescrição da pretensão punitiva em abstrato, aplica-se, 
como regra, a teoria do resultado, devendo ser considerado o dia da consumação do delito. 
 
II) No caso de tentativa, do dia em que cessou a atividade criminosa 
Em relação ao crime tentado, o prazo prescricional começará a correr na data em que 
foi praticado o último ato de execução. 
Assim, se, por exemplo, no contexto de tentativa de homicídio, os disparos foram 
efetuados num determinado dia, sem, no entanto, ocorrer a consumação por circunstâncias 
alheias à sua vontade, o prazo prescricional começará a correr na data dos disparos. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
13 
Todavia, se a vítima foi encaminhada para o hospital, onde ficou convalescendo por 
cerca de dois meses, mas não resiste aos ferimentos, vindo a óbito, o prazo prescricional do 
crime de homicídio consumado começará a correr da data do falecimento da vítima, ou seja, na 
data da consumação do delito, que ocorreu dois meses depois do último ato executório. 
 
III) Nos crimes permanentes, do dia em que cessou a permanência 
No crime permanente, a prescrição começa a correr do dia em que cessou a 
permanência. Suponha-se, por exemplo, que a vítima de sequestro permaneça em poder do 
agente pelo período de 30 (trinta) dias, sendo, ao final, resgatada. O termo inicial da prescrição 
da pretensão punitiva pela prática do crime de sequestro (CP, art. 148) será a data em que a 
vítima foi resgatada ou liberada, ou seja, no dia em que cessou a prática do crime permanente. 
 
IV) Nos de bigamia e nos de falsificação ou alteração de assentamento do registro 
civil, da data em que o fato se tornou conhecido 
Nos crimes de bigamia (CP, art. 235) e de falsificação ou alteração de assentamento 
de registro civil (CP, art. 299, parágrafo único), a prescrição começa a correr da data em que o 
fato se tornou conhecido de qualquer autoridade pública. 
Não se afigura necessário se revestir de formalidade esse conhecimento, bastando que 
a autoridade pública tenha tomado ciência até mesmo diante da notoriedade que o fato teria 
alcançado. 
 
V) Nos crimes contra a dignidade sexual ou que envolvam violência contra a 
criança e o adolescente, previstos neste Código ou em legislação especial, da data em 
que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta 
a ação penal. 
Nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos no Código 
Penal ou em legislação especial, o termo inicial da prescrição ocorre da data em que a vítima 
completar dezoito anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal (CP, art. 
111, V). Esse inciso foi alterado no Código Penal pela Lei nº 14.344/2022. 
Nesse sentido, se uma criança de 10 (dez) anos for vítima de crime de estupro de 
vulnerável (CP, art. 217-A), por exemplo, e a ação ainda não tiver sido instaurada, o prazo 
prescricional passará a correr a partir da data em que ela completar 18 (dezoito) anos. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
14 
Se ação já tiver sido proposta, não se aplica o disposto no artigo 111, V, do Código 
Penal, começando a correr o prazo prescricional da data em que foi ajuizada a ação penal (e 
não da data da consumação do delito). Isso porque até o oferecimento da denúncia, o prazo 
prescricional aguardava a vítima completar 18 (dezoito) anos para começar a correr. Como a 
denúncia foi oferecida antes da vítima completar essa idade, o termo inicial da prescrição da 
pretensão punitiva será o oferecimento da peça acusatória, sendo o prazo interrompido com o 
recebimento da denúncia (CP, art. 117, I), voltando a correr até o próximo marco interruptivo, 
que seria a publicação de eventual sentença penal condenatória (CP, art. 117, IV). 
 
1.4.1.3. Causas interruptivas da prescrição da pretensão punitiva 
Após encontrar o prazo prescricional e verificar o termo inicial, afigura-se indispensável 
identificar as causas interruptivas do curso do prazo prescricional, relacionadas, 
invariavelmente, ao momento procedimental em que ação penal se encontra. 
Conforme se extrai do artigo 117, § 2º, do Código Penal, uma vez interrompida a 
prescrição, todo o prazo começa a correr novamente do dia da interrupção. Consideremos que 
o prazo prescricional comece a correr a partir do dia da consumação do delito, com o 
recebimento da denúncia ou queixa, a contagem desse prazo é interrompida, voltando a correr, 
por inteiro, a partir da data da interrupção. 
Assim, se, por exemplo, o agente estiver sendo acusado pela prática do crime de furto 
simples, cuja pena cominada varia de 1 (um) a 4 (quatro) anos (CP, art. 155, caput), o prazo 
prescricional de 8 (oito) anos (CP, art. 107, IV) começa a correr a partir da consumação do 
delito. Consideremos que a denúncia tenha sido recebida 5 (cinco) anos depois da 
consumação. Nesse caso, a contagem do prazo prescricional será interrompida, voltando a 
correr, por inteiro (ou seja, o prazo de 8 anos), a partir da data da interrupção da 
prescrição. 
As causas interruptivas da prescrição da pretensão punitiva estão previstas no artigo 
117, I a IV, do Código Penal: 
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se: 
I - pelo recebimento da denúncia ou da queixa; 
II - pela pronúncia; 
III - pela decisão confirmatória da pronúncia; 
IV - pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis; 
(...) 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
15 
As hipóteses previstas nos incisos V (pelo início ou continuação do cumprimento da 
pena) e VI (pela reincidência) guardam relação com a prescrição da pretensão executória, e 
serão analisadas no momento oportuno. 
A verificação das causas interruptivas da prescrição é de fundamental importância, 
pois, invariavelmente, a prescrição incide no intervalo entre os marcos interruptivos. 
Com efeito, no procedimento diverso do Tribunal do Júri, a prescrição da pretensão 
punitiva em abstrato poderá incidir: a) entre a data da consumação do delitoaté o recebimento 
da denúncia; b) entre a data do recebimento da denúncia e a data da publicação da sentença 
condenatória; c) entre a data do recebimento da denúncia até a fase recursal, na hipótese de 
sentença absolutória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Note-se que, nesse caso, a publicação da sentença absolutória não constitui causa de 
interrupção da prescrição, razão pela qual o prazo começa a correr da data do recebimento da 
denúncia e não se interrompe com a sentença absolutória. 
Em relação ao procedimento do Tribunal do Júri, a prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato poderá incidir entre: a) a data da consumação do delito até a data do recebimento da 
denúncia; b) entre a data do recebimento da denúncia e a data da decisão de pronúncia; c) 
Data da publicação da 
sentença condenatória 
art. 117, IV, CP 
Momento da 
prescrição 2 
Momento da 
prescrição 1 
Data do recebimento da 
denúncia 
art. 117, I, CP 
Data da 
consumação 
Data da publicação 
da sentença 
absolutória 
Momento da 
prescrição 2 
Momento da 
prescrição 1 
Data do recebimento da 
denúncia 
art. 117, I, CP 
Data da 
consumação 
Fase 
recursal 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
16 
entre a data da decisão de pronúncia e a data da decisão confirmatória da pronúncia, se 
interposto recurso contra decisão de pronúncia; d) entre a data da decisão de pronúncia e a 
data da publicação da sentença penal condenatória, se não interposto recurso contra decisão 
de pronúncia; e) entre a data da decisão confirmatória da pronúncia e a data da publicação da 
sentença penal condenatória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17.4.1.4. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva 
 
