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Natureza da Cultura

Unidade didática sobre Natureza da Cultura: apresenta objetivos, definição de cultura, relação homem‑natureza, cultura como ação transformadora, conceitos antropológicos (material e imaterial), figura ilustrativa, atividades de fixação, material complementar, referências e gabarito.

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Prévia do material em texto

Conteudista
Prof. Dr. Rodrigo Medina Zagni
Revisão Textual
Mírian Lúcia Ferreira
Revisão Técnica 
Prof.ª Dra. Vivian Fiori
Natureza da Cultura
Sumário
Objetivos da Unidade ............................................................................................................3
Cultura como Componente Indissociável da Condição Humana .............................. 4
A Cultura como Ação Transformadora do Meio e do Homem ..................................13
O Homem, a Natureza e o Meio .......................................................................................20
Como a Antropologia Conceitua a Cultura ................................................................... 23
Material e Imaterial ...........................................................................................................................25
Em Síntese ............................................................................................................................ 26
Atividades de Fixação ........................................................................................................ 27
Material Complementar.....................................................................................................30
Referências ............................................................................................................................31
Gabarito ................................................................................................................................ 32
3
Objetivos da Unidade
Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para 
que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento 
do conteúdo.
Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili-
zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re-
comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento.
• Tratar das características da cultura; 
• Definir alguns conceitos para cultura; 
• Evidenciar a relação homem-natureza e a cultura;
• Estudar da obra de alguns autores sobre população, sociedade e cultura.
4
VOCÊ SABE RESPONDER?
Como as características da cultura se relacionam com a interação entre o homem e 
a natureza, e como os autores estudiosos da população, sociedade e cultura contri-
buem para a compreensão dessa relação?
Cultura como Componente 
Indissociável da Condição 
Humana 
A cultura se denomina, segundo a Antropologia Cultural, como o ato voluntário 
humano que é consciente de sua finalidade; ou seja, trata-se da ação humana 
consciente de que produzirá resultados. Isso, por si só, permite-nos empreender 
uma série de reflexões; vamos realizá-las, então, conjuntamente, após observarmos 
atentamente a Figura 1:
Figura 1 – Progresso: a antecipação do futuro em quatro etapas
Fonte: Elaborado pelo autor
#ParaTodosVerem: a imagem consiste em quatro retângulos dispostos verticalmente. Cada retângulo contém 
um boneco de palitinho em diferentes posições e cenários. No primeiro retângulo, o boneco está parado, e 
5
logo abaixo está escrito a palavra “HOMEM”. No segundo retângulo, o boneco segura um balão de pensamen-
to, representando o pensamento, e ao lado está desenhado um guarda-chuva. Abaixo, encontra-se a palavra 
“PENSAMENTO”. No terceiro retângulo, o boneco está em movimento, caminhando, e segura o guarda-chuva 
debaixo do braço. Ao lado, está escrita a palavra “AÇÃO”. No quarto retângulo, está chovendo, e o boneco abriu o 
guarda-chuva para se proteger da chuva. A palavra “RESULTADO” é exibida abaixo da imagem. Ao longo de toda 
a imagem, há a frase “ANTECIPAÇÃO DO FUTURO” escrita na parte inferior. Além disso, ao lado dos retângulos, 
estão presentes setas de direção vermelhas. Fim da descrição. 
Podemos começar reconhecendo que a capacidade de pensamento humano difere 
daquela encontrada em outros seres pela sua natureza consciente. O ser humano 
é consciente de que suas ações têm consequências, demonstrando um grau mais 
elevado de consciência em relação a outras formas de vida.
No caso da Figura 1, por exemplo, a consciência de que poderia chover levou nosso 
personagem a decidir por levar consigo um guarda-chuva. Tendo chovido, o resulta-
do de sua ação inicial passa a receber um valor; como o resultado foi o esperado, ou 
seja, evitou tomar chuva, o valor atribuído por esse ao resultado foi positivo, foi bom. 
Inicialmente, percebemos que em seu pensar, 
nosso personagem imaginou claramente a possi-
bilidade de chover – problema – e imediatamente 
ponderou em apanhar um guarda-chuva – a solu-
ção mais adequada ao problema. Ao fazer isso, deu 
uma espécie de “salto para o futuro” em apenas 
um pensamento; ou seja, não havia chovido ainda, 
mas foi capaz de projetar essa possibilidade de fu-
turo em seu tempo presente; e mais, de mudar o 
seu próprio futuro.
[...] uma vez que, apa-
nhando o guarda-chuva, 
evitou a possibilidade de 
um futuro indesejado: 
molhar-se.
6
Figura 2 – Pensamento humano
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: a imagem retrata um homem grisalho vestindo uma camisa branca e uma gravata listrada. 
Ele está posicionado de frente para o horizonte, com uma expressão pensativa. A haste dos óculos está posicio-
nada na boca do homem. Fim da descrição. 
O pensar humano, portanto, possibilita ao homem se projetar em futuros possíveis, 
orientando as ações humanas em direção ao futuro mais desejado – e, assim, evi-
tando o menos desejado. Mais do que isso, se essa situação se repetir no futuro – e 
invariavelmente se repetirá! –, o indivíduo não precisa realizar a mesma reflexão com 
o mesmo grau de profundidade, uma vez que dessa situação retirou aquilo que cha-
mamos de experiência; e mais, pôde partilhá-la com os outros, ensinando sobre a 
experiência vivida e transmitindo o conhecimento gerado para esse tipo de situação 
para aqueles que fazem parte de seu convívio social.
No caso de nosso personagem, como vimos, evitou molhar-se e isso foi percebido 
por ele como algo bom. Esse valor positivo é deslocado pelo indivíduo, do resultado 
para a própria ação, dando-lhe, então, um significado de acordo com a qualidade do 
resultado, ou seja, tendo sido bom o resultado, aquela foi uma boa ação. O próprio 
pensar recebe, portanto, os valores e significados da ação e de seu resultado, com-
pondo os sentidos do pensar. Nesse caso, o indivíduo teve bons pensamentos, que 
o levaram a uma boa ação, cujo resultado foi positivo.
