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editora ARBE APOSTILA Filosofia Geral: Problemas MetafísicosBONS ESTUDOS!editora ARBE SUMÁRIO 1. Introdução 2. Unidade I- Problemas metafísicos e Filosofia - Pré Socráticos 3. Unidade II-A Ontologia Antiga 4. Unidade III- Onto - Teologia Medieval 5. Unidade IV- Corpo e Alma: Liberdade X Determinismo 6. Conclusão 3editora ARBE 1. INTRODUÇÃO Seja muito bem-vindo(a)! Prezado(a) aluno(a), é uma grande satisfação tê-lo nesta disciplina. Estamos prestes a iniciar uma jornada ao conhecimento filosófico, fundamental para desenvolver um pensamento reflexivo e crítico sobre a questão do Ser, que tem instigado a mente de grandes pensadores ao longo da história. Vamos percorrer o caminho traçado pela metafísica desde sua origem até sua transformação, abrindo espaço para uma nova abordagem do Ser. Na Unidade I, começaremos explorando a maneira como os gregos clássicos lidavam com questões cotidianas, utilizando histórias mitológicas para explicar a realidade, um estágio inicial para o pensamento cosmológico. Na Unidade II, introduziremos um novo conceito: a ontologia, que pode ser resumida como "o estudo do ser". Aqui, a metafísica já é reconhecida como o estudo do que está além do físico, e a investigação sobre o ser começa a se desenvolver. Na Unidade III, veremos o surgimento da filosofia cristã, fundamentada nos pensamentos de Platão e Aristóteles. Neste momento. a filosofia é eclipsada pela revelação religiosa. Por fim, na Unidade IV, testemunharemos o da metafísica e o surgimento da fenomenologia, onde o sujeito volta a ser protagonista de sua própria experiência, agora auxiliado pela ciência. Aqui, a filosofia deixa de ser subjugada e passa a ser um elemento essencial na busca e compreensão da dualidade entre corpo e mente. Neste momento, reforço o convite para que juntos embarquemos na jornada do conhecimento sobre os temas apresentados neste material. Espero despertar em você o interesse pelo pensamento filosófico. 4editora ARBE 2. UNIDADE I- PROBLEMAS METAFÍSICOS E FILOSOFIA - PRÉ-SOCRÁTICOS Introdução Caro(a) estudante da disciplina "Filosofia Geral: Problemas Metafísicos", é com grande entusiasmo que o convido a adentrar no universo do conhecimento filosófico. Este processo de aprendizado oferecerá a você a oportunidade de explorar a busca pelo sentido do ser a metafísica uma jornada que provocou uma notável transformação no pensamento ocidental acerca da origem das coisas materiais e sobrenaturais. Esta introdução tem o objetivo de orientá-lo e situá-lo, caro(a) estudante, a compreender a importância de conhecer o surgimento do processo racional que utilizamos até hoje, um processo que não ocorreu de maneira rápida ou casual. Como mencionado, a metafísica não surgiu por acaso; foi necessário que o homem grego compreendesse o mundo ao seu redor e, a partir disso, começasse a questionar a própria realidade. Contudo, para alcançar esse ponto, o mundo grego passou por transformações no plano material, resultando na revelação de sua própria existência. Nesta unidade, exploraremos como esse processo de "revelação" e ambientação foi crucial para que o homem começasse a questionar a natureza do Ser. No início, o homem grego estava apenas a compreender o seu mundo, estabelecendo verdades intuitivas e aceitando as explicações sobre a realidade sem questionamentos. Vamos agora mergulhar no empolgante ato de aprender sobre o mito, cosmogonia e cosmologia, iniciando uma jornada pelas condições que propiciaram o nascimento da Filosofia na Grécia. Pronto para explorar as raízes da investigação do pensamento? 2.1 Mitologia - Pensamento Cosmogônico Iniciaremos nossa exploração sobre a Metafísica, que, de maneira genérica, pode ser compreendida como a busca pelo sentido do Ser. No entanto, para compreender essa necessidade de encontrar esse sentido, é essencial voltarmos aos tempos dos povos primitivos. Desde os primórdios, os seres humanos buscaram entender sua realidade, procurando explicações para o ambiente em que viviam, os fenômenos naturais e até mesmo os aspectos sobrenaturais que permeavam suas vidas. Foi nesse contexto que surgiu o mito. Para os povos primitivos, o mito representava uma forma de explicar a realidade, baseada em narrativas fantasiosas que não eram submetidas a uma análise crítica para entender os aspectos naturais e sobrenaturais. Embora essas explicações fossem fantasiosas, elas constituíam uma verdade intuitiva para esses povos - uma verdade aceita sem a necessidade de provas. 5editora ARBE É importante ressaltar que o mito refletia o desejo humano de dominar o mundo ao seu redor e de amenizar o medo e a insegurança diante do desconhecido. Diante desse medo do desconhecido, o mito passou a ser visto como um pensamento mítico, impregnado de magia, utilizado para satisfazer o desejo de que as coisas ocorressem conforme desejavam. Para tornar isso possível, os mitos apresentavam os rituais como uma ferramenta para transformar o pensamento em ação. O mito, por sua natureza de verdade intuitiva, desempenhava uma função específica. Originado do desejo humano de dominar o mundo em que vivia, sua função era estabelecer modelos e exemplos de comportamento humano por meio dos rituais, que representavam expressões imaginárias das relações entre os homens e os deuses. Outra característica do mito é sua natureza dogmática, pois sua aceitação não dependia de evidências ou contestações, mas sim da fé ou da crença. Como as normas míticas visavam ao coletivo, desrespeitar os rituais afetava não apenas o indivíduo, mas também sua família, e, para impor o medo diante de possíveis transgressões, foram estabelecidos os tabus. Mas, afinal, qual era o conteúdo real dos mitos? Como essas narrativas chegaram ao conhecimento de todos? Quem as contava? Os mitos consistiam em narrativas sobre as origens ou o fim das coisas, incluindo a formação do universo. Eram repletos de histórias de lutas, intrigas e trabalho, tentando explicar situações comuns do cotidiano e educar por meio das narrativas, que eram transmitidas oralmente. As narrativas sobre a origem do universo são denominadas cosmogonias, sendo "gonia" o termo para "engendrar" ou "gerar", e "cosmo" referindo-se ao "universo organizado". No início de tudo, o Abismo - ou Kháos, como os gregos o chamavam - era