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Utilização de câmeras de videomonitoramento instaladas em empresas, comércios, condomínios e residências no auxílio a atividade ostensiva e preventiva da Policial Militar do estado do Paraná

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Léo Pereira

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Brazilian Journal of Development 
ISSN: 2525-8761 
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Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.9, n.3, p. 10080-10095, mar., 2023 
 
Utilização de câmeras de videomonitoramento instaladas em empresas, 
comércios, condomínios e residências no auxílio a atividade ostensiva e 
preventiva da Policial Militar do estado do Paraná 
 
Use of video surveillance cameras installed in companies, commerces, 
condominiums and residences to help the ostensive and preventive 
activity of the Military Police of the state of Paraná 
 
DOI:10.34117/bjdv9n3-080 
 
Recebimento dos originais: 10/02/2023 
Aceitação para publicação: 09/03/2023 
 
Aderlindo Selvo do Nascimento Júnior 
Pós-Graduado em Direitos Humanos e Segurança Pública pela Faculdade Ibra, 
Pós-Graduado em Ciências Jurídicas pela Universidade Cruzeiro do Sul 
Instituição: Polícia Militar do Paraná, 20º Batalhão de Polícia Militar 
Endereço: Rua Carlos de Laet, 6335, Boqueirão, Curitiba – PR 
E-mail: aderlindojunior@gmail.com 
 
Maykon Biscaia 
Pós-graduado em Ciências Jurídicas pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós-graduado 
em Inteligência Policial pela Faculdade Unyleia 
Instituição: Polícia Militar do Paraná – 11º Batalhão de Polícia Militar 
Endereço: Av. José Tadeu Nunes, 216, Jardim Nossa Sra, Campo Mourão – PR 
E-mail: maykonbiscaiar@gmail.com 
 
RESUMO 
O presente artigo se propôs a analisar a utilização e aplicabilidade de câmeras de 
vigilância eletrônica instaladas pela sociedade civil em propriedades privadas no auxílio 
a vigilância de vias públicas, tendo como finalidade o policiamento ostensivo e 
preventivo pela Policia Militar do Estado do Paraná, através de convênios a serem 
firmados entre o Estado e a sociedade civil. Para este fim, realizou-se a pesquisa de 
natureza básica aos conceitos teóricos de “vigilância” e “relações de poder”, 
principalmente os formulados pelo filósofo Michel Foucault, no intuito de compreender 
os propósitos dessa relação. Foram realizadas também pesquisas bibliográficas, 
documentais e estudos de casos reais de utilização dos recursos tecnológicos na atividade 
policial, seus altos custos para o Estado e a possibilidade de criação de uma rede de 
monitoramento através de câmeras de vigilância já instaladas pela própria população em 
suas residências, condomínios, comércios e empresas privadas, visando baratear custos 
para o Estado. Foram estudadas também as vias jurídicas e eventuais impedimentos legais 
da proposta. Também buscou-se entender a razão da resistência social em aceitar o 
monitoramento contínuo de sua rotina, porém sendo possível concluir que, no contrapeso 
entre privacidade e proteção das pessoas e do patrimônio, prevalecem o custo-benefício 
do uso compartilhado destas câmeras como ferramentas de segurança pública em prol do 
bem comum. 
 
Palavras-chave: Polícia Militar, vigilância eletrônica, privacidade, convênio sociedade 
e estado, segurança pública. 
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ABSTRACT 
This article proposes to analyze the use and applicability of electronic surveillance 
cameras installed by civil society on private properties to aid in the surveillance of public 
roads, with the aim of ostensive and preventive policing by the Military Police of the State 
of Paraná, through agreements to be signed between the State and civil society. To this 
end, research of a basic nature was carried out on the theoretical concepts of 
“surveillance” and “power relations”, mainly those formulated by the philosopher Michel 
Foucault, in order to understand the purposes of this relationship. Bibliographical and 
documentary research and real case studies of the use of technological resources in police 
activity, their high costs for the State and the possibility of creating a monitoring network 
through surveillance cameras already installed by the population in their homes were also 
carried out., condominiums, shops and private companies, aiming to lower costs for the 
State. Legal avenues and possible legal impediments to the proposal were also studied. 
We also sought to understand the reason for social resistance in accepting the continuous 
monitoring of their routine, but it was possible to conclude that, in the balance between 
privacy and protection of people and property, the cost-effectiveness of the shared use of 
these cameras as tools of public safety for the common good. 
 