7
Tais valores, significados e sentidos, por sua vez, passam a compor a iden-
tidade do próprio indivíduo, ou seja, nesse caso, um homem esperto. No 
campo da valoração, identidades podem ser determinadas das formas mais 
diversas: o homem bom, mau, mentiroso, verdadeiro, justo, injusto etc. 
Identidades sociais são, portanto, determinadas por repertórios de valores, 
significados e sentidos.
Ocorre que, quem determina o que é bom ou ruim para os resultados de uma ação? 
Poderíamos estar em uma sociedade na qual a chuva fosse entendida como uma 
dádiva dos deuses e que, portanto, não se deve evitá-la. Poderíamos estar em uma 
sociedade para a qual a chuva tem um valor higiênico, de modo que aqueles que 
fogem à chuva são entendidos como anti-higiênicos.
Figura 3 – Mulheres indianas em cerimônia religiosa
Fonte: RAYMER
#ParaTodosVerem: a imagem retrata uma cena de uma cerimônia religiosa na Índia, onde várias mulheres india-
nas estão reunidas. Elas estão vestidas com trajes tradicionais e apresentam diferentes adornos, como colares, 
pulseiras e bindis na testa. Algumas mulheres estão segurando flores ou objetos religiosos em suas cabeças. Fim 
da descrição.
8
Perceba que valores e morais – tudo aquilo que determina o certo e o errado, o bom 
e o ruim, até mesmo o justo e o injusto –, sejam quais forem, são relativos no tempo 
e no espaço, ou seja, o que é bom e ruim para mim, ou moral e imoral, pode ter sido 
entendido de forma completamente diferente por meus antepassados, o que prova 
quevalores e morais mudam conforme o tempo. Logo, tais condições variam ao 
longo da história e não são iguais em todas as sociedades, nem em todos os lugares.
Avalie as seguintes afirmações sobre o pensamento humano e marque se 
são verdadeiras ou falsas.
I. Possibilita ao homem projetar a si nos futuros possíveis, orientando as 
ações humanas em direção ao futuro mais desejado – e evitando o me-
nos desejado;
II. O pensamento e situações podem se repetir e, se isto ocorrer, o indiví-
duo não precisa realizar a mesma reflexão com o mesmo grau de pro-
fundidade, uma vez que dessa situação retirou aquilo que chamamos de 
experiência;
III. O homem pode partilhá-la com os outros, ensinando sobre a experiência 
vivida e transmitindo o conhecimento gerado para esse tipo de situação 
para aqueles que fazem parte de seu convívio social.
O que é certo e errado para mim, muda também em relação a indivíduos que 
vivem em outra parte do mundo, em outra cultura. Para várias sociedades ociden-
tais, por exemplo, é natural ingerir carne bovina, inclusive de vaca; enquanto na 
Índia esse animal é considerado sagrado; provando que valores e morais também 
estão em transformação no espaço. Enfim, morais e valores estão em movimento 
no tempo e no espaço.
Reflita
Mas o que isso tem a ver com cultura? Tudo! Isso porque moral, 
valores, sentidos, significados e identidades compõem aquilo 
que chamamos de sistema cultural. Como todos os itens acima 
são relativos no tempo e no espaço, não se pode dizer que haja 
uma só cultura; mas complexos de distintos sistemas culturais.
9
Se todos esses itens são relativos, portanto, todas as culturas também são relativas, 
ou seja, não há culturas superiores ou inferiores; mas sim diferentes. Mais do que 
isso, se esse pensar é inerente ao humano e a consciência é um potencial de todos 
os indivíduos – o que ativa todas as relações que identificamos e qualificamos acima 
–, logo, não existe indivíduo sem cultura, todos possuem uma cultura: a sua cultura.
Ocorre que a cultura não se localiza, como sistema, apenas no âmbito do indivíduo: 
assume uma dimensão coletiva. Isso porque os valores e morais que mencionamos 
aqui também são partilhados entre indivíduos, no âmbito de suas sociedades ou 
segmentos sociais; portanto, a cultura constitui-se em uma dimensão sempre co-
letiva, dado que todos os demais itens também são partilhados: valores, morais, 
sentidos, significados e identidades sociais.
Por isso, não apenas inexistem 
indivíduos sem cultura; mas 
inexistem sociedades sem cul-
tura; da mesma forma como 
não existem também socie-
dades mais ou menos avan-
çadas que outras em termos 
culturais, mas sim sociedades 
distintas entre si. Temos de 
pensar também que esses va-
lores podem ser gerados pelo 
indivíduo ou grupo – e nem 
sempre podem coincidir.
Por exemplo, segundo a moral e os valores do grupo, a ação que cometi é errada, ou 
seja, atenta contra a moral do grupo, portanto, sou alguém imoral para esse grupo. 
Ocorre que, para mim, a ação que empreendi pode ser plenamente aceitável segun-
do os meus valores, o que me permite perceber-me como alguém pleno de moral. 
Pelo fato de haver uma moral dominante e uma moral do indivíduo, é possível que 
existam duas ou até mais identidades sociais para o mesmo indivíduo. Ou seja, para 
o grupo sou alguém imoral; para mim mesmo, sou um indivíduo moral.
As identidades são, então, não somente autoatribuídas; mas também construídas 
social e externamente ao indivíduo, podendo, então, nesses casos, haver conflitos 
de identidade para o mesmo sujeito. Assim, todos têm cultura – dado que basta en-
tão ser humano para ser portador de sistemas culturais – e não existem sociedades 
menos ou mais evoluídas, em termos culturais, que outras.