o que existia. O Caos era um vazio escuro, onde nada era discernível. Posteriormente, surgiu a Terra - ou para os gregos. Em terceiro lugar, apareceu o que os gregos chamavam de Éros, mais tarde chamado de "o velho Amor". Os mitos que explicavam a origem dos deuses eram classificados como teogonias. No teatro do mundo, o palco estava montado. O espaço foi aberto, o tempo passou, e gerações se sucederam. Assim como a Terra era um lugar estável para humanos e animais, o céu etéreo no alto era o lar seguro para a divindade. As narrativas, histórias e mitos eram contados pelos aedos - rapsodos, artistas populares ou cantores que, na antiga Grécia, percorriam cidades recitando poemas. Dois nomes importantes se destacam como narradores de mitos: Homero e Hesíodo. Homero, cuja existência é incerta, é atribuído à autoria dos poemas e "Odisseia", epopeias que transmitiam valores culturais memorizados desde a infância como meio de compreensão da vida. 6editora ARBE A narra a guerra de Troia, enquanto a "Odisseia" relata o retorno de Ulisses para sua ilha, após o fim da guerra. Vale ressaltar que a guerra durou cerca de dez anos, e a única embarcação que sobreviveu foi a de Ulisses, cujo retorno levou aproximadamente dez anos. que teria vivido no século VII a.C., apresentou a gênese dos deuses com sua teogonia, narrando o nascimento dos deuses, partindo do caos como "universo desorganizado". Cada cidade grega tinha um deus ou deusa que representava sua conexão com o sagrado. Eram realizadas em festas, rituais e oferendas na tentativa de agradar essas divindades e evitar punições. A construção das cosmogonias e teogonias refletia o desejo humano de compreender ou até mesmo dominar o que não entendia. O homem grego mítico estava cativo em uma verdade intuitiva, buscando construir sua própria história em meio ao temor e à incerteza do desconhecido. 2.2 Pré-Socráticos - A Busca do Arché Os primeiros pensadores a abordar a natureza de forma racional e a questionar a origem das coisas, rejeitando as narrativas fantasiosas, foram denominados Pré-Socráticos, Naturalistas ou Filósofos da Physis, termo utilizado para descrever aqueles que focavam sua observação na natureza como o princípio fundamental das coisas. O termo "Pré-Socrático" é utilizado para situar esses filósofos antes do período de Sócrates, estabelecendo uma ordem cronológica na história da Além disso, eles contribuíram para a transição do pensamento mítico para o racional-filosófico, questionando as origens das coisas. A busca pelo arché, o princípio primordial das coisas, introduziu o conceito transformador do lógos razão ou explicação racional e argumentativa do mundo. Esses conceitos, como arché, physis e lógos, marcaram uma mudança na mentalidade grega, que passou a ser pensada de forma racional pelos Pré-Socráticos, que podem ser classificados em monistas e pluralistas. Os monistas foram aqueles que selecionaram um único elemento como o princípio fundamental. Tales de Mileto (640 a.C. 548 a.C.) escolheu a água, Anaxímenes (588 a.C. 524 a.C.) o ar infinito, Heráclito (544 a.C. 484 a.C.) o fogo, Pitágoras (século VI a.C.) o número e Parmênides (544 a.C. 450 a.C.) o Ser. Os pluralistas, como sugere o nome, estipularam mais de um elemento como arché. Empédocles (483 a.C. 430 a.C.) propôs o Úmido, o Seco, o Quente e o Frio, Anaxágoras (499 a.C. 428 a.C.) as sementes que continham os elementos de todas as coisas, enquanto os atomistas Leucipo (século V a.C.) e Demócrito (460 a.C. 370 a.C.) defendiam os átomos como fundamentos. 7editora ARBE O conceito de Arché refere-se à busca pelo princípio, a "origem de todas as coisas", partindo do pressuposto de que as coisas não surgem do nada. 2.3 Permanência e Devir - Parmênides e Heráclito Parmênides de Eléia (século VI a.C.) foi um filósofo pré-socrático significativo, sendo o primeiro a reconhecer a importância da metafísica. Sua teoria deixou de ser uma especulação cosmológica para se tornar uma ontologia, uma teoria do ser. Ele argumentou que a realidade é imutável, afirmando que "o ser é, o não ser não é". Parmênides demonstrou que o mundo sensível é ilusório e que apenas o mundo inteligível é verdadeiro e imutável. Parmênides escreveu um poema filosófico intitulado "Sobre a Natureza", composto por três partes: Proêmio, Primeira Parte e Segunda Parte. Na primeira parte, ele discute a verdade, enquanto na segunda discorre sobre a opinião dos mortais, introduzindo o conceito de movimento. Ele identifica o que seria o arché, concluindo que as coisas simplesmente "são" antes de possuir qualquer atributo ou propriedade. Heráclito (século VI a.C. - V a.C.), outro filósofo pré-socrático, defendeu a ideia do "verdadeiro mutável". Ele acreditava na mudança constante, chamando essa mudança de devir. Heráclito argumentou que o mundo é regido pela luta dos opostos, o que gera harmonia. Seu conceito de devir afirmava que tudo está em constante mudança, e sua teoria apresentava a doutrina da "harmonia dos contrários", onde os opostos coexistem em harmonia. 2.4 Pensamento Cosmológico Neste último tópico da unidade, vamos explorar o "Pensamento Cosmológico" e examinar a transição da sociedade grega do pensamento mítico para o filosófico. Essa transição é marcada pela mudança da Cosmogonia para a Cosmologia - onde "cosmos" significa "ordem e organização do mundo" e "logia" deriva de "lógos", que significa "pensamento racional" ou No primeiro tópico, discutimos o papel do mito, suas características e sua função na sociedade grega, e como o questionamento sobre a origem das coisas, o arché, marcou a transição do pensamento mítico para o A busca pela verdade racional substituiu a verdade intuitiva, levando os pré-socráticos a desempenharem um papel fundamental na história da Filosofia. Mas o que impulsionou essa mudança de paradigma? A Grécia tornou-se o berço da Filosofia, criando condições favoráveis para o desenvolvimento do pensamento filosófico. 