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UNIP – Universidade Paulista Polo Livramento de Nossa Senhora – BA Curso: História Getúlio Vargas: visões diferentes de um mesmo governo José Lucas Santana SILVA / RA: 2187496 Polo Livramento de Nossa Senhora – BA 2023 José Lucas Santana Silva Getúlio Vargas: visões diferentes de um mesmo governo Trabalho de Curso - Licenciatura em História Trabalho de curso como exigência para obtenção do título de graduação em Licenciatura em História apresentado à Universidade Paulista – UNIP. Orientador: Prof.ª Leila Dutra Rodrigues. Polo Livramento de Nossa Senhora – BA 2023 Dedico este trabalho a minha família, em especial à minha filha Stella, minha fonte de inspiração e o que move minha busca incessante por novas conquistas, é por ela. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus que permitiu que tudo isso fosse possível, que sempre me deu forças para superar obstáculos e dificuldades. Agradeço ainda a Universidade Paulista – UNIP, aos professores, orientadores e principalmente meu polo de apoio, pelos ensinamentos apresentados ao longo do curso e pelos conselhos que serviram como aprendizado durante minha jornada. RESUMO Inúmeros autores já realizaram grandes trabalhos versando sobre Getúlio Vargas, sua vida, suas contribuições e suas polêmicas, tudo isso já foi amplamente discutido e analisado por historiadores e biógrafos renomados. Portanto, o objetivo deste trabalho não se trata de outra análise histórica sobre Vargas e seus governos, mas, refletir sobre aspectos pontuais dentro do primeiro governo de Getúlio Vargas, período que ficou conhecido como A Era Vargas, mais precisamente sobre os chamados acontecimentos revolucionários de 1930, bem como, o golpe que deu início a fase denominada Estado Novo, abordando alguns pontos importantes para compreender tudo que envolveu estes processos, contextualizando os antecedentes, as motivações, causas e consequências, levando em consideração como tais consequências, o fim da Primeira República ou República Velha e as mudanças mais relevantes na política e na economia brasileira. Aqui se faz necessário enfatizar que não se trata de preocupar-se em definir quem foi Getúlio Vargas ou que foi seu governo durante este período, mas, fazer uma análise imparcial e pontual, apresentando informações relevantes que possa contribuir para o debate e principalmente para discussões em sala de aula, através da elaboração de uma sequência didática que possibilite incentivar os alunos a debaterem, discutirem e tecerem suas próprias críticas. Para a construção deste projeto será utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica secundária, sobretudo, o aprofundamento em livros que trate especificamente do tema, como as obras Getúlio Vargas: a construção de um mito (1996) de ABREU, Luciano Aronne; Getúlio Vargas: a esfinge dos pampas (2012) de BOURNE, Richard; e Repensando o Estado Novo (1999) de PANDOLFI, Dulce. Palavras-chave: Getúlio Vargas; mito; Era Vargas; golpe; revolução. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................................6 2. OBJETIVOS............................................................................................................7 2.1 Objetivos específicos.............................................................................................7 3. A REPÚBLICA VELHA...........................................................................................8 4. DESCONSTRUINDO O MITO...............................................................................10 4.1 Um breve histórico...............................................................................................10 5. A ERA VARGAS (1930 - 1945)............................................................................12 5.1 Governo Provisório..............................................................................................12 5.1.1 Revolução ou golpe?........................................................................................13 5.2 Governo Constitucional.......................................................................................15 5.3 O Estado Novo....................................................................................................16 6. SEQUÊNCIA DIDÁTICA.......................................................................................19 7. CONCLUSÃO.......................................................................................................22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................23 1. INTRODUÇÃO A elaboração deste trabalho tem como personagem central uma das figuras mais controvérsias, polêmicas e uma das mais importantes da história do Brasil, Getúlio Vargas. Presidente, ditador, populista, estadista, golpista, pai dos pobres, fascista, autoritário ou revolucionário, Vargas é o tipo de personagem da história política brasileira que carrega inúmeros adjetivos, afinal, não há um consenso que possibilite definir quem foi Getúlio Vargas e seus 19 anos em que esteve sob o comando do Brasil. Em concordância com Ferreira, (2006, pág. 7 e 10), Getúlio Vargas foi o tipo de político brasileiro que