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Ciência da Informação e Biblioteconomia

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CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECONOMIA 
NOVOS CONTEÚDOS E ESPAÇOS DE ATUAÇÃO 
 
Marlene de Oliveira 
Coordenadora 
 
Beatriz Valadares Cendón 
Eliany Alvarenga Araújo 
Francisca Rosalina Leite Mota 
Guilherme Atayde Dias 
Maria Eugênia Albino Andrade 
 
Belo Horizonte 
Editora UFMG 
2005 
Universidade Federal de Minas Gerais 
Reitora: Ana Lucia Almeida Gazzola 
Vice-Reitor: Marcos Borato Viana 
 
Pró-Reitoria de Graduação 
Pró-Reitora: Cristina H. R. Rocha Augustin 
Pró-Reitora Adjunta: Márcia Maria F. Pinto 
Av. Antônio Carlos, 6627 Reitoria 6° andar 
Campus Pampulha CEP31270-901 BH/MG 
Tel: (31) 3499-4054 / Fax: (31) 3499-4060 
E-mail: info@prograd.ufmg.br 
 
Editora UFMG 
Diretor: Wander Melo Miranda 
Vice-Diretora: Heloisa Maria M. Starling 
Av. Antônio Carlos, 6627 – Ala Direita da 
Biblioteca Central – térreo 
Campus Pampulha – CEP 31270-901 – 
Belo Horizonte / MG 
Tel: (31) 3499-4650 / Fax: (31) 3499-4768 
E-mail: editora@ufmg.br 
URL: http://www.editora.ufmg.br 
 
Conselho Editorial 
Wander Melo Miranda (presidente) 
Carlos Antônio Leite Brandão 
Heloisa Maria Murgel Starling 
José Francisco Soares 
Juarez Rocha Guimarães 
Maria das Graças Santa Bárbara 
Maria Helena Damasceno e Silva Megale 
Paulo Sérgio Lacerda Beirão 
 
Projeto gráfico: Paulo Schmidt 
Montagem de capa e Formatação: Giane 
Mendes Figueirêdo 
Revisão e normalização: Lourdes da Silva 
do Nascimento 
Editoração de texto: Ana Maria de Moraes 
Revisão de provas: Edilene Soares da 
Cruz e Warley Matias de Souza 
Produção gráfica: Eduardo Ferreira 
 
 
 
© 2005, Os Autores | © 2005, Editora UFMG 
 
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização escrita do Editor. 
 
C569 
Ciência da Informação e Biblioteconomia: novos conteúdos e espaços de atuação / 
Beatriz Valadares Cendón... [et al]. ; Marlene de Oliveira Coordenadora. - Belo 
Horizonte: Editora UFMG, 2005. 
 
143 p. - (Coleção Didática) 
 
Inclui referências. 
 
ISBN: 85·7041-473-0 
 
1. Ciência da Informação. 2. Biblioteconomia. I. Cendón, Beatriz Valadares. II. Oliveira, 
Marlene de. III. Série. 
CDD: 020 
CDU: 02 
 
Ficha catalográfica elaborada pela Central de Controle de Qualidade da Catalogação da Biblioteca Universitária 
 
Este livro recebeu apoio financeiro da Pró-Reitoria de Graduação da UFMG. 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
INTRODUÇÃO .........................................................................................................................4 
CAPÍTULO I - Origens e Evolução da Ciência da Informação.............................................6 
CAPÍTULO II - A Produção de Conhecimentos e a Origem das Bibliotecas....................24 
CAPÍTULO III - A Ciência da Informação no Brasil ............................................................36 
CAPÍTULO IV - Sistemas e Redes de Informação ..............................................................50 
CAPÍTULO V – Formação e Atuação Profissional..............................................................81 
CAPÍTULO VI – A Atuação Profissional do Bibliotecário no Contexto da Sociedade 
Informação: os novos espaços de Informação..................................................................93 
ANEXO A – Localização de Bibliotecas das Instituições Universitárias Federais e 
Estaduais.............................................................................................................................102 
ANEXO B – Escolas de Biblioteconomia no Brasil..........................................................106 
SOBRE OS AUTORES ........................................................................................................116 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
A intenção deste livro é proporcionar aos iniciantes no estudo da Ciência da 
Informação e da Biblioteconomia alguns conhecimentos fundamentais, na opinião de alguns 
autores proeminentes na literatura da área. 
Para entender uma área ou tema é imprescindível o conhecimento da sua gênese, sua 
história, assim como das condições econômicas, sociais e culturais em que se 
desenvolveram. No Brasil, a Ciência da Informação e a Biblioteconomia trabalham em 
parceria desde a introdução da primeira na década de 1950, por bibliotecários. Foi um 
grande avanço naquela época trazer conceituações e técnicas para organizar e disseminar 
os registros de conhecimentos (documentos) existentes em bibliotecas e centros de 
documentação brasileiros. 
Vive-se hoje outro momento importante em que os documentos e outros registros de 
conhecimento migram para a era digital, fato que ao desencadear modificações nos 
conceitos da área conduz seus pesquisadores ao desafio de repensar a biblioteca, a 
localização e o acesso aos documentos. 
Na tentativa de contribuir com essa nova visão, foram escolhidos temas que agregam 
os entendimentos básicos das duas referidas disciplinas. O primeiro capítulo traz o 
entendimento de Ciência da Informação trabalhado pela UNESCO e adotado por consultores 
do CNPq. Explica também os paradigmas da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. O 
segundo capítulo traz uma visão geral dos diferentes tipos de conhecimento produzidos pela 
sociedade. Tais conhecimentos são organizados nas bibliotecas na forma de documentos. 
Foi realizado um breve relato sobre a história das bibliotecas no Brasil e os diferentes tipos 
de bibliotecas. Ao final, explicam-se as diferentes funções de uma biblioteca. 
O terceiro capítulo discorre sobre a introdução da Ciência da Informação no Brasil e os 
aspectos da sua dimensão científica, esta analisada segundo as seguintes categorias: 
Instituições de ensino e pesquisa; Recursos Humanos qualificados; Comunicação e 
intercâmbio científico. 
O quarto capítulo tem como temática os sistemas e redes de informação, Traça a 
história e os caminhos de desenvolvimento dos sistemas de recuperação da informação; 
descreve o desenvolvimento da indústria on-line e suas grandes bases de dados, os diversos 
tipos de sistemas de informação e formas de acesso e aborda as principais redes e sistemas 
de informação no Brasil. 
O quinto capítulo inclui aspectos da formação do profissional de informação, na 
perspectiva de que o bibliotecário tem espaço privilegiado no exercício de todas as 
atividades ressaltadas. Explica o acesso à profissão, as habilidades necessárias, assim 
como alguns contextos de atuação profissional. O sexto capítulo apresenta uma reflexão 
sobre a função do bibliotecário na sociedade de informação e identifica serviços e produtos 
de informação no referido contexto. 
O conjunto de textos aqui organizados procura, de uma maneira geral, oferecer 
algumas conceituações fundamentais da Ciência da Informação e da Biblioteconomia. As 
questões abordadas, contudo, são introdutórias, dirigidas a iniciantes no campo de trabalho 
com informação, e não se esgotam aqui, mas abrem espaços para muitas reflexões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAPÍTULO I - Origens e Evolução da Ciência da Informação 
Marlene de Oliveira 
 
Existe uma vasta literatura a respeito da fundamentação teórica que sustenta a 
Ciência da Informação, e quanto à origem desta, a qual reflete as diversas tentativas da 
comunidade da área de trazer a luz seus entendimentos sobre o que, propriamente, vem a 
ser Ciência da Informação, qual é o seu objeto de estudo (a informação) e quais as suas 
relações com outras disciplinas (interdisciplinaridade). 
 
1.1 Antecedentes Sociais 
 
Assim como outros campos interdisciplinares (Ciência da Computação, Comunicação 
Social, Ecologia), a Ciência da Informação nasceu no bojo da revolução científica e técnica 
que se seguiu à Segunda Guerra Mundial. Para algunsautores, a história da Ciência da 
Informação sofreu influências marcantes de duas disciplinas, que contribuíram não só para 
sua gênese, mas, também, para seu desenvolvimento: a Documentação, que trouxe novas 
conceituações; e a Recuperação da Informação, que viabilizou o surgimento de sistemas 
automatizados de recuperação de informações. Alguns autores que consideram tais 
disciplinas como antecedentes da Ciência da Informação são Harmon (1971), Saracevic 
(1992) e Pinheiro (1997). A seguir, será apresentado um breve histórico ressaltando a 
importância de cada um desses pilares. 
 
1.2 Documentação e Ciência da Informação 
 
Com a Revolução Industrial deflagrada em toda Europa e nos Estados Unidos, no final 
do século XIX, a quantidade de informações registradas cresceu de forma assustadora, e 
várias tentativas foram feitas para realizar um levantamento bibliográfico universal. A 
iniciativa mais importante foi assumida pelos advogados belgas Paul Otlet e Henri La 
Fontaine, que acreditavam poder solucionar o problema que era o de levar ao conhecimento 
de cientistas e interessados toda a literatura científica e todos os produtos do conhecimento 
gerados no mundo. Para isso, planejaram a criação de uma biblioteca universal a fim de 
divulgar, em fichas, os dados bibliográficos relativos a todos os documentos indexados. A 
biblioteca universal seria de referência dos produtos e não de reunião de acervos. Para 
coordenar tais atividades foi criado o Instituto Internacional de Bibliografia (IIB), que começou 
a criar ferramentas para registrar, de forma sistemática e padronizada, as referências dos 
documentos. 
Uma das primeiras preocupações do IIB era a de desenvolver um sistema de 
classificação único, a ser adotado por todos na indexação dos documentos, uma vez que a 
biblioteca universal seria uma biblioteca de referências. Assim surgiu a Classificação Decimal 
Universal (CDU), que oferecia a possibilidade de tratar outros tipos de documento além do 
livro e de outros produtos impressos. Outro fato relevante foi a elaboração, por Paul Otlet, do 
conceito de documento, que passou a ser "o livro, a revista, o jornal, a peça de arquivo, a 
estampa, a fotografia, a medalha, a música, o disco, o filme e toda a parte documentária que 
precede ou sucede a emissão radiofônica. São amostras, espécimes, modelos fac-símiles e, 
de maneira geral, o que tenha caráter representativo, com três dimensões e, eventualmente, 
em movimento". Essa nova visão de registros de conhecimento modificou a atuação do IIB, 
que foi transformado, em 1931, em Instituto Internacional de Documentação (IID), já com a 
preocupação de fornecer meios de controle para os novos tipos de suporte do conhecimento. 
Em 1938, esse instituto foi transformado em Federação Internacional de Documentação - 
FID, órgão máximo da área, que permanece atuante até hoje. 
O conceito de documento ampliou o campo de atuação dos profissionais da área ao 
ultrapassar os limites do espaço da biblioteca e agregar novas práticas de organização e 
novos serviços de documentação. Por isso, o Instituto Internacional de Bibliografia pode ser 
compreendido como acontecimento importante na gênese da Ciência da Informação, do qual 
brota a idéia de bibliografia como registro, memória do conhecimento científico, desvinculada 
dos organismos como arquivos e bibliotecas, e de acervos. A idéia de criação da Biblioteca 
Universal de Paul Otlet e Henri La Fontaine não foi implementada, mas a iniciativa deixou 
como legado, para os profissionais de informação, novos conceitos, como o de documento, 
de bibliografia e a Classificação Decimal Universal. 
 
1.3 O Surgimento dos Sistemas Automatizados de Recuperação da Informação 
 
Outro pilar, considerado sustentáculo para o surgimento da Ciência da Informação, é a 
Recuperação da Informação. 
A situação após a Segunda Guerra despertou, notadamente nos países 
desenvolvidos, um grande interesse pelas atividades de ciência e tecnologia, ocasionando 
um aumento considerável de conhecimentos. Este fenômeno, denominado como "explosão 
de informação" ou explosão de documentos, caracterizou-se por um crescimento exponencial 
de registros de conhecimento, particularmente em ciência e tecnologia. 
Tal fenômeno trazia em seu bojo um problema básico, que era a tarefa de tornar mais 
acessível um acervo crescente, proveniente daqueles registros. Novamente o problema de 
tornar acessíveis grandes massas de documentos, já levantado pelos iniciadores da 
Documentação, repete-se no surgimento da recuperação automatizada da informação. 
Em artigo publicado em 194511 um respeitado cientista do MIT (Massachussets 
Institute of Tecnology - USA), Vanevar Bush, chefe do esforço científico americano durante a 
Segunda Guerra Mundial, identificou e definiu o problema de tornar acessível o acervo 
crescente de conhecimentos e propôs uma solução. A proposta era a de usar as incipientes 
tecnologias de informação para combater tal problema. Ele chegou a propor uma máquina 
com capacidade de "associar idéias", que duplicaria os "processos mentais artificialmente". 
Na década de 1950, muitos cientistas, engenheiros e empreendedores começaram a 
trabalhar sobre o problema e na solução apontada por Bush. Com efeito, naquela época, o 
emprego do computador no tratamento e na recuperação da informação de maneira 
sistemática trouxe novas perspectivas para os serviços de biblioteca e de informação, notada 
mente, nas indústrias. O computador permite um comportamento mais preciso e racional no 
tratamento da informação, além de possibilitar a manipulação de grande massa de dados. 
O termo recuperação da informação foi cunhado por Mooers (1951) como um termo 
que "engloba os aspectos intelectuais da descrição de informações e suas especificidades 
para a busca, além de quaisquer sistemas, técnicas ou máquinas empregados para o 
desempenho da operação". A concepção de recuperação proposta por Mooers contém três 
perguntas básicas: 
• Como descrever intelectualmente a informação? 
• Como especificar intelectualmente a busca? 
• Que sistemas, técnicas ou máquinas devem ser empregados? 
As atividades desenvolvidas no âmbito da temática "recuperação da informação" 
conduziram a estudos teóricos e conceituais sobre a natureza da informação; a estrutura do 
conhecimento e seus registros (incluindo a bibliometria); os estudos relativos ao uso e aos 
 
1
 BUSH, As we may thing. Atlantic Monthly, p. 101-108, 1945. 
usuários de informação; estudos do comportamento humano frente à informação a interação 
homem-computador, dentre outros. Enfim, a recuperação da informação possibilitou o 
surgimento dos sistemas automatizados de informação. 
O trabalho com a recuperação de informações deu subsídio para o desenvolvimento 
de inúmeras aplicações bem-sucedidas (produtos, sistemas, redes, serviços). Segundo 
Pinheiro (1997), a evolução da recuperação da informação é vista como a grande 
responsável, não a única, mas a mais forte, pelo surgimento da Ciência da Informação. Na 
verdade, a Ciência da Informação progrediu para abarcar muito mais que a recuperação da 
informação, mas problemas relacionados à recuperação estão presentes no seu núcleo. 
 
1.4 Gênese da Ciência da Informação 
 
É uma tarefa difícil precisar o surgimento de uma nova ciência, mesmo em se tratando 
de uma disciplina científica recente, como é o caso da Ciência da Informação. 
A ênfase nessa atividade que veio a se denominar Ciência da Informação deve-se ao 
seu esforço para enfrentar os problemas de organização, crescimento e disseminação do 
conhecimento registrado, que vem ocorrendo em proporções geométricas, desde logo após a 
Segunda Grande Guerra Mundial. Nesse sentido, a Ciência da Informação nasceu para 
resolver um grande problema, que foi também a grande preocupação tanto da 
Documentaçãoquanto da Recuperação da Informação, que é o de reunir, organizar e tornar 
acessível o conhecimento cultural, científico e tecnológico produzido em todo o mundo. 
Um evento importante é apontado por Meadows (1991) para o desenvolvimento da 
área. Segundo ele, a disciplina passou por uma acentuada evolução após a Segunda Guerra 
Mundial, ocasionada pelo surgimento da Teoria Matemática da Informação, descrita por 
Shanon e Weaver2 no final dos anos 1940. Essa teoria, adotada por muitas outras áreas, 
explica os problemas de transmissão de mensagens através de canais mecânicos de 
comunicação. O princípio de toda comunicação implica na transmissão de uma mensagem 
entre uma fonte (emissor) e um destino (receptor) utilizando um canal. O emissor ou fonte 
pode ser um indivíduo, um grupo ou uma empresa. O receptor ou destinatário é quem recebe 
a mensagem. Esse modelo de comunicação, elaborado por engenheiros para comunicação 
entre máquinas, não atendeu às necessidades teóricas da Ciência da Informação, uma vez 
 
2
 A teoria da comunicação de Claude Shannon e Warren Weaver foi descrita no Mathematical theory of 
comunication. 
que, ao se tratar de pessoas, o receptor é submetido a um fluxo de mensagens que chegam 
de todos os lados, sendo necessária uma seleção para compreender aquelas que interessam 
particularmente a um indivíduo. A contribuição da teoria para o desenvolvimento teórico da 
Ciência da Informação foi pequena, mas importante para a sua história, uma vez que atraiu a 
atenção para a necessidade de se definir claramente o caráter da informação com que os 
profissionais da área se preocupavam. 
A data de 1958 é assinalada como um dos marcos na formalização da nova disciplina, 
quando foi fundado, no Reino Unido, o Institute of Information Scientists (IIS). Alguns autores 
descrevem a origem da nova disciplina a partir das bibliotecas especializadas (em indústrias 
e outras organizações) e especialmente pela ênfase dada por estas à idéia de 
documentação. Na indústria moderna houve uma crescente demanda de informação para 
maior desempenho das organizações. Então, alguns cientistas qualificados se deslocaram 
para a área de pesquisa e desenvolvimento ou de produção com o intuito de estabelecer um 
serviço de informação ativo para seus colegas. Eles se consideravam como cientistas da 
informação, já que eram cientistas que pesquisavam para cientistas. Como a atividade se 
expandiu e se formalizou, houve necessidade de treinamento para aqueles que optavam por 
essa atividade. O conjunto desse treinamento passou a se chamar ciência da informação. O 
uso do termo cientista da informação pode ter tido a intenção de distinguir os cientistas da 
informação dos cientistas de laboratório, uma vez que o interesse principal daqueles 
membros era a organização da informação científica e tecnológica (Ingwersen, 1992). Os 
membros denominados cientistas da informação eram profissionais de várias disciplinas que 
se dedicavam às atividades de organizar e suprir de informação científica seus colegas 
pesquisadores de P & D (Foskett, 1969; Meadows, 1991; Ingwersen, 1992). 
Um ponto importante salientado por Meadows (1991) foi a intensidade com que o 
computador afetou a estrutura dentro da qual a Ciência da Informação opera. Como outros 
campos científicos de natureza semelhante, por exemplo, a Ciência da Computação, a 
Ciência da Informação tem sua origem na esteira da revolução científica e técnica que se 
seguiu à Segunda Guerra Mundial. Segundo alguns autores, como Saracevic (1992), as 
novas tecnologias projetam-se sobre a Ciência da Informação da mesma maneira que o 
fazem sobre muitos outros campos do conhecimento. No entanto, há consenso entre 
estudiosos da Ciência da Informação de que ela está inexoravelmente conectada à 
tecnologia da informação. A recuperação da informação, que teve papel importante no 
surgimento da área, guarda em sua evolução as associações da ciência com a tecnologia da 
informação. 
Os avanços da informática desde a década de 1960 transformaram e estimularam as 
atividades de armazenamento e recuperação da informação. Com a utilização do 
computador, a Ciência da Informação passou a enfrentar novos desafios. Assim, da atividade 
de recuperar informações emergiram novas questões a serem estudadas, necessidades de 
novas conceituações e construções teóricas, empíricas e pragmáticas. O impacto dos 
computadores e das telecomunicações 110 gerenciamento da informação foi tão grande que 
hoje a Ciência da Informação e tecnologia da informação estão freqüentemente juntas 1101 
discussão sobre o percurso da área. 
 
1.4.1 Conceituação da área 
 
A Ciência da Informação é um campo científico recente, e, portanto, ainda em 
construção. Cada disciplina científica possui conceitos e teorias consistentes, reconhecidas e 
partilhadas por sua comunidade. Com cerca de 30 anos de existência, a Ciência da 
Informação não conta, ainda, com uma construção teórica que integre todos os seus 
conceitos e práticas. Por isso, opera baseando-se em construções teóricas mais ou menos 
fragmentadas. Por exemplo, a Representação da informação seria uma, Estudo de usuários 
outra etc. 
Desde o seu surgimento, muitos estudiosos da área já conceituaram o que é Ciência 
da Informação. Alguns apresentam uma visão ampla da área, outros têm dela uma visão 
mais restrita, dependendo do entendimento do autor sobre o que é informação e seu 
universo de atuação. Apresentam-se, a seguir, algumas conceituações da área, de forma 
sucinta, por sua relevância e atualidade. 
Borko (1968) definiu a Ciência da Informação como uma disciplina que investiga as 
propriedades e o comportamento da informação, as forças que governam seu fluxo e os 
meios de processamento para otimizar sua acessibilidade e utilização. Relaciona-se com o 
corpo de conhecimento relativo à produção, coleta, organização, armazenagem, 
recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação. 
As idéias de Borko, ao conceituar a nova disciplina, apontam a essência do problema 
que orienta o campo da Ciência da Informação: organizar e disponibilizar para uso as 
informações sobre o que é produzido culturalmente. 
O problema básico da Ciência da Informação foi estudado por Saracevic (1996) 
quanto à sua evolução e ao enfoque contemporâneo. Ele a redefiniu como 
(...) um campo dedicado a questões científicas e à prática profissional, voltadas para 
os problemas da efetiva comunicação do conhecimento e de registros de 
conhecimento entre seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do 
uso e das necessidades de informação. No tratamento destas questões são 
consideradas de particular interesse as vantagens das modernas tecnologias 
informacionais. (Saracevic, 1996, p. 47) 
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), órgão 
federal de financiamento à pesquisa no País, adotou uma conceituação para a área para 
assim administrar a demanda de financiamento à pesquisa. Essa definição foi descrita no 
documento Avaliação e Perspectiva, CNPq (1983), que analisa a Ciência da Informação, a 
Biblioteconomia e a Arquivologia. Tal documento, que descreve as atividades da área de 
Ciência da Informação, no Brasil, foi elaborado por uma comissão composta por consultores 
de tais disciplinas. A conceituação da área, elaborada por aquela comissão, apoiou-se nas 
orientações da UNESCO, que, então, estimulava a criação de uma infra-estrutura de 
informação como base de sistemas nacionais de informação. No contexto daquele 
documento a área é assim definida: 
Ciência da Informação designa o campo mais amplo, de propósitos investigativos e 
analíticos, interdisciplinar por natureza, que tem por objetivo o estudo dos fenômenos ligados 
à produção, organização, difusão e utilização de informações em todos os camposdo saber. 
(CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA, 1983, p. 52) 
No entendimento daqueles consultores, a biblioteconomia e a arquivologia são 
disciplinas aplicadas, que tratam da coleta, da organização e da difusão de informações 
preservadas em diferentes tipos de suportes materiais. Diferenciam-se, basicamente, pelo 
fato de que as bibliotecas e outros órgãos assemelhados lidam com a necessidade de prover 
os usuários com informações substantivas sobre o universo dos conhecimentos, ou parte 
deles, enquanto que os arquivos lidam com aqueles documentos que foram produzidos como 
resultado das atividades desenvolvidas por uma pessoa física ou jurídica e que, portanto, 
documentam essas atividades. (CNPq. AVALIAÇÃO E PERSPECTIVA 82,1983) 
Percebe-se no estudo daquele documento que a Ciência da Informação é vista como 
uma grande área na qual estão abrigadas subáreas, como d Biblioteconomia e a 
Arquivologia, disciplinas mais voltadas para a aplicação de técnicas, o que não quer dizer 
que no âmbito daquelas disciplinas não se realizem pesquisas ou se produzam novos 
conhecimentos. Percebe-se que tal entendimento da área é bastante flexível, com 
possibilidades de distender-se para abrigar novas habilidades ligadas às novas atividades de 
informação. 
A Ciência da Informação se desenvolveu no Brasil, mais do que nos países centrais, 
imbricada com a Biblioteconomia, mesmo sendo orientadas por paradigmas diferentes, o que 
será visto mais adiante. 
 
1.4.2 O objeto da Ciência da Informação 
 
A Ciência da Informação, desde o seu surgimento, padece de dificuldades para isolar 
e descrever seu objeto de pesquisa, a informação. Há muitas definições para o termo 
informação, que conduzem às diferentes visões dos autores sobre o que é um processo de 
informação. 
Como agravante para o entendimento do termo é preciso relembrar que esse objeto 
não é exclusivo da Ciência da Informação. A informação é preocupação de pesquisa da 
Comunicação Social, da Ciência da Computação, da Biologia e de outros campos de estudo. 
O fenômeno é visto e interpretado de forma diversa pelas diferentes áreas. 
Em primeiro lugar é preciso esclarecer que, na ótica da Ciência da Informação, o 
objeto "informação" é uma representação. Como é uma representação de conhecimento, que 
já é uma representação do real, ela se torna uma representação de representação. Por isso, 
a informação é um objeto complexo, flexível, mutável, de difícil apreensão, sendo que sua 
importância e relevância estão ligadas ao seu uso. 
Grande parte dos autores analisados enxerga a informação como conhecimento. Ela é 
algo que ajuda na resolução de um problema ou completa uma lacuna no conhecimento da 
pessoa, conforme cada necessidade. Nessa linha, Brooks (1980) afirma que informação 
produz efeitos no usuário e propõe a seguinte equação como forma de sistematizar o 
processo de informação: K(S) + ∂K = K (S + ∂S) 
 | 
 ∂ | 
A equação exprime a passagem de um estado de conhecimento que é K(S) para outro 
de conhecimento expresso por K(S + ∂S). Os signos ∂K significam a contribuição de um 
conhecimento extraído de uma informação que é expressa por ∂|, então, o efeito dessa 
modificação é ∂S. 
Muitos autores consideram a informação como um resultado da interpretação do 
indivíduo. Isto é, o usuário é quem lhe confere importância e confiabilidade, sendo que a 
apreensão do dado e/ou fato se relaciona a um conhecimento preexistente do indivíduo. 
A informação é um conhecimento3 inscrito (gravado) sob a forma escrita (impressa ou 
numérica), oral ou audiovisual. A informação comporta um elemento de sentido. É um 
significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita em um 
suporte espacial-temporal: impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Essa inscrição é feita 
graças a um sistema de signos (a linguagem), signos estes que são elementos da linguagem 
que associa um significante a um significado: signo alfabético, palavra, sinal de pontuação. 
(Le Coadic, 1996) 
O objeto da área, a informação, conforme Pinheiro (2002), está imerso em um campo 
vasto e complexo de pesquisas que, por tradição, se relacionam a documentos impressos e 
a bibliotecas. No entanto, a informação de que trata a Ciência da Informação não se restringe 
a documentos impressos, pode ser percebida em conversas entre cientistas e outros tipos de 
comunicação informal. Ela se apresenta também em uma inovação para o setor produtivo, na 
forma de patente, fotografia ou objeto, no registro magnético de bases de dados, numa 
biblioteca virtual ou repositório na Internet. 
Para facilitar a tarefa sobre o entendimento do que venha a ser informação, Pinheiro 
(1997) extraiu dos escritos de vários autores os seguintes atributos de informação: 
• A informação tem o efeito de transformar ou reforçar o que é conhecido, ou julgado 
conhecido, por um ser humano; 
• É utilizada como coadjuvante da decisão; 
• É a liberdade de escolha que se tem ao selecionar uma mensagem; 
• É algo necessário quando enfrentamos uma escolha (a quantidade de informação 
requerida depende da complexidade da decisão a tomar); 
• É matéria-prima de que deriva o conhecimento; 
• É trocada com o mundo exterior, e não meramente recebida; 
• Pode ser definida em termos de seus efeitos no receptor. 
A informação é um fenômeno tão amplo que abrange todos os aspectos da vida em 
sociedade; pode ser abordado por diversas óticas, seja a comunicacional, a filosófica, a 
semiológica, a sociológica, a pragmática e outras. Essa multiplicidade de possibilidades de 
 
3
 Le Coadic esclarece que conhecimento (um saber) é resultado do ato de conhecer. ato pelo qual o espírito 
apreende um objeto. Conhecer é ser capaz de formar a idéia de alguma coisa: é ter presente no espírito. Isso 
pode ir da simples identificação (conhecimento comum) à compreensão exata e completa dos objetos 
(conhecimento científico). 
análise do fenômeno conduz a uma reflexão sobre a natureza interdisciplinar4, ou até 
transdisciplinar5, da área, uma vez que esta, se por um lado busca sua identidade científica, 
por outro, fragmenta-se ao abordar diferentes temáticas relacionadas ao binômio 
informação/comunicação. 
 
