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Conteudista Prof. Dr. Rodrigo Medina Zagni Revisão Textual Mírian Lúcia Ferreira Revisão Técnica Prof.ª Dra. Vivian Fiori Natureza da Cultura Sumário Objetivos da Unidade ............................................................................................................3 Cultura como Componente Indissociável da Condição Humana .............................. 4 A Cultura como Ação Transformadora do Meio e do Homem ..................................13 O Homem, a Natureza e o Meio .......................................................................................20 Como a Antropologia Conceitua a Cultura ................................................................... 23 Material e Imaterial ...........................................................................................................................25 Em Síntese ............................................................................................................................ 26 Atividades de Fixação ........................................................................................................ 27 Material Complementar.....................................................................................................30 Referências ............................................................................................................................31 Gabarito ................................................................................................................................ 32 3 Objetivos da Unidade Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Tratar das características da cultura; • Definir alguns conceitos para cultura; • Evidenciar a relação homem-natureza e a cultura; • Estudar da obra de alguns autores sobre população, sociedade e cultura. 4 VOCÊ SABE RESPONDER? Como as características da cultura se relacionam com a interação entre o homem e a natureza, e como os autores estudiosos da população, sociedade e cultura contri- buem para a compreensão dessa relação? Cultura como Componente Indissociável da Condição Humana A cultura se denomina, segundo a Antropologia Cultural, como o ato voluntário humano que é consciente de sua finalidade; ou seja, trata-se da ação humana consciente de que produzirá resultados. Isso, por si só, permite-nos empreender uma série de reflexões; vamos realizá-las, então, conjuntamente, após observarmos atentamente a Figura 1: Figura 1 – Progresso: a antecipação do futuro em quatro etapas Fonte: Elaborado pelo autor #ParaTodosVerem: a imagem consiste em quatro retângulos dispostos verticalmente. Cada retângulo contém um boneco de palitinho em diferentes posições e cenários. No primeiro retângulo, o boneco está parado, e 5 logo abaixo está escrito a palavra “HOMEM”. No segundo retângulo, o boneco segura um balão de pensamen- to, representando o pensamento, e ao lado está desenhado um guarda-chuva. Abaixo, encontra-se a palavra “PENSAMENTO”. No terceiro retângulo, o boneco está em movimento, caminhando, e segura o guarda-chuva debaixo do braço. Ao lado, está escrita a palavra “AÇÃO”. No quarto retângulo, está chovendo, e o boneco abriu o guarda-chuva para se proteger da chuva. A palavra “RESULTADO” é exibida abaixo da imagem. Ao longo de toda a imagem, há a frase “ANTECIPAÇÃO DO FUTURO” escrita na parte inferior. Além disso, ao lado dos retângulos, estão presentes setas de direção vermelhas. Fim da descrição. Podemos começar reconhecendo que a capacidade de pensamento humano difere daquela encontrada em outros seres pela sua natureza consciente. O ser humano é consciente de que suas ações têm consequências, demonstrando um grau mais elevado de consciência em relação a outras formas de vida. No caso da Figura 1, por exemplo, a consciência de que poderia chover levou nosso personagem a decidir por levar consigo um guarda-chuva. Tendo chovido, o resulta- do de sua ação inicial passa a receber um valor; como o resultado foi o esperado, ou seja, evitou tomar chuva, o valor atribuído por esse ao resultado foi positivo, foi bom. Inicialmente, percebemos que em seu pensar, nosso personagem imaginou claramente a possi- bilidade de chover – problema – e imediatamente ponderou em apanhar um guarda-chuva – a solu- ção mais adequada ao problema. Ao fazer isso, deu uma espécie de “salto para o futuro” em apenas um pensamento; ou seja, não havia chovido ainda, mas foi capaz de projetar essa possibilidade de fu- turo em seu tempo presente; e mais, de mudar o seu próprio futuro. [...] uma vez que, apa- nhando o guarda-chuva, evitou a possibilidade de um futuro indesejado: molhar-se. 6 Figura 2 – Pensamento humano Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem retrata um homem grisalho vestindo uma camisa branca e uma gravata listrada. Ele está posicionado de frente para o horizonte, com uma expressão pensativa. A haste dos óculos está posicio- nada na boca do homem. Fim da descrição. O pensar humano, portanto, possibilita ao homem se projetar em futuros possíveis, orientando as ações humanas em direção ao futuro mais desejado – e, assim, evi- tando o menos desejado. Mais do que isso, se essa situação se repetir no futuro – e invariavelmente se repetirá! –, o indivíduo não precisa realizar a mesma reflexão com o mesmo grau de profundidade, uma vez que dessa situação retirou aquilo que cha- mamos de experiência; e mais, pôde partilhá-la com os outros, ensinando sobre a experiência vivida e transmitindo o conhecimento gerado para esse tipo de situação para aqueles que fazem parte de seu convívio social. No caso de nosso personagem, como vimos, evitou molhar-se e isso foi percebido por ele como algo bom. Esse valor positivo é deslocado pelo indivíduo, do resultado para a própria ação, dando-lhe, então, um significado de acordo com a qualidade do resultado, ou seja, tendo sido bom o resultado, aquela foi uma boa ação. O próprio pensar recebe, portanto, os valores e significados da ação e de seu resultado, com- pondo os sentidos do pensar. Nesse caso, o indivíduo teve bons pensamentos, que o levaram a uma boa ação, cujo resultado foi positivo. 