nos permite criticá-lo com veemência e elogiá-lo do mesmo modo por seus legados que permanecem até os dias atuais. Após décadas de sua morte, Getúlio Vargas deixou um legado que continua a influir na política e na sociedade brasileira em geral. Em momentos de discussão sobre democracia, direitos e desenvolvimento econômico, são lembrados os seus êxitos e fracassos. O Brasil moderno ainda guarda os vestígios políticos e ações implementadas durante sua gestão. Trata-se do propósito desta pesquisa contextualizar os acontecimentos que antecederam a ascensão de Vargas ao poder com a Revolução de 1930 e estabelecer uma linha de raciocínio que trata da vida política de Getúlio Vargas anterior aos acontecimentos de 1930, da mesma forma que, contextualizar a República Velha, evidenciando as principais características deste período, a fim de promover o debate sobre as causas e consequências que levaram a seu fim. Afinal, quem foi Getúlio Vargas? Herói? Vilão? ou seria até mesmo um mal necessário? Nas palavras de Abreu, (1996, pág. 7), “...nunca se diz tudo sobre alguém ou algum fato. A História como sabemos, deve ser sempre reescrita, à luz das novas preocupações, ao longo do tempo”. Portanto, o objetivo aqui não se trata de definir ou buscar respostas exatas para essas perguntas, mas sim, refletir e debater de forma imparcial, apontando os fatos dentro do contexto dos acontecimentos, levando em consideração dois polos de debate, sendo a questão revolucionária promovida na figura de Vargas, que instituiu a partir daí a mistificação da figura de Getúlio Vargas e seus feitos que permanecem até os dias atuais, assim como, os fatos que deram início ao Estado Novo, que fez com que Vargas continuasse no poder até 1945. 6 2. OBJETIVOS Esta pesquisa tem como finalidade abordar fatos pontuais e específicos a partir de 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, bem como os antecedentes para contextualizar a revolução de 30 e suas consequências, da mesma forma que os fatos que levaram à instauração do Estado Novo. 2.1 Objetivos específicos • Evidenciar a vida política de Getúlio Vargas antes da chamadaRevolução de 1930. • Contextualizar a crise vivida durante a República Velha estabelecendo as causas que culminaram em seu fim em 1930. • Estabelecer as consequências políticas e econômicas para o Brasil pós-revolução de 1930 e posteriormente com a instauração do Estado Novo. • Analisar os atos praticados por Getúlio Vargas e as mudanças sofridas a partir da Revolução de 1930, refletindo se o processo se tratou de uma ruptura ou de uma continuidade em relação a República Velha. • Realizar uma sequência didática a ser ministrada em sala de aula, para promover o debate com os alunos tratando do tema de forma imparcial, estimulando o senso crítico dos alunos para que formem suas devidas opiniões. 7 3. A REPÚBLICA VELHA . De acordo com as obras de Vares (2012) e Figueiredo (2011), de 1889 com a Proclamação da República até o final de 1930, a política brasileira vivia um período denominado República Velha ou Primeira República, sendo também este período subdividido em República da Espada e República das Oligarquias. Essa fase da história política brasileira traz algumas características e informações importantes, como, a primeira Constituição Republicana de 1891, o domínio das oligarquias estaduais ligadas ao café e ao leite, numa organização política comumente chamada de política do café com leite, forte poder dos coronéis tendo o voto de cabresto como uma marca registrada da influência do coronelismo na política brasileira naquele momento. Segundo Mendonça (2000), politicamente falando, o período da República Velha tem como característica inquestionável o predomínio de grupos agrários, sob a influência dos cafeicultores paulistas. Os criadores do regime republicano, ao criticar a monarquia centralizadora, implementaram um regime político coerente com as suas intenções, baseando-se na maximização do poder das oligarquias possibilitada pelo coronelismo. O coronelismo foi um fator fundamental e importante para que os objetivos dos governos pudessem se concretizar, pois, por meio das fraudulentas eleições, através dos resultados favoráveis que se mantinha a hegemonia dos grupos políticos da elite, principalmente de São Paulo e Minas onde predominaram por muito tempo no poder. (CARVALHO, 2008, pág. 56). Nesse paraíso das oligarquias, as práticas eleitorais fraudulentas não podiam desaparecer. Elas foram aperfeiçoadas. Nenhum coronel aceitava perder as eleições. Os eleitores continuavam a ser coagidos, comprados, enganados, ou simplesmente excluídos. Os historiadores do período concordam em afirmar que não haviam eleições limpas. O voto podia ser fraudado na hora de ser lançado na urna, na hora de ser apurado, ou na hora do reconhecimento do eleito (CARVALHO, 2008, p. 41). A República Velha também foi um período de grande instabilidade política marcada por muitas revoltas e insatisfação de várias camadas populares, como podemos analisar na Guerra de Canudos, Revolta da Armada, Revolta da Vacina, Revolta da Chibata, Revolta do Contestado, Greve Geral, Coluna Prestes, 8 Tenentismo, entre outras.1 Podemos analisar