1.5 A Natureza Interdisciplinar da Ciência da Informação 
 
Há unanimidade entre os praticantes e pesquisadores da Ciência da Informação sobre 
o fato de esta ser um campo interdisciplinar6. Isso significa que os problemas da área, tanto 
os de natureza teórica quanto os técnicos, têm sido equacionados com a participação de 
outros ramos do conhecimento. 
Na opinião de Saracevic (1992), a interdisciplinaridade foi introduzida na Ciência da 
Informação pela variedade de antecedentes de todas as pessoas que se ocuparam com seus 
problemas (já descritos). Entre os pioneiros havia engenheiros, bibliotecários, químicos, 
lingüistas, filósofos, psicólogos, matemáticos, cientistas da computação, homens de negócios 
e outros, oriundos de diferentes profissões ou ciências. Nem todas as disciplinas das quais 
tais pessoas se originaram tiveram contribuição relevante, mas essa multiplicidade de visões 
na construção da área foi responsável pela introdução e pela permanência do objetivo 
interdisciplinar na Ciência da Informação. 
A participação de outros campos do conhecimento na Ciência da Informação 
permanece em função da complexidade dos problemas a serem equacionados pela área, o 
que exige a contribuição de diferentes profissionais e/ou pesquisadores. 
Dentre as disciplinas com as quais a Ciência da Informação tem trabalhado 
distinguem-se: Biblioteconomia, Ciência da Computação, Comunicação Social. 
Administração, Lingüística, Psicologia, Lógica, Matemática, Filosofia/Epistemologia. 
A aproximação dos praticantes da área com outros campos de conhecimento, 
segundo Ingwersen (1992), foi motivada pela necessidadede se resolverem problemas 
teóricos da Ciência da Informação. Na opinião do autor, contudo, houve um exagero na 
 
4
 O termo interdisciplinaridade aqui empregado trata da síntese de duas ou várias disciplinas, instaurando um 
novo nível de discurso, caracterizado por uma nova linguagem. 
5
 A transdisciplinaridade é o reconhecimento da interdependência de todos os aspectos da realidade, É 
conseqüência normal da síntese provocada pela interdisciplinaridade, quando esta for bem-sucedida (Weeil, 
1993). 
6 O termo interdisciplinaridade, empregado aqui, trata da síntese de duas ou várias disciplinas, instaurando 
nível de discurso, caracterizado por uma linguagem (Weeil, 1993). 
busca de aproximação com outras disciplinas por parte da Ciência da Informação. Ao tentar 
resolver problemas teóricos, a comunidade tem trabalhado em demasia 110S espaços 
fronteiriços da Ciência da Informação. Dessa maneira, a busca da interdisciplinaridade, sem 
muita reflexão, pode estar tornando-a vulnerável em vez de resolver sua fragmentação. 
 
1.6 Ciência da Informação e Biblioteconomia 
 
Como já foi dito, a Ciência da Informação é um conjunto de teorias e práticas e, como 
campo científico, produz intercâmbio com outras disciplinas. Uma delas é a Biblioteconomia, 
área com a qual ela tem falado mais de perto, pelo menos na realidade brasileira. 
A Ciência da Informação não é uma evolução da Biblioteconomia, conforme a crença 
de alguns autores, uma vez que cada uma delas se baseia em orientações paradigmáticas 
diferenciadas. As teorias da Ciência da Informação aliadas às novas tecnologias de 
informação vêm contribuindo com novas práticas e serviços bibliotecários. Como já 
mencionado, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação trabalham juntas na busca de 
solução para o mesmo problema que orienta a área; contudo, representam campos 
científicos norteados por paradigmas diferentes. Vale salientar que o conceito de paradigma 
aqui utilizado se sustenta nas idéias de Thomas Kuhn. Segundo esse historiador da Ciência, 
o paradigma é visto como um modelo ou padrão de ciência que é compartilhado por uma 
determinada comunidade. Dentro desse conceito não caberiam, portanto, as propostas de 
teorias, caminhos teóricos e metodológicos ainda não compartilhados. 
 
1.6.1 O paradigma da Biblioteconomia 
 
A abordagem dada a este tópico se fixa em autores que buscaram os paradigmas da 
área por meio do exame da literatura produzida. Um desses autores é Francis Miksa (1992). 
Conforme seus achados, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação representam campos 
científicos orientados por paradigmas diferentes. O paradigma da Biblioteconomia, segundo 
o autor, consiste em um grupo de idéias relacionadas com a biblioteca, então considerada 
como uma instituição social. Suas origens encontram-se nos trabalhos de estudiosos da 
Escola de Biblioteconomia de Chicago, durante os anos 1920 e 1930. Tal paradigma 
desenvolveu-se usando idéias e metodologias buscadas nos campos da Sociologia e da 
Educação. O ponto focal desse paradigma é a biblioteca em si mesma. Através dele, ela é 
vista como uma instituição social e, mais especificamente, como uma organização social 
bem definida e única. Como toda organização social, a biblioteca tem material organizacional 
e características intelectuais que servem como significado para expressar suas funções em 
uma estrutura social. 
Nesta visão é possível identificar, nas funções da biblioteca, três propriedades, que 
pressupõem as bases: material, profissional e organizacional, as quais efetivam o exercício 
de tais funções. 
Propriedades materiais: incluem coleções de objetos representando o conhecimento 
(documentos) e equipamentos especializados. 
Propriedades organizacionais: referem-se ao conjunto de estruturas administrativas e 
de pessoal. 
Propriedades intelectuais: englobam a idéia de sistema, como, por exemplo, sistema 
de classificação, estrutura de catalogação, política de seleção. 
Dentre as funções da biblioteca, no entanto, a mais importante é a de dar acesso à 
sua coleção de documentos. 
Sob o enfoque deste paradigma, a biblioteca existe, principalmente, para tornar 
possível o uso, por um dado público, de suas coleções de documentos. Para isso, ela exerce 
várias tarefas, tais como aquisição, organização e arranjo físico dos materiais coletados. O 
exercício dessas tarefas exige ferramentas apropriadas e pessoal especializado, o que vai 
desde a seleção e a aquisição até a recuperação das coleções e o seu uso. 
Em resumo, o paradigma da biblioteca como uma instituição social conhecida - a 
biblioteca - é caracterizado em termos de sua propriedade institucional e de suas funções. 
Tal paradigma abarca também a instituição em um contexto amplo, envolvendo um processo 
de mudança social em que indivíduos, embora apenas lendo, usam o estoque de 
conhecimento social na condução de suas vidas, facilitando, assim, o processo social geral. 
A função social da biblioteca enquanto uma instituição social está, principalmente, em 
ser o fio condutor entre indivíduos e o conhecimento do que eles necessitam. 
É importante ressaltar dois pontos principais que fragilizaram a manutenção do 
paradigma em questão. O primeiro diz respeito à preocupação excessiva das bibliotecas em 
armazenar e manter acervos para uma possível utilização considerando o documento mais 
importante que as muitas informações nele contidas. Outro ponto foi sua preocupação menor 
com os usuários. Apesar das muitas pesquisas existentes sobre usuários, a metodologia 
utilizada esteve sempre centrada na avaliação dos serviços da biblioteca, e não nos 
problemas fiasses usuários. Essa posição equivocada dos estudos de usuários tem 
dificultado a concretização da tão almejada função social da biblioteca. /\s mudanças 
ocorridas na instituição, nas últimas décadas, segundo Almeida Júnior (2002), ativeram-se ao 
mínimo imprescindível para atender aos reclamos da sociedade. Presume-se que tais 
mudanças não tenham sido profundas e nem consensuais, concretizando apenas o 
suficiente para não sofrerem um rompimento paradigmático. 
 
1.6.2 O paradigma da Ciência da Informação 
 
O paradigma da Ciência da Informação compõe-se de um grupo de idéias relativas ao 
processo que envolve o movimento da informação 11m um sistema de comunicação 
humana. Este paradigma surgiu nos anos 1950, quando as idéias da engenharia de 
comunicações e teorias cibernéticas obtiveram êxito na representação das propriedades do 
sistema de transmissão de sinais em termos matemáticos. Tornou-se, então, a base das 
tentativas para caracterizar e modelar o processo de recuperação da informação e/ou do 
documento. 
Este paradigma tem influenciado profundamente o campo da Biblioteconomia, 
contribuindo não só com a palavra "informação" para denominar o novo campo, mas, 
também, suprindo a área com um conjunto completamente novo de termos com os quais os 
praticantes caracterizaram suas atividades. O paradigma evidencia particularmente o fluxo 
de informação que ocorre em um sistema no qual objetos de representação do conhecimento 
(documentos) são buscados e recuperados em resposta à pergunta iniciada pelo usuário. 
Isso pressupõe uma grande extensão de assuntos específicos envolvendo processos 
também específicos - por exemplo, a criação e o crescimento do volume de documentos na 
sociedade, a organização e a recuperação desses documentos e/ou da sua representação e 
também o seu uso. Esse modelo de sistema de informação tem origem em um contexto mais 
geral, que é a teoria matemática da comunicação. A teoria consiste em um ponto de origem 
(emissor), um canal pelo qual passa a informação e um ponto de destino (receptor), com 
possibilidade de codificação e decodificação para fins de retroalimentação. 
Essa estrutura tem sido aplicada em bibliotecascomo modelo de recuperação de 
documentos e para caracterizar agências que se dedicam às atividades tanto de 
Biblioteconomia quanto de Ciência da Informação. O modelo permitiu estudo sobre fluxos de 
informação em agências públicas e privadas, entre membros de uma disciplina, profissões, 
especialistas etc. 
A importância desse paradigma para a área, segundo Miksa (1992), se expressa em 
três idéias básicas: 
1. Permitiu a formalização da idéia de que informação é algo que flui dentro de um 
sistema. A partir daí, surgiram os conceitos de entropia e incerteza, redundância, 
retroalimentação, sinal para taxas de ruídos; 
2. A informação passou a ser entendida como algo divisível dentro de unidades feitas em 
partes, num sistema; 
3. A idéia de movimento da informação tem intensificado a busca de entendimento da 
informação em si mesma. A princípio tal movimento foi discutido como fenômeno 
físico - isto é, como a transmissão de sinais mensuráveis -, o que tornou flexível o 
conceito principal do paradigma. Depois foram acrescentados outros domínios do 
movimento da informação, por exemplo, aqueles relacionados ao fluxo de idéias, 
significados, ou mensagens cheias de significados envolvidos com a semiótica e a 
semântica. 
No campo da Ciência da Informação e da Biblioteconomia, este paradigma tem, então, 
como fenômeno central o movimento da informação em um sistema de comunicação. O 
processo é modelado em termos de fluxo da informação entre dois pontos através de um 
canal, permitindo, para controle, a incorporação do feedback. 
Este paradigma também contém fragilidades que não puderam ser superadas. O fato de 
originar-se da Teoria Matemática da Comunicação, idealizada para transmissão de sinais, ao 
ser transposto para o ambiente da Ciência da Informação, não permitiu considerar os 
aspectos cognitivos da informação e nem o desejo do usuário como componentes que 
alteram significativamente o processo de recuperação da informação dentro de um sistema. 
Além disso, Miksa (1992) comenta que tanto os modelos matemáticos de recuperação 
quanto as conceituações advindas daquele modelo não foram vastamente testadas por meio 
da prática da pesquisa. 
Pode-se notar que a literatura sobre os modelos matemáticos de recuperação da 
informação, assim como os conceitos de pertinência, relevância e outros, diminuiu, por algum 
tempo. Quando surgiu a rede mundial de computadores e, com isso, a oferta de inúmeros 
serviços de informação, esses modelos voltaram a ser preocupações de pesquisa. 
Segundo Thomas Kuhn (1975), a transição de um paradigma em crise para um novo não 
chega a ser um processo cumulativo. A reconstrução da área de estudos é feita a partir de 
novos princípios, reconstrução que altera algumas generalizações teóricas mais elementares 
do paradigma, bem como muitos de seus métodos e aplicações (Kuhn, 1975). Assim, apesar 
da ação revolucionária do novo paradigma, há um período de transição entre o velho e o 
novo modelo, havendo coincidências entre os problemas que podem ser resolvidos por 
ambos. 
À luz dos estudos de Kuhn (1975) parece ser este um momento de transição da área, 
quando ela testa uma nova teoria na busca de solução para uma crise. Essa crise coincide 
com o surgimento das novas tecnologias de processamento, armazenamento e 
disseminação da informação, principalmente deslocando os catálogos de bibliotecas de seus 
locais de origem, levando-os para perto dos usuários através das bases de dados. A unidade 
de análise da Biblioteconomia não é mais somente o livro, mas também a informação; e suas 
atividades, agora automatizadas, ultrapassam o espaço da biblioteca. 
Isso conduz à percepção de que as atividades profissionais de ensino e pesquisa, na 
área, estão sendo orientadas por paradigmas diferentes. A literatura produzida na Ciência da 
Informação e na Biblioteconomia não expressa conflitos existentes na comunidade 
profissional ou científica, apesar da formação nessas duas áreas ser oferecida em diferentes 
níveis. O perfil do bibliotecário é formado em cursos de graduação, já os mestres e doutores 
em Ciência da Informação são titulados em cursos de pós-graduação stricto sensu. 
Esse compartilhamento de paradigmas, conforme as idéias de Kuhn, permanecerá até o 
fortalecimento de um dos dois e/ou o surgimento de um terceiro paradigma. 
Resumindo, esta é uma área em construção, uma vez que é um campo disciplinar muito 
recente. Suas teorias e conceituações para o crescimento de seu campo teórico e de suas 
práticas profissionais dependem de uma boa formação acadêmica e compromisso por parte 
dos profissionais. 
 
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CAPÍTULO II - A Produção de Conhecimentos e a Origem das Bibliotecas 
Eliany Alvarenga Araújo 
Marlene de Oliveira 
 
Conhecer a origem das bibliotecas implica em abordar a produção de conhecimentos 
e dos registros de conhecimentos, pois, desde a sua origem na Antigüidade Clássica, a 
biblioteca é um espaço de preservação dos conhecimentos gerados pela humanidade a partir 
de diferentes sociedades. 
Explicar o que é conhecimento é uma tarefa difícil, face aos diversos entendimentos 
do termo. Por isso, adotou-se a visão de Burke (2003): conhecimento é algo que denota o 
que foi processado e sistematizado pelo pensamento. Conforme o autor, com a reabilitação 
do saber cotidiano, do saber local, deve ficar óbvio que há "conhecimentos" no plural em 
toda cultura. 
Para melhor entendimento desta questão, descrevem-se, resumidamente, alguns tipos 
de conhecimento: 
Filosófico - É um tipo de conhecimento de caráter mais geral e reflexivo, que busca os 
princípios que tornam possível o próprio saber. Atualmente, um dos principais objetivos do 
conhecimento filosófico é a investigação de pressupostos, de consciência de limites, de 
crítica da ciência e da cultura. 
Religioso - Esse conhecimento apóia-se em doutrinas que contêm proposições 
sagradas por terem sido consideradas reveladas pelo sobrenatural. É um conhecimento 
sistemático do mundo (origem, significado, finalidade, destino) que acredita possuir a 
verdade sobre as questões fundamentais do homem, mas apoiando-se sempre numa fé ou 
crença. 
Senso comum ou Conhecimento popular - É uma forma espontânea de conhecer a 
realidade no trato direto com as coisas, no cotidiano. É reflexivo, porém falível e inexato. 
Oriundo dos diferentes sentidos, constitui-se num conjunto de opiniões e valores 
característicos daquilo que é correntemente aceito em um meio social determinado. 
Científico - É um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, organizados e 
suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. Trata-se de 
conhecimento sistemático por se constituir de um saber ordenado logicamente, formando um 
sistema de idéias (teorias). Pretende ser verificável, objetivo e comunicável. Objetiva explicar 
racional e metodicamente a realidade. 
Há outros tipos de conhecimento, produzidos em muitas organizações e contextos 
diferentes, também importantes, que não serão discutidos aqui. Entretanto, vale salientar que 
os produtos (registros) representativos desses conhecimentos, assim como a produção 
cultural, se constituem em acervos que são preservados em bibliotecas, arquivos, unidades 
de informação, museus etc. 
Para efeito deste texto, considera-se conhecimento na sua forma concreta, tangível, 
que são os produtos gráficos e objetos materiais. Na Ciência da Informação e na 
Biblioteconomia são denominados documentos, tais como livros, revistas, jornais, moedas, 
imagens, CDs, arquivos eletrônicos etc. 
A origem exata das bibliotecas, assim como a da linguagem e a da escrita, é 
desconhecida. Entretanto, podemos considerar que, diferentemente da linguagem e da 
escrita, as bibliotecas apareceram na era histórica, ou seja, quando tem início a preservação 
de registros escritos 111: conhecimentos. É necessário, contudo, esclarecer que as expressões 
culturais vão além da escrita e se expressam em diversos produtos e artefatos, mas, no 
contexto de bibliotecas, a linguagem escrita tornou-se a forna mais comum para registrar 
conhecimentos. 
A dedução de que a produção de conhecimentos conduz à criação de bibliotecas 
aponta para o pressuposto de que onde houve grande 11Iodução de conhecimentos também 
ali estarão grandes bibliotecas, arquivos, museus etc., ou seja, unidades de informação em 
seus diferentes formatos. 
Podemos considerar que os pré-requisitos principais para o aparecimento de 
bibliotecas são: 
• Condições econômicas - São observadas ao longo do tempo como altamente 
significantes na produção de conhecimentos e de unidades de informação. Quando 
existe um excedente de riqueza em um país ou região, aumenta a disponibilização de 
recursos para o incentivo à produção cultural, aqui incluindo-se a produção de 
conhecimentos e de bibliotecas. 
• Condições sociais - Um dos fatores importantes neste item diz respeito às influências 
positivas, como o aparecimento de grandes centros urbanos que, em suas atividades 
múltiplas e cada vez mais complexas, produzem inúmeros registros e requerem 
sofisticados sistemas de informação. Essas necessidades podem encorajar o 
desenvolvimento de bibliotecas, arquivos, museus etc. Outro fator relevante é a 
educação. Um sistema formal de educação necessita tanto de registros de 
conhecimento e sua conservação quanto de bibliotecas para participar e dar apoio ao 
sistema educacional. 
• Condições políticas - Aparecem em dois níveis, o primeiro diz respeito ao clima de 
tranqüilidade política e social de uma nação, que pode conduzir e ampliar o 
crescimento de bibliotecas. Em ambientes de conflitos e crises políticas, as 
bibliotecas, como outros repositórios de cultura, sofrem sérios riscos em conseqüência 
de tumultos, atentados etc. Assim, as bibliotecas florescem geralmente em sociedades 
onde prevalece a prosperidade econômica, a população é instruída e o comércio 
livreiro é bem organizado. Em outro nível, as bibliotecas, assim como toda produção 
de conhecimentos, necessitam de políticas governamentais para seu estímulo e 
crescimento. 
O surgimento e desenvolvimento dos conhecimentos, seus produtos, assim como seu 
armazenamento, organização e divulgação, podem ser observados sob essas condições 
desde a Antigüidade. As grandes bibliotecas da Antigüidade Clássica de que se tem notícia 
eram formadas por grandes conquistadoresou se localizavam em cidades que exerciam 
poder econômico e/ou político. 
Há indícios e comprovações de grandes bibliotecas na Antigüidade. Dentre elas, cita-se a 
Biblioteca de Nipur, na Babilônia, descoberta em um templo, com registros em tábuas de 
argila e em escrita cuneiforme. Também famosa é a Biblioteca de Assurbanipal, rei da 
Assíria que viveu no século VII a.C. A biblioteca situava-se em seu palácio na cidade de 
Nínive e contava com milhares de tabletes de argila com transcrições e textos sobre os mais 
variados assuntos, coletados sistematicamente pelo rei em outros templos do seu reino. 
A mais famosa biblioteca da Antigüidade ficava em Alexandria, no Egito, e seu 
desaparecimento deveu-se a saques de conquistadores, fanáticos religiosos e a desastres 
naturais. Cabe salientar, contudo, que, no final de 1990, ela foi reconstruída pelo governo do 
Egito com a colaboração da UNESCO. Os temas dominantes do seu acervo relacionam-se 
às antigas civilizações de Alexandria e do Egito, desde a Antigüidade até a Idade Média. 
Na Idade Média, as igrejas e mosteiros foram os grandes guardiões dos ricos acervos das 
antigas bibliotecas. Esse fato coincide com a riqueza e o poder da Igreja, que, naqueles 
séculos, não só produzia, mas também legitimava os conhecimentos. 
 
2.1 A Invenção de Guttenberg 
 
Desde a Antigüidade até o final da Idade Média foram utilizados diferentes suportes 
como base para o registro de conhecimentos: a pedra, o barro, a madeira, o linho, a seda, o 
papiro, o pergaminho e o papel. Com a invenção da imprensa por Guttenberg, em 1452, e 
seu desenvolvimento nos séculos seguintes, houve grandes modificações na produção, no 
armazenamento e na difusão dos conhecimentos. Esse fato ocasionou o rompimento do 
monopólio que a Igreja exercia na geração e guarda dos conhecimentos. Até então, o acesso 
aos conhecimentos, assim como consultas a bibliotecas, constituía-se em privilégio da elite. 
A criação de Guttenberg e o processo de fabricação do papel facilitaram, aos poucos, a 
democratização dos conhecimentos e do livro. Esses eventos permitiram maior produção de 
registros impressos e elevaram a biblioteca a uma condição de maior importância à época. 
A expressão "geografia do conhecimento" é usada por Burke (2003) para mapear a 
produção de conhecimentos, notada mente dos séculos XVI. XVII e XVIII. Ele distingue a 
distribuição espacial do conhecimento desde os locais onde foi produzido, descoberto, 
guardado até onde era difundido. Naqueles séculos, os centros tradicionais eram os 
mosteiros, que guardavam grandes bibliotecas, assim como as universidades e os hospitais. 
Como produtores e divulgadores de conhecimentos, o autor cita também o laboratório, a 
galeria de arte, a livraria, a biblioteca, o anfiteatro de anatomia, o escritório e o café. Esse 
mapeamento do conhecimento exemplifica a visão do autor de que o conhecimento é visto 
na sua forma plural e não só como atividade científica. Prosseguindo, Burke (2003) percebeu 
a existência de conhecimentos também em ambientes de comércio, particularmente os 
portos, que eram especiais na difusão de informações. Os habitantes dos portos se dirigiam 
ao cais para conversar com marinheiros de embarcações recém-chegadas. Ali filam 
encontrados cartas, mapas e globos, além de o local propiciar o intercâmbio de 
conhecimentos. Dessa maneira, justifica-se a importância de Lisboa na história do 
conhecimento dos séculos XV e XVI, derivada de sua posição como capital do Império 
Ultramarino Português. O autor cita também Veneza como a mais importante agência de 
informações dos primórdios do mundo moderno, por sua posição intermediária entre o 
Ocidente e o Oriente. 
Quando se refere à localização das bibliotecas, Burke (2003) cita a Itália e a França, 
países onde se concentrava o maior número delas. Algumas cidades italianas, como 
Nápoles, Florença, Veneza e Milão, abrigaram grandes bibliotecas. Roma hospeda 
bibliotecas de diversas ordens religiosas, além da Biblioteca do Vaticano. Paris superava 
Roma em quantidade de bibliotecas, principalmente no século XVII. Um guia de Paris, 
datado de 1692, arrola 32 bibliotecas onde se permitia que os leitores entrassem "como um 
favor" para consulta em suas coleções. Naquela época, teve início a formação de centros de 
estudos nas principais cidades da Europa, o que contribuiu para o aparecimento de novas 
bibliotecas, tanto universitárias como públicas. Esse fato coincide com o início da 
formalização da atividade de pesquisa, ocasionando o surgimento das agências de fomento 
à pesquisa naquele século. 
Com o aparecimento dos Estados Nacionais e a estruturação da pesquisa científica, 
os conhecimentos produzidos no mundo passaram a crescer significativamente. Com o 
correr do tempo, a atividade de construção de conhecimentos expandiu-se para incluir 
empresas, indústrias, área jurídica e outras, que passaram de consumidoras a também 
produtoras de conhecimentos. Mais recentemente, com o surgimento da Internet, a 
divulgação de conhecimentos tornou-se mais rápida, agilizando os serviços das bibliotecas. 
 
2.2 Bibliotecas no Brasil 
 
No Brasil, as primeiras bibliotecas foram criadas por ordens religiosas. A ordem dos 
Jesuítas foi a mais atuante. Em 1549, fundou a Companhia de Jesus, organização que 
objetivava catequizar índios e colonos. Nas escolas daquela Companhia os padres criavam 
bibliotecas que, aos poucos, se tornaram as melhores e mais numerosas. Fundaram escolas 
e bibliotecas em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, no Maranhão, Pará e em 
vários outros estados e cidades. Tais bibliotecas atendiam necessidades tanto de alunos em 
seus primeiros aprendizados, como até de alunos de Filosofia, que equivaleriam aos das 
Faculdades de hoje. As consultas não se restringiam aos alunos e professores das escolas, 
mas eram possíveis a qualquer pessoa que justificasse o pedido. A Biblioteca do Mosteiro de 
São Bento, em Salvador, Bahia, organizada no início do século XVI, formalizou atividades de 
uma biblioteca pública (Moraes, 1979). 
Com a expulsão da Companhia de Jesus do Brasil, pelo Marquês de Pombal, seus 
bens foram confiscados, inclusive as bibliotecas. Os acervos foram selecionados e grande 
parte enviada ao Colégio do Rio de Janeiro, o restante foi entregue ao bispo da Diocese. 
Com isso, o conhecimento produzido por brasileiros e estudiosos daqueles colégios ficou 
perdido. Outras ordens religiosas se incumbiram da educação dos brasileiros e criaram 
colégios e bibliotecas para isso, como os franciscanos, Beneditinos e Carmelitas. Dentre as 
bibliotecas mais relevantes, estavam as beneditinas. As abadias beneditinas tinham boas 
bibliotecas e enriqueciam seus acervos por meio de compra e herança. 
A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil alterou as condições políticas, econômicas 
e sociais da Colônia. Foi uma transformação radical no Rio de Janeiro, sua população 
cresceu consideravelmente com a chegada de nobres, funcionários de muitas categorias, 
comerciantes, burgueses ricos etc. Esse fato ocasionou novas necessidades na cidade e, em 
conseqüência, transformou a situação do livro e das bibliotecas. Junto com os tesouros do 
Estado Português, como ouro, diamantes, pratarias e paramentos da Capela Real, vieram 
também arquivos das repartições públicas, manuscritos da Coroa e do Infantado e a 
Biblioteca Real da Ajuda. O acervo da biblioteca era composto de coleções ricas e versáteis, 
como as primeiras edições portuguesas e espanholas, edições de clássicos portugueses e 
espanhóis, coleção de folhetos, manuscritos, fotos, mapas e gravuras. A partir daí, a 
biblioteca desenvolveu-se recebendo também doações e, principalmente, através da 
obrigação do depósito legal, pela qual a biblioteca passou a receber um exemplar de tudo o 
que é publicado em território nacional. Com o retorno da Corte Portuguesa à Europa, a 
BibliotecaReal ficou desfalcada de parte de seu acervo, mas, mesmo assim, ainda 
conservou uma parte valiosa. Com o advento da Independência, a biblioteca ficou 
subordinada a uma repartição pública e passou a denominar-se Biblioteca Nacional (Moraes, 
1979). 
A primeira biblioteca pública surgiu, em Salvador, como expressão da sociedade. Um 
senhor de engenho, Pedro Gomes Ferrão de Castelo Branco, planejou a biblioteca como 
uma instituição para promover a instrução do povo. A Biblioteca Pública da Bahia foi a 
primeira a ser fundada com essa característica de não contar com recursos do governo. A 
experiência não deu certo e o governo passou a dar subsídios e outras bibliotecas públicas 
floresceram em outras capitais e cidades importantes. 
É importante ressaltar que a divulgação da cultura até a República já não estava 
restrita às livrarias e bibliotecas dos conventos religiosos. No Rio de Janeiro funcionavam 
vários institutos de estudos superiores criados pelo governo, como a Real Academia Militar, o 
Laboratório Químico-prático, a Academia Médico-Cirúrgica, o Arquivo Militar e a Academia 
Real dos Guarda-Marinhas. Essas organizações estabeleciam em seus estatutos a criação 
de bibliotecas (Moraes, 1979). 
Com o desenvolvimento do sistema educacional brasileiro, a criação de agências de 
fomento e principalmente das Universidades Federais, o crescimento do conhecimento no 
Brasil expandiu-se consideravelmente, não só pela produção dos brasileiros, mas também 
pela compra de coleções para atender a essas novas organizações. Contudo, o número de 
bibliotecas ainda é insuficiente para atender toda a sociedade. 
O país não conta com estatísticas sobre os diferentes tipos de bibliotecas existentes, 
mas é possível calcular o número de bibliotecas em instituições de nível superior, uma vez 
que a autorização para o funcionamento destas depende exatamente da existência de 
bibliotecas. Considerando-se o número de universidades federais existentes no país, estima-
se que o número de bibliotecas universitárias esteja em torno de 62. O Anexo A elenca 
instituições universitárias federais e estaduais que, portanto, oferecem serviços 
bibliotecários. 
 
2.3 Conceituações 
 
As teorias e conceitos que embasam grande parte das atividades das bibliotecas são 
oriundos da Ciência da Informação, em função de orientações comuns na resolução de 
problemas. Assim, a biblioteca é uma coleção de documentos bibliográficos (livros, 
periódicos etc.) e não bibliográficos (gravuras, mapas, filmes, discos etc.) organizada e 
administrada para formação, consulta e recreação de todo o público ou de determinadas 
categorias de usuários. 
 
2.4 Tipos de Bibliotecas 
 
Segundo a finalidade, as bibliotecas se dividem em: 
a) Nacionais - têm como principal finalidade a preservação da memória nacional, isto é, 
da produção bibliográfica e documental de uma nação. 
b) Públicas - surgiram com a missão de atender às necessidades de estudo, consulta e 
recreação de determinada comunidade, independentemente de classe social, cor, 
religião ou profissão. 
 Seus objetivos principais são: 
 - estimular nas comunidades o hábito de leitura; 
 - preservar o acervo cultural. 
c) Universitárias - a finalidade desse tipo de biblioteca é atender às necessidades de 
estudo, consulta e pesquisa de professores e alunos universitários. 
d) Especializadas - são aquelas dedicadas à reunião e organização de conhecimentos 
sobre um só tema ou de grupos temáticos em um campo específico do conhecimento 
humano. 
e) Escolares - são destinadas a fornecer material bibliográfico necessário às atividades 
de professores e alunos de uma escola. 
f) Infantis - devem estar mais voltadas para a recreação e proporcionar outras atividades 
como: escolinhas de arte, exposição, dramatizações etc. Necessitam de um acervo 
bem selecionado para seus usuários. 
g) Especiais - são aquelas que se destinam a atender a um tipo especial de leitor e, por 
isso, detêm um acervo especial, como, por exemplo, as bibliotecas para deficientes 
visuais, presidiários e pacientes de hospitais. 
h) Biblioteca ambulante ou Carro-biblioteca ou Bibliobus - são bibliotecas volantes, que 
objetivam a extensão dos serviços bibliotecários às áreas suburbanas e rurais, quando 
estes são deficientes ou inexistentes. São serviços de extensão de bibliotecas já 
existentes, como bibliotecas públicas ou universitárias. 
i) Popular ou comunitária - é um tipo de biblioteca criada e mantida pela comunidade. 
Tem os mesmos objetivos da biblioteca pública, mas não se vincula ao poder público. 
E mantida por órgãos, como associações de moradores, sindicatos e grupos 
estudantis. 
 
