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DIREITO COMERCIAL I
Introdução Geral
Professor Felipe Boechem
(19.09.2023)
PREMISSAS
Os conteúdos dessa apresentação foram preparados simplesmente para subsidiar aulas de graduação da faculdade de direito da UERJ e não representam opinião legal do autor sobre os temas aqui tratados.
O autor não assume qualquer responsabilidade perante os alunos ou quaisquer terceiros pelo uso deste material. 
Este documento tem caráter sigiloso, portanto, os destinatários deverão tratar como confidencial toda informação aqui disposta e não estão autorizados a divulgá-lo e/ou enviá-lo a terceiros, sem prévio consentimento do professor.
CARACTERÍSTICAS DAS SOCIEDADES
Personalidade jurídica por prazo indeterminado
Capacidade jurídica
Autonomia de atuação
Autonomia patrimonial
Limitação de responsabilidade dos investidores
Reduz os custos de agência
Reduz os custos de monitoramento de outros acionistas
Facilita a precificação das quotas/ações e sua transferibilidade
Incentivo para os administradores agirem de forma eficiente
Permite uma diversificação mais eficiente dos investimentos 
S.A. / LTDA.
SÓCIO 1
SÓCIO 2
Administração
CARACTERÍSTICAS DAS SOCIEDADES (LEGISLAÇÃO)
Art. 391 do CC: Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.
Art. 789 do CPC: O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Art. 790 do CPC: São sujeitos à execução os bens:
I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória;
II - do sócio, nos termos da lei; [...]
VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica.
Art. 795 do CPC: Os bens particulares dos sócios não respondem pelas dívidas da sociedade, senão nos casos previstos em lei.
§ 1º O sócio réu, quando responsável pelo pagamento da dívida da sociedade, tem o direito de exigir que primeiro sejam excutidos os bens da sociedade.
§ 2º Incumbe ao sócio que alegar o benefício do § 1º nomear quantos bens da sociedade situados na mesma comarca, livres e desembargados, bastem para pagar o débito.
§ 3º O sócio que pagar a dívida poderá executar a sociedade nos autos do mesmo processo.
§ 4º Para a desconsideração da personalidade jurídica é obrigatória a observância do incidente previsto neste Código.
Art. 44 do CC: São pessoas jurídicas de direito privado: [...]; II - as sociedades; [...]
Art. 49-A do CC:  A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores. Parágrafo único: A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos
Art. 50 do CC:  Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
§ 1º  Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, caracterizada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II - transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e III - outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
§ 3º  O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações de sócios ou de administradores à pessoa jurídica. [...]
CONCEITO DE SOCIEDADES
DEFINIÇÃO LEGAL
Art. 981 do CC: Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados.
CRÍTICAS
Teoria Contratualista x Teoria Institucionalista
Existência de sociedade unipessoal
Ausência de referência ao propósito de constituir um novo sujeito
Conceito muito amplo que abarcaria outras figuras (grupo de sociedades, consórcios, sociedade em conta de participação e outros arranjos cooperativos)
DIFERENÇAS COM OUTRAS FIGURAS JURÍDICAS
Nos Condomínios não há intenção de criar uma nova PJ
As Associações não tem finalidade de lucro e há pressuposto da pluralidade de associados (Art. 53 CC)
As Fundações não tem necessariamente finalidade de lucro e se formam a partir da afetação de um patrimônio (não da aglutinação de pessoas)
Personalidade jurídica das SOCIEDADES
REGISTRO COM EFEITO ATRIBUTIVO DE PERSONALIDADE JURÍDICA
Art. 45 do CC: Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
Art. 985 do CC: A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (Arts. 45 e 1.150).
Art. 967 do CC: É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
Sociedades Não Personificadas
Sociedade em Comum (Art. 986 – 990 do CC)
Art. 986 do CC: Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples
Art. 990 do CC: Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.
Sociedade em Conta de Participação (Art. 991 – 996 do CC)
Art. 993 do CC: O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade.
EFEITOS DA PERSONIFICAÇÃO
Plena capacidade jurídica
Autonomia de atuação
Autonomia patrimonial
Sociedade possui patrimônio distinto e inconfundível dos sócios
Sócios podem responder por dívidas das sociedade dependendo do regime jurídico aplicável
Patrimônio da sociedade não responde por dívidas dos sócios
Desconsideração da Personalidade Jurídica
Abuso de Direito. Desvirtuamento da função da PJ.
Situações excepcionais (Não é a regra!). Depende do caso concreto
É preciso que a má utilização produza efeitos jurídicos. Casos em que a PJ seja um obstáculo à reparação dos danos
Não abrange casos em relação aos quais a própria lei prevê responsabilidade do sócios
Art. 117 LSA: O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder.