8editora ARBE O grego passou a ser um cidadão ativo, participando das discussões na ágora, utilizando argumentação e retórica para apresentar suas ideias e dando espaço para a investigação e o questionamento - características essenciais da Filosofia. Foi nesse momento que a metafísica emergiu como um exercício crítico de perguntas e respostas. E como vimos anteriormente, foi com Parmênides que a metafísica, e a ontologia em particular, começou a fazer parte dos questionamentos de toda a sociedade. Houve seis fatores significativos que prepararam o terreno para o nascimento do pensamento racional ou filosófico na sociedade grega: as viagens marítimas, a invenção do calendário, a introdução da moeda, o surgimento da vida urbana, a invenção do alfabeto e o estabelecimento da política. As viagens marítimas permitiram aos gregos entrar em contato com novas culturas e modos de pensamento, enquanto o calendário ajudou a observar e registrar os ciclos naturais. A invenção da moeda abstraiu o valor das coisas e substituiu o sistema de escambo. crescimento das cidades e o surgimento do comércio favoreceram o desenvolvimento do artesanato e diminuíram a influência da aristocracia. A invenção do alfabeto permitiu uma forma mais abstrata de expressão e eternizou ideias de uma maneira que hieróglifos e ideogramas não podiam. Por fim, o estabelecimento da política facilitou a discussão e a resolução de problemas na ágora, onde os cidadãos discutiam as necessidades da pólis. Essas condições possibilitaram o surgimento da filosofia, marcando a transição do mito como explicação da origem das coisas para o entendimento filosófico, que buscava princípios naturais e eternos como fonte de todas as coisas, em oposição à visão cosmogônica que sugeria uma origem por acaso. Esse período é conhecido como cosmológico ou pré-socrático. Considerações Finais Ao longo desta unidade, exploramos o fascinante mundo da Filosofia, desde suas origens até seu desenvolvimento. Vimos como o mito desempenhou um papel crucial nas sociedades primitivas como forma de organização social, mas também como normativas para manter a ordem através dos rituais. Testemunhamos a transição do pensamento mítico para o filosófico através das condições favoráveis criadas pela Grécia antiga. A metafísica emergiu como uma área de investigação crucial, especialmente com Parmênides, que introduziu conceitos como a ontologia. 9editora ARBE Exploramos também passando como Essa de uma cosmogonia como os para uma cosmologia, contribuiram buscando para essa transição, naturais o jornada nos permitiu também o crescimento do espírito entender grego, melhor que não apenas o nascimento chamou de da filosofia, mas 10editora ARBE 3. UNIDADE II- A ONTOLOGIA ANTIGA Introdução Olá, estimado(a) estudante. Nesta unidade, exploraremos a investigação das ações humanas. Após o estudo das filosofias pré-socráticas na Unidade I, que buscavam identificar o arché, nesta unidade acompanharemos a evolução da compreensão da existência humana. Vamos adentrar em águas mais racionais, buscando explicar as ações humanas sem depender de pressupostos cosmogônicos, começando com a filosofia de Sócrates e encerrando com as Escolas Helênicas, que oferecem pensamentos, correntes, teorias ou filosofias que buscam orientações práticas para viver com sabedoria. A jornada rumo à felicidade ocorre em águas agitadas. Os filósofos precisarão desenvolver conceitos relacionados ao homem, não apenas em sua forma material, mas também compreendendo o que o impulsiona, o que o motiva, e o que o leva a realizar atividades cognitivas e Exploraremos o pensamento de cada filósofo ou corrente filosófica através da transição da metafísica para a ontologia, o estudo que busca compreender o ser. Será uma honra navegarmos juntos pelas águas do conhecimento filosófico ocidental, uma tradição que ainda permeia nossa compreensão do mundo, assim como a ciência, por exemplo. 3.1 Dialética Socrática Sócrates (470/469 - 399 a.C.) é uma figura cujas datas exatas de nascimento e morte permanecem incertas, pois não deixou registros escritos. O que sabemos sobre seus ensinamentos vem na forma de diálogos, registrados por seus discípulos após sua morte. Sem registros escritos por Sócrates, seus seguidores reproduziam seus diálogos conforme entendiam. Platão, por exemplo, idealizava Sócrates em seus diálogos de forma séria, enquanto Aristófanes o ridicularizava na peça "As Nuvens", confundindo-o com os sofistas. Apesar das diferentes interpretações sobre Sócrates, é importante compreender seu impacto no pensamento filosófico. Suas filosofias marcaram uma transição do pensamento naturalista pré-socrático para uma investigação mais centrada no homem e em suas ações, destacando a singularidade do ser humano em relação à natureza. Enquanto os pré-socráticos buscavam compreender a natureza e descobrir o princípio das coisas (arché), Sócrates voltava-se para a justificação filosófica das ações humanas, explorando a natureza e essência do homem. 11editora ARBE 3.1.1 Sócrates e os Sofistas Com o surgimento do pensamento filosófico baseado na razão, surgiram os sofistas na Grécia, que ensinavam técnicas de argumentação, retórica e oratória para os cidadãos abastados. Os sofistas, ao contrário dos ensinamentos socráticos, pregavam que a verdade era relativa, mutável e múltipla. 3.1.2 Sócrates e o Conceito de Alma Sócrates desenvolveu conceitos relacionados ao homem, diferenciando-se dos pré- socráticos que se concentravam na natureza. Sua filosofia abordava questões ontológicas sobre a existência humana e a razão por trás de suas Para Sócrates, a alma era a consciência, a moralidade e a capacidade de entender e querer, características exclusivas dos seres humanos. A alma representava a atividade cognitiva e aprendizado, sendo a virtude o meio de curá-la. 3.1.3 Sócrates e a Liberdade Sócrates via a liberdade como controle interior e A liberdade era alcançada quando o homem, compreendendo-se como alma, afastava-se das e do mundo externo. 3.1.4 O Método Socrático ou Dialética Socrática Sócrates utilizava o método da dialética em seus diálogos, que consistia em uma série de perguntas e respostas buscando o "não-saber". Ele criava dois momentos: o irônico- refutatório e a No irônico-refutatório, Sócrates conduzia seu interlocutor a cair em contradição, forçando-o a reconhecer sua própria ignorância. Já na maiêutica, Sócrates ajudava o interlocutor a "dar à luz" a verdade, estimulando-o a refletir e encontrar as respostas dentro de sim mesmo. 