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UNIP – Universidade Paulista 
Polo Livramento de Nossa Senhora – BA 
Curso: História 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Getúlio Vargas: visões diferentes de um mesmo governo 
 
 
 
 
 
 
 José Lucas Santana SILVA / RA: 2187496 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Polo Livramento de Nossa Senhora – BA 
2023 
 
 
 
 
 
José Lucas Santana Silva 
 
 
 
 
Getúlio Vargas: visões diferentes de um mesmo governo 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Curso - Licenciatura em História 
 
 
Trabalho de curso como exigência para 
obtenção do título de graduação em 
Licenciatura em História apresentado à 
Universidade Paulista – UNIP. 
 
Orientador: Prof.ª Leila Dutra Rodrigues. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Polo Livramento de Nossa Senhora – BA 
2023 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Dedico este trabalho a minha família, em especial à 
minha filha Stella, minha fonte de inspiração e o que 
move minha busca incessante por novas 
conquistas, é por ela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primeiramente, agradeço a Deus que permitiu que tudo isso fosse possível, 
que sempre me deu forças para superar obstáculos e dificuldades. 
Agradeço ainda a Universidade Paulista – UNIP, aos professores, orientadores 
e principalmente meu polo de apoio, pelos ensinamentos apresentados ao longo do 
curso e pelos conselhos que serviram como aprendizado durante minha jornada. 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
 
Inúmeros autores já realizaram grandes trabalhos versando sobre Getúlio 
Vargas, sua vida, suas contribuições e suas polêmicas, tudo isso já foi amplamente 
discutido e analisado por historiadores e biógrafos renomados. Portanto, o objetivo 
deste trabalho não se trata de outra análise histórica sobre Vargas e seus governos, 
mas, refletir sobre aspectos pontuais dentro do primeiro governo de Getúlio Vargas, 
período que ficou conhecido como A Era Vargas, mais precisamente sobre os 
chamados acontecimentos revolucionários de 1930, bem como, o golpe que deu início 
a fase denominada Estado Novo, abordando alguns pontos importantes para 
compreender tudo que envolveu estes processos, contextualizando os antecedentes, 
as motivações, causas e consequências, levando em consideração como tais 
consequências, o fim da Primeira República ou República Velha e as mudanças mais 
relevantes na política e na economia brasileira. Aqui se faz necessário enfatizar que 
não se trata de preocupar-se em definir quem foi Getúlio Vargas ou que foi seu 
governo durante este período, mas, fazer uma análise imparcial e pontual, 
apresentando informações relevantes que possa contribuir para o debate e 
principalmente para discussões em sala de aula, através da elaboração de uma 
sequência didática que possibilite incentivar os alunos a debaterem, discutirem e 
tecerem suas próprias críticas. Para a construção deste projeto será utilizada a 
metodologia de pesquisa bibliográfica secundária, sobretudo, o aprofundamento em 
livros que trate especificamente do tema, como as obras Getúlio Vargas: a construção 
de um mito (1996) de ABREU, Luciano Aronne; Getúlio Vargas: a esfinge dos pampas 
(2012) de BOURNE, Richard; e Repensando o Estado Novo (1999) de PANDOLFI, 
Dulce. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras-chave: Getúlio Vargas; mito; Era Vargas; golpe; revolução. 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................6 
2. OBJETIVOS............................................................................................................7 
2.1 Objetivos específicos.............................................................................................7 
3. A REPÚBLICA VELHA...........................................................................................8 
4. DESCONSTRUINDO O MITO...............................................................................10 
4.1 Um breve histórico...............................................................................................10 
5. A ERA VARGAS (1930 - 1945)............................................................................12 
5.1 Governo Provisório..............................................................................................12 
5.1.1 Revolução ou golpe?........................................................................................13 
5.2 Governo Constitucional.......................................................................................15 
5.3 O Estado Novo....................................................................................................16 
6. SEQUÊNCIA DIDÁTICA.......................................................................................19 
7. CONCLUSÃO.......................................................................................................22 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................23 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
A elaboração deste trabalho tem como personagem central uma das figuras 
mais controvérsias, polêmicas e uma das mais importantes da história do Brasil, 
Getúlio Vargas. Presidente, ditador, populista, estadista, golpista, pai dos pobres, 
fascista, autoritário ou revolucionário, Vargas é o tipo de personagem da história 
política brasileira que carrega inúmeros adjetivos, afinal, não há um consenso que 
possibilite definir quem foi Getúlio Vargas e seus 19 anos em que esteve sob o 
comando do Brasil. Em concordância com Ferreira, (2006, pág. 7 e 10), Getúlio Vargas 
foi o tipo de político brasileiro que nos permite criticá-lo com veemência e elogiá-lo do 
mesmo modo por seus legados que permanecem até os dias atuais. 
Após décadas de sua morte, Getúlio Vargas deixou um legado que continua a 
influir na política e na sociedade brasileira em geral. Em momentos de discussão sobre 
democracia, direitos e desenvolvimento econômico, são lembrados os seus êxitos e 
fracassos. O Brasil moderno ainda guarda os vestígios políticos e ações 
implementadas durante sua gestão. 
Trata-se do propósito desta pesquisa contextualizar os acontecimentos que 
antecederam a ascensão de Vargas ao poder com a Revolução de 1930 e estabelecer 
uma linha de raciocínio que trata da vida política de Getúlio Vargas anterior aos 
acontecimentos de 1930, da mesma forma que, contextualizar a República Velha, 
evidenciando as principais características deste período, a fim de promover o debate 
sobre as causas e consequências que levaram a seu fim. 
Afinal, quem foi Getúlio Vargas? Herói? Vilão? ou seria até mesmo um mal 
necessário? Nas palavras de Abreu, (1996, pág. 7), “...nunca se diz tudo sobre alguém 
ou algum fato. A História como sabemos, deve ser sempre reescrita, à luz das novas 
preocupações, ao longo do tempo”. Portanto, o objetivo aqui não se trata de definir ou 
buscar respostas exatas para essas perguntas, mas sim, refletir e debater de forma 
imparcial, apontando os fatos dentro do contexto dos acontecimentos, levando em 
consideração dois polos de debate, sendo a questão revolucionária promovida na 
figura de Vargas, que instituiu a partir daí a mistificação da figura de Getúlio Vargas e 
seus feitos que permanecem até os dias atuais, assim como, os fatos que deram início 
ao Estado Novo, que fez com que Vargas continuasse no poder até 1945. 
 