10
Figura 4 – Interação homem e animal
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: a imagem retrata um homem mais velho em uma praia rochosa, onde ele está interagindo 
com uma foca. O homem está vestindo shorts jeans, uma blusa branca e uma mochila preta com detalhes azuis. 
Ele está usando sandálias nos pés. O homem está em pé sobre uma pedra. Ambos parecem estar em um mo-
mento de conexão e curiosidade mútua. Fim da descrição.
Após essa breve análise, podemos então compreender que a condição existencial 
humana é cultural. Isso porque o homem atribui sentidos às suas ações, constrói 
símbolos, acumula experiência e a transmite por meio da linguagem – oralidade, ico-
nografia e escrita. A atribuição de significados às ações coloca as experiências em 
movimento, podendo ser partilhadas e compor um repertório cultural coletivo. Já a 
situação existencial animal está condicionada ao mundo dos fenômenos; obedece a 
uma programação biológica, instintiva, na qual a experiência se esgota em si.
Saiba Mais
Que iconografia se refere ao conjunto de imagens, tais como 
gravuras, fotografias, desenhos, esculturas, brasões, quadros, 
pinturas, entre outros? Existe um ramo da iconografia, denomi-
nado religioso, que se refere às diversas imagens, figuras, escul-
turas com teor religioso.
11
A transmissão da experiência humana se dá por meio de uma linguagem em constru-
ção e de sistemas culturais em movimento de perene transformação. A linguagem 
permite ao homem acumular a experiência, bem como sua inteligência abstrata lhe 
permite elaborar símbolos. Já os animais obedecem a reflexos condicionados, nos 
quais há aprendizado, mas por meio de uma inteligência concreta, que lhes permite 
tão somente programar índices.
A linguagem, como instrumento maior de cumulação e difusão de experiências e tro-
cas culturais inerentes ao ser humano. Ela nos permite identificar, também, sintomas 
de desumanização, no enfraquecimento da possibilidade de expressão, que revela 
graus decrescentes de consciência sobre os resultados das ações humanas, confor-
mando identidades sociais vazias de sentidos, significados e de repertórios morais.
Figura 5 – Erich Fromm
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: A imagem retrata o Erich Fromm, um homem idoso com óculos, segurando uma caneta na 
mão. Erich Fromm está vestindo uma roupa formal, com uma camisa e um terno. Fim da descrição.
Trata-se de um sintoma de desumanização, produzido pela sociedade de consumo 
de massa, aquela em que o psicólogo alemão Erich Fromm (1987) identificou, no 
livro “Ter ou ser”, como os valores do consumo determinando as identidades sociais.
12
O capitalismo ocidental teria falhado em criar valores morais, aprofundando proces-
sos de desumanização que levam a constituições culturais mais de aparência do que 
de essência, na vigência dos valores acríticos das sociedades de consumo de massa 
e do espetáculo, onde se é aquilo que se tem – que nos leva à frase citada comu-
mente pela população: “O que importa é o que temos, e não o que somos”.
Ter ou Ser? 
Erich Fromm
Sinopse: Este livro resenha e culmina a 
vasta obra anterior de Fromm. Polêmico, 
sem dúvida, como toda posição radical, 
mas, sobretudo, pela sua interpretação 
pessoal do dogma cristão e do marxismo, 
aos quais despoja do caráter revolucio-
nário e da doutrina social para convertê-
-los em metas do indivíduo. Para atingir 
essas metas, Fromm propõe um progra-
ma de oito pontos no qual postula um 
crescimento limitado e seletivo, apenas 
para evitar o colapso econômico e como 
garantia das satisfações psíquicas e afe-
tivas. Evidentemente, como premissa 
ter-se-ia que frear a produção industrial 
tendente a um “fascismo tecnológico 
com a face sorridente”, banimento da 
“economia de mercado” e restabelecer 
as possibilidades de iniciativa individu-
al na vida, “e não nos negócios”. Ele é o 
primeiro a reconhecer as dificuldades 
do seu plano, “em vista do poder das 
empresas” e da “apatia e fragilidade de 
grandes segmentos da população”, mas 
confia em que pode generalizar-se o 
descontentamento com o sistema social 
vigente e que, mediante reconversão da 
Igreja Católica e humanização do socia-
lismo, poderá surgir a “Cidade do Ser”.
13
A Cultura como Ação 
Transformadorado Meio e 
do Homem 
Outra forma de se compreender a constituição cultural das sociedades é a partir de sua 
função transformadora do meio ambiente, do meio social e do próprio homem. Para 
isso, mais uma vez, analisaremos e refletiremos sobre o seguinte esquema (Figura 6):
Figura 6 – Ação do homem
Fonte: Adaptado de Getty Images
#ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação simbólica sobre as necessidades humanas, o meio 
ambiente e o desenvolvimento. Na parte superior, há a sombra de um homem, com a palavra “HOMEM” escrita 
sobre ele, e logo abaixo, a palavra “NECESSIDADES”. Uma seta vermelha aponta para a direita, indicando “SOLU-
ÇÃO = AÇÃO TRANSFORMADORA”. Em seguida, há outra seta vermelha que aponta para uma imagem de um 
globo terrestre com rios e vegetação. Sobre essa imagem, está escrito “MEIO AMBIENTE”, e abaixo, a expressão 
“OFERTA NATURAL”. No centro, há um círculo vermelho que destaca a palavra “DESCOMPASSO”. Uma seta 
vermelha sai dessa palavra e leva para a expressão “PROBLEMA = SOBREVIVÊNCIA”, destacando a relação entre 
o descompasso e as dificuldades de sobrevivência. Outra seta vermelha parte do “DESCOMPASSO” e leva à frase 
“DESENVOLVIMENTO NECESSÁRIO: MEIOS MATERIAIS + TÉCNICAS”, destacando a necessidade de desen-
volvimento e a importância dos recursos materiais e técnicas para alcançá-lo. Fim da descrição.