neste contexto que a política brasileira da República Velha, passava por uma crise provocada por diversos fatores que se somaram ao longo do período e alguns pontos foram cruciais para culminar no seu declínio segundo os historiadores, como a questão da presença da corrupção no processo eleitoral. O Brasil nos anos 1920, era um país conturbado política e economicamente. Depois da prosperidade trazida pela guerra na década anterior, quando a redução de suprimentos vindos de fabricantes estrangeiros criou um surto de substitutos na indústria local, o Brasil assimilou o progresso incerto e em queda da economia mundial. Internamente, existiam ainda tarifas alfandegárias entre os Estados, a liderança política tanto em nível estadual quanto federal estavam nas mãos de oligarquias corruptas, que manipulavam a democracia eleitoral sem permitir que elas a rejeitasse. Do banditismo com motivações políticas do Rio Grande do Sul à pilhagem pura e simples de gangues de cangaceiros no Nordeste, nenhuma parte do país podia ser descrita como totalmente segura ou obediente às leis. Na quase totalidade, a agricultura ainda era organizada numa base feudal, e nas cidades pequenas, onde problemas sociais e o desemprego causavam miséria crescente, qualquer agitação social era reprimida pela polícia. (BOURNE, 2012, pág. 37). Essa “organização” política brasileira viria a ter seu fim em 1930 com o início da Era Vargas, e aqui temos que fazer o primeiro questionamento, houve golpe ou revolução em 1930 por parte de Getúlio Vargas? E ainda vamos um pouco mais além nos questionamentos, a política brasileira precisava de uma mudança brusca? E a Constituição de 1891? Afinal, o país tinha uma Carta Magna em vigência. É com base nesses questionamentos que são debatidos por historiadores e provoca tantas divergências que este presente trabalho traz alguns aspectos relevantes para compreender o contexto dos acontecimentos, analisando criticamente a real ou não necessidade de uma mudança no cenário político e a maneira com que essa mudança foi feita sob a liderança de Getúlio Vargas. Ressaltando para tanto que, não se trata do objetivo deste trabalho definir de forma categórica e simplista o período Varguista e o próprio Getúlio Vargas, tão pouco romantizar o tema, mas sim, evidenciar os fatos e contextualizar os acontecimentos. 1 para uma leitura sobre os conflitos e revoltas durante a República Velha, ver BEZERRA, Juliana. República Velha. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/republica-velha/. 9 4. DESCONSTRUINDO O MITO 4.1 Um breve histórico Este trabalho não se trata de uma biografia de Getúlio Vargas, mas torna-se válido e importante um breve histórico a fim de desmistificar e descontruir o mito por trás do homem e do político, o objetivo aqui é tratar sobre o político Vargas e suas ações enquanto político brasileiro, analisando os fatos e o contexto. O mito Vargas, tal como o vemos, pode perfeitamente ser analisado a partir das categorias conceituais trabalhadas por Raoul Girardet. Por um lado, há uma grande parcela de fabulação e de criação em cima de sua imagem, apresentando-se Vargas como o homem certo no lugar certo, como um político acima das facções partidárias e como o único capaz de resolver os problemas político-econômicos do Rio Grande, no final da República Velha; por outro lado, este mesmo mito tem um componente explicativo bastante importante a respeito do contexto histórico em que foi criado, sendo Vargas uma figura representativa da ascensão de uma geração política, a de 1907, que marcou o fim da era Borges e a introdução de novos pressupostos políticos e econômicos na gerência do Estado. (ABREU, 1996, pág. 14-15). Getúlio Dornelles Vargas, um gaúcho nascido em 19 de abril de 1882 na cidade de São Borja no interior do Estado do Rio Grande do Sul, cidade que faz fronteira com a Argentina. Filho de um proprietário de fazenda, Manuel do Nascimento Vargas, e de Cândida Francisca Dornelles Vargas, uma família tradicional na política local. Foi um militar, advogado e político brasileiro. Ingressou no 6º Batalhão de Infantaria de sua cidade natal em 1898 sendo promovido à graduação de sargento em pouco tempo. Entrou para a Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo em 1900, onde mais a frente iria adentrar pro 25º Batalhão de Infantaria de Porto Alegre. Em 1903, por conta do problema diplomático entre Brasil e Bolívia com a questão do Acre e da ameaça de uma possível guerra, se voluntariou e foi para Corumbá. Em 1904, entrou para a Faculdade de Direito em Porto Alegre, onde foi um dos fundadores do "Bloco Acadêmico Castilhista", (bloco que difundia as ideias de Júlio de Castilho), graduando- se em direito no ano de 1907,foi designado para o cargo de segundo promotor público no tribunal de Porto Alegre, porém, voltou para São Borja, onde passou a exercer a profissão de advogado. Sua carreira política iniciou-se em 1909 quando foi eleito deputado estadual e reeleito em 1913 e em 1917 quando tornou-se líder da maioria. Em 1922 elegeu-se deputado federal sendo também líder da bancada gaúcha na Câmara. Em 1926 foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente 10 Washington