6
 
 
 
 
2. OBJETIVOS 
 
Esta pesquisa tem como finalidade abordar fatos pontuais e específicos a partir 
de 1930 com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, bem como os antecedentes para 
contextualizar a revolução de 30 e suas consequências, da mesma forma que os fatos 
que levaram à instauração do Estado Novo. 
 
2.1 Objetivos específicos 
 
• Evidenciar a vida política de Getúlio Vargas antes da chamadaRevolução de 1930. 
• Contextualizar a crise vivida durante a República Velha estabelecendo as causas 
que culminaram em seu fim em 1930. 
• Estabelecer as consequências políticas e econômicas para o Brasil pós-revolução 
de 1930 e posteriormente com a instauração do Estado Novo. 
• Analisar os atos praticados por Getúlio Vargas e as mudanças sofridas a partir da 
Revolução de 1930, refletindo se o processo se tratou de uma ruptura ou de uma 
continuidade em relação a República Velha. 
• Realizar uma sequência didática a ser ministrada em sala de aula, para promover o 
debate com os alunos tratando do tema de forma imparcial, estimulando o senso 
crítico dos alunos para que formem suas devidas opiniões. 
 
7
 
 
 
 
3. A REPÚBLICA VELHA 
. 
De acordo com as obras de Vares (2012) e Figueiredo (2011), de 1889 com a 
Proclamação da República até o final de 1930, a política brasileira vivia um período 
denominado República Velha ou Primeira República, sendo também este período 
subdividido em República da Espada e República das Oligarquias. Essa fase da 
história política brasileira traz algumas características e informações importantes, 
como, a primeira Constituição Republicana de 1891, o domínio das oligarquias 
estaduais ligadas ao café e ao leite, numa organização política comumente chamada 
de política do café com leite, forte poder dos coronéis tendo o voto de cabresto como 
uma marca registrada da influência do coronelismo na política brasileira naquele 
momento. 
Segundo Mendonça (2000), politicamente falando, o período da República 
Velha tem como característica inquestionável o predomínio de grupos agrários, sob a 
influência dos cafeicultores paulistas. Os criadores do regime republicano, ao criticar 
a monarquia centralizadora, implementaram um regime político coerente com as suas 
intenções, baseando-se na maximização do poder das oligarquias possibilitada pelo 
coronelismo. 
O coronelismo foi um fator fundamental e importante para que os objetivos dos 
governos pudessem se concretizar, pois, por meio das fraudulentas eleições, através 
dos resultados favoráveis que se mantinha a hegemonia dos grupos políticos da elite, 
principalmente de São Paulo e Minas onde predominaram por muito tempo no poder. 
(CARVALHO, 2008, pág. 56). 
 
Nesse paraíso das oligarquias, as práticas eleitorais fraudulentas não 
podiam desaparecer. Elas foram aperfeiçoadas. Nenhum coronel aceitava 
perder as eleições. Os eleitores continuavam a ser coagidos, comprados, 
enganados, ou simplesmente excluídos. Os historiadores do período 
concordam em afirmar que não haviam eleições limpas. O voto podia ser 
fraudado na hora de ser lançado na urna, na hora de ser apurado, ou na hora 
do reconhecimento do eleito (CARVALHO, 2008, p. 41). 
 
A República Velha também foi um período de grande instabilidade política 
marcada por muitas revoltas e insatisfação de várias camadas populares, como 
podemos analisar na Guerra de Canudos, Revolta da Armada, Revolta da Vacina, 
Revolta da Chibata, Revolta do Contestado, Greve Geral, Coluna Prestes, 
8
 
 
 
 
Tenentismo, entre outras.1 Podemos analisar neste contexto que a política brasileira 
da República Velha, passava por uma crise provocada por diversos fatores que se 
somaram ao longo do período e alguns pontos foram cruciais para culminar no seu 
declínio segundo os historiadores, como a questão da presença da corrupção no 
processo eleitoral. 
 