1.4.1.4. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva em abstrato 
A partir da verificação do prazo prescricional e do termo inicial, levando em conta as 
causas interruptivas da prescrição, afigura-se possível definir alguns cenários de incidência da 
prescrição da pretensão punitiva em abstrato, distinguindo as hipóteses envolvendo 
procedimento diverso do Tribunal do Júri e procedimento do Tribunal do Júri. 
A) Procedimento diverso do Tribunal do Júri 
Conforme exposto alhures, a prescrição envolvendo crimes não dolosos contra a vida, 
que não seguem o procedimento do Tribunal do Júri, incide: a) entre a data da consumação do 
delito e a data do recebimento da denúncia ou queixa; b) entre a data do recebimento da 
denúncia ou queixa e a data da publicação da sentença penal condenatória; c) entre a data do 
recebimento da denúncia ou queixa e a fase recursal, no contexto de sentença absolutória. 
I) entre a data da consumação e a data do recebimento da denúncia ou queixa 
Conforme o artigo 111, I, do Código Penal, o prazo da prescrição da pretensão punitiva 
começa a correr, como regra, a partir da consumação do delito, tendo como primeiro marco 
interruptivo o recebimento da denúncia ou queixa (CP, art. 117, I). 
Data da decisão 
de pronúncia 
art. 117, II, CP 
Momento da 
prescrição 2 
Momento da 
prescrição 1 
Data do 
recebimento da 
denúncia 
art. 117, I, CP 
Data da 
consumação 
Data da decisão 
confirmatória da 
pronúncia 
Art. 117, III, CP 
Momento da 
prescrição 4 
Data da publicação 
da sentença 
condenatória 
Art. 117, IV, CP 
Momento da 
prescrição 3 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
17 
Nesse cenário, imaginemos que foi praticado um crime de furto simples (CP, art. 155) 
no dia 5 de outubro de 2010. Instaurado o respectivo inquérito policial, a investigação se 
desenvolveu de forma bastante lenta, não avançando quanto à identificação da autoria do 
delito, mas recaindo a suspeita em relação ao agente “A”. Concluído o inquérito policial, o 
procedimento investigatório foi encaminhado para o Ministério Público no dia 10 de novembro 
de 2018. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima do crime de furto simples (04 anos), o 
prazo prescricional será de 8 (oito) anos, conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, 
forçoso concluir que, no caso, incidiu a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois entre 
a data da consumação do crime de furto e o dia 10 de novembro de 2018 passaram-se mais 
de 8 (oito) anos sem o recebimento da denúncia e, por conseguinte, a interrupção do prazo 
prescricional. Resta declarar extinta a punibilidade do agente, com base no artigo 107, IV, do 
Código Penal, com extinção e baixa do expediente criminal. 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 04/10/2018 para o recebimento da denúncia, e, por consequência, interrupção do 
prazo prescricional, com o recomeço da contagem por inteiro. 
II) entre a data do recebimento da denúncia ou queixa e a data da publicação da 
sentença condenatória 
Com o recebimento da denúncia ou queixa, interrompe-se o curso do prazo 
prescricional, voltando a correr por inteiro até o próximo marco interruptivo, consistente na 
publicação da sentença penal condenatória (CP, art. 117, IV). 
10/11/2018 
PPPA 
Data do recebimento 
da denúncia 
Data da 
consumação 
05/10/2010 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
18 
15.03.2012 
PPPA 
Data do 
recebimento da 
denúncia 
 