14
Já nos dissera Herbert Spencer que o homem não é tal qual aquele das pinturas 
chinesas, ou seja, solto no espaço, como se estivesse caindo do nada: o homem 
existe no meio geográfico. Mais do que isso, retira desse meio o necessário à sua 
sobrevivência. Pensemos, então, a dimensão cultural humana a partir das relações 
entre homem e meio ambiente.
Verifiquemos no esquema (Figura 6) que o homem, que é dotado de necessidades 
materiais, literalmente obedecendo às programações biológicas – comer, evacuar, 
beber, dormir, procriar etc. –, realiza-as essencialmente no meio ambiente. 
Ocorre que Thomas Malthus identificou que havia um descompasso nessa relação. 
Para esse pensador, se a população continuasse aumentando de forma crescente 
e geométrica, faltariam alimentos para todos. Tal discurso, dos séculos XVIII e XIX, 
remete à crescente preocupação dos mais ricos com o crescimento populacional 
dos mais pobres. Desse descompasso resulta um grave problema à sobrevivência 
humana, que depende, vitalmente, de alimento e água.
Pensemos no homem que atende às suas necessidades de sobrevivência no 
meio ambiente, mas sem interferir no qual. A caça e a coleta, por exemplo, 
foram as atividades econômicas da maior parte do tempo de vida humana 
sobre a Terra – e nessas atividades o homem retirava do meio ambiente ape-
nas aquilo que necessitava, sem interferir no qual (ao menos, gravemente).
15
Figura 7 – Herbert Spencer
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco retrata Herbert Spencer, um homem de aparência distinta. 
Ele veste um elegante terno com uma gravata borboleta. Sua expressão é séria e confiante, transmitindo uma 
sensação de intelectualidade e autoridade. Fim da descrição.
A primeira forma encontrada pelo homem para empreender essa ação transforma-
dora do meio foi a agricultura. Aliando um bastão de madeira, extraído da natureza, 
conjugando-o a uma lasca de pedra polida com o uso de uma amarra, feita com 
tripas secas de um animal abatido, o homem desenvolveu a enxada. Com o uso ade-
quado desse instrumento, passou a arar a terra e prepará-la para o plantio de se-
mentes que, por meio da observação, percebeu que poderiam germinar e dar frutos. 
Irrigando periodicamente o terreno plantado, foi possível obter mais alimentos e 
solucionar o problema do descompasso identificado por Malthus, possibilitando a 
própria sobrevivência.
Para que isso ocorresse, foi preciso o desenvolvimento de materiais e técnicas: o 
incremento dos materiais necessários à atividade do plantio, bem como das téc-
nicas adequadas à sua utilização. Os materiais constituem, segundo o filósofo ale-
mão Karl Marx e Engels (1997), os meios de produção da vida social, junto do mais 
importante meio: a terra; as formas ou as técnicas para utilizá-los consistem na 
tecnologia desenvolvida, ambos para o trabalho. Segundo a definição marxista, o 
trabalho é a ação transformadora do meio ambiente que tem a finalidade de garan-
tir a sobrevivência humana.
16
Figura 8 – Karl Marx
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco retrata Karl Marx, uma figura icônica na história do pensamento 
político e econômico. Ele é representado com uma expressão séria e intensa, com uma longa barba e cabelos 
desgrenhados. Vestindo roupas características da época, como um terno e uma gravata, Marx transmite uma 
imagem de intelectualidade e compromisso. Fim da descrição.
Contudo, todas essas relações acabam determinando outro aspecto da vida social: 
a cultura. O desenvolvimento da agricultura, que aqui mencionamos, implica em um 
desenvolvimento cultural, nesse caso, da “cultura da enxada”. Não é por acaso que o 
termo “cultura” foi utilizado pela primeira vez para se referir a atividades econômicas 
na lavoura, isso porque, ainda segundo Marx, por meio do trabalho, o homem altera 
não apenas o meio ambiente, mas a si. E como isso ocorre?
17
Figura 9 – Escravos em plantação de algodão (Ilustração)
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: a ilustração intitulada “Escravos em plantação de algodão” retrata um momento histórico 
marcado pela escravidão. Na imagem, podemos ver um grupo de pessoas negras trabalhando arduamente em 
uma plantação de algodão. Fim da descrição.
Não dissemos, citando Spencer, que o homem não existe solto no espaço, que exis-
te no meio geográfico? Assim, sua identidade social se constrói na interação do 
indivíduo com o seu entorno, com a natureza, e como esse entorno foi modificado 
pelo próprio homem. Nesse sentido, o homem alterou a si, por conseguinte, alterou 
suas necessidades e, sendo novas necessidades, a mesma forma de trabalho não 
poderia mais dar conta das quais, de modo que se tornaram necessárias novas ações 
transformadoras para atender a esse novo homem e suas novas necessidades.
Por sua vez, o meio foi alterado novamente, criando um novo homem, portador de 
inéditas necessidades, formas de trabalho e, essencialmente, sistemas culturais. É 
por isso que não existem sociedades estacionadas, todas estão fadadas à transfor-
mação. Mas isso dito, parece que estamos, então, contradizendo Malthus – citado 
no início da análise do quadro em questão. Isso porque, tendo alterado o meio am-
biente, o homem teria resolvido o descompasso entre suas necessidades e aquilo 
que o meio ambiente poderia lhe oferecer, isso porque suas necessidades não mais 
seriam maiores em relação ao que o meio poderia, transformado, fornecer.
Assim, por que, então, as sociedades mudam, se o problema do descompasso teria 
deixado de existir?
18
Mudam e mudarão constantemente, isso porque Malthus demonstrou que o des-
compasso mencionado nunca deixaria de existir. Para defender essa tese, Malthus 
demonstrou que os homens crescem em progressão geométrica – multiplicando-se 
entre si –, enquanto os meios de subsistência cresceriam em progressão aritmética 
– por somatória, não por multiplicação. Desse modo, um novo meio – alterado pela 
ação humana – traria novos problemas à existência também humana, demandando 
sempre novos tipos de soluções e novas ações transformadoras, de modo que no-
vos sistemas culturais vão se formando daí. Cabe uma pergunta: faltam alimentos 
ou estes são mal distribuídos? É preciso relativizar o discurso de Malthus, conside-
rando de onde veio e da época na qual viveu.