2.5 Atividades de uma Biblioteca / Unidade de Informação 
 
A biblioteca ou outra unidade de informação, aqui entendida como uma unidade que 
trata de informação, desde a organização até sua difusão (base de dados, serviço de 
informação especializada, centro de informação, telecentro, videotecas, mapotecas etc.), 
pressupõe atividades bem características, por trabalhar a informação. Isso faz com que esse 
tipo de instituição ou serviço ofereça serviços e produtos particularizados. 
É importante salientar que os esclarecimentos aqui fornecidos sobre 
bibliotecas/unidades de informação são gerais e presumem metodologias que podem ser 
utilizadas tanto em bibliotecas tradicionais quanto em unidades de informações eletrônicas, 
como as bibliotecas virtuais. 
A biblioteca como uma organização pressupõe três grandes funções: 
1) Função gerencial - administração e organização. 
2) Função organizadora - seleção, aquisição, catalogação, classificação, indexação. 
3) Função divulgação - referência, empréstimo, orientação, reprografia, serviços de 
disseminação, extensão. 
A função gerencial pressupõe gestão e políticas para a biblioteca/unidade de 
informação para buscar o seu melhor desempenho. Conforme Guinchat e Menou (1994), a 
gestão é o processo que dirige as competências e a energia dos indivíduos com a finalidade 
de atingir um determinado objetivo. Motta (1997) sugere que uma boa gestão não se limita 
ao domínio de técnicas administrativas, uma vez que a capacidade gerencial demanda 
outras habilidades mais complexas: capacidades analíticas, de julgamento, de decisão e 
liderança e de enfrentar riscos e incertezas. É também um conjunto de técnicas que 
permitem tomar decisões racionais e colocá-Ias em prática para que todos os recursos do 
organismo sejam empregados da melhor forma possível, visando a sua eficácia. Ainda 
segundo os autores, as políticas são princípios gerais que ajudam a traduzir os objetivos em 
ações, para preparar as regras de conduta que serão adotadas no momento da tomada de 
decisões e da execução das atividades. Visto dessa maneira, toda biblioteca deve ter uma 
gestão e políticas específicas nos seguintes aspectos: organização dos serviços, pessoal, 
equipamento, recursos financeiros, serviços aos usuários, produção, interação com os 
usuários e com a instituição a que está subordinada, intercâmbio com outros organismos e 
outras unidades de informação (Guinchat; Menou, 1994). 
A função organizadora aglutina atividades muito especializadas do profissional de 
informação: selecionar materiais para aquisição, catalogar, classificar e indexar aqueles 
materiais. 
Antes de oferecer uma visão dessas atividades, torna-se necessário um entendimento 
da representação dos documentos, feito em dois níveis. O primeiro é sobre a representação 
física do documento, como a catalogação, e o segundo é sobre sua forma temática. A 
representação temática inclui os processos de indexação e classificação, ou seja, diz 
respeito ao(s) assunto(s) do documento. 
Seleção e Aquisição - a seleção é uma atividade intelectual importante que deve ser 
realizada com o responsável pelo tema tratado, com a participação dos usuários. Tanto a 
seleçãoquanto a aquisição fazem parte de uma política de gestão da unidade e, por isso, 
estarão condicionadas a elementos da política organizacional como: natureza dos serviços 
prestados, orçamento, objetivos da unidade. 
Catalogação - pode ser entendida como o trabalho de descrever a estrutura física dos 
objetos ou documentos que fazem parte de um acervo ou coleção. Este trabalho pode se 
desdobrar na elaboração de catálogos impressos ou on-line e ainda na chamada 
catalogação na fonte, que consiste na inserção da descrição física do documento no próprio 
documento. Os catálogos, por sua vez, se apresentam sob a forma de listas onde são 
registrados e descritos fisicamente os documentos conservados em uma Biblioteca ou 
Unidade de Informação. Geralmente são organizados alfabeticamente e apresentados em 
uma ordem específica: por autor, assunto, local ou título. 
A diferença básica entre catálogos impressos e catálogos on-line está no tipo de 
suporte utilizado e, ainda, no processo de busca e recuperação da informação contida nos 
mesmos. Os catálogos on-line oferecem várias vantagens no acesso à informação que os 
impressos não têm, como a rapidez na busca, uma maior possibilidade de padronização das 
informações etc. 
Guinchat e Menou (1994) descrevem vários tipos de catálogos, dentre os quais, 
destacam-se: catálogo dicionário, catálogos sistemático, cronológico, geográfico, topográfico 
e coletivos. 
Classificação ou ato de classificar pode ser entendido como um processo mental, por 
meio do qual se dá a reunião de objetos em classes ou grupos que apresentam, entre si, 
certos traços de semelhança ou, ainda, de diferença (Souza, 1950, p. 3). Na Biblioteconomia, 
a classificação é a tarefa de descrever o conteúdo de um documento de onde é extraído o 
assunto principal e, eventualmente, um ou dois assuntos secundários, os quais são 
traduzidos para o termo mais apropriado da linguagem documental adotada na unidade de 
informação. 
A Biblioteconomia e a Ciência da Informação lidam, mais comumente, com a 
classificação dos conhecimentos que estão registrados nos mais diversos suportes. Assim, 
nas Bibliotecas e Unidades de informação, os documentos são classificados e agrupados 
conforme os assuntos de que tratam. Para esta tarefa específica existem sistemas de 
classificação bibliográfica que visam a organização de documentos, com o intuito de facilitar 
o acesso dos usuários à informação contida em seus respectivos acervos. 
Ao longo da história, surgiram vários modelos de sistemas de classificação. Os mais 
estudados são a Classificação Decimal de Dewey - CDD, a Classificação Decimal Universal - 
CDU e a Classificação Facetada de Ranganathan, entre outras. Como já foi mencionado, na 
história do surgimento da CDU, as classes da Classificação Decimal de Dewey foram 
utilizadas na sua construção, assim, ambas carregam a mesma filosofia. A CDU, segundo 
Miranda (1996),"caracteriza-se como um instrumento de representação da informação e, 
conseqüentemente, de organização do conhecimento registrado em sistemas de 
recuperação da informação" (Miranda, 1996, p. 23). 
Esse sistema é dividido em classes decimais, o que permite a inclusão de temas e 
subtemas. As classes principais da CDU são: 
0 Generalidades. Ciências e conhecimento. Organização. Informação etc. 
1 Filosofia. Psicologia. 
2 Religião. Teologia. 
3 Ciências Sociais ... Direito. Administração etc. 
4 Vaga. 
5 Matemática e ciências naturais. 
6 Ciências aplicadas. Medicina. Tecnologia. 
7 Arte, Belas Artes. Recreação. Diversões. Esportes. 
8 Linguagem. Lingüística. Literatura. 
9 Geografia. Biografia. História. 
Como podemos observar, a classe 0 é a mais geral das classes e é usada para 
trabalhos sem uma limitação, por exemplo, enciclopédias, jornais, periódicos, e ainda para 
algumas disciplinas especializadas, como Ciência da Computação, Biblioteconomia e Ciência 
da Informação, Jornalismo. Tais sistemas buscam acompanhar os avanços do conhecimento 
humano, contudo, as atualizações ainda são lentas. 
Indexação - é uma das principais atividades desenvolvidas numa Biblioteca ou 
Unidade de Informação. Consiste na descrição dos conteúdos dos documentos e possui 
como principal objetivo a recuperação a informação desejada pelo usuário. Segundo 
Guinchat e Menou (1994), esses conteúdos são expressos por meio de um vocabulário 
oriundo da linguagem documental escolhida na unidade de informação. Essa tarefa tem 
como desdobramento a construção de índices de termos, o que possibilita maior facilidade 
de pesquisa ou consulta por parte do usuário. 
Esta atividade era realizada essencialmente por seres humanos. No entanto com o 
advento do computador, passou a ser desenvolvida por softwares capazes de reconhecer os 
principais termos utilizados no corpo do documento e indexá-los, daí originou-se a chamada 
Indexação automatizada. 
A função divulgação é uma atividade fundamenta nas unidades de informação e, por 
isso, deve ser sua principal preocupação. Ela consiste em comunicar ao usuário as 
informações de que ele necessita e dependendo do procedimento, antecipar-se à pesquisa 
do usuário, como, também, propor-lhe as possibilidades de acesso a estas 
informações/documentos. As diferentes formas de atuação da biblioteca nesta atividade 
englobam um conjunto de serviços a que se denominam Serviços de Disseminação. 
Os Serviços de Disseminação em Bibliotecas e Unidades de Informação vêm ao longo 
dos anos se fortalecendo, na medida em que os profissionais de Biblioteconomia e Ciência 
da Informação passaram a perceber tais serviços como um elo a ser estabelecido entre os 
usuários e os diversos serviços/materiais existentes e disponibilizados pela unidade de 
informação. Esta ligação passou a ser fundamental para o bom desempenho das atividades 
desenvolvidas em consonância com as políticas estabelecidas pela organização. Os serviços 
de divulgação reúnem instrumentos como: referência, orientação ao usuário, empréstimo, 
fornecimento de fotocópias e os serviços de alerta, que incluem os sumários correntes e a 
disseminação seletiva da informação. 
A Biblioteca é um organismo vivo a serviço da comunidade; nela, obtemos respostas 
às nossas mais diversas indagações. O lugar de destaque que ela ocupa no mundo atual 
decorre da importância que a informação tem para cada sociedade. Assim, a biblioteca 
participa do aprimoramento intelectual, humanístico, técnico e científico de todos os 
segmentos sociais. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de 
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. 241 p. 
 
FIGUEIREDO, Nice. Paul Otlet e o centenário da FID. In: ORGANIZAÇÃO do conhecimento 
e sistemas de classificação. Brasília: IBICT, 1996. p. 14-19. 
 
GOMES, Sonia de Conti. Bibliotecas e sociedade na Primeira República. São Paulo: Livraria 
Pioneira Editora, 1983. 101 p. 
 
GOMES, Hagar. Organização do conhecimento e novas tecnologias. In: ORGANIZAÇÃO do 
conhecimento e sistemas de classificação. Brasília: IBICT. 1996. p. 54-57. 
 
GUINCHAT, C.; MENOU, M. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e 
documentação. 2. ed. Brasília: MCT/CNPq/IBICT, 1994. 528 p. 
 
LEMOS, A. B. Bibliotecas. Texto didático. [s.n.t.] 
 
MIRANDA, M. L. C. A CDU nos currículos dos cursos de graduação em Biblioteconomia no 
Brasil. In: ORGANIZAÇÃO do conhecimento e sistemas de classificação. Brasília: IBICT, 
1996. p. 22-34. 
 
MORAES, Rubens Borba. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. Rio de Janeiro: Livros 
Técnicos e Científicos, 1979. 195 p. 
 
MOTTA, Paulo Roberto. Gestão contemporânea: a ciência e a arte de ser dirigente. São 
Paulo: Record, 1997. 256 p. 
 
SOUZA J. S. Classificação: sistemas de classificação bibliográfica. 2. ed. São Paulo: 
Departamento Municipal de Cultura, 1950. 
 
 
CAPÍTULO III - A Ciência da Informaçãono Brasil 
Maria Eugênia Albino Andrade 
Marlene de Oliveira 
 
Em uma abordagem sociológica, a atividade científica é caracterizada como o 
compartilhamento de teorias entre pessoas, de modo d possibilitar a geração de novos 
conhecimentos e uma prática mais enriquecedora e inserida no contexto social, econômico e 
político em que ocorre. Assim, uma disciplina científica que pretenda alcançar o status de 
ciência, como é o caso da Ciência da Informação, classificada na área de ciências sociais 
aplicadas, necessita tanto de teorias quanto de práticas. 
Em nível teórico, a Ciência da Informação apresenta dificuldades relativas à 
delimitação de seu objeto de estudo, a informação, bem como dificuldades em desenvolver 
teorias em suas diversas subáreas, o que tem sido discutido por sua literatura em âmbito 
mundial. 
Além das teorias que dizem respeito à sua estrutura interna, toda área científica 
precisa de condições externas favoráveis ao seu desenvolvimento. 
No Brasil, a Ciência da Informação conta com uma infra-estrutura ainda incipiente, de 
ensino e pesquisa, uma vez que seu apoio institucional está em fase de implantação. 
Para o desenvolvimento das atividades científicas, torna-se necessária uma infra-
estrutura mínima composta por elementos básicos, a saber: 
- instituições de ensino e pesquisa fortes, bem como de apoio às atividades de 
pesquisa; 
- recursos humanos qualificados; 
- canais de comunicação e intercâmbio científico. 
Para abordar o desenvolvimento da Ciência da Informação e o estabelecimento de 
sua infra-estrutura no Brasil, faz-se obrigatório dedicar atenção ao Instituto Brasileiro de 
Bibliografia e Documentação -IBBD, hoje Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e 
Tecnologia - IBICT A história da Ciência da Informação passa, necessariamente, pela história 
dessa instituição, uma vez que ela introduziu no país as primeiras idéias da documentação e, 
mais tarde, da Ciência da Informação. 
O IBBD foi fundado em 1954, ligado ao então Conselho Nacional de Pesquisas, 
atualmente Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. A 
criação desses dois órgãos foi influenciada pela UNESCO, que, na década de 1950, 
incentivou o estabelecimento de políticas nacionais para estimular o desenvolvimento 
científico e tecnológico e, também, para contemplar com informação científica os países 
periféricos, respectivamente. 
O fato de o IBSD estar ligado a um órgão de financiamento a pesquisas facilitou o 
cumprimento de sua missão, tornando-o, então, um centro documentação que visava apoiar, 
em termos informacionais, as atividades das instituições científicas, técnicas e industriais 
brasileiras. Entretanto, a literatura sobre o assunto aponta dificuldades sentidas pelo instituto 
para iniciar as suas atividades, pois tinha carência tanto de recursos financeiros como de 
recursos humanos qualificados. Apesar das deficiências, o IBBD empreendeu iniciativas 
importantes. Entre elas, deve-se destacar a realização de pesquisas bibliográficas, o que era 
uma novidade à época, e cujos produtos serviram de base à confecção de bibliografias 
nacionais especializadas, instrumentos básicos para o controle bibliográfico. A publicação 
dessas bibliografias, elaboradas por assunto, foi possibilitada pelo grande e variado acervo 
do IBBD de periódicos internacionais e de levantamentos bibliográficos. 
Outra atividade relevante, implementada pelo Instituto e mantida até hoje, foi a 
elaboração e a disponibilização do Catálogo Nacional de Publicações Periódicas - CCN. É 
uma base de dados que arrola as revistas científicas e técnicas existentes nas bibliotecas 
brasileiras, indicando as bibliotecas que possuem determinado título de periódico e quais 
fascículos. O CCN constitui instrumento fundamental para a localização e o acesso a esse 
tipo de literatura imprescindível para a concretização de trabalhos acadêmicos e pesquisas 
científicas. 
A preocupação em arrolar e facilitar o acesso à literatura científica e técnica, aliada à 
de sanar o problema de recursos humanos carentes de maior formação, levou o IBBD a criar 
o "Curso de Pesquisas Bibliográficas em Ciências Médicas e em Ciências Agrícolas", em 
1955. Posteriormente, passou a ser denominado "Curso de Documentação Científica", com 
ampliação do seu conteúdo. Esses cursos eram, inicialmente, dirigidos a bibliotecários, com 
o objetivo de capacitá-los a trabalhar com a literatura científica e técnica, primeiro enfoque da 
Ciência da Informação. 
Por meio da oferta desses cursos, o IBBD atuou como um centro irradiador de novos 
conhecimentos tanto para o Brasil quanto para outros países da América Latina, pois 
bibliotecários de diferentes origens atenderam ao curso de documentação, até o final da 
década de 1960. 
O IBBD, como órgão da administração federal, passou por transformações que 
ocorreram no Estado brasileiro, na década de 1970, quando o nome e missões de muitas 
instituições foram alterados. O nome do IBBD foi modificado para Instituto Brasileiro de 
Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT, mas manteve sua vinculação ao CNPq, cujo 
nome também foi mudado de Conselho Nacional de Pesquisas para Conselho Nacional de 
Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Entretanto, o IBICT preservou a experiência 
herdada do IBBD de atuar no campo de informação em ciência e tecnologia tanto em relação 
ao controle e acesso à informação documentária quanto em relação à formação de recursos 
humanos na área de informação (Neves, 1995). 
Na mesma década, o Estado optou por investir na criação de infra-estrutura para o 
desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil, destinando-lhe parcelas significativas de 
orçamento. Um fato marcante desse período foi a expansão dos cursos de pós-graduação 
nas universidades federais. Tal política contribuiu para o desenvolvimento da ciência 
brasileira como um todo, incluindo áreas mais novas, dentre elas, a Ciência da Informação. 
O primeiro curso de pós-graduação stricto sensu na área, em nível de mestrado, foi 
criado pelo IBICT. A partir de então, observa-se o crescimento da Ciência da Informação no 
Brasil e seu processo de institucionalização, tanto em termos de formação de recursos 
humanos quanto de pesquisa científica e de sua comunicação. O que será abordado a 
seguir. 
 
3.1 Sociedades Científicas 
 
A história da ciência mostra que a institucionalização da atividade científica coincide 
com a criação das academias científicas. As primeiras academias surgiram na Itália: 
Academia dei Lincei e Academia Del Cimento. A Academia dei Lincei foi fundada em 1603, 
tendo interrompido seus estudos nas áreas de física e astronomia após a condenação de 
Galileu, em 1633. A Academia De/ Cimento, criada em 1657, funcionou por apenas dez 
anos. 
A sociedade acadêmica mais conhecida é a Royal Society, de Londres. Foi criada, em 
1660, por um grupo de cientistas e homens abastados que se reuniram em torno de idéias de 
renovação política e social. Outra instituição científica importante é a Academie des 
Sciences, de Paris, criada em 1666 (Albagli, 1988). 
Essas instituições se dedicavam à pesquisa científica com o apoio do poder político, e 
algumas contavam com pequeno patrocínio oficial, como acontecia na Inglaterra e na 
França. A função das sociedades científicas parece não ter se modificado significativamente 
na sociedade moderna. Elas permanecem como entidades detentoras do papel de incentivar 
a pesquisa científica e de facilitar a comunicação e discussão de resultados de pesquisas. 
Um objetivo importante mantido por essas organizações é o de representar politicamente os 
interesses de seus associados junto aos órgãos governamentais e à sociedade. 
Outra atividade relevante dessas sociedades, principalmente no século XX, é a 
promoção de eventos científicos, comumente denominados de congressos, seminários, 
reuniões,encontros. Essas organizações tornam-se, também, responsáveis pela publicação 
de periódicos que objetivam divulgar os trabalhos desenvolvidos por pesquisadores. Assim, 
as sociedades científicas, hoje, contribuem de maneira decisiva para proporcionar condições 
para a intensificação do contato entre os pares de uma área, assim como para o intercâmbio 
de idéias e de conhecimentos entre os membros de sua comunidade. 
Além de contribuírem para o desenvolvimento dos campos de conhecimento, as 
associações participam da estruturação dos mesmos. Pode-se observar a consolidação de 
um campo do conhecimento pela análise das suas sociedades científicas e de suas 
atividades, que são indicativos do amadurecimento de determinada área acadêmica. 
O campo da Ciência da Informação possui, em sua organização interna enquanto 
campo do conhecimento, sociedades científicas. Como exemplo de tal fato, pode-se citar a 
norte-americana American Society for Information Science and Technology - ASIST. 
No Brasil, a comunidade de pesquisadores da Ciência da Informação se congrega em 
uma associação científica, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência 
da Informação e Biblioteconomia - ANCIB. Ela foi criada em junho de 1989 com o objetivo, 
entre outros, de promover o desenvolvimento da pesquisa, o intercâmbio e a cooperação 
entre seus associados, a sistematização e a divulgação dos conhecimentos gerados pela 
comunidade de pesquisadores. 
A ANCIB promove periodicamente o Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da 
Informação - ENANCIB. Tais encontros constituem momentos privilegiados em que os 
pesquisadores apresentam e discutem seus trabalhos de pesquisa, concluídas ou em 
andamento. Esses encontros são descritos pela ANCIB da seguinte maneira: 
O Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) é o principal 
evento promovido pela ANCIB e tem o objetivo de discutir e refletir os temas e 
tendências da pesquisa em Ciência da Informação, de modo a estimular e fazer 
avançar as atividades de geração do conhecimento na área, por meio de amplo 
diálogo entre os pesquisadores que nela atuam. Nesse encontro, a comunidade de 
pesquisadores discute as questões mais em evidência e estreita os aços que unem 
seus membros. (ANCIB, 2004) 
 Os encontros da ANCIB são estruturados por Grupos Temáticos, em torno dos quais 
os trabalhos de investigação científica são apresentados e discutidos. Atualmente, a 
Associação conta com os seguintes grupos temáticos: 
1) Informação Tecnológica e para Negócio; 
2) Representação do Conhecimento, lndexação, Teoria da Classificação; 
3) Novas Tecnologias, Redes de Informação, Educação a Distância; 
4) Informação e Sociedade; Ação Cultural; 
5) Comunicação e Produção Científica; Literatura Cinzenta; 
6) Formação Profissional e Mercado de Trabalho; 
7) Planejamento e Gestão de Sistemas; 
8) Epistemologia da Ciência da Informação. 
Os grupos temáticos aumentam ou diminuem conforme as necessidades de pesquisa 
da área. No IV ENANCIB foi criado um grupo dedicado à epistemologia da Ciência da 
Informação. Isso representa a concretização de esforços dedicados às teorias necessárias à 
consolidação do campo e também a preocupação da comunidade da área em refletir sobre o 
seu objeto e a sua prática de produção do conhecimento. Entretanto, a circulação das 
informações em um campo científico demanda outros veículos principalmente, o periódico. 
 
3.2 O Periódico Científico 
 
A publicação regular de periódicos científicos é outra característica da consolidação de 
uma área acadêmica. O surgimento do periódico científico está associado às revoluções 
científicas ocorridas no século XVII e nasceu da necessidade de os cientistas se 
comunicarem com rapidez e de forma sistemática. O periódico constituiu uma forma de 
comunicação intermediária entre os contatos pessoais e os longos tratados. Criou, também, 
condições para a troca de idéias e críticas das pesquisas desenvolvidas, estendendo a 
audiência a todos os cientistas dedicados a um tema. 
O aumento das sociedades científicas, em meados do século XVII, colaborou na 
proliferação da revista científica. Segundo Meadows (1974), a importância desses periódicos 
deve-se ao fato de terem sido desenvolvidos como órgãos oficiais das sociedades científicas 
e como instrumentos de comunicação dos resultados de pesquisa. 
O primeiro periódico científico surgiu com o nome de Journal des Sçavans, em 1665. 
Seu objetivo era registrar informações sobre livros publicados na Europa, divulgar 
experimentos de física e química, descrever invenções, registrar dados meteorológicos e 
citar as primeiras decisões das cortes civil e religiosa. Sua publicação foi interrompida por 
imposição da Coroa Francesa. 
No mesmo ano, 1665, foi fundado o Philosophical Transactions of the Royal Society, 
em Londres. Diferentemente do periódico científico, este se dedicava somente ao registro de 
experimentos científicos em todas as áreas, relatadas em cartas por cientistas europeus. 
Assim, os membros da Royal Society poderiam ter acesso ao conhecimento então produzido. 
A partir desses dois títulos, outras sociedades científicas européias passaram a editar 
periódicos com o objetivo de divulgar as pesquisas realizadas por seus membros. 
Além das funções de comunicação rápida dos resultados de pesquisa e da sua 
disseminação a um público mais amplo, Altbach (1980) chama a atenção para a importância 
do papel do periódico no desenvolvimento de novos campos de estudo. Ainda segundo o 
autor, os periódicos tornam-se especialmente importantes em um contexto social de Terceiro 
Mundo, uma vez que são pioneiros no desenvolvimento de seus campos de estudo. Nesse 
contexto, eles podem oferecer aos pesquisadores dos países periféricos um meio rápido de 
comunicação com os pesquisadores e centros de pesquisas dos países centrais. Entretanto, 
o autor aponta algumas dificuldades na manutenção das revistas científicas, naqueles 
países, como, por exemplo, o custo de manter um periódico dirigido a uma comunidade 
pequena de pesquisadores. 
A Ciência da Informação, em seu processo de constituição e de consolidação, tem 
produzido diversos periódicos. No Brasil, essa atividade da área se iniciou na década de 
1970. Em 1972, foram criados a Ciência da Informação, sob a responsabilidade do IBICT, e a 
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, que teve seu título alterado em 1996 para 
Perspectivas em Ciência da Informação, editada pela Escola de Ciência da Informação da 
UFMG. Em 1973, foi lançada a Revista de Biblioteconomia de Brasília, publicada, 
inicialmente, pela Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal e, atualmente, por essa 
classe, em conjunto com o Departamento de Ciência da Informação e Documentação da 
Universidade de Brasília. Ainda em 1973, a Federação Brasileira de Biblioteconomia e 
Documentação lançou a Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, 
posteriormente seu nome mudou para Revista Brasileira de Biblioteconomia e 
Documentação: Nova série. 
A partir da década de 1980, outros títulos foram criados, muitos deles ligados a cursos 
e programas de pós-graduação, em formato impresso e eletrônico. A revista 
Transinformação é editada pelo Departamento de Pós-Graduação em Biblioteconomia da 
PUCCAMP, a partir de 1989. Mas, em 1990, houve um aumento do número de periódicos ao 
surgirem novos títulos ligados aos cursos de graduação e de pós-graduação na área de 
informação, porém, nem todos estão sendo editados regularmente. Têm, então, sua 
publicação iniciada: 
- Informação e Sociedade: Estudos, sob a responsabilidade do Departamento de 
Biblioteconomia e Documentação da Universidade Federal da Paraíba, em 1991; 
- Informação & Informação, pelo Departamento de Ciência da Informação da 
Universidade Estadual de Londrina, em 1995, com último fascículo datado de 2001;- Informare: Cadernos do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da 
ECA-UFRJ/IBICT-CNPq, em 1995, datado de 2000 o seu último número editado; 
- Encontros Bibli: Revista Eletrônica de Biblioteconomia e Ciência da Informação, do 
Depart. de Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina, em 1996; 
- DataGrama Zero, publicada pelo Instituto de Adaptação e Inserção na Sociedade da 
Informação sob a coordenação do professor Aldo Barreto, em 1999; 
- Revista Biblos do Departamento de Biblioteconomia e História da Fundação 
Universidade do Rio Grande, com periodicidade anual; 
- Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina; 
- Revista de Biblioteconomia do Maranhão. 
Os diferentes títulos se encontram em situações diversas. Alguns conseguem manter 
a regularidade da periodicidade proposta, outros apresentam demoras na edição de seus 
fascículos. Apesar de, no Brasil, a Ciência da Informação ter tido dificuldades em manter 
seus periódicos face à escassez de recursos que vem atingindo a ciência como um todo, a 
literatura desse tipo contribui para a comunicação formal de idéias e pesquisas para a sua 
comunidade e para a preservação do conhecimento registrado. A presença dos cursos e 
programas de pós-graduação em Ciência da Informação é decisiva na criação e na 
manutenção dos periódicos. A participação de professores/pesquisadores nos conselhos 
editoriais e na produção de artigos que veiculam as idéias e pesquisas de seus docentes e 
discentes contribui para a consistência e manutenção das revistas. 
 