Data da 
consumação 
05.10.2010 10.06.2016 
Sentença 
absolutória 
Apelação 
do MP 
20.04.2020 
Recuso ainda 
não julgado 
Imaginemos que o réu foi denunciado por ter praticado crime de furto simples (CP, art. 
155) no dia 5 de outubro de 2010. A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2012. A ação 
penal se desenvolveu de forma bastante lenta, estando, até o dia 20 de abril de 2020, na fase 
de instrução processual, não tendo sido, portanto, proferida sentença. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima do crime de furto simples (04 anos), o 
prazo prescricional será de 8 (oito) anos, conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, 
forçoso concluir que, no caso, incidiu a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois entre 
a data do recebimento da denúncia (15/03/2012) e o dia 20 de abril de 2020 passaram-se mais 
de 8 (oito) anos sem publicação da sentença penal condenatória, e, por conseguinte, a 
interrupção do prazo prescricional. Resta declarar extinta a punibilidade do agente, com base 
no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e baixa do processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 14.03.2020 para a publicação da sentença penal condenatória, e, por consequência, 
interrupção do prazo prescricional, com o recomeço da contagem por inteiro. 
III) entre a data do recebimento da denúncia ou queixa e a fase recursal, 
considerando sentença absolutória 
Consoante se extrai do artigo 117, IV, do Código Penal, somente a sentença penal 
condenatória tem o condão de interromper o prazo prescricional. Logo, se proferida sentença 
absolutória, não haverá interrupção do prazo prescricional, que continuará correndo desde o 
recebimento da denúncia. 
Exemplo: o réu denunciado por ter praticado o crime de furto simples (CP, art. 155) no 
dia 5 de outubro de 2010. A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2012. Após regular 
andamento do processo, o Magistrado proferiu, no dia 10 de junho de 2016 sentença 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
19 
absolutória. Irresignado, o Ministério Público interpôs recurso de apelação, que, até o dia 
20.04.2020, ainda não havia sido pautado para ser submetido a julgamento pelo Tribunal de 
Justiça. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima do crime de furto simples (04 anos), o 
prazo prescricional será de 8 (oito) anos, conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, 
forçoso concluir que, no caso, incidiu a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois entre 
a data do recebimento da denúncia (15/03/2012) e o dia 20 de abril de 2020 passaram-se mais 
de 8 (oito) anos, sem publicação de eventual acórdão condenatório,e, por conseguinte, a 
interrupção do prazo prescricional. Resta declarar extinta a punibilidade do agente, com base 
no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e baixa do processo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 14/03/2020 para a publicação do acórdão condenatório, e, por consequência, 
interrupção do prazo prescricional, com o recomeço da contagem por inteiro. 
B) Procedimento do Tribunal do Júri 
Em relação ao procedimento do Tribunal do Júri, a prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato poderá incidir entre: a) entre a data da consumação do delito até a data do recebimento 
da denúncia; b) entre a data do recebimento da denúncia e a data da decisão de pronúncia; c) 
entre a data da decisão de pronúncia e a data da decisão confirmatória da pronúncia; d) entre 
a data da decisão de pronúncia e a data da publicação da sentença penal condenatória, se não 
interposto recurso contra decisão de pronúncia; e) entre a data da decisão confirmatória da 
pronúncia e a data da publicação da sentença penal condenatória. 
20/04/2020 15/03/2012 
PPPA 
Data do recebimento da 
denúncia 
Data da 
consumação 
05/10/2010 
Ainda não 
proferida a sentença 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
20 
10/11/2018 
PPPA 
Ainda não recebida a 
denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2010 
O procedimento do Tribunal do Júri é aplicado aos crimes dolosos contra a vida, assim 
considerados o homicídio doloso (CP, art. 121, caput, §§ 1º e 2º); induzimento, instigação ou 
auxílio ao suicídio (CP, art. 122); infanticídio (CP, art. 123); e aborto (CP, art. 124/127). 
a) entre a data da consumação do delito até a data do recebimento da denúncia 
Conforme o artigo 111, I, do Código Penal, o prazo da prescrição da pretensão punitiva 
começa a correr, como regra, a partir da consumação do delito, tendo como primeiro marco 
interruptivo o recebimento da denúncia ou queixa (CP, art. 117, I). 
Nesse cenário, imaginemos que o agente tenha sido acusado de ter praticado, no dia 
5 de outubro de 2010, crime de aborto com o consentimento da gestante (CP, art. 126). 
Instaurado o respectivo inquérito policial, a investigação se desenvolveu de forma bastante 
lenta, não avançando quanto à identificação da autoria do delito, mas recaindo a suspeita em 
relação ao agente “A”. Concluído o inquérito policial, o procedimento investigatório foi 
encaminhado para o Ministério Público no dia 10 de novembro de 2018. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima de 4 (quatro) anos, cominada ao crime 
de aborto com o consentimento da gestante (04 anos), o prazo prescricional será de 8 (oito) 
anos, conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, forçoso concluir que, no caso, incidiu 
a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois entre a data da consumação do crime de 
aborto e o dia 10 de novembro de 2018 passaram-se mais de 8 (oito) anos sem o recebimento 
da denúncia e, por conseguinte, a interrupção do prazo prescricional. Resta declarar extinta a 
punibilidade do agente, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e baixa do 
expediente criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 04/10/2018 para o recebimento da denúncia, e, por consequência, interrupção do 
prazo prescricional, com o recomeço da contagem por inteiro. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
21 
b) entre a data do recebimento da denúncia e a data da decisão de pronúncia 
Nesse cenário, imaginemos que o agente tenha sido acusado de ter praticado, no dia 
5 de outubro de 2010, crime de aborto com o consentimento da gestante (CP, art. 126). A 
denúncia foi recebida no dia 15.03.2012. A ação penal se desenvolveu de forma bastante lenta, 
estando, até o dia 20 de abril de 2020, na fase de instrução processual, não tendo sido, portanto, 
proferida sentença. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima de 4 (quatro) anos, cominada ao crime 
de aborto com o consentimento da gestante, o prazo prescricional será de 8 (oito) anos, 
conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, forçoso concluir que, no caso, incidiu a 
prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois entre a data do recebimento da denúncia 
(15.03.2012) até a data em que o processo ainda se encontrava na fase de instrução 
(20.04.2020) passaram-se mais de 8 (oito) anos sem que tivesse sido proferida decisão de 
pronúncia e, por conseguinte, a interrupção do prazo prescricional. Resta declarar extinta a 
punibilidade do agente, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e baixa do 
expediente criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 14/03/2020 para a decisão de pronúncia e, por consequência, interrupção do prazo 
prescricional, com o recomeço da contagem por inteiro. 
c) entre a data da decisão de pronúncia e a data da decisão confirmatória da 
pronúncia 
Nesse cenário, imaginemos que o agente tenha sido acusado de ter praticado, no dia 5 
de outubro de 2010, crime de aborto com o consentimento da gestante (CP, art. 126). A denúncia 
foi recebida no dia 15 de março de 2011. A decisão de pronúncia foi publicada no dia 16 de julho 
de 2012. O réu interpôs recurso em sentido estrito, sendo improvido no dia 23 de agosto de 
15/03/2012 
PPPA 
Data do recebimento da 
denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2010 20/04/2020 
Ainda não proferida 
decisão de pronúncia 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
22 
15/03/2011 
PPPA 
Data do 
recebimento da 
denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2010 
16/07/2012 
Data decisão de 
pronúncia 
Data decisão 
confirmatória da 
pronúncia 
23/08/2020 
2020, com a consequente confirmação da decisão de pronúncia. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima de 4 (quatro) anos, cominada ao crime 
de aborto com o consentimento da gestante, o prazo prescricional será de 8 (oito) anos, 
conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, forçoso concluir que, no caso, incidiu a 
prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois, entre a data da pronúncia (16/07/2012) até 
a data da decisão confirmatória da pronúncia (23/08/2020), passaram-se mais de 8 (oito) anos. 
Resta declarar extinta a punibilidade do agente, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, 
com extinção e baixa do expediente criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
até o dia 15/07/2020 para apreciar o recurso interposto pela defesa e confirmar a decisão de 
pronúncia, provocando, por consequência, interrupção do prazo prescricional, com o recomeço 
da contagem por inteiro. 
d) entre a data da decisão de pronúncia e a data da publicação da sentença penal 
condenatória, se não interposto recurso contra decisão de pronúncia 
Nesse cenário, imaginemos que o agente tenha sido acusado de ter praticado, no dia 
5 de outubro de 2010, crime de aborto com o consentimento da gestante (CP, art. 126). A 
denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2011. A decisão de pronúncia foi publicada no dia 
16 de julho de 2012. O réu não interpôs recurso em sentido estrito. Até o dia 23.08.2020, o réu 
ainda não havia sido submetido a julgamento perante o Plenário do Júri, não havendo, pois, 
sentença condenatória. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima de 4 (quatro) anos, cominada ao crime 
de aborto com o consentimento da gestante, o prazo prescricional será de 8 (oito) anos, 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
23 
conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, forçoso concluir que, no caso, incidiu a 
prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois, entre a data da pronúncia (16.07.2012) até 
a data que o réu ainda não havia sido submetido a julgamento perante o Plenário do Júri 
(23.08.2020),passaram-se mais de 8 (oito) anos. Resta declarar extinta a punibilidade do 
agente, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e baixa do expediente 
criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria 
se submeter o réu a julgamento perante o Plenário do Júri, com a respectiva condenação, até 
o dia 15/07/2020, provocando, por consequência, interrupção do prazo prescricional, com o 
recomeço da contagem por inteiro. 
e) entre a data da decisão confirmatória da pronúncia e a data da publicação da 
sentença penal condenatória. 
Nesse cenário, imaginemos que o agente tenha sido acusado de ter praticado, no dia 
5 de outubro de 2010, crime de aborto com o consentimento da gestante (CP, art. 126). A 
denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2011. A decisão de pronúncia foi publicada no dia 
16 de fevereiro de 2012. O réu interpôs recurso em sentido estrito, sendo improvido no dia 23 
de agosto de 2012, com a consequente confirmação da decisão de pronúncia. Até o dia 
24.09.2020, o réu ainda não havia sido submetido a julgamento perante o Plenário do Júri, não 
havendo, pois, sentença condenatória. 
Nesse caso, considerando-se a pena máxima de 4 (quatro) anos, cominada ao crime 
de aborto com o consentimento da gestante, o prazo prescricional será de 8 (oito) anos, 
conforme o artigo 109, IV, do Código Penal. Logo, forçoso concluir que, no caso, incidiu a 
15/03/2011 
PPPA 
Data do recebimento 
da denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2010 16/07/2012 
Data decisão de 
pronúncia 
Data sem julgamento perante o 
Plenário do Júri e, portanto, 
sem condenação 
23/08/2020 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
24 
15/03/2011 
PPPA 
Data do 
recebimento da 
denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2010 
16/02/2012 
Data decisão 
de pronúncia 
Data sem 
julgamento 
perante o Plenário 
do Júri e, 
portanto, sem 
condenação 
23/08/2012 
Decisão 
confirmatóri
a da 
pronúncia 
24/09/2020 
prescrição da pretensão punitiva em abstrato, pois, entre a data da decisão confirmatória da 
pronúncia (23.08.2012) até a data que o réu ainda não havia sido submetido a julgamento 
perante o Plenário do Júri (24.09.2020), passaram-se mais de 8 (oito) anos. Resta declarar 
extinta a punibilidade do agente, com base no artigo 107, IV, do Código Penal, com extinção e 
baixa do expediente criminal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para que não incidisse a prescrição da pretensão punitiva em abstrato, o Estado teria se 
submeter o réu a julgamento perante o Plenário do Júri, com a respectiva condenação, até o 
dia 22/08/2020, provocando, por consequência, interrupção do prazo prescricional, com o 
recomeço da contagem por inteiro. 
 