7 Tais valores, significados e sentidos, por sua vez, passam a compor a iden- tidade do próprio indivíduo, ou seja, nesse caso, um homem esperto. No campo da valoração, identidades podem ser determinadas das formas mais diversas: o homem bom, mau, mentiroso, verdadeiro, justo, injusto etc. Identidades sociais são, portanto, determinadas por repertórios de valores, significados e sentidos. Ocorre que, quem determina o que é bom ou ruim para os resultados de uma ação? Poderíamos estar em uma sociedade na qual a chuva fosse entendida como uma dádiva dos deuses e que, portanto, não se deve evitá-la. Poderíamos estar em uma sociedade para a qual a chuva tem um valor higiênico, de modo que aqueles que fogem à chuva são entendidos como anti-higiênicos. Figura 3 – Mulheres indianas em cerimônia religiosa Fonte: RAYMER #ParaTodosVerem: a imagem retrata uma cena de uma cerimônia religiosa na Índia, onde várias mulheres india- nas estão reunidas. Elas estão vestidas com trajes tradicionais e apresentam diferentes adornos, como colares, pulseiras e bindis na testa. Algumas mulheres estão segurando flores ou objetos religiosos em suas cabeças. Fim da descrição. 8 Perceba que valores e morais – tudo aquilo que determina o certo e o errado, o bom e o ruim, até mesmo o justo e o injusto –, sejam quais forem, são relativos no tempo e no espaço, ou seja, o que é bom e ruim para mim, ou moral e imoral, pode ter sido entendido de forma completamente diferente por meus antepassados, o que prova quevalores e morais mudam conforme o tempo. Logo, tais condições variam ao longo da história e não são iguais em todas as sociedades, nem em todos os lugares. Avalie as seguintes afirmações sobre o pensamento humano e marque se são verdadeiras ou falsas. I. Possibilita ao homem projetar a si nos futuros possíveis, orientando as ações humanas em direção ao futuro mais desejado – e evitando o me- nos desejado; II. O pensamento e situações podem se repetir e, se isto ocorrer, o indiví- duo não precisa realizar a mesma reflexão com o mesmo grau de pro- fundidade, uma vez que dessa situação retirou aquilo que chamamos de experiência; III. O homem pode partilhá-la com os outros, ensinando sobre a experiência vivida e transmitindo o conhecimento gerado para esse tipo de situação para aqueles que fazem parte de seu convívio social. O que é certo e errado para mim, muda também em relação a indivíduos que vivem em outra parte do mundo, em outra cultura. Para várias sociedades ociden- tais, por exemplo, é natural ingerir carne bovina, inclusive de vaca; enquanto na Índia esse animal é considerado sagrado; provando que valores e morais também estão em transformação no espaço. Enfim, morais e valores estão em movimento no tempo e no espaço. Reflita Mas o que isso tem a ver com cultura? Tudo! Isso porque moral, valores, sentidos, significados e identidades compõem aquilo que chamamos de sistema cultural. Como todos os itens acima são relativos no tempo e no espaço, não se pode dizer que haja uma só cultura; mas complexos de distintos sistemas culturais. 9 Se todos esses itens são relativos, portanto, todas as culturas também são relativas, ou seja, não há culturas superiores ou inferiores; mas sim diferentes. Mais do que isso, se esse pensar é inerente ao humano e a consciência é um potencial de todos os indivíduos – o que ativa todas as relações que identificamos e qualificamos acima –, logo, não existe indivíduo sem cultura, todos possuem uma cultura: a sua cultura. Ocorre que a cultura não se localiza, como sistema, apenas no âmbito do indivíduo: assume uma dimensão coletiva. Isso porque os valores e morais que mencionamos aqui também são partilhados entre indivíduos, no âmbito de suas sociedades ou segmentos sociais; portanto, a cultura constitui-se em uma dimensão sempre co- letiva, dado que todos os demais itens também são partilhados: valores, morais, sentidos, significados e identidades sociais. Por isso, não apenas inexistem indivíduos sem cultura; mas inexistem sociedades sem cul- tura; da mesma forma como não existem também socie- dades mais ou menos avan- çadas que outras em termos culturais, mas sim sociedades distintas entre si. Temos de pensar também que esses va- lores podem ser gerados pelo indivíduo ou grupo – e nem sempre podem coincidir. Por exemplo, segundo a moral e os valores do grupo, a ação que cometi é errada, ou seja, atenta contra a moral do grupo, portanto, sou alguém imoral para esse grupo. Ocorre que, para mim, a ação que empreendi pode ser plenamente aceitável segun- do os meus valores, o que me permite perceber-me como alguém pleno de moral. Pelo fato de haver uma moral dominante e uma moral do indivíduo, é possível que existam duas ou até mais identidades sociais para o mesmo indivíduo. Ou seja, para o grupo sou alguém imoral; para mim mesmo, sou um indivíduo moral. As identidades são, então, não somente autoatribuídas; mas também construídas social e externamente ao indivíduo, podendo, então, nesses casos, haver conflitos de identidade para o mesmo sujeito. Assim, todos têm cultura – dado que basta en- tão ser humano para ser portador de sistemas culturais – e não existem sociedades menos ou mais evoluídas, em termos culturais, que outras. 