3.3 Programas de Pós-Graduação 
 
A formação de recursos humanos qualificados constitui elemento básico para o 
desenvolvimento e a consolidação de todo campo de conhecimento. No caso da Ciência da 
Informação, essa formação ocorre em dois momentos. O primeiro é a graduação em 
Biblioteconomia ou em Ciência da Informação, quando se possibilita ao aluno a Introdução 
na prática da pesquisa por meio dos programas de Iniciação Científica. 
Entretanto, a formação de recursos humanos para a pesquisa e a docência ocorre em 
um segundo momento, por meio dos cursos e programas de pós-graduação, que oferecem a 
pós-graduação stricto sensu, ou seja, em nível de mestrado e doutorado. Estes são abertos a 
graduados provenientes de diferentes áreas, desde que atendam aos critérios de seleção 
estabelecidos. 
No Brasil, a pós-graduação em Ciência da Informação tem Início com os cursos lato 
sensu ou de especialização. Como já foi mencionado, o IBICT foi pioneiro na oferta de tais 
cursos. Depois disso, diversos cursos de especialização na, área de informação foram 
criados, especialmente na década de 1990. E preciso ressaltar que o objetivo desse nível de 
ensino é preparar para melhorar o exercício profissional em determinado tema porém, tem 
sido uma opção de aprofundamento de estudo adotada por cursos de graduação em 
Biblioteconomia e oferecida a seus ex-alunos e, também, a graduados de outras áreas. 
Por outro lado, a formação de pesquisadores e de docentes ocorre nos cursos stricto 
sensu. No Brasil, os cursos de pós-graduação stricto sensu em Ciência da Informação 
tiveram início na década de 1970, quando houve um crescimento significativo da pós-
graduação nacional. O primeiro curso de mestrado foi implantado pelo IBICT, em convênio 
com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Depois disso, outros cursos de mestrado 
surgiram, e, posteriormente, alguns passaram a oferecer também programas de doutorado. É 
interessante observar que, na década de 1990, os cursos já existentes na área de 
Biblioteconomia optaram pela mudança de nome para Ciência da Informação. Atualmente, o 
campo conta com oito programas de pós-graduação, abrigados nas seguintes instituições: 
- Instituto, Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (lBICT), em convenio com a 
Universidade Federal do Rio de Janeiro até 2000, e convênio em negociação com a 
Universidade Federal Fluminense - Mestrado - 1970 e Doutorado - 1994; 
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - Mestrado 1976 e Doutorado - 1997; 
- Universidade Federal da Paraíba (UFPB) - Mestrado - 1977; 
- Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) - Mestrado - 1977; 
- Universidade de Brasília (UnB) - Mestrado - 1978 e Doutorado - 1982; 
- Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho" (UNESP Marília) - Mestrado 1998; 
- Universidade Federal da Bahia (UFBA) - Mestrado - 1998; 
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) - Mestrado – 2003 
A Ciência da Informação está também presente em dois outros programas: 
- Universidade de São Paulo (USP), como área de concentração do Programa de Pós-
Graduação em Comunicação - Mestrado -1972 e Doutorado - 1992; 
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como linha de pesquisa do 
Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação - Mestrado -1995. 
Os cursos e programas de pós-graduação são estruturados em áreas de concentração 
e, dentro de cada uma, são estabelecidas linhas de pesquisa sob as quais se reúnem os 
professores / pesquisadores e discentes. As linhas de pesquisa também passam por 
modificações periódicas para absorver novas temáticas e novos perfis. 
Atualmente, os programas de pós-graduação em Ciência da Informação possuem as 
seguintes áreas de concentração e linhas de pesquisa: 
- Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT): 
Área de Concentração 1 : Conhecimento, processos de comunicação e informação. 
Linhas de Pesquisa: 
- Teoria, epistemologia, interdisciplinaridade; 
- Processamento e tecnologia de informação. 
Área de Concentração 2: Política e gestão do conhecimento e informação. 
Linhas de Pesquisa: 
- Configurações sociais e políticas de informação; 
- Gestão da informação. 
- Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): 
Área de Concentração: Produção, organização e utilização da informação. 
Linhas de Pesquisa: 
- Informação, cultura e sociedade; 
- Informação gerencial e tecnológica; 
- Organização e uso da informação. 
- Universidade Federal da Paraíba (UFPb): 
Área de Concentração: Informação e Sociedade. Linhas de Pesquisa: 
- Informação e cidadania; 
- Desenvolvimento. 
- Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP): 
Linhas de Pesquisa: 
- Gestão de serviços de informação; 
- Produção e disseminação da informação. 
- Universidade de Brasília (UnB): 
Área de Concentração - Doutorado: Transferência da informação. 
Área de Concentração - Mestrado: Planejamento e gerência de unidades de 
informação. 
Linhas de Pesquisa: 
- Planejamento, administração, gerência e avaliação de bibliotecas e sistemas 
de informação; 
- Processos e linguagens de indexação; 
- Formação profissional e mercado de trabalho; 
- Comunicação científica; 
- Informações orgânicas. 
- Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho" (UNESP de Marília): 
Área de Concentração: Informação, tecnologia e conhecimento. 
Linhas de Pesquisa: 
- Informação e tecnologia; 
- Organização da informação. 
- Universidade Federal da Bahia (UFBA): 
Área de Concentração: Informação e conhecimento na sociedade contemporânea. 
Linhas de Pesquisa: 
- Teoria e gestão do conhecimento; 
- Informação e contextos socioeconômicos. 
- Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC): 
Área de Concentração: Gestão da informação. Linhas de Pesquisa: 
- Fluxos de informação; 
- Profissionais da informação. 
- Universidade de São Paulo (USP): 
Área de Concentração: Ciência da Informação e documentação. 
Linhas de Pesquisa: 
- Ação cultural; 
- Análise documentária; 
- Geração e uso da informação; 
- Informação, comunicação e educação. 
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): 
Área de Concentração: 
- Comunicação e informação. 
Linha de Pesquisa: 
- Informação, tecnologias e práticas sociais. 
Houve um crescimento importantena quantidade de programas de pós-graduação na 
área, entretanto, o corpo de professores/pesquisadores ainda está aquém da demanda dos 
programas de pós-graduação. Em decorrência desse fato, eles muitas vezes dependem de 
professores de outras áreas ou vinculados a outros departamentos. 
 
3.4 Considerações Finais 
 
A Ciência da Informação conta com uma infra-estrutura favorável ao seu 
desenvolvimento no Brasil. Existem oito programas específicos de pós-graduação na área e 
um como área de concentração e outro como linha de pesquisa em outros programas. Há 
também um considerável aumento do número de doutores e mestres. A Ciência da 
Informação brasileira conta, ainda, com muitos periódicos específicos, embora nem todos 
sejam publicados regularmente. Além disso, possui uma sociedade científica que promove 
encontros, permitindo o contato entre seus membros e a divulgação de pesquisas 
desenvolvidas e em andamento. 
A infra-estrutura para o desenvolvimento da Ciência da Informação apresenta-se 
favorável, embora muitos desafios devam ser superados. Sua consistência, crescimento e 
eficiência dependem, essencialmente, dos recursos humanos formados pelos cursos de 
graduação e pós-graduação, assim como de sua atuação profissional, para torná-la uma 
ciência com maior visibilidade e maior reconhecimento na sociedade. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALBAGLI, S. Ciência e estado no Brasil Moderno: um estudo do CNPq. 1988. 170 f. 
Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) - COPPE/UFRJ, 1988. 
 
ALTBACH, Philip G. The role of journals in knowledge distribution in the Third World. New 
York, 1980. (Texto mimeog.). 
 
ANCIB. Disponível em:<http://www.ancib.org.br>. Acesso em: 18/05/2004. 
 
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, Brasília: IBICT, v. 24, n. 1. (Especial 25 anos de pós-
graduação em Ciência da Informação do IBICT). 
 
CNPq. Avaliação e Perspectiva 82. Brasília: Coordenação Editorial, 1983. v. 8. Ciências 
Sociais. 
 
CN Pq. Avaliação e Perspectivas 82. Brasília: Coordenação Editorial, 1983. v. 7. Ciências 
Humanas e Sociais. 
 
HERSHMAN, A The primary journal: past, present and future. J. Chem. Doc. v. 10, n. 1, p. 
37-42, 1970. 
 
INSTITUTO BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Disponível em: 
<http://www.ibict.br/secao.php?cat=pós-graduação%20em%20CI/programa>. Acesso em: 
18/05/2004. 
 
MEADOWS, A J. Communication in science. London: Butterworths, 1974. 
 
MUELLER, S. P. M. O periódico científico. ln: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, 
J. M. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: 
Editora UFMG, 2000. cap. 5, p. 73-95. 
 
NEVES, T. M. G. Mestrado em ciência da informação do IBICT: uma breve abordagem de 
suas temáticas. Informare, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 14-19, jan./jun. 1995. 
 
OLIVEIRA, Heloisa da C. P. O apoio governamental às publicações periódicas científicas. O 
programa de apoio a revistas cientificas do CNPq e da FINEP. 1989. 130 f. Dissertação 
(Mestrado em Ciência da Informação) - Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e 
Tecnologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989. 
 
OLIVEIRA, M. A Investigação científica na Ciência da Informação: análise da pesquisa 
financiada pelo CNPq. 1998. 200 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - 
Departamento de Ciência da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília, 
1998. 
 
PINHEIRO, L. V. R. A Ciência da Informação entre a sombra e luz: domínio epistemológico e 
campo interdisciplinar. 1997. 269 f. Tese (Doutorado em Comunicação) – ECO, Universidade 
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1997. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO em Ciência da Informação - PPGCI/UFMG. Disponível 
em:<http://www.eci.ufmg.br/ppgci>. Acesso em: 18/05/2004. 
 
PÓS-GRADUAÇÃO em Ciência da Informação. Disponível em:<http:// www.posici.ufba.br/>. 
Acesso em: 06/05/2004. 
 
PROGRAMAS Pós-graduação. Universidade Federal da Paraíba. Disponível 
em:<http://www.prpg.ufpb.br>. Acesso em: 17/05/2004. 
 
PUC Campinas. Disponível em: <http://www.puc-campinas.edu.br/pos/curso.asp?id=2>. 
Acesso em: 11/05/2004. 
 
REVISTA DE BIBLIOTECONOMIA DE BRASÍLIA, Brasília, v. 23/24, n. 3/especial, 
1999/2000. 
 
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Disponível em: <http://www.unb.br/dpp/stricto/stricto-
13.htm>. Acesso em: 18/05/2004. 
 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Disponível em: <http://www2.eca.usp.br/departam/cbd/ 
cursos/posgrad/posgrad.htm>. Acesso em: 18/05/2004. 
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Marília. Disponível em: 
<http://www.marilia.unesp.br/ensino/pos-grad/ciencia_informacao.htm>. Acesso em: 
06/05/2004. 
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Programa de pós-graduação. Disponível 
em:<http"//www.unesp.br/ensinoecultura/posgrad>. Acesso em: 11/05/2004. 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Disponível 
em:<http://www.cin.ufsc.br/pgcin/pgcin_folder.htm> . Acesso em: 06/05/2004. 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Disponível em: 
<http://www.pppcom.ufrgs.br>. Acesso em: 18/05/2004. 
 
CAPÍTULO IV - Sistemas e Redes de Informação 
Beatriz Valadares Cendón 
 
4.1 Sistemas de Recuperação da Informação 
 
A recuperação da informação consiste em encontrar a informação desejada em um 
armazém de informação ou base de dados (Meadows, 1992). Embora possa ter essa 
conotação mais ampla, na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação a expressão tem 
sido usada para significar busca de literatura (Lancaster e Warner, 1993). Se a recuperação 
da informação consiste na busca de uma coleção de documentos7 para identificar aqueles 
que satisfazem uma determinada necessidade de informação, sistemas de recuperação da 
informação (SRls) são aqueles sistemas criados para facilitar essa busca (Lancaster e 
Warner, 1993). 
Embora a recuperação da informação não seja necessariamente uma atividade 
computacional, na prática, hoje, SRls são automatizados. Exemplos de SRls são catálogos 
de bibliotecas, bases de dados bibliográficas (como, aquelas disponibilizadas no Portal 
Capes: Library and Information Sciences Abstracts - LISA, Web of Science e outras), e 
motores de busca na Internet (como, o Google). Normalmente os SRls lidam com 
documentos que contêm principalmente texto, e esse é o seu grande desafio, já que devem 
se defrontar com a ambigüidade da palavra na recuperação da informação. Caracterizam-se 
também por lidarem com informações de natureza externa (versus informação interna a 
empresas e instituições), o que os diferencia de outros sistemas como os de informações 
gerenciais. Em sua definição mais ampla, SRls podem, também, lidar apenas com o 
problema da recuperação textual. Um sistema de armazenamento e recuperação de 
desenhos de engenharia, por exemplo, seria também um SRI. Já um catálogo de fichas seria 
 
7
 O termo documento é usado no seu sentido mais amplo, não se restringindo apenas a textos, incluindo sons, 
imagens ou quaisquer outros objetos informativos (Buckland, 1991). 
um exemplo de um SRI não automatizado. 
Devido às vantagens e facilidades que os SRls automatizados oferecem para busca 
de informação, seu uso tem se tornado cada vez mais comum. Esses sistemas oferecem 
maior número de pontos de acesso que os SRls não automatizados, podendo-se, muitas 
vezes, pesquisar palavras-chave que aparecem em qualquer ponto do registro, inclusive no 
resumo e no texto completo, quando estes estão disponíveis. Além disso, permitem realizar 
pesquisas mais complexas, em que vários conceitos necessitam ser relacionados, pois pode-
se combinar grande número de termos de busca com lógica booleana, de maneiras que não 
seriam possíveis nos SRls impressos. Permitem também fazer, rapidamente, buscas 
abrangentes, cobrindo vários anos de publicações. Essas e outras facilidades representam 
uma grande economia de tempopara o usuário, permitindo que uma pesquisa que poderia 
tomar muitas horas de trabalho, se realizada manualmente, seja executada bem mais 
rapidamente, com o uso dos computadores. 
 
4.2 O Funcionamento dos Sistemas de Recuperação da Informação 
 
Um sistema de recuperação da informação pode ser representado como no diagrama 
a seguir, proposto por Lancaster (1979): 
 
Figura 4.1 - Funções de um sistema de recuperação da informação 
 
Fonte - Adaptado de LANCASTER, F. Wilfried. Information Retrieval Systems: characteristics, testing and 
evaluation. 2nd. New York: Wiley Interscience, 1979. 
 
A aquisição de documentos por um serviço de informação implica na existência de um 
critério de seleção, o qual, por sua vez, requer um conhecimento das necessidades de 
informação da comunidade à qual o serviço atende. Critérios para seleção de documentos 
incluem, por exemplo, assunto, tipo de documento, idioma, ou fonte. Uma vez adquiridos, os 
documentos são organizados e controlados para que possam ser identificados em resposta 
às consultas dos usuários. A indexação por assunto envolve a análise conceitual, ou análise 
de conteúdo, e a sua tradução para um vocabulário ou linguagem de indexação. Em alguns 
sistemas, isso implica no uso de um vocabulário controlado, ou seja, um conjunto limitado de 
termos que devem ser usados para representar o assunto de um documento. Esse 
vocabulário pode ser uma lista de cabeçalho de assunto, um esquema de classificação ou 
um tesaurus, por exemplo. A representação de assuntos do documento pode ser feita 
também através de um vocabulário não controlado, seja pelo uso de palavras ou frases que 
ocorrem no documento que está sendo indexado ou de termos escolhidos pelo indexador. Os 
termos usados pelo indexador, sejam eles provenientes de um vocabulário controlado ou não 
controlado, são chamados termos de indexação. 
Uma vez terminado o processo de indexação, os documentos são arquivados em 
alguma forma de base de dados de documentos; e os registros contendo as representações 
dos documentos são colocados em uma outra base de dados, onde eles são organizados de 
forma que possam ser pesquisados. Em sistemas utilizando tecnologias anteriores, essa 
base de dados de representações de documentos poderia ter a forma, por exemplo, de um 
catálogo de fichas ou de um índice impresso. Hoje, ela toma a forma de uma base de dados 
eletrônica. 
A base de dados de documentos e a base de dados das representações de 
documentos, hoje, já não são sempre distintas. Tornam-se cada vez mais comuns 
representações de documentos contendo não apenas termos de indexação, mas, também, 
resumos e, mais recentemente, tem se firmado a tendência das bases de dados conterem 
documentos em texto completo. 
Do ponto de vista do usuário, os passos envolvidos no funcionamento de um SRI são 
semelhantes. As perguntas dos usuários passam por uma análise conceitual e são 
traduzidas para o vocabulário do sistema. Depois disso, é elaborada a estratégia de busca e 
formulada a expressão de busca, na qual os termos da busca são relacionados entre si 
através de operadores booleanos ou não booleanos. A estratégia de busca consiste em um 
plano para encontrar a informação desejada em que várias expressões de busca podem ser 
utilizadas. Através da expressão de busca, o sistema compara, então, as representações dos 
documentos com as das perguntas dos usuários. Na fase final, os documentos recuperados 
através da consulta ao sistema são apresentados ao usuário para que este julgue, então, sua 
relevância para as suas necessidades de informação. Pode ser que o usuário decida 
modificar a sua estratégia de busca com base nos documentos recuperados (feedback), 
reiniciando-se o processo. 
 
4.3 A Pesquisa em Recuperação da Informação 
 
As origens da pesquisa para avaliar e melhorar a performance de sistemas de 
recuperação da informação são encontradas em 1953, com a execução de testes, 
separadamente, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, sobre o desempenho de um 
sistema de indexação então recém-lançado e controverso, o Uniterm, criado por Mortimer 
Taube. Esse sistema representava documentos por termos únicos retirados do título ou 
resumo, ao contrário de abordagens mais tradicionais para indexação por assunto. Os testes 
de avaliação foram executados pelo Armed Services Technicallnformation Agency (ASTIA), 
nos Estados Unidos (chamados de testes Uniterm e relatados por Gull, 1956), e pelo College 
of Aeronautics in Cranfield, no Reino Unido (chamados de "os testes Cranfield-Uniterm" e 
descritos por Thorne, 1955). 
No teste ASTIA, dois grupos, um da equipe de indexação da ASTIA e o outro da 
empresa Documentation Incorporated, de Mortimer Taube, indexaram separadamente e 
pesquisaram a coleção, que consistia de 15 mil documentos, com 93 pedidos de busca que 
haviam sido submetidos à ASTIA por usuários reais. A equipe ASTIA indexou os documentos 
empregando os cabeçalhos de assunto ASTIA. A equipe da Documentation Incorporated 
usou os Uniterms. A medida de efetividade empregada pelos dois grupos foi a relevância dos 
documentos recuperados para a pergunta. Parece ter sido essa a primeira vez em que o 
conceito de relevância foi utilizado como um critério para avaliação de SRls. 
No mesmo ano dos testes ASTIA-Uniterm nos Estados Unidos, um outro teste que 
comparava a performance dos Uniterms com a de formas mais convencionais de indexação 
ocorreu no College of Aeronautics, em Cranfield, Reino Unido. Nesse teste comparou-se o 
desempenho dos Uniterms com o de um sistema de indexação tradicional, baseado na 
Classificação Decimal Universal. Usou-se uma coleção de 200 documentos dos quais 40, 
chamados documentos-fonte, foram selecionados para derivar 40 perguntas de busca. O 
critério de efetividade foi o sucesso de se recuperar o documento-fonte, ou seja, aquele que 
havia gerado a pergunta de busca. Esse procedimento representava uma maneira de se 
evitar o difícil julgamento de relevância. Os resultados desse teste, embora sujeitos a 
questionamento pela metodologia adotada8, demonstraram a superioridade dos Uniterms, 
que recuperaram 85% dos documentos-fonte, versus a Classificação Decimal Universal, que 
recuperou apenas 50% dos documentos. 
Mais dois testes, chamados Cranfield I e II, são marcos nas origens da pesquisa em 
recuperação da informação. O Cranfield I, iniciado em 1957, foi similar na sua concepção e 
execução ao Cranfield-Uniterm, mas numa escala mais ambiciosa - nele foi utilizada uma 
coleção de 18 mil documentos em engenharia aeronáutica. Essa coleção foi indexada 
usando-se 4 sistemas de indexação a serem comparados em sua eficiência de recuperação. 
Um conjunto de 1.200 perguntas de busca foi criado com base em documentos-fonte. A 
coleção foi então pesquisada a partir dessas perguntas. Caso o documento-fonte fosse 
localizado, a busca era considerada bem-sucedida. As buscas malsucedidas, que não 
conseguiam recuperar os documentos-fonte, foram analisadas para se identificar se a causa 
do insucesso eram problemas relativos à formulação da pergunta de busca, à indexação, à 
busca ou ao sistema. 
Os resultados, sujeitos às mesmas críticas que os do teste anterior9, mostraram que 
todos os sistemas testados operavam com níveis semelhantes de desempenho, em termos 
de sua capacidade de recuperar os documentos-fonte: o Uniterm atingiu 82% de sucesso, os 
cabeçalhos de assunto, 81,5%; a Classificação Decimal Universal, 75,6% e o esquema de 
classificação facetada, 73,8%. 
A segunda série de testes do Instituto Cranfield, realizada em 1963, foi chamada de 
Cranfield II. Nesse teste, 33 diferentes linguagens de indexação foram construídas com 
diferentes terminologias e estruturas. As diferentes linguagens de indexação variavam na 
extensão do uso de termos simples ou compostos, hierarquias e controle de sinônimos e 
homógrafos. Umadiferença significativa nos procedimentos do teste, comparado ao do 
Cranfield I, foi que a medida de efetividade da busca de informação foi explicitamente 
baseada em relevância. O desempenho de cada linguagem de indexação foi julgado pela 
recuperação de itens identificados previamente como relevantes para a pergunta de busca. 
 
8 São tidos como limitações desse teste (1) o fato de não ter sido considerada na avaliação da performance do 
sistema a recuperação de outros documentos além do documento-fonte, fossem estes relevantes ou não; e (2) 
o favorecimento de sistemas de recuperação baseados no uso de termos e não de conceitos, já que as 
perguntas de busca foram derivadas dos termos utilizados nos documentos (ver Ellis, 1996). 
9 No Cranfield I. foi especialmente criticado o uso de documentos-fonte tanto para derivar as perguntas como 
para avaliar a efetividade da recuperação da informação, já que numa situação real o documento-fonte 
geralmente não existe. Criticou-se também o fato de que a relação entre o documento-fonte e a pergunta de 
busca era muito próxima (Ellis, 1996). 
Foi também julgado o desempenho de cada linguagem em relação às medidas de revocação 
e precisão, as quais foram criadas para uso nesse teste. A mais séria crítica à metodologia 
do Cranfield II, mesmo tendo sido esta mais rigorosa que a do teste anterior, foi em relação à 
obtenção dos julgamentos de relevância. Esses julgamentos representam uma área de 
dificuldade, já que se constatou que podem ser influenciados por inúmeros fatores, tais 
como: assunto, nível de dificuldade, estilo, ordem de apresentação do material, definição de 
relevância empregada e características da pessoa que faz o julgamento (experiência, 
conhecimento, inteligência, entre outros fatores). 
Os testes Cranfield estabeleceram um marco na história da recuperação da 
informação por terem fornecido o embasamento teórico dentro do qual a disciplina de 
recuperação da informação se desenvolveu. Estabeleceram também o princípio de que a 
argumentação sobre os méritos dos designs de esquemas de indexação ou classificação 
para representação do conhecimento deve ter base empírica e experimental, em vez de 
filosófica e especulativa, como era o caso anteriormente. Os procedimentos metodológicos 
adotados nos testes Cranfield, com testes de sistemas de indexação, controlados em 
laboratório usando-se coleções-teste, constituídas de um conjunto de documentos e 
submetidas a perguntas de busca, e acompanhados de pressupostos relativos às 
características do ambiente em que o sistema de recuperação da informação operava10 
formaram uma tradição de pesquisa em design e teste de SRls. 
Esses pressupostos constituem um modelo implícito de comportamento de busca de 
informação que, devido a seu significado para essa tradição de pesquisa, é chamado de 
modelo de recuperação da informação. Nesse modelo o usuário reconhece uma necessidade 
de informação e vem ao sistema de recuperação da informação com um pedido de busca 
baseado naquela necessidade. O sistema de recuperação compara o pedido do usuário com 
as representações de documentos contidas no sistema. A tarefa do sistema é apresentar ao 
usuário os documentos que melhor satisfazem a sua necessidade. O usuário examina as 
representações dos textos apresentadas e julga a sua relevância. A intenção é que alguns ou 
todos os documentos apresentados parcial ou totalmente satisfaçam a necessidade de 
 
10
 Os pressupostos dos testes Cranfield eram: (1) que a relevância é equivalente à similaridade com o tópico ou 
assunto; (2) que a relevância de um documento é independente da relevância de outros; (3) que todos os 
documentos relevantes são igualmente desejados; (4) que a necessidade de informação do usuário não muda; 
(5) que o julgamento de relevância é binário, isto é, um documento é relevante ou não relevante; (6) um único 
conjunto de julgamentos é representativo dos julgamentos de toda população de usuários e (7) a revocação é 
conhecida (Ellis, 1886). 
informação do usuário. 
O modelo de situação de recuperação da informação implícito nos procedimentos dos 
testes de Cranfield foi tacitamente aceito e empregado em pesquisas posteriores na área de 
recuperação da informação. Esses testes forneceram as bases metodológicas para o 
desenvolvimento da disciplina de recuperação da informação. Suas conclusões representam 
os primeiros resultados científicos do campo. A abordagem para testar SRls foi empregada 
como modelo para muitas outras avaliações experimentais e operacionais, criando um corpo 
de trabalhos em problemas identificados dentro da estrutura teórica fornecida pelos testes. 
Os resultados de pesquisas subseqüentes robusteceram as conclusões dos testes Cranfield, 
reforçando o estado paradigmático do campo; além disso, serviram para orientar a 
concepção dos serviços comerciais de fornecimento de bases de dados que surgiram em 
seguida. 
Uma continuação aprimorada da tradição de Cranfield é a iniciativa Text Retrieval 
Conference (TREC), começada nos Estados Unidos, que, desde 1992, promove congressos, 
estimula a pesquisa em recuperação da informação e fornece uma plataforma para que 
pesquisadores testem seus sistemas e técnicas e as comparem com outros. Apesar de 
existirem outras coleções-teste para recuperação da informação, TREC, contendo mais de 
meio milhão de documentos, tem sido a mais usada. O tamanho da coleção-teste visa uma 
aproximação maior dos testes com a realidade. 
No final dos anos 1970 e começo dos anos 1980, outros métodos de pesquisa para se 
melhorar o desempenho dos SRls foram desenvolvidos. Ellis (1996) classifica-os nas 
seguintes áreas: 
• Pesquisa baseada em métodos estatísticos e probabilísticos; 
• Abordagens cognitivas para a recuperação da informação, incluindo a modelagem 
cognitiva do usuário; 
• O desenvolvimento de sistemas especialistas intermediários como auxiliares na 
recuperação da informação; 
• A aplicação de conceitos e técnicas de inteligência artificial à recuperação da 
informação; 
• A recuperação da informação através do hipertexto. 
O centro das preocupações da pesquisa estatística e probabilística é o desenvolvimento 
de técnicas para indexação, classificação e elaboração automática de resumos, bem como a 
busca automática. O primeiro sistema em que esse tipo de pesquisa foi testado foi o histórico 
sistema SMART, de Gerard Salton. A partir dos anos 1990, essa tradição de pesquisa 
passou a ser intensivamente continuada nas pesquisas para melhoria da recuperação da 
informação da Internet, através dos mecanismos de busca. Já os anos 70 e 80 se 
caracterizaram por uma mudança de ênfase, em que o interesse de pesquisa se dirigiu mais 
para modelos cognitivos de modelagem dos usuários, nos quais os SRls pudessem se 
basear, e no desenvolvimento de sistemas especialistas que intermediassem a busca. Um 
dos mais conhecidos exemplos de proposta de sistema baseado em modelo cognitivo do 
usuário é o Estado Anômalo de Conhecimento (em inglês, Anomalous States of Knowledge - 
ASK), de Nicholas J. Belkin. Essa abordagem é criticada por ter gerado sistemas que não 
foram além do estágio de protótipos, não chegando a se tornar operacionais ou comerciais. 
Nesse mesmo período, vários sistemas especialistas foram criados para recuperação da 
informação, embora tenham tido sucesso limitado, como, por exemplo, o CANSEARCH, para 
a busca da literatura na área de câncer. Além dos sistemas especialistas, outras técnicas da 
inteligência artificial como processamento da linguagem natural, redes semânticas e redes 
neurais, têm sido exploradas na tentativa de aprimorar a recuperação da informação. 
Cerca de 30% de toda a literatura publicada na Ciência da Informação se dá na área de 
recuperação da informação (Jarvelin; Vakkari,1993). 
 