1.4.2. Prescrição da pretensão punitiva retroativa 
A prescrição da pretensão punitiva retroativa estava prevista no artigo 110, § 2º, do 
Código Penal, que previa a possibilidade da prescrição da pretensão punitiva retroativa entre a 
data do fato e o recebimento da denúncia. Esse artigo foi revogado pela Lei nº 12.234, de 5 de 
maio de 2010. 
Com a revogação do artigo, surgiram algumas vozes afirmando a exclusão da 
prescrição da pretensão punitiva retroativa do ordenamento jurídico. Todavia, a parte final do 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
25 
Pressupostos 
Não ter incidido prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato 
Sentença condenatória 
Trânsito em julgado para acusação ou improvimento do 
seu recurso 
artigo 110, § 1º, do Código Penal, dispõe que a prescrição, em nenhuma hipótese, poderá ter 
por termo inicial data anterior à da denúncia ou queixa. 
Diante da intrincada redação desse dispositivo, forçoso concluir pela possibilidade de 
prescrição da pretensão punitiva retroativa após o oferecimento da denúncia ou queixa, uma 
vez que, segundo se extrai do texto, a vedação se limite a período anterior ao da denúncia ou 
queixa. 
Diz-se intricada a redação, porque o legislador teria sido mais claro e objetivo se tivesse 
limitado a vedação a período anterior ao recebimento da denúncia ou queixa. Assim não o 
fazendo, admite possibilidade de prescrição retroativa entre o oferecimento da denúncia ou 
queixa e a data do recebimento da peça acusatória. Trata-se de hipótese absolutamente 
remota, pois, na praxe forense, não é tão distante o período que medeia o oferecimento da 
denúncia ou queixa e o seu respectivo recebimento. 
Em síntese, em relação aos fatos praticados a partir do dia 05 de maio de 2010, 
somente será possível a prescrição da pretensão punitiva considerando o lapso temporal 
incidente após a denúncia. Para fatos praticados antes do dia 05 de maio de 2010, será possível 
a prescrição da pretensão retroativa entre a data da consumação e o recebimento da denúncia, 
bem entre o recebimento da denúncia e a publicação da sentença penal condenatória. 
Pressupostos: Por primeiro, para cogitar a incidência da prescrição da pretensão 
punitiva retroativa, não pode ter se verificado a prescrição da pretensão da pretensão punitiva 
em abstrato. 
A prescrição retroativa tem por pressuposto a prolação de uma sentença penal 
condenatória, bem como o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para a 
acusação, seja por força de decisão do juízo de primeiro grau, seja por força de eventual 
improvimento do seu recurso. É o que se extrai do próprio artigo 110, § 1º, do Código Penal. 
 