Keywords: Military Police, electronic surveillance, privacy, society and state agreement, 
public security. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
A forma como o poder exerce sua influência sobre a sociedade modificou-se com 
o passar dos tempos. Antigamente o poder era imposto sob forma de aplicação de castigos 
físicos. Posteriormente passou pela coação moral e pressão psicológica que, por meio de 
legislações com previsão de penas punitivas, pretende manter a sociedade sob controle, e 
constantemente aperfeiçoou seus mecanismos de disciplina, redefinindo os padrões de 
uso e produção das tecnologias, trazendo consigo problemas como a perda da privacidade 
das pessoas. A utilização em massa de dispositivos conectados a internet pela sociedade 
tem se destacado, produzindo impactos nas esferas jurídicas, econômicas, sociais e na 
segurança coletiva, cenário em que a vigilância de todos passa por essa rede e os órgãos 
de segurança pública estão entre as instituições que vêm se adaptado para essa nova 
realidade digital, readequando os seus recursos e formas de captura e armazenamento de 
informações. Ocorre que tais atualizações tecnológicas geram gastos elevados ao 
Governo do estado, logo, a toda a sociedade. Recursos que venham a ser empregados em 
uma rede de vigilância exclusiva das forças de segurança em todo o Estado, deixam de 
ser empregados em outras áreas da administração pública tão importantes e necessárias 
quanto. Visando uma melhor eficiência na administração das contas públicas e levando-
se em conta a realidade atual da sociedade, em que existe um crescimento vertiginoso nos 
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números de equipamentos de vigilância instalados em casas e condomínios residenciais, 
como apontou pesquisa do jornal “O Globo” nos já longínquos anos de 20131, além de 
uma tendência de mercado para que esse número cresça ainda mais nos próximos anos. 
Muitas vezes, empresas e condomínios residências optam por contratar empresas de 
segurança privada para proceder o monitoramento ininterrupto destas câmeras, não se 
importando nos valores investidos nesse serviço. Por essa razão, entende-se relevante 
tanto para a população quanto para os agentes de segurança pública, um entendimento 
sobre as questões tratadas a respeito da transformação digital na segurança pública, os 
limites de privacidade e, para facilitar a compreensão, alcance e discussão sobre o tema. 
Uma vez estabelecidos estes parâmetros, a pesquisa busca responder a questão: em que 
medida o uso das câmeras de videomonitoramento infringe o direito fundamental de 
privacidade das pessoas? Para responder, foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre 
o funcionamento da sociedade de controle, com foco no doutrinador Michel Foucault, 
que se traduz como sociedade disciplinar, pela leitura e interpretação das relações de força 
e controle social. Nesse aspecto, consideraram-se também como referências recortes 
extraídos de trabalhos de estudiosos contemporâneos. Identificou-se que uma das várias 
ferramentas empegadas nos sistemas de controle, objeto desse estudo, é a vigilância 
eletrônica, que em suma, é tema de intensos debates quanto a sua eficiência na prevenção 
de crimes e ao respeito das liberdades individuais. Vencidos estes obstáculos, buscou-se 
debater as limitaçõeséticas e jurídicas da criação de um programa de convênio entre a 
sociedade e o Estado para utilização conjunta destes equipamentos particulares, através 
de modernos programas de monitoramento por imagens em tempo real já disponibilizados 
pelo advento da nova tecnologia 5G2, bem como a melhoria na fiscalização e atuação das 
forças policiais nas áreas com coberturas por câmeras de vigilância conveniadas e que 
estejam integradas a Policia Militar. 
 
2 CONTROLE SOCIAL 
Com o crescimento da população mundial, observamos também a crescente 
criminalidade, que faz com que as autoridades governamentais, que são encarregadas de 
garantir a segurança da população, estarem em constante atualização de seu aparato de 
 