3.2 Teoria Das Ideias - Platão Platão (428/427 a.C.), nascido em Atenas, foi influenciado por Crátilo, Heráclito e, principalmente, por Sócrates. Apesar de ter experimentado a política, desiludiu-se com a violência praticada por parentes e, sobretudo, com a condenação de Sócrates, o que o afastou completamente da vida política. Sua contribuição mais significativa foi a formulação da "teoria das ideias" 3.2.1 Teoria das Ideias A ontologia de Platão é melhor compreendida através do "Mito da Caverna" ou "Alegoria da Caverna". Na alegoria, Platão descreve homens acorrentados em uma caverna desde a infância, incapazes de devido às correntes que os prendem. Virados de costas para a 12editora ARBE entrada da caverna, eles só conseguem ver o fundo, onde sombras são projetadas na parede à frente, iluminadas por uma fogueira. Essas sombras são interpretadas pelos prisioneiros como a totalidade da realidade. Um dos prisioneiros consegue libertar-se e, ao sair da caverna, é ofuscado pela luz da fogueira e do mundo exterior. Gradualmente, ele se acostuma à luz e descobre a verdade fora da caverna. Com compaixão pelos que estão presos, ele retorna à caverna para libertá-los e mostrar-lhes a realidade. Platão propõe que, ao voltar, o ex-prisioneiro teria dificuldades em comunicar a verdade aos outros, que poderiam rejeitá-la ou até mesmo matá-lo por considerá-lo louco. A Alegoria da Caverna representa dois mundos: o "mundo sensível", das aparências e mudanças, e o "mundo inteligível", da verdade e da essência. No mundo sensível, as coisas são apenas cópias imperfeitas das ideias perfeitas no mundo inteligível. Essa alegoria é repleta de simbolismos: o sol representa a ideia do bem, as sombras são conhecimentos distorcidos, os prisioneiros simbolizam a humanidade presa na ignorância, e sair da caverna é buscar o conhecimento verdadeiro. 3.2.2 Metafísica Aristotélica Aristóteles (384 - 322 a.C.), originário de Estagira, perdeu os pais aos 18 anos e se mudou para Atenas, onde passou duas décadas frequentando a escola de Platão. Após a morte de seu mestre, Aristóteles estabeleceu sua própria escola. Durante um período, ele foi tutor de Alexandre, o Grande, até que este assumisse o trono. Em seguida, Aristóteles retornou a Atenas e fundou o Liceu, onde permaneceu por uma década. A visão de Aristóteles difere da teoria de Platão, que propunha a separação dos mundos. Para Aristóteles, só há uma realidade onde as coisas e suas essências estão unidas, iniciando assim a ontologia aristotélica, um conceito que será explorado adiante. A Metafísica aristotélica compreende três estudos: o estudo do "divino", dos "primeiros princípios" e dos atributos dos seres. Para Aristóteles, o divino representa a realidade primordial, a perfeição imutável, o "Primeiro Motor". Todos os seres buscam se aproximar dessa perfeição divina, transformando-se em um impulso intrínseco para encontrar sua essência divina e perfeita. O segundo estudo se concentra nos "primeiros princípios" e nas causas primordiais de tudo o que existe. O terceiro estudo aborda os atributos dos seres em busca de sua essência, que define o que eles são. Dentro do estudo aristotélico sobre a metafísica, existem conceitos fundamentais que definem e fundamentam sua análise, como as causas primeiras, a lógica, a definição do ser e o que o constitui como tal. 13editora ARBE A lógica aristotélica se baseia em três princípios: identidade, não contradição e terceiro excluído, demonstrando que o ser é racionalmente definido e não pode deixar de ser. As causas primeiras compreendem quatro aspectos: causa formal, que é a essência; causa material, que é a substância da essência; causa eficiente, que é o que dá origem ao ser; e causa final, que é a finalidade ou propósito do ser. A definição do ser envolve a matéria (aquilo de que algo é feito), a forma (que particulariza a matéria), a potência (que capacita algo a se tornar) e o ato (o estado atual da matéria em uma forma específica). A metafísica aristotélica também apresenta conceitos para explicar a essência de um ser, como acidente, substância e predicados. A essência define o ser, enquanto os acidentes são atributos que podem existir ou não. A substância é o que determina a identidade do ser, diferenciando-o de outros, e os predicados são qualidades que estruturam o ser, como suas características e quantidades, sem afetar sua natureza fundamental. 3.2.3 Escolas Helênicas Na Unidade I, exploramos a transição do pensamento pré-científico para o cosmológico, um processo impulsionado pela evolução do pensamento humano. Da mesma forma, o surgimento das Escolas Helênicas reflete essa mudança, marcando a transição da era clássica para a helenística. Alexandre, o Grande (334-323 a.C.), ao expandir seu império, estabelecendo uma monarquia universal divina, provocou uma crise nas Polis gregas. Essa expansão territorial superou o conceito de cidade-Estado (Polis), substituindo-o pelo ideal de uma comunidade global (cosmopolita), onde o foco deixou de ser a cidade para se concentrar no indivíduo. Essa mudança cultural e espiritual demandou novas filosofias, afastando-se dos pensamentos de Platão e Aristóteles em favor de abordagens mais pragmáticas. A cultura helênica evoluiu para a helenística, com Alexandria assumindo o papel central antes ocupado por Atenas. Diante dessas transformações e da necessidade de novas perspectivas filosóficas, surgiram as escolas que lidavam diretamente com a vida prática: Cínica, Epicurista, Estóica e Cética. Começaremos nosso estudo com o Cinismo. 3.2.4 Cinismo Cinismo, derivado do termo grego "kyôn" (cão), reflete a visão dos cínicos sobre a existência. Eles advogavam o desprezo pelo mundo material e pelos prazeres, enfatizando que a virtude era suficiente, enquanto os prazeres mundanos eram insignificantes. Vestiam-se com simplicidade, carregando apenas uma túnica e uma sacola, manifestando seu desdém pelas posses materiais. Embora tentassem transmitir uma imagem de superioridade, muitos viam sua atitude como falsidade, interpretando- a como mera encenação. 14editora ARBE A filosofia cínica focava na autarquia, a capacidade do indivíduo de se bastar e ser independente. 