Luís, deixando o cargo em 1927 para candidatar-se e vencer o pleito para o governo do Estado do Rio Grande do Sul pelo Partido Republicano. (BOURNE, 2012). Podemos observar que Getúlio Vargas não surgiu para a política somente em 1930, ele já possuía uma carreira política basicamente voltada para o Rio Grande do Sul, mas que por vezes não é analisada para o contexto dos acontecimentos de 1930, criando assim um mito como um homem predestinado a mudar a história da política brasileira.2 Entre os trabalhos específicos sobre este período da história do Rio Grande do Sul, encontramos apenas análises rápidas e superficiais, sobre a atuação de Vargas no governo gaúcho. Em geral, são estudos voltados para o processo revolucionário de 30 e, a partir de então, para a atuação de Getúlio Vargas no governo federal. (ABREU, 1996, pág. 15). Caberia questionarmo-nos nesse sentido, se o silêncio da historiografia acerca da atuação política de Vargas no Rio Grande do Sul e sobre a importância e as influências do contexto gaúcho sobre o nacional, no momento da Revolução de 30, pode ser pensado como parte de uma política do silêncio. (ABREU. 1996, pág. 16). Durante as pesquisas para elaboração deste trabalho foi notória a escassez de dados e informações, e a falta de acervo e conteúdo em relação a atuação de Vargas enquanto deputado estadual, deputado federal, governador e ministro da fazenda que faça uma conexão direta com os acontecimentos a partir de 1930. Conhecer os antecedentes de Vargas enquanto político é essencial para enriquecer o debate e termos parâmetros para melhor entender os processos que estariam por vir. Dentre os autores encontrados que retratam um pouco sobre a vida política de Vargas antes de 1930, Rodriguez, (2009), retrata um testemunho de análise comportamental de Vargas, evidenciando sua timidez, o regionalismo, sua defesa pelo regime castilhista e seu despertar para a percepção dos problemas a nível nacional e não mais regional ou local. 2 para uma leitura mais aprofundada da biografia de Vargas e sua vida política antes dos acontecimentos de 1930, ler a obra Getúlio Vargas: a esfinge dos pampas por Bourne, Richard, (2012) e a obra Getúlio Vargas: a construção de um mito por Abreu, Luciano Aronne de (1996). 11 5. A ERA VARGAS (1930 a 1945) Dado o breve histórico, a partir deste ponto iniciaremos a tratar do objeto de estudo deste trabalho, denominado de A Era Vargas, o período que se compreende de 1930 a 1945, bem como, o governo Vargas de 1951 a 1954, períodos estes que são carregados de maiores relevâncias para a história política de Getúlio Vargas e principalmente do Brasil; sim, podemos considerar A Era Vargas para fins de estudo e historicamente falando, um período revolucionário de quebra de paradigmas no contexto da velha política. Fica claro que o fim do regime oligárquico abriu a possibilidade de novos rumos ao país. Depois de 1930 o cenário brasileiro, especialmente no que concerne ao plano político e jurídico, modificou-se bastante. As reformas eleitorais, que seriam processadas durante o Governo Provisório, incluindo o estabelecimento do voto secreto, feriam mortalmente os fundamentos básicos do Estado oligárquico da República Velha, atendendo à reivindicação das camadas médias urbanas que haviam se expandido nas últimas décadas. (VARES, 2012, pág.134). 5.1 Governo Provisório Governo Provisório foi uma fase da política brasileira dentro do período que os historiadores classificam de A Era Vargas, período este que Getúlio Vargas assumi o comando do Brasil, permanecendo no poder por 15 anos, sendo o governante com o maior tempo de forma consecutiva sob o comando do Brasil na história da República. O Governo Provisório inicia-se em 1930 e vai até 1934. (GOMES e D’ARAÚJO, 1987, pág. 2). Em 1929, o então presidente Washington Luís pôs fim a alternância de poder entre Minas e São Paulo da famosa política do café com leite quando indicou o paulista Júlio Prestes como seu sucessor. Essa atitude provocou descontentamento da oposição que juntaram forças com a criação da Aliança Liberal principalmente entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul lançando o gaúcho Getúlio Vargas como oposição a Júlio Prestes. (VARES, 2012, pág. 131). Em 1930 Getúlio Vargas chega ao poder após não aceitar o resultado das eleições alegando fraude naquele processo eleitoral que deu como vencedor daquela eleição seu concorrente, o paulista Júlio Prestes. (VARES, 2012, pág. 131). 12 Neste ponto, é necessário restituir toda importância à trama dos acontecimentos políticos. A insistência do presidente Washington Luís em apresentar candidato paulista à sucessão, para garantir a continuidade de sua política financeira, a negativa de abrir mão do nome de Júlio Prestes, mesmo em favor de outra figura de São Paulo, forçou a ruptura da velha aliança do “café com leite”, colocando na cena política uma perigosa área de atrito. Embora a iniciativa do veto à candidatura Júlio Prestes partisse de Minas Gerais, a apresentação de um nome mineiro tomou-se inviável, nascendo dos entendimentos entre este Estado e o Rio Grande do Sul, a candidatura Getúlio Vargas. (FAUSTO, 1970, pág.97). 