1https://oglobo.globo.com/rio/rio-monitorado-por-700-mil-cameras-de-vigilancia-privadas-10736563, 
Acessado em 26/02/2023. 
2https://revistasegurancaeletronica.com.br/como-o-5g-ira-impactar-o-mercado-de-vigilancia-por-video/ 
Acessado em 26/02/2023. 
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resposta e prevenção a crimes de qualquer natureza. Dentre as tantas ferramentas 
utilizadas com esse fim, uma das mais atuais em uso, estão as câmeras de 
videomonitoramento, equipamentos eletrônicos de vigilância que substituem à presença 
física dos agentes no local de interesse fiscalizatório. Entretanto, a cada vez maior 
utilização e implantação desses equipamentos causa notória comoção e questionamentos 
sobre o poder exercido pelo Estado no controle social e a interferência nas liberdades 
individuais das pessoas. 
Ao longo da história do ocidente, o tema “poder” referia-se ao suplício, como 
formas de demonstração do poder as punições físicas, sendo esta prática bem explicitada 
na obra Vigiar e Punir do filósofo Michel Foucault (2002), que expôs a maneira que as 
instituições controlavam a população. No livro, é narrado como exemplo um 
acontecimento de 1757 na França, sendo esmiuçado nos mínimos detalhes uma punição 
aplicada a um parricida3, com o desmembramento e outras formas criativas de tortura e 
laceração de seu corpo. Esta punição, que era realizada em praça pública, aos olhos da 
sociedade, tinha por objetivo coagir psicologicamente a população sobre as 
consequências da desobediência. Todavia, com o surgimento da sociedade moderna, 
baseado nos princípios iluministas, o poder toma uma nova modalidade, agora com 
intenção disciplinadora por meio de uma vasta gama de leis que abrangem diferentes 
temas e áreas de atuação, e na racionalidade penal estão prescritas formas de punição, 
com frieza e impessoalidade. Esse processo é denominado de controle dos corpos. 
Foucault (2002) defendia que a sociedade é norteada por complexas redes de relações de 
poder. O poder descentralizado permite outras formas de controle social, em que delimita 
uma padronização comportamental, tornando os corpos dóceis. Os poderes estão cada vez 
menos visíveis e cada vez mais racionalizados. As câmeras de vigilância eletrônica são 
equipamentos que se enquadram nesta função controladora, uma vez que o simples fato 
de estarem visíveis e presentes no cotidiano das pessoas, automaticamente mudam o fluxo 
normal de suas rotinas, reprimindo suas ações pelo anseio gerado por estarem sob 
vigilância contínua, desempenhando também um papel de ostensividade. Elas são 
instaladas sobre o pretexto de aumentar o sentimento de segurança e os Estados têm 
intensificado o uso dessa tecnologia, que em suma, trata-se de mais uma ferramenta de 
controle da sociedade. Nesse contexto, surge o tema “panoptismo”, expressão derivada 
do projeto de Bentham (1995), filósofo e jurista inglês do final do século XVII, o 
 
3 Que ou quem matou seu pai ou sua mãe ou outro qualquer dos seus ascendentes. 
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Panóptico. Trata-se de um modelo de penitenciária ideal. Nesse projeto arquitetônico, a 
construção dos presídios seria feita em formato circular, com uma torre de observação 
central, possibilitando ao carcereiro uma visão de todos os detentos. Estes por sua vez, 
não conseguiam perceber quando e se estavam sendo vigiados. O conceito basal extraído 
deste projeto do ano de 1785, criado para prisões, está notoriamente presente nos dias 
atuais e impactando a vida das pessoas, que são constantemente observadas e controladas. 
Um fator substancial para o sucesso no controle é a informação. Conforme escrito por 
Foucault (2002, p. 28), “quanto maior o número de informações em relação aos 
indivíduos, maior a possibilidade de controle de comportamento desses indivíduos”. O 
Estado faz a coleta de informações pessoais como subsídio para aplicação de suas ações 
em benefício das pessoas, como aponta Vieira (2007, p. 174): 
 
A intromissão do Estado na privacidade dos cidadãos por meio da coleta de 
informações pessoais e uso de recursos tecnológicos configura-se, neste 
contexto, como um mecanismo de poder necessário para benefício da 
população. No século XIX, a disciplina foi implantada em oficinas e em 
fábricas para fiscalização do processo de trabalho, e também nas escolas, 
hospitais e presídios para supervisão do comportamento dos indivíduos, No 
final do século XX, o avanço da tecnologia da informação intensificou o 
exercício do poder disciplinar, ao permitir a coleta, o cruzamento e o 
armazenamento de dados pessoais a baixos custos e de forma facilitada, além 
de ter incrementado a vigilância eletrônica. Diante desse novo cenário social, 
político e econômico em que a principal riqueza é a informação; destaca-se o 
intensivo uso da tecnologia da informação para supervisão e para fiscalização 
dos indivíduos. São dois os principais mecanismos utilizados: formação de 
arquivos com informações pessoais e vigilância do comportamento das 
pessoas. 
 
Essa intromissão na privacidade é a principal causa de resistência pelas pessoas 
em aceitarem a intervenção estatal em suas vidas, que utiliza o pretexto dessa necessidade 
em benefício da segurança, sendo de suma importância pensar maneiras de deliberação 
sobre o tema. Há uma sugestão pertinente da filósofa Olaya Fernández Guerrero, em 
entrevista concedida a Fachin (2017): 
 
Para começar a propor opções de resistência, a primeira coisa a se fazer é 
identificar quais são os dispositivos de controle e vigilância aos quais estamos 
submetidos, e a partir daí desenvolver uma perspectiva crítica e refletir sobre 
as maneiras mais efetivas para contornar aqueles modos de controle e 
vigilância que nos pareçam mais negativos. 
 