O Brasil nos anos 1920, era um país conturbado política e 
economicamente. Depois da prosperidade trazida pela guerra na década 
anterior, quando a redução de suprimentos vindos de fabricantes estrangeiros 
criou um surto de substitutos na indústria local, o Brasil assimilou o progresso 
incerto e em queda da economia mundial. 
Internamente, existiam ainda tarifas alfandegárias entre os Estados, 
a liderança política tanto em nível estadual quanto federal estavam nas mãos 
de oligarquias corruptas, que manipulavam a democracia eleitoral sem 
permitir que elas a rejeitasse. Do banditismo com motivações políticas do Rio 
Grande do Sul à pilhagem pura e simples de gangues de cangaceiros no 
Nordeste, nenhuma parte do país podia ser descrita como totalmente segura 
ou obediente às leis. Na quase totalidade, a agricultura ainda era organizada 
numa base feudal, e nas cidades pequenas, onde problemas sociais e o 
desemprego causavam miséria crescente, qualquer agitação social era 
reprimida pela polícia. (BOURNE, 2012, pág. 37). 
 
Essa “organização” política brasileira viria a ter seu fim em 1930 com o início 
da Era Vargas, e aqui temos que fazer o primeiro questionamento, houve golpe ou 
revolução em 1930 por parte de Getúlio Vargas? E ainda vamos um pouco mais além 
nos questionamentos, a política brasileira precisava de uma mudança brusca? E a 
Constituição de 1891? Afinal, o país tinha uma Carta Magna em vigência. É com base 
nesses questionamentos que são debatidos por historiadores e provoca tantas 
divergências que este presente trabalho traz alguns aspectos relevantes para 
compreender o contexto dos acontecimentos, analisando criticamente a real ou não 
necessidade de uma mudança no cenário político e a maneira com que essa mudança 
foi feita sob a liderança de Getúlio Vargas. 
Ressaltando para tanto que, não se trata do objetivo deste trabalho definir de 
forma categórica e simplista o período Varguista e o próprio Getúlio Vargas, tão pouco 
romantizar o tema, mas sim, evidenciar os fatos e contextualizar os acontecimentos. 
 
 
1 para uma leitura sobre os conflitos e revoltas durante a República Velha, ver BEZERRA, Juliana. 
República Velha. Toda Matéria, [s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/republica-velha/. 
9
 
 
 
 
4. DESCONSTRUINDO O MITO 
 
4.1 Um breve histórico 
 
Este trabalho não se trata de uma biografia de Getúlio Vargas, mas torna-se 
válido e importante um breve histórico a fim de desmistificar e descontruir o mito por 
trás do homem e do político, o objetivo aqui é tratar sobre o político Vargas e suas 
ações enquanto político brasileiro, analisando os fatos e o contexto. 
 
O mito Vargas, tal como o vemos, pode perfeitamente ser analisado 
a partir das categorias conceituais trabalhadas por Raoul Girardet. Por um 
lado, há uma grande parcela de fabulação e de criação em cima de sua 
imagem, apresentando-se Vargas como o homem certo no lugar certo, como 
um político acima das facções partidárias e como o único capaz de resolver 
os problemas político-econômicos do Rio Grande, no final da República 
Velha; por outro lado, este mesmo mito tem um componente explicativo 
bastante importante a respeito do contexto histórico em que foi criado, sendo 
Vargas uma figura representativa da ascensão de uma geração política, a de 
1907, que marcou o fim da era Borges e a introdução de novos pressupostos 
políticos e econômicos na gerência do Estado. (ABREU, 1996, pág. 14-15). 
 
Getúlio Dornelles Vargas, um gaúcho nascido em 19 de abril de 1882 na cidade 
de São Borja no interior do Estado do Rio Grande do Sul, cidade que faz fronteira com 
a Argentina. Filho de um proprietário de fazenda, Manuel do Nascimento Vargas, e de 
Cândida Francisca Dornelles Vargas, uma família tradicional na política local. Foi um 
militar, advogado e político brasileiro. Ingressou no 6º Batalhão de Infantaria de sua 
cidade natal em 1898 sendo promovido à graduação de sargento em pouco tempo. 
Entrou para a Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo em 1900, onde mais a 
frente iria adentrar pro 25º Batalhão de Infantaria de Porto Alegre. Em 1903, por conta 
do problema diplomático entre Brasil e Bolívia com a questão do Acre e da ameaça 
de uma possível guerra, se voluntariou e foi para Corumbá. Em 1904, entrou para a 
Faculdade de Direito em Porto Alegre, onde foi um dos fundadores do "Bloco 
Acadêmico Castilhista", (bloco que difundia as ideias de Júlio de Castilho), graduando-
se em direito no ano de 1907,foi designado para o cargo de segundo promotor público 
no tribunal de Porto Alegre, porém, voltou para São Borja, onde passou a exercer a 
profissão de advogado. Sua carreira política iniciou-se em 1909 quando foi eleito 
deputado estadual e reeleito em 1913 e em 1917 quando tornou-se líder da maioria. 
Em 1922 elegeu-se deputado federal sendo também líder da bancada gaúcha na 
Câmara. Em 1926 foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente 
10
 
 
 
 
Washington Luís, deixando o cargo em 1927 para candidatar-se e vencer o pleito para 
o governo do Estado do Rio Grande do Sul pelo Partido Republicano. (BOURNE, 
2012). 
Podemos observar que Getúlio Vargas não surgiu para a política somente em 
1930, ele já possuía uma carreira política basicamente voltada para o Rio Grande do 
Sul, mas que por vezes não é analisada para o contexto dos acontecimentos de 1930, 
criando assim um mito como um homem predestinado a mudar a história da política 
brasileira.2 
 
Entre os trabalhos específicos sobre este período da história do Rio 
Grande do Sul, encontramos apenas análises rápidas e superficiais, sobre a 
atuação de Vargas no governo gaúcho. Em geral, são estudos voltados para 
o processo revolucionário de 30 e, a partir de então, para a atuação de Getúlio 
Vargas no governo federal. (ABREU, 1996, pág. 15). 
Caberia questionarmo-nos nesse sentido, se o silêncio da 
historiografia acerca da atuação política de Vargas no Rio Grande do Sul e 
sobre a importância e as influências do contexto gaúcho sobre o nacional, no 
momento da Revolução de 30, pode ser pensado como parte de uma política 
do silêncio. (ABREU. 1996, pág. 16). 
 