5.1.1 Revolução ou golpe? Mas afinal, houve golpe ou revolução em 1930 por parte de Getúlio Vargas? Para responder a essa questão temos que levar em consideração alguns aspectos importantes que analisaremos a partir de agora. Embora não podemos afirmar que a indicação de Washington Luís quebrando com o ciclo vicioso que era a alternância de poder entre Minas e São Paulo iria refletir positivamente para uma mudança no cenário da política brasileira, também não podemos negar que este precisava de uma “ruptura” e não de uma continuidade, não significando que a Revolução de 1930 se tratou de uma ruptura completa; Segundo Vianna, (2007, pág. 28), “...as transformações posteriores à Revolução de 1930 foram lentas, parciais e incompletas, porque sempre encaminhadas pelos grupos dominantes”. As redefinições nesse jogo de forças políticas geraram embates entre os grupos civilistas e militaristas, as oligarquias dominantes e mesmo a população e alguns setores da organização republicana que ignoravam a mobilização dos grupos populares, definindo-os como uma massa bestializada. Bastaria uma maior aproximação do processo de construção do novo sistema político e da ordenação de suas unidades federativas, para perceber os entraves causados pela permanência de certos traços da estrutura monarquista e pelas divergências dos grupos que arquitetariam as novas bases políticas brasileiras. (MOTA, 2003, p. 12). A Primeira República (1889-1930) entrou para os anais da história brasileira como arauto da farsa eleitoral. Generalizada, a fraude tornaria a manutenção de escrutínios regulares para todos os níveis de governo durante o regime, na prática, mero formalismo. Com a abolição do Poder Moderador, distorções nos resultados das urnas assumiriam contornos estratégicos na nova ordenação institucional pós-Império, assegurando, em parte, a capacidade do Poder Executivo condicionar a solidariedade do Parlamento através da legitimação de bancadas unânimes no Congresso, meras derivações das maiorias estaduais. Fraudados e fictícios, os procedimentos eleitorais permitiriam a sistemática exclusão de oposições no cenário decisório do período, asseverando o congelamentoda competição política no país. (RICCI e ZULINI, 2012, pág. 2). 13 Contudo, não podemos normalizar a invertida praticada por Getúlio Vargas como legítima, como se os fins justificassem os meios. Note que o objetivo aqui não é ser simplista e raso na análise, ao ponto de afirmar se houve golpe ou revolução, mas de fazer essa crítica levando em consideração os fatos e todo o contexto da época. Indo ao encontro com as ideias propostas por Gonçalves, (2021), é perfeitamente possível compreender o movimento de 1930 como um golpe de Estado, bem como, reconhecê-lo como uma revolução pelas mudanças implementadas na política brasileira de imediato ou ainda que a longo prazo. As principais características que nos levam a afirmar que se tratou de um golpe de Estado são muito claras e já bastante abordadas por historiadores; primeiro por não se tratar de um movimento que possuía o nítido apoio popular, ainda que uma mudança fosse o desejo de muitos, como afirma Vianna, (2007, pág. 27), e oposto a isto, que se tratou de um movimento militar e de uso da força; segundo que havia uma Constituição em vigor, a de 1891, que foi ignorada e rasgada para que uma nova Constituição fosse elaborada, que viria ser a Constituição de 1934; terceiro que todos os governadores dos Estados foram tirados do poder, onde em suas posições foram nomeados interventores militares, fechamento do Congresso Nacional e a extinção de partidos políticos. Getúlio Vargas governou o país por quatro anos entre 1930 e 1934 sem uma Constituição que o amparasse, dado o nome de Governo Provisório. Vargas optou, pela solução “revolucionária” de estabelecer um governo provisório com poderes emergenciais, em vez da solução “constitucional” de agir dentro da Constituição de 1891, como se as eleições tivessem dado vitória a ele e não a Júlio Prestes, e a revolução nunca tivesse ocorrido. Em 11 de novembro ele emitiu um decreto-lei que concedia poderes praticamente ditatoriais ao governo e dissolvia não somente o Congresso, mas também os corpos representativos estaduais e municipais, e lhe permitia ainda nomear e demitir funcionários públicos. (BOURNE, 2012, pág. 79). Por outro lado, ações importantes e inéditas foram realizadas por Getúlio Vargas nesta fase, uma vez no poder por intermédio de um golpe, Vargas tinha em sua postura carismática e amigável uma “arma” para conseguir a aceitação popular e perdurar no poder. No jogo da articulação racional da irracionalidade das massas, Campos vai privilegiar o papel do líder carismático como centro da integração política, como sustentáculo da formação do totalitarismo. O regime político próprio às massas é o regime da ditadura, do apelo, e não o da escolha. (PANDOLFI e BOMENY, 1999, pág.138). 