Conforme a explicação de Pontes (2018), “O direito individual à privacidade não 
é absoluto, esbarra e se relativiza nos direitos fundamentais à vida e à segurança. Há 
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câmeras por todo o canto nas cidades e o foco é a prevenção e a segurança”. Nesse sentido, 
sugere-se a legalidade embasando a relativização dos direitos do indivíduo perante o todo. 
Essa discussão ligada a privacidade também já havia sido moldada pela percepção 
da “emersão do momento coletivo e do seu aspecto ligado ao poder” (RODOTÀ, 2008, 
p. 31). Com a visão de que as pessoas não vivem sozinhas, mas estão inseridas em nichos 
sociais de convívio mútuo, fica esclarecido que “a invocação da privacidade supera o 
tradicional quadro individualista e dilata-se em uma dimensão coletiva, tendo em vista 
que não se leva em consideração o interesse do indivíduo enquanto tal, mas como 
pertencente a um grupo social” (RODOTÀ, 2008, p. 30). Importante destacar que foi 
apurado naentrevista realizada por Júnior e Ferriche (2019) ao deputado Bibo Nunes, que 
ocorreu no Brasil uma audiência pública no ano de 2019 para debater o uso das novas 
tecnologias na atividade de videomonitoramento pelas forças de segurança pública e Bibo 
estava à frente deste debate na câmara dos deputados, demonstrando que há sim interesse 
e preocupação do poder estatal em ouvir a opinião pública, que detém absoluta influência 
nas tomadas de decisão sobre os temas que dizem respeito aos direitos e deveres das 
pessoas. 
 
2 O USO DE TECNOLOGIA APLICADA NA VIGILÂNCIA 
Considerando o que preceitua o Art. 144. de nossa constituição (BRASIL, 1990), 
a segurança pública é dever do Estado. Já as missões atribuídas à polícia militar, estão 
expressas no § 5º, sendo a ostensividade e a preservação da ordem pública. Almejando 
cumprir com suas obrigações, essa faz uso do poder de polícia, cabendo então a criação 
de novidades para o combate a criminalidade. Nessa linha de raciocínio, nas palavras de 
Rosa (2004, p. 189): 
 
“Poder de Polícia constitui o instrumento de que se vale o Estado para, no 
cumprimento de sua missão de controle social, garantir a paz, a segurança, a 
ordem, o desenvolvimento harmônico da sociedade, o respeito e aos direitos e 
garantias individuais e a realização do bem-estar da população”. 
 