 
Durante as pesquisas para elaboração deste trabalho foi notória a escassez de 
dados e informações, e a falta de acervo e conteúdo em relação a atuação de Vargas 
enquanto deputado estadual, deputado federal, governador e ministro da fazenda que 
faça uma conexão direta com os acontecimentos a partir de 1930. Conhecer os 
antecedentes de Vargas enquanto político é essencial para enriquecer o debate e 
termos parâmetros para melhor entender os processos que estariam por vir. Dentre 
os autores encontrados que retratam um pouco sobre a vida política de Vargas antes 
de 1930, Rodriguez, (2009), retrata um testemunho de análise comportamental de 
Vargas, evidenciando sua timidez, o regionalismo, sua defesa pelo regime castilhista 
e seu despertar para a percepção dos problemas a nível nacional e não mais regional 
ou local. 
 
 
2 para uma leitura mais aprofundada da biografia de Vargas e sua vida política antes dos 
acontecimentos de 1930, ler a obra Getúlio Vargas: a esfinge dos pampas por Bourne, Richard, (2012) 
e a obra Getúlio Vargas: a construção de um mito por Abreu, Luciano Aronne de (1996). 
11
 
 
 
 
5. A ERA VARGAS (1930 a 1945) 
 
Dado o breve histórico, a partir deste ponto iniciaremos a tratar do objeto de 
estudo deste trabalho, denominado de A Era Vargas, o período que se compreende 
de 1930 a 1945, bem como, o governo Vargas de 1951 a 1954, períodos estes que 
são carregados de maiores relevâncias para a história política de Getúlio Vargas e 
principalmente do Brasil; sim, podemos considerar A Era Vargas para fins de estudo 
e historicamente falando, um período revolucionário de quebra de paradigmas no 
contexto da velha política. 
 
Fica claro que o fim do regime oligárquico abriu a possibilidade de 
novos rumos ao país. Depois de 1930 o cenário brasileiro, especialmente no 
que concerne ao plano político e jurídico, modificou-se bastante. As reformas 
eleitorais, que seriam processadas durante o Governo Provisório, incluindo o 
estabelecimento do voto secreto, feriam mortalmente os fundamentos 
básicos do Estado oligárquico da República Velha, atendendo à reivindicação 
das camadas médias urbanas que haviam se expandido nas últimas décadas. 
(VARES, 2012, pág.134). 
 
5.1 Governo Provisório 
 
Governo Provisório foi uma fase da política brasileira dentro do período que os 
historiadores classificam de A Era Vargas, período este que Getúlio Vargas assumi o 
comando do Brasil, permanecendo no poder por 15 anos, sendo o governante com o 
maior tempo de forma consecutiva sob o comando do Brasil na história da República. 
O Governo Provisório inicia-se em 1930 e vai até 1934. (GOMES e D’ARAÚJO, 1987, 
pág. 2). 
Em 1929, o então presidente Washington Luís pôs fim a alternância de poder 
entre Minas e São Paulo da famosa política do café com leite quando indicou o paulista 
Júlio Prestes como seu sucessor. Essa atitude provocou descontentamento da 
oposição que juntaram forças com a criação da Aliança Liberal principalmente entre 
Minas Gerais e Rio Grande do Sul lançando o gaúcho Getúlio Vargas como oposição 
a Júlio Prestes. (VARES, 2012, pág. 131). 
Em 1930 Getúlio Vargas chega ao poder após não aceitar o resultado das 
eleições alegando fraude naquele processo eleitoral que deu como vencedor daquela 
eleição seu concorrente, o paulista Júlio Prestes. (VARES, 2012, pág. 131). 
 
12
 
 
 
 
Neste ponto, é necessário restituir toda importância à trama dos 
acontecimentos políticos. A insistência do presidente Washington Luís em 
apresentar candidato paulista à sucessão, para garantir a continuidade de 
sua política financeira, a negativa de abrir mão do nome de Júlio Prestes, 
mesmo em favor de outra figura de São Paulo, forçou a ruptura da velha 
aliança do “café com leite”, colocando na cena política uma perigosa área de 
atrito. Embora a iniciativa do veto à candidatura Júlio Prestes partisse de 
Minas Gerais, a apresentação de um nome mineiro tomou-se inviável, 
nascendo dos entendimentos entre este Estado e o Rio Grande do Sul, a 
candidatura Getúlio Vargas. (FAUSTO, 1970, pág.97). 
 