Art. 28 CDC: O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
Art. 2º, § 2o  CLT: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico, serão responsáveis solidariamente pelas obrigações decorrentes da relação de emprego. 
Implica ineficácia da PJ relativamente aos atos praticados por meio da PJ
CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADESPELO OBJETO*
SOCIEDADES CIVIS E COMERCIAIS
Dificuldade de enquadramento e identificação
EMPRESÁRIAS
Exercem atividade própria de empresário
Sociedade por ações*
SIMPLES (Não empresário)
Não exercem empresa, mas podem exercer atividade econômica com escopo de lucro
Profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística 
Cooperativas*
Sociedade de advogados (Lei 8.906/1994)*
Podem optar por um dos tipos de sociedade empresária
DIFERENÇAS
Órgão responsável pelo registro
Lei de Falência x Insolvência Civil (CC, arts. 745 e ss)
Art. 982 do CC: Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais.
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa.
Art. 966 do CC: Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
Art. 1.150 do CC: O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária.
DEBATE SOBRE PROFISSÃO INTELECTUAL
Sociedade Empresária
Atividade Econômica: Atividade que visa geração de riqueza, ou seja, de bens ou serviços patrimonialmente avaliáveis
Destinada ao mercado: Atividade de produção ou circulação de bens ou serviços para o mercado
Organizada: congregação dos fatores de produção. Não requer trabalho de terceiros (Ex. lavanderia automatizada)
Profissional: Habitualidade + Escopo de Lucro
Exceção específica (Profissional Intelectual)
É a valoração social ou ética da natureza da atividade exercida pela sociedade que a caracteriza com simples (não o nível de organização da sociedade)
Acesso à profissão não é totalmente livre
Premissas de decoro que impedem concorrência
Inexiste produção em massa
Cientista pesquisador da verdade, artista criador do belo, inventor que busca a solução de um problema técnico
Sociedade de advogados (Lei 8.906/1994)*
Atividade Intelectual como elemento da empresa
Há uma outra atividade de natureza empresarial a qual a atividade intelectual server
Art. 966 do CC: Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços
Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
Art. 15 da Lei 8.906/1994:  Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral.  
Art. 28. do Código de Ética e Disciplina da OAB: O advogado pode anunciar os seus serviços profissionais, individual ou coletivamente, com discrição e moderação, para finalidade exclusivamente informativa, vedada a divulgação em conjunto com outra atividade
Enunciado 193 III Jornada de Direito Civil: O exercício das atividades de natureza exclusivamente intelectual está excluído do conceito de empresa.
RESPONSABILIDADE ILIMITADA DOS SÓCIOS
Sociedade Simples
Art. 1.023 do CC: Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.
Art. 1.024 do CC: Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais.
Sociedade em Nome Coletivo
Art. 1.039 do CC: Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais.
Parágrafo único: Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um.
Sociedade em Comum
Art. 990 do CC: Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.
REFLEXÕES
Responsabilidade Subsidiária x Responsabilidade Direta ou Pessoal
Benefício de ordem
Proporcionalidade x Solidariedade
Exemplos de Estatuto/Contrato Social
RESPONSABILIDADE LIMITADA DOS SÓCIOS
Sociedade ANÔNIMA
Art. 1º da LSA: A companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações, e a responsabilidade dos sócios ou acionistas será limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas.
Sociedade LIMITADA
Art. 1.052 do CC: Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.
REFLEXÕES
Em qual tipo societário a limitação é mais rigorosa?
Resp. Subsidiária: Credor da LTDA. ou S.A não pode cobrar diretamente dívida social dos sócios.
Limitação: Uma vez integralizadas as quotas ou ações, o credor da sociedade não tem, via de regra, ação contra o sócio ainda que a sociedade não tenha bens suficientes para pagar a dívida. 
S.A. / LTDA.
SÓCIO 1
SÓCIO 2
50%
50%
RESPONSABILIDADE MISTA DOS SÓCIOS
COMANDITA SIMPLES
Art. 1.045. do CC: Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota.
COMANDITA POR AÇÕES
Art. 282 da LSA: Apenas o sócio ou acionista tem qualidade para administrar ou gerir a sociedade, e, como diretor ou gerente, responde, subsidiária mas ilimitada e solidariamente, pelas obrigações da sociedade.
Art. 1.091. do CC: Somente o acionista tem qualidade para administrar a sociedade e, como diretor, responde subsidiária e ilimitadamente pelas obrigações da sociedade.