Com base nestes conceitos, os órgãos de segurança pública vêm direcionando os 
seus recursos na área da tecnologia da informação, com o intuito de se manterem 
atualizados no cenário global. Nesse aspecto, o videomonitoramento é uma das 
ferramentas tecnológicas que evoluiu com o passar dos tempos, inclusive com recursos 
de identificação das pessoas simplesmente pela análise de seus rostos, pela tecnologia de 
reconhecimento facial, que é o processamento realizado por um software, programado 
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para capturar traços dos rostos dos humanos, seja por vídeos ou fotos, fazendo a 
comparação com os dados registrados em bases de dados através de conexões da rede de 
internet (Nabeel, 2019). 
Além do reconhecimento facial, as câmeras da atualidade possuem diferentes 
tecnologias relevantes para a atuação na área da segurança pública. Um levantamento de 
informações frente à empresa brasileira Intelbras (2020) revelou que alguns destes 
recursos estão presentes em seus produtos que, dotados da tecnologia denominada CFTV 
IP (Circuito Fechado de TV que utiliza o protocolo IP), são capazes de realizar o 
monitoramento de ambientes que necessitam diferenciar acontecimentos cotidianos de 
potenciais ameaças. São estes recursos o controle de lotação e contagem de pessoas, que 
gerencia a lotação de ambientes controlando o limite de pessoas e criando relatórios 
precisos; abandono ou retirada de objeto, no qual é delimitada uma área e movimentações 
acionam um alarme; auto-tracking, no qual a câmera começa a seguir automaticamente 
objetos em movimento; mapa de calor, que mostra como as pessoas estão circulando pelos 
espaços, através de gráficos de cores onde houve maior movimentação; smart tracking, 
que permite ampliação da imagem e ajuste de foco em um objeto através de uma imagem 
panorâmica fornecida por outra câmera; leitura de placas, fazendo a leitura automática de 
placas dos automóveis, inclusive do novo padrão Mercosul, informando imediatamente 
os dados ao sistema e imagens coloridas mesmo no escuro, no qual as câmeras 
permanecem coloridas mesmo com baixa luminosidade, sem acionar o infravermelho. 
Todas estas funcionalidades necessitam apenas de uma configuração inicial pelo 
operador, que define os pontos e ações de interesse e posteriormente, um programa 
computacional é capaz de realizar as operações de modo autônomo. 
Por intermédio do uso destas novas tecnologias em suas fiscalizações, a Polícia 
Militar do Estado da Bahia registrou uma ocorrência de sucesso na atuação preventiva 
em um espaço público. A matéria publicada no site UOL (2019) revelou que na cidade 
de Salvador, um homem fantasiado de mulher foi reconhecido pelo software que estava 
em funcionamento durante o Carnaval. O homem em questão possuía mandado de prisão 
vigente, e o alerta gerado pelo sistema de monitoramento foi fundamental para efetivar a 
prisão. 
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No cenário mundial, as polícias internacionais também estão buscando a 
implantação destes novos sistemas. Segundo a matéria publicada no site G1 (2020)4, no 
começo do ano de 2020 a polícia de Londres afirmou que começaria a utilizar câmeras de 
vigilância com reconhecimento facial. Este sistema seria integrado a uma base de dados 
de suspeitos e, caso algum fosse identificado, um alerta seria gerado e repassado a um 
policial. Essa tecnologia está presente em aeroportos, bancos, comércios e até para 
desbloqueio de aparelhos eletrônicos, mas ainda apresenta erros graves. Estudos 
realizados pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia apontaram que erros na análise 
facial de asiáticos e afro-americanos eram até 100 vezes mais altos do que para pessoas 
de cor branca além de uma imprecisão na diferenciação do sexo das mulheres negras 
quase 35% das vezes. No entanto, a matéria sugeriu que essas disparidades poderão ser 
corrigidas, afinal, toda tecnologia tende a sofrer atualizações e aperfeiçoamentos. 
 
2.1 TRANSPARÊNCIA NAS AÇÕES DE UTILIZAÇÃO DOS DADOS COLETADOS 
Para ocorrer a mobilização social em compreender e aceitar as atitudes tomadas 
pelos agentes de segurança pública, além da necessidade de agirem sempre alinhados à 
legislação vigente, é de suma importância a transparência das ações de coleta de 
informações pessoais ou de imagens por meio das tecnologias de vigilância, além da 
disponibilidade destas informações para as pessoas. No entendimento de Rodotà, (2008, 
p. 60) o “direito de acesso”, é, “antes de tudo, um instrumento diretamente acionável 
pelos interessados, que podem utilizá-lo não somente com a finalidade de simples 
conhecimento, mas também para promover propriamente a efetividade”. Assim, defende 
a concessão de poderes às pessoas sobre as informações, independentemente da 
possibilidade de violação dos seus direitos. 
Nos sistemas de vigilância atuais, que necessitam da visão e experiências 
profissionais e pessoais de cada um dos operadores para a identificação do que deve ser 
foco de observação pelas câmeras, há a necessidade de uma rígida fiscalização e controle 
dos registros. Essa preocupação é justificada ao analisarmos situações concretas de 
violações da intimidade das pessoas. Um exemplo disso, é o caso lamentável que veio à 
tona, ocorrido na cidade de Guaratuba, no litoral do Paraná em 2018. Em matéria 
 