5.1.1 Revolução ou golpe? 
 
Mas afinal, houve golpe ou revolução em 1930 por parte de Getúlio Vargas? 
Para responder a essa questão temos que levar em consideração alguns aspectos 
importantes que analisaremos a partir de agora. 
Embora não podemos afirmar que a indicação de Washington Luís quebrando 
com o ciclo vicioso que era a alternância de poder entre Minas e São Paulo iria refletir 
positivamente para uma mudança no cenário da política brasileira, também não 
podemos negar que este precisava de uma “ruptura” e não de uma continuidade, não 
significando que a Revolução de 1930 se tratou de uma ruptura completa; Segundo 
Vianna, (2007, pág. 28), “...as transformações posteriores à Revolução de 1930 foram 
lentas, parciais e incompletas, porque sempre encaminhadas pelos grupos 
dominantes”. 
 
As redefinições nesse jogo de forças políticas geraram embates entre 
os grupos civilistas e militaristas, as oligarquias dominantes e mesmo a 
população e alguns setores da organização republicana que ignoravam a 
mobilização dos grupos populares, definindo-os como uma massa 
bestializada. Bastaria uma maior aproximação do processo de construção do 
novo sistema político e da ordenação de suas unidades federativas, para 
perceber os entraves causados pela permanência de certos traços da 
estrutura monarquista e pelas divergências dos grupos que arquitetariam as 
novas bases políticas brasileiras. (MOTA, 2003, p. 12). 
 
A Primeira República (1889-1930) entrou para os anais da história 
brasileira como arauto da farsa eleitoral. Generalizada, a fraude tornaria a 
manutenção de escrutínios regulares para todos os níveis de governo durante 
o regime, na prática, mero formalismo. 
Com a abolição do Poder Moderador, distorções nos resultados das 
urnas assumiriam contornos estratégicos na nova ordenação institucional 
pós-Império, assegurando, em parte, a capacidade do Poder Executivo 
condicionar a solidariedade do Parlamento através da legitimação de 
bancadas unânimes no Congresso, meras derivações das maiorias 
estaduais. 
Fraudados e fictícios, os procedimentos eleitorais permitiriam a 
sistemática exclusão de oposições no cenário decisório do período, 
asseverando o congelamentoda competição política no país. (RICCI e 
ZULINI, 2012, pág. 2). 
13
 
 
 
 
 
Contudo, não podemos normalizar a invertida praticada por Getúlio Vargas 
como legítima, como se os fins justificassem os meios. Note que o objetivo aqui não 
é ser simplista e raso na análise, ao ponto de afirmar se houve golpe ou revolução, 
mas de fazer essa crítica levando em consideração os fatos e todo o contexto da 
época. 
Indo ao encontro com as ideias propostas por Gonçalves, (2021), é 
perfeitamente possível compreender o movimento de 1930 como um golpe de Estado, 
bem como, reconhecê-lo como uma revolução pelas mudanças implementadas na 
política brasileira de imediato ou ainda que a longo prazo. 
As principais características que nos levam a afirmar que se tratou de um golpe 
de Estado são muito claras e já bastante abordadas por historiadores; primeiro por 
não se tratar de um movimento que possuía o nítido apoio popular, ainda que uma 
mudança fosse o desejo de muitos, como afirma Vianna, (2007, pág. 27), e oposto a 
isto, que se tratou de um movimento militar e de uso da força; segundo que havia uma 
Constituição em vigor, a de 1891, que foi ignorada e rasgada para que uma nova 
Constituição fosse elaborada, que viria ser a Constituição de 1934; terceiro que todos 
os governadores dos Estados foram tirados do poder, onde em suas posições foram 
nomeados interventores militares, fechamento do Congresso Nacional e a extinção de 
partidos políticos. Getúlio Vargas governou o país por quatro anos entre 1930 e 1934 
sem uma Constituição que o amparasse, dado o nome de Governo Provisório. 
 
Vargas optou, pela solução “revolucionária” de estabelecer um 
governo provisório com poderes emergenciais, em vez da solução 
“constitucional” de agir dentro da Constituição de 1891, como se as eleições 
tivessem dado vitória a ele e não a Júlio Prestes, e a revolução nunca tivesse 
ocorrido. Em 11 de novembro ele emitiu um decreto-lei que concedia poderes 
praticamente ditatoriais ao governo e dissolvia não somente o Congresso, 
mas também os corpos representativos estaduais e municipais, e lhe permitia 
ainda nomear e demitir funcionários públicos. (BOURNE, 2012, pág. 79). 
 
Por outro lado, ações importantes e inéditas foram realizadas por Getúlio 
Vargas nesta fase, uma vez no poder por intermédio de um golpe, Vargas tinha em 
sua postura carismática e amigável uma “arma” para conseguir a aceitação popular e 
perdurar no poder. 
 
No jogo da articulação racional da irracionalidade das massas, 
Campos vai privilegiar o papel do líder carismático como centro da integração 
política, como sustentáculo da formação do totalitarismo. O regime político 
próprio às massas é o regime da ditadura, do apelo, e não o da escolha. 
(PANDOLFI e BOMENY, 1999, pág.138). 
 