4.4 História e Desenvolvimento da Indústria On-line 
 
Enquanto, desde o final dos anos 1950, eram lançadas as bases para a pesquisa em 
avaliação de SRls, as técnicas de armazenagem e recuperação de dados bibliográficos em 
sistemas de computadores foram desenvolvidas durante os anos 1960. 
Por volta de 1969, vários produtores de bases de dados criaram fitas magnéticas 
contendo dados bibliográficos como produtos secundários na produção dos seus periódicos 
de indexação e resumos. Muitas dessas fitas magnéticas eram adquiridas por grandes 
organizações, como Shell Research Ltd. e ICI, e usadas em serviços internos de 
disseminação seletiva de informação (DSI) ou buscas retrospectivas, que eram, naqueles 
dias, feitos no modo off-line ou batch. Esse tipo de busca era alimentado no computador 
através de conjuntos de cartões (batch) para processamento, junto com outras buscas que 
se acumulavam. O resultado era impresso. Costumava haver demora da ordem de dias ou 
semanas entre o recebimento do pedido de busca e o envio do resultado e não era possível 
interação entre o usuário e o sistema. Os softwares usados para as buscas eram, em geral, 
desenvolvidos internamente. 
Embora predominassem naquela época os sistemas off-line, já no final dos anos 1950 
e no início dos anos 1960 começam também os primeiros experimentos com sistemas on-
line de recuperação da informação. Lilley e Trice mencionam exemplos desses sistemas: 
SAGE11 (1952-1957), na área de defesa aérea, SABRE12 (1962), para reservas de 
companhias aéreas, e TlP13 (1964), um sistema desenvolvido no MIT para buscas 
bibliográficas em uma coleção de 35 mil citações, na literatura de física. Nessa época, outras 
organizações nos Estados Unidos começaram a se envolver na área de busca em bases de 
dados. Em 1964, a lockheed Missiles Corporation demonstrou um sistema on-line, conhecido 
como CONVERSE, para buscas na base de dados de sua biblioteca. Em 1965, a empresa 
System Development Corporation (SDC), num projeto financiado pelo Advanced Research 
Projects Agency (ARPA), do U.S. Department of Defense, se envolveu no desenvolvimento 
de um sistema que permitiu a 13 organizações privadas e governamentais acessarem, via 
telefone, um arquivo de 200 mil registros bibliográficos sobre tecnologia estrangeira. O 
software para esse sistema se chamou ORBIT (Online Retrieval of Bibliographic Information 
Time Shared). Também em 1965, a lockheed desenvolveu um outro software para ser 
utilizado em uma coleção de cerca de 200 mil documentos da U.S. National Aeronautics and 
Space Administration (NASA). Este software, conhecido como RECON (Remote Console), foi 
baseado no próprio software de lockheed, que foi, então, renomeado DIALOG. A IBM 
começou a se envolver nessa área e, por volta de 1966, iniciou o desenvolvimento de um 
sistema de recuperação bibliográfica que deu origem ao seu sistema STAIRS (Storage and 
Information Retrieval System). 
Também nos anos 1960 surgiram os projetos cooperativos entre bibliotecas para 
aquisição de documentos, compartilhamento de dados, desenvolvimento de padrões 
comuns, catalogação cooperativa e comutação bibliográfica entre bibliotecas e centros de 
informação. Esses projetos, com a adoção de métodos computadorizados nos anos 1970 e 
1980, passaram a se responsabilizar pela criação e manutenção de grandes bases de dados 
bibliográficos para apoio às atividades de processamento técnico e administração de 
bibliotecas, mas que também podem ser pesquisadas pelo usuário final. A Ohio College 
 
11
 Semi-Automatic Ground Environmnt System. 
12
 Semi-Automated Booking and Reservation Enviroment. 
13
 Technical Information Project. 
Library Center (OClC), criada em 1967, foi a primeira dessas redes de catalogação 
cooperativa. As bases de dados geradas por essas redes, contendo registros no padrão 
MARC (Machine Readable Cataloging), inicialmente eram oferecidas apenas off-line para 
produção de fichas catalográficas pelas bibliotecas-membro. A partir da década de 1970, as 
bases passaram a ser oferecidas também on-line, permitindo a busca e a modificação de 
registros interativamente. 
Os anos 1970 se caracterizam pela consolidação da recuperação interativa on-line e 
dos serviços comerciais dos distribuidores de bases de dados que haviam sido 
desenvolvidos na década anterior. Por volta de 1969, alguns desses sistemas experimentais 
já estavam se tornando operacionais. O Space Documentation Centre, do European Space 
Agency (ESA), adquiriu o RECON da NASA e começou a oferecer um serviço de 
informações on-line, cobrindo várias bases de dados e servindo a 10 terminais em sete 
países europeus. Na National Library of Medicine, a Abridged Index Medicus fornecia acesso 
via SDC e rede de telefone a 100 revistas em medicina clínica. O sistema foi bem recebido 
por bibliotecários da área médica e, em seis meses, cerca de 90 instituições passaram a 
utilizá-la. Em 1971, o completo sistema MEDlARS on-line, ou serviço Medline, tornou-se 
operacional. Tal serviço usou o software ElHllL (Lister Hill National Centrefor Biomedical 
Communications), baseado no software ORBIT, do SDC. Em 1971 e 1972, os serviços on-
line começaram a ampliar o acesso aos seus sistemas. 
O número de bases de dados existentes, inicialmente bastante restrito, cresceu 
rapidamente. Para exemplificar, em 1972 havia apenas seis bases bibliográficas disponíveis 
para o público; em 1992 havia quase 5.300, desenvolvidas por 2.158 produtores (Lancaster 
et aI., 1993, p. 27). Essas bases de dados precisavam ser disponibilizadas para bibliotecas e 
serviços de informação, através de distribuidores. Visando suprir essa demanda, três 
principais serviços de comercialização e distribuição de bases de dados surgiram: DIALOG, 
oferecido pela empresa Lockheed, ORBIT, oferecido pela System Development Corporation, 
e BRS-SEARCH, oferecido pelo Bibliographical Retrieval Services. Para exempiificar, o 
sistema DIALOG, da Lockheed, começou como um serviço comercial de busca em 1972 com 
bases de dados do U.S. Office of Education (ERIC), U.S. National Technical Information 
Service (NTIS) e o National Agricultural Library (AGRICOLA). O número de distribuidores 
também se desenvolveu. Enquanto em 1978 havia apenas oito distribuidores comerciais nos 
Estados Unidos, Hartley et al. (1990, p. 35) reportam quase 600 no final de 1988. Todos 
esses desenvolvimentos resultaram na formação de uma grande indústria de distribuição de 
SRls, a chamada indústria on-line, constituída por produtores, distribuidores e usuários de 
bases de dados. Outras evoluções em sistemas de processamento on-line, software de 
busca e capacidade de armazenamento de dados, bem como a existência de pessoas que 
pudessem utilizar a tecnologia, fizeram com que a indústria on-line florescesse. Um outro 
impulso ao uso mundial desses serviços on-line durante a década de 1970 veio com os 
avanços nas telecomunicações e o estabelecimento de redes de comutação de pacotes 
como TYMNET e TELENET, nos Estados Unidos. Os nós dessas redes apareceram na 
Europa por volta de 1974 e, depois, no restante do mundo. Assim, no início da década de 
1980, centenas de bases de dados bibliográficos estavam disponíveis on-line através de 
serviços de distribuição de bases de dados, como o DIALOG, BRS, British Library Automated 
Information Service (BLAISE), ESA e ORBIT. 
No Brasil, os sistemas on-line começam a operar no final da década de 1970, com 
acesso através de terminais de vídeo, telex ou microcomputadores, utilizando redes de telex 
ou telefonia internacional. Com o desenvolvimento da INTERDATA, rede de comunicação de 
pacotes da Embratel, esta passou a ser utilizada. O IBICT foi uma das primeiras instituições 
brasileiras a utilizar o acesso on-line a bases de dados, tendo iniciado esse serviço no final 
de 1977 em um Centro-Piloto,que tinha por objetivo avaliar as bases de dados para 
selecioná-Ias e formar recursos humanos na área de pesquisa de bases de dados. 
Inicialmente, utilizava o ORBIT e, depois, o DIALOG e o QUESTEL. 
Os anos 1980 se caracterizam pela diversificação não só das bases de dados e 
serviços de distribuidores, como também das tecnologias. Surgem os microcomputadores, os 
CD-ROMs e Video-Discs como novas formas de armazenamento e distribuição de bases de 
dados. Aparecem novos tipos de bases de dados, sistemas especialistas e front-ends para 
os serviços de acesso às bases de dados. Essa época também se caracteriza pelo 
desenvolvimento de catálogos on-line nas bibliotecas, um outro tipo importante de bases de 
dados que veio se somar àquelas existentes. Esses catálogos contêm referências 
bibliográficas de obras inteiras, como livros, anais de congressos ou periódicos e dessa 
forma se diferenciam de outras bases bibliográficas referenciais que fornecem, 
principalmente, referências bibliográficas dos capítulos de livros, trabalhos publicados em 
anais de congressos ou artigos publicados em periódicos e que são versões eletrônicas de 
índices de citação e resumo. 
Nos anos 1990, as bases de dados se disseminaram de forma mais ampla. 
Inicialmente, a divulgação da tecnologia do CD-ROM permitiu a dilatação do seu acesso por 
instituições de países do Terceiro Mundo, ao evitarem os custos de telecomunicações. O 
crescimento e a expansão da Internet e das publicações eletrônicas possibilitou novas 
formas de acesso às bases e também o surgimento de outros tipos de SRls, como as 
bibliotecas digitais, acessíveis via Internet, onde o usuário pode acessar o texto completo dos 
documentos, e os mecanismos de busca da própria Internet. A Web, em si, pode ser vista 
como um gigantesco SRI. 
O início do século XXI é marcado pela explosão dos conteúdos em forma eletrônica. 
Lyman e Varian (2003), em seu estudo "How much information", estimaram que no ano de 
2002 foram produzidos cinco exabytes de informação14 das quais 92% estão armazenados 
em forma eletrônica em meio magnético, ou seja, nos discos rígidos de computadores. Essa 
explosão e variedade de formas em que a informação é oferecida faz com que o cenário 
descrito seja uma simplificação da realidade da indústria on-line, volátil e em constante 
mudança. Hoje o ambiente informacional é complexo, a fronteira entre os papéis das 
diversas organizações e o tipo de informação que cada uma fornece já não são claros e 
existem muitos tipos de bases de dados e empresas nesta arena. 
A indústria on-line, no presente momento, tem sido marcada por joint ventures, fusões 
e aquisições que resultam no surgimento de gigantes da informação, megaempresas que 
atuam no ramo da informação. Em 2002, aproximadamente 2/3 das empresas de informação 
fizeram associações estratégicas, 84% criaram novos produtos e serviços e quase todas 
adicionaram novos conteúdos aos já oferecidos, tornando-se retrospectivas. Para 
exemplificar, o American Periodical Series do ProQuest fornece hoje acesso a mais de 1.100 
periódicos que começaram a ser publicados entre 1741 e 1900. A grande maioria dos 
distribuidores de informação, hoje, cria o seu próprio conteúdo e tem as bibliotecas, 
principalmente as universitárias, como o seu principal mercado. Tornou-se também comum 
que eles façam ofertas especiais para fornecimento de seus recursos informacionais a 
consórcios de instituições, como é o caso dos distribuidores de informação que têm contratos 
com o Portal Capes. Com os novos desenvolvimentos tecnológicos que permitem a criação 
de links entre as citações bibliográficas das bases de dados e o fornecedor de texto 
completo, uma nova tendência é de que as bases bibliográficas, e mesmo catálogos de 
bibliotecas que não fornecem links para o texto completo, deixem de existir. Outra tendência 
é que os sistemas de busca tenham interfaces dirigidas ao usuário final e o aparecimento de 
 
14
 Quantidade de informação equivalente a 37 mil bibliotecas do Congresso. 
serviços direcionados para esse usuário. (Tenopir et al, 2003) 
 
4.5 Tipos de Sistemas de Recuperação da Informação 
 
SRls, como todos os sistemas de informação, são formados por um conjunto de 
componentes que permitem que eles atinjam o seu objetivo. Esses componentes são a 
tecnologia (hardware, software e as redes de comunicação de dados), as pessoas (usuários, 
intermediários e pessoas envolvidas na criação do sistema) e um ou mais corpos de 
conhecimento ao qual o SRI dá acesso (Allen, 1996). Esse corpo de conhecimento está 
contido, em geral, em alguma forma de base de dados. Embora a base de dados seja 
apenas uma parte dos sistemas de informação, muitas vezes os dois termos são utilizados 
como sinônimos. 
Existem várias formas de classificar os SRls. Por constituírem as bases de dados 
informacionais o seu cerne, optou-se, aqui, por classificá-los de acordo com o tipo de dados 
aos quais fornecem acesso. Assim, os SRls, como as bases de dados, podem ser 
categorizados como referenciais ou de fonte. 
Bases referenciais são bases de dados que incluem referências ou informações 
secundárias. Subdividem-se em dois tipos: 
• Bibliográficas: muitas vezes, as bases bibliográficas são versão eletrônica dos 
periódicos de indexação e resumo, contendo citações bibliográficas e outros campos 
adicionais. Outros tipos de bases de dados bibliográficas são os catálogos de 
bibliotecas e as bases de dados produzidas pelas redes de catalogação cooperativa. 
Usualmente são utilizadas em conexão com pesquisa ou trabalhos acadêmicos. 
• Diretórios: São bases de dados que contêm dados cadastrais sobre pessoas, 
instituições, softwares etc. 
Bases de dados de fontes incluem a informação completa ou os dados primários. 
Subdividem-se em quatro tipos: 
• Bases de Texto Completo: contêm textos completos de um documento (por exemplo, 
leis, decisões judiciais, artigos, jornais, manuais, relatórios anuais de empresas etc.). 
Aqui se incluem também as páginas da Wor/d Wide Web. 
• Bases de Dicionários: contêm manuais, dicionários de termos, definições, 
nomenclatura química, propriedades físicas etc. 
• Bases Numéricas: contêm dados numéricos e séries estatísticas.Incluem bases de 
dados em áreas científicas e de negócios (por exemplo, dados e indicadores 
econômicos e financeiros, estatísticas de censo etc.). Podem incluir dados 
manipuláveis e ser utilizadas para produção de relatórios, tabelas e gráficos e para 
sofisticadas análises científicas ou de negócios. 
• Bases de Imagens / Dados Gráficos: contêm, sob a forma gráfica, fórmulas 
químicas, imagens de logotipo, desenhos ou figuras. Um exemplo desse tipo de base 
é a TRADEMARKSCAN de marcas registradas, que contém as imagens dos logotipos. 
 
As bases de dados podem também ser classificadas de acordo com a área de 
conhecimento que cobrem. As primeiras a surgir cobriam as áreas científicas e técnicas. 
Seguiram-se, nos anos 1970, as bases de dados nas áreas de engenharia e ciências 
aplicadas, ciências sociais e artes e humanidades, bem como bases contendo informação de 
interesse para o profissional da área acadêmica, tecnológica ou de negócios. Finalmente, 
desenvolveram-se produtos para o público em geral, que indexam jornais e revistas 
populares. Algumas, como o Dissertation Abstracts On-line, são multidisciplinares, porém 
limitadas a um único tipo de documento. A maioria focaliza uma única área de conhecimento, 
mas inclui em sua cobertura vários tipos de documentos. Os catálogos on-line e as bases de 
catálogos cooperativos caracterizam-se por serem, de um modo geral, multidisciplinares, 
desde que a coleção que representam também o seja. São sistemas dirigidos para o usuário 
final, e seus registros e forma de indexação refletem os registros catalográficos que os 
originaram.4.6 Formas de Acesso 
 
Basicamente, existem duas formas de acesso aos SRls: remotamente, via redes de 
comunicação de dados, ou localmente. 
O termo on-line é usado, na literatura de Biblioteconomia e Ciência da Informação, 
para designar uma forma de acesso remoto aos SRls, via outras redes que não a Internet. 
Nos sistemas on-line, que já existiam antes de a Internet ter se disseminado, um computador 
de um centro de informações é usado para entrar diretamente em contato com o computador 
hospedeiro das bases de dados. O termo on-line significa que tanto o computador do usuário 
quanto o computador hospedeiro estão se comunicando no momento da busca. Embora 
esses sistemas on-line já estivessem disponíveis desde o final dos anos 1960 e começo da 
década de 1970, o seu uso não era disseminado em bibliotecas devido aos custos para 
acessá-los através de ligações interurbanas ou internacionais. O surgimento das redes de 
comutação de pacotes teve grande impacto sobre esse uso ao baixar substancialmente 
esses custos. Esse tipo de rede é ativado pelo usuário apenas quando uma mensagem está 
sendo enviada, não necessitando uma conexão permanente durante todo o curso da 
comunicação. Foi após o aparecimento dessas redes que o mercado da recuperação on-line 
se expandiu. Exemplos de redes de comutação de pacotes são a RENPAC e INTERDATA, 
do Brasil, e TYMNET ou TELENET, dos Estados Unidos. O acesso on-line é a forma mais 
rápida e eficaz de acesso às bases de dados. Nas bases on-line, as informações são 
atualizadas mais freqüentemente que nas versões impressas ou em CD-ROM, garantindo o 
acesso a informações mais recentes. 
Entretanto, existem algumas desvantagens relacionadas ao acesso on-line. Além dos 
custos de acesso, que, mesmo com as redes de comutação de pacotes, ainda são altos para 
países como o Brasil. outro problema é a variedade dos sistemas, pois Os detalhes técnicos 
de utilização e pesquisa nas bases de dados variam de distribuidor para distribuidor. Por 
serem destinados a profissionais da informação, o uso dos sistemas pode ser complexo, 
exigindo treinamento e experiência. Em geral, os usuários finais têm dificuldade em lidar com 
eles. Além disso, a constante evolução da tecnologia de busca torna necessário que o 
profissional da informação se atualize constantemente, estudando a documentação tanto do 
sistema de cada fornecedor quanto da base de dados. 
No final da década de 1990, os distribuidores de bases de dados começaram a utilizar 
também a Internet para oferecer outra forma de acesso remoto às bases. O acesso via 
Internet é similar ao on-line, mas, nesse caso, a rede utilizada para acesso é, obviamente, a 
Internet, e o custo de telecomunicações é menor. Como no caso dos sistemas on-line, uma 
vez acessado o sítio do fornecedor, é necessário o uso de senhas para o acesso e a 
pesquisa. Entretanto, o usuário pode usufruir de alguns serviços grátis no site do distribuidor, 
mesmo que não seja assinante. 
O fornecimento de acesso às bases dos grandes serviços de distribuição de bases de 
dados via Internet ainda é uma novidade em experimentação e, para o profissional da 
informação, apresenta várias desvantagens. Ao contrário da conexão direta on-line, o acesso 
através da Internet pode ser demorado, dependendo do tráfego na rede e do horário de 
acesso. Normalmente os fornecedores disponibilizam um leque menor de bases de dados do 
que o oferecido pelo acesso direto on-line. Além disso, a interface de pesquisa e o software 
para busca geralmente fornecem recursos menos sofisticados que os dos sistemas on-line. 
Entretanto, para os usuários brasileiros, essa nova opção de acesso remoto elimina um fator 
limitante, que é o custo de comunicações. 
Além do acesso remoto, existe a opção de acesso local aos SRls. Muitas das bases estão 
atualmente disponíveis em CD-ROMs. Alguns exemplos dos produtores/distribuidores de 
bases de dados em CD-ROM são University Microfilms International (UMI), OClC e 
SilverPlatter. O CD-ROM tem a vantagem de oferecer um custo fixo por uso ilimitado e 
eliminar as dificuldades relacionadas com o acesso remoto, por isso, é um meio de acesso 
que tem tido grande penetração em países do Terceiro Mundo. Outra vantagem é a 
simplicidade de sua interface de pesquisa, que visa o usuário final e elimina a necessidade 
da presença de um intermediário que conheça o sistema. Entretanto, da mesma forma que 
nos sistemas on-line, existe no caso dos CD-ROMs uma variedade de sistemas com 
detalhes técnicos de utilização diferentes, o que representa um obstáculo para o usuário. 
Outras desvantagens dos CD-ROMs em relação aos sistemas on-line são o menor número 
de bases disponíveis nesse formato, informações atualizadas com menor freqüência que nas 
bases on-line e recursos de busca menos flexíveis que nos sistemas voltados para o 
profissional. 
Alguns vendedores de bases de dados, como Ovid Technologies Inc. ou H. W. Wilson 
Company, podem fornecer também fitas magnéticas com o conteúdo das bases de dados 
para que sejam montadas localmente. Esse tipo de instalação exige grande capacidade de 
armazenagem dos computadores. As bases de dados são adquiridas, processadas, 
carregadas no sistema e disponibilizadas para toda a instituição, geralmente mediante senha 
de acesso. Normalmente, são montadas junto com o catálogo on-line da biblioteca, como 
bases de dados adicionais. No Brasil, esse método é pouco usado, pois apenas 
recentemente sistemas mais sofisticados para automação de catálogos de bibliotecas têm 
sido implantados. 
 
4.7 Redes de Informação 
 
Uma rede pode ser definida como "um conjunto de sistemas de informação e/ou 
comunicação - descentralizados, intercomunicantes, formados por unidades funcionais 
independentes, com serviços e funções inter-relacionados - cuja interação é presidida por 
acordos de cooperação e adoção de normas comuns" (Vieira, 1994, p. 29). Em uma 
definição menos restritiva, que será aqui adotada, Becker e OIsen (1968) consideram que 
uma rede é uma interconexão de COisas, sistemas ou organizações e que, em uma rede de 
informação, mais de dois participantes trocam informações para algum propósito funcional. 
Uma característica das redes é a existência de uma organização formal e de propósitos 
comuns de troca de informações. 
Lilley e Trice (1989, p. 105) notam que a distinção entre redes e sistemas de 
informação, às vezes, pode ser pouco nítida: de acordo com algumas definições, as bases 
de dados MEDLlNE, AGRICOLA e ERIC seriam consideradas sistemas de informações, 
mas, se esses sistemas estiverem organizados e servindo seus usuários on-line dentro de 
certos padrões, serão considerados redes. 
Há uma interminável discussão teórica dos termos redes e sistemas, muitas vezes 
confundidos e utilizados como sinônimos, o que revela ser o trabalho em rede passível 
de se constituir em sistema e vice-versa, ou melhor, essas formas de atuação não são 
excludentes. (Pinheiro, 1990) 
As redes normalmente são descritas através de sua classificação por categorias. Um 
amplo sistema de classificação é fornecido por Becker em 1978, em um documento sobre 
administração e estrutura de redes. Segundo ele, as redes podem ser categorizadas de 
acordo com: 
• Os sinais que enviam (digital ou analógica); 
• Sua estrutura ou topologia lógica (centralizada ou tipo estrela, descentralizada ou 
hierárquica); 
• Seu foco institucional (rede de bibliotecas universitárias, públicas, de órgãos de apoio 
à indústria); 
• Sua funcionalidade (rede de catalogação, de comutação bibliográfica, de informações 
referenciais); 
• O assunto tratado (rede de informação para negócios, rede de informação agrícola); 
• A área abrangida (estadual, regional, interestadual, nacional, internacional). 
Quanto à sua funcionalidade, as redes são utilizadas para cooperação, 
compartilhamento, intercâmbio e acesso remotoa informação, documentos ou recursos 
computacionais. Através da participação em uma rede de serviços de informações, o usuário 
pode obter o benefício do acesso socializado a uma variedade de recursos informacionais, 
além de outros, como aproximação com os pares; já as instituições mantenedoras das redes 
têm o benefício de racionalizar os gastos com infra-estrutura e acervo, evitando duplicação 
de esforços. 
Dentro desses objetivos funcionais, na área de Biblioteconomia e Ciência da 
Informação os tipos mais comuns de rede são: 
• Redes de serviços e de apoio institucional, que visam o compartilhamento de 
dados, o desenvolvimento de padrões comuns e a comutação bibliográfica entre 
bibliotecas e centros de informação. Aqui se incluem dois outros subtipos de redes, as 
redes de catalogação cooperativa e as redes de comutação bibliográfica e envio de 
documentos. Os participantes são, em geral, bibliotecas e centros de informação, que 
as utilizam, por exemplo, para verificação de dados bibliográficos, serviços de 
comutação bibliográfica, catalogação por cópia e aquisição. Redes desse tipo têm, no 
seu centro, grandes bases de dados de registros catalográficos MAR C, criados e 
compartilhados por várias bibliotecas associadas. Exemplos dessas redes são o 
Bibliodata e OClC (redes de catalogação) e o Programa de Comutação Bibliográfica 
(COMUT). Hoje essas redes têm assumido papéis semelhantes aos dos distribuidores 
de bases de dados, fornecendo softwares de busca poderosos, produzindo CD-ROMs 
e, mesmo, provendo acesso a bases de outros produtores, como é o caso da OClC. 
• Redes de serviços de busca e recuperação da informação, que visam principalmente 
a identificação e o compartilhamento de recursos informacionais. Elas podem, por sua 
vez, se subdividir em outros tipos: 
 
- Redes cooperativas nacionais e internacionais 
 
Um modelo genérico de funcionamento para esse tipo de rede prevê que os países ou 
unidades membros da rede são responsáveis pela produção bibliográfica referente às suas 
produções na área. Essas informações são coletadas por um centro regional que as envia ao 
centro geral da rede, onde os dados são revisados e controlados para alimentar uma base 
cooperativa de dados. 
Essas redes geralmente cobrem campos de conhecimento científico e tecnológico. 
Dentre elas se destacam aquelas desenvolvidas sob a coordenação e o apoio de 
organizações das Nações Unidas e estabelecidas com base na cooperação internacional. 
Citam-se como exemplos: o Sistema Internacional de Informação Nuclear (INIS), coordenado 
pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e operante desde 1970; o AGRIS, 
Sistema Internacional de Informação em Ciências e Tecnologia Agrícolas, coordenado pela 
Food and Agriculture Organization (FAO); e o International Patent Documentation 
(INPADOC), coordenado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). 
Muitas dessas iniciativas nasceram dentro do UNISIST (sigla que significava 
Universallnformation System for Science and Technology), um programa intergovernamental 
da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), 
concebido no final dos anos 1960 e lançado no início da década de 1970, para cooperação 
no campo da informação científica e tecnológica. O objetivo era estimular a criação de 
sistemas nacionais especializados (agricultura, energia etc.) integrados a uma política 
nacional de informação, compatíveis entre si e que permitissem a criação de sistemas 
internacionais cooperativos. 
Fora do âmbito das Nações Unidas, cita-se como exemplo de rede cooperativa o 
Medical literature Analysis and Retrieval System (MEDLARS), da National Library of Medicine 
dos Estados Unidos, que se estendeu ao mundo todo. 
 
- Serviços de busca e recuperação de informação dos distribuidores de bases de 
dados 
 
As bases de dados produzidas pelas mais diversas instituições (redes cooperativas, 
associações profissionais, órgãos governamentais, bibliotecas, empresas comerciais etc.) 
podem ser vendidas para outras organizações que se especializam no fornecimento de 
bases de dados. Essas empresas adaptam os dados dos produtores de bases de dados de 
acordo com seus padrões e vendem o acesso remoto ao conjunto de bases de dados para 
bibliotecas, instituições de pesquisa, empresas e pessoas físicas. No exterior, essas 
empresas são chamadas de on-line vendors. No Brasil, têm sido chamadas de bancos de 
dados ou distribuidores de bases de dados. Alguns autores (ver Lilley; Trice, 1989, capítulo 
5) consideram que esses serviços atendem aos critérios para serem considerados redes de 
informação. 
Os distribuidores de bases de dados compram ou alugam as bases de dados dos seus 
produtores e fornecem o acesso a elas através de softwares interativos. Além dessas 
funções técnicas, essas organizações têm funções de distribuição (comercializar os sistemas 
e organizar a promoção e marketing) e de treinamento e suporte técnico. Exemplos 
estrangeiros desses serviços são The DIALOG Corporation (a maior delas, oferecendo cerca 
de 450 bases de dados). OVID Technologies, lEXISNEXIS Academic & Library Solutions, 
Questel* Orbit, Chemical Abstracts Service (CAS), BIOSIS, STN Internaçional e OCle. Alguns 
distribuidores oferecem bases de dados cobrindo uma multiplicidade de assuntos. Outros se 
especializam em um assunto (por exemplo, a BIREME e a National Library of Medicine que 
se especializam na área de saúde). Grandes fornecedores de acesso às bases de dados 
como The DIALOG Corporation, DataStar, OClC e OVID possuem representantes no Brasil. 
Uma lista de links para os maiores fornecedores de bases de dados pode ser encontrada no 
site Vendar Services Directory ( http://www.loc.gov/flicc/svcsub2.html). 
Algumas vezes os próprios produtores se encarregam de vender diretamente suas 
bases de dados, exercendo o papel de distribuidores. Por exemplo, a National Library 
of Medicine, além de produzir bases de dados, atua como distribuidor. O cliente pode 
escolher um ou vários distribuidores e acessar todas ou algumas entre as centenas de 
bases que esses serviços disponibilizam. Algumas bases podem estar disponibilizadas 
por vários distribuidores. 
 
4.8 Exemplos de Redes e Sistemas de Informação no Brasil 
 
A seguir estão descritos alguns dos mais importantes exemplos dos sistemas e redes 
de informação existentes no Brasil, com os recursos informacionais que fornecem. 
 
4.8.1 Redes e serviços de apoio institucional a sistemas de informação 
 
4.8.1.1 Rede Bibliodata 
 
É uma rede cooperativa de bibliotecas brasileiras que têm seus acervos representados 
no Catálogo Coletivo Bibliodata, realizam a catalogação cooperativa e compartilham produtos 
e serviços, visando a redução de custos, além de promover a difusão dos acervos 
bibliográficos de suas instituições. 
Destacando-se a base do Catálogo Coletivo Bibliodata, Iistam-se os principais 
produtos oferecidos: 
• base de dados Catálogo Coletivo da Rede Bibliodata; 
• base de dados Catálogo de Autoridades (Nomes e Assuntos); 
• CD-ROM para catalogação cooperativa; 
• CatBib - Editor MAR C e gerador de produtos bibliográficos; 
• documentação (manuais para uso dos sistemas: Rede Bibliodata; Autoridades, 
CatBib, CD-ROM para Catalogação Cooperativa); 
• fichas catalográficas e etiquetas; 
• "Livro de Registro" de acervos locais. 
 
São oferecidos, também, aos membros os seguintes serviços: 
• catalogação cooperativa; 
• conversão retrospectiva de acervos; 
• conversão de dados; 
• cursos (Bibliodata, MARC 21, Autoridades e AACR2R); 
• treinamento e assistência técnica; 
• consultoria sobre automação de bibliotecas, conversão de dados em meio magnético 
e organização de bibliotecas; 
• exportação de dados nos formatos MARC 21 e CDS/ISIS para geração/manutenção 
de bases locais; 
• hospedagem e disponibilizaçãona Internet de bases de terceiros. 
 
4.8.1.2 COMUT 
 
No Brasil, o serviço de fornecimento de documentos mais conhecido no meio 
acadêmico é o COMUT. Criado em 1980, é mantido atualmente com recursos alocados pela 
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Secretaria 
Nacional de Educação Superior (SESU). Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo 
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), que é o responsável pela 
sua operação. Através do COMUT, cerca de 1.420 bibliotecas cadastradas podem solicitar 
documentos disponíveis em bibliotecas-base, as quais são selecionadas em função da 
qualidade e da abrangência de seus acervos. Utiliza, como subsídio para seu funcionamento, 
a base de dados da rede CNN, descrita a seguir. Existem projetos para que o sistema passe 
a permitir os chamados "usuários solicitantes", que são pessoas físicas demandantes de 
informação documentária, que operam diretamente com o COMUT, sem a interferência de 
uma biblioteca solicitante. Os usuários solicitantes poderão monitorar todas as suas 
solicitações de cópias, inclusive cancelando diretamente os pedidos, se for o caso. Isso os 
diferenciará dos usuários institucionais, pessoas físicas demandantes de informação 
documentária que operam indiretamente com o COMUT, fazendo solicitações através de 
uma Biblioteca Solicitante. Os usuários institucionais podem monitorar todas as suas 
solicitações, mas não podem fazer cancelamentos de pedidos, uma vez que as solicitações 
foram feitas através de uma Biblioteca Solicitante. 
O pagamento das cópias solicitadas é feito através de um sistema de aquisição de 
bônus. O programa, que atualmente utiliza diversas formas de envio (correio simples, correio 
registrado, fax, meio eletrônico etc.), possibilita o acesso a fotocópias de artigos de revistas, 
teses, trabalhos em anais de congressos e partes de trabalhos técnico-científicos, como 
capítulos de livros, viabilizando, em média, cem mil transações anuais entre as bibliotecas 
conveniadas. O COMUT intermedia também solicitações de documentos estrangeiros, 
utilizando principalmente o British Library Document Supply Centre (BLDSC) e fornecedores 
de texto completo (editoras, livreiros, fornecedores de periódicos, bases de dados diversas 
de documentos em texto completo etc., que possibilitam o acesso a textos completos de 
documentos através da Internet). De 1980 a 1996 todos os procedimentos operacionais 
(solicitação/atendimento de cópias de documentos) e administrativos eram feitos de forma 
manual através de formulários impressos de solicitação e controle. O envio de cópias aos 
usuários era basicamente feito pelo correio e, eventualmente, através de fax. A partir de 
1997, foi introduzido o COMUT on-line, que permite a solicitação via Internet e maior 
eficiência do sistema, com redução do tempo de atendimento. 
 
