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INCENTIVOS TRIBUTÁRIOS AO TERCEIRO SETOR Adriano Martins Soler¹; Luis Henrique Celestino Rodrigues Silva² ¹ Universidade Nove de Julho (Uninove). São Paulo, SP. Centro Universitário São Judas Tadeu (Unimonte). Santos, SP. Docente do curso de Direito. Advogado. adrianosoler@gmail.com ² Universidade Nove de Julho (Uninove). São Paulo, SP. Bacharel em Direito. luis@luisluis.com.br RESUMO: O objetivo do presente artigo é analisar as regras tributárias que envolvem as diferentes entidades do terceiro setor, mapeando em cada uma delas, através de suas características e objetos, os benefícios tributários disponíveis. Ressalta-se ainda a relevância do terceiro setor em via de mão dupla no ambiente publico e empresarial, haja vista que ha ganhos nessas relações por meio da utilização das entidades do terceiro setor. PALAVRAS-CHAVE: Terceiro Setor, Tributos, Isenção, Imunidade, OS, OSCIP, Fundação, ONG. ÁREA DE CONHECIMENTO: Humanas 1 INTRODUÇÃO Este artigo quer apresentar ao leitor uma visão geral do ambiente tributário se relacionando com as entidades do terceiro setor. Seu objetivo central é esclarecer as condições de imunidade previstas em nossa carta magna, assim como apresentar as formas e possibilidades previstas em lei de se adequar para obtenção das isenções. É um material de grande valia para aqueles que, na gestão de entidades do terceiro setor, desejam o conhecimento mínimo necessário para avaliarem de forma ampla as possibilidades de otimização dos recursos de suas entidades, e aplicar tais recursos nos objetivos fins, ou seja, dando de fato à sociedade o que dela já é de direito. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 A ORIGEM DOS INCENTIVOS TRIBUTÁRIOS PARA O TERCEIRO SETOR No intuito de criarmos uma base sólida para o desenvolvimento deste trabalho, dedico alguns pensamentos mais antigos para que tenhamos a real noção de onde partiu o hoje conhecido como Terceiro Setor. A sociedade é um corpo em constante evolução, e para orientar o raciocínio do leitor, vamos voltar à revolução Francesa, período de grandes levantes populares e burgueses que se rebelavam contra o império e o clero, haja vista que estes abusavam do poder absoluto em causas próprias deixando a população à míngua. Sem entrarmos em maiores detalhes desta revolução, que teve grande importância na historia não só da França, mas de toda humanidade, vamos atentar aqui à tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que foi como um grito de guerra do levante. A tríade nos remete às evoluções do Direito, chamadas pelos doutrinadores de mailto:adrianosoler@gmail.com Dimensões dos Direitos Fundamentais, que se deram também para o atendimento às necessidades sociais que nos devidos momentos se faziam necessárias. A primeira dimensão desses direitos se refere à Liberdade individual, principalmente no que tange aos direitos civis e políticos do individuo, tais como direito a vida, segurança, propriedade, locomoção, pensamento e expressão, dentre outros. Paulo Alexandrino diz: Por serem repressores do poder estatal, os direitos fundamentais de primeira geração são reconhecidos como direitos negativos, liberdades negativas ou direitos de defesa do indivíduo frente ao Estado. (ALEXANDRINO; PAULO, 2012. p. 102) Os direitos presentes nesta primeira dimensão são aqueles que, após termos delegado ao Estado o poder da força, nos protege dos excessos em sua utilização e aplicação. Digamos que é a camada do Direito que nos protege do Leviatã da fantástica obra de Thomas Hobbes. Quando partimos para análise da segunda geração dos direitos, estamos nos referindo de forma geral à Igualdade, do bem estar social, onde a forma de analisar os direitos passou a ter viés igualitário. Após a segunda grande guerra, o mundo passou a observar de forma mais próxima os direitos humanos, dentre eles, principalmente os direitos de ordem social, econômica e cultural, procurando regrar de forma que os anseios populacionais que tangenciavam tais ambições fossem atendidos. Os direitos sociais, característicos da segunda geração, aparecem em varias passagens de nossa constituição: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” (CF, art. 6) “A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social […]” (CF, art. 170) A terceira geração, a da Fraternidade, dos direito difusos e coletivos, não esta restrita apenas à responsabilidade do Estado, mas sim a uma tutela compartilhada com representantes da sociedade civil, sobretudo das organizações não governamentais. Tais direitos são facilmente identificados quando observamos que quando alcançamo-los, todos são beneficiados, porém, quando há sua violação todos são afetados. Paulo Bonavides ensina: Dotados de