Saiba Mais
Thomas Robert Malthus nasceu na Inglaterra, em 1766, filho de 
uma família abastada e proprietária de terras. É considerado um 
economista e estudioso de demografia, bem como foi pastor da 
igreja anglicana. Publicou sua obra, intitulada Ensaio sobre po-
pulação, em 1798, pela qual se tornou conhecidopor definir que 
a população crescia geometricamente, enquanto os alimentos 
aumentavam em uma proporção aritmética, o que levaria à es-
cassez dos recursos. Os adeptos de suas teorias ficaram conhe-
cidos como teóricos do malthusianismo.
Por que sistemas culturais teriam, então, segundo a visão marxista, uma determina-
ção decorrente das relações de produção? Ora, para Marx a infraestrutura econô-
mica das sociedades, ou seja, sua base econômica, determinaria a superestrutura 
política e ideológica, sendo a cultura a somatória dessas relações, pois se inscreveria 
no modus vivendi das sociedades.
Importante
Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), ambos 
ingleses, produziram juntos algumas obras, entre as quais, O 
capital e o Manifesto do Partido Comunista. Suas teorias sobre 
a sociedade e economia política influenciaram várias áreas do 
conhecimento, evidenciando a luta de classes entre a burguesia 
e o proletariado, a relação entre capital e trabalho, bem como a 
exploração do trabalhador. Conceitos como mais-valia, valor de 
uso e de troca, mercadoria, produção e circulação, divisão social 
do trabalho, entre outros, são usados por esses teóricos, cujo 
conjunto e pensamento ficaram conhecidos como marxismo.
19
A infraestrutura seria o modo de produção da vida social, ou como aquela sociedade 
produz o suficiente à existência material, constituindo também sentidos, significa-
dos, valores, morais e identidades que mencionamos no início deste Material teórico. 
O modo de produção da vida social seria determinado pelo modo de produção de 
bens de consumo, este composto, por sua vez, pelos meios de produção – instru-
mentos, terra (incluindo seu regime de propriedade) etc. –, força de trabalho – se 
assalariada, escrava, servil, voluntária etc. –, tecnologia – forma com que a força de 
trabalho opera os meios de produção –, determinando os aspectos políticos, ideoló-
gicos e culturais dessa sociedade.
Nessa perspectiva, o trabalho é a ação 
transformadora humana do meio am-
biente, geradora de cultura – que tam-
bém pode ser de nida como trabalho 
–, ato exclusivamente humano por ser 
consciente de sua finalidade, no que é, 
portanto, intencional. É preciso estar 
claro que, por meio do trabalho, o ho-
mem transforma o mundo e a si, por-
que ao alterar o meio, o homem altera 
o próprio homem. É necessário ficar 
claro que, transformando o meio e a 
si, o homem redefine suas dinâmicas 
culturais, rede unindo valores, senti-
dos, significados e identidades.
A ação transformadora humana na natureza passa a ser mediada pelos símbolos 
criados pelo homem, que dão sentido às suas ações. Desta forma, a cultura pode 
também ser definida como o conjunto desses símbolos, os quais relativos no tempo 
e espaço, com múltiplas manifestações. Com isso, o homem, colocando em movi-
mento o meio, a cultura e, desta forma, a si, é o único ser histórico consciente de sua 
condição e, portanto, produtor de sua própria história.
20
O Homem, a Natureza e o Meio
Indubitavelmente, viver em uma grande cidade é sinônimo, hoje, de alienação e de-
pendência, pois, cada vez mais, distanciamo-nos da natureza, à qual exercemos do-
mínio como grupo, nunca como seres isolados.
Figura 11 – Theodor W. Adorno e Max Horkheimer
Fonte: Wikimedia Commons
#ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco intitulada “Theodor W. Adorno e Max Horkheimer” retrata os 
renomados filósofos alemães unindo suas mãos em um gesto de união e colaboração. Ambos estão vestidos 
de forma elegante e séria. Na parte de trás da imagem é possível notar mais quatro homens. Fim da descrição. 
Assim, tendemos a nos distanciar cada vez mais das relações primordiais gerado-
ras de cultura, para assumir repertórios culturais gerados, em essência, pela indús-
tria de consumo de massa, conforme identificaram autores da chamada Escola 
de Frankfurt, primordialmente Theodor Adorno, no conceito de indústria cultural, 
publicado em 1947 no livro Dialética do iluminismo, que escreveu junto de Max 
Horkheimer (SANTOS, 2014; PAIXÃO, 2012).
O domínio que o homem exerce sobre a natureza nos processos de ocupação do es-
paço, tecnologias, complexas estruturas econômicas e formas de produção, advém 
de conhecimentos que indivíduos distintos e tomados isoladamente desenvolveram 
ou, por sua vez, adquiriram de outros que os precederam, aos quais, de forma cumu-
lativa, foram inseridos novos conhecimentos, culminando em tecnologias avança-
dasque podem ser utilizadas por todos, mas dificilmente reconstituídas desde a fase 
embrionária de seu processo de concepção.
21
O homem tanto se orgulha de suas grandes obras e monumentos, de sua 
pretensa superioridade com relação ao meio em que vive, que se esquece 
de que, por si só, não é detentor de conhecimento algum que possa garantir 
sua sobrevivência se deixado sozinho, desprotegido em meio a uma densa 
floresta, cercado por animais selvagens e predadores, precisando prover-se 
da caça e da coleta como fizeram nossos antepassados que, por sua vez, já 
contavam com formas de transmissão de conhecimento, como a oralidade, 
para construção do saber cumulativo.