10 Figura 4 – Interação homem e animal Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem retrata um homem mais velho em uma praia rochosa, onde ele está interagindo com uma foca. O homem está vestindo shorts jeans, uma blusa branca e uma mochila preta com detalhes azuis. Ele está usando sandálias nos pés. O homem está em pé sobre uma pedra. Ambos parecem estar em um mo- mento de conexão e curiosidade mútua. Fim da descrição. Após essa breve análise, podemos então compreender que a condição existencial humana é cultural. Isso porque o homem atribui sentidos às suas ações, constrói símbolos, acumula experiência e a transmite por meio da linguagem – oralidade, ico- nografia e escrita. A atribuição de significados às ações coloca as experiências em movimento, podendo ser partilhadas e compor um repertório cultural coletivo. Já a situação existencial animal está condicionada ao mundo dos fenômenos; obedece a uma programação biológica, instintiva, na qual a experiência se esgota em si. Saiba Mais Que iconografia se refere ao conjunto de imagens, tais como gravuras, fotografias, desenhos, esculturas, brasões, quadros, pinturas, entre outros? Existe um ramo da iconografia, denomi- nado religioso, que se refere às diversas imagens, figuras, escul- turas com teor religioso. 11 A transmissão da experiência humana se dá por meio de uma linguagem em constru- ção e de sistemas culturais em movimento de perene transformação. A linguagem permite ao homem acumular a experiência, bem como sua inteligência abstrata lhe permite elaborar símbolos. Já os animais obedecem a reflexos condicionados, nos quais há aprendizado, mas por meio de uma inteligência concreta, que lhes permite tão somente programar índices. A linguagem, como instrumento maior de cumulação e difusão de experiências e tro- cas culturais inerentes ao ser humano. Ela nos permite identificar, também, sintomas de desumanização, no enfraquecimento da possibilidade de expressão, que revela graus decrescentes de consciência sobre os resultados das ações humanas, confor- mando identidades sociais vazias de sentidos, significados e de repertórios morais. Figura 5 – Erich Fromm Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: A imagem retrata o Erich Fromm, um homem idoso com óculos, segurando uma caneta na mão. Erich Fromm está vestindo uma roupa formal, com uma camisa e um terno. Fim da descrição. Trata-se de um sintoma de desumanização, produzido pela sociedade de consumo de massa, aquela em que o psicólogo alemão Erich Fromm (1987) identificou, no livro “Ter ou ser”, como os valores do consumo determinando as identidades sociais. 12 O capitalismo ocidental teria falhado em criar valores morais, aprofundando proces- sos de desumanização que levam a constituições culturais mais de aparência do que de essência, na vigência dos valores acríticos das sociedades de consumo de massa e do espetáculo, onde se é aquilo que se tem – que nos leva à frase citada comu- mente pela população: “O que importa é o que temos, e não o que somos”. Ter ou Ser? Erich Fromm Sinopse: Este livro resenha e culmina a vasta obra anterior de Fromm. Polêmico, sem dúvida, como toda posição radical, mas, sobretudo, pela sua interpretação pessoal do dogma cristão e do marxismo, aos quais despoja do caráter revolucio- nário e da doutrina social para convertê- -los em metas do indivíduo. Para atingir essas metas, Fromm propõe um progra- ma de oito pontos no qual postula um crescimento limitado e seletivo, apenas para evitar o colapso econômico e como garantia das satisfações psíquicas e afe- tivas. Evidentemente, como premissa ter-se-ia que frear a produção industrial tendente a um “fascismo tecnológico com a face sorridente”, banimento da “economia de mercado” e restabelecer as possibilidades de iniciativa individu- al na vida, “e não nos negócios”. Ele é o primeiro a reconhecer as dificuldades do seu plano, “em vista do poder das empresas” e da “apatia e fragilidade de grandes segmentos da população”, mas confia em que pode generalizar-se o descontentamento com o sistema social vigente e que, mediante reconversão da Igreja Católica e humanização do socia- lismo, poderá surgir a “Cidade do Ser”. 13 A Cultura como Ação Transformadorado Meio e do Homem Outra forma de se compreender a constituição cultural das sociedades é a partir de sua função transformadora do meio ambiente, do meio social e do próprio homem. Para isso, mais uma vez, analisaremos e refletiremos sobre o seguinte esquema (Figura 6): Figura 6 – Ação do homem Fonte: Adaptado de Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem apresenta uma representação simbólica sobre as necessidades humanas, o meio ambiente e o desenvolvimento. Na parte superior, há a sombra de um homem, com a palavra “HOMEM” escrita sobre ele, e logo abaixo, a palavra “NECESSIDADES”. Uma seta vermelha aponta para a direita, indicando “SOLU- ÇÃO = AÇÃO TRANSFORMADORA”. Em seguida, há outra seta vermelha que aponta para uma imagem de um globo terrestre com rios e vegetação. Sobre essa imagem, está escrito “MEIO AMBIENTE”, e abaixo, a expressão “OFERTA NATURAL”. No centro, há um círculo vermelho que destaca a palavra “DESCOMPASSO”. Uma seta vermelha sai dessa palavra e leva para a expressão “PROBLEMA = SOBREVIVÊNCIA”, destacando a relação entre o descompasso e as dificuldades de sobrevivência. Outra seta vermelha parte do “DESCOMPASSO” e leva à frase “DESENVOLVIMENTO NECESSÁRIO: MEIOS MATERIAIS + TÉCNICAS”, destacando a necessidade de desen- volvimento e a importância dos recursos materiais e técnicas para alcançá-lo. Fim da descrição. 