 
 
 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
26 
1.4.2.1. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva retroativa 
Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para a acusação ou 
improvimento do seu recurso, tem-se que, a partir de eventual recurso da defesa, o Tribunal 
não poderá agravar a situação do réu, sob pena de incorrer na reformatio in pejus direta, o que 
é vedado conforme prevê o artigo 617 do Código Processo Penal. Em decorrência disso, a 
pena máxima no caso concreto será a aplicada na sentença, já que, com o trânsito em julgado 
para acusação, não poderá ser alterada para prejudicar o réu, na hipótese de recurso exclusivo 
da defesa. 
Assim, a base para calcular a prescrição se altera, passando a ser considerada a pena 
aplicada na sentença, que deverá ser enquadrada num dos incisos do artigo 109 do Código 
Penal, para ser verificado o prazo prescricional. 
 
1.4.2.2. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva 
retroativa nos crimes diversos do Procedimento do Tribunal do Júri 
Verificado o prazo prescricional com base na pena aplicada na sentença, deve-se 
refazer o caminho entre as causas interruptivas da prescrição existentes antes da publicação 
da sentença penal condenatória ou acórdão condenatório. Em outras palavras, a prescrição 
retroativa ocorre antes da publicação da sentença ou acórdão condenatório. Por isso, a 
denominação “retroativa”, já que sua incidência é verificada entre os marcos interruptivos 
existentes antes da sentença ou acórdão condenatório, ou seja, antes da publicação da 
sentença penal condenatória. 
Assim, em tese, no procedimento diverso do Tribunal do Júri, será possível verificar a 
prescrição da pretensão punitiva retroativa: a) entre a data do recebimento da denúncia ou 
queixa e a da publicação da sentença condenatória; b) entre a data do recebimento da denúncia 
ou queixa e a do acórdão condenatório. 
 
PPPR 
Data do recebimento da 
denúncia ou queixa 
 
Data da 
consumação 
Data da publicação da 
sentença condenatória 
Data da sentença 
absolutória 
Data publicação 
acórdão 
condenatório 
Data da 
consumação 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
27 
 
 
 
 
a) entre a data do recebimento da denúncia ou queixa e a data da publicação da 
sentença condenatória 
Com o recebimento da denúncia ou queixa, interrompe-se o curso do prazo 
prescricional, voltando a correr por inteiro até o próximo marco interruptivo, consistentena 
publicação da sentença penal condenatória (CP, art. 117, IV). 
Imaginemos que o réu tenha sido denunciado pela prática, no dia 5 de outubro de 2014, 
do crime de furto simples (CP, art. 155). A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2016. 
Após regular tramitação do processo, o Magistrado proferiu sentença condenatória, publicada 
no dia 18 de abril de 2020, fixando pena de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão, e multa. 
O Ministério Público, satisfeito, não interpôs recurso, ocorrendo o trânsito em julgado para a 
acusação. 
Nesse caso, verifica-se que não há incidência da prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato. Os pressupostos para análise da prescrição da pretensão punitiva retroativa estão 
presentes: a) sentença condenatória; b) trânsito em julgado para a acusação. 
Logo, a base de cálculo para a prescrição se altera, passando da pena máxima 
cominada ao delito, para ser considerada a pena aplicada. No caso, a pena aplicada foi de 1 
(um) ano e 4 (quatro) meses, sendo o prazo prescricional de 4 (quatro) anos (CP, art. 109, V). 
Agora, considerando o novo prazo prescricional, com base na pela aplicada, deve ser refeita, 
de forma retroativa, ou seja, da sentença para trás, a análise da incidência da prescrição da 
pretensão punitiva retroativa. 
E, no caso, forçoso concluir que incidiu a prescrição da pretensão punitiva retroativa, 
pois, fazendo a reanalise dos marcos interruptivos antes da sentença, verifica-se que entre a 
data da publicação da sentença condenatória (18/04/2020) e a data do recebimento da 
denúncia (15/03/2016), passaram-se mais de 4 (quatro) anos. 
 
 
 
 
Data do recebimento da 
denúncia ou queixa 
 
Data do recebimento 
da denúncia ou 
queixa 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para evitar a incidência da prescrição, a publicação da sentença penal condenatória 
Para evitar a incidência da prescrição, a publicação da sentença penal condenatória deveria ter 
ocorrido até o dia 14/03/2020. 
 
b entre a data do recebimento da denúncia ou queixa e a data da publicação do 
acórdão condenatório 
Imaginemos que o réu tenha sido denunciado pela prática, no dia 5 de outubro de 2014, 
do crime de furto simples (CP, art. 155). A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2016. 
Após regular tramitação do processo, no dia 15 de junho de 2018, o Magistrado proferiu 
sentença absolutória. O Ministério Público, irresignado, interpôs recurso de apelação, ao qual 
foi dado provimento pelo Tribunal, que proferiu acórdão condenatório, fixando pena de 1 (um) 
ano e 4 (meses), transitando em julgado para a acusação, publicado no dia 18 de abril de 2020. 
Nesse caso, verifica-se que não há incidência da prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato. Os pressupostos para análise da prescrição da pretensão punitiva retroativa estão 
presentes: a) acórdão condenatório; b) trânsito em julgado para a acusação. 
Logo, a base de cálculo para a prescrição se altera, passando da pena máxima 
cominada ao delito, para ser considerada a pena aplicada. No caso, a pena aplicada foi de 1 
15/03/2016 
PPPR 
Data do recebimento 
da denúncia 
Data da 
consumação 
05/10/2014 18/04/2020 
Data publicação da 
sentença 
condenatória 
Pena: 01 ano e 04 meses 
Trânsito em 
julgado para o 
Ministério 
Público 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
29 
(um) ano e 4 (quatro) meses, sendo o prazo prescricional de 4 (quatro) anos (CP, art. 109, V). 
Agora, considerando o novo prazo prescricional, com base na aplicada, deve ser refeita, de 
forma retroativa, ou seja, da sentença para trás, a análise da incidência da prescrição da 
pretensão punitiva retroativa. 
E, no caso, forçoso concluir que incidiu a prescrição da pretensão punitiva retroativa, 
pois, fazendo a reanalise dos marcos interruptivos, verifica-se que entre a data do recebimento 
da denúncia (15/03/2016) e a data da publicação do acórdão condenatório (18/04/2020), 
passaram-se mais de 4 (quatro) anos. 
. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para evitar a incidência da prescrição, o acórdão condenatório deveria ter sido 
publicado até o dia 14/03/2020. 
 