14
 
 
 
 
De acordo com Vares (2012, pág. 122-135) e Fausto (1970, pág. 86-91 e 112), 
entre os acontecimentos que podemos julgar revolucionários, excluindo aqui os meios 
para que tais mudanças viessem a acontecer, podemos citar o sepultamento definitivo 
dos acordos oligárquicos entre paulistas e mineiros como um símbolo maior da 
revolução e em segundo plano a gradativa superação da exclusividade da economia 
brasileira baseada na valorização do café como principal bem de exportação também 
por outros motivos anteriores que se somaram, além do fim do domínio dos coronéis. 
De forma mais efetiva, podemos destacar a “importante” iniciativa de criar 
novos ministérios como: Ministério da saúde, Ministério da Educação, Ministério da 
Indústria e do Comércio e o Ministério do Trabalho, este último segundo Gomes e 
D´Araújo (1987, pág. 3, 15 e 16), o que certamente iria “respaldar” as atitudes de 
Vargas perante a classe trabalhadora e operária, começando a atrelar sua imagem ao 
trabalhismo. Note que a palavra “importante” se encontra entre aspas no início do 
parágrafo para refletirmos sobre as reais intenções de Vargas com todas estas 
medidas, se realmente se tratava de um plano de governo bem-intencionado ou seria 
parte de um plano simplesmente pensando em se perpetuar no poder. 
 
O governo Vargas instituiu, pouco a pouco, uma série de medidas 
tendentes a dar tratamento específico à questão — a partir da criação do 
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio (novembro de 1930) — e a 
proteger a força de trabalho, promover sua limitada organização econômica, 
incentivar o aproveitamento do operário nacional. O anacrônico padrão de 
relações, sintetizado na frase tantas vezes citada, “a questão social é uma 
questão de polícia”, começou a ser substituído por outro que implicava o 
reconhecimento da existência da classe e visava a controlá-la com os 
instrumentos da representação profissional, dos sindicatos oficiais, apolíticos 
e numericamente restritos. (FAUSTO, 1970, pág. 108). 
 
 
5.2 Governo Constitucional 
 
No Governo Constitucional como o próprio termo revela, Vargas deixa de 
governar às margens e passa agora a ter um governo legítimo, ainda que eleito de 
forma indireta, é a segunda fase da Era Vargas, que se inicia em 1934 dando fim ao 
Governo Provisório e que se estende até 1937. 
Após inúmeras investidas da oposição frente ao descontentamento do Governo 
Provisório de Vargas, sendo marcada pela Revolução Constitucionalista de 1932, que 
exigia uma nova Constituição, uma nova assembleia constituinte é instituída 
culminando na promulgação da Constituição de 1934. Dentre as características dessa 
nova Constituição, podemos perceber o estabelecimento do mandato presidencial de 
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quatro anos, eleições por voto secreto e direto, instituição do voto feminino, proibição 
do trabalho infantil, estabelecimento da jornada de trabalho de oito horas, descanso 
semanal obrigatório e férias remuneradas, além do retorno dos partidos políticos. 
(PANDOLFI, 1999. GOMES; D’ARAÚJO, 1987). 
 
5.3 Estado Novo 
 
Conforme Gomes e D’Araújo, (1987), A última fase da Era Vargas é também 
um dos momentos mais discutidos da história da política brasileira. O Estado Novo, 
foi marcado pelo autoritarismo, censura e centralização do poder, com uma ideia de 
Estado nacionalista e intervencionista, que ao contrário da Revolução de 1930, aqui 
não há muitas dúvidas sobre a intenção golpista de Getúlio Vargas em 1937 para 
perpetuar no poder e que constituiu a ditadura varguista do Estado Novo. 
Com o fim da fase do Governo Constitucional em 1937, Vargas decidiu não 
abrir mão tão fácil do poder. Getúlio Vargas iria a partir de mais um golpe instaurar o 
período denominado Estado Novo, onde ficaria no poder até 1945, fechando o ciclo 
da Era Vargas que totalizaria quinze anos. Para tal, Vargas tinha como plano propagar 
uma possível ameaça comunista como seu passaporte para justificar a anulação das 
eleições de 1937 e continuar no poder, o que ficou conhecido como Plano Cohen. 
 
O mito da conspiração judaico-comunista foi utilizado como pretexto 
para o desfecho golpista que instaurou o Estado Novo. O famigerado Plano 
Cohen, suposto projeto de controle do Estado brasileiro pelos comunistas, 
elaborado de fato pelo capitão Olímpio Mourão Filho, que exercia também a 
função de chefe do Estado-Maior das Milícias Integralistas, fazia parte da 
“pedagogia integralista”, de conteúdo anticomunista e anti-semita. 
(PANDOLFI e MAIO, 1999, pág. 243). 
 
Com a implantação do Estado Novo, Vargas cercou-se de poderes 
excepcionais. As liberdades civis foram suspensas, o Parlamento dissolvido, 
os partidos políticos extintos. O comunismo transformou-se no inimigo público 
número um do regime, e a repressão policial instalou-se por toda parte. 
(PANDOLFI, 1999, pág. 10). 
 
Uma vez estabelecido o Estado Novo por intermédio de mais um golpe, Vargas 
começa seu plano para mais uma vez atingir a classe operária, o trabalhismo3 
varguista seria mais forte que outrora, seu principal objetivo seria formar uma base 
forte de apoio ao regime varguista no Estado Novo, sendo as principaisações a 
 
3 para uma análise mais aprofundada ver Getulismo e Trabalhismo: tensões e dimensões do Partido Trabalhista 
Brasileiro por GOMES e D’ARAÚJO, (1987). 
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consolidação das leis trabalhistas (CLT) que vigora até os dias atuais, tais medidas 
eram reinvindicações antigas do operariado. 
 