4.8.1.3 CNN 
 
O Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN), coordenado pelo 
IBICT, é uma rede cooperativa de unidades de informação de instituições que possibilita o 
acesso a publicações periódicas científicas e técnicas. Reúne informações de centenas de 
catálogos produzidos pelas principais bibliotecas do país em um único catálogo nacional de 
acesso público. Inclui dados de publicações seriadas, nacionais e estrangeiras, e suas 
respectivas coleções, que compõem os acervos das unidades integrantes do CCN. Cada 
registro em sua base de dados contém os dados do título, siglas das bibliotecas e os dados 
de coleções. 
Criado em 1954 pelo então Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação 
(IBBD), constituiu-se, até sua automação em 1968, como um catálogo convencional em 
fichas, prestando informações in loco, por telefone ou correspondência. Em 1978, devido ao 
crescimento constante do número de novos títulos, e acrescido do inter-relacionamento entre 
as áreas do conhecimento, sua divulgação passou a ser em microfichas. A partir de 1986, foi 
implementado o acesso on-line ao CCN via Rede Nacional de Pacotes (RENPAC). Desde 
1994, o CNN é acessível através da Internet, inicialmente utilizando-se o aplicativo TELNET 
e, a partir de 1998, via www. Em 1999, o CCN passa a interagir diretamente com o Sistema 
COMUT, que disponibiliza ao usuário a consulta aos dados do CNN para que ele possa 
selecionar as bibliotecas nas quais vai colocar o seu pedido. 
A alimentação dos dados de coleção é efetuada por meio da cópia da base de dados 
da biblioteca, que pode ser remetida por fita magnética, disquete ou via Internet. O 
processamento dos dados é realizado diariamente pelo IBICT, e a alimentação dos dados 
pelas Unidades Cooperantes ocorre em uma periodicidade média trimestral. 
 
4.8.2 Redes de serviços de busca e recuperação da informação 
 
4.8.2.1 Redes e sistemas cooperativos 
 
Algumas das áreas que se evidenciaram no controle bibliográfico desde os anos 1970, 
se caracterizaram pela formação de redes nacionais cooperativas e pela participação em 
redes internacionais, que forneceram apoio financeiro e técnico. A seguir, serão descritos 
alguns dos principais exemplos, no Brasil. 
Uma dessas áreas com posição privilegiada é a de informação em saúde, devido, 
principalmente, às ações do Centro Latino Americano e do Caribe para Informação em 
Ciências da Saúde (BIREME) e das bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP). A 
BIREME, ligada à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), produz a base de dados 
Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), que cobre a 
literatura médica da região a partir de 1982. Os dados que compõem a LILACS são resultado 
de uma ação cooperativa de 23 países da América Latina e do Caribe, unidos em uma rede 
da qual a BIREME é o órgão central. A base contém artigos de cerca de 670 revistas entre 
as mais conceituadas da área da saúde e outros documentos, tais como teses, capítulos de 
teses, livros, capítulos de livros, anais de congressos ou conferências, relatórios técnico-
científicos e publicações governamentais, atingindo mais de 350 mil registros. Como suporte 
aos seus sistemas, a BIREME produz, também, o Tesaurus Descritores em Ciências da 
Saúde (DeCS). Fornecido em forma de base de dados, o DeCS contém o vocabulário 
controlado utilizado para a indexação e recuperação de informação nas bases de dados 
LILACS e MEDLlNE®. 
Entre 1998 e 2001 a BIREME implementou a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). 
visualizada como a base distribuída do conhecimento científico e técnico em saúde 
registrado, organizado e armazenado em formato eletrônico nos países da América Latina e 
do Caribe. Através do site da BVS, usuários de diferentes níveis e localização podem 
navegar no espaço de uma ou várias fontes de informação, independentemente de sua 
localização física. As fontes de informação são geradas, atualizadas, armazenadas e 
operadas na Internet por produtores, integradores e intermediários, de modo descentralizado 
e obedecendo a metodologias comuns para sua integração na BVS. Entre as fontes de 
informação disponibilizadas, além da L1LACS, estão as bases MEDLlNE, Literatura em 
Engenharia Sanitária e Ciências do Ambiente (REPIDISCA). Administração em Serviços de 
Saúde (ADSAUDE), Saúde na Adolescência (ADOLEC). Bibliografia Brasileira de 
Odontologia (BBO). 
Juntamente com a BIREME, o Centro de Informações Nucleares/ Comissão Nacional 
de Energia Nuclear (CIN/CNEN) foi um dos pioneiros na participação em redes cooperativas, 
nacionais e internacionais, e na absorção de tecnologia para produção de bases de dados no 
Brasil. Atualmente, a CNEN, através do CIN, incorpora a literatura brasileira à base de dados 
internacional ENERGY, que abrange todas as tecnologias de energia. Essa cooperação se 
dá através da participação do CNEN no Energy Technology Data Exchange (ETDE). Os 
demais países que participam do ETDE incluindo sualiteratura nacional na base Energy são 
Alemanha, Canadá, Coréia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, 
Holanda, Inglaterra, Itália, México, Noruega, Suécia e Suíça. 
Outro setor que se destacou desde os anos da década de 1970 foi o de informação 
agrícola. A Bibliografia Brasileira de Agricultura, publicada pelo IBICT até 1978 e, 
posteriormente, pela Biblioteca Nacional de Agricultura (BINAGRI), é publicada hoje em 
forma eletrônica, através da base de dados Agrobase (Base Bibliográfica da Agricultura 
Brasileira). Essa base é, atualmente, gerenciada pela Coordenação de Informação 
Documental Agrícola (CENAGRI), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento. Cobre a literatura agrícola brasileira, técnico-científica e de extensão rural, 
desde 1870 até o momento, contendo quase 200 mil referências bibliográficas. Seus dados 
são usados para alimentar a base internacional AGRIS, mantida pela FAO, que reúne a 
literatura dos países-membro nas ciências agrárias. Outro órgão atuante na área de 
informação agrícola desde os anos da década de 1970 é a Empresa Brasileira de Pesquisa 
Agropecuária (EMBRAPA), que produz o CD-ROM Bases de dados de pesquisa 
agropecuária. O CD-ROM tem por objetivo a disseminação da informação agrícola, 
produzida e colecionada pelas unidades de pesquisa da Embrapa e por outras instituições 
agrícolas brasileiras. 
Também dentro do modelo cooperativo, uma área que recentemente adquiriu novo 
ímpeto foi a de informação desportiva. Criado em 1985, o Sistema Brasileiro de 
Documentação e Informação Desportiva (SIBRADID) controla a produção nacional em 
ciências do esporte, através de uma rede cooperativa. A rede funciona com uma unidade 
central (sediada na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 
UFMG) e Instituições de Ensino Superior (IES) e de Pesquisa colaboradoras. A sua base de 
dados (SIBRA), pesquisável via Internet, cobre a literatura em ciências do esporte, educação 
física, fisioterapia, terapia ocupacional, lazer, recreação e afins. Contém o registro da 
produção científica nacional (monografias, artigos de periódicos, capítulos de livros, anais de 
congressos, dissertações e teses), inclusive traduções, a partir de 1985. A produção 
científica dos demais países de língua portuguesa é alvo, também, do conteúdo da base, que 
inclui dissertações, teses, relatórios de pesquisa, relatórios técnicos, livros, capítulos de livros 
e artigos de periódicos. 
Outro setor que recentemente recebeu impulso foi o de controle de teses. O IBICT 
coordena o projeto da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), que busca integrar 
os sistemas de informação de teses e dissertações existentes nas IES brasileiras, como 
também estimular o registro e a publicação de teses e dissertações em meio eletrônico. Esse 
sistema cooperativo integra, em uma única base de dados, referências bibliográficas 
provenientes de 17 instituições de ensino superior. Sua base conta, no presente momento, 
com cerca de 121.000 registros. Embora seja uma iniciativa importante, esse sistema tem 
sua abrangência limitada. Não só há restrições quanto à cobertura das teses (que incluem 
apenas aquelas produzidas por brasileiros), como as informações registradas referem-se tão-
somente à descrição bibliográfica do documento. Um grupo de especialistas está trabalhando 
na viabilização da colocação dos documentos em texto completo no sistema. Com isso, o 
usuário final. ao acessar a BDTD, poderá realizar, de forma unificada, buscas a informações 
de teses e dissertações existentes nas diversas instituições consorciadas. Existindo cópias 
em meio eletrônico dos textos integrais desses documentos, estas poderão ser acessadas a 
partir de ponteiros de hipertexto que irão recuperá-Ias no servidor da instituição provedora da 
informação. No caso da inexistência de versão eletrônica do documento desejado, o usuário 
poderá solicitar cópia do mesmo por meio dos serviços de comutação bibliográfica, como o 
COMUT. Em particular, o IBICT está promovendo a integração do Consórcio Brasileiro de 
Teses e Dissertações à Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD), uma 
iniciativa internacional que disponibiliza textos completos e teses e dissertações publicadas 
em instituições distribuídas em vários países. Dessa forma, a produção nacional de teses e 
dissertações será também disponibilizada internacionalmente. 
A Bibliografia Brasileira de Comunicação é publicada desde 1977 pela Sociedade 
Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM). A INTERCOM, 
juntamente com a Rede de Informação em Comunicação dos Países de Língua Portuguesa 
(PORTCOM), produz também a base de dados PORTOA, publicada em CD-ROM. Os dados 
dessa base são resultado da colaboração entre (1) o Serviço de Biblioteca e Documentação 
da Escola de Comunicação e Artes (ECA/USP), responsável pelo registro de monografias 
que tenham sido enviadas à PORTCOM/INTERCOM ou adquiridas pela própria ECA/USP e 
por toda a produção acadêmica gerada pelos cursos de graduação e pós-graduação nas 
áreas de jornalismo, editoração, publicidade, propaganda, relações públicas, rádio, cinema e 
TV da ECNUSP); e (2) o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da 
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul (UFRGS), responsável pela coleta e registro das dissertações e teses defendidas de 
1992 a 1999 nos programas brasileiros de pós-graduação na área de Comunicação, que são 
os das seguintes instituições: Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero (FCSCL), 
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCIRS), Pontifícia Universidade 
Católica de São Paulo (PUC/SP), Universidade Federal da Bahia (UFBA). Universidade 
Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). UFRGS, 
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Universidade Metodista de São Paulo 
(UMESP). Universidade de Brasília (UnB), Universidade de Campinas (UNICAMP), 
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e USP. Em 2002, em comemoração aos 
25 anos da INTERCOM, é inaugurado o Portal de Ciências da Comunicação. 
A informação jurídica é uma das poucas áreas que alcançou o estágio comercial, não 
mais se limitando a iniciativas governamentais para seu controle e acesso. Um dos motivos 
que podem ter levado a essa situação privilegiada é a peculiaridade desse tipo de 
informação, mais dependente de fontes nacionais que as informações científicas e 
tecnológicas. Dentro da política de descentralização do IBICT em 1986, a Biblioteca do 
Senado, em parceria com o Centro de Informática de Processamento de Dados do Senado 
Federal (PRODASEN), assumiu a responsabilidade pela edição regular da Bibliografia 
Brasileira de Direito, editada anteriormente pelo IBICT Fornecida em forma impressa, on-line 
e CD-ROM, a Bibliografia Brasileira de Direito compõe-se de referências bibliográficas de 
monografias e artigos de periódicos, em português ou outros idiomas, editados no Brasil 
desde 1980, e de artigos de jornais publicados no Caderno Direito e Justiça do Correio 
Brasiliense, desde 1992. É alimentada pela Biblioteca do Senado Federal e por 15 bibliotecas 
do Distrito Federal que integram a Rede Virtual de Bibliotecas - Congresso Nacional (RVBI), 
antiga Rede SABI (Subsistema de Administração de Bibliotecas, iniciada em 1972). 
A Rede SABI era um dos componentes do Sistema de Informação do Congresso 
Nacional (SICON). O SICON se fundamenta na alimentação, processamento e manutenção 
de bases de dados destinadas às atividades do Senado Federal e do Congresso Nacional, 
englobando as áreas parlamentar, legislativa, orçamentária e administrativa. Entre as bases 
oferecidas pelo SICON estão NJUR/NJUT (normas jurídicas). DISC (discursos). JURI 
(jurisprudência) e MATE (matérias em tramitação nas casas do Congresso).O SICON 
publica ainda o Thesaurus, um índice de palavras ou expressões que orientam a indexação e 
as pesquisas nessas bases de dados. O Senado Federal produz também o CD-ROM 
Legislação Republicana Brasileira, com uma coletânea dos atos normativos do período 
republicano da história brasileira. O conteúdo desse produto abrange as normas jurídicas de 
1889 até maio de 2002. A partir de 1945, além dos resumos, constam os textos integrais da 
legislação citada. As fontes são publicações oficiais, como a Coleção de Leis do Brasil. 
Dentre as redes de suporte do segmento industrial-empresarial citamos, como 
exemplo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que forma 
uma rede com objetivo de prestação de consultaria e informação empresarial para 
organizações comerciais e industriais de pequeno porte. É responsável pela criação e 
manutenção de várias bases de dados de informações bibliográficas de interesse para a 
classe empresarial e bases de dados cadastrais de empresas e produtos. Outros exemplos 
podem ser vistos em Cendón (2003) e Vieira (1994). 
 
4.8.2.2 Serviços de busca e recuperação da informação de distribuidores de bases de 
dados e as bibliotecas digitais na Internet 
 
Como já mencionado, desde 1977 o IBICT vem utilizando sistemas on-line como 
DIALOG e outros, fornecendo buscas bibliográficas a pedido de instituições e pesquisadores 
individuais. Inicialmente, o acesso aos fornecedores de bases estrangeiros se fazia via 
Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL), através do sistema de 
telecomunicações INTERDATA. Os pedidos dos usuários eram feitos nos postos de serviço 
do IBICT que divulgava sistematicamente, no Informativo IBICT, as bases de dados 
disponíveis para consulta. Mais tarde, o IBICT passou a adquirir bases de dados em CD-
ROM, oferecendo serviços de buscas bibliográficas feitas localmente. 
Para melhorar o acesso às bases, tanto nacionais como estrangeiras, foi criada, em 
1993, a Rede Antares (Rede de Serviços de Informação em Ciência e Tecnologia)15. 
Coordenada pelo IBICT, a Rede Antares foi desenvolvida no âmbito do Subprograma de 
Informação em Ciência e Tecnologia do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e 
Tecnológico (PADCT/ICT), com o objetivo de articular instituições com potencial de 
informação, visando a manutenção e disponibilização de bases de dados referenciais. A 
Rede Antares era constituída de 13 centros distribuidores que eram instituições produtoras, 
mantenedoras e disseminadoras de bases de dados. Também faziam parte da Rede Antares 
outras instituições, chamadas postos de serviços, que atendiam à demanda de informação 
da comunidade científica e tecnológica. Cerca de duzentas instituições integravam a Rede, 
seja como centros distribuidores de informação, seja como postos de serviços. 
Atualmente a Rede Antares foi desativada e seus serviços, em parte, substituídos 
pelos do Programa Prossiga. Fundado em 1995, o programa tem por objetivo promover a 
criação e o uso de serviços de informação na Internet, voltados para as áreas prioritárias do 
Ministério da Ciência e Tecnologia, além de estimular o uso de veículos eletrônicos de 
comunicação pelas comunidades dessas áreas. Visando alcançar o objetivo proposto, no seu 
site pode-se acessar uma extensa lista de bases de dados brasileiras na Internet, na área de 
ciência e tecnologia. Algumas podem requerer uma senha, outras exigem um registro do 
usuário junto ao centro distribuidor. Esse site apresenta também bibliotecas virtuais 
temáticas nas áreas de educação, economia, estudos culturais, políticas públicas e pesquisa 
em ciência e tecnologia, energia, competitividade, ótica e engenharia de petróleo. Essas 
bibliotecas digitais congregam uma variedade de fontes de informação nacionais e 
 
15
 Anteriormente chamada Sistema Público de Acesso a Bases de Dados (SPA). 
estrangeiras, podendo dar acesso a bibliografias sobre tópicos específicos e a listas de 
periódicos nacionais que, às vezes, fornecem acesso aos seus textos completos ou resumos. 
O site apresenta ainda vários portais informacionais focalizados em assuntos diversos. 
No Brasil, outro portal na Internet que tem assumido a função de distribuidor de bases 
de dados é o Portal Capes. Fornece para 129 instituições de ensino superior e de pesquisa 
em todo o país acesso imediato à produção científica mundial atualizada, oferecendo textos 
completos de artigos de mais de oito mil revistas internacionais, nacionais e estrangeiras, e 
disponibiliza 75 bases de dados contendo resumos de documentos em todas as áreas do 
conhecimento. O uso do Portal é livre e gratuito para as instituições participantes a partir de 
qualquer terminal ligado à Internet e cadastrado no sistema. 
 
4.9 Conclusão 
 
Este capítulo apresentou a evolução da área de recuperação da informação, um dos 
pilares da Ciência da Informação e um dos tópicos em que mais se publica e pesquisa dentro 
desse campo. Conceituou-se um sistema de recuperação da informação e delineou-se o 
desenvolvimento dos primeiros softwares para recuperação da informação, o aumento do 
número de bases de dados ao longo dos anos e a consolidação da chamada indústria on-
line, formada pelos produtores, distribuidores e usuários das bases de dados. Ressaltou-se a 
complexidade e o dinamismo do ambiente da informação eletrônica atualmente onde 
coexistem uma variedade de formatos de SRls e tecnologias de armazenamento e acesso. 
Devido às mudanças em andamento e aos novos competidores que chegam ao mercado 
(como, por exemplo, as editoras de periódicos que os estão fornecendo em texto completo), 
as próprias empresas distribuidoras de informação estão redefinindo os seus papéis. Expôs-
se também o conceito de redes e descreveu-se as principais redes e sistemas existentes no 
Brasil. 
Cabe ressaltar a dificuldade de se fazer uma distinção dos conceitos bases de dados, 
sistemas e redes de recuperação da informação. Como mencionado, uma base de dados 
pode ser chamada de sistema e um sistema ser referido também como uma rede. As bases 
de dados, na realidade, constituem apenas um dos componentes de um SRI, o qual, 
segundo a definição de Allen (1996) é composto também da tecnologia e das pessoas 
envolvidas (usuários, intermediários e pessoas responsáveis pela criação do sistema). Por 
representarem o conteúdo dos SRls e sua característica mais forte, muitas vezes se 
confunde a base de dados com o sistema. Por exemplo, apesar de SIBRA ser um SRI na 
área de ciências do esporte, que requer uma tecnologia para ser disponibilizado ao usuário, 
comumente as pessoas referem-se a ele como "a base SIBRA". Da mesma forma, é difusa a 
distinção entre os SRls e as redes. As redes pressupõem troca de informação entre 
unidades, em geral geograficamente dispersas, uma organização formal com propósitos 
comuns de troca de informações e permitem a criação compartilhada de base de dados, bem 
como a sua disseminação compartilhada. Da mesma forma que as bases de dados são 
elementos constituintes dos SRls, os SRls são elementos constituintes das redes, as quais 
podem envolver mais de um SRI. 
 
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CAPÍTULO V – Formação e Atuação Profissional 
Francisca Rosaline Leite 
Mata Marlene de Oliveira 
 
A crescente produção de conhecimentos científicos e, principalmente, tecnológicos 
nas várias esferas sociais e nos diversos campos do conhecimento humano possibilitou, 
notadamente ao longo das últimas décadas, o desaparecimento de algumas atividades e 
profissões e surgimento de outras. Isso implicou, e implica, diretamente na formação de 
novos profissionais, uma vez que surge espaço para novos estudos, conceituações e 
conteúdos e, conseqüentemente, propicia o surgimento de novas habilitações. 
Esse fenômeno que compreende o surgimento, desaparecimento e algumas vezes o 
"remodelamento" das profissões pode ser comparado com a rota seguida pela Ciência 
Normal para a obtenção do reconhecimento de sua cientificidade. Assim como os 
paradigmas científicos, as profissões também passam por uma série de eventos até se 
consolidarem e obterem reconhecimento na sociedade. Em um estudo, Mueller (2004), 
baseando-se na teoria de Abbott (1988), reflete sobre a rota de uma profissão. Para isso, 
apresenta uma ordem de "primeiros eventos" tidos como comuns à maioria das profissões. 
Primeiro, de acordo com a autora, as pessoas que exercem determinado trabalho passam a 
se dedicar a ele em tempo integral. A partir daí, se faz necessário um treinamento mais 
formal, o que dá margem ao surgimento de cursos para esse fim. Contudo, só a criação de 
cursos não é suficiente, é preciso que eles obtenham status acadêmico. Para isso, tais 
cursos filiam-se ou buscam se constituir enquanto departamentos universitários. Com o 
passar do tempo, os cursos se tornam mais longos e o nível de estudos se aprofunda, no 
sentido de dar maior· embasamento à área, elevar a qualidade dos serviços, bem como o 
nível de compromisso pessoal dos que fazem parte do grupo. Com os cursos universitários, 
inevitavelmente, surge um corpo docente dedicado ao ensino e à pesquisa, o que, por sua 
vez, é determinante para a construção do corpo de conhecimento da área. O estágio 
seguinte é a criação de uma associação profissional que congregue professores e 
profissionais graduados. O aumento de conhecimentos e de reflexão sobre a área pode levar 
a alterações ou mesmo à mudança do nome da profissão e dos cursos; concomitante a isso 
há um aumento no rigor, com vistas a excluir, do exercício profissional, aqueles que praticam 
as atividades concernentes à profissão sem possuírem graduação nos cursos credenciados. 
Nesse estágio, poderá acontecer forte disputa com profissionais de outras áreas pelo mesmo 
mercado de trabalho e isso concorre para um maior esforço na busca pelo reconhecimento 
oficial da profissão. Após atingir um certo grau de amadurecimento, a profissão publica um 
código de ética, visando estabelecer normas de conduta internas (entre os pares) e externas 
(para com a sociedade) e, ainda, proteger os clientes, impedindo que o exercício profissional 
se dê por pessoas não credenciadas. 
A descrição dessa ordem oferece uma oportunidade de reflexão sobre a trajetória da 
Biblioteconomia e da Ciência da Informação. 
 
5.1 O Profissional da Informação 
 
As novas tecnologias de informação alteraram a rotina de vários segmentos e 
instituições sociais e, nessa esteira, também provocaram impacto na forma de organização, 
disseminação e uso das bibliotecas e outras unidades de informação. Tais alterações 
repercutiram incisivamente na formação e no perfil de bibliotecários e demais especialistas 
de informação. Tais profissionais passaram a se deparar com um novo contexto que Ihes 
exigia, e exige, não só um corpo de conhecimentos especializados, mas também 
conhecimentos e habilidades no uso de tecnologias para organizar, processar, recuperar e 
disseminar informações, independentemente do suporte no qual elas estejam registradas. 
A chamada Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento, com suas 
inúmeras demandas, oriundas, sobretudo, da inserção de uma vasta gama de aparatos 
tecnológicos, deu margem ao surgimento de uma nova terminologia para designar ou 
categorizar aqueles que lidam com informação. Nesse espaço de atividades surgiu o termo 
"Profissional da Informação". Um termo amplo que envolve o trabalho com documentos e/ou 
informação, em inúmeros e diferentes contextos, em sua maioria, com o auxílio de 
tecnologias de informação. A conceituação está em processo evolutivo e sua abrangência 
ainda encontra-se indeterminada, suscitando vários debates em torno de quem realmente 
pode ser considerado como tal. 
A discussão sobre o profissional da informação vem ocorrendo há mais de uma 
década e já faz parte das agendas de associações profissionais, comunidades da área e até 
da Federação Internacional de Documentação. Contudo, não há ainda unanimidade em torno 
de uma denominação comum para abarcar as diferentes habilidades que se vinculam às 
atividades de informação. Segundo Mueller (2004). é consensual aidéia de que, mesmo que 
esses profissionais possuam origem em várias e diferentes áreas do conhecimento, é 
necessária a existência de algumas características mínimas que Ihes sejam comuns. 
A literatura sobre o tema é vasta e expressiva, apresentando visões como a de Le 
Coadic, que entende como profissionais de informação aqueles que "adquirem informação 
registrada em qualquer suporte, organizam, descrevem, indexam, armazenam, recuperam e 
distribuem essa informação em sua forma original ou como produtos elaborados a partir 
dela". (Le Coadic, 1996, p. 106). 
Ponjuan, apud Dante (2000), considera que os profissionais da informação são 
aqueles que estão ligados profissional e intensivamente a qualquer etapa do ciclo de vida da 
informação e, portanto, devem ser capazes de operar eficiente e eficazmente tudo o que se 
refere ao gerenciamento da informação em organizações de qualquer tipo ou em unidades 
especializadas de informação. 
Para Guinchat e Menou (1994), à medida que foram surgindo, as profissões ligadas à 
informação foram recebendo novas denominações, como indexadores, gestores de 
informação e outros. Contudo, segundo os autores, há unanimidade em torno dos 
profissionais com formação nas áreas de Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia como os 
mais tradicionais, enquanto profissionais da informação. 
O Bureau of Labor Statistics – U.S. Department of Labor, em seu Occupationa/ 
Out/ook Handbook (2004), caracteriza o bibliotecário como profissional da informação que, a 
partir de uma redefinição do conceito de biblioteca, passou a redesenhar as atividades do 
seu cotidiano profissional à luz da inserção das novas tecnologias. A partir de então, os 
bibliotecários começaram a desenvolver atividades não só de cunho técnico, mas também 
administrativo e gerencial, passando a coordenar equipes de funcionários e a desenvolver e 
dirigir programas e sistemas de informação, assegurando que a informação seja organizada 
de maneira que atenda as necessidades dos usuários. 
Para Guinchat e Menou (1994), os profissionais da informação incluem subcategorias 
de uma profissão única, a de "especialista em informação". Segundo os autores, não 
obstante a existência de certas especificidades, as diferentes habilidades dessa categoria 
apresentam características comuns: 
• Trata-se de uma profissão de serviço; 
• Trata-se de uma profissão de comunicação e de contato onde as relações 
pessoais com os usuários e produtores de informação são determinantes para a 
eficácia do serviço; o especialista deve ser capaz de compreender os outros e 
participar da vida coletiva; 
• É um trabalho de equipe; 
• O especialista precisa tomar decisões em função de numerosos critérios, e isso 
exige um bom julgamento; 
• Trata-se de uma profissão que exige curiosidade em relação às pessoas, 
instituições, fatos, idéias e técnicas; 
• O especialista deve ter o espírito aberto, adaptável e dominar a técnica uma vez 
que é uma profissão em constante evolução; a rotina e a passividade são inimigas 
da profissão. 
É importante que o profissional busque capacitação contínua, possua senso crítico, 
seja criativo: ousado, curioso, investigativo, empreendedor, proativo, dinâmico, político, entre 
outras coisas, e, principalmente, que se constitua enquanto líder pois, como bem ressalta 
Lancaster (1994), a falta de fortes lideranças na área emperra seu desenvolvimento, visto 
que este é um quesito fundamental para que a profissão se firme perante a sociedade. 
 