O distanciamento do homem em relação à natureza é responsável por uma ilusão 
de falso domínio: seu isolamento nos centros urbanos constrói uma sensação de 
segurança em relação ao meio e de pleno domínio da natureza, que exaure não mais 
para sua sobrevivência, mas para atender aos fetiches da acrítica sociedade de con-
sumo de massa. É perfeitamente possível discordar dessas premissas, pensando o 
homem como a “obra-prima” do reino animal, o topo da escala evolutiva e que tudo 
no passado foi “pior” e “primitivo” na perspectiva das “realizações” de uma enganosa 
condição de pós-modernidade.
Na Prática
Imaginemo-nos seguros em nossas casas ou apartamentos, 
rodeados de eletroeletrônicos e parafernálias que garantem a 
nossa sobrevivência, trabalho, entretenimento, alimento e até 
nos convencem a não viver a aventura de ser humano, de ousar, 
de ser errante, fazendo-nos viver as aventuras de riscos alheios, 
nas jornadas domingueiras dos programas televisivos, nas com-
petições desportivas, em tudo que está fora de nós, na televi-
são. Imaginemos agora se uma voz advinda do além ordenasse: 
“Acabai a energia elétrica!” E assim se fizesse? Seríamos capa-
zes de reinventá-la isoladamente, como aprendemos a viver 
nos grandes centros, sem construir relações sociais profundas 
e duradouras e detentores de parcial e limitado conhecimento? 
Vejamos, então, que nosso conhecimento funciona apenas de 
forma cumulativa, portanto, a humanidade funciona enquanto 
grupo – nunca isoladamente.
22
Percebamos o quanto é antinatural o atual ciclo sistêmico do capitalismo, construtor 
do que o historiador inglês Eric Hobsbawm chamou de individualismo associal ab-
soluto, responsável pelo surgimento de indivíduos egocentrados, dissociados de sua 
condição de classe e que competem na espiral de produção e consumo apenas por si.
Figura 12 – Eric Hobsbawm
Fonte: Boitempo
#ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco intitulada “Eric Hobsbawm” retrata o renomado historiador 
britânico em uma pose serena e contemplativa. Hobsbawm está vestido de maneira formal, com um olhar pro-
fundo e expressão séria. Fim da descrição. 
Percebamos ainda que o contato com a natureza, exercido nos campos e vilarejos, 
continua sendo a melhor forma de proporcionar integração entre seus indivíduos e 
de aproximar estes da natureza, à qual devemos nos integrar – e não dominar (mas, 
já nem mesmo no campo essa é uma realidade).
Saiba Mais
No Brasil, sob a égide dos Planos de Desenvolvimento Nacional 
(PND) dos governos militares (1964-1985), os pequenos pro-
dutores rurais tiveram suas propriedades para cultivo de sub-
sistência engolidas pelos latifúndios agroexportadores e seus 
modus-vivendi, tais propriedades foram trocadas pela lógica da 
mecanização das lavouras, que reduziu os indivíduos ali atuan-
tes à condição de boias-frias, obrigando-os a engrossar as leiras 
de miseráveisnos grandes centros, excedentes populacionais 
não incorporados à industrialização.
23
Esse processo foi brilhantemente mapeado pelo renomado antropólogo brasileiro, 
Antônio Cândido, em sua tese de Doutoramento, intitulada Parceiros do Rio Bonito, 
na qual estudou as mudanças culturais da “cultura rústica”, a “cultura do caipira”, em 
relação às transformações que estavam em curso e que acabaram por reduzi-lo à 
condição de boia-fria, como dito.
Devemos rever o conceito de relação do homem para com o meio ambiente, que haja 
integração – e não domínio. Implica em perceber que o Planeta é um sistema fechado 
e que o consumo desenfreado – que é o combustível de um capitalismo aprofundado 
sobre si e sob a fachada de socialmente responsável – é a causa da quase inviabilidade 
da existência humana sobre a Terra, em uma perspectiva de muito pouco tempo.
Como a Antropologia 
Conceitua a Cultura
Para a Antropologia, Ciência que estuda o homem e suas obras, em sua área es-
pecífica de estudos culturais – a Antropologia Cultural –, a cultura se define como 
um processo de aprendizagem. Trata-se de um comportamento apreendido, o que 
se defronta com seu contrário: a personalidade, que se pensa como algo já dado. 
Trata-se de um conjunto de coisas – materiais, de existência concreta – e de ideias 
– imateriais, espirituais, de existência abstrata.
Antropologia Social e Cultural
CHICARINO, T. Antropologia social e 
cultural. São Paulo: Pearson Prentice 
Hall, 2014.
Sinopse: O livro apresenta a antropolo-
gia como ciência, discutindo questões 
contemporâneas por meio de teorias 
clássicas e conceitos, como a nature-
za e as especificidades dos fenômenos 
antropológicos e suas relações com os 
fenômenos sociais.
24
É o sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, os quais 
são característicos dos membros de uma sociedade e não o resultado de 
herança biológica. Não é geneticamente pré-determinada; é não instintiva. 
É o resultado da invenção social que é transmitida e apreendida somente 
através da comunicação e da aprendizagem (HOEBEL; FROST, 1976, p. 4).
Trata-se da:
a. Raça.
b. Cultura.
c. Antropologia.
d. Humanidade.
e. Dialética.
Segundo o que vimos até aqui, conseguimos entender que coisas se refiram aos ma-
teriais fabricados pelo homem para atender às suas necessidades de sobrevivência, 
isso porque já sabemos que o homem é portador de necessidades biológicas. Mas, e 
as ideias? A qual tipo de necessidades se referem?