14 De acordo com Vares (2012, pág. 122-135) e Fausto (1970, pág. 86-91 e 112), entre os acontecimentos que podemos julgar revolucionários, excluindo aqui os meios para que tais mudanças viessem a acontecer, podemos citar o sepultamento definitivo dos acordos oligárquicos entre paulistas e mineiros como um símbolo maior da revolução e em segundo plano a gradativa superação da exclusividade da economia brasileira baseada na valorização do café como principal bem de exportação também por outros motivos anteriores que se somaram, além do fim do domínio dos coronéis. De forma mais efetiva, podemos destacar a “importante” iniciativa de criar novos ministérios como: Ministério da saúde, Ministério da Educação, Ministério da Indústria e do Comércio e o Ministério do Trabalho, este último segundo Gomes e D´Araújo (1987, pág. 3, 15 e 16), o que certamente iria “respaldar” as atitudes de Vargas perante a classe trabalhadora e operária, começando a atrelar sua imagem ao trabalhismo. Note que a palavra “importante” se encontra entre aspas no início do parágrafo para refletirmos sobre as reais intenções de Vargas com todas estas medidas, se realmente se tratava de um plano de governo bem-intencionado ou seria parte de um plano simplesmente pensando em se perpetuar no poder. O governo Vargas instituiu, pouco a pouco, uma série de medidas tendentes a dar tratamento específico à questão — a partir da criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (novembro de 1930) — e a proteger a força de trabalho, promover sua limitada organização econômica, incentivar o aproveitamento do operário nacional. O anacrônico padrão de relações, sintetizado na frase tantas vezes citada, “a questão social é uma questão de polícia”, começou a ser substituído por outro que implicava o reconhecimento da existência da classe e visava a controlá-la com os instrumentos da representação profissional, dos sindicatos oficiais, apolíticos e numericamente restritos. (FAUSTO, 1970, pág. 108). 5.2 Governo Constitucional No Governo Constitucional como o próprio termo revela, Vargas deixa de governar às margens e passa agora a ter um governo legítimo, ainda que eleito de forma indireta, é a segunda fase da Era Vargas, que se inicia em 1934 dando fim ao Governo Provisório e que se estende até 1937. Após inúmeras investidas da oposição frente ao descontentamento do Governo Provisório de Vargas, sendo marcada pela Revolução Constitucionalista de 1932, que exigia uma nova Constituição, uma nova assembleia constituinte é instituída culminando na promulgação da Constituição de 1934. Dentre as características dessa nova Constituição, podemos perceber o estabelecimento do mandato presidencial de 15 quatro anos, eleições por voto secreto e direto, instituição do voto feminino, proibição do trabalho infantil, estabelecimento da jornada de trabalho de oito horas, descanso semanal obrigatório e férias remuneradas, além do retorno dos partidos políticos. (PANDOLFI, 1999. GOMES; D’ARAÚJO, 1987). 5.3 Estado Novo Conforme Gomes e D’Araújo, (1987), A última fase da Era Vargas é também um dos momentos mais discutidos da história da política brasileira. O Estado Novo, foi marcado pelo autoritarismo, censura e centralização do poder, com uma ideia de Estado nacionalista e intervencionista, que ao contrário da Revolução de 1930, aqui não há muitas dúvidas sobre a intenção golpista de Getúlio Vargas em 1937 para perpetuar no poder e que constituiu a ditadura varguista do Estado Novo. Com o fim da fase do Governo Constitucional em 1937, Vargas decidiu não abrir mão tão fácil do poder. Getúlio Vargas iria a partir de mais um golpe instaurar o período denominado Estado Novo, onde ficaria no poder até 1945, fechando o ciclo da Era Vargas que totalizaria quinze anos. Para tal, Vargas tinha como plano propagar uma possível ameaça comunista como seu passaporte para justificar a anulação das eleições de 1937 e continuar no poder, o que ficou conhecido como Plano Cohen. O mito da conspiração judaico-comunista foi utilizado como pretexto para o desfecho golpista que instaurou o Estado Novo. O famigerado Plano Cohen, suposto projeto de controle do Estado brasileiro pelos comunistas, elaborado de fato pelo capitão Olímpio Mourão Filho, que exercia também a função de chefe do Estado-Maior das Milícias Integralistas, fazia parte da “pedagogia integralista”, de conteúdo anticomunista e anti-semita. (PANDOLFI e MAIO, 1999, pág. 243). Com a implantação do Estado Novo, Vargas cercou-se de poderes excepcionais. As liberdades civis foram suspensas, o Parlamento dissolvido, os partidos políticos extintos. O comunismo transformou-se no inimigo público número um do regime, e a repressão policial instalou-se por toda parte. (PANDOLFI, 1999, pág. 10). Uma vez estabelecido o Estado Novo por intermédio de mais um golpe, Vargas começa seu plano para mais uma vez atingir a classe operária, o trabalhismo3 varguista seria mais forte que outrora, seu principal objetivo seria formar uma base forte de apoio ao regime varguista no Estado Novo, sendo as principaisações a 3 para uma análise mais aprofundada ver Getulismo e Trabalhismo: tensões e dimensões do Partido Trabalhista Brasileiro por GOMES e D’ARAÚJO, (1987). 