5.2 A Formação Profissional 
 
Falar de profissionais da informação implica falar, também, da necessidade de uma 
formação sólida, que propicie o desenvolvimento de habilidades e perfil compatíveis com as 
exigências da sociedade. Assim, na medida em que as transformações científicas e 
tecnológicas passaram a oferecer uma nova visão de atuação para os egressos de 
Biblioteconomia e Ciência da Informação, os currículos, paulatinamente, foram sendo 
reestruturados e novos cursos surgiram. 
A formação dos profissionais da informação se dá em diferentes níveis e: 
(...) vem sendo objeto de acirrada discussão na área, no decorrer de mais de duas 
décadas, quando, por exemplo, se contrapõe a formação em graduação, nos países 
latino-americanos, à formação eminentemente em pós-graduação na Europa e nos 
Estados Unidos. (Guimarães, 2004, p. 91). 
Na França, de acordo com Cunha (2000), a formação dos profissionais em Ciência da 
Informação se dá em três ciclos. O primeiro corresponde a um curso de formação de técnico 
superior e possui uma duração de dois anos; o segundo é equivalente à graduação e ao 
mestrado existentes no Brasil; o terceiro leva ao doutorado ou à atuação direta no mercado 
de trabalho. Nos Estados Unidos, a obtenção do mestrado é condição básica para a atuação 
do bibliotecário em bibliotecas públicas, escolares, especializadas e universitárias. O curso 
possui duração de um a dois anos e é oferecido por várias faculdades, mas, segundo o 
Bureau of Labor Statistics – U.S. Department of Labor (2004), os empregadores dão 
preferência aos graduados nas escolas credenciadas pela American Library Association - 
ALA. O Doutorado, por sua vez, é geralmente voltado para o ensino em universidades e a 
pesquisa. 
No Brasil, cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação são oferecidos em 
diferentes níveis, a saber, graduação, pós-graduação lato sensu (especialização) e pós-
graduação stricto sensu. O título de bibliotecário é obtido em cursos de graduação, e a 
Ciência da Informação titula mestres e doutores em programas de Pós-Graduação stricto 
sensu. 
A Biblioteconomia no Brasil, como era de se esperar, seguiu, ao longo de sua 
trajetória, a sucessão de eventos comuns ao processo de profissionalização citado. Castro 
(2002) diz que o ensino da área de Biblioteconomia no Brasil se iniciou por volta de 1915 no 
Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional, e não possuía nenhum tipo de planejamento 
curricular, tampouco visava atender necessidades que não fossem as da instituição. 
Contudo, no decorrer das décadas seguintes, novos cursos começaram a surgir em outros 
estados, fato que exigiu maior comprometimento e estudo por parte dos profissionais 
formados e dos que estavam em processo de formação. A busca de uma base teórica sólida, 
que fosse capaz de explicar o porquê das práticas biblioteconômicas, contribuiu para a 
consolidação de cursos e departamentos universitários. As décadas de 1950 e 1960 foram 
marcantes para a área, pois, nesse ínterim, surgiram fortes entidades de classe, como a 
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e 
Instituições - FEBAB, em 1959; em 1967, a Associação Brasileira de Ensino de 
Biblioteconomia e Documentação - ABEBD, atual Associação Brasileira de Educação em 
Ciência da Informação - ABECIN; em 1966, o Conselho Federal de Biblioteconomia. E, 
ainda, foi aprovado o primeiro Código de Ética da profissão também em 1966. Tais 
entidades, bem como os cursos de graduação da área, possuem papel fundamental para 
consolidação da profissão do bibliotecário, pois passaram, e continuam a passar até os dias 
atuais, por reformulações e reestruturações, objetivando atender às demandas, quer sejam 
de ordem teórica ou prática, que se apresentam no âmbito profissional. 
A pós-graduação em Ciência da Informação iniciou-se, em 1970, com a criação do 
mestrado em Ciência da Informação no Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e 
Documentação - IBBD, atual Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - 
IBICT. Posteriormente, surgiram mestrados em Biblioteconomia em outras escolas. Esses 
cursos, ao longo dos anos, foram transformando sua denominação para Ciência da 
Informação. Tais mudanças ocorreram em função do surgimento de novas construções 
teóricas para procedimentos de pesquisa e também para absorver demandas oriundas de 
outrasáreas do conhecimento. Atualmente, a área conta, segundo a ABECI N, com um total 
de 42 escolas que oferecem cursos de Biblioteconomia, Gestão da Informação, 
Administração da Informação, Ciência da Informação e Documentação (ver Anexo B). 
Este cenário, de formação diferenciada em graduação e pós-graduação, conduz a 
uma questão importante, que é a interdisciplinaridade, tão fortemente conclamada pela 
Biblioteconomia e pela Ciência da Informação. Esse fato pode estar gerando dificuldades no 
desenvolvimento e consolidação da BCI. Os programas de pós-graduação passaram a 
aceitar egressos de quaisquer disciplinas, sem que apresentassem um conhecimento mínimo 
das atividades básicas da área. Por outro lado, alguns programas de pós-graduação não têm 
oferecido disciplinas que conduzam ao entendimento do foco da área, o que facilitaria 
aprofundamento e melhores reflexões sobre as práticas de disseminação da informação 
naqueles cursos. Isso parece tornar-se também um empecilho à socialização da área, que 
deveria envolver profissionais, professores e pesquisadores em torno de orientações 
comuns. 
É importante salientar que, independentemente do surgimento de novas 
denominações, o cerne da prática profissional (o gerenciamento, a organização, o 
armazenamento, o processamento e a disseminação da informação) continua o mesmo. Daí 
a necessidade de os cursos possuírem currículos minimamente compatíveis e, ainda, de que 
exista consenso em torno de tais práticas, pois a ausência de consenso implica, entre outras 
coisas, na falta de unidade em torno dos problemas que devem ser pesquisados. 
É importante notar que, no que diz respeito aos estudos curriculares, a ABECIN tem 
exercido importante papel e constitui-se numa forte entidade, que busca assegurar o debate 
das questões pertinentes à formação dos profissionais na área, tanto em nível de graduação 
quanto de pós-graduação. 
Talvez falte ainda uma maior socialização das práticas e dos conhecimentos 
produzidos na área. Em consonância com as idéias de Guimarães (2004), cabe, aqui, 
chamar a atenção para o fato de que o estabelecimento de forte diálogo entre os espaços de 
formação acadêmica e os de exercício profissional, bem como entre a graduação e a pós-
graduação, se faz cada vez mais imprescindível. Estas são questões sérias que devem ser 
constantemente pensadas não somente pelos pesquisadores, mas também pelos 
profissionais da Ciência da Informação, pois, como vimos, a consolidação do corpo de 
conhecimentos de uma área é base para a fundamentação de suas práticas e seu 
reconhecimento oficial enquanto profissão. 
 
5.3 Possibilidades de Atuação e Habilidades Necessárias 
 
A atuação do profissional da informação tem sido alvo de vários estudos. No que diz 
respeito à legislação da área de Biblioteconomia, a Lei n° 4.084 de 30 de junho de 1962, que 
regula o exercício profissional do bibliotecário, de certa forma tende a limitar tal exercício, 
pois não acompanha as mudanças ocorridas no cenário profissional e não abre 
possibilidades para o bibliotecário lidar com a informação nos diferentes suportes e contextos 
(institucionais e sociais) em que a mesma passou a se apresentar. Daí a necessidade de se 
repensar tal lei. Já o parecer CNE/CES n° 492/2001, da Lei de Diretrizes e Bases do 
Ministério da Educação - MEC, pode ser considerado como um importante avanço no sentido 
de mudar a visão restrita que a sociedade brasileira ainda possui acerca da atuação do 
profissional bibliotecário. Isso porque, ao descrever as habilidades específicas de tal 
profissional, é dito que compete ao mesmo: 
• Interagir e agregar valor aos processos de geração, transferência e uso da 
informação, em todo e qualquer ambiente; 
• Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de 
informação; 
• Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza; 
• Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a 
aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, 
armazenamento e difusão da informação; 
• Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da 
informação. 
Nesta mesma linha, nos Estados Unidos, a Association of Independent Information 
Professionals (2004) aponta possibilidades de atuação do profissional da informação nas 
áreas de: 
• Indústria e Negócios - no atendimento a empresários executivos que necessitam de 
informações precisas, que os mantenham em nível de competição com outras 
empresas. Estes podem ser considerados como clientes típicos e variam desde 
proprietários de empresas de pequeno porte aos diretores das grandes companhias, 
firmas de seguro e de investimento, agências de publicidade e relações públicas, 
indústrias de manufatura e serviço. Muitos profissionais da informação descobriram 
oportunidades novas em treinar seus clientes na pesquisa básica e no 
desenvolvimento da Intranet, e, ainda, ao fornecerem serviços com valor agregado, 
como a análise de resultados de pesquisa; 
• Pesquisa Jurídica - no gerenciamento de bibliotecas ou unidades de informação 
(públicas e/ou particulares) no campo jurídico, fornecendo informações sobre leis, 
estatutos, andamento de processos, recursos ou argumentos informacionais que 
podem ser utilizados por advogados de defesa e/ou acusação em um julgamento etc.; 
• Saúde - no processamento de informações (utilização de descritores, metadados, 
definição de linguagens de indexação e terminologias), desenvolvimento e 
gerenciamento de Sistemas de Informação, como os Registros Eletrônicos em Saúde 
e Prontuários Eletrônicos dos Pacientes, no gerenciamento de bases de dados 
estatísticas e bibliográficas, por exemplo, sobre epidemias, cuidados com a saúde, no 
fornecimento de informações que possam auxiliar médicos e enfermeiros no processo 
de tomada de decisão, subsidiar políticas públicas na área da saúde e promover 
programas de prevenção de doenças; 
• Bancos e Finanças - na recuperação e análise de informações estratégicas e 
competitivas determinantes para transações comerciais e financeiras de sucesso; 
• Poder Público - em diversas instâncias, que vão desde a atuação em universidades e 
centros de pesquisa até arquivos públicos e gestão de bancos de dados que incluem 
documentos orçamentários, pesquisa sobre distribuição de renda, qualidade de vida 
da população etc.; 
• Ciência e Tecnologia - no fornecimento de informações para o embasamento e a 
consolidação de pesquisas de profissionais de todas as áreas do conhecimento, 
atendendo desde pesquisadores de Ciências Exatas até os de Ciências Humanas; 
• Document Delivery ou Entrega de Documentos - na disponibilização e entrega em 
domicílio de documentos on-line e/ou impressos (artigos, livros, pesquisas de mercado 
etc.), obedecendo à fixação de tarifas. Este trabalho pode ser realizado de maneira 
autônoma ou institucional. No segundo caso, o Brasil conta com a Bireme, o Comut e 
o Scielo, entre outros. 
 
No Brasil. Valentim (2000) divide o mercado de trabalho do biblitecário em três grandes 
grupos: 
 
• Mercado Informacional Tradicional, que se compõe de bibliotecas públicas, 
universitárias, escolares, especializadas, centros culturais e arquivos; 
• Mercado Informacional Existente e Não-Ocupado, que inclui editoras, livrarias, 
empresas privadas, provedores de Internet, bancos e bases de dados; 
• Mercado Informacional de Tendências, que compreende a atuação em centros de 
informação / documentação em empresas privadas, bancos e bases de dados 
eletrônicos e digitais, portais de conteúdo e portais de acesso na rede global (Internet) 
e em redes institucionais internas (Intranet). 
 
Todos esses campos apresentam possibilidades reais de atuação diretamente 
associadas à capacidade de gestão de informações, à comunicação e à interdisciplinaridadecom outras áreas, tendo na tecnologia uma forte aliada. Contudo, para que a atuação desses 
profissionais se efetive na prática, é preciso que eles desenvolvam certas habilidades e 
possuam conhecimentos mínimos acerca de determinadas disciplinas relacionadas à 
Biblioteconomia e à Ciência da Informação. Como exemplos, temos, de acordo com Hjørland 
(2000): 
• Ciência da Computação (incluindo Inteligência Artificial); 
• Estudos de comunicação; 
• Epistemologia; 
• Lingüística (incluindo Linguagens de Computador, Linguagens Especializadas); 
• Matemática e Estatística; 
• Psicologia e Ciência Cognitiva; Estudos da Ciência; Semântica; 
• Semiótica; 
• Sociologia (especialmente Sociologia das Ciências). 
 
5.4 Considerações Finais 
 
Mesmo não se tendo clareza conceitual do que venha a ser informação, sabe-se que, 
como afirmam Mota e Santos (2002), a informação, enquanto matéria-prima para o 
desenvolvimento científico e tecnológico, tornou-se elemento essencial, considerado como o 
diferencial competitivo de uma sociedade cada vez mais globalizada. Neste cenário, o novo 
modelo econômico contribuiu significativamente para uma verdadeira mudança cultural no 
que diz respeito às profissões. O mercado de trabalho torna-se cada vez mais competitivo, e 
inúmeras são as exigências feitas àqueles que almejam conseguir um emprego e aos que 
pretendem manter suas atividades profissionais. 
O novo modelo econômico "introduz novas formas de gestão do trabalho e de 
socialização dos indivíduos, valorizando a atuação em equipe, a interdisciplinaridade, o 
aprendizado contínuo e atividades comportamentais". (Arruda, 2000, p. 24). Assim, o 
profissional da informação precisa estar atento e ser cada vez mais atuante, não podendo, 
em hipótese alguma, se acomodar frente às demandas que lhe são impostas. É necessário, 
pois, que mais reflexões sejam feitas sobre a profissão, visando a capacitação e a 
atualização constante dos profissionais, fazendo com que estes sejam capazes de, conforme 
diz Baptista (2000), analisar as ameaças e transformá-las em oportunidades. 
 
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CAPÍTULO VI – A Atuação Profissional do Bibliotecário no Contexto da 
Sociedade Informação: os novos espaços de Informação 
Eliany Alvarenga Araújo 
Guilherme Atayde Dias 
 
Várias análises (Lyotard, 1998; Tofler, 1980; Massuda, 1982; Kochen, 1983, entre 
outras) consideram que a informação se tornou o principal elemento de produção, 
modificando o comportamento das populações economicamente ativas e os fluxos de 
investimentos nos países desenvolvidos. Por outro lado, essa nova configuração do processo 
informacional pode acarretar problemas de acesso e uso de informações, principalmente 
para os países em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Este é o contexto onde está se 
desenvolvendo a Sociedade de Informação. 
Mas o que seria a sociedade da informação? De onde se origina este termo? Que 
estágios são necessários para que uma sociedade receba esta denominação? Como a 
biblioteca, enquanto instituição que trabalha com a informação, se posiciona nesse contexto? 
Qual a função do bibliotecário na sociedade de informação? 
Este texto objetiva responder a essas indagações, buscando com isso analisar a 
função da biblioteca e dos bibliotecários no contexto da sociedade da informação, e, num 
segundo momento, procurará identificar as novas tendências que estão surgindo em termos 
de serviços e produtos de informação. 
 
6.1 Sociedade de Informação: Aspectos Históricos e Conceituais 
 
Vários fatos anunciam a chegada da sociedade de informação, tais como o 
crescimento (proporção geométrica) da literatura científica a partir do século XIX e a 
explosão bibliográficaapós a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, nesses momentos, o 
termo - sociedade de informação - ainda não era tudo. Em 1962, o economista norte-
americano Fritz Machlup publicou seu trabalho intitulado "A produção e a distribuição de 
conhecimentos nos Estados Unidos", cujo objetivo inicial foi o de estudar os defeitos da livre 
competição na sociedade norte-americana. Machlup observou que algumas práticas 
restringiam a livre concorrência, como o sistema de patentes, por exemplo. A partir desse 
momento, esse autor passou a analisar a relação custo-benefício do sistema de patentes e a 
relação desse sistema com o sistema de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) no campo 
educacional. Ao estabelecer essas relações, Machlup percebeu que estava analisando um 
novo campo: o da produção de conhecimento. Assim, ele desenvolveu um estudo 
quantitativo, no qual a informação foi colocada como uma parte componente do produto 
nacional bruto dos Estados Unidos da América. 
• Machlup chegou às seguintes estatísticas: 
• 29% do Produto Nacional Bruto (PNB) era composta por atividades de produção do 
conhecimento; 
• a produção de conhecimento, em pouco tempo, influenciaria 50% do Produto Nacional 
Bruto (PNB) dos Estados Unidos da América; 
• a força de trabalho comprometida com as atividades de produção do conhecimento 
em 1962 era de 31,6% e, se os estudantes de tempo integral fossem adicionados a 
essa força de trabalho, a taxa seria de 42,8% da população ativa trabalhando no setor 
de produção de conhecimentos . 
Machlup denominou o conjunto desses dados de indústria do conhecimento. Seus 
estudos influenciaram outros estudiosos como Peter Drucker, em seu livro A era da 
descontinuidade. Drucker baseou-se nos dados de Machlup e previu que, em 1970, o setor 
de conhecimento iria representar a metade do Produto Nacional Bruto dos Estados Unidos 
da América. E isso realmente aconteceu. A partir dessas análises surge oficialmente o termo 
sociedade do conhecimento ou sociedade da informação. 
Por volta de 1970, esse termo começa a aparecer na literatura da área de 
Biblioteconomia/Ciência da Informação Norte-Americana através da literatura periódica e de 
comunicações em eventos. 
Em 1973, Daniel Bell, em sua obra O surgimento da sociedade pós-moderna, afirma 
que o ponto central da sociedade pós-moderna é o surgimento das atividades de produção 
de conhecimento e informação. Uma das contribuições mais importantes para essa 
discussão foi o trabalho de Marc Porat, que, em 1977, defendeu a sua tese de doutorado 
sobre a economia da informação. Esse pesquisador utilizou dados do Departamento 
Nacional de Comércio dos Estados Unidos da América e contabilizou os custos das 
atividades de informação16. 
A partir desses fatos, o termo sociedade de informação se difunde e se define como 
a etapa do desenvolvimento da sociedade que se caracteriza pela abundância de 
informação organizada. O espaço de produção desta sociedade não é mais o da fábrica ou 
do escritório, mas o conjunto de meios, que é, antes de tudo, um conjunto de informações, 
mais especificamente, de informações científicas, tecnológicas, comerciais, financeiras e 
culturais, difundidas de forma rápida e interativa. 
Atualmente, novos fatos se aglutinam em torno desse conceito. Assim, temos várias 
propostas e tentativas de construção da information superhighway, ou super-rodovia da 
 
16
 CRAWFORD. The origin and development on a concept: the information society. Buli. Med. Libr. Assoe. v. 71. 
n. 4, p. 380-385, 1983. 
 
informação. Esta rodovia da informação, ou infovia, será uma rede formada de cabos 
telefônicos de fibra ótica que, uma vez conectada a supercomputadores, será capaz de 
produzir e difundir imagens, sons e dados em altíssima velocidade. Essa super-rede de 
computadores, uma vez completamente instalada, vai colocar todos em contato com tudo, 
com efeitos formidáveis e imprevisíveis sobre as formas de trabalhar, aprender e se divertir. 
Tudo isso será possível graças à união dos recursos computacionais com as 
telecomunicações. Nessa união, cinco novas tecnologias têm-se destacado. São as 
seguintes: 
• Digitalização e dados (envio rápido de imagem e voz de forma barata e segura); 
• Processamento paralelo (execução simultânea de trabalho por vários computadores. 
Através desta tecnologia os computadores conseguem ser duzentas vezes mais 
rápidos que os computadores mainframes tradicionais); 
• ATM (tecnologia que transmite, com enorme velocidade, grandes quantidades de 
informação); 
• Fibras óticas (recebem um volume ilimitado de sinais à velocidade da luz); 
• Decodificadores digitais (ainda não existem, mas a previsão é de que estes 
aparelhos liguem o usuário com as informações do mundo exterior). 
Bell, citado por Santos, 1989, elaborou um quadro explicativo sobre as mudanças sociais 
provocadas pela sociedade de informação. Nele podem ser visualizadas as características 
da sociedade de informação, ou sociedade pós-industrial (conforme denominação do quadro 
de Daniel Bell). 
 
Mudanças sociais provocadas pela sociedade de informação 
 PRÉ-INDUSTRIAL INDUSTRIAL PÓS-INDUSTRIAL 
REGIÕES Ásia, África, América Latina. Europa Ocidental e Oriental. E.U.A, Japão, Centros 
Europeus. 
SETORES Primário: caça, pesca, 
agricultura, extração. 
Secundário: industrial. Terciário: serviços, saúde, 
consumo, educação, 
pesquisa, comunicação. 
OCUPAÇÃO Agricultor, mineiro não 
especializado. 
Operário especializado, 
engenheiro. 
Técnicos, cientistas, artistas, 
professores. 
TECNOLOGIA Matérias-primas. Energia. Informação. 
PROJETO Jogo com a natureza. Jogo com a máquina. Jogo entre pessoas. 
METODOLIA Senso comum, 
Experimentação. 
Experimentação, empirismo. Invenção, originalidade, 
teoria, modelos, sistemas, 
simulação computacional. 
PERPECTIVA Passado / repetição. Presente / adaptação. Futuro / programação. 
PRINCÍPIO Tradição / terra. Expansão econômica. Descentralização, codificação 
do conhecimento. 
 
Conforme Massuda, 1982, a importância das novas tecnologias de informação está no 
fato de que, pela primeira vez, foram feitas tecnologias que criam e fornecem informações. 
Essas tecnologias desenvolvem três funções de processamento de informação: memória, 
computação e controle. Isto aumenta, em muito, a capacidade humana de processar dados 
para produzir informação. 
 
6.2 Sociedade de Informação: Aspectos da Transformação 
 
Conforme Botelho, 1994, na sociedade de informação ocorre uma transformação, 
provocando a mudança de enfoque em relação aos fatores de produção e de 
desenvolvimento econômico. A base dessa transformação é que o setor de informação é 
intensivo em conhecimento e não em mão-de-obra. Nessa mudança, o valor agregado de 
conhecimento ou do segmento tecnológico é progressivamente mais importante e 
incorporado ao bem, provocando a transformação industrial da matéria-prima pelo valor 
agregado. Dessa forma, a informação adquire valor econômico, pois se parte do pressuposto 
de que a informação gera conhecimento, e este, quando acumulado, possibilita a produção 
científica e tecnológica, responsável pela geração de bens e serviços. 
Através dessas considerações, podemos perceber que a sociedade de informação 
se estrutura em algumas bases. Desse modo, temos que a base teórica desta sociedade se 
direciona a um só ponto: a substituição da produção industrial pela informação, da 
experiência profissional pela ciência, do trabalho operário pelo trabalho dos engenheiros. 
Assim, estaríamos presenciando uma substituição das atividades industriais - fundadas na 
manipulação da matéria -- por atividades fundadas no tratamento da informação -tal como 
aconteceu no processo de substituição da agricultura pela indústria. Esse processo de 
substituição se caracterizaria pela valorizaçãodos ofícios informacionais. 
Massuda, 1982, nos dá uma visão esquemática desta substituição que, na verdade, 
estaria ocorrendo desde a invenção da escrita. O mesmo autor denomina tal ação de 
processo de objetivação da informação. 
 
Assim, temos o seguinte quadro: 
 
REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DA REVOLUÇÃO DO 
LINGUAGEM ESCRITA IMPRENSA COMPUTADOR 
Informação 
Lingüística 
Sujeito 
 
 
 
Informação 
Escrita 
Sujeito 
Instrumentos 
(caneta, papel) 
 
Informação 
Escrita tipografia 
Sujeito 
- instrumentos 
- prelo 
 
Informação 
Eletrônica 
Sujeito 
- instrumentos 
- prelo 
- computador 
A informação ainda não 
está separada de seu 
sujeito. 
Começa a objetivação 
primária em relação ao 
sujeito. 
A informação progride 
para o estágio de 
objetivação secundária. 
A informação avança 
para o estágio de 
objetivação terciária 
passando à informação 
tipográfica e desta para a 
informação elétrica. 
 
 
As bases materiais sobre as quais a sociedade de informação se estrutura 
convergem para um só ponto - Novas Tecnologias de Informação. Tais tecnologias se 
constituem em equipamentos que podem desempenhar tarefas que envolvem, como 
elemento principal, o processamento e a transmissão informacionais. São exemplos dessas 
tecnologias: telecomunicações via satélite, processamento de imagens, smart card (cartão 
inteligente). EDI (transferência eletrônica de dados), Home banking, entre outras. As novas 
tecnologias de informação possibilitam a criação, a circulação e o armazenamento de uma 
imensa massa de informações. Tal possibilidade pode acabar com monopólios 
informacionais controlados por um pequeno número de grupos / instituições ou pode também 
fortalecer tais monopólios, criando um fosso entre países ricos de informação organizada e 
países pobres deste tipo de informação. As possibilidades são imensas e devem ser 
analisadas a partir da relação informação e estrutura de poder, que se constitui na base 
política da Sociedade de Informação. 
Na discussão sobre a informação como elemento de poder, pode ser vista, 
claramente, a questão da informação para a dominação ou para a conscientização social. 
Porém, os profetas da sociedade de informação (Tofler, Massuda, Naisbitt, Bell, entre outros) 
não consideram o problema da sonegação ou do monopólio da informação. Segundo esses 
autores, o desenvolvimento estará condicionado à criação e à circulação de informação e a 
mesma estará ao alcance de todos através das redes de comunicação eletrônica. Nesse 
estágio da sociedade de informação, esta estará à disposição de todos, chegando ao homem 
comum. Segundo Mattos, 1982, todos terão acesso aos bancos de dados que estarão 
ligados através de redes e terminais. Quando for atingido este nível, ocorrerá a 
desmassificação da informação, ou seja, haverá uma distribuição mais personalizada da 
informação, ao contrário do que acontece hoje, quando ocorre uma massificação da 
informação. Um exemplo atual da personalização da informação é a TV a cabo, pois o 
usuário pode escolher um canal de acordo com suas necessidades individuais - música, 
esportes ou notícias. 
Levemos em conta que esse painel da sociedade de informação pode se concretizar. 
Entretanto, um problema ainda fica sem solução: a capacitação dos cidadãos para utilizar os 
instrumentos e serviços oferecidos pelas redes de comunicação eletrônica e potencializar as 
informações acessadas, ou seja, a capacidade de compreender as informações, tornando-as 
úteis e componentes de sua vida cotidiana. Consideremos que este seja o campo de atuação 
da biblioteca e dos bibliotecários na sociedade de informação. 
 
6.3 Sociedade de Informação: a Função da Biblioteca e do Bibliotecário 
 
Para compreender a função da biblioteca e do bibliotecário na sociedade de 
informação devemos rever as funções daquela instituição e deste profissional. Assim, temos 
que a primeira função da biblioteca é a preservação dos registros da informação, o que 
motivou a criação da biblioteca. A segunda é a organização da informação. Para tanto, foram 
desenvolvidas e aperfeiçoadas técnicas de catalogação, classificação e indexação. A terceira 
é a disseminação da informação. Esta função é desempenhada através da criação e oferta 
de vários serviços e produtos de informação. Dentro desse contexto, o bibliotecário tem a 
tarefa de gerenciar todos os processos decorrentes destas funções. 
A partir dessas considerações, temos que a questão principal para a biblioteca e para 
o bibliotecário passa a ser: como desenvolver essas funções no novo contexto da sociedade 
de informação? Que modificações devem ser efetuadas para que tanto a biblioteca quanto o 
bibliotecário sejam membros dinâmicos da sociedade de informação? 
Em relação às modificações a serem efetuadas no trabalho do bibliotecário, 
consideramos que elas são de natureza instrumental, ou seja, devemos aprender a utilizar as 
tecnologias existentes no contexto da sociedade de informação e, a partir desse momento, 
poderemos criar novos produtos e serviços de informação, colocando, assim, os usuários de 
bibliotecas em contato real com a sociedade de informação. 
Em termos práticos, podemos considerar que as três funções básicas (formação e 
desenvolvimento das coleções, dinamização da informação e gerenciamento) de uma 
biblioteca / unidade de informação sofrerão impactos. Desse modo, temos que a função 
formação e desenvolvimento das coleções deverão passar por reduções, visto que as 
fontes de informação estão migrando para o formato digital. Nesse novo formato estarão 
todos os procedimentos de seleção e aquisição de materiais bibliográficos ou não-
bibliográficos. Neste sentido, Cunha (1999, p. 260) diz que, se as bibliotecas falharem em 
incorporar a responsabilidade de gerenciamento da informação armazenada em seus 
acervos, e mesmo fora destes, elas poderão ser substituídas por empresas comerciais 
provedoras de informação ou por intermediários da informação. Assim, determinados itens 
solicitados pelos usuários estarão em outros acervos, e nem sempre o acesso a eles será 
gratuito. Uma tendência forte é o fato de que o tamanho do acervo terá diminuído a sua 
importância, pois o que deverá pesar não serão os milhões de itens do acervo, mas as 
opções para acessar a informação demandada. Conseqüentemente, o diferencial na função 
formação e desenvolvimento de coleções mudará do tamanho do acervo para o tamanho das 
verbas disponíveis para o acesso à informação demandada. Nesse contexto de 
gerenciamento das coleções temos que: o formato das mesmas deverá mudar, no sentido de 
diversificação; o bibliotecário responsável pelo desenvolvimento das coleções será o 
especialista em hiperligações para mapear os recursos informacionais externos; cada vez 
mais haverá o pagamento direto, por parte do usuário, da informação acessada; dar-se-á o 
desenvolvimento de ações cooperativas; surgirá a necessidade de um maior conhecimento 
em hardware e software. Ainda em relação à função de desenvolvimento das coleções temos 
que a catalogação e a classificação necessitarão de novas regras, já criadas a partir de 
linguagens de marcação, tais como a Standard General Markup Languaje - SGML. 
Os periódicos serão cada vez mais eletrônicos (na verdade já temos na área alguns 
destes) e deverão ser acessados através de consulta local por meio de CD-ROM hospedeiro, 
hospedado numa estação de trabalho ou com a utilização de torres de CD-ROM. Este tipo de 
publicação é a que vem passando por transformações mais rápidas e radicais. É possível que 
durante um certo tempo ainda fiquem no formato híbrido, ou seja, impresso e eletrônico, para 
finalmente migrarem apenas para o formato eletrônico em decorrência do fator econômico e 
de rapidez de acesso. Aqui temos a possibilidade de as universidades retomarem o controlesobre suas publicações, pois, através do formato eletrônico, elas poderão gerenciar toda a 
dinâmica de publicação dos mesmos, retirando das grandes editoras comerciais o direito de 
exploração e obtenção de lucros. 
No contexto da função dinamização da informação, os serviços de referência 
deverão capacitar os usuários para utilizar serviços e produtos de informação oferecidos 
pelas bibliotecas. Esta questão exige do bibliotecário um posicionamento proativo, ou seja, 
faz-se necessária uma postura de antecipação às necessidades de informação do usuário. 
Um exemplo de reação proativa é o oferecimento, por parte da biblioteca, de treinamento de 
usuários para a utilização de redes de comunicação eletrônica. Ao realizar tal ação, a 
biblioteca estaria se antecipando às necessidades dos usuários. Outro aspecto importante 
em relação a esse treinamento é que a biblioteca estará criando oportunidade de divulgação 
e uso dos seus próprios serviços e produtos de informação. Assim, ficará evidente para o 
usuário que a biblioteca é uma instituição que possibilita, também, o acesso e o uso de 
informações no nível das redes de comunicação eletrônica. Nesse sentido, temos algumas 
tecnologias à disposição, tais como: tutoriais baseados em computador, que irão prover o 
usuário com a necessária habilidade em determinadas buscas de informação; serviços de 
referência eletrônica através do uso intenso do e-mail; uso da videoconferência para troca de 
informações em tempo real. Dentro deste contexto teremos o ressurgimento dos serviços de 
Disseminação Seletiva de Informação – DSI. 
Diante dessas colocações, fica evidente que existe espaço profissional para o 
bibliotecário na sociedade de informação. Entretanto, faz-se necessário que este profissional 
se atualize e se posicione diante das questões relacionadas a este novo estágio de 
desenvolvimento da sociedade. Vimos que essas questões não são apenas de natureza 
tecnológica (as potencialidades das novas tecnologias de informação). A sociedade de 
informação envolve questões de natureza política (acesso à informação como direito do 
cidadão) e de natureza instrumental (aprendizado para utilização das novas tecnologias de 
informação). 
Concluindo, gostaríamos de fazer uma última observação sobre a terceira função, o 
gerenciamento e o aspecto criativo do trabalho do bibliotecário no contexto da sociedade de 
informação. Este novo contexto socioinformativo se caracteriza pelo uso intensivo de 
informação e a conseqüente produção de novos conhecimentos, por isso, o termo 
"sociedade inteligente" é usado para caracterizar a sociedade de informação. Atuar 
profissionalmente nesse contexto exige uma postura de criatividade, de renovação constante 
e de disposição para enfrentar desafios diários. O bibliotecário deve agregar aos 
conhecimentos adquiridos no curso de graduação vários outros, que devem ser buscados em 
outros cursos e campos de conhecimento, à medida que os desafios e/ou dificuldades forem 
surgindo. 
Consideramos que o profissional bibliotecário da sociedade de informação ainda 
não existe. Ele será construído por nós, bibliotecários, que estamos convivendo com esta era 
de transição e de mudanças radicais, através de ações criativas e proativas. O desafio é 
grande e tem assustado a muitos profissionais de informação. Porém, as possibilidades de 
crescimento e de renovação profissionais são imensas. Então, vamos "colocar as mãos na 
massa" e criar soluções criativas para a sociedade de informação. Esta é a postura que nos 
garantirá espaço social e profissional na sociedade do presente e do futuro, ou melhor, na 
sociedade de informação. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BOTELHO, Tânia Mara, Informação e sociedade; uma sociedade inteligente em 
transformação, In: BÍBLlO 2000, CONGRESSO LATINO AMERICANO DE 
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 2, CONGRESSO BRASilEIRO DE 
BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 17, 1994, Belo Horizonte, Anais..., Belo 
Horizonte: ABMG, 1994, p. 438-465. 
 