3.2.5 Epicurismo O Epicurismo, fundado por Epicuro de Samos (341 a.C.), em Atenas, sintetiza várias correntes filosóficas, incluindo o atomismo de Demócrito, a ética socrática e a relação entre felicidade e prazer dos cirenaicos. A escola epicurista, localizada em um prédio com jardim nos arredores da cidade, tornou-se conhecida como "Jardim", e seus seguidores como "filósofos do jardim". A filosofia epicurista resume-se a cinco princípios: compreensão da realidade, espaço para a felicidade, incompatibilidade entre dor e felicidade, independência para alcançar a felicidade e a contribuição de instituições e riquezas para a felicidade. 3.2.6 Estoicismo Os estoicos acreditavam que apenas o prazer físico afasta o homem da sabedoria e que a prática da virtude é o único caminho para a felicidade. Eles valorizavam o intelectualismo e a moralidade, adotando uma atitude de indiferença em relação às coisas mundanas (apatheia), pois viam os prazeres terrenos como prejudiciais à alma. Acreditavam que o universo era governado por uma razão universal. 3.2.7 Ceticismo O Ceticismo defendia que a felicidade residia na atitude de não julgar nada nem ninguém, considerando a neutralidade como comportamento ideal. A corrente cética afirmava que a certeza era inatingível, promovendo o questionamento contínuo. Do ponto de vista filosófico, os céticos argumentavam que era impossível alcançar o verdadeiro conhecimento, já que o indivíduo não pode compreender completamente o objeto de estudo. Considerações Finais Na Unidade II, exploramos o percurso da ontologia antiga. A ontologia focaliza o ser humano como objeto de estudo, buscando compreender sua essência. Nesse sentido, a filosofia grega passou por transformações significativas, criando um ambiente propício para questionamentos sobre o ser. Diferentemente dos pré-socráticos, que se dedicavam a entender o arché (princípio, origem) das coisas, filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles e os pensadores das Escolas Helênicas direcionaram suas investigações para a condição humana Foi nesse momento que o ser humano foi tratado de maneira especial, com todo o esforço voltado para desvendar sua natureza. Espera-se que os esforços dos filósofos antigos tenham provocado reflexões sobre o ser, estimulando uma autorreflexão sobre o que realmente compreendemos por ser. 15editora ARBE 4. UNIDADE III- ONTO-TEOLOGIA MEDIEVAL Apresentação Olá, prezado(a) estudante. Nesta etapa de nossa jornada pelo conhecimento, adentraremos o período da Idade Média, marcado pelo surgimento da Filosofia Cristã, tendo como principais protagonistas Santo Agostinho de Hipona e São Tomás de Aquino. Na Unidade II, testemunhamos a consolidação da Metafísica e a busca pela compreensão da Ontologia. O estudo do Ser foi o cerne da observação e pesquisa dos filósofos antigos. Platão e Aristóteles teorizaram e conceituaram o ser sem desvinculá- lo do sagrado. Entretanto, caro(a) estudante, adentraremos agora um período em que a preocupação principal era conciliar a filosofia grega com a fé cristã, que estava em ascensão. Com o advento do Cristianismo, surgiu a Patrística, assim nomeada por ser estudada pelos Padres da Igreja, que detinham a herança intelectual dos filósofos gregos. A missão desses padres era harmonizar a fé e a razão como fundamentos do conhecimento. Além da Patrística, exploraremos a Escolástica, corrente filosófica que considera a fé como instrumento primordial de conhecimento. Para ela, a fé precede a razão, pois o homem, considerado criatura, não é capaz de compreender plenamente as coisas apenas pela razão. Questões como a existência do mal, a relação entre fé e razão e a demonstração da existência de Deus serão temas discutidos nesta jornada. 4.1 A questão da finitude e infinitude no pensamento medieval Durante a Idade Média, a filosofia ocupou um espaço limitado, subordinada à Teologia, que era o principal campo do conhecimento na época. Esse período teve origem na ruína do mundo clássico antigo, na invasão dos bárbaros e no advento do Cristianismo. A transição entre esses períodos ocorreu quando o mundo antigo estava em dando lugar a um novo pensamento que, embora diferente, ainda preservava certas heranças culturais. Não houve uma ruptura total; em vez disso, a filosofia medieval se encontrava em uma posição subordinada à ciência divina, ou revelada. Na Idade Média, o olhar do homem estava voltado para as questões espirituais e para a busca da Vida Eterna, em contraste com o Classicismo, onde o foco estava na busca pela sabedoria e pela felicidade terrena. Com a ascensão do Cristianismo, a realização plena do homem passou a ser entendida como sendo encontrada em Deus. Os bárbaros, embora considerados primitivos, abraçaram o Cristianismo de maneira total, não contribuindo significativamente para o desenvolvimento do pensamento 16editora ARBE filosófico. Cristianismo, por sua vez, encontrou terreno fértil na mentalidade medieval, especialmente com a presença dos bárbaros. Na metafísica medieval, houve uma reconfiguração dos conceitos herdados da metafísica grega, já que alguns deles não eram compatíveis com os preceitos cristãos. A grande dificuldade enfrentada foi conciliar a razão filosófica com as verdades da fé, especialmente no que diz respeito à questão da finitude e infinitude. A Escolástica, que se estendeu do século IX ao XVI, destacou a ideia de que o agir segue o ser, ou seja, o ser infinito Deus - é a fonte do agir para os seres finitos - as criaturas. A finitude é uma condição humana, uma negação do ser em contraste com a transcendência e perfeição divina. No pensamento medieval, Deus é concebido como o criador de tudo que existe, sendo o ser por excelência. Ele é entendido como o gerador de todas as criaturas, diferentemente do pensamento grego, onde Deus não é visto como o criador da matéria. É importante salientar que a metafísica medieval não dialoga com a metafísica do classicismo, pois passou de uma investigação para uma série de questões e respostas dogmáticas. 