Ora, o homem não é portador apenas de necessidades biológicas, as assim chama-
das necessidades do corpo ou da matéria. Isso porque o homem é feito também de 
uma outra substância, de essência imaterial e abstrata, que não podemos tocar fisi-
camente, medir ou pesar: nossa alma; exatamente aquilo que preenche o corpo ma-
terial, dando-nos caráter, personalidade, sentimentos e emoções. Trata-se daquilo 
que nos torna únicos! Essa nossa dimensão imaterial possui também necessidades, 
assim como a dimensão material, mas de outra natureza: amar, ser amado(a), ter 
amigos, ser solidário(a), ser feliz etc.
Glossário
Cultura: é o sistema integrado de padrões de comportamento 
aprendidos, os quais são característicos dos membros de uma 
sociedade e não o resultado de herança biológica. A cultura 
não é geneticamente pré-determinada; é não instintiva. É o re-
sultado da invenção social que é transmitida e apreendida so-
mente através da comunicação e da aprendizagem (HOEBEL; 
FROST, 1976, p. 4).
25
Se a dimensão da existência humana gravita entre material e imaterial, a cultura, 
produto da ação humana, constitui-se também nessa dupla dimensão. Temos então 
a cultura material – concreta, do universo das coisas – e a imaterial – espiritual, do 
universo das ideias.
Material e Imaterial
Por elementos materiais entendemos, por exemplo, a existência de uma igreja, um 
templo, uma sinagoga, de um terreiro de umbanda, de um grafite em um muro, 
de um monumento, de um teatro, entre tantas outras manifestações que podem 
ser observadas nas paisagens e que são materiais e frutos da cultura. Contudo, há 
também a música, as formas de se expressar, os idiomas e sotaques, a memória, as 
crenças, as lendas, os discursos etc., que são formas e representações imateriais 
da cultura.
Para entendermos melhor essa distinção, pensemos em dois ambientes essenciais 
onde se desenvolve a vida em sociedade:
Quadro 1 - Ambientes essenciais
Ambiente Locus Características
Primário natural Natureza
Necessidades biológicas, físico-
orgânicas – excreção, sede, 
alimentação, reprodução, segurança
Secundário 
artificial
Sociedade 
Necessidades socioculturais ou 
psicossociais – religião, educação, 
política, economia, relacionamento 
individual ligado aos sentimentos
Fonte: Elaborado pelo autor
A Tabela 1 demonstra que a cultura é composta por elementos materiais concretos 
voltados, basicamente, ao atendimento de um conjunto de necessidades de curto 
prazo; enquanto existe aquele conjunto, sobretudo de ordem psicossocial, relacio-
nado às necessidades orientadoras do comportamento, apreendidas desde os pri-
meiros anos de existência e que acompanham o indivíduo ao longo de sua vida.
A cultura real revela efetivamente as condições concretas e imediatas de existên-
cia, comportando aspectos positivos e negativos e, essencialmente, resultantes dos 
modos como os homens produzem e se relacionam em sociedade.
26
Em Síntese
Enquanto a cultura ideal representa um parâmetro que orienta as condutas no senti-
do de atingir condições satisfatórias de vida; entretanto, seus elementos, apenas em 
casos excepcionais, são atingidos. Depois de refletir ao longo desta unidade sobre a 
cultura, podemos concluir que:
• É universal na experiência do homem; entretanto, cada manifestação local ou 
regional da cultura é única;
• É estável e, não obstante, igualmente dinâmica, evidenciando contínua e cons-
tante mudança;
• Inclui e condiciona amplamente o curso de nossas vidas e, no entanto, rara-
mente interfere no pensamento consciente.
27
Atividades de Fixação
1 – Pensemos no homem que atende às suas necessidades de sobrevivência no 
meio ambiente, mas sem interferir no qual. A caça e a coleta, por exemplo, foram 
as atividades econômicas da maior parte do tempo de vida humana sobre a Ter-
ra – e nessas atividades o homem retirava do meio ambiente apenas aquilo que 
necessitava, sem interferir no qual (ao menos, gravemente).
Em relação à afirmação acima, assinale a alternativa INCORRETA:
a. Ocorre que Thomas Malthus identificou que havia um descompasso nessa rela-
ção – entre as formas de sobrevivência e o aumento da população.
b. Para Malthus se a população continuasse aumentando de forma crescente e ge-
ométrica, faltariam alimentos para todos.
c. Do descompasso entre população e formas de sobrevivência resulta um grave 
problema à sobrevivência humana, que depende, vitalmente, de alimento e água.
d. Publicou sua obra, intitulada “Ensaio sobre população”, em 1798, pela qual se tor-
nou conhecido por definir que a população crescia geometricamente, enquanto 
os alimentos aumentavam em uma proporção aritmética.
e. Para Malthus todo problema de falta de alimentos era fruto do capitalismo e da 
exploração do homem e de sua cultura.
2 – Indubitavelmente, viver em uma grande cidade é sinônimo, hoje, de alienação 
e dependência, pois, cada vez mais, distanciamo-nos da natureza, à qual exerce-
mos domínio como grupo, nunca como seres isolados.
Considerando a linha de raciocínio acima, leia atentamente as seguintes assertivas:
I. Assim, tendemos a nos distanciar cada vez mais das relações primordiais gera-
doras de cultura, para assumir repertórios culturais gerados, em essência, pela 
indústria de consumo de massa.
II. O distanciamento do homem em relação à natureza é responsável por uma ilusão 
de falso domínio: seu isolamento nos centros urbanos constrói uma sensação de 
segurança em relação ao meio e de pleno domínio da natureza, que exaure não 
mais para sua sobrevivência, maspara atender aos fetiches da acrítica sociedade 
de consumo de massa.
28
Atividades de Fixação
III. O homem tanto se orgulha de suas grandes obras e monumentos, de sua preten-
sa superioridade com relação ao meio em que vive, que se esquece de que, por si 
só, não é detentor de conhecimento algum que possa garantir sua sobrevivência 
se deixado sozinho, desprotegido em meio a uma densa floresta, cercado por 
animais selvagens e predadores, precisando prover-se da caça e da coleta.