altíssimo teor de humanismo e universalidade, os direitos da terceira geração tendem a cristalizar-se neste fim de século enquanto direitos que não se destinam especificamente à proteção dos interesses de um indivíduo, de um grupo, ou de um determinado Estado. Têm primeiro por destinatário o gênero humano mesmo, num momento expressivo de sua afirmação como valor supremo em termos de existencialidade concreta. Os publicistas e juristas já o enumeram com familiaridade, assinalando-lhe o caráter fascinante de coroamento de uma evolução de trezentos anos na esteira da concretização dos direitos fundamentais. Emergiram eles da reflexão sobre temas referentes ao desenvolvimento, à paz, ao meio ambiente, à comunicação e ao patrimônio comum da humanidade. (BONAVIDES, 2006, p. 563-569.) Embora a Constituição Federal de 1.988 seja considerada a que de forma mais abrangente propõe o atendimento aos direitos supracitados, há de se registrar que no artigo 10.º da Constituição de 1.934 e no artigo 31.º da Constituição de 1.946, já havia os primeiros sinais: CF 1.934 Art. 10 - Compete concorrentemente à União e aos Estados: I - velar na guarda da Constituição e das leis; 2. cuidar da saúde e assistência públicas; 3. proteger as belezas naturais e os monumentos de valor histórico ou artístico, podendo impedir a evasão de obras de arte; 4. promover a colonização; 5. fiscalizar a aplicação das leis sociais; 6. difundir a instrução pública em todos os seus graus; 7. criar outros impostos, além dos que lhes são atribuídos privativamente. Parágrafo único - A arrecadação dos impostos a que se refere o número VII será feita pelos Estados, que entregarão, dentro do primeiro trimestre do exercício seguinte, trinta por cento à União, e vinte por cento aos Municípios de onde tenham provindo. Se o Estado faltar ao pagamento das cotas devidas à União ou aos Municípios, o lançamento e a arrecadação passarão a ser feitos pelo Governo federal, que atribuirá, nesse caso, trinta por cento ao Estado e vinte por cento aos Municípios. CF 1.946 Art. 31 - A União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios é vedado: I - criar distinções entre brasileiros ou preferências em favor de uns contra outros Estados ou Municípios; II - estabelecer ou subvencionar cultos religiosos, ou embaraçar-lhes o exercício; III - ter relação de aliança ou dependência com qualquer culto ou igreja, sem prejuízo da colaboração recíproca em prol do interesse coletivo; IV - recusar fé aos documentos públicos; V - lançar impostos sobre: a) bens, rendas e serviços uns dos outros, sem prejuízo da tributação dos serviços públicos concedidos, observado o disposto no parágrafo único deste artigo; b) templos de qualquer culto bens e serviços de Partidos Políticos, instituições de educação e de assistência social, desdeque as suas rendas sejam aplicadas integralmente no País para os respectivos fins; c) papel destinado exclusivamente à impressão de jornais, periódicos e livros. Parágrafo único - Os serviços, públicos concedidos, não gozam de isenção tributária, salvo quando estabelecida pelo Poder competente ou quando a União a instituir, em lei especial, relativamente aos próprios serviços, tendo em vista o interesse comum. Após vagarmos pelas três gerações do direito e sua evolução histórica, chegamos a Constituição Federal de 1.988 para positivarmos os direitos até então descritos: Art. 5. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar; XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios: [...] VI – instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Entendidos princípios doutrinários, históricos e legais, partimos para a função do terceiro setor na sociedade em que vivemos e da importância de sua independência e fortalecimento. As entidades que compõem o terceiro setor sejam elas, associações ou fundações, têm por finalidade o atendimento de alguma lacuna do Estado, é nesse espaço que normalmente nascem. Tendo em vista a motivação de indivíduos em agir coletivamente em prol de um grupo que vivencia uma carência que tenham o interesse de suprir, o ordenamento jurídico prevê a criação destas entidades. Se observarmos a partir do prisma privado, a ausência do Estado gera uma oportunidade de negócio, em que uma empresa, pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, se estrutura para vender seus benefícios. Neste mesmo horizonte, temos pessoas jurídicas, também privadas, entretanto sem fins lucrativos, e é destas que vamos falar, das entidades que não visam o lucro, mas sim a administração de recursos de forma a atingir seus propósitos estatutários e sua existência. Vale ressaltar que entidades sem fins lucrativos podem e devem obter lucros, pois só assim terão condições de manter suas operações, entretanto, a finalidade do lucro auferido será sempre a continuidade da assistência proposta, não podendo haver divisão dos resultados entre seus componentes. 