1.4.2.3. Hipóteses de incidência da prescrição da pretensão punitiva retroativa 
nos crimes do Procedimento do Tribunal do Juri 
Após julgamento perante o Plenário do Júri, com a condenação do réu pelo corpo de 
Jurados, o juiz passará à dosimetria da pena. Com o trânsito em julgado para o Ministério 
Público, ou improvido eventual recurso interposto, viabiliza-se a análise de eventual incidência 
da prescrição da pretensão punitiva retroativa. 
Em relação ao procedimento do Tribunal do Júri, a prescrição da pretensão retroativa 
poderá incidir: a) entre a data da publicação da decisão de pronúncia e a data do recebimento 
da denúncia; b) entre a data da decisão confirmatória da pronúncia e a decisão de pronúncia; 
c) entre a data da publicação da sentença penal condenatória e a decisão confirmatória da 
pronúncia; d) entre a data da publicação da sentença penal condenatória e a decisão de 
pronúncia, se não tiver sido interposto recurso contra essa decisão. 
15/03/2016 
PPPR 
Data do 
recebimento 
da denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2014 15/06/2018 
Sentença 
absolutória 
Pena: 01 ano e 04 meses 
Trânsito em 
julgado para 
MP 
Apelação 
Ministério 
Público 
Publicação 
acórdão 
condenatório 
18/04/2020 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.4.3. Prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente 
A prescrição da pretensão punitiva superveniente ou intercorrente está prevista no 
artigo 110, § 1º, do Código Penal, e incide entre a data da publicação da sentença penal 
condenatória e o trânsito em julgado para a defesa. A expressão “superveniente” decorre 
justamente porque sua incidência é posterior à sentença penal condenatória. 
A prescrição da pretensão punitiva superveniente difere da prescrição da pretensão 
punitiva retroativa, precipuamente em relação ao momento da incidência. A prescrição da 
pretensão punitiva retroativa incide entre os marcos interruptivos existentes antes da sentença 
penal condenatória; a prescrição da pretensão punitiva superveniente incide após a sentença 
penal condenatória. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prescrição da 
pretensão punitiva 
retroativa 
Data do 
recebimento 
da denúncia 
 
Data da 
consumação 
Prescrição da pretensão 
punitiva superveniente 
Data publicação da 
sentença condenatória 
Trânsito em julgado 
para a defesa 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
31 
1.4.3.1. Pressupostos 
Para se cogitar da hipótese da prescrição da pretensão punitiva superveniente, primeiro 
deve-se constar a não incidência da prescrição da pretensão punitiva em abstrato e da 
retroativa. 
Após, deve-se verificar a existência de sentença penal condenatória e o trânsito em 
julgado para a acusação, seja por força de decisão do juízo de primeiro grau, seja por força de 
eventual improvimento do seu recurso. É o que se extrai do próprio artigo 110, § 1º, do Código 
Penal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.4.3.2. Cálculo do prazo da prescrição da pretensão punitiva superveniente 
Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória para a acusação ou 
improvimento do seu recurso, tem-se que, a partir de eventual recurso da defesa, o Tribunal 
não poderá agravar a situação do réu, sob pena de incorrer na reformatio in pejus direta, o que 
é vedado conforme prevê o artigo 617 do Código Processo Penal. Em decorrência disso, a 
pena máxima no caso concreto será aquela aplicada na sentença, já que, com o trânsito em 
julgado para acusação, não poderá ser alterada para prejudicar o réu. 
Assim, a base para o cálculo da prescrição da pretensão punitiva superveniente ou 
intercorrente é a pena aplicada na sentença, que deverá ser enquadrada num dos incisos do 
artigo 109 do Código Penal,para ser verificado o prazo prescricional. 
Ainda que não tenha transitado em julgado para a acusação, admite-se a possibilidade 
de prescrição da pretensão punitiva superveniente, se o Ministério Público ou o querelante 
interpuserem recurso sem postular a elevação da pena, mas, por exemplo, a modificação do 
regime carcerário ou a cassação da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de 
Pressupostos 
Não ter incidido prescrição da pretensão punitiva 
em abstrato 
Sentença condenatória 
Trânsito em julgado para acusação ou 
improvimento do seu recurso 
Não ter incidido prescrição da pretensão punitiva 
retroativa 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
32 
direitos. Note-se que, na falta de pedido expresso da acusação, não poderá o Tribunal elevar a 
pena aplicada na sentença, sob pena de reformatio in pejus. 
 
1.4.3.3. Hipótese de incidência da prescrição da pretensão punitiva superveniente 
ou intercorrente 
Verificado o prazo prescricional com base na pena aplicada na sentença, a prescrição 
da pretensão punitiva superveniente tem por termo inicial a data da publicação da sentença 
penal condenatória, podendo incidir até o trânsito em julgado para a defesa. Por isso, a 
denominação “superveniente”, já que sua incidência é verificada após a publicação da sentença 
penal condenatória. 
Imaginemos que o réu tenha sido denunciado pela prática, no dia 5 de outubro de 2012, 
do crime de furto simples (CP, art. 155). A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2014. 
Após regular tramitação do processo, no dia 15 de junho de 2016, o Magistrado proferiu 
sentença condenatória, aplicando pena de 1 (um) ano e 4 (meses). O Ministério Público não 
interpôs recurso, transitando em julgado a sentença para a acusação. A defesa interpôs recurso 
de apelação, ainda não colocado em pauta para julgamento pelo menos até o dia 18 de julho 
de 2020. 
Nesse caso, verifica-se que não há incidência da prescrição da pretensão punitiva em 
abstrato nem retroativa. Os pressupostos para análise da prescrição da pretensão punitiva 
superveniente estão presentes: a) acórdão condenatório; b) trânsito em julgado para a 
acusação. 
Logo, a base de cálculo para a prescrição passa a ser a pena aplicada na sentença. 
No caso, a pena aplicada foi de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses, sendo o prazo prescricional de 
4 (quatro) anos (CP, art. 109, V). Agora, considerando o novo prazo prescricional, com base na 
aplicada, deve-se verificar se o trânsito em julgado para a defesa ocorrerá ou não dentro do 
prazo prescricional. 
E, no caso, forçoso concluir que incidiu a prescrição da pretensão punitiva 
superveniente, pois entre a data da publicação da sentença condenatória (15/06/2016) e a data 
indicando que ainda não ocorreu o trânsito em julgado para defesa (18/07/2020), passaram-se 
mais de 4 (quatro) anos. 
 