É VERDADEIRO o que se afirma em:
a. I, II e III.
b. I, apenas.
c. II, apenas.
d. I e II, apenas.
e. I e III, apenas.
3 – Leia atentamente as seguintes afirmativas sobre o homem e suas relações:
I. O homem existe solto no espaço, suas interações ocorrem somente com outros 
homens. 
II. Nesse sentido, o homem alterou a si, por conseguinte, alterou suas necessidades 
e, sendo novas necessidades, a mesma forma de trabalho não poderia mais dar 
conta das quais, de modo que se tornaram necessárias novas ações transforma-
doras para atender a esse novo homem e suas novas necessidades.
III. A identidade social do homem se constrói na interação do indivíduo com o seu en-
torno, com a natureza, e como esse entorno foi modificado pelo próprio homem.
É FALSO o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. II e III, apenas.
e. I, II e III.
29
Atividades de Fixação
4 – Por isso, não apenas inexistem indivíduos sem cultura; mas inexistem sociedades 
sem cultura; da mesma forma como não existem também sociedades mais ou menos 
avançadas que outras em termos culturais, mas sim sociedades distintas entre si.
Considerando a linha de raciocínio acima, leia atentamente as seguintes assertivas:
I. Temos de pensar também que esses valores podem ser gerados pelo indivíduo 
ou grupo – e nem sempre podem coincidir. Por exemplo, segundo a moral e os 
valores do grupo, a ação que cometi é errada, ou seja, atenta contra a moral do 
grupo, portanto, sou alguém imoral para esse grupo.
II. Ocorre que, para mim, a ação que empreendi pode ser plenamente aceitável se-
gundo os meus valores, o que me permite perceber-me como alguém pleno de 
moral. Pelo fato de haver uma moral dominante e uma moral do indivíduo, é pos-
sível que existam duas ou até mais identidades sociais para o mesmo indivíduo.
III. A cultura se encerra em si e tem elementos materiais e concretos, apenas.
É FALSO o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. II, apenas.
c. III, apenas.
d. II e III, apenas.
e. I, II e III.
Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim 
deste conteúdo.
30
Material Complementar
Antropologia Cultural
Recomendamos este artigo como uma forma de complementar o tema que 
está sendo explorado. Acreditamos que a partir dessa leitura envolvente, você 
irá ampliar sua compreensão e vivenciar uma experiência enriquecedora, tra-
zendo novas nuances e perspectivas ao assunto em foco.
https://bit.ly/3Yh3AIP
Leituras
Antropologia
Sinopse: Escrito especialmente para estudantes, professores e profissionais 
das ciências humanas, este livro desvenda as facetas da Antropologia – da 
evolução do Homo sapiens aos mistérios dos rituais e da religião. Com lin-
guagem acessível, o autor analisa a importância da Antropologia para os dias 
de hoje e para o futuro, inclusive no cenário brasileiro. Mostra ainda que, mais 
que uma ciência da diversidade cultural, a Antropologia é uma forma de dar 
sentido ético ao homem.
GOMES, M. P. Antropologia. São Paulo: Contexto, 2014.
Cultura e Diversidade
Sinopse: Cultura e Diversidade – Ensino Religioso, de Rosa Lydia Teixeira Cor-
rêa, defende a inclusão do Ensino Religioso no currículo escolar das esco-
las brasileiras. Para tanto, esta obra esboça a grande variedade de tradições, 
crenças e ritos presentes em nosso país, propondo novas formas de se enca-
rar a disciplina e de se estimular pesquisas sobre a cultura nacional e as suas 
mais diferentes manifestações.
CORRÊA, R. L. T. Cultura e diversidade. Curitiba, PR: Intersaberes, 2012.
Livros
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31
Referências
CHILDE, V. G. A evolução cultural do homem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1966.
FROMM, E. Ter ou ser. São Paulo: LTC, 1987.
HOEBEL, E. A.; FROST, E. L. Antropologia cultural e social. São Paulo: Cultrix, 1976.
MALTHUS, T. R. Princípios de economia política: e considerações sobre sua aplica-
ção prática; ensaio sobre a população. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
MEIRA PENNA, J. O. de. Malthus e o princípio de população. Digesto Econômico, 
nov./dez. 1994.
MELLO, L. G. Antropologia Cultural: iniciação, teoria e temas. Petrópolis, RJ: Vozes, 
2004.
MOURA, M. M. Nascimento da Antropologia Cultural: a obra de Franz Boas. São 
Paulo: Hucitec, 2004.
PAIXÃO, A. I. da. Sociologia geral. Curitiba: InterSaberes, 2012. (e-book)
ROCHA, E. O que é etnocentrismo. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Col. Primeiros 
passos).
SANTOS, T. D. dos. Theodor Adorno: uma crítica à indústria cultural. Revista Trágica: 
estudos de filosofia da imanência – 2º quadrimestre, v. 7 – nº 2, 2014, p. 25-36.
32
Gabarito
Atividades de Fixação
Questão 1
e) Para Malthus todo problema de falta de alimentos era fruto do capitalismo e da 
exploração do homem e de sua cultura.
Justificativa: Malthus não alia a questão ao capitalismo – e sim ao aumento da po-
pulação, dado que em determinado momento faltariam alimentos a todos, segundo 
esse autor.
Questão 2
a) I, II e III.
Justificativa: Todas as afirmativas são verdadeiras, pois temos uma ilusão de falso 
domínio da natureza e tendemos a nos distanciar desta.
Questão 3
a) I, apenas.
Justificativa: São múltiplas as suas interações, seja com outros homens, seja com 
a natureza etc.
Questão 4
c) III, apenas.
Justificativa: A cultura também é imaterial.
Atividades Rápidas
Pág. 8
VERDADEIRO - VERDADEIRO - VERDADEIRO.
Justificativa: Todas as afirmativas são verdadeiras, pois o homem pensa, aprende, 
adquire experiência e ensina.
Pág. 24: 
b. Cultura

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