2.2 TRIBUTOS FEDERAIS E SUA RELAÇÃO COM TERCEIRO SETOR O terceiro setor, composto por entidades do tipo Associações e Fundações, sem fins lucrativos, normalmente solidário e destinado a atender demandas publicas onde o poder público é ausente ou insuficiente, podendo se valer, no intuito de otimizar seus recursos, de isenções ou imunidades tributárias. Iniciemos falando da imunidade, que é uma limitação do poder auferido ao Estado de tributar, onde há proibição explicita do uso desse poder. A imunidade sempre se dará através de previsão constitucional, sendo desta forma supralegal, exclui-se o fato gerador do tributo, uma vez que a entidade classificada constitucionalmente como apta a esse beneficio é imune à tributação. CONSTITUIÇÃO DE 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Ricardo Lobo Torres acrescenta que: “para quem imunidade tributária, do ponto de vista conceptual, é uma relação jurídica que instrumentaliza os direitos fundamentais, ou uma qualidade da pessoa que lhe embasa o direito publico subjetivo à não incidência tributária ou uma exteriorização dos direitos da liberdade que provoca a incompetência tributária do ente publico.” As isenções tributárias são benefícios legais, desta forma, não estão previstos constitucionalmente, porem, são criadas vedações de cobrança de determinados tributos através de Leis Infraconstitucionais, objetos de legislação especifica, onde são dadas isenções gerais ou pontuais, pois há total discricionariedade por parte do ente publico. Iniciamos nossa analise observando os tributos federais, sendo eles, Imposto de Importação (II), Imposto sobre produtos industrializados (IPI), Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto de propriedade Territorial Rural (ITR), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), Fundo de Garantia por Tempo de Contribuição e Programa de Integração Social (PIS). Embora haja previsão constitucional e legal para as devidas imunidades e isenções, há de se observar o caráter de cada entidade para que se avalie o cabimento ou não da utilização dos benefícios. No intuito de regulamentar e equalizar os entendimentos foi promulgada em 29 de novembro de 2009 a Lei 12.101, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, dando diretrizes ao devido entendimento sobre entidades de saúde, educação e assistência social.Essa lei veio para que apenas as entidades realmente engajadas na beneficência tenha acesso às imunidades e isenções. No que tange ao II, Imposto de Importação, é bastante interessante verificar que uma entidade que adquire item de outro país não se enquadra necessariamente como um importador, haja vista que, embora o faça por conta e ordem de terceiros, sejam esses seus associados, não se trata de uma prestação de serviços relacionados com a transação comercial, mas sim de aquisição para seu funcionamento e atendimento de seu objeto estatutário. Podemos exemplificar tal situação através da aquisição por parte de uma associação que preste serviço de saúde, e adquira através da importação um equipamentomédico hospitalar, o qual estará imune de pagamento do imposto apontado. Vale ressaltar que há procedimentos próprio junto a Receita Federal do Brasil para obtenção desse beneficio, inclusive há ainda casos onde não houve atendimento do pleito, dando-se inicio a entraves legais, tais como o abaixo ilustrado, onde a entidade, que promove o desenvolvimento científico teve um equipamento importado retido. A fundação impetrou Mandado de Segurança na Justiça Federal de Novo Hamburgo (RS) após ter o equipamento de R$ 15 mil retido pela Receita Federal, que condicionou o despacho aduaneiro ao pagamento de R$ 8,9 mil referentes ao Imposto de Importação e ao IPI. Segundo a União, os tributos fazem parte do grupo “imposto sobre comércio exterior”, e não estariam abrangidos pela imunidade. A 1ª Vara Federal em Novo Hamburgo concedeu liminar em março determinando a liberação da sonda e, em junho deste ano, proferiu sentença em favor da fundação. O processo foi enviado ao tribunal para reexame. A relatora do processo, Claúdia Maria Dadico, convocada para atuar na 2ª Turma do tribunal, confirmou a sentença, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal tem decidido nesse sentido. “A imunidade prevista no artigo 150, VI, c, da Constituição, em favor das instituições de assistência social, abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos”, diz trecho da sentença que cita jurisprudência do STF. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-4. Processo 50.049.541.2.2016.4.047.108 https://www.conjur.com.br/2016-ago-30/entidade-cultural- imunidade-imposto- importacao-ipi No que tange ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), temos a isenção e a previsão encontra-se prevista no Decreto 2.637 de 25 de junho de 1.998, confirme segue: Art. 48. São isentos do imposto: I – os produtos industrializados por instituições de educação ou de assistência social, quando se destinem, exclusivamente, a uso próprio ou a distribuição gratuita a seus educandos ou assistidos, no cumprimento de suas finalidades. Há correntes onde se estenda o entendimento do art. 105, VI, c da Constituição Federal ao IPI, tornando dessa forma as entidades imunes a sua incidência. Essencialmente, as entidades do terceiro setor não utilizam usualmente do processo de industrialização para auferir rendas no intuito de manter suas atividades, normalmente isso se da de forma artesanal, o que diminui significativamente a incidência de cobranças indevidas e processos judiciais com tal controvérsia. Partamos agora para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), que tem entendimento pacificado quanto sua incidência, haja vista que as entidades não auferem lucros, estando assim clara e amplamente respaldadas pela imunidade constitucional dada pelo art. 105, VI, c da Constituição Federal. CONSTITUIÇÃO DE 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; https://www.conjur.com.br/2016-ago-30/entidade-cultural-imunidade-imposto-importacao-ipi https://www.conjur.com.br/2016-ago-30/entidade-cultural-imunidade-imposto-importacao-ipi https://www.conjur.com.br/2016-ago-30/entidade-cultural-imunidade-imposto-importacao-ipi No que tange a Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL), a base e fundamentação legal se norteia pelos mesmos princípios que garantem a imunidade ao Imposto de Renda, haja vista que por essência e natureza jurídica, as entidades do terceiro setor não auferem lucros, o que exclui a o fato gerador de tal tributação, tornando-as imunes. Tal imunidade é também tacita se observarmos que no texto legal que institui a CSLL, Lei 7.689/88, não há menção a isenções como ocorre no INSS, haja vista que hermeneuticamente o legislador entende que as entidades já são imunes por não auferirem lucros, tornando-se desnecessária previsão de isenção. Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi instituído pela Lei 5.153/66 e também encontra-se regulado no CTN no artigos de 63 a 67. O contribuinte do IOF, de acordo com artigo 66 do CTN é qualquer das partes na operação tributária. Paes (2003, p. 456) diz que as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, “estão amparadas pelo instituto da imunidade, previsto no art. 150, VI, c, em relação a este imposto, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 14 do Código Tributário Nacional”. Os tribunais tem como pacificado o entendimento de que são imunes à incidência do IOF as entidades de educação e assistência social sem fins lucrativos. De forma contrária, a Fazenda Nacional argumenta que os rendimentos oriundos de aplicações financeiras não estão imunes em virtude do caráter especulativo dos investimentos. Tal linha jurisprudencial pode ser encontrada em julgado do TRF da 4ª Região sobre pedido formulado por entidade assistencial, onde o órgão de segunda instancia entendeu que para o reconhecimento da imunidade bastaria a vinculação dos rendimentos auferidos à materialização das atividades essenciais da entidade: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL. APLICAÇÃO DE VALORES MERCADO FINANCEIRO. IOF. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. 1. Consoante dispõe o artigo 150, VI, c, da CF, combinado com o seu PAR-4; o patrimônio, a renda e os serviços das instituições de educação e assistência social, quando relacionados com as finalidades essenciais destas, são imunes à cobrança de impostos. 2. Em época de inflação alta, e mesmo quando o valor da moeda encontrase estabilizado, a aplicação de valores no mercado financeiro visa, antes de tudo, a impedir a desvalorização da moeda. Assim, o só fato de os rendimentos provirem de aplicações financeiras, não autoriza o entendimento de que estariam eles fora do alcance da imunidade em questão. 3. De mais a mais, para o reconhecimento da imunidade em foco, basta a vinculação do rendimento às finalidades essenciais da entidade, pouco importando o modo como auferido. 