4.2 Patrística e a existência do mal A Patrística, que se estendeu do século ao V, representa a primeira corrente filosófica no contexto cristão, recebendo esse nome devido aos Padres da Igreja, que foram os pioneiros na fundamentação da doutrina Essa corrente filosófica surgiu para estabelecer uma ligação entre a filosofia greco- romana e a nova religião Seu principal objetivo era converter os pagãos, introduzindo conceitos que contrastavam com o pensamento clássico antigo, como a existência do mal, a criação ex nihilo, o pecado original e o juízo final. Um dos temas abordados pela Filosofia Patrística foi a existência do mal, que foi tratado por Santo Agostinho. Agostinho, nascido em 354 e convertido ao cristianismo em 386, teve uma educação clássica, mas não resistiu aos pensamentos não cristãos. Ao contrário, ele incorporou elementos da filosofia platônica para defender o pensamento cristão. Para Agostinho, embora os gregos não tenham errado completamente, eles não alcançaram a verdade devido às limitações humanas. Ele argumentava que o homem é racional e busca a verdade, e a fé não exclui a razão. Agostinho abordou a questão do mal questionando sua origem. Ele rejeitou a ideia de que o mal poderia ter surgido da matéria criada por Deus, pois isso contradiria a bondade e onipotência divinas. Em vez disso, ele sugeriu que o mal é uma privação do bem. Agostinho propôs três formas de entender a existência do mal: metafísica, moral e física. O mal metafísico é entendido como a inferioridade do homem em relação ao Criador. 17editora ARBE mal moral é visto como resultado do pecado humano, quando o homem se afasta de Deus em busca de bens mundanos. O mal físico surge das ações moralmente erradas, levando ao sofrimento físico e espiritual. Em última análise, Agostinho argumentou que o mal é essencialmente o resultado do orgulho e da vaidade humanos, que corrompem a ordem natural das coisas. Assim, Santo Agostinho levantou questões profundas sobre a natureza do mal, contribuindo significativamente para o pensamento da Filosofia Patrística. 4.3 Escolástica: Fé X Razão Caro(a) aluno(a), nesta etapa vamos explorar o período conhecido como Escolástica, que se estende do final do século V até o século XVI. Durante esse tempo, surgiu a primeira universidade, desempenhando um papel fundamental na disseminação do conhecimento cristão. Foi nesse contexto que o pensamento aristotélico influenciou os estudos de São Tomás de Aquino. Nascido em 1225, na Itália, em uma família abastada, Tomás de Aquino se tornou o mais importante pensador da doutrina cristã, responsável por adaptar a filosofia de Aristóteles ao contexto cristão, utilizando o aristotelismo em prol da fé. Assim como na filosofia cristã em geral, Tomás de Aquino procurou conciliar fé e razão. Ele defendia a ideia de que o homem poderia provar a existência de Deus por meio da razão, embora não pudesse compreendê-la completamente, já que os sentidos humanos têm limitações. Portanto, ele argumentava que a intervenção da fé era necessária. Para Tomás de Aquino, o estudo visava conciliar a fé e a razão. Ele via a fé como uma verdade superior à razão, enquanto a razão servia para demonstrar de maneira racional aquilo que a fé revelava. Em outras palavras, ele via a razão como um caminho em direção à fé. 4.4 Provas da existência de Deus Prezado(a) aluno(a), na Filosofia Cristã, os pensadores e teólogos se empenharam em provar a existência de Deus, o que é essencial para fundamentar a doutrina cristã. Esse esforço reflete a tentativa de reconciliar a filosofia com a nova religião que emergia: o No decorrer desta Unidade, exploramos os fatores que influenciaram a mudança nos conceitos metafísicos abordados pelos filósofos gregos. A Patrística e a Escolástica desempenharam papéis cruciais na busca por respostas às questões que permeavam a filosofia cristã. Santo Agostinho, um dos principais expoentes da Patrística, além de abordar a problemática do mal, também desenvolveu sua filosofia sobre a existência de Deus. Ele argumentava que a razão humana era limitada para compreender a existência de Deus, o que tornava essa questão essencialmente uma questão de fé. 18editora ARBE Para Santo Agostinho, Deus representava a "verdade superior", estando acima de todas as coisas. Na Escolástica, Tomás de Aquino destacou-se ao conciliar fé e razão. Ele propôs cinco vias para provar a existência de Deus: a primeira via, baseada no conceito de um "Motor Imóvel"; a segunda via, que parte da noção de uma "Causa Primeira"; a terceira via, que aborda o necessário e o contingente; a quarta via, relacionada aos graus de perfeição; e a quinta via que trata da finalidade do ser. Tomás de Aquino argumentava que todas as coisas dependiam de uma causa primeira, que ele identificava como Deus. Outros pensadores, como Santo Anselmo, também contribuíram para essas reflexões, destacando a existência de duas formas de perfeição e argumentando que a perfeição por excelência, representada por Deus, é indiscutível. Esses esforços representam uma tentativa de fundamentar racionalmente a existência de Deus, buscando reconciliar a fé com a razão e fortalecer os pilares da doutrina cristã. Considerações Finais Caro(a) aluno(a), encerramos a Unidade III, explorando temas essenciais para a fundamentação da Filosofia Cristã. Durante nossa jornada pela Idade Média, testemunhamos como a filosofia foi subjugada à fé, refletindo a subordinação do pensamento à crença religiosa. Ao passar do pensamento clássico antigo para a Idade Média, observamos uma reelaboração da metafísica grega pelos padres e teólogos. Esses indivíduos, encarregados de fortalecer e estabelecer a nova metafísica, basearam-se nos ensinamentos dos filósofos antigos, adaptando-os às necessidades da Igreja. Filósofos clássicos como Platão e Aristóteles foram reverenciados como "Autoridades", influenciando pensadores como Agostinho, que se inspirou na filosofia platônica, e Tomás de Aquino, que se baseou nos ensinamentos aristotélicos. 