REFLEXÕES
Sócio Comanditado tem responsabilidade subsidiária, ilimitada e solidária
Sócio Comanditário tem responsabilidade subsidiária e limitada
SOCIEDADE LIMITADA
INTRODUÇÃO
Tipo societário mais utilizado no Brasil
Limitação de responsabilidade (Art. 1.052 do CC)
Ausência de capital mínimo ou quotas mínimas
Sem formalismo adicional
Contexto Histórico para seu surgimento 
Revolução Industrial – Dinamização das relações comerciais – Colonização africana por ingleses e alemães. 
Necessidade de limitação de responsabilidade sem o formalismo excessivo das S.A. 
Fruto de inovação legal e não propriamente da prática comercial
Private Companies na Inglaterra (1862)
Máximo de 50 sócios; proibida a livre transferência de quotas; sem prévia outorga de licença pela Coroa
Sociedades limitadas na Alemanha (1892)
(a) Natureza mercantil; (b) valor mínimo do capital, valor mínimo para cada quota de participação; (c) entrada inicial de, no mínimo, ¼ da quota; (d) livre cessão de quotas salvo disposição contratual em contrário; (e) exclusão de sócio inadimplente; (f) responsabilidade pela plus valia dos bens aportados ao capital social
Portugal (1901)
Brasil (Decreto 3.708/1919)
Características
Limitação de responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais 
Sócios são investidores (Art. 1.052 do CC)
Não comporta contribuição em serviços (Art. 1.055, § 2º)
Sociedade Empresária? 
É catalogada pelo CC como uma sociedade empresária (Arts. 983 e 1.052 do CC)
Sociedade simples pode adotar a forma de LTDA (segunda parte do Art. 983 do CC)
A classificação de uma LTDA como sociedade empresária não é propriamenteuma característica da LTDA
Sociedade de Pessoas?
Sociedade de Pessoas: (i) mudança de sócios requer anuência (Art. 1.057), (ii) não é permitida a abertura de capital, (iii) direito de retirada sempre que houver dissidência quanto à alteração do contrato social (Art. 1.077)
Tipo intermediário entre sociedade de pessoas e de capital, pois tem características de sociedade de capital: (i) limitação de responsabilidade dos sócios, (ii) não permite contribuição em serviços, (iii) admite regência supletiva pela LSA
Debate sobre possibilidade de Quotas Preferencias sem direito de voto ou com voto restrito
Art. 1.052 do CC: Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social.
§ 1º  A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas.     (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
§ 2º  Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social.     (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)
Art. 983 do CC: A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias.
Art. 1.057 do CC: Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social.
Art. 1.077 do CC: Quando houver modificação do contrato, fusão da sociedade, incorporação de outra, ou dela por outra, terá o sócio que dissentiu o direito de retirar-se da sociedade, nos trinta dias subseqüentes à reunião, aplicando-se, no silêncio do contrato social antes vigente, o disposto no art. 1.031.
Item 5.3.1 Manual de Registro de LTDA: São admitidas quotas de classes distintas, nas proporções e condições definidas no contrato social, que atribuam a seus titulares direitos econômicos e políticos diversos, podendo ser suprimido ou limitado o direito de voto pelo sócio titular da quota preferencial respectiva, observados os limites da Lei nº 6.404, de 1976, aplicada supletivamente. Havendo quotas preferenciais sem direito a voto, para efeito de cálculo dos quoruns de instalação e deliberação previstos no Código Civil consideram-se apenas as quotas com direito a voto.
REGIME JURÍDICO
Regime próprio previsto no CC (Arts. 1.052 a 1.087)
Omissões reguladas pelas disposições das sociedades simples (Art 1.053)
Art. 1.053 do CC: A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima.
Possibilidade de regência supletivas pela LSA prevista no contrato
Não se trata de regime alternativo nem substitutivo
Ex: A convocação de assembleia de sócios tem tratamento específico no CC, não devendo ser usado o tratamento da LSA.
A norma da LSA não pode ser incompatível com o regime da LTDA.
Ex: LTDA não pode abrir o capital
Ainda que não haja previsão de regência supletiva da LSA, a mesma pode ser aplicada por analogia em alguns casos
Ex: Acordo de Quotistas não está previsto no CC mas é viável com base na aplicação analógica do Art. 118 da LSA (ainda que não haja previsão contratual de regência supletiva pela LSA)
Enunciado 384 da IV Jornada de Direito Civil “Art. 999: Nas sociedades personificadas previstas no Código Civil, exceto a cooperativa, é admissível o acordo de sócios, por aplicação analógica das normas relativas às sociedades por ações pertinentes ao acordo de acionistas.” 
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