4. Agravo de Instrumento, a que se nega provimento, nos termos da liminar (TRF/4R. AG. 1999.04.01.03.0963-5-RS. Rel. Juíza Tânia Terezinha C. Escobar. Julgado em 15/07/1999. DJ 15/09/1999). O Imposto de propriedade Territorial Rural (ITR), regulado pela Lei 9.393/96, também transmite as entidades do terceiro setor o gozo da imunidade. Embota haja controvérsias sobre a forma de utilização do imóvel, que por vezes pode não ser utilizado diretamente para o fim da entidade, a doutrina e a jurisprudência entendem que se a renda auferida da exploração da propriedade for investida na finalidade social da entidade, o bem é imune à aplicação de impostos a ele aplicáveis, desconsiderando assim o fato de o mesmo não estar vinculado a atividade principal da entidade. Nestes termos, há decisão do TRF da 4ª Região sobre o assunto: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ITR. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Imunidade do art. 150, VI, c, da Constituição. Regulamentação decorrente da Lei 9.532/97 suspensa. Aplicação do art. 14 do CTN. Caracterização inequívoca como entidade assistencial. Fundação com suas contas, ano a ano, aprovadas pelo Ministério Público. Bens imóveis destinados a sua atividade fim, sendo que, ainda que assim não fosse, de qualquer modo todas as receitas seriam vertidas às finalidades institucionais, sendo certo que, presente tal requisito, o STF tem reconhecido a imunidade inclusive relativamente a imóveis alugados. Inocorrência de violação aoart. 150, § 4º, da CF. Afastamento da exigência de ITR enquanto a Impetrante persistir na busca de seus fins assistenciais e continuar tendo suas contas aprovadas (MAS 2001.71.00.004966-6, Rel. Juiz Leandro Paulsen. Julgado em 31.01.06. DJU 15.02.06). A chamada Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) é uma das contribuições sociais previstas no artigo 195, I, b da Constituição Federal, e foi instituída pela Lei Complementar 70, de 30/12/91, que em seu primeiro artigo determina que a contribuição se destine exclusivamente às despesas as atividades fins das áreas da saúde, educação e assistência social. A imunidade das entidades do terceiro setor no que se refere à COFINS tem a seguinte previsão: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A Lei 12.101 de 27/11/2009 vem regular os procedimentos para isenção de contribuições para a seguridade social, entretanto, cria a necessidade de um reconhecimento que não é previsto no texto constitucional. Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Desta forma, o art. 1.º da Lei 12.101/09, vem atender ao chamado constitucional previsto no § 7º do art. 195 da CF de regulamentar a forma de concessão da isenção. Por haver previsão constitucional falamos de uma imunidade, entretanto, a discricionariedade dada ao ente publico pela Lei 12.101/09 quanto ao reconhecimento da entidade nos remete a uma isenção. Desta forma, o legislador, embora em ambos os casos reconheça a inaplicabilidade da tributação, não deixou evidente se sua base é legal ou constitucional. Passamos a falar do cabimento ou não das isenções ou imunidades ao Programa de Integração Social (PIS), o qual a doutrina e a jurisprudência vêm na mesma corrente aplicada à COFINS, inclusive norteando seus julgados nas mesmas bases, sejam elas: CF/88 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Lei 12.101/09 Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. Lei Complementar 07 de 1970, Art. 3º [...] § 4º - As entidades de fins não lucrativos, que tenham empregados assim definidos pela legislação trabalhista, contribuirão para o Fundo na forma da lei. A isenção da contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), regulada pela instrução normativa 971 de 13/11/2009, que vem regulamentar o disposto nas Leis 12.101/09 e 8.212/91. INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 971, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2009 Art. 227. A entidade beneficente de assistência social certificada na forma da Lei nº 12.101, de 2009, fará jus à isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 1991, desde que cumpra, cumulativamente, os seguintes requisitos: I – manter escrituração contábil regular, que registre receitas, despesas e aplicação de recursos em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; II – não distribuir resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio sob qualquer forma ou pretexto; III – manter em boa ordem e à disposição da RFB, pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data de emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações que impliquem modificação da situação patrimonial; IV – manter em boa ordem e à disposição da RFB as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade, quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite máximo estabelecido pelo inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006; V – não remunerar diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores e não lhes conceder vantagens ou benefícios a qualquer título, direta ou indiretamente, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; VI – aplicar