19editora ARBE 5. UNIDADE IV- CORPO E ALMA: LIBERDADE X DETERMINISMO Introdução Prezado(a) aluno(a), Ao longo da história da Filosofia, desde a Antiguidade, a Metafísica e a Ontologia foram temas centrais de discussão e reelaboração. Filósofos antigos, medievais e modernos se dedicaram a explorar questões sobre o Ser, Deus e a alma. Embora esses temas possam parecer densos e até mesmo singulares no contexto contemporâneo, a necessidade de elaborar novos conceitos se fez presente para explicá-los à luz da ciência. Um desses conceitos é a Fenomenologia. A Fenomenologia aborda a relação entre sujeito e objeto, oferecendo insights importantes para diversas áreas das Ciências Humanas. Com o surgimento da Fenomenologia, a ontologia passou por mudanças e uma reavaliação ontológica, desencadeando uma crise na metafísica, alvo de críticas por parte de alguns filósofos. Nesta unidade, exploraremos as causas da crise na metafísica e o surgimento de um novo conceito para explicar um dos aspectos mais complexos do ser humano: o Ser. 5.1 Corpo e Alma: Liberdade X Determinismo Olá, estudante. Nesta unidade, exploraremos a crise na metafísica, sua reestruturação e o surgimento de um novo conceito discutido desde a Idade Moderna e ainda relevante na contemporaneidade: a Fenomenologia. Mas afinal, o que é Fenomenologia? Antes de abordarmos o significado desse conceito, é importante compreender o contexto intelectual da filosofia moderna, centrado no debate entre Sujeito e Objeto e na dualidade entre corpo e alma, que contribuiu para uma reformulação da ontologia clássica, especialmente na concepção do objeto. É notável que o estudo da metafísica teve seu início entre os antigos, perdeu destaque na Idade Média e ressurgiu com vigor no pensamento moderno, com nomes como René Descartes, que aplicou uma abordagem matemática à natureza. Entretanto, nossa discussão se concentra no dualismo entre corpo e alma, com uma menção necessária a um dos grandes pensadores contemporâneos, Merleau-Ponty. Nascido em 1908 e falecido em 1961, na França, Merleau-Ponty tratou com maestria o dualismo corpo-alma em suas reflexões. Para ele, o corpo abrange tudo o que é extenso e ocupa lugar no espaço, enquanto a alma é inextensa, não ocupando lugar no espaço e sendo percebida imediatamente pelo eu. Em suas obras, Merleau-Ponty argumentou que a pintura de uma obra de arte não é apenas uma fonte de prazer, mas sim uma interpretação da expressão do mundo a partir da expressão de nós mesmos. Essa abordagem introduziu uma nova filosofia, na qual 20editora ARBE o objeto verdadeiro não é absoluto, mas relativo, dependendo do contexto temporal e espacial do observador. Partindo desse ponto, o sujeito é considerado sensível, não apenas um corpo ou uma alma, mas um espírito encarnado. O corpo não é apenas um receptáculo passivo controlado por uma consciência separada, mas sim um componente ativo e integral do eu. Merleau-Ponty fundamentou sua teoria na percepção, atribuindo-lhe um novo significado baseado em características como o conhecimento das formas com sentido, a vivência corporal e a experiência carregada de significado, influenciada pelo mundo exterior, cultura e sociedade. É nesse contexto que questões como liberdade e determinismo ganham relevância, buscando um significado que corresponda às investigações do momento. A liberdade sempre foi uma preocupação central na filosofia, desde a antiguidade, enquanto tentativa de entender e conceituar as ações humanas. Ao tentar decifrar e conceituar as ações humanas, a liberdade é definida em termos de conceitos contrários, como necessidade, destino e determinismo, que podem limitar a liberdade, tornando-a ilusória. Aristóteles, por exemplo, definiu a liberdade como a capacidade do ser humano de agir sem obstáculos, com poder de escolha. Em sua ética, a liberdade é vista como a harmonia entre a vontade e a razão, resultando em ações éticas. Na contemporaneidade, Sartre abordou a liberdade como uma questão de escolha, mesmo diante de opções pré-determinadas, afirmando que toda ação humana é uma decisão livre. Assim, para Sartre, o ser humano está condenado à liberdade, obrigado a fazer escolhas, mesmo que não escolher também seja uma decisão de liberdade. 5.2 Metafísica Moderna A transição entre diferentes sistemas de pensamento sempre carrega consigo características marcantes, e com a metafísica não foi diferente. A metafísica moderna rompeu com as tradições platônica, aristotélica e neoplatônica, separando a fé da razão, ao contrário do período medieval, quando esses aspectos foram conciliados, embora a filosofia não fosse livre para contradizer os dogmas da fé. Além disso, houve uma reavaliação do conceito de substância/ser. René Descartes (1596 - 1650) concebeu a substância em três partes: a substância pensante (alma), caracterizada pelo pensamento; a substância extensa (matéria); e a substância infinita (Deus), que representa a infinitude. Thomas Hobbes (1588-1679) argumentou que não podemos conhecer a substância divina nem a anímica (alma) porque não são objetos de percepção sensorial. Ele restringiu a discussão à substância corpórea, que é a única que podemos conhecer. 21editora ARBE Baruch Espinosa (1632-1677) definiu a substância como "existente em si e por si", independente de outros para existir. Ele argumentou que as criações divinas ou produzidas por Deus não podem ser consideradas substâncias, pois dependem da ação divina. Essas mudanças levaram a uma reestruturação do conceito de causa (aquilo que produz um determinado efeito) na metafísica moderna, resultando em dois conceitos: causa eficiente e causa final. A causa eficiente é uma ação interna que causa um efeito, com alcance universal, afetando toda a natureza. A causa final é a decisão de realizar ou não uma ação, aplicável apenas aos seres dotados de razão e vontade, ou seja, os seres humanos 5.2.1 Crítica À Metafísica Essas mudanças e reformulações na concepção de ser/substância levaram a uma crise na metafísica. A crise foi agravada pela afirmação de que o pensamento humano é capaz de conhecer a realidade em si e de que as ideias contribuem para um conhecimento verdadeiro da realidade, o que implica que Deus, sendo infinito, garante a inteligibilidade e realidade do mundo. David Hume (1711 1776) contribuiu para essa crise. Sua filosofia argumentava que o sujeito do conhecimento, através de percepções, sensações e impressões, atribui nomes gerais às coisas, fazendo conexões entre sensações por meio do hábito. 5.3 Idealismo Desde tempos antigos até a Filosofia Moderna, o realismo era uma resposta à questão do ser, atribuindo ao ser uma existência em si, que poderia ser conhecida pela razão humana. Termos como esses foram fundamentais para o realismo. Hume, como mencionado anteriormente, foi um dos filósofos que criticou severamente a metafísica predominante, argumentando que o hábito media as conexões entre ideias e nomes. Immanuel Kant (1724 - 1804) introduziu duas novidades significativas. Primeiro, transformou sua teoria do conhecimento em metafísica, estudando a universalidade e a necessidade dos fenômenos. Segundo, afirmou que o sujeito humano tem uma estrutura universal e idêntica em todos os seres humanos, em todos os tempos e lugares, e que a razão é uma faculdade a priori. O idealismo, em um sentido amplo, refere-se ao compromisso com algum ideal sem a expectativa de torná-lo imediato ou concreto. Na metafísica, significa que o conhecimento não está no objeto, mas é o sujeito que produz as ideias sobre as coisas. No sentido do conhecimento, há uma redução do objeto ao sujeito que o conhecerá, e na ontologia, a redução acontece da matéria ao pensamento (espírito). 