14 Já nos dissera Herbert Spencer que o homem não é tal qual aquele das pinturas chinesas, ou seja, solto no espaço, como se estivesse caindo do nada: o homem existe no meio geográfico. Mais do que isso, retira desse meio o necessário à sua sobrevivência. Pensemos, então, a dimensão cultural humana a partir das relações entre homem e meio ambiente. Verifiquemos no esquema (Figura 6) que o homem, que é dotado de necessidades materiais, literalmente obedecendo às programações biológicas – comer, evacuar, beber, dormir, procriar etc. –, realiza-as essencialmente no meio ambiente. Ocorre que Thomas Malthus identificou que havia um descompasso nessa relação. Para esse pensador, se a população continuasse aumentando de forma crescente e geométrica, faltariam alimentos para todos. Tal discurso, dos séculos XVIII e XIX, remete à crescente preocupação dos mais ricos com o crescimento populacional dos mais pobres. Desse descompasso resulta um grave problema à sobrevivência humana, que depende, vitalmente, de alimento e água. Pensemos no homem que atende às suas necessidades de sobrevivência no meio ambiente, mas sem interferir no qual. A caça e a coleta, por exemplo, foram as atividades econômicas da maior parte do tempo de vida humana sobre a Terra – e nessas atividades o homem retirava do meio ambiente ape- nas aquilo que necessitava, sem interferir no qual (ao menos, gravemente). 15 Figura 7 – Herbert Spencer Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco retrata Herbert Spencer, um homem de aparência distinta. Ele veste um elegante terno com uma gravata borboleta. Sua expressão é séria e confiante, transmitindo uma sensação de intelectualidade e autoridade. Fim da descrição. A primeira forma encontrada pelo homem para empreender essa ação transforma- dora do meio foi a agricultura. Aliando um bastão de madeira, extraído da natureza, conjugando-o a uma lasca de pedra polida com o uso de uma amarra, feita com tripas secas de um animal abatido, o homem desenvolveu a enxada. Com o uso ade- quado desse instrumento, passou a arar a terra e prepará-la para o plantio de se- mentes que, por meio da observação, percebeu que poderiam germinar e dar frutos. Irrigando periodicamente o terreno plantado, foi possível obter mais alimentos e solucionar o problema do descompasso identificado por Malthus, possibilitando a própria sobrevivência. Para que isso ocorresse, foi preciso o desenvolvimento de materiais e técnicas: o incremento dos materiais necessários à atividade do plantio, bem como das téc- nicas adequadas à sua utilização. Os materiais constituem, segundo o filósofo ale- mão Karl Marx e Engels (1997), os meios de produção da vida social, junto do mais importante meio: a terra; as formas ou as técnicas para utilizá-los consistem na tecnologia desenvolvida, ambos para o trabalho. Segundo a definição marxista, o trabalho é a ação transformadora do meio ambiente que tem a finalidade de garan- tir a sobrevivência humana. 16 Figura 8 – Karl Marx Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco retrata Karl Marx, uma figura icônica na história do pensamento político e econômico. Ele é representado com uma expressão séria e intensa, com uma longa barba e cabelos desgrenhados. Vestindo roupas características da época, como um terno e uma gravata, Marx transmite uma imagem de intelectualidade e compromisso. Fim da descrição. Contudo, todas essas relações acabam determinando outro aspecto da vida social: a cultura. O desenvolvimento da agricultura, que aqui mencionamos, implica em um desenvolvimento cultural, nesse caso, da “cultura da enxada”. Não é por acaso que o termo “cultura” foi utilizado pela primeira vez para se referir a atividades econômicas na lavoura, isso porque, ainda segundo Marx, por meio do trabalho, o homem altera não apenas o meio ambiente, mas a si. E como isso ocorre? 17 Figura 9 – Escravos em plantação de algodão (Ilustração) Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a ilustração intitulada “Escravos em plantação de algodão” retrata um momento histórico marcado pela escravidão. Na imagem, podemos ver um grupo de pessoas negras trabalhando arduamente em uma plantação de algodão. Fim da descrição. Não dissemos, citando Spencer, que o homem não existe solto no espaço, que exis- te no meio geográfico? Assim, sua identidade social se constrói na interação do indivíduo com o seu entorno, com a natureza, e como esse entorno foi modificado pelo próprio homem. Nesse sentido, o homem alterou a si, por conseguinte, alterou suas necessidades e, sendo novas necessidades, a mesma forma de trabalho não poderia mais dar conta das quais, de modo que se tornaram necessárias novas ações transformadoras para atender a esse novo homem e suas novas necessidades. Por sua vez, o meio foi alterado novamente, criando um novo homem, portador de inéditas necessidades, formas de trabalho e, essencialmente, sistemas culturais. É por isso que não existem sociedades estacionadas, todas estão fadadas à transfor- mação. Mas isso dito, parece que estamos, então, contradizendo Malthus – citado no início da análise do quadro em questão. Isso porque, tendo alterado o meio am- biente, o homem teria resolvido o descompasso entre suas necessidades e aquilo que o meio ambiente poderia lhe oferecer, isso porque suas necessidades não mais seriam maiores em relação ao que o meio poderia, transformado, fornecer. Assim, por que, então, as sociedades mudam, se o problema do descompasso teria deixado de existir? 