4 https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2020/01/24/policia-de-londres-vai-comecar-a-
usar-cameras-de-reconhecimento-facial-em-tempo-real.ghtml Acesso em 01/03/2023. 
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veiculada no jornal Gazeta do Povo5, Maros (2018) revelou que três servidores 
municipais que trabalhavam dentro de uma central de monitoramento, estavam sendo 
investigados pela prefeitura municipal e pelo Ministério Público do Paraná, por estarem 
filmando mulheres de biquíni. O fato só foi possível de ser percebido por acaso, pois 
outros funcionários que estavam revendo as gravações para tentar rastrear um adolescente 
desaparecido é que perceberam estes registros inapropriados. Os fatos foram apurados em 
procedimento de Sindicância, mas é simples a qualquer pessoa concluir que foi feito uso 
indevido dos equipamentos, pois conforme relatadona matéria, os servidores chegaram 
a dar zoom em partes íntimas das veranistas. 
Corroborando com o pensamento de Rodotà, Barros e Venturini (2018, p. 43), 
entendem que o Estado precisa reverter o que vem sendo praticado e deve “dar ao cidadão 
a garantia do exercício do controle social sobre a administração pública”, sendo 
necessárias gestões no sentido de permitir às pessoas total conhecimento de suas 
tecnologias de informação, quais são as práticas de vigilância, o controle sobres os seus 
operadores, e de como é o armazenamento e a distribuição desses dados. Com estas ações, 
o Estado contribuirá para o pleno exercício dos direitos de proteção de dados das pessoas. 
É perceptível que o Estado está buscando conceder às pessoas esta integração. 
Com o advento da governança digital, as pessoas têm acesso a informações 
governamentais, com plena participação da sociedade na construção da agenda de 
políticas públicas e também acesso a serviços que antes eram morosos e necessitavam da 
presença física das pessoas nos departamentos públicos. Exemplos dessa transformação 
são a Carteira de Trabalho Digital, Carteira Digital de Trânsito e o alistamento online no 
exército. Essa interação foi percebida por Aguilar (2021, p. 128), que reforçou a visão de 
que “a conversão do governo analógico para o digital constitui o uso otimizado dos canais 
de comunicação para incrementar o uso dos usuários e também na prestação de serviços. 
Usuários se transformam também em coconstrutores dos serviços”. Essa interação 
aproxima o governo e sociedade por intermédio da tecnologia. Em contrapartida, acentua 
cada vez mais a dependência tecnológica e a alimentação dos bancos de dados digitais 
com o repasse incessante de informações pessoais. 
 
 
 
5 https://www.gazetadopovo.com.br/curitiba/alem-de-mulheres-na-praia-servidores-de-guaratuba-
filmaram-hospede-em-hotel-4-sao-afastados-e1ffoev3skz1imrxdggymdxwx/ Acesso em 28/02/2023. 
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3 CÂMERAS DE VIGILÂNCIA PRIVADAS 
Atualmente nota-se um grande crescimento no interesse da população em 
investimentos em segurança de suas propriedades. Em matéria do jornal eletrônico Diário 
da Região6 (2021) o setor de segurança eletrônica registrou um aumento nas vendas de 
22% durante o período de pandemia. Segundo a reportagem, muito desse aumento foi 
impulsionado pela compra e instalação de câmeras de vigilância. Fica evidente que cada 
vez mais as pessoas buscam alternativas para garantir a segurança de seus patrimônios, 
não importando se para isso será necessário um investimento financeiro. No Estado do 
Paraná o número de câmeras de vigilância instaladas em condomínios, casas e prédios 
comerciais certamente já passa dos milhões de unidades. Muito embora o Estado e as 
prefeituras municipais invistam em instalação de câmeras de vigilância em algumas vias 
e locais públicos, a cobertura não chega a 30% das vias públicas da cidade. Se levarmos 
em conta uma hipotética soma das áreas cobertas por câmeras de vigilância públicas e as 
privadas voltadas para a rua, esse índice pode chegar próximo dos 80%, ou seja, um 
aumento de quase 50% da área de cobertura. Então, tendo a mão toda essa capacidade, 
por que não estudar uma forma de utilizá-lo a fim de potencializar a área de cobertura das 
forças policiais através de câmeras de vigilância em prol da segurança da população. 
 
3.1 IMPEDIMENTOS LEGAIS 
Uma condição que deve ser tomada como ponto principal aqui é a preservação 
dos direitos de imagem. Além disso, trata-se da vida privada e intimidade das pessoas. A 
legislação é bem clara quando se trata do sistema de câmeras em condomínios. No Brasil 
a Constituição Federal garante a todos o direito à privacidade, senão vejamos: 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das 
pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral 
decorrente de sua violação; 
 
Extrai-se, portanto, pelo dispositivo constitucional o veto à violação da 
intimidade, vida privada, honra e a imagem das pessoas, por conseguinte fazer uso, 
 
6 https://www.diariodaregiao.com.br/economia/setor-de-seguranca-eletronica-registra-aumento-
nas-vendas-durante-a-pandemia-1.10005 Acesso em 01/02/2023. 
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divulgar, não zelar pela guarda das imagens é ilegal cabível de indenização e punição dos 
responsáveis, com lastro nos artigos 186 e 927 do Código Civil. 
 
“Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente 
moral, comete ato ilícito”. 
“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, 
fica obrigado a repará-lo”. 
 
Em contrapartida, quando as imagens forem solicitadas pela justiça ou necessárias 
para manutenção da ordem pública o síndico deverá fornecer seus dados, porém, de forma 
restrita ao conteúdo da solicitação formal realizada por quem de direito, nos moldes do 
previsto no Código Civil. 
 
“Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou 
à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da 
palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa 
poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que 
couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se 
destinarem a fins comerciais.” 
“Art. 21. A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento 
do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer 
cessar ato contrário a esta norma.” 
 