22editora ARBE 5.4 Crítica de Nietzsche à metafísica Friedrich Nietzsche (1844 1900) criticou a metafísica tradicional por meio do conceito de verdade, argumentando que aquilo que acreditamos conhecer não alcança uma verdade absoluta, pois a noção de verdade existe apenas para manter a paz e resolver conflitos com outras pessoas. Na filosofia de Nietzsche, o intelecto contribui para atribuir valor à existência, criando uma espécie de ilusão. Ele considerava o conhecimento como uma invenção, e a verdade como uma ferramenta usada pelo ser humano para a dissimulação. Nietzsche marcou a ruptura com o pensamento aristotélico ao contestar a ideia de que todos os seres humanos têm um desejo natural de conhecer. Ele criticou essa concepção, afirmando que o conhecimento é uma forma de sobrevivência e não algo inerente à natureza humana. Para Nietzsche, o conhecimento é uma invenção histórica e não está ligado ao instinto de sobrevivência. 5.5 Ontologia contemporânea - Fenomenologia Neste tópico, vamos explorar o surgimento da nova ontologia e a origem da Fenomenologia. Primeiramente, é importante compreender o significado de ontologia. Martin Heidegger (1889-1976) distingue ontologia em duas palavras: ôntico e ontológico. refere-se à estrutura e à essência específicas de um ente, sua singularidade e identidade. Ontológico é o estudo filosófico e a investigação dos conceitos, representando um método que possibilita o conhecimento das formas de ônticas através do pensamento, ou seja, ôntico refere-se aos próprios entes da existência, enquanto ontologia refere-se aos entes que são tomados como objeto de conhecimento. Os entes ônticos englobam diversas categorias: Entes Materiais/Naturais: objetos físicos como animais, plantas e minerais. Entes Materiais Artificiais: construções humanas como edifícios e máquinas. Entes Ideais: conceitos não materiais, como os da matemática. Entes que se referem a valores: conceitos como virtude e vício. Entes que pertencem a uma realidade diferente dos ideais e das coisas materiais. A transição do ôntico para o ontológico ocorre quando situações cotidianas se tornam confusas ou estranhas. Os conceitos principais atribuídos à ontologia são: ser (existência), realidade (existência objetiva), temporalidade (noção de tempo) e causalidade (relação de causa e efeito). A nova ontologia visava liberar-se do antigo questionamento metafísico entre realismo e idealismo. Heidegger e Ponty desenvolveram a ideia de que a eliminação da consciência não traz sofrimento, pois as coisas só existem na medida em que são percebidas pela consciência. Da mesma forma, se as coisas fossem eliminadas, não 23editora ARBE restaria nada, o que levanta um problema, pois não somos os criadores das coisas, mas sim habitantes deste mundo. Outra característica da nova ontologia é a descrição do Ser como seres temporais, intersubjetivos e culturais. Isso significa que nascemos, vivemos com outros seres humanos e somos moldados pela sociedade, trabalho e linguagem que 5.5.1 Fenomenologia Falar de fenomenologia é abordar a descrição de todos os fenômenos, essências e significados de realidades materiais, naturais, ideais e culturais. Essa manifestação formulada por Edmund Husser (1859-1938), tem sido utilizada pelas ciências humanas como suporte e método. defendeu que a fenomenologia é uma ciência rigorosa, embora não seja exata no sentido dedutivo, mas sim descritiva. Ele introduziu o conceito de epoché, que significa suspender o juízo, particularmente útil quando se busca atingir a certeza sobre algo. A investigação de concentra-se nos fenômenos experimentados pela consciência, reestruturando a percepção e criticando a metafísica e o positivismo. Embora tenha formulado a fenomenologia, outros filósofos seguiram essa linha de pensamento, como Martin Heidegger, Merleau-Ponty, Jean-Paul Sartre, Emmanuel Lévinas e Paul Ricoeur. Cada um deles com suas próprias teorias e pensamentos para o desenvolvimento dessa abordagem filosófica. Crime, 24editora ARBE 6. CONCLUSÃO Nesta unidade, exploramos temas como corpo-alma, liberdade versus determinismo, conceitos que permearam a Filosofia Moderna e se estenderam até a Filosofia Ao compreendermos as mudanças e transformações até a chamada "crise da metafísica", exemplificada pelo filósofo David Hume, pudemos vislumbrar o surgimento de uma "nova ontologia". Esta nova abordagem busca investigar o dilema entre o idealismo e o realismo, na esperança de resolver os antigos problemas metafísicos. Conhecemos também alguns filósofos que se destacaram ao estabelecer e trazer para debate conceitos fundamentais estabelecidos desde a Antiguidade, os quais, ao longo da história, necessitam de reinterpretação e atualização. Assim, acredito que alcançamos o objetivo desta unidade ao mostrar o percurso da metafísica, compreender a investigação ontológica e considerar o surgimento da fenomenologia. Todo esse percurso foi delineado com a intenção de destacar os pontos essenciais para a formulação de novos conceitos. estudo da metafísica, ontologia e fenomenologia permanecerá central na discussão filosófica, seja através do resgate de conceitos antigos, seja refutando pensamentos pré-existentes para estabelecer novos fundamentos. Refletir, debater e interpretar o Ser continuará a ser o cerne de qualquer discussão, seja em contextos religiosos, políticos, científicos ou culturais, na busca incessante pela compreensão da origem de toda manifestação do pensamento e 25editora ARBE Todos os direitos reservados Este livro é protegido por direitos Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, distribuída ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio, incluindo fotocópia, gravação ou outros métodos eletrônicos ou mecânicos, sem a permissão prévia por escrito da Editora Arbe. 2024 Editora

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