16 consolidação das leis trabalhistas (CLT) que vigora até os dias atuais, tais medidas eram reinvindicações antigas do operariado. Neste ano o conjunto de leis referentes ao mundo do trabalho (salário mínimo, férias, limitação de horas de trabalho, segurança, carteira de trabalho, justiça do trabalho, tutela dos sindicatos pelo Ministério do Trabalho), promulgadas ao longo dos anos foi sistematizado pela Consolidação das Leis do Trabalho. Está medida representou, de um lado, o atendimento das reivindicações operárias que foram objetivo de imensa luta da categoria por várias décadas e, de outro, o controle através do Estado, das atividades independentes da classe trabalhadora, que acabou perdendo sua autonomia através do controle estatal. (CAPELATO, 2007, p.120). Podemos perceber que o Estado Novo foi instaurado através de um golpe por intermédio de um plano já amplamente desconstruído e que esse período se tratou de uma ditadura varguista por conter todas as características para tal, bem como, durante a construção deste trabalho, também foi possível identificar que, o golpe de 1937 e a compreensão da existência de uma ditadura do Estado Novo, é uma das poucas unanimidades ou no mínimo há poucas divergências entre os historiadores em relação a todos os acontecimentos durante o período da Era Vargas, não há indícios que possam contrariar diante de tudo que já foi posto pela historiografia e diante dos fatos postos que são nítidos e notórios. Por outro lado, o Estado Novo evidencia mais uma vez a controvérsia que existe ao tratar do político Vargas, pois ao mesmo tempo que implantou um regime ditatorial, promoveu também um dos momentos mais importantes para o desenvolvimento do Brasil em diversas áreas, baseado na industrialização do país. Getúlio Vargas foi um estadista, porque teve a visão da oportunidade que a Grande Depressão dos anos 1930 abria para o Brasil iniciar sua industrialização e completar sua Revolução Nacional. Foi um líder nacionalista e populista que encontrou um país agrário e atrasado quando assumiu o governo, e, 24 anos depois, o deixou industrializado e dinâmico... Vargas compreendeu, já no seu primeiro governo, que o Brasil estava ficando secularmente para trás no processo de desenvolvimento econômico, e que a única forma de recuperar o atraso era a industrialização. (BRESSER- PEREIRA, 2009, pág. 6 e 8). O que mais uma vez podemos discutir aqui é a real intenção de Getúlio Vargas com todas suas “boas” ações, se seria realmente um pensando voltado para o desenvolvimentismo do Brasil ou se havia outras intenções para validar a ditadura imposta. Segundo Pandolfi e Carvalho, (1999), as duas vertentes são válidas. Analisar esse período em todas as suas dimensões significa apreender paradoxos e afastar tentações maniqueístas. Afinal, a despeito da ausência dos direitos políticos e da precariedade das liberdades civis, o 17 regime ditatorial consolidou a ideia do Estado como agente fundamental do desenvolvimento econômico e do bem-estar social. Se a política trabalhista de Vargas permaneceu praticamente intacta até os dias de hoje, se a discussão sobre o formato do Estado e a reforma da previdência social são temas que continuam mobilizando a sociedade, não se pode negar que o Estado Novo contribuiu para reforçar a fragilidade de nossas instituições político-partidárias, para produzir um descaso pelos direitos civis e políticos e para disseminar a ideologia do anticomunismo. A crença na dicotomia entre democracia social e democracia política, na supremacia do Executivo sobre o Legislativo e da técnica sobre a política são algumas das heranças do Estado Novo que comprometem até hoje a consolidação da nossa democracia. (PANDOLFI, 1999, pág. 11). Assim, aquele Estado moderno estruturou-se da melhor forma possível a fim de garantir, segundo versão oficial, “a passagem de um país agrícola para um país industrializado e independente economicamente”. No entanto, por trás dessa concepção desenvolvimentista escondia-se um espírito maquiavélico: o do controle sistemático das massas, articulado através de um plano orgânico e racional, de cunho nacionalista. A meta final era homogeneizar o pensamento e a raça brasileira controlando a população idealizada segundo modelos propostos pela ciência eugênica, ou seja, “produzir” um cidadão-símbolo da raça branca, limpo de impurezas (leia-se aqui da raça amarela e semita/judaica, tratadas como raças inferiores). Não se pretendeu, em nenhum momento, a constituição de uma sociedade culturalmente pluralista, razão pela qual o Estado procurou abortar qualquer tentativa, por parte dos imigrantes estrangeiros, de criação de uma identidade própria, tanto do ponto de vista étnico quanto cultural. (PANDOLFI e CARNEIRO, 1999, pág. 333). 