18 Mudam e mudarão constantemente, isso porque Malthus demonstrou que o des- compasso mencionado nunca deixaria de existir. Para defender essa tese, Malthus demonstrou que os homens crescem em progressão geométrica – multiplicando-se entre si –, enquanto os meios de subsistência cresceriam em progressão aritmética – por somatória, não por multiplicação. Desse modo, um novo meio – alterado pela ação humana – traria novos problemas à existência também humana, demandando sempre novos tipos de soluções e novas ações transformadoras, de modo que no- vos sistemas culturais vão se formando daí. Cabe uma pergunta: faltam alimentos ou estes são mal distribuídos? É preciso relativizar o discurso de Malthus, conside- rando de onde veio e da época na qual viveu. Saiba Mais Thomas Robert Malthus nasceu na Inglaterra, em 1766, filho de uma família abastada e proprietária de terras. É considerado um economista e estudioso de demografia, bem como foi pastor da igreja anglicana. Publicou sua obra, intitulada Ensaio sobre po- pulação, em 1798, pela qual se tornou conhecidopor definir que a população crescia geometricamente, enquanto os alimentos aumentavam em uma proporção aritmética, o que levaria à es- cassez dos recursos. Os adeptos de suas teorias ficaram conhe- cidos como teóricos do malthusianismo. Por que sistemas culturais teriam, então, segundo a visão marxista, uma determina- ção decorrente das relações de produção? Ora, para Marx a infraestrutura econô- mica das sociedades, ou seja, sua base econômica, determinaria a superestrutura política e ideológica, sendo a cultura a somatória dessas relações, pois se inscreveria no modus vivendi das sociedades. Importante Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), ambos ingleses, produziram juntos algumas obras, entre as quais, O capital e o Manifesto do Partido Comunista. Suas teorias sobre a sociedade e economia política influenciaram várias áreas do conhecimento, evidenciando a luta de classes entre a burguesia e o proletariado, a relação entre capital e trabalho, bem como a exploração do trabalhador. Conceitos como mais-valia, valor de uso e de troca, mercadoria, produção e circulação, divisão social do trabalho, entre outros, são usados por esses teóricos, cujo conjunto e pensamento ficaram conhecidos como marxismo. 19 A infraestrutura seria o modo de produção da vida social, ou como aquela sociedade produz o suficiente à existência material, constituindo também sentidos, significa- dos, valores, morais e identidades que mencionamos no início deste Material teórico. O modo de produção da vida social seria determinado pelo modo de produção de bens de consumo, este composto, por sua vez, pelos meios de produção – instru- mentos, terra (incluindo seu regime de propriedade) etc. –, força de trabalho – se assalariada, escrava, servil, voluntária etc. –, tecnologia – forma com que a força de trabalho opera os meios de produção –, determinando os aspectos políticos, ideoló- gicos e culturais dessa sociedade. Nessa perspectiva, o trabalho é a ação transformadora humana do meio am- biente, geradora de cultura – que tam- bém pode ser de nida como trabalho –, ato exclusivamente humano por ser consciente de sua finalidade, no que é, portanto, intencional. É preciso estar claro que, por meio do trabalho, o ho- mem transforma o mundo e a si, por- que ao alterar o meio, o homem altera o próprio homem. É necessário ficar claro que, transformando o meio e a si, o homem redefine suas dinâmicas culturais, rede unindo valores, senti- dos, significados e identidades. A ação transformadora humana na natureza passa a ser mediada pelos símbolos criados pelo homem, que dão sentido às suas ações. Desta forma, a cultura pode também ser definida como o conjunto desses símbolos, os quais relativos no tempo e espaço, com múltiplas manifestações. Com isso, o homem, colocando em movi- mento o meio, a cultura e, desta forma, a si, é o único ser histórico consciente de sua condição e, portanto, produtor de sua própria história. 20 O Homem, a Natureza e o Meio Indubitavelmente, viver em uma grande cidade é sinônimo, hoje, de alienação e de- pendência, pois, cada vez mais, distanciamo-nos da natureza, à qual exercemos do- mínio como grupo, nunca como seres isolados. Figura 11 – Theodor W. Adorno e Max Horkheimer Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco intitulada “Theodor W. Adorno e Max Horkheimer” retrata os renomados filósofos alemães unindo suas mãos em um gesto de união e colaboração. Ambos estão vestidos de forma elegante e séria. Na parte de trás da imagem é possível notar mais quatro homens. Fim da descrição. Assim, tendemos a nos distanciar cada vez mais das relações primordiais gerado- ras de cultura, para assumir repertórios culturais gerados, em essência, pela indús- tria de consumo de massa, conforme identificaram autores da chamada Escola de Frankfurt, primordialmente Theodor Adorno, no conceito de indústria cultural, publicado em 1947 no livro Dialética do iluminismo, que escreveu junto de Max Horkheimer (SANTOS, 2014; PAIXÃO, 2012). O domínio que o homem exerce sobre a natureza nos processos de ocupação do es- paço, tecnologias, complexas estruturas econômicas e formas de produção, advém de conhecimentos que indivíduos distintos e tomados isoladamente desenvolveram ou, por sua vez, adquiriram de outros que os precederam, aos quais, de forma cumu- lativa, foram inseridos novos conhecimentos, culminando em tecnologias avança- dasque podem ser utilizadas por todos, mas dificilmente reconstituídas desde a fase embrionária de seu processo de concepção. 