Em qualquer outra situação, a divulgação das imagens obtidas dentro do 
condomínio é ilegal e autorizará ao lesado, em caso de prejuízo, buscar por indenização 
judicial na esfera civil e, dependendo da situação, no âmbito penal, em face do 
condomínio, síndico e, eventualmente, dos demais envolvidos e com boas chances de 
êxito no pleito. 
Dessa forma, se alguém precisar obter algo específico deve fazer um pedido 
formal ao síndico ou administradora. Nesse pedido, o motivo da obtenção deve vir bem 
explicado. Em seguida, após uma votação em assembleia extraordinária, o pedido poderá 
ser acatado ou negado, caso seja um motivo fútil pessoal. É sempre importante que os 
condomínios frisem com os moradores que o monitoramento visa um interesse comum 
em segurança coletiva. Assim, a gravação não deve prestar para fins particulares, salvo 
caso policial. Portanto, caso não haja uma ordem judicial, o condomínio está desobrigado 
a mostrar, quiçá ceder as imagens. Isso seja para moradores ou até mesmo para a polícia. 
Agora, caso o condomínio decida optar por colaborar espontaneamente com a 
investigação, cedendo as gravações para as autoridades policiais, esta deve ser 
acompanhada de uma declaração. Tal declaração precisa conter os seguintes detalhes: 
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Brazilian Journal of Development, Curitiba, v.9, n.3, p. 10080-10095, mar., 2023 
 
Data, local e hora da entrega; Nome e número da identidade funcional de quem recebeu; 
Um termo simples responsabilizando, de forma exclusiva e única, quem recebeu as 
imagens e as exibiu de alguma forma. Assim, o síndico, administradora ou responsável 
pelo condomíniose isentarão de futuros problemas com um processo por danos morais. 
Em suma, o sistema de câmeras de condomínio deve ser monitorado e acessado 
apenas pelo síndico. Nenhuma outra pessoa tem o direito de acesso, a não ser que esteja 
resguardado por uma ordem judicial. Porém, caso o condomínio decida colaborar com as 
autoridades policiais, pode-se instituir um acordo através de votação assembleia geral dos 
moradores, para fornecimento constante das imagens, bastando para isso apenas a 
aprovação da maioria simples (50% +1). 
 
3.2 BENEFÍCIOS A SOCIEDADE ATRAVÉS DE CONVÊNIO PÚBLICO-PRIVADO 
Uma vez já superados os limites éticos e legais, passamos a discorrer sobre a 
proposta deste artigo, que é uma parceria público-privada entre o Estado e a sociedade 
civil, sendo o Estado do Paraná representado pela Polícia Militar e a sociedade civil pelos 
proprietários das câmeras de vigilância, na figura das pessoas jurídicas (empresas, 
comércios, condomínios, etc.) e pessoas físicas (donos de residência). A ideia consiste na 
disponibilidade de acesso direto e irrestrito, em tempo real, para a Policia Militar, das 
imagens de câmeras de vigilância instaladas pela sociedade civil em suas casas, 
condomínios, comércios ou empresas, a fim de que a Polícia as utilize através de centrais 
de monitoramento a serem criadas nas sedes das companhias de polícia distribuídas pelos 
bairros das cidades grandes ou pelos destacamentos de polícia nos casos das cidades 
pequenas. As câmeras que poderiam ser acessadas pela Polícia, através de um sistema de 
transmissão de imagens via internet, seriam apenas as câmeras direcionadas para os locais 
públicos, como a rua, calçadas, praças ou terrenos públicos, podendo mostrar no máximo 
a faixada do imóvel. Tal restrição se dá em razão de que o objetivo é apenas o 
monitoramento das áreas públicas, e não das áreas internas no patrimônio privado, 
evitando assim possíveis violações de direitos e utilização para prática de segurança 
privada. Com relação aos sistemas a serem utilizados, muitos deles já existem, inclusive 
com o emprego de inteligência artificial, capazes de imitar o raciocínio humano, 
detectando padrões, aprendendo e tomando decisões com base em interferências lógicas. 
Tais sistemas já são capazes de otimizar o trabalho dos operadores da central de 
monitoramento, dar precisão nas análises de dados e reduzir falhas, realizar análises 
preditivas (análise estatística, mineração de dados, comparação de fatos/eventos atuais e 
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históricos para fazer previsões sobre eventos futuros ou desconhecidos), garantir a tomada 
de ações preventivas, monitor constantemente sem perda de qualidade devido a cansaço 
ou monotonia da atividade. Em seu uso também podem ser utilizados sistemas como: 
 