integralmente suas rendas, seus recursos e o eventual superávit em território nacional, na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; VII – manter regularidade fiscal em relação a todos os tributos administrados pela RFB durante todo o período de gozo da isenção; VIII – manter certificado de regularidade do FGTS durante todo o período de gozo da isenção; e Art. 228. Observado o disposto no art. 227, o direito à isenção poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, independentemente de requerimento à RFB. § 1º A isenção das contribuições sociais usufruída pela entidade é extensiva às suas dependências e estabelecimentos, e às obras de construção civil, quando por ela executadas e destinadas a uso próprio. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade com personalidade jurídica própria e mantida por entidade isenta nem entidade não- certificada que tenha celebrado contrato de parceria na forma do § 3º do art. 3º do Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010. Com base na IN RF, as entidades que atenderem aos requisitos farão jus à isenção, entretanto, há inúmeros casos de judicialização do fato, haja vista a dificuldade no atendimento às exigências. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PATRONAL À PREVIDÊNCIA. ENTIDADE FILANTÓPICA. Tendo a entidade filantrópica requerido a renovação do Certificado que lhe confere imunidade previdenciária e sendo o seu pedido deferido anos depois, o direito às vantagens conferidas retroagem à data do requerimento, razão porque no presente caso se reconhece a isenção da cota patronal da contribuição previdenciária.Recurso conhecido e provido. (TRT-16 1917200601616003 MA 01917-2006-016-16-00-3, Relator: AMÉRICO BEDÊ FREIRE, Data de Julgamento: 09/02/2010, Data de Publicação: 09/03/2010) Vale resaltar que a isenção do pagamento da parte patronal contribuição INSS não isenta a entidade do recolhimento e pagamento da contribuição do funcionário, podendo o representante legal da entidade ser indiciado pelo crime de apropriação indébita previdenciária, prevista no art. 168 A do Código Penal Brasileiro no caso de efetuar o recolhimento através do desconto do funcionário e não fazer o devido repasse. EMENTA: AÇÃO PENAL. EX-PREFEITO E ATUAL DEPUTADO FEDERAL. DENÚNCIA DE INFRAÇÃO AO DECRETO-LEI 201/1967, ART. 1º, III E IX. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. EMENDATIO LIBELLI. ABSOLVIÇÃO EM RELAÇÃO A PARCELA DA APROPRIAÇÃO,EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO PAGAMENTO, EM RELAÇÃO AO MAIS. 1. A apropriação indébita previdenciária (art. 168-A do Código Penal) prevalece sobre o tipo previsto no art. 1º, XIV, do Decreto-Lei 201/1967, quando a hipótese versa descumprimento de lei municipal atinente a recolhimento a autarquia previdenciária. 2. Ausência de descrição própria de desvio de renda pública, independente da suposta apropriação indébita, leva à absolvição, sobretudo quando a prova dos autos evidencia não ter havido o suposto fato. Improcedência da denúncia, no ponto. 3. Incide, no caso, o entendimento de que o pagamento do tributo, a qualquer tempo, extingue a punibilidade do crime tributário. Precedente. A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Segunda Turma, sob a Presidência do Ministro TEORI ZAVASCKI, na conformidade da ata de julgamentos e das notas taquigráficas, por unanimidade, em julgar improcedente a denúncia no que concerne à imputação de deixar de repassar à autarquia previdenciária as contribuições recolhidas dos servidores no ano de 2003, nos termos do artigo 386, II, do Código de Processo Penal, e, em relação às demais condutas, em declarar extinta a punibilidade do réu, a teor dos artigos 9º da Lei 10.684/2003 e 168-A, § 2º, do Código Penal, nos termos do voto do Relator. Falou, pelo réu, o Dr. Castellar Guimarães Neto. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Brasília, 18 de novembro de 2014. Ministro TEORI ZAVASCKI Relator O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), não é um imposto, como a própria denominação esclarece, é um fundo, instituído pela Lei 5.107 de 1.966, sendo regulamentado pelo Decreto 59.820 também de 1.966. Por se tratar de um fundo de amparo a todo e qualquer trabalhador, não há de se falar em isenção ou imunidades, haja vista ser um direito indisponível do trabalhador, estando dessa forma toda e qualquer empresa, ou entidade do terceiro setor, que é o foco dessa analise, obrigada ao recolhimento integral e tempestivo do FGTS. 2.3 TRIBUTOS ESTADUAIS E SUA RELAÇÃO COM TERCEIRO SETOR: No que tange aos tributos: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) e Imposto sobre Propriedade de Veiculo Automotor (IPVA), devemos atentar que por se tratarem de tributos estaduais, sempre haverá legislação local tratando regionalmente o tema, desta forma, vamos analisar neste artigo a regulamentação do estado de São Paulo. No que tange ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, a não incidência do ICMS nas entidades do terceiro setor se dará com base no Decreto 45.490/2.000, que traz em seu Art. 7.