21 O homem tanto se orgulha de suas grandes obras e monumentos, de sua pretensa superioridade com relação ao meio em que vive, que se esquece de que, por si só, não é detentor de conhecimento algum que possa garantir sua sobrevivência se deixado sozinho, desprotegido em meio a uma densa floresta, cercado por animais selvagens e predadores, precisando prover-se da caça e da coleta como fizeram nossos antepassados que, por sua vez, já contavam com formas de transmissão de conhecimento, como a oralidade, para construção do saber cumulativo. O distanciamento do homem em relação à natureza é responsável por uma ilusão de falso domínio: seu isolamento nos centros urbanos constrói uma sensação de segurança em relação ao meio e de pleno domínio da natureza, que exaure não mais para sua sobrevivência, mas para atender aos fetiches da acrítica sociedade de con- sumo de massa. É perfeitamente possível discordar dessas premissas, pensando o homem como a “obra-prima” do reino animal, o topo da escala evolutiva e que tudo no passado foi “pior” e “primitivo” na perspectiva das “realizações” de uma enganosa condição de pós-modernidade. Na Prática Imaginemo-nos seguros em nossas casas ou apartamentos, rodeados de eletroeletrônicos e parafernálias que garantem a nossa sobrevivência, trabalho, entretenimento, alimento e até nos convencem a não viver a aventura de ser humano, de ousar, de ser errante, fazendo-nos viver as aventuras de riscos alheios, nas jornadas domingueiras dos programas televisivos, nas com- petições desportivas, em tudo que está fora de nós, na televi- são. Imaginemos agora se uma voz advinda do além ordenasse: “Acabai a energia elétrica!” E assim se fizesse? Seríamos capa- zes de reinventá-la isoladamente, como aprendemos a viver nos grandes centros, sem construir relações sociais profundas e duradouras e detentores de parcial e limitado conhecimento? Vejamos, então, que nosso conhecimento funciona apenas de forma cumulativa, portanto, a humanidade funciona enquanto grupo – nunca isoladamente. 22 Percebamos o quanto é antinatural o atual ciclo sistêmico do capitalismo, construtor do que o historiador inglês Eric Hobsbawm chamou de individualismo associal ab- soluto, responsável pelo surgimento de indivíduos egocentrados, dissociados de sua condição de classe e que competem na espiral de produção e consumo apenas por si. Figura 12 – Eric Hobsbawm Fonte: Boitempo #ParaTodosVerem: a imagem em preto e branco intitulada “Eric Hobsbawm” retrata o renomado historiador britânico em uma pose serena e contemplativa. Hobsbawm está vestido de maneira formal, com um olhar pro- fundo e expressão séria. Fim da descrição. Percebamos ainda que o contato com a natureza, exercido nos campos e vilarejos, continua sendo a melhor forma de proporcionar integração entre seus indivíduos e de aproximar estes da natureza, à qual devemos nos integrar – e não dominar (mas, já nem mesmo no campo essa é uma realidade). Saiba Mais No Brasil, sob a égide dos Planos de Desenvolvimento Nacional (PND) dos governos militares (1964-1985), os pequenos pro- dutores rurais tiveram suas propriedades para cultivo de sub- sistência engolidas pelos latifúndios agroexportadores e seus modus-vivendi, tais propriedades foram trocadas pela lógica da mecanização das lavouras, que reduziu os indivíduos ali atuan- tes à condição de boias-frias, obrigando-os a engrossar as leiras de miseráveisnos grandes centros, excedentes populacionais não incorporados à industrialização. 23 Esse processo foi brilhantemente mapeado pelo renomado antropólogo brasileiro, Antônio Cândido, em sua tese de Doutoramento, intitulada Parceiros do Rio Bonito, na qual estudou as mudanças culturais da “cultura rústica”, a “cultura do caipira”, em relação às transformações que estavam em curso e que acabaram por reduzi-lo à condição de boia-fria, como dito. Devemos rever o conceito de relação do homem para com o meio ambiente, que haja integração – e não domínio. Implica em perceber que o Planeta é um sistema fechado e que o consumo desenfreado – que é o combustível de um capitalismo aprofundado sobre si e sob a fachada de socialmente responsável – é a causa da quase inviabilidade da existência humana sobre a Terra, em uma perspectiva de muito pouco tempo. Como a Antropologia Conceitua a Cultura Para a Antropologia, Ciência que estuda o homem e suas obras, em sua área es- pecífica de estudos culturais – a Antropologia Cultural –, a cultura se define como um processo de aprendizagem. Trata-se de um comportamento apreendido, o que se defronta com seu contrário: a personalidade, que se pensa como algo já dado. Trata-se de um conjunto de coisas – materiais, de existência concreta – e de ideias – imateriais, espirituais, de existência abstrata. Antropologia Social e Cultural CHICARINO, T. Antropologia social e cultural. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014. Sinopse: O livro apresenta a antropolo- gia como ciência, discutindo questões contemporâneas por meio de teorias clássicas e conceitos, como a nature- za e as especificidades dos fenômenos antropológicos e suas relações com os fenômenos sociais. 