Reconhecimento facial – sua aplicabilidade é bastante variada, indo 
desde a autenticação do acesso a ambientes restritos com base na leitura 
do rosto de pessoas autorizadas até a identificação de criminosos e 
infratores, cujas ações são captadas por câmeras de monitoramento. 
Reconhecimento de Placas de Veículos – sua utilidade é variada e, por 
meio dela, é possível controlar a entrada de veículos em um 
determinado espaço, restringindo o acesso de placas não registradas no 
sistema, ou até mesmo apurar infrações (em alguns casos, até mesmo 
as mais graves), monitorando espaços como estacionamentos ou áreas 
com intenso trânsito de veículos, nas quais a placa de um veículo ajuda 
na identificação de seu condutor. Além disso, a tecnologia mais atual 
também dispõe de identificação de veículos por cor e marca, além de 
leitura de placa. 
Delimitação de perímetro – a câmera com IA cria uma cerca virtual 
(linha virtual) num determinado perímetro e qualquer objeto que passar 
por essa linha, no sentido pré-determinado, será alertado. 
Detecção de atitudes suspeitas – através da IA é possível detectar 
comportamentos anormais apresentados por determinadas pessoas. 
Alguém que passa tempo demais observando a entrada de um banco ou 
empresa, um indivíduo circulando em um estacionamento ou um 
trabalhador que tente acessar áreas restritas de uma empresa serão 
interpretados como um potencial ameaça pelo sistema. 
Detecção de violência – identificam anomalias no ambiente através do 
aprendizado dos padrões normais da área monitorada, detectando atos 
de violência e gerando alertas caso existam riscos à segurança. Indicado 
para ambientes com grande circulação de pessoas, como espaços de 
eventos, escolas, universidades, estádios, onde o sistema de 
monitoramento deve cobrir grandes perímetros, a fim de identificar 
locais de risco e prevenir atos de violência de forma eficaz, sejam eles 
praticados contra pessoas ou contra o patrimônio. 7 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Dentro de um contexto geral, a sociedade viu através dos anos a importância de 
adaptação as mudanças impostas pelo tempo. O poder, que durante o iluminismo passou 
da predominância do uso da força física para o poder da coação moral, hoje está vivendo 
uma nova era dominada pelas inovações tecnológicas, ferramentas que podem auxiliar as 
forças de segurança pública em sua atividade fim de prevenção e ostensividade, uma vez 
que pessoas mal intencionadas, ao saber que estão sendo constantemente vigiadas nas 
ruas, terão certa resistência em cometer atos ilícitos. Obviamente que esta busca 
incessante por métodos e ferramentas cada vez mais sofisticados acaba esbarrando em 
questões sociais. 
 
7 https://gestaodesegurancaprivada.com.br/cameras-de-seguranca-com-inteligencia-artificial-como-
funcionam/ Acesso em 02/03/2023. 
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A sociedade vive constantemente uma espécie de rede de relações de poder. O 
Estado por sua vez usa o poder da lei para padronizar as ações do coletivo. Desta forma 
a vigilância constante tornou-se uma ferramenta fundamental para exercer o controle da 
sociedade. Para isso, o Estado pode se utilizar na atualidade de tecnologias que no passado 
não existiam, como a internet por exemplo, e assim potencializar o processo de relações 
de poder, ampliando seu alcance. 
Como na percepção vista no projeto Panóptico de Bentham, a ideologia do poder 
de persuasão que a vigilância incessante provoca sobre os observados, o Estado pode se 
beneficiar de sistemas avançados, nesta nova era digital, onde as pessoas se conectam a 
diversos sistemas informatizados, incluindo câmeras de vigilância disponibilizadas pela 
própria sociedade, em prol do bem comum, respeitando-se o risco de terem suas 
privacidades violadas, uma vez que as câmeras utilizadas serão apenas as voltadas para 
áreas públicas. Esta proposta certamente aumentará a ostensividade das forças policiais, 
pois como no projeto Panóptico, as pessoas saberão que estão sendo constantemente 
vigiadas pela Policia, e esta é também uma forma de ostensividade. 
Por fim devemos sempre lembrar da diretriz do policiamento comunitário, que 
compreende o estreitamento dos laços entre a polícia militar e a população. O trabalho é 
baseado no conceito de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas 
para identificar, priorizar e resolver os problemas, com o objetivo de melhorar a qualidade 
geral de vida da população. Desta forma, propor este compartilhamento de imagens para 
a criação de um avançado sistema de monitoramento pela Polícia Militar, só tende trazer 
benefícios para toda a sociedade. 
 
 
 
 
 
 
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