 
 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
33 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para evitar a incidência da prescrição, o trânsito em julgado da sentença penal 
 
Para evitar a incidência da prescrição, o trânsito em julgado da sentença penal 
condenatória deveria ocorrer até o dia 14.06.2020. 
 
1.5 Prescrição da pretensão executória 
A prescrição da pretensão executória está prevista no artigo 110, caput, do Código 
Penal. 
O exercício da pretensão punitiva estatal se revela de forma plena quando a sentença 
penal condenatória encontra o trânsito em julgado dentro do prazo estabelecido em lei. Com o 
trânsito em julgado da sentença penal condenatória, surge para o Estado a pretensão 
executória, ou seja, a pretensão de fazer cumprir a sentença, com a efetiva execução da pena 
imposta. 
Ocorre, contudo, que também há prazo previsto em lei para que o Estado exerça a 
pretensão executória, sob pena de não mais poder fazê-lo, por conta da incidência da 
prescrição da pretensão executória e a consequente extinção da punibilidade. 
 
 
 
 
 
 
15/03/2014 
PPPS 
Data do 
recebimento 
da denúncia 
 
Data da 
consumação 
05/10/2012 15/06/2016 
Data publicação da 
sentença condenatória 
Pena: 01 ano e 04 meses 
Trânsito em julgado 
para o Ministério 
Público 
Trânsito em 
julgado para a 
defesa 
Recurso ainda não 
julgado 18.06.2020 
Prescrição da 
pretensão punitiva 
retroativa 
Data do 
recebimento 
da denúncia 
 
Data da 
consumação 
Prescrição da 
pretensão punitiva 
superveniente 
Data publicação da 
sentença condenatória 
Sentença condenatória 
transitada em julgado 
Prescrição da 
pretensão executória 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
34 
 
 
 
Pressuposto 
Para que seja possível cogitar da incidência da prescrição executória, não pode ter se 
operado qualquer das formas de prescrição da pretensão punitiva. 
O pressuposto básico para se verificar a hipótese de incidência da prescrição da 
pretensão executória é o trânsito em julgada da sentença penal condenatória. Logo, à 
evidência, a prescrição da pretensão executória incide após o trânsito em julgado da sentença 
condenatória. 
 
 
 
 
 
Como não há mais possibilidade de alteração da pena imposta na sentença, já que, 
com o trânsito em julgado, tornou-se definitiva, sintomático que a base para o cálculo da 
prescrição da pretensão executória é a pena aplicada na sentença. 
Tratando-se de reincidente, o prazo da prescrição da pretensão executória da pena 
privativa de liberdade é aumentado de 1/3 (CP, art. 110, caput, parte final). Para tanto, é 
necessário que a sentença condenatória tenha reconhecido a reincidência. 
Esse acréscimo pela reincidência somente se aplica à prescrição da pretensão 
executória, não tendo qualquer reflexo nos prazos da prescrição da pretensão punitiva. É o que 
se extrai da Súmula 220 do Superior Tribunal de Justiça: “A reincidência não influiu no prazo 
da prescrição da pretensão punitiva”. 
 
1.5.1. Termos iniciais 
Consoante se extrai do artigo 112 do Código Penal, o prazo da prescrição da pretensão 
executória começa a correr: a) do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para 
a acusação; b) do dia da revogação da suspensão condicional da pena ou o livramento 
condicional; c) do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção 
deva computar-se na pena. 
Pressupostos 
Não tenha ocorrido prescrição punitiva 
Trânsito em julgado da sentença condenatória 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
35 
a) Do dia em que transita em julgado a sentença condenatória para todos 
(segundo entendimento do STF e STJ) 
O pressuposto para a incidência da prescrição da pretensão executória é o trânsito em 
julgado da sentença penal condenatória para todas as partes. Todavia, nos termos do artigo 
112, I, do Código Penal, o termo inicial da contagem do prazo prescricional considera o trânsito 
em julgado da sentença penal condenatório para a acusação. Ou seja, em tese, o início da 
contagem do prazo da prescrição executória é anterior à data do trânsito em julgado da 
sentença penal condenatória. 
 
 
 
 
 
 
 
Trata-se de hipótese extremamente favorável ao condenado, uma vez que, se a 
acusação optar por não interpor recurso contra a sentença condenatória, transitando em julgado 
para ela, o réu, usando de sucessivos recursos, poderá prolongar o momento do trânsito em 
julgado da sentença penal condenatória para todos. Não é raro acontecer, por exemplo, 
transitar em julgado a sentença penal condenatória para acusação em determinada data, e o 
trânsito em julgado da sentença condenatória para todos ocorrer anos depois. 
Por isso, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do AI 794971-
AgR/RJ, definiu que o termo inicial para a contagem da prescrição da pretensão 
executória é o trânsito em julgado para ambas as partes. 
b) Do dia da revogação da suspensão condicional da pena ou o livramento 
condicional 
A revogação do sursis e do livramento condicional tem como efeito automático a prisãodo condenado, para cumprir a pena cuja execução foi suspensa ou para dar continuidade à 
execução da pena pela qual obteve o livramento condicional. 
Logo, havendo revogação da suspensão condicional da pena, deve o condenado 
cumprir integralmente a pena suspensa, passando a correr o prazo para dar início à execução 
da pena da data da decisão revocatória. 
Trânsito em 
julgado para o 
Ministério Público 
Sentença 
condenatória 
Termo inicial para prescrição executória 
Recurso 
defesa 
Trânsito em julgado 
para a defesa e, 
portanto, para todos 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
36 
Com a revogação do livramento condicional, o condenado deverá ser preso para 
cumprir o restante da pena, começando a correr o prazo da prescrição executória, a partir da 
data da revogação. 
c) Do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção 
deva computar-se na pena. 
Interrompida a execução da pena pela fuga do condenado, inicia-se a contagem do 
prazo prescricional da prescrição executória (CP, art. 112, II, 1ª parte), para recapturá-lo. 
Nos casos dos arts. 41 e 42 do Código Penal (superveniência de doença mental ou 
internação em hospital), em que se aplica o princípio da detração penal, embora interrompida 
a efetiva execução da pena, não corre a prescrição (CP, art. 112, II., 2ª parte), já que computado 
como pena cumprida. 
 