Neste ano o conjunto de leis referentes ao mundo do trabalho (salário 
mínimo, férias, limitação de horas de trabalho, segurança, carteira de 
trabalho, justiça do trabalho, tutela dos sindicatos pelo Ministério do 
Trabalho), promulgadas ao longo dos anos foi sistematizado pela 
Consolidação das Leis do Trabalho. Está medida representou, de um lado, o 
atendimento das reivindicações operárias que foram objetivo de imensa luta 
da categoria por várias décadas e, de outro, o controle através do Estado, 
das atividades independentes da classe trabalhadora, que acabou perdendo 
sua autonomia através do controle estatal. (CAPELATO, 2007, p.120). 
 
Podemos perceber que o Estado Novo foi instaurado através de um golpe por 
intermédio de um plano já amplamente desconstruído e que esse período se tratou de 
uma ditadura varguista por conter todas as características para tal, bem como, durante 
a construção deste trabalho, também foi possível identificar que, o golpe de 1937 e a 
compreensão da existência de uma ditadura do Estado Novo, é uma das poucas 
unanimidades ou no mínimo há poucas divergências entre os historiadores em relação 
a todos os acontecimentos durante o período da Era Vargas, não há indícios que 
possam contrariar diante de tudo que já foi posto pela historiografia e diante dos fatos 
postos que são nítidos e notórios. Por outro lado, o Estado Novo evidencia mais uma 
vez a controvérsia que existe ao tratar do político Vargas, pois ao mesmo tempo que 
implantou um regime ditatorial, promoveu também um dos momentos mais 
importantes para o desenvolvimento do Brasil em diversas áreas, baseado na 
industrialização do país. 
 
Getúlio Vargas foi um estadista, porque teve a visão da oportunidade 
que a Grande Depressão dos anos 1930 abria para o Brasil iniciar sua 
industrialização e completar sua Revolução Nacional. Foi um líder 
nacionalista e populista que encontrou um país agrário e atrasado quando 
assumiu o governo, e, 24 anos depois, o deixou industrializado e dinâmico... 
Vargas compreendeu, já no seu primeiro governo, que o Brasil estava ficando 
secularmente para trás no processo de desenvolvimento econômico, e que a 
única forma de recuperar o atraso era a industrialização. (BRESSER-
PEREIRA, 2009, pág. 6 e 8). 
 
O que mais uma vez podemos discutir aqui é a real intenção de Getúlio Vargas 
com todas suas “boas” ações, se seria realmente um pensando voltado para o 
desenvolvimentismo do Brasil ou se havia outras intenções para validar a ditadura 
imposta. Segundo Pandolfi e Carvalho, (1999), as duas vertentes são válidas. 
 
Analisar esse período em todas as suas dimensões significa 
apreender paradoxos e afastar tentações maniqueístas. Afinal, a despeito da 
ausência dos direitos políticos e da precariedade das liberdades civis, o 
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regime ditatorial consolidou a ideia do Estado como agente fundamental do 
desenvolvimento econômico e do bem-estar social. Se a política trabalhista 
de Vargas permaneceu praticamente intacta até os dias de hoje, se a 
discussão sobre o formato do Estado e a reforma da previdência social são 
temas que continuam mobilizando a sociedade, não se pode negar que o 
Estado Novo contribuiu para reforçar a fragilidade de nossas instituições 
político-partidárias, para produzir um descaso pelos direitos civis e políticos e 
para disseminar a ideologia do anticomunismo. A crença na dicotomia entre 
democracia social e democracia política, na supremacia do Executivo sobre 
o Legislativo e da técnica sobre a política são algumas das heranças do 
Estado Novo que comprometem até hoje a consolidação da nossa 
democracia. (PANDOLFI, 1999, pág. 11). 
 
 
Assim, aquele Estado moderno estruturou-se da melhor forma 
possível a fim de garantir, segundo versão oficial, “a passagem de um país 
agrícola para um país industrializado e independente economicamente”. No 
entanto, por trás dessa concepção desenvolvimentista escondia-se um 
espírito maquiavélico: o do controle sistemático das massas, articulado 
através de um plano orgânico e racional, de cunho nacionalista. A meta final 
era homogeneizar o pensamento e a raça brasileira controlando a população 
idealizada segundo modelos propostos pela ciência eugênica, ou seja, 
“produzir” um cidadão-símbolo da raça branca, limpo de impurezas (leia-se 
aqui da raça amarela e semita/judaica, tratadas como raças inferiores). Não 
se pretendeu, em nenhum momento, a constituição de uma sociedade 
culturalmente pluralista, razão pela qual o Estado procurou abortar qualquer 
tentativa, por parte dos imigrantes estrangeiros, de criação de uma identidade 
própria, tanto do ponto de vista étnico quanto cultural. (PANDOLFI e 
CARNEIRO, 1999, pág. 333). 
 
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6. SEQUÊNCIA DIDÁTICA 
 
 
Etapa de 3 aulas, com sequência didática para turmas do 9° ano do Ensino 
Fundamental II. 
 
 
AULA 01 
 
TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): 
A Revolução de 1930 e o contexto da 
República Velha. 
 
 
OBJETIVOS: Contextualizar os acontecimentos que 
antecederam o governo varguista, 
evidenciando as principais causas e 
consequências que culminaram no fim 
da República Velha e no início do 
Governo Provisório de Vargas em 
1930. 
 