24 É o sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, os quais são característicos dos membros de uma sociedade e não o resultado de herança biológica. Não é geneticamente pré-determinada; é não instintiva. É o resultado da invenção social que é transmitida e apreendida somente através da comunicação e da aprendizagem (HOEBEL; FROST, 1976, p. 4). Trata-se da: a. Raça. b. Cultura. c. Antropologia. d. Humanidade. e. Dialética. Segundo o que vimos até aqui, conseguimos entender que coisas se refiram aos ma- teriais fabricados pelo homem para atender às suas necessidades de sobrevivência, isso porque já sabemos que o homem é portador de necessidades biológicas. Mas, e as ideias? A qual tipo de necessidades se referem? Ora, o homem não é portador apenas de necessidades biológicas, as assim chama- das necessidades do corpo ou da matéria. Isso porque o homem é feito também de uma outra substância, de essência imaterial e abstrata, que não podemos tocar fisi- camente, medir ou pesar: nossa alma; exatamente aquilo que preenche o corpo ma- terial, dando-nos caráter, personalidade, sentimentos e emoções. Trata-se daquilo que nos torna únicos! Essa nossa dimensão imaterial possui também necessidades, assim como a dimensão material, mas de outra natureza: amar, ser amado(a), ter amigos, ser solidário(a), ser feliz etc. Glossário Cultura: é o sistema integrado de padrões de comportamento aprendidos, os quais são característicos dos membros de uma sociedade e não o resultado de herança biológica. A cultura não é geneticamente pré-determinada; é não instintiva. É o re- sultado da invenção social que é transmitida e apreendida so- mente através da comunicação e da aprendizagem (HOEBEL; FROST, 1976, p. 4). 25 Se a dimensão da existência humana gravita entre material e imaterial, a cultura, produto da ação humana, constitui-se também nessa dupla dimensão. Temos então a cultura material – concreta, do universo das coisas – e a imaterial – espiritual, do universo das ideias. Material e Imaterial Por elementos materiais entendemos, por exemplo, a existência de uma igreja, um templo, uma sinagoga, de um terreiro de umbanda, de um grafite em um muro, de um monumento, de um teatro, entre tantas outras manifestações que podem ser observadas nas paisagens e que são materiais e frutos da cultura. Contudo, há também a música, as formas de se expressar, os idiomas e sotaques, a memória, as crenças, as lendas, os discursos etc., que são formas e representações imateriais da cultura. Para entendermos melhor essa distinção, pensemos em dois ambientes essenciais onde se desenvolve a vida em sociedade: Quadro 1 - Ambientes essenciais Ambiente Locus Características Primário natural Natureza Necessidades biológicas, físico- orgânicas – excreção, sede, alimentação, reprodução, segurança Secundário artificial Sociedade Necessidades socioculturais ou psicossociais – religião, educação, política, economia, relacionamento individual ligado aos sentimentos Fonte: Elaborado pelo autor A Tabela 1 demonstra que a cultura é composta por elementos materiais concretos voltados, basicamente, ao atendimento de um conjunto de necessidades de curto prazo; enquanto existe aquele conjunto, sobretudo de ordem psicossocial, relacio- nado às necessidades orientadoras do comportamento, apreendidas desde os pri- meiros anos de existência e que acompanham o indivíduo ao longo de sua vida. A cultura real revela efetivamente as condições concretas e imediatas de existên- cia, comportando aspectos positivos e negativos e, essencialmente, resultantes dos modos como os homens produzem e se relacionam em sociedade. 26 Em Síntese Enquanto a cultura ideal representa um parâmetro que orienta as condutas no senti- do de atingir condições satisfatórias de vida; entretanto, seus elementos, apenas em casos excepcionais, são atingidos. Depois de refletir ao longo desta unidade sobre a cultura, podemos concluir que: • É universal na experiência do homem; entretanto, cada manifestação local ou regional da cultura é única; • É estável e, não obstante, igualmente dinâmica, evidenciando contínua e cons- tante mudança; • Inclui e condiciona amplamente o curso de nossas vidas e, no entanto, rara- mente interfere no pensamento consciente. 27 Atividades de Fixação 1 – Pensemos no homem que atende às suas necessidades de sobrevivência no meio ambiente, mas sem interferir no qual. A caça e a coleta, por exemplo, foram as atividades econômicas da maior parte do tempo de vida humana sobre a Ter- ra – e nessas atividades o homem retirava do meio ambiente apenas aquilo que necessitava, sem interferir no qual (ao menos, gravemente). Em relação à afirmação acima, assinale a alternativa INCORRETA: a. Ocorre que Thomas Malthus identificou que havia um descompasso nessa rela- ção – entre as formas de sobrevivência e o aumento da população. b. Para Malthus se a população continuasse aumentando de forma crescente e ge- ométrica, faltariam alimentos para todos. c. Do descompasso entre população e formas de sobrevivência resulta um grave problema à sobrevivência humana, que depende, vitalmente, de alimento e água. d. Publicou sua obra, intitulada “Ensaio sobre população”, em 1798, pela qual se tor- nou conhecido por definir que a população crescia geometricamente, enquanto os alimentos aumentavam em uma proporção aritmética. e. Para Malthus todo problema de falta de alimentos era fruto do capitalismo e da exploração do homem e de sua cultura. 2 – Indubitavelmente, viver em uma grande cidade é sinônimo, hoje, de alienação e dependência, pois, cada vez mais, distanciamo-nos da natureza, à qual exerce- mos domínio como grupo, nunca como seres isolados. Considerando a linha de raciocínio acima, leia atentamente as seguintes assertivas: I. Assim, tendemos a nos distanciar cada vez mais das relações primordiais gera- doras de cultura, para assumir repertórios culturais gerados, em essência, pela indústria de consumo de massa. II. O distanciamento do homem em relação à natureza é responsável por uma ilusão de falso domínio: seu isolamento nos centros urbanos constrói uma sensação de segurança em relação ao meio e de pleno domínio da natureza, que exaure não mais para sua sobrevivência, maspara atender aos fetiches da acrítica sociedade de consumo de massa. 