1.5.2. Causas interruptivas 
As causas interruptivas da prescrição da pretensão executória são: a) início ou 
continuação do cumprimento da pena (CP, art. 117, V); b) reincidência (CP, art. 117, VI). 
a) Início ou continuação do cumprimento da pena 
Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, expede-se, como regra, 
mandado de prisão, a fim de que o condenado seja compelido a dar início ao cumprimento de 
pena. 
Quando o condenado efetivamente dá início ao cumprimento da pena, seja privativa de 
liberdade ou restritiva de direitos, interrompe-se o prazo da prescrição da pretensão executória. 
Evidentemente que, nesse caso, o prazo não volta a correr por inteiro, pois o condenado está 
sob custódia do Estado, cumprindo pena. Essa é a exceção prevista no artigo 117, § 2º, do 
Código Penal. 
Se, eventualmente, o apenado empreender fuga, começa a correr o prazo prescricional 
para sua recaptura, que será regulado pelo tempo que resta da pena (CP, art. 113). Ao ser 
recapturado, com a consequente continuação do cumprimento da pena, ocorrerá a interrupção 
do prazo prescricional. 
b) Reincidência 
A reincidência também interrompe a prescrição (CP, art. 117, VI). Ocorre quando o réu, 
definitivamente condenado, ainda não deu início ao cumprimento da pena. Logo, o prazo da 
prescrição executória estaria correndo. Se o agente praticar um novo crime, passando, 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
37 
portanto, a ser reincidente, o prazo prescricional da pretensão executória da pena imposta pelo 
crime anterior será interrompido no momento da prática do novo crime. 
Portanto, conforme, inclusive, entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “a 
reincidência, como causa de interrupção da prescrição da pretensão executória, é contada a 
partir da prática do novo delito, e não do trânsito em julgado de eventual sentença 
condenatória.”1 
Essa interrupção, porém, ficará condicionada à efetiva condenação do réu em relação 
ao segundo crime; se este vier a ser absolvido, evidentemente não houve reincidência e, 
consequentemente, não pode ser considerada interrompida a prescrição. 
A reincidência somente interrompe o prazo da prescrição da pretensão executória, 
sendo inaplicável à prescrição da pretensão punitiva. Nesse sentido, a Súmula 220 do STJ: “A 
reincidência não influiu no prazo da prescrição da pretensão punitiva”. 
 
1.5.3. Prescrição no caso de evasão do condenado ou de revogação do 
livramento condicional 
Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, surge para o Estado a 
pretensão de fazer com que o condenado dê início ao cumprimento da pena. Para tanto, deve-
se observar o prazo prescricional computado com base na pena aplicada (CP, art. 110, caput, 
do CP). 
Imaginemos, agora, que o condenado foi capturado, dando início ao cumprimento da 
pena. Passado algum tempo, o condenado empreende fuga do estabelecimento carcerário. 
Nesse caso, começa a correr o prazo prescricional para o Estado recapturar o condenado, para 
continuação do cumprimento da pena, considerando-se como base o tempo que resta da pena 
(CP, art. 113). Assim, se, por exemplo, o agente foi condenado à pena de 4 (quatro) anos, cujo 
prazo prescricional é de 8 (oito) anos (CP, art. 107, IV), e, após cumprir 3 (três) anos, 
empreende fuga. Nesse caso, a base para verificação da prescrição executória é a pena 
restante, qual seja, 1 (um) ano. Logo, a partir da fuga do condenado, o prazo da prescrição 
executória será de 4 (quatro) anos (CP, art. 109, V) 
Agora, se ele deu início ao cumprimento da pena, ficando um determinado tempo preso, 
se empreender fuga (se evadir), a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena (art. 113 
do CP). Pega o tempo que resta da pena, vai no artigo 109 e enquadra. Esse será o prazo 
 
1 STJ: HC 360940/SC, rel. Min. Jorge Mussi, 5ª Turma, j. 15.09.2016. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
38 
prescricional. Ex: condenado a 04 anos (prazo prescricional de 08 anos), cumpriu 03 anos, resta 
um ano (nesse caso, o prazo prescricional será de 04 anos - art. 109, V, do CP). 
O mesmo raciocínio deve ser empregado na hipótese de revogação do livramento 
condicional, já que o condenado terá de cumprir o restante da pena, que serve de parâmetro 
para o cálculo do prazo da prescrição executória. 
 
1.5.4. Algumas hipóteses de incidência da prescrição da pretensão executória 
Como regra, duas hipóteses emergem de incidência da prescrição da pretensão 
executória: a) para o início do cumprimento da pena; b) para continuação do cumprimento da 
pena, em face da fuga ou revogação do livramento condicional. 
a) Para o início do cumprimento da pena 
Imaginemos que o réu tenha sido denunciado por ter praticado no dia 5 de outubro de 
2012 crime de furto simples (CP, art. 155). A denúncia foi recebida no dia 15 de março de 2014. 
Após regular tramitação do processo, no dia 15 de junho de 2016, o Magistrado proferiu 
sentença condenatória, aplicando pena de 1 (um) ano e 4 (meses), transitando em julgado a 
sentença para todos, e, portanto, também para a acusação, no dia 25 de junho de 2016. O réu 
não se apresentou para cumprir a pena, sendo, portanto, considerado foragido. No dia 18 de 
agosto de 2020, em patrulhamento de rotina, policiais abordaram o condenado, e verificaram 
que havia um mandado de prisão contra ele, razão pela qual o levaram para o estabelecimento 
carcerário. 
Logo, a base de cálculo para a prescrição passa a ser a pena aplicada na sentença. No 
caso, a pena aplicada foi de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses, sendo o prazo prescricional de 4 
(quatro) anos (CP, art. 109, V). O termo inicial é a data do trânsito em julgado para a acusação 
(CP, art. 112, I), qual seja, 25.06.2016. 
Agora, considerando o novo prazo prescricional, com base na pena aplicada, bem como 
o termo inicial, deve-se verificar se não incidiu a prescrição da pretensão executória. 
E, no caso, forçoso concluir que incidiu a prescrição da pretensão executória, pois entre 
a data do trânsito em julgado da sentença condenatória, inclusive para acusação (25.06.2016) 
e a data em que o condenado foi capturado (18.08.2020), passaram-se mais de 4 (quatro) anos. 
Logo, deve-se declarar a extinção da punibilidade do condenado, com base no artigo 107, IV, 
do Código Penal, permanecendo hígidos os efeitos secundários, penais e extrapenais, da 
sentença condenatória. 
2ª Fase Penal | 43º Exame de Ordem 
 
 
 
39 
b) Para continuação do cumprimento da pena, em face da fuga ou revogação do 
livramento condicional. 
Imaginemos

Mais conteúdos dessa disciplina