Estimular o senso crítico dos alunos 
para que reflitam sobre a situação 
política, econômica e cultural do Brasil 
na República Velha, a fim de promover 
a discussão sobre as seguintes 
problemáticas: O Brasil precisava de 
uma mudança radical no seu sistema 
político? A Revolução de 1930 foi 
necessária ou haveria outra forma 
para promover uma eventual 
mudança? 
 
Analisar o contexto da Revolução de 
1930 para que os alunos reflitam sobre 
a problemática: Revolução ou golpe? 
 
CONTEÚDOS: República Velha (1889 a 1930). 
Revolução de 1930. 
 
ESTRATÉGIAS: Aula será do tipo expositiva dialogada, 
onde os alunos serão incentivados a 
participar do debate, sendo acionados 
por meio de questionamentos e livres 
para eventuais dúvidas e/ou 
colocações. 
 
RECURSOS: Quadro branco / livro didático / data 
show. 
 
19
 
 
 
 
AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados por meio de 
uma atividade, na qual deverão 
realizar em trio um círculo de debate e 
após um texto/resumo, onde irão 
expor de forma escrita as reflexões 
propostas nas problemáticas 
estabelecidas durante a aula. 
 
 
 
AULA 02 
 
TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): 
O Governo Provisório de Vargas, a 
Constituição de 1934 e o Governo 
Constitucional de Vargas. 
 
 
OBJETIVOS: Evidenciar as principais características 
e acontecimentos do Governo 
Provisório de Vargas (1930 a 1934), 
da Constituição de 1934 e do Governo 
Constitucional de Vargas (1934 a 
1937). 
 
Estimular a reflexão crítica dos alunos 
para a problemática: República Velha 
x Governo varguista, uma relação de 
Ruptura ou continuidade? 
 
CONTEÚDOS: Governo Provisório (1930 a 1934). 
Constituição de 1934. 
Governo Constitucional (1934 a 1937). 
 
ESTRATÉGIAS: A aula será do tipo expositiva clássica, 
com a utilização de slides. 
 
RECURSOS: Quadro branco / livro didático / data 
show. 
 
AVALIAÇÃO Os alunos serão avaliados por meio de 
uma atividade com dez questões 
discursivas no caderno. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 03 
 
TEMA DA AULA: A Era Vargas (1930 a 1945): 
O Estado Novo, de 1937 a 1945. 
 
 
OBJETIVOS: Evidenciar as principais características 
e acontecimentos do Estado Novo 
(1937 a 1945), com ênfase no golpe 
do Estado Novo 
 
CONTEÚDOS: O Estado Novo (1937 a 1945) 
 
ESTRATÉGIAS: A aula será do tipo expositiva onde 
num primeiro momento será exibido 
para os alunos um documentário sobre 
o Estado Novo de aproximadamente 
25min. Na segunda parte da aula serárealizada a leitura do conteúdo no livro 
didático em grupo, sendo solicitado 
que os alunos façam o cruzamento 
das informações do documentário com 
o conteúdo do livro didático. 
 
RECURSOS: Quadro branco / livro didático / sala de 
vídeo. 
 
AVALIAÇÃO: Os alunos serão avaliados por meio de 
uma atividade com dez questões 
objetivas. 
 
 
 
21
 
 
 
 
7. CONCLUSÃO 
 
 
Após analisar os pontos específicos abordados durante a pesquisa para este 
trabalho, podemos concluir que, o mito Vargas tal qual foi criado com o passar do 
tempo, como um homem predestinado a mudar o Brasil, precisa ser deixado de lado, 
para que uma análise mais fria e imparcial seja realizada, a fim de entendermos o 
período varguista com todas as suas controvérsias. O fato é que Vargas possui uma 
carreira política anterior a 1930 e que numa análise mais profunda, se faz necessário 
ser estudada e levada em consideração. 
Getúlio Vargas foi de certa forma um pouco de tudo dentro do cenário político 
brasileiro, de chefe de Estado provisório, passando por ditador até se tornar 
Presidente eleito. Analisar a Era Vargas é mergulhar numa onda de prós e contras 
sem fim, a ponto de nos questionarmos se ele seria realmente um “mal necessário” 
para que o Brasil deixasse para trás a Velha República e seguisse em frente, ou se a 
ditadura imposta por ele foi um preço alto demais. Teria o Brasil tomado outro rumo 
não fosse a tal Revolução ou golpe de 30? Jamais saberemos. 
O que podemos observar através dos fatos estabelecidos é que o processo 
revolucionário de 1930 determinou o fim da hegemonia política da elite do café, do 
coronelismo e outras práticas da República Velha, bem como, durante o Estado Novo, 
o Brasil acelerou seu processo de industrialização e modernização que estava 
atrasado, como também muitos direitos trabalhistas foram pela primeira vez 
concedidos e permanecem vigentes até os dias atuais. Por outro lado, durante o 
governo varguista a Constituição foi rasgada, direitos políticos foram suspensos, 
Congresso foi fechado, e golpe de Estado foi posto em prática. 
Dada a importância histórica que Getúlio Vargas tem para a política brasileira, 
os fatos relacionados aos seus governos com todas as suas controvérsias devem 
minimamente serem postos em sala de aula como um ponto de debate importante de 
forma imparcial, por intermédio da elaboração de uma sequência didática que 
possibilite aos alunos a busca pelo senso crítico, a fim de colaborar para que analisem 
os fatos e estabeleçam suas próprias ideias, conclusões e opiniões. 
 
22
 
 
 
 
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