º inciso VII, alínea “c”: Artigo 7.º - O imposto não incide sobre (Lei Complementar federal 87/96, art. 3.º, Lei 6.374/89, art. 4.º, na redação da Lei 10.619/00, art. 1.º, III; Convênios ICM-12/75, ICMS-37/90, ICMS-124/93, cláusula primeira, V, 1, e ICMS-113/96, cláusula primeira, parágrafo único): VII - a saída e o correspondente retorno de equipamentos e materiais, promovidos por pessoa ou entidade adiante indicada, utilizados exclusivamente nas operações vinculadas às suas atividades ou finalidades essenciais, observado o disposto no § 4.º: c) os partidos políticos e suas fundações, as entidades sindicais dos trabalhadores e as instituições de educação ou de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Quanto ao ITCMD, a base legal encontra-se no Decreto 46.655 de 2002, que traz em seu Art. 4.º inciso IV, §1 e 2, itens “1, 2 e 3 ”: DECRETO Nº 46.655, DE 01 DE ABRIL DE 2002 Artigo 4.º - O imposto não incide na transmissão de bens ou direitos ao patrimônio (Constituição Federal, art. 150, VI, e §§ 2º ao 4º; Código Tributário Nacional, arts. 9º, IV e 14, I, na redação da Lei Complementar nº 104/2001): IV - dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. § 1.º - A não-incidência prevista nos incisos II a IV deste artigo somente se refere aos bens vinculados às finalidades essenciais, não alcançando bens destinados à utilização como fonte de renda ou como exploração de atividade econômica. § 2.º - A não-incidência prevista no inciso IV condiciona-se à comprovação, pelas entidades, de: 1 - não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; 2 - aplicar seus recursos integralmente no País, exclusivamente na manutenção de seus objetivos institucionais; 3 - manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. O beneficio referente ao IPVA foi reconhecido pela Lei 13.296/2008, que foi regulamentada pelo Decreto 59.953/2013, de forma que, embora haja procedimento próprio para obtenção e gozo do não pagamento do tributo, há discricionariedade nos termos, o que dá ao arrecadador poder de tributar a entidade do terceiro setor que por ventura não venha a atender de forma satisfatória as exigências. LEI Nº 13.296, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2008 Artigo 12 - O Poder Executivo disciplinará procedimento para o reconhecimento das imunidades, para a concessão das isenções e para a dispensa do pagamento do imposto. DECRETO Nº 59.953, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2013 Artigo 2° - A imunidade do IPVA será reconhecida, caso a caso, por despacho da autoridade administrativa em requerimento com o qual o interessado comprove o preenchimento das condições previstas em lei e o cumprimento dos requisitos, nos casos de veículos de propriedade de: IV - instituições de educação e de assistência social; Artigo 3º - A imunidade do IPVA será reconhecida com base nos dados do Cadastro de Contribuintes do IPVA, ficando dispensada a apresentação do requerimento de que trata o artigo 2º, nos casos de veículos de propriedade: II - de pessoa indicada nos incisos I a V do artigo 2º, desde que inscrita no Cadastro de Contribuintes do IPVA na situação cadastral de imune ao IPVA, conforme disciplina a ser estabelecida pela Secretaria da Fazenda. Parágrafo único - O proprietário do veículo que não tiver a imunidade reconhecida automaticamente, ainda que previamente inscrito no Cadastro de Contribuintes do IPVA na condição de imune, deverá apresentar requerimento nos termos do artigo 2º. 2.4 TRIBUTOS MUNICIPAIS E SUA RELAÇÃO COM TERCEIRO SETOR: Da mesma forma como no item anterior fora estabelecido estado de São Paulo para tratarmos da tributação estadual, aqui trataremos da tributação municipal e teremos como base a cidade de São Paulo. Quanto aos tributos municipais temos Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Imposto Sobre Serviços (ISS) e Imposto de Propriedade Territorial Urbana (IPTU), onde, no que tange às imunidades relacionadas ao terceiro setor, a prefeitura de São Paulo, em atendimento ao texto constitucional, em seu Art. 150 inciso VI alínea “c”, através de procedimento próprio, estabelecido pelo Decreto 56.141/2015. Assim como nos tributos a cargo da Fazenda estadual, os tributos aqui descritos, de administração pela fazenda municipal, também há procedimento próprio para obtenção e gozo do não pagamento do tributo, e há também discricionariedade nos termos, o que dá ao arrecadador poder de tributar a entidade do terceiro setor que por ventura não venha a atender de forma satisfatória as exigências. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com base no que até o momento foi exposto, tentarei concluir de forma que tenhamos ideia das causas e dos efeitos relacionados ao tema deste trabalho. Inicialmente, voltemos ao inicio, onde traçamos uma linha de raciocínio baseada em evoluções sociais que por sua vez geraram a previsão legal para cada momento histórico apontado. Ao discorrer sobrea tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade, trazemos a luz do Direito, os fatos sociais que geraram cada etapa da evolução Legal, que se deu de forma gradativa, caminhando sempre, paralela a historia. Momentos em que o Estado foi adequando sua legislação no intuito de atender os anseios sociais. Satisfeitas as questões relacionadas à origem, passamos a analisar os efeitos de tais movimentos. Tal analise se dá de forma que saibamos avaliar o intuito do Estado na realização de seus atos. Podemos dizer que o marco regulatório do terceiro setor se deu pela Lei 13.019/2014, onde o Estado, de forma mais estrita, regulamentou as formas aplicáveis às parcerias com as entidades do terceiro setor. Como descrito no decorrer deste trabalho, as isenções são derivadas da criação de Leis que as estabeleçam, e a imunidade é proveniente da proibição constitucional em tributar certos setores e atividades. Isso se verifica pontualmente em cada tributo acima explanado, porém, a essência da não tributação esta relacionada a um simples conceito, sendo ele, o incentivo à sociedade civil em se organizar para suprir de forma organizada as necessidades sociais. Desta forma, sempre norteado pelo texto constitucional e as leis (federais, estaduais e municipais), dentre elas o marco regulatório, criou-se uma sinergia de ajuda recíproca, onde o Estado, através da União, Estados e Municípios, juntamente com a Sociedade Civil, através de suas associações e fundações, trabalham conjuntamente no árduo propósito de otimizar ao máximo os recursos arrecadados, aplicando-os de forma canalizada nos seus objetivos, que são claramente propostos em seus estatutos sociais. De forma ampla, toda imunidade tributária, certamente prevista constitucionalmente, está relacionada incapacidade da União, Estados e Municípios de cobrar tributos de patrimônio, renda ou serviços, relacionados às atividades essenciais, de entidades sem fins lucrativos, e a inexistência da finalidade mercantil das associações do terceiro setor, assim, para que estas possam se manter imbuídas em seus propósitos estatutários não haverá o fato gerador da tributação, sendo todo beneficio de tal imunidade, redirecionado ao atendimento dos anseios sociais para os quais foi criada. No que tange a isenção, caberá ao Estado, para atendimento das diretrizes políticas e sociais, a criação de leis que isentem as entidades do pagamento dos tributos que encontrem dentro de sua capacidade de tributar. Ou seja, neste caso é ato discricionário do ente publico conceder ou não o beneficio. De forma geral, após o marco regulatório do terceiro setor, as regras para que se tenha acesso às isenções se tornaram mais claras, e com ferramentas de controle mais aprimoradas, o que gerou maior fomento ao terceiro setor. Diante do exposto, concluímos que a razão central de ser do INCENTIVO TRIBUTÁRIO AO TERCEIRO SETOR é uma ferramenta muito poderosa do ente publico para que, junto com a sociedade civil, consiga levar aos mais necessitados, uma vida digna. Pois mesmo que o Estado não esteja de forma pessoal nas associações do terceiro setor, ele estará presente no fomento, seja de ações pontuais e direcionadas, cada uma de sua forma e com seu propósito, ou em grandes projetos. Não tributar é ajudar, porém, sem deixar de fiscalizar. 4 REFERÊNCIAS CONTABILIDADE DO TERCEIRO SETOR, Julio Cesar; ZANLUCA; Coletânea de assuntos relativos á teoria e prática da contabilidade do terceiro setor. xx. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. SABBAG, Eduardo. Manual do Direito Tributário. 11ª Edição:, 2019. MORAES, Alexandre. Os 10 anos da Constituição Federal. São Paulo: Atlas, 1999, p. 178 CIENCIA POLITICA, Paulo; BONAVIDES; ed. Malheiros, 2019. SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na constituição federal de 1988. 5. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005, p. 70. PAULO, Vicente, ALEXANDRINO, Marcelo. Direito constitucional descomplicado. 8º ed. Editora Método. São Paulo-SP. 2012. SITE Prefeitura Municipal de São Paulo https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/fazenda/servicos/imunidades_e_isenco es/ Acesso em: Acesso em: 17/06/2019. 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