28 Atividades de Fixação III. O homem tanto se orgulha de suas grandes obras e monumentos, de sua preten- sa superioridade com relação ao meio em que vive, que se esquece de que, por si só, não é detentor de conhecimento algum que possa garantir sua sobrevivência se deixado sozinho, desprotegido em meio a uma densa floresta, cercado por animais selvagens e predadores, precisando prover-se da caça e da coleta. É VERDADEIRO o que se afirma em: a. I, II e III. b. I, apenas. c. II, apenas. d. I e II, apenas. e. I e III, apenas. 3 – Leia atentamente as seguintes afirmativas sobre o homem e suas relações: I. O homem existe solto no espaço, suas interações ocorrem somente com outros homens. II. Nesse sentido, o homem alterou a si, por conseguinte, alterou suas necessidades e, sendo novas necessidades, a mesma forma de trabalho não poderia mais dar conta das quais, de modo que se tornaram necessárias novas ações transforma- doras para atender a esse novo homem e suas novas necessidades. III. A identidade social do homem se constrói na interação do indivíduo com o seu en- torno, com a natureza, e como esse entorno foi modificado pelo próprio homem. É FALSO o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. 29 Atividades de Fixação 4 – Por isso, não apenas inexistem indivíduos sem cultura; mas inexistem sociedades sem cultura; da mesma forma como não existem também sociedades mais ou menos avançadas que outras em termos culturais, mas sim sociedades distintas entre si. Considerando a linha de raciocínio acima, leia atentamente as seguintes assertivas: I. Temos de pensar também que esses valores podem ser gerados pelo indivíduo ou grupo – e nem sempre podem coincidir. Por exemplo, segundo a moral e os valores do grupo, a ação que cometi é errada, ou seja, atenta contra a moral do grupo, portanto, sou alguém imoral para esse grupo. II. Ocorre que, para mim, a ação que empreendi pode ser plenamente aceitável se- gundo os meus valores, o que me permite perceber-me como alguém pleno de moral. Pelo fato de haver uma moral dominante e uma moral do indivíduo, é pos- sível que existam duas ou até mais identidades sociais para o mesmo indivíduo. III. A cultura se encerra em si e tem elementos materiais e concretos, apenas. É FALSO o que se afirma em: a. I, apenas. b. II, apenas. c. III, apenas. d. II e III, apenas. e. I, II e III. Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 30 Material Complementar Antropologia Cultural Recomendamos este artigo como uma forma de complementar o tema que está sendo explorado. Acreditamos que a partir dessa leitura envolvente, você irá ampliar sua compreensão e vivenciar uma experiência enriquecedora, tra- zendo novas nuances e perspectivas ao assunto em foco. https://bit.ly/3Yh3AIP Leituras Antropologia Sinopse: Escrito especialmente para estudantes, professores e profissionais das ciências humanas, este livro desvenda as facetas da Antropologia – da evolução do Homo sapiens aos mistérios dos rituais e da religião. Com lin- guagem acessível, o autor analisa a importância da Antropologia para os dias de hoje e para o futuro, inclusive no cenário brasileiro. Mostra ainda que, mais que uma ciência da diversidade cultural, a Antropologia é uma forma de dar sentido ético ao homem. GOMES, M. P. Antropologia. São Paulo: Contexto, 2014. Cultura e Diversidade Sinopse: Cultura e Diversidade – Ensino Religioso, de Rosa Lydia Teixeira Cor- rêa, defende a inclusão do Ensino Religioso no currículo escolar das esco- las brasileiras. Para tanto, esta obra esboça a grande variedade de tradições, crenças e ritos presentes em nosso país, propondo novas formas de se enca- rar a disciplina e de se estimular pesquisas sobre a cultura nacional e as suas mais diferentes manifestações. CORRÊA, R. L. T. Cultura e diversidade. Curitiba, PR: Intersaberes, 2012. Livros https://bit.ly/3Yh3AIP 31 Referências CHILDE, V. G. A evolução cultural do homem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1966. FROMM, E. Ter ou ser. São Paulo: LTC, 1987. HOEBEL, E. A.; FROST, E. L. Antropologia cultural e social. São Paulo: Cultrix, 1976. MALTHUS, T. R. Princípios de economia política: e considerações sobre sua aplica- ção prática; ensaio sobre a população. São Paulo: Abril Cultural, 1983. MARX, K.; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. MEIRA PENNA, J. O. de. Malthus e o princípio de população. Digesto Econômico, nov./dez. 1994. MELLO, L. G. Antropologia Cultural: iniciação, teoria e temas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. MOURA, M. M. Nascimento da Antropologia Cultural: a obra de Franz Boas. São Paulo: Hucitec, 2004. PAIXÃO, A. I. da. Sociologia geral. Curitiba: InterSaberes, 2012. (e-book) ROCHA, E. O que é etnocentrismo. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Col. Primeiros passos). SANTOS, T. D. dos. Theodor Adorno: uma crítica à indústria cultural. Revista Trágica: estudos de filosofia da imanência – 2º quadrimestre, v. 7 – nº 2, 2014, p. 25-36. 32 Gabarito Atividades de Fixação Questão 1 e) Para Malthus todo problema de falta de alimentos era fruto do capitalismo e da exploração do homem e de sua cultura. Justificativa: Malthus não alia a questão ao capitalismo – e sim ao aumento da po- pulação, dado que em determinado momento faltariam alimentos a todos, segundo esse autor. Questão 2 a) I, II e III. Justificativa: Todas as afirmativas são verdadeiras, pois temos uma ilusão de falso domínio da natureza e tendemos a nos distanciar desta. Questão 3 a) I, apenas. Justificativa: São múltiplas as suas interações, seja com outros homens, seja com a natureza etc. Questão 4 c) III, apenas. Justificativa: A cultura também é imaterial. Atividades Rápidas Pág. 8 VERDADEIRO - VERDADEIRO - VERDADEIRO. Justificativa: Todas as afirmativas são verdadeiras, pois o homem pensa, aprende, adquire experiência e ensina. Pág. 24: b. Cultura