18 6. SEQUÊNCIA DIDÁTICA Etapa de 3 aulas, com sequência didática para turmas do 9° ano do Ensino Fundamental II. AULA 01 TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): A Revolução de 1930 e o contexto da República Velha. OBJETIVOS: Contextualizar os acontecimentos que antecederam o governo varguista, evidenciando as principais causas e consequências que culminaram no fim da República Velha e no início do Governo Provisório de Vargas em 1930. Estimular o senso crítico dos alunos para que reflitam sobre a situação política, econômica e cultural do Brasil na República Velha, a fim de promover a discussão sobre as seguintes problemáticas: O Brasil precisava de uma mudança radical no seu sistema político? A Revolução de 1930 foi necessária ou haveria outra forma para promover uma eventual mudança? Analisar o contexto da Revolução de 1930 para que os alunos reflitam sobre a problemática: Revolução ou golpe? CONTEÚDOS: República Velha (1889 a 1930). Revolução de 1930. ESTRATÉGIAS: Aula será do tipo expositiva dialogada, onde os alunos serão incentivados a participar do debate, sendo acionados por meio de questionamentos e livres para eventuais dúvidas e/ou colocações. RECURSOS: Quadro branco / livro didático / data show. 19 AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados por meio de uma atividade, na qual deverão realizar em trio um círculo de debate e após um texto/resumo, onde irão expor de forma escrita as reflexões propostas nas problemáticas estabelecidas durante a aula. AULA 02 TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): O Governo Provisório de Vargas, a Constituição de 1934 e o Governo Constitucional de Vargas. OBJETIVOS: Evidenciar as principais características e acontecimentos do Governo Provisório de Vargas (1930 a 1934), da Constituição de 1934 e do Governo Constitucional de Vargas (1934 a 1937). Estimular a reflexão crítica dos alunos para a problemática: República Velha x Governo varguista, uma relação de Ruptura ou continuidade? CONTEÚDOS: Governo Provisório (1930 a 1934). Constituição de 1934. Governo Constitucional (1934 a 1937). ESTRATÉGIAS: A aula será do tipo expositiva clássica, com a utilização de slides. RECURSOS: Quadro branco / livro didático / data show. AVALIAÇÃO Os alunos serão avaliados por meio de uma atividade com dez questões discursivas no caderno. 20 AULA 03 TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): O Estado Novo, de 1937 a 1945. OBJETIVOS: Evidenciar as principais características e acontecimentos do Estado Novo (1937 a 1945), com ênfase no golpe do Estado Novo CONTEÚDOS: O Estado Novo (1937 a 1945) ESTRATÉGIAS: A aula será do tipo expositiva onde num primeiro momento será exibido para os alunos um documentário sobre o Estado Novo de aproximadamente 25min. Na segunda parte da aula serárealizada a leitura do conteúdo no livro didático em grupo, sendo solicitado que os alunos façam o cruzamento das informações do documentário com o conteúdo do livro didático. RECURSOS: Quadro branco / livro didático / sala de vídeo. AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados por meio de uma atividade com dez questões objetivas. 21 7. CONCLUSÃO Após analisar os pontos específicos abordados durante a pesquisa para este trabalho, podemos concluir que, o mito Vargas tal qual foi criado com o passar do tempo, como um homem predestinado a mudar o Brasil, precisa ser deixado de lado, para que uma análise mais fria e imparcial seja realizada, a fim de entendermos o período varguista com todas as suas controvérsias. O fato é que Vargas possui uma carreira política anterior a 1930 e que numa análise mais profunda, se faz necessário ser estudada e levada em consideração. Getúlio Vargas foi de certa forma um pouco de tudo dentro do cenário político brasileiro, de chefe de Estado provisório, passando por ditador até se tornar Presidente eleito. Analisar a Era Vargas é mergulhar numa onda de prós e contras sem fim, a ponto de nos questionarmos se ele seria realmente um “mal necessário” para que o Brasil deixasse para trás a Velha República e seguisse em frente, ou se a ditadura imposta por ele foi um preço alto demais. Teria o Brasil tomado outro rumo não fosse a tal Revolução ou golpe de 30? Jamais saberemos. O que podemos observar através dos fatos estabelecidos é que o processo revolucionário de 1930 determinou o fim da hegemonia política da elite do café, do coronelismo e outras práticas da República Velha, bem como, durante o Estado Novo, o Brasil acelerou seu processo de industrialização e modernização que estava atrasado, como também muitos direitos trabalhistas foram pela primeira vez concedidos e permanecem vigentes até os dias atuais. Por outro lado, durante o governo varguista a Constituição foi rasgada, direitos políticos foram suspensos, Congresso foi fechado, e golpe de Estado foi posto em prática. Dada a importância histórica que Getúlio Vargas tem para a política brasileira, os fatos relacionados aos seus governos com todas as suas controvérsias devem minimamente serem postos em sala de aula como um ponto de debate importante de forma imparcial, por intermédio da elaboração de uma sequência didática que possibilite aos alunos a busca pelo senso crítico, a fim de colaborar para que analisem os fatos e estabeleçam suas próprias ideias, conclusões e opiniões. 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, Luciano Aronne. Getúlio Vargas: a construção de um mito (1928-30). Porto Alegre: EDIPUCRS, 1996. ACADEMIA Brasileira de Letras (ABL): Biografia. Getúlio Vargas, [s. l.], 5 abr. 2016. Disponível em: https://www.academia.org.br/academicos/getulio-vargas/biografia. Acesso em: 1 out. 2023. BOURNE, Richard. Getúlio Vargas: a esfinge dos pampas. São Paulo: Geração Editorial, 2012. BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. Textos para discussão 191. 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