CRAWFORD, Susan. The origin and development on a concept: the information society. Bull. 
Med. Libr. Assoc. v. 71, n. 4, p. 380-385, 1983. 
 
CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na construção de uma biblioteca digital. Ciência da 
Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 257-268, set./dez, 1999. 
 
MASSUDA, Yonej. A sociedade da informação como sociedade pós-moderna. Brasília: Ed, 
Universidade de Brasília, 1982. 
 
MATTOS, João Metelo. A sociedade do conhecimento. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 
1982. 
 
SANTOS, Jair. O que é pós-moderno? São Paulo: Brasiliense, 1989. 
 
 
ANEXO A – Localização de Bibliotecas das Instituições Universitárias 
Federais e Estaduais 
 
Região Norte 
Instituições Sigla 
Fundação Universidade Federal do Acre UFAC 
Fundação Universidade Federal do Amapá UNIFAP 
Universidade Federal do Amazonas UFAM 
Universidade Federal do Pará UFPA 
Universidade Federal Rural da Amazônia UFRA 
Fundação Universidade Federal de Rondônia UNIR 
Fundação Universidade Federal de Roraima UFRR 
 
Região Nordeste 
Instituições Sigla 
Universidade Federal de Alagoas UFAL 
Universidade Federal da Bahia UFBA 
Universidade Federal do Ceará UFC 
Fundação Universidade Federal do Maranhão UFMA 
Universidade Federal da Paraíba UFPb 
Universidade Federal de Pernambuco UFPE 
Fundação Universidade Federal do Piauí UFPI 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN 
Fundação Universidade Federal de Sergipe UFS 
 
Região Centro-Oeste 
Instituições Sigla 
Fundação Universidade de Brasília UnB 
Universidade Federal de Goiás UFG 
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso UFMT 
Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul UFMS 
 
Região Sudeste 
Instituições Sigla 
Universidade Federal do Espírito Santo UFES 
Universidade Federal Fluminense UFF 
Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF 
Universidade Federal de Lavras UFLA 
Universidade Federal de Minas Gerais UFMG 
Fundação Universidade Federal de Ouro Preto UFOP 
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFRRJ 
Fundação Universidade Federal de São Carlos UFSCar 
Universidade Federal de São Paulo UNIFESP 
Fundação Universidade Federal de Uberlândia UFU 
Fundação Universidade Federal de Viçosa UFV 
Universidade do Rio de Janeiro UNIRIO 
Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ 
Universidade Federal de Itajubá UNIFEI 
Fundação Universidade Federal de São João dei Rei UFSJ 
Universidade Estadual Paulista UNESP 
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo FESP 
Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ 
 
Região Sul 
Instituições Sigla 
Fundação Universidade Federal do Rio Grande FURG 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS 
Universidade Federal de Santa Catarina UFSC 
Universidade Federal do Paraná UFPR 
Fundação Universidade Federal de Pelotas UFPEL 
Universidade Federal de Santa Maria UFSM 
Universidade Estadual de Londrina UEL 
Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC 
 
INSTITUIÇÕES ISOLADAS / INTEGRADAS 
 
Região Nordeste 
Instituições Sigla 
Escola Superior de Agricultura de Mossoró ESAM 
 
Região Sudeste 
Instituições Sigla 
Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas EFOA 
Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro FMTM 
Faculdades Federais Integradas de Diamantina FAFEID 
 
Região Sul 
Instituições Sigla 
Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto 
Alegre FFCMPA 
 
CENTROS DE ENSINO TECNOLÓGICO 
(QUE POSSUEM CURSOS DE NÍVEL SUPERIOR) 
 
Região Nordeste 
Instituições Sigla 
Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia CEFET-BA 
Centro Federal de Educação Tecnológica do Maranhão CEFET-MA 
 
Região Sudeste 
Instituições Sigla 
Centro Federal de Educação Tecnológica "Celso Suckow" CEFET-RJ 
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CEFET-MG 
 
Região Sul 
Instituições Sigla 
Centro Federal deEducação Tecnológica do Paraná CEFET-PR 
 
ANEXO B – Escolas de Biblioteconomia no Brasil 
 
• ALAGOAS 
 
Universidade Federal de Alagoas – UFAL 
Curso de Biblioteconomia - Campus A. C. Simões 
BR 104 - Norte - Km 97 - Tabuleiro dos Martins 
57072-970 - Maceió - AL – Brasil 
Tel.: (82) 214-1320 - e-mail: biblioteconomia@decos.ufal.br 
URL: http://www.ufal.br/prograd/cursosdegraduacao/biblioteconomia.htm 
 
• AMAZONAS 
 
Universidade Federal do Amazonas – UFAM 
Instituto de Ciências Humanas e Letras 
Departamento de Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia 
Av. General Octávio Jordão Ramos, 3000 
Aleixo - Campus Universitário 
69077-000 - Manaus - AM – Brasil 
Tel.: (92) 644-2244 r. 2120 - e-mail: biblioteconomia@fua.br 
URL: http://www.fua.br/ 
 
• BAHIA 
 
Universidade Federal da Bahia – UFBA 
Instituto de Ciência da Informação 
Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia 
Av. Reitor Miguel Calmon, s/n - Campus do Canela 
40110-100 - Salvador - BA – Brasil 
Tel./Fax: (71) 336-6755/6174 - e-mail: ici@ufba.br 
URL: http://www.ici.ufba.br/ 
 
Universidade Federal da Bahia – UFBA 
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - Curso de Museologia 
Rua Aristides Novia, 2 - Estrada de São Lázaro 
40210-730 - Salvador - BA – Brasil 
Tel.: (71) 247-2800 /247-2978 / Fax: (71) 247-2978 - E-mail: ffch@ufba 
URL: http://www.ufba.br/institu icoes/ufba/faculdades/ffchl 
 
• CEARÁ 
 
Universidade Federal do Ceará – UFC 
Centro de Humanidades - Curso de Biblioteconomia 
Av. da Universidade, 2683 – Benfica 
60020-180 - Fortaleza - CE – Brasil 
Tel./Fax: (85) 223-1642 - e-mail: bibliot@npd.ufc.br 
URL: http://elis.npd.ufc.br/ 
 
• DISTRITO FEDERAL 
 
Universidade de Brasília – UnB 
Departamento de Ciência da Informação e Documentação 
Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia 
Caixa Postal 04561 - Campus Universitário - Asa Norte 
70919-970 - Brasília - DF – Brasil 
Tel.: (61) 307-2422 / 307-2841 / 307-28421 / Fax: (61) 274-2412 
e-mail: cid@unb.br - URL: http://www.cid.unb.br/ 
 
• ESPÍRITO SANTO 
 
Universidade Federal do Espírito Santo – UFES 
Departamento de Ciência da Informação 
Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia 
Av. Fernando Ferrari. s/n - Campus de Goiabeiras 
29060-970 - Vitória - ES – Brasil 
Tel.: (27) 3337-2911 13335-2754 
e-mail: biblioteconomia@prograd.ufes.br - URL: http://www.prograd.ufes.br/ 
 
• GOIÁS 
 
Universidade Federal de Goiás – UFG 
Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia 
Caixa Postal 131 - Campus Samambaia 
74001-970 - Goiânia - GO – Brasil 
Tel.: (62) 521-1335 / Fax: (62) 521-1133 
e-mail: facomb@facomb.ufg.br - URL: http://www.facomb.ufg.br/ 
 
• MARANHÃO 
 
Universidade Federal do Maranhão – UFMA 
Centro de Ciências Sociais - Curso de Biblioteconomia 
Av. dos Portugueses, s/n, S-D 307 - Campus do Bacamga 
65080-000 - São Luís - MA – Brasil 
Tel.: (98) 217-84041 Fax: (98) 217-8163 
e-mail: debliot@ufma.br - URL: http://www.ufma.br/ 
 
• MATO GROSSO 
 
Faculdades Integradas Cândido Rondon – UNIRONDON 
Graduação em Biblioteconomia 
Av. Beira Rio, 3001 - Jardim Europa 
78065-780 - Cuiabá - MT – Brasil 
Tel.: (65) 634-3330 I Fax: (65) 634-1881 
e-mail: douglas@unirondon.br - URL: http://www.unirondon.br/grad/bib/index.php 
Obs.: Curso temporariamente fechado. 
 
Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT 
Campus de Rondonópolis - Curso de Biblioteconomia 
Av. Fernando Corrêa da Costa, s/n - Coxipó da Ponte 
78060-900 - Cuiabá - MT – Brasil 
Tel.: (65) 615-8151 - e-mail: jamacama@zaz.com.br 
URL: http://www.ufmt.br 
 
• MATO GROSSO DO SUL 
 
Instituto de Ensino Superior da Funlec – IESF 
Curso de Biblioteconomia 
Rua Cassildo Arantes, 322 - Bairro Cachoeira 
79040-450 - Campo Grande - MS – Brasil 
Tel.: (67)741-9557 /741-71531 Fax: (67) 741-9555 
e-mail: iesf@terra.com.br - URL: http://www.funlec.edu.br 
 
• MINAS GERAIS 
 
Fundação Educacional Comunitária Formiguense – FUOM 
Escola de Biblioteconomia – ESBI - Curso de Biblioteconomia 
Avenida Dr. Arnaldo de Senna, 328 - Água Vermelha - Caixa Postal 102 
35570-000 - Formiga - MG – Brasil 
Tel./Fax: (37) 3322-4747 - e-mail: esbi@fuom.br 
URL: http://www.esbi.fuom.br/ 
 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC-MINAS 
Instituto de Informática - Curso de Ciência da Informação 
Campus Coração Eucarístico 
Av. Dom José Gaspar, 500 - Prédio 34 
30535-610- Belo Horizonte – MG 
Tel.: (31) 3319-4006 / 3319-4117/ Fax: (31) 3319-4002 
e-mail: inf@pucminas.br 
URL: http://www.pucminas.br/cursos/graduacao/cieinfor/curso.html 
 
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG 
Escola de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia 
Av. Antônio Carlos, 6627 - Campus Pampulha 
31270-010 - Belo Horizonte - MG – Brasil 
Tel.: (31) 3499-5225 - e-mail: dtgi@eci.ufmg.br/doti@eci.ufmg.br 
URL: http://www.eci.ufmg.br/ 
 
Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC 
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ubá - Curso de Biblioteconomia 
Rua Lincoln Rodrigues Costa, 165 - Bairro Boa Vista 
36500-000 - Ubá - Minas Gerais - Brasil 
Tel.: (32) 3531-4769 / Fax: (32) 3531-2362 
E-mail: não possui - URL: http://www.unipac.br/ 
 
Universidade Vale do Rio Verde de Três Corações – UNINCOR 
Instituto de Ciências Organizacionais e Administrativas – INCOA 
Curso de Biblioteconomia 
Av. Castelo Branco, 82 - Chácara das Rosas 
37410-000 - Três Corações - MG – Brasil 
Tel./Fax: (35) 3239-1218 - e-mail: biblioteconomia@unincor.br 
URL: http://www.unincor.br/cu rsos/graduacao/humanas/biblioteconomia/ 
 
• PARÁ 
 
Universidade Federal do Pará – UFPA 
Curso de Biblioteconomia 
Pavilhão 1-9 - Campus Universitário – Guamá 
66075-900 - Belém - PA – Brasil 
Tel.: (91) 211-1354 - e-mail: mam@ufpa.br 
URL: http://www.ufpa.br/cse/frame_dep.htm 
 
Universidade Federal da Paraíba – UFPb 
Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Departamento de Biblioteconomia 
Curso de Biblioteconomia 
Campus I - Castelo Branco 
58051-900 - João Pessoa - PB – Brasil 
Tel./Fax: (83) 216-7501 
e-mail: dbd@ccsa.ufpb.broucgb@ccsa.ufpb.br - URL: http://www.ufpb.br/ 
 
• PARANÁ 
 
Universidade Estadual de Londrina – UEL 
Departamento de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia 
Caixa Postal 6003 - Campus Universitário 
86051-990 - Londrina - PR – Brasil 
Tel./Fax: (43) 3371-4348 
e-mail: cinf@uel.br - URL: http://www.uel.br/ceca/cinf/ 
 
Universidade Federal do Paraná - UFPR 
Setor de Ciências Sociais Aplicadas 
Departamento de Ciência e Gestão da Informação Curso Gestão da Informação 
Av. Prefeito Lothário Meissner, 3400 - Jardim Botânico 
80210-170 - Curitiba – PR 
TeI.: (41) 360-4420 / Fax: (41) 360-4420 
e-mail: decigi@ufpr.br - URL: http://www.decigi.ufpr.br 
 
• PERNAMBUCO 
 
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE 
Centro de Artes e Comunicação - Departamento de Ciência da Informação 
Curso de Biblioteconomia 
Av. dos Reitores, s./n. – Cidade Universitária 
50000-000 – Recife – PE – Brasil 
Tel.: (81) 3271-8781 / Fax: (81) 3271-8300 
e-mail: dci@npd.ufpe.br/ - URL: http://www.biblio.ufpe.br/ 
 
• RIO GRANDE DO NORTE 
 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN 
Centro de Ciências Sociais Aplicadas 
Departamento de Biblioteconomia - Curso de Biblioteconomia 
Campus Universitário - BR 101 - Lagoa Nova 
59072-970 - Natal - RN - Brasil 
Tel.: (84) 214-3515 / Fax: (84) 215-3531 
e-mail: cobi@ccsa.ufrn.br - URL: http://www.ufrn.br 
 
• RIO GRANDE DO SUL 
 
Fundação Universidade Federal do Rio Grande – FURG 
Departamento de Biblioteconomia e História - Curso de Biblioteconomia 
Avenida Itália - Km 8 - Campus Carreiros 
96201-900 - Rio Grande - RS – Brasil 
Tel.: (53) 233-6636 - e-mail: ccbiblio@super.furg.br 
U R L: http://www.furg.br/furg/depart/dbh/db/index.htmUniversidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS 
Departamento de Ciências da Informação 
Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia 
Rua Ramiro Barcelos, 2705 - Santana 
90035-007 - Porto Alegre - RS - Brasil 
Tel.: (51) 3316-5116 / Fax: (51) 3316-5379 
e-mail: iara.neves@ufrgs.br - U RL: http://www.ufrgs.br/fabico/deptobib.html 
 
Universidade Federal de Santa Maria – UFSM 
Centro de Ciências Sociais e Humanas - Curso de Arquivologia 
Faxia de Camobi, Km 9 - Prédio 353 - 3° andar - Campus Universitário 
97105-900 - Santa Maria - RS 
Tel.: (55) 222-3444 r. 256 
e-mail: arquivologia@ccsh.ufsm.br - URL: http://www.ufsm.br 
 
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNlJUÍ 
Departamento de Pedagogia - Curso de Licenciatura em Biblioteconomia 
Rua São Francisco, 501 - Bairro São Geraldo 
98700-000 - Ijuí - RS – Brasil 
Tel.: (55) 3332-7100 - e-mail: paginas@unijui.tche.br 
U R L: http://www.unijui.tche.br/pedagogia/index.html 
Obs: Não está em funcionamento. 
 
• RIO DE JANEIRO 
 
Universidade Federal Fluminense – UFF 
Instituto de Arte e Comunicação Social - Departamento de Documentação 
Curso de Bibliotecónomia e Documentação / Curso de Arquivologia 
Rua Lara Vilela, 126 - São Domingos 
24210-590 - Niterói - RJ - Brasil 
Tel./Fax: (21) 620-6377 
e-mail: gdodoct@vm.uff.br - U R L: http://www.uff.br/gdo/htm/gdo.htm 
 
Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO 
Centro de Ciências Humanas 
Curso de Biblioteconomia / Curso de Arquivologia / Curso de Museologia 
Av. Pasteur, 458 - 4° andar – URCA 
22290-240 - Rio de Janeiro - RJ – Brasil 
Tel.: (21) 541-1839 r. 2008/ Fax: (21) 542-2242 
e-mail: cch@unirio.br - URL: http://www.unirio.br/cch/index.htm 
 
Universidade Santa Úrsula - USU 
Instituto de Tecnologia da Informação e da Comunicação 
Curso de Biblioteconomia 
Rua Fernando Ferrari, 75 – Botafogo 
22231-040 - Rio de Janeiro - RJ – Brasil 
Tel.: (21) 2554-2500 
e-mail: iticdir@alternex.com.br - URL: http://www.usu.br/ 
 
• SANTA CATARINA 
 
Centro de Educação Superior – ÚNICA 
Habilitação em Gestão da Informação 
Rua Salvatina Feliciana dos Santos, 525 - Bairro Itacorubi 
88034-001 - Florianópolis - SC – Brasil 
Tel.: (48) 334-6437 / Fax: (48) 334-6437 r. 243 
e-mail: eliane@unica.br - URL: http://www.unica.br/graduacao.htm 
 
Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC 
Curso de Biblioteconomia - Habilitação em Gestão da Informação 
Av. Madre Benvenuta, 2007 – Itacorubi 
88035-001 - Florianópolis - SC – Brasil 
Tel.: (48) 231-1500/ Fax: (48) 334-6000 
e-mail: f2mlbh@udesc.br - U RL: http://www.faed.udesc.br/CursoBiblio/index.html 
 
Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC 
Centro de Ciências da Educação - Departamento de Ciência da Informação 
Curso de Biblioteconomia 
Caixa Postal 476 - Campus Universitário – Trindade 
88040-970 - Florianópolis - SC - Brasil 
Tel.: (48) 331-9304/ Fax: (48) 331-9756 - e-mail: dptcin@ced.ufsc.br 
URL: http://www.ced.ufsc.br/bibliote/homepage.html 
URL: http://www.ced.ufsc.br/bibliote/dep/homecin.html 
 
• SÃO PAULO 
 
Faculdades Integradas Coração de Jesus – FAINC 
Faculdade de Biblioteconomia 
R. Siqueira Campos, 483 – Centro - 09020-240 - Santo André - SP – Brasil 
Tel./Fax: (11) 4438-7477 / Fax: (11) 4992-1787 
e-mail: secretaria@fainc.com.br - URL: http://www.fainc.com.br 
 
Faculdades Integradas Teresa D' Ávila – FATEA / Lorena 
Curso de Biblioteconomia 
Av. Peixoto de Castro, 539 - Vila Zélia - Caixa Postal 75 
12600-000 - Lorena - SP - Brasil 
Tel.!Fax: (12) 553-2888 
e-mail: secretaria-fatea@fatea.br - URL: http://www.fatea.br/cursos/biblio.htm 
 
Faculdades Tereza Martin – FATEMA 
Curso Administração da Informação 
Rua Antonieta Leitão, 129 - Freguesia do Ó 
02925-160 - São Paulo - SP – Brasil 
Tel./Fax: (11) 3931-2755 
e-mail: fatema@fatema.br - URL: http://www.fatema.br 
 
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESP 
Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia 
Rua Cesário Mota, 262 - Vila Buarque 01221-020 - São Paulo - SP – Brasil 
Tel./Fax: (11)3123-7800 
e-mail: secfabci@fespsp.org.br - U RL: http://www.fespsp.org.br/fabci/fabci.html 
 
Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC-CAMPINAS 
Faculdade de Biblioteconomia 
Curso de Ciência da Informação - Habilitação em Biblioteconomia 
Rua Marechal Deodoro, 1099 - Centro - Caixa Postal 317 
13020-904 - Campinas - SP – Brasil - Tel.: (19) 3735-5843 
e-mail: biblio@puc-campinas.edu.br 
URL: http://wWw.puc-campinas.br/graduacao/curso_01.asp?id=13 
 
Universidade Estadual Paulista – UNESP 
Faculdade de Filosofia e Ciências - Departamento de Ciência da Informação 
Curso de Biblioteconomia e Documentação / Curso de Arquivologia 
Av. Hygino Muzzi Filho, 737 - Caixa Postal 420 
17525-900 - Marília - SP – Brasil - Tel.: (14) 3402-1370 
e-mail: dbd@marilia.unesp.br 
U RL: http://www.marilia.unesp.br/ensino/graduacao/index.htm 
 
Universidade Federal de São Carlos - UFSCar 
Departamento de Ciência da Informação - Curso de Biblioteconomia 
Rod. Washington Luís, km 235 
Jardim Guanabara - Caixa Postal 676 
13565-905 - São Carlos - SP 
Tel.: (16) 260-8374/8389 
e-mail: ccbci@power.ufscar.br - URL: http://www.ufscar.br/~dci/index.htm 
 
Universidade de São Paulo - USP 
Escola de Comunicação e Artes – ECA 
Departamento de Biblioteconomia e Documentação - Curso de Biblioteconomia 
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 - Cidade Universitária 
05508-900 - São Paulo - SP - Brasil 
Tel./Fax: (11) 3091-4076 
e-mail: cbd@edu.usp.br - URL: http://www.eca.usp.br/ 
 
Universidade de São Paulo - USP - Campus Ribeirão Preto 
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto 
Departamento de Física e Matemática 
Curso de Ciência da Informação e Documentação - Habilitação em Biblioteconomia 
Av. Bandeirantes, 3900 - 14040-901 - Ribeirão Preto - SP – Brasil 
Tel.: (16) 602-3718/602-3693 / Fax: (16) 633-9949 
e-mail: admgraduação@ffclrp.usp.br - URL: http://www.ffclrp.usp.br/ 
 
Fonte: Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação - ABECIN 
 
SOBRE OS AUTORES 
 
Marlene de Oliveira é doutora em Ciência da Informação pela Universidade de 
Brasília, Professora Adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de 
Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para as áreas de 
Organização e Uso da Informação e incluem estudos de produtividade científica, uso e 
usabilidade de informação e sistemas de informação. Desenvolve, como bolsista 2 do CNPq, 
o projeto "Os grupos de pesquisa em Ciência da Informação: pesquisadores e produção 
científica". Publicou "A investigação científica na Ciência da Informação: análise da pesquisa 
financiada pelo CNPq". Perspectiva em Ciência da Informação, v. 6, n. 2, p. 1-20,2001, 
dentre outros trabalhos. 
Beatriz Valadares Cendón é doutora em Ciência da Informação pela University of 
Texas at Austin (EUA) e professora da Escola de Ciência da Informação da Universidade 
Federal de Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão nas áreas de sistemas 
e fontes de informação eletrônica: acesso, recuperação, avaliação e uso. Desenvolve o 
projeto "Estudo do Portal Capes em universidades federais brasileiras" e é uma das 
organizadoras e autoras do livro Fontes de informação para especialistas e profissionais. 
Belo Horizonte: Editora UFMG, 2000. 
Maria Eugênia Albino Andrade é doutora em Ciência da Informação pela Universidade 
Federal do Rio de Janeiro e Professora Adjunta da Escola de Ciência da Informação da 
Universidade Federal de Minas Gerais. Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados 
para a relação entre informação, sociedade e indivíduos, organizações; para os sistemas de 
informação, especialmente as bibliotecas escolares e universitárias, e o processo de 
desenvolvimento de acervos.Desenvolve pesquisa sobre 'Avaliação do sistema de 
informação Saúde em Rede". Publicou "A pesquisa científica em sala de aula: reflexões 
sobre uma prática pedagógica. In: RODRIGUES, M. E.; CAMPELLO, B. S. (Org.). A 
(re)significação do processo ensino/aprendizagem em Biblioteconomia e Ciência da 
Informação." 
Eliany Alvarenga de Araújo é doutora em Ciência da Informação e mestre em 
Biblioteconomia. É Professora Adjunta IV do Departamento de Biblioteconomia e 
Documentação - DBD, da Universidade Federal da Paraíba - UFPb, secretária-geral da 
Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação - ANClB. 
Seus interesses de ensino e pesquisa estão voltados para as temáticas de geração, 
mediação e usos da informação; teoria da informação e usos e impactos da informação; 
usabilidade de repositórios eletrônicos (bibliotecas digitais) e os impactos da informação a 
partir do conceito da institucionalização. Publicou artigos de periódicos na área de geração, 
transferência e uso de informação e tem realizado comunicações em eventos tratando da 
mesma temática. 
Guilherme Atayde Dias é doutor em Ciência da Informação pela USP e Professor 
Adjunto I do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da UFPb. Seus interesses 
de pesquisa estão voltados para repositórios digitais de informação, periódicos científicos 
eletrônicos, web semântica e aplicação de software livre em qualquer atividade demandada 
pelas organizações. Desenvolve pesquisas relacionadas à utilização do meio eletrônico 
como um suporte para a disponibilização de publicações científicas. Possui publicações 
sobre essas temáticas em diversos eventos da área. 
Francisca Rosalina Leite Mota é doutoranda em Ciência da Informação pela Escola de 
Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais e professora no curso de 
Biblioteconomia da Escola de Ciência da Informação na mesma universidade. Seus 
interesses de ensino e pesquisa estão voltados para gestão da informação e do 
conhecimento. Desenvolve o projeto "Tecnologias da informação para gestão do 
conhecimento no âmbito hospitalar". Publicou "Prontuário eletrônico do paciente: estudo de 
uso pela equipe de saúde do Centro de Saúde Vista Alegre", dentre outros trabalhos. 
 
 
DIDÁTICA 
 
Coordenadores da Coleção 
Márcia Maria Fusaro Pinto 
Elizabeth Spangler Andrade Moreira 
Câmara de Graduação 
 
1. Orçamento Empresaria - uma abordagem conceitual e metodológica com prática 
através de simulador 
[CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS] Rogério Mário Fernandes 
 
2. Fundamentos de Álgebra 
[MATEMÁTICA] Angela Vidigal 
Dan Avritzer 
Eliana Farias e Soares 
Hamilton Prado Bueno 
Maria Cristina Costa Ferreira 
Marília Costa de Faria 
 
3. Cálculo de Transitórios Eletromagnéticos em Sistemas de Energia 
[TRANSITÓRIOS ELETROMAGNÉTICOS] Antônio E. A. Araújo 
Washington L. A. Neves 
 
4. Princípios da Publicidade 
 [PUBLICIDADE] Gilmar Santos 
 
5. Soldagem - fundamentos e tecnologia 
[SOLDAGEM] Paulo Villani Marques 
Paulo José Modenesi 
Alexandre Queiroz Bracarense 
 
 
 
6. Inventário de Avaliação Pediátrica de Incapacidade (PEDI) 
Manual da versão brasileira adaptada 
 [AVALIAÇÃO FUNCIONAL INFANTIL] Marisa Cotta Mancini 
 
7. Manual de Semântica - noções básicas e exercícios 
 [SEMÂNTICA] Márcia Cançado 
 
8. Análise de Dados através de Métodos de Estatística Multivariada 
Uma abordagem aplicada 
 [ESTATÍSTICA MULTIVARIADA] Sueli Aparecida Mingoti 
 
9. Fundamentos de Termodinâmica e Cinética Química 
 [FÍSICO-QUÍMICA] Edward de Souza 
 
10. A Farmacologia em Nossa Vida 
[FARMACOLOGIA] Janetti Nogueira de Francischi 
Maria Salete de Abreu Castro 
Miriam Teresa Paz Lopes 
Regina Maria de Marco Turchetti-Maia 
 
11. Jogos Pedagógicos para Educação Musical 
[EDUCAÇÃO MUSICAL] Rosa Lúcia dos Mares Guia 
Cecília Cavalieri França 
 
12. Ciência da Informação e Biblioteconomia 
Novos conteúdos e espaços de atuação 
[BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO] 
Marlene de Oliveira - Coordenadora 
Beatriz Valadares Cendón 
Eliany Alvarenga Araújo 
Francisca Rosalina Leite Mota 
Guilherme Atayde Dias 
Maria Eugênia Albino Andrade

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